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SECRETARIA DE ESTADO DE POLÍCIA MILITAR

DIRETORIA GERAL DE ENSINO E INSTRUÇÃO


ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR D. JOÃO VI

EURICO DE SOUZA NETO JUNNIOR


WILLIAN ANDRADE FREIRE

AS CONSEQUÊNCIAS DO ESTRESSE NA QUALIDADE DE VIDA DO


POLICIAL MILITAR

RIO DE JANEIRO
2021
2

EURICO DE SOUZA NETO JUNNIOR


WILLIAN ANDRADE FREIRE

AS CONSEQUÊNCIAS DO ESTRESSE NA QUALIDADE DE VIDA DO


POLICIAL MILITAR

Artigo científico apresentado ao Curso de Formação de


Oficiais da Academia de Polícia Militar D. João VI como
requisito parcial para conclusão de curso.
Orientadora: CAP PSI PM POLLY

RIO DE JANEIRO
2021
3

AS CONSEQUÊNCIAS DO ESTRESSE NA QUALIDADE DE VIDA DO POLICIAL


MILITAR
THE CONSEQUENCES OF STRESS ON THE QUALITY OF LIFE OF MILITARY
POLICEMAN
Eurico De Souza Neto Junnior 1
Willian Andrade Freire 2
RESUMO
O estudo tem por objetivo explorar o estresse de maneira sucinta, mostrando como pode afetar
a qualidade de vida do Policial Militar do Rio de Janeiro. Analisando o ambiente de trabalho e
fatores que geram estresse através da pesquisa feita, foi observado que a instituição pode ter
uma participação que acaba por contriubuir na geração desse estresse em seus servidores.
Ressalta-se, a importância do acompanhamento com avaliações periódicas e a resistência dos
policiais acometidos pelo estresse em buscar ajuda. Em seguida, aborda-se o estresse como
fator motivador de suicídios, depressão, causando doenças físicas e mentais. Baseou-se, para
tanto, em livros e estudos da área de psicologia e, como pesquisa, foi feita uma entrevista com
Policiais Militares.
PALAVRAS-CHAVE: Estresse. Qualidade de Vida. Ambiente de Trabalho Policial. Saúde
Mental.
ABSTRACT
The study aims to explore stress in a succinct way, showing how it can affect the quality of
life of the Rio de Janeiro Military Police. Analyzing the work environment and factors that
generate stress through the research carried out, it was observed that the institution may have
a participation that ends up contributing to the generation of this stress in its employees. It is
noteworthy the importance of monitoring with periodic assessments and the resistance of
police officers affected by stress to seek help. Then, stress as a motivating factor for suicides,
depression, physical and mental illnesses is approached. Therefore, it was based on books and
studies of the area of psycology and, how search, was made the interview with Military
Police.KEYWORDS: Stress. Quality of life. Psychological Monitoring. Mental health. Police
Work Environment.

INTRODUÇÃO
1
Policial Militar graduado em Direito pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduado em Direito Público pela
Faculdade Legale.
2
Policial Militar graduado em Direito pelo Centro Universitário Augusto Motta.
4

É importante deixar claro, antes de mais nada, que o estresse nem sempre deve ser
tratado como algo ruim, pois foi através dele que conseguimos evoluir e sobreviver enquanto
espécie, pelo fato do corpo humano criar resistências e adaptações a esses fatores geradores,
onde, trazendo como exemplo, nossos ancestrais utilizavam os sinais iniciais do estresse como
fatores de alertas contra-ataques iminentes de animais.
O estresse é um período de tensão que causa ruptura no equilíbrio interno do
organismo pelo atilamento de estímulos que resultam em inquietação emocional e que,
refletem sobre a regulação do corpo humano. Também podemos conceituar que o estresse,
nada mais é que uma resposta física do nosso organismo a um estimulo, ao ponto que, quando
se está influenciado de alguma forma, por algum agente estressante, o corpo pensa estar
sofrendo um ataque, e com isso, entra no modo fugir ou enfrentar, liberando assim uma
quantidade excessiva de hormônios e substancias químicas como cortisol, adrenalina, entre
outros, a fim de preparar o corpo para uma resposta física imediata, onde se o agente
estressado precisar fugir, o corpo desviará sangue para os músculos, por exemplo.
A maior problemática é que, quando o corpo humano fica submetido por um longo
período de tempo ao agente estressor, acaba reagindo a isso, e desta forma, acabam sendo
liberados, demasiadamente, hormônios e substâncias químicas tornando-se nocivos à saúde do
estressado, variando o grau de estresse de acordo como cada indivíduo se comporta frente ao
agente estressor.
O estudo em tela, tem como escopo principal analisar as consequências do estresse no
âmbito da vida profissional e pessoal do Policial Militar do Estado do Rio de Janeiro. Com
esse objetivo traçado, o estudo pretende analisar que o estresse presente na vida do Policial
Militar no exercício de suas funções, é considerado preocupante por atingir diretamente a
qualidade de vida do mesmo, que quando em níveis avançados, resultam em doenças ligadas
ao aparelho digestivo, depressão, problemas cardíacos, entre outras.
Anualmente o estresse acomete inúmeros policiais, elevando os níveis das taxas de
suicídios de policiais, por exemplo, pois estão diretamente relacionados. O estresse é um
motivador de inúmeras doenças, tanto físicas quanto emocionais (psicossomáticas). Uma das
doenças, que acaba sendo comum, ligada ao estresse oriundo das atividades laborais é a
Síndrome de Burnout, caraterizada pela exaustão emocional e a depressão, uma doença
silenciosa, e que muitas vezes, é discriminada pelo portador e pelas pessoas próximas.
Podemos dizer que a qualidade de vida vai além dos fatores referentes à saúde, como o
bem-estar físico, funcional, emocional e mental, sendo necessário observar aspectos
importantes como: remuneração adequada, jornada de trabalho, valorização, ambiente de
5

