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Organização Judiciária Aulas teóricas

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Art.1ºCPC: a regra no âmbito desta cadeira e do direito processual e adjetivo é a heterotutela,


os particulares lesados no âmbito dos seus direitos têm de recorrer ao estado e aos tribunias,
há uma proibição da autotutela, têm de recorrer aos tribunias para a justiça. Mas existem
determinados casos em que a autotutela é licita: ação direta, estado de necessidade e legitima
defesa, art.336ºCC.
Art.3ºnº1CPC: o tribunal não vai poder resolver conflitos de interesses que a ação pressupõe
sem que a ação seja pedida por uma das partes. Não há um impulso oficioso por parte do tribunal
iu do estado, tem de ser dado o impulso pelo particular, que pede ao tribunal a intervenção –
manifestação do principio do dispositivo, necessidade do pedido.
Os tribunais vão colocar-se numa posição supra partes, a função dos tribunais é
decidir o litigio de modo imparcial e nessa medida, a função jurisdicional tem como característica
a imparcialidade – ao nível da função administrativa a administração atua como parte, mas
aqui no âmbito da função jurisdicional, os tribunais tem de julgar de um modo independente e
imparcial.
O particular tem de dirigir um pedido ao tribunal, de que forma?

AÇÃO, DIREITO DE AÇÃO. é o direito do particular de provocar a atividade dos


tribunais para obter uma decisão relativamente a um litigio em concreto. O particular quer o
reconhecimento do seu direito e que o tribunal conceda a tutela judiciaria adequada
ao caso em concreto, o direito de ação está preciso no art.2ºnº2CPC. A ação não é una e
portanto distinguimos já as ações declarativas e as ações executivas. Art.10ºnº1CPC
Lançamos mão de uma ação declarativa quando se visa a declaração por parte do tribunal de
algo e pelo contrário uma ação executiva quando se visa reparar coativamente algo. Assim,
conseguimos estabelecer uma prioridade destas ações, a ação executiva tem em princípio a
precedência de uma ação declarativa. Recorrermos a ação executiva se em princípio não for
suficiente a ação declarativa. O título executivo por excelência, tem uma ação condenatória por
base – as decisões judiciais finais obtidas na sequência de uma ação declarativa de condenação
art.703ºnº1, a) CPC. Na alínea b) refere a exceção falada, bem como na alínea c): ações
executivas instauradas em tribunal sem a precedência de uma ação declarativa.
Mas também posso ter uma ação declarativa que não tem a suceder uma ação executiva.
Ex.: se o réu é absolvido da instancia na ação executiva não há a necessidade de uma ação
declarativa.
Em principio a ação executiva segue-se a uma ação declarativa.

Art.10ºCPC nº2:

As ações declarativas podem ser:


• Ações de simples apreciação a): aquelas que visam obter unicamente a
declaração de existência ou não de um direito ou um facto, estamos a fazer
apelo às ações de simples apreciação positivas quando é a existência de
um direito; quando estamos a falar de inexistência de um direito são ações
declarativas de simples apreciação negativa.

Carina Pinto
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Estas esgotam o seu efeito com a decisão, o autor no âmbito de uma ação de
simples apreciação, a única coisa que pretende é que o tribunal declare a
existência ou inexistência de um direito. Diferem das ações de condenação
na parte condenatória, nas de condenação pretende-se a condenação do
reconhecimento inerente ao direito.
• Ação declarativa de condenação: b) (são as mais comuns) alguém viola o direito
de outrem, a ação proposta é o pedido ao tribunal que condene a pessoa a
reparar a violação desse direito. O tribunal obriga a cumprir, a reparar o
dano que provocou, a executar os contratos tal como foram
acordados pelas partes.
Ex.: alguém incumpriu um contrato e a outra parte pede ao tribunal que seja
condenado a cumprir o terreno.
Ex.: alguém diz afirmar ser proprietário de um determinado terreno X, nesse
caso o titular do direito de propriedade tem de propor uma ação no tribunal
competente para que o tribunal condene o ocupante a deixar o terreno X
livre.

• Ação declarativa constitutiva b): visam autorizar uma mudança na ordem jurídica
existente. Ex.: ação de separação judicial de pessoas e bens, constituição de uma
servidão legal de passagem

As ações executivas podem ser: art.10ºnº6CPC


• para pagamento de quantia certa
• para entrega de coisa certa
• para prestação de facto positivo ou negativo

O processo permite que se identifique um conjunto de atos que estão logica e


sequencialmente encadeados entre si e que tendem um determinado fim: a decisão judicial. É
então o conjunto ou sequencia de atos articulados logicamente entre si com vista a um
determinado fim.
Mas nem sempre a utilização da palavra processo pretende dizer o mesmo. Pode ter o
significado de litigio, demanda ou causa por exemplo.

Caracteres do Direito Processual


O direito processual é um direito instrumental e é um ramo do direito público.
Direito instrumental: significa que o direito processual é um instrumento ao serviço de algo,
ao serviço de um outro direito, material ou substantivo, ou seja, não vais ser no âmbito do CPC
que encontramos a solução para o litigio a correr entre determinadas pessoas no tribunal,
porque a solução concreta dessa caso vai retirar-se do CC. O direito processual habilita a
conhecer os meios jurídico processuais que os particulares tem ao alcance para provocar a
atividade dos tribunais. Atendendo à indisponibilidade e irregibilidade das normas processuais,
as partes têm obrigatoriamente de lançar mão dos meios jurídicos processuais colocados ao
alcance.

Carina Pinto
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Ramo do direito público: o direito processual civil é um ramo de direito público, atendendo
às seguintes teorias:
1- Teoria dos interesses: é ramo de direito publico quando os interesses são públicos
e estamos perante um ramo de direito privado quando os interesses são privados.
Na prática temos aqui um interesse público, na manutenção da ordem e da paz
social, o estado não tem interesse que os particulares estejam constantemente em
situação de conflitos por isso é que o estado disponibiliza aos particulares as ações,
os tribunais. Art.144ºCPC. o estado também tem interesse que as partes se
convençam do acerto das decisões dos tribunais e da sua justeza e daí ter de haver
uma explicação da sentença, que se localiza na fundamentação. Basicamente, o
interesse público de primeira grandeza.
2- Teoria da supra e infra ordenação: A e B como dois particulares devem estar ao
mesmo nível, mas o juíz está numa posição de superioridade em relação Às partes.
A relação de supra e infra é entre as partes e o juiz.
3- As normas invocadas são normas processuais, adjetivas e presentes no CPC,
cumprindo a irregibilidade, imperatividade.

Fontes do Direito Processual Civil


Existem 3 marcos essenciais:

• CPC de 1976: antes deste código de 1876, o regime do CPC constava fundamentalmente
do livro 3º das ordenações. E o processo era nesta altura caracterizado por uma mera
fusão do direito e do processo romano e do direito canónico. Não havia a
sistematicidade. Por outro lado, este regime refletia certos privilégios de classes: uma
justiça para os nobres, clero e uma justiça para o povo, havia de facto um privilégio de
classes. E ainda, só se admitiam atos escritos, em contradição do princípio da oralidade
e imediação. Este regime foi sendo alterado e no período liberal apareceu a nova e
novíssima reforma judiciária, designadamente ao nível da introdução aos poucos do
principio da oralidade e da mediação.
Também conhecido como Código se Seabra. Ressalta como principais características a
revogação de toda a legislação anterior e a prevalência de uma conceção dualista ou
privatística do litígio, ou seja, no âmbito deste CPC reinava o princípio do dispositivo, o
processo era coisa de partes e o juiz era um mero espectador, tinha um papel passivo
no âmbito do processo. A extrema rigidez do formalismo do processo ordinário era
também uma importante característica: o CPC de 2013 representa um grande corte
com o de 1961, porque instituiu a forma única, art.548ºCC “ o processo comum
de declaração segue forma única”, o que nem sempre foi assim, havia
anteriormente mais atos no processo ordinário do que no processo sumário ou
sumaríssimo, valia sobretudo o critério do valor da ação para aplicar o processo
ordinário era por exemplo superior a 30.000,.01€, se fosse de 0,01€ a 30.000€ era um
processo sumário e se fosse uma entrega de coisa móvel seria ordinário. Oura
característica era a redução a escrito de toda a atividade de instrução\instrutória: a prova
testemunhal, pericial, por depoimento de parte ou confissão – todos estes meios eram
reduzidos a escrito o que faria todo o processo ser extremamente demorado.
• CPC de 1939: a instrução do processo, a substituição do anterior regime da redução a
escrito pela oralidade. O juiz passa a ter um papel fracamente ativo, introduz-se o
período de saneamento de processo.art.590ºCPC ss. O saneamento do possesso é
retirar ao processo aquilo que é inútil para o processo.

Carina Pinto
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• CPC de 1961: prof. Antunes Varela teve grande importância nesta base. Surgem os
procedimentos cautelares e institui-se a figura dos articulados supervenientes. Toda a
matéria de facto deve ser transmitida em princípio para o processo pelos articulados.
Introduz-se também a possibilidade de gravação dos depoimentos, o que fez com que
os tribunais coletivos começassem a escassear. Passa a haver obrigatoriedade de
fundamentação das respostas dadas aos pedidos. Este código vigorou até 2013, sendo
alvo de várias alterações: introdução da audiência preliminar dl329A de 12 de
dezembro., dl.302\2007 de 24\08 a alteração do regime dos recursos em processo civil,
introduz-se o chamado regime monista, dl226\2008 de 20\12 a reforma da ação
executiva e surge a figura do atual agente de execução.
• CPC de 2013: houve a renumeração total do diploma, consagra-se a forma única no
processo comum de declaração e os princípio fundamentais passam a estar
colocados salvo algumas exceções no início do CPC, algo que também sucedeu com
a instrução. Também de ressalvar a consagração do dever de gestão processual,
art.6ºCPC, também a gravação da audiência final art.155ºCPC, deixa de ter de
ser requerido ao tribunal. Há a introdução do regime da inversão do contencioso
art.369ºCP. Por último, há a introdução das declarações de parte art.466ºCPC

Princípios fundamentais do Direito Processual


Em 1995\1996 houve uma tentativa de enquadrar o processo enquanto tal, fazer com
que processo seja um instrumento ao serviço do direito substantivo, ainda que contenha
determinados vícios este possibilite a aplicação de uma medida final.
Também com a evolução, se privilegiou-se uma obtenção de decisão de mérito.
Os processos podem com a evolução ser decididos de uma forma mais rápida. Um dos
requisitos e condições da petição inicial é a autoliquidação da taxa de justiça, este valor tem
vindo nos últimos tempos a subir consideravelmente. Se o preço da justiça for elevado vai fazer
com que cada vez menos pessoas recorram à justiça, embora o consagrado no art.13ºCRP
dizer que um cidadão na insuficiência económica possa ter acesso ao apoio judiciário e para
instaurar a ação esse valor seja pago pela segurança social, bem como os valores do mandatário
se assim necessário.
Nos últimos anos há assim a notórias melhorias da resolução dos litígios em prazos
razoáveis.
O CPC de 2013, e o que temos atualmente, tem como principais inovações: a inserção
sistemática dos próprios princípios no CPC. Estando a maior parte desses princípio na
parte inicial do CPC, art. 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 9ºA… CPC.
O dever de gestão processual, não existia antes do CPC de 2013. Para a doutrina, muitas
este dever não é considerado verdadeiramente como um princípio.

Carina Pinto
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 Princípio do dispositivo
Um dos princípios mais fundamental e mais importante do processo. Nº1, art.3º CPC. 1 -
O tribunal não pode resolver o conflito de interesses que a ação pressupõe sem que a resolução
lhe seja pedida por uma das partes e a outra seja devidamente chamada para deduzir oposição.
Este princípio manifesta-se sobretudo no impulso processual, delimitação dos
contornos fácticos do litigio e nos limites da sentença.
o Impulso processual: a ação para se considerar instaurada e proposta, a parte
tem que promover e fazer uso da mesma, fazer o tal impulso processual. Art-
259ºCPC aqui temos o ónus do impulso processual. Nos aqui estamos apenas
a fazer apelo a uma dimensão do problema: o impulso processual inicial, mas
este impulso também pode ser subsequente, o processo vai precisar
continuamente de ser impulsionado pelas partes.
Ex.: após chegar a conclusão que o réu é ou está ausente em parte incerta, não posso
recorrer à citação edital. A secretaria vai notificar o autor para que ele requeira a citação
edital, caso contrário o processo está parado – este é um impulso processual
subsequente.
Ex.: falta um documento essencial no processo, o autor vai ser confrontado com um
despacho do juiz a ordenar a junção aos autos deste documento essencial, enquanto não
acontecer o processo vai estar parado. impulso processual subsequente.
o Delimitação dos contornos fácticos do litigio: remeter art.5ºCPC 1 - Às
partes cabe alegar os factos essenciais que constituem a causa de pedir e
aqueles em que se baseiam as exceções invocadas.
Sob pena de o tribunal não poder julgar a ação favorável.
Todas as ações têm de ter pedido e causa de pedir, se uma petição inicial tiver
falta de pedido causará uma ineptidão – art.186ºnº2, a) CPC. Normalmente
a causa de pedir identifica-se com o factos, os factos que servem de fundamento
à pretensão do autor.

Há também factos instrumentais ou probatórios, mas estes podem ser


alegados pelas partes, mas não é essencial que o sejam.

Ex.: se tivermos uma ação onde está em causa um determinado acidente de viação,
temos obrigatoriamente de alegar que o carro conduzido pelo réu ia em excesso de
velocidade – facto essencial, mas a par deste facto posso alegar que o veiculo quando
tentou ser imobilizado deixou rasto de travagem de 50m – facto instrumental –
permite concretizar o facto essencial, mas se o autor não o alegar este facto pode ainda
assim ser dado como provado através de um depoimento ou testemunha.
Art.5nº2 remeter para o art. 412ºCPC

Diferente é matéria de facto e matéria de direito.

Art.5ºnº3 - O juiz não está sujeito às alegações das partes no tocante à


indagação, interpretação e aplicação das regras de direito. O juiz pode dar uma
outra solução que entende mais consentânea, quando à matéria de direito.

Carina Pinto
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As partes é que tem de trazer para o processo os factos, senão o tribunal não
pode julgar a ação procedente e ir de encontro com a pretensão das partes.

O pedido é a pretensão que se extrai da fase final da petição inicial,


normalmente na última ou penúltima parte e destacado “pede-se a condenação
do réu no pagamento de …, na entrega de uma coisa, na indemnização do
dano,… “
o Limites da sentença: art.609º nº1 e art.615ºnº1 e) CPC: a sentença não
pode condenar em quantidade superior ou em objeto diverso. Se o autor
instaura uma ação contra o réu pedido o pagamento de 5.000€ e o tribunal
considerar que o autor tinha direito a 7.000€, não vai poder condenar em 7.00€.
o tribunal só pode condenar até ao limite dos 5.000€. ou seja, o tribunal pode
condenar em valor inferior mas nunca superior.
Bem como se foi pedido uma determinada quantia pecuniária e se o tribunal
defender que tinha direito também a uma indeminização, não a poderá aplicar
uma vez que ela não foi pedida.

As partes por intermedio da sua vontade e partindo do princípio que estamos


perante direitos disponíveis, as partes podem celebrar negócio jurídico
processuais: as partes podem confessar, desistir do pedido ou da instancia ou
in transigir (acordar). As partes podem basicamente determinar qual será a
decisão naqueles caso em concreto quando estas situações se aplicam.
Esta é também uma manifestação do princípio do dispositivo.

 Princípio do contraditório
Tem subjacente o facto de ter sempre de haver uma versão contrária. Se as partes faltarem
descaradamente à verdade vão ter consequências, o tribunal não pode estar condicionado
apenas à versão dada por uma das partes. Art.3ºnº1 parte final CPC e art.3ºnº3 CPC e
também no nº4.
1 - O tribunal não pode resolver o conflito de interesses que a ação pressupõe sem que a resolução lhe seja
pedida por uma das partes e a outra seja devidamente chamada para deduzir oposição.

2 - Só nos casos excecionais previstos na lei se podem tomar providências contra determinada pessoa sem que
esta seja previamente ouvida.

3 - O juiz deve observar e fazer cumprir, ao longo de todo o processo, o princípio do contraditório, não lhe
sendo lícito, salvo caso de manifesta desnecessidade, decidir questões de direito ou de facto, mesmo que de
conhecimento oficioso, sem que as partes tenham tido a possibilidade de sobre elas se pronunciarem.

4 - Às exceções deduzidas no último articulado admissível pode a parte contrária responder na audiência prévia
ou, não havendo lugar a ela, no início da audiência final.

Ou na audiência prévia, havendo lugar ou então na audiência final – nº4.


Este princípio esta disseminado por várias normas do código – art.590ºnº4 e nº5 CPC

 Princípio do inquisitório
Previsto no art.411ºCPC: falamos neste ao nível da instrução e dos meios de prova. O juiz
pode de modo próprio, oficiosamente determinar a realização de determinadas diligencias de
prova, independentemente de as partes terem requerido.

