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Programa de Formação de Jovens Voluntários - 2005

MÓDULO I – LIDERANÇA E ADMNISTRAÇÃO DE GRUPOS


SER LÍDER

Ser aquele que guia não é tarefa fácil. Principalmente, porque esse indivíduo deve ser o exemplo
de conduta sob todos os aspectos.

Para se tornar um verdadeiro líder, a primeira coisa que se precisa fazer, é abrir mão de inúmeras
vontades pessoais, deixando com que as do grupo se sobressaiam. Isto não significa ser apenas o
ouvinte ou passivo das situações.

Sua participação deve ser mais moderada e bem pensada, intervindo sim, mas nos momentos
certos e com atitudes que condizem com as expectativas do grupo.

Liderar é conduzir, é gerir pessoas, é transformar planos em realidade.

Administrar situações, tomar decisões que envolverão pessoas, tempo, dinheiro, objetos, são
ações que fazem parte da responsabilidade de um líder, e este tem que estar preparado para
encarar esta função.

Não existe uma fórmula certa, exata, para ser um líder de sucesso. Mas um fator é imprescindível;
a vontade de liderar.

O líder tem que ser o primeiro a ter as idéias de seu grupo fincadas no coração, se tornado a base
de sustentação e o legítimo representante dos liderados. Ele não pode deixar a função lhe
diferenciar dos demais, pois isso fará com que os liderados se sintam incompreendidos e distantes
de seu guia.

Administrar situações com sucesso é outra premissa para quem aspira à posição de condutor de
um grupo. Essa habilidade só se conquista com a preparação, o estudo e a prática.

Um elemento importante, se não o maior deles, é à vontade de estar à frente, de ser o exemplo, o
guia. Vontade de assumir esta posição com responsabilidade e amor, vontade de abrir mão de si
mesmo, algumas vezes, para conquistar algo muito maior do que a alimentação do próprio ego.

Vontade de aprender cada vez mais, e possibilitar aos outros que aprendam da mesma forma, ou
mais do que você.

Vontade tornar maior o sentimento que envolve aqueles de quem você esta à frente e,
principalmente, vontade de percorrer grandes caminhos, cheios de obstáculos, que serão os
nossos maiores troféus no final dessa jornada chamada liderança.

Na visão de: Romulo Augusto Gomes Dantas e Danilo Montes

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FORMAS DE LIDERAR

1. Democracia

O radical Grego Demos, povo, combina-se com a palavra Kratos, autoridade para, significar que
toda autoridade vem do povo. Sob essa autoridade, que vêm do desejo coletivo, é que se formam
as regras de comportamento de uma sociedade democrática.

“A democracia é, então, o meio pelo qual os indivíduos determinam até onde lhes vai a liberdade
de agir sem que infrinjam os direitos dos outros”.

Para a nossa compreensão e melhor aplicação, a democracia nos grupos busca satisfazer os
interesses de todos aqueles que participam dele.
Cabe lembrar que na maioria das vezes em que a democracia é usada ela não chega as melhores
alternativas, mas sim, a um nivelamento aceitável das decisões.

O que seriam as melhores alternativas? Será que na democracia a melhor alternativa não é o
que é melhor para a maioria? (claro que isso implica na insatisfação, ou satisfação parcial).
A busca da alternativa satisfatória para a maioria das pessoas, implica em abrir mão de
privilégios. Talvez seja por isso que assusta tanto, e que é evitada por nós.

Esta forma de dirigir um grupo, geralmente, tem como característica principal o voto e participação.
E como fica o caso das pessoas que não votam ou não participam?

Quem é o Líder democrático?

O líder democrático é aquele que surge naturalmente do grupo que pertence e não por atrair
seguidores. É inevitável que sempre exista alguém cujas idéias influenciem mais que as dos
outros.

Nesse caso, surge uma opinião comum de que uma determinada pessoa é mais capacitada para
certas funções.

Numa crise, todos aqueles que tem mais experiência e que já foram testados em situações
anteriores tendem a assumir postura de liderança. Quando surge alguém que parece ser uma
unanimidade, ou pelo menos tenha a confiança da grande maioria, estamos diante de um líder
democrático.

2. Autocracia
A figura do autocrata é muito repudiada por aqueles que tem um mínimo de conhecimento da
história da humanidade.