trabalho, que ofereça possibilidade de atuação com equilíbrio psicológico e físico e momentos
satisfatórios de descanso. Alguns desses fatores não estão no controle do funcionário público
militar, como por exemplo a remuneração, contudo, outros podem ser analisados, para
mudanças oportunas das equipes gestoras da instituição.
Com base na pesquisa de campo que foi feita com policiais da ativa da Policia Militar
do Estado do Rio de Janeiro, as excessivas horas trabalhadas, as exacerbadas cobranças
demandadas pelos superiores, as condições precárias de trabalho e o risco iminente de morte,
são os principais fatores que, cumuladas às mais diversas causas de estresse, como:
emocionais, financeiras e/ou sociais, compõem um conjunto que leva ao estresse.
O estudo do impacto do estresse na qualidade de vida do policial militar é um tema
relevante por permitir uma análise real do bem-estar daqueles que estão na ativa. Observa-se
que é preciso cuidar da saúde e da condição de existência do agente, devendo este cuidado
ultrapassar o âmbito pessoal e passar a ser uma preocupação organizacional e social. É
imprescindível entender os elementos que compõem a qualidade de vida no trabalho.
Questiona-se, com base na pesquisa, se o principal agente estressor é de fato o próprio
trabalho policial, pois o militar permanece no limite da resistência física e emocional,
podendo variar a intensidade das tensões de acordo com a localidade e ocorrência dos fatos.
Diante do resultado da pesquisa aplicada aos Policiais Militares da ativa, com o intuito
de analisar o problema apresentado, o presente trabalho será elaborado através do método
analítico, uma vez que procede pela investigação de classes, com vistas a ressaltar as
diferenças e similaridades entre elas. Tratando-se de uma classe diferenciada de trabalhadores
devido à natureza do serviço, esse é o método mais adequado.
Recomenda-se adoção de elementos geradores que promovam à saúde física, mental e
emocional do Policial Militar e de mesmo modo, que sejam observadas condições adequadas
de trabalho e de descanso do policial militar.

2. OBJETIVO

A partir do resultado da pesquisa aplicada aos Policiais Militares da ativa, com o


objetivo de analisar as consequências do estresse no âmbito profissional e pessoal do Policial
Militar do Estado do Rio de Janeiro, no exercício de suas funções, o estudo apresentou que o
estresse presente na vida do policial militar é considerado preocupante por atingir diretamente
a qualidade de vida do mesmo que, quando em níveis avançados, resulta em doenças ligadas
ao aparelho digestivo, depressão, problemas cardíacos, entre outras patologias.
6

Os principais agentes de estresse presente cotidianamente no trabalho do policial


militar são agentes climáticos diversos, sobrecarga de trabalho, falta de equipamento de
segurança, além de fatores cruciais essenciais ligados ao dia-a-dia do policial militar como a
incerteza e a violência.
Questiona-se se o principal agente estressor é de fato o próprio trabalho policial, pois o
militar permanece no cume da resistência física e emocional, podendo variar a intensidade das
tensões de acordo com a localidade e ocorrências dos fatos.
Do mesmo modo, a sobrecarga de trabalho, na rotina de escalas, que podem ter suas
horas estendidas de acordo com a demanda da situação, mantém o corpo em constante
situação de estresse.
O estudo aponta que o combate aos agentes estressores deve abranger a instituição
policial, a qual precisa repensar a estrutura de trabalho e implantar programas de sustentação
da qualidade de vida de seus profissionais.
De acordo com o presente trabalho, pode se analisar que a redução do estresse é um
conjunto de ações não só da atividade laboral, mas também do trabalhador, que precisa
investir em sua saúde física e mental de forma particular. Cabendo a esta pesquisa apontar os
fatores laborais que potencializam o estresse no Policial Militar.
Recomenda-se a adoção de práticas de vida saudáveis, avaliação médica periódica e
controle do corpo e da mente. Sugere a adoção de programas de trabalho que viabilizem
informações sobre o controle do estresse, com palestras e cursos de controle emocional, bem
como a disponibilidade nas dependências da polícia militar, de tratamentos para estresse e
ansiedade, tais como: acupuntura, pilates, meditação, dentre outras práticas conhecidas.