Carina Pinto
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Incumbe ao juiz realizar ou ordenar, mesmo oficiosamente, todas as diligências necessárias ao


apuramento da verdade e à justa composição do litígio, quanto aos factos de que lhe é lícito
conhecer.
Ex.: art.526ºCPC a petição inicial e a contestação tem sempre o requerimento probatório,
mas mesmo que as partes não tenham identificado determinada pessoa como testemunha, juiz
pode fazê-lo.
Art.436ºCPC
Art.467ºnº1CPC

Princípio da preclusão
Em princípio grande parte dos atos só vao poder ocorrer no processo uma única vez,
art.569ºnº1CPC – há um prazo de 30 dias para o réu contestar. Quid iuris se o réu não
contestar? Não poderá mais tarde por força deste princípio, o direito que tinha a contestar
precludio.
Há certas circunstâncias em que uma das partes não pratica o ato processual porque surge um
facto não imputável à parte e aqui teremos a possibilidade fazendo apelo ao art.140ºCPC de
lançar mão do justo impedimento. A parte que o alega vai oferecer a prova e segue-se nos
termos do nº2, há aqui uma exceção ao princípio da preclusão.
O art. 588ºCPC é também uma exceção, consagra os chamados articulados supervenientes.

Princípio da cooperação
A consagração legal destes princípios resulta do art. 6º, 7º, 8º CPC.
Art.7ºCPC: A ideia de que de facto todos os intervenientes processuais, devem de
articular os seus comportamentos e cooperar para eu o processo chegue o mais rápido possível
ao seu fim e com bom desempenho, cooperando todos entre si.
Manifestações: art.151ºCC nº1: a fim de prevenir o risco de sobreposição de datas... esta
norma por vezes não é cumprida.
Nº2.

Princípio da boa fé
Art.8ºCPC NORMALMENTE ASSUME RELEVÂNCIA NA SUA FACETA NEGATIVA.
Quando as partes não adotam um comportamento conforme a lei poderão agir com a má fé –
litigância de má fé. art.542º CPC e ss. A parte litiga de má fé, nº1, nº2, vai ser condenada
conforme na lei.
A mentira é punida – alterar a verdade – al.b)
Uma das consequências é a condenação em multa (reg. das custas processuais,
art.27ºnº3CPC), ou a indemnização se for pedida.
A litigância de má fé é quem com dolo ou negligência grave … antes da norma ser redigida desta
forma só se previa a punibilidade do comportamento com dolo.

Carina Pinto
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Art.417ºCPC, estabelece no nº1, que todas as pessoas devem colaborar na resposta e


descoberta da verdade.. todas as pessoas, podemos ter as eteestemnhas, peritos, um terceiro,
todas as pessoas estão aqui obrigadas.

Princípio da economia processual


Refere-se a uma ideia em que deve se procurar o máximo resultado possível com o
emprego do mínimo custo possível. Ou seja, no processo devem ser praticados o menor nº de
atos possíveis a nível de tramitação, economia processual na vertente de atos e formalidades e
também devemos procurar no processo resolver o maior nº de litigos existentes entre as partes,
economia de processos.
Deve procurar-se o máximo resultado possível com do emprego do mínimo custo
possível..
Temos a economia de atos e formalidades e a economia de processos.
Na economia de processos, o mesmo processo pode resolver vários, art.136º e ss.
CPC possibilidade de haver coligação, a reconvenção
Na economia de atos e formalidades, art.130º e art.131ºCPC

Princípio da celeridade processual


Necessidade do processo ser organizado em termos que permitam que ele chegue
rapidamente à sua natural conclusão. Ex.: na brevidade dos prazos art.162ºnº1CPC, na
repressão do dolo instrumental (eliminar todo o facto de ilação no processo).
Art.569ºnº1 CPC – há um prazo de 30 dias para a parte poder contestar, mas em
determinados processos dada a simplicidade da matéria em causa a parte pode não ter
necessidade de usar os 30 dias.

Princípio da igualdade das partes


Art.4ºCPC e art.13º CRP. Ninguém pode ser prejudicado pela sua condição
económica. regime de acesso ao direito e aos tribunais – lei 34\2004, 29julho, c\ alterações
posteriores. Visa assegurar que a ninguém seja dificultado ou impedido, pela insuficiência de
meios económicos o exercício ou defesa dos seus direitos. art.2º, 3º, 6º, CPC ss.
O apoio judiciário, também teme várias modalidades nos termos do art.16º deste
diploma. E ver as circunstâncias que conduzem à atribuição – art.8ºA.

Dever de gestão processual


Art.6ºCPC. inserido no CC de 2013, implica uma necessidade para o juiz, o juiz está
mesmo vinculado a bem dirigir o processo, dai nem ser um princípio mas sim um dever e também
passa ideia de ser instrumental em relação aos princípios.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

As formas de processo

É o conjunto de atos de formalidades a ser praticadas na propositura e desenvolvimento


da ação. Cada forma de processo, em principio terá os seus atos provêsseis.
No âmbito do processo executivo, temos um ato fundamental, a penhora, que não
ocorre no declarativo.
A forma esta relacionada com o conjunto de atos e formalidades.
Importa agora chamar o principio da tipicidade, as formas processuais que as partes
podem utilizar são apenas aquelas que estão previstas legalmente. As partes não podem inventar
ou criar formas processuais, tem de se subter as que são disponibilizadas pelo legislador.
As formas do processo são várias e a variedade depende de fatores e circunstancias, por
exemplo se atendermos ao valor dos interesses ou das obrigações poemos falar de um processo
de comum para pagamento de quantia certa sumario,
Também é importante dizer que, também há diversidade de formas processuais no que
diz respeito à mesma forma processual poder servir para diversos tipos e espécie de ação.
O processo comum pode ser usado numa ação declarativa de condenação, constitutiva
ou de declaração
A mesma forma de processo pode também servir ações com uma variedade de valor.
O pagamento da taxa de justiça ou das custas, está relacionado com o valor da ação,
normalmente o valor da ação aumenta quando o valor da causa aumenta.
O processo comum de declaração segue forma única, aqui não releva o valor.se segue a
forma de processo como, não há variação da forma porque a forma é única – Art.548⁰
A mesma forma de processo pode servir relações de natureza distinta, estamos em
matéria de direito das sucessões, das coisas, … se for por exemplo direito de obrigações é a
mesma forma de processo que se for de direito das coisas.

FORMAS: PROCESSO COMUM \ PROCESSOS ESPECIAIS


ART.
O processo pode ser comum ou especial. O processo comum é o regime e o processo
regra, tem o chamado cariz genérico, só usamos o comum quando não se tem ao dispor um
processo especial.
O CPC prevê várias formas de processo especial, mas não é apenas o único diploma
onde essas formas de processo estão previstas, por exemplo o processo especial de despejo –
6\2016
Os processos especiais estão previstos nos artigos 878⁰CPC ss.. Há aqui uma
referência ao livro V, cada um dos títulos deste livro corresponde a um processo especial.
Temos de ver se a pretensão em concreto está abrangida por um processo especial, não
estando pelo art. 542 aplica-se o processo comum - art.552 e ss.

Carina Pinto
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Por vezes há confusão de estarmos num processo especial e o legislador fazer referência
ao processo comum.
Exemplo:
No art.932CPC decorrido o prazo segue os termos do processo comum, mesmo
sendo um processo especial. O legislador segundo a economia, rudo o que não seja específico
do processo especial tem de ser encontrado no processo comum.

Normalmente os processos especiais contem a previsão dos atos característicos dessa


forma processual. Art.549⁰1CPC. O facto de não haver a previsão de determinado ato não
significa que tenha de ser levado a cabo, devemos é levá-lo pelo processo comum.

PROCESSO DECLARATIVO \ PROCESSO EXECUTIVO


Nos art.548⁰,549⁰,550⁰,551⁰, o legislador utiliza também outras expressões como
decretório e executório.
Processo de declaração: remetendo para o art.10⁰CPC as ações são declarativas ou
executivas. E aqui na forma do processo acontece a mesma coisa. É um processo declarativo
sempre que se vise declarar algo no plano do dictum
Processo executivo: Plano do factum, Quando se quer dar realização material coativa ou
coerciva a uma determinada …..….

No art10⁰ no nº5 CPC toda a execução tem por base um titulo, o titulo executivo,
previsto no art. 703⁰CPC que numa enumeração taxativa nos diz quais são os títulos que
podem dar origem e inicio a uma ação executiva.
Se tiver um título executivo em mãos, já sei que poso avançar para um processo
executivo. Caso contrário terá de se partir por um processo declarativo.
Cuidado, a parte que tem em mãos o titulo executivo pode ainda assim avançar para
um processo declarativo, sofrendo no entanto segundo o art. 535⁰2CPC que o reu não deu
causa alguma ação, segundo o n1, as custas são pagas pelo autor.

Normalmente, o processo declarativo surge antes do processo executivo


Art.703⁰1ª) habilita a dar entrada a um processo executivo.
Processo de declaração ------------------------Processo de execução

Há casos em que ao processos e declaração não se segue um processo de execução e


casos em que ao processo e execução não precede um processo de declaração.

Imaginando que temos o processo 5558662 instaurado no juízo central civil da comarca
do porto, em principio este é o processo declarativo. Porque B devia a A 75mil€, a sentença
condenatória condena o reu a pagar.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

O reu não paga.


O autor vai executar a sentença condenatória, este processo vai chamar-se 5558662-A.
São dois processos, mas a identificação do processo é praticamente a mesma, Se houver um -
C ou -D é porque houve um procedimento cautelar requerido, por exemplo.

Há processo de declaração que não tem a seguir um processo de execução, ocorre desde logo:
1. no âmbito do processo de declaração o reu é absolvido do pedido – a questão de mérito
e cd fundo, a ação instaurada para conduzir aquela sentença condenatória obrigou O
juiz a pronunciar-se quanto ao mérito, quanto ao fundo da questão
2. o réu for absolvido da instância – o tribunal pronuncia-se quanto a uma questão
processual ou de forma. Ex. C devia constar no processo como réu
3. Se B for condenado a pagar e paga também não há necessidade de executar nada
4. art.10⁰3b),se a sentença cor constitutiva ou de simples apreciação não rem de ser
executadas
Na absolvição do pedido não há a possibilidade de se instaurar uma outra ação para apreciar
aquele direito porque ele já foi apreciado, denominando-se como caso julgado.

Há processo de execução que não são precedidos de processos de declaração:


Art. 704⁰1
1. A sentença para ser dada a execução nos termos deste artigo tem que ter sido dada dm
transito em julgado (art.628⁰) quando a sentença deixa de ser recorrível, porque por
exemplo no prazo para interpor o recurso esteja ultrapassado diz-se que ja transitou
em julgado
2. A decisão de um tribunal superior é apelidada de acórdão e não de sentença
3. Nos termos do 705⁰1 os despachos são equiparados as sentenças ( são ambos decisões,
mas na sentença decisão é final, no despacho podem existir dezenas ao longo do
processo). Mas atenção, nem todos os despachos podem ser dados à execução , ler
artigo

al,b) documentos exarados autenticados – remeter art.707⁰,708⁰CPC


al.c) Ex. Cheque, letra, livrança
Al.d) dl. 269\98 no CPC ver anexo art.14⁰ A posição da formula executória, se depois de
notificado …

Para concluir o processo executivo, nos podemos falar do processo executivo para
pagamento de quantia certa, entrega de coisa certa (, art.724º ss. CPC) e prestação
de facto positivo ou negativo(art.868ºCPC) – art.10ºnº2CC.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

Segundo o art.550ºCPC, temos o processo comum de execução. Podemos ter


processos executivos comuns e especiais. Neste artigo temos uma distinção no que diz
respeito ao pagamento de quantia certa, das formas sumárias (nº2, art.550ºCPC) e ordinárias.
Para entrega de coisa certa e prestação de facto, vão seguir forma única.
O processo comum declarativo, de acordo com o art.548ºCPC este segue forma única.

Temos relativamente ao processo comum de declaração, atualmente nos termos do


art.548ºCPC um processo a seguir forma única. Mas antes da entrada do CPC 2013, distinguia-
se o processo ordinário, sumário e sumaríssimo.
Relativamente ao processo ordinário tínhamos quando a ação tinha um valor superior a
30.000€, a ação com valor de 30.000,01 ia correr soba forma ordinária em princípio.
Quanto ao processo sumário o valor ia de 0.01€ a 30.000€, inclusive.
E sumaríssimo quando a ação tivesse um valor inferior ou igual a 5.000€, mas aqui não
era apenas o valor da causa a condicionar. Era preciso que tivemos perante um de 3 fins: o
cumprimento de obrigação pecuniária, indemnização de dano ou entrega de coisa móvel.
Havia uma confissão entre o sumário e o sumaríssimo, dependia do fim.
Se ao invés fosse a entrega de um imóvel, seria o processo sumário.
Estes valores aqui valores são valores que correspondem a uma outra circunstância, o
conceito de alçada, que é um conceito que decorre da lei de organização do sistema judiciário,
art.44º, lei 62\2013.
Os 30.000€ correspondem ao valor da alçada dos tribunais da relação e os 5.ooo€ ao
valor da alçada do tribunal de 1º instância.
Alçada é um limite dentro do qual o tribunal julga sem admissibilidade e recurso ordinário, uma
ação que tenha um valor atribuído dentro do valor da alçada não vai comportar recurso para o
tribunal superior. Se a ação tiver o valor de 2.500€, não pode haver interposição de recurso
para o tribunal da relação relativamente ao tribunal da 1º instância.
Mas se tiver 7.500€ permite recurso até ao tribunal na relação.
Se a decisão de 1º instância for num sentido e o acórdão da relação for no mesmo
sentido, forma-se a dupla conforme e já não vai ser possível recorrer para o supremo tribunal
de justiça.
O valor da causa, também poderá determinar a competência de um determinado
tribunal, se tiver uma ação com um valor, sob a forma de processo comum, superior a 50mil€,
essa ação cai no âmbito de competência dos juízos centrais cíveis. Já se a ação sob forma de
processo comum ou especial tiver um valor até 50.000€ vai ser da competência de um juízo
local cível – art.117º nº1ª) lei 62\2013.
Também relacionado com a competência, os tribunais em Portugal, judiciais, podem ser
classificados

• 1º instância – 5.000€
• 2º instância ou relação – 30.000€
• Supremo Tribunal de Justiça (no topo)

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

O valor da causa e a interposição de recurso, não pode ser relacionado com o valor da ação.
em 99% das ações são instauradas na 1º instância, independentemente do valor.
Uma ação com valor de 1000€, não pode recorrer para o tribunal da relação. Mas se tiver
o valor de 10.000€, continua a ser instaurada na 1º instância, mas já pode pedir recurso para o
tribunal da relação.
Exceção: Há certos casos que com um valor inferior a 5.000€ se pode recorrer para a relação
– art.629ºn2 e nº3CPC, independentemente do valor da causa nestas é sempre admitido
recurso.

DL 269\98 de 1 de setembro – aprova o regime dos procedimentos especiais destinados ao


cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos de valor não superior a
15mil€.
Este dl tem como qualquer diploma legal um texto próprio e depois tem um anexo. Temos de
ir ao texto do diploma e quando falamos em artigos que não fazem parte do texto ver no anexo.
Art.1º: este artigo circunscreve o âmbito de aplicação deste dl. Tem de etsra preenchidos 3
requisitos de modo cumulativo:
1. Estar perante uma obrigação pecuniária – uma obrigação materializável em €
dinheiro, afastando a obrigação de indemnização e a obrigação de entrega de coisa ou
de prestação de facto. Este diploma legal só serve para obrigações pecuniárias
2. A obrigação pecuniária tem de ter origem num contrato: negócio jurídico bilateral
celebrado entre as partes. Mas este contrato não tem de ser redigido a escrito,
art.219ºCC o princípio da liberdade de forma, na falta de disposição em contrário o
contrato não tem de respeitar determinada forma, só determinados contratos é que
tem de ser reduzido a escrito ou com especial exigência, nada se dizendo atendendo ao
princípio da consensualidade o contrato forma-se pelo acordo das partes. Neste diploma
legal, portanto, temos de separar e não necessita de ser reduzido a escrito.
Os contratos podem ser típicos e nominados, atípicos e inominados e aqui neste dl
podem ser chamados ambos. Tanto podemos estar perante um contrato de compra e
venda, locação, mútuo, … qualquer contrato
3. Valor não superior a 15.000€, inclusive. Mas nos termos do art.7º do anexo, há
uma possibilidade prevista onde não há a limitação a nível de valor. Aqui o valor na
transação comercial pode por exemplo ser 1 milhão de €.
Temos aqui procedimentos especiais, não é apenas 1. E por isso podemos falar da injunção
(1) no art.7º e ss. e a ação declarativa especial no art.1º a 6º

Injunção
Em princípio quem lança mão deste diploma legal, tem vantagens em avançar primeiro
pela injunção, que é um procedimento mais célere, mais vantajoso e permite obter um título
executivo com mais facilidade. E a injunção não corre propriamente no tribunal, corre junto de
uma secretaria especial: balcão nacional de injunções. A injunção não vai às mãos do juiz.
Via de regra avança-se primeiro para a injunção. E funciona muito bem, quando o
requerido em princípio não se opõe à injunção, porque se se opuser tudo isto acaba por cair.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

Art.7º: a injunção é uma providencia com fim de dar força executiva a um requerimento.
Quanto ao requerimento ver e remeter para a publicação da portaria 21\2020 de 28 de janeiro).
Art.10º deste dl.: forma e conteúdo do requerimento.
Ainda no art.7º, recordando que analisando o art.703ºnº1 CPC, nos termos da alínea
d) à execução podiam servir de base documentos com força executiva e aqui está a injunção.
Art.14º do dl: se depois de notificado o requerido não deduzir a oposição, este documento
tem força executiva e o requerente passa a ter um título executivo em mãos e pode instaurar
ação executiva para pagamento de quantia certa contra o executado.
O requerente preencheu o requerimento de injunção, deu entrada no balcão nacional de
injunção. Há um outro princípio além do dispositivo que tem de ser usado, o princípio do
contraditório: art.12ºnº1, há um prazo de 5 dias para pagar ou deduzir oposição à pretensão.
O requerido vai ter 3 opções a partir do momento que é notificado:
1. Pagar a quantia reclamada ou requerida – neste cas o procedimento de injunção termina
aqui.
2. O requerido não paga a quantia porque entende que não é devida, não é devida na
totalidade ou não celebrou sequer o contrato - vai exercer o contraditório e deduzir
oposição
3. O requerido nada faz – art-14º o secretário vai apor a formula executória, forma-se o
título executivo
Estes 3 pontos mostram a celeridade e a maior facilidade na obtenção do título executivo. Este
dl fez com que se diminuísse a pendencia nos tribunais e então disponibilizou este meio.
O espectável por parte do requerente é que o requerido nada faça, mas o requerido
muitas vezes vai deduzir oposição e caso deduza oposição à injunção: art. 15º, 16º, 17º
vamos ter a distribuição e posteriormente segue os tramites para a ação declarativa
especial. o requerimento de injunção vai ser a petição (mesmo sem a observância da maioria
dos requisitos que as partes devem fazer na petição – art.13ºmas pode o juiz convidar as partes
a aperfeiçoarem tanto a petição como a contestação\pré oposição à injunção), a oposição vai
ser a contestação e vai haver a prolação de uma sentença.
Art.1º anexo: o requerimento da injunção funciona como uma petição, a oposição da injunção
funciona como a contestação. Na prática temos aqui nos art.7ºss. o apelo ao art.1º do anexo.

