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Automação Industrial

Linhas de Produção
Não Automatizadas
Razões para a automação
• Algumas das razões mais comuns para justificar a automação são:
- Aumentar a produtividade;
- Reduzir os custos do trabalho;
- Reduzir ou eliminar as rotinas manuais e das tarefas
administrativas;
- Aumentar a segurança do trabalhador;
- Melhorar a qualidade do produto;
- Diminuir o tempo de produção;
- Realizar processos que não podem ser executados manualmente;
- Evitar o alto custo da não automação.
Sistemas de Produção
- Um sistema de produção é um conjunto de pessoas, equipamentos
e procedimentos organizados para realizar as operações de produção
de uma empresa (ou outra organização).
- Os sistemas de produção podem ser divididos em:
- Instalações: incluem as fábricas, as máquinas e as
ferramentas, o equipamento para tratamento de materiais, os
equipamentos de inspeção e os sistemas computadorizados que
controlam as operações de produção.
- Sistemas de apoio à produção: conjunto de procedimentos
utilizados pela empresa no gerenciamento da produção e na solução
de problemas.
Em termos da participação humana no processo executado
pelos sistemas de produção, três categorias básicas podem ser
listadas:
(a) sistemas de trabalho manual;
(b) sistemas trabalhador-máquina;
(c) sistemas automatizados.
Sistemas de trabalho manual: formados por um ou mais
trabalhadores, que executam uma ou mais tarefas sem a ajuda de
ferramentas motorizadas (costumam demandar o uso de
ferramentas manuais).
Sistemas de Trabalho Manual
Exemplos de atividades de produção que envolvem o
trabalho com ferramentas manuais incluem:
- Um mecânico utilizando uma lixa para arredondar as pontas de
uma peça retangular;
- Um inspetor de qualidade utilizando um micrômetro para
medir o diâmetro de um eixo;
- Um trabalhador responsável por manusear um carrinho que
movimenta caixas em um depósito.
Sistemas de Produção: Trabalhador-máquina
• Um trabalhador humano opera um equipamento motorizado, tal
como uma máquina-ferramenta ou outra máquina de produção.
• Esse é um dos sistemas de produção mais utilizados, e inclui
combinações de um ou mais trabalhadores e um ou mais
equipamentos. Trabalhadores e máquinas se combinam de modo
a tirar vantagem de seus pontos fortes e de seus atributos.
Sistemas de Produção: Sistemas automatizados
• Sistemas automatizados: um processo é executado por uma
máquina sem a participação direta de um trabalhador humano.
• Nem sempre existe distinção clara entre os sistemas trabalhador-
máquina e os sistemas automatizados, pois muitos sistemas
trabalhador-máquina operam com certo grau de automação.
• Distinguir-se dois níveis de automação: semiautomatizado e
totalmente automatizado.
• Uma máquina semiautomatizada executa parte do ciclo de trabalho
sob algum tipo de controle de programa, e um trabalhador humano
opera a máquina durante o restante do ciclo, carregando-a e
descarregando-a ou executando algum outro tipo de tarefa a cada
ciclo.
Sistemas de Produção: Sistemas automatizados
• Uma máquina totalmente automatizada se difere da anterior por
sua capacidade de operar por períodos mais longos sem a atenção
humana. Períodos mais longos significam mais do que um ciclo
de trabalho (a cada dez ou cem ciclos).
• Um exemplo desse tipo de operação é encontrado em muitas
fábricas de moldagem por injeção, nas quais as injetoras
funcionam em ciclos automáticos, mas que precisam que as
peças fabricadas sejam periodicamente coletadas por um
trabalhador.
Video
Sistemas de Produção: Sistemas automatizados
• Em determinados processos totalmente automatizados, um ou mais
trabalhadores devem estar presentes para monitorar continuamente a
operação e certificar-se de que a máquina opera conforme as
especificações.
• Os trabalhadores não participam ativamente do processo, exceto para
fazer ajustes ocasionais nas configurações dos equipamentos, executar
manutenções periódicas e entrar em
ação quando algo dá errado.

