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22/09/2021

Conversão de Energia e
Transformadores

Cap. IV – Análise de
Transformadores Monofásicos

Prof. Geraldo Caixeta Guimarães - FEELT/UFU

Cap. IV – ANÁLISE DE TRANSFORMADORES


MONOFÁSICOS
Tópicos:
4.1. O Transformador Ideal Sem Carga
4.2. O Transformador Ideal Com Carga
4.3. O Transformador Real Sem Carga
4.4. O Transformador Real Com Carga
4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real
4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo
4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador
4.8. Autotransformadores
4.9. O Sistema Por Unidade para Transformadores Monofásicos

Referência Principal: UMANS, STEPHEN D. Máquinas Elétricas de Fitzgerald e


Kingsley, 7a Edição, Porto Alegre: AMGH Editora Ltda, 2014.
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4.1. O Transformador Ideal Sem Carga


 Para encontrar um circuito elétrico que represente o comportamento de
um transformador, primeiro são feitas determinadas aproximações, que
serão mais tarde contornadas. Assim, para se conseguir o denominado
“transformador ideal”, sejam as seguintes hipóteses:
1. As resistências dos enrolamentos
primário e secundário são desprezíveis;
2. Todo fluxo (𝜑 ou Φ) está confinado no
núcleo, enlaçando ambos os
enrolamentos (reatâncias de dispersão
desprezadas);
3. As perdas no núcleo (ou perdas no
ferro) são desprezíveis;
4. A permeabilidade magnética do núcleo é
infinita, podendo-se, assim, desprezar a
corrente de excitação (𝑖 ) necessária Figura 4.1 - Trafo ideal sem carga
para estabelecer o fluxo no núcleo, ou
seja, a f.m.m. resultante necessária para
estabelecer este fluxo no núcleo pode
ser considerada nula.
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4.1. O Transformador Ideal Sem Carga


 Na energização de um transformador ideal a vazio (sem carga), a
pequena corrente que circula no enrolamento primário é a corrente de
excitação 𝐼 (também chamada de 𝐼 ). Isto está mostrado na figura
4.2.

Figura 4.2 - Diagrama esquemático de um transformador ideal sem carga

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4.1. O Transformador Ideal Sem Carga


 Se as resistências dos enrolamentos são desprezíveis (hipótese 1), ao
se aplicar uma tensão eficaz 𝑉 no primário do transformador ideal, a
corrente de excitação 𝐼 (ou de magnetização 𝐼 neste caso) é produzida
com 90 graus em atraso em relação a 𝑉 , gerando uma fcem 𝐸 igual e
oposta a 𝑉 , limitando assim a corrente do primário.
 A corrente 𝐼 está em fase com o fluxo Φ porque não há perdas no ferro
(hipótese 3). Isto está mostrado na figura 4.3.

Figura 4.3 - Diagrama fasorial de um transformador ideal sem carga


(No desenho supôs-se que 𝑁 /𝑁 = 2 → 𝑉 /𝑉 = 2)

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4.1. O Transformador Ideal Sem Carga

Se a tensão instantânea aplicada 𝑣 é uma senoide, então as expressões instantâneas


para a fem 𝑒 e para o fluxo magnético Φ deverão ser também senoidais, de modo
que:
Φ = Φ 𝑠𝑒𝑛𝜃 = Φ 𝑠𝑒𝑛𝜔𝑡 = Φ 𝑠𝑒𝑛 2𝜋𝑓𝑡 (01)

mas, pela lei da indução de Faraday, obtém-se:


𝑑Φ
𝑒 = −𝑁 (02)
dt
Nota: Observe que o sinal negativo de (02)
significa que a fem 𝑒 deve se opor a
corrente 𝑖 que produz a variação do
fluxo Φ (lei de Lenz).
Analogamente, tem-se:
𝑑Φ
𝑒 = −𝑁 (03)
dt
Nota: Por convenção, a fem 𝑒 possui o mesmo sinal de 𝑒 visto que estas são
produzidos pelo mesmo fluxo Φ (hipótese 2).

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4.1. O Transformador Ideal Sem Carga


Substituindo o valor de Φ da equação (01) em (02), se obtém:

𝑒 = −2𝜋𝑓𝑁 Φ 𝑐𝑜𝑠 2𝜋𝑓𝑡 (04)

O gráfico do fluxo Φ é uma senoide, o gráfico de 𝑒 é também uma senoide, porém


com um atraso de 90 graus em relação ao fluxo. O valor máximo de 𝑒 é:
𝐸 á = 2𝜋𝑓𝑁 Φ

Daí, dividindo por 2 , obtém-se o valor


eficaz de 𝑒 :
𝐸 = 4,44𝑓𝑁 Φ (05)

Analogamente, obtém-se o valor eficaz de 𝑒 :


𝐸 = 4,44𝑓𝑁 Φ (06)

Dividindo (05) por (06):


𝐸 𝑁
=
𝐸 𝑁

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4.1. O Transformador Ideal Sem Carga


No transformador ideal tem-se:
𝑉 = 𝐸 e 𝑉 = 𝐸 . Então:
𝑉 𝑁
= (07)
𝑉 𝑁

Esta equação estabelece que as tensões nos enrolamentos primário e


secundário de um transformador ideal são diretamente proporcionais
aos números de espiras de seus enrolamentos.

Nota: A equação (07) é válida para um transformador ideal e também


para um transformador real sem carga. Já para transformadores
reais a plena carga, esta equação tende a produzir um erro entre
2% e 3%, podendo este ser ainda maior caso a carga conectada
nos terminais tenha baixo fator de potência.

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4.1. O Transformador Ideal Com Carga


A figura 4.4 mostra a energização de um transformador ideal com uma carga
conectada no seu secundário.

Figura 4.4 - Diagrama esquemático de um transformador ideal com carga

Ao se aplicar novamente a tensão 𝑉 no primário do transformador ideal, agora irá


circular uma corrente 𝐼 no secundário por causa da carga e uma corrente maior 𝐼
no primário (que inclui a corrente de excitação 𝐼 ).

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4.2. O Transformador Ideal Com Carga


Assumindo nulas as perdas do núcleo (hipótese 3) e infinita a permeabilidade do
núcleo (hipótese 4), tem-se que as forças magnetomotrizes produzidas pelas duas
correntes devem ser iguais. Assim:
𝐼 𝑁
N 1 I1 = N 2 I2 = (08)
𝐼 𝑁

Isto significa que as correntes


nos enrolamentos primário e
secundário de um transformador
ideal são inversamente
proporcionais aos números de
espiras de seus enrolamentos.
Também, das equações anteriores, chega-se a:
𝑉𝐼 =𝑉𝐼 𝑆 =𝑆 (09)

Logo, num transformador ideal, a potência instantânea de entrada é


igual a potência instantânea de saída. Isto acontece porque neste caso
não existe qualquer perda de potência (hipóteses 1 e 3).

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4.2. O Transformador Ideal Com Carga


Das relações das tensões e correntes, obtém-se:
𝑁 𝑁
𝑉 =𝑉 e I =𝐼
𝑁 𝑁
Dividindo-se uma pela outra, chega-se a:
𝑉 𝑉 𝑁
=
𝐼 𝐼 𝑁

𝑍 𝑁
= (10)
𝑍 𝑁

Chamando 𝑁 /𝑁 = 𝛼 pode-se afirmar que um transformador ideal é então


visto como um dispositivo que, sem perder qualquer potência (𝑆 = 𝑆 ):
 transfere tensão na relação direta do número de espiras 𝑉 /𝑉 = 𝛼 ;
 transfere corrente na relação inversa do número de espiras 𝐼 /𝐼 = 1/𝛼 ;
 transfere impedância na relação direta do quadrado do número de espiras
𝑍 /𝑍 = 𝛼 .
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4.2. O Transformador Ideal Com Carga


 Resumo das relações de um transformador Ideal com carga:

1) As tensões são transformadas na razão direta das espiras:

2) As correntes são transformadas na razão inversa das espiras:

3) As impedâncias são transformadas na


razão direta das espiras ao quadrado:

4) A potência e os volts-ampères não se alteram:

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4.2. O Transformador Ideal Com Carga


 Referindo a Impedância da carga do secundário ao primário no trafo ideal:

𝑁
Impedância referida na forma fasorial: 𝑍 = 𝑍
𝑁

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


 Excitação CA:
Seja o fluxo no trafo, desprezando a
resistência e e a reatância de dispersão
do enrolamento do primário, mas
considerando as perdas no núcleo:
𝜑=𝜑 𝑠𝑒𝑛𝜔𝑡

Pela Lei de Faraday:


𝑑𝜑
𝑒 =𝑣 =𝑁
𝑑𝑡
𝑒 =𝑁𝜑 𝜔 𝑐𝑜𝑠𝜔𝑡 = 2𝜋𝑓𝑁 𝜑 𝑐𝑜𝑠𝜔𝑡
𝐸 = 2𝜋𝑓N 𝜑

𝐸 2𝜋
𝐸 = = 𝑓N 𝜑 = 4,44𝑓N 𝜑
2 2
𝐸 ≅𝑉
𝜑 =
4,44𝑓N

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


 Excitação CA:
𝐸 ≅𝑉
𝜑 =
4,44𝑓N

 Corrente de excitação:

 Perdas no núcleo (“core”):

𝑃 = 𝐸 𝐼 𝑐𝑜𝑠𝜃 = 𝐸 𝐼

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


 Corrente de excitação do transformador, sem o efeito da histerese:

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


 Corrente de excitação do transformador, com o efeito da histerese:

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


 Corrente de excitação do transformador, com o efeito da histerese:

Observações sobre a Corrente de Excitação:


1) Como a onda de corrente de excitação é não-senoidal, ela pode ser
decomposta numa componente fundamental (em 60 Hz) e, principalmente,
numa forte componente de 3º harmônica (frequência = 3 x 60 = 180 Hz).

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


Observações sobre a Corrente de Excitação:
2) A origem da 3º harmônica da corrente de excitação está, portanto, no núcleo
de ferro ou nos enrolamentos que o envolvem, e não na fonte de tensão
senoidal que é aplicada ao primário.
3) Neste sentido, se esta componente (3º harmônica) fosse bloqueada no
primário (por um filtro harmônico apropriado), ela poderia circular no
secundário ou num eventual enrolamento terciário, desde que haja um
caminho fechado para essa corrente.
4) Em transformadores monofásicos, o caminho de circulação das
componentes harmônicas da corrente (3º harmônica, e outros de ordem
superior) será sempre pela malha fechada do primário.
5) Em transformadores trifásicos, o caminho de circulação dessas
componentes harmônicas da corrente irá depender do tipo de conexão dos
enrolamentos do primário e secundário (estrela aterrada, estrela isolada, ou
triângulo). Isto será abordado oportunamente no próximo capítulo.