O que é a distribuição?
Art.16º do dl. Remeter para os art.203ºss.CPC. É pela distribuição que, se tenho um juízo
local cível com 3 juízes: J1, J2, J3, é preciso que os juízes tenham o mesmo número ou o mais
aproximado de processos. A distribuição é aleatória e por meios informáticos, mas atende ao
serviço judicial com igualdade pelos vários juízos que compõe o tribunal.
Ex.: art.3ºnº2 do anexo: a audiência vai realizar-se dentro de 30 dias, nº4: as provas vao ser
oferecidas na audiência.
Art4º.: tentativa prévia de conciliação.nº6, nº7: a sentença é logo ditada para a ata, se condenar
o réu no pagamento da quantia pecuniária té ao limite dos 15.000€ é uma sentença condenatória
nos termos do art.703ºCPC que entrará no rol de títulos executivos.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

Consoante a opção do requerente, pode decidir não recorrer à injunção e ir logo para
a ação declarativa especial – art.2º dl do anexo. Aplica-se o art.1 a 6º do dl.

Processo de Jurisdição voluntária \ jurisdição contenciosa


Os processos de jurisdição voluntária opõem-se ao processo de jurisdição contenciosa.
Pretendem que o tribunal decida o processo judicial a favor de uma delas – processo
de jurisdição contenciosa, há uma divergência de interesses entre as partes, um conflito de
interesses. O juiz exerce verdadeiramente a sua função jurisdicional, vai aplicar as normas
jurídicas e a lei ao facto dados como provados e vai surgir uma decisão.
Mas existem os processos de jurisdição voluntária que não há conflito de interesses,
há um único interesse a regular\ a compor, ou seja, não há conflito de interesses. No âmbito
destes processos, o juiz admite uma função como de gestor de negócios, como uma função
administrativa. Art.986ºss. CPC, na parte respeitante aos processos especiais e no título
XVº, dentro deste título temos as várias espécies de jurisdição voluntária que existem:
providencias relativas aos filhos e aos cônjuges, processos de suprimento, … tudo isto são
exemplos de processos de jurisdição voluntária.
O que mais nos importa é ver quais são os princípios que pautam o processo de
jurisdição voluntária, e são 4:
1. Princípio do inquisitório: art.986ºnº2CPC o tribunal pode investigar
livremente os factos, as provas, as informações. Aqui confronta-se com o
princípio do dispositivo.
2. Predomínio da equidade sobre a legalidade: art.987ºCPC: nas
providencias a tomar o tribunal não está sujeito a critérios … mais uma vez
temos aqui uma dissonância relativamente aos processos de jurisdição
CONTENCIOSA, pois na contenciosa o tribunal deve fazer apelo à lei e aqui o
critério utilizado não é a legalidade, mas sim a equidade. Art.687ºnº3CPC
3. Livre modificabilidade das decisões proferidas no âmbito dos
processos de jurisdição voluntária: art.988ºnº1 CPC
4. Art.988ºnº2CPC: no âmbito dos processos de jurisdição voluntária, não
estamos perante as questões meramente de direito, as decisões assentam
sobretudo em regras de equidade.

Incidentes da instância
A primeira nota que importa reter é a noção\ definição:
Art.423º nº1 e nº3 CPC: a parte estava na posse de um determinado doc. Mas não apresentou
com um articulado, mas decidiu juntar com um documento avulso.
Incidentes da instância – requerimento avulso em que a parte decide, fora dos seus articulados,
proceder a junção de um determinado doc. no âmbito dos autos. (423 nº1 e nº3 CPC).
Contrariamente ao que podemos pensar, que só existem incidentes tipificados no CPC, existem
outros incidentes que são atípicos, inominados.
Será assim uma ocorrência anormal, anómala, extraordinária no âmbito da tramitação
processual. Tudo aquilo que não esteja previsto na tramitação normal da ação.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

Temos 4 incidentes no âmbito do CPC tipificados e nominados:


1. Verificação do valor da causa – art.296º a 310º CPC
2. Intervenção de terceiros – art.311º a art.350ºCPC
3. Incidente de habilitação – art.351º a art.357ºCPC
4. Incidente de liquidação – art.358º a art.361ºCPC

ART. 292º A ART.295ºCPC: são aplicados a todos os incidentes, de aplicação


generalizada a todo e qualquer incidente. Na falta de aplicação especial aplicamos
estas regras de caracter geral.

• Como se suscita um incidente, eu quero dar impulso a um incidente, o que


devo fazer? Art.293ºnº1 CPC devo fazê-lo através de um requerimento.
• O requerimento deve ser apresentado de forma articulada – nº2 do art.147ºCPC os
factos devem estar divididos em artigos e cada um dos factos deve corresponder a um
artigo.
• Esta oposição também tem um prazo perentório art.293ºnº2, a oposição vai ser
deduzida no prazo de 10 dias.
• Art.293nº3CPC se o requerido não apresentar oposição, há a produção do efeito
cominatório à causa onde o incidente se insere, se é um processo comum de declaração
e tiver sido suscitado um incidente, a falta de oposição de incidente é a mesma que a
falta de apresentação de contestação, consideram-se confessados os factos articulados
pelo autor – art.567ºnº1 parte final CPC a falta de oposição no incidente vai
determinar que se considerem confessados pelo requerido os factos alegados pelo
requerente.
• Por outro lado, no que diz respeito à prova, art.293ºnº1CPC: as partes devem em
conjunto oferecer ao mesmo tempo que suscita o incidente dizer as testemunhas e os
eventuais doc. Que se destinam a comprovar o que se está a dizer. E o mesmo deve ser
feito na contestação, juntar a prova e as testemunhas.
• Há uma limitação no nº de testemunhas – art.294ºnº1CPC: a parte não pode produzir
mais do que 5 testemunhas
• Art.294ºCPC
• Art.607ºCPC: com as necessárias adaptações devem aplicar-se as regras que dizem
respeito à sentença.

1. Incidente de verificação do valor da causa


Art.552ºnº1, al. f) CPC: na petição deverá o autor declarar o valor da causa e
consequentemente art.558ºnº1 al. e)CPC a petição que não indique o valor da cusa deve ser
rejeitada pela secretaria judicial.
Deve sempre haver uma primeira preocupação que é a indicação do valor, temos sempre
no âmbito de um procedimento cautelar, uma ação ou um incidente de declarar um valor.
Como podemos concluir que o incidente, sendo uma ocorrência anormal se
possa traduzir aqui no valor da causa? Temos neste caso em concreto de tomar em
consideração que só existe verdadeiramente um incidente quando a parte indica um valor que
não corresponde ao valor da lei. art.305ºnº1CPC.
Quais as funções do valor de uma causa?

Carina Pinto
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São 4 as funções: Art.296ºCPC:


(1) a determinação da competência do tribunal, ou seja, em certas causa será o valor a
determinar se a causa será da competência de um tribunal ou de outro tribunal, chamando a
atenção para o art. 117ºnº1, al. a)LOSJ, segundo o qual compete aos juízos centrais cíveis as
ações de valor superior a 50.000€ e conjugado com o art.130nº1LOSJ permite concluir que
se for uma ação soba forma de processo comum com valor superior a 50.000€ temos a
competência de um juízo central cível, se for uma ação sob a forma de processo especial ou sob
a forma comum até 50.000€ podemos estar perante um juízo central cível ou um juízo de
competência genérica.
(2) a forma do processo de execução comum também poderá ser determinada de acordo
com o valor: art.550º nº2, al. d) CPC emprega-se ao processo sumário cujo valor seja até
10.000€ inclusive, se exceder será a forma de processo ordinário.
(3) estabelecer a relação da causa com a alçada do tribunal, permite saber se é admissível
ou não recurso.
(4) permite aferir o valor das custas e para isso temos de fazer apelo a um diploma que
aprova em anexo o regulamento das custas processuais dl.34\2008 de 26 fev.

Critério geral: Normalmente o valor da ação representa a utilidade económica imediata do


pedido – art.296ºnº1CPC. sempre que tivermos perante quantias pecuniárias esse valor vai
corresponder ao valor da causa – art.297ºCPC
Art.297ºnº2CPC: como ainda não houve o cumprimento da obrigação vai continuar a
haver o vencimento de juros e portanto podemos falar de juros vincendos, que são aqueles que
se vão vencer na pendencia da ação.
Art.297ºnº3CPC: possibilidade de fazer pedidos alternativos (deve atender-se
ao pedido de maior valor) e pedidos subsidiários (deve atender-se ao pedido
formulado em primeiro lugar) – art.553ºCPC e art.554ºCPC.

Todos os artigos seguintes até ao 304º são critérios especiais.

Art.298ºnº1 CPC: o valor da causa vai ser o correspondente à renda de 2 anos e mios mais
as rendas em dívida ou indemnização.
Art.302ºnº2 CPC: na divisão de cosia comum será o correspondente ao valor da coisa que se
pretende dividir.
Art.303ºnº1 CPC: mais utilizadas nos juízos de família e menores. Uma ação de divórcio tem
automaticamente o valor de 30.000,01€
Art.304º CPC

Carina Pinto
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2. Incidente de intervenção de terceiros - art.311º a art.350ºCPC


São vários, haverá a intervenção acessória de várias entidades.
A intervenção principal: a posição do terceiro no âmbito da participação na relação jurídica
processual, se o terceiro assumir papel de parte principal, tal e qual com o sucede com o autor
e o réu (as partes primitivas).
A intervenção acessória: se o terceiro assumir papel de parte acessória, posição de
coadjuvação das partes principais, do autor e do réu.
A intervenção provocada: se é uma das partes principais\primitivas, o autor ou o réu, a pedir
para intervir.
A intervenção espontânea: se o terceiro decide de modo próprio intervir.

Incidente das intervenções acessórias Art.326º CPC


Nº1 e nº2: basta que o assistente seja titular de um relação jurídica, tem de hvaer uma conexão
entre o interesse do assistente e de uma das partes principais.
Ex.: o sub contrato e a figura da sublocação. Temos um contrato de arrendamento e se o
arrendatário ou locatário decidir celebrar um sub arrendamento com outro, se o senhorio fruto
da falta de pagamentos das rendas intentar uma ação em tribunal, a relação do sub arrendamento
claramente estará prejudicada. O 3º, sendo o assistente pode vir a intervir no âmbito dessa ação
para ajudar o arrendatário.
Nos termos do art.327ºCPC quanto ao momento da intervenção, o assistente vai
poder intervir a todo o tempo, mas aceitando o processo tal como ele se encontra. De que
modo? Através de um requerimento especial ou de um articulado ou de uma alegação em que
o assistido tivesse a tempo de oferecer.
Os assistentes tem a função de auxiliares e gozam dos mesmos direitos e mesmos
deveres da parte assistida, mas a sua atividade está subordinada à parte principal, não podendo
praticar atos que a parte principal tenha sido impedida de praticar.
Art.331ºCPC este incidente não afeta os direitos da partes principais, podem
confessar, desistir ou transigir.
Art.332ºCPC a sentença na causa constitui caso julgado em relação ao assistente que
é obrigado a aceitar os factos e o direito que a decisão tenha concebido, salvo as exceções da
alínea a) e b)

Intervenção acessória provocada Art.321º a art.324ºCPC


Há desde logo a reter que o assistente poderia auxiliar quer a parte ativa quer a parte
passiva no caso anterior. Mas aqui diz expressamente no art.321ºnº1 CPC pode chamar a
intervir como auxiliar da defesa, não pode ser o autor a suscitar este incidente, terá de ser o
réu a suscitar este incidente da intervenção acessória provocada. E é preciso que o réu
tenha sob o 3º a possibilidade de em direito de regresso venha a poder reclamar um determinado
montante, determinado direito.
Podemos falar da questão da empreitada (podemos ter um dono da obra que vai
reclamar determinados defeitos sobre o empreiteiro, mas o empreiteiro decidiu indicar

Carina Pinto
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determinados trabalhos a outrem, o subempreito. E o defeito tem origem nesse subempreiteiro,


nesta circunstância – se o réu vier a ser condenado no pagamento de um determinado valor ao
dono da obra, ele como forma de antecipar um cenário mais do que provável, ele chama já o
subempreiteiro para esta ação.
Art.322ºnº1CPC: o chamamento do 3º deve ser na contestação ou então em requerimento
apresentado no prazo que dispõe para o efeito – este incidente é mais circunscrito que o
anterior, já não pode ser suscitado a todo o tempo. Art.569ºnº1CPC.
Quando houver a dedução do chamamento de 3º, o juiz ouvida a parte contraria vai analisar a
relevância do interesse na base do chamamento, deferindo-o sempre que a intervenção não
perturbe o normal andamento do processo.
Art.323ºnº2 CPC: pode-se socorrer à citação edital, em caso de dificuldades a nível da citação
(ex.: paradeiro do terceiro).
Só se permite que o processo esteja parado – art.324ºCPC, passados 60 dias da data que foi
inicialmente deduzido o incidente, pode o autor requerer. – este prazo nos termos do art.323º
do CPC de 1961 é agora um prazo mais curto..
Ainda temos a possibilidade de lançar mão da intervenção da figura acessória
do Ministério Público – art.325ºCPC – sempre que o MP deva intervir acessoriamente na
causa. E em que circunstancias?

• Situações em que os interessados na casa são as Regiões Autónomas, Autarquias locais,


PSP, Pessoas Coletivas de utilidade publica, incapazes e ausentes.
Ainda dentro do MP e as intervenções acessórias, temos de confrontar outros dois preceitos
legais, no art.194º (há a possibilidade de haver a sanação deste vício) e art.196º (o vicio poderá
ser conhecido oficiosamente por parte do tribunal), inseridos das nulidades da citação.

Intervenções principais
Intervenção principal espontânea – art.311º a art.315ºCPC
Nos termos do art.311ºCPC quando estiver pendente uma causa entre 2 ou mais
pessoas e o terceiro em relação ao objeto dessa causa tiver um interesse igual ao do autor ou
do réu nos teros que se encontra previsto nos art.32º, art.33º, e art.34ºCPC.
Tem cariz litiscosorcial. Temos uma situação de pluralidades de parte e uma só relação
material controvertida.
Ex.: se tivermos uma ação instaurada contra um proprietário de uma fração que esta arrendada,
para que ele seja condenado a realizar determinadas obras de conservação das partes comuns –
podemos intervencionar a intervenção dos outros proprietários no âmbito desta ação.
Art.312ºCPC o interveniente faz valer um direito próprio paralelo ao do autor ou o
do réu, apresentado o próprio articulado ou aderido aos apresentados pela parte a que se
associa.
Se a intervenção for por mera adesão pode ser admitida a todo tempo desde que a causa
não esteja julgada – art.313ºCPC
Se for por articulado próprio, art.314º CPC ate ao termo das fases dos articulado.
Art.315º CPC uma vez admitida o juiz vai decidir acerca da admissibilidade do
incidente.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

Intervenção principal provocada – art.316º a art.320ºCPC


Temos uma intervenção de cariz litisconsorcial. Podemos ter uma intervenção principal
provocada se tiver ocorrido uma preterição de litisconsórcio provocada. Art.316º nº1
remeter no litisconsórcio necessário para o art.33º CPC
Art.316ºCPC: também há possibilidade nos casos de litisconsórcio provocado.
Nos termos do nº3 temos ainda outra possibilidade: o réu pode chamar 3º …
Ex. intervenção principal provocada: a possibilidade de um devedor solidário que foi demandado
pela totalidade da dívida, poder chamar a juízo os outros co devedores, ou o fiador demandado
chamar ao processo o devedor principal ou eventualmente outros devedores que existam.
Nos termos do art.320ºCPC: a sentença sobre o mérito da casa constitui caso julgado,
relativamente ao 3º.

