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Balanço de Poder e Grande Estratégia: condicionamentos


sistêmicos sobre a Política Externa e de Segurança dos Estados Unidos
e as comissões de defesa e orçamento do Senado

Nome do candidato: Marcio Azevedo Guimarães


E-mail: marcio.guimaraes@ufrgs.br
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Sumário

I INTRODUÇÃO_____________________________________________________03

II DELIMITAÇÃO DO OBJETO_________________________________________05

III OBJETIVOS_______________________________________________________05

IV PROBLEMAS DE PESQUISA_________________________________________06

V HIPÓTESES________________________________________________________07

VI MARCO TEÓRICO_________________________________________________07

VII METODOLOGIA_________________________________________________________08

VIII PLANO DE TRABALHO___________________________________________12

IX CRONOGRAMA DE ATIVIDADES___________________________________14

X RESULTADOS ESPERADOS_________________________________________14

XI BIBLIOGRAFIA____________________________________________________14
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I INTRODUÇÃO

A política de defesa é uma política pública e permanente de Estado mas que


impacta de forma decisiva toda a sociedade e a economia de um país. Envolve escolhas
e negociações entre grupos de pressão e elites políticas, militares e econômicas através
dos processos de mediação institucional e político-eleitoral em um Estado democrático
de direito no Ocidente.
Neste contexto, o sistema internacional caracteriza-se pela competição política e
econômica, centrada no ator estatal (unidade política) e na busca pela manutenção dos
seus grandes interesses estratégicos, nucleados pela grande potência estadunidense, com
impactos sobre a inserção internacional de segurança do Estado brasileiro e de seu
entorno geoestratégico, a América do Sul. Portanto, o estudo da pesquisa, centrada nos
Estados Unidos tem relevância política, estratégica e acadêmica para a comunidade
política, militar, científica e acadêmica brasileira.
Dentre as características fundamentais do sistema internacional, destacam-se duas:
(i) o atual ciclo de acumulação sistêmico envolve a competição pelo domínio de novas
tecnologias na produção e favorece a concentração de capital, gerando, com isso, uma
crise econômica que impacta na grande estratégia das grandes potências no sistema
internacional; e (ii) o sistema político fundado no equilíbrio ou balança de poder.
Nesse contexto de análise do sistema internacional compreende-se que a busca por
maior eficiência do sistema de armas é garantia da eficácia da dissuasão como meio
político de manter a hegemonia unipolar no campo estratégico sobre o sistema de
balança de poder a um custo econômico sustentável deve ser contextualizada a partir da
relação causal entre a dimensão da estratégia político-militar com o processo de
concentração de capital.
Além disso, o incremento de capacidades militares gera efeitos condicionadores
sobre a doutrina de política externa de segurança norte-americana em razão do impacto
das hipóteses de guerra limitada e sua eventual escalada para a conflagração central
entre grandes potências, com sérios desdobramentos de natureza política, econômica e
social sobre o equilíbrio do sistema internacional que é caracterizado pela tendência à
transição hegemônica do polo euro-atlântico para a Eurásia e Ásia-Pacífico.
Todavia, algumas questões relevantes emergem quando se analisam os aspectos
sistêmicos e seus efeitos sobre a política externa de uma unidade política:
(i) Como se dá a formação ou composição dos ditos grandes interesses estratégicos
de uma grande potência como os Estados Unidos?
(ii) Como identificar estes interesses e sua natureza (política, militar ou
econômica)?
(iii) Estão tais interesses interligados? De que forma?
(iv) Sob esta linha de questionamento, quem ou quais são os atores – dentro de
uma estrutura político-institucional interna a uma sociedade política estatal – com
capacidade de decidir os fundamentos e objetivos centrais e preponderantes de uma
política externa voltada para a provisão da segurança nacional e externa do país?
Estas são questões de raízes epistemológicas que conduzem ao debate em ciência
política em torno do pressuposto da existência de um pacto ou acordo de elites ou
grupos dominantes ou hegemônicos com capacidade de formular, de decidir e de
implementar determinadas estratégias de inserção internacional. Dessa forma, tais
questões se vinculam ao estudo da existência e formação de consenso básico entre elites
políticas (governo do Poder Executivo e comissões de defesa e segurança nacional do
Poder Legislativo em suas duas casas: Senado e Câmara de Representantes) em um
Estado Democrático de Direito para com atores decisivos que detém o controle do
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processo decisório e organizacional da agenda das instituições permanentes do serviço