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


 Corrente de excitação de transformador obtida em laboratório:

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


A figura 4.5 mostra o diagrama fasorial de um transformador real, sem carga. A
potência recebida no primário pelo transformador é 𝑉 𝐼 cos 𝜃 e nenhuma potência
é restituída no secundário, já que este se encontra sem carga ou a vazio.

Se a pequena dissipação de potência no cobre do enrolamento primário 𝑅 𝐼 for


desconsiderada, então, toda esta potência é absorvida pelas perdas no ferro.

Figura 4.5 - Diagrama fasorial de um transformador real sem carga


(Nota: No diagrama assumiu-se que 𝑁 /𝑁 = 2, 𝐼 = 𝐼 e Φ = 𝜑)

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4.3. O Transformador Real Sem Carga

Neste contexto, a corrente de excitação ( 𝐼 = 𝐼 ) é formada por duas


componentes:

𝐼 = 𝐼 𝑠𝑒𝑛𝜃 = componente magnetizante, aquela corrente necessária para


produzir o fluxo Φ = 𝜑;
𝐼 = 𝐼 cos 𝜃 = componente correspondente às perdas no núcleo, aquela
que multiplicada por 𝐸 resulta nas perdas por histerese e por
correntes parasitas no ferro.

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


Exemplo 4.1
No exemplo 1.8 (ver capítulo I), foram
calculados as perdas no núcleo 𝑃 = 16 W
e os volt-amperes de excitação (𝑉𝐼) =
20 VA para o núcleo da figura abaixo para
uma densidade de fluxo magnético
máxima 𝐵 = 1,5 T . O valor rms da
tensão induzida foi 𝐸 = 274/ 2 = 194 V
quando o enrolamento tinha 𝑁 =
200 𝑒𝑠𝑝𝑖𝑟𝑎𝑠.
Determinar o fator de potência 𝑐𝑜𝑠𝜃 , a
corrente de excitação 𝐼 = 𝐼 , a corrente
de perdas no núcleo 𝐼 e a corrente de
magnetização 𝐼 .

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4.3. O Transformador Real Sem Carga


Solução:

𝑃 16
𝑐𝑜𝑠𝜃 = = = 0,80 (𝑎𝑡𝑟𝑎𝑠𝑎𝑑𝑜)
(𝑉𝐼) 20
𝜃 = 𝑐𝑜𝑠 0,80 = 36,87 (𝑎𝑡𝑟𝑎𝑠𝑎𝑑𝑜)
(𝑉𝐼) 20
𝐼 =𝐼 = = = 0,103 A
𝐸 194
𝑃 16
𝐼 = = = 0,082 A
𝐸 194

𝐼 = 𝐼 𝑠𝑒𝑛𝜃 = (0,103)𝑠𝑒𝑛36,87 = 0,0620 A

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4.4. O Transformador Real Com Carga


O modelo do transformador real pode ser entendido como sendo igual ao modelo
de um transformador ideal com inclusão dos elementos (parâmetros) que foram
omitidos nas hipóteses simplificadoras. Isto está mostrado na figura 4.6.

Figura 4.6 - Transformador ideal mais parâmetros do transformador real e uma carga

Esta figura mostra ainda que uma carga passiva de impedância 𝑍 é


conectada no secundário do transformador. Então uma corrente 𝐼 irá
circular tal que 𝐼 = 𝑉 /𝑍.

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Assumindo uma carga indutiva, e desprezando as quedas de tensão nas
impedâncias do primário e secundário, pode-se acrescentar esta corrente
ao diagrama fasorial anterior, chegando-se a figura 4.7.

Figura 4.7 - Diagrama fasorial


de um transformador ideal
com carga (𝑁 /𝑁 = 2)

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Nesta hipótese, o ângulo de defasagem (ou de atraso) de 𝐼 em relação a
𝐸 , correspondente ao ângulo do fator de potência da carga, ou ângulo 𝜃 .

Figura 4.7 - Diagrama fasorial


de um transformador ideal
com carga (𝑁 /𝑁 = 2)

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4.4. O Transformador Real Com Carga


A corrente 𝐼 que circula no enrolamento secundário exerce uma fmm 𝑁 𝐼
ampére-espiras, que atua sobre o mesmo circuito magnético que a fmm
𝑁 𝐼 ampére-espira do primário. A plena carga, 𝑁 𝐼 é em torno de vinte
vezes 𝑁 𝐼 .

Figura 4.7 - Diagrama fasorial


de um transformador ideal
com carga (𝑁 /𝑁 = 2)

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Se a fmm do secundário não for neutralizada por corrente adicional, no primário, o
fluxo no núcleo será muito alterado (sabe-se que ele é constante) e o equilíbrio entre
𝑉 e 𝐸 será completamente desfeito.

Num trafo ideal não existe o que se oponha à corrente no primário, exceto 𝐸 , e,
portanto, se algum desequilíbrio se produzir entre 𝑉 e 𝐸 , a corrente no primário
𝐼 variará e continuará variando até que o equilíbrio se restabeleça.
Já, no trafo real, o equilíbrio poderá ser restabelecido apenas pela neutralização da
fmm no secundário, 𝑁 𝐼 .

Seja 𝐼 a corrente no primário


necessária para neutralizar 𝑁 𝐼 .
Então:
𝑁𝐼 =𝑁 𝐼 (11)
Além disso, 𝐼 deve estar
defasado de 𝐼 de 180o de modo
que suas fmms estejam em
oposição em todos os pontos do
ciclo.
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4.4. O Transformador Real Com Carga


A corrente total no primário 𝐼 é a soma fasorial de 𝐼 e 𝐼 .
O diagrama vetorial da figura 7 representa um trafo com uma carga com um fator de
potência atrasado (supôs-se 𝜃 = 30 ).
À plena carga, 𝐼 é muito maior que 𝐼 e nos cálculos grosseiros pode-se desprezar
𝐼 e substituir 𝐼 por 𝐼 na equação (11). Então, obtém-se a mesma equação da
seção 3 quando se considerou o transformador ideal com carga, isto é:

𝑁𝐼 =𝑁 𝐼 (12)

de onde se extrai novamente a relação


das correntes para o trafo real, dada
por:
𝐼 𝑁
= (13)
𝐼 𝑁

Nota: Deve-se ter o devido cuidado ao aplicar a equação (13), pois ela é
completamente imprecisa para cargas muito leves.

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Pela teoria ora apresentada, supôs-se que todo o fluxo enlaçava ambos os
enrolamentos do primário e secundário, porém, na prática, isto não é verdade para
um transformador real.
A figura 4.8 mostra que a fmm 𝑁 𝐼 do primário produz um fluxo Φ , chamado de
fluxo de dispersão (“leakage flux” no inglês) do primário, que é proporcional a 𝐼 , e
que atravessa a bobina 1, mas não atravessa a bobina 2.

Por outro lado, os ampére-espiras


𝑁 𝐼 produzem um fluxo Φ ,
chamado de fluxo de dispersão
do secundário, que é
proporcional a 𝐼 e que atravessa
a bobina 2, mas não a atravessa a
bobina 1.

Figura 4.8 - Fluxos de dispersão


(“leakage fluxes”) no trafo real

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Qualquer bobina na qual a corrente 𝑖 produz um fluxo Φ proporcional ao valor da
corrente, possui uma característica chamada de “auto-indutância”, 𝐿 , e a
correspondente reatância indutiva 𝑋 = 2𝜋𝑓𝐿. A tensão necessária para enviar
uma corrente alternada 𝐼 através da dita bobina é 𝐼𝑋, sendo que essa corrente fica
em atraso de 90o em relação a esta tensão.
O fluxo de dispersão Φ = 𝑘𝑖 pode ser considerado através de uma reatância de
dispersão 𝑋 . Da mesma maneira, Φ = 𝑘𝑖 pode ser representado por uma
reatância de dispersão 𝑋 . Isto é mostrado na figura 4.9, onde as resistências dos
dois enrolamentos foram também incluídas.

Figura 4.9 - Transformador real com as suas impedâncias de dispersão


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4.4. O Transformador Real Com Carga


Tomando-se por base as figuras anteriores, tem-se que:
𝐸 𝑁
= (14)
𝐸 𝑁

A voltagem terminal 𝑉 se obtém subtraindo de 𝐸 as quedas de tensão 𝐼 𝑅 e 𝐼 𝑋 ,


estando 𝐼 𝑅 em fase com 𝐼 e 𝐼 𝑋 em avanço de 90º sobre 𝐼 . A voltagem
aplicada ao primário 𝑉 é obtida somando-se a 𝐸 os valores 𝐼 𝑅 e 𝐼 𝑋 , sendo 𝐼 𝑅
em fase com 𝐼 e 𝐼 𝑋 em avanço de 90º sobre 𝐼 .

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Atenção: Para fator de potência da carga:
 Em atraso (carga indutiva): A voltagem no secundário cai quando a carga aumenta;
 Em avanço (carga capacitiva): A voltagem no secundário se eleva quando a carga
aumenta.

O cálculo da queda de tensão em um transformador real é idêntico ao cálculo da


queda de tensão em duas impedâncias: uma no primário e outra no secundário.
Não existe queda de tensão no transformador ideal, mas somente uma
transformação de voltagens.

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Exemplo 4.2
O circuito equivalente da figura abaixo mostra um transformador ideal em que a
impedância 𝑅 + 𝑗𝑋 = 1 + j4 Ω está conectada em série com o secundário.
A relação de espira é 𝑁 /𝑁 = 5: 1.
(a) Desenhe um circuito equivalente cuja impedância em série esteja referida ao
primário.
(b) Para uma tensão eficaz de primário de 120 V e um curto circuito conectado
entre os terminais A-B, calcule a corrente do primário e a corrente que flui no curto
circuito.

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4.4. O Transformador Real Com Carga


Solução (a): O novo circuito equivalente está mostrado a seguir.

