Você está na página 1de 4

Universidade Federal do Espírito Santo

Departamento de Matemática – CCE


P1 – Cálculo I (MAT09570) – 09/04/21 (tarde)

GABARITO

1. (3,5) Determine, se existir:


(a) (1,5) a equação da reta tangente à curva (𝒙 − 𝟏)𝒚 + 𝒆𝒚 = 𝒆, no ponto de abcissa 𝒙 = 𝟏.
(b) (1,0) 𝑭′ (𝟏), em que 𝑭(𝒙) = 𝒇(𝟐𝒇(𝒙)), 𝒇 é derivável e 𝒇(𝟏) = 𝒇′ (𝟏) = 𝟏⁄𝟐.
𝒈(𝒙)
(c) (1,0) 𝐥𝐢𝐦 , supondo que 𝒈 tem duas derivadas, 𝐥𝐢𝐦 𝒈(𝒙) = 𝐥𝐢𝐦 𝒈′ (𝒙) = 𝟎 e
𝒙→𝟎 𝒙𝟒 𝒙→𝟎 𝒙→𝟎
𝐥𝐢𝐦 𝒈" (𝒙) = −𝟏.
𝒙→𝟎

Solução:
(a) Para a abcissa 𝑥 = 1, encontramos a ordenada 𝑦 = 1.
(1,0) De fato, temos:
(𝑥 − 1)𝑦 + 𝑒 𝑦 = 𝑒 ⟹
⏟ (1 − 1)𝑦 + 𝑒 𝑦 = 𝑒 ⟹ 𝑒 𝑦 = 𝑒1 ⟹ 𝑦 = 1.
𝑥=1
Assim, já temos o ponto (1, 1) da curva na qual se pede a equação da reta tangente.
Necessitamos agora da inclinação dessa reta.
Para obtermos a inclinação da reta tangente, necessitamos achar 𝑦′|(1,1):
Derivando implicitamente temos:
𝑑 𝑑
[(𝑥 − 1)𝑦 + 𝑒 𝑦 ] = 𝑒 ⟹ (𝑥 − 1)𝑦 ′ + 𝑦 + 𝑒 𝑦 𝑦 ′ = 0 ⟹ (𝑥 − 1 + 𝑒 𝑦 )𝑦 ′ = −𝑦
𝑑𝑥 𝑑𝑥
𝑦 1 1
⟹ 𝑦′ = 𝑦
⟹ 𝑦′|(1,1) = 1
⟹ 𝑦′|(1,1) = −
1−𝑥−𝑒 1−1−𝑒 𝑒
(0,5) Logo, a equação da reta tangente requerida é:
1 1 1+𝑒
𝑦 − 1 = 𝑦 ′ |(1,1) ∙ (𝑥 − 1) ⟹ 𝑦 = − ∙ (𝑥 − 1) + 1 ⟹ 𝑦 = − 𝑥 + ∎
𝑒 𝑒 𝑒

(b) (0,5) Pela Regra da Cadeia temos:


𝐹 (𝑥) = 𝑓(2𝑓 (𝑥)) ⟹ 𝐹 ′ (𝑥) = 𝑓 ′ (2𝑓(𝑥)) ∙ [2𝑓(𝑥)]′ ⟹ 𝐹 ′ (𝑥) = 𝑓 ′ (2𝑓(𝑥)) ∙ 2𝑓 ′ (𝑥).
(0,5) Substituindo os dados fornecidos, temos:
𝐹 ′ (1) = 𝑓 ′ (2𝑓(1)) ∙ 2𝑓 ′ (1) ⟹ 𝐹 ′ (1) = 𝑓 ′ (2(1⁄2)) ∙ 2 (1⁄2) ⟹ 𝐹 ′ (1) = 𝑓 ′ (1)
⟹ 𝐹 ′ (1) = 1⁄2 ∎
(c) (1,0) Temos que:
lim 𝑔(𝑥) = 0 e lim 𝑥 4 = 0.
𝑥→0 𝑥→0
𝑔(𝑥) 0
Logo o lim é do tipo (0). Usemos L’Hôspital para resolver:
𝑥→0 𝑥 4
𝑔(𝑥) 𝐿′𝐻 𝑔′ (𝑥) 𝐿′𝐻 𝑔′′ (𝑥) −1 𝑔(𝑥)
lim =
⏞ lim =
⏞ lim = + = −∞ ⟹ lim 4 = −∞ ∎
𝑥→0 𝑥 4 ⏟
𝑥→0 4 𝑥 3 𝑥→0 12 𝑥 2 0 𝑥→0 𝑥
0
( )
0

−𝟐𝒙
2. (3,0) A derivada de uma função 𝒇 é dada por 𝒇′ (𝒙) = (𝒙𝟐 −𝟏)𝟐. Determine:
(a) o domínio de 𝒇 (admita que é o mesmo de 𝒇′) e os intervalos onde 𝒇 é
crescente/decrescente.
(b) todos os números onde ocorrem máximo ou mínimo locais de 𝒇.
(c) intervalos de concavidade e pontos de inflexão de 𝒇.