público especializado no campo da defesa e da diplomacia (burocracias militar e
diplomática) e, por fim, os atores econômicos, ligados às corporações da indústria
armamentista.
Dessa forma, este suposto consenso entre três blocos de elites (política,
institucional burocrática, e do capital privado) representam a existência de uma estrutura
de poder que condiciona o sistema político estadunidense tanto no plano interno, quanto
externo.
O objetivo da pesquisa, nesse sentido, busca investigar o poder de formulação da
agenda de política exterior centrada na instituição militar do Departamento de Defesa
dos Estados Unidos, vale dizer, suas Forças Armadas, e sua influência na formação da
política exterior a partir da união das dimensões estratégica, política e econômica a
partir dos condicionamentos estruturais dados pela natureza competitiva e conflitiva do
sistema político-econômico internacional, nucleado pela ação das grandes potências.
Nesta linha de raciocínio, a pesquisa está dividida em três partes e busca, a partir
da identificação dos elementos fundamentais de ordem doutrinária nas dimensões
política e militar que informam a política externa de segurança dos Estados Unidos e
como as conclusões do presente esforço de análise poderá dialogar com pesquisas já em
curso no âmbito dos Programas de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos
Internacionais e de Ciência Política na linha de pesquisa em Política Internacional bem
como nos cursos universitários de graduação em Relações Internacionais e Ciência
Política dessa instituição.
A primeira partirá do estudo histórico do processo de acumulação e sua descrição
teórica em Geovanni Arrighi para contextualizar a formação das preferências
estratégicas dos Estados Unidos em seu corpo doutrinário no processo de ascensão e
consolidação americana enquanto grande potência e como a formação do complexo
militar-industrial norte-americano condicionou, desde a Segunda Guerra e a Guerra
Fria, a composição das doutrinas de segurança nacional.
A segunda trata da organização militar e as capacidades ofensivas dos Estados
Unidos e implicações para o Balanço de Poder na Eurásia na perspectiva do
Departamento de Defesa: a institucionalidade militar e os sistemas de armas e os efeitos
sistêmicos da transição hegemônica.
Por fim, a terceira etapa da pesquisa consistirá em compreender a dinâmica das
estratégias relacionadas com o sistema de balanço de poder entre as três grandes
potências – Estados Unidos, Rússia e China – em face de quatro grandes aspectos: (i)
como se dá a definição da agenda de política de defesa a partir da relação da burocracia
militar com o sistema político e econômico norte-americano; (ii) identificação das
hipóteses de guerra central ou de guerra limitada segundo a doutrina militar
estadunidense; (iii) como afetam os interesses estratégicos centrais de cada um deles e
(iv) como afetam as balanças regionais de poder na Europa, Oriente Médio, Ásia central
e Ásia-Pacífico.
Ainda que o estudo não esteja focado no hemisfério ocidental e, portanto, não
aborde o contexto geopolítico em que o Brasil se enquadra, este trabalho leva em
consideração que o resultado do estudo terá grande relevância para ser utilizado como
base para a confecção de dossiês que possam servir à produção de políticas públicas dos
órgãos e agências do Estado brasileiro relacionados com as atividades de inteligência,
segurança, defesa e relações exteriores, tendo em vista a importância não só acadêmica,
mas também político estratégica do tema da pesquisa para a formulação e
implementação de políticas públicas em relação ao sistema internacional no qual o país
está inserido enquanto aspirante à condição de potência regional sul-americana em um
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entorno estratégico e que é fundamentalmente condicionado pela ação da grande


potência estadunidense.

