Você está na página 1de 12

Os estudos sobre judiciário e política no Brasil pós 1988: uma revisão da literatura.

Os estudos sobre judiciário e política no Brasil pós 1988:


uma revisão da literatura.

studies on judicial politics in Brazil after 1988: a review of the literature

Cristina C. Pacheco*

Resumo

Os estudos sobre Judiciário e Política no Brasil tomaram novo fôlego a partir dos anos 90, em grande parte
estimulados pelas novas regras estabelecidas a partir da Constituição Federal de 1988, que atribuíram
ao Judiciário um papel de destaque dentro do cenário político nacional. Ainda que o tema mereça mais
estudos, talvez o momento seja propício a uma revisão da literatura brasileira que, nos últimos vinte anos,
tenha se destinado ao estudo político do Judiciário brasileiro, em especial, de sua corte máxima de Justiça,
o Supremo Tribunal Federal. Esse artigo pretende sistematizar tal literatura, discriminar as proposições
realizadas e resultados obtidos, para, em seguida, refletir sobre possíveis limites extraídos a partir destes
resultados, a partir dos quais se pretende sugerir uma agenda de pesquisa sobre o tema em questão.
Palavras-chave: Judiciário. Ciência Política. Supremo Tribunal Federal.

Abstract

Studies on Judicial Politics in Brazil took new breath from the 90, largely stimulated by new rules implemeented
after the approval of new Federal Constitution of 1988, which attributed the judiciary a role of prominence
within the national political scene. While the issue deserves further study, perhaps the time is conducive to a
review of Brazilian literature that in the last twenty years, has designed the study by the Brazilian judiciary, in
particular, its Court of Justice, the Supremo Tribunal Federal. This article aims to systematize such literature,
details the proposals and results achieved, and to reflect on possible limits extracted from these results.
Keywords: Judicial Branch. Political Science. Brazilian’s. Supreme Court of Justice.

Introdução destaque dentro do cenário político nacional. Ainda


que o tema mereça mais estudos, talvez o momento
Os estudos sobre Judiciário e Política no seja propício a uma revisão da literatura brasileira
Brasil tomaram novo fôlego a partir dos anos 90, que, nos últimos vinte anos, tenha se destinado ao
em grande parte estimulados pelas novas regras estudo político do Judiciário brasileiro, em especial,
estabelecidas a partir da Constituição Federal de de sua corte máxima de Justiça, o Supremo Tribunal
1988, que atribuíram ao Judiciário um papel de Federal. Esse artigo pretende sistematizar tal

* Professora de Teoria Política do Curso de Relações Internacionais da UEPB. Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp. Formada em Direito
pela UFSC. Integra o Grupo de Estudos em Direito e Política, coordenado pelo Prof. Dr. Andrei Koerner, do Centro de Estudos Internacionais e
Política Contemporânea (CEIPOC), na UNICAMP.

Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008. 75


Cristina C. Pacheco

literatura, discriminar as proposições realizadas e de liminares, o desbloqueio dos cruzados, o processo


resultados obtidos, para, em seguida, refletir sobre de “impeachment” de Fernando Collor, a questão
possíveis limites extraídos a partir destes resultados, da sub-representação do Estado de São Paulo no
a partir dos quais se pretende sugerir uma agenda Congresso Nacional e o desrespeito ao princípio da
de pesquisa sobre o tema em questão. anterioridade na criação do IPMF (Imposto Provisório
sobre Movimentação Financeira).
Após analisar estes casos, a avaliação final
1 Revisão da literatura sobre judiciário e do autor é negativa (VIEIRA, 1994, p.147): a Corte
política no Brasil atua de maneira omissa e ambígua na resolução
dos conflitos constitucionais, ora privilegiando a
As mudanças ocorridas no Judiciário brasileiro,
realização de direitos, independentemente dos
em especial na Suprema Corte, após a Constituição
resultados para o sistema político, ora privilegiando
de 1988, provocaram uma reação na Ciência
a governabilidade, independentemente da lesão
Política brasileira ao longo dos anos 90, até então
a direitos constitucionais e em alguns momentos
praticamente ausente dos estudos sobre Judiciário e
buscando conciliar estas duas perspectivas.
Política. Tais reflexões, podem ser agrupadas em três
grandes temas: 1) a tensão entre Constitucionalismo Arantes (1997), por sua vez, fez uma análise
e Democracia, num momento histórico cuja do sistema do controle de constitucionalidade
preocupação principal se resumia à garantia da usado no Brasil para defender que o controle
consolidação democrática no país; 2) a judicialização de constitucionalidade se molda aos interesses
da política, tratada como tendência mundial, políticos (autoritários ou democráticos) do poder
presente em diversas sociedades contemporâneas, central e tem função estratégica para o Executivo
mais recentemente, 3) a aplicação das abordagens brasileiro, caracterizado como historicamente forte,
neo-institucionalistas sobre o Judiciário brasileiro. centralizador e autoritário. Para isso Arantes costura
seu argumento a partir dos diversos tipos de controle
1.1 A tensão entre constitucionalismo e de constitucionalidade presentes nas diversas cartas
democracia políticas brasileiras, pressupondo uma espécie de
evolução do controle de constitucionalidade, iniciado
Os trabalhos de Vieira (1994) e Arantes (1997) de forma difusa e, na definição constitucional mais
encontram-se no primeiro grupo. Ambos partiram da recente, e ainda não modificada, híbrido (acumulando
reestruturação do controle de constitucionalidade e tanto os tipos de controle difuso como concentrado).
do impacto político produzido por essa reestruturação A evolução do controle de constitucionalidade no
para as relações entre os poderes do Estado, a fim Brasil, argumenta Arantes (1997, p.67), coincide
de avaliar o papel político da Corte em decisões de com a evolução de um dos dilemas da historia da
grande relevância nacional. república, qual seja, a da construção do Estado
Vieira (1994) procura determinar se o Supremo brasileiro, e da tensa relação entre poder central
decide segundo seu papel constitucional, de garantir e particularidades regionais e econômico-sociais.
a proteção dos direitos individuais e coletivos Verifica o desempenho do sistema a partir de
expressos na Carta, ou segundo as políticas decisões proferidas sobre o plano econômico
governamentais, visando garantir a governabilidade. editado por Collor em 15 de março de 1990, casos
Para isso, ele apresenta um panorama histórico originalmente estudados por Vieira (1994).
da evolução da teoria e das normas de controle A análise feita por Arantes (1997, p.204)
da constitucionalidade, nos Estados Unidos, na mostra como o sistema híbrido de controle de
Europa e no Brasil. Em seguida, apresenta algumas constitucionalidade, adotado no Brasil, é um
informações sobre a transição democrática e as dos principais fatores institucionais para a crise
normas de controle da constitucionalidade da de governabilidade. Afinal, cabe ao controle de
Constituição de 1988. Para determinar o papel do constitucionalidade a tarefa de reduzir as tensões
STF na consolidação da democracia, ele analisa a provenientes da dinâmica entre os imperativos de
sua forma de atuação, nas novas competências a governo e o respeito à Constituição Federal em
ela atribuídas pela Carta de 1988, como a defesa tempos de crise econômica. Sustenta o autor que
da ordem democrática, a defesa da Constituição em a segurança jurídica proveniente das decisões
face dos poderes Legislativo e Executivo e a defesa proferidas pela Corte será indispensável, não só
dos direitos e valores fundamentais em face do para a estabilidade econômica, como também para
poder constituinte reformador. a manutenção da própria democracia.
Os casos estudados, atendendo os tópicos Um último trabalho desenvolvido no campo da
supracitados, incluem o Plano Collor 1 e a concessão tensão entre constitucionalismo e democracia é o
76 Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008.
Os estudos sobre judiciário e política no Brasil pós 1988: uma revisão da literatura.