3. O ESTRESSE

3.1. CONCEITO DE ESTRESSE

Para melhor compreensão do tema deste Trabalho de Conclusão de Curso, é


necessário abordar conceitos e definições do termo estresse, ou seja, desde definir o
significado com uma explicação mais objetiva até variar para o pensamento de alguém. a
palavra “estresse”, explica Rossi (1994), tem origem do latim stringere, que significa
“espremer”, muito usada no século XII com o significado de “adversidade” ou “aflição”. A
partir dos séculos XIII e XIX, a palavra passou a ser relacionada ao conceito de “pressão”,
“força” ou “esforço”, feito pela própria pessoa, sua mente e organismo. Sobre a definição do
termo, o Ministério da Saúde afirma que:
7

Estresse é a reação natural do organismo que ocorre quando vivenciamos situações


de perigo ou ameaça. Esse mecanismo nos coloca em estado de alerta ou alarme,
provocando alterações físicas e emocionais. A reação ao estresse é uma atitude
biológica necessária para a adaptação às situações novas. (BRASIL, 2012)

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2018), o estresse é classificado


como doença, tendo seu código próprio na Classificação internacional de Doenças (CID)-
F43, que definem o estresse como "um conjunto de personalidade ou conflito inconsciente
específico, causador de um desequilíbrio homeostático que contribui para o desenvolvimento
de um transtorno psicossomático".
Na dimensão biológica, Hans Selye, foi o primeiro estudioso que tentou definir
estresse. De acordo com Selye (1959 apud FILGUEIRAS e HIPPERT, 1999), o estresse é um
elemento inerente a toda doença, que produz certas modificações na estrutura e na
composição química do corpo, as quais podem ser observadas e mensuradas. O estresse é o
estado que se manifesta através da Síndrome Geral de Adaptação (SGA). Esta compreende:
dilatação do córtex da suprarrenal, atrofia dos órgãos linfáticos e úlceras gastrointestinais,
além de perda de peso e outras alterações. A SGA é um conjunto de respostas não específicas
a uma lesão e desenvolve-se em três fases:

(1) fase de alarme, caracterizada por manifestações agudas;

(2) fase de resistência, quando as manifestações agudas desaparecem e;

(3) fase de exaustão, quando há a volta das reações da primeira fase e pode haver o colapso do
organismo.

Selye (1959 apud FILGUEIRAS e HIPPERT, 1999), afirma que o estresse pode ser
encontrado em qualquer das fases, embora suas manifestações sejam diferentes ao longo do
tempo. Além disso, não é necessário que as três fases se desenvolvam para haver o registro da
síndrome, uma vez que somente o estresse mais grave leva à fase de exaustão e à morte.
Para a psicologia, estresse é, segundo Lipp3 (1984, p.6) dentro de uma abordagem
cognitivo-comportamental, “uma reação psicológica com componentes emocionais físicos,
mentais e químicos, a determinados estímulos que irritam, amedrontam, excitam e/ou
confundem a pessoa”.

3
Marilda Novaes Lipp é Cientista, Escritora, Psicóloga, Diretora Fundadora do Centro Psicológico de Controle do Stress. Membro da
Academia Paulista de Psicologia onde ocupa a cadeira numero 7 – Oscar Freire. Presidente eleita da Federação Brasileira de Terapias
Cognitivas (2015-2017). Membro do Conselho da Associação Latino-Americana de Psicoterapias Cognitivas – ALAPCO.
8

Na perspectiva social, Rodrigues4 (1997, p.24) traz uma definição de estresse como
"uma relação particular entre uma pessoa, seu ambiente e as circunstâncias às quais está
submetida, que é avaliada pela pessoa como uma ameaça ou algo que exige dela mais que
suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo o seu bem-estar”.
As definições e os conceitos enfatizam o estado de conflito e de desequilíbrio no
indivíduo, provocados, ora pelas exigências sociais e ora pela capacidade de adaptação e de
resposta do homem. Portanto, o estresse não aparenta sinais nem sintomas específicos, pois as
experiências humanas são individuais, bem como os agentes estressores que os afetam.

3.2 SINTOMAS E SINAIS DO ESTRESSE

Além de compreender sua fisiologia, também é necessário saber como reconhecer o


estresse nas pessoas. Primeiramente cabe dizer que, existe diferença entre sinais e sintomas do
estresse. Sintoma é aquilo de que o indivíduo reclama e que pode não ser evidente para as
outras pessoas. Os sinais são os indicadores visíveis do estresse e podem não estar
perceptíveis pelo indivíduo que deles sofre.

3.2.1 Sintomas físicos

Normalmente o estresse leva ao aparecimento de sintomas físicos, como por exemplo


a queda de cabelo em excesso, dor de cabeça ou enxaqueca, tensão muscular, alergias,
facilidade em ficar doente e alterações gastrointestinais e do coração, como aumento dos
batimentos cardíacos, por exemplo. Além disso, mãos frias e suadas e problemas de pele,
como acne, por exemplo, podem ser indicativos de estresse.

3.2.2 Sintomas psicológicos

O estresse também pode se manifestar por meio de sintomas psicológicos bem


perceptíveis, como por exemplo: ansiedade, angústia, nervosismo ou preocupação em
excesso; irritação e impaciência; tontura; problemas de concentração e de memória; sensação
de perda do controle; dificuldade para dormir; dificuldade em tomar decisões. Além disso, a
pessoa que se encontra estressada normalmente não consegue se organizar e se concentrar em
atividades, o que pode fazer com que fique cada vez mais estressada.

4
É membro do corpo clínico do Instituto de Gastroenterologia de São Paulo, também atua em Consultório Particular, membro honorário da
Associação Brasileira de Medicina Psicossomática e seu Presidente (1990-1992), Presidente do Comitê Multidisciplinar de Psicossomática
da Associação Paulista de Medicina (1991-1993).
9

3.2.3 Sinais do estresse

Não há moldura definida que possa ser utilizada para identificar o estresse nas pessoas,
o estresse afeta diferentes pessoas e de maneiras desigual. Esses são os sinais mais comuns
contudo, não é uma lista exaurida de todos os sinais do estresse, mas indica os mais evidentes
do estresse no trabalho:

(A). Alteração na aparência:

(B). Falta de cuidado com a aparência;

(C). Aparência de triste;

(D). Aparência cansada;

(E). Nervosismo ou apreensão;

(F). Agitação;

Alteração nos hábitos:

(G). Comer mais ou comer menos;

(H). Ingerir mais bebida alcoólica;

(J). Fumar mais;

(L). Aumento de faltas;

(M). Aumento de acidentes;

(N). Variação de humor;

(O). Deficiência ao tomar decisões;

(P). Redução do desempenho profissional.

