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Capítulo 4

Execução de Alvenarias
1. Considerações Gerais

Alvenarias são elementos da construção civil, resultantes da união de blocos sólidos,


justapostos, unidos com argamassa ou não, destinados a suportar, principalmente, esforços de
compressão.
Os blocos sólidos e resistentes que constituem as alvenarias podem ser simples blocos
de pedra, obtidas pela extração de pedreiras graníticas ou outros tipo de rocha, como também
podem ser fabricados especialmente para esse fim, como blocos cerâmicos, aglomerados com
cimento, de gesso ou mesmo de vidro. Nos capítulos 7 e 8 do livro de Materiais de
Construções são descritos os principais tipos de blocos empregados pela indústria da
construção civil.
As alvenarias podem ter simplesmente função de divisória e de delimitação, sendo
chamadas de alvenaria de vedação ou de divisão, bem como ter função de estrutura,
suportando carga de lajes, coberturas, caixas dágua, etc, sendo chamada, então, de alvenaria
estrutural.

Na figura 4.1 são apresentados blocos de alvenaria de vedação, estrutural, bem como
paredes com função de divisória e estrutural.

(a) (b)

(d)

(c) (d)
Figura 4.1: Bloco de vedação (a), bloco estrutural (b), alvenaria de vedação (c) e alvenaria
estrutural (d).
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2. Tipos de alvenaria

2.1. Alvenaria de pedra

A alvenaria de pedras pode ser de pedra bruta com ou sem argamassa. É muito usada
em muros de contenção de terra (muros de arrimo), que no caso de não serem argamassados,
permitem a saída de água pelos intervalos entre as pedras. A alvenaria de pedra pode também
ser de pedra aparelhada, nesse caso sempre argamassada, possuindo geralmente a forma de
paralelepípedo e chamadas de alvenaria de cantaria, sendo menos usada, devido exigir mão-
de-obra especializada e cara.
A argamassa destinada à alvenaria de pedra deve garantir a união das pedras,
mantendo a mesma resistência das aglomeradas. O traço indicado como normal para alvenaria
de pedra é 1:4 de cimento e areia grossa ou 1:2:2 de cimento, areia e saibro.
Na figura 4.2 são apresentados exemplos de alvenaria de pedra.

2.2. Alvenaria de tijolo cerâmico

Confeccionadas com blocos cerâmicos maciços ou furados, são as mais utilizadas nas
construções de um modo geral. O consumo de tijolo por m² de alvenaria, bem como, o
consumo de argamassa para assentamento, depende do tipo de tijolo, das suas dimensões e da
forma de assentamento.

Figura 4.2: Exemplos de alvenaria de pedra.


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2.2.1. Alvenaria de bloco cerâmico maciços

São indicados para fundações em baldrames, revestimento de poços, câmaras de


biodigestores, silos enterrados, cisternas para armazenamento d’ água, fossas sépticas, muros
de arrimo e paredes, externas ou internas, em que se haja necessidade de melhores
características de resistência. Em edificações residências, a alvenaria de blocos maciços
aparentes, permite a obtenção de composições arquitetônicas de ambientes rústicos, de
agradável visual.
Têm como inconveniente, quando comparada com a alvenaria de blocos furados, o
fato de consumirem mais blocos por m2, mais argamassa de assentamento e mais mão-de-obra
de colocação. Suas dimensões giram em torno de 6x10x20 cm3 com pequenas variações, de
acordo com a região.
Podem ser assentados das seguintes formas:

• meia vez

• uma vez

• uma vez e meia

Na figura 4.3 são apresentadas paredes executadas com blocos cerâmicos maciços.

Figura 4.3: Paredes executadas em blocos cerâmicos maciços.


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A tabela 4.1 indica, para os blocos cerâmicos maciços, de acordo com a forma de
assentamento, o consumo aproximado de blocos e de argamassa de assentamento por m² de
alvenaria executada.

Tabela 4.1: Consumo de blocos maciços e de argamassa de assentamento por m² de parede.

Forma de assentamento meia vez uma vez uma vez e meia


consumo de bloco (un.) 83 160 240
consumo de argamassa (L) 25 50 85

2.2.2. Alvenaria de blocos cerâmica furados

São constituídas por paredes executadas com blocos cerâmicos furados, de seis, oito
ou dez furos, de furos redondos ou quadrados, que proporcionam paredes mais econômicas,
por apresentarem custo inferior ao do maciço, bem como, sendo maiores e mais leves,
propiciam maior rapidez de execução. Os blocos furados têm também um bom
comportamento quanto ao isolamento térmico e acústico, devido ao ar que permanece
aprisionado no interior dos seus furos.
Os blocos furados cerâmicos, em paredes para vedação, podem ser assentados das
seguintes formas:

• meia vez ou em pé

• uma vez ou deitado

Quando se tratam de blocos cerâmicos furados especiais para alvenaria estrutural só


existe uma forma de assentamento, com os furos na vertical, conforme mostrado no esquema
a seguir.

• em pé

Nas figuras 4.1 (c) e (d) já foram mostradas paredes executadas com blocos furados
com função de vedação e estrutural.
A tabela 4.2 indica, de acordo com a forma de assentamento, o consumo de blocos e
de argamassa, para 1 m² de alvenaria, com blocos furados de 10x20x20 e 10x20x30, que são
os mais comumente usados em construções.
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Tabela 4.2: Consumo de blocos furados e de argamassa de assentamento por m² de parede.

