Você está na página 1de 9

PENSANDO A ANÁLISE DIDÁTICA

ENQUANTO FETICHE E
FORMAÇÃO IDEOLÓGICA1

Luiz Meyer*

RESUMO

Este artigo é basicamente um comentário ao de Mario Gomberoff, também


publicado neste número do Jornal de Psicanálise. Ele aborda a interferência da
Instituição na análise pessoal dos candidatos e suas conseqüências deletérias,
basicamente a manutenção de uma análise que, em sua essência, está em oposição
à própria natureza do processo psicanalítico. O aspecto ”didático” torna-se a questão
básica, em vez de enfocar-se à análise da transferência. A análise didática, nesse
contexto, adquire o significado de um fetiche e de uma formação ideológica. Ela é,
portanto, um sintoma baseado no mecanismo da recusa. Uma de suas conseqüências
é a esterilização da criatividade e o congelamento, numa repetição constante da relação
analista didata-candidato.

Palavras-chave: Análise didática. Analista didata. Fetiche. Formação ideológica.


Processo psicanalítico.

Assim como Mario Gomberoff, também


venho há tempos me dedicando ao estudo crítico
da análise didática. Este é o terceiro congresso
em que participamos de um painel para expor
nossas idéias sobre a questão (já o fizemos em
Lima, Berlim e, agora, Santiago). Para além da
teimosia — ou da obsessividade —, tomo nossa
atitude como demonstração da necessidade de
que este tema seja intensa e constantemente
ventilado nas reuniões de analistas.
1
Trabalho a ser apresentado no XXVII Temos abordado a análise didática por
Congresso Latino-americano de Psica-
ângulos variados, cada um enfatizando, segundo
nálise, em Santiago, Chile, de 25 a 27 de
setembro de 2008. sua percepção, os aspectos que considera bási-
*
Psicanalista, membro efetivo da SBPSP. cos para que se compreenda o funcionamento da

Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008. 121


Luiz Meyer

análise didática, por nós considerada uma Quando Mario escreve que “am-
prática deletéria. Na minha apresenta- bos os integrantes” (analista e candidato)
ção, vou utilizar o texto de Mario como se submetem à organização, ele está cha-
suporte, procurando agregar meu ponto mando a atenção para a rede de conluios
de vista a algumas das questões que ele e manobras que dão sustentação ao fun-
enfoca. O propósito é mostrar como nos- cionamento da análise didática. Uma de-
sas visões, ao se complementarem e se las, continuadamente assinalada, é o des-
integrarem, criam uma massa crítica que locamento da função institucional do ana-
vai ajudar a compreender os fatores que lista didata e do aspecto mítico de sua
dão força à permanência da análise didá- pessoa para o primeiro plano, relegando o
tica e que procuram justificar sua função. processo analítico a uma posição secun-
Logo no segundo parágrafo, dária ou instrumental. O analista didata
Gomberoff usa a expressão “ingerência tem sua identidade funcional sustentada
institucional”. Ele relembra a prescrição pela Instituição e, portanto, vê-se obriga-
pela Instituição de que se faça um número do a falar por ela.
mínimo de horas de análise e/ou supervi- Dito de outro modo: sua posição
são, assim como o momento estipulado faz com que ele se coloque a serviço da
para iniciá-las. O resultado dessa inge- demanda da reprodução dos interesses
rência é o desvio do interesse do candida- da Instituição, em vez de servir à desco-
to pelo processo analítico e seu redireci- berta do método analítico e de seu poder
onamento para o cumprimento das regras transgressivo. O candidato, por seu lado,
e dos standards. O objetivo, aqui, deixa está imerso em uma atmosfera que esti-
de ser empreender uma viagem e apren- mula a “faceta didática” da análise, de
der com ela e torna-se atingir o mais sua aura de atividade diferenciada, desti-
brevemente possível o ponto de chegada. nada a espelhar a qualidade superior do
Gostaria de acrescentar que essa analista didata, quando comparada com a
atitude — a de cumprir estritamente os dos analistas tout court. O projeto co-
preceitos legais — parece ter se genera- mum da dupla deixa, assim, de ser a
lizado, pois também é observado em mi- exploração analítica da transferência e de
nha sociedade. toda a turbulência que ela gera, voltando-
Na verdade, a questão principal se para a manutenção de suas respecti-
não reside nessa distorção e, sim, na vas posições narcísicas, num contínuo
própria existência de uma análise cujas exercício de mútua idealização.
regras são exteriores e conflitantes com a Mario menciona que, no meu tra-
natureza do processo analítico. Como diz balho de 2003, ao procurar compreender
Mario, ela elimina uma de suas postula- o que possibilitou — e possibilita — a
ções fundamentais: a liberdade de esco- permanência ao longo do tempo do funci-
lha. onamento de uma estrutura como a aná-

122 Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008.


