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Finanças Corporativas

Professor Me. Antonio Carlos Lázaro Sanches


Diretor Geral
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Diretor de Ensino e Pós-graduação


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Diretor Administrativo
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Coordenador NEAD - Núcleo


de Educação a Distância
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Coordenador do Núcleo de Pesquisa


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Paranavaí-PR
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Credenciado pela Portaria N.º 527 de 10 de junho de 2020,
(44) 3045 9898
publicada no D.O.U. em 15 de junho de 2020.
Núcleo de Educação a Distância;
SANCHES, Antonio Carlos Lázaro. www.unifatecie.edu.br
Finanças Corporativas.
Antonio. Carlos Lázaro Sanches.
Paranavaí - PR.: UniFatecie, 2020. 90 p.
As imagens utilizadas neste
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária livro foram obtidas a partir
Zineide Pereira dos Santos. do site ShutterStock
AUTOR

Professor Me. Antonio Carlos Lázaro Sanches

● Mestre em Desenvolvimento de Tecnologia (Institutos LACTEC/UFPR Paraná).


● Bacharel em Ciências Contábeis (UEM).
● Especialista em MBA Executivo (UEM).
● Docente do curso de Administração, Gestão Comercial, Gestão da Produção
Industrial e Logística (UniFCV).
● Professor de Pós-Graduação no Centro Universitário Cidade Verde (UniFCV).

Longa experiência profissional na área administrativa em empresas da região de


Maringá-PR, atuando no setor da indústria de confecção, atualmente na função de gerente
de compras.

Link lattes: http://lattes.cnpq.br/3274140889873136


APRESENTAÇÃO DO MATERIAL

Seja muito bem-vindo(a)!


Prezado(a) aluno(a), que bom que você se interessou pelo assunto desta discipli-
na, será o começo de uma jornada de conhecimento e experiências novas, que trarão um
novo jeito de ver as finanças e como a utilizamos no dia a dia e nas empresas. Finanças
Corporativas está presente em uma simples compra com desconto, em uma loja fazendo
liquidação, e até nos complexos cálculos de juros compostos (exponenciais). Sugiro que
se prepare e tenha em mãos uma boa calculadora para desvendar várias fórmulas da
matemática financeira, análise de investimento e análise de sensibilidade.
Nesta apostila, procurei abordar de forma prática esse conteúdo que é tão impor-
tante em nosso cotidiano, seja na vida pessoal ou profissional.
Quem nunca comprou parcelado?
Quem nunca pensou em financiar um veículo?
Você sabe calcular se os juros anunciados são efetivamente os juros cobrados?
É muito importante que você, enquanto futuro profissional graduado na área de
gestão, tenha uma calculadora financeira. Recomendo HP12C. Não é uma calculadora ba-
rata, então, se você não pode comprar no momento, pode optar por acessar gratuitamente
um emulador através do link: https://epxx.co/ctb/hp12c.html. Há também a possibilidade de
baixar em seu smartphone um aplicativo de HP12C nas plataformas Android e IOS.
Na Unidade I começaremos a explorar a matemática financeira e seus conceitos e
importância no atual cenário financeiro. Depois serão demonstrados os cálculos de percen-
tagem, taxa unitária e juros simples. E em seguida veremos o que é Desconto Racional e
Desconto Comercial, um produto bancário muito utilizado pelas empresas no Brasil.
Na Unidade II vamos ampliar nossos conhecimentos aprofundando mais no concei-
to de juros e partir para os juros compostos e descontos compostos, além de tratar também
da correção monetária.
Na Unidade III será conceituada a análise de investimento, seus métodos de análise
e principalmente os tipos de formas, tais como: TMA (Taxa Mínima de Atratividade), VPL
(Valor Presente Líquido) e TIR (Taxa Interna de Retorno), suas vantagens e desvantagens.
Na Unidade IV, a última e não menos importante, vamos aprender o que é análise
de sensibilidade, os possíveis cenários para tomada de decisão e o processo de tomada
de decisão.

Espero contribuir para seu crescimento pessoal e profissional.

Muito obrigado e bom estudo!


SUMÁRIO

UNIDADE I....................................................................................................... 6
Matemática Financeira

UNIDADE II.................................................................................................... 29
Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e
Depreciação

UNIDADE III................................................................................................... 51
Análise de Investimentos

UNIDADE IV................................................................................................... 72
Análise de Sensibilidade
UNIDADE I
Matemática Financeira
Professor Me. Antonio Carlos Lázaro Sanches

Plano de Estudo:
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
- Percentagem
- Taxa de Juros
- Juros Simples
- Simbologia
- Desconto Racional ou Por Dentro
- Desconto Comercial ou Por Fora

Objetivos da Aprendizagem:
- Estudar percentual e o uso em nossas vidas
- Conhecer a utilidade de taxas de juros
- Conhecer o que é juros simples
- Estudar a simbologia e a convenção utilizada
- Entender o que são os Descontos Racionais ou por dentro e sua utilidade para as
empresas
- Entender o que são os Descontos Comerciais ou por fora e sua utilidade para as
empresas

6
INTRODUÇÃO

É muito comum em nosso cotidiano lidarmos com os assuntos que serão abordados
nesta unidade: cálculo percentual e de juros!
Você vai ao comércio e logo vê uma placa: 50% de desconto à vista!
Ou ainda: financie seu veículo com taxa de 0,99% ao mês!
Você sabe fazer um cálculo de porcentagem? Usando a calculadora? Ou sabe
fazer de cabeça ou através de fórmulas?
É muito comum fazermos tais contas de maneira intuitiva.
Uso um exemplo clássico que, com certeza, já ocorreu na sua família ou com algum
conhecido: meu falecido avô paterno, quase sem nenhum estudo, mas a vida toda foi
comerciante. Fazia contas dificílimas sem o auxílio de calculadora e ainda ficava bravo com
os netos que a utilizavam. Cálculos percentuais exatos!
Nós podemos treinar isto! Vamos lá?

UNIDADE I Matemática Financeira 7


1 PERCENTAGEM

Como podemos calcular qual foi o nosso aproveitamento em um determinado exa-


me?
Suponhamos que você tenha acertado em um exame 12 das 15 questões apresen-
tadas. A razão entre o número de questões acertadas e o número total de questões é:

12
15

Isto significa que se dividirmos 12 por 15 chegaremos ao resultado de 0,8. O valor


0,8 significa 80%. Sabe por quê? Como o próprio nome já diz “PORCENTO”, SE MULTIPLI-
CARMOS 0,8 POR 100, CHEGAMOS A 80%. Isto significa que seu aproveitamento foi de
80% ao acertar 12 questões num exame que continha 15.

Vamos utilizar outro exemplo:


Se você conseguisse acertar 25 questões num exame de 50?
Divida o 25/50 e chegará ao resultado de 0,5 que se multiplicado por 100, revela
seu aproveitamento de 50%.
Tosi (2009) nos lembra que, na fórmula de matemática financeira, a taxa de juros
deverá sempre ser informada na forma decimal, ou seja, dividida por 100.

UNIDADE I Matemática Financeira 8


SAIBA MAIS
Na Calculadora HP-12C:
50 ENTER 25 %T
Note que na HP-12C existe uma tecla “%T” além da tecla normal “%”.
Nesse caso, em que queremos saber o quanto um número (por exemplo, 25) representa
percentualmente de outro (50), digitamos primeiro o número 50 na sequência apertamos
ENTER, lançamos o 25 e por último a tecla %T.
Tente você mesmo!

Exercícios resolvidos de percentagem:

a) Quanto é 15% de 80?


Multiplique 15 por 80 e divida por 100.
15 x 80 = 1200
1200/100 = 12
12 é 15% de 80

Se você achar mais fácil, você pode simplesmente multiplicar 15% na sua forma
decimal, que é 0,15 por 80:
0,15 x 80 = 12
Resposta: 15% de 80 é igual a 12.

b) Quanto é 70% de 30?


Multiplique 70 por 30 e divida por 100:
21 é 70% de 30
Ou então você pode multiplicar 70% na sua forma decimal, que é 0,70 por 30:
0,7 x 30 = 21
Resposta: 70% de 30 é igual a 21.

UNIDADE I Matemática Financeira 9


c) Quanto é 150% de 45?
Multiplique 150 por 45 e divida por 100:
67,5 é 150% de 45
Você também pode simplesmente multiplicar 150% na sua forma decimal, que é
1,50 por 45:
1,50 x 45 = 67,5
Resposta: 150% de 45 é igual a 67,50.

d) Expresse a razão de 19 para 25 como uma porcentagem.


A razão de 19 para 25 pode ser expressa nestas duas formas:
19 ou 19:25
25
Ao realizarmos a divisão de 19 por 25 iremos obter o valor da razão:
19
25 = 0,76
Tal como procedemos no caso das razões centesimais, devemos multiplicar esse
valor decimal por 100 e acrescentar o símbolo “%” para termos a representação da porcen-
tagem, na verdade o multiplicamos por 100%:
0,76 x 100% = 76%

e) 30% da população de uma cidade litorânea mora na área insular e os


demais 337.799 habitantes moram na área continental. Quantas pessoas
moram na ilha?
Sabemos que 30% da população da cidade mora na ilha e o restante, ou seja, 70%
mora no continente. Como 70% corresponde a 337.799 habitantes, podemos montar uma regra
de três para calcularmos quantos habitantes correspondem aos 30% que moram na ilha:
337.799 está para 70, assim como x está para 30:
Podemos resolver este exercício de uma outra forma. Se multiplicarmos 337.799
por 100 e dividirmos este produto por 70, iremos encontrar o número total de habitantes da
cidade:
337.799 x 100 = 482.570
70
Ao calcular 30% de 482.570 iremos encontrar o número de habitantes da ilha:
482.570 x 30% = 482.570 x 30 = 144.771
100

UNIDADE I Matemática Financeira 10


1.1 Elementos do Cálculo Percentual
Vimos no exemplo do início desta unidade que:

12/15 = 80/100

Nesse exemplo, chamando o 12 de percentagem, o 15 de principal e o 80 de taxa,


temos:

Percentagem/principal = taxa/100

Daí, obtemos as seguintes definições:


● Taxa é o valor que representa a quantidade de unidades tomadas em cada 100.
● Percentagem é o valor que representa a quantidade tomada de outra, propor-
cionalmente a uma taxa.
● Principal é o valor da grandeza da qual se calcula a percentagem.

O principal, a percentagem e a taxa são os elementos do cálculo percentual.

FIQUE POR DENTRO
Na prática é muito comum:
— empregarmos as palavras desconto, comissão, multa, parte, quota, abatimento, pre-
juízo, lucro etc. em lugar de percentagem;
— designarmos a taxa percentual simplesmente por percentagem. Assim, tanto faz di-
zermos, em uma situação qualquer, que o lucro foi de R$ 80,00 ou de 20%.

UNIDADE I Matemática Financeira 11


2 TAXA UNITÁRIA

Vimos que a taxa percentual se refere a 100, isto é:

25/100 = 25%

Porém, na resolução de muitas questões, é mais prático (e, algumas vezes, ne-
cessário) tomarmos como valor referencial a unidade, obtendo o que chamamos de taxa
unitária (simbolizada por i). Assim:

Temos então:

25 = i => i = 25 = 0,25
100 1 100

UNIDADE I Matemática Financeira 12


3 JUROS SIMPLES

Juros são definidos como sendo a remuneração do capital a qualquer título.


Assim, são válidas as seguintes expressões como conceitos de juros:
A. remuneração do capital empregado em atividades produtivas;
B. custo do capital de terceiros;
C. remuneração paga pelas instituições financeiras sobre o capital nelas aplicado.

Os juros são fixados por meio de uma taxa percentual que sempre se refere a uma
unidade de tempo (ano, semestre, trimestre, mês, dia).

Exemplos:

12% ao ano = 12% a.a.


4% ao semestre = 4% a.s.
1% ao mês = 1% a.m.

Os regimes de juros estudados na Matemática Financeira são conhecidos como


juros simples e juros compostos.
No regime de juros simples apenas o capital inicial, também chamado de principal,
rende juros. Juros não são capitalizados e, consequentemente, não rendem juros.

UNIDADE I Matemática Financeira 13


No regime de juros compostos, somam-se os juros do período ao capital para o
cálculo de novos juros nos períodos seguintes. Juros são capitalizados e passam a render
juros. O regime de juros compostos será apresentado na Unidade II.
Tosi (2009) nos lembra que o valor dos juros simples é igual em todos os períodos
de cálculo, o que nos possibilita dizer que ele é linear em relação ao prazo. Veja a demons-
tração gráfica:

Figura 1 - Juros Simples

Fonte: Tosi (2009).

FIQUE POR DENTRO
O Valor do Dinheiro no Tempo
A Matemática Financeira está diretamente ligada ao valor do dinheiro no tempo, que, por
sua vez, está interligado à existência da taxa de juros.
Do ponto de vista da Matemática Financeira, $1.000,00 hoje não são iguais a $1.000,00
em qualquer outra data, pois o dinheiro cresce no tempo ao longo dos períodos, devido
à taxa de juros por período.
Assim, um capital de $1.000,00 aplicado hoje, com uma taxa de juros de 8% a.a., im-
plicará um rendimento anual de $80,00, proporcionando um montante de $1.080,00 no
final de um ano.
Pode-se dizer que considerando uma taxa de juros de, por exemplo, 8% a.a., é indife-
rente termos $1.000,00 hoje ou $1.080,00 daqui a um ano. Um capital de $1.000,00 hoje
somente será igual a $1.000,00 daqui a um ano na hipótese irreal da taxa de juros ser
considerada igual a zero.