3.3 FASES DO ESTRESSE

Em 1956, o estudioso e médico, Selye (1959 apud FILGUEIRAS e HIPPERT, 1999),


observou que quando um organismo se submente aos estímulos que ameaçam o seu
equilíbrio, ele tende a reagir com um conjunto de respostas, que por sua vez, tem três fases:

(I). Reação de alarme,

(II). Fase de resistência e a

(III). Fase de exaustão.


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3.3.1 Fase Reação de Alarme

Essa fase é desencadeada sempre que o cérebro, independentemente de vontade,


interpreta uma situação como ameaçadora, ou seja, algum desafio e/ou perigo. Existem quatro
tipos de alarmes: reação emocionais; mudanças de comportamento; distúrbios da
concentração e raciocínio;

3.3.2 Fase de resistência

A principal característica dessa fase é a tensão acumulada que gera oscilação no modo
habitual de viver, ou seja, a pessoa tem uma aparência boa, mas não está no seu padrão
normal de funcionamento. E de acordo com o relato de psicólogos da corporação, nesta fase o
policial já apresenta sintomas psicossomáticos e não trabalha com a saúde plena.

3.3.3 Fase de exaustão

Nessa fase, os mecanismos de defesa do nosso sistema têm uma brusca queda,
afetando, assim, o todo - corpo, mente, sentimentos e comportamento. Os sintomas podem ser
vários: aumento da tensão muscular, dores no pescoço, dores nas costas, dores de cabeça,
bruxismo (ranger o dente), tremores, agitação, tiques nervosos e piscar os olhos com maior
frequência.
Insta salientar que, nessa fase, se o estresse não for tratado a tensão muscular pode
levar a sintomas ainda mais graves, tais como pressão arterial elevada, enxaquecas e
distúrbios de digestão, cardiopatias, podendo inclusive levar a morte.

3.4 O ESTRESSE E O TRABALHO

O trabalho é o meio pelo qual o homem se relaciona com o mundo exterior. Essas
vivências determinam a qualidade das relações em todos os aspectos. Dejours, Dessors e
Desriaux5 (1993) compreendem que, por meio das diferentes relações do indivíduo com o seu
trabalho, a sua saúde é afetada no mais alto nível.
A Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, classificou o estresse como a
“doença do século XX” e, através de diversos estudos e trabalhos, foi claramente identificada
a relação do estresse nas desordens ligadas ao sistema imunológico, ou seja, um simples
resfriado e um herpes até o câncer.

5
Professores do Conservatoire National des Arts et Métiers, Laboratoire de Psychologie du Travail, Paris, França que demonstram, com seus
artigos, as condições e organização do trabalho e as suas pressões influenciam a integridade biopsicossocial do trabalhador.
11

Nessa esfera, o ambiente de trabalho hostil pode conduzir ao estresse e tornar o


funcionário menos eficaz, ou até mesmo levá-lo a morte. Além disso, o acúmulo excessivo de
estresse e de tensão emocional, relacionado ao trabalho de uma pessoa, gera um distúrbio
psíquico causado pela exaustão extrema, síndrome de burnout.

3.4.1 A síndrome de Burnout

Essa condição é chamada de “síndrome do esgotamento profissional” e aflige quase


todas as particularidades da vida de uma pessoa.
Toda pressão, ansiedade e nervosismo resultam em uma depressão profunda, que
precisa de acompanhamento médico constante e a tendência é que a síndrome de Burnout Se
torne cada vez mais comum, sendo que seu diagnóstico é realizado por meio de uma consulta
médica com um psicólogo ou um psiquiatra. Importante ressaltar que esse transtorno é de
ordem funcional, ou seja, acomete trabalhadores.
Para evitar tal manifesto, é preciso manter hábitos saudáveis e equilibrar carreira e
vida profissional.

4. A ATIPICIDADE DO AMBIENTE DE TRABALHO POLICIAL MILITAR

O termo ambiente tem origem do latim (ambiens), seu significado é “que rodeia ou
envolve por todos os lados”. O ambiente é constituído de características próprias, sendo elas
físicas, sociais, culturais, econômicas, etc. Já o trabalho, é a atividade produtiva que um
indivíduo desempenha e é remunerado por tanto. O trabalho é definido por Karl Marx como a
atividade sobre a qual o ser humano emprega sua força para produzir os meios para o seu
sustento. Diante dos conceitos, ambiente de trabalho são todas as circunstâncias que
englobam o indivíduo ao exercer sua atividade laboral, podendo ser um escritório, uma
fábrica ou até mesmo uma praia.
O ambiente em que o policial militar trabalha possui suas peculiaridades, pois as
condições que o envolve são diferentes dos demais trabalhos, até mesmo na própria segurança
pública. Isso porque a atuação de natureza ostensiva da instituição leva seus operadores a
estarem atuando nos mais diversos ambientes, em um esforço que exige adaptação constante.
De maneira superficial, podemos supor que no mesmo dia, no mesmo horário e no
mesmo Estado da Federação, existem Policiais Militares em confronto direto com marginais,
realizando segurança de vias, atendendo em hospitais, zelando pela segurança em estádios,
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instruindo a tropa, atuando no espaço aéreo, contendo manifestações e demais acontecimentos