Pensando a análise didática enquanto fetiche e formação ideológica

lise didática, eu sugiro que ela deve ser toda análise. É que, sincronicamente ao
compreendida à luz da teoria psicanalítica seu potencial de mudança, a psicanálise
do fetiche e, portanto, como um sintoma assinala, a quem a pratica e a quem a ela
que pertence ao campo da perversão. se submete, a extensão de suas limita-
Um processo que, de uma parte, pretende ções, incluindo aquelas ligadas à capaci-
ser psicanalítico e, simultaneamente, de dade de efetuar transformações impor-
outra, tolhe a liberdade dos participantes, tantes na personalidade (ainda sendo a
está tentando não só amalgamar concep- psicanálise o meio mais eficaz que conhe-
ções heterogêneas, num sincretismo de- cemos para alcançá-las). A ameaça de
formante, mas, sobretudo, harmonizar in- castração é representada pela percepção
congruências. Em suma, visa conformar inaceitável dos limites da própria análise,
a prática analítica a concepções que ne- daquela a que se submeteu e que pratica,
gam a sua essência. da de seus colegas, de suas dificuldades
A incongruência, um elemento pessoais, de seus sintomas e de suas
estruturante da análise didática, exer- idiossincrasias. A análise didática, en-
ce, como sabemos, o mesmo papel na quanto fetiche, surge como produto da
construção do fetiche. A situação na recusa, por parte dos analistas, dos limites
qual, vista de relance, uma verdade, por da ação da análise. A história da análise
ser traumática, é recusada, sem ser didática é, pois, a historia da “legalização”
negada, resolvendo-se em um compor- de uma dissociação patológica, essência
tamento que mantém vivas ambas as estrutural do fetiche.
afirmações conflitantes, lado a lado, Já escrevemos que a instituição
porém dissociadas, é bem conhecida “análise didática”, por essas razões, deve
em psicanálise. Basta, agora, um pe- ser compreendida a partir do campo da
queno esforço associativo para concei- perversão. Esta não reside (ou não so-
tuarmos a análise didática como feti- mente) no caráter estranho da prática ou
che. Sua natureza sintomática se reve- mesmo na violência que a impregna. O
la não só através de seu empenho em que a caracteriza, fundamentalmente, é
justapor o que é incompatível, mas tam- apresentar o verso como reverso, o des-
bém na pertinácia com que o faz (o que vio como norma, criando falsas equiva-
em parte explica sua longevidade); na lências, que corroem a capacidade de
sua crença ambígua no método analíti- julgamento e o discernimento de valores.
co; na sua maneira distorcida de praticá- Mario assinala o quanto todo esse
lo; na sua capacidade de cooptar as funcionamento é “incólume a qualquer
críticas; na racionalização de sua pre- tipo de críticas”, acrescentando, mais
sença enquanto necessidade. adiante, que ele desemboca em uma ex-
Esse fetiche surge da angústia de tremada concentração de poder, bastante
castração ligada à eficácia traumática de conhecida no meio analítico.

Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008. 123


Luiz Meyer

A incolumidade da análise didática rando-lhe sua complexidade (o que lança


à crítica e à estrutura de poder que ela cria luz sobre a acusação contínua, encontra-
são produzidas através da participação da na bibliografia, a respeito de seu cará-
coletiva na manutenção do fetiche. Essa ter autoritário). Isso a leva a operar no
participação opera como uma crença plano do já pensado (teorias canônicas, a
partilhada e organizada, destinada a fo- própria idéia de “didática”), do já feito
mentar a manutenção da recusa. Sua (prática mecanicista) e do já dito (prescri-
finalidade é reinvestir, de forma continu- ção de standards). Cria-se, assim, um
ada, a dissociação e a incongruência. sistema — cerne da formação ideológica
Entretanto, para dar força a essa mano- — que visa impedir a percepção das
bra, é preciso ainda um continente que manifestações da história, da indetermi-
acolha o narcisismo ferido do analista nação, do desconhecido, enfim, de tudo o
(Giovanetti, 1991) e que sancione a forma que puder representar o escape do in-
defensiva — o fetiche — que ele cons- consciente. A análise didática vai termi-
truiu. A burocracia institucional (Baranger, nar se debruçando sobre um psiquismo
M., Baranger, W. & Mom, 1978), com pasteurizado.
seu séquito de standards e de procedi- O poder que ela cria e que lhe é
mentos, entra, então, em cena. Aquilo que inerente pode ser compreendido evo-
originalmente possuía a dinâmica de um cando-se as teorias que Freud (1921/
sintoma vai ganhar a dimensão e a forma 1962) expõe em Formação do ego e
de funcionamento de uma ideologia — psicologia de grupo: sua força e ca-
devendo ser compreendida segundo as pacidade persuasiva — inerente à es-
regras de administração do Poder. O trutura da formação ideológica — fa-
caráter ideológico que a impregna é que zem com que ela congregue à sua volta
faz com que a análise didática se apresen- interesses dirigidos para a negação das
te como algo essencial, universal, e que diferenças, oferecendo instrumentos de
lhe confere um cunho prescritivo, de fala identificação, que criam uma unidade
reiterativa, fechada em si mesma. fictícia. Em nome da união com a aná-
Mario assinala que a análise didá- lise didática — e dos benefícios que
tica é “a análise menos original, mais dela adviriam —, esses interesses re-
repetida, mais normalizada...”, e que ela cusam suas singularidades, ficando re-
institui “um procedimento poderoso, que feridos ao discurso unificador e gene-
iguala, poda arestas, que vai contra a ralizante da análise didática.
diversidade” (Gomberoff, 2008, p. 3). Isso nos ajuda a compreender o
Isso se compreende, pois, como qualquer que Mario nos diz quando observa que os
formação ideológica, a análise didática é candidatos “defendem e se identificam
totalizante, visando abranger toda a expe- com seus didatas, preparando-se para
riência e, desse modo, limitando-a e reti- emulá-los no futuro, em uma sorte de