UNIDADE I Matemática Financeira 14


4 A SIMBOLOGIA QUE ADOTAREMOS

A simbologia e a convenção utilizada em todo esse material didático serão idênticas


àquelas adotadas por todas as calculadoras da marca HP, inclusive pela HP-12C.
As grandezas monetárias podem ser representadas no fluxo de caixa de acordo
com as convenções de final de período e de início de período, que são apresentadas a
seguir.
A calculadora HP-12C adota as seguintes convenções e simbologias para definir os
elementos do Diagrama Padrão do Fluxo de Caixa:

Número de períodos de capitalização de juros, expresso em anos, semes-


tres, bimestres, mês ou dias, podendo tomar os valores 0,1, 2, 3...

Taxa de juros por período de capitalização, expressa e percentagem,


sempre mencionando a unidade de tempo considerada (ano, semestre,
trimestre, bimestre, mês ou dia).

Valor presente (Presente Value), ou seja, valor do capital inicial (principal)


aplicado. Representa, na escala horizontal do tempo, o valor monetário
colocado na data inicial, isto é, no ponto correspondente a n = 0.

UNIDADE I Matemática Financeira 15


Valor futuro (Future Value), ou seja, valor do montante acumulado no final
de períodos de capitalização, com a taxa de juros i. Representa, na escala
horizontal do tempo, os valores monetários colocados nas datas futuras,
isto é, nos pontos correspondentes a n = 1, 2, 3...

Valor de cada prestação da Série Uniforme (Periodic PaymenT) que ocor-


re no final de cada período (Série Postecipada). Representa, na escala
horizontal do tempo, o valor de cada prestação igual à que ocorre no final
dos períodos 1, 2, 3...

No regime de juros simples, os juros de cada período são obtidos pela aplicação
da taxa de juros i sempre sobre o principal PV, fazendo com que os juros tenham o mesmo
valor em todos os períodos. Assim, temos:
● juros de cada período: PV x i
● juros de n períodos: n x PV x i

O valor futuro FV, também chamado de montante, é resultante da aplicação de um


principal PV, durante n períodos, com uma taxa de juros i por período. No regime de juros
simples, FV é obtido pela expressão:

FV = montante = principal + juros = PV + n x PV x i

ou seja:

FV = PV (1 + i x n)

Em que a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve coincidir com a


unidade referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.
A Expressão Genérica FV = PV (1 + i x n) pode ser verificada, considerando PV =
1.000,00 e i = 8% ao ano, o montante FV, no final de cada ano é:

● • n = 1 => FV = 1.000,00 (1 + 0,08 x 1) = 1.080,00


● • n = 2 => FV = 1.000,00 (1 + 0,08 x 2) = 1.160,00

UNIDADE I Matemática Financeira 16


E assim por diante. Observe que o montante FV corresponde ao saldo no final de
cada ano após o pagamento.

Exemplo:

1. Um comerciante tomou emprestado num banco estatal a importância de R$


18.000,00 pelo prazo de dois anos a uma taxa de juros de 30% ao ano. Qual será o valor
dos juros e o montante a serem pagos?

PV = R$ 18.000,00

FV = ?

n = 2 anos

i = 30% aa ou 30/100 = 0,3


FV = PV (1 + i x n)
FV = 18.000,00 (1 + 0,3 X 2)
FV = 18.000,00 x 1,6
FV = 28.800,00

UNIDADE I Matemática Financeira 17


SAIBA MAIS

Em relação aos elementos do Diagrama Padrão, são relevantes os seguintes comentários:


a) os intervalos de tempo de todos os períodos são iguais. Assim, por exemplo, to-
dos os meses têm a mesma duração de 30 dias;
b) a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve necessariamente coincidir
com a unidade referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n;
c) os problemas comuns de Matemática Financeira envolvem, em geral, apenas
quatro elementos, sendo que dois deles são obrigatoriamente a taxa de juros i e
o número de períodos n. Os outros dois elementos a serem relacionados podem
ser PV com FV, PV com PMT, e FV com PMT;
d) as fórmulas desse compêndio são desenvolvidas apenas para esse Diagrama
Padrão, assumindo a convenção de final de período. Os problemas que se en-
quadram nessa situação têm solução imediata. Os demais problemas deverão
ser enquadrados nesse Diagrama Padrão mediante desdobramentos e outros
artifícios que não alteram o enunciado do problema;
e) a Calculadora HP-12C está preparada para resolver os problemas que se enqua-
dram nesse Diagrama Padrão, com a convenção de final de período.

Ressaltamos os seguintes pontos:


● A calculadora está preparada para utilizar a convenção de final de período quan-
do a função END estiver ativa (acione as teclas g e END e verifique se a palavra
BEGIN não aparece indicada no visor);
● A calculadora deve apresentar sempre a letra C indicada no visor (pressione
concomitantemente as teclas STO e EEX), para que realize todos os cálculos
a juros compostos, independentemente do valor de n ser um número inteiro ou
fracionário;
● Os valores monetários, sejam de PV, FV ou PMT, devem ser registrados na cal-
culadora sempre de acordo com a convenção de sinal, isto é, as entradas de
caixa (recebimentos) devem ter o sinal positivo (+), e as saídas de caixa (paga-
mentos) devem ter o sinal negativo (–);
● Os problemas que envolvem apenas quatro elementos devem ser resolvidos com
o registro do número zero para o elemento monetário (PV, FV ou PMT) que não
participa do problema;
● Os valores do número de períodos n podem ser números inteiros ou fracionários.
Por exemplo, n pode ser registrado em anos, fração de ano, fração de mês etc.;
● O registro de uma taxa de juros de 8%, por exemplo, deve ser feito com a colo-
cação do número 8 na tecla correspondente a i. A calculadora, internamente, faz
as operações com 8%, isto é, com 8/100 = 0,08;
● A calculadora sempre interliga os cinco elementos (n, i, PV, PMT e FV). Por exem-
plo, no caso de obtenção do PV, a HP-12C calcula a seguinte relação:
PV = valor presente de FV + valor presente de PMT

Fonte: Puccini e Puccini (2009).

UNIDADE I Matemática Financeira 18


5 DESCONTO RACIONAL OU DESCONTO POR DENTRO

Tosi (2009, p. 98) conceitua que “o desconto simples é efetuado com base no regime
de capitalização simples, ou seja, utilizando-se taxas de juros lineares, nessa modalidade
está incluído o desconto racional (por dentro)”.
A taxa de juros i, também denominada taxa de rentabilidade ou, ainda, taxa de
desconto “por dentro”, pode ser obtida a partir da relação a seguir, que fornece:

O valor do desconto, expresso em $, corresponde aos juros acumulados no tempo.


Assim, genericamente, ele pode ser obtido pela diferença entre o valor futuro FV, ou mon-
tante, e o valor presente PV, ou principal, ou seja:

Desconto = FV − PV

O valor do desconto “por dentro” (Dd), ou racional, é obtido multiplicando-se o valor


presente PV pela taxa de desconto i, e esse produto pelo prazo da operação n, ou seja:

Dd = PV X i X n

UNIDADE I Matemática Financeira 19


Na prática, entretanto, o valor presente é sempre a incógnita, sendo normalmente
conhecidos o valor futuro FV, o prazo n e a taxa de desconto i. Vamos, a seguir, deduzir a
fórmula que permite obter o valor do desconto racional a partir das variáveis conhecidas.
O valor do desconto “por dentro”, ou racional, é também obtido pela aplicação da
expressão geral para desconto, isto é:

Dd = FV – PV

A partir da expressão, podemos chegar na seguinte relação:

Substituindo o PV dessa última equação, na equação anterior, temos:

Vamos resolver alguns exercícios?

a) Calcule o número de meses necessário para um capital dobrar de valor,


com uma taxa de juros de 2% ao mês, no regime de juros simples.

Solução:

Supondo o valor de PV = $ 100,00, então teríamos FV = $ 200,00, e os dados do


problema seriam os seguintes:

PV= $100,00;

UNIDADE I Matemática Financeira 20


FV = 2 X 100,00 = $200,00;

i = 2% ao mês = 0,02;

n=?

Pela Relação apresentada anteriormente temos:

FV = 200,00 = PV (1 + i X n) = 100,00 (1 + 0,02 X n)

200,00 = 100 + 2n

200 – 100 = 2n

2n = 100

n = 100
2

Assim temos que n = 50 meses.

b) Calcule o valor da taxa mensal de desconto “por dentro” usada numa


operação de desconto de 60 dias de um título cujo valor de resgate é $
10.000,00 e cujo valor do principal é $ 9.750,00.

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

PV= $9.750,00;
FV = $10.000,00;
n = 60 dias = 2 meses;
i = ? (% ao mês)

UNIDADE I Matemática Financeira 21


i = FV - 1 x 1
PV n

i = 10.000 - 1 x 1
9.750 2

i = 0,01282

Precisamos multiplicar o resultado por 100 para ficar em percentual.

Assim, temos 1,282% ao mês.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Veja que sempre utilizamos as mesmas unidades


de tempo, se nos derem o tempo em dias e a taxa em meses, temos que converter um ou
outro para as mesmas unidades. Vai depender de como o problema pede. Se pedir em
meses, transforme dias em meses, isto é, 60 dias = 2 meses.
Outra coisa importante é que quando fazemos o cálculo do i no problema anterior,
o resultado sai na forma unitária e se quisermos apresentar na forma percentual é só mul-
tiplicar por 100, isto é, 0,01282 X 100 = 1,282%.

c) Calcule o valor do desconto simples de um título de $ 1.000,00, com vencimento


para 60 dias, sabendo-se que a taxa de desconto “por dentro” é de 1,2% ao
mês.

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

FV = $1.000,00;

n = 60 dias;

i = 1,2% ao mês = 1,2%/30; temos ao dia = 0,04% a.d. = 0,0004

UNIDADE I Matemática Financeira 22


Desconto = FV – PV = ?

PV = FV
(1 + i X n)

PV = 1.000,00 = $ 976,56
(1 + 0,0004 X 60)

e, portanto, o desconto “por dentro” é igual a (1.000,00 − 976,56) = $23,44.

d) Um empresário tem uma conta de cheque especial num banco que permite
saques a descoberto e que cobra 1,5% ao mês sobre o saldo devedor, a juros
simples, pelos dias que a conta ficar descoberta.
Calcule o montante de juros cobrado no mês de abril, assumindo que a conta
tem saldo zero no final de março e que em abril são emitidos os seguintes
cheques:

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

i = 1,5% ao mês = 1,5%/30 = 0,05% ao dia = 0,0005 a.d.

I) Calculando os juros devidos por período:


● Juros de 1º de abril a 10 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é de
$ 2.000,00, portanto: Juros = 2.000,00 X 0,0005 X 10 = $10,00
● Juros de 11 de abril a 20 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é de
$ 3.000,00, portanto: Juros = 3.000,00 X 0,0005 X 10 = $15,00
● Juros de 21 de abril a 30 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é de
$ 4.000,00, portanto: Juros = 4.000,00 X 0,0005 X 10 = $20,00

UNIDADE I Matemática Financeira 23


Assim, o total de juros devidos no mês de abril é igual a:

Juros do mês de abril = (10,00 + 15,00 + 20,00) = $45,00

II. Utilizando o conceito de saldo médio:


O saldo devedor médio no mês de abril é obtido pela relação:

SALDO MÉDIO = (2000 x 10 + 3000 x 10 + 4000 x 10) / 30

O que nos dá o valor de $ 3000,00

UNIDADE I Matemática Financeira 24


6 DESCONTO COMERCIAL OU DESCONTO POR FORA

Tosi (2009, p. 117) conceitua que “o desconto composto é efetuado com base no
regime de capitalização composta, ou seja, utilizando-se taxas de juros exponenciais”.
No regime de juros simples, os descontos de cada período são obtidos pela aplica-
ção da taxa de desconto d sempre sobre o valor futuro FV, ou montante, fazendo com que
os descontos tenham o mesmo valor em todos os períodos. Assim, temos:

desconto de cada período: FV x d


desconto de n períodos: n x FV x d

Observe que a taxa de desconto d (“por fora”) é aplicada sobre o valor futuro FV
para produzir o valor presente PV, ao passo que a taxa de desconto i (“por dentro”), ou taxa
de rentabilidade, é aplicada sobre o valor presente PV para produzir o valor futuro FV.
Assim, o valor do desconto “por fora” (Df), ou comercial, é obtido multiplicando-se
o valor futuro FV pela taxa de desconto d por período, e esse produto pelo número de
períodos de desconto n, ou seja:

Df = FV x d x n

UNIDADE I Matemática Financeira 25


O valor presente PV, ou principal, resultante do desconto “por fora” sobre o mon-
tante FV, durante n períodos, com uma taxa de desconto d por período, é obtido, a juros
simples, pela expressão:

PV = montante −descontos = FV − n x FV x d

ou seja:

PV = FV (1 − d x n)

Em que a unidade referencial de tempo da taxa de desconto d deve coincidir com a


unidade referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.

Vejamos um exemplo

a) Calcule o valor do desconto simples de um título de $ 1.000,00, com vencimento


para 60 dias, sabendo-se que a taxa de desconto “por fora” é de 1,5% ao mês.