de Carvalho (2000). Preocupado em verificar se o Julgamento, Prejudicada, Não Conhecida,


Supremo tem cumprido o seu papel constitucional no Não Foi Pedida, Sem Informação;
controle de constitucionalidade dos atos produzidos • Partes – Partes Contra o Governo
pelo Executivo, Carvalho (2000, p.12) parte da Federal, dividido nas seguintes categorias:
hipótese de que o Supremo não vem funcionando Sindicatos, Partidos, Entidades Estudantis,
como “freio e contrapeso” do sistema político Associações, Órgão Legislativo Estadual e
institucional. Como o regime democrático depende Municipal, Governo Estadual, Ordem dos
do controle de constitucionalidade para garantir Advogados do Brasil (OAB), Procuradoria
a segurança jurídica, ao impedir a produção de Geral da República;
normas de constitucionalidade duvidosa, a atuação • Relator – Ministro Relator da ação, dividido
irregular do Supremo nessa área afeta sobremaneira nas seguintes categorias: Celso de Mello,
a qualidade da democracia no Brasil. Ilmar Galvão, Francisco Rezek, Néri da
Para isso, Carvalho (2000) analisa um Silveira, Octavio Gallotti, Nelson Jobim,
conjunto de 120 Adins1 que se encaixam nos Moreira Alves, Carlos Velloso, Maurício
requisitos previamente estabelecidos: 1) ser uma Corrêa, Marco Aurélio, Sydney Sanches,
medida provisória o objeto jurídico em questão; 2) Sepúlveda Pertence.Após a análise das
ser acionada por inconstitucionalidade direta por um
variáveis o autor chegou às seguintes
requerente autorizado pela legislação; 3) o requerido
ser, principalmente, o Presidente da República (ou reflexões:
outro membro do Poder Executivo). A concentração de medidas provisórias no
A escolha desse ato normativo se deve ao fato primeiro ano e sua posterior distribuição equilibrada
de se constituir, por excelência, na melhor expressão nos anos subseqüentes foi atribuída não só ao
da existência ou não de atrito entre o Judiciário e o processo de legitimação do Plano Real, como
Executivo, expressando “com precisão a intersecção também a muitas mudanças ocorridas no setor
entre ação governamental e segurança jurídica.” público. As medidas provisórias se constituem no
(CARVALHO, 2000, p.37). principal instrumento legislativo da União. Ao mesmo
Foram criadas as seguintes variáveis: tempo em que não existem cláusulas restritivas ao
uso deste instituto, há uma ampliação da titularidade
• Ano – Ano da medida provisória, dividido de contestação por parte dos atores contemplados
nas seguintes categorias: 1995, 1996, no art. 103, mesmo que nesse caso esteja restrito
1997, 1998; aos textos legais que atentem contra a ordem
• Tema – Classe Temática do objeto constitucional. (CARVALHO, 2000, p.41).
em questão, dividido nas seguintes Os principais ingressantes são os partidos
categorias2: Administração Pública, Política políticos, com 59,2%, seguidos pelos Sindicatos,
Social, Regulação Econômica ou Política com 19,2%, e pelas Associações patronais e de
Econômica, Política Tributária, Regulação profissionais liberais, com 11,7%. Carvalho (2000) não
da Sociedade Civil, Competição Política, especifica quais entidades de classe se mobilizaram.
Relações de Trabalho. Os partidos de oposição à coalizão majoritária são
• Resultado do Mérito – Resultado do os que mais ingressam com a ação. A Adin tornou-
Julgamento do Mérito da Questão, dividido se um instrumento de protesto e protelação das
nas seguintes categorias: Procedente, ações governamentais pelos partidos minoritários –
Parcialmente, Improcedente, Aguardando, confirmando aqui fenômeno já identificado em Vianna
Prejudicado, Não Conhecido, Sem et al. (1999) anteriormente. Ampliando o quadro
Informação; geral de ações para qualquer ato normativo federal,
• Resultado da Liminar – Resultado do partidos políticos tornam-se responsáveis apenas
Julgamento da Liminar, dividido nas por 17,5% das Adins. A diferença de três vezes,
seguintes categorias: Deferida, Deferida para Carvalho (2000, p.43) mostra que os partidos
Parcialmente, Indeferida, Aguardando políticos tornaram-se uma espécie de vigilantes

1
Foram investigadas 708 Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins), mais precisamente do número 1207 ao número 1915. A sistematização
dos dados foi realizada no SPSS, um “software” que proporciona a visualização de freqüências estatísticas, bem como a significância de algu-
mas correlações.
2
Adotou-se a linguagem de categorias utilizadas no livro coordenado pelo Prof. Luiz Werneck Vianna. A Judicialização da política e das relações
sociais no Brasil (1999, p.63-64): A adoção se justifica pela uniformização de conceitos para futuras análises comparativas e por facilitar o
trabalho.

Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008. 77


Cristina C. Pacheco

do Executivo, fiscalizando qualquer irregularidade preocupação com o sentido da democracia brasileira


