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Aluno: Hugo Estefânio Silva

RA: 1622489

Cabe ação de improbidade administrativa em face de Ministro de Estado?

Essa discussão não é nova, todavia, no julgamento da Pet 3240/DF 1, julgado em


10/05/2018, o Supremo Tribunal Federal, por dez votos a um, teve a oportunidade de
pacificar a questão. Na oportunidade, assentou-se que os agentes políticos, com
exceção do presidente da República, encontram-se sujeitos a um duplo regime
sancionatório, e se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de
improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por
crimes de responsabilidade.
Até então, não havia entendimento definitivo sobre a matéria. Na Reclamação
2
2.138 , a Suprema Corte concluiu que os Ministros de Estado, por estarem regidos por
normas especiais de responsabilidade, não respondem por improbidade administrativa
com base na Lei nº 8.429/1992, mas apenas por crime de responsabilidade, nos termos
da Lei nº 1.079/19503.
Ocorre que esse posicionamento se mostrou superado. O ministro relator para
acórdão, Luís Roberto Barroso, em seu voto, argumentou que não haveria
fundamento constitucional para excluir a incidência da lei de improbidade,
notadamente, por três motivos principais: (i) os regimes de responsabilização – crimes
de responsabilidade e improbidade administrativa – têm objetos, natureza e escopos
distintos; (ii) as instâncias punitivas são independentes entre si (art. 37, §4º, CRFB/88);
(iii) violação aos princípios republicano e da isonomia, além de comprometer
gravemente a eficácia do combate à improbidade administrativa e à corrupção.
Além disso, no presente julgamento, foi enfrentada uma segunda questão:
possibilidade de extensão do foro privilegiado às ações de improbidade. Isso porque,
no julgamento da Pet 3.2114, o STF entendeu que eles detinham competência para
processar e julgar ação de improbidade contra seus próprios membros, estendendo o
foro privilegiado previsto para as infrações penais comuns à ação de improbidade.
Entretanto, esse entendimento também foi afastado por, nas palavras do
relator, não encontrar respaldo na Constituição, visto que o foro privilegiado somente
é destinado a abarcar as infrações penais, não se estendendo às causas de caráter civil,
pois, do contrário, haveria uma ampliação do rol taxativo da Constituição que cuida
das hipóteses de prerrogativa de foro.
Desse modo, em respeito à sujeição dos agentes políticos – exceto o Presidente
da República – ao duplo regime sancionatório em matéria de improbidade, é possível
afirmar que cabe ação de improbidade administrativa em face de Ministro de Estado,
que deverá ser julgada no primeiro grau de jurisdição.

1
Pet 3240/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 10/05/2018.
2
Rcl 2138/DF, Pleno, Rel. p/ acórdão Min. Gilmar Mendes, j. 13/06/2007, DJe de 18/04/2008.
3
Nesse sentido: Rcl 2.186 (Rel. Min. Gilmar Mendes, j. em 22.04.2008), RE 579799 AgR, (Rel. Min. Eros Grau,
Segunda Turma, j. em 02.12.2008) e no MS 31.234 MC (Rel. Min. Luiz Fux, j. em 22.03.2012).
4
Pet 3211 QO/DF, Pleno, Rel. p/ acórdão Min. Menezes Direito, j. 13/03/2008, DJe de 27/06/2008.

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