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Profa. Dra. Ierecê Barbosa


Profa. Dr. Walmir Albuquerque Barbosa
Profa. Msc. Persida Mike
Profa. Dra. Edilza Laray

OS CAMINHOS DA PRODUÇÃO ACADÊMICA E


CIENTÏFICA

MANAUS
2011
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Aluno: ..................................................................................
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SUMÁRIO

CONVITE À METODOLOGIA
1. UNIVERSIDADE E A PESQUISA
1.1. Função científica e social da Universidade
1.2. Conhecimento e fontes de informação
1.3. Pesquisa e sua formulação
1.4. Desafios e possibilidades da Universidade brasileira
2. CONHECIMENTO E LEITURA NA UNIVERSIDADE
2.1. Tipos de Conhecimento
2.2.1. Científico
2.2.2. Filosófico
2.2.3. Senso Comum
2.2.4. Conhecimento religioso
2.2. A leitura como processo de apreensão do conhecimento
2.3. Modalidades da leitura
2.4. Técnicas de leitura – Documentação
2.4.1. Sublinhar
2.4.2. Esquematiza
2.4.3. Fichar
2.4.4. Resumir
3. PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
3.1.Método de investigação científica - a singularidade, a abrangência do conceito, a
classificação e a aplicabilidade
3.2. A pesquisa como investimento de produção do conhecimento
3.3. Tipologia da pesquisa e formato de estudos científicos
3.4. A Monografia de Final de curso e a escolha de um tema
3.5. O Projeto de Pesquisa
3.5.1. A escolha do tema e a formulação do problema
3.5.2. A revisão de literatura
3.5.3. Hipóteses e objetivos
3.5.4. Coleta, tratamento e exposição dos dados
3.5.5. Conclusão, generalização e recomendações
3.5.6. Elementos pós-textuais
3.5.7. Orientação do Trabalho científico
3.5.8 O roubo intelectual como praga do nosso tempo
4. TÉCNICAS PARA A DIFUSÃO E DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO
4.1. Seminário
4.2. Painel
4.2.1. Apresentação e divisão de projetos de pesquisa sob a modalidade de painel
4.2.2. Modelo de painel
4.3. Fórum
4.4. Congresso
4.5. Palestra
4.6. Artigo
4.6.1. Normas Técnicas para apresentação de um artigo
4.7.Relatórios
4.8. Monografias
5. O PROJETO DE PESQUISA
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Prezado (a) Aluno (a):

Este material de estudo pretende contribuir no processo de formação acadêmica como


instrumento indispensável para a produção e divulgação do conhecimento, sem a pretensão de
abranger todas as questões envolvidas em nossa disciplina. Trata-se de importante instrumento
para consulta. O aprofundamento teórico ou prático deverá ser buscado na bibliografia sugerida
no final deste trabalho.
A disciplina em pauta tem o caráter teórico-prático e pretende servir de estímulo para que
você busque motivações para encontrar respostas às dúvidas que surgem no processo de
aquisição e produção, visto que é na Universidade que as respostas aos problemas de aquisição de
conhecimento deveriam ser encontradas através do rigor científico e apresentadas através das
normas acadêmicas vigentes.
Dito isto, parece que fica claro que não se trata de simples conteúdo a ser decorado por
você, para ser verificado num dia de prova; trata-se de um instrumental indispensável para que
seja capaz de atingir os objetivos pessoais, profissionais e acadêmicos, que são o estudo e a
pesquisa em qualquer área de conhecimento. Trata-se então de se aprender a fazer fazendo, como
sugerem os conceitos mais modernos da Pedagogia.
Procuramos, na medida do possível, seguir rigorosamente as regras definidas pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para elaboração de trabalhos científicos.
Caso alguma regra não esteja sendo cumprida cabe atualizações, pois elas mudam com
freqüência.
Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo, indiretamente, a uma
Academia de Ciências, já que qualquer Faculdade nada mais é do que o local próprio da busca
incessante do saber científico. Neste sentido, esta disciplina tem uma importância fundamental na
formação do profissional. Se os alunos procuram a Academia para buscar saber, precisamos
entender que esta disciplina "estuda os caminhos do saber". Ou seja, "método" quer dizer
caminho, "logia" quer dizer estudo e "ciência" quer dizer saber. Mas aprender a estudar e a
pesquisar não é tarefa apenas para seres “iluminados”. Qualquer pessoa que busque o
conhecimento científico poderá conseguir inclusive VOCÊ. Aceita o convite? Claro que sim.
Então vamos caminhar juntos.

Os autores
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1. UNIVERSIDADE E A PESQUISA
1.1. FUNÇÃO CIENTÍFICA E SOCIAL DA UNIVERSIDADE

A Universidade exerce várias funções, dentre elas a de produzir conhecimento, de forma a


promover o desenvolvimento da cultura, da ciência, da tecnologia e do próprio ser social através
do ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (LUCKESI, 1995). Não admitimos que ela se
transforme numa ilha produtora de conhecimento voltada para si, tendo em vista que os alunos,
professores e técnicos são pessoas que vivem contextualizadas num tempo e num espaço onde
acontece a educação, a política, a história, a economia... com todos os problemas advindos da
complexidade sociocultural e ambiental. Neste sentido, além de buscar soluções para os
problemas presentes por meio da pesquisa, ela deve procurar estar um passo à frente do seu
tempo, trabalhando no sentido de traduzir os conhecimentos em qualidade de vida.
Como espaço de produção, reprodução e socialização do conhecimento, o saber nela
elaborado é utilizado socialmente em processos econômicos, políticos e culturais ou pelo domínio
social e tecnológico de certos segmentos sobre as sociedades e sobre a natureza, daí destacarmos
a função científica e social da Universidade. Porém, é na tensão entre sua vocação social e
científica que ela se modifica, transformando a sociedade. E é a partir da realidade concreta que
podemos considerar os seus atuais desafios.
Segundo Boff (1997), o desafio que se levanta às universidades de forma urgente é a sua
contribuição efetiva na construção do Brasil como nação soberana, repensada nos quadros da
nova consciência planetária e do destino comum do sistema-terra, sendo co-parteiras de uma
cidadania nova, a co-cidadania que articula o cidadão com o estado, o cidadão com o outro, o
nacional com o mundial, a cidadania brasileira com a cidadania terrena, ajudando assim a moldar
o devenir humano. Buarque (1994) afirma que a universidade tem um papel permanente: gerar
saber de nível superior para viabilizar o funcionamento da sociedade. Esse papel se manifesta de
forma diferente, conforme o tipo de sociedade que se deseja.

Nos Estados Unidos a universidade desempenhou uma função-chave na


construção da sociedade de consumo, na defesa da potência econômica e
militar norte-americana. Na África do Sul, a universidade branca serviu
competentemente para viabilizar a elevação do nível de vida dos brancos e
manter o sistema do apartheid funcionando. Em países da Europa, as
universidades são instrumentos de dinâmica da economia. Através do
mercado, elas conseguem oferecer mão-de-obra e pesquisas para
consumidores e empresas. Em Cuba, com prioridades definidas pelo
Estado, a universidade tem por papel solucionar os problemas de educação
e saúde das massas, produzir conhecimento para uma nação acuada. No
Brasil, como certamente na Rússia de hoje, a universidade não dispõe de
um projeto, nem de prioridades definidas pela sociedade (BUARQUE,
1994, p.217).

A partir deste quadro geral podemos avaliar os desafios que se colocam às Universidades.
Elas não podem ser reduzidas a macroaparelhos de reprodução da sociedade discricionária e a
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fábricas formadoras de quadros para o funcionamento do sistema imperante. Boff (1997 p.13)
ressalta:

“Nossa história pátria foi sempre, também, um laboratório do pensamento


contestatório e libertário”. Isso constitui nossa missão histórica
permanente que deve ser atualizada hoje de forma urgente, dada a urgência
de buscarmos a resolução dos problemas sociais, culturais, econômicos,
políticos, etc.

1.2. CONHECIMENTO E FONTES DE INFORMAÇÃO

O pensamento faz a grandeza do homem. (...) O homem não passa de um


caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso
que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de
água, bastam para matá-lo. Mas mesmo que o universo o esmagasse, o
homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, porque sabe que
morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece
tudo isso. (Pascal).

Somos seres que fazemos questionamentos existenciais, e buscamos historicamente


interpretar a nós mesmos e ao mundo em que vivemos, atribuindo-lhes significados. As
representações significativas da realidade são chamadas de conhecimento. Luckesi et.al. (1995)
ressaltam que o conhecimento é o entendimento do mundo que se transforma em suporte
poderoso da condução da ação, que ocorre no constante processo ação-reflexão, reflexão-ação,
concordando com Freire (1983a).
O conhecimento é resultante da própria vivência, e se apresenta como representação da
realidade, e de acordo com Lakatos e Marconi (2002), pode ser classificado em diversos tipos
como o científico, filosófico, religioso, popular ou senso comum e mítico.

O conhecimento científico é o que é produzido pela investigação científica, através de


seus métodos. Surge não apenas da necessidade de encontrar soluções para problemas de ordem
prática da vida diária, mas do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas
e criticadas através de provas empíricas.
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A investigação científica se inicia quando descobrimos que os conhecimentos existentes,


originários quer do senso comum, quer científicos, são insuficientes para explicar os problemas
surgidos. O conhecimento prévio que nos lança a um problema pode ser tanto do conhecimento
ordinário quanto do científico.
Quando o homem sai de uma posição meramente passiva, de testemunha dos fenômenos,
sem poder de ação ou controle dos mesmos, para uma atitude racionalista e lógica, que busca
entender o mundo através de questionamentos, é que surge a necessidade de se propor um
conjunto de métodos que funcionem como uma ferramenta adequada para essa investigação e
compreensão do mundo que o cerca. O homem quer ir além da realidade imediatamente
percebida e lançar princípios explicativos que sirvam de base para a organização e classificação
que caracteriza o conhecimento.
Através desses métodos obtém-se enunciados, teorias, leis, que explicam as condições que
determinam a ocorrência dos fatos e dos fenômenos associados a um problema, sendo possível
fazer predições sobre esses fenômenos e construir um corpo de novos enunciados, quiçá novas
leis e teorias, fundamentadas na verificação dessas predições e na correspondência desses
enunciados com a realidade fenomenal.
O método científico permite a construção conceitual de imagens da realidade que sejam
verdadeiras e impessoais, passíveis de serem submetidas a testes de falseabilidade.
A exigência do confronto da teoria com os dados empíricos favorece que os mesmos
sejam submetidos a testes, em qualquer época e lugar, e por qualquer pessoa, pois uma
explicação é algo sempre incompleto, suscetível de um outro por que, podendo nos levar à
elaboração de uma nova teoria, que não só explique, mas corrija a anterior. É justamente por estar
submetida a constantes retomadas de revisões críticas, que uma teoria científica é aperfeiçoada e
corrigida, garantindo seu enriquecimento e confiabilidade. A ciência se vale da crítica persistente
que persegue a localização dos erros, através de procedimentos rigorosos de testagem que a
própria comunidade científica re-avalia e aperfeiçoa constantemente. Esse método crítico de
constante localização de dificuldades, contradições e erros de uma teoria, garante à ciência uma
confiabilidade e autocrítica. A autocrítica sistemática da ciência proporciona a reformulação de
teorias e evita os dogmatismos.
O espírito dogmático bloqueia a crítica por se julgar auto-suficiente e clarividente na sua
compreensão do mundo, e acaba por impedir eventuais correções e aperfeiçoamentos, muitas
vezes, induzindo ao erro, fraudes, ignorância e comportamento intolerante. É, portanto, errôneo
achar que a dogmatização de um conhecimento é superior só porque é imutável.
O verdadeiro espírito científico consiste, justamente, em não dogmatizar os resultados de
uma pesquisa, mas em tratá-los como eternas hipóteses que merecem constante investigação. Ter
espírito científico é estar numa busca permanente da verdade, com consciência da necessidade
dessa busca, expondo as suas hipóteses à constante crítica, livre de crenças e interesses pessoais,
conclusões precipitadas e preconceitos. Muito embora não se possa alcançar todas as respostas, o
esforço por conhecer e a busca da verdade continuam a ser as razões mais fortes da investigação
científica.

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1.3. PESQUISA E SUA FORMULAÇÃO

Para Santos (2002, p. 17,) “pesquisar é o exercício intencional da atividade intelectual,


visando melhorar as condições práticas de existência”. O autor assinala que é devida à
necessidade humana de conhecer que a história avança. Pesquisa significa alguma forma
produtiva de conhecimento, traduzida na capacidade de digerir criticamente, imprimindo ao
conhecimento absorvido interpretação própria capaz de orientar a intervenção histórica. Também,
não se reduz à construção absolutamente original de conhecimento, mas já existe no uso
produtivo de conhecimento disponível, desde que crítico e autocrítico.

A pesquisa científica, tal qual se pratica hoje, estruturou-se como


base na organização e na sistematização que alguns cientistas
fizeram para solucionar os problemas que decidiram enfrentar. O
sucesso dessas práticas de procura e recolha de informações, os
modos que se propuseram para resolver os problemas garantiram
alguns processos que se tornaram exemplares e eficazes. Esses
autores introduziram meios práticos e técnicas criativas na solução
dos problemas que deram uma coerência e uma consistência cada
vez maiores a essa prática, sob o nome de pesquisa (CASTANHO ;
CASTANHO, 2001, p. 105).

O conceito de pesquisa é polêmico. Primeiro, distingue-se nele dupla face: na face


científica aparece a produção criativa de conhecimento; a face educativa engloba a capacidade
de questionar a realidade, aplicar conhecimento e de intervir na prática. Segundo, pesquisa
não se reduz a produtos e a momentos, mas seria atitude básica e cotidiana de questionamento
crítico e autocrítico diante da realidade.
Para Demo, (http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista 0035. asp) a pesquisa
atende a dois princípios, o científico e o educativo. A pesquisa trabalhada como princípio
científico constitui o instrumento indispensável para a construção técnica do conhecimento.
Como modo de educar, ela orienta segundo as orientações metodológicas da ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas). Repensando o importante papel da pesquisa o referido autor
sabiamente afirma:

A pesquisa indica a necessidade da educação ser questionadora, do


indivíduo saber pensar. É a noção do sujeito autônomo que se emancipa
através de sua consciência crítica e da capacidade de fazer propostas
próprias. Isso tudo tem por trás a idéia da reconstrução, mas também
agrega todo o patrimônio de Paulo Freire e da ‘politicidade’, porque nós
estamos na educação formando o sujeito capaz de ter história própria, e
não história copiada, reproduzida, na sombra dos outros, parasitária. Uma
história que permita ao sujeito participar da sociedade.
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Como princípio educativo, a pesquisa passa sempre também pela prática, insistindo na
formação profissional, visando ao domínio produtivo do conhecimento e ao próprio exercício da
cidadania, que não se reduz a exercícios políticos e ao cultivo de ideologias preferenciais.
Cidadania, na universidade, significa formação política mediada pela produção científica. Sendo
a Universidade o lugar por excelência da criação e produção do conhecimento problematizando a
sociedade que a sustenta, a pesquisa é o principal instrumento de produção de conhecimentos,
além de intermediar a relação ensino-aprendizagem.
Mas qual a importância de se fazer pesquisa nos cursos de graduação e pós-graduação? O
pesquisador deve propor alternativas de intervenção planejada e estratégica na realidade social.
Necessita acompanhar, analisar, conhecer a realidade que o circunda, respondendo aos desafios
sociais.
Pesquisa é o mesmo que busca ou procura. Pesquisar, portanto, é buscar ou procurar
resposta para alguma coisa. Em se tratando de Ciência, a pesquisa é a busca de solução a um
problema que alguém queira saber a resposta. Não parece correto dizer que se faz ciência, mas
que se produz ciência através de uma pesquisa. Pesquisa é, portanto, o caminho para se chegar à
ciência, ao conhecimento.
Quanto aos tipos de pesquisa, Santos (2002) define desta forma:
Pesquisa Exploratória: visa criar maior familiaridade em relação a um fato ou fenômeno. É
quase sempre feita como levantamento bibliográfico, entrevistas com profissionais que
estudam/atuam na área, visita a web sites etc.. Ex.: Saber o perfil do profissional de marketing.

Pesquisa Experimental: É toda pesquisa que envolve algum tipo de experimento. Ex.: Pinga-se
uma gota de ácido numa placa de metal para observar o resultado.

Pesquisa Social: É toda pesquisa que busca respostas de um grupo social. Ex.: Saber quais os
hábitos alimentares de uma comunidade específica.

Pesquisa Histórica: É toda pesquisa que estuda o passado. Ex.: Saber os fatores que
desencadearam a Cabanagem.

Pesquisa Teórica: É toda pesquisa que analisa uma determinada teoria. Ex.: Saber o que é a
Neutralidade Científica.