Solução:

Os dados do problema são os seguintes:

FV = $1.000,00;
n = 60 dias; d = 1,5% ao mês = 1,5%/30 ao dia = 0,05% a.d. = 0,0005 a.d.

Desconto = FV − PV = ?

Sabemos que:

PV = FV (1 − d x n) = $1.000,00 x (1 − 0,0005 x 60) = $970,00

portanto, o desconto “por fora” é igual a (1.000,00 - 970,00) = $ 30,00.

UNIDADE I Matemática Financeira 26


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), nesta unidade trabalhamos as principais fórmulas do regime de


juros simples e demonstramos algumas de suas aplicações em diversos problemas do
mercado.
É importante lembramos que, no regime de juros simples, a taxa de desconto d
(“por fora”, ou comercial) é comumente utilizada apenas com o nome de taxa de desconto,
por ser este o método consagrado pelo mercado nas operações de desconto de títulos
comerciais.
A taxa de juros i (taxa de desconto “por dentro”, ou racional) é mais conhecida como
taxa de rentabilidade.
Tanto a taxa de desconto por dentro, quanto a taxa de desconto por fora são valores
que não correspondem à “verdadeira” taxa de juros (taxa efetiva) da operação, pelo fato do
regime de juros simples ser conceitualmente incorreto, na medida em que só remunera o
capital inicial (principal) aplicado.
O valor nominal de um título (valor de resgate) descontado a juros simples (descon-
to comercial) representa o valor que será creditado na conta corrente do investidor.
Esse é o valor presente do título. Para conhecer a taxa efetiva de desconto da
operação é preciso comparar o valor presente do título com o seu valor nominal, por meio
do cálculo da taxa interna de retorno, que é feita a juros compostos.
A HP-12C dispõe de funções especiais para realizar cálculos no regime de juros
simples. Entretanto os exemplos desta unidade foram desenvolvidos sem o uso dessas
operações especiais da calculadora, pois as fórmulas e expressões de juros simples são de
fácil solução com as operações convencionais de qualquer calculadora.

UNIDADE I Matemática Financeira 27


MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: Matemática Financeira: objetiva e aplicada.
Autores: Abelardo de Lima Puccini e Adriana Puccini.
Editora: Compacta. São Paulo: Saraiva. Ano: 2009.
Sinopse: A maioria dos livros de Matemática Financeira tende
a apresentar a matéria com uma simbologia complexa, e com o
desenvolvimento de fórmulas para cada situação específica, crian-
do, assim, um mito de dificuldade para seu aprendizado. Em sua
10ª edição, este clássico do tema enfatiza o aspecto prático do
assunto, apresentando os conceitos por meio de exemplos resol-
vidos pela calculadora HP-12C e pela planilha eletrônica Excel.
Com este enfoque simples e prático, os conhecimentos adquiridos
neste livro permitem a solução de problemas que envolvem o ma-
nuseio de qualquer fluxo de caixa, independentemente do grau de
complexidade. Essa especificidade faz da obra referência no meio
acadêmico e em concursos públicos de relevantes instituições do
governo.

FILME/VÍDEO
Título: Até que a sorte nos separe
Ano: 2012
Sinopse: Tino (Leandro Hassum) é um pai de família comum que
vê sua vida virar de ponta a cabeça após ganhar na loteria. Le-
vando uma vida de ostentação ao lado da mulher, Jane (Danielle
Winits), ele gasta todo o dinheiro em 15 anos. Ao se ver quebrado,
Tino aceita a ajuda do vizinho Amauri (Kiko Mascarenhas), um
consultor de finanças super burocrático e que por sinal vive seu
próprio drama ao enfrentar uma crise no casamento com Laura
(Rita Elmôr). Tentando evitar que Jane descubra a nova situação
financeira, afinal ela está grávida do terceiro filho não pode passar
por fortes emoções, Tino se envolve em várias confusões para fin-
gir que tudo continua bem. Para isso, conta com ajuda do melhor
amigo, Adelson (Aílton Graça), e dos filhos.

UNIDADE I Matemática Financeira 28


UNIDADE II
Juros Compostos, Descontos
Compostos, Amortização e Depreciação
Professor Me. Antonio Carlos Lázaro Sanches

Plano de Estudo:
- Capitalização e Desconto Compostos
- Depreciação
- O que é Amortização?

Objetivos da Aprendizagem:
- Conhecer o que é juros sobre juros (juros compostos)
- Conhecer sobre Depreciação (desgaste ou perda de utilidade pelo uso dos produtos)
- Estudar a perda do valor dos bens imateriais em razão do tempo (Amortização)

29
INTRODUÇÃO

Certa vez resolvi trocar meu veículo por um novo, mas como eu não tinha todo o
dinheiro para pagar à vista, resolvi financiar uma parte. A concessionária anunciava em sua
vitrine uma taxa de juros de 0,99% ao mês para o financiamento do carro, em 12 parcelas
mensais.

Como ando sempre com minha HP-12C, fui conferir, fazendo os cálculos. Con-
versando com o gerente da loja, ele me informou o seguinte: para financiar o valor de R$
15.000,00, que correspondia à metade do valor de um carro, eu iria pagar 12 parcelas
mensais de R$ 1.375,00, sendo a primeira 30 dias após do fechamento do negócio.

Com essas informações e com a calculadora HP-12C, em alguns segundos, eu


pude conferir se aquela taxa de 0,99% ao mês, divulgada pela empresa vendedora, era a
taxa que realmente custava para mim, como consumidor.

Vamos lá, pegue a sua calculadora HP-12C ou no emulador on-line (que já passei
o link na apresentação deste material) e faça junto comigo:
1. Primeiramente ligue a HP: tecla ON.
2. Apague todas as memórias financeiras de sua HP, pois ela poderá pegar dados
armazenados e fazer o cálculo errado. Para isso aperte duas teclas: digite pri-
meiro a tecla f (amarela) e depois a tecla CLx. Faça isso sempre que você for
começar um novo cálculo. (f CLx).
3. Digite a tecla f e a tecla do número 2 para aparecer duas casas decimais na
HP. Se você quiser que apareça mais casas decimais é só teclar f e número
desejado. (f 2)
4. Observe se no visor está aparecendo o termo BEGIN (ele não deve aparecer,
pois ele serve para cálculos com uma parcela de entrada, que não é o caso,
esse financiamento é sem entrada). Assim, se você digitar a tecla g (azul) e
depois a tecla do número 7 (BEG) irá aparecer o termo BEGIN que serve para
cálculos quanto você já paga uma parcela no ato da compra. Nesse caso, digite

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 30


a tecla g e depois 8 (END), o termo BEGIN irá desaparecer e o cálculo será feito
considerando um financiamento sem entrada, como é esse caso. (g 8)
5. Digite 12, que é o número de parcelas do financiamento e aperte a tecla n. (12 n)
6. Digite 15000, que é o valor financiado, aperte a tecla CHS para ele ficar negativo
(-15.000,00) e digite PV. (15000 CHS PV)
7. Agora digite 1375, que é o valor de cada parcela, e depois a tecla PMT. (1375
PMT)
8. Por último, digite a tecla i, que é a informação que você deseja que a HP-12C
calcule, ou seja, a taxa de juro. (i)

Observe que no visor apareceu 1,50. Caso não tenha aparecido esse valor, fique
tranquilo, refaça todos os passos bem devagar e com cuidado que vai dar certo.
Dessa forma, podemos concluir que a taxa custa 1,50% ao mês para quem comprar
esse carro financiado. Bem diferente da taxa de 0,99% estampada nas vitrines da loja.

Mas, por que você acha que isso acontece?

Neste caso, foi porque a loja informou apenas a taxa de juro do negócio e não
informou que havia outros custos a mais para fazer o financiamento, como o Imposto sobre
Operações Financeiras, taxa para fazer o cadastro do cliente consumidor, taxa para a aber-
tura de crédito etc. Essas outras informações não são apresentadas de maneira clara para
você que é o consumidor, mas estão todas escondidas e são acrescentadas diretamente
no valor das prestações. Se você não ficar atento, pagará todas elas sem perceber e sem
saber que está pagando.

Por isso é muito importante que você saiba fazer o cálculo da taxa correta, pois,
assim, você mesmo descobrirá se há mais valores sendo cobrados no seu financiamento
e não ficará dependendo das informações que lhe forem passadas. Esse é um exemplo de
armadilha que o mercado prepara para os consumidores. Se você estiver preparado, não
será surpreendido(a) por nenhuma delas.

Tosi (2009) explica que a capitalização composta ocorre quando os juros de cada
período são incorporados ao capital, de forma que o resultado renda juros no próximo
período. Veja a representação gráfica:

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 31


Figura 1 - Juros Compostos

Fonte: Tosi (2009).

Vamos agora verificar estas situações e aprender a nos preparar!

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 32


1 CAPITALIZAÇÃO E DESCONTO COMPOSTOS

Veremos nesta unidade que o conceito de juros compostos é muito importante,


uma vez que esse é o sistema indicado para efetuar análises e transformações de fluxos
de caixa de forma conceitualmente correta. Inicialmente, apresentaremos o problema da
capitalização composta, que trata da valorização do dinheiro ao longo do tempo. Em segui-
da, apresentaremos o problema inverso, ou seja, o da diminuição das grandezas futuras,
na medida em que são trazidas para o valor presente, mediante as operações de desconto
composto.

Nos dois casos, os estudos incluem deduções de fórmulas genéricas e suas aplica-
ções em exemplos numéricos, cujas soluções são apresentadas pelo Simulador da HP-12C.

No regime de juros compostos, os juros de cada período, quando não são pagos no
final do período, devem ser somados ao capital e, consequentemente, também passam a
render juros. A esse processo dá-se o nome de capitalização de juros, e como ele acontece
no regime de juros compostos, costuma ser chamado de capitalização composta.

No regime de juros compostos, os juros de cada período são obtidos pela aplicação
da taxa de juros i sobre o capital, aplicado no início do período de capitalização.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 33


Assim, temos:

A. no 1° período de capitalização (n = 1)
capital no início do período = PV
juros do período = PV x i
capital no final do período = FV = PV +PV x i = PV (1 + i)

B. no 2° período de capitalização (n = 2)
capital no início do período = PV (1 + i)
juros do período = PV (1 +i) x i
capital no final do período = FV = PV (1 +i) +PV (1 + i) x i =
= PV (1 +i) x (1 +i)

portanto:
FV = PV (1 +i)²

C. no 3° período de capitalização (n = 3)
A expressão para o valor futuro FV, ou montante, no final do 3° período de capitali-
zação pode ser deduzida de forma análoga, e toma o seguinte aspecto:

FV = PV (1 +i)³

D. no enésimo período de capitalização


A expressão genérica do valor futuro FV, ou montante, resultante da aplicação de
um principal PV durante n períodos de capitalização, com uma taxa de juros i por período,
no regime de juros compostos é:

FV = PV (1 +i)n

em que a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve coincidir com a


unidade referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 34


1.1 Desconto Racional ou Por Dentro

A taxa de desconto i (por dentro, ou racional) é usualmente denominada taxa de


desconto e é muito utilizada pelo mercado financeiro.
Temos que:

PV = FV
(1 + i) n

que fornece o valor do principal PV a partir de FV, em função dos parâmetros n e i.


O valor do desconto “por dentro” (Dd), ou racional, expresso em $, é obtido pela aplicação
da Expressão Genérica para desconto, combinada com a Relação, isto é

Se temos PV, achemos, então, FV. O problema envolvendo o cálculo do valor futuro
FV a partir do valor presente PV consiste na solução da Expressão Genérica (5.1), em que
a relação (1 +i)n precisa ser calculada para os parâmetros i e n.
A expressão (1+i)n pode ser calculada para qualquer valor de i e de n, com a
utilização da HP-12C, basta utilizar das teclas a seguir:

Vamos exemplificar?

Calcule o valor acumulado no final de seis anos, no regime de juros compostos,


com uma taxa efetiva de 10% ao ano, a partir de um investimento inicial (principal) de $
1.000,00.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 35


Solução:

n = 6 anos;
i = 10% ao ano;
PV = $1.000,00;
FV = ?

O primeiro passo é limpar a calculadora: f Clx


O segundo passo é digitar 1000 (que é o valor principal), inverter o sinal clicando
em CHS. Isso deve ser feito, pois a calculadora reconhece a partir da inversão do sinal, que
isto foi a entrada, o principal, como se fosse uma saída de caixa.
Terceiro passo é digitar 10 i
Quarto passo é digitar 6 n
E, por fim, tecle em FV.
A calculadora lhe dará o número 1.771,56. Isto significa que após 6 anos, o capital
de 1000 acumulará 771,56 de juros, permitindo um montante de 1.771,56.

Quando o problema pedir o contrário, dado FV para achar PV. Faça os mesmos
passos, apenas trocando a tecla PV por FV, inclusive mantenha a troca de sinal utilizando
CHS.

Vamos a mais um exercício?

O montante de $ 1.000,00, colocado no final do 4° mês do diagrama indicado a


seguir, deve ser capitalizado e descontado com a taxa de 1% ao mês, no regime de juros
compostos.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 36


Calcule:
a. o valor acumulado no final do 7° mês, pela capitalização do montante de $
1.000,00 indicado no diagrama;

b. o valor que deve ser investido no final do 1° mês, para se obter o montante de $
1.000,00 indicado no diagrama.