II DELIMITAÇÃO DO OBJETO
Trata-se de estudar e analisar o poder de agenda das Forças Armadas norte-
americanas, em especial da Força Aérea e da Marinha, em determinar o
desenvolvimento dos sistemas de armas convencionais e não convencionais que tornem
as capacidades militares norte-americanas eficazes para a estratégia de dissuasão sobre
as grandes potências eurasiana chinesa e russa centradas na relação entre duas
dimensões interdependentes de análise: a econômica e a política.
A dimensão econômica está presente no pressuposto de que os ciclos de
acumulação de capital operam no nível do sistema de relações internacionais centradas
no Estado territorial soberano a partir da competição por recursos em termos de
matérias primas, mercados e controle político indireto mediante o uso da guerra
combinado com os sistemas formais e informais de alianças com potências regionais
sobre o acesso a regiões geográficas em que estão situados os recursos estratégicos.
A dimensão política está presente a partir do pressuposto da anarquia, competição
e da probabilidade de conflito entre as grandes potências por maximização de poder no
sistema internacional e do uso dos meios militares e seus efeitos sobre a política externa
e sobre as relações entre Executivo e Legislativo na definição do orçamento de defesa
em razão da política de gastos militares de sistemas de armas funcionais para a doutrina
de segurança nacional e militar da USAF e da USNAVY.
O estudo, portanto, busca:
1 – Demonstrar a predominância do plano sistêmico internacional sobre o processo
decisório em política externa de segurança de uma unidade política estatal;
2 – Evidenciar a natureza interdependente e dual entre:
2.a) Plano Sistêmico: a estrutura política fundada na balança de poder em termos
de capacidades e sua relação de causa e efeito para com o ciclo sistêmico de
acumulação de capital.
2.b) Plano da Unidade Estatal: A preponderância da autoajuda em termos de
capacidades militares, do padrão de competitividade entre os polos de poder e a
instrumentalidade política das espécies de guerra, com ênfase na doutrina de guerra
limitada norte-americana como forma de dissuasão e o impacto da digitalização como
resposta assimétrica dos polos desafiantes eurasianos russo e chinês.
2c) Plano subestatal (ou doméstico): Interdependência entre atores político,
econômico e institucional militar cuja síntese é a noção de complexo industrial militar,
cuja coesão e poder de barganha no plano inter e intra institucional sobre a elite
americana confere a perenidade e supremacia de determinados interesses
geoestratégicos do Pentágono no conjunto do processo decisório em matéria de
segurança da sociedade e do Estado norte-americano a partir da relação entre os
sistemas de armas estratégicos, o orçamento de defesa e a política de gastos militares.
3 – Identificação dos interesses permanentes de natureza geoestratégicos dos
Estados Unidos, balizadores das estratégias de contenção e divisão das grandes
potências eurasiana russa e chinesa por meio da capacidade de dissuasão e seus
impactos sobre o equilíbrio internacional.
Assim, a pesquisa busca demonstrar a existência de uma relação de causa e efeito
mediante um acordo de elites que remonta ao término da Segunda Guerra e que
implicam na constatação de uma verdadeira interdependência entre atores econômicos,
políticos e institucional militares cuja síntese é o complexo militar e industrial.
Conforme essa assertiva, a capacidade industrial associada à capacidade científica e
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tecnológica conduz a uma maior capacidade econômica que, por sua vez, possibilita um
incremento da capacidade militar pela alocação de recursos quantitativos e qualitativos
(sistemas de armas sofisticados), capacidade do orçamento militar estadunidense de
sustentar maior aporte de recursos financeiros para pesquisa e desenvolvimento de
sofisticados e poderosos sistemas de armas para as forças armadas, seguindo-se, assim,
a um verdadeiro círculo no qual o investimento em capacidade militar dissuasória é a
condição de aumento significativo da capacidade política no plano diplomático e
internacional do Estado em utilizar os instrumentos políticos da diplomacia e da guerra
como condição de sustentar e alavancar o processo de acumulação de capital. Assim, as
dimensões da geopolítica e da geoeconomia se encontram imbricadas, eis que a
segurança e garantia ao acesso a recursos e mercados para os fins de
lucros/maximização do capital se dão a partir da sua relação intrínseca para com as
doutrinas de segurança nacional e as doutrinas militares com respeito à proteção e
expansão dos interesses estratégicos estadunidenses.
Dessa forma, os efeitos e as condicionantes sobre a agenda de política externa
(plano dos contextos e das conjunturas) se somam no continuum dos programas de
governo e em razão disso, tais efeitos e condicionantes são de natureza sistêmica e seu
reflexo institucional se encontra nos documentos doutrinários (segurança nacional e
militar) corroborando, dessa forma, as teses esboçadas tanto pelo realismo estrutural
quanto pela teoria dos ciclos sistêmicos de acumulação de capital, os dois grandes
marcos teóricos dessa pesquisa.
Destarte, a pesquisa buscará demonstrar que a despeito de mudanças operadas no
sistema internacional nos últimos 30 anos – caracterizados pela erosão e transição da
hegemonia estadunidense, a despeito da elaboração de inúmeras doutrinas de segurança
nacional e doutrinas militares correlatas e a despeito das singularidades dos dois
principais partidos do sistema político norte-americano constata-se a existência de um
objetivo consensual e permanente das elites estadunidenses que é a utilização
capacidade dissuasória sobre as potências eurasianas e reafirmação da hegemonia
internacional lograda a partir da Segunda Guerra a fim de manter sua supremacia
econômica, tecnológica e capacidade de provimento de segurança para o Estado
(nucleado pelo Departamento de Defesa) e o capital privado de suas grandes
corporações.

III OBJETIVOS
A presente pesquisa tem por objetivo um esforço analítico de natureza de ciência
política que combine elementos teóricos e doutrinários dos estudos estratégicos
internacionais, centrada no estudo do sistema político, com a descrição de estruturas
institucionais centrada na elite burocracia de defesa e de sua capacidade de influenciar
de forma decisiva o processo de tomada de decisão em política externa em termos da
escolha política de produção de sistemas de armas estratégicos e os efeitos de seu
emprego dissuasório para a estrutura do sistema de balanço de poder e sua relação com
a acumulação de capital.

IV PROBLEMAS DE PESQUISA
Os problemas que a pesquisa buscará responder a partir da formulação de hipóteses
correlatas são os seguintes:
Problema Central 1: Por que o sistema internacional de balanço de poder sofre
os efeitos dos ciclos sistêmicos de acumulação de capital?
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Problema Central 2: A existência do complexo militar industrial congressual


estadunidense é a condição fundamental para a viabilidade e continuidade do processo
de acumulação sistêmico de capital para a economia e Estado norte-americanos?
Problema Central 3: As estratégias militares de dissuasão convencional
aeronaval e não convencional nuclear que o hegêmona regional impõe às grandes
potências chinesa e russa são suficiente para a estabilidade da balança de poder mundial
como condição de consolidação permanente da hegemonia dos Estados Unidos?
Problema Central 4: O Departamento de Defesa, associado às principais
corporações que fabricam sistemas de armas estratégicos detém um importante lobby
dentro do Congresso Americano para a fabricação de sistemas de armas estratégicos?

