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Disciplina – SISTEMÁTICA DE CRIPTÓGAMAS

Graduação em CIÊNCIAS BIOLÓGICAS/UFMS


Relatório BRIÓFITAS - ANO 2019

AMOSTRAGEM DE BRYOPHYTA E MARCHANTIOPHYTAS EM MATA CILIAR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO


GROSSO DO SUL, CAMPUS CAMPO GRANDE
Lucas S. Rodrigues¹*, Janaina S. B. Anazgo² Evandro S. Silva³
¹²³ Graduação em Ciências Biologicas – Bacharelado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande
MS. (UFMS) *lucassala868@gmail.com

INTRODUÇÃO

As briófitas são plantas pequenas e avasculares que tendem a preferir ambientes úmidos e
sombreados. Tipicamente são epífitas, ou formam pequenas touceiras, ademais formam finas e extensas
camadas na superfície do solo, raramente atingem tamanhos além de alguns centímetros de altura. No
entanto, já foi registrado na literatura alguns espécimes com 40 cm [1]. Estudos apontam para uma divisão
em três filos distintos: Antocherophyta, Marchantiophyta e Bryophyta. Essas plantas, apresentam um ciclo
de vida conhecido como alternância de gerações heteromórficas, sendo a geração gametofítica haplóide (n)
dominante, enquanto a geração esporofítica diplóide (2n) dependente e efêmera [2]. Dados recentes
apontam a sua origem no Devoniano inferior, cerca de 400 milhões de anos atrás, como esses organismos
permaneceram praticamente sem mudanças e com taxas de mutação muito baixas, são consideradas um
grupo de plantas conservativas e, por essa razão, muitas características dos táxons atuais são idênticas às
dos fósseis.
Atualmente existem cerca de 15.100 espécies de briófitas no mundo, das quais 10.000 são musgos,
5.000 hepáticas e 100 antóceros, formando o segundo maior grupo de plantas terrestres, seguidos das
angiospermas [3]. Segundo Peralta & Yano (2011) [4], o Brasil abriga 20% de todas as briófitas do mundo
com 3.125 táxons, porém normalmente não formam uma parte predominante da vegetação, como ocorre
em regiões de tundra ou em brejos ácidos nas regiões temperadas. Entretanto, em serras e matas úmidas,
costumam ser uma parte importante da vegetação como biomassa significante [1]. Briófitas também são de
grande interesse em ecologia, sendo valiosos indicadores ecológicos, pois são sensíveis a pequenas
mudanças em condições ambientais e, especialmente, como indicadores de poluição [1]. Por essa razão, as
briófitas foram objetivo de estudo na disciplina de Sistemática de Criptógamas, e tema deste relatório.

METODOLOGIA

A coleta foi realizada no dia 12 de setembro de 2019, com tempo amostral de 45 minutos, em um
fragmento de mata localizado próxima à piscicultura, dentro do campus da Universidade Federal do Mato
Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande (figura 1). Local antropizado, notabilizado por vestígios de
deposição de lixo tanto na mata quanto no córrego adjacente, possui uma vegetação característica do
Cerradão, abrigando uma boa cobertura arbórea propiciando as briófitas um ambiente com pouca luz e
umidade.

Figura 1. Local de coleta; UFMS, mata ciliar, na cidade de Campo Grande – MS. Fonte: Google Maps.
A coleta de material prosseguiu-se conforme a técnica indicada em Fidalgo & Bononi (1989) [5] e
Peixoto & Maia (2013) [6]. Que consiste em extrair uma pequena parte do súber da árvore, utilizando uma
faca de serra (figura 2).

Figura 2. Briófitas ainda no súber antes da coleta. Fonte: acervo dos autores.

