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Economia Solidária e direitos de cidadania: a educação para a participação democrática

através do exercício da autogestão


Francieli Formentini
Mateus de Oliveira Fornasier
RESUMO
Este artigo apresenta a possibilidade do fortalecimento do exercício da democracia e o conseqüente incremento
na condição de cidadania dos trabalhadores dos empreendimentos da economia solidária. Partindo-se do
contraste entre a economia capitalista e a economia solidária, para num segundo momento analisar a autogestão
característica desta última como fonte de educação dos trabalhadores. O conhecimento desenvolvido a partir da
experiência põe o trabalhador desse ramo da economia na posição de construtor e operador, fazendo com que
surja no trabalhador a consciência de sua capacidade de autodeterminação de maneira democrática e solidária
Palavras-chave: Economia solidária; autogestão; cidadania.

ABSTRACT
This article presents the possibility of strengthening the exercise of democracy and the consequent increase in
the condition of citizenship for workers in enterprises of solidarity economy. Based on the contrast between
solidarity economy and capitalist economy, the second part of this work aims to analyze the characteristic of
solidarity economy as a source of education for workers. The knowledge that is developed from the experience
that puts these workers in the position of builder and operator, developing in them a consciousness of their self-
determination through a democratic and sympathetic way.
Keywords: solidarity economics; self-management; citizenship.

Introdução

O presente artigo busca apresentar, através de pesquisa bibliográfica, a possibilidade


do fortalecimento do exercício da democracia – promovendo, conseqüentemente, incremento
na condição de cidadãos dos trabalhadores dos empreendimentos da economia solidária. O
primeiro momento do texto é apresentar um estudo acerca das origens e dos fundamentos da
Economia Solidária. Também se busca, nesse primeiro momento do texto, contrastar a
economia solidária com a economia capitalista.

A partir do estabelecimento dum panorama geral de contrastes entre economia


solidária e economia capitalista, busca-se apresentar a característica da autogestão como um
caminho possível para que seja derrubado o mito da naturalidade da hierarquia (ou
burocracia) nas organizações humanas. A seguir, procura-se demonstrar a intersecção entre o
exercício da autogestão e a educação, visto haver, segundo a doutrina concernente ao tema,
um caráter pedagógico na prática autogestionária da Economia Solidária.

A argumentação do último trecho do presente trabalho é no sentido de demonstrar que


a relação entre a autogestão e a educação democrática pode fortalecer não apenas o exercício
político no interior da Economia Solidária, mas também para a vivência geral dos
trabalhadores autogestionados – sendo a autogestão da economia solidária um possível meio
de se desenvolver a educação para o incremento da cidadania dos trabalhadores solidários.

1. A Economia Solidária e seus fundamentos contrastados com a economia capitalista

As origens da economia solidária remontam à Inglaterra do início do século XIX, no


contexto de miséria e desemprego resultantes da industrialização mecanizada não-
regulamentada, de acordo com Paul Singer (2002b). Nasce em resposta à desorganização da
vida causada pelo capitalismo liberal oposto ao intervencionismo estatal, que tinha na
flutuação de preços através da “mão invisível” do mercado seu mecanismo eficaz – em
conseqüência do que surgem os primeiros cooperativistas revolucionários e suas primeiras
associações, reivindicadoras da organização do trabalho. Assim, artesãos, operários e
camponeses passam a se auto-organizarem para a produção em comum, o socorro mútuo e a
comercialização sob formas cooperativas, fundando uma economia calcada na fraternidade e
na solidariedade.

Seus primeiros idealizadores foram, entre outros, socialistas utópicos e anarquistas


como Saint-Simon, Fourier, Proudhon, Kropotkin, Landauer e, principalmente, Robert Owen,
que buscou responder à crise britânica – decorrente principalmente do ócio das forças
produtivas verificada após o fim das guerras napoleônicas – através do projeto de aldeias
cooperativas, nas quais os pobres seriam reinseridos à produção e ao consumo. Apesar de ter
sido desdenhado na época, os fundamentos desse projeto já demonstram uma das principais
justificativas da economia solidária: o combate ao desemprego através da reinserção dos
excluídos da economia – justificativa essa que fundamentou a ação de seguidores desses
ideais, que junto aos sindicatos daqueles idos iniciaram a fundação de cooperativas operárias.

A economia solidária surge como meio alternativo ao capitalismo para a produção e


distribuição, sendo totalmente oposto à economia capitalista, não realizando a diferenciação
entre os detentores do capital e os possuidores da força de trabalho (SINGER, 2000a). Isso
significa que os trabalhadores possuem de sua capacidade laboral e os meios de produção –
capital, equipamentos, matéria-prima, etc. Em contrapartida, é encontrada nos
estabelecimentos de economia solidária a figura do assalariado característica da economia
capitalista. Igualmente dividida, a propriedade da empresa garante a todos o mesmo poder de
decisão administrativa (o que garante um voto por pessoa, e não poder equivalente às cotas de
capital).