de naturezas semelhantes.
Não há, portanto, uma uniformidade quando se trata de ambiente de trabalho de um
Policial Militar. O que ocorre é, que independentemente de onde esteja exercendo sua
profissão, haverá sempre uma pressão psicológica, pois ser policial é sinônimo de estar em
risco de morte a todo o momento, pois uma característica marcante da profissão, que a difere
de outras, é o fato de que, quando os cidadãos estão “fugindo” de um distúrbio civil qualquer,
a Polícia Militar (Força de Segurança Pública) está “entrando”, ciente de que o trabalho pode
levar ao sacrifício da própria vida, isso exige do policial um equilíbrio emocional acima da
média do que é exigido nas demais profissões pois seu ambiente de trabalho é atípico, ou seja,
foge do comum.
Com base no que foi pesquisado, esse fato gera no agente de segurança pública uma
situação de estresse constante, ainda mais quando cumuladas aos demais problemas relatados
pelos policiais como escalas de serviços desgastantes, falta de estruturas e recursos para o
trabalho entre outros.

5. NECESSIDADE DO ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO E


CONSEQUÊNCIAS DA SUA AUSÊNCIA

5.1. FATOR GERADOR DE ESTRESSE

Em uma pesquisa realizada na plataforma do Google Forms (2021), com praças da


Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, teve como objetivo identificar a fração da tropa
que já sofreu de crises de estresse e os fatores geradores de estresse mais recorrente nesses
policiais. E como surpresa, grande parte dos pesquisados, cerca de (88,1%) responderam que
já tiveram alguma crise de estresse relacionado a atividade Policial Militar.
Nessa pesquisa, em uma das indagações, foi perguntado qual o fator que mais gera
estresse na sua atividade policial, houve o feedback de 195 Policiais, em apenas 01 uma
semana de pesquisa, onde as opções mais assinaladas como as principais geradoras de estresse
foram, em primeiro lugar, com 57,1% a escala de serviço desgastante; em segundo lugar, com
51,4%, tivemos a falta de estrutura e recursos para o trabalho, em terceiro lugar, com 37,3%,
encontra-se a forma de tratamento inadequado dos superiores hierárquicos, e com isso,
trazemos a este trabalho um dos fatos mais interessante extraído da pesquisa, pois o risco
iminente de morte, encontra-se em quarto lugar, com apenas 28,8% de votação.
13

Podemos ver ao analisar as respostas, que fatores como escalas de serviço, falta de
estrutura física, relações interpessoais conflituosas e o agravante do risco de morte real, são
fatores geradores de estresse para o policial, levando-os ao desgaste físico e mental.

Gráfico 1. Levantamento do desgaste físico e mental dos Policiais

1.

Fonte. Elaborado pelos Autores (2021)

No gráfico 2, pode ser observado as análises da resposta positiva apresentadas no


gráfico 2.

Gráfico 2. Fatores de estresse

Fonte. Elaborado pelos Autores (2021)


14

5.2 INTERFERÊNCIAS DO ESTRESSE OCUPACIONAL NA VIDA PESSOAL

Não existe a possibilidade de separarmos os acontecimentos do ambiente familiar com


os acontecimentos do ambiente laboral, pelo fato de tudo isso estar interligado através de uma
rede de conexões, a personalidade de uma pessoa é um misto do que ocorre em todos os
âmbitos de sua vida. Com o Policial Militar não é diferente, é comum que a própria família do
agente note os sintomas de estresse até mesmo antes do próprio. Isso porque o estresse
ocupacional interfere diretamente na vida pessoal da pessoa acometida. Para Margis, et al
(2003, p. 65), “o estresse ocupacional pode gerar impacto para o próprio trabalho do indivíduo
e para todas as outras áreas da sua vida, na medida em que há uma inter-relação entre todas
elas”.
O fator estresse contamina o ambiente e é passado para as pessoas ao seu redor.
Consequentemente, problemas em um dia de serviço de um policial podem contaminar a
saúde emocional dele e do seu ciclo de convívio por vários dias. Os problemas na vida do
policial fazem parte do seu cotidiano, mudando apenas de proporção: um dia ele sai mais
tarde que deveria do serviço e perde um compromisso pessoal importante, outro dia é
chamado para trabalhar para suprir um problema repentino, outro dia usa uma viatura em uma
condição que o expõe a risco, e até mesmo um disparo malsucedido que pode o levar a passar
anos na prisão e ser excluído. Varia dos maiores aos menores, porém são contínuos.
Na pesquisa de campo realizada, restou demonstrado que apenas 15%
aproximadamente da tropa não sofreu de interferências do estresse na sua vida pessoal. Isso é
preocupante, pois se torna um ciclo. Pelo aplicativo WhatsApp, policiais pesquisados
expuseram através de mensagens de texto que: “o policial não vai bem no trabalho e acaba
levando seus problemas para o âmbito domiciliar, consequentemente passa a ter problemas
com sua família e, em decorrência disso, reverbera no trabalho, e desta forma, trabalha mal.
Senão vejamos a pesquisa:

Gráfico 3. Fatores de estresse que interferiram nas atividades profissionais dos policiais participantes da
pesquisa
15

Fonte. Elaborado pelos Autores (2021)