Nas intervenções temos direitos próprios mas paralelos aos do autor ou do réu.
Nas oposições vai haver aqui uma prevalência do opoente caso seja julgada verificada,
relativamente a uma das parte que já se encontravam no processo.

Oposições – art.333º a art.350ºCPC


Oposição espontânea – art.333º a 337ºCPC
Art.333ºnº1: que o 3º intervenha no âmbito de uma causa para fazer valer um direito
próprio, total incompatível – o tribunal ao decidir favoravelmente a matéria de oposição, está a
sacrificar o direito que está a ser reclamado pela parte primitiva.
Quanto ao momento, nº2: é admitida enquanto não for designado dia para a audiência final,
ou então se não tiver sido prolatada a sentença.
Art.335ºCPC: se não for rejeitada, o opoente passa a ter a qualidade de parte principal, …
Nos termos do art.337ºCPC: se uma das partes primitivas reconhecer o direito do opoente,
vai seguir o processo apenas entre a outra parte e o opoente, tomando as posições de autor e
réu.
Oposição provocada – art.338º a rt.341ºCPC
Circunscrição ao âmbito subjetivo: só réu pode suscitar a oposição provocada. Pode o
réu requerer que o sujeito seja citado para produzir a sua contestação. O réu quer cumprir mas
tem dúvidas relativamente a quem, a única coisa a aferir é saber se o réu vai satisfazer a pretensão
do autor ou a pretensão do opoente. Ambos reclamam a titularidade.
Oposição mediante embargos de terceiro – art.342º a art.350ºCPC
Na prática qualquer ato judicial que ofenda a posse ou qualquer direito que tenha sido
e seja incompatível com a realização da diligencia. Normalmente temos o direito de propriedade.
Art.342ºCPCnº1CPC, se a penhora, ou qualquer ato …. (ex.: arresto- art.391º nº2 –
apreensão judicial de bens) ofenderem … poderá o lesado fazer valer deduzindo embargos de
3º.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

Se determinado bem for penhorado e chegar-se à conclusão que não é da propriedade do


arrestado mas de um terceiro, o terceiro pode lançar mão desta figura.
Atenção ao prazo art.344º nº2CPC: o embargante\o 3º deve deduzir a pretensão nos 30 dias
seguintes a que a diligencia foi efetuada e partindo do principio que existe uma cognoscibilidade
imediata, e se não houver uma cognoscibilidade a partir do momento que o embargante tenha
conhecimento da ofensa.
Nº3.

3. Incidente de habilitação – art.351º a art.357ºCPC


Este é um incidente usual, na prática é o falecimento de uma das partes. Em princípio
ocorre mais vezes do que seria desejável, se uma das partes do réu (autor\reu, co-autor\co-réu)
temos de saber o que vai acontecer a esta ação. vamos ter a necessidade de habilitar no processo
os herdeiros ou sucessores da parte falecida. É operar uma espécie de substituição processual –
art.251ºnº1CPC
Art.352º: ordena-se para a contestação da habilitação. Vai ser autuada por apenso.
Estamos nestes casos a fazer apelo à habilitação judicial, pressupondo que a qualidade
de herdeiro ainda não está reconhecida, porque se já estiver reconhecida até por uma habilitação
extrajudicial já é de outra forma – art.353ºCPC basta a junção aos autos a comprovar que a
habilitação já se contra feita.

4. Incidente de liquidação – art.358º a art.361ºCPC


Nos temos do art.358ºnº1CPC sempre que tenha um pedido genérico (art.556ºCPC
– tem na sua génese ou um universalidade a) ou então a impossibilidade de se determinar as
consequências de um ato ilícito b)) e o objetivo é tornar num pedido liquido.
É importante realçar nos termos do nº2 do art.558º que o incidente pode ser suscitado apos
a prolação da sentença desde que seja uma sentença genérica – art.6909nº2, haverá a
possibilidade de se liquidar.
Deve ser deduzido mediante requerimento, relacionando os objetivos compreendido (na
universalidade) ou especificar os danos, obrigado o autor a concluir pelo pedido de pagamento
de uma quantia certa – art.359ºCPC

Procedimentos cautelares
A todo o direito corresponde a ação adequada – ações declarativas e ações
executivas. Bem como os procedimentos necessários para acautelar o efeito útil da
ação.
Dispõe o artigo 2.º, n.º2 CPC, que a todo o direito, corresponde a ação adequada a fazê-
lo reconhecer em juízo, a prevenir ou reparar a violação dele e a realizá-lo coercivamente, bem
como os procedimentos necessários para acautelar o efeito útil da ação. Infere-se assim do texto
da lei que a função do procedimento cautelar é evitar a perda da utilidade do efeito prático-
jurídico pretendido pelo autor entre o momento em que este recorre aos tribunais e o
momento em que é proferida a decisão que reconhece a existência do seu direito.
O procedimento cautelar vai estar sempre dependente de uma ação principal, nasce
assim a primeira característica:

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

1. falta de autonomia – em princípio não vão resolver um litígio que existe entre as
partes, a função de fazer isso é da ação principal da qual o procedimento cautelar
depende. Em princípio, porque a partir do CPC de 2013 com o regime do contencioso
passamos a ter a possibilidade da composição definitiva do litígio no âmbito dos
procedimentos cautelares – no entanto esta é a exceção, a regra é a falta de autonomia.
2. Outra característica é a instrumentalidade – irão ser emitidos na mera pressuposição
de vir a ser julgado favorável ao requerente o direito que ele pretende fazer no âmbito
da ação principal, em princípio a providência cautelar só será decretada se
houver a hipótese\probabilidade de ser julgada a ação principal favorável ao
requerente, porque se o juiz detetar que o direito não existe pura e simplesmente não
vai decretar qualquer providencia cautelar. Ou seja, os procedimentos cautelares são
meios para preservar a eficácia e a utilidade de sentenças que venham a ser proferidas
em sede de processos de diferente natureza.
A duração previsível e máxima legal para um procedimento cautelar será 2 meses o 15 dias
consoante as circunstâncias. Devemos ver que no que diz respeito à prova essa prova no âmbito
do procedimento cautelar será insidiaria.
3. A terceira característica, os procedimentos cautelares são provisórios, não se
destinam a perdurar no tempo, apenas subsistem enquanto não houver a decisão
definitiva. As providências cautelares concedem uma composição provisória, dado que
depois de decretadas têm uma vitalidade limitada pois só duram até ser proferida uma
decisão final na ação principal, de que portanto são dependentes (artigo 364.º n.º1
CPC).
4. A quarta característica é a celeridade, são figuras extremamente céleres, tem de
estar concluídos do prazo de 60 dias ou 15 dias.
5. A quinta característica é a estrutura simplificada, ou seja, a nível da tramitação é
muito simples, implica a chamada sumária cognição. No âmbito do procedimento
cautelar o juiz basta-se com juízos de mera probabilidade.

Procedimento cautelar ≠ Providencia cautelar


Há doutrina e há jurisprudência que tratam estas dias expressões como sinónimos. O
professor não considera, nem o legislador que se trata da mesma coisa. Ex.: art.373ºnº1 CPC
o próprio legislador faz apelo aos dois.
O procedimento cautelar é a alusão à vertente adjetiva, processual – há assim o
procedimento cautelar comum, de arresto, de embargo de obra nova – tudo isto são
procedimentos cautelares. Aqui o requerente quer que algo seja decretado por parte do tribunal
– na emissão de uma medida em concreto, essa medida em concreto é a providencia cautelar.
Ex.: no âmbito de procedimento cautelar comum quero aceder ao interior da habitação de uma
pessoa porque os vizinhos dizem que as condições são deploráveis, quer-se aceder ao interior
para desinfetar, para efetuar a providencia cautelar.
Podemos agrupa-las em duas categorias distintas: providências conservatórias e
providências antecipatórias.
As providências conservatórias: visam manter (conservar) inalterada a situação de
facto ou de direito existente quando se despoletou o conflito ou aquando da constatação da
situação de periculum in mora. Assim, temos como conservatórias as providências de arresto,
o arrolamento, o embargo de obra nova e a suspensão de deliberações sociais. Como refere
PAIS DE AMARAL “todas elas têm por finalidade manter a situação existente por forma a que
o direito do requerente conserve a suscetibilidade de reintegração”.

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

As providências antecipatórias visam a antecipação da realização do direito que


previsivelmente vai ser sujeito a confirmação na decisão da ação principal. Neste quadro
integram-se os alimentos provisórios, o arbitramento de reparação provisória e a restituição
provisória da posse.
Tendo em conta que no procedimento cautelar comum cabem medidas de conteúdo
variável, também nele se pode alcançar uma medida com efeitos conservatórios ou
antecipatórios, como decorre expressamente do artigo 362.º n.º1 CPC.

Requisitos dos procedimentos cautelares


Verificamos então que existem procedimentos cautelares especificados e não
especificados, e não se usando um especial reconduzimos para a aplicação de um comum.
Os procedimentos cautelares especificados são: queles que o CPC expressamente
prevê, designadamente: a restituição provisória da posse (artigos 377.º a 383.º); os alimentos
provisórios (artigos 384.º a 387.º); o arbitramento de reparação provisória (artigos 388.º a
390.º); o arresto (artigos 391.º a 396.º); o embargo de obra nova (artigos 397.º a 402.º) e
o arrolamento (artigos 403.º a 409.º).
Quanto aos procedimentos cautelares não especificados estes também podem
ser tratados como inominados, só se pode lançar mão se não houver providência cautelar
especificada que seja adequada ao caso concreto.
Temos primeiro de ver se no caso concreto há ou não a previsão de um procedimento
especificado – de acordo com o artigo 362.º n.º3 CPC só é possível requerer uma providência
cautelar comum quando se pretenda acautelar um risco de lesão não especialmente prevenido
por alguma das providências tipificadas.
Todavia, para que possa ser decretada uma providência cautelar não
especificada o artigo 368.º, n.º 1 e n.º2 CPC impõem ainda outros requisitos a saber:
1. probabilidade séria da existência do direito (fumus boni iuris; summaria cognitio);
2. fundado receio de lesão
3. e que o prejuízo resultante da providência não exceda o valor do dano que com ela
se pretende evitar.
Procedimento cautelar comum:
Existem porque não consegue o legislador, na prática por mais boa intenção que tenha,
esgotar todas as possibilidades que merecem tutela cautelar, era impossível. E por isso aqui o
juiz chama tudo o que não compete no âmbito dos procedimentos cautelares especificados.
Normalmente são 2 os requisitos que dependem todo e qualquer procedimento cautelar
(comuns e especificados):

Procedimentos cautelares especificados


Em regra são aqueles que o CPC expressamente prevê. Art.377º ss. CPC
Mas a somar aos procedimentos cautelares especificados do CPC, existem ainda os que
figuram em legislação avulsa, por exemplo: no artigo 15.º n.º1 do Decreto-Lei n.º 54/75, de 12/2

Carina Pinto
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 Fumos bónus iuris: fundado receio de lesão, a providencia é decretada desde que haja
probabilidade séria de existência do direito – art.368ºnº1CPC – isto na prática traduz-
se no facto do tribunal e o juiz para decretar uma determinada providencia só tem de
assentar a decisão em juízos de mera probabilidade. Basta um juízo de probabilidade
séria de existência do direito.
 Periculum in mora: perigo do decretamento da decisão fora do tempo tido como
razoável. Lesão grave e dificilmente reparável. Art.362ºnº1 CPC – sempre que alguém
mostre fundado receio que alguém provoque lesão grave, art.368nº1 e seja
suficientemente fundado o receio da lesão. Para que seja decretada a providencia
cautelar a lesão tem de ser atual, não podemos aludir a uma lesão passada ou que já
ocorreu. O máximo é o requerido vir a ser responsabilizado pelos danos que causou ao
requente, mas para isso não precisamos de decretar um procedimento cautelar. A lesão
tem de ser grave e dificilmente reparável.
Se tivermos a chamada morosidade, a decisão judicial pode já não ter o efeito útil.
Deste modo, podemos concluir que com as providências cautelares se pretende arredar,
ou seja, afastar o periculum in mora, exigindo ao tribunal uma apreciação sumária.
Assim se justifica, que possam ser decretadas providências cautelares sem ser
ouvida a contraparte (havendo casos em que o juiz não deve ouvir o requerido - artigo
378.º e artigo 393.º n.º1 CPC e cf. artigo 1279.º CC; e casos em que pode não ouvir -
artigo 366.º n.º1 CPC), pois isso poderia comprometer o fim do procedimento. Aliás, já
ALBERTO DOS REIS afirmava que “a ameaça do periculum in mora autoriza o tribunal a
apreciar, preliminarmente e sumariamente, uma relação jurídica que há-de ser objeto de exame
mais profundo e demorado”
Deve-se contudo, salientar que nem o julgamento da matéria de facto, nem a decisão
final proferida no procedimento cautelar, tem qualquer influência no julgamento da ação principal
(artigo 364.º n.º4 CPC).

No âmbito do procedimento cautelar comum, ainda temos 3 outros requisitos:


 A adequação: Art.362ºnº1- a providencia cautelar que se requer ao tribunal tem de
ser adequada a remover aquele perigo em concreto.
 A providencia cautelar pode ser conservatória (visa estabilizar a situação enquanto
não há uma decisão definitiva) ou antecipatória – faz sentido porque na figura da
inversão do contencioso só pode ser utlizada no âmbito das providencias de natureza
antecipatória. Ex.: art.376ºnº2 CPC por argumento à contrário senso.
 A proporcionalidade: nº2 art.268ºCPC o juiz tem de ver qual o dano que será
imputado ao requerido pela emissão da providencia cautelar em concreto, temos
sempre de tomar em atenção o dano que se pretende evitar e o prejuízo.
 A subsidiariedade: art.362ºnº3 CPC e art.376ºnº1CC. ainda a propósito no
art.365ºnº3 remete expressamente para os artigos dos incidentes da instância, ex.:
art.294ºnº1 estabelece a limitação máxima de 5 testemunhas
No art.363ºCPC temos a urgência dos procedimentos cautelares, revestem sempre
caracter urgente – importante para a contagem de prazos, art.138ºnº1 CPC o prazo
processual é continuo, suspendendo-se, no entanto … normalmente os processos judiciais vêm
os seus prazos suspenderem-se durante as ferias (LOSJ art.28º) exceto no âmbito dos
processos urgente e os processos cautelares sendo urgentes não vêm os seus prazos
suspenderem-se.

Carina Pinto
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Nº2
Dependência do procedimento cautelar e ação principal
Art.364ºnº1 CPC, pode ser como preliminar (nº2) ou incidentalmente (nº3). Se for
preliminar será o procedimento apensado aos autos da ação logo que for instaurada. Se for
incidente ele vai ser processado automaticamente por apenso a não ser que estejamos perante
interposição de um recurso.
Ainda no art.364º nº1 parte final CPC é possível atualmente que pode ser instaurado como
preliminar ou incidente quer uma ação declarativa ou uma ação executiva.

Tramitação do procedimento cautelar comum\ como se dá início a um


procedimento cautelar comum
Art. 365ºCPC, dá-se inicio através da petição- nº1 onde o requerente deve alegar os
fundamentos que justificam o receio fundado da lesão grave e dificilmente reparável ao seu
direito e onde deve oferecer prova sumária do direito ameaçado e justificar o receio da lesão.
Há a aplicação subsidiária in caso dos art. 293º a art.295ºCPC que são as disposições gerais
aplicáveis aos incidentes da instancia, onde podemos obter determinadas informações que dizem
respeito à prova e ao nº de testemunhas que podem ser apresentadas no âmbito dos
procedimentos cautelares.
Depois do procedimento cautelar comum ter sido requerido vamos ter o
exercício do contraditório – art.366ºCPC, a regra é a consagração do contraditório: o
tribunal houve o requerido exceto quando a audiência puser em risco sério o fim ou a eficácia
da providência.
Ex.: num procedimento cautelar especificado, o de arresto, a regra é que não haja a audição
prévia do requerido, mas aqui a regra é precisamente a inversa. Porém como o procedimento
cautelar comum pode visar uma série de fins, uma série de providencias de natureza
conservatória ou de natureza antecipatória e pode-se justificar numa dada situação em concreto
que não seja dada consagração a esta audiência prévia do requerido. Para isso o requerente do
procedimento cautelar comum terá de fazer o requerimento em sede da sua petição e
o tribunal tem de considerar que para aquela situação em concreto não faz sentido
ouvir o requerido antes do decretamento da providência. Mas de facto, temos de
ter ciente que a regra é a da audição do requerido, do exercício do contraditório do
requerido antes do decretamento da providência – art.366º CPC.
Findo o prazo de oposição, art.367ºCPC quando o requerido haja sido ouvido,
procede-se quando necessário à produção das provas que hajam sido requeridas ou aquelas que
o tribunal oficiosamente haja por bem produzir.
Importa também referir que a falta de alguma pessoa que seja convocada e cujo
depoimento não se prescinda apenas determina a suspensão dessa audiência na altura
conveniente e deve designar-se desde logo uma data para a sua continuação, art.367ºnº2 + art.
363ºnº2 CPC. Temos que ver se o prazo estabelecido dos 2 meses ou 15 dias estará ou não já
em risco de ser ultrapassado.
Art.370ºCPC: quanto aos recursos – é importante neste momento falar do regime
da inversão do contencioso.