A principal característica dessa forma de liderar acontece quando o poder de decisão é mantido
por uma pessoa ou um grupo pouco representativo, que toma decisões sem consulta prévia aos
interessados, podemos citar Hitler, os governos militares no Brasil, Getúlio Vargas como líderes
autocráticos.

Pense Conosco: Hitler, de acordo com o que ele e seu povo pensavam, identificou nos judeus o
seu maior problema e se concentraram na idealização de uma nova raça (a solução para os seus
problemas). Ele sabia das vontades de seu povo e por isso tomou as decisões que no momento
lhe cabiam, com isso teve êxito em diversos campos.

Excluindo a maldade, que é uma convenção social para nossa visão da época do nazismo, a
autocracia foi uma grande ferramenta para a obtenção de resultados. Mas o seu principal problema

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é o mau funcionamento em longo prazo; problema, que pode ser resolvido com atitudes mais
democráticas.

Qual Utilizar?

A reposta não é tão simples quanto parece.

Aquele que guia um grupo geralmente se depara com imensas situações que exigem dele muita
cautela na análise.

Esta cautela deve, principalmente, ser usada na tomada de decisão, pois isso influência
diretamente no grupo que dirigimos.

Como existem muitas situações com as quais nos deparamos ao longo de um trabalho, teremos
também, que modificar as ações, principalmente na forma de condução de um grupo. Por isso,
devemos ficar livres na escolha da maneira de gerir.

Use do bom senso, sendo visionário e atento aos resultados esperados, é importante estar
atento a fatores como tempo, objetivo e condições disponíveis para fazer uma melhor escolha da
forma de agir.

Procure entender como se sentem aqueles que serão alvo dos efeitos da suas decisões.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DE LIDERANÇA NA VISÃO DA ACM

Veremos logo abaixo alguns tópicos que podem fazer com que o trabalho do líder seja mais
eficiente, produtivo e organizado.

Não existe fórmula mágica para se atingir estas características. Na verdade, muitas vezes, nós já
as possuímos; o que não sabemos, é da importância e a hora de utilizar cada uma delas.

Vale compreender que o autocontrole das ações, acompanhado de uma boa quantidade de
estudos teóricos e práticos, pode nos deixar bem próximos de atingi-las.

1.Objetividade
Este princípio tem importante função na vida de quem lidera, administrar com objetivos bem
definidos tem se demonstrado uma grande ferramenta na conquista de metas que, quando bem
estabelecidas e embasadas, servem de guia para aqueles que buscam algo.

Os objetivos têm que estar muito claros tanto para quem lidera, quanto para quem é liderado, desta
maneira o condutor da equipe terá apoio e credibilidade.

2.Onipresença
O líder deve estar em todas as partes, em todos os sentidos e de todos os modos possíveis, desta
maneira, ele fará com que os liderados adquiram noção adequada das funções, planos e ações.

Quando todos entendem a importância da função de um líder e torna-se evidente o significado de


sua forma de liderar, os objetivos são alcançados mais facilmente e com o apoio de todos.

Ser onipresente nem sempre significa presença física, mas sim, a presença das suas idéias, da
sua personalidade, da sua marca.

Aposto que você, quando está sozinho e toma alguma atitude errada, lhe vêm a cabeça a sua mãe
dizendo: “Isso é errado”. Isso é que é onipresença!

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3.Flexibilidade
É o princípio que torna a ação do líder dinâmica.

Os liderados estão em seu dia-dia sofrendo mudanças constantes e todo o planejamento pode ser
alterado em função disso. Para isto, entra em cena o “jogo de cintura”, que auxilia o líder a ser
mutante, indicando toda e qualquer alteração de plano e/ou comportamento para que os objetivos
estabelecidos sejam atingidos.

4.Continuidade
O trabalho do líder na ACM é fundamentalmente educativo, visto que ele objetiva a modificação de
hábitos, tendências e atitudes. Este trabalho é lento e relativamente difícil, e lhe dar com esta
demora, exige muito de quem lidera. É preciso ter em vista que você, o líder, deve ser sempre é o
exemplo. O menor deslize, nesta tentativa de educar, pode por todo o trabalho e a instituição em
risco.

Trabalhar para manter um trabalho, mesmo que um dia você não possa fazer parte dele, é
fundamental para obtenção de resultados.

A insistência e planejamento do líder são fundamentais para o alcance deste objetivo.