Singer (2002b) arrola como principais formas de empreendimento solidário as


cooperativas de produção, comercialização, consumo e crédito. A cooperativa de produção é a
modalidade básica da economia solidária, caracterizada de maneira comum a todas as
cooperativas da economia solidária: divisão de parte das sobras (e destinação de outras partes
a fundos indivisíveis e para fundos de educação e outros fins sociais) e igual poder decisório a
todos os sócios. A de comercialização se compõe de produtores autônomos, individuais ou
familiares que realizam suas compras e vendas em comum. A de consumo é possuída pelos
consumidores de seus produtos e serviços, a fim de proporcionar a máxima satisfação com o
menor custo. Cooperativas de crédito são empresas de intermediação financeira possuídas
pelos depositantes, sendo preciso que os trabalhadores das suas funções operacionais também
sejam sócios delas. Elas têm por função aplicar os depósitos em empréstimos pessoais aos
cooperados, resgatando os menos favorecidos economicamente da agiotagem (visto que os
bancos estão quase sempre fechados a essas pessoas).

Muitos autores costumam conceituar a economia solidária simplesmente como parte


da economia do chamado “terceiro setor” (assim chamado por não fazer parte nem do
mercado, nem do aparelhamento estatal). De acordo com Argemiro Luís Brum (2003, p. 218-
219),

A expressão ‘economia solidária’ designa, geralmente, um certo número de


atividades correspondendo a necessidades sociais que encontram sua satisfação
naquilo que se habituou chamar de ‘terceiro setor associativo’, ou seja, numa série
de serviços assumidos pelas associações. Os atores da economia solidária, por sua
vez, distinguem-se por seu status associativo.

Todavia, conforme ensina Noëlle Marie Paule Lechat (2002), integrantes de


associativismos mais engajados discordam de sua inserção no chamado Terceiro Setor pelo
cunho pejorativo que julgam ter essa denominação – e realmente constitui um problema
denominar assemelhadamente “coisas tão heterogêneas quanto a filantropia de empresas
capitalistas e uma empresa autogerida pelos próprios trabalhadores” (p. 137).

Em relação às demais formas de associativismo do Terceiro Setor, a Economia


Solidária é econômica e politicamente caracterizada, visto ser uma forma de associação
autogestionária, diversa do Estado e do mercado, mas que apresenta o caráter utópico político,
pois visa mudar a sociedade capitalista. Já o chamado Terceiro setor é muito amplo,
compreendendo todas as formas de associativismo que não façam parte do mercado ou do
Estado, segundo Emil Sobottka (2002) – dessa forma, não é caracterizado necessariamente
pela economia, já que pode abarcar tanto associações econômicas quanto não-econômicas
(desde igrejas, clubes de lazer, organizações de caridade, ONGs, voluntarismos até
estabelecimentos da economia solidária, passando-se por cooperativas). Conforme Daniela
Neves de Sousa (2008, p. 55),

A economia solidária compreende uma diversidade de práticas econômicas e sociais,


organizadas sob a forma de cooperativas, associações, empresas autogestionárias,
redes de cooperação, complexos cooperativos, entre outras, que realizam atividades
de produção de bens, prestação de serviços, finanças, trocas, comércio e consumo.

Uma confusão possível de se obter à primeira vista é entre a economia solidária e uma
espécie de hibridismo entre capitalismo e pequena produção. Mas ela se define, de acordo
com Singer (2000a, p. 13), como

[...] uma síntese que supera ambos. A unidade típica da economia solidária é a
cooperativa de produção, cujos princípios são: posse coletiva dos meios de produção
pelas pessoas que as utilizam para produzir; gestão democrática da empresa ou por
participação direta (quando o número de cooperados não é demasiado) ou por
representação; repartição da receita líquida entre os cooperados por critérios
aprovados após discussões e negociações entre todos; destinação do excedente anual
(denominado ‘sobras’) também por critérios acertados entre todos os cooperadores.
A cota básica do capital de cada cooperador não é remunerada, somas adicionais
emprestadas à cooperativa proporcionam a menor taxa de juros do mercado [grifos
do autor].

Isso perpassa outra idéia extremamente contrastante com o capitalismo: enquanto este
é totalmente centrado na maximização do lucro – baseado, segundo Singer (2002a), na mais-
valia, na desigualdade hierarquizada entre salários e na relação entre oferta e demanda no
mercado de trabalho – a economia solidária busca maximizar a quantidade e a qualidade de
trabalho, não havendo o lucro, pois na verdade não se reparte sua receita em proporção às
cotas de capital possuídas.