Conhecemos os tipos de pesquisa. Agora é necessário definir os instrumentos para se


chegar a uma resposta mais precisa, através da escolha do melhor caminho. O instrumento ideal
deverá ser estipulado pelo pesquisador para se atingir os resultados ideais. Num exemplo
grosseiro eu não poderia procurar um tesouro numa praia cavando um buraco com uma picareta;
eu precisaria de uma pá. Da mesma forma eu não poderia fazer um buraco no cimento com uma
pá; eu precisaria de uma picareta. Por isso a importância de se definir o tipo de pesquisa e da
escolha do método a ser utilizado. Bastos e Keller (1999) observam que para repensar o mundo
(ou fazer pesquisa), a escolha do método é de suma importância.
Os caminhos consistem basicamente na pesquisa de campo (visando minimizar dúvidas,
ou obter informações e conhecimentos no local que expresse com maior proximidade a realidade
investigada); pesquisa de laboratório (o observador detém o controle sobre o fenômeno
estudado, exigindo local apropriado – laboratório - e instrumentação especial); pesquisa
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bibliográfica (exame ou consulta de livros ou documentação escrita que se faz sobre


determinado assunto).

1.4. DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA UNIVERSIDADE BRASILEIRA

A crise que assola as sociedades manifesta-se nas múltiplas dimensões: política, cultural,
administrativa e organizacional. Nas Universidades, os problemas organizacionais estão ligados à
estrutura e ao funcionamento. Os currículos são atomizados e os estudantes adquirem formação
fragmentada, provocada pelo sistema de matrículas por disciplinas, o que aponta para a tendência
à formação unilateral desprovida de uma visão de conjunto do curso e principalmente da
sociedade nacional e global, com conseqüências imediatas na práxis social.
A pesquisa poderia ocupar o centro do desafio educacional em termos de inovação a
serviço do homem, como princípio científico e educativo, em particular no caso da universidade,
pois domínio científico e tecnológico é a vantagem comparativa diferencial, no atual contexto
econômico e político. Como argumenta Campos (1999, p. 4)

A formação básica qualitativa e produção científica e tecnológica são


fatores que melhor garantem a estratégia de desenvolvimento humano
próprio, moderno, sustentável. Ciência não é estoque de conhecimentos
repassados; é, estritamente, inovação como processo; disto resulta que
formação científica e permanente coincidem, baseadas na capacidade de
produção criativa ou no aprender a aprender. A mera absorção de
conhecimento não realiza a emancipação, porque não passa de insumo
necessário.

A universidade é instituição indispensável para o desenvolvimento humano sustentável do


país, lugar privilegiado onde a sociedade e a economia discutem e constroem chances de futuro,
celeiro da educação que pode humanizar a técnica. Por conta disso, não se justifica universidade,
e muito menos pública e gratuita, para apenas transmitir mecanicamente. Sua função é promover
a ciência, a tecnologia e principalmente a promoção dos seres humanos.
Sabemos que no Brasil, em nível federal, cerca de 70% dos recursos públicos alocados à
educação destinam-se ao custeio do ensino superior, porém, levando-se em conta a totalidade dos
recursos gastos em educação (federal, estaduais e municipais juntos), menos de 20% vão para o
ensino superior. Há consenso de que esses recursos destinados ao ensino superior e à pesquisa
científica estão muito aquém das reais necessidades de trabalhar ensino, pesquisa e extensão.
Desse modo, concordamos com Boff (1997 p.43), a universidade não tem direito de falar de
inovação, se ela mesma não sabe inovar-se. Para o autor,

quando se fala de novos paradigmas, não está em jogo copiá-los, ou


inventá-los de qualquer maneira, mas a competência de construir
com mão própria, ou seja, aprender a aprender, saber pensar, para
poder melhor inovar a realidade, a sociedade, a própria
universidade. A universidade deve ter como meta maior, a
construção da cidadania, princípio que ultrapassa a educação
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profissional específica e alcança a formação da consciência ética,


moral e política em suas dimensões.

Um projeto de democracia social implica, segundo o autor, vencer desafios. O primeiro


deles é a criação de uma aliança entre a inteligência acadêmica com a população que está à
margem do processo social na busca de saberes diversos. Em segundo lugar, desta aliança
reforça-se a necessidade da ligação orgânica daqueles que manejam o saber específico com os
movimentos sociais emergentes imbuídos da responsabilidade de participar da discussão daquilo
que interessa a todos e construir coletivamente uma perspectiva de Brasil feito por todos.
Para concluir, fazemos nossas as palavras de Lauro Morhy ao expor seu pensamento a
essa temática:

É hora de grande desafio. É preciso que a Universidade se envolva


intensa, crítica e permanentemente no diagnóstico dos problemas
locais, nacionais e mundiais, procurando encontrar soluções e
caminhos. Mas, sendo a universidade parte do sistema político-
social que está doente, também padece de graves males que acaba
absorvendo ou que lhe são impostos. Então o desafio é maior ainda:
superar as próprias doenças e fraquezas e ajudar a sociedade e o
Estado a encontrar as soluções para os seus problemas e o melhor
caminho para todos. (MORHY, http://www.unb.br/reitor/reitoria-
informa/artigos/desafio.htm, 2001).
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2. CONHECIMENTO E LEITURA NA UNIVERSIDADE

2.1. TIPOS DE CONHECIMENTO

2.1.1. CIENTÍFICO

A produção do conhecimento está ligada a três referenciais: a concepção dialética da


realidade, o processo do pensar reflexivo e a problematização. Problematizar é muito mais
profundo do que a simples formulação do problema de pesquisa, porque leva a pessoa a
questionar. São tantas as interrogações: O quê? Como? Por quê? Para quê? Onde? Quando?
Quantos? Quais? Ou seja, problematizar é interrogar o mundo, a realidade em que o pesquisador
está inserido, ele próprio e mais especificamente o seu objeto de estudo. Problematizar é
interrogar em torno de si mesmo e só o ser humano é capaz de fazê-lo.
Segundo Bunge (1965) somente o homem inventa problemas novos: é o único ser
problematizador, o único que pode sentir a necessidade e o gosto de acrescentar dificuldades às
que já se apresentam no meio natural ou no meio social. O homem é um ser de criação, de
produção, de evolução, de questionamentos. Em sua trajetória de vida ele tem que interpretar a si
e ao mundo em que vive, atribuindo significado as coisas que o rodeia. Ele, também cria
representações significativas da realidade, as quais denominamos conhecimento. Dependendo da
forma pela qual se chega a essa representação, o conhecimento pode ser classificado em diversos
tipos (filosófico, mítico, dogmático, popular etc). Já o conhecimento científico é aquele que é
produzido pela investigação científica. Portanto, ele é FACTUAL porque lida com ocorrências
ou fatos reais. É SISTEMÁTICO, pois ordena logicamente as idéias (teoria) e não
conhecimentos dispersos e desconexos. Possui a característica da VERIFICABILIDADE, de
modo que, as afirmações (hipóteses) que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito
da ciência. Constitui-se em conhecimento FALÍVEL, em virtude de não ser definitivo, absoluto
ou final e, por este motivo, APROXIMADAMENTE EXATO: novas proposições e o
desenvolvimento de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente, portanto, nem
sempre a verdade de ontem é a de hoje. O conhecimento científico é um eterno construto.

2.1.2 FILOSÓFICO

Segundo Marconi e Lakatos (2000) o conhecimento filosófico tem algumas características


específicas: é VALORATIVO, pois seu ponto de partida consiste em hipóteses, que não poderão
ser submetidas à observação. As hipóteses filosóficas baseiam-se na experiência, portanto, este
conhecimento emerge da experiência e não da experimentação. Daí porque o conhecimento
filosófico NÃO É VERIFICÁVEL, já que os enunciados das hipóteses filosóficas, ao contrário
do que ocorre no campo da ciência, não podem ser refutados nem confirmados. É RACIONAL,
pois consiste num conjunto de enunciados logicamente correlacionados. Tem uma organização
SISTEMÁTICA, pois há coerências entre as hipóteses e enunciados. Finalmente, os autores
referenciados sinalizam para a questão da EXATIDÃO, uma vez que seus postulados e suas
hipóteses não são submetidos ao decisivo teste da observação (EXPERIMENTAÇÃO).
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2.1.3. SENSO COMUM

O senso comum também é conhecido como conhecimento popular. Geralmente ele é


transmitido de geração a geração por meio da educação informal, baseado em imitação e
experiência pessoal; portando, empírico e desprovido de conhecimento técnico. Podemos citar
como exemplo o conhecimento de um barco popular. Na construção são aplicados
conhecimentos adquiridos por tradição oral, tais como: a madeira mais apropriada, a largura, a
altura e o peso do motor para que ele agüente os banzeiros etc. Ou seja, ele é construído no
“olhômetro”, portanto, de forma empírica. Mas, nem por isso deixa de ter o seu valor, até porque
muito dos conhecimentos ali aplicados são baseados em observações e a ciência não é, como
muitos pensam, o único caminho de acesso ao conhecimento e a verdade. Um mesmo objeto
pode ser matéria de observação tanto para o cientista quanto para o um cidadão comum; o que
leva um ao conhecimento científico e outro ao conhecimento popular é a forma de observação.
O conhecimento baseado no senso comum tem algumas características básicas:
• É SUPERFICIAL, conforma-se com a aparência, não busca o que se oculta por trás das
coisas;
• É SENSITIVO, ou seja, referente às vivências, estados de ânimo e emoções do cotidiano;
• É SUBJETIVO, pois o próprio sujeito organiza suas experiências;
• É ASSISTEMÁTICO, pois está organizado nas experiências e não na sistematização das
idéias e / ou na forma de adquiri-las, muito menos na tentativa de validá-las;
• É ACRÍTICO, pois não há preocupação com a veracidade dos fatos e sim com a
funcionalidade;

2.1.4. CONHECIMENTO RELIGIOSO

O conhecimento religioso, também conhecido como teológico, apóia-se em teses que


contêm proposições sagradas, ou seja, VALORATIVAS, que por terem sido reveladas pelo
sobrenatural (INSPIRACIONAL) e por esse motivo, tais verdade são consideradas EXATAS. É
um conhecimento que tem SISTEMATIZAÇÃO, pois seus relatos têm início, meio e fim, ou
seja: introdução, desenvolvimento e conclusão, ou melhor, já que estamos nos referindo ao
conhecimento religioso: origem, significado, finalidade e destino. Suas evidências NÃO SÃO
VERIFICÁVEIS, pois são obras do Criador Divino e, portanto, necessitam de crença, de fé,
perante o conhecimento revelado.

2.1.5. O CONHECIMENTO MÍTICO

São as primeiras manifestações humanas para explicar a realidade. Os mitos têm geralmente
seqüência lógica com início, meio e fim e tentam responder os mistérios da natureza. A cultura
grega é riquíssima em mitos, a amazônica também devido às diversas culturas dos povos da
Amazônia.
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A LEITURA
2.2. COMO PROCESSO DE APREENSÃO DO
CONHECIMENTO

A Universidade se diferencia das demais instituições de ensino pelo tripé pesquisa,


ensino e extensão. Universidade que não tem pesquisa, não produz conhecimento, não responde
aos desafios do contexto em que está inserida, não pode ser considerada uma Universidade e sim
apenas, um estabelecimento de ensino superior. Portanto, produzir conhecimento é condição sine
qua non para a consolidação de uma universidade.
Para que se produza conhecimento é imprescindível uma sólida base de leitura. O hábito
do estudo deve ser incutido desde cedo no estudante, pois para desenvolver o espírito científico é
importante que esse hábito já esteja consolidado. Aprender a ler exige uma postura crítica,
sistemática, reflexiva, além de disciplina intelectual. É interessante ter em mente que ler é uma
prática básica, essencial, para aprender e produzir.
A leitura propicia: a ampliação do conhecimento, a obtenção de informações básicas e
específicas, a abertura de novos horizontes, a sistematização do pensamento, o enriquecimento
do vocabulário, o melhor entendimento das idéias dos autores, além, é claro, de uma constante
atualização. Uma boa leitura é sempre bem-vinda. Assim sendo, a primeira etapa que um
estudante universitário precisa vencer é conhecer e utilizar procedimentos adequados de leitura.
Quais são eles?

1. O tempo:
• Planeje seu tempo. Essa é a forma correta de ganhar mais tempo para a leitura;
• Programe a utilização de períodos vazios em sua atividade;
• Substitua o horário de uma ou mais atividades não essenciais, dilatando o tempo
destinado a leitura;
• Não estabeleça períodos muito longos para a leitura, sem pausa para descanso.

2. O propósito: toda leitura tem um propósito, podendo ser o da investigação, da comparação, da


crítica, da verificação e da ampliação do conhecimento.

3. Os tipos de leitura:
• Verbal: que pode ser informativa, seletiva (também conhecida como analítica ou
formativa) e a técnica.
• Icônica: que consiste na decodificação de índices, símbolos e ícones.
• Gestual: que consiste em decodificar a linguagem dos gestos. Ex: a linguagem dos
surdos-mudos.
• Casual: é bem espontânea. Ex: a leitura de anúncios, cartazes, outdoors, placas de
trânsito.
• Sonora: que consiste em decodificar os sons que comunicam algo, tais como: uma
buzina, uma sirena, um apito, o som do triângulo do cascalheiro.

2.3. MODALIDADES DE LEITURA


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Os tipos de leitura têm estreita ligação com a finalidade. Eis as modalidades de leitura:
a) Silenciosa - individual ou coletiva, podendo ter tempo delimitado;
b) Oral - podendo ser individual, coletiva ou em mutirão;
c) Especializada - pode ser uma leitura política, semiológica, social, médica etc;
d) De estudo - visa à aquisição de conhecimento;
e) Distração - leitura de revistas, romances;
f) Dinâmica - modalidade avançada para se ler rápido, ganhando tempo.

2.4. TÉCNICAS DE LEITURA – DOCUMENTAÇÃO

As técnicas de leitura são importantíssimas no processo de estudo e pesquisa. É válido


frisar que a leitura é uma das maneiras mais utilizadas para conhecer a realidade. Ao ler, a pessoa
tem a possibilidade de conhecer o mundo. Portanto, o gosto pela leitura é fundamental para a
formação de espírito científico. Para produzir conhecimento você tem que ter um ponto de
partida, a leitura documentada pode ser ou sugerir esse ponto. Daí a importância da
documentação, do fichamento como formas de organizar aquilo que foi selecionado pelas
técnicas de leitura. A prática da documentação pessoal deve, pois, tornar-se uma constante na
vida do estudante, para isso, é preciso convencer-se da sua necessidade e utilidade, colocá-la
como integrante do processo de estudo, criando um conjunto de técnicas para organizá-las.
A documentação de tudo que for julgado importante e útil em função dos estudos e do
trabalho profissional deve ser feita sobre fichas. O tomar notas em cadernos é desaconselhável
devido à sua pouca funcionalidade.
Do ponto de vista técnico e enquanto método pessoal de estudo pode-se falar em três
formas de documentação: a temática, a bibliográfica e a geral. As grandes aliadas da
documentação são as técnicas de leitura, sem elas, corremos o risco de considerar que tudo é
relevante e documentar sem critérios de seletividade. As principais técnicas de leitura são
sublinhar, esquematizar, fichar e resumir.

2.4.1. SUBLINHAR

É a técnica indispensável para elaborar esquemas, resumos e ressaltar as idéias


importantes de um texto. O requisito fundamental para aplicar a técnica de sublinhar é a
compreensão do assunto. Não se deve sublinhar parágrafos ou frases inteiras, mas apenas
palavras chaves ou frases significativas.
Para a utilização adequada dessa técnica de leitura é importante observar alguns pontos:
a) Não sublinhar durante a primeira leitura;
b) É necessário que se tenha um primeiro contato com a leitura, fazendo-se um sinal à
margem;
c) Quando for feita a segunda leitura, buscar a idéia principal, os detalhes significativos,
os conceitos, classificações etc.

OBS.: Sublinhe apenas o que for relevante, de maneira que ao reler o que foi destacado, a
idéia principal tenha sido delimitada corretamente.
17

2.4.2. ESQUEMATIZAR

O esquema é uma representação sintética do texto através de:

GRÁFICOS
CÓDIGOS
PALAVRAS

Não há fórmulas mágicas para um bom esquema, mas um pouco de criatividade e


organização são bem-vindos. O esquema deve ser organizado dentro de uma seqüência lógica,
onde aparecem:

As idéias principais.
O inter-relacionamento de fatos e idéias.

A elaboração de um bom esquema exige a participação ativa do leitor na assimilação do


conteúdo, levando-o, também, a uma avaliação do texto. Embora não haja um modelo de
esquema padrão, pode-se avaliar um esquema através de algumas características básicas:

FIDELIDADE AO TEXTO
ESTRUTURA LÓGICA
UTILIDADE
CUNHO PESSOAL
ADEQUAÇÃO AO ASSUNTO

2.4.3. FICHAR

É uma forma de facilitar o trabalho de pesquisa colocando ordem às informações obtidas.