1
(d) um esboço, sabendo ainda que 𝒇 é função par, 𝒚 = 𝟏 é assíntota horizontal, 𝒙 = 𝟏 é
assíntota vertical.

Solução:
(a) (0,5) Domínio de 𝑓 ′ é:
𝐷(𝑓 ′ ) = {𝑥 ∈ ℝ | (𝑥 2 − 1)2 ≠ 0} = {𝑥 ∈ ℝ | 𝑥 ≠ −1, 𝑥 ≠ 1} = ℝ − {−1, 1}
ou ainda, 𝐷(𝑓 ′ ) = (−∞, −1) ∪ (−1, 1) ∪ (1, ∞).
Como 𝐷(𝑓 ′ ) = 𝐷(𝑓), segue então que:
𝐷(𝑓) = ℝ − {−1, 1} = (−∞, −1) ∪ (−1, 1) ∪ (1, ∞)
Temos que:
−2𝑥
𝑓 ′ (𝑥) = 0 ⟺ = 0 ⟺ −2𝑥 = 0 ⟺ 𝑥 = 0
(𝑥 2 − 1)2
Logo, 𝑥 = 0 é ponto crítico da função 𝑓.
Para estudarmos os intervalos onde 𝑓 é crescente/decrescente, devemos estudar os sinais da
derivada primeira nos intervalos de definição da função, isto é, nos intervalos (−∞, −1),
(−1, 0), (0, 1) e (1, ∞).
(0,5) Temos:
Intervalo −2𝑥 (𝑥 2 − 1)2 𝑓 ′ (𝑥 ) 𝑓 (𝑥)
𝑥 < −1 + + + Crescente
−1 < 𝑥 < 0 + + + Crescente
0<𝑥<1 − + − Decrescente
𝑥>1 − + − Decrescente

Assim, a função 𝑓 é crescente em (−∞, −1) e em (−1, 0) e 𝑓 é decrescente em (0, 1) e em


(1, ∞).

(b) (0,25) Pelo item anterior, vemos que 𝑥 = 0 é o único ponto crítico da função 𝑓 e pela tabela
vemos que 𝑓 é crescente em (−1, 0) e 𝑓 é decrescente em (0, 1), o que nos possibilita a afirmar
que 𝑥 = 0 é um ponto de ponto de máximo local assumindo o valor máximo local 𝑓(0) = 0.

(c) (0,5) Para estudar as concavidades da função em intervalos de definição desta,


necessitamos estudar os sinais da derivada segunda nestes intervalos.
Temos:
′( )
−2𝑥 ′′ ( )
(𝑥 2 − 1)2 ∙ (−2) − 2𝑥 ∙ 2(𝑥 2 − 1) ∙ 2𝑥
𝑓 𝑥 = 2 ⟹𝑓 𝑥 =
(𝑥 − 1)2 (𝑥 2 − 1)4
2 2 2
′′ ( ) 2
−2(𝑥 − 1) + 8𝑥 ′′ ( )
6𝑥 2 + 2
⟹ 𝑓 𝑥 = 𝑥 −1 ( ) ⟹ 𝑓 𝑥 = 2
(𝑥 2 − 1)4 (𝑥 − 1)3
′′ ( )
Temos que não existe 𝑥 ∈ ℝ tal que 𝑓 𝑥 = 0. Assim, a função não possui ponto de inflexão.
(0,5) Estudemos agora os sinais de 𝑓 ′′ nos intervalos de definição de 𝑓:
Intervalo 6𝑥 2 + 2 (𝑥 2 − 1)3 𝑓 ′′ (𝑥) 𝑓 (𝑥)
𝑥 < −1 + + + Côncava p/ cima
−1 < 𝑥 < 1 + − − Côncava p/ baixo
𝑥>1 + + + Côncava p/ cima

Assim, a função 𝑓 é côncava para cima nos intervalos (−∞, −1) e (1, ∞) e é côncava para baixo
no intervalo (−1, 1).

(d) (0,75) um esboço, sabendo ainda que 𝑓 é função par, 𝑦 = 1 é assíntota horizontal, 𝑥 = 1 é
assíntota vertical.

2
𝑦

𝑦 = 𝑓(𝑥)

−1 0 1 𝑥

3. (2,0) Uma câmera de televisão está posicionada a 900 metros de uma base de lançamento
de foguete. O ângulo de elevação da câmera varia de modo que a câmera se mantenha
apontada na direção do foguete. Suponha que o foguete sobe verticalmente a uma velocidade
100 metros por segundo num instante em que já subiu 1200 metros. Quão rápido está
variando o ângulo de elevação naquele momento?
Foguete