O excedente anual – chamado ‘sobras’ nas cooperativas – tem a sua destinação


decidida pelos trabalhadores. Uma parte, em geral, destina-se ao reinvestimento e
pode ser colocada num fundo ‘indivisível’, que não pertence aos sócios
individualmente mas apenas ao coletivo deles. Outra parte, também reinvestida,
pode acrescentar o valor das cotas dos sócios, que têm o direito de sacá-las quando
se retiram da empresa. O restante das sobras é em geral destinado a um fundo de
educação, a outros fundos ‘sociais” (de cultura, de saúde etc.) e eventualmente à
divisão entre sócios, por critérios aprovados por eles. Portanto, o capital da empresa
solidária não é remunerado, sob qualquer pretexto, e por isso não há ‘lucro’, pois
este é tanto jurídica como economicamente o rendimento proporcionado pelo
investimento de capital. (SINGER, 2002b, p. 84).

De acordo com o SIES e a SENAES (BRASIL, 2007), os principais atributos da


economia solidária são a solidariedade, a cooperação, a dimensão econômica, a participação e
a autogestão. Já a economia capitalista é baseada principalmente na competitividade e na
heterogestão. Esse contraste demonstra que os próprios cernes das duas formas são
extremamente antagônicos.

A solidariedade, segundo Singer (2002a), é a organização livre e igualitária (diversa


do contrato entre desiguais da economia capitalista concorrencial) daqueles que se associam
com fins de produção, comercialização, consumo ou poupança. Para Armando de Melo
Lisboa (2003), é um conceito que se transforma historicamente. No presente trabalho, será
utilizada a concepção contemporânea de solidariedade, decorrente dos movimentos
verificados a partir de maio de 1968 na Europa, quando se combinaram elementos do
movimento operário, da rebeldia da juventude, do feminismo e do ambientalismo,
significando ampla transformação na cultura ocidental, fazendo com que o capitalismo sofra
transformações: do antigo sistema disciplinar e hierarquizado de produção às novas formas de
tecnologia e organização – resultando na formação social em rede, na qual tudo se encontra
interligado e o indivíduo se percebe como parte de um todo maior, sendo esse todo definido
como a vida cada vez mais indistinguível da reprodução da vida. Assim,

[...] solidariedade não é pura emoção, mas é também uma situação concreta que
alimenta uma dimensão ontológica: como tudo está interconectado, também na vida
social a reciprocidade é irremovível e faz parte da condição humana. [...] é também
atitude, compromisso político e ético com o destino em comum que une a vida neste
planeta. A percepção de que a mundialização é um processo de crescente
interdependência, onde o planeta torna-se um sistema fechado, formado por bens
comuns e indivisíveis, fundamenta o projeto de uma globalização solidária.
(LISBOA, 2003, p. 245)

A solidariedade nos empreendimentos é expressa, segundo Sousa (2008), na justa


distribuição dos resultados, nas oportunidades motivadoras do desenvolvimento de
capacidades e das condições de vida dos participantes, no compromisso para com um meio
ambiente saudável e com a comunidade local, na participação ativa nos processos de
desenvolvimento sustentável de base territorial, regional e nacional, nas relações com os
outros movimentos sociais e populares de caráter emancipatório, e no respeito aos direitos
trabalhistas e dos consumidores.
Cooperação significa operar juntamente a alguém, de acordo com o verbo latino
cooperari, que origina o termo. Sendo empreendimentos cooperativos, as empresas solidárias
pressupõem interesses e objetivos comuns, a união de esforços e capacidades, propriedade
coletiva dos bens, resultados partilhados e responsabilidade solidária sobre as obrigações.
Empresas autogestionárias ou recuperadas (assumida por trabalhadores), associações
comunitárias de produção, redes de produção, comercialização e consumo, grupos informais
produtivos de segmentos específicos (mulheres, jovens) e clubes de trocas são os exemplos
mais notáveis de formas de cooperação na economia solidária, sendo tais organizações
coletivas, em sua maioria, agregadoras de um conjunto variado e amplo de atividades
individuais e familiares (SOUSA, 2008).

A competição capitalista vai totalmente de encontro tanto em relação à solidariedade


quanto à cooperação da economia solidária. É na idéia de “que vença o melhor” que se obtêm
a qualidade dos produtos e serviços e os melhores preços aos consumidores no sistema
capitalista. Também a própria ação no interior da empresa capitalista não pode se basear na
cooperação de esforços, visto que o empregado (ou o setor) mais produtivo irá se destacar e,
assim, obterá vantagens salariais através de promoções, aumentos, premiações, etc. Porém, é
justamente essa competição generalizada que faz com que surjam desvantagens competitivas
aos derrotados – o que se traduz principalmente em falências e desemprego – e a economia
solidária tem o escopo de responder a essas desvantagens competitivas através da reinserção
dos portadores dessas desvantagens na cadeia produtiva (SINGER, 2002a).