5.3 RESISTÊNCIAS DOS POLICIAIS MILITARES EM PROCURAR


ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO E SUA IMPORTÂNCIA

Desde que uma pessoa ingressa no serviço Policial Militar, segundo os entrevistados,
ela é doutrinada a demonstrar características de quem tem um estado emocional muito forte,
que não se abala facilmente, um indivíduo rústico. Assim, o termo “rusticidade” adota o
significa de indelicadeza, grosseria e incivilidade Muito se escuta falar em rusticidade 6, e isso
afeta diretamente o comportamento do policial, pois o mesmo ao passar por problemas como
o estresse, acaba omitindo o problema das pessoas mais próximas, principalmente dos
profissionais que podem auxiliá-lo.
Com base em relados dos policiais que fizeram parte da pesquisa, é comum que o
policial considere o acompanhamento psicológico desnecessário e que ao procurá-lo estaria
demonstrando uma fragilidade. No meio, é comum ouvir dizer que se trata de uma “frescura”
ou que quem vai ao psicólogo tem transtornos mentais, “quem procura psicólogo é
considerado 8517, e pode ser perseguido pelo comando, quando procurei, procurei fora, não
confio em psicólogo da polícia, acham que estamos querendo nos esconder do serviço”
(relado de um policial entrevistado). Essa falta de informação da tropa gera uma grande
problemática, pois as crises de estresse são iniciadoras de diversas doenças e, como toda
doença, é sempre mais fácil reverter a situação no início dela.
Devido a isso, podemos dizer que possuímos uma espécie de cifra negra, pois policiais
que estão afetados pelo estresse, acabam por não procurar acompanhamento de um psicólogo
da instituição, em razão disso, estão nas ruas como servidores saudáveis, quando na verdade,

6
DICIONÁRIO AURÉLIO ONLINE. Disponível em: https://www.dicionariodoaurelio.com/busca.php?q=. Acesso em: 24 set 2021.
7
Gíria utilizada no linguajar policial para se referir a alguém louco. Trata-se de um antigo código de chamada paras atendimentos a
ocorrências envolvendo doestes mentais.
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não são, o que se torna demasiadamente preocupante, uma vez que ao estarem nas ruas
doentes, os policiais estão mais suscetíveis a cometerem erros, trazendo assim prejuízos tanto
para a própria instituição, quanto para a população.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro possui 24 Unidades Básicas de Saúde e
Serviços de Psicologia, segundo a Diretoria Geral de Saúde. Apesar da disponibilidade para
atendimento, o policial, na maioria das vezes, só procura o atendimento quando já se encontra
em estágio avançado de alguma doença física ou mental gerada pelo estresse, o que dificulta
ainda mais o trabalho dos psicólogos.
Conforme pesquisa de campo realizada, mais da metade da tropa nunca procurou
acompanhamento psicológico, mesmo quase 90% tendo passado por crises de estresse, o que
ratifica o entendimento supramencionado:

Gráfico 4. Atendimento por um profissional da área da Psicologia da PMERJ

Fonte. Elaborado pelos Autores (2021)

6. O FATOR ESTRESSE DO TRABALHO COMO DESENCADEADOR DO


SUICÍDIO

As situações de perigo e ameaça nos colocam em estado de alerta, provocando


alterações físicas e emocionais. Quando relacionamos essas alterações ao trabalho, chamamos
de estresse ocupacional.
Os principais fatores que desencadeiam essas modificações estão relacionados ao
ambiente e/ou a organização do trabalho. Um ambiente saudável, ou seja, aquele que se
preocupa com o funcionário e promove a sua satisfação, dificilmente desenvolve pessoas que
se sentem em perigo e/ou ameaçados. Por outro lado, nessa mesma linha de pensamento,
17

excesso de trabalho, problemas de relacionamento, cobranças inadequadas ou em demasia


gera estresse.
O estresse é caro. As Pessoas com esse diagnóstico podem sofrer de hipertensão,
gastrite, fadiga, distúrbios do sono, depressão, síndrome do pânico, doenças cardiovasculares
e levar até ao suicídio.
O suicídio, de acordo com dados da OMS em 16 de junho de 2021, continua sendo
uma das principais causas de morte em todo o mundo: todos os anos, mais pessoas morrem
por suicídio do que de HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios. Em 2019, mais
de 700 mil pessoas morreram por suicídio.
Diante dessa realidade, desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em
parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza nacionalmente o setembro
Amarelo, isto é, o dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
Para a reversão desse quadro, no primeiro momento, é necessária a terapia
ocupacional para prevenção e diagnóstico precoce. A partir da verificação de mudanças de
comportamento de uma pessoa, recomenda-se o descanso, pausas e técnicas de relaxamento.
Em um segundo ensejo, alterações organizacionais são essenciais. Oferecer um
ambiente confortável, criar uma agenda equilibrada, proporcionar momentos de descontração,
incentivar a prática de atividades físicas e manter uma boa alimentação e realizar pesquisas de
clima.
Para tanto, há sempre que se considerar fator versus causa. Tudo que se torna um
estímulo no futuro, deve ser, ainda mais, objeto de desenvolvimento para uma forma mais
satisfatória.
INSERIR DADOS SOBRE SUICÍCIO NA PMERJ