Solução (b): A impedância do secundário é referida ao primário na razão do quadrado das


espiras. E o curto é também visto no primário. Assim:
𝑁
𝑅 + 𝑗𝑋 = (𝑅 +𝑗𝑋 ) = 25 + j100 Ω
𝑁
𝑉 120
𝐼 = = = 0,28 − 𝑗1,13 Arms
𝑅 + 𝑗𝑋 25 + 𝑗100
𝑰𝟏 = 𝟏, 𝟏𝟔𝟒𝟐 𝐀𝐫𝐦𝐬
𝐼 /𝐼 = 𝑁 /𝑁
𝐼 = 𝑁 /𝑁 𝐼 = 5 × 1,16 𝑰𝟐 = 𝟓, 𝟖𝟐𝟎𝟗 𝐀𝐫𝐦𝐬

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4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


 Circuito equivalente do trafo
real, visto do primário;

𝐼 =𝐼 +𝐼
𝑁
𝐼 = 𝐼
𝑁
𝑅 = resistência correspondente às perdas no núcleo ("core")
𝑋 = reatância de magnetização do núcleo
𝐼 = corrente ativa referente às perdas no núcleo
𝐼 = corrente reativa referente à magnetização do núcleo
𝐼 = corrente de excitação do núcleo
𝐼 = corrente do secundário referida ao primário
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4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


 Circuito equivalente do transformador real incluindo o transformador
ideal e o secundário:

 Circuito T equivalente com a impedância do secundário referida ao primário:


𝑁
𝑋 = 𝑋
𝑁
𝑁
𝑅 = 𝑅
𝑁
𝑁
𝑉 = 𝑉
𝑁

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4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


Exemplo 4.3
Um transformador de distribuição de 50 kVA, 2400:240 V e 60 Hz tem um
impedância de dispersão de 0,72 + 𝑗0,92 Ω no enrolamento de alta tensão e
0,0070 + 𝑗0,0090 Ω no de baixa tensão. Na tensão e frequência nominais, a
impedância 𝑍 do ramo de derivação (igual à impedância resultante de 𝑅 ∥ 𝑗𝑋 ),
responsável pela corrente de excitação, é 𝑍 = 6,32 + 𝑗43,7 Ω, quando vista do lado
de baixa tensão. Desenhe o circuito equivalente, com os valores numéricos das
impedâncias, referido: (a) ao lado de alta tensão e (b) ao lado de baixa tensão.
Solução (a): Circuito equivalente referido ao lado de AT (primário)
𝑁
𝑍 = 𝑅 + 𝑗𝑋 = (𝑅 +𝑗𝑋 )
𝑁
𝑍 = 𝑅 + 𝑗𝑋 = 10 (0,0070 + 𝑗0,0090)
𝑍 = 0,70 + 𝑗0,90 Ω
𝑁
𝑉 = 𝑉
𝑁
𝑅 (𝑗𝑋 ) 𝑁
𝑍 = = 𝑍 = 10 6,32 + 𝑗43,7 = 632 + 𝑗4370 Ω
𝑅 + 𝑗𝑋 𝑁
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39

4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


Solução (a): Circuito equivalente referido ao lado AT com os valores numéricos

𝑍 = 0,72 + 𝑗0,92 Ω
𝑍 = 0,70 + 𝑗0,90 Ω
𝑍 = 632 + 𝑗4370 Ω

Solução (b): Circuito equivalente referido ao lado BT com os valores numéricos

𝑍 = 0,0072 + 𝑗0,0092 Ω
𝑍 = 0,0070 + 𝑗0,0090 Ω
𝑍 = 6,32 + 𝑗43,7 Ω

𝑁
𝑍 = 𝑍 = 1/10 0,72 + 𝑗0,92 = 0,0072 + 𝑗0,0092 Ω
𝑁
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40
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4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


 Tipos de circuitos equivalentes simplificados usados para modelar transformadores:

(a) Circuito L com ramo paralelo à esquerda (b) Circuito L com ramo paralelo à direita

(c) Circuito simplificado sem o ramo paralelo (d) Circuito simplificado (perdas desprezadas)

Nota: O deslocamento do ramo paralelo para a esquerda, conforme a figura (a), é


uma simplificação que introduz um erro de 1 a 3% em 𝐼 . Este erro no valor
de 𝐼 é considerado desprezível já que, em geral, 𝐼 ≪ 𝐼 .
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41

4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


Exemplo 4.4
Considere o circuito equivalente T da figura do transformador de distribuição, com
50 kVA e 2400:240 V, do Exemplo 4.3, no qual as impedâncias estão referidas ao
lado de alta tensão. (a) Desenhe o circuito equivalente L com o ramo em
derivação nos terminais de alta tensão. Calcule e indique numericamente no
desenhos os valores de 𝑅 e 𝑋 . (b) Com os terminais de baixa tensão em
aberto, e 2400 V aplicados aos terminais de alta tensão, calcule a tensão nos
terminais de baixa tensão para cada tipo de circuito equivalente.

Solução (a): Do Exemplo 4.3 tem-se:

𝑅 = 0,72 + 0,70 = 1,42 Ω


𝑋 = 0,92 + 0,90 = 1,82 Ω

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4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


Solução (b): Cálculo de 𝑉
Dados do trafo:
Potência: 50 kVA
Relação: 2400 : 240 V (ou 10:1)
Primeiro modo:
Tensão do lado de alta tensão
(primário):

𝑉 = 2400 + 𝑗0

Usando a técnica do divisor de tensão no lado de alta tensão:


𝑍
𝑉 =𝑉 = 2399,4 + 𝑗0,315 V 𝑉 = 2399,4 V
𝑍 +𝑍
240
Referindo ao lado de baixa tensão: 𝑉 =𝑉
2400
𝑽𝒄 𝒅 = 𝟐𝟑𝟗, 𝟗𝟒 V

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43

4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


Solução (b): Cálculo de 𝑉
Dados do trafo:
Potência: 50 kVA
Relação: 2400 : 240 V
Segundo modo:
Dado (lado de alta tensão):
𝑉 = 2400 + 𝑗0

Referindo ao lado de baixa tensão:


𝑉 = 240 + 𝑗0
Usando a técnica do divisor de tensão no lado de baixa tensão:
𝑍
𝑉 =𝑉 = 239,94 + 𝑗0,0315 V
𝑍 +𝑍

𝑽𝒄 𝒅 = 𝟐𝟑𝟗, 𝟗𝟒 V

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4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


Exemplo 4.5
Um transformador de 50 kVA e 2400:240 V, cujos parâmetros estão dados no
Exemplo 4.3, é usado para baixar a tensão no lado de carga de um sistema
alimentador cuja impedância é 0,30 + 𝑗1,60 Ω. A tensão 𝑉 no terminal de envio
(“source”) do alimentador é 2400 V.
Encontre a tensão nos terminais do secundário do transformador quando a carga
conectada ao seu secundário recebe a corrente nominal do transformador, com um
fator de potência (FP) de carga 0,80 indutivo. Despreze as quedas de tensão
causadas pela corrente de excitação no transformador e no sistema de alimentação.
Solução:

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4.5. Circuitos Equivalentes do Transformador Real


Solução: Dados do trafo: Potência: 50 kVA, Relação: 2400 : 240 V (ou 10:1)

𝜃 = 𝑐𝑜𝑠 0,80 = 36,87 atrasado


𝑏𝑐 = 𝐼𝑋 𝑐𝑜𝑠𝜃 − 𝐼𝑅 𝑠𝑒𝑛𝜃 = 20,83 3,42 0,80 − 20,83 1,72 0,60 = 35,49 V
𝑎𝑏 = 𝐼𝑅 𝑐𝑜𝑠𝜃 + 𝐼𝑋 𝑠𝑒𝑛𝜃 = 20,83 1,72 0,80 + 20,83 3,42 0,60 = 71,41 V

𝑂𝑏 = 𝑉 − (𝑏𝑐) = 2400 − 71,41 = 2398,94 V

𝑉 = 𝑂𝑏 − 𝑎𝑏 = 2327,5 V 𝑉 = 𝑉 /10 = 232,8 ≅ 233 V


(referida ao lado AT) (referida ao lado BT)

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)
Este é um ensaio ou teste para determinação das perdas no ferro (𝑃 = 𝑃 )
do transformador, as quais consistem das perdas por histerese e por
correntes parasitas (de Foucault).
Além disso, durante o ensaio é medida a corrente a vazio (𝐼 = 𝐼 = 𝐼 ) e
podem ser calculados os parâmetros do ramo magnetizante do
transformador (𝑅 , 𝑋 , 𝑍 ou 𝑍 ).
O esquema de montagem é mostrado na figura abaixo.

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)

𝑅 (𝑗𝑋 )
𝑍 = 𝑅 + 𝑗𝑋 + 𝑍 = 𝑅 + 𝑗𝑋 +
𝑅 + 𝑗𝑋
𝑅 + 𝑗𝑋 ≪ 𝑍
𝑅 (𝑗𝑋 )
𝑍 =𝑍 =
𝑅 + 𝑗𝑋

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)

𝑉
𝑅 =𝑅 =
𝑃

𝑉
𝑍 =𝑍 =
𝐼

1 1 1
𝑋 =𝑋 = = =
𝐵 𝐵
(1⁄𝑍 ) −(1⁄𝑅 )

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)
O ensaio à vazio de transformadores tem como finalidade a determinação de:
 Perdas no núcleo (𝑃 = 𝑃 )
 Corrente à vazio (Iφ = I0 = Ioc)
 Relação de transformação (a = N1 /N2)
 Impedância do ramo magnetizante (Zφ = Zoc)

As perdas no núcleo (𝑃 = 𝑃 ) são dadas por:

𝑃 =𝑃 +𝑃

sendo:
𝑃 = Perdas por Histerese
𝑃 = Perdas por Foucault

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)
As perdas por histerese, que é parte das perdas no ferro (“core”) do transformador,
são dadas por:

𝑃 =𝐾𝐵 𝑓
onde: Material Ks
𝑃 = perdas por histerese em watts por Ferro doce 2,50
quilograma de núcleo Aço doce 2,70
𝐾 = coeficiente de Steinmetz, que
Aço doce para máquinas 10,00
depende do material (ver tabela)
𝑓 = frequência em Hz Aço fundido 15,00
𝐵 = indução máxima no núcleo em Fundição 17,00
Wb/m2 ou tesla (T) Aço doce com 2% de silício 1,50
𝑛 = constante de Steinmetz, que varia Aço doce com 3% de silício 1,25
com o material (ver Nota)
Aço doce com 4% de silício 1,00
Nota: Aços laminados a quente: 1,6 ≤ 𝑛 ≤ 2,0 Laminação doce 3,10
Aços laminados a frio: 𝑛 > 2,0 Laminação delgada 3,80
Valor típico: 𝒏 = 𝟐
Laminação ordinária 4,20

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)
As perdas por correntes parasitas de Foucault , que é parte das perdas no ferro
(“core”) do transformador, são dadas por:

𝑃 = 2,2𝐵 𝑓 𝑑 × 10
onde:
𝑃 = perdas por correntes parasitas em
watts por quilograma de núcleo
𝑓 = frequência em Hz
𝐵 = indução máxima no núcleo em
Wb/m2 ou tesla (T)
𝑑 = espessura da chapa em mm

Figura 4.12 – Formação de correntes de


Foucault num núcleo magnético

Atenção: Para reduzir estas correntes ao mínimo, o núcleo deve ser laminado
numa direção paralela ao fluxo magnético (ver figura), com material
isolante entre as lâminas de forma a aumentar a resistência ao
percurso dessas correntes (ver as próximas 3 fotografias).
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53

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Redução das perdas por correntes parasitas no ferro por laminação

Foto 1 - Montagem do núcleo de um trafo trifásico com juntas


encaixadas com chapas cortadas em 90 graus

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Redução das perdas por correntes parasitas no ferro por laminação

Foto 2 - Montagem do núcleo de um trafo trifásico com juntas encaixadas


com chapas cortadas em 45 graus
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55

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Redução das perdas por correntes parasitas no ferro por laminação

Foto 3 - Outra forma de montagem do núcleo de um trafo trifásico


com chapas dobradas
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56
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)
Observações sobre a montagem para realização do ensaio a vazio:

1) Supondo 𝐸 constante o fluxo  será praticamente constante,


independente da carga, a perda no ferro é suposta constante para
todas as cargas. A potência fornecida no teste é igual a perda no ferro
adicionada a uma perda no cobre de valor desprezível.