A dimensão econômica é um dos motivos pelos quais ocorre a ação cooperativa. É a


viabilidade (eficácia e efetividade) econômica, contendo importantes aspectos culturais,
ambientais e sociais, a inspiração da ação. Em outras palavras, é em prol do desenvolvimento
econômico que se unem os esforços, meios de produção e interesses nos empreendimentos
solidários, sendo esse desenvolvimento traduzível como produção, beneficiamento, crédito,
comércio e consumo.

A participação também embasa a ação solidária, cooperativa e econômica da economia


solidária. Através dela desenvolve-se a educação para a formação e organização de uma nova
cultura política, abarcando elementos pedagógicos relacionados aos interesses e objetivos dos
envolvidos.
Por fim, a autogestão perpassa a idéia de que os associados dos empreendimentos da
economia solidária exercitam as práticas participativas autogestionárias dos processos de
trabalho, das definições estratégicas e cotidianas e da direção e coordenação das ações –
apoios externos (ligados geralmente à assistência técnica e gerencial, capacitação e assessoria)
não substituem ou impedem o protagonismo dos trabalhadores, verdadeiros sujeitos da
autogestão.

2. A autogestão: o fim do mito da naturalidade da hierarquia capitalista através da


crítica

O significado literal do termo autogestão é a administração, a gestão de si próprio (do


grego autos, si mesmo e do latim gesto, gerir), conforme Lechat e Eronita da Silva Barcelos
(2008). Mas também se utiliza esse termo para designar grupos organizados sem uma chefia
– assim, a autogestão parte do pressuposto político-filosófico de que os homens são capazes
de se organizarem sem dirigentes, o que deriva da base do movimento anarquista e dos
movimentos libertários.

Segundo Nanci Valadares de Carvalho (1995, p. 27), a origem do movimento de


autogestão se deu entre jovens intelectuais do comunismo internacional como uma crítica da
ala esquerda do bolchevismo, estando a essência dessa crítica na admissão de que o
socialismo fundamentado na burocracia estatal e apoiado pela elite do partido único é nada
mais do que outra forma de capitalismo. A autogestão como movimento socialista expressa os
ideais da Comuna de Paris e dos sovietes da Revolução de Outubro.

Sua conceituação é por vezes tida como ambígua e pouco precisa, mais associada
apenas aos processos produtivos estudados pela administração como meio de ampliar ou
integrar sistemas de produção fabril – e não tanto como fenômeno político - conforme ensina
Paulo Peixoto de Albuquerque (2003). O autor o define como um

[...] conjunto de práticas sociais que se caracteriza pela natureza democrática das
tomadas de decisões, que propicia a autonomia do ‘coletivo’. É um [...] poder
compartilhado, que qualifica as relações sociais de cooperação entre pessoas e/ou
grupos, independente do tipo das estruturas organizativas ou das atividades, por
expressarem intencionalmente relações sociais mais horizontais. (p. 20).

A essência da autogestão como prática social consiste na repartição do poder e do


ganho, na união de esforços e no estabelecimento do agir coletivo a partir da cooperação
qualificada – e não apenas uma simples maneira de operacionalização de tecnologias,
liberalização de fatores de produção e aceleração de rotação do capital das empresas,
conforme os princípios neoliberais pregam. É uma crítica radical às formas heterônomas de
gestão, baseada na autonomia do conjunto social a ser gerido não apenas no âmbito
econômico, mas também no educacional e no político.

A heterogestão capitalista impossibilita tanto a prática da autogestão quanto a da


participação. Isso porque a empresa capitalista é administrada a partir da hierarquia tanto na
questão da autoridade quanto no acesso à informação (SINGER, 2002a). As ordens fluem de
maneira descendente (da cúpula à base) na empresa capitalista, estando os níveis mais altos
nessa escala interna portando mais conhecimentos acerca da situação, para que decisões
estratégicas possam ser tomadas; enquanto os ocupantes dos níveis mais baixos são
informados apenas o suficiente para que possam cumprir suas tarefas – não participando das
decisões da empresa. Para Cornelius Castoriadis (1983, p. 214),

Como se pode decidir, se não se dispõe das informações necessárias para se decidir
bem? E como se pode aprender a decidir se a gente está sempre limitada a executar
o que os outros decidiram? Desde que se instaura uma hierarquia de comando, a
coletividade torna-se opaca a si mesma, e introduz-se um enorme desperdício [grifo
do autor].

A hierarquia – da qual depende a heterogestão capitalista, pois “o propósito do


princípio da hierarquia é concentrar a capacidade de todas as pessoas para os objetivos de
acumulação de riqueza da elite da sociedade, quebrando a vontade das massas resistentes a
essas regras” (CARVALHO, 1983, p. 15) – intensifica-se a partir da modernidade, estando
presente em praticamente todo tipo de coletividade organizada e causando a impressão ao
indivíduo de que a organização hierárquica, lógica e racional, é um dado natural e o único
possível, o que se justificaria por uma série variada no tempo e no espaço de argumentações.
Mas essas argumentações são falsas, visto que apenas no contexto do sistema de heterogestão
a hierarquia faz sentido.