A área amostral foi aleatória, compreendendo uma única parcela com 5 metros quadrados no qual
foi coletado todos os indivíduos inclusos em árvores ou em troncos no solo. O material, inicialmente foi
acondicionado em envelopes de papelão sendo posteriormente secados e montados conforme a técnica
indicada pelo docente da disciplina (Maria Rosângela Sigrist). O mesmo foi observado no decorrer das aulas
práticas, que ocorreram nos dias 19 e 26 de setembro, assim como em 03 e 10 de outubro, no laboratório
de lupas da UFMS. Material foi examinado nas lupas utilizando placas de petri, enquanto na microscopia de
luz, foi montado lâminas contendo fragmentos do talo ou dos filídios. A identificação em nível de família
ocorreu por meio da utilização da chave dicotômica [7]. Por fim no dia 23 de outubro foi realizado a
anexação do material no Herbário CGMS.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dentre as 8 amostras de briófitas analisadas, foram encontradas 4 famílias. Sendo 5 espécimes de


musgos (Bryophyta), 3 espécies de hepáticas (Marchantiophyta), das quais Leucomiaceae apresentou
maior riqueza representando 50% da amostragem, seguido pela família Lejeuneaceae com 25% e por fim
Lepidoziaceae e Calymperaceae com 12,5% cada (tabela 1).

Tabela 1. Classificação dos indivíduos coletados na mata ciliar da UFMS, campus de Campo Grande
Filo Classe Ordem Família Morfotipo
Marchantiophyta Jungermanniopsida  Jungermanniales  Lejeuneaceae  Morfotipo 1
Marchantiophyta Jungermanniopsida  Jungermanniales  Lejeuneaceae  Morfotipo 2
Marchantiophyta Jungermanniopsida  Jungermanniales  Lepidoziaceae  Morfotipo 1
Bryophyta  Bryopsida  Hookeriales  Leucomiaceae  Morfotipo 1
Bryophyta  Bryopsida  Hookeriales  Leucomiaceae  Morfotipo 2
Bryophyta  Bryopsida  Hookeriales  Leucomiaceae  Morfotipo 3
Bryophyta  Bryopsida  Hookeriales  Leucomiaceae  Morfotipo 4
Bryophyta  Bryopsida  Pottiales Calymperaceae  Morfotipo 1

Chave de identificação dicotômica para as famílias encontradas. 


 
1a. Filídios dísticos --------------------------------------------------------------------------- 2 Marchantiophyta
1b. Filídios espiraladamente dispostos ------------------------------------------------- 3  Bryophyta
 
2a. Talo com lóbulo (complicado bilobado) ------------------------------------------ Lejeuneaceae (Figura 3A) 
2b. Talo sem lóbulo ------------------------------------------------------------------------ Lepidoziaceae (Figura 3B) 
 
3a. Plantas acrocárpicas ------------------------------------------------------------------ Calymperaceae (Figura 3C) 
3b. Plantas pleurocárpicas --------------------------------------------------------------- Leucomiaceae (Figura 3D) 

Lejeuneaceae: Plantas bem pequenas robustas, verdes ou verde-amarelas, às vezes pardas ou canelas
mas quase nunca rufescentes. Ramos infra-axilares (saindo debaixo da carena do filídio normal) .Rizóides
em tufos restringidos aos lados ventrais dos anfigastros ou dos talos. Filídios planos até côncavos, de várias
formas, margens inteiras, crenuladas ou dentadas. É uma família basicamente tropical, mas com elementos
nas regiões temperadas e até subpolares. São as hepáticas mais ubíquas nos trópicos de elevações baixas
e medianas crescendo sobre troncos, galhos e folhas, mais raramente sobre rochas e solos (figura 3A) [8].

Lepidoziaceae: Plantas pequenas bem robustas, usualmente laxas, não extensivamente adnatas ao
substrato, esbranquiçadas ou verdes até amarelo-pardas, pinaladas ou pseudodicótomas, tipicamente
folhosas ou mais raramente talosas (Pteropsiella); rizóides freqüentes ou raros sempre inseridos na base
dos anfigastros. É uma família quase cosmopolita com maior diversidade nas latitudes altas do Hemisfério
Austral e nas regiões montanhosas dos trópicos. São todas plantas de lugares úmidos e sombreados
crescendo sobre troncos vivos e caídos e no chão (figura 3B) [8].