124 Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008.


Pensando a análise didática enquanto fetiche e formação ideológica

identificação com o agressor” (Gom- maior ou menor paciência, sua vez de


beroff, 2008, p. 4). O que acontece é que, tornar-se analista didata.
nesse contexto, os candidatos são estimu- No ultimo parágrafo de seu traba-
lados ao conformismo e — denúncia re- lho, Mario nos diz que foi sua intenção
correntemente encontrada na bibliografia refletir sobre a análise didática que, por
— se identificam com a pessoa do ana- seu efeito esterilizante, impede a Institui-
lista. Esse fenômeno é descrito como ção de colocar-se como uma organização
“identificação realista” e está em franca moderna; ao contrário, diz ele, ela estimu-
colisão com a que ocorre na análise tout la o conservadorismo à custa da análise
court, em que a interpretação reiterada de seus integrantes. Ora, é exatamente
da transferência conduz o paciente à para engessar o funcionamento da Insti-
identificação com uma função — a ana- tuição, impedir mudanças e moderniza-
lítica — e não com um personagem insti- ção que a análise didática foi criada, como
tucional. demonstra com clareza a historiografia a
A descoberta do método analítico, ela dedicada (Schröter, 2002).
de seu potencial e de sua ação transgres- Conceitualmente, essa trajetória
siva torna-se, na análise didática, perifé- pode ser compreendida lembrando-se que
rica ao processo, uma vez que ela está o desenvolvimento do saber analítico aca-
subordinada à demanda da Instituição — bou construindo um rico corpus teórico-
é uma realidade autônoma, extrínseca à técnico-clínico. Em torno dele, por ele
dupla, precedendo-a e direcionando-a, incentivado, foi também criada, à guisa de
impondo a essa dupla um projeto sem apoio para sua difusão, uma instituição
autonomia, já que seu resultado é conhe- cujo funcionamento foi se tornando, ao
cido por antecipação. A “identificação longo do tempo, a expressão da burocra-
realista”, acima descrita, decorre, pois, do cia que a dirigia. Ocorreu então uma
fato de que o analista didata é realmente fratura da qual até hoje padecemos: para
(institucionalmente) apresentado como manter o controle e a subordinação do
objeto ideal e a análise didática como a desenvolvimento do corpus teórico, das
forma de se conseguir a identidade formas de técnica e do gênero de clinica,
analítica. A fantasia do sujeito de tor- o poder burocrático lançou mão da co-
nar-se analista só ganha relevância em nhecida estratégia de dividir para reinar.
razão da resposta que lhe é ofertada: Para fazê-lo, criou a mãe de todas as
uma análise didática, promessa de rea- análises, orientada por regras pré-estabe-
lização dessa fantasia e de continua lecidas a serem reproduzidas por sua
reconstrução e revalidação das posi- descendência. A operação que cria a
ções candidato ! analista didata. O análise didática, separando-a da análise
sistema encontra aí sua estratégia re- tout court, obedece a uma lógica de
produtiva, o candidato esperando, com poder quase transparente: ela dá à análise

Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008. 125


Luiz Meyer

didática um valor de mercado, cuja fun- REFERÊNCIAS


ção é manter e reproduzir a estrutura
funcional da Instituição, ou seja, o coman- Basaglia, F. O. (1994). Cura/Normaliza-
do da burocracia. ção. In Romão, Ruggiero (Comp.),
Assim, da análise como prática Enciclopédia Einaudi: Inconsci-
teórica-clínica, competência de analistas, ente normal/anormal (Vol. 23). Lis-
passa-se à análise didática, de competên- boa: Imprensa Nacional; Casa da
cia exclusiva dos analistas didatas e ex- Moeda.
pressão das relações sociais que adminis-
tram o desenvolvimento da psicanálise. Baranger, M.; Baranger, W., & Mom, J.
Nesse novo campo, o trabalho analítico (1978). Psicopatologia del processo
muda de sinal, tornando-se uma delega- didático. Revista de Psicoanálisis,
ção da Instituição, com suas normas e Buenos Aires, 35 (1):181-190.
códigos, destinada a fabricar analistas. O
pensamento analítico é, dessa forma, ex- Freud, S. (1962). Group psychology and
propriado e substituído pela tarefa de the analysis of the ego. In S. Freud,
formação padronizada. O candidato não The standard edition of the com-
teme as surpresas que seu inconsciente plete psychological works of Sig-
lhe reserva, mas sim aquelas que possam mund Freud (Vol. 18, pp. 69-143).
impedir sua ordenação à condição de London, Hogarth Press. (Original
psicanalista. A análise didática é uma work published 1921).
espécie de prestação de serviços, exclu-
siva e excludente (Basaglia, 1994), racio- Giovannetti, M. F. (1991). O divã e a
nalizada pela delegação que lhe dá supor- medusa: breves considerações sobre
te. Valendo-se dela, o analista didata a natureza das fronteiras na instituição
adapta a análise às exigências da análise psicanalítica. ide, 21, pp. 64-69.
didática.
Os problemas criados pela exis- Gomberoff, M. (2008). Relaciones entre
tência da análise didática apontam para a el analisis de formacion y la
necessidade de se modificar esse siste- institucion (Trabalho apresentado
ma, por meio da extinção de toda catego- no Congresso da Fecal, em 2008).
ria diferenciada de análise e o repasse aos
analisandos da tarefa de cuidar de suas Meyer, L. (2003). Subservient analysis.
análises. A partir daí, um debate voltado International Journal of Psycho-
para as questões produzidas por essa analysis, 84(5), 1241-1262.
mudança poderia ser iniciado.
Schröter, M. (2002). Max Eitingon and
the struggle to establish an interna-

126 Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008.


Pensando a análise didática enquanto fetiche e formação ideológica

tional standard for psychoanalytic


training: 1925-1929. International
Journal of Psychoanalysis, 83,
875-932

Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008. 127


Luiz Meyer

SUMMARY

Thoughts on training analysis as a fetish and as formative of ideology

This paper basically comments on Mario Gomberoff’s contribution published in


this number. It discusses the interference of the Institution in the personal analysis of
candidates and the deleterious consequences, namely the maintenance of an analysis
that is, in its essence, in opposition to the very nature of the psychoanalytic process.
The “training” aspect becomes the main issue in detriment of focusing analysis of the
transference. In this context, training analysis acquires the meaning of a fetish and of
ideological formation, thus becoming a symptom supported by disavowal. The conse-
quences are the sterilization of creativity and the freezing of the relationship between
training analyst and candidate in a constant repetition.

Key words: Training analysis. Training analyst. Fetish. Ideological formation. Psycho-
analytic method.

RESUMEN

Pensando el análisis didáctico como fetiche y formación ideológica

Este trabajo es, básicamente, un comentario al de Mario Gomberoff, también


publicado en este Jornal de Psicanálise. Dicho trabajo aborda la interferencia de la
Institución en el análisis personal de los candidatos y sus consecuencias deletéreas,
sobre todo, el mantenimiento de un análisis que en su esencia está en oposición a la
propia naturaleza del proceso psicoanalítico. El aspecto “didáctico” pasa a ser la
cuestión básica en lugar de ser enfocado el análisis de la transferencia. El análisis
didáctico, dentro de este contexto, adquiere el significado de un fetiche y de una
formación ideológica. De este modo, ella es un síntoma basado en el mecanismo de
recusa. Una de sus consecuencias es la esterilización de la creatividad y el congelamiento,
en una repetición constante, de la relación analista didacta-candidato.

Palabras-clave: Análisis didáctica. Analista didacta. Fetiche. Formación ideológica.


Proceso psicoanalítico.

128 Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008.


Pensando a análise didática enquanto fetiche e formação ideológica

Luiz Meyer
R. Santa Cristina, 217 — Jd. América
01443-020 São Paulo, SP
Fone: (11) 3062-6288
E-mail: luimeyer@uol.com.br

Recebido em: 20/04/2008


Aceito em: 02/05/2008

Jornal de Psicanálise, São Paulo, 41(74): 121-129, jun. 2008. 129