É um engano elementar assumir que a existência de uma forma burocrática


[hierárquica] de organização social é mais disciplinada ou responsável que uma
maneira autogovernante. A burocracia se desenvolve num contexto de uma cultura
autoritária, e as funções burocráticas [...] podem ser realizadas por qualquer pessoa
com um mínimo de instrução. A grande mentira sobre a eficiência de uma sociedade
de comando é, assim, revelada como um mito conservador, criado com o propósito
de neutralizar qualquer tentativa de se imaginar novas formas de realizar os negócios
da sociedade. A verdade inquestionável é que a burocracia cria confusão, que a
burocracia total é uma anarquia total. (CARVALHO, 1983, p. 36-37).
Um dos principais escopos da hierarquia é organizar a coerção disciplinadora da
atividade produtiva não-espontânea – que não é natural, portanto – dos trabalhadores, o que
realiza sob a máscara de dispositivo para a resolução de conflitos, conflitos esses de que ela
mesma depende para se manter e, para tanto, recria através da contraposição entre as classes
dirigentes e as classes reduzidas ao papel executor de ordens.

Coletividades autogeridas são disciplinadas, mas não a partir de uma classe destinada
a comandar. São disciplinadas a partir das deliberações de seus próprios membros.

Os grupos humanos nunca foram e nunca são conglomerados caóticos de indivíduos


movidos unicamente pelo egoísmo e em luta uns contra os outros, como querem
fazer acreditar os ideólogos do capitalismo e da burocracia, que desta forma não
expõem senão sua própria mentalidade. Nos grupos, e em particular naqueles que se
acham ligados a uma tarefa comum permanente, surgem sempre normas de
comportamento e uma pressão coletiva que os faz respeitar1. (CASTORIADIS,
1983, p. 216)

Outra finalidade básica da hierarquia é a direção/decisão, justificada pelos seus


defensores através da invocação do saber, da competência e do “caos” que seria provocado se
não houvesse a separação entre os sábios e competentes detentores do poder e o resto da
coletividade a executar suas ordens. Por mais importante que sejam o saber e a competência,
nota-se no sistema hierárquico que aqueles que os considerados portadores de tais talentos
são, na verdade, aqueles que obtiveram o sucesso dentro do sistema de escalas hierárquico-
burocráticas que preza muito mais a capacidade de sobrevivência dentro da competição do
que a capacidade de dirigir trabalhos coletivos.

Além disso, o fato de alguém possuir maiores aptidões técnicas em determinadas áreas
não é sinônimo dessa capacidade de comando: “os ‘dirigentes’ cercam-se de alguns
conselheiros técnicos, recolhem suas opiniões sobre as decisões a tomar e finalmente
‘decidem’. [Mas] se [decidissem realmente] em função de seu ‘saber’ e de sua ‘competência’,
[deveriam ser sábios e competentes] a respeito de tudo” (CASTORIADIS, 1983, p. 218).

3. Economia solidária, autogestão e a educação

1
Basta observar-se o fato de que até mesmo entre criminosos organizam-se códigos (tácitos ou expressos) de
conduta para organizar a vivência.
O capitalismo exige que os indivíduos se habituem – ou se eduquem – a lutarem pela
prevalência de seus interesses individuais, vendo o interesse dos outros indivíduos como
antagônicos aos seus, fazendo com que prevaleça a lógica do mercado – ideologia
individualista que traduz os ganhos de uns nas perdas de outrem (SINGER, 2005).

A economia solidária opera de maneira oposta – como seu próprio nome diz, fazendo
com que seja praticada a solidariedade econômica – visando a uma sociedade igualitária,
sustentando que a cooperação torna possível que todos ganhem. Isso se comprova
empiricamente na divisão de tarefas possibilitadora de maior produção com menos esforço do
que a produção isolada – algo que é encontrado na teoria de Adam Smith, que “[...] sustentava
que quanto maior o número de pessoas envolvidas na divisão social do trabalho, tanto maior
seria o fruto dos esforços de todos” (SINGER, 2005, p. 15).

Frente à questão da competitividade, tão arraigada no convívio por conta das práticas e
ideologia capitalistas, nota-se a necessidade de se reeducar as pessoas formadas no seio da
sociedade capitalista para a sua adequação à economia solidária. Isso deve se dar de maneira
coletiva, pois a adoção do comportamento cooperativo apenas por um indivíduo em uma
sociedade competitiva significará seu aniquilamento econômico.