5.Bilateralidade
Para ser mais claro, ser bi-lateral significa ser uma “via de mão dupla”, ser “a pedra e a vidraça”.
Toda a ação do líder tem uma conseqüência que precisa ser cautelosamente analisada. Essas
ações, querendo ou não, afetam sempre dois lados ou mais. Na relação líder/liderado,
compreender as duas posições é fundamental para que se tenha êxito em suas ações.

Faz parte desta função, gerar compreensão mútua para que todos os envolvidos possam
compartilhar do mesmo ângulo de análise.

6.Educação
Esta função tem como objetivo desenvolver potencial, tanto de quem lidera como de quem é
liderado. Isso possibilita o constante desenvolvimento das pessoas, tornando-as mais
independentes e participativas.

O Enriquecimento da formação cultural é muito importante na formação de cidadãos e pessoas


melhores.

No nosso caso, o Líder pressupõe-se estar um pouco mais adiantado aos liderados, sendo assim,
ele terá obrigação de desenvolver o potencial dos outros, preparando futuros líderes e tornado-os
cada vez mais capazes de realizar funções adversas.

7.Transparência
Na relação que se estabelece entre líderes e liderados, é importante, para a manutenção da sua
credibilidade, procurar ser o mais transparente possível. Quando todos sabem exatamente o que
acontece e por quê, fica mais fácil conquistar a boa vontade de todos e cresce a certeza de
sucesso nas ações desenvolvidas pela sua equipe.

8.Prevenção
O líder deve se precaver para as situações tomado atitudes responsáveis que venham a dar bons
frutos no futuro. A prevenção está intimamente ligada ao planejamento que deve ser bem pensado
e fundamentado para que você obtenha sucesso.

Prevenir é prever o futuro de acordo com as conseqüências do presente. Este princípio diferencia
os líderes, pois eles, sempre estão à frente de seu tempo.

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Para que se possa fazer uma avaliação pessoal sobre estes princípios básicos, basta se fazer a
seguinte pergunta:

Eu sou...?

No lugar dos pontinhos coloque cada um dos oito princípios. Analise se você os possui e a
intensidade de cada um, logo em seguida, pense o quanto essas características o ajudarão na
posição de líder e, fundamentalmente, analise a sua posição com estas características perante um
grupo.

Desta maneira queremos que se perceba a importância do pensamento no coletivo e que estas
características devem ser colocadas em prática para um fim que está muito além dos seus desejos
pessoais
7 Dicas

1. Procure conhecer-se o mais que puder.

Os caminhos do autoconhecimento não têm fim, mas, é sempre preciso dar os primeiros passos,
sejam quais forem os medos.

2. Haja como se tudo fosse responsabilidade sua.

Quando se quer comprometimento, o melhor a fazer é comprometer-se. Cumprir simplesmente o


dever é muito pouco quando se trata de trabalho em equipe, fazer tudo que está ao seu alcance é
importante, mas procure respeitar os deveres de outros membros do grupo.

3. Antes de tudo, aprenda a Ouvir.

Ouvir, depois ouvir, sempre ouvir mais.

4. Aprenda também a dizer “Não sei”

A maioria das pessoas tem a sensação de que perdem poder ao dizer “não sei”. Ocorre que muitas
vezes não temos certeza das coisas e dizer não sei no momento apropriado é mais uma
demonstração de força e de honestidade do que de fraqueza.

5. Mantenha uma participação equilibrada no grupo.

Não permita que a carga de esforço recaia mais sobre uns do que sobre outros, levando, porém
em conta a capacidade de cada um, e lembrando-se de que em equipe o sucesso é de todos
(como também o fracasso).

6. Tenha coragem de tomar as decisões que lhe competem.

Para assumir um papel de liderança é preciso coragem. Se para compartilhar informações é


preciso coragem, para tomar decisões que não dependam do grupo também.

7. Aprenda a expressar o reconhecimento pelas virtudes das pessoas.

Elogios são necessários e devem ser dados pelo que a pessoa faz (condicionais) e pelo que a
pessoa é (incondicionais). Críticas, às vezes são importantes, mas devem estar limitadas as
condicionais, por uma ação ou atitude incorreta.

Fonte: CADERNO DO CIRCUITO GESTAO Formação Continuada de Gestores de Educação – Módulo I.


IDORT

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ADMINISTRAÇÃO DE GRUPOS

Administrar é uma tarefa muito delicada, principalmente em se falando de pessoas.


Os homens em geral são instáveis, passam por momentos de alegria, tristeza entre outros altos e
baixos.

