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PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Nome: Pedro Alcântara Soares Ghisio


Data: 18/11/18
Turma: 149
Fichamento do capítulo 8 – O quinze de novembro:
Resposta: A queda da monarquia constitucional no Brasil em 1889 tem presente muitos
elementos, nas quais alguns deles antecedem o golpe militar que implantou uma
República, inicialmente, oligárquica e ditatorial.
É evidente que, por mais que não houvesse muito apelo das classes populares por um
novo regime, o império brasileiro, na sua estrutura básica, estava “desgastado” por suas
contradições políticas, sociais e econômicas (até mesmo filosóficas), dentro de um
contexto (século XIX, a era do capital e da industrialização) na qual não estava
supostamente acompanhando. A monarquia, portanto, tinha causas estruturais que não
permitiam seu avanço e progresso rumo ao um novo país, mas também a queda do
regime monárquico estava associada a força de interesses particulares de um grupo
muito singular ou distinto: os militares.
Nesse viés, podemos dizer que a queda da monarquia teve suas causas internas
(contradições e paradoxos próprios do estado) e externas (no sentido de uma força
coercitiva que era contra o governo vigente manipulando fatos e informações em prol de
seus próprios objetivos). É de se supor que o movimento dos militares com Deodoro da
Fonseca fosse pensado e racionalizado em cima de um ideário republicano e positivista,
na qual tinha objetivos bem determinados.
Durante o segundo reinado, reformas foram feitas (dentro de uma mesma estrutura), na
qual as mesmas tiveram pouco ou nenhum efeito imediato sobre as demandas da
sociedade, o que de certa forma gerou revolta nas camadas menos privilegiadas do
Brasil imperial. A tentativa de conciliar o Império com a democracia moderna ia ao
encontro com os interesses privados dos poderosos, no sistema eleitoral, por exemplo.
Era um sistema fragilizado pela fraude, pela violência e o suborno. Mais do que isso, o
voto não era um direito de todos, sendo dois censos restritivos à grande massa
populacional, onde excluía a maioria e perpetuava a minoria: Os letrados e os que
possuem uma quantidade significativa de dinheiro.
Como dito acima, havia a oposição, nas classes intermediárias, que não faziam parte do
processo eleitoral, começando pelos liberais radicais que pregavam ideias republicanas,
vendo na monarquia o ponto central da desigualdade na participação política, onde
através da centralização do poder, havia mecanismos para a manutenção do status-quo
das classes oligárquicas. Diversas questões eram debatidas no PRP (Partido
Republicano Paulista), porém o polo irradiador das ideias republicanas, e
consequentemente antimonarquistas, era na academia, como a Faculdade de Direito, em
Pernambuco. Portanto, a adesão do movimento era em grande parte pelos profissionais
liberais ou pelos intelectuais (minoria), e não pelas classes populares (a grande massa)
na qual não tinha conhecimento ou contato nenhum com as ideias em circulação no
período.
Além da participação política desfavorável, a guerra do Paraguai foi um ponto chave
para a separação entre o exército e as instituições monárquicas. Os esforços de guerra
aumentaram o contingente militar, o seu prestígio e imagem dentro da sociedade
brasileira, e a partir disso contestaram sua posição também desfavorável comparada, por
exemplo, a Guarda Nacional. O país, sendo o principal atuante na guerra, foi o segundo
mais prejudicado pelos custos financeiros, criando uma balança comercial desfavorável
e acumulando altos empréstimos (aumento da dívida externa).
Dentro desse contexto, os militares com o apoio intelectual nos grandes centros
acadêmicos, passam a projetar uma ideia de nação nos preceitos positivistas,
evolucionista, abolicionista e republicano. Antes disso, desde uma lei do ministro
Manoel em 1850, o oficialato deixou de se ligar as elites (sendo um elemento
característico do Antigo Regime com a união entre as elites e o recrutamento de
oficiais), se transformando em uma força independente disso, com normas mais rígidas.
Portanto, desde então, os oficiais do exército cada vez ficavam mais distantes do corpo
político que constituía a monarquia. Gradualmente, ela passa a ser desprestigiada.
Para fundamentar o movimento republicano em meio a esse turbilhão de ideias que se
chocavam, a filosofia positivista era a base, através das ideias de Auguste Comte,
tornando-se um instrumento teórico como forma de respaldar seus argumentos e
organizar melhor as pautas defendidas contra a política do governo vigente. Logo, a
filosofia do francês foi um elemento fundamental para a derrubada da monarquia no
Brasil, onde para alcançar a fase positiva, era preciso uma república ditatorial para guiar
o povo ao progresso dentro da ordem, ou seja, reformas que ainda assim conservam as
instituições. Porém existe contradições no movimento republicano que era a favor da
descentralização do poder e um sistema mais justo e democrático, pregando um regime
ditatorial e também, assim como o monárquico, um sistema restritivo a poucas pessoas
(Oligarquia).
Fundamentalmente, a imprensa e os comícios, através de uma intensa propaganda
antimonárquica, e a partir da fragilidade do estado monárquico e o contexto que o
envolve aproveitando esse momento nas mais diversas circunstâncias que envolvem a
crise sabendo aproveita-las, faziam críticas ao poder moderador e centralização
existente no poder, a inexistência consequentemente de maior autonomia das províncias,
a vitaliciedade do senado e a ausência de liberdade religiosa. Nesse viés, como dito no
início, foi um movimento racionalizado e pensado doravante a crise interna que o
império sofria.
A questão religiosa, embora menos enfatizada, também foi importante, pois a perda de
influência da igreja católica (um apoio importante a monarquia e a imagem do
imperador) perdeu seu prestígio ao longo do século XIX com o choque que sofreu com
grupos religiosos e intelectuais anticlericais, dando início a um processo de
secularização, ou seja, separação entre assunto da igreja e do estado (onde um não
poderia se sobrepor ao outro), e por consequência disso a perda de uma “aura mágica”
que envolvia a família real e o imperador.

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