Inversão do contencioso
O que é a inversão do contencioso?

Carina Pinto
Organização Judiciária Aulas teóricas

É um regime que foi introduzido no CPC pela lei 41\2013 de 26 de junho, é uma inovação
do CPC de 2013. Esta figura da inversão do contencioso pode ter alguns antecedentes entre nós
(não sendo antecedentes diretos, eles possibilitavam a antecipação do juízo que iria ser imitido
na causa principal para os autos cautelares) – estamos apenas a possibilitar em determinadas
circunstâncias que houvesse uma antecipação do juízo da causa principal para a tutela cautelar.
Esses antecedentes são:
1. Art.121ºCPTA: refere quando a manifesta urgência na resolução definitiva do
caso, atendendo à natureza da questões e gravidade dos interesses envolvidos
permita concluir que a situação não compadece com a adoção de uma simples
providencia cautelar, o tribunal pode ouvidas as partes pelo prazo de 10 dias
antecipar o juízo sobre a causa principal
2. Tivemos até à entrada em vigor do CPC de 2013 entre nós o regime processual civil
de natureza experimental, que foi aprovado em 2006, pela dl 108\2006 de 8 de junho
e cuja redação do art.16º referia: quando tenham sido trazidos ao procedimento
cautelar os elementos necessários à resolução definitiva do caso, o tribunal pode
ouvidas as partes antecipar o juízo sobre a causa principal
3. Art.21º nº7 Regime Jurídico do contrato de locação financeiro “decretada
a providência cautelar, o tribunal ouve as partes e antecipa o juízo sobre a causa
principal, exceto quando não tenham sido trazidos ao procedimento, nos termos do
n.º2, os elementos necessários à resolução definitiva do caso”
Facilmente se depreende pela sua análise que nestes 3 preceitos o que estava em causa
era a antecipação do juízo da causa principal.
Em bom rigor, não é isso que se passa com o regime da inversão do contencioso.
Aqui, o que temos verdadeiramente é uma dispensa do ónus de propositura da ação principal a
cargo do requerente e a passagem desse ónus da instauração da ação principal para o requerido
caso ele queira impugnar a existência do direito acautelado. Ou seja, muitas vezes o próprio
procedimento cautelar em si não vai servir como composição definitiva do litigio porque o
requerido vai instaurar uma ação a impugnar a existência do direito acautelado e neste caso em
concreto não há a tal composição definitiva do litigio.– art.371ºCPC.
E, portanto, a diferença entre as 3 situações anteriores é esta: em bom rigor na
inversão do contencioso não há uma antecipação do juízo da causa principal para os
autos cautelares.
Art.369ºCPC: podemos extrair os requisitos necessários para haver o funcionamento
deste regime da inversão do contencioso e verificamos que podem ser divididos:

• em ordem adjetiva ou processual:


o art.369ºnº1 - para haver inversão do contencioso tem de haver
requerimento por parte da parte interessada, o requerente. O que nos
permite excluir que a possibilidade da inversão do contencioso funcionar de
forma oficiosa, ainda que o juiz considera-se no âmbito dos autos cautelares que
já existiam elementos que lhe permitissem formar a convicção segura do direito
acautelado e lhe permitam compor definitivamente o litigio, se não houver
requerimento o juiz não pode de modo próprio decretar a inversão do
contencioso.
O que distingue das 3 figuras anteriores, onde o juiz podia oficiosamente intervir,
aqui obrigatoriamente tem de haver requerimento nesse sentido
o quanto ao prazo, art.369nº2CPC: a dispensa do nº anterior pode ser
requerida até ao encerramento da audiência final, o que é relevante desde logo

Carina Pinto
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porque nos permite concluir que a inversão do contencioso não tem


necessariamente de ser requerida no âmbito do requerimento inicial,
pode ser requerida a posteriori, inclusive na própria audiência final.
• em requisitos de ordem substantiva ou material:
o art.369ºnº1CPC: o juiz pode dispensar o requerente se a matéria adquirida
no procedimento permitir ao juiz formar convicção segura do direito acautelado
e isto é muito importante porque quando falamos do requisitos dos
procedimentos cautelares, dissemos que o juízo por parte do tribunal é um juízo
de mera probabilidade, a probabilidade séria da existência do direito. No âmbito
da inversão do contencioso, temos de ter mais do que a probabilidade séria, ter
a convicção segura do direito acautelado
o art.369ºnº1, parte final CPC se a natureza da providência decretada for
adequada a realizar a composição definitiva do litigio, tem de haver adequação
a natureza da providência requerida pelo requerente (quer a providência
antecipatória ou conservatória), e no caso em concreto para haver inversão
do contencioso terá de ser obrigatoriamente uma providência de
natureza antecipatória, não pode ser conservatória. E esta terá de ser
adequada a realizar a composição definitiva do litigio, ou seja, o tribunal terá de
ter a consciência que na mera eventualidade do requerido não instaurar a ação
de impugnação de existência do direito acautelado vai ser o seu juízo no âmbito
do procedimento cautelar que vai valer como composição definitiva do litígio.
o artigos 369.º e 371.º a inversão do contencioso permite e dispensa o
requerente da instauração da ação principal que em princípio estaria a seu cargo
e na prática faz com que esse ónus recaia sobre o requerido. Se o querido não
corresponde à notificação para em 30 dias instaurar a ação e impugnar a
existência do direito acautelado, na prática o procedimento cautelar vai valer
como composição definitiva do litígio.
Nº4, art.376ºCPC: quais os procedimentos cautelares onde há aplicação da
inversão do contencioso: restituição provisória de posse, suspensão de
deliberações socais, alimentos provisórios, embargo de obra nova e demais em
legislação avulsa. De fora deste regime está o arresto e o arrolamento por ter
natureza conservatória e não antecipatória. E também está excluído o
arbitramento da reparação provisória apesar da natureza antecipatória não
permite desde logo resolver todo o objeto processual, dado que só há
condições para fixar a indemnização a que o requerente terá direito no âmbito
da própria ação principal.
Assim sendo o novo código, prevê a possibilidade de, em determinadas circunstâncias
ser decretada a inversão do contencioso, conduzindo a que a decisão cautelar se possa
consolidar como definitiva na composição do litígio, dispensando-se desta forma, o requerente
da providência do ónus de instauração da ação principal.
Efetivamente, a estipulação de tal possibilidade tem a vantagem de fazer face aos custos e
demoras decorrentes de uma duplicação de procedimentos, sobretudo nos casos em que apesar
das menores garantias formais, a decisão cautelar se mostra suficientemente capaz de na prática
solucionar adequada e efetivamente o litígio que opunha as partes.

Procedimentos cautelares especificados


Cap. II – na prática permite-nos identificar quais os procedimentos cautelares
especificados previstos no CPC. Porque podemos ter mais em legislação avulsa.

Carina Pinto
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Quais são os previstos?


 Restituição provisória de posse – art.377º a 379ºCPC
 Suspensão de deliberações sociais – art.380º a 382ºCPC
 Alimentos provisórios – art.384º a 387ºCPC
 Arbitramento da reparação provisória – art.388º a art.390 CPC
 Arresto – art.391º a art.396ºCPC
 Embargo de obra nova – art.397º a art.402ºCPC
 Arrolamento – art.403º a art.409ºCPC
Estes podem ser agrupados em 3 categorias:
 Procedimentos cautelares de garantia: como o próprio nome indica, saão aqueles
que visam garantir a realização de um direito e dentro destes temos o arresto e o
arrolamento
 Procedimentos cautelares regulação provisória: destinam a regular
provisoriamente uma dada situação, são os procedimentos de restituição provisória de
posse, de embargo de obra nova e suspensão de deliberações sociais
 Procedimentos cautelares antecipatórios ou de antecipação: são os alimentos
provisórios e o arbitramento de reparação provisória, procura-se antecipar a tutela
jurisdicional que se pretende obter através da ação principal, ou pelo menos parte dela.

PROCEDIMENTOS CAUTELARES DE GARANTIA


1. Arresto
Art.391ºnº1PCC, lança-se mão quando o credor tiver justificado receio de perda da
garantia patrimonial do seu crédito, sempre que se verificar este pressuposto poderá na prática
lançar-se mão do arresto, por exemplo no âmbito da celebração de um contrato nasce um
direito de crédito e o credor não recebendo o crédito vai ter de acionar, mas entretanto toma
conhecimento que o devedor está a alienar os sues bens. Por isso o devedor pode requerer a
apreensão judicial dos bens do devedor – nº2. Relativamente a estes bens, podem ser os bens
móveis (recheio de uma habitação), bens imóveis e direitos.
Também podemos ter arresto de direitos, exemplo direitos de crédito que o devedor
tenha sobre terceiros. Vai implicar que o terceiro seja notificado e ao invés de entregar o
montante ao arrestado, vai depositá-los a ordem dos autos para depois satisfazer a pretensão
do arrestante, do credor.
É também importante nos termos do nº2 verificar que arresto se aplica a disposições
aplicáveis à penhora, art.735ºss. CPC \ CC, tomar em atenção o art.736ºCPC, art.737º e
art.738. Quanto ao arresto parcial, fazendo referência ao nº1, se não podemos penhorar ou
arrestar 2\3 desses montantes, podemos na prática arrestar até ao limite máximo de 1\3. Ver o
nº3 quando falamos da impenhorabilidade do montante equivalente a 3 salários mínimos
nacionais, ou 1 salário mínimo nacional, consoante o caso.
Art.392ºCPC: no âmbito do requerimento devem ser deduzidos os factos e devem
ser relacionados os bens que devem ser apreendidos com todas as indicações necessárias.
Ex.: no requerimento deve dizer-se quando o credor tem conhecimento dos bens do
devedor “arrestar todas as obras de arte”.

Carina Pinto
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Art.393ºnº1CPC: o arresto é decretado sem audiência da parte contrária, em


regra, decreta-se antes mesmo de ser ouvida a parte contrária porque se fosse avisado os bens
podiam sumir. E por outro lado, quer o arresto quer a penhora são mais efetivos quando há um
pedido de remoção desses bens, não havendo o pedido os bens continuam no poder do
arrestado e ele é que tem de os entregar no estado em que estavam a quando da realização da
diligência, mas a verdade é que pode continuar a fazer o uso desse bens. Mas já quando é pedido
o arresto com a remoção desses bens a efetividade é obviamente superior, porque a partir desse
momento o arrestado é privado da utilização.
Nº2: se o arresto for pedido em mais bens do que aqueles suficientes deve reduzir-se
aos seus justos limites.
Nº3: o arrestado não pode ser privado dos rendimentos indispensáveis e não deverá de
haver o arresto naqueles bens considerados essenciais para a sobrevivência.
Ex.: a cama em si pode ser arrestada, desde que fique o colchão.
Nos termos do art.395ºCPC o arresto fica sem efeito nas situações do art.373ºCPC, mas
também no caso específico aqui. Não sendo feito no prazo a providencia decretada caduca.

Sai incidentes da instância, menos o valor da causa.


Procedimentos cautelares
Meios de resolução alternativa de litígios
Há 2 questões: são exercícios práticos com o devido enquadramento teórico e a
fundamentação legal.
Inversão do contencioso – aplica-se aos procedimentos cautelares de natureza antecipatória.

2. Arrolamento
Art.403º a art.409ºCPC: no que diz respeito aos requisitos, havendo justo receio de
extravio, ocultação de bens ou documentos – poderá haver arrolamento.
Quem vai requerer? Nº1 art.404ºCPC: qualquer pessoa com interesse na
conservação dos bens ou documentos.
Art.403ºCPC, remeter para o art.409ºCPC pode haver interesse de uma das
partes interessadas em descrever os bens que compõe o arrolamento – art.406ºCPC,
arrolamento deriva de rol, de colocar em lista – é a descrição e avaliação do depósito dos bens.
Também pode haver o arrolamento de contas bancárias.

PROCEDIMENTOS CAUTELARES DE REGULAÇÃO PROVISÓRIA


3. Restituição provisória de posse
Quando temos atos que privam a posse de determinados bem, podemos em princípio
fazer uso deste mecanismo, em princípio porque os meios processuais adequados serão os

Carina Pinto
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meios definitivos. Se não estiverem preenchidos os requisitos de aplicação da restituição


provisoria de posse podemos lançar mão do procedimento cautelar comum – art.379ºCPC
Quais os requisitos? Art.377ºCPC – temos de estar perante uma situação designada
por esbulho violento, privação total ou parcial da posse de uma coisa, e tem de haver
a violência e é normalmente aqui que podemos ter a aplicabilidade do procedimento cautelar
comum. Se tivermos apenas o esbulho e não tivermos a violência, falta um dos resquisitos e
aplica-se o procedimento cautelar comum.
Ainda no art.377ºCPC é preciso alegar os factos da posse, do esbulho e também os
factos nos quais se pode traduzir a violência.

4. Embargo de obra nova


A sua fundamentação legal está nos art.397ºCPC a art.402ºCPC este embargo de
obra nova pode ser judicial ou extrajudicial, o judicial é aquele que decorre do
art.397nº1CPC, obriga ao recurso ao tribunal - requerer em 30 dias e a necessidade de
recorrer previamente ao tribunal judicial
E também o embargo extrajudicial também implica o recurso ao tribunal, mas à
posteriori. É o nº2, notifica-se verbalmente com a presença de 2 testemunhas o dono da obra
ou o encarregado para não continuar – nº3 este carece de uma ratificação judicial posterior.
Falamos aqui em obra nova, no entanto não podemos fazer aqui apelo a uma
interpretação restritiva e meramente literal, o que é obra nova? Pode ser as situações de
ampliação, remodelação, reconstrução…
Art.400ºCPC refere de que modo é que faz ou ratifica o embargo, é por meio de auto
no qual se descreve minuciosamente o estado da obra, notifica-se o dono ou quem substitui
para não continuar. Porém nos termos do art.401ºCPC há possibilidade de continuar a obra e
aqui faz-se apelo a um critério que já conhecemos: o juízo da proporcionalidade. Embargada a
obra pode ser autorizada a continuação …
Se é uma obra importante para uma determinada comunidade, ex.: escola, pode de facto ser
autorizada a continuação dessa obra porque sobreleva relativamente ao embargo ou suspensão
dos embargos.

5. Suspensão de deliberações sociais


Art.380º a art.383ºCPC,
Pressupostos para a aplicação: art.380nº1CPC qualquer deliberação no âmbito
da assembleia de condóminos poderá ver os efeitos supesnos através deste procedimento
cautelar especificado.

PROCEDIEMTNOS DE ANTECIPAÇÃO
6. Alimentos provisórios
Art.384º a rt.387ºCPC temos a possibilidade de pedir uma prestação de alimentos.
Art.384ºnº1CPC e art.2007ºnº1CC. Pode requerer a fixação da quantia enquanto não há a
ação de alimentos definitiva. O titular até lá tem necessidades a nível mensal, vai haver a

Carina Pinto
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antecipação de parte dos efeitos que vão existir com a decisão\fixação da ação
principal.
Art.386ºn1CPC: são devidos a partir do 1º dia …
Tramitação: art.385ºCPC nº1: uma vez recebida será logo designado dia para o
julgamento, as partes são advertidas que devem comparecer pessoalmente para consensualizar
os alimentos ou apra se fazerem representar por procurados com poderes especiais.
Exercício do contraditório: nº2 a contestação será apresentada na audiência,
havendo acordo há a homologação do mesmo por sentença.
Na mera pressuposição de faltar uma das partes ou a conciliação se frustrar o juiz ordena
a produção de prova e decidirá.
Art.387ºCPC: o requerente só responde pelos danos se tiver atuado de má fé,
devendo a indemnização ser fixada equitativamente.

7. Arbitramento de reparação provisória


Nº1 ou nº4 do art.388ºCPC: temos de ter um ou outro – são os dois campos de
aplicação deste procedimento
Nos termos do art.390ºnº1CPC se a providencia decretada caducar, o requerente
deverá restituir todas as prestações que havia recebido.
Ou seja e simplificando, temos uma pretensão indemnizatória, é muitas vezes usado contra
companhia seguradoras. Muita destas ações demoram bastante tempo a ficar decididas, no
âmbito das indemnizações a companhia seguradoras usam de todos os meios processuais para
fazer valer as suas pretensões e quanto menos indeminizações tiverem de pagar melhor.
Demorando a ação muitas vezes anos, temos de perspetivar a situação do lesado e verificar que
ele não tem condições de subsistência (Ex.: não tem condições para trabalhar), por este meio
vai ter uma antecipação de determinadas quantias pecuniárias por conta da indemnização que
lhe venha a ser fixada a posteriori por a ação principal.
Por outro lado, no caso da improcedência do pedido art.390nº2CPC deve condenar o lesado
a restituir o que for devido.