Por isso esta administração tem que se basear na percepção do grupo, como ele funciona, sua
dinâmica.

Para isso, vamos aqui, citar os mecanismos de defesa que nós utilizamos, pois eles são os
maiores responsáveis pelo insucesso de alguns grupos e organizações.

MOTIVAÇÕES
As motivações são um dos caminhos para se enfrentar os bloqueios e frustrações.

É importante deixar claro que não podemos motivar ninguém, isto, é uma conquista individual. O
que podemos fazer e satisfazer algumas necessidades básicas para que as pessoas entrem em
processo de motivação.

Existem diversos estudos e visões sobre as necessidades do homem, vamos aqui utilizar quatro,
que estão em concordância com os autores e pesquisadores mais conhecidos da área.

1. Segurança

Os desejos ou intenções humanas são expressões da busca de prazer e/ou bem-estar de si


próprio. Originalmente, não há desejo, mas necessidade. Um bebê procura pela primeira vez o seio
da mãe instintivamente (não é porque ela sabe que tem seio, ou porque sabe que vai se alimentar);
depois a criança procura a chupeta. A chupeta não a alimenta (como o leite materno), mas a
sensação de bem-estar que causa vem provavelmente daquela primeira situação, que era de
necessidade e que se configurou como algo bom, prazeroso, por ter causado bem-estar ao bebê
ao saciar a fome dele.

O desejo de segurança pode ser satisfeito por elementos materiais, temporais e fisiológicos, como
o alimento, abrigo, vestimenta e as reservas suficientes para garanti-lo no futuro; e pode ser
elementos espirituais, tais como a crença na vida futura, e o sentimento de que após a morte se vai
para um lugar seguro. Pouco importa se essa crença tem raízes na realidade.

Outros, ainda, satisfazem o desejo de segurança quando são aceitos em um grupo que considera
importante para o seu bem estar.

A segurança para muitos membros reside na convicção de que o grupo sempre agirá de forma
rotineira, daí, muitas vezes a resistência a mudanças.

2. Novas Experiências

Este desejo se encontra na vontade de conhecer novas pessoas e situações, encarar novos
desafios, como ocupar um cargo de responsabilidade.

3. Reconhecimento

O que caracteriza o reconhecimento é à vontade de “ser alguém” perante um grupo, nossa


condição social atual, de um país altamente competitivo, torna esta necessidade cada vez mais
destacada.

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4. Resposta

O desejo de resposta é o desejo de ser querido, a sensação de que os outros gostam da sua
companhia e querem mantê-la. A diferença entre resposta e reconhecimento reside em que, na
primeira, não se preocupa com o prestígio e reconhecimento públicos. O grupo de referência que
ele considera importante deve aceitá-lo como pessoa e mostrar-se satisfeito em tê-lo como
membro.

ELEMENTOS QUE NORTEIAM O GRUPO

1. Missão
È aquilo que descreve o por que do grupo existir, para que ele serve.
Exemplo: “O nosso grupo tem a ação voltada para a produção e distribuição de sacolas plásticas”

2. Valores
São os elementos característicos da forma de pensar do grupo, seu conjunto de valores, ritos e etc.
Os valores são os elementos que balizam as ações do um grupo, sua ética.
São os valores que garantem a identidade de um grupo, tornado-o único.
Exemplo de valores: “Amar ao próximo como a si mesmo”.

3. Objetivo
É a descrição clara e precisa do que se quer, aonde se vai, uma meta. É comum e é necessário
que os grupos tenham objetivos bem definidos.

Exemplo: “Ser reconhecido como o melhor aluno”

4. Visão
A visão é um dos elementos mais importantes de um grupo, aliás, garante a existência dele.

Ela é a descrição de um sonho, uma espécie de meta, só que mais contextualizada, chega a ser
filosófica.

A visão é o resultado dos sonhos em ação.

Exemplo: “Num país de instituições sociais e democráticas consolidadas e um mercado cada vez
mais acirrado, a Anaconda Parafusos será referência na produção de parafusos de qualidade, na
responsabilidade social e no compromisso de auxiliar o crescimento do país”

• Grupos sem visão correm perigo

“Quando não se sabe onde quer ir, qualquer


caminho lhe serve” George B. Shaw.