Solução:

a. montante no final do 7° mês

Assim, o valor de $ 1.000,00 fica colocado no ponto zero da nova escala de tempo
e deve ser tratado como um valor presente PV, que precisa ser capitalizado três meses para
atingir o final do 7° mês.

Na HP-12C:
● 1000 CHS PV
● 3 n
● 1 i
● FV
O resultado será 1.030,30.

b) principal no final do 1° mês


Nesse caso, para enquadrarmos o problema no Diagrama Padrão, precisaremos
colocar o valor PV (a ser determinado) no ponto zero da nova escala de tempo, conforme
indicado a seguir:

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 37


Assim, o valor de $ 1.000,00 fica colocado no ponto 3 da nova escala de tempo, e
deve ser tratado como um valor presente FV, que precisa ser descontado três meses para
atingir o final do 1° mês.

Na HP-12C:
● 1000 CHS FV
● 3 n
● 1 i
● PV
O resultado será 970,59.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 38


2 DEPRECIAÇÃO

2.1 O que é Depreciação?


É a diminuição do valor dos bens corpóreos em decorrência de desgaste ou perda
de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolescência. Expressa a perda de valor que
os valores imobilizados de utilização sofrem no tempo, por força de seu emprego na gestão.
O encargo da depreciação poderá ser computado como custo ou despesa operacio-
nal, conforme o caso. A depreciação dos bens utilizados na produção será custo, enquanto
a depreciação dos demais bens há de ser registrada como despesa operacional.

O lançamento pode ser


D = DESPESA DE DEPRECIAÇÃO
Ou
C = DEPRECIAÇÃO ACUMULADA

Segundo as leis brasileiras, segue uma tabela de depreciação:

Tabela 1 - Tabela de Depreciação


Fonte: Dominium Contabilidade (2020).

Alguns bens não se depreciam, como:


● Terrenos, salvo em melhoramentos ou construções;
● Bens que normalmente aumentam de valor com o tempo, como obra de arte;
● Prédios e construções não alugados nem utilizados por seu proprietário na
produção de seus rendimentos ou imóveis destinados à venda.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 39


2.2 Como Calculamos Depreciação?

2.2.1 Método linear (ou quotas constantes)


É o método que contabiliza, como despesa ou custo, uma parcela constante do
valor do bem em cada período.

Exemplo:
A empresa comprou, no início de janeiro, um veículo com vida útil estimada de 5
anos pelo valor de $ 30.000,00, sem valor residual estimado. Qual será o valor da depre-
ciação?

No final do primeiro ano, deverá reconhecer a despesa de depreciação de $30.000,00


: 5 = $ 6.000,00 por ano.
Para calcularmos o valor da depreciação mensal, para efeito de apuração de resul-
tados mensais, basta dividir o valor da depreciação anual por 12:
R$ 6.000,00 : 12 = R$ 500,00 por mês.

Se considerarmos um valor residual de R$ 3.000,00, o valor anual da depreciação


será:

($ 30.000,00 - $ 3.000,00) : 5 = $ 5.400,00 por ano.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 40


Para calcularmos o valor da depreciação mensal, para efeito de apuração de resul-
tados mensais, basta dividir o valor da depreciação anual por 12:

R$ 5.400,00 : 12 = R$ 450,00 por mês.

A contabilização do valor da depreciação mensal será efetuada da seguinte forma:


débito de despesa de depreciação e crédito da conta Depreciação Acumulada, portanto o
lançamento será:

Débito – Despesa de Depreciação $ 450,00


Crédito – Depreciação Acumulada $ 450,00

No final do primeiro ano, o Ativo Imobilizado da empresa deverá ser apresentado no


Balanço Patrimonial da seguinte forma:

Veículos $ 30.000,00

(-) Depreciação Acumulada ($ 6.000,00) $ 24.000,00

Dessa forma, o leitor do balanço saberá a idade aproximada do Ativo Imobilizado


da empresa.

2.2.2 Método soma dos dígitos


Esse método consiste em somar os algarismos desde a unidade até o algarismo
que representa o número de anos da vida útil do bem. No exemplo do item anterior, sem
considerar o valor residual, teríamos:
1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15

Quota do 1o. Ano = 5/15 x $ 30.000 = $ 10.000


Quota do 2o. Ano = 4/15 x $ 30.000 = $ 8.000
Quota do 3o. Ano = 3/15 x $ 30.000 = $ 6.000
Quota do 4o. Ano = 2/15 x $ 30.000 = $ 4.000
Quota do 5o. Ano = 1/15 x $ 30.000 = $ 2.000
soma = $ 30.000

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 41


Nesse método, o valor mensal da depreciação:

no primeiro ano, seria de R$ 10.000,00 : 12 = R$ 833,33.


no segundo ano, seria de R$ 8.000,00 : 12 = R$ 666,67.
no terceiro ano, seria de R$ 6.000,00 : 12 = R$ 500,00.
no quarto ano, seria de R$ 4.000,00 : 12 = R$ 333,33.
no quinto ano, seria de R$ 2.000,00 : 12 = R$ 166,67

2.2.3 Método saldo decrescente


Também denominado método de Matheson ou Exponencial, ou ainda método da
porcentagem fixa sobre o valor contábil.

Em que n é o número estimado de anos da vida útil do bem.

Usando o exemplo anterior e supondo um valor residual de R$ 1.500, teríamos:

% anual = 1 – 0,54928
% anual = 0,45072 ou 45,072%
Quota do 1o. Ano = 45,072% x 30.000 = $ 13.521,60
Quota do 2o. Ano = 45,072% x 16.478,40 = $ 7.427.15
Quota do 3o. Ano = 45,072% x 9.051,25 = $ 4.079,58
Quota do 4o. Ano = 45,072% x 4.971,67 = $ 2.240,83
Quota do 5o. Ano = 45,072% x 2.730,84 = $ 1.230,84
Total = $ 28.500,00

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 42


Nesse caso, a depreciação mensal seria de:
No primeiro ano = R$ 13.521,60 : 12 = R$ 1.126,80
No segundo ano = R$ 7.427,15 : 12 = R$ 618,93
No terceiro ano = R$ 4.079,58 : 12 = R$ 339,97
No quarto ano = R$ 2.240,83 : 12 = R$ 186,74
No quinto ano = R$ 1.230,84 : 12 = R$ 102,57

O inconveniente desse método é a necessidade de um valor residual para proceder


o cálculo da depreciação.

SAIBA MAIS
Exemplo de depreciação de um Congelador
• Vida útil determinada pelo empresário = 4 anos
• Valor de aquisição = 4.800
• Valor residual (valor do mesmo congelador com 4 anos de uso) = 2.400
• Valor Depreciável = Valor contábil - Valor residual
• Valor Depreciável = 4.800 - 2.400 = 2.400
• Taxa anual de depreciação = 25% a.a.
• Depreciação no primeiro ano = 600
• No segundo ano:
• Valor contábil = 4.800 - 600 = 4.200
• Valor residual do congelador, agora para 3 anos = 1.800 (valor deve ser avaliado ano
a ano)
• Valor depreciável = 4.200 - 1.800 = 2.400
• Taxa de depreciação no segundo ano = 33,3333%
• Depreciação no segundo ano = 800
• No terceiro ano:
• Valor contábil = 4.200 - 800 = 3.400
• Valor residual do congelador, agora com 2 anos de uso e mais dois anos a usar = 1.000
• Valor depreciável = 3.400 - 1000 = 2.400
• Taxa de depreciação no terceiro ano = 50%
• Depreciação no terceiro ano = 1.200
• No último ano:
• Valor contábil = 3.400 - 1.200 = 2.200
• Valor residual, nesta data, é igual ao valor de mercado = 1.100
• Valor Depreciável = 2.200 - 1.100 = 1.100
• Taxa de depreciação no quarto ano = 100%
• Depreciação no quarto ano = 1.100
Como consequência, o valor contábil estará refletindo o valor recuperável do ativo. Caso
o empresário resolva continuar a usar o congelador, deverá ele estipular nova vida útil e
o valor contábil de partida será os 1.100.
Autor (2020).

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 43


3 O QUE É AMORTIZAÇÃO?

É a perda do valor dos bens imateriais em razão do tempo. Enquanto a depreciação


é usada para os bens materiais (tangíveis), a amortização é usada para os bens imateriais
(intangíveis), como benfeitorias e imóveis de terceiros, marcas e patentes, despesa de
organizações etc.
A amortização dos componentes do intangível sujeita-se a dois prazos:
● Um mínimo de cinco anos, para fins fiscais;
● Um máximo de dez anos, que é aplicável a todas as pessoas jurídicas que
possuam escrituração contábil regular.

O LANÇAMENTO SER D = AMORTIZAÇÃO E C = AMORTIZAÇÃO ACUMULADA

3.1 Quais são os métodos de amortização?


Os dois métodos mais utilizados são: Sistema de Amortização Progressivo (SAP,
PRICE ou Sistema Francês) e Sistema de Amortização Constante (SAC).
O primeiro método, conhecido também como Price ou Francês, utiliza-se da Tabela
Price e é um método usado em amortização de empréstimo, cuja principal característica é
apresentar prestações (ou parcelas) iguais. O método foi apresentado em 1771 por Richard
Price em sua obra Observações sobre Pagamentos Remissivos (em inglês: Observations
on Reversionary Payments).

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 44


O método foi idealizado pelo seu autor para pensões e aposentadorias. No entanto,
foi a partir da 2ª Revolução Industrial que sua metodologia de cálculo foi aproveitada para
cálculos de amortização de empréstimo.
A Tabela Price usa o regime de juros compostos para calcular o valor das parcelas
de um empréstimo e, dessa parcela, qual é a proporção relativa aos pagamentos dos juros
e a amortização do valor emprestado.
Tomemos como exemplo um empréstimo de $ 1.000,00, com taxa de juros de 3%
ao mês a ser pago em 4 parcelas mensais. Para calcular o valor da parcela, deve-se usar
a fórmula de juros compostos combinada com a da progressão geométrica, resultando em:

Um mês depois do empréstimo, o saldo devedor cresce 3% indo para $ 1.030,00,


porém, como também deve ocorrer o pagamento de $ 269,03, o saldo devedor passa a ser
$ 760,97. Perceba que o pagamento da parcela cobriu os juros de $ 30,00 e também fez a
amortização de $ 239,03 (269,03 - 30,00) do valor emprestado. O mesmo ocorre nos meses
seguintes, porém, como o saldo devedor diminui a cada mês, o valor das parcelas relativo
ao pagamento dos juros é decrescente.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 45


Quadro 1 - Tabela de Amortização

Fonte: o autor.

SAIBA MAIS
Tabela Price no Brasil
No Brasil, a interpretação matemática da existência de juro composto na Tabela Price
fica condicionada a fórmula anterior, que estabelece como regra geral na formação dos
juros embutidos nas parcelas uma progressão Geométrica decrescente, ou seja, do
maior para o menor. Vale ressaltar que juros compostos é uma unidade de medida,
assim como juros contínuos ou juros simples. Em uma mesma série de pagamentos,
podemos medir o custo financeiro por diversas unidades de medida, especialmente ju-
ros compostos e juros contínuos. A proibição legal no Brasil é a cobrança de juros sobre
juros já cobrados do mutuário.
Apesar de amplamente utilizada em todo o mundo ocidental, a metodologia de cálculo é
discutida em alguns países do mundo, por ser o único sistema que permite o pagamento
em parcelas iguais e periódicas ao longo do prazo do empréstimo.
Embora a tabela Price seja também muito utilizada no Brasil pelo mercado e segmentos
financeiros, seu uso tem sido contestado perante o judiciário, uma vez que a legislação
brasileira permite o uso de juros compostos somente em determinadas operações que
possuam previsão legal.
“A aplicação da Tabela Price aos contratos de prestações diferidas no tempo impõe
excessiva onerosidade aos mutuários devedores do SFH, pois no sistema em que a
mencionada Tabela é aplicada, os juros crescem em progressão geométrica, sendo que,
quanto maior quantidade de parcelas a serem pagas, maior será a quantidade de vezes
que os juros se multiplicam por si mesmos, tornando o contrato, quando não impossí-
vel de se adimplir, pelo menos abusivo em relação ao mutuário, que vê sua dívida se
estender indefinidamente e o valor do imóvel exorbitar até transfigurar-se inacessível e
incompatível ontologicamente com os fins sociais do Sistema Financeiro da Habitação.”
(Delgado, 2005) Porém, este é o único método que permite pagamentos iguais ao longo
do período.
É muito conhecido o trecho do texto de Price para definir a transferência de renda pelo
juro composto de suas tabelas:
Um centavo de libra emprestado na data de nascimento de nosso Salvador a um juro
composto de cinco por cento teria, no presente ano de 1781, resultado em um montan-
te maior do que o contido em DUZENTOS MILHÕES de Terras, todas de ouro maciço.
Porém, caso ele tivesse sido emprestado a juro simples ele teria, no mesmo período,
totalizado não mais do que SETE XELINS E SEIS CENTAVOS. (Nogueira, 2002, Tabela
price da Prova Documental e Precisa elucidação de seu anatocismo)
Fonte: Wikipedia (2020b).