V HIPÓTESES
Hipótese 1: Os ciclos sistêmicos de acumulação de capital tem impacto decisivo
sobre os cenários de transição hegemônica ou de recomposição hegemônica, pautados
nas capacidades dissuasórias convencionais e não convencionais no equilíbrio de poder
entre as grandes potências. Assim, a manutenção dos grandes interesses geoestratégicos
necessários para garantir a dianteira na competição pela acumulação de capital no
sistema depende das capacidades militares dissuasórias de contenção e divisão das
grandes potências eurasianas russa e chinesa.
Hipótese 2: As elites militares da força aérea e da marinha dos Estados Unidos
constituem o núcleo de poder decisório estratégico que condiciona os rumos da política
de segurança dos Estados Unidos como uma política permanente de Estado. Neste
contexto, detém um poder institucional e normativo que traz impactos decisivos sobre:
(a) o sistema político interno no plano da tomada de decisão em política externa de
segurança e defesa e sua relação com as pressões políticas recíprocas entre o Executivo
e o Legislativo; (b) a indústria armamentista e (c) para o avanço do processo de
acumulação de capital da economia e Estado norte-americanos.
Hipótese 3: A capacidade militar estratégica aeronaval e nuclear é condição
fiadora da dissuasão enquanto estratégia de balanço de poder entre Estados Unidos para
com a Rússia e a China.
Hipótese 4: O Departamento de Defesa, associado às principais corporações que
fabricam sistemas de armas estratégicos detém um importante lobby dentro do
congresso americano, em razão do papel estratégico que estes meios possuem para a
estratégia americana de dissuasão e pelo efeito que a aplicação da tecnologia militar na
produção econômica tem para replicar na cadeia de produção e consumo da economia
vantagens competitivas.

VI MARCO TEÓRICO
Parte-se do referencial teórico do realismo estrutural com base na interação dos
Estados Unidos com as demais grandes potências do sistema, em especial Rússia e
China, a partir da avaliação das capacidades distribuídas no sistema e a definição das
polaridades. É nesta perspectiva que se parte do pressuposto da teoria de política
internacional enquanto ciência social humana em Kenneth Waltz e seu diálogo com a
vertente denominada na literatura de realismo estrutural ofensivo de John
Mearsheimmer.
Por outro lado, na medida em que o estado da arte das relações econômicas
internacionais, centrada no estudo dos ciclos sistêmicos de acumulação de capital, tem
afetado de maneira decisiva a competição pela hegemonia entre as grandes potências do
sistema no contexto do equilíbrio de poder, agrega-se à presente pesquisa os estudos de
Geovanni Arrighi, o qual demonstra a relação de causalidade entre a acumulação de
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capital pela associação de elites econômica e política dentro de uma formação estatal
(capital privado e Estado) e a criação de hegemonias político-militares correlatas. A
existência de um complexo industrial militar que afeta toda a economia e o sistema
político estadunidense e que molda os contornos fundamentais de sua política externa de
segurança parece confirmar a assertiva arrighiana dos ciclos sistêmicos.
Após o exame desses grandes corpos teóricos de ciência política e dentro de seu
contexto mais amplo, procede-se ao exame dos efeitos que a teoria organizacional e a
cultura estratégica podem ter para explicar o comportamento das organizações militares
do Departamento de Defesa: Força Aérea, Marinha e Exército dos Estados Unidos em
face das doutrinas de dissuasão convencional e não convencional desenvolvidas desde
os primórdios da Guerra Fria e que ainda compõe parte essencial das doutrinas militares
contemporâneas de suas forças armadas, no qual se contextualizam o debate sobre o
emprego da estratégia da guerra limitada e a forma de emprego de armas estratégicas
convencionais e nucleares nos teatros de batalha1.
O emprego destas teorias não busca trazer respostas contraditórias para com os
dois grandes marcos teóricos acima, mas antes de tudo oferecer análises explicativas
complementares para suprir lacunas em torno da seguinte questão fundamental para a
pesquisa e que permeia os problemas analíticos ora propostos: como se comportam as
organizações militares norte-americanas em face do seu papel estratégico de dissuasão
militar para o equilíbrio de poder entre as grandes potências?
Esta questão conduz à análise dos fatores que explicam uma política externa de
segurança quando se trata de uma grande potência e do ambiente internacional em que
se situa, caracterizado pela interdependência entre as dimensões políticas da competição
militar e a da competição econômica:
a) A estrutura econômica internacional caracteriza-se pela competição
internacional pela acumulação de capital privado e tem efeitos condicionantes de
natureza sistêmica sobre o sistema de balanço de poder;
b) A estrutura do sistema político internacional, por sua vez, deve ser
compreendida em termos de distribuição de capacidades de dissuasão a partir da posse
de armas estratégicas convencionais e não convencionais fiadoras da competição pela
hegemonia política;
c) A existência de um núcleo estratégico fundamental dentro do sistema político
estadunidense e que condiciona o processo decisório em política externa de defesa e
segurança: o Complexo Militar e Industrial.

VII METODOLOGIA
Do ponto de vista do método aplicado, o estudo tem por finalidade uma análise a
partir da descrição dos fatos históricos e acontecimentos políticos entremeados da busca
de interpretação (explicação), usando como fundamento duas ferramentas: a teoria
realista a partir da assunção da validade das premissas fundamentais do realismo
estrutural, mas centrado na perspectiva do realismo ofensivo e de seus impactos sobre o
processo de tomada de decisão no campo da política de segurança de Estado e de
elaboração de doutrinas estratégicas de longo prazo.