contida nestes atos normativos. após a consolidação.
Duas são as principais categorias englobadas Castro (1997) foi o pioneiro na inserção da
pelas MPs e, mais tarde, atacadas pelas Adins: a noção de judicialização na Ciência Política brasileira.
Administração Pública, com 47,5% e a Política Social, Preocupado em analisar o impacto político da
com 20,8%. A concentração de ações nestas duas Suprema Corte na construção da democracia,
áreas se deve ao fato de que a reforma gerencial do tendo como pano de fundo a referida categoria,
aparelho do Estado solicitou com grande intensidade constrói um banco de dados com 1240 ementas de
o uso das medidas provisórias. O outro fator está acórdãos publicados no Diário de Justiça da União
ligado à crise fiscal que proporcionou um arrocho (DJU), no primeiro semestre de 1994. Tais ementas
generalizado nas contas públicas. A área que mais compreendem todos os tipos de processo julgados
sofreu cortes foi a de Política Social, provocando em pela Corte no período – exceção feita apenas ao
diversos atores sociais a reação de utilizar-se da via “Habeas Corpus” e aos processos de natureza
judicial como uma das vias possíveis de contestação penal.
e protesto. Após a análise dos dados Castro (1997, p.152)
Predomina o indeferimento das liminares, aponta o excesso de formalismo como elemento
com 38,3%. Foram consideradas prejudicadas que contribui ou para o retardamento em proferir
26,7%. Estas duas juntas somam 65%, um elevado a decisão de mérito ou para o deslocamento do
índice de rejeição. No caso da MP a liminar adquire foco do julgamento de questões essenciais para
feições particulares: ela retira a força normativa do questões meramente procedimentais na atuação
ato em questão, suspende sua força de lei, mas dos tribunais superiores. Das matérias julgadas pelo
não impede que a mesma seja apreciada pelo Supremo, 23,2% tratava de questões exclusivamente
Congresso Nacional enquanto simples projeto de lei. processuais, a ponto de ele considerar justificada
Este procedimento permite que o Executivo reedite a criação de uma categoria para esse item. Essa
MP que tenham seu conteúdo parcial ou totalmente constatação levou-o a levantar a questão se uma
suspenso pelo Supremo. (CARVALHO, 2000, p.50). Corte encarregada em exercer o controle de
No julgamento do mérito a taxa de rejeição sobe constitucionalidade deveria despender tanto recurso
para 50,9%, taxa esta bem menor se comparada institucional para essa finalidade.
com as Adins contra atos normativos gerais: 10,1%. Sua análise agregou os dados com base na
Para Carvalho (2000, p.55) o motivo dessa diferença natureza das tensões entre público e privado. As
se deve ao fato de que o julgador comporta-se decisões favoráveis ao interesse público foram em
diferentemente quando o objeto jurídico é uma proporção muito menor do que as favoráveis aos
Medida Provisória. interesses privados: 75,57% foram favoráveis aos
Os dados analisados permitiram demonstrar interesses privados e 9,96% favoráveis ao interesse
que nos casos de controle de constitucionalidade público. Esse resultado indica claramente que o
das medidas provisórias o Supremo vem atuando STF, mesmo em sua atuação rotineira, tem julgado
de modo a não cumprir seu papel dentro do sistema contrariamente à prevalência das iniciativas do poder
político liberal clássico de ‘freio e contrapeso’ do público, o que inclui a implementação de políticas
sistema político institucional. Os motivos para públicas. (CASTRO, 1997, p.153). Mas se focar os
essa atuação são vários, salienta Carvalho (2000, dados pela ótica das matérias trabalhadas,
p.92): o histórico papel de submissão do Judiciário desconsiderados os acórdãos relativos às
ao Executivo é um deles. Somam-se também políticas tributária e penal, e os que trataram
questões de ordem estrutural, como o processo de de matéria exclusivamente processual, verifica-
globalização econômica e a própria mentalidade dos se que o tribunal atendeu duas vezes mais ao
magistrados. Também compõem o rol de motivos interesse público do que ao interesse privado.
Em praticamente todas as demais classes de
outros fatores, mais facilmente sujeitos a mudanças,
matéria objeto de conflito entre autoridades
como o critério de seleção dos ministros.
públicas e interesses privados, o STF decidiu
preponderantemente em favor das primeiras.
(CASTRO, 1997, p.153).
2 Judicialização da política no Brasil
O autor conclui que, para além da evidente
A partir de meados da década de noventa, necessidade de se criar um ramo na Justiça Federal
foram produzidas pesquisas que abordaram o STF a especializado no julgamento de questões de conteúdo
partir da judicialização da política. (CASTRO, 1997; tributário, a produção jurisprudencial da Corte indica
VIANNA et al., 1999; OLIVEIRA, 2002). Em comum, a “uma direção marcante na proteção de interesses

78 Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008.


Os estudos sobre judiciário e política no Brasil pós 1988: uma revisão da literatura.

privados e, portanto, de impacto negativo sobre a procuram defender a sua autonomia frente à União,
implementação de políticas publicas.” (CASTRO, mas solicitam a utilização da Corte contra leis das
1997, p.154). O Supremo, com exceção da política Assembléias estaduais produzidas contra a vontade
tributária, não tem desenvolvido jurisprudência em do soberano.
proteção a direitos individuais e em contraposição A análise das Adins ingressadas pelos
às políticas governamentais, finaliza Castro (1997, governadores estaduais permite ver que eles
p.154). contestam, em sua grande maioria, temas da
Vianna et al. (1999) realizaram uma pesquisa administração pública. Eles recorrem ao Supremo em
com as Ações Diretas de Inconstitucionalidade nome de controvérsias relativas, predominantemente,
ingressadas dentre 1989 e 1998, tendo como pano a temas de Direito Administrativo, induzindo-
de fundo a mesma categoria introduzida por Faro de o à prática de funções assemelhadas às de um
Castro no Brasil. As reflexões extraídas desta análise Conselho de Estado. A segunda é a de que exercem
apontam a presença da judicialização da política no a judicialização da política em nome da defesa da
Brasil a partir da adoção do modelo concentrado governabilidade, opondo-se à vontade de uma
de constitucionalidade, com a intermediação de maioria que lhes parece danosa aos objetivos
uma comunidade de intérpretes, e não com os de racionalização da esfera pública. Finalmente,
novos papéis atribuídos a antigas instituições, tendência que parece confirmada, os governadores
como o ocorrido em outros países. Eles partem judicializam os conflitos que versam sobre os temas
de uma concepção comunitária de constituição e da Federação. (VIANNA et al., 1999, p.121).
de democracia, a qual era, para os Constituintes, Não há no trabalho de Vianna et al. (1999)
mais um projeto futuro que um fundamento numa um questionamento da existência do fenômeno da
comunidade existente de valores. Destacam o judicialização da política no Brasil. Nele, esse é
caráter expansivo da cidadania e da participação simplesmente um pressuposto aceito, a partir dos
que é propiciado pela ampliação dos procedimentos arranjos institucionais, adotados pela Constituição
judiciais de defesa de uma gama ampliada de de 1988, que ampliaram os espaços de participação
direitos individuais e coletivos, de interesses difusos, dos agentes judiciários. Preocupam-se apenas
assim como as novas oportunidades constitucionais em avaliar sua adequação, na medida em que
de participação da ‘comunidade de intérpretes’ para mostra um fenômeno com traços peculiares: tido
a efetivação da Constituição. como um recurso das minorias contra as maiorias
Na perspectiva da formação da sociedade parlamentares, adquire prestígio e legitimidade
brasileira, Vianna et al. (1999) apontam o papel através de duas grandes figuras do federalismo
positivo desempenhado historicamente pela brasileiro – os Governadores e a Procuradoria Geral
“intelligentsia” jurídica para a constituição da da República.
dimensão pública, cívica, do Estado nacional. Dos Mas será possível falar em judicialização da
novos intérpretes, os partidos políticos e as entidades política no Brasil? Castro (1997) exclui as questões
de classe convocam o Judiciário a desempenhar processuais e penais para então confirmar que sim,
um papel ativo no processo decisório, confirmando o Judiciário tem implementado políticas públicas
uma das hipóteses de Tate e Vallinder (1995) no país, um dos elementos caracterizadores do
sobre a judicialização da política como um recurso fenômeno, enquanto Vianna, por sua vez, aponta
das minorias contra as maiorias parlamentares. A uma judicialização singular, não dos partidos
iniciativa destes novos intérpretes estaria induzindo políticos, mas de Governadores de Estado e da
uma atitude mais favorável, por parte do STF, na Procuradoria Geral da República. A afirmação
assunção de novos papéis, saindo de seu tradicional desses autores quanto à existência da judicialização
papel secundário na história política brasileira para é, pois, relativizada pelas restrições que eles adotam
tornar-se “um ativo guardião da Carta Constitucional em suas bases de dados.
e dos direitos fundamentais da pessoa humana.” A relativização das restrições feita pelos autores
(VIANNA et al., 1999, p.53). provoca uma reformulação da questão acima feita:
Uma das singularidades da judicialização será pertinente falar em judicialização, considerando
da política no país, para Vianna et al. (1999, p.72) apenas os índices de acionamento do Judiciário, aqui
consiste em ter os Executivos estaduais como um representado pela sua figura máxima, o Supremo
de seus principais atores, evidenciada a natureza Tribunal Federal, pela sociedade civil, sem se levar
particular do pacto federativo brasileiro. Ao analisar em consideração as decisões, ou seja, o tipo de
os dados a partir da relação entre quem ingressou resposta oferecida pelo Judiciário, traduzida aqui no
com a ação e contra quem se ingressou, Vianna julgamento do mérito da ação?
et al. (1999) verificaram que os Estados não

Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008. 79


Cristina C. Pacheco

Tal indagação é feita por Oliveira (2002) ao maneira, o fenômeno da judicialização da política no
analisar a inserção do Judiciário na nova arena país. (OLIVEIRA, 2002, p.75-76).
política brasileira, definida juridicamente a partir de O Judiciário por sua vez, enquanto participante
1988. Para a autora, o que a literatura vem definindo ativo, dentro da perspectiva da judicialização da
como ‘judicialização da política’ é um processo muito política, se esquivou de intervir em tais questões,
mais complexo, que não pode ser reduzido apenas escolhendo não julgar o mérito dessas ações. Nos
à nova comunidade de intérpretes autorizados a casos em que julgou, o fez de maneira favorável
questionar decisões políticas perante o Judiciário, ao governo federal, e, assim apoiou as autoridades
mas que deve incluir também um grupo de atores, eleitas, o que contraria uma das condições apontadas
essencial para os resultados desse processo: os por Tate e Valinder (1995) para a judicialização da
magistrados. política: o ativismo dos juizes (dentre os demais
Dessa maneira, ela considera que uma profissionais do direito). Para evitar os custos de
das possibilidades de se verificar a presença ou se opor ao Executivo e ao Legislativo, o Judiciário
ausência da judicialização da política no Brasil escolheu se omitir, opção que também favoreceu o
consiste em averiguar como se cumprem todas as governo federal. (OLIVEIRA, 2002, p.76).
etapas que compõem o seu ciclo: o acionamento do
Judiciário através do ajuizamento de processos; o
julgamento do pedido de liminar (quando houver); o 3 As abordagens neoinstitucionais
julgamento do mérito da ação, não importando aqui
Os estudos sobre comportamento judicial na
se a resposta foi favorável ou contrária ao pedido
Ciência Política norte-americana se iniciaram em
do autor, mas sim se o Judiciário respondeu à sua
meados do século XX. Um dos primeiros teóricos
demanda quando acionado.
que procurou compreender o processo de tomada
O espectro da análise de Oliveira (2002) é o de decisão dos juízes foi C. H. Pritchett, em 1948,
conjunto das ações judiciais – Ação Popular, Ação quando estudou o processo decisório da Suprema
Civil Pública, Ação Direta de Inconstitucionalidade, Corte durante o ‘New Deal’3. O trabalho de Pritchett
Ação Declaratória de Constitucionalidade, Mandado (1948) abriu caminho para que, nos anos 60, a teoria
de Segurança e Mandado de Injunção – que behaviorista fosse aplicada também ao fenômeno
foram ingressadas durante o Governo Fernando jurídico, focando sua atenção no juiz individual. Os
Henrique com o objetivo de evitar o processo de seguidores dessa teoria partem do pressuposto de
implementação da Reforma do Estado através que a concepção de mundo e o sistema de hierarquia
da privatização de empresas públicas. No tocante de valores dos juízes influenciam suas decisões. São
às Adins, especificamente, Oliveira (2002, p.72) pioneiros em tais estudos o próprio Pritchett, bem
mostra que, das 39 ações ingressadas, apenas uma como Schubert (1959, 1964), Ulmer (1960) e Spaeth
passou pelas três fases e teve seu mérito julgado (1961, 1962). Após, ampliou-se o leque de possíveis
improcedente. As outras 97,5% ou aguardam variáveis explicativas para a pergunta: “Por que o
julgamento, ou tiveram seu mérito prejudicado, não juiz vota de dessa forma?”
conhecido ou com o seguimento negado e, neste
Duas novas correntes iniciadas a partir
caso, também não foram julgadas.
da teoria behaviorista na Ciência Política norte-
A nova comunidade de intérpretes não americana que predominam hoje são o “modelo
conseguiu obter o resultado desejado ao acionar o atitudinal”. (SCHUBERT, 1964; ROHDE; SPAETH,
Judiciário, a saber, impedir a venda de empresas 1976; SEGAL; SPAETH, 1993) e o modelo do cálculo
estatais incluídas no Programa Nacional de estratégico (WALKER; DIXON, 1989; ESPTEIN;
Desestatização. Essa estratégia não provocou WALKER; DIXON, 1989; EPSTEIN; KNIGHT, 1998).
mais do que um relativo atraso no processo de
Os primeiros entendem que a Suprema Corte
privatização das empresas públicas e a modificação
dos EUA possui um conjunto de características
das estratégias de decisão no Judiciário, diante do
institucionais que simplificam enormemente a
altíssimo número de processos judiciais e pedidos
tarefa de descobrir os fatores que determinam o
de liminares ingressados. Vale dizer, os novos
comportamento de voto de cada um dos juízes. Têm
intérpretes não conseguiram produzir resultados
em Segal e Spaeth (1993) seus principais teóricos.
políticos pela via judicial, não reproduzindo dessa

3
O “novo acordo” proposto pelo Presidente F. D. Roosevelt tinha um papel fundamental no processo de recuperação econômica do país, após
a crise de 1929, que triplicou o nível de desemprego no país. A Suprema Corte negou-se a aprovar integralmente o acordo, o que obrigou
Roosevelt a refazê-lo.

80 Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008.


Os estudos sobre judiciário e política no Brasil pós 1988: uma revisão da literatura.