• É Preciso ter uma visão positiva do seu futuro


• É preciso ter um sonho e a preparação (educação) é a chave para alcançá-lo

Certa vez em um campo de concentração, um homem tentava se matar, quando foi lembrado pelos
colegas de que tinha ainda, inúmeras coisas para fazer na sua vida, como por exemplo rever sua
mulher e seus filhos.

Fazendo isso os colegas lembraram ao homem que ele tinha uma visão, e isso fez com que ele
superasse o medo e saísse vivo de lá anos mais tarde.

“Visão significa vida”

Visões precisam:

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• Ser desenvolvidas por líderes. Eles transformam as aspirações coletivas em uma visão descrita e
coerente.

• Ser divididas e ter apoio, para criar-se então a “Comunidade da Visão” (pode-se dizer; indivíduos
unidos por uma mesma idéia).

• De ações conjuntas para torná-la real

• Ser detalhadas e abrangentes, cada um deve saber o que vai fazer, onde e como.

• Ser positivas e inspiradoras

Atenção: Os Valores podem medir se você está no caminho, mas não determiná-lo, só a Visão
pode.

Referências Bibliográficas

BOCK, Ana M. Bahia. Psicologias uma Introdução ao Estudo Psicologia. São Paulo: Saraiva,1999.

KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Obtendo Resultados com Relações Públicas. São Paulo:
Pioneira, 1997.

BEAL, George M.&BOHEN, Joe M. Liderança e dinâmica de grupo. Rio de Janeiro: Zahar, 1972.
Revista Você S.A

MYERS, David. Introdução Á Psicologia Geral. São Paulo: LTC-Livros Técnicos Científicos Ltda.
1999. Quinta Edição.

MÓDULO II - PLANEJAMENTO

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O PLANEJAMENTO

A pessoas e as instituições preocupadas com as mudanças constantes que ocorrem no mundo,


lançam mão do planejamento preparando-se para o futuro.

Conceitos de Planejamento

 É o ato ou efeito de planejar;


 É a função ou o serviço de preparar um trabalho;
 É fazer esboço, projetar;
 É o trabalho de preparação para qualquer empreendimento, seguindo roteiro e métodos
determinados;
 É o detalhamento de todas as fazes de um plano;
 É determinar antecipadamente o que se deve fazer, e com os objetivos que serão
atingidos;
 É uma ação voltada para o futuro;
 É sair de uma situação atual para uma situação desejada;

(S) Situação – (A) Ação – (O) Objetivo

“se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho lhe servirá”
George B. Shaw

Premissas Básicas de Planejamento

A História da civilização é feita de mudanças continuas. Quem não pode adaptar-se, não pode
sobreviver.

O que torna o mundo de hoje diferente não é o fenômeno da mudança em si, mas sim a velocidade
com que as mudanças ocorrem.

Planejar é pensar antes de agir. Por isso exige muita reflexão, imaginação e capacidade para
prever e visualizar as atividades propostas.

O planejamento é uma forma de solucionar problemas. É forma de evitar improvisação; evitar vôos
cegos e corrigir distorções. Por isso necessita flexibilidade para que se possam fazer ajustes
necessários e que levem à melhoria dos resultados.

Método Diretivo

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O planejamento é realizado por aqueles que dirigem os grupos. Espera-se que esse grupo de
dirigentes tenham uma visão clara de toda a situação e principalmente do papel que cada pessoa
ocupa no processo de realização de uma ou mais ações.

Método Participativo

É quando todo o grupo se responsabiliza e organiza o planejamento de alguma ação. Nesse


método abre-se maior espaço à discussão e exposição das necessidades e visões de todos. Quem
executa a ação ajuda a planejar, quem planeja, ajuda a executar.

Planejamento como:

Processo

Pode explicitar objetivos e definir estratégias e políticas para alcançar esses objetivos. Trata-se de
decisão prévia sobre o que deve ser feito, quando, como e quem vai fazer.

Filosofia
É uma concepção, um modo de vivenciar a organização, vez que a eficácia de um planejamento
depende de inúmeras variáveis, dentre elas o envolvimento, a participação e a colaboração como
atitudes de valorização e integração ao processo.

Elaboração de projetos

O projeto tem sempre a intenção clara de alcançar aquilo que se pretende com a maior eficácia e
qualidade. Neste sentido, convém descrever com detalhes o processo a seguir, ter capacidade
para poder prever os passos do desenvolvimento das ações, as providências a serem tomadas, os
mecanismos que se deve utilizar e a avaliação dos resultados obtidos, assim como, os principais
ajustes no desenvolvimento do projeto.