1 Este estudo, com fulcro no comportamento estratégico dos Estados Unidos ao longo da Guerra Fria e
que pode ter grande utilidade para a compreensão do cenário de segurança atual se encontra nas seguintes
referências teóricas: GARNETT, John; BAYLIS, John; BOOTH, Ken; WILLIAMS, Phil. Contemporary
Strategy. Theories and Concepts. Vol. I. Holmes & Meier. New York and London, 1987; WIRTZ, James
J.; LAVOY, Peter R. & SAGAN, Scott D. Planning the unthinkable: How New Powers Will Use Nuclear,
Biological, And Chemical Weapons. Introduction. Cornell University Press, New YorkIthaca and
London.2000.Pp 08-10
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Assim, a aplicação do método histórico-comparativo entre a Guerra Fria e o Pós-


Guerra Fria, com edição das doutrinas de segurança nacional que emergem desde o
governo Truman em diante, até culminar, já no pós-Guerra Fria, tendo em conta como
referencial empírico como se iniciaram determinadas guerras limitadas, seus objetivos
políticos e por que se encerraram. Tal estudo busca conferir um padrão constante e de
continuidade tanto nos elementos doutrinários como no comportamento da grande
potência hegemônica dentro do quadro das mudanças por que passa o sistema
internacional no plano da transição hegemônica.
Dessa forma, a pesquisa conta com a base documental contida em todas as os
documentos de estratégia produzidos pelo Estado norte-americano e culminam com o
Strategic National Guidance of 2012, o Quadriennial Defense Review de 2014 e a
Doutrina de Segurança Nacional de 2017 e os documentos de conteúdo doutrinário
militar da Força Aérea, da Marinha e do Exército norte-americanos mais recentes, além
de artigos em revistas especializadas de relações internacionais, estudos estratégicos e
orçamentários no plano das encomendas e gastos com sistemas de armas do
Departamento de Defesa e de instituições de estudos a ele relacionadas como a Rand
Corporation, do Center for Strategic and Budgetary (CSBA) e do Instituto de Estudos
Estratégicos (IISS).

Variáveis
Para os fins do trabalho a causa fundamental primeira é a capacidade militar
dissuasória aeronaval das forças armadas estadunidenses. Sendo assim, é a variável
independente (Vi) cujo resultado são duas variáveis dependentes (Vd1 e Vd2),
respectivamente, a primazia norte-americana mediante a manutenção da balança de
poder como contenção e divisão do polo eurasiano (variável dependente 1) e a dianteira
na competição pela acumulação de capital (variável dependente 2). Estas duas variáveis
são intermediadas por uma variável interveniente como fio condutor da relação causal
proposta.
Aqui, para todos os efeitos da pesquisa, a variável interveniente é a existência do
complexo militar-industrial, nucleado pela Força Aérea e a Marinha dos Estados
Unidos. Nesse sentido, as doutrinas de emprego do poder militar por meio da dissuasão
combinada entre o poder das armas estratégicas convencionais e nucleares em cenários
de guerra limitada contra a China e a Rússia são efeito lógico da existência do núcleo
decisório e permanente presente nestas instituições militares.
Por fim, tendo em conta o relevante grau de incidência e imprevisibilidade do
processo de negociação política envolvendo as demandas dos setores das Forças
Armadas e das empresas de defesa em face da relação entre a política de gastos
militares e o orçamento federal de defesa estabelece-se como a condição variável o
papel das comissões de defesa do Senado dos Estados Unidos, uma vez que a mesma
interfere na relação causal proposta que busca explicar os problemas centrais e
derivados e a sua comprovação mediante as hipóteses centrais e derivadas. Esta
condição variável tem o poder de alterar o equilíbrio de poder interno entre os atores
institucionais que estabelecem prioridades estratégicas e as doutrinas de segurança
nacional e de natureza militar.
A comprovação da relação entre estas variáveis será feita a partir do emprego
complementar das teorias de Mearsheimmer e Arrighi a partir do estudo de casos que
envolvem o emprego das doutrinas de guerra limitada combinada com as estratégias de
balanceamento nas balanças regionais na Ásia-Pacífico e na Ásia–Central mediante o
método histórico e comparativo entre as estratégias de contenção norte-americanas
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utilizadas contra a URSS na Guerra Fria e as atuais estratégias políticas de contenção e


divisão do eventual polo russo chinês no pós-Guerra Fria.