Meios alternativos de resolução de litígios


Podem definir-se como o conjunto de procedimentos de resolução de conflitos que
surgem em alternativa aos meios judiciais, ao sistema judicial.
Mas se pensarmos nos julgados de paz eles são também identificados como uma espécie de
tribunal.
Na prática temos determinados meios que as partes se podem socorrer em alternativa
aos tribunais. E obter a solução jurídica mais adequada e equitativa relativamente à situação em
concreto.
Que meios são esses:
1. Conciliação: podemos estabelecer:

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a. Conciliação jurisdicional: será a conciliação que é levada a cabo\ promovida


por um magistrado judicial ou por um juiz - art.594º CPC ou seja, sempre
que a causa couber no âmbito dos direitos disponíveis – direitos na livre
disponibilidade das partes podemos ter uma conciliação. Pode ter lugar uma
tentativa de conciliação se as partes conjuntamente o requeriam ou juiz …
Nº3: esta tentativa é presidida pelo juiz que se deve emprenhar ativamente na
obtenção da solução mais adequada do litígio.
b. Conciliação não jurisdicional: não é promovida e não é levada a cabo por
um juiz ou um magistrado judicial, mas pode ser por um magistrado do MP.
Ex.: no Código do Processo do Trabalho o MP tem competência dos
trabalhadores e dos familiares, o MP antes de instaurar a ação vai promover uma
tentativa prejudicial de conciliação, surge a montante da ação judicial que vai ser
a posterior.
Ex.: a função conciliadora da Autoridade das Condições do Trabalho.
2. Mediação: está regulada por intermédio de um diploma avulso lei 29\2013 de 19 de
abril – neste diploma chamamos atenção para o art.2º a) que contem a definição de
mediação é realizada por entidades públicas ou privadas onde duas ou mais partes
querem alcançar um acordo com a presença de um mediador.
Também aqui podemos falar:
a) Mediação pré judicial: antes de se ter recorrido a tribunal – art.13º e ss
lei 29\2013 nº2: há a suspensão dos prazos de caducidade e prescrição …
, art.14º: a possibilidade das partes requererem a homologação judicial do
acordo, art.10nº2:
b) Mediação pós judicial: art273ºCPC surge depois de já ter sido
instaurada uma ação judicial …implica a suspensão do processo judicial.
Nº4: se não surtir efeito o mediador dá conhecimento ao tribunal desse
facto … e a instância deixa de estar suspensa e os autos judiciais
prosseguem. Nº5: se for alcançado o acordo será remitido a tribunal,
seguindo para a homologação dos acordos da mediação.
3. Arbitragem: lei da arbitragem voluntária, lei 63\2011 de 14 de dezembro –
ver os art.1º quanto à convenção de arbitragem, as partes tem de decidir submeter
voluntariamente o litigio à solução de árbitros, nº3: diferença do compromisso arbitral
e cláusula compromissária. Art.3º: deve revestir sempre forma escrita, art.30º ss:
princípio da igualdade, do contraditório, art.31º: lugar da arbitragem, art.33º e 34º:
tramitação e art.39º a 43º
4. Julgados de Paz: lei 78\2001 de 13 de julho + art.209ºnº2CRP + art.151ºLOSJ.
constituem uma forma alternativa de natureza cível em causas de valor reduzido e causas
que não envolvam família, sucessões e trabalho.
Lei 78\2001: art.8º: cujo valor não exceda 15 mil€, art.6ºnº1: a competência é
exclusiva para as ações declarativas. Art.9º nº1, al. a) a j), nº2, nº3, art.37º, art.38º,
art.43 a 48ºCPC

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Pressupostos processuais
São aqueles elementos de cuja verificação depende o dever do juiz se pronunciar quanto
ao mérito da ação. São as questões dos elementos processuais
Ex.: uma questão de A contra B para solucionar uma questão de um direito de crédito.
Quer-se que o tribunal se pronuncie da existência ou não do direito. Os pressupostos vão
preceder a fase da sentença, numa situação inicial. Se A arguir a inexistência de um pressuposto
processual, o tribunal o que vai fazer é apreciar esse pressuposto processual. E partindo do
pressuposto que esse pressuposto processual não está verificado do processo em concreto não
pode haver a decisão quanto ao mérito da causa.
Os pressupostos processuais têm inevitavelmente de estar verificados em todo
e qualquer processo, sob pena de o juiz não se poder pronunciar quanto ao mérito
da causa em concreto, da ação.
Se não estiverem reunidos os pressupostos o processo em princípio não terá condições
de seguir os seus termos e o tribunal em princípio vai absolver o réu da instância. Eles têm
sempre de estar presentes no processo sob pena da ação não poder seguir os seus termos.
Por vezes estes pressupostos podem ser confundidos com outras figuras, como as
condições da ação – são coisas diferentes, as condições da ação na prática são condições
inerentes ao próprio mérito, é apreciar se de facto as condições para que a ação seja julgada
procedente de acordo com o direito substantivo estão ou não verificadas.
Enquanto que os pressupostos processuais dizem respeito a questões de forma,
as condições da ação dizem respeito a questões substantivas\ condições de
procedibilidade da ação.
Também podemos distinguir os pressupostos processuais (dizem respeito a todo o
processo e toda a ação) e os pressupostos de determinados atos processuais (dizem
apenas respeito a um ato em concreto), se tiver de lançar mão de uma citação edital porque não
houve condições de fazer a citação pessoal do réu porque está ausente em parte incerta, tenho
de ter a verificação de determinados requisitos, que são os pressupostos da citação edital.
Os pressupostos processuais têm de estar sempre verificados em toda e
qualquer ação, aludindo aos pressupostos processuais positivos que são os que tem de
estar verificados em toda e qualquer ação. mas também há os pressupostos processuais
negativos serão aqueles pressupostos que não podem estar presentes na ação.
Ex.: Pressupostos processuais positivos: personalidade judiciária, capacidade judiciária,
legitimidade, patrocínio judiciário e competência.
Pressuposto processual negativo: Litispendência: art.580ºCPC a art.582ºCPC
pressupõe a repetição de uma causa, mas se a causa se repetir ainda com a anterior em curso
falamos da litispendência. Se este pressuposto processual negativo não se pode verificar para a
decisão final. Também há o compromisso arbitral: al. b) art.96ºCPC que também não pode
estar no processo.
A generalidade dos pressupostos processuais, pelo interesse público que normalmente
lhe subjaz é de conhecimento oficioso por parte do tribunal – art.578ºCPC o tribunal
deve conhecer oficiosamente das exceções dilatórias, excetuando as situações concretas no
artigo na segunda parte da norma.

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Personalidade Judiciária
Art.11ºCPC: o legislador refere no nº1 que consiste na suscetibilidade de ser
parte.
O que é ser parte? Há uma conceção inerente a um duelo, no processo há 2 partes normalmente,
1 parte do lado ativo que promove a ação e a parte passiva, a parte contra quem é promovida e
instaurada a ação. e este conceito de parte permite-nos inserir dentro do mesmo uma série de
conceitos mais precisos.
Por exemplo se for uma ação declarativa de condenação, sabemos que as partes no
âmbito do processo que subjaz a essa ação são o autor e o réu. Mas se for uma ação executiva
temos novamente o conceito de parte, mas temos o exequente o executado. Se for um
procedimento cautelar voltamos a ter o conceito do requerente e do requerido. Tudo isto se
traduz no conceito de parte e por tanto ser parte no processo é poder ser interveniente no
mesmo.
Então em abstrato todos podemos ter personalidade judiciária, temos a capacidade
abstrata de ser parte num processo judicial. Podemos instaurar uma ação no tribunal ou
podemos ter contra nós uma ação instaurada em tribunal. Art.11º n2ºCPC quem tiver
personalidade jurídica tem igualmente capacidade judiciária automaticamente - Princípio da
equiparação.
Este princípio da equiparação não funciona perfeitamente, de modo pleno, porque há
certos casos em que temos pessoas ou entidades com personalidade judiciária mas não têm
personalidade jurídica – art.12ºCPC. estes casos correspondem a situações em que apesar de
não haver personalidade jurídica, há personalidade judiciária: a herança jacente e os patrimónios
autónomos semelhantes cujo titular não estiver ainda determinado, associações sem
personalidade jurídica e ... todas estas entidades têm personalidade judiciária apesar de não ter
personalidade jurídica.
No art. 13ºCPC nos dá conta que as sucursais, agenciais, filiações, representações,
podem demandar ou ser demandadas quando a ação processa de facto por elas praticado.
Já sabemos que no âmbito de todo e qualquer processo, de toda e qualquer ação é
preciso ter verificado o pressuposto da personalidade judiciária.
E se não estiver verificado o pressuposto processual da personalidade judiciária?
Art.278ºnº1, al.c) CPC, corresponde à absolvição da instância. Remetendo para o
art.577º, al.c) CPC – uma falta de pressuposto processual normalmente corresponde a uma
exceção dilatória.
E a falta de personalidade judiciária pode ser sanada?
Em princípio não, daí se dizer que em princípio é irremovível, porém devemos ver o
art.14ºCPC se essa falta for associada à questão do art.13ºCPC essa sim pode ser sanada
pela intervenção da administração principal ou pela ratificação. E é mesmo o único caso e
circunstância que se pode ultrapassar esta falta.

Capacidade judiciária
Nos termos do art.15ºCPC, mais precisamente no nº1 consiste na suscetibilidade
de a parte estar por si em juízo, de estar desacompanhada por outrem. Não sendo
aqui a questão do patrcocínio judiciário, mas sim as situações que exigem que alguém esteja

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presente na ação porque existe necessidade de esse alguém estar a representar a parte – o
representante legal.
Também aqui existe uma espécie do princípio da equiparação, entre a capacidade
judiciária e a capacidade judiciária. Se a parte não tiver a capacidade de exercícios de direitos,
consequentemente não vai ter a capacidade judiciária e vai ter de estar acompanhada por
outrem, por um representante. Estamos a falar por exemplo no caso dos menores e do maior
acompanhado. Art.15ºnº2CPC: o menor por não ter em princípio capacidade de exercício
de direitos também não terá capacidade judiciária, exceto nas situações previstas no CC quando
o menor fruto do seu trabalho adquire determinados bens com os seus rendimentos.
Art.143ºCC e art.19ºCPC: os maiores acompanhados não sujeitos a representação podem
intervir.
Quais os meios de suprimento da questão da incapacidade judiciária? De que forma de
pode ultrapassar as incapacidades?
Art. 16ºnº1 CPC o meio de suprimento é a representação.
Quanto aos progenitores e poder paternal, temos os art.124º CC e art.1921ºnº1CC.
Quanto ao administrador de bens o art.1922ºCC
Quanto à representação legal do maior acompanhado, art.1423ºCC: incumbe ao
acompanhante.
Fazendo alusão à figura do art.17ºCPC, o curador especial ou provisório, nº1: se o
incapaz não tiver representante legal deve requerer-se, porque o incapaz tem de estar
devidamente representado. Nº2: havendo a intervenção do representante legal as funções do
curador cessão imediatamente.

Quanto aos meios de suprimento, serão o poder paternal, a tutela, a administração


de bens e o acompanhamento.
Quais as consequências de haver uma incapacidade judiciária não suprida?
Art.278ºnº1, al.c) CPC o juiz deve abster-se de conhecer do pedido e absolver o réu
da instância quando entenda que alguma das partes sendo incapaz, não está devidamente
representada ou autorizada em juízo.
E também o art.577º, al.c) CPC a falta de capacidade judiciária, constitui uma exceção
dilatória e conduz à absolvição do réu da instância.
No art.27º nº1CPC a incapacidade judiciária é sanada mediante a intervenção ou a
cotação do representante legitimo do incapaz, se estes ratificarem o atos anteriormente
praticados o processo segue como se o vício não existisse; se não houver a ratificação dos atos
ficará sem efeito tudo o que houvesse sido processado posteriormente ao momento em que a
falta se deu ou que a irregularidade foi cometida.
Ainda no art.29ºCPC, verificamos nos termos do nº2 que se a falta não for sanada
dentro do prazo que o juiz estabeleceu nos termos do nº1 o réu é absolvido da instância quando
a autorização ou deliberação devesse ser obtida pelo representante do autor. Se, era o
representante do réu que incumbia prover o processo segue como se o réu não deduzisse
oposição.

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Ou seja, se a falta de capacidade judiciária dissesse respeito à pessoa do réu e se a


consequência processual fosse a absolvição do réu da instância ele estava a ser beneficiado da
sua própria incapacidade e nessa circunstância o legislador difere; se disser respeito ao réu é
como se não tivesse havido oposição.

Patrocínio Judiciário
Também diz respeito às partes, está previsto nos art.40 e ss. CPC e na prática é a
assistência técnica que é prestada às partes por parte dos profissionais do foro. As
partes deverão estar representadas por estes técnicos do direito por duas razões:
1. Normalmente a parte não tem aquilo que se designa por serenidade de espírito para
defender os seus próprios interesses. A parte muitas vezes não consegue ser parcial e
é útil ter alguém que representa em juízo;
2. No âmbito do tribunal, o que se discute é direito, e na esmagadora maioria das situações
não sendo as partes licenciadas em direitos ou não têm conhecimentos jurídicos deverão
recorrer a estas partes de profissionais.
Não devemos confundir o patrocínio judiciário com a assistência judiciária (é uma
figura ligada à insuficiência económica e normalmente está associado ao apoio judiciária.
E também devemos afastar o patrocínio judiciário do art.50ºCPC, não é o mesmo
também esse artigo faz apelo à situação da assistência técnica que é prestada aos advogados. Os
advogados não têm conhecimentos de tudo, de engenharia, de medicina, … o que não acontece
e por isso os advogados muitas vezes têm de se reunir com técnicos dessas áreas e é dessa
situação que trata o art.50ºCPC.
No âmbito das ações declarativos, quando é que é obrigatória a constituição de
advogado?
O advogado exerce o exercício pleno do patrocínio judiciário: art.40ºCPC
a) Nas causas de competência de tribunais com alçada em que seja admissível recurso
ordinário – em todas as ações que tenhamos o valor de 5,000,01€ é obrigatório
constituir advogado.
b) Nas causas em que seja sempre admissível recurso, independentemente do valor –
art.629º nº2 e nº3 CPC independente do valor da causa será sempre admissível
recurso nestas situações das alíneas a) a d) no nº2 e das al. a) a c) do nº3.
c) Nos recursos e nas causas propostas dos tribunais superiores.
No art.58ºCPC temos as situações onde é obrigatória a constituição de advogado nas
ações executivas.

E se o pressuposto processual do patrocínio judiciário não estiver verificado, se for


obrigatório o patrocínio judiciário e a parte não o constituir?
Art.278ºnº1, al. e) CPC em conjugação com o art.577º, al. h) CPC e conclui-se
que a falta de constituição de advogado quando é obrigatória estamos perante uma exceção
dilatória e em regra conduzirá à absolvição do réu da instância. Complementando com o
art.41ºCPC que refere se a parte não constituir advogado e sendo obrigatória, o juiz determina
a notificação para constituir dentro de prazo certo – normalmente um prazo de 10 dias. Se a
parte não o constituir nesse prazo, o réu será absolvido da instância e será absolvido se a falta

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disser respeito ao autor ou então de ficar sem efeito a defesa do réu se a falta disser respeito
ao réu.
O advogado exerce em princípio um mandato judicial. E então pergunta-se: como
se confere o mandato judicial? Art.43ºCPC por instrumento público (não é o mais usual) ou
por documento particular (é a procuração forense). Existe ainda uma outra circunstância: al. b)
a possibilidade que não é muito utilizada é a declaração verbal da parte no auto de qualquer
diligência que se pratique no processo.
Quanto à procuração forense, estas podem ter poderes gerais ou poderes
especais, normalmente tem apenas poderes gerais. Porém se a par ainda estiver ainda os
especiais de confessar, desistir ou transigir passamos a ter uma procuração com poderes
especiais. Art.45ºCPC.