À medida que o pesquisador tem em mãos as fontes de referência, deve transcrever os dados em
fichas, com o máximo de exatidão, cuidado e de forma sistematizada. O fichamento traz diversas
vantagens:
a) Oportunizam a informação precisa na hora exata;
b) Permitem o manuseio, a remoção ou acréscimo de informação;
c) Ocupam pouco espaço e são de fácil transporte;
d) Permitem analisar o material selecionado;
e) Identificam a obra;
f) Facilitam as citações;
g) Favorecem as críticas consolidadas nos autores.

2.4.4. RESUMIR
O resumo é uma condensação do texto. Ele apresenta as idéias essenciais e pode, também,
trazer a interpretação do leitor, desde que este o faça separadamente. O objetivo do resumo é
abreviar as idéias do autor, sem, contudo, a concisão de um esquema. Entretanto, pode-se juntar o
resumo e o esquema, tendo como resultado uma técnica mista: o resumo esquemático, que
consiste em:
18

a) Estabelecer a unidade de leitura;


b) Destacar as idéias principais;
c) Destacar os pormenores importantes;
d) Elaborar um esquema utilizando sinais (chaves, colchetes etc).

Utilizando as técnicas de sublinhar, esquematizar, fichar e resumir o aluno está preparado para
fazer uma leitura analítica.
19

3. PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

3.1. MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA - A SINGULARIDADE, A


ABRANGÊNCIA DO CONCEITO, A CLASSIFICAÇÃO E A
APLICABILIDADE.

O termo método tem sua origem na palavra grega “methodos”, que significa caminho para
chegar a um fim. Esta palavra é freqüente em nosso vocabulário, seja quando nos expressamos
em linguagem erudita, seja quando nos expressamos em linguagem menos formal, em nosso
cotidiano. Nas nossas reflexões, nos momentos de sistematização de nossas experiências, nas
formulações de estratégias para superação de dificuldades ou desconhecimento, ou mesmo para
explicar as coisas mais simples do mundo em que vivemos, nós recorremos, portanto, a um
método para alcançar os resultados desejados.
A idéia de caminho é interessante para o nosso entendimento, porém não podemos
entendê-la apenas como algo já construído, mas também como caminho que se prolonga, que se
constrói a partir de alguma coisa já dada como existente. Por esta razão, é que o verbete
“método”, nos dicionários, comporta várias acepções. A que nos interessa, neste momento, é a
noção de método como meio para se chegar ao conhecimento científico. E nesta acepção o
método é singular como forma para conhecer as coisas em profundidade. Chegamos então à regra
básica de nosso aprendizado sobre o método: não pode haver ciência sem método, pois é este que
funda o conhecimento científico. É através dele que experimentamos a forma de conhecer, de
como organizar o conhecimento que constituirá objeto de busca e finalidade das ciências em
geral e de cada uma em particular.
Considerando esta singularidade do método científico, podemos, ainda, afirmar que nem
tudo que descobrimos utilizando um método pode ser considerado como parte da ciência ou das
ciências. Para que o método esteja relacionado com o modo de fazer ciência exige-se rigor,
consistência lógica, coerência de procedimentos racionais para que se possa chegar à verdade das
coisas.
Em que sentido então, o método científico difere dos demais métodos? Talvez a melhor
maneira para responder a esta questão seja recorrendo ao senso comum, isto é, àquilo que nos
ocorre para resolvermos de forma prática, no dia-a-dia, nossas dificuldades e afirmarmos: “tenho
um método particular para resolver essa questão!”. Ou, ainda: “vou resolver isto à minha
maneira, com os meus próprios métodos!”. Como se pode observar, a verdade e o método de cada
um diferem, substancialmente, da verdade e do método científico porque tanto a verdade quanto
o método, próprios da ciência, pretendem ser únicos e universais. Por isso para que uma verdade
científica seja reconhecida como lei é necessário que tenha sido obtida com rigor, com
demonstração a todo tempo das provas que a sustentam e só enquanto sustentada por estes
requisitos é que goza o estado de lei universal, ou verdade universal. Por exemplo: enquanto não
20

ficou provado que a Terra movia-se ao redor do Sol, acreditava-se que ela era plana, parada e
única.
Para a fé, basta acreditar. Para o senso comum, basta parecer verdadeiro. Para a ciência é
necessário método, prova e resultados incontestáveis, até se que prove ao contrário através do
próprio método de fazer ciência. Como a busca da verdade não se esgota, se voltarmos à idéia de
método como caminho, podemos formar uma imagem dinâmica do caminho, do passo firme e
decidido para o avançar do caminheiro que, nas busca de conhecimentos, a partir de certo ponto,
abre novas veredas que mais tarde se tornam novos caminhos. A metáfora do caminho e do
caminheiro nos ajuda a traçar um mapa geral das ciências enquanto esforço humano para
conhecer o desconhecido.

Há métodos de prova, de composição, de progresso social, de terapia, de ensino, como os há para


a fraude, a evasão, a guerra, a simulação e o delito. Há métodos recomendáveis e métodos
diabólicos; métodos proveitosos e estéreis; todos eles por desgraça igualmente metódicos
(BUCHLER, 1961, p.16, tradução livre).

Um questionamento pode ser feito com muita propriedade: considerando que o método
científico distingue-se dos métodos de senso comum, só existe, então, um método válido para
todas as ciências?
Falamos da singularidade do conceito de método, mas temos que nos reportar à sua
aplicação no âmbito das ciências. Ao fazermos isto, constatamos que cada ciência vai agregando
certos procedimentos que se ajustam melhor à busca do conhecimento a que se propõem para
explicação dos problemas que levantam. As combinações, o uso de técnicas de investigação e o
processo de investigação em si, terminam por estabelecer uma tipologia ou variações que nos
levam a falar não mais de um único método de investigação, mas em “métodos de investigação”
mais ou menos utilizados por uma ou mais ciências, sem perder as características fundamentais
como o rigor, a busca de provas e comprovação dos resultados.
Apenas para rememorar, voltemos um pouco no tempo e lembremos do que já
conhecemos sobre a evolução do método científico. A vontade de conhecer é antiga, mas o
aparecimento das ciências, como as conhecemos hoje, é recente, um pouco mais de quinhentos
anos. Foi Galileu Galilei (ver informações no próximo box) quem formulou as diretrizes
primeiras do método científico, na Modernidade, demonstrando que a experimentação era o
caminho por excelência para as Ciências da Natureza, o que permitia estabelecer uma ruptura
com o conhecimento teológico e o conhecimento filosófico vigentes até aquele momento e, ao
mesmo tempo, abria a oportunidade para conhecer e proclamar leis explicativas para os
fenômenos, fazendo o mundo sair do obscurantismo, da crença exagerada no sobrenatural e nas
fantasias que povoavam a imaginação da quase totalidade das pessoas. E foi por contrariar a
maneira vigente de pensar, em sua época, que este precursor da ciência moderna pagou caro. O
Método Experimental criado por Galileu começa com a seleção dos fenômenos, objeto de
investigação, formando, com isso, um campo de investigação que delimita o âmbito de um ramo
do conhecimento, seguindo-se a:

a) Observação;
b) Análise
c) Indução
21

d) Verificação,
e) Generalização
f) Confirmação.

GALILEU GALILEI – Físico, astrônomo e matemático italiano, nasceu em Pisa, em 15-


11-1564 e faleceu em Arcetri, perto de Florença, em 8-1-1642. Filho de família nobre, estudou
medicina, doutorou-se em Matemática e foi um dos fundadores da Física como ciência. Lecionou
na Academia Florentina e na Universidade de Pisa. Galileu fez grandes descobertas no campo da
astronomia, muitas das quais, relatadas no livro que publicou com o título de “Mensageiro
Celeste”. Defensor do sistema heliocêntrico, exposto por Copérnico, e dono de um diálogo fácil
para propagar as novas descobertas, Galileu assombrou os poderosos e aguçou a ira da Igreja
Católica que terminou por condená-lo a prisão perpétua em seu castelo (condenação revista
somente agora pelo pontificado de João Paulo II).

Ao observar os fenômenos, Galileu descrevia os seus elementos constitutivos e, ao


analisá-los, estabelecia as relações existentes entre eles. De posse desses elementos, ele
formulava hipóteses (afirmações feitas “a priori”) que iam do particular para o geral, por isso
chamadas de indutivas e eram submetidas à verificação através de experiências instrumentais e
de cálculos matemáticos para verificar se os resultados tinham mesmo consistência lógica,
quando necessário, e se podiam ser aplicadas para todos os casos semelhantes. A isso chamava de
generalização, confirmando, assim, as hipóteses iniciais, cujos enunciados agora provados e
testados, assumiam o valor de uma Verdade ou Lei, válida enquanto não se constituir e se aceitar
nova explicação.
O Método Científico recebeu ampla contribuição de Francis Bacon (22-01-1561 a 09-04-
1626), para quem o conhecimento científico era o caminho mais seguro para se chegar à verdade
dos fatos. Suas etapas eram:

a) Experimentação;
b) Formulação de hipóteses;
c) Repetição dos experimentos;
d) Testagem das hipóteses;
e) Formulação de generalizações e leis.

O pensamento formal e sistematizado notabiliza Descarte (31-03-1596/11-02-1650), autor


da célebre obra Discurso sobre o Método. Para ele, o conhecimento absoluto só pode ser obtido
através da Razão. E, para atingir a certeza das coisas (o conhecimento) deve-se seguir as
seguintes regras:

a) a da Evidência;
b) a da Análise;
c) a da Síntese;
d) a da Enunciação.

Esses aperfeiçoamentos do Método Científico terminaram por se tornar dominantes e


conferiram à ciência o “status” de conhecimento superior como prova de verdade expressa em
22

leis regentes das coisas do mundo vivido e experimentado pelos humanos. Por esta razão, o
Método Científico tornou-se o “Paradigma Dominante”, isto é, nenhum outro conhecimento que
não seja obtido através dele alcança a condição de Verdade e o que está fora da ciência é mera
crença, senso comum, é arte, dogma de fé, especulação ou visão subjetiva de um fato que por
mais verdadeiro que nos pareça, ainda não é verdade porque não é ciência.
Alinhando e sintetizando as idéias de Bunge in Marconi e Lakatos (2000, p. 51-52)
reuniram as concepções gerais sobre o método científico e as denominam de “Concepção Atual
do Método”: o método científico é a teoria da investigação e como tal deve cumprir as seguintes
etapas:
a) Descobrimento do problema;
b) Colocação precisa do problema;
c) Procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema;
d) Tentativa de solução do problema com auxílio dos meios identificados;
e) Invenção de novas idéias (hipóteses, teorias ou técnicas) ou produção de novos dados
empíricos;
f) Obtenção de uma solução;
g) Investigação das conseqüências da solução obtida;
h) Prova (comprovação) da solução;
i) Correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da
solução incorreta.

O modelo de racionalidade que preside a ciência moderna constituiu-se a partir da revolução


científica do século XVI e foi desenvolvido nos séculos seguintes basicamente no domínio das
Ciências Naturais. [...] Sendo um modelo global, a nova racionalidade científica é também um
modelo totalitário, na medida em que nega o caráter racional a todas as formas de conhecimento
que se não pautarem pelos seus princípios epistemológicos e pelas suas regras metodológicas. É
esta a sua característica fundamental e a que melhor simboliza a ruptura do novo paradigma
científico com os que o precedem. Está consubstanciada, com crescente definição, na Teoria
Heliocêntrica de Copérnico, nas Leis de Kepler sobre a órbita dos planetas, nas Leis de Galileu
sobre a queda dos corpos, na grande Síntese da Ordem Cósmica de Newton e finalmente na
consciência filosófica que lhe conferem Bacon e sobretudo Descarte. Esta preocupação em
testemunhar uma ruptura fundante que possibilita uma e só uma forma de conhecimento
verdadeiro está bem patente na atitude mental dos protagonistas, no seu espanto perante as
próprias descobertas e a extrema e ao mesmo tempo serena arrogância com que se medem com os
seus contemporâneos (SANTOS, 2002).
Mais adiante, Boaventura de Souza Santos vai nos falar na crise do Paradigma Dominante,
sobretudo com o aparecimento das Ciências Sociais, da nova Física e das revoluções do mundo
contemporâneo. Aborda, ainda, dos Paradigmas Emergentes, estes que estão a marcar o
pensamento pós-moderno.
A forma de operar os métodos científicos pode ser entendida como caminho que o
pensamento faz para atingir a verdade dos fatos e das coisas. É com esta compreensão e com a
convicção de que as transformações ocorridas nos últimos cinco séculos também abalaram os
alicerces do Método Científico Dominante - o paradigma - torna-se possível falar em uma
classificação para os métodos existentes:
a) Método Indutivo;
b) Método Dedutivo;
23

c) Método Hipotético-Dedutivo;
d) Método Dialético.
Cada um tem a sua história de aperfeiçoamento e de aplicação e não nos cabe fazer juízo
de valor sobre qual deles é o melhor ou mais adequado. O uso de cada método depende em última
análise do problema que é levantado e o referencial teórico mais apropriado no âmbito de cada
ciência. O conhecimento ou referências mesmo indiretas ao problema deve pesar bastante na
decisão do pesquisador para a sua escolha.

É importante saber que todos os métodos apresentam vantagens e desvantagens que


podem ser aproveitadas pela crítica para fortalecer o seu uso, aperfeiçoamento ou aplicabilidade..
Não há como negar que um traço distintivo entre os tipos de método que acima
enumeramos ocorre, também, em função do conjunto de procedimentos que cada ciência adota e
articula para melhor atingir e cercar o seu objeto de estudo: preponderância ou não da
observação, valorização ou não da experimentação, uso de métodos estatísticos, técnicas de
análise e interpretação de conteúdo. A esse conjunto de procedimentos que variam em ordem de
importância, de presença ou ausência, em cada método, damos o nome de Técnicas de Pesquisa.
Para melhor compreensão e conhecimento das principais técnicas usadas em pesquisa
podemos citar:
• Documentação indireta;
• Pesquisa Bibliográfica;
• Observação direta intensiva;
• Observação direta extensiva;
• Análise de conteúdo;
• História de vida;
• Técnicas mercadológicas
• Estudo de caso.

A escolha das técnicas de pesquisa adequadas para o plano de pesquisa é de fundamental


importância para se chegar a resultados fidedignos. O pesquisador deve buscar dominar o uso das
técnicas que empregará em seu estudo. Como nem sempre é possível dominar todas, o
pesquisador recorre à ajuda técnica de especialistas. Há casos, ainda, em que os pesquisadores
são obrigados a recorrer a laboratórios sofisticados para produção de provas ou testes,
imprescindíveis à sustentação dos resultados almejados.
Para aqueles que não possuem conhecimentos aprofundados nas técnicas quantitativas,
por exemplo, o mais aconselhável é que procurem um especialista em estatística, caso a sua
pesquisa assim o exija. Há que se levar sempre em conta a afinidade, a confiabilidade e o
entendimento entre o pesquisador e o especialista consultado. Nas equipes ou grupos de pesquisa
é comum, quando de sua formação, ajuntar pessoas que dominam as variadas técnicas, suprindo,
assim, o grupo com as competências necessárias.
Depois de toda essa reflexão sobre o método, as suas variações e as técnicas mais usuais
empregadas na pesquisa, podemos nos inquirir novamente: como poderemos denominar esse tipo
de reflexão discursiva? Uma só palavra é a resposta correta: METODOLOGIA.
Embora o nosso estudo seja ainda uma introdução ao estudo dos métodos científicos, ele
já pode inscrever-se no campo dos estudos sobre a metodologia da pesquisa, porque mostrou que
o método é o caminho que se constrói para chegar ao conhecimento do mundo físico e sensível,
para conhecer as relações tecidas pelos seres humanos na trajetória de construção de sua história
24

e da busca incessante de saber sobre as coisas que nos inquietam ou que estão subjacentes aos
fatos que observamos em nossa vida cotidiana.
Quando falamos das contribuições para o aperfeiçoamento dos métodos de investigação e
das técnicas de pesquisa, estamos também adentrando na seara da Metodologia, mesmo que não
tenhamos feito aqui uma crítica às diversas concepções de método e nem tenhamos feito análises
comparativas sobre eficácia, por não ser esse o nosso propósito.
Vale, no entanto, guardar a estreita relação entre Metodologia e Epistemologia, uma vez
que ambas têm como objeto o estudo crítico dos métodos e dos resultados alcançados pelas
ciências constituídas e contribuir para uma Teoria do Conhecimento.