Referente Empírico
Referente Empírico 1: Análise do processo de negociação, decisão, formulação
e implementação da política externa de defesa estadunidense tendo como objetivo a
competição estratégica com a China e a Rússia em termos de política permanente de
Estado a partir das prioridades estratégicas definidas pelos Departamentos da Força
Aérea e da Marinha.
Referente Empírico 2: O estudo, com foco no poder ofensivo aeronaval norte-
americano e discutir os dados apresentados nestes estudos a partir da avaliação de em
que medida possuem as forças armadas norte-americanas uma capacidade eficaz de
contra-arrestar as capacidades defensivas A2/AD.
Referente Empírico 3: Avaliação da relação entre diplomacia e doutrina militar
a partir do estudo das manobras diplomáticas de: (a) expansão da OTAN para o leste
europeu e (b) a instrumentalidade política da presença militar dos Estados Unidos na
Ásia Central como estratégias de fragmentação gradual e enfraquecimento do poder
russo.
Referente Empírico número 4: Descrição do processo de negociação, decisão,
formulação e implementação da política externa de defesa dos Estados Unidos a partir
das relações de dentro do sistema político, tendo como eixo as relações entre as
Comissões de Defesa e orçamento das duas casas legislativas, o Departamento de
Defesa e as empresas contratantes em relação ao orçamento de defesa e os gastos
militares com sistemas de armas estratégicas.
Confronto com o Referente Empírico 1: Este estudo busca testar as hipóteses
01 e 02 a partir do estudo do processo de negociação política da agenda do Pentágono e
de seu efeito sobre a produção de sistemas de armas de alta tecnologia e seu impacto
tanto sobre a capacidade dissuasória dos Estados Unidos como sobre o processo
produtivo no contexto da economia norte-americana no longo prazo.
Confronto com o Referente Empírico 2: Este estudo prospectivo de cenários
busca testar hipótese 03 abaixo descrita e, com isso, compreender a extensão das
capacidades aeronavais norte-americanas vis-a-vìs das chinesas e russas e, com isso,
discutir em que medida aquilo que a literatura denomina de dilema de segurança entre
as grandes potências se aplica aos casos americano e chinês, buscando concluir até que
ponto tal estudo aponta para a continuidade da balança de poder sob uma liderança ou
hegemonia americana ou, de outro modo, se esta balança penderá a favor de uma nova
hegemonia, no caso, o polo eurasiano.
Uma ilustração para isso pode ser compreendida no teste de uma dos
pressupostos da teoria de Mearsheimer sobre o poder parador da água em face da ênfase
tradicional do Pentágono no emprego da capacidade convencional aeronaval em apoio à
capacidade estratégica nuclear como condição de projeção de poder dissuasório nos
Mares do Sul e Leste chinês, em relação à China.
Nesse contexto, a hipótese de uma guerra limitada escalar para uma guerra
central em face de uma crise política em que a opção militar seja a resposta traz consigo
as hipóteses de conjunção de mais de uma guerra limitada são analisadas como uma
probabilidade séria para o médio e o longo prazo no século vinte e um, caso haja um
real dilema de segurança entre os dois principais polos do sistema internacional do
século atual em que os grandes interesses estratégicos das três principais grandes
potências do sistema colidam e afetam seus respectivos sistemas de balança regional na
Eurásia.
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Confronto com o Referente Empírico número 3: Este estudo buscará testar a


validade da hipótese 03 abaixo descrita e com isso evidenciar se a estratégia norte-
americana prévia de contenção como condição para afirmação gradual de um processo
de fragmentação e enfraquecimento do poder russo a partir da perda de influência
política, militar e econômica na região em face da política externa e de segurança russa
que visa recuperar prestígio politico e projetar poder em seu entorno regional estratégico
tradicional (Leste europeu e Ásia Central), o que é evidenciado pela política de defesa
do país em termos de busca de manutenção de dissuasão nuclear com a capacidade de
segundo ataque, sustentada pela construção de capacidades defensivas A2/AD, no
contexto da capacidade dissuasória e da doutrina da guerra limitada norte-americana
com efeitos sobre o sistema político internacional fundado no equilíbrio de poder entre
as grandes potências.
Confronto com o Referente Empírico número 4: Este estudo busca testar a
validade da hipótese 04 e evidenciar se a política de gastos militares do Departamento
de Defesa influencia as autorizações das comissões de defesa e orçamento do Senado
para as escolhas das compras governamentais relativas a determinados sistemas de
armas encomendados pela USAF e pela USNAVY, dado que pelo sistema de
accountability da democracia norte-americana, os sistemas de freios e contrapesos sobre
o Poder Executivo norte-americano podem impactar nas doutrinas de segurança
nacional e militar em termos de restrições orçamentárias no setor de defesa tornando
necessária a revisão de prioridades estratégicas e doutrinárias que irão impactar sobre o
sistema de balanço de poder.

Níveis de análise – A pesquisa tratará de níveis de análise encadeados de forma


complementar e que são os seguintes:

a) Estrutura Sistêmica: Aqui propõe-se o estudo da estrutura fundada na


distribuição de capacidades dos Estados que condicionam o sistema internacional em
termos das polaridades no campo da segurança: as grandes potências. Este estudo inicia
a partir do pressuposto de que em que pesem as categorias analíticas de teorias
sistêmicas distintas como a de Arrighi e a de Waltz (e Mearsheimer) serem de matriz
distintas – a primeira com foco na centralidade da economia como núcleo de uma
estrutura sistêmica ao passo que as segundas centram-se na lógica do poder militar –
quando confrontadas com a dinâmica da realidade dos processos políticos que envolvem
a interação das unidades estatais no plano externo (relações internacionais) e quando
vistas de dentro de suas unidades (plano interno do Estado), verifica-se no mundo dos
fatos (dados empíricos) que existe uma forte complementaridade e interdependência
entre estas duas dimensões da realidade da interação entre as nações e interna às nações
na explicação do comportamento das grandes potências.
Nesse sentido, pode-se estabelecer que a teoria, com sua metodologia e hipóteses
verificáveis é uma tentativa de simplificação, abstração e organização da reflexão para a
análise lógica, racional e científica sobre os acontecimentos dinâmicos e muitas vezes
complexos quando diante de um conjunto de dados empíricos que no campo da politica
internacional significa a tentativa racional de explicar as ações políticas dos Estados que
envolvem percepções (de ameaça), incentivos (à autoajuda antes que à cooperação) em
dinâmicas que envolvem a compreensão de que o Estado é um conjunto de instituições
em interações complexas em que variações nas intensidades de uma decisão ou
alternância de determinados objetivos políticos mediatos e de curto prazo (relacionados
com determinados programas ou planos de governo no campo das relações exteriores)
convivem com a perpetuação de objetivos permanentes e de longo prazo e, por isso
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mesmo, de natureza estratégica, pois a estratégia, a grande estratégia é um conjunto de