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57

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)
Observações sobre a montagem para realização do ensaio a vazio:

2) O ensaio é realizado aplicando a tensão nominal (𝑉 = 𝑉 = 𝑉 , ) no


lado do transformador de baixa tensão (BT), mantendo os terminais do
lado de alta tensão (AT) em aberto. A leitura do wattímetro (𝑊 ) inclui a
perda de potência no seu próprio circuito de potencial (a menos que o
wattímetro seja compensado) e no amperímetro.
3) Portanto, de forma mais precisa, a perda do ferro (𝑃 ) é dada por:
𝑉
𝑃 =𝑊 − −𝐼 𝑅 −𝐼 𝑅 W
𝑅
onde:
𝑅 = resistência do circuito de
potencial do wattímetro,
𝑅 = resistência do amperímetro,
𝑅 = resistência do circuito primário
do trafo,
𝐼 = 𝐼 = leitura do amperímetro.
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58
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio à Vazio (“open-circuit test”)
Observações sobre a montagem para realização do ensaio a vazio:

3) Elimina-se a correção 𝐼 𝑅 curto-circuitando o amperímetro enquanto


se faz a leitura do wattímetro..
4) A correção 𝑉 𝑅 poderá ser bastante importante principalmente se o
transformador for de pequeno porte.
5) A prova (ensaio) de circuito aberto é sempre realizada no lado de BT.
Isto porque se a medição fosse feita no lado de AT a corrente 𝐼 tornar-
se-ia inconvenientemente pequena e a tensão 𝑉 inconvenientemente
grande.

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59

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Exemplo:
A prova de circuito aberto de um transformador de 50kVA, 2400/240 volts, com o
enrolamento de baixa tensão ligado a uma linha de alimentação de 240 volts, é
feito como na figura anterior, com o enrolamento de alta tensão aberto. As leituras
foram: 𝑉 = 240 volts, 𝐼 = 8 ampères, 𝑊 = 306 watts com o amperímetro curto-
circuitado. O wattímetro não foi compensado quanto à perda de potência no seu
próprio circuito do potencial, e 𝑅 = 9.750 ohm. Qual a perda no ferro?

Solução:
Visto que o amperímetro foi curto-circuitado, ao ser feita a leitura do wattímetro, a
equação para obtenção de 𝑃 torna-se:
𝑉 240
𝑃 =𝑊 − − 𝐼 𝑅 = 306 − − 8 × 0,005 = 306 − 5,9 − 0,3 → 𝑃 ≈ 300 W
𝑅 9.750

Atenção:
A foto 4 mostra o transformador trifásico de 112,5 kVA no qual foram feitos os
vários ensaios de rotina que serão empregados para ilustrar os aspectos práticos
deste curso. A foto 5 apresenta os dados de placa do mesmo transformador. As
fotos 1.6 e 1.7 são relativas ao ensaio em vazio realizado.
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo

Ensaio à Vazio
(em Circuito
Aberto)

Foto 4 – Vista geral do transformador de 112,5 kVA, 13,8 kV : 380/220 V a


ser ensaiado à temperatura ambiente de 28oC

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo

Ensaio à Vazio
(em Circuito
Aberto)

Foto 5 – Vista da placa do transformador de 112,5 kVA, 13,8 kV : 380/220 V


a ser ensaiado (Impedância percentual = 3,5 %)
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Ensaio à Vazio
(em Circuito
Aberto)

Foto 6 - Conexões para realização de ensaio em vazio do trafo de 112,5 kVA,


13,8kV : 380/220V (I2nom = 170,93 A, temperatura ambiente = 28oC)
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo

Ensaio à Vazio
(em Circuito
Aberto)

Foto 7 - Medições do ensaio em vazio do trafo de 112,5 kVA, 13,8kV : 380/220V


V0 = V2nom = 380V; W0 = 348,1+100,3+38,3 = 486,7W;
I0 = (5,19+3,64+5,26)/3 = 4,70 A = 2,75% de I2nom
(Valores da NBR5440 – Tabela A.4: I0 = 2,8 %; W0 = 440 W)
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)

Este ensaio tem o objetivo de determinar as perdas no cobre do


transformador (𝑃 = 𝑃 ) e também a resistência, reatância e impedância
equivalentes (𝑅 , 𝑋 , 𝑍 ) do transformador.
O esquema de montagem é mostrado na figura abaixo onde os terminais
do secundário são curto-circuitados.
A tensão 𝑉 = 𝑉 deve ser ajustada até que 𝐼 = 𝐼 atinja seu valor
nominal ( 𝐼 = 𝐼 ) ou de plena carga. O valor da corrente do
secundário é também igual ao de plena carga (𝐼 ), pois 𝐼 /𝐼 = 𝑁 /𝑁 .

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)

𝑍 (𝑅 + 𝑗𝑋 )
𝑍 = 𝑅 + 𝑗𝑋 +
𝑍 + (𝑅 + 𝑗𝑋 )

𝑍 ≫ 𝑅 + 𝑗𝑋

𝑍 = 𝑅 + 𝑗𝑋 + 𝑅 + 𝑗𝑋

𝑍 = (𝑅 + 𝑅 ) + 𝑗(𝑋 +𝑋 )

𝑍 =𝑅 + 𝑗𝑋

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)

𝑉
𝑍 =𝑍 =
𝐼
𝑃
𝑅 =𝑅 =
𝐼

𝑋 =𝑋 = 𝑍 −𝑅

Nota: Trafos bem projetados apresentam, quando os parâmetros estão referidos


ao mesmo lado: 𝑅 = 𝑅 = 0,5𝑅 e 𝑋 = 𝑋 = 0,5𝑋 .

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)

Como foi mencionado, a potência absorvida no ensaio em curto-circuito e lida


pelo wattímetro (𝑃 ) é toda transformada em perda, sendo esta concentrada quase
que exclusivamente no cobre (enrolamentos do primário e secundário) do
transformador.

Isto pode ser explicado, pois, como a tensão aplicada no teste é cerca de até 1/10
da nominal, as perdas por histerese (𝑃 = 𝐾 𝐵 𝑓 com 𝑛 = 1,6) reduzem de até
40 vezes, enquanto que as perdas por correntes parasitas de Foucault
(𝑃 = 2,2𝐵 𝑓 𝑑 × 10 ) diminuem de até 100 vezes, em relação aos seus
valores de plena carga. Logo, as perdas no núcleo de ferro podem ser ignoradas.

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69

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)
Notas:
1. Calcula-se a reatância equivalente 𝑋 , pois não se tem meios para medir as
reatâncias 𝑋 e 𝑋 , separadamente;
2. Neste teste o enrolamento de maior tensão é usado como primário, pois de
outra forma a voltagem seria inconvenientemente baixa e a corrente
inconvenientemente alta;
3. Os valores percentuais da resistência, reatância e impedância de um
transformador são mais utilizados na prática. Estes podem ser calculados
diretamente pelas seguintes expressões (ver NBR5380):
𝑃
𝑅 %= × 100%
𝑆
𝑉
𝑍 %= × 100%
𝑉

𝑋 %= (𝑍 %) − (𝑅 %)

4. Se preferir, pode-se abreviar estes parâmetros para 𝑅 , 𝑋 e 𝑍 .

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70
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)
Correção da resistência equivalente com a temperatura:

A resistência equivalente (𝑅 ) varia com a temperatura. Como durante a


realização do ensaio não há tempo suficiente para aquecimento do
transformador, seu valor deve ser corrigido.

Recomenda-se corrigir (NBR5380 e NBR5440):


 para 75 oC a resistência de trafos de classe de temperatura
de 105 oC a 130 oC
 para 115 oC a resistência de trafos de classe de temperatura
de 155 oC a 180 oC

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71

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)
Correção da resistência equivalente com a temperatura:
A forma de correção da resistência da temperatura ambiente para a temperatura de
funcionamento (75 oC ou 115 oC) emprega um fator 𝐾 (coeficiente de correção)
expresso por:
(1/𝛼) + 𝑡 1/𝛼 = 234,5 para o cobre
𝐾 = 1/𝛼 = 225,0 para o alumínio.
(1/𝛼) + 𝑡
Assim, utilizando o coeficiente de correção 𝐾 tem-se:
𝑅 =𝐾 ×𝑅 𝑍 = 𝑅 +𝑋
sendo:  = coeficiente de variação da resistência com a temperatura,
𝑡 = temperatura ambiente do ensaio em oC,
𝑡 = temperatura de funcionamento em oC,
𝑅 = resistência equivalente na temperatura ambiente do ensaio,
𝑅 = resistência equivalente na temperatura de funcionamento,
𝑍 = impedância equivalente na temperatura de funcionamento.

Atenção: As fotos 8 e 9 são relativas ao ensaio em curto realizado.

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo

Ensaio em
Curto-Circuito

Foto 8 - Conexões para realização de ensaio em curto do trafo de 112,5 kVA,


13,8kV:380/220V (I1nom = 4,70 A, temperatura ambiente = 28oC)
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73

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo

Ensaio em
Curto-Circuito

Foto 9 - Medições do ensaio em curto do trafo de 112,5 kVA, 13,8kV:380/220V


V1 = VCC = 185V2,5 = 462,5V = 3,4%; WCC = 189,3+197,4+204,4 = 591,1W; ICC = 4,65A  I1nom
(Valores da NBR5440 – Tabela A.4: VCC = 3,5 % a 75oC; PTOTAL = 1990 W)
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)
Atenção: Cálculo da perda total do trafo de 112,5 kVA ensaiado (ver fotos)
Correções dos valores obtido no ensaio em curto:

Dados: Perdas nos 3 wattímetros + perdas adicionais = 24 W


Relação de transformação do Transformador de Corrente = 2,5

Fator de correção da temperatura de 28oC para a temperatura de 75oC:


(1/𝛼) + 𝑡 234,5 + 75
𝐾 = = = 1,179
(1/𝛼) + 𝑡 234,5 + 28

PCC = (W CC - 24W)(Relação do TC)  (Fator 𝐾 )


PCC = (591 - 24W)(2,5)(1,179) = 1417(1,179) = 1671W;

PTOTAL = PCC + P0 = 1671+487 = 2158 W

Este valor de perda total ficou 8,4% acima do valor da norma ABNT para
este trafo (NBR5440 – Tabela A.4: PTOTAL = 1990 W).