3.2.
A PESQUISA COMO INVESTIMENTO DE PRODUÇÃO DO
CONHECIMENTO

Consideremos que já está bastante claro que pesquisamos para ampliar o conhecimento
existente sobre as coisas. Sabemos, também, que esta busca é sempre guiada por objetivos e que
o conhecimento pelo conhecimento é bastante questionado, mas na verdade, por baixo dessa falsa
polêmica, constatamos as relações sempre existentes entre conhecimento, desenvolvimento
material e desenvolvimento espiritual da humanidade. A prova cabal de tudo é que somente essa
relação explica o desenvolvimento tecnológico, econômico, artístico, político e social dos povos.
Tem-se, também, o registro histórico de que um dos fatores da desigualdade sempre se relacionou
com o saber. Há, portanto, uma forte convicção de que o domínio do saber (o conhecimento) é
parte integrante das relações políticas construídas pelos homens e, com isso, a evidência de que a
ciência nunca foi neutra.
O conhecimento expresso pelas ciências é um bem tão valioso quanto tantos outros que
circulam no meio social, sua posse e o seu progresso exigem organização, formulação de
estratégias, investimentos, determinação, administração de aplicação e de resultados. Espera-se
que sempre seja usado em benefício de todos e da natureza, o que nem sempre ocorre em função
de vários fatores ou variáveis que cabe, inclusive, à Ciência Política analisar.
Francis Bacon já se posicionava contra o conhecimento diletante propugnando a
aplicabilidade que permitisse o domínio dos homens sobre a natureza. De um certo modo, foi esta
a idéia que prosperou e a ciência aplicada, isto é, o emprego do conhecimento científico a serviço
das práticas e das ações humanas, ajudou o progresso da humanidade e, num sentido restrito ao
campo econômico, não se pode negar, ajudou o desenvolvimento do Capitalismo. É claro que
essa vitória também tem um preço que se expressa na devastação em larga escala dos recursos
naturais e de relações desiguais entre os povos. A bomba atômica, a produção de germes em
laboratório para a guerra biológica e os modelos econômicos cientificamente estruturados para
destruir as economias frágeis, mostram-se como exemplos deploráveis de usos indevidos dos
resultados alcançados pelas ciências.
O desenvolvimento da pesquisa, no entanto, é o traço distintivo da chamada civilização
ocidental que, desde os gregos vem se apropriando dos conhecimentos armazenados por todas as
civilizações. Por isso é que não podemos prescindir da pesquisa para manter os nossos
fundamentos, as nossas instituições e conduzir o nosso cotidiano. É por esta razão que a Escola,
até então difusora do conhecimento científico, passa a ser, também, produtora de tal
conhecimento, a partir do nível superior, da mesma forma que as empresas privadas, tradicionais
25

consumidoras de conhecimento científicos e tecnológicos começam a ter os seus próprios


laboratórios e investir na atividade científica. Nenhum profissional, hoje, pode desconhecer os
avanços em sua área sob pena de perecer intelectualmente. Isto basta para que reflitamos sobre a
importância da disciplina que trata da Metodologia, sobre a nossa responsabilidade enquanto
professores da disciplina em orientar os alunos a chegar a esse tipo de conhecimento refinado e a
lidar com os desdobramentos que isso acarreta.
Assim como a ciência não é neutra, os pesquisadores não estão isentos de exercer a sua
subjetividade, fazendo julgamentos de valor ou juízos ideológicos para acatar ou rejeitar
resultados de pesquisa. Um exemplo claro de preconceito se manifesta quando alguém
desqualifica o trabalho científico, apenas, por seus resultados terem sido obtidos através de
métodos ou orientações de pensamento com as quais não tem afinidade ou discorda.
Essa discussão aparece com maior freqüência entre metodólogos ou pesquisadores nas
áreas de humanidades. Como todos sabemos, por lidar com fatos humanos, com as relações
sociais e simbólicas, a questão dos métodos e das orientações de pensamento são ainda bastante
permeadas pela reflexão filosófica, pela discussão ideológica e pelas relações de poder que
subsistem paralelamente à produção científica. Simplesmente desconhecer esses fatores e excluir
as Humanidades ou as Ciências Sociais do quadro das ciências ou considerá-las como ciências
menores, com tais argumentos, é um erro. As Ciências do Homem ou Humanidades chegaram a
aspirar a ser uma Física Social, com Augusto Conte. Temos que entender esses momentos como
uma etapa de constituição da Sociologia e da área de estudos como ciência. A experimentação de
métodos e técnicas por uma dada ciência faz parte de sua dinâmica. Contudo, é demonstração de
ignorância, tendenciosidade, falácia ou viés, querer desqualificar métodos ou técnicas com
pressupostos puramente político, ideológicos ou religiosos.

Ciências Formais: Lógica e Matemática;


Ciências Factuais Naturais: Física, Química, Biologia e outras;
Ciências Factuais Sociais: Antropologia Cultural, Direito, Economia, Política, Psicologia Social e
Sociologia.
Fig. 1.: Quadro das Ciências
Fonte: Bunge (apud MARCONI & LAKATOS, 2000, p. 28)

A pesquisa como atividade sistemática e necessária deve ter sempre objetivos finalísticos
bem definidos, dos mais gerais aos mais específicos. Não exclui os gênios e seus dotes
privilegiados, mas é exercida com profissionalismo dentro das corporações universitárias, dos
institutos de pesquisa, das corporações econômicas e dos aparatos do Estado e nas redes ou
estações de trabalho que ligam amplamente estes setores.
O industrial precisa ter acesso a resultados de pesquisas para conhecer as propriedades e
qualidades dos insumos com os quais trabalha o mercado, os avanços tecnológicos, a mão-de-
obra que emprega, além de outros agentes econômicos. Os profissionais liberais, incluídos os
cientistas políticos não podem desligar-se um só dia do que há de novo. As instituições do Estado
e seus dirigentes, para tomarem as decisões mais importantes, para formular políticas públicas,
para avaliar o desempenho institucional, para a produção diária de análises de conjuntura (isto é,
conhecer a interferência das variáveis na dinâmica social em determinado momento), para a
análise das macroestruturas e dos sistemas operacionais da máquina estatal estão constantemente
alimentados por resultados de pesquisa. Por sua vez, os meios de comunicação social, buscam
pela investigação jornalística, os resultados de pesquisa nas diversas áreas e deles se apropriam
para a difusão do conhecimento ao grande público, às vezes, antes que a discussão entre os pares
26

esteja concluída, criando assim, muitas vezes, problemas para os cientistas, visto que o tempo da
ciência não é o mesmo da mídia que está interessada em dar a notícia em primeira mão, mesmo
que isso possa ser desmentido depois por uma outra notícia.
Face a tais questões, surgem os problemas da credibilidade que a ciência deve manter e da
fidedignidade das informações que devem chegar aos pares e aos demais interessados. Por isso,
os pesquisadores devem munir-se de alguns cuidados: rigor metodológico, ética na atividade de
pesquisador e no relacionamento com os pares e usuários, consciência de suas responsabilidades
sociais, respeito aos princípios que regem o resguardo de dados sobre pessoas ou instituições,
humildade para não se erigirem donos da verdade, submeterem-se ao crivo da crítica
especializada e dar as explicações necessárias em espaços apropriados para este fim (congressos,
encontros, simpósios, revistas científicas etc.).

3.3.TIPOLOGIA DA PESQUISA E FORMATO DE ESTUDOS


CIENTÍFICOS

Trataremos aqui, apenas, da pesquisa científica, o que já comporta uma série de divisões
diferentes. A mais antiga e até certo ponto a mais combatida é aquela que cria dois tipos:
Pesquisa Pura e Pesquisa Aplicada. Marconi e Lakatos (2002, p.20-23) mostram várias das
classificações mais usuais. Apesar de todas serem peremptórias e, por isso mesmo, dificultarem o
enquadramento de alguns gêneros de trabalhos científicos, a tipologia de Best (1972) tem o
mérito de ser bem simples: Histórica (descreve o que era); Descritiva (descreve o que é);
Experimental (descreve o que será). A de Remmel (1977) tipifica sem entrar no mérito de uma
classificação aliada a métodos restritos: Pesquisa Bibliográfica; Pesquisa de Ciências da Vida e
Ciência Física-Experimental; Pesquisa Social; Pesquisa Tecnológica ou Aplicada-prática.
É preciso não perder de vista que essas classificações ou tipologias nem sempre são
precisas e um trabalho de pesquisa pode avançar em várias direções, usando vários instrumentos
metodológicos para alcançar a explicação do problema. Neste caso não vale o enquadramento,
mas o esforço do(s) pesquisador(es) para chegar(em) a bons resultados.
Ressaltemos, ainda, a distinção que nem sempre é feita entre pesquisa e formato de estudo
científico. É comum ouvirmos afirmações desse tipo: minha pesquisa de final de curso, meu
trabalho de final de curso (TCC), minha monografia, minha tese ou minha dissertação. O que há
de comum entre todos eles? É que para realizá-los é necessário que se faça um esforço de
pesquisa. Todos exigem trabalho de pesquisa e algo mais.
Os resultados de uma pesquisa podem ser simplesmente apresentados em um
RELATÓRIO DE PESQUISA que tem um formato próprio. As TESES e DISSERTAÇÕES são
trabalhos acadêmicos para obtenção de títulos acadêmicos de doutor ou mestre, respectivamente,
e são apresentadas em exames públicos perante uma banca de Doutores. O TCC ou monografia
são trabalhos acadêmicos submetidos ou não a exame público, mas sempre apreciados por uma
banca, para obtenção do grau de bacharel ou licenciado nos cursos universitários de graduação ou
de pós-graduação (especialização). O grau de exigência nesses vários tipos de trabalho é
progressivo, no entanto, não é raro encontrarmos monografias de final de curso de graduação
bem feitas e que revelam talentos de jovens pesquisadores. Não podemos esquecer, também, que
Monografia é um formato de estudo científico que busca a aplicação de método de investigação
voltado para o conhecimento em profundidade de um tema específico e lançado por Le Play ,
primeiramente, no estudo de famílias operárias, na Europa.
27

Embora o delineamento, o projeto e a execução da pesquisa obedeçam às normas gerais


da pesquisa científica, a de apresentação dos resultados, em cada um dos formatos acima
referidos, é diferente. Há variações, mesmo que pequenas de uma instituição para outra que
devem ser levadas em consideração. Todas, no entanto, não podem transgredir as normas, no
caso, nacional ou internacional de apresentação de trabalhos científicos. No Brasil, deve-se
obediência às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), instituição ligada à
ISO (International Organization for Standardizartion), que é uma associação internacional
responsável pela padronização das normas técnicas.

3.4. A MONOGRAFIA DE FINAL DE CURSO E A ESCOLHA DE UM


TEMA

Muitos universitários começam a pensar na monografia já na segunda metade do curso.


Alguns até tomam um susto quando têm a vaga noção do que lhes será cobrado no final do curso
e se desesperam. Devem saber que o ensino universitário brasileiro consagra em sua lei máxima,
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão. Portanto, todo universitário, para concluir seu curso deve cumprir os
requisitos nestas três áreas. Assim sendo, deve, desde o primeiro dia de seu curso, procurar
interessar-se pela monografia. No curso superior brasileiro, esse tipo de estudo é requisito parcial
para conclusão de curso e como tal integra a matriz de curricular e o processo de avaliação do
aluno. Mas a atividade de pesquisa na Universidade pode e deve ser desenvolvida pelos
estudantes nos núcleos de pesquisa existentes nas Universidades ou Faculdades isoladas, e,
relacionadas com seus respectivos cursos. Com isso, ao chegar a hora da Monografia estará
preparado para cumprir, sem dificuldades este requisito.
A monografia não é coisa para aluno irresponsável, mas também não é uma obra do outro
mundo. Deve se colocar a altura do nível de estudo universitário e revelar a competência
acumulada ao longo do curso. Diz Umberto Eco (2002, p.7) que “a primeira tentação do
estudante é fazer uma tese (monografia) que fale de muitas coisas... Teses desse tipo são
perigosíssimas”. Para evitar esse vexame o autor, no mesmo trabalho, aponta o que chama de
“quatro regras obvias” para a escolha do tema que será objeto da monografia:

Primeira: que o tema responda aos interesses do candidato (ligado tanto ao tipo de exame
quanto às suas leituras, sua atitude política ou religiosa);
Segunda: que as fontes de consulta sejam acessíveis, isto é, estejam ao alcance material
do candidato;
Terceira: que as fontes de consulta sejam manejáveis, ou seja, estejam ao alcance cultural
do candidato;
Quarta: que o quadro metodológico da pesquisa esteja ao alcance da experiência do
candidato. (ECO, 2002, p. 6).

Como se vê, a escolha do tema é de fundamental importância para o sucesso da


empreitada e requer de nós uma reflexão profunda, antes de delinear ou esboçar um projeto de
pesquisa. A reflexão sobre o seu curso, o objeto de estudo que mais o caracteriza, as disciplinas
com as quais teve maior afinidade, os temas que mais lhe chamaram a atenção, os problemas
discutidos em sala de aula que geraram polêmica, mas não chegaram a uma solução, as suas
curiosidades e inquietações, os seus desejos de ampliar conhecimento numa determinada área (a
28

sua especialização), devem ser levados em conta para amadurecer uma idéia e colocá-la em
esboço. A produção científica é, também, um ato de criação, de construção de idéias que vão se
aclarando, ganhando consistência, coerência, princípios fundamentais da sistematização.

3.5. O PROJETO DE PESQUISA

Lembre que não existe monografia sem pesquisa e não se faz pesquisa sem um projeto
que contemple os elementos essenciais concernentes ao processo de descoberta, ou seja, ao
processo de busca do conhecimento. A escolha do tema, o esboço ou delineamento, como passos
que antecedem ao projeto, facilitam a sua execução.
O projeto de pesquisa é também uma carta de intenções ou de compromissos firmados
com nós mesmos e com as instituições a quem prestaremos conta de nosso desempenho. Deve ser
o mais objetivo possível e dizer de maneira clara as nossas intenções. Portanto, quando:

a) escolhemos o tema, definimos também o campo de estudo;

b) levantamos os dados preliminares, tomamos consciência da magnitude do problema


levantado;

c) formulamos o problema, temos a consciência de que vislumbramos as possibilidades


de sua elucidação através do esforço metódico que vamos empreender;

d) definimos os termos, estamos estabelecendo os contornos do problema levantado e, ao


mesmo tempo, estamos agregando os conceitos fundamentais que ajudam a explicar e
tornar claro o problema, a busca de sua solução e o contexto em que se insere.
Podemos até dizer que os termos e os conceitos apontam para o referencial teórico e,
às vezes, para os métodos e técnicas;

e) formulamos hipóteses de trabalho ou os objetivos, estamos fazendo afirmações “a


priori”, isto é, antecipadas, do que pretendemos provar, alcançar ou descrever;

f) definimos as variáveis em consonância com as hipóteses ou objetivos, estamos


identificando as forças que intervêm ou podem intervir sobre o problema em estudo;

g) delimitamos o objeto de estudo, estamos falando do limite de nossas possibilidades em


avançar além do que é possível na resolução do problema levantado;

h) definimos o universo, a amostragem, o corpus, (conforme a modalidade do estudo),


fazemos um recorte significativo da realidade que contém os elementos fundamentais
para aprofundar a busca e chegar às provas;
29

i) definimos o método de estudo, deixamos claro qual é o caminho que vamos percorrer
em busca do que nos propomos, com as técnicas mais adequadas para chegarmos a
bom resultado;
j) quantificamos o volume de trabalho intelectual e o material necessário para
empreender nossas buscas, vislumbramos os recursos humanos, materiais e
financeiros como fontes de suprimento indispensáveis:

k) asseguramos todas condições intelectuais e materiais para realização da pesquisa,


traçamos um cronograma de execução contemplando os prazos para execução das
etapas e finalização do trabalho com a entrega dos resultados.

A explicitação dos requisitos expostos em redação objetiva e clara, constitui-se no


PROJETO DE PESQUISA, que deve, dentre outras coisas, seguir às normas da ABNT, em
primeiro lugar, e às normas da instituição para a qual será apresentado.

Nem seria o caso aqui, mas é bom deixar claro que não tenho qualquer
pretensão de proceder a uma ‘arqueologia’ da Ciência Política e que,
igualmente, me abstenho de referências ao tradicional debate sobre a
dicotomia ciências versus política. Arrisco-me a diretamente afirmar que
a Ciência Política ‘é’ uma ciência e, como tal, tem um objeto e um
método. As relações de poder que configuram as ações e instituições
políticas constituem o objeto dessa ciência. Embora essas relações de
poder estejam apoiadas em interesses determinados, tais interesses não
costumam ser explicitados. Ao contrário, são de difícil percepção,
permanecendo como que encobertos por um véu. Já o método da Ciência
Política está caracterizado na análise das ações e das instituições
políticas, revelando justamente os interesses que as sustentam. A Ciência
Política analisa fatos/ações e o funcionamento de instituições; avalia o
resultado das ações, das políticas implementadas. Ela não busca
intenções. Através dos fatos, descreve os vários interesses que justificam
e orientam as ações em um sentido, e não em outro, em determinado
momento histórico e em contexto específico. Demonstra, então a rede de
relações de poder que vai sendo tecida no jogo de interesses que ora se
rticulam, ora se afastam, que às vezes negociam entre si e outras vezes
disputam em terrenos radicalmente opostos (SARTI, 2002, p.63).