Para elaborar projetos leva-se em conta uma série de fases:

 Diagnóstico

- Detectar necessidades
- Delimitar o problema
- Entender o ambiente em que se desenvolverá o projeto
- Definir o público e os recursos

 Planificação

Fundamentar o projeto em objetivos

- Gerais;
- Específicos.

 Metodologia

- Atividades;
- Técnicas e instrumentos;
- Forma usada para buscar dados e analisá-los.

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 Tempo
 Recursos

- Humanos;
- Materiais;
- Financeiros.

 Execução

- Desenvolvimento do projeto;
- Continuação do projeto;
- Controle do projeto.

 Avaliação

- Avaliação diagnóstica;
- Avaliação do processo;
- Avaliação final.

Do ponto de vista da operação, planejar uma ação significa dar resposta a as seguintes questões:

O que Se que fazer Natureza do Projeto


Por que Se quer fazer Origem e fundamento
Para que Se quer fazer Objetivos
Quanto Se quer fazer Metas
Onde Se quer fazer Localização física
Como Será feito Atividades e tarefas a se realizar / Metodologia
Quem Irá fazer Recursos humanos
Com o que Se vai fazer Recursos materiais
Com o que Se vai custear Recursos financeiros

Diagnóstico

Nesta fase se reconhece, da forma mais completa possível, o objetivo do planejamento. Convém
examinar a realidade, as pessoas, o entorno, as características e as circunstancias que vão
influenciar no desenvolvimento do projeto.

No estudo de uma realidade podemos distinguir os seguintes momentos:

 Descrição.

É importante que o projeto se baseie em uma necessidade real para qual devemos buscar uma
solução. Convém estudar com realismo as necessidades e os recursos de que dispomos, tanto
humanos como materiais.

Identificada a realidade, interessa conhecer o que se tem e o que se carece. Neste ponto ficam
registrados todos os dados que possam se interessantes para o objetivo desejado.

Técnicas

 Observação;
 Entrevistas;

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 Pesquisas, anotações.

Estas técnicas servem para o recolhimento de dados

 Delimitar o problema

Consiste em formular o problema objeto de estudo de um modo claro e concreto. Os


problemas objetos de investigação se obtêm da descrição anterior e suas correspondentes
técnicas para recolhimento de dados e informação sobre o tema que posteriormente vamos
intervir.

 Situar-se

É necessário especificar o local onde se desenvolve o projeto, indicando alguns dados


significativos da comunidade, bairro, instituição, grupo.

 Definir público e recursos

Público com o qual se vai colocar em prática o projeto. Analisar a situação dele e
características

Recursos que dispomos para realizar o projeto.

Plano – Forma escrita do planejamento

Uma vez que realizamos uma investigação exaustiva sobre a situação, passamos para a fase de
FORMULAÇÃO DO PROJETO. Apresentação precisa, onde se especificando seus objetivos,
metas, atividades, calendário de execução e recursos.

Respondendo as seguintes perguntas:

 Por que
- É a BASE
- Por que vai se fazer o que vai ser feito
- Finalidade
- Ideologia ou estratégia de atuação
- Antecedentes que detectarão a realidade

 O Que
- Natureza do projeto
- Seu Titulo
- Identificação, em poucas palavras, da idéia do projeto

 Para Que

- OBJETIVOS: são os resultados que se pretende alcançar com a execução


de uma ação
- Dois tipos de objetivo:

1. Gerais: Aquele que se tenta alcançar ao final do processo


completo da atividade.

2. Específicos: Fins mais concretos e imediatos, pensando desde o


objetivo geral de uma atividade especifica.

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OBJETIVOS GERAIS OBJETIVOS ESPECIFICOS


Abstrato Concreto
Em longo prazo Em curto prazo
Se avalia

Recomendações:

- Os objetivos devem ser claros, precisos e compreensíveis;

- Realistas: um dos defeitos mais comuns é por muitos objetivos


inalcançáveis; (Ser modesto e realista)

- Se possível, que os objetivos sejam decididos e desejados por todo o


grupo;

- Motivação para que os objetivos se cumpram: fontes de expectativas e de


satisfação.

 Quanto

- Metas: Quanto queremos alcançar de cada objetivo e de que qualidade.