O desafio pedagógico representado por essa reeducação coletiva consiste


essencialmente no convencimento do grupo que pretende adotar o comportamento
cooperativo de que a economia pode funcionar de maneira diversa da competição
generalizada e, em se tratando de empreendimentos solidários, de que os resultados almejados
dependem totalmente do funcionamento da solidariedade e da cooperação. Porém, é na prática
que se dá esse aprendizado na economia solidária, de acordo com Singer (2005) – através da
realização da ajuda mútua e das tomadas coletivas de decisão, principalmente.

A Economia Solidária é produzida tanto por convicção intelectual como por afeto
pelo próximo, com o qual se coopera. A hipótese aqui é que todos têm inclinação
tanto por competir como por cooperar. Qual dessas inclinações acabará por
predominar vai depender muito da prática mais freqüente, que é induzida pelo
arranjo social em que o sujeito nasce, cresce e vive. (p. 16).

Observar a opção pelo desenvolvimento baseado na competição capitalista é algo


lógico em sociedades em que este comportamento é generalizado (nos EUA, por exemplo).
Porém, em sociedades nas quais o capitalismo é moderadamente liberal (como o brasileiro), a
opção pela economia solidária resulta, na maioria das vezes, do temor ao desemprego
duradouro. Assim, os trabalhadores se unem aos seus pares, outros trabalhadores com quem
forjaram laços de reciprocidade e solidariedade durante seu tempo de luta mútua por
sobrevivência, aprendendo a cooperar.

A vivência sindical brasileira (algo não encontrado na história recente americana)


justifica a adoção da economia solidária por parte desses trabalhadores, visto haver a
identidade de práticas decisórias no meio sindical e nos empreendimentos solidários: a
ausência de hierarquia, a decisão em assembléias e a consideração de um voto por cabeça (e
não dependente da cota capital) mantêm os trabalhadores unidos e empenhados.

A educação dos operários para a luta de classes é eivada de valores socialistas de


solidariedade e igualdade. A situação da classe trabalhadora faz com que dêem suma
importância a esses valores, bem como à democracia, em suas organizações. Karl Marx (apud
SINGER, 2005) demonstrou o fato de o socialismo ser o projeto social que resulta da revolta
dos subalternos contra status quo. Dessa forma conclui-se como espontânea a maior
inclinação dos trabalhadores e das camadas menos favorecidas da população à economia
solidária quando desejam realizar coletiva e autonomamente alguma atividade.

Essa inclinação espontânea é a base da tarefa pedagógica da economia solidária, visto


que é imprescindível o acesso à informação para a operação do empreendimento e para a
tomada de decisões – atividades das quais os trabalhadores são alienados quando no âmbito
da economia capitalista.

Gustavo Luis Gutierrez (1999) elenca como problema essencial das práticas
autogestionárias a questão da educação, presente desde os primórdios do socialismo e do
anarquismo, tendo sempre sido consensual a necessidade de se educar não apenas com
instrumentos tradicionais (linguagem, raciocínio, conhecimento histórico, etc.), mas também
uma formação coletivista que eduque para a tomada de decisões consensuais em grupo, a
tolerância e a compreensão frente ao diferente, capacidades que se somem à visão estratégica
necessária para sobreviver no capitalismo concorrencial.

A fim de melhor elucidar-se o quanto a estrutura hierárquica capitalista se encontra


radicada na estrutura psíquico-comportamental dos trabalhadores, observe-se o seguinte
trecho do estudo Operários sem patrão: gestão cooperativa e dilemas da democracia de
Lorena Holzmann (2001, p. 128), obra que se refere ao cotidiano da cooperativa que se
originou quando empregados da empresa Wallig a assumiram após a falência. O trecho a
seguir é relativo ao estudo das práticas autogestionárias nas assembléias para a tomada de
decisões:

Manifestar-se publicamente não era uma experiência na vida dos trabalhadores. A


liberdade pública e democrática da revelação da singularidade do ser humano [...],
que a palavra pressupõe, não faz parte do mundo operário. ‘A nossa opinião não
valia nada’, ‘operário para eles era lixo’ foram depoimentos que revelaram a
vivência dos trabalhadores, reduzidos a peças de uma engrenagem, cuja atribuição
era a de fazer apenas o que lhes mandavam fazer e da negativa dos superiores
hierárquicos em permitir a manifestação de sua singularidade. Essa dimensão da
experiência operária era tão arraigada e tão internalizada que só com muita
dificuldade alguns trabalhadores conseguiram superá-la, mesmo quando um espaço
para isso passou a existir. (p. 128).

Lia Tiriba (2005) afirma que a questão da educação dos trabalhadores tem sido um dos
principais pontos fracos empreendimentos associativos, pois os trabalhadores que se
apropriaram dos meios de produção tiveram pouco tempo de estudos e/ou freqüentaram
estabelecimentos de ensino de baixa qualidade – o que os deixou numa situação em que
possuem os meios para produzir, porém não possuem a ciência (que o sistema capitalista se
negou a oferecer). Assim, a educação para esses trabalhadores deve ser de qualidade, mas
não com destinação ao capitalismo.