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 46


3.2 Sistema de Amortização Constante (SAC)
Sistema de Amortização Constante (SAC) é uma forma de amortização de um em-
préstimo por prestações que incluem os juros, amortizando, assim, partes iguais do valor
total do empréstimo.
Nesse sistema o saldo devedor é reembolsado em valores de amortização iguais.
Dessa forma, no sistema SAC o valor das prestações é decrescente, já que os juros dimi-
nuem a cada prestação. O valor da amortização é calculado dividindo-se o valor do principal
pelo número de períodos de pagamento, ou seja, de parcelas.
O SAC é um dos tipos de sistema de amortização utilizados em financiamentos
imobiliários. A principal característica do SAC é que ele amortiza um percentual fixo do
saldo devedor desde o início do financiamento. Esse percentual de amortização é sempre
o mesmo, o que faz com que a parcela de amortização da dívida seja maior no início do
financiamento, fazendo com que o saldo devedor caia mais rapidamente do que em outros
mecanismos de amortização.

Exemplo
Um empréstimo de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) a ser pago em 12 meses
a uma taxa de juros de 1,0% ao mês (em juros simples), aplicando a fórmula para obtenção
do valor da amortização iremos obter um valor igual a R$ 10.000,00. Essa fórmula é o valor
do empréstimo solicitado dividido pelo período, sendo, nesse caso: R$ 120.000,00 / 12
meses. Logo, a tabela SAC fica:

Quadro 2 - Sistema de Amortização Constante

Fonte: o autor.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 47


Note que o juro é sempre 1,0% do saldo devedor do mês anterior, a prestação é
a soma da amortização e o juro. Sendo assim, o juro é decrescente e diminui sempre na
mesma quantidade, R$ 100,00. O mesmo comportamento tem as prestações. A soma das
prestações é de R$ 127.800,00. Gerando juros de R$ 7.800,00.
Outra coisa a se observar é que as parcelas e juros diminuem em progressão
aritmética (PA) de r = -100.

SAIBA MAIS
Fórmulas:
A=cte
Rk=[(n-k+1).i+1].P/n
Rk=A+Jk
A=P/n
Jk=(n-k+1).i.P/n
em que:
P: Financiamento
n: Quantidade de Prestações
i: taxa de juros
Rk: Prestação
A: Parcela da Amortização
Jk: Parcela do Juro k
Fonte: Wikipedia (2020a).

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 48


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), esta unidade trouxe os conceitos mais importantes sobre capita-
lização e desconto compostos, bem como depreciação e amortização.
São conceitos que você utilizará muito em sua vida profissional. Atualmente muitas
empresas de assessoria financeira e/ou contábil contratam profissionais dessa área, pois
muitas pessoas não gostam ou não sabem trabalhar com esses temas. Pense que isso
pode ser um diferencial muito importante na sua carreira.

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 49


MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: Introdução À Matemática Financeira
Autores: Clovis de Faro; Gerson Lachtermacher; Jonathan Her-
nandes Marcantonio.
Editora: Saraiva
Ano: 2012
Sinopse: Este livro examina conceitos fundamentais da matemá-
tica financeira: juros (simples e compostos), regimes de capitaliza-
ção, diversos tipos de taxas (proporcionais, equivalentes, efetivas,
nominais, reais, aparentes, over), operações de desconto, equiva-
lência financeira, anuidades (constantes e variáveis), amortização
de débitos, correção monetária (indexação) e avaliação e seleção
de projetos. Nos numerosos exercícios, muitos dos quais solucio-
nados passo a passo, adota-se o uso da calculadora científica HP
12C e do Excel, aproximando o conteúdo à realidade do mercado.
Fruto da organização conjunta de Clovis de Faro e Gerson La-
chtermacher, autores com vasta experiência no assunto, trata-se
de obra essencial para estudantes e profissionais das áreas de
administração, engenharia de produção, informática, economia e
contabilidade.

FILME/VÍDEO
Título: JURO COMPOSTO - Vivendo a Matemática - Professora
Angela
Data: 16/04/2020
Descrição do Vídeo:
Olá Pessoal!!!
A pedidos de inscritos o vídeo de hoje é sobre JURO COMPOSTO.
Dando continuidade no estudo da semana passada, este conteúdo
sobre matemática financeira é muito estudado para as avaliações
de concursos.
Podemos dizer que a diferença entre Juro Simples e Juro Composto
é que o juro simples é calculado sobre o capital a uma determina-
da taxa de juro em certo período de tempo, já o juro composto é
calculado sobre o capital apenas no primeiro período; nos demais
períodos é calculado sobre o montante obtido no período anterior.
Neste vídeo temos três exemplos que irão explicar essa diferença
de forma simples e fácil.
Espero que vocês gostem do vídeo e cliquem em gostei para que
mais pessoas possam visualizá-lo e aprender com ele.
Obrigada e um grande abraço.
Professora Angela.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PoPgLqVZKro

UNIDADE II Juros Compostos, Descontos Compostos, Amortização e Depreciação 50


UNIDADE III
Análise de Investimentos
Professor Me. Antonio Carlos Lázaro Sanches

Plano de Estudo:
- Método determinístico de Análise de Investimentos
- Método de Valor Anual Uniforme Equivalente
- Taxa de Atratividade (TMA)
- Método do Valor Presente Líquido (VPL)
- Método da Taxa Interna de Retorno (TIR)
- Métodos não Exatos
- Árvore de Decisão

Objetivos da Aprendizagem:
- Conhecer qual método será utilizado para Análise de Investimento
- Conhecer uma série uniforme equivalente a todos os custos e receitas
- Medir a Taxa Mínima de Atratividade e analisar se o investidor está obtendo ganhos
financeiros
- Conhecer as Vantagens e Desvantagens do Valor Presente Líquido
- Estudar os métodos não exatos
- Estudar a árvore de decisão

51
INTRODUÇÃO

Diversas pessoas que lidam com projetos de investimentos se deparam com a es-
colha de alternativas que envolvem estudos econômicos. E o pior, é muito comum vermos
essas pessoas fazerem suas escolhas sem que o custo do capital empregado seja consi-
derado de maneira correta. Somente um estudo econômico pode confirmar a viabilidade de
projetos tecnicamente corretos.
Neste material, nós veremos parte do que os estudiosos chamam de “Engenharia
Econômica”. Tal engenharia objetiva a análise econômica de decisões sobre investimentos
e tem muitas aplicações, pois os investimentos poderão ser de empresas privadas, públicas
ou mesmo investimentos pessoais.
Alguns exemplos de problemas que estudaremos são:
● Temos o dinheiro, é melhor comprar o veículo a vista ou a prazo
● Construir uma indústria com esteira para transportar materiais ou fazer o trans-
porte manualmente
● Utilizar tubo de maior ou menor diâmetro para a construção de uma rede de
abastecimento de águas

REFLITA
É importante entender que as técnicas de avaliação de investimentos são tão somente
instrumentos de apoio à tomada de decisão. Outros fatores de decisão, como objetivos
estratégicos, aspectos econômicos, políticos e gerenciais, são também relevantes na
seleção de projetos de investimentos.
Fonte: Puccini e Puccini (2011).

Sempre que formos fazer uma análise sobre investimentos, devemos considerar
seus os aspectos econômicos, ou seja, devemos nos preocupar com a rentabilidade. Apli-
cando corretamente os critérios econômicos, poderemos saber quais investimentos são
rentáveis ou não. Ou ainda como poderemos aplicar dinheiro de maneira a obter maior
retorno.

UNIDADE III Análise de Investimentos 52


Mas de nada adianta analisarmos a rentabilidade dos rendimentos se não possuir-
mos o dinheiro para aplicar, nem termos a possibilidade de conseguir financiamentos. Os
investimentos mais rentáveis deverão ser analisados de acordo com critérios financeiros,
os quais mostraram os efeitos do investimento na situação financeira da empresa, ou seja,
como o investimento poderá afetar o capital de giro da empresa.
Além do supracitado, existem fatores a serem analisados que não são conversíveis
em dinheiro. A decisão de se implantar um projeto deve considerar três critérios relevantes:
● Econômico: rentabilidade do investimento;
● Financeiro: disponibilidade de recursos;
● Imponderáveis: fatores não conversíveis em dinheiro.

Esse último critério trata das repercussões de um investimento que não são direta-
mente conversíveis em dinheiro, por isso chamado de imponderáveis. Um exemplo: investir
para manter o nível de emprego. Manter a satisfação do cliente, dentre outros. Geralmente
quem faz a análise desse último critério não somos nós, gestores do projeto, mas sim a alta
administração da organização.
De acordo com Filho e Kopittke (2008), é conveniente ter em mente que para se fazer
um estudo econômico adequado, alguns princípios básicos devem ser considerados, como:
● Observar alternativas de investimento. De nada adianta calcular se é vantajoso
comprar algo a vista se não há condição de conseguir dinheiro para isso.
● Expressar as alternativas sempre em dinheiro. Não há como comparar 200 ho-
ras/mensais de mão de obra com 200 Kwh de energia. Convertendo os dados
em dinheiro teremos um denominador comum muito prático.
● Considerar apenas as alternativas. Por exemplo, numa análise para decidir
sobre o tipo de motor a comprar, não é relevante saber o consumo de energia
se for igual para os dois.
● Mensurar sempre os juros sobre o capital empregado. Sempre existe alguma
maneira de empregar o dinheiro de modo que ele renda alguma coisa. Quando
aplicamos o dinheiro em um projeto devemos ter certeza de ser esta a coisa
mais rentável a se fazer.
● Não considerar o passado, pois o que interessa é o presente e o futuro. Não
posso dizer: “este carro não pode ser vendido por menos que 30.000,00, pois
eu gastei muito com ele em oficina”. Isto não existe. O que realmente importa é
o valor de mercado do carro.

UNIDADE III Análise de Investimentos 53


1 MÉTODO DETERMINÍSTICOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Para que o método de análise de um projeto seja definido, temos antes que definir
qual é o objetivo da empresa que está elaborando e analisando o projeto.
Não faz muito tempo, as empresas apenas pensavam no lucro ao final do ano ao
fazerem um projeto. Porém os objetivos das empresas mudaram, assim como mudaram
também os modelos de gestão com o passar dos tempos.

REFLITA
O método determinístico é um modelo matemático que resulta em um conjunto de saí-
das, com base no conjunto de entradas iniciais conhecidas.
Fonte: Render et al. (2017).

Para uma análise sob esse enfoque, é necessário utilizarmos o conceito de “custo
de recuperação do capital”. De acordo com Filho e Kopittke (2008), antigamente as empre-
sas normalmente utilizavam a contabilidade de custos conjugada à contabilidade financeira.
Com isso, todo investimento feito era amortizado em determinada quantidade de anos, sob
a forma de depreciação. A recuperação do capital era lançada a uma taxa zero.

UNIDADE III Análise de Investimentos 54


Pelo conceito de equivalência, deve haver uma taxa tal que torne equivalente
o investimento feito e sua recuperação. E é esta taxa que determina o custo do capital
investido a ser lançado como despesa. Por isso é interessante que a empresa separe as
contabilidades!
Utilizamos três1 métodos de análises de investimentos que se ajustam a tais
conceitos:
1. Método do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE): consiste em achar uma
série uniforme equivalente a todos os custos e receitas para cada alternativa. A
alternativa que tiver o maior saldo positivo é a melhor.
2. Método do Valor Presente Líquido (VPL): calcula o valor presente equivalente
das saídas de fluxo de caixa de cada alternativa, somando-o ao investimento
inicial. A opção que apresentar o Valor Presente Líquido Total mais positivo é a
melhor. A taxa utilizada para descontar o fluxo de caixa é a TMA2.
3. Método da Taxa Interna de Retorno (TIR): taxa para qual a saída do fluxo de
caixa proveniente de um investimento é equivalente ao valor inicial investido, ou
seja, é a taxa que zera os ganhos do investidor. Esse método calcula a TIR de
todas as alternativas para compará-las com a TMA definida. Os investimentos
com TIR maior que a TMA são consideráveis rentáveis.

Esses métodos são equivalentes e, se bem aplicados, conduzem ao mesmo resul-


tado. Porém cada um se adapta melhor a um determinado tipo de problema. Veremos cada
um deles brevemente.

1 O nosso objetivo não é aprofundar nos métodos, pois você terá esses conteúdos aprofundados em
seu curso mais adiante, em outras disciplinas.
2 Taxa Mínima de Atratividade é a taxa a partir da qual o investidor considera que está obtendo ganhos
financeiros. É uma taxa associada a um baixo risco, ou seja, qualquer sobra de caixa pode ser aplicada, na
pior das hipóteses, na TMA. Geralmente é utilizada a SELIC (taxa básica de juros da economia), a TJLP (Taxa
de Juros de Longo Prazo) e/ou a TR (Taxa Referencial).

UNIDADE III Análise de Investimentos 55


2 MÉTODO DE VALOR ANUAL UNIFORME EQUIVALENTE (VALUE)

Como já mencionado, o VALUE consiste em achar uma série uniforme equivalente


a todos os custos e receitas para cada alternativa. A alternativa que tiver o maior saldo posi-
tivo é a melhor. Porém os mais utilizados são a TIR e o VPL. Como custo de oportunidade,
temos o conceito de TMA que veremos adiante.