Calymperaceae: Plantas pequenas até moderadamente robustas, verdes ou, às vezes, rúfulas, crescendo
em coxins ou tufos. A parte basal do filídio freqüentemente hialina, abraçando o talo, a parte superior
variável. Costa forte, alcançando até o ápice do filídio ou perto dele, freqüentemente com propágulos
septados na região apical. É uma família essencialmente tropical e com uma grande diversidade na
Amazônia, São plantas que crescem em sua maior parte nos troncos e galhos das árvores mas algumas
espécies ocorrem nas rochas e no solo (figura 3C) [8].

Leucomiaceae: Plantas pequenas até medianas, de textura suave e delicada. Talos rasteiros, ramificados
irregularmente, ou achatados. Filídios usualmente patentes, de várias formas embora tipicamente
ovado-lanceolados, e assimétricos. É uma família monotípica, pequena, tropical. Compartilha muitos
caracteres com as Hookeriaceae sendo uma das diferenças mais óbvias a forma da caliptra. ocorre em
florestas úmidas e sombreadas sobre troncos caídos e podres ou sobre tocos ou solos com húmus (figura
3D) [8].

Acreditasse que a escolha da metodologia interferiu nos resultados, obtendo assim, uma baixa
riqueza de famílias amostradas. Conforme a discrição na literatura de Griffin (1979) [8], as famílias
encontradas, são comuns por possuírem o hábito de estar sobre árvores e troncos, confirmando que a
metodologia utilizada foi inadequada para esse estudo, pois proporcionou condições específicas nas quais
estes indivíduos seriam elegidos, assim como o curto tempo amostral que limitou a área a ser percorrida,
resultando em material repetido e poucas amostras.

Figura 3. Prancha das famílias identificadas. A. Lejeuneaceae B. Lepidoziaceae C. Calymperaceae D. Leucomiaceae

AGRADECIMENTOS

​ Agradecemos aos membros do grupo, Lucas Sala Rodrigues, Janaina Saito Burgos Anazgo e Evandro Santos Silva pelo
empenho e dedicação para elaboração deste relatório, à professora Maria Rosângela Sigrist, que, com suas aulas possibilitou um
entendimento do conteúdo. Ainda, pela colaboração na parte de identificação do material, agradecemos ao Vitor Torres e a Flávia
Lemes, pela cordialidade, paciência e orientação durante as aulas práticas assim como à Ana Cristina de Meira Cristaldo pela ajuda na
anexação das amostras ao herbário CGMS.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Shepherd, G.J. 2003. Conhecimento de diversidade de plantas terrestres do Brasil. Instituto de Biologia - UNICAMP.
[2] Costa, D.P. & Luizi-Ponzo, A.P. 2010. Introdução: as briófitas do Brasil. Catálogo de plantas e fungos do Brasil. Rio de Janeiro:
Andrea Jakobsson Estúdio: Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
[3] Gradstein, S.R.; Churchill, S.P. & Salazar-Allen, N. 2001. Guide to the Bryophytes of Tropical America. Memoirs of the New York
Botanical Garden.
[4] Peralta, D.F. e Yano, O. 2011. Checklist de briófitas (Antocerotophyta, Bryophyta e Marchantiophyta) do estado de São Paulo. Biota
Neotrop.
[5] Fidalgo, O. & Bononi, V.L.R. 1989 (coord.). Técnicas de coleta, preservação e herborização de material botânico. Série Documentos.
Instituto de Botânica, São Paulo.
[6] Peixoto, A.L. & Maia L.C. (orgs). 2013. Manual de procedimentos para Herbário. Editora Universitária UFPE, Recife. 53p.
[7] Costa, D.P. et al. 2010. Manual de briologia. Interciência, Rio de Janeiro.
[8] Griffin, D. 1979. Guia preliminar para as Briófitas freqüentes em Manaus e adjacências.
I
MATERIAL SUPLEMENTAR
 
Tabela 2.  Caracteres utilizados para a confecção da chave de identificação dicotômica.

Família Filídio com lóbulos Inserção do esporófito

Lejeuneaceae  Presente

Lepidoziaceae  Ausente

Calymperaceae  Acrocárpico

Leucomiaceae  Pleurocárpico

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