Câmera 900 Base

Solução: Sejam:
𝑦: distância vertical (em metros) do foguete à base
𝜃: medida do ângulo de elevação (em radianos)
Ambos 𝑦 e 𝜃 são funções deriváveis de 𝑡 (tempo em segundos).
𝑑𝜃 𝑑𝑦
Desejamos obter 𝑑𝑡 quando 𝑦 = 1200 e 𝑑𝑡 = 100.
(0,5) Temos a relação:
𝑦
tg 𝜃 = .
900
(0,5) Derivando implicitamente, em relação ao tempo 𝑡, obtemos
𝑦 𝑑 𝑑 𝑦 𝑑𝜃 1 𝑑𝑦
tg 𝜃 = ⟹ (tg 𝜃) = ( ) ⟹ sec 2 𝜃 =
900 𝑑𝑡 𝑑𝑡 900 𝑑𝑡 900 𝑑𝑡
(0,5) Para 𝑦 = 1200,
1200 4 4 2 25
tg 𝜃 = ⟹ tg 𝜃 = e sec 2 𝜃 = tg 2 𝜃 + 1 ⟹ sec 2 𝜃 = ( ) + 1 =
900 3 3 9
(0,5) Então,
𝑑𝜃 1 𝑑𝑦 25 𝑑𝜃 1 𝑑𝜃 1
sec 2 𝜃 = ⟹ ∙ = ∙ 100 ⟹ = = 0,04
𝑑𝑡 900 𝑑𝑡 9 𝑑𝑡 900 𝑑𝑡 25

Desta forma, o ângulo de elevação está variando a uma taxa de 0,04 rad/seg quando o foguete
está a 1.200 m da base e a uma velocidade de 100 m/s. ∎

3
4. (1,5) Corta-se um fio de 8 cm de comprimento em duas partes. Com uma das partes
forma-se um quadrado e com a outra um círculo. Seja 𝒙 o comprimento (em cm) da parte do
fio destinada ao quadrado. Que comprimento deve ter cada parte de modo que a área total
𝒙𝟐 (𝟖 − 𝒙)𝟐
𝑨(𝒙) = +
𝟏𝟔 𝟒𝝅
para 𝒙 ∈ [𝟎, 𝟖] seja máxima?

Solução: Temos o diagrama:

𝑥 8−𝑥

𝑥 8−𝑥
𝑟 𝑟=
4 2𝜋

Seja 𝑥 o comprimento, em centímetros, da parte do fio destinada à confecção do quadrado. O


restante do fio, isto é, (8 − 𝑥) centímetros serão destinada ao círculo.
A área do quadrado formado pelo fio de 𝑥 cm é de
𝑥 2 𝑥2
𝐴⊡ = ( ) = ,
4 16
pois o quadrado possui lado 𝑥 ⁄4.
A área do círculo formado a partir da parte restante do fio é
8 − 𝑥 2 (8 − 𝑥)2
𝐴⊙ = 𝜋 ( ) =
2𝜋 4𝜋
pois o círculo terá perímetro 2𝜋𝑟 = 8 − 𝑥 ⟹ 𝑟 = 8 − 𝑥)⁄2𝜋 . Queremos maximizar a área
(
total
𝑥 2 (8 − 𝑥)2
𝐴(𝑥) = + (parábola) para 𝑥 ∈ [0, 8].
16 4𝜋
(0,5) Temos,
𝑥 2(8 − 𝑥)(−1) 𝑥 8−𝑥
𝐴′ (𝑥) = + ⟹ 𝐴′ (𝑥) = −
8 4𝜋 8 2𝜋
𝑥 𝑥 4 1 1 4 𝜋+4 4
⟹ 𝐴′ (𝑥) = + − ⟹ 𝐴′ (𝑥) = ( + ) 𝑥 − ⟹ 𝐴′ (𝑥) = ( )𝑥 −
8 2𝜋 𝜋 8 2𝜋 𝜋 8𝜋 𝜋
(0,5) Daí,
𝜋+4 4 𝜋+4 4 4 8𝜋
𝐴′ (𝑥) = 0 ⟹ ( )𝑥 − = 0 ⟹ ( )𝑥 = ⟹ 𝑥 = ∙
8𝜋 𝜋 8𝜋 𝜋 𝜋 𝜋+4
32
𝐴′ (𝑥) = 0 ⟹ 𝑥 = .
𝜋+4
Temos também que
𝜋+4
𝐴′′ (𝑥) = .
8𝜋
(0,5) Assim temos que
32 32 𝜋+4 32
𝐴′ ( ) = 0; 𝐴′′ ( )= >0 ⟹𝑥= é ponto de mínimo.
𝜋+4 𝜋+4 8𝜋 𝜋+4
Logo o máximo deverá ocorrer em algum extremos do intervalo de definição da função área
𝐴(𝑥).
Temos
64 16 64
𝐴(0) = = ≈ 5,1 ; 𝐴(8) = =4
4𝜋 𝜋 16
Visto que 𝐴(𝑥) é uma parábola de concavidade pra cima, o máximo para a função área 𝐴(𝑥) no
intervalo [0, 8] ocorre para 𝑥 = 0 e todo o fio deverá ser usado na confecção do círculo. ∎

Você também pode gostar