Legitimidade
Normalmente quando se fala da legitimidade dizemos que se prende com o poder da
parte deduzir uma pretensão em juízo e o poder da contraparte apresentar a defesa contra ela
oponível.
É um posicionamento da parte perante determinada ação.
Embora sejamos levados a pensar que a legitimidade vai responder a quem pode e contra
quem pode propor uma ação, não é esse o objetivo da legitimidade porque isso diz respeito à
personalidade e à capacidade judiciária.
Trata de saber se num determinado processo em concreto as partes que estão
a litigar são verdadeiramente as partes que deviam estar em juízo.
Na prática temos uma ação ou um processo, A que instaura a ação contra B podemos
dizer que o A é parte ativa e B é parte passiva, isto está relacionado com a capacidade. Mas a
legitimidade quer saber se nesta ação em concreto as partes que devem figurar são
verdadeiramente A e B, ou se por exemplo invés de B deveria estar outra pessoa,
nomeadamente C.
Importa também dizer que se neste caso B não tiver legitimidade, acontece que
na prática há uma situação de ilegitimidade, falta de um pressuposto processual que vai
conduzir à absolvição do réu da instância.
Como é que pode acontecer que B não seja a parte que devia figurar na ação?
A relação jurídico processual tem sempre na sua base uma relação material
controvertida, ou seja, devemos ter uma outra relação substantiva. Ex.: B incumpre com um
contrato e assim sabemos saber de facto se B e A são partes legitimas, se houver
correspondência temos uma situação de legitimidade, se A tiver celebrado o contrato, e B tiver
celebrado o contrato e se fruto de um incumprimento desse contrato temos uma legitimidade.
Diferente é B não ter sido a contraparte de A, quem celebrou o contrato com A foi C, assim
não há identidade nestes polos e, portanto, B neste caso não seria parte legitima.
Tem de haver uma correspondência entre a relação material controvertida
e a relação jurídica processual.
A legitimidade está prevista nos art.30º ss. CPC, este artigo que nos diz que o autor é
parte legitima quando tem em interesse direto em demandar, e o réu quando tem interesse

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direto em contradizer – desde logo retiramos que o interesse relevante para efeitos de aferição
de legitimidade é o interesse direto, assim em princípio não importará os efeitos indiretos
apesar de em certas circunstâncias poderem ter relevância, ex.: sub-rogação, proteção de
interesses difusos.
O interesse direto será o interesse em contradizer e em demandar. No nº2 o
legislador preenche estes conceitos. O interesse em demandar significa que A neste caso em
concreto sendo o autor vai ter de retirar uma determinada utilidade e proveito da procedência
desta ação e assim teremos a legitimidade ativa. No casso do réu, o interesse em contradizer
exprime-se pelo prejuízo que dessa procedência advenha, o réu terá a legitimidade +assia se
com a procedência desta ação ele sofrer um determinado prejuízo.
Mas por vezes, é difícil perceber em que se consubstanciam os interesses em demandar e
contradizer e por isso o nº3 estabelece um critério supletivo, na falta de indicação da lei em
contrário são considerados titulares do interesse os sujeitos da relação controvertida, tal como
é configurada pelo autor – esta ultima parte foi introduzida para por termo a uma divergência
doutrinal, que oponha Barbosa de Magalhães (defendia este critério, considerava exatamente
que para efeitos de aferição da legitimidade temos de atender aos sujeitos da relação material
controvertida tal e qual eles são expressos pelo autor – atender a uma posição formal ) e Alberto
dos Reis (defende que devíamos ver a configuração real da relação jurídica processual (do autor
e do réu), realizar a prova indicada pelas partes e só depois o tribunal ia ver se A e B são partes
legitimas e não devíamos assim seguir só a posição formal).
Ex.: a questão que se discutia nos tribunais era: tínhamos um contrato de compra e venda de
chumbo, 60 toneladas, que tinha sido realizado entre duas entidades: A e B.
B incumpriu com o contrato, porque invés de entregar as 60 toneladas, só entregiu 40 toneladas.
A instaurou uma ação judicial a reclamar a entrega das toneladas em falta e o pagamento de uma
indemnização.
A ação foi instaurada pela sociedade A contra a sociedade B.
B veio alegar no âmbito desta ação que em bom rigor ele só tinha sido um mero intermediário
de uma sociedade Espanhola, C e portanto não devia vigorar nesta relação jurídica processual
como réu e portanto era parte ilegítima e devia ser absolvido da istância.
Com base nas posições anterior, temos:

• Barbosa de Magalhães: se A perspetivou no âmbito deste processo e na alegação como


contraparte contratual B, então em princípio temos a questão da legitimidade
ultrapassada, devemos atender à relação material controvertida tal como ela é
configurada pelo autor e para o autor a contraparte era B. e portanto havia legitimidade
para ser proposta a ação contra B e ia seguir os tramites e julgado o pedido pelos
tribunais, apesar de vir a ser julgado improcedente posteriormente por ter sido C a
celebrar o contrato e iria ser absolvido do pedido, mas isto era tudo posteriormente
porque inicialmente B tem legitimidade. – esta é a posição do art.30ºnº3CPC, logo
devemos atender à relação controvertida tal como é configurada pelo autor, partindo
da hipótese e da ficção que o direito alegado pelo autor existe e que a obrigação do réu
não sabemos se ela existe ou não, tem de ser deduzida a prova e a analise do mérito.
Depois de ver se de facto o direito e a obrigação existem em termos ficcionais passamos
para a próxima fase, tentar ver se os polos da relação jurídico processual e da relação
material correspondem, se correspondem temos a legitimidade cumprida e estando

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verificado este pressuposto, a ação tem condições para seguir os seus termos e ser
deduzido o mérito da causa.
• Alberto dos réus: devemos ver as provas apresentadas pelo autor e as apresentadas
pelo réu e na conclusão das provas se chegasse à conclusão que C é a contraparte,
consideramos B como parte ilegítima.

Normalmente, as relações jurídicas processuais são simples, isto é, temos uma ação
instaurada por A contra B – é situação de legitimidade processual singular. Porém em certas
circunstâncias não temos uma situação de legitimidade singular, mas sim uma situação de
legitimidade processual plural ativa: podemos ter do lado ativo A + C. podemos também
ter uma ação instaurada por A contra o B e o D – legitimidade processual plural passiva.
Ou legitimidade processual plural mista: 2 autores que propõe a ação contra 2 réus ( 2 ou
mais).
Dentro da legitimidade processual plural temos 2 figuras: em ambos há uma pluralidade
de partes, diferente entre eles é saber se a relação material controvertida é apenas 1 ou mais
do 1

• Litisconsórcio: apenas há 1 relação material controvertida


• Coligação: há uma pluralidade de relações matérias controvertidas
Assim sabemos que a preterição do litisconsórcio é uma situação em que devia haver pluralidade
de partes e afinal não havia, e o 3º que já devia estar no processo vai ser chamado para
concretizar o litisconsórcio.

Litisconsórcio
Previsto nos art.32ºCPC aart.35ºCPC, a regra é que seja voluntário, as partes
podem instaurar a ação conjuntamente ou a ação possa ser instaurada conjuntamente contra
duas ou mais partes. É uma possibilidade
Temos o litisconsórcio voluntário e o litisconsórcio necessário: (art.33ºCPC e
art.34ºCPC)

• Litisconsórcio necessário não há possibilidade de a ação ser instaurada por todos


os interessados ou contra todos os interessados, há a obrigatoriedade de isso se
suceder, e é exemplo no art.33ºnº1CPC, este tem 4 fontes de surgimento:
▪ 1- Fonte legal, a lei: ex.: A senhorio celebrou um contrato de
arrendamento com B. B sendo casado com C instalou a casa de morada
de família nesse local. Mas a partir de determinada altura B deixa de
pagar as rendas, após alguns meses A decide cessar a relação jurídica
de arrendamento e instaura para o efeito uma ação contra B. mas B
vem invocar ser parte ilegítima nesta ação porque está
desacompanhado de C. sendo um litisconsórcio necessário de fonte
legal – art.34ºnº3 CPC devem ser propostas por ambos os cônjuges
as ações compreendidas ou contra ambos os cônjuges, no nº1. No caso
em concreto temos uma situação de litisconsórcio necessário de fonte
legal, se B invocar a ilegitimidade e ocorrendo uma preterição de
litisconsórcio necessário, o tribunal vai absolver o B da instância por
ilegitimidade.

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▪ 2- Fonte provocada: art.316 a art.320CPC: A devia ter provocado


a intervenção de C
▪ 3 – Fonte negocial: radica num negócio jurídico e está prevista
também no art.33ºnº1 CPC, “se porém o negócio jurídico, ….” Se
num contrato há uma cláusula que diz expressamente que aquele
direito em concreto vincula duas pessoas, essas duas pessoas têm de
estar juntas, caso contrário há uma situação de inobservância do
litisconsórcio de fonte negocial
▪ 4 – Fonte natural: prevista no art.33ºnº2PC “igualmente
necessária…” faz parte da natureza da relação controvertida que todas
as partes tenham de estar presentes, senão a decisão judicial só vai
vincular as partes que estão no processo e não quem ficou fora dele.
Para o 3º ser abrangido pela força executiva inerente à sentença é
preciso que ele esteja no âmbito do processo.
Ex: há um terreno que pertence a A. B. C. D. a dada altura A fruto de
uma situação de aperto económico vai querer vender a sua parte, não
quer continuar na situação de indivisão. Na ação de divisão de coisa
comum pretende dividir determinada coisa que está em comunhão e
que as partes não querem que continue nessa comunhão, e então A vai
instaurar esta ação contra B, C. Estará verificada a legitimidade? na
verdade, falta o D. mesmo que a ação seja julgada procedente há uma
coisa que é segura, como D não teve intervenção também não fica
vinculado nessa decisão, não havendo aqui o efeito útil normal da
decisão – é um litisconsórcio necessário de fonte natura. a natureza
implica a presença neste processo de todos os interessados, sob pena
de haver uma situação de ilegitimidade.
Ex.2: A vive no sítio X e quer que o seu carro passe a ficar estacionado
dentro do seu terreno e portanto vai querer que se constitua uma
servidão legal de passagem. Vai instaurar a ação contra B e contra C
para que o seu prédio encravado passo a ter contrato com a via pública,
onerando o prédio dominante que pertence a B, C, D. mas mais uma
vez a ação só foi instaurada contra B e C porque A nem sabia do
paradeiro de D. isto não é possível porque a natureza da relação
material implica que todos os interessados tenham de estar na relação
jurídica, sob pena de ilegitimidade.

Coligação
Em regra, a coligação é voluntária. Há poucos casos em que a coligação é
necessária
Esta prevista nos art.36º ss. CPC. No art.36ºCPC prevê os requisitos necessários
para que possa haver uma coligação:
1. Requisitos substantivos:
a. Art.36ºnº1: identidade da causa de pedir -a causa de pedir traduz-se na
matéria de facto, nos factos alegados pelas partes que sustentam a pretensão
solicitada ao tribunal (o pedido), aqui os factos que vão ser alegados pelas
partes e vão estruturar a ação são comuns.
Ex.: temos 2 pessoas que a determinada altura se encontram a atravessar a
rua e passa um carro em velocidade que atropela ambas. Podemos lançar a
questão de saber se estas 2 pessoas podem lançar a ação conjuntamente

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contra o condutor desse veículo. Qual a causa de pedir nesta ação


declarativa de condenação onde se vai pedir uma indemnização pelo dano
patrimonial e não patrimonial infligido a estas duas pessoas? É o
atropelamento de ambas em cima da passadeira, o facto é comum a ambas
e então podem coligar-se e instaurar esta ação em conjunto.
b. Dependência entre pedidos: ainda no mesmo artigo. Se temos por exemplo
um contrato de compra e venda de um carro entre A e B e a determinada
altura A pede a anulação da venda e se B tiver emprestado esse carro a C
e se A fruto da anulação quiser a restituição da viatura ele vai ter de deduzir
também o pedido de entrega da viatura contra C.
c. Art.36nº2CPC: é igualmente licita a coligação quando apesar de diferente
a causa de pedir, se A, B, C três agricultores com as suas plantações no
Litoral e fruto da chuva tiverem sofrido danos e têm um seguro com a
companhia X.
A sofreu prejuízos de 5.000€, B de 10.000€ e C de 35.000€, podemos
colocar a questão de saber se podem instaurar uma ação conjuntamente
contra X, reclamando o pagamento das indemnizações que sofreram pelos
danos. Há uma cosia que não é comum, cada um tem o seu próprio contrato
de seguro, apesar da companhia ser a mesma.
Temos uma relação de responsabilidade contratual, onde a causa de pedir é
o contrato, mas segundo o art.36nº2 CPC, em grande parte destes
contratos há aqui cláusulas análogas no contrato e, portanto, sendo a mesma
companhia é normal que entre todos os contratos haja cláusulas iguais ou
parecidas e, portanto, pode possibilitar a coligação que estamos aqui a falar.
d. Art.36ºnº3CPC: quando os pedidos deduzidos contra os vários réus
tenham uma obrigação cartolar, aquela que emerge normalmente de um
título de crédito. Há a obrigação cartolar e a obrigação subjacente.
2. Requisitos adjetivos: os que constam art.37ºnº1
a. Os pedidos correspondam à mesma forma de processo – tem de haver
identidade da forma de processo, não pode haver um processo comum e
um processo especial e ainda outro com um processo especial diferente.
Todos os pedidos no âmbito do mesmo processo deve corresponder a
mesma forma de processo, o processo comum a todos ou o mesmo
processo especial a todos.
b. Competência absoluta: o tribunal onde vai ser instaurada a ação tem de ser
competente a nível absoluto, as regras da competência internacional, em
razão da hierarquia e em razão da matéria.
Ex.: se no agricultor A e B são portugueses e C é chines, e por um critério
de competência esta pretensão teria de ser formulada num tribunal chines
e não num tribunal português – não é possível a coligação
Ex.: determinadas ações tem de ser instauradas junto de um juízo central
cível – não pode haver coligação quando há ofensa e diferença.

Costuma dizer-se que tem de haver uma coligação a nível dos requisitos.
Basta que se verifique 1 requisito substantivo a parte dos requisitos adjetivos.

Quando há inobservância do pressuposto processual da ilegitimidade?


Art.278ºnº1d) CPC: quando há ilegítima alguma das partes.

Carina Pinto
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Art.577º, al. e)CPC: a ilegitimidade é uma exceção dilatória e estando verificada há a


absolvição do réu da instância.

Interesse processual
Contrariamente aos demais que estava previsto no CPC, este pressuposto não tem
previsão legal específica.
Na prática este interesse processual traduz-se na necessidade de recorrer a juízo,
se não tivermos ninguém a colocar em causa a existência de um determinado direito ou a violar
um determinado direito, não está verificado o pressuposto processual do interesse processual.
Para recorrermos a tribunal temos de ter necessidade de o fazer.
A falta de verificação deste pressuposto, difere:
 Ações declarativas de condenação: provoca a absolvição do pedido
 Ações declarativas de simples apreciação: prova a absolvição da instância
 Ações declarativas constitutivas: prova a absolvição da instância

Competência
A maioria dos pressupostos processuais, como sabemos é inerente às partes, são
normalmente relativos às partes. Mas este pressuposto diz respeito ao tribunal.
Convém nós traçarmos a diferença entre dois conceitos:
 Jurisdição: poder genericamente atribuído aos tribunais – poder jurisdicional, poder
de dirimir um conflito e julgar as ações que são submetidas por parte das partes
 Competência: fracionamento do poder jurisdicional, cada um dos tribunais vai ter uma
fração do poder jurisdicional e essa fração em concreto que cada tribunal tem diz
respeito à competência.
Para saber então a competência de um tribunal é preciso lançar mão de determinadas
regras.
Face aos outros pressupostos, o diploma legal base é o CPC. No que diz respeito ao
pressuposto processual da competência, vamos ter a par do CPC outros diplomas: lei 62\2013
de 26 de agosto – Lei de Organização do Sistema Judiciário, DL nº49\2014 de 27 de
março (regulamenta a LOSJ), Reg. EU 1215\2012.
A nível da competência podemos ter uma questão a nível da competência
internacional ou da competência interna.

Competência internacional
Quando estamos perante a relação jurídica plurilocalizada, quando tenhamos um
elemento de conexão com uma ordem jurídica estrangeira.
O elemento de conexão, atende à nacionalidade, domicílio, local de celebração do
contrato, lugar de cumprimento do contrato – tudo isto podem ser elementos de conexão.
E hoje em dia há uma grande liberdade de circulação de pessoas, de bens e de capitais e portanto
é natural que tenhamos contacto com outras ordens jurídicas que não a portuguesa.

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Ex.: contrato de compra e venda de um imóvel cito e Portugal, celebrado entre um português e
um espanhol – temos um elemento de conexão com a ordem jurídica espanhola. E se surgir um
problema na celebração vamos ter de instaurar uma ação em tribunal, mas a questão é: em que
Tribunal?
Da mesma forma se o contrato passar a ser celebrado com um espanhol um português e um
italiano. É razoável lançar quais serão os tribunais competentes para dirimir o conflito?
Há um artigo essencial: art. 59ºCPC: os tribunais portugueses são
internacionalmente competentes quando se verifiquem algum dos elementos de conexão
referidos nos art.62º e 63ºCPC ou quando as partes lhes tenham atribuído competência nos
termos do art.94ºCPC, sem prejuízo dos que se encontra estabelecido em regulamentos
europeus e em outros instrumentos internacionais.
Ora, daqui resulta: o nosso sistema jurídico ao nível da competência internacional é um sistema
dual: a par de um regime convencional (o facto de terem existido duas convenções que
regulavam a competência judiciária nos países da Comunidade europeia: convenção de Bruxelas
e convenção de Lugan) existe a outra parte que é o chamado regime legal (art.62 e
art.63ºCPC).
A lei quer que antes de nos centrarmos no regime legal vejamos se à situação em
concreto é aplicável algum instrumento legal – regulamento 1215\2012. Ou seja, se houver
um elemento de conexão ou mais do que um com ordens jurídicas estrangeiras que sejam
integrantes da União Europeia devemos recorrer a esse regulamento para ver se ele dá resposta
à questão de saber se os tribunais portugueses são ou não internacionalmente competentes para
essa situação.
Não esquecendo que podemos ter situações de elementos de conexão com outros
países que não integram UE e aí já não se aplica este regulamento, mas sim os outros
instrumentos internacionais. É preciso ver se Portugal tem acordos com os outros países, ex.:
EUA, China,… para saber se relativamente aos litígios há ou não regras que atribuem a
competência a algum desses estados.
Regulamento UE 1215\2012: art.1º: âmbito de aplicação nº1: aplica-se em matéria civil e
comercial. Excluindo: as matérias fiscais, aduaneiras ou administrativas, e a responsabilidade do
Estado por atos ou omissões. Como também estão excluídas as situações do nº2. Se por
exemplo tivermos perante uma situação de matéria civil mas que diga respeito ao estado das
pessoas, não vamos ter a aplicabilidade deste regulamento.
Ex.: situação de dissolução do vínculo de matrimónio celebrado entre um Português e uma
Francesa – estado membro da União Europeia – e a primeira coisa que temos de fazer partindo
do art.59ºCPC era ir ao regulamento para ver qual o Tribunal competente. Mas se atendermos
ao art.1ºnº2, al. a) verificamos que o regulamento não é aplicável. Temos assim nos termos
do art.59ºCPC ir ao regime legal que consta dos art.62 e 63ºCPC.
Art.62ºCPC: refere que os tribunais portugueses são internacionalmente
competentes:
a) Princípio da coincidência: faz-se corresponder entre a competência internacional e
a competência interna. Quando a ação possa ser proposta em tribunal português segundo as
regras de competência territorial estabelecidas na lei portuguesa. Se forem os tribunais
portugueses competentes no seu conjunto, temos a atribuição da competência.
E no caso anterior temos a reposta no art.72ºCPC, por remissão do art.62ºal.a)CPC:
para as ações de divórcio e separação de pessoas e bens é competente o tribunal do domicílio