7. O TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEPT)

A violência está presente no cotidiano do policial militar e, em decorrência dela, o


militar sofre recorrentemente diversos traumas. Caso o policial seja exposto a uma situação
muito marcante negativamente, poderá ser acometido pelo TEPT. Segundo Varella e Bruna
(2021): “O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é um distúrbio de ansiedade que se
manifesta em decorrência de o portador ter sofridos experiências de atos violentos ou de
situações traumáticas”
Na maioria das vezes, o fato gerador do transtorno são situações em que a pessoa tem
sua vida ou a de terceiro exposta a risco. O episódio é guardado na memória e quando ela se
recorda, revive as sensações do momento como se estivesse ocorrendo de novo. Essa
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recordação é chamada revivescência e gera alterações mentais e neurofisiológicas. Na esfera


civil, podemos usar como exemplo dessas situações os acidentes de trânsito, assaltos, abusos
sexuais, catástrofes naturais etc. Já no âmbito policial militar, podemos citar as recorrentes
trocas de tiro como principal situação de exposição à morte.
Os sintomas não são instantâneos e podem levar um período longo para surgir. Eles se
dividem em três categorias: reexperiência traumática, esquiva e isolamento social e
hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora. A reexperiência traumática, como o próprio nome
diz, leva a pessoa a ter pensamentos recorrentes e intrusivos que remetem o trauma, uma
espécie de flashback. Na esquiva e isolamento social, o traumatizado procura fugir de
situações, pessoas e atividades que possam trazer lembranças do trauma. Já na
hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora, os sintomas são mais acentuados, a pessoa
acometida sofre de dificuldade no sono e na concentração, desequilíbrios cardíacos, sudorese,
dores de cabeça, hipervigilância, irritabilidade e tonturas.
A psicoterapia é o principal aliado ao tratamento do transtorno do estresse pós-
traumático. As terapias fazem a pessoa relembrar o fato traumático, porém de maneira gradual
e controlada e, a partir daí o terapeuta demonstra apoio e segurança a ela, de forma a tornar a
lembrança desassociada ao que se vive no momento. É necessário que o acometido se sinta
seguro de que aquilo não vai acontecer novamente. Outro aliado importante é a
farmacoterapia, nela são ministrados antidepressivos e medicamentos antipsicóticos.
Tal transtorno é muito comum na corporação, pois a realidade do Rio de Janeiro
proporciona aos seus policiais vivências de exposição à morte com uma frequência muito alta
em relação aos demais estados do Brasil. Os veículos de comunicação demonstram
diariamente situações de violência e risco de vida envolvendo o policial militar. Quando isso
ocorre, o agente envolvido no confronto armado que sofre o trauma, por vezes passa a ter uma
aversão a arma de fogo, seu principal instrumento de trabalho. Isso leva o militar à baixa
psiquiátrica, um dos maiores problemas enfrentados atualmente pela Polícia Militar do Estado
do Rio de Janeiro.

8. FORMAS E HÁBITOS DE EVITAR O ESTRESSE NO SERVIÇO

Como foi visto na pesquisa de campo realizada a atividade Policial Militar é, por sua
natureza estressante, mas existem formas de tornar serviço mais leve, de modo a evitar
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situações de estresse e manter o autocontrole. Para tanto, é necessário colocar em prática


alguns hábitos.
Inicialmente, o gerenciamento do estresse começa com o autoconhecimento e com a
mudança de hábito, quanto mais o indivíduo se conhece, mais ele tem a possibilidade de
manobrar o seu estresse. Como vimos no resultado da pesquisa acima, a principal delas é a
escala. Após a identificação, caso seja possível, o policial deve procurar maneiras de resolver
tal problemática, como solicitações ao comandante ou até mesmo o pedido de mudança de
unidade. É necessário também que a pessoa busque avaliar se o problema não está nela
mesma, como nos casos de pessoas que se cobram demais.
Atentar ao que ocorre no seu corpo é de suma importância. Se o estresse estiver
acometendo a pessoa, seu corpo certamente irá sinalizar através de sintomas de desânimo,
fadiga, insônia, cansaço, dores no estômago, etc. Tais sintomas tendem a evoluir à
hipertensão, transtornos de ansiedade, compulsão alimentar aumento de peso, etc. Portanto, o
policial deve se preocupar em manter uma alimentação saudável e uma boa hidratação.
Ser flexível é fundamental, pois quando o policial tenta alcançar limites inatingíveis,
tende a se sobrecarregar e se frustrar. Uma saída é delegar funções e, mais importante ainda,
reconhecer seus limites, pois assim será mais fácil lidar com situações difíceis.
A boa comunicação é essencial e um dos maiores problemas no ambiente de trabalho.
Deve-se buscar de maneira eficiente formar de levar a informação, interagir e conversar. Se o
baseamento que o policial se encontra não possui sombra ou banheiro, o ideal é que
comunique de forma educada ao seu superior imediato para que seja apresentada uma
solução, o que vai evitar o estresse naquele serviço.
Em entrevista a um policial que participou da pesquisa, disse que: “o serviço policial
por muitas das vezes dura 12 horas por 24 horas mais 12 horas trabalhadas por 48 horas de
descanso, e nessas 48horas de descanso, os policiais, na maioria das vezes são empregados em
extras obrigatórios, prejudicando assim o nosso convívio familiar, de descanso, enfim, essa
escala, para nossa atividade, é desumana e nos deixa em risco, pois o policial sobrecarregado,
tende a ficar desatento para o serviço”. Tal cansaço, como mostra a pesquisa, leva o policial
ao estresse, portanto uma saída para evitá-lo é descansar. A maioria dos policiais procuram
outra fonte de renda nas suas folgas e não uma boa noite de sono. Sempre que possível, o
agente deve procurar descanso.
A prática de exercícios físicos é uma ótima saída para o estresse, principalmente de
forma regular. Então, se o policial se alimentar bem, descansar e praticar algum esporte,
certamente terá menos chances de ser acometido pelo estresse, pois colocara em
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funcionamento neurotransmissores essenciais para o bem-estar, além da melhora da


capacidade e resistência física do corpo para enfrentar situações de estresse.
Proporcionar sempre que possível, o melhor no ambiente de trabalho, lá que se passa a
maioria do tempo do policial, de forma a torná-lo agradável. Ser solícito, prestativo e pensar
em conjunto são formas de tornar o ambiente mais salutar.