3.5.1. A ESCOLHA DO TEMA E A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

Atentemos para tudo que já dissemos sobre a metodologia, sobre os métodos e as técnicas,
os tipos de pesquisa e a necessidade de fazer um PROJETO DE PESQUISA, onde a pesquisa se
inicia, verdadeiramente. Isto é, passa da intenção à ação. Para que isso aconteça todo pesquisador
ou iniciante em pesquisa deve conhecer bem a sua área de atuação, os fundamentos teóricos de
30

sua área de estudos, o objeto de estudo de sua área de saber, os grandes problemas que estão
ligados à sua área de estudo e ter informações suficientes sobre o que está sendo estudado pelos
seus pares, o que pode ser usado em seu favor para chegar a bom resultado no estudo de um
problema que guarda semelhança com outros já estudados.
O estudante em final de curso certamente se perguntará: como será possível se pesquisar
com todas essas exigências? Será que todo pesquisador está de fato preocupado com essas
coisas? Até que ponto é possível contornar as dificuldades que surgirão no caminho?
Todas as áreas de conhecimento têm um conjunto de obras consagradas, os chamados
“clássicos” e os seus comentaristas que abrem o caminho para que você domine as teorias
fundamentais que caracterizam a sua área de saber e, nos cursos de graduação, normalmente são
estudados nas disciplinas ditas “teóricas”, nos primeiros períodos do curso. Normalmente esses
clássicos fundam vertentes teóricas dentro de sua própria área na busca de solução para os
problemas que a ela estão relacionados. Eles mostram os caminhos percorridos, os métodos e as
técnicas por eles utilizados com sucesso. Eles, portanto, ajudam-nos a ver a nossa realidade
imediata e a identificar dentro dela problemas não resolvidos ou ainda não explicados.
Além daquelas chamadas Regras de Ouro dadas por Umberto Eco que nos remetem aos
limites de nossa atuação no plano físico e intelectual, precisamos nos ater ao que é mais relevante
para o momento, para a sociedade em que vivemos e para os compromissos que assumimos
enquanto pesquisadores e cidadãos. E quais poderão ser os temas relevantes para o cientista
político? Voltando ao fragmento de texto que transcrevemos de autoria de SARTI, você poderá
refletir sobre as temáticas que são próprias de sua área de estudos. Por menor que seja o
grupamento humano, ele estará sempre atravessado por forças que alimentam o sistema social
subsistente, que por sua vez com as estruturas sociais que determinam a maneira de seu
funcionamento. Esses sistemas ou estruturas sociais são conhecidos? Como se articulam? Como
se mantêm em funcionamento? Como mudam? E em que sentido ocorrem as mudanças?
Quando você começa a questionar, a levantar perguntas em torno de um tema é sinal de
que já está levantando um problema. O questionamento deve ter uma lógica, isto é, uma razão de
ser por não ter sido ainda respondido. Se você descobre ser relevante uma resposta para ele, está
diante de um PROBLEMA DE PESQUISA, diante de algo que deve ser objeto de suas
preocupações e precisa receber uma formulação adequada. Isso só ocorre quando isolamos o
problema, quando o enunciado chega a um nível de objetividade que não deixa dúvidas. Isolar o
problema não é pensar que não existam relações deste com outros problemas, mas estabelecer a
sua verdadeira dimensão. Por exemplo, constata-se uma baixa freqüência às aulas por parte das
crianças em idade escolar no município, apesar de formalmente matriculadas e de existirem as
condições objetivas e estruturais para que ocorra a prática de ensino: sala, professores, material
didático e alunos matriculados. O que está provocando a evasão escolar? O problema ocorre em
decorrência de políticas educacionais equivocadas? Em decorrência de problemas de estrutura
familiar que não foram levados em conta? Ou em decorrência de ambos os questionamentos?
Verifica-se que o pesquisador está diante de uma questão relacionada com políticas
públicas de educação de seu município; subtende-se que houve uma pesquisa exploratória que
permitiu ao pesquisador constatar dados preliminares que sustentam as suas afirmações no
enunciado, mas a grande questão precisa ser respondia e ela parece ser complexa. Por que é
preciso responder a essa pergunta? Ora, em primeiro lugar as crianças não estão freqüentando a
escola e isto pode configurar-se em crime cometido pelos pais se estes forem os únicos
responsáveis. O dinheiro público está sendo desperdiçado com o pagamento de professores, com
técnicos auxiliares e com infra-estrutura física para abrigar as crianças. O baixo nível de estudo
de uma população compromete o desenvolvimento sócio-econômico e cultural. Além de outras
31

afirmações relevantes, as já enumeradas constituem-se em justificativas mais que convincentes


para se procurar uma resposta para essas questões. Saliente-se, inda, que essa questão poderia ser
objeto de pesquisa de várias áreas de saber (ou de especialistas-pesquisadores).
Certamente, interessará mais ao cientista político buscar os fundamentos teóricos e os
dados para comprovar as suas suposições ou hipóteses na compreensão política da evasão. Para o
pedagogo, tanto os fundamentos quanto os dados poderão em primeira mão apontar para as
práticas pedagógicas ou educativas. Já para o psicólogo, ocorrerá a busca da explicação do fato
através da investigação dos aspectos cognitivos da aprendizagem.
O ideal é que o problema formulado pudesse ser apreciado em toda a sua extensão ou
complexidade, isto é, apreciando-se todas as variáveis intervenientes na sua existência. Isso nos
leva a pensar nos aspectos de delimitação de uma pesquisa que nada mais é que a medida da
capacidade investigativa de um problema pelo pesquisador ou pelo grupo de pesquisa.

3.5.2. A REVISÃO DE LITERATURA

Há uma tendência entre os neófitos em pesquisa em imaginar que são sempre os primeiros
a investigar um problema e a isso se chama “síndrome do ineditismo”.Tal síndrome tem seu
corolário na célebre frase que certamente já foi bastante ouvida: “meu tema é tão inédito que não
encontrei nada publicado sobre ele”. Isso não existe! O que provavelmente está ocorrendo é que o
“pesquisador” não teve acesso às fontes adequadas de informação que o levarão a saber o que
outros pesquisaram e escreveram sobre o tema, pelas mais variadas razões.Tendo acesso,
descobrirá, às vezes com profundo pesar, que aquilo que para si era um problema a ser explicado
já está resolvido. Neste caso, cabe ao pesquisador aceitar o desafio de reformular o problema,
partindo da mais nova descoberta. É para isso que se faz também revisão de literatura.
A revisão de literatura (não pode ser confundida referências ) permite dar crédito aos que
se debruçaram sobre a temática que escolhemos, a entender o caminho percorrido por cada um
dos pesquisadores para obter os resultados, os seus fracassos, os seus sucessos. Ao longo desse
diálogo com os que nos antecederam, vamos refinando os conceitos básicos, acertando a
linguagem para melhor abordar o tema e nos fixar naqueles achados teóricos que deverão vir a se
constituir no Marco Teórico de nosso trabalho, isto é, a teoria ou conjunto de teorias que darão
respaldo a todo o trabalho de pesquisa para comprovação das suposições (hipóteses) iniciais. É
salutar evitar os excessos para que esta parte do trabalho não tenha a pretensão de erudição e
termine obscurecendo as demais partes. Não é difícil encontrar trabalhos onde a revisão de
literatura toma a maior parte, deixando o autor sem fôlego para manter o mesmo ritmo nas partes
posteriores. É sempre bom primar pelo equilíbrio, pela sobriedade, pelo estritamente necessário.

3.5.3. HIPÓTESES E OBJETIVOS

Em princípio, é conveniente dirimir algumas dúvidas recorrentes entre os iniciantes em


pesquisa. Formulação de problema de pesquisa não é a mesma coisa que hipótese, mas a hipótese
é uma afirmação a priori que se faz em decorrência do problema de pesquisa formulado. Nem
toda pesquisa, sobretudo na área de humanidades, precisa ter hipóteses explicitamente
formuladas, salvo quando esta pesquisa for do tipo notoriamente quantitativo e depender de
tratamentos estatísticos de dados para obtenção de seus resultados. O objetivo da pesquisa não se
confunde com formulação do problema de pesquisa, como não é também a mesma coisa que
32

hipótese. No entanto, é indispensável que problema de pesquisa, hipótese (ou hipóteses) - se


houver, e objetivos não possam ser coisas divergentes que dispersem, ampliem ou reduzam a
busca dos resultados para solução do problema. Entre eles deverá haver, necessariamente,
coerência absoluta.
As hipóteses e/ou objetivos devem constar tanto do projeto de pesquisa quanto da redação
final do relatório de pesquisa, da monografia, dissertação ou tese (conforme for o caso). A
hipótese é uma suposição, uma afirmação feita a priori diretamente ligada às expectativas ou
convicções do pesquisador quanto ao alcance dos resultados. Os dados e seu tratamento é que
confirmarão ou não as hipóteses formuladas no início do trabalho de pesquisa. Elas devem ser
formuladas logicamente, em condições de serem medidas e avaliadas. Já os objetivos devem ser
iniciados com verbos fortes no infinitivo e dizer claramente onde se pretende chegar.
Definitivamente não devemos falar em OBJETIVOS GERAIS, ISSO É ABERRAÇÃO! Toda
pesquisa tem um OBJETIVO GERAL, que pode ser desdobrado em vários outros objetivos que
recebem o nome de OBJETIVOS ESPECÍFICOS e não podem estar em oposição ao objetivo
geral, corroboram, portanto, para a sua consecução. Objetivos bem formulados valem mais que
uma verbalização carregada de retórica sobre o que se quer estudar.

3.5.4. COLETA, TRATAMENTO E EXPOSIÇÃO DOS DADOS

Com o tema escolhido, com uma boa justificativa para escolha desse tema, com uma
precisa e competente revisão de literatura (revisão de bibliografia ou referencial teórico), com
hipóteses e/ou objetivos bem delineados, tem que se ter também um bom plano de coleta de
dados, isto é, saber onde encontrar e como obter as informações (fontes de informação) ou dados
que serão indispensáveis para alcançar o resultado final. Não vamos dizer aqui quais devam ser
os instrumentos ou técnicas para obtenção de dados, pois cada um problema de pesquisa exige o
uso de técnicas apropriadas de coleta de dados. Aconselhamos, nesta hora, primeiramente valer-
se do bom senso, consultar os manuais de pesquisa que estamos indicando ou que estão ao seu
alcance, ouvir pessoas mais experientes, ouvir o orientador e, por último, consultar um
especialista, caso a técnica a ser aplicada assim exija.
Uma providência importante é o pesquisador colocar-se em estado de alerta para tudo que
diga respeito ou se relacione direta ou indiretamente com o seu tema e problema de pesquisa.
Aconselha-se estar sempre munido de um caderno, caneta ou outros instrumentos para registro de
observações, conversas, indicações de fontes, dados em estado bruto, documentos, depoimentos,
etc., tudo pode servir depois de devidamente apurado.
Dados colhidos, dados bem guardados! Há um exemplo clássico do pesquisador que
colhia dados para conhecer a capacidade de uma árvore de determinada espécie, em determinada
região, para transformar as flores de uma florada em frutos. O pesquisador colheu os dados na
época certa, mas não teve o cuidado de protegê-los. Houve um roubo em sua residência e para
infelicidade sua, no rol das coisas levadas foram seus dados. E agora? O pesquisador sem uma
cópia de segurança teve que esperar a floração do ano seguinte, perdeu os prazos e teve um duplo
dispêndio de recursos, além de outros constrangimentos.
Dados coletados, é hora do pesquisador pensar no seu tratamento, interpretação e
exposição na forma exigida pela instituição que financia ou que vai, com a apresentação e
aprovação, conceder um título em decorrência disso. Mais uma vez, os manuais, juntamente com
a leitura e observação de trabalho de igual natureza, são úteis na orientação do pesquisador. Não
esqueça que as normas da ABNT se sobrepõem a quaisquer outras, mas deve, ainda, obedecer às
33

normas de apresentação de resultados de pesquisa exigidos pela instituição desde que não as
contrariem.

3.5.5. CONCLUSÃO, GENERALIZAÇÃO E RECOMENDAÇÕES

Sobre a análise e exposição dos dados coletados, podemos chegar logicamente a uma ou
mais conclusões sobre o problema investigado. Se haviam hipóteses enunciadas, a conclusão
deve explicitar claramente se estas foram comprovadas ou rejeitadas, se parcialmente
comprovadas ou parcialmente rejeitadas. Se não houve hipótese e sim objetivo enunciado, a
conclusão deve indicar claramente se este foi ou não alcançado. Alguns aproveitam para concluir
resumindo ou rememorando as partes principais do trabalho escrito e distribuído em capítulos.
Isto não elimina a necessidade de informar se a hipótese ou objetivo foram alcançados.
A generalização diz respeito primeiramente ao tipo de estudo. Se o estudo recebeu um
tratamento estatístico, isto é, se você trabalhou com uma amostragem ao invés de todo o
universo, a generalização, neste caso, refere-se ao trabalho de estender a validade do que foi
obtido para a amostragem de toda a população (o universo). Em outro sentido a generalização
pode ser entendida como uma forma de estender o resultado obtido a outras situações iguais ou
semelhantes.
A recomendação é um ato de vontade, de coragem ou autoridade do pesquisador quando
disponibiliza os resultados obtidos com o seu trabalho para aplicação no próprio contexto em que
se realizou a pesquisa ou em outros que dele possam fazer proveito.
Finalmente, os resultados de pesquisa numa determinada área de conhecimento devem
confirmar, fortalecer, melhorar ou modificar as teorias existentes sobre os fatos e as ocorrências
do mundo físico ou social. O destinatário maior é a humanidade quando estes resultados podem
contribuir para a melhoria das condições de vida dos povos e/ou conservação e bom uso das
coisas da natureza. Por isso, depois de discutidos pelos pares, isto é, por outros pesquisadores,
integram o patrimônio do conhecimento humano. Pode, ainda, uma pesquisa ter um caráter
particular, uma destinação específica e os seus resultados serem apropriados por poucos ou
apenas por aqueles que a financiaram. Vale lembrar que a ética é um importante guia para os
pesquisadores de um modo geral e constitui falta de ética, antes que possa ser qualificado até
como crime, privatizar resultados de pesquisa financiada com recursos públicos. Cabe, ainda, ao
pesquisador e a instituição a que pertence criarem meios adequados para difundir os resultados e
colaborar para a sua aplicação, se for o caso.

3.5.6. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

Consideram-se elementos pós-textuais o glossário, referências, apêndices e anexos. O


glossário é opcional, as referências são obrigatórias, os apêndices e anexos são elementos
complementares ao texto.
Apêndices são textos elaborados pelo mesmo autor com o objetivo de atualizar ou
complementar as idéias desenvolvidas no texto principal. Os anexos são documentos de origem
diversa, mas relacionados com a temática desenvolvida e que não podem ou não devem ser
incluídos no corpo do texto. Normalmente são dados comprobatórios de diversas naturezas: fotos,
34

mapas, leis, estatutos, transcrições completas ou parciais de entrevistas ou declarações isoladas,


dentre outros. Os apêndices e anexos devem receber letras (Ex.: ANEXO A, B, C), conforme a
ABNT ou numeração em algarismos arábicos, de acordo com orientações outras, bastante usadas.
Em seguida à letra ou número, separado por um hífen, o respectivo título. Cada um apêndice ou
anexo deverá começar em folha própria. A paginação é contínua à do texto. Os apêndices ocupam
posição logo após as referências e os anexos após os apêndices e todos constam do sumário.
Ao conjunto de fontes citadas no corpo do trabalho denomina-se Referências. Deixamos
para falar delas por último devido a complexidade e a importância que devem ter no trabalho,
seja ele um artigo, uma monografia, uma dissertação ou tese. Referências (no plural mesmo) é a
parte do trabalho onde devem constar de forma ordenada as citações de todas as fontes utilizadas
no corpo do trabalho, sejam elas livros, artigos, resenhas, discos, registros eletrônicos, etc.
Devem obedecer ao que estipula a norma em vigor estabelecida pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) para cada tipo de trabalho a ser referenciado (livro, artigo, artigo de
revista, capítulo de livro, separata, texto obtido através de consulta à Internet, artigo de periódico
científico, jornais diários, discos, fitas gravadas, mapas etc.). A norma em vigor foi editada em
agosto de 2002, a NBR 6023 e está expressa e comentada em todos os manuais de metodologia
da pesquisa atualizados. Não se deve confundir Referências com Bibliografia Recomendada,
Documentos Consultados ou Outras Obras Consultadas. Estas expressões referem-se ao rol de
todas as obras consultadas, referenciadas ou não no corpo do trabalho. Devem vir logo após as
Referências. Bibliografia significa o rol de obras de um mesmo autor ou relativas a um tema.
É dispensável referenciar ou citar nas Referências ou no rol Outras Obras Consultadas os
dicionários e os manuais de auxílio metodológico (exceto quando estes forem objeto de estudo ou
referências relacionadas ao estudo).