As metas devem ser:

- Precisas;
- Mensuráveis (Que se possa medir), por indicadores
- Com um período de duração
- Coerentes (que tenha a ver) com seus objetivos

 Quando e onde

- Especificar quando e onde será;


- Localização;
- Estimativas de tempo: Calendários de atividades. Tem como função de
estabelecer etapas do projeto e indicar as datas. “Seja realista”

 Como será

- Metodologia: Caminho escolhido para atingir os objetivos;


- Decidir as atividades e ações relacionadas com os objetivos;
- Especificar as técnicas e instrumentos que se utilizará para o recolhimento
posterior de dados: entrevistas, questões, observação, sistemas
eletrônicos.

 Com quem

- São os recursos humanos;


- Monitores responsáveis, voluntários, pessoal de apoio;
- Divisão de atividades.

 Com o que

- Recursos materiais;
- Dinheiro, orçamento, subsídio;

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Aplicação/ Execução

Uma vez previstas as tarefas e atividades a realizar, já estamos em condições de colocá-las em


prática.

É a fase de realização do projeto que exige ter presentes todos os elementos previstos no início,
com o fim de colocar em pratica uma ou mais tarefas.

A execução implica por em pratica o projeto e prestar atenção no desenvolvimento e controlá-lo.

Avaliação

Avaliação é dirigida ao(s):

- Recursos do programa;
- Processo de desenvolvimento;
- Realizadores.

Instrumentos de avaliação

 Observação

- Observação aos participantes (se avalia o destinatário)


- Observação participante (se avalia sendo o destinatário)

 Questionário

 Entrevista

- Individuais, grupais.

 Técnicas grupais

- Discussão: debate dirigido

Referências Bibliográficas

ESTEVES, Katia. Planejando o Sucesso: Guia para construir o caminho.Belém: Raul Rocha Fiuza
de Mello, 2000.

ANDER. Egg. Introdución a la planificación. Buenos Aires: Humanitas. 1985.

DELBECQ, A. Técnicas grupales de planificación. México: Trilhas. 1984


Governo do Rio Grande do Norte - http://www.searh.rn.gov.br/planest.asp - acesso em:02.02.2004

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MÓDULO IV – CIDADANIA E CULTURA DE PAZ

1. O que é cidadania?

Cidadania, mesmo sendo um conceito muito vago e sem substância, transformou-se numa das
bandeiras de luta mais comuns da atualidade. Seu poder interno de legitimação é tão grande que
seu simples invocar parece tentar justificar todo um conjunto de objetivos e utopias.

A maior confusão que envolve o uso do complexo conceito que é a cidadania é aquele entre
cidadania e dignidade humana. Ainda que ambas idéias tenham uma forte correlação entre si, a
dignidade humana está ligada ao indivíduo ao passo que a cidadania ao todo social. Se em uma,
ao focalizarmos o indivíduo, devemos nos concentrar primordialmente numa relação Estado/
sociedade para o indivíduo; na outra o sentido é invertido: pensamos como este pode fazer parte e
atuar naqueles.

Existe também a tendência a englobar na idéia de cidadania um conjunto de ações voltadas


diretamente para as melhorias de condições de vida do indivíduo e seu meio.

Antes de ser o resultado das três gerações de direitos, a cidadania é fruto da tese arendtiana do
direito a ter direitos. Quando pensamos na consolidação e no exercício da cidadania, devemos
concentrar-nos no pertencimento do indivíduo à cidade (a polis grega). Este pertencimento, de
qualquer forma, não deve ser interpretado como posse mas como a possibilidade de fazer parte
de.

Quando adotamos essa segunda visão, podemos perceber que cidadania implica em reconhecer-
se como membro de um conjunto e, ao mesmo tempo, ser reconhecido como um membro. É
justamente uma leitura rápida e descuidada desta segunda condição que leva à confusão entre
cidadania e dignidade humana.

Como estamos tratando de um conjunto de características particulares (está limitado por fronteiras
geográficas politicamente dadas; é gerido por um aparato político-administrativo que é controlado e
dirigido por uma pequena parcela dos membros do conjunto), devemos pensar este pertencimento
em função das características do conjunto.

Outra dificuldade que temos ao penar no que é cidadania vem dos múltiplos papéis
desempenhados por cada um dos indivíduos. Podemos ser pequenos-agricultores, pais de família,
membros de uma comunidade religiosa e cidadãos. Qualquer destes papéis não nega o de
cidadão, ainda que possa, em alguns casos, limitá-lo.