Central à sua formulação está a construção de conjunto de teorias, tais como a Teoria Econômica
um conjunto de atitudes, definidas a partir de um do Voto, a Teoria dos Jogos, a Escolha Racional e
conjunto inter-relacional de crenças sobre situações o Neo Institucionalismo, e a partir delas analisam,
e comportamentos identificados, como os litigantes tanto individualmente como em conjunto, a atuação
que buscam a Corte, as partes ligadas direta ou da Suprema Corte dos Estados Unidos da América.
indiretamente ao litígio e as situações questionadas, Maranhão (2003) analisa essas teorias e as aplica
que abordam temas como liberdade de comunicação, ao caso brasileiro, com o objetivo de compreender
assédio sexual, discriminação no espaço de trabalho, como atuam os ministros do Supremo Tribunal
benefícios previdenciários. Federal.
O segundo modelo é o do cálculo estratégico Com a redefinição dos limites institucionais
e pretende explicar porque os ministros da Suprema atribuídos ao Supremo pela Carta de 1988 e a
Corte modificam seus votos ao longo do processo ampliação dos agentes autorizados a questionar a
decisório. Essa teoria até reconhece a faceta de constitucionalidade de leis e atos normativos federais,
implementação de políticas públicas dos ministros, os presidentes eleitos têm procurado nomear
mas nega que decidam apenas com base em suas ministros que, ainda que atendam às exigências
crenças e valores. Para ele, os ministros são atores formais da função, apresentam preferências
estratégicos que percebem que, para alcançar um políticas condizentes com a agenda presidencial
determinado objetivo, é preciso levar em conta as e com a formação de uma maioria no tribunal que
preferências dos outros ministros, as escolhas a lhes permita manter o “status quo”. Em vista disso,
serem feitas e o contexto institucional em que atuam. pretende-se descobrir como decide a Corte quando
Esse cálculo estratégico explicaria as mudanças um dos agentes questionados é o Presidente da
posteriores nos votos individuais de alguns dos República. (MARANHÃO, 2003, p.14).
ministros. A sua ocorrência se deve ao fato de que Maranhão (2003) sistematiza teorias neo-
os ministros almejam atingir um resultado final mais institucionalistas de modo a produzir um modelo
próximo possível de sua posição inicial. integrado4, com o qual analisa a Ações Diretas de
Ambos os estudos centram na análise individual Inconstitucionalidade. Ela exclui da contabilização
do voto proferido por cada ministro da Suprema tanto as ações julgadas por decisão monocrática5,
Corte. Entendem que as preferências dos juízes são como aquelas nas quais o requerente é desautorizado
essenciais para compreender e analisar as decisões pela Corte a ingressar com a ação (ilegitimado
por ela proferidas. Mas talvez não estejam atentando ativo).6
para o fato de que a relação entre as preferências Se é verdade que os presidentes nomeiam
individuais e suas decisões seja mediada pela os ministros com vistas à manutenção de seus
instituição da qual fazem parte, e pela maneira como interesses e, de maneira mais indireta, do “status
ela se relaciona com outras instituições. quo”, a expectativa é que seja retratada uma
A limitação por eles apresentada alerta para a situação na qual o STF vote consistentemente
importância de se relacionar o processo de tomada com as preferências políticas do Presidente da
de decisão judicial com os processos políticos e República. Isso efetivamente ocorre em 85,9% das
sociais mais gerais. Adins analisadas. O comportamento dissidente
No Brasil, alguns estudos têm se voltado para está em 14,1% dos julgamentos, julgadas
compreensão do processo decisório do Supremo procedentes (total ou parcialmente) em detrimento
Tribunal Federal a partir das preocupações da posição presidencial e da maioria do Congresso.
desenvolvidas pela Ciência Política norte-americana (MARANHÃO, 2003, p.79).
que buscam, dentre outras questões, compreender Um segundo trabalho voltado para a análise da
como os tribunais e os juízes decidem os casos. Corte, que se utiliza da abordagem neoinstitucional
(MARANHÃO, 2003; TAYLOR, 2004). é o de Taylor (2004). O autor procura compreender
Tais estudos se destacam pela inovação de que modo os fatores relacionados à estrutura
metodológica e teórica e utilizam como base um institucional das Cortes influenciam o uso que a Corte

4
O modelo integrado de análise do comportamento judicial é desenvolvido a partir das principais variáveis presentes nos modelos de personali-
dade (atitudinal model) e de separação dos poderes. Para mais detalhes, ver Maranhão (2003, p.74 e ss).
5
As decisões monocráticas são aquelas nas quais o relator do processo, com base na jurisprudência consolidada pelo tribunal e no poder que
lhe foi designado pelo Regimento Interno, decide sobre a impugnação ou manutenção da norma questionada de ofício em despacho. (MARA-
NHÃO, 2003, p.68).
6
As razões para essa exclusão serão explicadas quando apresentados os limites das pesquisas realizadas.

Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008. 81


Cristina C. Pacheco

faz das políticas públicas e quais são os efeitos, para políticas. Para isso Taylor utiliza de tipologia
as políticas públicas, das decisões judiciais. elaborada por Wilson (1995), que caracteriza as
Para isso, centra-se nas características políticas públicas de acordo com a incidência nos
institucionais do sistema judiciário federal, e o custos e benefícios que elas produzem.
modo pelo qual tais características estruturam o Após analisar quatro políticas (Reforma
debate sobre políticas públicas dentro do Judiciário Agrária, Política Automotiva do Governo, Reforma
brasileiro e fora, no sistema político. Para Taylor Previdenciária e racionamento de energia), Taylor
(2004), no Judiciário, da mesma maneira que no conclui que as políticas com custos concentrados
Executivo e no Legislativo, as políticas são moldadas e benefícios difusos são as que têm mais chances
a partir das estruturas normativas e institucionais de se submeterem ao questionamento judicial de
dentro das quais juízes e funcionários operam. É controle de constitucionalidade. Em contrapartida,
um mecanismo de funcionamento que afeta os por funcionar como um ponto de veto, a Corte tende
resultados das políticas públicas, ao definir quem a reconhecer aos pequenos grupos autorizados, e
tem acesso à Corte, o local em que esse acesso é não a grandes grupos, a inconstitucionalidade de
fornecido, como e sob que condições os Tribunais uma norma.
tomam suas decisões, e, ainda, o próprio conteúdo Quanto antes um caso for julgado pelo STF,
das decisões judiciais para a formulação, estratégia mais rapidamente a constitucionalidade da política
e resultados das políticas. pública será resolvida de maneira definitiva. Isso
Sua análise estrutura-se em duas partes, uma decorre dos próprios efeitos da declaração de
voltada para a apresentação do objeto, o Judiciário inconstitucionalidade emanada pela Corte, que exerce
Federal brasileiro, e outra para as políticas públicas o controle concentrado de constitucionalidade. O
implementadas naquele setor. Para o presente mesmo já não ocorre no Judiciário Federal, no qual o
estudo serão focados os dois trabalhos que se sistema difuso permite o amplo acesso dos cidadãos
voltam para o estudo do Supremo Tribunal Federal, para provocarem o controle da constitucionalidade,
primeiro como ponto de veto, e segundo pela análise ao contrário do sistema concentrado, que não está
dos custos e benefícios de uma política pública acessível ao cidadão comum.
implementada. Alguns requerentes podem aproveitar
A idéia de ponto de veto sugerida por Taylor estrategicamente essas condições, para alcançar
(2004), com base no ‘agente com poder de veto’ de seus objetivos na implementação ou rejeição de
Tsebelis (2002), surge com a análise dos mecanismos uma política pública determinada. (TAYLOR, 2004,
oriundos do hibridismo que caracterizam a revisão p.101 e ss.). O excesso de litigância do setor
judicial brasileira. A estrutura da Corte oferece público e a ausência de precedentes que vinculam
vantagens para determinados atores que buscam o as decisões futuras a anteriores possibilitaram ao
Judiciário, de maneira que este bloqueie ou aprove governo federal atrasar pagamentos que criariam
políticas públicas que venham a alterar o ‘status quo’. dívidas fiscais gigantescas. Um outro exemplo é o
As suas vantagens se encontram no contraponto dos partidos políticos. A independência dos juízes e
entre o controle difuso de constitucionalidade de suas decisões permitiu que os partidos políticos
exercido pelo Judiciário Federal, por exemplo, da oposição distribuíssem ao longo do o sistema da
e o concentrado, exercido pela Corte. As regras Justiça Federal os ataques a uma mesma política
institucionais que permitem o questionamento de – o caso da privatização da Companhia Vale do Rio
uma política pública no Judiciário Federal oferecem Doce, por exemplo. Os efeitos destas características
menos garantias do que aquelas que permitem o institucionais são muitos e até mesmo contraditórios,
questionamento direto no Supremo e, em tal caso, afirma Taylor (2004, p.102): em virtude da
não se encontram disponíveis ao cidadão comum, possibilidade de se produzir decisões distintas num
mas apenas a agentes autorizados pela CF-88 a mesmo sistema, o efeito consiste na particularização
ingressar com a Adin. de questões e não sua universalização; por causa
Este conceito auxiliará a análise subseqüente da tendência que o governo federal tem em procurar
feita por Taylor (2004, p.143-160) sobre a relação retardar as decisões judiciais, a estrutura atual tende
entre custos e benefícios e decisão judicial. a privilegiar os interesses do Poder Executivo, sem
Parafraseando a afirmação de Lowi (apud TAYLOR, levar em consideração o tipo de decisão proferida
2004, p.168) de que “policy determines politics”, Taylor pelas Cortes inferiores; e talvez o efeito mais
(2004) afirma que o tipo de política pode determinar importante seja o de que a estrutura e performance
a judicialização. Sua proposta consiste em verificar judicial motiva os atores políticos a alcançar a Corte
se as características de uma política pública podem mais elevada de modo a obter uma decisão com
encorajar o uso da Corte para contestar iniciativas efeitos obrigatórios, universais e definitivos.