9. PREJUÍZOS CAUSADOS PELO ESTRESSE À SAÚDE MENTAL E FÍSICA

A exposição ao estresse de maneira constante pode provocar doenças tanto físicas


quanto emocionais. Isso porque nosso corpo foi preparado para receber pequenas doses de
estresse, de forma a estimular a produção de alguns hormônios. Trata-se de uma reposta
biológica natural do nosso corpo para nos proteger do risco. Porém, se de maneira sucessiva e
prolongada, pode gerar diversas alterações no nosso organismo.

9.1. INSÔNIA

As alterações causadas nos hormônios interferem diretamente na qualidade do sono,


por isso é comum escutarmos que quando as pessoas estão muito preocupadas ou estressadas
não conseguem dormir bem. Com isso, a pessoa se sente cada vez mais cansada e indisposta,
aumentando ainda mais seu nível de estresse. Sendo assim, a recomendação é que a pessoa
evite alimentos com cafeína nesses casos.

9.2. DEPRESSÃO

Quando a pessoa é acometida pelo estresse, sua produção de cortisol aumenta, e


quando aumenta muito, as taxas de dopamina e serotonina diminuem simultaneamente. Sendo
assim, a redução dessas substâncias está ligada à origem da depressão. Os especialistas
orientam a praticas exercícios, dormir bem, ter uma alimentação saudável e evitar ambientes
tóxicos e pensamentos ruins.

9.3. COMPLICAÇÕES CARDÍACAS

O estresse causa o aumento da pressão arterial em razão da aceleração dos batimentos


cardíacos. Quando a pessoa fica estressada, seu fluxo sanguíneo diminui, o que faz subir os
batimentos e a pressão arterial. Quando se torna recorrente, as alterações no fluxo sanguíneo
tornam o aparelho circulatório irregular e pode causar até mesmo o entupimento de veias e
artérias ou comprometendo outros órgãos, podendo evoluir para casos e acidente vascular
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cerebral e infarto. Praticar exercícios e evitar alimentos ricos em sódio e gordura é


fundamental.

9.4. ALZHEIMER

O quadro de estresse associado a cansaço e ansiedade pode aumentar em até 40% a


possibilidade de doenças neurológicas, como é o caso do Alzheimer. O excesso de exposição
a situações que provocam reações de ansiedade, depressão e irritabilidade que ocorre com
pessoas na faixa etária de 50 anos, pode proporcionar com ainda mais chances doenças
mentais.

9.5. CÂNCER

Não há um estudo que confirme que o fator estresse gere o algum tipo de câncer, por
outro lado, estudos confirma que sofrer de estresse durante a doença desenvolve os tumores.
Foi verificada evolução mais agressiva quando o paciente estava submetido ao estresse, o que
pode ser fatal em uma doença grave como essa.

9.6. DOENÇAS DERMATOLÓGICAS

A acne, vitiligo e psoríase são doenças de pele causadas ou agravadas pelo estresse.
Além dele, o descontrole emocional ou excesso de preocupação com alguma situação são
determinantes para o surgimento das doenças. Ressalta-se que para tanto, a exposição ao
estresse deve ser excessiva e contínua

10. CONCLUSÃO

O desenvolvimento do presente estudo possibilitou uma análise do fenômeno estresse,


esmiuçando seu conceito, seus sintomas e fases. Foi discorrido a respeito das peculiaridades
do ambiente de trabalho do policial militar, necessidade de acompanhamento profissional e
como o fator estresse pode interferir na vida pessoal do militar. Mostrou-se a resistência dos
policiais em procurar acompanhamento profissional como um obstáculo para o tratamento e
que como a evolução do problema pode se tornar um desencadeador do suicídio. Restou
esclarecido sobre o transtorno do estresse pós-traumático, como evitar o estresse em serviço e
seus prejuízos à saúde mental e física.
Além disso, também foi realizada uma pesquisa de campo com 272 (duzentos e
setenta e dois) policiais para obter dados mais consistentes sobre número de afetados pelo
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estresse, os fatores geradores, como isso interfere na vida pessoal e a procura da tropa por
acompanhamento psicológico. O questionário foi enriquecedor ao trabalho, pois além do
número significativo de respostas, os entrevistados reagiram muito bem à entrevista e
interagiram de forma agregadora nas respostas abertas.
Dada à importância do assunto, torna-se necessário refletir a respeito da relevância de
se planejar, pensar, em um trabalho de prevenção do estresse nas unidades da corporação. A
atuação nesse sentido já é presente nas unidades de ensino da corporação (APM e CFAP),
mas também se faz necessária nas demais unidades da instituição, longo prazo, estando
presente em toda carreira do policial, sendo um programa de prevenção.

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