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Ensaio em Curto-Circuito (“short-circuit test”)
Atenção: Cálculo da resistência, reatância e impedância equivalentes do trafo
de 112,5 kVA ensaiado (ver fotos e valores do ensaio de rotina)
𝑃 1417
𝑅 %= × 100% = × 100% = 1,26% (a 28oC)
𝑆 112,5 × 10
𝑉 461
𝑍 %= × 100% = × 100% = 3,34% (a 28oC)
𝑉 13800

𝑋 %= (𝑍 %) − (𝑅 %) = (3,34) − (1,26) = 3,09%

Fator de correção da temperatura de 28oC para a temperatura de 75oC:


(1/𝛼) + 𝑡 234,5 + 75
𝐾 = = = 1,179 𝑅 %(𝑎 75 𝐶) = 1,26% × 1,179 = 1,485%
(1/𝛼) + 𝑡 234,5 + 28

𝑍 %(𝑎 75 𝐶) = (𝑋 %) + (𝑅 %) = (3,09) + (1,485) = 3,43%

Atenção: A placa do trafo indica uma impedância percentual de 3,5%.

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Exemplo:
Um transformador de 50 kVA, 2.400/240 volts, fornece as seguintes leituras:
1) Prova (ensaio) de circuito aberto (medições no lado de BT):
Perda no ferro = 300 watts (𝑊 )
Tensão aplicada = 240 volts (𝑉 = 𝑉 , = 𝑉 , )
Corrente medida = 8 ampères (𝐼 = 𝐼 , )
2) Prova (ensaio) de curto-circuito (medições no lado de AT):
Perda no cobre = 433 watts (𝑊 )
Tensão aplicada = 78 volts (𝑉 = 𝑉 , )
Corrente medida = 20,8 ampères (𝐼 = 𝐼 , = 𝐼 , )
a) Determinar o circuito equivalente L desse trafo referido ao primário (ver figura);
b) Se este trafo alimenta uma carga de 50 kVA no secundário de 240 volts, com fator
de potência igual a 85% em atraso, calcular o valor de 𝑉 necessário para manter
𝑉 com 240 volts e também o fator de potência nos terminais de entrada do trafo.

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77

4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Solução:
(a) Cálculo dos parâmetros do circuito equivalente L do trafo já referidos ao primário:
𝐼 , =𝐼 , /10 = 0,8 A
𝑉, =𝑉, × 10 = 𝑉 , = 2.400 V
𝑉. 2.400
𝑍 = = = 3.000 Ω
𝐼, 0,8
𝑉, 2.400
𝑅 = = = 19.200 Ω
𝑊 300
1 1 1
𝑋 = = = = 3.037 Ω
𝐵 (1⁄𝑍 ) −(1⁄𝑅 ) (1⁄3.000) −(1⁄19.200)
𝑊 𝑊 433
𝑅 = = = = 1,00 ohm
𝐼 𝐼, 20, 8
𝑉 𝑉 78
𝑍 = = = = 3,75 ohms
𝐼 𝐼, 20,8

𝑋 = 𝑍 −𝑅 = 3,75 − 1 = 3,61 ohms

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Solução:
(b) Cálculo do valor de 𝑉 necessário para manter 𝑉 com 240 volts e cálculo
do fator de potência nos terminais de entrada do transformador.
O diagrama vetorial acha-se representado na figura abaixo. No caso de
transformadores de força, a razão das voltagens que se lê na placa é a mesma
que a relação de espiras. Por conseguinte,

Equação para obtenção de 𝑉 (em módulo):


𝑉 = 𝑉 𝑐𝑜𝑠𝜃 + 𝐼 𝑅 + 𝑉 𝑠𝑒𝑛𝜃 + 𝐼 𝑋 /

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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Solução:
(b) 𝑉 = 240 × 10 = 2.400 V 𝜃 = 𝑎𝑟𝑐𝑐𝑜𝑠0,85 = 31,79 → 𝑠𝑒𝑛𝜃 = 0,527

50.000 𝐼 𝑅 = 20,8 × 1 = 20,8 V


𝐼 = = 20,8 A
2.400 𝐼 𝑋 = 20,8 × 3,61 = 75,1 V

𝑉 = 𝑉 𝑐𝑜𝑠𝜃 + 𝐼 𝑅 + 𝑉 𝑠𝑒𝑛𝜃 + 𝐼 𝑋 /

𝑉 = 2.400 × 0,85 + 20,8 + 2.400 × 0,527 + 75,1 /

𝑉 = 2.060,8 + 1.339,9 /  𝑽𝟏 = 𝟐. 𝟒𝟓𝟖, 𝟏 𝐕


2.060,8
cos 𝜃 = → 𝒄𝒐𝒔 𝜽𝟏 = 𝟎, 𝟖𝟑𝟖  𝜃 = 33,03
2.458,1

Nota: Observe que não foi computado a corrente excitadora 𝐼 e o fator de potência
medido nos terminais de entrada do transformador foi de 0,838. Se se deseja
uma maior precisão, a determinação do fator de potência deve levar em
consideração a corrente 𝐼 . Para isto, a corrente 𝐼 é a soma vetorial de 𝐼 e
𝐼 . Verificar qual é o valor correto do FP neste caso. (Resp.: cos 𝜃 = 0,823)
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4.6. Ensaios para Obtenção dos Parâmetros do Trafo


Importante:
É prático exprimir a resistência, reatância e impedância equivalentes de um trafo
em porcentagem. Diz-se que a reatância equivalente de um trafo é 5% se a queda
de tensão na reatância a plena carga (𝐼 , 𝑋 ) é 5 % da voltagem no primário.
Assim,
𝐼 , 𝑅 𝐼 , 𝑋 𝐼 , 𝑍
𝑅 %= × 100% 𝑋 %= × 100% 𝑍 %= × 100%
𝑉, 𝑉, 𝑉,
Exemplo: Calcular a resistência e a reatância percentuais do transformador de
50 kVA, 2.400/240 volts, do exemplo anterior.
𝐼, 𝑅 20,8 × 1,00
Solução: 𝑅 %= × 100% = × 100% = 0,87%
𝑉, 2.400
𝐼, 𝑋 20,8 × 3,61
𝑋 %= × 100% = × 100% = 3,13%
𝑉, 2.400
𝐼, 𝑍 20,8 × 3,75
𝑍 %= × 100% = × 100% = 3,25%
𝑉, 2.400
Importante: Outras fórmulas mais práticas usando os dados do ensaio em curto:
𝑃 𝑉
𝑅 %= × 100% = 0,87% 𝑍 %= × 100% = 3,25%
𝑆 𝑉
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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento (): é definido como sendo a razão entre a potência fornecida (𝑷𝒔𝒂í𝒅𝒂 )
e a potência recebida (𝑷𝒆𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 ) por uma máquina elétrica.
Isto pode ser colocado segundo a fórmula indicada em (15).

𝑷saída 𝑷saída 𝑷 − 𝑷𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔 𝑷𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔


𝜼= = = entrada =𝟏− (15)
𝑷entrada 𝑷saída + 𝑷𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔 𝑷entrada 𝑷entrada

Uma pequena parcela da potência recebida por um transformador é perdida,


sendo que estas perdas são as seguintes:
 Perdas por histerese;
Perdas no ferro:
 Perdas por correntes parasitas ou de Foucault

Perdas no cobre: 𝐼 𝑅 + 𝐼 𝑅 (Perdas por efeito Joule nos enrolamentos)

Nota: Não existem perdas de potência nas reatâncias do primário e do


secundário de um transformador.

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Regulação de tensão:
Esta pode ser calculada de duas maneiras:
1) Como a variação da voltagem do secundário, do funcionamento sem carga até
plena carga, expressa em porcentagem da voltagem nominal do secundário.
2) Como a variação da voltagem no primário (𝑉 ), do funcionamento sem carga até
a plena carga, necessária para manter a voltagem do secundário constante e
igual ao valor nominal (𝑉 ), expressa em porcentagem da voltagem nominal do
secundário (𝑉 ) (forma preferida).
O fator de potência (f.p. = cos𝜃) da carga influi fortemente na regulação de tensão,
e, portanto, deverá ser sempre especificado.
Baseando-se no circuito equivalente do
trafo, com todas as grandezas referidas
ao primário, e adotando 𝑉 = 𝑉 = valor
nominal (constante), pode-se concluir o
seguinte (em módulo):
Em vazio: 𝐼 = 0 ⇒ 𝐼 𝑍 = 0 ⇒ 𝑉 = 𝑉
A plena carga: 𝐼 = 𝐼 ⇒ 𝑉 ≠ 𝑉

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Regulação de tensão:
Assim, 𝑉 deverá ser “aumentada” sendo igual à soma vetorial de 𝑉 e 𝐼 𝑍 .

O “aumento” aritmético de 𝑽𝟏 , expresso em porcentagem da voltagem


nominal 𝑽𝟐, vem a ser a regulação, em porcentagem.

Portanto:
𝑽 𝟏 − 𝑽𝟐
Regulação =
𝑽𝟐

Outra fórmula mais genérica para determinar a regulação é dada a seguir:

𝑽𝒔𝒆𝒎 𝒄𝒂𝒓𝒈𝒂 − 𝑽𝒄𝒐𝒎 𝒄𝒂𝒓𝒈𝒂


Regulação =
𝑽𝒄𝒐𝒎 𝒄𝒂𝒓𝒈𝒂
Deve-se salientar que a regulação é geralmente expressa em porcentagem,
multiplicando o valor obtido por 100%.

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Regulação de tensão:
Exercício:
Um certo transformador tem uma reatância de 3,13 % e uma resistência de 0,87 %.
Calcular a regulação de tensão para uma carga nominal e FP = 85% em atraso.
Solução:
À plena carga ou carga nominal, tem-se:
𝑉 = 1,0 pu e 𝐼 = 1,0 pu.

𝑉 = 𝑉 cos 𝜃 + 𝐼 𝑅 + 𝑉 𝑠𝑒𝑛𝜃 + 𝐼 𝑋 /

𝑉 = 1,0 × 0,85 + 1,0 × 0,0087 + 1,0 × 0,527 + 1,0 × 0,0313 /

𝑉 = 1,024 pu ou 𝑉 % = 102,4 %

Reg.% = 𝑉 %  − 𝑉 % = 102,4 − 100 Reg.% = 2,4 %

Nota: Pode-se usar o fator de carga (𝑓 ) e o fator de potência (cos 𝜃 ), assim:


Reg.% = 𝑓 𝑅 % cos 𝜃 + 𝑓 𝑋 %𝑠𝑒𝑛𝜃 (Calcular e comparar!)