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ou da residência do autor. Então se temos um divórcio instaurado por um Português contra


uma Francesa, se o Português reside em Portugal, os tribunais portugueses são competentes. Já
se a ação fosse instaurada pela Francesa que vive em Roma, os tribunais portugueses já não
seriam competentes.
b) Quando tiver sido praticado em território português que serve de causa de pedir na ação, ou
algum dos factos que a integram – princípio da causalidade, temos de atender à causa
de pedir, e averiguar os factos que fundamentam a pretensão do autor e verificar se
foram praticados em território português e se forem os tribunais portugueses são
internacionalmente competentes para a apreciação da ação em concreto
c) Quando o direito invocado não possa tornar-se efetivo senão por meio de ação proposta em
território português: Se tivermos por exemplo uma situação que na prática dava origem a
uma ação que deveria ser instaurada num determinado país mas esse país não conhece
ou não tem no ordenamento forma de conhecer teríamos uma negação de justiça e isso
não pode ocorrer e fruto disso o tribunal português vai ser competente ou se verifique
para o autor dificuldade apreciável na propositura da ação no estrangeiro, desde que entre o
objeto do litígio e a ordem jurídica portuguesa haja um elemento ponderoso se conexão, pessoal
ou real. Ou então temos 2 cidadãos portugueses a gozar férias no oriente e têm um
conflito que precisam de instaurar uma ação judicial, imaginemos o que seria obrigar
esses cidadãos a ter de ir a esse país para litigar, mas como há o elemento poderoso:
naturalidade de ambos os tribunais portugueses serão competentes.
Art.63ºCPC: situações onde os tribunais portugueses têm competência exclusiva
a) Matéria de direitos reais sobre imóveis e de arrendamento de imóveis situados em
território português.
b) Em matéria de validade da constituição ou dissolução de outras pessoas coletivas que
tenham a sua sede em Portugal
c) Matéria de validade de inscrições em registos públicos conservados m Portugal
d) Matéria de execuções sobre imóveis situados em território português
e) Matéria de insolvência ou de revitalização de pessoas domiciliadas em Portugal ou de
pessoas coletivas ou sociedades cuja sede esteja em território português.
O art.24 do reg. UE 1215\2012 estabelece as mesmas situações do art.63ºCPC

Competência interna
Quando já tivemos o contacto com um elemento da ordem jurídica estrangeira, mas
chegamos à conclusão que os tribunais portugueses eram internacionalmente competentes. Ou
então não temos qualquer elemento de conexão com uma ordem jurídica estrangeira.
 Porque chegamos à conclusão que tendo havido um elemento de conexão com
uma ordem jurídica estrangeira os tribunais portugueses foram considerados
como competentes para essa questão
 Quando não há elemento de conexão com uma ordem jurídica estrangeira.
Art.209ºCRP e art.29ºLOSJ: quais são as categorias de tribunais que existem a nível
do nosso sistema jurisdicional.
Temos:
 Tribunal constitucional
 Tribunal de contas
 Supremo Tribunal de Justiça

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 Tribunais da Relação
 Tribunais Judiciais de 1º Instância e 2º Instância
 Supremo Tribunal administrativo
 Tribunais administrativos e Fiscais
 Tribunais arbitrais e julgados de paz.

A nós interessa sobretudo os Tribunais Judiciais. Existem:


o Tribunais Judiciais:
o Supremo Tribunal de Justiça,
o Tribunais de 2º instância ou de Relação,
o Tribunais de 1º Instância
o Tribunais não Judiciais:
o Supremo Tribunal Administrativo
o Tribunais Administrativos e Fiscais
o Tribunais Especiais:
o Tribunal Constitucional
o Tribunal de contas
É também importante verificar, que nos termos do nº1 do art.40ºLOSJ os tribunais
judicias têm competência para as causas que não sejam atribuídas a outra ordem jurisdicional –
há aqui uma competência residual\subsidiária. Se a causa em concreto não for de competência
dos tribunais não judiciais ou dos especiais, será da competência dos tribunais judiciais.
Ainda no art.29ºnº3CPC: os tribunais judicias de 1º Instância são em regra os Tribunais
de Comarca. E já que se fala da Comarca é relevante falar da organização judiciária do
nosso País:
❖ Divisão judiciária do País:
Houve uma mudança de paradigma no âmbito da LOSJ, antes desta entrada da LOSJ
tínhamos 308 Comarcas e havia uma correspondência quase perfeita com a divisão
administrativa do país, em princípio cada concelho tinha a sua própria Comarca. Agora temos
apenas 23 Comarcas. – nº2, art.33ºLOSJ. Tudo se refere nos termos do Anexo II desta lei.
As 23 comarcas atualmente existentes são: Açores, Aveiro, Beja, Braga, Bragança,
Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Lisboa Norte, Lisboa Oeste,
Madeira, Portalegre, Porto, Porto Este, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu.
São as grandes Comarcas, isto porque por exemplo na Comarca do Porto tem na mesma
inseridos os municípios de Gondomar, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, Trofa,
Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia. Não há correspondência entre a organização
administrativa e a organização judiciária atualmente, temos inseridos agora numa Comarca uma
séria de municípios.
Anexo I, é importante pensar na divisão Judiciária que existe ao nível dos Tribunais de
2º Instância ou da Relação. Porque temos 5 tribunais da Relação: Guimarães, Porto, Coimbra,
Lisboa e Évora. E nos termos deste anexo temos que relativamente a estes 5 há a circunscrição
e o âmbito de aplicação dos mesmos, eles integram cada uma das Comarcas.
Ex: o tribunal da Relação do Porto abrange: Comarca de Aveiro, Porto e Porto Este.
Ex.: Se por exemplo um determinado Tribunal Judicial de 1º Instância que pertence ao
Tribunal Judicial da Comarca do Porto decide um determinado processo em sentido
desfavorável a uma das partes e essa parte não se conforma com a decisão do Tribunal Judicial

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de 1º Instância, essa parte pode impugnar a decisão por via de recurso e vai impugnar para que
Tribunal?
Se o tribunal da Relação do Porto tem ao nível da área da sua competência a competência
de conhecer dos recursos das Comarcas de Aveiro, Porto e Porto Este, na Comarca do Porto
temos aqui a interposição do recurso para o Tribunal da Relação do Porto.
Ex: se houve uma determinada ação instaurada nos Juízo do Trabalho de Vila Nova de
Gaia, este que pertence à comarca do Porto se uma das partes não se conforma com a decisão
do Juízo do Trabalho do Porto vai poder interpor recurso de apelação para o Tribunal da
Relação do Porto.
Quanto ao supremo Tribunal de Justiça, tudo é mais simples porque só há 1, que se
localiza em Lisboa e tem competência em todo o território nacional. E portanto o recurso de
um acórdão de um tribunal da relação de qualquer 1 dos 5: Guimarães, Porto, Lisboa, Coimbra
ou Évora, que seja interposto para o Supremo Tribunal de Justiça, portanto um recurso de
revista vai inevitavelmente cair no STJ sito em Lisboa.

❖ Categorias dos Tribunais Judiciais:

Supremo Tribunal de Justiça

Tribunais da Relação\2º instância

Tribunais Judiciais de 1º Instância

Supremo Tribunal de Justiça:


Art.43º nº1 LOSJ: O STJ tem competência em todo o território. Só há 1 e é localizado
em Lisboa - Art.45 a 66º LOSJ e é importante perceber que este apenas conhece matéria
de direito, não conhece matéria de facto ao contrário dos tribunais Judiciais de 1º instância que
conhecem de matéria de facto e de direito e os Tribunais da Relação que conhecem de matéria
de direito e podem também conhecer matéria de facto dadas as circunstâncias. Art.46ºLOSJ.
Os juízes que fazem parte do STJ são os srs. Concelheiros.
No art.47ºnº1LSJ, temos que o STJ compreende 3 situações: matéria penal, cível e
social.
Nos termos do art.48ºnº1 LOSJ: o STJ funciona através da direção de um presidente,
em plenário, por secções especializadas ou por secções.

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Tribunais da Relação\2º instância


Art.43ºnº2 LOSJ: têm competência na área das respetivas circunscrições
Art.67º a 78º LOSJ: os juízes que pertencem aos tribunais da relação, são conhecidos
como juízes desembargadores.
Estes estão divididos em secções consoante o grau de especialização das matérias – Estes
tribunais funcionam em plenário ou então por secções - art.67º nº2 LOSJ, as secções são as
mesmas que o STJ, nº3: cível, penal e social mas a par destas ainda teremos secções de família
e menores, comércio, propriedade intelectual, …

Tribunais Judiciais de 1º Instância


São sobretudo nestes que se levantam as questões e os problemas relativos à
competência interna.
Poderemos ter as seguintes expressões: tribunal adequem: tribunal para onde se
recorre, tribunal adequo: tribunal recorrido. Ou seja, se estiver perante uma decisão judicial de
um tribunal de 1º instância e se as partes não se conformam com a decisão e interpõem recurso
para o tribunal da relação, o tribunal da relação é o tribunal adequem e o tribunal da 1º instância
é o tribunal adequo.
Para desfazer os problemas da competência interna temos de recorrer a critérios
previstos no art.37º nº1 LOSJ e art.60ºnº2 CPC.
Temos assim 4 critérios: para sabermos a nível da ordem interna qual o tribunal competente
para conhecer de uma determinada ação judicial temos de fazer uso de todos estes 4 critérios.
 Critério da competência em razão da hierarquia
Estamos perante uma situação de repartição vertical da competência. Todos os juízes
são titulares de uma parcela do poder jurisdicional e nessa circunstância não faria sentido que
um juiz de um tribunal superior desse uma ordem a um juiz do tribunal inferior.
Aqui a hierarquia consiste precisamente no poder e capacidade que os tribunais
superiores têm de revogar ou reformar as decisões dos tribunais inferiores.
Na prática temos de saber se a ação em concreto deve ser instaurada num tribunal de 1º
instância, num tribunal da relação ou no Supremo Tribunal de Justiça. E a este propósito, 99%
dos casos as ações são instauradas nos tribunais de 1º instância.
Nas situações excecionais é a obrigatoriedade de relativamente a determinadas
circunstâncias a ação poder ser diretamente instaurada no tribunal da relação ou no Supremo
Tribunal de Justiça. E que situações são essas?
o No STJ constam do art.55º, al.c) LOSJ têm de ser instauradas no STJ as ações
propostas contra juízes do STJ, juízes do tribunal da relação e magistrados do MP
que exerçam funções junto destes tribunais, ou equiparados, por causa das suas
funções
o Relativamente às ações que podem ser de imediato instauradas no Tribunal da
Relação, consta do art.73º.b) LOSJ: julgar as ações propostas contra juízes de
direito e juízes militares de 1º instância, procuradores da República e procuradores
adjuntos, por causa das suas funções e ainda na alínea e): julgar os processos de

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revisão e confirmação de sentença estrangeira, sem prejuízo da competência


legalmente atribuída a outros tribunias.
Não confundir esta possibilidade da instauração com a possibilidade do valor de causa
de haver recurso para a relação ou para o STJ.
Ou seja, se eu tiver uma ação de 35.000,00€ ou 35.000.000,00€ o valor é irrelevante
para saber onde se deve instaurar a ação, a ação tem sempre de ser instaurada no tribunal
judicial de 1º instância, o que possibilita o valor é que as partes não se conformando com a
decisão de 1º instância possam interpor recurso para a relação e não havendo a formação da
chamada dupla conforme podem interpor recurso de revisto até ou para o STJ – são 2 situações
diversas.
A competência apenas diz onde a ação deve ser instaurada e a esmagadora maioria
é de facto a instauração das ações nos tribunal da 1º instância.

 Critério da competência em razão da matéria


Estamos perante uma situação de repartição horizontal da competência.
Temos uma divisão consoante as matérias, a especialização e tal denota-se não só nos
tribunais de 1º instância como também nos tribunais superiores, ou seja, o STJ tem uma secção
cível, penal e uma secção social e portanto se estivermos no âmbito de um processo cível (uma
situação relacionada com direito das obrigações por exemplo), um recurso interposto para o
STJ vai se reconhecido pela secção cível; mas se for um crime a competência é da secção penal;
se for uma questão laboral (de direito do trabalho) vamos ter a competência da secção social.
O que determina a secção é a matéria que inere a essas situações em concreto.
Devemos fazer o mesmo raciocínio no que diz respeito ao Tribunal da Relação, aí também
temos as secções: cível, penal, social, família e menores, … aqui denotamos também a
especialização e as matérias diversas.
Mas dentro dos Tribunais Judiciais de 1º instância é que efetivamente se denota: essa medida
verificamos nos termos do art.80nº2 LOSJ: os tribunais de comarca são de competência
genérica e de competência especializada. Dentro destes de competência especializada, ou seja
dentro dos juízos de competência especializada nº3, art.81: central cível, local cível, local
criminal, local de pequena criminalidade, instrução criminal, família e menores, trabalho,
comércio, execução.
E verificamos também nos art.117º e ss LOSJ que estão previstas as situações que são da
competência destes juízes de competência especializada.
Ex.: art.122º nº1, al.c) LOSJ verificamos que uma ação de separação de pessoas e bens e
uma ação de divórcio é da competência de um juízo de família e menores.
Ex.: art. 126ºnº1, al.c) LOSJ, uma questão relacionada com acidentes de trabalho e
doenças profissionais são da competência de um juízo do trabalho.
Ex.: art.128ºnº1, al.a) LOSJ os processos de insolvência e de revitalização são da
competência de um juízo de comércio.
Temos de percorrer todas as alíneas dos preceitos legais para verificar se de facto temos a
competência de um juízo de competência especializada, ou ao invés se será afinal a competência
do juízo de competência genérica.

Carina Pinto
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Chamando particular atenção para a diferença entre os juízos centrais cíveis e os


juízos locais cíveis – art.81ºnº1, al.a) e b).
Estamos perante uma situação de um juízo central cível – art.117º nº1 a) LOSJ
competindo a (a) preparação e o julgamento das ações declarativas cíveis de processo comum
de valor superior a 50.000€ - o âmbito de competência dos juízos centrais cíveis é
precisamente ações declarativas cíveis sob a forma de processo comum com valor
superior a 50.000€, fincando automaticamente de fora os processos especiais e os
processos comuns que tenham um valor até 50.000€ inclusive – art.130ºnº1 LOSJ
temos a competência de um juízo local cível ou se relativamente a esse local em concreto a nível
territorial não existir um local cível serão da competência de um juízo de competência genérica.
Ex.: art.80ºnº2LOSJ um juízo local cível é um juízo de competência especializada, sendo
diferente dos de competência genérica.
Se chegarmos à conclusão que a nível territorial seria competente um tribunal da Povoa de
Lanhoso e aí não haver um juízo local cível, ou ele não tenha competência como não poderíamos
estar numa situação de não competência nós termos a competência de um juízo de competência
genérica.
A não existência de um juízo local cível, sendo a competência residual atribuída ao juízo de
competência genérica
 Critério da competência em razão do valor
Art.117ºnº1 a) e art.130ºnº1 LOSJ só temos a diferenciação quando estamos perante
ações declarativas sob a forma de processo comum e aí o valor é relevante, porque sendo até
50.000€ inclusive a competência não será de um juízo central cível. Se for superior a 50.000€ a
competência já será de um juízo central cível.
 Critério da competência em razão do território
Art.70º e ss. CPC que estabelecem os critérios relativos à competência territorial +
dl49\2014.
Se tivermos por exemplo perante uma ação de divisão de coisa comum, uma ação de
preferência, execução específica, nos termos do art.70nº1LOSJ, as ações têm de ser
instauradas no local da situação dos bens em concreto – tribunal do foro real.
Se tivermos uma situação de responsabilidade contratual, nos termos do art.71ºnº1CPC
a ação em princípio é instaurada no domicílio do réu.
Se tivermos perante uma ação de responsabilidade extracontratual, nos termos do art.
71ºnº2CPC o tribunal competente será o do local onde o facto ocorreu.
Ver os art.70º ss. CPC e os critérios previstos na lei.

Quais as consequências da inobservância do pressuposto processual da


competência?
As consequências poderão ser uma de duas:
o Situação de incompetência absoluta - art.96ºCPC: quando estejamos perante a infração
das regras de competência em razão da matéria, em razão da hierarquia e em
relação à incompetência internacional.

Carina Pinto
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O efeito da incompetência absoluta via de regra, art.99ºnº1 CPC é a absolvição do réu da


instância ou se o processo comportar o indeferimento liminar.

o Situação de incompetência relativa – art.102ºCPC violação de regras referentes ao


valor da causa ou referentes à competência em razão do território.
O efeito da incompetência relativa, verificamos no nº3 do art.105ºCPC comporta a
remessa do processo para o tribunal competente.

Carina Pinto

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