82 Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008.


Os estudos sobre judiciário e política no Brasil pós 1988: uma revisão da literatura.

4 Limitações presentes nos trabalhos problema é adotar esse sistema como uma espécie
de tipo ideal, sem fazer qualquer relativização com o
Sem desconsiderar sua importância em modelo de Estado que vige no Brasil.
colocar a Corte e o Judiciário como objeto central Um ponto de partida problemático tende a
na pesquisa em Ciência Política, as análises ora provocar limitações nas análises daí extraídas: os
apresentadas mostram algumas insuficiências. dados analisados não apontam, por exemplo, para
O primeiro conjunto ainda se encontra preso a a produção de qualquer tipo de segurança jurídica
um modelo de análise do Judiciário que tem como visto que a Corte não lançou nenhum limite para
ponto de partida o controle de constitucionalidade no o Executivo. Isso sem mencionar questões mais
Brasil, sua modificação e presumida evolução. Talvez pontuais, como a ausência de referencias a questões
por se restringirem à dimensão institucional, em suas como o controle do poder de agenda do Legislativo
análises inexiste a utilização de categorias políticas. que o Executivo adquiriu após a CF-88, controle
As reflexões resultam em algo excessivamente este que tem como importante instrumento a medida
formal e as decisões de mérito ficam restritas àquelas provisória.
proferidas em momentos políticos de destaque no A intensa participação das associações, parti-
cenário nacional. E ao focar num critério formal e em dos e sindicatos é para Carvalho (2000) argumen-
decisões de grande impacto político acabam por não to suficiente para que afirmar que a sociedade civil
situar a Corte enquanto instituição política inserida controla os atos legislativos do Executivo. Mas tal-
dentro de um processo político, no qual a interação e vez seja necessário também considerar que antes
o diálogo com as outras instituições é constante. da mobilização pela vigilância, tais atores tenham
Além disso, os autores restringem sua análise se utilizado dessa via por terem sido fortemente
às decisões de mérito do STF em casos relevantes, atingidos pelas modificações realizadas no Estado
nos momentos políticos de maior destaque no brasileiro, através, principalmente, das medidas pro-
cenário nacional, sem considerar, por exemplo, a visórias, estratégia política utilizada pelo Governo
possibilidade de existir também estratégias políticas Fernando Henrique.
dentro de um espectro maior de decisões. O segundo conjunto não questiona a
O estudo das decisões judiciais produzidas pelo judicialização da política no Brasil, e sustenta sua
Supremo em ações diretas de inconstitucionalidade existência com base no índice de acionamento do
precisa ir além da análise dos elementos Judiciário pela sociedade civil. É preciso indagar se é
institucionais. É preciso analisar a estrutura do possível falar em judicialização da política, levando-
conflito político, algo que ocorre na articulação entre se em consideração as respostas produzidas pelo
o pacto fundamental de estruturação do Estado, a próprio Judiciário, não importando se favoráveis ou
relação entre os setores de classe, para citar alguns não, às ações impetradas? (OLIVEIRA, 2002).
dos elementos, e a dimensão institucional, ou seja, Como vimos anteriormente, Vianna et al.
as regras e atores que se situam nas posições de (1999, p.115- p.117) separam os dois momentos do
tomada da decisão política. fenômeno e trata o acionamento do Judiciário como
Somando-se aos parcos estudos sobre o uma dimensão ativa do processo de judicialização,
Supremo, o trabalho de Carvalho (2000) vem mas seus dados também destacam que há um
contribuir com uma análise estatística cuidadosa conjunto expressivo de ações que não mereceram
sobre a tensão entre Judiciário e Executivo qualquer resposta por parte do Supremo, tanto na
Federal, ao focar nas ações que questionam a liminar quanto no mérito.
constitucionalidade de medidas provisórias, de atos A análise do conjunto de ações judiciais7 que
normativos privativos do Executivo Federal. visaram impedir o processo de privatização das
Mas seu trabalho já inicia com um problema, empresas públicas durante o Governo Fernando
ao vincular democracia (ou avaliação dos limites Henrique aponta que o STF não atuou para bloquear
democráticos do Judiciário) ao sistema de freios e as decisões majoritárias, a partir da provocação
contrapesos norte-americano. Definir o Judiciário de minorias. Pelo contrário, ao menos no que se
como “uma das principais instituições responsáveis refere às Adins especificamente, das 39 ações
pelos ‘checks and balances’ do corpo institucional.” ingressadas, apenas uma teve seu mérito julgado
(CARVALHO, 2000, p.20) significa adotar um modelo e, no caso, improcedente, enquanto as demais
de sistema político no qual o Estado é liberal. O estão aguardando julgamento, tiveram seu mérito

7
Inclui um conjunto diverso de ações, dentre elas a Ação Popular, Ação Civil Pública, Ação Direta de Inconstitucionalidade, Ação Declaratória de
Constitucionalidade, Mandado de Segurança e Mandado de Injunção. Para mais detalhes ver Oliveira (2002).

Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008. 83


Cristina C. Pacheco

considerado prejudicado, não conhecido ou com autora agrupou as ações nas quais o requerente
seguimento negado e, neste caso, também não é considerado pela Corte como ilegitimado ativo
julgado. Por conseqüência, provavelmente jamais em uma categoria à parte (56 casos ou 26,3% nas
serão julgadas, sendo em algum momento pura e decisões de mérito). A justificativa apresentada por
simplesmente arquivadas por perda de objeto ou Maranhão (2003, p.107) é que a norma questionada
outro motivo de ordem processual. por um requerente assim considerado pelo tribunal
A proposta de Vianna et al. (1999) é de difícil nem sequer é apreciada; o Tribunal considerando-a
sustentação, como mostra Colombo (2001, p.89), prejudicada.
por minimizar as oscilações e ambigüidades que Este conjunto de requerentes, pela mesma
permeiam as decisões do Supremo. Tais oscilações razão das decisões monocráticas e baseadas
e ambigüidades se fazem presentes em casos em critérios formais, merece reflexão sobre os
como a regulação do sistema financeiro nacional mecanismos de restrição da aplicabilidade da Adin
(COLOMBO, 2001, p.135-137). No entanto, Colombo pelo Supremo. Sua exclusão do campo da pesquisa
(2001) considera apenas o conteúdo das decisões compromete diretamente a própria análise política e
do STF e as considera expressão dos interesses das os resultados apresentados pelos autores.
classes dominantes, do projeto neoliberal, ao qual se Assim, não basta indicar as oscilações e
contrapõe o sentido da Constituição, que configura ambigüidades dos poderes e das decisões do
um projeto oposto à reforma do Estado implementada Supremo (VIEIRA, 1994), nem pretender tirar delas
pelo governo FHC. O autor não trata o conjunto das um sentido geral, seja de efeitos negativos para
decisões do STF, aborda apenas topicamente as a governabilidade (ARANTES, 1997; TAYLOR,
decisões baseadas em questões formais. Também 2004), de intervenção ativista dos juizes na política
não trata do impacto das decisões do STF e nem (CASTRO, 1997), de efetivação da Constituição
detalha as conexões entre o padrão de atuação do (VIANNA et al., 1999), de passividade dos
STF e a implementação das reformas. juízes (CARVALHO, 2000), de apoio às políticas
Os trabalhos que se utilizam das ferramentas governamentais (MARANHÃO, 2003; COLOMBO,
neoinstitucionais pecam por razões diferentes. 2001). É necessário examinar com mais detalhes as
Taylor (2004) estende para Supremo Tribunal próprias decisões tomadas pelo STF, considerando-
Federal o conceito de agente com poder de veto, as na totalidade do ciclo de tomada de decisão
qualificando-o, mas restringe ao ponto de vista (OLIVEIRA, 2002), com o que serão incluídas
dos efeitos das decisões proferidas em políticas aquelas decisões de mera forma, aparentemente.
públicas. Essa análise é limitadora por duas razões: Por outro lado, é preciso considerar não só o
ao centrar apenas nas políticas públicas perde conteúdo das decisões em que o STF efetivamente
o foco da análise, que poderia voltar para outras declara ou deixa de declarar a inconstitucionalidade
questões, como as decisões baseadas na forma, (COLOMBO, 2001), mas também tratar do impacto
por exemplo, além de não realizar uma abordagem das decisões da Corte, qual o seu alcance em termos
do Supremo Tribunal Federal que o integre à aliança territoriais e de generalidade, e o conteúdo da norma
governamental realizada no período. declarada inconstitucional pelo STF.
A última deficiência que se pretende destacar é Os estudos sobre Judiciário desenvolvidos pela
a redução à tendência do campo de análise apenas Ciência Política brasileira têm limites, que precisam
aos casos em que a ação foi julgada no seu mérito, ser superados. A sugestão para essa superação se
por quase todas as análises, ressaltadas algumas dá através de duas abordagens analíticas: a análise
pequenas diferenças. Não considerando, com isso, das leis alegadas inconstitucionais a partir da
como parte do processo político, também as Adins relação entre impacto e generalidade da lei, a partir
negadas por questões meramente formais. do tratamento proposto por Ricci e a incorporação à
Maranhão (2003, p.68-69) alega ter sido preciso análise política das decisões baseadas na forma.
excluir as ações julgadas por decisão monocrática,
pela impossibilidade de se comparar os votos
individuais de cada ministro. E nenhuma decisão Conclusão - Algumas considerações
resultou em declaração de inconstitucionalidade. finais
Isso reduziu o total de casos a serem analisados de
Relevantes por inaugurar o tema de análise
772 para 213, estes, como já especificado, julgados
“Judiciário e Política”, os estudos que se voltaram
por unanimidade, ou maioria dos ministros, entre
para o Supremo primaram por abordagens
1988 e 2001.
normativas, marcadas pelo tema da avaliação
Além de excluir as decisões monocráticas, a institucional e da independência ou não da Corte

84 Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008.


Os estudos sobre judiciário e política no Brasil pós 1988: uma revisão da literatura.