Tipo de bloco 10x20x20 10x20x30 20x20x40


Assentamento em pé deitado em pé deitado em pé
Consumo de blocos (un) 25 50 25 50 12,5
Consumo de argamassa (L) 15 43 15 43 30

2.2.3. Alvenaria de blocos aglomerados com cimento

A alvenaria de blocos de concreto quando ao aspecto econômico, dependendo da


região, pode-se comparar aos tijolos cerâmicos furados.
Estes blocos são mais resistentes e maiores que os cerâmicos, possibilitando com isso
rapidez na execução, dispensando até, se desejarmos, o emboço como revestimento. São
encontrados nas dimensões de 10x20x40, para paredes de 10 cm de espessura, 15x20x40, para
paredes com 15 cm, e de 10x20x40, para as de 20 cm, sendo sempre assentados em pé com os
furos na vertical, conforme mostrado no esquema a seguir.

• em pé

Consomem 12,5 unidades por m² de alvenaria, para um consumo de argamassa de 15


L para o bloco 10x20x40, 23 L para o 15x20x40 e 30 L para 20x20x40.
Os traços mais indicados para assentamento de tijolos cerâmicos ou blocos de cimento
são 1:8 de cimento e saibro ou 1:4:4 de cimento, areia e saibro, para o caso de alvenarias não
estruturais, e 1:3:3 de cimento, areia e saibro para casos de alvenarias que irão receber outras
cargas além de seu peso próprio. Maiores detalhes sobre a dosagem das argamassas podem ser
encontradas no capítulo 4, do livro de Materiais de Construções.
Quando da execução da alvenaria, os tijolos devem ser molhados para que não
absorvam a água da argamassa de assentamento, não ocasionando diminuição de sua
resistência.

3. Execução de alvenarias

Concluída a estrutura de concreto armado de uma obra (seu esqueleto), inicia-se a


execução de sua alvenaria. Em obras de menor porte, as paredes são assentadas diretamente a
partir das fundações, sobre um radier, baldrame ou sobre a parte superior das vigas (cintas) de
concreto armado que amarram as sapatas de fundação. Para execução das alvenarias deve-se
dispor do projeto arquitetônico completo, visto que, principalmente, nas plantas baixa e de
corte é onde são encontradas as dimensões que devem ser obedecidas quando da confecção
das alvenarias.
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(b)

(a)
Figura 4.4: Execução de alvenaria após execução da estrutura (a) e antes da estrutura (b).

Escolhido o tipo de assentamento, são assentados os tijolos de canto, para poderem


servir de apoio a uma linha a ser esticada entre eles, com pregos fixados na argamassa das
juntas para servir de guia para a colocação dos tijolos da primeira fiada, que devem ficar
perfeitamente alinhados. É então completada a primeira fiada de alvenaria, verificando-se o
nivelamento (horizontalidade) com um nível de bolha, apoiado na régua de pedreiro,
procedendo-se dessa forma para todos os cantos, cruzamentos e extremidades (figura 4.5 (a)).
São, então levantadas, primeiramente, prumadas guias, com o cuidado de ficarem
perfeitamente verticais (de prumo), e com os tijolos colocados de forma que as juntas de cada
fiada fiquem desencontradas. São então assentadas as fiadas seguintes, uma a uma, até a altura
desejada (figura 4.5 (b)).

Deve-se observar os seguintes detalhes quando da execução das alvenarias:

• As juntas da argamassa de assentamento devem ser de 1,0 a 1,5 cm;


• Sobre as aberturas da portas e janelas deverão ser colocadas vergas, que são pequenas
vigas de madeira ou de concreto, para resistir aos esforços da alvenaria sobre as
aberturas (figura 4.6 (a)). As vergas de madeira não devem ser colocadas em vãos
superiores a 3 m ou para esquadrias metálicas. As de concreto poderão ser pré-
moldadas ou concretadas no local, com altura mínima de 10 cm e a largura da parede ;
• No caso das construções com estrutura independente de concreto armado, ao se
levantar a parede, é necessário deixar um espaço entre a última fiada de tijolos e a
viga. Esse espaço, com 20 cm aproximadamente, deve ser preenchido com tijolos
maciços assentados inclinados, chamando-se a esse procedimento “aperto de parede”.
Sua função é comprimir a alvenaria levantada contra a estrutura de concreto, de modo
a evitar o surgimento de trinca de retração na alvenaria. É preciso esperar cerca de sete
dias de cura da argamassa, para então realizar o “aperto da alvenaria” (figura 4.6 (b));
• Uma parede ao encontrar-se com outra deve ser “amarrada”, para não ocorra
trincamento nesse encontro. Alguns detalhes de amarração de encontros, cantos e
cruzamentos são indicados a seguir, para o tijolo furado em paredes de meia e
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(a)

(b)
Figura 4.5: Execução de alvenaria. Primeira fiada (a). Nivelamento e prumo (b).

APERTO

VIGA

(b)
(a)

Figura 4.6:Vergas em aberturas de portas e janelas (a) e execução de aperto de alvenaria (b).
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Figura 4.7: Detalhes de amarração.