Um indivíduo, reconhecendo-se como  um membro de seu país e sendo por este reconhecido com
o mesmo status é automaticamente alçado à condição de cidadão pois passa a ter a sua
disposição uma série de canais para participação, controle e influência das instituições político-
sociais voltadas para o todo. Estes canais vão do direito de votar ao direito de ser votado; da
liberdade de expressão à possibilidade de assumir cargos políticos.

Por outro lado, só isso não é suficiente. Para que o indivíduo seja de fato um cidadão, ele precisa
considerar-se um membro do país. Mais do que uma mera questão psicológica, isso envolve um
intrincado complexo político-social. Garantir a "igualdade perante a lei" não é condição suficiente
quando há desigualdade política (sem entrarmos nos problemas que a aguda desigualdade
econômico-financeira traz ao Brasil).

Incapaz de perceber-se como membro de seu país, o indivíduo desenvolve suas atividades
cotidianas à margem dos canais e lugares de participação na vida pública, impossibilitando assim

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qualquer ação que possa vir a influenciar a sociedade como um todo. Com isso, é forçado a ficar
em uma posição reativa, quando não passiva. Desta forma, melhoras em suas condições de vida
são vistas mais como benesses, ao invés de serem resultado da sua participação pública.

Ao termo em mente que esta condição não é resultado puro de uma escolha pessoal. Devemos
enfrentar o desafio de como criar mecanismos e ações que possibilitem ao indivíduo sentir-se
como um membro. Para os cidadãos plenos – aqueles que observam as duas condições da
cidadania – negar a existência deste desafio ou evitar dele se ocupar, é negar a própria cidadania.

2. O que é Cultura de Paz?

A Cultura de Paz é a Paz em ação; é o respeito aos direitos humanos no dia-a-dia; é um poder
gerado por um triângulo interativo de paz, desenvolvimento e democracia. Enquanto cultura de vida
trata-se de tornar diferentes indivíduos capazes de viverem juntos, de criarem um
novo sentido de compartilhar, ouvir e zelar uns pelos outros, e de assumir responsabilidade por sua
participação numa sociedade democrática que luta contra a pobreza e a exclusão; ao mesmo
tempo em que garante igualdade política, eqüidade social e diversidade cultural.

"Se queres a paz, prepare a guerra".


Este provérbio - tantos outros tão sábios, tão pouco observados! - teve um efeito maléfico ao
longo da história. Representa a lei do mais forte, responsável pelo comportamento baseado na
imposição dos poderosos sobre os mais fracos e carentes, que se prolonga até nossos dias.
Se se prepara a guerra, chega o dia em que se faz a guerra, porque não nos preparamos para
a paz. O preço pago pela cultura da guerra e da violência no século que termina é, sobretudo
em termos de vidas humanas, a maioria de jovens, espantoso.
Milhões de pessoas - freqüentemente os que menos desfrutaram dos períodos agradáveis -
morreram por causas que, no melhor dos casos, mereciam ser vividas. Temos o dever de
recordar este tributo - e o sofrimento que tolera - para poder apreciar a cada dia a paz,
premissa e fruto da justiça e do progresso dos povos.
"Se queres a paz, tens que construí-la". Cultura de paz é assumir o compromisso diário de nos
comportarmos pacificamente. Não docilmente. Bem ao contrário, trata-se de uma
transformação cultural que deve acontecer num todo e com a cooperação de todos, em
particular dos principais atores sociais: educadores, parlamentares, prefeitos, meios de
comunicação social. A cultura da paz é a cultura de compartilhar melhor. As disparidades
sociais e as assimetrias na distribuição das riquezas de toda ordem - incluindo em primeiro
lugar o conhecimento - somente podem ser reduzidas e anuladas compartilhando melhor.

3. A simples relação.
Cultura de Paz e Cidadania estão intimamente ligadas. Só aquele que reconhece o próprio
papel transformador e de participação na sociedade pode, de fato, conduzir a sociedade a
buscar o caminho da paz com justiça e prosperidade!

4. Referências Bibliográficas

http://www.revistaautor.com.br/ensaios/04rci.htm - acesso em 20.03.2005

http://www.unesco.org.br/areas/dsocial/desenvolvimentosocial/culturadepaz/mostra_documento-
acesso em 22.03.2005

http://www.suigeneris.pro.br/edvariedade_darazaodaforca.htm - acesso em 22.03.2005

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