Exemplos: processos químicos


complexos, refinarias de
petróleo e usinas nucleares.
Automação dos sistemas de produção da fábrica: classificação
• Os sistemas automatizados de produção podem ser
classificados em três tipos básicos:
(1) automação rígida;
(2) automação programável;
(3) automação flexível.
• Automação rígida: Sistema no qual a sequência das operações
de processamento (ou montagem) é definida pela configuração
do equipamento.
• Normalmente, cada operação na sequência é simples e talvez
envolva um movimento linear plano ou rotacional, ou uma
combinação simples dos dois, tal como a alimentação de um
carretel em rotação.
• A integração e a coordenação de muitas dessas operações em
um único equipamento é o que torna o sistema complexo.
• Algumas características da automação rígida são:
(1) alto investimento inicial em equipamentos com engenharia
personalizada;
(2) altas taxas de produção;
(3) inflexibilidade do equipamento para acomodação da
variedade de produção;
Automação dos sistemas de produção da fábrica:
automação rígida
• O alto custo do equipamento pode ser diluído na grande
quantidade de unidades (altas taxas de produção), o que torna o
custo unitário mais atrativo.
• Exemplos de automação
rígida incluem a
linha transfer de montagem
e as máquinas de montagem
automatizadas
Automação dos sistemas de produção da fábrica:
automação programável
• Automação programável: o equipamento de produção é
projetado com a capacidade de modificar a sequência de
operações de modo a acomodar diferentes configurações de
produtos.
• Novos programas podem ser preparados e inseridos nos
equipamentos para fabricarem novos produtos. Algumas das
características da automação programável incluem:
(1) alto investimento em equipamentos de propósito geral;
(2) baixas taxas de produção se comparada à automação rígida;
(3) flexibilidade para lidar com variações e alterações na
configuração do produto;
(4) alta adaptabilidade para a produção em lote.
• A cada novo lote, a configuração física da máquina também
deve ser alterada (ex. ferramentas devem ser carregadas,
acessórios devem ser fixados à mesa da máquina). Esse
procedimento de alterações toma tempo.
Automação dos sistemas de produção da fábrica:
automação programável
• Exemplos de automação programável incluem máquinas-
ferramenta numericamente controladas (ex. uma fresa controlada
numericamente que produz peças diretamente de instruções
criadas por um programa de CAD)
• Controladores lógicos programáveis.
Automação dos sistemas de produção da fábrica:
automação flexível
É uma extensão da automação programável. O primeiro desses
sistemas foi instalado no fim da década de 1960.
• Um sistema automatizado flexível é capaz de produzir uma
variedade de peças (ou produtos), quase sem perda de tempo
(enquanto é reajustado) e com modificações de um modelo de
peça para outro.
• O sistema pode produzir diferentes variações e planos de peças
e produtos sem exigir que eles sejam produzidos em lotes.
• O que viabiliza a automação flexível é que a diferença entre as
peças processadas pelo sistema não é significativa e, portanto, o
volume de alterações exigidas entre os modelos é mínimo.
• Dentre as características da automação flexível estão:
(1) alto investimento em um sistema com engenharia
personalizada;
(2) produção contínua de um conjunto variado de produtos;
(3) taxas médias de produção;
Automação dos sistemas de produção da fábrica:
automação flexível
Exemplos de
automação
flexível incluem
os sistemas
flexíveis de
manufatura para
Execução
de operações
de máquinas.
Níveis de automação
O conceito de sistemas automatizados pode ser aplicado a
diferentes níveis de operações de fábrica. Podemos identificar
cinco níveis possíveis de automação em uma planta de produção:
• Nível do dispositivo – Esse é o nível mais baixo. Inclui
atuadores, sensores e outros componentes de hardware incluídos
no nível da máquina. Os dispositivos são combinados em loops
individuais de controle, por exemplo, na malha de controle por
realimentação para um eixo de uma máquina CNC ou uma
articulação de um robô industrial.
Níveis de automação
• Nível da máquina – Nesse nível, as funções de controle incluem
a execução da sequência de etapas no programa de instruções na
ordem correta e a certificação de que cada etapa foi
adequadamente executada.
• Nível da célula ou do sistema – As linhas de produção estão
incluídas nesse nível. As funções incluem a expedição da peça e
o carregamento da máquina, a coordenação das máquinas com os
sistemas de manuseio de materiais e a coleta e avaliação dos
dados de inspeção.
Níveis de automação
• Nível da fábrica – Recebe instruções do sistema de informações
corporativas e as traduz em planos operacionais para a produção.
Funções semelhantes incluem processamento de pedidos,
planejamento de processos, controle de estoque,
aquisição, planejamento de requisitos de materiais, controle do
chão de fábrica e controle de qualidade.
• Nível do empreendimento – Formado pelo sistema de
informações corporativas. Ele se preocupa com todas as funções
necessárias ao gerenciamento da empresa: marketing e vendas,
contabilidade, projeto, pesquisa, entre outros.
Elementos básicos de um sistema automatizado
• Um sistema automatizado é composto por três elementos:
(1) energia para concluir os processos e operar o sistema;
(2) um programa de instruções que direcione os processos;
(3) um sistema de controle que execute as instruções.