Assim, erradicar essas características residuais (mas extremamente fortes) da


hierarquia capitalista deve ser a principal função da educação, visto ser necessária a superação
desse sentimento de inferioridade do trabalhador para que os empreendimentos possam ser
autogeridos2.

A autogestão não é algo que se possa simplesmente implementar nos estabelecimentos


da economia solidária. É necessário criarem-se condições para que essa implementação se
torne efetiva, visto que “a autogestão não é uma qualidade que um empreendimento possua ou
não, é um processo em constante gestação que pode sofrer avanços, mas também retrocessos.

2
Em decorrência dessa necessidade, o Documento Base da I Conferência Nacional de Economia Solidária
(CONAES) apresenta de maneira expressa como um dos principais fundamentos a educação: “A Economia
Solidária exige uma educação solidária que transforme a mentalidade cultural dominante de competição para a
construção do espírito de cooperação, além do desenvolvimento de uma matriz científica e tecnológica que esteja
comprometida com o desenvolvimento sustentável e solidário”. (SENAES, 2006, p. 21).
Aprende-se o que é autogestão, praticando-a. É um processo que exige vigilância”
(BARCELOS e LECHAT, 2008, p. 100).

Em decorrência disso, universidades têm assessorado os empreendimentos


econômicos solidários através de incubadoras (SINGER, 200b) como projeto de extensão
universitária, a fim de promover os valores de cooperação, autogestão, solidariedade,
valorização do trabalhador e desenvolvimento sustentável – sendo assim proposto um modelo
baseado na contra-hegemonia, com uma metodologia de ação baseada no trabalho e na
formação – entre os interessados em aderirem à economia solidária.

4. O fortalecimento da cidadania através do exercício da autogestão nos


empreendimentos de economia solidária

Marilena Nakano (1997) afirma que toda forma educação contém posições políticas
em sua estrutura. Isso pode também significar a recíproca da afirmativa: que toda forma
política precisa de uma educação correspondente. O desenvolvimento de uma nova política,
que seja ao mesmo tempo mais democrática, fraterna, solidária (ou seja, inclusiva) e
incentivadora de alternativas para o sentimento de desesperança que as sucessivas crises
econômicas inculcam na psique e na sociabilidade das pessoas – a exemplo da atual crise da
economia norte-americana, em decorrência da qual as mass media exploram a insegurança até
mesmo do mais comum dos sensos comuns – é identificado pela autora como um ponto
positivo extremamente importante das práticas autogestionárias dos empreendimentos
solidários.

Alguns pressupostos devem ser identificados dentro da prática autogestionária para


que educação possa ser concomitantemente formal, humanística, política e para os negócios
nesses empreendimentos. O primeiro deles seria justamente a modificação na cultura de
trabalho dos empreendedores solidários, fazendo com que a estrutura hierárquica e
descendente deixe de ser necessária para a produção e a sua abolição não signifique a
desordem, mas simplesmente a substituição do comando superior por uma comunhão de
interesses e atos discutíveis por todos. Essa mudança cultural exige a capacidade de expressar
autodisciplina e cooperação voluntária por parte dos trabalhadores.
Outro pressuposto seria a conscientização de que a viabilidade econômica da empresa
é um dos seus mais importantes atributos, o que exige dos trabalhadores constante
qualificação técnica e intelectual. Isso faz com que o trabalhador se esforce para não ficar
temporalmente ultrapassado e, conseqüentemente, a empresa esteja sempre atualizada em
relação ao mercado (visto ser a empresa solidária composta principalmente de indivíduos
capacitados e interessados em melhorar conjuntamente suas condições de vida).

O terceiro é representado por uma nova postura, na qual os trabalhadores estejam


conscientizados de que teoria e prática não são dimensões dissociadas, bem como atentos para
o enfrentamento das mudanças tão constantes na realidade que se apresenta, na qual tempo e
espaço são cada vez mais curtos em decorrência do avanço do conhecimento técnico-
científico. Essas mudanças representam desafios, aos quais os trabalhadores autogestores
devem responder através da adaptabilidade a novas condições de produção e organização do
trabalho que as novidades cotidianas do mercado possam vir a exigir.

Walter Tesch (1999) destaca a necessidade de se construir uma identidade para os


empreendimentos solidários, ampliando o “arco de alianças ao redor de propostas viáveis e
fundamentais e superar obstáculos doutrinários, teóricos e práticos” (p. 47), superando os
dogmas capitalistas calcados no conhecimento através do capitalismo hierárquico
hegemônico. Essa identidade pode ser alcançada através da identificação de pontos comuns
nos empreendimentos solidários – que, apesar de sua grande diversidade, os possuem.