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4.7. Rendimento e Regulação


de um Transformador
Regulação de tensão:
Exemplo de utilização do ábaco:

• Seja um trafo com R % = 2,1 % e


X % = 3,25 % funcionando com
fator de potência indutivo de
0,85. Como resultado, tem-se
que a regulação será de 3,5 %.

Atenção:
• Para grandezas diferentes das
existentes pode-se imaginar a
existência de uma escala de
redução ou ampliação. Verificar
para R % = 8 % e X % = 12 %
(usar fator de redução de 10).
Para o resultado usar fator de
ampliação de 10.
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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Exemplo 4.6
Com os instrumentos aplicados no lado de alta tensão e com o lado de baixa
tensão em curto-circuito, as leituras do ensaio de curto-circuito com o
transformador de 50 kVA e 2400:240 V do Exemplo 4.3 são 48 V, 20,8 A e 617 W.
Um ensaio de circuito aberto, com o lado de baixa tensão energizado, fornece as
leituras naquele lado de 240 V, 5,41 A e 186 W. Determine o rendimento e a
regulação de tensão a plena carga com um fator de potência de 0,80 indutivo.

Solução (Cálculo do Rendimento):


Do ensaio de curto circuito, os valores da impedância equivalente, da resistência
equivalente e da reatância equivalente do transformador (referido ao lado de alta
tensão, indicado pelo subscrito H – “High”) são:
48 617
𝑍 , = = 2,31 Ω 𝑅 , = = 1,42 Ω 𝑋 , = 2,31 − 1,42 = 1,82 Ω
20,8 20,8

A operação a plena carga, com fator de potência de 0,80 indutivo, corresponde a uma
corrente de
50.000
𝐼 = = 20,8 A 𝑃 =𝑃 = 50.000 0,8 = 40.000 W
2.400

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Solução (Cálculo do Rendimento):
Para obter as perdas totais sob essas condições de operação, calcula-se primeiro
as perdas no enrolamento 𝑃 = 𝐼 𝑅 , = 20,8 1,42 = 617 W
E considera as perdas no núcleo que são determinadas pelo ensaio de circuito
aberto, isto é, 𝑃 = 186 W. Assim, as perdas totais são dadas por:
𝑃 =𝑃 +𝑃 = 803 W

E a potência de entrada do transformador é


𝑃 =𝑃 +𝑃 = 40.803 W
Neste caso o rendimento (“efficiency”) será melhor definido como:
𝑃 í 𝑃 í
𝜂= =
𝑃 𝑃 í + 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠

O rendimento é geralmente expresso em porcentagem, multiplicando o valor obtido por 100%.


Assim, para essa condição de operação:
40.000
𝜂= 100% 𝜼 = 𝟗𝟖, 𝟎𝟑 %
40.000 + 803

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Solução (Cálculo da Regulação):
𝑉 −𝑉
Regulação =
𝑉

Cálculo do módulo de tensão no primário 𝑉 = 𝑉 necessário para 𝑉 = 𝑉 = 2400 V


50 × 10 , °
𝐼 = 𝑒 = 20,8 0,8 − 𝑗0,6 𝐴
2400

𝑉 = 𝑉 + 𝐼 (𝑅 , + 𝑗𝑋 , )
𝑉 = 2400 + 20,8 0,80 − 𝑗0,60 (1,42 + 𝑗1,82)
𝑉 = 2446 + 𝑗13 = 2446∠0,30 V

𝑉 −𝑉 𝑉 −𝑉 2446 − 2400
Regulação = = = 100% Regulação = 𝟏, 𝟗𝟐 %
𝑉 𝑉 2400

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Diário:
Na operação de um transformador é mais interessante falar do rendimento ao
longo de um dia.

Daí, o "Rendimento Diário" é definido com sendo a razão entre a energia total
fornecida durante 24 horas e a energia total recebida no mesmo período.

Este parâmetro tem muita importância quando o trafo suporta pouca ou nenhuma
carga durante a maior parte das 24 horas, mas se encontra sempre ligado à linha.
No caso mais simples, a energia fornecida é constante por h horas e nula no
restante do período.
A fórmula correspondente está mostrada em (16).

𝑷saída × 𝒉
𝜼Diário = (16)
𝑷saída × h + PPerda no Ferro × 𝟐𝟒 + 𝑷Perda no Cobre × 𝒉

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Diário:
No caso em que a carga é variável, deve-se utilizar a curva de carga × tempo,
semelhante àquela mostrada na figura 4.10, com o objetivo de calcular a energia
dissipada pelas perdas no cobre durante as 24 horas. Neste caso a fórmula é
modificada conforme (17).
𝒌𝑾𝒉𝒐𝒓𝒂Fornecido
𝜼Diário = (17)
𝒌𝑾𝒉𝒐𝒓𝒂Fornecido + 24 (kWFerro + 𝒌𝑾Cobre )

Figura 4.10 - Curva de carga diária típica de um transformador de distribuição


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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Diário:

Obtenção das Perdas no Cobre:


São feitas leituras de corrente em intervalos iguais, por exemplo, a cada 15
minutos. A soma destas leituras dividida pelo número de leituras, neste caso 96,
dá a corrente média em 24 horas. Elevando-a ao quadrado e multiplicando-se
pela resistência equivalente dos enrolamentos obtém-se a perda média de
potência no cobre, em watts.

Obtenção das Perdas no Ferro:


Faz-se a leitura da absorção de potência ativa pelo trafo em vazio.

Obtenção dos kW-hora fornecidos:

Os kW-hora fornecidos durante as 24 horas podem ser obtidos por meio de um


medidor de watts-hora.

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Diário:
Exemplo:
Um transformador de 2400/240 volts de 50 kVA possui as seguintes
características:
perda no ferro de 300 watts,
resistência do primário de 0,5 ohm,
resistência do secundário de 0,005 ohm.
Determinar:
a) O rendimento para uma carga de 50 kW e fator de potência 100%;
b) O rendimento para uma carga de 5 kW e fator de potência 100%;
c) O rendimento para uma carga de 50 kW e fator de potência 80%;
d) O rendimento diário no último caso, se a carga é constante e está ligada
durante 5 horas diárias, enquanto o transformador está ligado à linha durante
as 24 horas.

Nota: O método que será utilizado para calcular 𝐼 supõe que o transformador é
ideal, com resistências nulas, e que 𝐼 = 0. O valor de 𝐼 obtido por este
modo é somente empregado para calcular as perdas no cobre e é
suficientemente preciso para este fim.

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Diário:
Solução:
(a) Rendimento para uma carga de 50 kW e fator de potência 100%
50.000
Corrente no secundário: 𝐼 = = 208 A
240

50.000
Corrente no primário: 𝐼 =
2400
= 20,8 A

Perdas no cobre = 𝟐𝟎𝟖𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟎𝟓 + 𝟐𝟎, 𝟖𝟐 × 𝟎, 𝟓 433 W

Perdas no ferro 300 W


Perda total 733 W

Potência fornecida 50.000 W


Potência recebida 50.733 W

Rendimento (%) 98,5 %

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Diário:
Solução:
(b) Rendimento para uma carga de 5 kW e fator de potência 100%
5.000
Corrente no secundário: 𝐼 = = 20,8 A
240

5.000
Corrente no primário: 𝐼 = = 2,08 A
2400

Perdas no cobre = 𝟐𝟎, 𝟖𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟎𝟓 + 𝟐, 𝟎𝟖𝟐 × 𝟎, 𝟓 4,33 W

Perdas no ferro 300 W


Perda total 304 W
Potência fornecida 5.000 W

Potência recebida 5.304 W

Rendimento (%) 94,4 %

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Diário:
Solução:
(c) Rendimento para uma carga de 40 kW e fator de potência 80%

40.000
Corrente no secundário: 𝐼 = = 208 A
240 × 0,8

40.000
Corrente no primário: 𝐼 = = 20,8 A
2400 × 0,8

Perdas no cobre = 𝟐𝟎𝟖𝟐 × 𝟎, 𝟎𝟎𝟓 + 𝟐𝟎, 𝟖𝟐 × 𝟎, 𝟓 433 W


Perdas no ferro 300 W

Perda total 733 W

Potência fornecida 40.000 W

Potência recebida 40.733 W

Rendimento (%) 98,2 %

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Rendimento Diário:
Solução:
(d) Rendimento diário para uma carga de 50 kVA e fator de potência 80%
Foi informado que a carga é constante e está ligada durante 5 horas diárias,
enquanto o transformador está ligado à linha durante as 24 horas do dia.
Considera-se que as perdas no cobre ocorrem somente quando o trafo
alimenta uma carga, porém, considera-se que as perdas no ferro ocorrem o
tempo todo, mesmo quando o transformador está ligado sem carga.
Da resolução anterior, obteve-se:
 Perdas no cobre = 433 W
 Perdas no ferro = 300 W
 Potência fornecida = 40.000 W
𝑃saída × ℎ
𝜂Diário =
𝑃saída × h + PPerda no Ferro × 24 + 𝑃Perda no Cobre × ℎ

40.000 × 5
𝜂Diário = × 100
40.000 × 5 + 300 × 24 + 433 × 5
𝜼Diário = 𝟗𝟓, 𝟓%

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Máximo de Transformadores:
A expressão para o cálculo do rendimento pode ser reescrita como:

𝑉 𝐼 𝑐𝑜𝑠 𝜃
𝜂=
𝑉 𝐼 𝑐𝑜𝑠 𝜃 + R 𝐼 + 1,2𝑃
(18)
sendo:
𝑉 = tensão nos terminais do secundário referida ao primário,
𝐼 = corrente fornecida nos terminais do secundário referida ao primário,
𝑐𝑜𝑠 𝜃 = fator de potência da carga nos terminais do transformador,
R = resistência total equivalente do transformador,
𝑃 = perdas a vazio ou no ferro.
onde foi acrescentado 20% em 𝑃 para incluir as chamadas “perdas adicionais”.

Nota: Perdas adicionais são aquelas que ocorrem nas ferragens, nas cabeças de
bobina e outras partes do transformador.