Energia

Programas de
Sistema de Controle Processo
Instruções
Energia para realização do processo automatizado
• Nos sistemas automatizados, a principal fonte de energia é a
eletricidade.
• A energia elétrica apresenta muitas vantagens tanto nos
processos automatizados como naqueles não automatizados:
- Está amplamente disponível a um custo moderado. Ela é parte
importante de nossa infraestrutura industrial.
- A energia elétrica pode ser prontamente convertida em formas
alternativas de energia: mecânica, térmica, luminosa, acústica,
hidráulica e pneumática.
Energia para realização do processo automatizado
- Em níveis baixos, a energia elétrica pode ser utilizada na
realização de tarefas como a transmissão de sinal, processamento
de informações, comunicação e armazenamento de dados.
- A energia elétrica pode ser armazenada em baterias de longa
duração para utilização em locais nos quais não estão disponíveis
fontes externas de energia.
Programa de instruções
• As ações realizadas por um processo automatizado são definidas por um
programa de instruções.
• Cada peça ou cada produto feito envolve uma ou mais etapas de
processamento que são únicas da peça ou do produto manipulado.
• Essas etapas de processamento são executadas durante um ciclo de
trabalho.
• Geralmente, uma nova
peça é concluída a cada
ciclo.
O que é Controle Industrial?
- É a regulação automática das operações da unidade e de seus
equipamentos associados, bem como a integração e a coordenação dessas
operações no sistema de produção maior.
Sistemas de controle
• O elemento de controle em um sistema automatizado executa o
programa de instruções, faz com que o processo execute sua
função de forma a realizar alguma operação de produção.
• Os controles de um sistema automatizado podem ser tanto de
malha fechada como de malha aberta.
• Um sistema de controle de malha fechada (também conhecido
como sistema de controle por retroalimentação) é aquele no qual
a variável de saída se compara a um parâmetro de entrada e
qualquer diferença entre eles é ajustada para fazer com que a
saída esteja em conformidade com a entrada.
Sistemas de controle
• O parâmetro de entrada, normalmente chamado de valor
desejado. Em um sistema doméstico de controle de temperatura,
o valor-alvo é o valor de configuração do termostato.
• A variável de saída é alguma variável do processo, uma medida
crítica de desempenho no processo tal como temperatura, força
ou vazão.
Sistemas de controle por Realimentação
Parâmetro Variável
de Entrada de Saída
Controlador Atuador Processo