princípios políticos e doutrinários que orientam os meios militares não apenas a ganhar
uma guerra, mas a garantir a sobrevivência de uma sociedade política e
institucionalizada como é o Estado contemporâneo.
Esta complexidade do mundo dos fatos não significa que a mesma não possa ser
apreendida de forma adequada por um paradigma alternativo em que não apenas uma
teoria, mas um conjunto de teorias possa ser a resposta viável e mais adequada a
interpretar de forma mais completa o mosaico que é a realidade da política
internacional. Assim, a compreensão de que o padrão de relações entre as grandes
potências é pautado não apenas pela competitividade estratégico-militar mas também
pela competição por mercados não obriga o pesquisador necessariamente a uma escolha
por uma dimensão explicativa da realidade, mas por mais de uma dimensão que possa
trazer luzes sobre como percepções e crenças de instituições e de indivíduos (estadistas,
diplomatas e militares) podem perfeitamente harmonizar-se com as tendências
estruturais da realidade internacional fundada em duas pedras angulares em que se
baseiam a sobrevivência de um Estado: capacidade militar e recursos econômicos.
Nesse sentido, o interesse estratégico de acumulação de capital que é a síntese
do acordo de elites políticas e econômicas dentro e fora das instituições públicas
(Estado) casa-se perfeitamente com outro pacto de elites (política, militar e econômica),
fundada na aquisição de meios de provimento de segurança ao processo de acumulação
de capital. E nesta encruzilhada que o realismo politico estrutural se encontra com a
teoria dos ciclos sistêmicos de acumulação de capital.
b) Teorias instrumentais: No contexto do seu devido enquadramento nas
teorias sistêmicas, são aquelas que explicam o comportamento de instituições e agentes
individuais (estadistas, militares, diplomatas), dentro da lógica do realismo e de seu
diálogo com abordagens institucionalistas e culturalistas, sem perder a pureza
metodológica do mesmo, este diálogo pode ser de grande utilidade para dar um sentido
de lógica para a compreensão do comportamento às vezes contraditório entre a política
oficial de um Estado e a de algumas instituições.
Sempre dentro da visão de que podem ser complementares, as abordagens com
foco na teoria organizacional, de um lado, e na cultura institucional, de outro,
demonstram que a elaboração de doutrinas de segurança nacional e das forças militares
singulares é não só um espaço de afirmação de interesses setoriais, como também no
plano inter e intrainstitucional, reveladora de que o plano da competição entre
indivíduos e de instituições é uma consequência lógica, um efeito do cenário
hobbesiano dado pelo sistema de Estados, fundados na competição por poder.
Assim, as doutrinas, a organização e a cultura institucional são efeito, no plano
do processo de tomada de decisão no plano conjuntural, dos condicionamentos da
estrutura sistêmica, cujo eixo é tanto o estratégico-militar como o econômico (aqui
entendido como reprodução de capital com tecnologia). Agrega-se a este estudo a
percepção do estudo dos grandes interesses estratégicos de contenção e divisão do polo
eurasiano em Zigbnew Bzerzinsky.
c) Categorias utilizadas: Na pesquisa utiliza-se como categorias para a análise
do estudo as noções de acumulação de capital, balanço de poder, dissuasão, capacidade
aeronaval convencional e nuclear, competição estratégica, sistema político e elites
política, militar e econômica.

VIII PLANO DE TRABALHO


A elaboração da pesquisa e suas etapas envolvem a organização e sistematização
dos dados coletados que embasarão a produção de análises fundamentais para as
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políticas públicas. O trabalho leva em consideração que o resultado do estudo terá


