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A política educacional do Brasil: uma reflexão

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A política educacional do Brasil: uma reflexão
Torna-se cada vez mais redundante discorrer as vertentes sobre a gravidade da
situação atual no que tange à crise das licenciaturas. Para definirmos e
entendermos esta "crise" temos que saber a sua conseqüência, a qual provém da
ausência de uma política global de formação de profissionais da educação, tendo
em vista a crescente desvalorização econômica e social do professor e adversas
condições das redes públicas de ensino.
Não podemos deixar de mencionar a baixa remuneração e a inexistência de um plano
de carreira que valorize a função docente. Os paradigmas da educação vêm
sofrendo muito com fatores externos de aspectos econômicos, sociais e culturais;
sejam eles mundiais, nacionais ou regionais.
Como sabemos, a educação é um direito humano significativo para o convívio
social, porque dela depende a realização de projetos de vida no âmbito
individual, e ainda os projetos coletivos sociais e culturais. Assim sendo, a
finalidade das políticas educacionais é o reconhecimento e a garantia do direito
à educação para todos quando o direito à educação não é somente o acesso às
vagas; mas sim o direito completo: gratuidade, permanência e inclusão, além da
qualidade, é claro. Estes direitos constam na Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988, especificamente no Art.205 - A educação, direito
de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Também no
Art.206, inciso no parágrafo I, IV, V, VII, a qual trata diversos temas aqui
apresentados.
Quando mencionamos o fator ''qualidade no ensino'', temos de imediato a
inadimplência do governo nesta área. No entanto, para amenizar este desfalque,
as diferentes instituições de ensino superior vêm desdobrando esforços para
construir caminhos alternativos à formação de professores em nosso país
profissionais cada vez mais preparados tanto na teoria quanto na prática para
lidar com os desafios do trabalho pedagógico, nos ensinos fundamental e médio.
Em um dos debates do senado, o senador Cristóvão Buarque (PDT-DF) criticou a
política educacional do presidente Luis Inácio Lula da Silva, onde este
responsabiliza prefeitos e governadores pelo ensino básico fraco. O senador
pedetista conclui que: ''Os governadores, mesmo que queiram, não têm condições.
E a maioria não quer. A maioria dos prefeitos do Brasil, por exemplo, vê a
educação como problema. Não como solução (...) Enquanto o presidente da
República não abraçar como sua causa a educação de base, o Brasil não vai sair
da situação que está. ''
Grande parte dos governos apresenta projetos, estratégias e programas para a
progressão positiva da educação, porém planejam e fazem a gestão a curto prazo,
sendo o adverso de nossas necessidades sociais, mentais e culturais, que atuam
em curto prazo, porém, conectada com o caminho do longo prazo. A causa de a
gestão ser a curto prazo, decorre da educação para um mandato ao término de
uma candidatura, novos políticos de distintos partidos ingressarão para
desfrutar do poder, portanto, as mudanças de projetos e estratégias é fato
inevitável. Este é o problema: a educação é para décadas e não por mandatos.
Onde está o domínio da política educacional?
Para mudar o ''statu quo'' da crise das licenciaturas, é inadmissível o equívoco
de propugnar o fim das mesmas ou seu aligeiramento como solução para a carência.
É cada vez mais frustrante vermos o grande número de professores que abandonam a
profissão em razão da degradação e desqualificação da política que envolve a
educação no Brasil. Então, perguntamo-nos: A Política Educacional Pública é
democrática? Isto é um paradoxo, senão meramente utópico. Não há participação
cidadã, e sim o governo sobretudo o Estado em seu senso de filosofia política.
Enfim, só nos resta até o momento, parar e refletir junto ao coordenador da
Campanha Colombiana pelo Direito à Educação, Ramón Moncada: ''Nem tudo que é
governamental é publico. Nem tudo que é publico é democrático. ''
Fernandamb
Publicado no Recanto das Letras em 21/02/2009
Código do texto: T1450508

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Comentários

23/02/2009 13:42 - antônimo


esse é um texto de sensibilidade magnífica, em que se nota uma linguagem que
apreende a realidade social na tentativa de superar um status quo.. esse intento

de que quem escreve nunca deve perder-se no horizonte. ahh, Esse texto se muito
bem me lembro foi o que me aproximou da mocinha escritora..(rsrsrs)
21/02/2009 09:18 -
Povo com boa educação, vota bem. E isso, não interessa a ninguém! (até que
rimou, bem do jeitinho que eles, aqueles lá de Brasília, costumam fazer: rimam
as coisas mais insólitas e inimagináveis e nos "vendem" como se foram obras da
melhor arte de governar. Paz em Deus.
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Sobre a autora
Fernandamb
Fernandópolis/SP - Brasil, 22 anos
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