em relação ao Governo Federal. Neste sentido, os a estrutura e característica institucional que envolve
trabalhos realizados ao longo dos anos noventa a Suprema Corte brasileiro motiva a sua utilização
(VIEIRA, 1999; ARANTES, 1997; VIANNA et al., para obter resultados que produzam efeitos em
1999) não diferem muito. todo o país de maneira mais rápida. O problema
As análises que focaram na tensão destes estudos reside na exclusão de um conjunto
entre constitucionalismo e democracia, por de decisões (monocráticas, de mérito) que precisam
exemplo, estabeleceram uma relação na qual ser consideradas na análise política.
o regime democrático depende do controle de Assim, não basta indicar as oscilações e
constitucionalidade para garantir segurança jurídica ambigüidades dos poderes e das decisões do
ao impedir a produção de normas jurídicas de Supremo (VIEIRA, 1994), nem pretender tirar delas
constitucionalidade duvidosa. Mas se depararam um sentido geral, seja de efeitos negativos para
com obstáculos institucionais que acabaram por a governabilidade (ARANTES, 1997; TAYLOR,
prejudicar a própria análise, como o caráter híbrido 2004), de intervenção ativista dos juizes na política
do controle de constitucionalidade brasileiro, (CASTRO, 1997), de efetivação da Constituição
responsável pela crise de governabilidade, mais (VIANNA et al., 1999), de passividade dos
acentuada os governos Collor e Itamar. E em juízes (CARVALHO, 2000), de apoio às políticas
muitos casos, as conclusões, impedidas de avaliar governamentais (MARANHÃO, 2003; COLOMBO,
os impactos que as decisões causaram no regime 2001). É necessário examinar com mais detalhes as
democrático brasileiro, limitaram-se a apontar um próprias decisões tomadas pelo STF, considerando-
caráter submisso, dependente e moderador do as na totalidade do ciclo de tomada de decisão
órgão de cúpula do Judiciário brasileiro. (OLIVEIRA, 2002), com o que serão incluídas
Os estudos que partiram do debate sobre aquelas decisões de mera forma, aparentemente.
judicialização da política para analisar a relação Por outro lado, é preciso considerar não só o
entre Judiciário e democracia no Brasil contribuíram conteúdo das decisões em que o STF efetivamente
sobremaneira nas análises quantitativas posteriores declara ou deixa de declarar a inconstitucionalidade
acerca das ações diretas de inconstitucionalidade. (COLOMBO, 2001), mas também tratar do impacto
Identificaram fenômenos importantes, dentre eles a das decisões da Corte, qual o seu alcance em termos
proteção dos interesses privados em detrimento da territoriais e de generalidade, e o conteúdo da norma
implementação das políticas públicas e a atuação declarada inconstitucional pelo STF, adequadamente
peculiar do Procurador Geral da República e o seu contextualizados dentro do processo político, no
expressivo sucesso nas decisões, compartilhado caso sugerido aqui, de reforma da Constituição
também pelos Governadores. E no sentido contrário, Federal de 1988.
a baixa taxa de sucesso de outros requerentes, como Os estudos sobre Judiciário desenvolvidos pela
os partidos políticos e as entidades representativas Ciência Política brasileira têm limites, que precisam
dos setores de classe, como as associações do ser superados. A sugestão para essa superação
funcionalismo público e as confederações. Mas se dá através de duas abordagens analíticas: a
pecaram por não considerar na análise o tipo de análise das leis alegadas inconstitucionais a partir
resposta oferecida pelo Judiciário, o julgamento da relação entre impacto e generalidade da lei,
mesmo do mérito da ação. Talvez aí resida a a partir do tratamento proposto por Ricci (2002)
explicação para algumas conclusões curiosamente e a incorporação à análise política das decisões
otimistas sobre o papel da Corte. baseadas na forma.
O último conjunto teve como ponto de partida A sugestão acima apresentada consiste em
em comum abordagens neoinstitucionais utilizadas considerar as decisões baseadas em critérios
para a análise de como votam os ministros da formais na análise política. E isso se deve ao fato
Suprema Corte americana. Foram aplicadas ao caso de considera-las, em conjunto com as decisões
brasileiro, primeiro na análise de decisões contrárias baseadas no pedido, uma estratégia política da
ao Presidente da República e no segundo caso, os Corte que, ao basear-se em critérios formais, não só
fatores que influenciam o uso que a Corte faz das retira destes novos legitimados ativos a possibilidade
políticas públicas e seus efeitos. Realizando trabalhos de utilizar-se deste novo instrumento Dentro da
quantitativos de fôlego as análises produziram proposta aqui apresentada, é preciso ressaltar que
resultados expressivos, seja no sentido de apontar essas duas possibilidades só adquirem sentido
uma Corte que compartilha das preferências políticas quando são consideradas as decisões no processo
do Presidente da República, como também de que político.

Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008. 85


Cristina C. Pacheco

Referências ROHDE, David W.; SPAETH, Harold J. Supreme


Court Decision-Making. São Francisco, W. H.
ARANTES, Rogério Bastos. Judiciário e política no Freeman, 1976.
Brasil. São Paulo: Idesp/Sumaré, 1997.
SCHUBERT, Glendon. Judicial behavior: a reader in
CARVALHO, Ernani. Sua majestade, o presidente theory and research. Chicago: Rand McNally, 1964.
da república: estudo de caso do controle de
SCHUBERT, Glendon. Quantitative analysis in
constitucionalidade dos atos do Executivo (1995-
judicial behavior. Glencoe: Free Press, 1959.
1998). 2000. 96 f. Dissertação (Mestrado em Ciência
Política) – Universidade Federal de Pernambuco, SEGAL, Jeffrey A.; SPAETH, Harold J. The Supreme
Recife. Court and the attitudinal model. Cambridge,
Cambridge University Press, 1993.
CASTRO, Marcos Faro de. O Supremo Tribunal
Federal e a judicialização da política. Revista SPAETH, Harold J. An approach to the study of
Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 12, n. attitudinal differences as an aspect of judicial behavior.
34. p. 147-156, 1997. Midwest Journal of Political Science, Detroit, n. 1, p.
165-180, Feb. 1961.
COLOMBO, Carlos Alberto. Judiciário e dominação:
o Supremo Tribunal Federal e a (in)efetividade de SPAETH, Harold J. Judicial Power as a variable
direitos contidos na Constituição Federal de 1988. 232 motivating Supreme Court behavior. Midwest
f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Instituto de Journal of Political Science, Detroit, n. 1. p. 54-82,
Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal Feb. 1962.
do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2001. TATE, C. Neal; VALLINDER, Torbjorn (Ed.). The
EPSTEIN, Lee; KNIGHT, Jack. The choices justices global expansion of Judicial Power. New York: New
make. Washington, DC: Congressional Quarterly, York University Press, 1995.
1998. TAYLOR, Matthew MacLeod. Activating Judges?
EPSTEIN, Lee; WALKER, Thomas; DIXON, William. Courts, institutional structure, and the judicialization
The Supreme Court and criminal justice disputes: a of policy reform in Brazil (1988-2002). 2004. 268
neo-institutional perspective. American Journal of f. Thesis (Doctor of Philosophy in Government)
Political Science, v. 33, p. 825-841, 1989. – Faculty of Graduate School of Arts and Sciences,
Georgetown University, Washignton, D.C.
MARANHÃO, Tatiana de Pino Albuquerque. Quando
o Supremo Tribunal Federal discorda do Presidente TSEBELIS, George. Veto players: how political
da República (1988-2001). 2003. 174 f. Dissertação institutions work. New York: Russel Sage Foundation;
(Mestrado em Ciência Política)- Universidade de Princeton: Princeton University Press, 2002.
Brasília, Brasília, DF. ULMER, S. Sidney. Supreme Court behavior and
OLIVEIRA, Vanessa Elias de. (2002). O Poder civil rights. Western Political Quarterly, v. 13, Salt
Judiciário Brasileiro após a Constituição de 1988: Lake City, p. 288-311, 1960.
existe uma judicialização da política¿ Uma análise VIANNA, Luiz Werneck et al. A judicialização da
dos processos de privatização. 85 f. Dissertação política e das relações sociais no Brasil. Rio de
(Mestrado em Ciência Política) - Curso de Pós Janeiro: Revan, 1999.
Graduação em Ciência Política, Universidade de
VIEIRA, Oscar Vilhena. Supremo Tribunal Federal:
São Paulo, São Paulo.
jurisprudência política. São Paulo: Revista dos
RICCI, Paolo. A medida das leis: do uso de noções Tribunais, 1994.
genéricas a mensuração do imponderável. BIB:
WILSON, James Q. Political organizations. New
Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em
Jersey: Princeton University Press, 1995.
Ciências Sociais, São Paulo, n. 54, p. 101-124, 2º
Semestre, 2002.

86 Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 75-86, jan./jun. 2008.