grande relevância para ser utilizado como base para a confecção de dossiês que possam
servir à produção de políticas públicas dos órgãos e agências do Estado brasileiro
relacionados com as atividades de inteligência, segurança, defesa e relações exteriores,
tendo em vista a importância não só acadêmica mas também político estratégica do
tema da pesquisa para a formulação e implementação de políticas públicas em relação
ao sistema internacional condicionado pela ação das grandes potências.
Neste contexto, as fases aqui propostas correspondem à sistematização do
esforço de trabalho, gerenciamento e disseminação, também aqui as cinco etapas
propostas são indicativas das tarefas a serem empreendidas. Assim sistematizamos o
esforço em cinco etapas:
Planejamento e requerimento informacional: Trata-se de realizar o
planejamento e a seleção das fontes a serem consultadas para a confecção do trabalho.
Efetuar a seleção de livros, artigos, periódicos, sites na internet, de onde será coletado,
organizado, e sistematizado, o trabalho de coleta de informes e das análises
preexistentes.
Gerenciamento dos dados coletados: O trabalho supõe a coleta de dados
bastante heterogêneos. Em alguns casos trata-se de operar uma revisão bibliográfica e
uma resenha das principais análises sobre o desenvolvimento das capacidades militares
dos Estados Unidos. Em outros casos, trata-se de coletar dados brutos, disponíveis na
internet, sobre o papel de capacidades específicas (aérea, naval e terrestre
convencionais.) e estabelecer seu nexo com o processo de formação da capacidade
industrial de defesa e, a partir desse dado, estabelecer as relações de causa e efeito sobre
o processo de acumulação de capital e sobre o sistema político no campo da agenda de
política externa. O gerenciamento de dados trata, pois de uma etapa claramente
identificada e extremamente relevante para confecção do trabalho e de seus possíveis
subprodutos.
Processamento e análise das informações obtidas: Feito o gerenciamento das
fontes é preciso sistematizar o trabalho de análise vinculando os as relações de
causalidade existentes entre os dados obtidos e o processo de digitalização sobre a
capacidade dissuasória aeronaval e a guerra limitada. Neste estágio do trabalho já será
possível divisar, para além do relatório final, outros da pesquisa que possam ter
relevância para a elaboração de políticas públicas.
Produção de relatórios, informes e estudos: Como mencionamos, além do
relatório final, que será encaminhado obrigatoriamente ao CNPq, também remeteremos
a esta instituição informes (traduções, compilações e resenhas) e estudos sobre áreas
específicas, nas quais a análise das capacidades estadunidenses acerca da guerra
limitada podem ter relevância para o impacto sobre o sistema político fundado num
pacto entre elites políticas, econômicas e institucional-burocrática, o que tem grande
capacidade de influenciar a formulação de uma política externa de defesa.
Organização de atividade de extensão: Discussão sobre a análise dos
resultados dos dados coletados na pesquisa mediante a organização de seminários de
relações internacionais e estudos estratégicos e cursos de extensão universitária a partir
da conclusão da pesquisa e futura elaboração de Livros a serem publicados pelas
editoras da instituição, relacionadas com a pesquisa em política internacional, com a
participação de núcleo de docentes coordenadores e alunos bolsistas.
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IX CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

ATIVIDADES/SEMESTRES Jan- Jul- Jan- Jul-


2019/2021 Jun/2019 Dez/2019 Jun/2020 Dez/2020
Revisão documental dos dados X
Análise de documentos oficiais X
Coleta de dados X
Análise e gerenciamento de dados X
Reuniões do grupo de pesquisa X X X
Pesquisa e análise, emprego da X
metodologia e redação preliminar
Revisão e apresentação do X
relatório final

X RESULTADOS ESPERADOS

Publicação de Livro: Pretende-se que o livro seja uma espécie de guia de


referência do tipo manual acerca dos assuntos relacionados com o estudo da relação
entre sistema internacional e a existência de um complexo industrial e seu papel na
formação dos interesses geoestratégicos estadunidenses e de sua forte incidência sobre o
processo decisório em política externa. O propósito é permitir que o CNPq disponha de
material publicável, sobre o papel da doutrina militar sobre cooperação securitária e o
sistema de balanço de poder entre grandes potências e seus impactos sistêmicos sobre as
estratégias de inserção de grandes Estados periféricos como o Brasil no sistema
internacional, que sirva para a formação de especialistas civis em cursos de graduação e
pós-graduação.
Produção de Dossiês: Trata-se de um conjunto de textos sobre um assunto
específico que diga respeito à intercessão dos temas propostos (sistema internacional,
doutrina militar, sistema político e o complexo industrial-militar), mas cujo teor, pelo
grau de especialização não permite seu aproveitamento integral no relatório. Trata-se de
reunir os principais textos de referência acadêmica internacional e governamental e
realizar uma análise acerca do conteúdo contido nestes materiais.
Criação de um Banco de Dados: Trata-se de reunir um acervo, devidamente
indexado, de livros, artigos e resenhas que trate dos três assuntos, disponível on-line, em
formato digital, com links para matérias correlatas.
Currículo e Conteúdo Programático: Produção de um programa piloto de uma
disciplina de pós-graduação e uma de graduação com uma seleção dos melhores textos,
para efeitos didáticos, sobre os três assuntos aqui relacionados (sistema internacional,
doutrina militar, complexo industrial militar e processo político decisório).
Pesquisa: A base de dados consolidada, os dossiês e as disciplinas (na pós e na
graduação) deverão servir como suporte para a formação de uma massa crítica mínima
de estudantes e candidatos dispostos a tratar dos assuntos relacionados, em artigos,
trabalhos de conclusão de cursos, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

XI BIBLIOGRAFIA

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People’s Republic of China 2010, Office of the Secretary of Defense, Military and
Security Developments Involving the People’s Republic of China 2010.
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BASSANI. Saving the World for Democracy: An Historical Analysis of America’s
Grand Strategy in the 21st Century by Colonel Joe Bassani United States Army
BELASCO. Defense Spending and the Budget Control Act Limits Amy Belasco
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Geostrategic Imperatives. Maps. 223 pp. New York:
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1987.
HEGINBOTHAM, Eric.The U.S.-China Military: Scorecard, Forces, Geography, and
the Evolving Balance of Power 1996–2017, Heginbotham, Eric, author. The U.S.-China
military scorecard : forces, geography, and the evolving balance of power, 1996-2017 /
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Publication Data, www.rand.org/t/rr392 Published by the RAND Corporation, Santa
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MEARSHEIMMER, John. . (2001). The tragedy of great power politics. New York:
W.W.Norton & Company.

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