Como a economia solidária possui fatores importantes que vão para além do capital –
tais como a importância da dignidade do trabalhador – novas energias sociais se desprendem
do seu exercício, as quais introduzem no mercado uma lógica econômica diferente da
racionalidade baseada unicamente no lucro. A expansão da economia solidária cria assim
condições para que passe a funcionar um mercado mais democrático, pois as práticas
autogestionárias conferem maior autonomia às categorias antes subordinadas pelo
capitalismo, fortalecendo-se assim o poder social.

Daniel Mothé (apud NASCIMENTO, 2005) considera que as práticas autogestionárias


permitem aos seus atores projetarem seu futuro através da democracia direta e participativa,
que os inclina a reinventarem seus símbolos e pedagogias a partir de seus próprios
fundamentos – o que torna a aquisição desse conhecimento muito mais rápida do que o
simples uso da razão. Além disso, esse conhecimento faz com que os atores sejam mais
conscientes da sua capacidade de não apenas absorver a experiência cotidiana para a
construção de uma nova teoria, mas também de transformar essa realidade através do
conhecimento.

Ao dotar seus atores do poder de autogerirem não apenas a empresa, mas também
outros fatores de sua vida, visto que o conhecimento construído a partir do próprio trabalhador
é útil também fora da empresa, pois valores como a solidariedade e a cooperação tornam-se
parte também do cotidiano fora da empresa, sendo valores condizentes muito mais com a
vivência do que com a simples operacionalização do trabalho. Isso aproxima o trabalhador da
responsabilidade para com o seu próprio destino, munindo-o da capacidade de identificar
quais são as melhores escolhas e do poder de veto daquilo que possa vir a prejudicá-lo. Essa
capacitação do trabalhador corresponde intimamente ao fortalecimento de sua condição de
cidadão, visto que a cidadania também pode ser compreendida como a liberdade individual
em acessar o espaço público e condições dignas de vida, conforme ensina Darcísio Corrêa
(2006).

A educação decorrente da democracia participativa e direta característica da


autogestão é, por isso, mais durável, eficiente e eficaz para a construção de novas formas
políticas, que deveriam inspirar também os aparelhamentos institucionais do Estado, já que a
educação resultante da democracia participativa reforça a cidadania dos seus atores, tornando-
a tão importante e potencial para o desenvolvimento.

Considerações finais

Finalizando esse trabalho, nota-se a importância de destacar três idéias centrais


caracterizadoras da relação entre o desenvolvimento da economia solidária e a conferência de
uma condição maior de cidadania aos trabalhadores por meio dela associados.

A primeira dessas idéias é o caráter socialista das noções que embasam teoricamente a
economia solidária. Deve-se entender esse caráter socialista como uma posição política
centralizada diretamente no trabalhador e direcionada para o trabalhador como pessoa tida
como digna justamente pelo fato de construir a sociedade através de seu esforço pessoal. Isso
faz com que os cânones da hierarquia e da competição apregoados como irrefutáveis pelo
capitalismo hegemônico se desvaneçam através da conscientização de que o desenvolvimento
de melhores condições de vida para o trabalhador é possível a partir de sua própria ação.

A segunda é de que a autogestão é o caminho tanto para a administração da economia


solidária quanto para a construção do conhecimento que possa embasar a vivência dos seus
trabalhadores. É longo e árduo caminho a percorrer até que tal ciência seja desenvolvida
satisfatoriamente, o que pode ser verificado em estudos de caso mais aprofundados sobre o
cotidiano dos empreendimentos que se utilizam dos fundamentos da economia solidária para
sua organização e funcionamento. Mas ações teóricas e práticas já vêm sendo desenvolvidas
ao redor desses empreendimentos, o que demonstra a viabilidade de se trilhar esse caminho.

Finalmente, a terceira idéia que aqui pode ser ressaltada é que esse conhecimento
necessário, desenvolvido a partir da experiência do trabalhador o coloca na privilegiada
posição de construtor e operador. O sucesso da aplicação desse conhecimento pode fazer com
que surja no trabalhador oprimido e subordinado (quando não excluído) a consciência de que
é realmente capaz de construir democrática e solidariamente sua própria vida e o espaço ao
redor de si, o que nada mais é do que a cidadania em sua mais profunda acepção.

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Mateus de Oliveira Fornasier


Bacharel em Direito, especialista em Direito Ambiental e acadêmico do programa de pós-
graduação stricto sensu (mestrado) em Desenvolvimento pela UNIJUÍ – Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. E-mail:
mateus_fornasier@hotmail.com

Francieli Formentini
Bacharel em Direito, especialista em Direito Processual Civil e mestranda do Programa de
pós-graduação stricto sensu (mestrado) em Desenvolvimento pela UNIJUÍ – Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Email:
francieli.formentini@yahoo.com.br