Sensor de
Feedback

Sistemas de controle de Malha Aberta


Parâmetros Variável
de Entrada de Saída
Controlador Atuador Processo
Sistemas de controle: Sistema de malha fechada
Um sensor é utilizado para medir a variável de saída e fechar a
malha entre a entrada e a saída, e é responsável pela função de
retroalimentação em um sistema de controle de malha fechada.
• O controlador compara a saída com a entrada e faz os ajustes
necessários no processo para reduzir as diferenças entre elas.
Sistemas de controle: Sistema de malha fechada
• O ajuste é alcançado utilizando-se um ou mais atuadores, que
são os dispositivos de hardware que fisicamente executam as
ações de controle, tais como motores elétricos ou válvulas de
controle de vazão.
• A maioria dos processos industriais demanda múltiplas malhas,
uma para cada variável de processo a ser controlada.
Sistemas de controle Sistema de malha aberta
Em contraste com o sistema de controle de malha fechada, temos
o sistema de controle de malha aberta, que opera sem uma malha
por retroalimentação.
• Os controles operam sem medir a variável de saída e, portanto,
não há comparação entre o valor de saída e o parâmetro de
entrada desejado.
• O controlador confia em um preciso modelo do efeito de seu
atuador sobre a variável do processo.
• Com um sistema de malha aberta, existe sempre o risco de o
atuador não causar o efeito esperado no processo e essa é a
desvantagem desse tipo de sistema de controle.
Controle Contínuo versus Controle Discreto
• Há dois tipos básicos de controle:
(1) controle contínuo: variáveis são contínuas/analógicas;
(2) controle discreto: variáveis são discretas, em sua maioria discretas
binárias.
Variáveis contínuas
• Uma variável contínua (ou parâmetro) é a que se mantém
ininterrupta conforme o tempo procede, pelo menos durante a
operação de produção.
• De modo geral, pode assumir qualquer valor dentro de um
determinado intervalo (analógica). Ela não é restrita a um
conjunto discreto de valores.
• Exemplos: força, temperatura, vazão, pressão e velocidade
Variável discretas binárias
• Uma variável discreta (ou parâmetro) pode assumir apenas
certos valores em um dado intervalo.
• O tipo mais comum de variável discreta é a binária, o que quer
dizer que ela pode assumir um de dois valores possíveis, ligado
ou desligado, aberto ou fechado e assim por diante.
• Exemplos: interruptor aberto ou fechado, motor ligado ou
desligado e peça de trabalho presente ou ausente.
Variáveis discretas não binárias
Outras variáveis (discretas não-binárias) podem assumir mais de
dois valores possíveis, porém não infinitos.
• Exemplo: contagem diária de peças em uma operação de
produção e a exibição na tela de um tacômetro digital.
Controle Contínuo
• O objetivo comum é manter o valor de uma variável de saída
em um nível desejado, como na operação de um sistema de
controle por realimentação (feedback).
• A maioria dos processos contínuos na prática consiste em
muitas malhas de realimentação separadas, das quais todas
devem ser controladas para manter a variável de saída com o
valor desejado.
• Exemplos: Controle da saída de uma reação química que
depende de temperatura, pressão e vazão de entrada de vários
reagentes. Todas essas variáveis e/ou parâmetros são contínuos.
Sistemas de controle discretos
- O controle discreto é muito usado.
- Na produção discreta, é usado para controlar sistemas de
transporte de material, sistemas de armazenamento
automatizado, máquinas de produção independentes, linhas de
transferência automatizadas, sistemas de montagem
automatizados e sistemas flexíveis de manufatura.
• Nas indústrias de processos, o controle discreto é mais
associado ao processamento em lote do que aos processos
contínuos. No controle de processamento em lote, o objetivo é
gerenciar a sequência e a cronometragem das etapas de
processamento, regulando os parâmetros em cada etapa.
Controle discreto: Controle Numérico (CN)
• Envolve a utilização do computador para dirigir uma
ferramenta de usinagem por meio de uma sequência de etapas de
processamento.
• A característica distintiva do CN é o controle da posição
relativa de uma ferramenta em relação a um objeto (peça de
trabalho) sendo processado.
• Cálculos devem ser feitos para determinar a trajetória que será
seguida pela ferramenta de corte para dar forma à geometria da
peça. Dessa forma, o CN requer que o controlador execute não
apenas controle sequencial, mas também cálculos geométricos.
Controle discreto: Robótica Industrial
• A robótica industrial tem estreita relação com o CN; nela as
juntas do manipulador (braços do robô) são controladas para
mover o final do braço por uma sequência de posições durante o
ciclo de trabalho.
• Como no CN, o controlador deve realizar cálculos durante o
ciclo de trabalho para implementar interpolação do movimento e
outras funções.
Controle discreto: CLP
• Podemos definir um controlador lógico programável como um
controlador baseado em microprocessador que usa instruções
guardadas na memória programável para implementar funções de
lógica, sequenciamento, tempo, contagem e controle aritmético a
fim de controlar as máquinas e processos.
• Os CLPs atuais são usados tanto para
aplicações de controle contínuo como
para as de controle de processo, tanto
nas indústrias de processo como nas
de produção discreta.
Controle discreto: controle supervisório
• No contexto da produção discreta, o controle supervisório pode
ser definido como o sistema de controle que direciona e coordena
as atividades de vários equipamentos interagindo entre si em um
sistema ou célula de manufatura.
Controle discreto: controle supervisório
• Em quase todos os casos, os sistemas de controle supervisório
são projetados para permitir a interação com operadores
humanos, e a responsabilidade pelo controle é dividida entre os
controladores e os homens.
Funções avançadas de automação
• Além de executar os programas dos ciclos de trabalho, um
sistema automatizado pode ser capaz de executar funções
avançadas não específicas de uma unidade de trabalho em
particular.
• Funções avançadas incluem:
(1) monitoramento da segurança
(2) manutenção e diagnósticos de reparação
(3) detecção de erros e recuperação
Funções avançadas de automação
• As funções avançadas de automação são viabilizadas por sub-
rotinas especiais incluídas no programa de instruções.
• Em alguns casos, as funções somente oferecem informações e
não envolvem quaisquer ações físicas por parte do sistema de
controle.
• Ex.: relatar uma lista de tarefas de manutenção preventiva a ser
realizada.
Referências:
Lima Jr, F. R. Slides sobre Visão Geral sobre Automação. UTFPR -
Escola de Gestão e Economia.

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