UNIDADE III Análise de Investimentos 56


3 A TAXA DE ATRATIVIDADE (TMA)

Como já mencionado, ao considerarmos uma proposta de investimentos, devemos


levar em conta que estamos perdendo a oportunidade de aplicarmos esses recursos em
outras coisas. Por exemplo, se eu investir $ 100 mil na compra de um equipamento, eu
posso ter que deixar de investir esse dinheiro em ações ou na própria poupança, e ainda
quem sabe num outro projeto. Porém, como as oportunidades são várias, nós devemos
levar em consideração algumas opções de fácil acesso e um tanto quanto seguras.
No Brasil, para pessoas físicas, é comum a TMA ser igual à rentabilidade da pou-
pança. Para pessoas jurídicas, a determinação da TMA é mais complexa e depende do
prazo do investimento ou da importância estratégica das alternativas.
Agora, quando vamos fazer comparações de curto prazo, como comprar uma com-
ponente da produção hoje com desconto ou daqui a dez dias sem desconto, utilizamos a
remuneração dos títulos bancários de curto prazo como os CDBs.

UNIDADE III Análise de Investimentos 57


4 MÉTODO DO VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)

De acordo com Groppelli e Nikbakht (2006), existem vantagens e desvantagens


neste método.
O método do valor presente líquido tem três vantagens importantes. Primeira, ele
usa os fluxos de caixa em lugar dos lucros líquidos. Fluxos de caixa (lucros líquidos +
depreciação) incluem a depreciação como uma fonte de fundos. Isso funciona porque a de-
preciação não é um desembolso de caixa no ano em que o ativo é depreciado. Ao contrário
da contabilidade, no campo das finanças considera-se o fluxo de caixa em lugar dos lucros
líquidos. Portanto, a abordagem do VPL, ao contrário do método da taxa média de retorno,
é consistente com a moderna teoria financeira.
Segunda, o método do VPL, ao contrário dos métodos da taxa média de retorno
e do período de amortização (payback), reconhece o valor do dinheiro no tempo. Quanto
maior o tempo, maior o desconto. Ou, simplificando, se os fluxos de caixa de um projeto,
com risco médio, são descontados a 10%, um outro projeto com um maior grau de risco
deve ser descontado a uma taxa superior à de 10%. Portanto, o valor do dinheiro no tempo
para um projeto está refletido na taxa de desconto que deve ser selecionada com cuidado
pelo analista financeiro. Geralmente, a taxa de desconto tende a se elevar caso a oferta
monetária esteja escassa e haja expectativa de elevação da taxa de juros.
Terceira, aceitando somente projetos com VPL positivos, a companhia também
aumentará o seu valor. Um aumento no valor da companhia, na realidade, é um aumento no

UNIDADE III Análise de Investimentos 58


preço das ações ou na riqueza dos acionistas. O método do VPL do orçamento de capital
deve, portanto, no final das contas, acarretar maior riqueza aos acionistas. Já que o objetivo
da moderna administração financeira é aumentar, continuamente, a riqueza dos acionistas,
o método do VPL deve ser visto como a técnica mais moderna de orçamento de capital.
Existem, entretanto, algumas limitações à abordagem do VPL. O método supõe
que a administração seja capaz de fazer previsões detalhadas dos fluxos de caixa dos anos
futuros. Na realidade, entretanto, quanto maior o período, mais difícil a estimativa dos fluxos
de caixa futuros. Os fluxos de caixa futuros são influenciados pelas vendas futuras, pelos
custos da mão-de-obra, dos materiais e dos custos indiretos de fabricação, pelas taxas de
juros, pelos gostos dos consumidores, pelas políticas governamentais, pelas mudanças
demográficas etc.
A superestimação ou subestimação dos fluxos de caixa futuros podem levar à
aceitação de um projeto que deveria ser rejeitado, ou à rejeição de um projeto que deveria
ser aceito. Além do mais, o método do VPL supõe que a taxa de desconto seja a mesma
durante todo o projeto. No exemplo precedente você descontou os fluxos de caixa a 10%
durante quatro anos, porém uma taxa de desconto de 10% pode não ser realista. A taxa
de desconto de um projeto, tal como a taxa de juros, na realidade, muda de um ano para o
outro.
A taxa de desconto pode ser afetada por oportunidades de reinvestimento de fluxos
de caixa futuros, pelas taxas de juros futuras e pelos custos de levantamento de novos
capitais. O problema pode ser resolvido pela previsão das taxas de juros futuras e, então,
pelo desconto do fluxo de caixa de cada ano futuro pela taxa de desconto prevista. Embora
essa seja uma sugestão inteligente, você há de concordar que a predição de uma taxa de
juros para os próximos cinco ou dez anos é tão incerta quanto os resultados de se lançar
uma moeda cinco ou dez vezes! Contudo, não obstante tais limitações, o método do VPL é
ainda o melhor método de orçamento de capital.

UNIDADE III Análise de Investimentos 59


5 MÉTODO DA TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)

De acordo com Groppelli e Nikbakht (2006), existem vantagens e desvantagens


nesse método, veja a seguir.

5.1 Vantagens e Desvantagens


Numerosas pesquisas têm mostrado que, na prática, o método da TIR é mais uti-
lizado que a abordagem do VPL. A razão disso pode ser atribuída à facilidade de cálculo
da TIR, parecida com a TMR; porém, ao usar os fluxos de caixa e ao reconhecer o valor
do dinheiro no tempo, parece-se com o VPL. Em outras palavras, embora a TIR seja fácil e
compreensível, ela não possui as restrições da TMR e do período de amortização (payba-
ck), pois ambos os métodos ignoram o valor do dinheiro no tempo.
O principal problema com o método da TIR é que ele, muitas vezes, fornece taxas
de retorno não-realistas. Suponha uma taxa mínima de retorno de 11% e uma TIR calculada
de 40%. Isso significa que a administração deve aceitar imediatamente o projeto por causa
da sua TIR de 40%? A resposta é não! Uma TIR de 40% implica em a companhia ter uma
oportunidade de reinvestir seus fluxos de caixa futuros à taxa de 40%. Se a experiência
passada e a economia indicarem que os 40% representam uma taxa não-realista para
futuros investimentos, então uma TIR de 40% é suspeita. Falando francamente, uma TIR
de 40% é muito boa para ser verdade! A menos que a TIR calculada seja uma taxa razoável

UNIDADE III Análise de Investimentos 60


para reinvestimento dos fluxos de caixa futuros, ela não deve servir como parâmetro de
aceitação ou rejeição de um projeto.
Um outro problema com o método da TIR é que ele pode fornecer diferentes taxas
de retorno. Suponha que haja duas taxas de desconto (duas TIRs) que tornem o valor pre-
sente igual ao investimento inicial. Nesse caso, qual taxa deve ser usada na comparação
com a taxa mínima? A finalidade dessa pergunta não é resolver os casos em que haja
diferentes TIRs, mas que você saiba que o método da TIR, não obstante sua popularidade
no mundo dos negócios, apresenta mais problemas do que imagina um profissional.

UNIDADE III Análise de Investimentos 61


6 MÉTODO NÃO EXATOS

Os três métodos exatos, VPL, VALUE e TIR são equivalentes e ajustam-se per-
feitamente ao conceito de “equivalência” da matemática financeira. Alguns analistas, no
entanto, ainda utilizam métodos não exatos. Não é nosso interesse nos aprofundar, mas
sim passar brevemente por eles apenas para conhecimento.

O principal método não exato é o do tempo de recuperação do capital investido, o


famoso PAYBACK. Ele mede o tempo necessário para que o somatório das parcelas anuais
seja igual ao investimento inicial. Esse método não leva em consideração a vida do inves-
timento, e pode ser dificultada sua aplicação quando o investimento inicial se der por mais
de um ano ou quando os projetos comparados tiverem investimentos iniciais diferentes.

Veja um exemplo baseado em Groppelli e Nikbakht (2006):

A Companhia ABC planeja investir num projeto que tem um desembolso inicial de
$ 3.700. Ela previu que o projeto proporcionará entradas de caixa regulares de $ 1.000
no ano 1, de $ 2.000 no ano 2, de $ 1.500 no ano 3 e de $1.000 no ano 4. Se a empresa
tivesse como meta um período de amortização (payback) de três anos, você recomendaria
que esse projeto fosse aceito?

UNIDADE III Análise de Investimentos 62


Solução:

As informações anteriores devem ser reescritas no seguinte formato:

Quadro 1 - Fluxo de Caixa

Fonte: o autor.

Você pode ver por essa informação que após dois anos a empresa terá recuperado
$ 3.000 dos seus $ 3.700 investidos. Então, calculemos a proporção do terceiro ano que a
empresa precisará para recuperar os $ 700 restantes do seu investimento inicial ($3.700
– $3.000 = $700). Para fazer isso, simplesmente dividimos os $ 700 pela entrada de caixa
do terceiro ano:

700/1.500 = 0,47

Em termos redondos, 0,47 de um ano é, aproximadamente, 24 semanas (0,47 x


52 semanas = 24 semanas), perfazendo um total de 2 anos e 24 semanas antes que o
investimento seja recuperado.
A seguir, compare esse período de recuperação com o período-meta para ver se
a empresa deve prosseguir com o investimento. Nesse caso, o período de recuperação
efetivo (2 anos e 24 semanas) é menor que o período-meta de 3 anos. Portanto, o projeto
é aceitável.
Ainda de acordo com os autores existem vantagens e desvantagens na utilização
do método.

6.1 Vantagens e Desvantagens


O método do período de recuperação do investimento tem várias vantagens e des-
vantagens. A principal vantagem é que esse método é fácil de usar. Não é necessário fazer
cálculos complicados para encontrar quantos anos um projeto demora para recuperar o seu
investimento inicial. O período de recuperação do investimento também é fácil entender.

UNIDADE III Análise de Investimentos 63


Portanto, quando os analistas precisam de uma medida rápida do risco, eles podem usar o
método do período de recuperação para ver se o capital investido será recuperado em um
período razoável de tempo.
O método do período de recuperação do investimento, não obstante sua simpli-
cidade, pode ser de valia mesmo para as maiores corporações multinacionais. Para tais
empresas, eventos políticos — tais como a nacionalização de setores num país estrangeiro
— são as principais fontes de risco. Em termos de possíveis eventos políticos, então, quanto
menor o período de recuperação do investimento, menor o risco do projeto. O método do
período de recuperação de investimento, portanto, pode ajudar as empresas a medir o risco
de perder o capital em países estrangeiros.
A principal desvantagem desse método é ignorar completamente o valor do dinhei-
ro no tempo. No método do período de recuperação de investimento, não existe diferença
entre o valor de uma entrada de caixa de $ 100 no primeiro ano e o mesmo montante de
entrada de caixa um ano depois. Além do mais, o método do período de recuperação não
leva em consideração as entradas de caixa produzidas após o período em que o investi-
mento inicial foi recuperado. Por causa desses graves obstáculos, o método do período
de recuperação de investimento não deve ser visto como uma abordagem muito boa ao
orçamento de capital.
Vimos os métodos convencionais mais utilizados para a análise de um projeto. De
acordo com esses métodos, o trabalho do gestor seria basicamente avaliar o risco, escolher
uma taxa de desconto apropriada e calcular o valor presente dos fluxos de caixa.
De acordo com Samanez (2009), na prática, essa tarefa não é tão simples e vai
muito além disso. Uma vez conhecidas as possíveis falhas do projeto, o gestor pode decidir
se investe mais em informação, como uma melhor pesquisa de mercado, por exemplo.
Pode-se decidir investir mais em um novo processo tecnológico com o objetivo de confirmar
a qualidade, durabilidade, resistência etc. Ou seja, o projeto não é algo estático!
Sendo assim, abordaremos algumas técnicas usadas no planejamento e controle
de um projeto de investimento, de modo que o gestor possa ter uma visão melhor da sen-
sibilidade do empreendimento às mudanças nas principais variáveis.
De acordo com Samanez (2009), para conseguir uma análise econômica robusta,
deve-se examinar o impacto das diversas fontes de risco sobre o VPL do projeto. Isso pode
ser feito por meio de algumas técnicas, das abordaremos nesta unidade.

UNIDADE III Análise de Investimentos 64


7 ÁRVORE DE DECISÃO

A árvore de decisão é uma metodologia gráfica de verificar as consequências de


decisões atuais e futuras, bem como os eventos aleatórios relacionados. Esse método
nos possibilita o entendimento e o controle de um número expressivo de problemas de
investimentos sujeitos a riscos.
De acordo com Samanez (2009), essa metodologia consiste num meio de mostrar
a anatomia de uma decisão de investimento, assim como a interação entre decisão pre-
sente, eventos possíveis, atitudes de competidores e possíveis decisões futuras e suas
consequências.
Esse método aborda dois elementos essenciais para a análise real de investimentos,
sendo eles a incerteza e o investimento sequencial. Vejamos a estrutura da árvore de decisão:

Figura 1 - Árvore de Decisão

Fonte: adaptado de Filho e Kopittke (2008).

UNIDADE III Análise de Investimentos 65


Os nós quadrados representam as decisões e os nós redondos representam nós
de incerteza, ou seja, eventos aleatórios.

De acordo com Filho e Kopittke (2008), nos ramos de uma árvore de decisão devem
ser levados em conta:
● As probabilidades após os nós de incerteza
● Os valores de investimentos nos nós de decisão
● Os retornos no final dos ramos

Veja o exemplo adaptado de Filho e Kopittke (2008):

Um vendedor ambulante está considerando a possibilidade de vender camisas


esportivas. As camisas seriam compradas por $ 10.00 e vendidas por $ 35.00. Como a
qualidade do material é baixa estima-se que haja 30% de perda para o vendedor ambulan-
te. Independentemente da quantidade adquirida, seus custos de transporte e manutenção
serão de $ 1000.00 por dia. As camisas não vendidas terão um valor residual de $ 2.00.