A AVENTURA DA PESQUISA

A aventura da pesquisa exige perseverança e determinação. O resultado do trabalho


científico, via de regra, impele o pesquisador para nova aventura e assim por diante. Se houver
perseverança a contribuição será cada vez maior para o progresso da humanidade; se houver
determinação o cientista não cairá no vão desnudo da vaidade e tampouco no egoísmo desmedido
dos pedantes que pensam saber tudo.
Quando escolhemos uma carreira profissional, estamos também escolhendo um modo de
vida que pode não preencher todos os nossos momentos, mas, pelo menos, a sua maior parte.
Escolhas bem feitas geram satisfações, realização pessoal. Um pesquisador, portanto, é um
cidadão com responsabilidades iguais às de outros profissionais. No entanto, a vigilância sobre as
questões sociais não deve torná-lo mero militante, pois isto é pouco e pode até obnubilar a sua
visão científica das questões políticas, seu objeto de estudo, muito próximo - poderíamos dizer
quase lado a lado – das paixões da política. É salutar lembrar sempre que ciência não é paixão,
não pode ser dogma nem muito menos anulação da subjetividade. A ciência é o rigor do método
que se dissolve na compreensão das coisas do mundo; utilizada adequadamente pelas forças
humanas que compõem o corpo social, proporciona um bem maior a todos e torna-se, assim, ação
generosa.
35

3.5.7. ORIENTAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO

O trabalho científico requer o auxílio de um professor orientador para ajudar durante todo
o processo, que se inicia pela escolha do tema. Ao orientador cabe ainda:

a) formular um plano provisório das atividades da pesquisa;

b) o estabelecimento do quadro metodológico da pesquisa que devem estar ao alcance do


candidato;

c) julgar o interesse do tema para a sociedade;

d)fazer a dosagem dos tópicos do tema, tendo em vista o tempo disponível.

papel do orientador, porém, não se limita apenas a ajudar na escolha do tema: sua função
é acompanhar seu orientando também nas outras etapas da pesquisa, que veremos a seguir. Sem
dúvida, para que a orientação seja eficiente e produtiva, são necessários encontros constantes e
periódicos com o fim de dirimir dúvidas e superar as dificuldades que irão surgir ao longo do
desenvolvimento do trabalho. Isso só será possível se estabelecer uma relação “simpatética”
entre orientador e orientando. É o respeito e a admiração mútua que tornam agradáveis os
encontros. [...] Na maioria das vezes o discípulo aprende mais pelas longas conversas que tem do
orientados do que pelas leituras de livros. Lembramos que o diálogo entre mestre e alunos era a
forma pedagógica mais desenvolvida na Grécia antiga. As aulas eram ministradas na forma
dialógica de perguntas e respostas entre o sábio e seus seguidores, durante as atividades
corriqueiras da vida: banquetes, passeios públicos, banhos coletivos. (SALOMON, 2000)

3.5.8 O ROUBO INTELECTUAL COMO PRAGA DO NOSSO TEMPO

Não faz muito tempo que se discutia o direito dos povos sobre o seu patrimônio cultural
para preservação da identidade. Esta era, também, uma das conquistas políticas em resposta ao
cambaleante colonialismo opressor nos anos setenta. Saqueados pelas constantes guerras, pela
venda, por um pouco mais de nada, de sambaquis, de totens, de riquezas naturais, os pobres
pareciam reivindicar o seu lugar na história. Muitas coisas pertencentes aos vencidos constituem,
hoje, patrimônio de outros povos e estão em seus museus e praças públicas. Outras deram origem
a produtos patenteados por empresas, que descobriram as propriedades intrínsecas de suas
substâncias constituintes e hoje embolsam milhões de dólares em royalties dos consumidores.
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Convenções, tratados, regulamentos e leis terminaram prevalecendo nos países membros


das Nações Unidas para regular essas relações e evitar o saque internacional de uns sobre os
outros povos, sobretudo dos que têm mais poder sobre os menos favorecidos. Mesmo assim, essa
pirataria parece não ter fim. Poucos podem enfrentar o problema de frente, custa caro e os
investimentos são de longo prazo. Para piorar, não basta ter dinheiro, precisa deter o
conhecimento científico e tecnológico para realizar, antes dos outros, a proeza de valorizar os
seus bens naturais e culturais. Em vigor há muitos anos, a Convenção de Direitos de Propriedade
Intelectual e de Patentes, foi sendo paulatinamente assumida por países membros da Organização
das Nações Unidas (ONU) e mesmo assim, ainda existem países que não a reconhecem.
No calor da hora, estamos a discutir no Brasil três coisas relacionadas com esse tema: a
biopirataria (feita sobretudo sobre os produtos da floresta); a cópia e venda de discos piratas, que
está levando a pique a indústria fonográfica nacional, e da apropriação de idéia através de plágio,
de colagem e outros expedientes, que tornam o país uma área crítica para a garantia do direito
autoral, mesmo sendo o Brasil um dos signatários da convenção internacional que regula a
questão.
Para ilustrar os casos já citados, podemos citar a cobiça decorrente da divulgação do valor
potencial de nossa biodiversidade gerando inúmeros casos em que pessoas, passando-se por
turistas ou pesquisadores instalados em instituições de respeito, fazem o contrabando de bens
genéticos (como o caso dos primatas, ainda em apreciação judicial, envolvendo um renomado
cientista ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), objeto de divulgação
nacional); os milhares de discos piratas esmigalhados em praça pública com o objetivo de coibir a
prática criminosa da cópia ilegal; a apropriação indébita de rituais de povo indígena para incluí-
los em espetáculo profano, que leva a marca de folclore; o caso de um intérprete idolatrado da
Música Popular Brasileira que foi condenado por plágio em uma das músicas de seu repertório; o
plágio de monografias, dissertações e teses doutorais defendidas em famosas universidades
brasileiras, colocado em alerta a comunidade científica nacional; as cópias indecentes e às vezes
descaradas de trabalhos escolares recortados ou copiados de sites da Internet; a reprografia ilegal
de textos para usos didáticos como prática corriqueira nas universidades e escolas de todos os
graus.
Os problemas, ao nosso ver, vêm se tornando uma questão. O que significa isso? Quando
um problema torna-se uma questão, significa que ele não está mais isolado e que suas
ramificações comprometem a estrutura que o sustenta e o reproduz; por isso se torna complexo e
tudo que se faça e se diga, nem sempre contribui para a sua solução.
Quanto à pirataria de nossos bens genéticos, sabemos que o Brasil, apesar de ser uma das
dez maiores economias do mundo, ainda não desenvolveu a capacidade de fazer pesquisa e a
auto-suficiência tecnológica para realizar a empreitada que os grandes laboratórios, os grandes
institutos de pesquisa mundiais e os grandes consórcios de pesquisa, envolvendo grupos
financeiros, grupos tecnológicos e científicos, já vêm fazendo. Para atingir o seleto grupo que
hoje seqüência o DNA, o famoso grupo Genoma, o Brasil teve que buscar competência fora do
país e associar-se a esses grupos para não perder o curso da história.
Ao se falar em pirataria, temos um problema que parece marginal, mas não é. O
computador criou as facilidades incomensuráveis para a produção e gravação caseira e até mesmo
de qualidade em suporte de CD. Controlar a produção e uso dessa tecnologia seria brecar o
desenvolvimento de outras coisas positivas que podem ser feitas com tal tecnologia.
No Brasil, a atividade informal na economia cresceu, fato que possibilitou uma frouxidão
nos mecanismos de controle de produção e comercialização de bens nos mercados livres das
grandes cidades, conhecidos eufemisticamente por camelódromos. Como brecar a ação de
37

apropriação de peças musicais pelas novas emissoras improvisadas de rádio, via internet? A
extinta União Soviética controlou, até onde pôde, o uso das máquinas reprográficas para impedir
que se fizessem cópias de material ofensivo à hegemonia do partido comunista e do governo
soviético, nem com isso conseguiu o seu intento. O muro de Berlim caiu em 1989. As máquinas
reprográficas, com qualidade ou não, estão em todas as esquinas do Brasil como meio de vida de
muitas pessoas que, muitas vezes, não sabem o que estão copiando ou sobre o crime que estão
cometendo. Além do mais, somos um país de poucas bibliotecas e as que temos nem sempre
estão aparelhadas para servir às necessidades da população. Não temos o hábito de investir em
livros e em leitura. Desenvolvemos a cultura da pressa, do fragmento de texto e ainda temos a
veleidade de propalarmos que conhecemos o pensamento de seus autores. Esta conduta
acadêmica equivocada vem sendo passada de mestres para alunos que se tornam mestres e assim
por diante.
Essas coisas disseminam a insegurança para os produtores de saber, de arte, de
entretenimento, enfim, de cultura e, por isso, podemos falar em uma questão que deverá ser
resolvida com uma tomada coletiva de consciência, para saber até onde podemos ir, uma vez que
existe um outro lado da moeda que deve também ser avaliado, como por exemplo: até onde é
justo impedir que várias pessoas morram por não poderem pagar o preço exigido por um
laboratório que patenteou um bem da natureza - portanto bem universal – para si ? Como negar
a um povo o conhecimento só por que não pode comprar livro e seu único acesso ao saber é
através de cópias de livros ou de fragmentos de textos importantes para seu aprendizado? Como
impedir aqueles que têm o domínio tecnológico e científico de desenvolver um remédio que cura
o câncer só porque o país detentor da matéria-prima impede a sua exploração por questões
estratégicas? Como aprender a produzir e inovar sem repetir, sem compilar ou imitar os passos
dos mais experientes?
Essa questão pode começar a ser deslindada com um processo educativo para desenvolver
uma consciência de honestidade intelectual, uma consciência cívica e uma consciência universal
sobre o valor, a disponibilidade e o usufruto do saber como patrimônio da humanidade. Por aí,
vemos que essa é uma proposta de longo prazo. A forma coercitiva nos parece exagerada, quando
não impositiva, sem atenuantes. O caso da lei de direito autoral de obra musical é tão complicado
e absurdo que, se cumprido a risca, não nos permite fruir publicamente nenhuma obra musical
sem o respectivo pagamento de direito de autor, recolhido por uma instituição comandada por
terceiros, cuja transparência tem sido objeto de constantes críticas, sem falar da ganância de
conglomerados fonográficos nacionais e que facilitam a corrupção encobrindo as trocas de
autoria dos pobres fazedores de música, desde os velhos tempos.
A lei que regula o direito autoral na reprodução de textos é draconiana. A mesma fala em
prisão em flagrante, em crime inafiançável, para quem for surpreendido copiando um texto sem
pagar o correspondente à taxa de reprodução, se até dez páginas, e autorização do detentor do
direito autoral para quem ultrapassar a isto. Significa dizer que você poderá ser detido por
flagrante delito ao reproduzir um texto no seu fax , no seu scaner, na “xerox” ao lado de sua casa
ou de sua faculdade, se esta não estiver devidamente autorizada pela associação encarregada de
recolher os direitos autorais.
Por outro lado, escolas, professores e alunos, se não podem fomentar a ilegalidade não
podem também interromper o processo de aprendizagem quando textos e livros são escassos. Da
mesma forma como o Brasil enfrentou corajosamente os laboratórios internacionais que
cobravam custo exorbitante para os remédios de cura da AIDS, quebrando as patentes dos
mesmos e impondo uma negociação mais equilibrada, o mesmo pode ser feito não só para evitar
38

os absurdos com relação à reprografia, mas também conter o exagero e a banalidade da cópia,
que nem sempre é a solução mais adequada para o processo de aprendizagem.
Resta, no entanto, o ato de consciência para não plagiar. Este só pode ser resolvido pela
sólida formação moral, pois plagiar revela falta de caráter, e caráter não se vende, não se compra,
adquire-se por formação. O ladrão de idéias forma-se nas escolas com a complacência dos
professores e dos pais, que às vezes aplaudem a boa nota do filho sabendo que ele fez uma cópia
fraudulenta de um trabalho via Internet; sabendo que ele “colou” da prova do colega; que ele
copiou de um texto, sem citar a fonte, que o próprio pai trouxe e o deu para este fim. O crime se
completa, quando o professor, ao fazer a correção de forma descuidada e despreparada intelectual
ou tecnicamente, ou até de forma criminosa, não percebe que o texto está acima da capacidade
cognitiva do aluno e não toma nenhuma providência. Assim, o criminoso sai da escola com boas
notas e pode vir até a ser professor.
Segundo matéria veiculada pela revista Saber: revista do livro universitário, Ano I, n. 8,
julho/agosto, 2002, intitulada “Estelionato Intelectual”, uma pesquisa da Rutgers University entre
seus 4500 alunos, mais da metade revelou já ter copiado trabalhos na Internet e entregue como
seus. Nos EUA, segundo a mesma revista e matéria, há mais de 600 sites vendendo trabalhos. E
para se identificar um trabalho plagiado já existem até empresas especializadas em identificação
por computador da autenticidade da obra.
No Brasil, o roubo intelectual via Internet já vem sendo feita com um certo sucesso. O que
mais cresce mesmo é a cópia descarada de trabalhos resultante de busca em Home Pages abertas
para divulgação autoral de professores ou pseudoescritores em busca de fama ou até mesmo de
certos autores que desejam partilhar a sua obra com outros. Para infelicidade nossa já é possível
ver anúncios em jornais oferecendo serviços para realização de trabalhos escolares. Como diz o
bordão do Boris Casoy, “isto é uma vergonha”! A revista Saber, (op. cit., p. 11), cita os tipos de
“rapinagem intelectual” mais comuns: plágio literal, cópia de obra alheia sem alteração;
“tradução” de versão portuguesa, quando se toma uma obra ou texto escrito em português de
Portugal e faz uma “versão” para o português do Brasil; plágio de lógica e idéias, quando a
estrutura de raciocínio é aproveitada e contada com outras palavras, sem citar o autor ou citando-
o marginalmente; plágio de carona, quando o trabalho coletivo termina divulgado ou publicado
como se fosse apenas de um autor; plágio em conversas informais, quando colegas conversam
sobre projetos de futuros trabalhos e um deles se apropria da idéia do outro ou dos outros para
produzir antes dele ou deles.
39

4- TÉCNICAS PARA DIFUSÃO E DIVULGAÇÃO DO


CONHECIMENTO

As técnicas utilizadas para fins de difusão e divulgação do conhecimento científico são


variadas e precisam ser analisadas em suas especificidades para que se obtenha delas os
resultados esperados. Apesar das diferenças no que se refere à forma e à operacionalidade, elas
têm alguns elementos em comum, tais como: o planejamento, a organização, a coordenação, o
controle, o comando e a avaliação.
É importante divulgar o conhecimento, aliás, é necessário. Conhecimento que jaz na
gaveta não serve para nada. Ele precisa ganhar o mundo, ser criticado, comentado, avaliado,
modificado e posto em prática e para que isso aconteça a difusão e divulgação do trabalho
científico é condição sine qua non.
O conhecimento científico pode ser difundido e divulgado através de eventos científicos
ou de técnicas específicas, tais como: artigos, briefing para sites científicos, painéis etc.

Briefing: Resumo em inglês. Documento contendo um resumo do trabalho, apresentando a


descrição da situação, os problemas enfrentados, as oportunidades, os objetivos, os resultados já
alcançados, os recursos para atingi-los, as limitações e os obstáculos relacionados à análise dos
dados etc. Denomina-se brifar o ato de passar o briefing para outro grupo envolvido no trabalho
científico.Tais termos são característicos da linguagem publicitária, mas muitos teóricos da
metodologia já o utilizam, principalmente on line.