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Máximo de Transformadores:

Multiplicando e dividindo os termos dependentes de corrente pela corrente nominal


do secundário referida ao primário(𝐼 /𝐼 ):

𝑉 𝐼 𝑐𝑜𝑠 𝜃 (𝐼 /𝐼 )
𝜂=
𝑉 𝐼 𝑐𝑜𝑠 𝜃 (𝐼 /𝐼 ) + 𝑅 (𝐼 ) (𝐼 /𝐼 ) +1,2𝑃
Fazendo:
𝑃 =𝑉𝐼 𝑐𝑜𝑠 𝜃 = potência nominal fornecida (W)
𝑃 = 𝑅 (𝐼 ) = perda nominal no cobre (W)
𝑓 = 𝐼 /𝐼 = fração da carga em relação a operação em plena carga
𝑃 𝑓 (19)
obtém-se 𝜂=
𝑃 𝑓 + 𝑃 𝑓 + 1,2𝑃
ou, 𝑆 cos 𝜃 𝑓
𝜂= (20)
𝑆 cos 𝜃 𝑓 + 𝑃 𝑓 + 1,2𝑃
sendo que 𝑆 representa a potência nominal ou de plena carga do transformador

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Rendimento Máximo de Transformadores:

Se o fator de potência da carga é mantido constante para qualquer carga, a única


variável é o fator de carga 𝑓 . Assim, é interessante determinar em qual
carregamento do transformador ocorre o máximo rendimento. Assim, derivando a
expressão (19) em relação a 𝑓 e igualando a zero:
𝑑𝜂
=0  𝑃 𝑃 𝑓 + 𝑃 𝑓 + 1,2𝑃 − 𝑃 + 2𝑃 𝑓 𝑃 𝑓 = 0
𝑑𝑓

𝑃 𝑓 + 𝑃 𝑓 + 1,2𝑃 − 𝑃 𝑓 − 2𝑃 𝑓 = 0

𝑃 𝑓 = 1,2𝑃 (21)

Conclusão: O máximo rendimento ocorre quando as perdas no cobre em um dado


carregamento forem iguais às perdas no núcleo acrescidas das perdas
adicionais. Assim, pode-se também obter a fração da carga no qual este
máximo rendimento acontece. Este é dado por:
1,2𝑃
𝑓 =
á
𝑃 (22)

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento Máximo de Transformadores:
Atenção: A figura 4.11 mostra que, em geral, acontece o seguinte com relação ao
rendimento de transformadores:
Para trafo de distribuição (potência até 500 kVA): 𝜂 = 𝜂 á em 𝑓 ≈ 0,5
Para trafo de força (potência acima de 500 kVA): 𝜂 = 𝜂 á em 𝑓 ≈ 1,0

Figura 4.11 - Curvas de rendimentos de transformadores

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4.7. Rendimento e Regulação de um Transformador


Rendimento:

A figura mostra um ábaco para cálculo


do rendimento de transformadores

Exemplo de utilização do ábaco:

Seja um trafo com os seguintes dados em


relação a sua operação a plena carga (4/4)
ou na operação com 𝑷𝒏𝒐𝒎𝒊𝒏𝒂𝒍 :
Perdas no cobre = 1,5 % de 𝑷𝒏𝒐𝒎𝒊𝒏𝒂𝒍
Perdas no ferro = 0,45 % de 𝑷𝒏𝒐𝒎𝒊𝒏𝒂𝒍

Traça-se uma reta ligando os dois valores


acima. Onde esta reta cruza a operação a
plena carga (4/4), obtém-se o rendimento.
Neste caso, este será de 98,1 %.

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4.8. Autotransformadores
 Autotransformador é um tipo de trafo que possui um enrolamento comum a
ambos os circuitos primário e secundário. Isso é conseguido por meio de uma
conexão elétrica entre os dois lados.
 Assim, é possível conseguir um
autotrafo a partir da alteração da
conexão dos enrolamentos de um trafo,
conforme mostrado nas figuras (a) e (b).

(a) Transformador de dois (b) Reconexão do trafo mostrado em (a)


enrolamentos como um autotrafo

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4.8. Autotransformadores
Para melhor compreender o autotransformador, seja inicialmente o
transformador monofásico de dois enrolamentos apresentado abaixo.

Trafo de 2 enrolamentos:
Potência nominal: 100 kVA
Relação de transformação: 5 : 1
(ou de 1000 : 200 V)
Corrente no lado AT: 100 A
Corrente no lado BT: 500 A

Vamos agora interligar os dois enrolamentos para formar um autotransformador.


Observe que isto somente poderá ser feito se as correntes e as tensões nos dois
enrolamentos ficarem limitadas aos seus valores nominais, mantendo as perdas no
núcleo e no cobre inalteradas com este procedimento.

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4.8. Autotransformadores
Para a ligação aditiva dos enrolamentos existem duas configurações possíveis.
Abaixo, está mostrada a configuração 1.

Assim, nesta configuração 1 obtém-se um autotransformador com:


 Potência nominal de 600 kVA (ou 6 vezes a potência do trafo original)
 Relação de transformação 1,2 : 1 (ou de 1200 : 1000 V)

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4.8. Autotransformadores
Agora, as ligações são alteradas para obter a segunda configuração (mantendo
novamente as correntes e tensões nos enrolamentos limitadas aos seus valores
nominais). Abaixo, está mostrada a configuração 2.

Assim, nesta configuração 2 obtém-se um autotransformador com:


 Potência nominal de 120 kVA (1,2 vezes a potência do trafo original)
 Relação de transformação 6 : 1 (ou de 1200 : 200 V)

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4.8. Autotransformadores
Qual das duas configurações de autotransformador é mais interessante?

Do ponto de vista da capacidade nominal, a configuração 1 é mais vantajosa.


Porém, deve-se analisar ainda o efeito que a conexão dos dois enrolamentos produz
na impedância e na corrente de curto-circuito. Assim, suponha que o transformador
de dois enrolamentos original tenha um valor típico de impedância de 6%. Portanto,
um curto-circuito em seus terminais exigirá uma corrente de 1/0,06 = 16,7 p.u., ou
seja, a corrente de curto será cerca de 16,7 vezes o valor da corrente nominal.

Configuração 1 Configuração 2

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4.8. Autotransformadores
Se o curto ocorrer no secundário de 1000 V da configuração 1 de autotrafo, uma
tensão de 1200 V será aplicada ao enrolamento de 200 V. Considerando que a
impedância não mudou, mas a tensão aumentou 6 vezes (1200/200 = 6), então, a
corrente de curto aumentará 6 vezes o valor anteriormente obtido, isto é, para 100
p.u., ou seja, para 100 vezes o valor nominal.
Já no caso da configuração 2, este problema é bastante minimizado. Seguindo o
mesmo raciocínio, a tensão de 1200 V será aplicada ao enrolamento de 1000 V
(aumento de 1,2 vezes), e a corrente de curto aumentará para 1,2 x 16,7 = 20 p.u.
Logo, do ponto de vista do curto-circuito, a configuração 2 é melhor.

Configuração 1 Configuração 2

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4.8. Autotransformadores
Este aumento na corrente de curto-circuito, aliado a facilidade de transmissão de
sobretensões pelos autotransformadores devido à ligação metálica entre o primário
e secundário, tem restringido a aplicação destes equipamentos somente a situações
onde a relação de transformação entre a AT e BT do autotransformador resultante
seja de até 3:1, para baixas potências, e até 2:1, para altas potências. Assim,
consegue-se um autotransformador com um custo-benefício mais apropriado.

Configuração 1 Configuração 2

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4.8. Autotransformadores
Quadro para conversão de um transformador em um autotransformador:

Tipo de Relação de Potência nominal Impedância em p.u.


transformador tensões (MVA) dos valores nominais

Dois enrolamentos 𝑎: 1 𝑆 𝑍

Autotransformador 𝑎+1 1
:1 𝑎+1 𝑆 𝑍
(Configuração 1) 𝑎 𝑎+1

Autotransformador 𝑎+1 𝑎
𝑎 + 1 :1 𝑆 𝑍
(Configuração 2) 𝑎 𝑎+1

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4.8. Autotransformadores
Exemplo 4.7
O transformador de 50 kVA, 2400:240 V do Exemplo 4.6 (𝜂 = 98,03 %) é conectado
em forma de autotransformador, como mostrado na figura abaixo, onde ab é o
enrolamento de 240V e o bc é o de 2400 V. (Assume-se que o enrolamento de 240
V tem isolação suficiente para suportar uma tensão de 2640 V em relação à terra).
a) Calcule as tensões nominais 𝑉 e 𝑉 nos lados de alta (“High”) e baixa (“Low”)
tensão, respectivamente, do autotransformador.
b) Calcule a potência, as correntes 𝐼 e 𝐼 e o rendimento do autotransformador
para uma carga nominal com fator de potência 0,8 indutivo.
Solução:
a) Como o enrolamento bc de 2400 V é conectado
ao circuito de baixa tensão, então: 𝑉 = 2400 V

Aplicando 𝑉 = 2400 V, então, uma tensão


𝑉 = 240 V em fase com 𝑉 será induzida no
enrolamento de tal forma que:
𝑉 = 𝑉 + 𝑉 = 240 + 2400
𝑉 = 2640 V

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4.8. Autotransformadores
Exemplo 4.7

b) A partir do valor nominal de 50 kVA, como


transformador normal de dois enrolamentos, a
corrente nominal do enrolamento de 240 V será de
50.000/240 = 208,33 A. Como o terminal de alta
tensão do autotransformador está conectado ao
enrolamento de 240 V, a corrente nominal 𝐼 no
lado de alta tensão do autotransformador é igual a
corrente nominal do enrolamento de 240 V, ou
seja, 𝐼 = 208,33 A. Portanto, tem-se:
𝑉 = 2400 V 𝑉 = 2640 V 𝐼 = 208,33 A
𝑆 = 𝑉 𝐼 = 2640 208,33 → 𝑆 = 550 kVA
𝑆 550k
𝐼 = = → 𝐼 = 229,17 A
𝑉 2400
𝑃 í 550.000 × 0,8
𝜂= = → 𝜂 = 99,82%
𝑃 550.000 × 0,8 + 803
Nota: As perdas do autotrafo são as mesmas do trafo.
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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


 Consiste na representação das grandezas tensão (V), corrente (I),
potência (P, Q ou S), e impedância (Z), em valores relativos a grandezas
bases adequadamente escolhidas, de tal modo que seus valores ficam
próximos da unidade:
𝑮𝒓𝒂𝒏𝒅𝒆𝒛𝒂 𝒓𝒆𝒂𝒍 𝑽𝒓𝒆𝒂𝒍
𝑮𝒓𝒂𝒏𝒅𝒆𝒛𝒂 𝒑𝒐𝒓 𝒖𝒏𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 = 𝑽𝒑.𝒖. =
𝑮𝒓𝒂𝒏𝒅𝒆𝒛𝒂 𝒃𝒂𝒔𝒆 𝑽𝒃𝒂𝒔𝒆

Primeira vantagem: rápida verificação aproximada dos valores de


parâmetros de máquinas e transformadores.
Justificativa: os valores em pu situam dentro de uma faixa estreita
quando estes são baseados nos valores nominais.
Segunda vantagem: elimina a necessidade de referir os valores de
impedâncias para um ou outro lado dos trafos.
Justificativa: a razão de espiras do trafo ideal é 1:1 e este pode então
ser eliminado.