A demanda diária pelas camisas depende das condições de vigilância nas ruas:
se a vigilância for ostensiva, o vendedor somente consegue vender 50 camisas, vendendo
4 vezes mais se a vigilância das ruas for fraca. Caso a vigilância for média, o vendedor
consegue colocar 120 camisas.

As camisas só podem ser compradas em lotes pré-determinados: 80, 160, 240 ou


320 unidades.

A experiência tem mostrado que há 40% de chance de que a vigilância seja fraca
contra 30% de vigilância ostensiva. Em consequência ela é média 30% das vezes.

Calcule:
a. Qual a quantidade de camisas que o vendedor ambulante deverá comprar para
maximizar o seu lucro esperado?
b. Disponha os resultados sob forma de matriz de receitas.

UNIDADE III Análise de Investimentos 66


Solução:

a) Quantidade de camisas que maximiza o lucro esperado.

Alternativas:

A. compra de 80 camisas
B. compra de 160 camisas
C. compra de 240 camisas
D. compra de 320 camisas

Alternativa A:

Custo da alternativa: 80 x 10.00 + 1000.00 = 1800.00


Camisas vendáveis: 80 x 0,7 = 56

Receitas:
● Para vigilância ostensiva: 50 x 35.00 + 6 x 2.00 = 1762.00
● Para vigilância média: 56 x 35,00 = 1960.00
● Para vigilância fraca: 56 x 35.00 = 1960.00

Receita líquida:
● Para vigilância ostensiva (o): 1762.00 - 1800.00 = -38.00
● Para vigilância média (m): 160.00
● Para vigilância fraca (f): 160.00

Calcula-se as receitas líquidas das outras alternativas de forma análoga.

A árvore de decisão apresenta-se assim:

UNIDADE III Análise de Investimentos 67


Figura 2 - Árvore de Decisão de três etapas

Fonte: adaptado de Filho e Kopittke (2008).

As receitas líquidas esperadas são as seguintes:


● E(A) = 0,3 x (-38) + 0,3 x 160 + 0,4 x 160 = 100.60
● E(B) = 706.20
● E(C) = 836.60
● E(D) = 571.00

Dessa forma, a melhor alternativa é a C, que consiste na compra de 240 camisas.


Pode-se, também, apresentar o problema sob a forma de matriz de decisão:

Quadro 2 - Matriz de Decisão

Fonte: adaptado de Filho e Kopittke (2008).

UNIDADE III Análise de Investimentos 68


A partir destes dados pode-se, por exemplo, calcular o valor de uma informação
adicional. Vamos fazer aqui uma exemplificação, que, apesar de hipotética, pode ser utili-
zada para outros casos, é claro!
Até quanto o vendedor ambulante poderá pagar a um hipotético policial corrupto
para que lhe informe qual o tipo de vigilância que irá ocorrer com certeza? Deve-se verificar,
neste caso, qual a melhor opção quando se sabe o que vai ocorrer:
● Caso a vigilância seja ostensiva a melhor alternativa é a A, ou seja, o prejuízo
será de $38.00.
● Caso a vigilância seja média a melhor alternativa é a B, com lucro de 1320.
● Caso a vigilância seja fraca a melhor opção é a alternativa D, com lucro de
2848.

Assim, o valor esperado da receita líquida, com informação perfeita, é de:

V(p) = -38 x 0,3 + 1320 x 0,3 + 2848 x 0,4 = 1523,80

Ora, o valor esperado sem essa informação era de $836,60, correspondente à


alternativa C. Assim, o vendedor deve estar disposto a pagar ao policial no máximo:
1523,80 - 836,60 = 687,20

REFLITA
Esse exemplo serviu para nos mostrar que a empresa pode gastar adicionalmente no
caminhar de um projeto para conseguir informações. Mas deve-se calcular exatamente
qual é o máximo que ela poderá pagar, de modo que compense o investimento.
Fonte: o autor.

UNIDADE III Análise de Investimentos 69


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sendo a função do gestor da empresa garantir que as aplicações dos recursos


financeiros sejam feitas com o intuito de maximizar as riquezas da empresa, é seu dever
analisar cada investimento, verificando o retorno esperado, as variáveis que envolvem o
investimento, o risco e o comprometimento do capital de giro.
Os investimentos precisam ser analisados com base nos métodos de avaliação
de investimentos, garantindo sempre a gestão do capital de giro. Uma vez analisados de
maneira correta, garantirão um equilíbrio financeiro de curto e longo prazo, permitindo,
assim, uma gestão eficiente das empresas e consequentemente o sucesso dos negócios.

UNIDADE III Análise de Investimentos 70


MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: Análise De Investimentos: Tomada De Decisão Em Proje-
tos Industriais
Autores: Regis Da Rocha Motta e Guilherme Marques Caloba
Editora: Atlas
Ano: 2002
Sinopse: Este livro apresenta didaticamente os conceitos neces-
sários à análise de alternativas de investimento, com exemplos
práticos apoiados em planilhas Excel, suas funções financeiras e
recursos gráficos. Para que alunos e professores possam tirar má-
ximo proveito dos modernos recursos da informática, acompanha
o livro o seguinte material complementar: planilhas Excel (tabelas
de juros compostos; capítulo por capítulo, exemplos práticos
descritos no livro; solução dos problemas) e apresentações em
PowerPoint (correspondentes ao texto, em capítulos). A obra trata
dos seguintes tópicos: matemática financeira, empréstimos ou
financiamentos, métodos de análise de investimentos, orçamento
de capital, substituição de equipamentos, elaboração do fluxo
de caixa, leasing, precificação de ativos (CAPM e APM), análise
de riscos (árvores de decisão, função utilidade) e custo médio
ponderado de capital (WACC).

FILME/VÍDEO
Título: The Big Short (A Grande Aposta)
Ano: 2016
Sinopse: Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa
de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que
coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos
irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos
investidores, já que nunca antes alguém havia apostado contra
o sistema e levado vantagem. Ao saber desses investimentos, o
corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) percebe a oportunidade e
passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum (Steve
Carell), o dono de uma corretora que enfrenta problemas pessoais
desde que seu irmão se suicidou. Paralelamente, dois iniciantes
na Bolsa de Valores percebem que podem ganhar muito dinheiro
ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda a um
guru de Wall Street, Ben Rickert (Brad Pitt), que vive recluso.

UNIDADE III Análise de Investimentos 71


UNIDADE IV
Análise de Sensibilidade
Professor Me. Antonio Carlos Lázaro Sanches

Plano de Estudo:
- Análise de Cenários
- Processo de Tomada de Decisão

Objetivos da Aprendizagem:
- Analisar a sensibilidade em si, é a correlação que podem apresentar as variáveis
- Conhecer as várias formas de Tomada de Decisão

72
INTRODUÇÃO

De acordo com Samanez (2009), como na projeção dos fluxos de caixa de um


projeto geralmente temos que trabalhar com grande quantidade de variáveis ou fatores,
torna-se importante identificar quais deles tem um peso maior na determinação de tais
fluxos.
Como vimos, não podemos considerar os projetos como sendo estáticos, pois lidam
com variáveis, que como o próprio nome já diz, variam ao longo do tempo e podem causar
alterações nos fluxos de caixa futuros.
Mas como mensurar tais alterações? Como saber como essas alterações irão afetar
o andamento do meu projeto?
A análise de sensibilidade permite identificar as variáveis críticas no processo de
projeção e determinação dos fluxos futuros, de modo que possamos avaliar o projeto con-
siderando diversas hipóteses sobre o comportamento dessas variáveis.
Existem duas maneiras de fazermos a análise de sensibilidade: modo unidimensio-
nal e multidimensional.
● Análise unidimensional: quando medimos os efeitos de cada variável separada-
mente.
● Análise multidimensional: quando analisamos os efeitos das variáveis ao mes-
mo tempo.

Atualmente, com o avanço da tecnologia informática, podemos fazer a análise de


sensibilidade em cenários que representam fenômenos econômicos que provocam movi-
mentos em mais de uma variável de cada vez.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 73


1 A ANÁLISE DE CENÁRIOS

Um problema da análise de sensibilidade em si é a correlação que podem apre-


sentar as variáveis. Um número grande de vendas pode se associar facilmente a preços
menores ou época de promoções. O que surgiu para melhorar a análise de sensibilidade foi
uma variante desta, conhecida como análise de cenários.

Na análise de cenários, ao invés da variação de um parâmetro por vez, podemos


fazer variar um conjunto destes, formando assim os cenários. São atribuídos valores a cada
parâmetro e após várias análises de sensibilidade podemos identificar as variáveis-chave
que, em cada cenário, determinam o sucesso e o insucesso do projeto.

Vejamos o exemplo a seguir proposto por Samanez (2009):

Efetue uma análise de sensibilidade (com o uso de cenários) para um projeto que
requer um investimento inicial de $ 150, depreciável em 10 anos. Suponha que as informa-
ções contidas no Quadro 1 são as apresentadas pelo departamento de Marketing a respeito
do mercado, da participação da empresa nesse mercado, do preço unitário de venda, do
custo variável e do custo fixo para três cenários possíveis: o pessimista, o otimista e o
esperado.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 74


Quadro 1 - Informações sobre os três cenários possíveis para o projeto tratado

Fonte: Samanez (2009).

A partir destas informações, o Quadro 2 mostra o fluxo de caixa esperado para o


período de 10 anos e o VPL de cada cenário.

Quadro 2 - Fluxo de caixa esperado e o VPL de cada cenário

Fonte: Samanez (2009).

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 75


O cálculo do VPL considerou uma taxa de desconto de 10% ao ano. No caso do
cenário esperado:

Como o VPL do cenário esperado é positivo, uma decisão apressada poderia reco-
mendar o investimento. Porém, algumas dúvidas podem surgir a partir das estimativas do
cenário esperado:
● Será que o mercado absorve 1.000 unidades por ano?
● Será que a empresa conseguirá abocanhar 10% desse mercado?
● Se os concorrentes lançarem um produto de melhor qualidade ou menor preço,
o que ocorrerá?
● Será que o custo variável ficará realmente em torno de $ 3,00 por unidade?

Vimos por meio do exemplo que o projeto poderá até dar prejuízo, como no caso
do cenário pessimista. Mas o que fazer então? Temos que analisar qual variável tem mais
peso, ou quais variáveis. Isso quer dizer que existem algumas variáveis que causam mais
impacto no projeto quando elas se alteram.

Quadro 3 - VPL do cenário pessimista com a mudança de uma variável de cada vez

Fonte: Samanez (2009).

Observando o quadro, podemos concluir que os parâmetros que mais podem co-
locar em risco o sucesso econômico do projeto são os aumentos inesperados nos custos
variáveis e fixos, já que nesses casos, o VPL assume maiores valores negativos.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 76


Cabe aqui salientar que essa análise não define o significado de otimista e pessimis-
ta, visto que não usa probabilidades. O trabalho técnico em análise econômica de projetos
exige transformar possibilidades em probabilidades. A análise também não considera a
possibilidade de ocorrer variáveis interdependentes. Nesse caso, talvez fosse necessário
fazer uma análise de cenários ou uma análise de sensibilidade conjunta.

SAIBA MAIS
Corresponde ao valor presente dos resultados esperados – positivos e negativos – do
fluxo de caixa, descontando-se ao custo do capital. Custo de capital ou Taxa mínima de
atratividade, representa o retorno mínimo exigido para um projeto de investimento
Fonte: Galesne, Fensterseifer e Lamb (1999).

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 77


2 PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO

De acordo com Filho e Kopittke (2008), devemos ter em mente que a análise das al-
ternativas de investimento é apenas um passo de um processo de solução de um problema.
De nada adiante boa técnica de análise de alternativas se estas não forem adequadamente
geradas.

Segundo Krick (1971) apud Filho e Kopittke (2008), os passos básicos para o “pro-
cesso do projeto” são:
1. Formulação do problema
2. Análise do problema
3. Busca de alternativas
4. Avaliação das alternativas
5. Especificação da solução preferida

A fase I implica em descrever de maneira geral, porém resumida, as características


do problema. Por exemplo, a empresa apresentou dificuldades no escoamento da produ-
ção, pois as instalações não estão adequadas para a recente expansão das vendas.
A fase II requer uma especificação mais pormenorizada das características desse
problema, incluindo as restrições. Essa fase inclui também a definição dos critérios e sua
ponderação para a posterior análise das alternativas.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 78


A fase III busca identificar alternativas que atendam as especificações e as restri-
ções.
A fase IV consiste num confronto entre os resultados qualitativos e quantitativos
através dos critérios estipulados na fase II.
A fase V, finalmente, consiste na escolha da alternativa com base na análise das
fases de I a IV.
Existem outras metodologias interessantes. Vejamos a que foi proposta por Kepner
e Tregoe (1980) apud Filho e Kopittke (2008). De acordo com essa metodologia existem sete
fases para a análise de decisão, focadas na melhor alternativa. As fases são as seguintes:
1. Estabelecer os objetivos: resultados que se espera obter.
2. Classificar os objetivos: devemos classificar os objetivos em OBRIGATÓRIOS
e DESEJÁVEIS.
3. Desenvolver alternativas dentre as quais será feita a escolha
4. Avaliar as alternativas
5. Escolher a melhor alternativa como decisão tentativa
6. Avaliar as consequências adversas da decisão tentativa
7. Controlar os efeitos da decisão final, evitando as consequências adversas e
fazendo um acompanhamento adequado

2.1 Exemplo de Aplicação


Veja o exemplo proposto por Filho e Kopittke (2008): suponha que você tenha que
decidir sobre uma melhor localização industrial. Veja os dados que você possui.
A empresa que lhe contratou pretende implantar uma nova unidade de produção
capaz de produzir 300 mil toneladas no ano. Essa empresa, apesar de já ter definida sua
produção, deve se confrontar com dois problemas: a escolha adequada da tecnologia e da
localização.
Existem dois grandes centros consumidores para o produto em questão, os quais
chamaremos de C1 e C2. Existe também um centro fornecedor de matéria prima que
denominaremos MP. A matéria prima a qual o autor se refere é a principal, podendo ser
encontradas as matérias primas secundárias em qualquer uma das localidades.
Duas tecnologias são possíveis, A ou B.
Então o problema que você tem que resolver é: Instalar-se em C1, C2 ou MP, e
utilizar A ou B. Ou seja, são seis possibilidades, C1 - A; C1 - B; C2 - A; C2 - B; MP - A;
MP - B.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 79


● MP fica ao sul do estado, a 250 Km de C2 e a 400 Km de C1.
● C2 fica no oeste do estado, a 250 Km de MP e 500 Km de C1.
● C1 fica no leste do estado, a 500 Km de C2 e 400 Km de MP.
● C1 e C2 não possuem problemas de mão de obra, porém o centro C2, além de
possuir tradição neste ramo de indústrias, possui mão de obra mais barata.