Os eventos científicos devem sempre ser bem planejados e para evitar falhas que podem
comprometê-los é recomendável que se busque ajuda de profissional da área, no caso, um
bacharel em relações públicas, até porque o objetivo de tais eventos é transmitir informações,
idéias, fatos, opiniões, compartilhar experiências e conhecimentos. Vale lembrar que a troca de
experiência é um dos exercícios intelectuais dos mais salutares e que ela se processa de modo
sistematizado nos eventos científicos, ocasião em que há interação entre estudantes, professores,
especialistas, profissionais da área ou de áreas afins através da exposição de seus trabalhos e das
articulações que ocorrem a posteriori. Geralmente, a apresentação de um trabalho científico
acontece em Congressos, Conferências, Jornadas, Mesas Redondas, Painéis, Simpósios,
Seminários, Fóruns, Palestras, Workshops etc.
Independente do tipo de evento escolhido para difundir e divulgar o trabalho científico,
alguns pontos são interessantes e merecem ser observados:
Conteúdo: O que abordar num evento científico? Geralmente, são observações sistemáticas
traduzidas em pesquisa original, ou seja, o resultado de uma pesquisa, detalhando os passos
importantes que foram dados para se chegar àquela conclusão.
40

Finalidade: Qual a finalidade de um evento científico? Ela pode traduzir-se em: Comunicar aos
participantes o resultado de seu trabalho. Influenciar, motivar outras pessoas para produzirem
conhecimento, ou até atualizar profissionais da área.
Apresentação oral: É importante um planejamento específico para quem for apresentar
oralmente um trabalho. É sempre bom treinar antes. Uma boa apresentação oral valoriza o
trabalho que está sendo apresentado. Uma apresentação de improviso pode gerar insegurança,
favorecer o esquecimento, “o famoso branco’, e desvalorizar o trabalho, deixando no pesquisador
e no público uma sensação de frustração, devido a expectativa não correspondida. A regra
número um é preparar-se. Aliás, ela vale para tudo. Desde o visual, até as técnicas de leitura. É
importante ler com clareza e formalmente o que está escrito.Os verbos e os advérbios devem ser
pronunciados com um pouco mais de ênfase, pois eles trazem a mensagem ao texto. Igual atenção
deve ser dada às palavras chaves visando demarcar bem as delimitações do trabalho, como,
também, prender a atenção do público.
Estrutura do trabalho: Às vezes, quando um evento é planejado em seus mínimos detalhes, a
comissão organizadora responsável pelo evento científico já envia aos participantes um modelo
estrutural de apresentação, objetivando obter uma certa padronização e facilitar a edição dos
anais. Quando isso não ocorre pode-se seguir o esquema abaixo:

Título
Autor
Introdução
Objetivos
Procedimentos Metodológicos
Resultados
Conclusões
Referências
Não esquecer de colocar endereço, inclusive o eletrônico, e telefones para contato e,
obviamente, o nome da instituição ou do órgão que fomentou a pesquisa.

Linguagem: Deve ser acadêmica, técnica e objetiva. Nada mais desagradável do que um
expositor fazendo rodeios com as palavras. Ou seja, pode-se resumir numa frase o que foi dito
com mais de mil palavras. Às vezes o expositor peca pelo excesso de beletrismo, apenas para
mostrar erudição e demarcar a distância entre ele e o público. Vale ressaltar que no processo de
comunicação a figura mais importante é a do receptor, pois é para ele que a mensagem é
destinada. Se ele não decodificar a mensagem, não há comunicação.
Argüição: O expositor deve estar preparado para os questionamentos. Queira ou não eles virão.
Já que virão, é bem melhor preparar-se para eles com naturalidade. É de suma importância ser
atencioso nas respostas e caso não saiba o que responder seja honesto. Ninguém é obrigado a
saber tudo sobre o seu objeto de estudo, a pesquisa não é panorâmica, ela é sempre delimitada e
sempre vai ficar algo de fora que o pesquisador não se propôs a explorar, mas que pode ser
aprofundado em outros estudos. A credibilidade é decisiva num trabalho científico e ela é
conquistada com honestidade. Portanto, alguém vai sempre perceber algo que o pesquisador não
41

viu. Isso é bom, é ótimo, é a constatação de que não há conhecimento acabado, ele é um eterno
construto, até porque a verdade de ontem nem sempre é a de hoje. Foucault (1985) ressalta que:
“Por mais que se tente dizer o que se vê, o que se vê, jamais reside no que se diz”. Ou seja, as
palavras não são as coisas, elas, apenas, as representam.
Tempo de apresentação: É fundamental num evento científico que o tempo seja respeitado. Se o
expositor tem vinte minutos para apresentar seu trabalho, cabe a ele verificar se o tempo
destinado ao debate é adicional. Caso não seja, ele deve apresentar seu trabalho em quinze
minutos, deixando cinco para o debate, contribuições, ou dirimir possíveis dúvidas.
Para não extrapolar o tempo, pode-se ensaiar em casa, de preferência na presença de um
amigo que fique cronometrando o tempo, observando os vícios de linguagem, a postura, a
repetição excessiva de algumas palavras, os tiques nervosos etc. Ensaiar em frente ao espelho
também é recomendável. Gravar para depois verificar e corrigir falhas é um recurso utilizado
pelos especialistas em marketing para orientar seus clientes. Os grandes palestrantes fazem isso e
nada impede que os pesquisadores também invistam um pouco no marketing pessoal, afinal todos
ganham com isso. O pesquisador porque se sente mais seguro ao expor seu trabalho e o público
que fica encantado com o trabalho e com o show de exposição.
Distribuição do tempo: Distribuir o tempo não é complicado. É uma questão de organização, de
um planejamento rápido, momento em que o expositor deve selecionar e priorizar, dentro do
tempo limite, aquilo que lhe parece mais relevante. Segue uma tabela como exemplo.

TÓPICOS APRESENTAÇÃO
Título e Introdução 3 minutos
Procedimentos Metodológicos 2 minutos
Resultados 5 minutos
Conclusões 3 minutos
Debate 2 minutos
TOTAL 15 MINUTOS
OBS: O tempo total pode ser modificado, dependendo das normas do evento.
Tabela 01: Distribuição do tempo.

Vale ressaltar que com um pouco de planejamento, a auto-estima do expositor fica


elevada e com isso ele se sente mais seguro. A segurança, aliada ao domínio do conteúdo, é a
mola propulsora de uma boa exposição. Agora, cabe delimitar qual o tipo de evento mais
apropriado para a difusão e divulgação do trabalho científico. Eles são variados e, sem a
pretensão de esgotar o assunto, vale sinalizar alguns deles:

4.1 SEMINÁRIO
42

Consiste em uma exposição verbal, com auxílio de ferramentas tecnológicas, para pessoas
colocadas num mesmo plano e possuindo algum conhecimento prévio do assunto a ser debatido.
Um seminário divide-se em cinco fases:
• O planejamento, quando o coordenador (pode ser um professor ou um especialista no
assunto) seleciona o tema central, os temas circundantes do tema central, a bibliografia
pertinente, os grupos de pesquisa e a metodologia do seminário;
• A exposição, quando alguém ou a equipe escalada leva a sua contribuição ao grupo maior;
• A discussão, quando o assunto em pauta é debatido e esmiuçado em seus aspectos mais
significativos;
• A conclusão, quando o Coordenador, polarizando as opiniões dominantes, propõe à
aprovação do grupo às recomendações finais do seminário;
• A avaliação, quando o Coordenador emite suas observações à guisa de contribuição do
grupo como um todo e abre espaço para os participantes também avaliarem as equipes e o
seminário em geral, num processo de feedback.

Feedback. Em comunicação, todo o processo de retorno da mensagem. Funciona como um


mecanismo de resposta que retroalimenta o sistema de maneira espontânea ou formal.
(SAMPAIO, 1999).

O seminário é muito utilizado no Ensino Superior e tem grandes vantagens, pois


aprofunda uma grande temática; oportuniza o ensino com pesquisa; possibilita aos estudantes
caminharem sozinhos na pesquisa bibliográfica, cotejando vários autores; leva a equipe a
interagir, a superar as limitações e os obstáculos no uso das ferramentas tecnológicas; ensina a
planejar, a resumir, a delimitar o tempo; evidencia os talentos e aqueles que precisam de um
atendimento individualizado e contempla a avaliação processual (o antes, o durante e o após). Ou
seja, o seminário prepara os alunos para os eventos científicos de maior porte.
As desvantagens de um seminário ficam por conta da falta de comprometimento de alguns
elementos do grupo, o que compromete seriamente a equipe, e da falta de articulação dos
professores que marcam os seminários em períodos coincidentes, sobrecarregando os alunos que
chegam a ter dois seminários num único dia.

4.2 PAINEL

É um outro tipo de reunião onde se divulga o trabalho científico. O painel tem como
característica básica a composição da mesa que deve ser composta por vários especialistas no
assunto a ser discutido. Os expositores discutem entre si o assunto em pauta, cabendo ao público
tão-somente assistir ao debate sem direito a formular perguntas à mesa. O Painel costuma ser
traduzido como uma “briga de leões”. Perto das eleições é comum as instituições organizarem
painéis para que os candidatos discutam determinado tema (saúde, educação, transporte coletivo,
segurança etc.) que interessa aquele tipo de público, pois hoje se trabalha muito com o
denominado público segmentado.
Há uma outra modalidade de painel. Este é tipo pôster e é muito utilizado na divulgação
de trabalhos científicos. Vejamos:

4.2.1. APRESENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO DE PROJETOS DE PESQUISA SOB A


MODALIDADE DE PAINEL
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DEFINIÇÃO E VANTAGENS

O painel é uma modalidade de apresentação de trabalhos em eventos científicos, tendo


como característica básica a disposição dos elementos dos trabalhos sobre o painel/pôster, dentro
de medidas padronizadas. O autor permanece junto ao painel durante o horário programado para
a exposição, visando esclarecer as dúvidas dos interessados e responder aos questionamentos
feitos pela comissão avaliadora.

Itens do painel
1. Título centralizado
2. Autores e demais dados de identificação, deslocados para margem direita
3. Problema
4. Hipótese
5. Justificativa
6. Objetivos
7. Fundamentação teórica
8. Procedimentos Metodológicos
9. Cronograma de execução
10. Orçamento
11. Fonte financiadora
12. Referências.

Normatização:
– O painel terá as dimensões de 0,90 m x 1,20m.
– Tamanho de letra no mínimo 14 e máximo 18 (no Word);
– Tipo de letra ARIAL.

Orientações gerais:
– Cada expositor montará seu painel no horário combinado;
– O autor pode elaborar um resumo para distribuir aos interessados;
– O autor deve ficar próximo ao painel para fornecer explicações e dirimir dúvidas;
– O painel pode ser acompanhado de material ilustrativo, visando despertar mais interesse, chamar
atenção.

Avaliação:
– A Comissão Avaliadora é composta de pessoas especialistas no assunto, podendo
ser incluído, também, um pedagogo.
– A Comissão Avaliadora pode fazer perguntas alusivas ao conteúdo e à
metodologia.

Critérios de avaliação
Devem ser repassados com bastante antecedência para os autores, podendo ser:
- Coerência interna;
- Redação científica;
- Normas Técnicas da ABNT;
- Correção gramatical;
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- Presença do autor;
- Domínio do conteúdo e da metodologia;
- Estética do painel.
4.2.2. MODELO DO PAINEL

TÍTULO

AUTOR:
IDENTIFICAÇÃO:

PROBLEMA
JUSTIFICATIVA
QUESTÕES REFERENCIAL
TEÓRICO
HIPÓTESE OBJETIVOS

CRONOGRAMA FONTE
DE EXECUÇÃO FINANCIADORA
METODOLOGIA
REFERÊNCIAS
ORÇAMENTO
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4.3.FÓRUM

Tem por objetivo conseguir efetiva participação de um público numeroso, que deve ser
motivado. O Fórum está se popularizando devido a necessidade crescente de sensibilizar a
opinião pública para certos problemas sociais, como por exemplo: a violência urbana, a
pedofilia, o menor abandonado, a escassez da água no planeta, a clonagem humana etc.
O Fórum deve ser realizado em grandes recintos e possuir um coordenador e vários
subcoordenadores que levantam um problema de interesse geral em busca da participação da
coletividade. Geralmente o debate é livre e as opiniões são colhidas pelo coordenador, que, ao
considerar o grupo esclarecido, apresenta a sua conclusão, representando a opinião da maioria.
Depois de aprovada, transforma-se no objetivo a ser perseguido pelo grupo, orientando seu
comportamento. Os subcoordenadores funcionam como assessores e agentes multiplicadores da
conclusão do Fórum.

4.4 CONGRESSOS

São eventos científicos promovidos por instituições, órgãos, entidades associativas,


institutos de pesquisa etc. visando debater assuntos que interessam a um determinado ramo
profissional. Os profissionais de determinada área costumam realizar seus Congressos
anualmente.
Os Congressos são de âmbito nacional ou internacional. Os nacionais podem ter caráter
regional, quando interessam a um grupo restrito, mas em geral contam com a participação de
profissionais de todo país. Os internacionais podem ser determinados geograficamente
(congressos latino-americanos, congressos europeus etc.) ou de âmbito mundial, quando reúnem
países de todos os continentes.
De todos os eventos científicos os Congressos são os mais abrangentes, pois abrigam em
sua estrutura organizacional muito dos outros eventos já mencionados. Um grande Congresso
contempla mesas-redondas, painéis, conferências, oficinas temáticas, mesas demonstrativas etc.
Os temas de discussão podem ser oficiais, o que permite não só a participação plena e formal de
todos os congressistas regularmente escritos, como também que estes façam à apresentação de
seus respectivos trabalhos, sendo livre a participação dos demais.
Para que um trabalho científico seja exposto num congresso é necessário que o autor se
inscreva dentro do período fixado pela comissão organizadora do Congresso e que seu trabalho
seja apreciado e aprovado por uma equipe de avaliadores que expedem a APROVAÇÃO do
trabalho. A seguir, o autor prepara a sua apresentação dentro dos padrões estabelecidos pelos
organizadores.
É importante que todos aqueles que produzem conhecimento participem de Congressos,
como expositores ou não, pois eles efetivamente são espaços de atualização, de capacitação, de
interação profissional, de muita informação e de congraçamento. Ou seja, tudo que um
pesquisador precisa.
46

4.5 PALESTRA

É um tipo de evento científico bastante conhecido e difundido nos meios acadêmicos. Em


geral, um expositor de renome é convidado para falar de um tema de sua matriz ocupacional. A
palestra tem sempre duas fases. Na fase inicial, o expositor, após as devidas apresentações feitas
pelo Coordenador do evento, é colocado num plano de destaque e durante um tempo determinado
pela coordenação discorre sobre a temática que lhe foi apresentada. Na segunda fase, o
palestrante responde as perguntas formuladas pelo público. Como a platéia nem sempre é
homogênea, aqueles pontos referidos no início dessa unidade devem ser considerados. Portanto,
nada de improviso. O lema é:

PLANEJAR SEMPRE

Outros tipos de eventos, inclusive os mencionados neste texto, podem ser compreendidos
tanto no que se refere à conceituação, quanto à especificidade em bibliografias especializadas em
eventos científicos. Vale frisar, sempre, a importância de aprender a aprender. Aprender
pesquisando é um excelente método. Portando, só se ganha ao tentar, os resultados são
surpreendentes.
Autonomia intelectual não cai do céu, é um processo histórico; portanto, construído
cotidianamente. Parece inicialmente difícil, mas aos poucos tudo começa a fluir como por
encanto. Só que o encantamento aqui tem uma única tradução: o esforço do pesquisador. Sem ele,
parece que o freio que bloqueia o pensamento criativo fica acionado e ninguém, além do próprio
pesquisador, pode soltá-lo. Alguma orientação é necessária sim, mas esperar que o conhecimento
chegue às mãos totalmente esmiuçado é impedir, no mínimo, que o pesquisador se torne
autônomo. Na maioria das vezes, o que deixa as pessoas dependentes é o medo de errar. A
educação formal e informal é repressora. Se a criança faz algo errado em casa, o que acontece?
Ela recebe um castigo etc. Se falha na escola, recebe uma nota baixa, um sermão humilhante, um
rótulo e por aí vai. O castigo e a recompensa sempre fizeram parte do sistema educacional. O
medo que o aluno tem de pensar, pesquisar e criar faz da incerteza uma coisa apavorante, quando
na verdade ela deveria ser considerada maravilhosa. Quando alguém se depara com um artigo
publicado numa revista científica fica, na maioria das vezes, imaginando que o cientista o
escreveu em uma ou duas horas. Mas a coisa não se processa dessa forma. Geralmente ele
escreve, reescreve, corta aqui, ajeita ali, verifica a ortografia, pede para um colega da área fazer
uma leitura crítica, enxuga o texto, cortando os excessos de adjetivos, as repetições
desnecessárias, define melhor os conceitos etc. Entrega para editora e quando o artigo é
publicado, ele sente um misto de prazer e desprazer. Prazer pela produção e desprazer por
verificar que o artigo poderia ser melhorado. Nem todos têm a compreensão de que aquele artigo
é fruto de um momento histórico; tinha, certamente, um tempo limite, e que o autor fez o melhor
dentro desse tempo. Depois, já relaxado, distanciado emocionalmente do trabalho, as idéias
afloram com mais facilidade. São os “ossos do ofício”. Que tal sentir essa emoção? Escrever um
artigo sem medo de se expor, de “errar”. Que tal começar a encarar o “erro” como uma
tentativa de acerto? Mas para isso, algumas orientações a respeito de como escrever um artigo
são necessárias.
47

4.6 ARTIGO

Um artigo científico é um informe escrito que descreve os resultados originais de uma


investigação. Geralmente são publicados em revista científica e seguem normas editoriais que
podem ser as definidas pela ABNT ou pela própria revista. É extremamente importante publicar
em revista científica, pois elas garantem a memória da ciência e disseminam o conhecimento em
escala.
As revistas científicas costumam divulgar normas quanto ao formato, as notas de rodapé,
as ilustrações, fotografias, figuras, quadros, telas etc. O correto é seguir as normas, caso contrário
o trabalho corre o riso de não passar pelo crivo dos avaliadores. Entretanto, caso elas não sejam
delimitadas pela revista, pode-se seguir o modelo apresentado a seguir. Não é uma camisa de
força, é um modelo aceito hoje e que pode mudar amanhã. Daí a necessidade de constante
atualização.