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Apenas duas variáveis de BASE são independentes e podem ser
escolhidas arbitrariamente. As outras variáveis de BASE são dependentes
e devem ser calculadas pelas equações adequadas.
Para o trafo monofásico tem-se:
𝑆 =𝑉 𝐼 Nota: 𝑆 =𝑃 =𝑄 = (𝑉𝐴)
𝑉 𝑉
𝑍 = = Nota: 𝑍 =𝑅 =𝑋
𝐼 𝑆
Tipicamente, escolhe-se os valores nominais de 𝑆 e𝑉 como bases
independentes. Depois, calcula-se 𝐼 e𝑍 como bases dependentes.

 O valor de 𝑆 escolhido deve ser o mesmo para todo o sistema em


análise.
 Quando um transformador é encontrado, os valores de 𝑉 de cada
lado devem ser alterados seguindo a relação de transformação do
mesmo. Logo, os valores de 𝑉 nos lados de AT e BT de um trafo
serão distintos. O mesmo se aplica para 𝐼 e𝑍 .

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


 Conversão de Bases:
Consiste na mudança de grandezas em pu referentes a uma dada base
(base1) para grandezas em pu referentes a outra base (base2), fazendo:

(𝑮𝒓𝒂𝒏𝒅𝒆𝒛𝒂 𝒓𝒆𝒂𝒍) = (𝑮𝒓𝒂𝒏𝒅𝒆𝒛𝒂 𝒆𝒎 𝒑𝒖) × (𝑮𝒓𝒂𝒏𝒅𝒆𝒛𝒂 𝒃𝒂𝒔𝒆)


𝑆
𝑆 =𝑆 , 𝑆 =𝑆 , 𝑆 𝑆 , =𝑆 ,
𝑆
𝑉
𝑉 =𝑉 , 𝑉 =𝑉 , 𝑉 𝑉 , =𝑉 ,
𝑉
𝑉 𝑆
𝐼 =𝐼 , 𝐼 =𝐼 , 𝐼 𝐼 , =𝐼 ,
𝑉 𝑆
𝑆 𝑉
𝑍 =𝑍 , 𝑍 =𝑍 , 𝑍 𝑍 , =𝑍 ,
𝑆 𝑉

𝑆 𝑉
São usadas também as seguintes relações: 𝐼 = e 𝑍 =
𝑉 𝑆

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.12
O circuito equivalente de um transformador de 100 MVA e 7,97 kV:79,7 kV está
mostrado na Fig. 2.22a. Os parâmetros do circuito equivalente são:
𝑋 = 0,040 Ω 𝑋 = 3,75 Ω 𝑋 = 114 Ω
𝑅 = 0,76 𝑚Ω 𝑅 = 0,085 Ω
Observe que a indutância de magnetização foi referida ao lado de baixa tensão do
circuito equivalente. Converta os parâmetros do circuito equivalente para a forma
por unidade usando as especificações nominais do transformador como base.

Índices: Lado de Baixa Tensão ou “Low Voltage”  “B” ou “L”


Lado de Alta Tensão ou “High Voltage”  “A” ou “H”

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.12

Dados do trafo: 100 MVA, 7,97 kV : 79,7 kV


Solução:
As grandezas de base do trafo são:
Lado de baixa tensão (índice “B” ): Lado de alta tensão (índice “A”):
𝑆 = 100 MVA 𝑆 = 100 MVA
𝑉 , = 7,97 kV 𝑉 , = 79,7 kV
𝐼 , = 12,547 kA 𝐼 , = 1,2547 kA
𝑉 , 7,97 𝑉 , 79,7
𝑍 , = = = 0,635 Ω 𝑍 , = = = 63,5 Ω
𝑆 100 𝑆 100

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.12

Calculando os valores por unidade dos parâmetros do transformador:


No lado de BT (primário do trafo): No lado de AT (secundário do trafo):
7,6 × 10 0,085
𝑅 = = 0,0012 pu 𝑅 = = 0,0013 pu
0,635 63,5
0,040 3,75
𝑋 = = 0,0630 pu 𝑋 = = 0,0591 pu
0,635 63,5
114
𝑋 , = = 180 pu
0,635

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Exemplo 4.12

Transforma-se
tudo para p.u.

Elimina-se o
trafo ideal

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.13
A corrente de excitação medida no lado de baixa tensão de um
transformador de 50 kVA e 2400:240 V é 5,41 A. A sua impedância
equivalente referida ao lado de alta tensão é 1,42 + 𝑗1,82 Ω. Usando a
especificação nominal do transformador como base, expresse no sistema
por unidade e nos lados de alta e baixa tensão:
(a) a corrente de excitação;
(b) a impedância equivalente.

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.12

Solução:
Os valores de base das tensões e correntes são:
𝑉 , = 2400 V 𝑉 , = 240 V 𝐼 , = 20,8 A 𝐼 , = 208 A
onde os subscritos A e B indicam os lados de AT e BT, respectivamente.
Os valores de base para as impedâncias dos lados de AT e BT:
𝑉 , 2400 𝑉 , 240
𝑍 , = = = 115,2 Ω 𝑍 , = = = 1,152 Ω
𝐼 , 20,8 𝐼 , 208

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.12

(a) Cálculo da corrente de excitação no sistema por unidade:


Foi dado 𝐼 = 5,41 A referida ao lado de BT. Seu valor em pu é:
,
𝐼 , 5,41
𝐼 , , = = = 0,0260 pu
𝐼 , 208
A corrente de excitação, referida ao lado de AT, é 0,541 A. Seu valor em pu é:
𝐼 , 0,541
𝐼 , , = = = 0,0260 pu
𝐼 , 20,8

Nota: A corrente de excitação tem o mesmo valor em pu nos dois lados do trafo.

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.12

(b) Cálculo da impedância equivalente no sistema por unidade:


Foi dado 𝑍 = 1,42 + 𝑗1,82 Ω referida ao lado de AT. Seu valor em pu é:
,
𝑍 , 1,42 + 𝑗1,82
𝑍 , , = = = 0,0123 + 𝑗0,0158 pu
𝑍 , 115,2
A impedância equivalente referida ao lado de BT é 0,0142 + 0,0182 Ω.
Seu valor em pu é:
𝑍 , 0,0142 + 0,0182
𝑍 , , = = = 0,0123 + 𝑗0,0158 pu
𝑍 , 1,152
Nota: A impedância equivalente tem o mesmo valor em pu nos dois lados do trafo.
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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Exemplo 4.13
A figura mostra um sistema de potência simples. Esse sistema contém um
gerador de 10 kVA, representado por uma fonte de tensão ideal de 480 V
em série com uma reatância de 𝑗1 Ω, ligado a um transformador elevador
ideal 1:10, uma linha de transmissão de 20 + 𝑗60 Ω , um transformador
abaixador ideal 20:1 e uma carga de impedância 8 + 𝑗6 Ω. Pede-se:
(a) Determinar os valores de base para tensão, corrente, impedância e
potência aparente em cada região do sistema.
(b) Obtenha o circuito equivalente do sistema com todas as impedâncias no
sistema por unidade (adotar a tensão do gerador na referência zero).
(c) Calcular a potência ativa recebida pela carga, a potência perdida na linha
de transmissão e a potência ativa fornecida pelo gerador.

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4.9. Sistema Por-Unidade para Transformadores Monofásicos


Solução:
(a) Cálculo dos valores de base no sistema por unidade
Pela teoria, a base de potência aparente será a mesma para todo o sistema de potência:
𝑆 = 10.000 VA → Para as regiões 1, 2 e 3
Bases de tensão, corrente e impedância para a região 1 (do gerador):
𝑉 = 480 V = 0,48 kV
𝑆 10.000
𝐼 = = = 20,8333 A
𝑉 480
𝑉 480
𝑍 = = = 23,04 Ω
𝑆 10.000
Bases de tensão, corrente e impedância para a região 2 (da linha de transmissão):
𝑉 = 480 × 10 = 4.800 V = 4,8 kV
𝑆 10.000
𝐼 = = = 2,0833 A
𝑉 4.800
𝑉 4.800
𝑍 = = = 2.304 Ω
𝑆 10.000
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Solução (continuação):
Bases de tensão, corrente e impedância para a região 3 (da carga):
𝑉 = 4.800/20 = 240 V = 0,24 kV
𝑆 10.000
𝐼 = = = 41,6667 A
𝑉 240
𝑉 240
𝑍 = = = 5,76 Ω
𝑆 10.000

(b) Circuito equivalente com todos dos valores no sistema por unidade
𝑉̇ 480∠0
𝑉̇ , = = = 1∠0 pu
𝑉 480
𝑍̇ 𝑗1
𝑍̇ , = = = 𝑗0,04340 pu
𝑍 23,04
𝑍̇ 20 + 𝑗60
𝑍̇ , = = = 0,008681 + 𝑗0,026042 pu
𝑍 2.304
𝑍̇ 8 + 𝑗6
𝑍̇ , = = = 1,3889 + 𝑗1,0417 pu
𝑍 5,76
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Solução (continuação):
(b) Circuito equivalente com todos dos valores no sistema por unidade

(c) Cálculo das potências ativas no sistema, sabendo que 𝑺𝒃𝒂𝒔𝒆 = 𝟏𝟎. 𝟎𝟎𝟎 𝐕𝐀
𝑍̇ , = 𝑗0,04340 + 0,008681 + 𝑗0,026042 + 1,3889 + 𝑗1,0417
𝑍̇ , = 1,397581 + 𝑗1,111142 = 1,7854605∠38,49 pu

𝑉̇ , 1∠0
𝐼̇ = = = 0,5601∠ −38,49 pu
𝑍̇ , 1,7854605∠38,49

𝑃 , =𝑅 , 𝐼 = 1,3889 × 0,5601 = 0,4357 pu → 𝑃 = 4.357 W

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Solução (continuação):
(c) Cálculo das potências ativas (continuação)

𝑃 , =𝑅 , 𝐼 = 0,008681 × 0,5601 = 0,0027 pu → 𝑃 = 27 W

Cálculo da potência ativa fornecida pelo gerador por 2 modos:


𝑃 = 𝑃 + 𝑃 = 4.357 + 27 → 𝑃 = 4384 W
𝑃 , =𝑉 , 𝐼 𝑐𝑜𝑠𝜃 = 1 × 0,5601 × 𝑐𝑜𝑠38,49 = 0,4384 pu → 𝑃 = 4384 W

Nota: Para treinar, calcular todas as potências reativas: a recebida pela carga, a
consumida pela linha, a consumida pelo gerador e a fornecida pelo gerador.
Calcule o valor, em volts, da tensão na carga. (Resposta: 233,38 V)
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