O centro C1 não possui tradição nesse ramo industrial. A empresa prevê, baseada
em sólido estudo de mercado, que venderá 1/3 da sua produção em C2 e, 2/3 em C1. Já
a fonte de matérias primas MP, possui sérios problemas de mão de obra, que exigiriam um
centro de treinamento e poderiam ocasionar problemas com rotatividade de pessoal, visto
que a população não está acostumada ao trabalho na indústria.
Para ambas as tecnologias, os processos produtivos requerem investimentos
semelhantes e o consumo de matéria prima é o mesmo, porém, com a tecnologia B o
custo com matéria prima secundária seria maior. O processo A economiza nos materiais
secundários, mas possui um custo de mão de obra superior, pois exige maior qualificação.
O processo A conta com perspectivas de produzir com melhor qualidade futura, pois
trata-se de uma tecnologia nova. Porém existe uma certa incerteza, visto que o processo B
já é testado e aprovado, apesar de mais antigo.
O preço competitivo nas localidades C1 e C2 é de 2.400/t. O preço da matéria
prima é de 320/t (na fonte) e o consumo é de 1,2 t/t de produto. O custo de transporte de
matéria prima é de 0,16/tkm e para o produto é de 0,56/tkm.
O custo dos materiais secundários é de 240/t de produto para o processo B e de
144/t para o processo A. A incidência do custo de mão de obra no processo B é de 404/t no
centro C2, 456 em C1 e 488 no centro MP. Para o processo A a mão de obra é 20% mais
cara. Os demais custos somam 400/t indiferentemente ao processo ou à localização. O
custo de recuperação do capital é de 150 milhões/ano.
Considere alguns fatores adicionais:
1. MP é um porto marítimo
2. A empresa, no futuro, tem o objetivo de ampliar a produção e tentar o mercado
externo.
3. A empresa terá problemas de rejeitos industriais.
4. O centro C1 possui alta concentração industrial com sérios problemas de polui-
ção ambiental.
5. O governo está criando incentivos para descentralização industrial.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 80


6. Está prevista a construção de uma linha férrea entre MP e C2.
7. A prefeitura de MP poderá oferecer infraestrutura para a indústria.

Veja que você, enquanto tomador(a) de decisão, teve que organizar todos os dados
referentes às possibilidades e agora deve escolher onde produzir. Seus superiores estão
aguardando sua decisão de melhor localidade e tecnologia. E você, o que decidiria? Como
utilizaria todos estes dados?

2.1.1 Estabelecimento dos objetivos


● Produzir com máxima lucratividade possível.
● Ter amplas condições de crescimento.
● Atingir no futuro o mercado externo.
● Manter o padrão de inovação tecnológica.
● Evitar poluição ambiental.
● Reduzir investimento inicial.
● Evitar problemas com mão de obra.
● Evitar riscos em relação ao processo produtivo.

2.1.2 Classificação e ponderação dos objetivos


Os objetivos podem ser classificados em obrigatórios e desejáveis. Colocaremos
um objetivo obrigatório que será: “Produzir com lucratividade (margem de lucro sobre as
receitas) mínima de 7%”
Os demais objetivos e restrições serão ordenados e ponderados conforme veremos
a seguir.

2.1.3 Desenvolvimento das alternativas


Como já mencionado anteriormente, seis são as possibilidades, visto que possuí-
mos três localidades vezes duas tecnologias possíveis. Porém, antes da análise é necessá-
rio estabelecer uma matriz de custos baseados nos dados já mencionados anteriormente,
calculando, assim, a lucratividade e a perda relativa sobre as receitas.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 81


Quadro 4 - Matriz de cálculo dos custos de cada combinação

Fonte: Filho e Kopittke (2008).

2.1.4 Avaliação das alternativas


As seis alternativas produzirão com rentabilidade acima de 7%, o que significa que
todas terão lucratividade, que fora nosso único objetivo obrigatório.
A perda da pior alternativa quantitativa (MP-A) em relação às receitas é de apenas
2,7%. Portanto, todas as alternativas deverão ser analisadas com mais cautela, visto que
a diferença entre elas não é significativa. Qualquer objetivo secundário que for alcançado
pode superar essa perda facilmente.
Para tomarmos a decisão, portanto, devemos ponderar os outros objetivos e restri-
ções. Temos que montar uma matriz de ponderação, como a que segue.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 82


Quadro 5 - Matriz de Ponderações

Fonte: Filho e Kopittke (2008).

Obs.: Produto (P) = Escore (E) x Peso

2.1.5 Escolha da melhor alternativa em primeira tentativa


Considerando-se os resultados obtidos através do confronto dos objetivos e res-
trições estabelecidos, a tendência é que façamos a escolha pela localização C2. Porém,
como o resultado de C2 ficou parecido tanto com a tecnologia A quanto com a B, temos que
fazer outra análise mais aprofundada, ou seja, das consequências adversas.

2.1.6 Consequências adversas


As duas alternativas de tecnologia para a localização C2 possuem algumas notas
baixas que devemos analisar com mais atenção.

2.1.6.1 Em relação à localização


Ambas receberam nota 5,0 no objetivo 8, reduzir investimento inicial. Essa nota foi
atribuída devido a possibilidade da localização MP oferecer incentivos à instalação. Como
não existe certeza disso vir a ocorrer, uma posição mais conservadora manteria a posição
C2.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 83


2.1.6.2 Em relação às tecnologias
C2 - A recebeu nota baixa no objetivo 7, ao mesmo tempo que C2 - B recebeu
nota baixa no objetivo 4. Ou seja, há dúvidas sobre o novo processo, em relação ao risco
de operacionalizá-la, mas também ao colocarmos estaríamos possibilitando inovações
tecnológicas.
A escolha de A traz um risco embutido do processo não funcionar a contento. Pode-
-se dizer que é raro isto acontecer (probabilidade = 20%), mas com alto índice de gravidade,
ou seja, se ocorrer é muito grave (90 numa escala de 0 a 100). Já a escolha de B, em troca
de segurança, impossibilita grandes progressos tecnológicos, com 60% de probabilidade,
porém com índice mais baixo de gravidade (20, numa escala de 0 a 100).
Em suma, para essas duas possibilidades (C2 – A e C2 – B) teríamos o seguinte:

Quadro 6 - Consequências adversas para cada tecnologia

Fonte: Filho e Kopittke (2008).

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 84


3 CONCLUSÃO

Em função das informações fornecidas, da metodologia adotada e das ponderações


aplicadas, observamos uma tendência para a escolha da combinação C2 – B. Essa escolha
só foi possível após diversas análises, pois quantitativamente poderíamos ter escolhido a
alternativa C1 – A.
Na matriz de ponderações, C2 – A passou a ser a melhor alternativa. Somente após
a análise das consequências adversas é que foi possível chegar a C2 – B.
É importante ressaltar que o exemplo é meramente didático. Quando for aplicado
na prática, deve ser bem mais pormenorizado, estudado em conjunto com os diversos
setores da empresa, para que possa ser definido o que seria ponto positivo e o que seria
ponto negativo de cada decisão.
O importante após essa exposição é perceber que as vezes a tomada de decisão,
ao ser feita com a análise de apenas o que é mais positivo, não é a melhor solução. Os
pontos adversos também são importantes e às vezes decisivos na escolha do gestor do
projeto. Portanto, para concluirmos a nossa disciplina de Avaliação de Projetos, é importan-
te o(a) gestor(a) ter em mente que para cada situação podem aparecer diferentes soluções.

REFLITA
- Em que situações é necessário utilizar técnicas de análise de investimentos?
- Quais as técnicas mais indicadas para cada situação?
Fonte: o autor

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 85


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A construção de cenários é uma das principais ferramentas de gestão, com esse


recurso, o gestor tem a possibilidade de tomar medidas de contingência para diferentes
situações futuras que um projeto pode enfrentar, normalmente prevendo uma situação
esperada, a melhor situação e a pior. A construção de cenários é de grande importância
no cotidiano de qualquer projeto. Tomando-se como base esses pressupostos, podem-se
identificar pontos de melhoria das atividades antes mesmo de que haja qualquer tipo de
impacto negativo nos resultados esperados.
A Análise de Sensibilidade é a ferramenta com a qual se calcula a variação do Valor
Presente Líquido (VPL) ou da Taxa Interna de Retorno (TIR) a partir de mudanças isoladas
em uma variável, ou em mudanças realizadas em mais de uma variável ao mesmo tempo,
tornando o cenário mais próximo de uma situação real, portanto.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 86


MATERIAL COMPLEMENTAR

LIVRO
Título: Análise de Viabilidade e Risco em Projetos de Investimentos
Autor: Edson Luiz Leismann
Editora: Simplissímo
Ano: 2016
Sinopse: O livro apresenta uma discussão dos principais aspectos
a serem considerados na avaliação de projetos de investimentos,
principalmente quanto aos métodos adequados e suas condi-
cionantes, assim como os aspectos relacionados à identificação
do risco. Faz uma revisão de aspectos básicos de finanças e
matemática financeira e em seguida apresenta os conceitos dos
fluxos de caixa estimados para o projeto. São analisadas as várias
condicionantes relacionados à possível não obtenção dos resulta-
dos prometidos, em função de variação em quantidades, preços
e custos relacionados ao projeto. Para tanto, são realizadas de-
monstrações a partir dos conceitos determinísticos e em seguida
mostram-se as análises de sensibilidade e de cenários. Por fim,
conclui-se com a avaliação de risco.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 87


REFERÊNCIAS

DOMINIUM CONTABILIDADE. Tabela de Depreciação. 2020. Disponível em: https://dominium.cnt.


br/?acao=tabelas&op=depreciacao. Acesso em: 18 abr. 2020.

FILHO, N. C.; KOPITTKE, B. H. Análise de Investimentos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GALESNE, A; FENSTERSEIFER, J. E; LAMB, R. Decisões de investimentos da empresa. Tradução


de Mª Imilda da Costa e Silva. São Paulo: Atlas, 1999.

GROPPELLI, A. A.; NIKBAKHT, E. Administração financeira. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

PUCCINI, A. de L.; PUCCINI, A. Matemática Financeira: objetiva e aplicada. São Paulo: Saraiva,
2009.

RENDER, B. et al. Quantitative analysis for management. São Paulo: Pearson, 2017.

SAMANEZ, C. P. Engenharia Econômica. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

TOSI, A. J. Matemática Financeira com ênfase em produtos bancários. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2009.

WIKIPEDIA. Sistema de Amortização. 2020a. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_


de_Amortiza%C3%A7%C3%A3o_. Acesso em: 18 abr. 2020.

WIKIPEDIA. Tabela Price. 2020b. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabela_Price. Acesso


em: 18 abr. 2020.

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 88


CONCLUSÃO

Prezado(a) aluno(a),

Foi um grande prazer tratar de um assunto tão importante para todo o processo
de gestão e finanças corporativas, ou seja, como administrar os recursos com base na
maximização do capital investido. Para isso aprendemos sobre a utilidade da matemática
financeira em nossas vidas, a importância de se conhecer sobre taxas de juros e seus
impactos em nosso cotidiano, o que são juros simples e como calcular descontos racionais
ou por dentro e suas utilidades para as empresas.
Estudamos sobre juros compostos e sobre descontos compostos, aprendemos que
o desgaste ou perda de utilidade pelo uso dos produtos são tratados como depreciação e
que isso afeta o valor dos bens ao longo do tempo.
Vimos que todo investimento precisa ser analisado antes de se tomar a decisão
de investir, para isso os métodos para Análise de Investimento são fundamentais. Definir a
TMA é a base para saber se o investidor está obtendo ganhos financeiros e, além de tudo,
entender que o dinheiro perde valor com a passagem do tempo.
Analisamos também a importância da criação de cenários para a tomada de deci-
são, o que garante uma maior certeza em relação as variáveis e alteração do projeto.
Para concluir nossa apostila, deixo a vocês alguns exercícios resolvidos. Espero
que este conteúdo tenha sido de grande valia para você!
Um grande abraço e sucesso!

UNIDADE IV Análise de Sensibilidade 89

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