4.6.1. NORMAS TÉCNICAS PARA A APRESENTAÇÃO DE UM ARTIGO

1. Ser digitado em editor de texto compatível com PC (tipo Microsoft Word,Star Office ou
similar) fonte Times New Romam, corpo 12, espaçamento 1 ½, margem superior de 3,5
cm, inferior de 3cm, esquerda de 3cm, e direita de 2,5 cm, com extensão rtf (rich text
format ) – usar o recurso Salvar Como no menu Arquivo do Editor de Textos utilizado,
escolhendo a opção rich text format- rtf.
2. Não conter nenhum tipo de formatação. Os títulos e subtítulos devem ser destacados com
um duplo enter antes e depois do texto.
3. As citações com mais de três linhas deverão ser destacadas com recuo de texto (uma
tabulação) em fonte Times New Roman, corpo 10.
4. Observar a ortografia oficial e fazer constar, na primeira lauda do original, o título do
artigo, o(s) nome(s) do (s) autor(es), vínculo institucional, maior titulação acadêmica e
endereço para correspondência, inclusive eletrônico.
5. Conter, no máximo, 32 000 caracteres (com espaço) equivalente a aproximadamente 15
páginas.
6. Colocar os quadros, mapas, gráficos, entre outros, em folhas separadas do texto e em
arquivo à parte (indicando os locais onde serão inseridos) devendo ser numerados,
titulados corretamente e com indicação das fontes correspondentes. Esse material deverá
ser formatado para a sua reprodução direta, estando de acordo com a NBR 12.256.
7. Incluir resumo informativo e palavras-chaves em português e inglês. O resumo deverá
conter, no máximo, até 100 palavras (com espaço) de acordo com as normas específicas
da ABNT.
8. As palavras-chave, no máximo cinco, são termos que indicam o conteúdo tratado no
texto.
9. Apresentar as referências no final do texto de acordo com a NBR 6023, de agosto de
2002.
10. Enviar à Editoria da Revista, dentro do prazo estabelecido, em CD, ou via e-mail.
11. Checar se chegou e solicitar confirmação.
12. Aguardar comunicação de aceite. Cabe lembrar, no caso de uma negativa, que nenhum
trabalho pode ser modificado em seu estilo, conteúdo ou estrutura sem o consentimento
do autor. Outras informações podem ser adquiridas através do site http:/www.abnt.org.br
48

4.7RELATÓRIO

O relatório é um trabalho descritivo que apresenta os resultados de uma pesquisa de campo ou


de laboratório. É a apresentação final de estudo, pesquisa, atividade. Além dos dados coletados, o
autor comunica os resultados, conclusões e recomendações a respeito do assunto trabalhado.
De acordo com Santos (2002, p. 37-38), as partes essenciais do corpo do relatório de pesquisa
são:
Apresentação — capa e folha de rosto;
Sinopse ou abstract — pequeno resumo da natureza da pesquisa, a ser incluído entre o
sumário e o corpo do relatório;
Sumário – Consiste na enumeração dos capítulos do trabalho, na ordem em que aparecem no
texto, com a página inicial de cada capítulo. Deve ser elaborado de acordo com a Norma
ABNT/NBR-6027.
Os capítulos devem ser numerados em algarismos arábicos, a partir da Introdução até as
referências bibliográficas;
Havendo subdivisão nos capítulos, deve ser adotada a numeração progressiva, sempre em número
arábico, de acordo com a Norma ABNT/NBR-6024. Não deve ser usado algarismo romano, nem
letra.
49

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ................................................................................ ii


LISTA DE TABELAS .............................................................................. iv
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................... 1
2 REVISÃO DE LITERATURA................................................................ 5
3 MATERIAL E MÉTODO........................................................................ 8
3.1 Material ................................................................................................. 8
4 RESULTADOS ....................................................................................... 9
4.1 Psicológicos ........................................................................................ 10
4.2 Pedagógicos ........................................................................................ 11
5. DISCUSSÃO ........................................................................................ 12
6. CONCLUSÃO ..................................................................................... 12
8. REFERÊNCIAS ................................................................................... 15
9. OBRAS CONSULTADAS .................................................................. 16

Introdução – inclui: objetivos, justificativa e hipóteses sobre os quais se ocupa trabalho;


Referencial teórico – é o texto resultante da revisão da literatura corrente a respeito do fato
/fenômeno / processo estudado. Indica ao leitor o tratamento científico atual do tema / problema.
Inclui definição de conceitos, menção de trabalhos já realizados a respeito do assunto, teoria ou
teorias que dão sustentação científica ao trabalho realizado. É também chamado de marco teórico
ou revisão de literatura;
Procedimentos Metodológicos – é a descrição detalhada e rigorosa dos procedimentos de
campo ou laboratório utilizados, bem como dos recursos humanos e materiais envolvidos, do
universo da pesquisa, dos critérios para seleção da amostra, dos instrumentos de coleta, dos
métodos de tratamento dos dados, etc. Também freqüentemente chamada de materiais e métodos;
Apresentação dos resultados – é a exposição dos resultados obtidos, ordenada em torno dos
objetivos da pesquisa. Ressaltamos normalmente os aspectos quantitativos, sendo comum a
utilização abundante de gráficos, tabelas e gráficos tipo “pizzas” que ilustre estes aspectos;
Análise dos resultados – é a interpretação analítica dos dados obtidos, feita conforme o
referencial teórico, que posicionou o problema pesquisado, bem como dos resultados a que se
chegou. É a palavra do perito, a visão do olho clínico do pesquisados;
Sugestões / recomendações – o pesquisador sugere / recomenda possíveis utilizações teórico-
práticas daquilo que acabou de desenvolver;
Apêndice — tabelas, quadros, gráficos ilustrativos que não figuram no texto;
Anexo - elementos de outra autoria que servem para esclarecer o relatório;
50

Referências — relação de obras e documentos consultados.

4.8MONOGRAFIAS

O prefixo grego monos corresponde ao latino solus (solteiro, solitário...) e significa “um
só” e graphein = “escrever”. Etimologicamente, monografia define um trabalho intelectual
concentrado em um único assunto. Qualquer pesquisa pode ser chamada de monográfica se
versar sobre um tema único, focalizando um tema peculiar.

 Todos os trabalhos que apresentam uma estrutura geral básica são chamados de
MONOGRAFIA.

Inicialmente, Monografia é o resultado de uma pesquisa, isto é, de uma investigação. É a


pesquisa passada a escrito e geralmente, após a sua aprovação, se transforma, muitas vezes, em
livro. Monografia é um conjunto de folhas, datilografadas ou digitadas, impressas, grampeadas,
costuradas ou coladas, cujo conteúdo versa sobre um tema razoavelmente específico, isto é,
delimitado.

Monografia significa escrever com a preocupação de limitar-se a um único tema, ou seja,


dissertar a respeito de um assunto único. [...] A delimitação de um único assunto dá à monografia
a objetividade necessária ao pesquisador / estudante para alcançar a profundidade desejada de
acordo com o grau de exigência que seu nível acadêmico requer. Dessa maneira, o mesmo estilo
de trabalho pode ser utilizado pelo estudante de graduação, de pós-graduação latu sensu e sticto
sensu, ou mesmo por pesquisadores profissionais sendo que o diferencial se encontra na
qualidade do trabalho produzido, uma vez que se espera maior aprofundamento e autonomia
acadêmica daqueles mais experientes. (TRALDE; DIAS, 2001, p. 12)

A monografia é formada por um conjunto composto de três partes, organizadas de modo a


destacar a seqüência lógica do trabalho: INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO e
CONCLUSÃO.

 Quanto à formatação de uma monografia, o que diz a ABNT?


A norma NBR 6029, sobre formatação de uma Monografia diz que ela apresenta aspectos
materiais e elementos textuais e seguem na ordem:
Quanto aos aspectos materiais, também chamados ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS, são
apresentados nas seguintes partes:
51

Capa - em papel simples mole ou em cartolina ou ainda encadernação. A padronização


cabe à Instituição fazê-lo. A capa deve conter os elementos textuais básicos, a saber:
 Nome da Instituição a que está vinculado o curso;
 Nome do Curso, logo abaixo do nome da Instituição, separado por dois espaços duplos;
 Título do trabalho centralizado e em caixa alta;
 Nome do autor, logo abaixo do título, somente a inicial maiúscula;
 No rodapé, local e ano.

Folha em branco - Também chamada de folha falsa, serve de proteção e costuma, às vezes,
trazer apenas o título do trabalho;
Folha de rosto - Conhecida, também por página de rosto ou frontispício, contém todos os
elementos essenciais contidos na capa. Apresenta, à direita e abaixo do nome do autor, em letra
menor ou negrito os seguintes dados:
52

Autor

Título

Este trabalho constitui um requisito


necessário à conclusão do Curso de
Ciência Política, para a obtenção do título
de graduado.

Local
Data

No verso da folha de rosto deve constar a ficha catalográfica, quando exigida, o nome do
revisor e do digitador.
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Agradecimentos, dedicatórias, epígrafe - São opcionais. Se constarem, aparecem


respectivamente em lauda nova;
Página de aprovação - É uma página que contém, disposta a critério do autor, os seguintes
elementos textuais: “Este trabalho será apreciado por uma Banca Examinadora nomeada pela
Coordenação de Pós-Graduação, que concederá o título de .............”
Prefácio - Em monografias ele é opcional. Costuma ser elaborado pelo próprio autor ou por
outra pessoa. O prefácio não substitui a introdução;
Lista de ilustrações: tabelas, quadros e gráficos - Recomenda-se selecionar aquelas mais
importantes e que acrescentam alguma coisa a mais ao texto. É mais didático e interessante ao
leitor, distribuí-las ao longo dos capítulos;
Lista de abreviaturas - É também mais interessante, sempre que se fizer uso delas,
recorrer às notas de rodapé;
Sumário - Não confundir com índice. Sumário é uma lauda que apresenta as principais
divisões, seções e capítulos do trabalho e respectiva página, conforme exemplo apresentado
anteriormente. Embora ainda muito usado, mas indevidamente pelos autores e editoras, índice é
uma lista detalhada de assuntos, nomes de pessoas, nomes geográficos, acontecimentos etc., com
indicação de sua localização no texto e aparece no final de livros técnicos e científicos (ver NBR
6034);
Resumo - Redigido em língua vernácula e em outra língua, normalmente em inglês, francês
ou espanhol, é uma apresentação concisa do conteúdo.

ELEMENTOS TEXTUAIS: trata-se do desenvolvimento propriamente dito do trabalho.


Compreende três partes lógicas, indispensáveis, também chamadas de elementos textuais:
Introdução - É um prólogo onde se argumenta sobre o tema escolhido, sobre os objetivos e
sobre como se pretende desenvolver o estudo. Costuma-se dizer que uma boa justificativa
apresentada no projeto é uma introdução;
Corpo do trabalho - Pode ser constituído por capítulos, partes ou tópicos, e consiste na
descrição do tema delimitado para estudo, que pode ser um “problema”, isto é, um fenômeno
social ou uma teoria e ou, um estudo de caso etc.;
Conclusão - Parte do trabalho que conclui e contém as deduções a respeito do tema
estudado e pesquisado. Às vezes, a conclusão é uma síntese de tudo o que foi abordado ao longo
do desenvolvimento do corpo do trabalho.

ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS
Anexos - Trata-se de material suplementar que, ajuntado ao trabalho, esclarece e
documenta. Quando os anexos pouco acrescentam, é melhor omiti-los. Só fazem volume e dão
trabalho sem grandes resultados;
Glossário - Lista de palavras pouco conhecidas, de sentido obscuro ou de uso muito
restrito, acompanhadas de definição. Fica a critério do autor a sua inclusão;
Referências - Lista da literatura pesquisada, seja oriunda de livros, revistas ou de outras
fontes escritas e documentadas. A bibliografia vem em ordem alfabética, pelo sobrenome do
autor, conforme previsto pela norma NBR 6023 da ABNT;
Obras consultadas – lista de literatura pesquisada em fontes diversas e não estão citadas no
corpo do texto.

5 – MODELO DO PROJETO DE PESQUISA


54

UNIVERSIDADE xxxxxxxxxxxx
CURSO DE xxxxxxxxxxxxxxxxxx

PROJETO DE PESQUISA

DESAFIOS SOCIOECONÔMICOS DA SUSTENTABILIDADE NO ESTADO


DO AMAZONASE O DIEITO AMBIENTAL (exemplo)

MUNICÍPIO, MÊS, 2011


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NOME DO AUTOR

DESAFIOS SOCIOECONÔMICOS DA SUSTENTABILIDADE NO ESTADO


DO AMAZONAS E O DIREITO AMBIENTAL(exemplo)

Projeto apresentado ao Curso xxxxxxxxx da


Universidade xxxxxxxx como requisito final do Curso
de Graduação/Pós-graduação , sob a orientação do
Prof.Dr.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

MUNICÍPIO, MÊS, 2011


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SUMÁRIO

Tema
Formulação do problema
Hipóteses
Justificativa
Objetivos
Referencial teórico
Procedimentos Metodológicos
Recursos humanos, materiais e financeiros (orçamento)
Cronograma de execução (modelo abaixo)
Referências

Atividade Mês Mês Mês Mês Mês Mês


XXXX

XXX

XXX

XXX

XXX

XXX
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REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Disponível em:


http:/www.abnt.org.Br. Acesso em 07 jan. 2003.
BARBOSA, Ierecê. Tempo de aprender: uma abordagem psicopedagógica sobre os
transtornos e dificuldades da aprendizagem. 6a. ed. Manaus, Amazonas: BK Editora, 2005
BASTOS, Cleverson; KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender – introdução à Metodologia
Científica. 12.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.b
BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em foco: Metodologia Científica. Disponível em
http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met01.htm. Acesso em 13 nov.2002.
BOFF, Leonardo. A função da Universidade na construção da soberania nacional e da
cidadania. Disponível em: http://www.culturavozes.com.br/revistas/0292.html. Acesso em: 10
out. 2002.
BUARQUE, Cristovam. A Aventura da Universidade. São Paulo, Ed.UNESP; Rio de Janeiro,
Paz e Terra, 1994.
BUCHLER, Justus. El concepto de método. 17.ed. Buenos Aires: Editorial Aires, 1972.
BUNGE, Mário. Intuición y Ciencia. Buenos Aires: Eudeba, 1965.
CAMPOS, Marilson Gonçalves. Desafios da universidade brasileira na virada do milênio.
VIÇOSA – MG, JULHO/1999. Disponível em: http://www.ufv.br/dpe/edu660/edu660.htm
CASTANHO, Sérgio e CASTANHO, Maria Eugênia. (orgs.). Temas e textos em metodologia
do ensino superior. 2.ed. Campinas, SP: Papirus, 2001.
COSTA, Aluísio Teixeira. Como Organizar Congressos e Convenções. São Paulo: Nobel.
1989.
DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.
______. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de
Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994.
______. A função da Universidade. Disponível em:
http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0035.asp. Acesso em 13 out. 2002
ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 17.ed. São Paulo: Perspectiva, 2002, 174 p.
FOUCAUT, Michel. As Palavras e as Coisas. Uma arqueologia das ciências humanas.São
Paulo: Martins Fontes, 1985.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas,2002, 160 p.
58

LAKATOS, Eva Marina, MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. 6.ed. São
Paulo: Atlas, 2002. 231 p.
______. ______. São Paulo: Atlas, 2000.
LUCKESI, Cipriano Carlos et.al. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 7.ed. São
Paulo: Cortez, 1995.
MORHY, Lauro. A Universidade e o grande desafio. Disponível em:
http://www.unb.br/reitor/reitoria-informa/artigos/desafio.htm. Acesso em 04.dez. 2002.
OLIVEIRA, Silvio Luiz. Tratado de Metodologia Científica: projetos de pesquisas TGI, TCC,
Monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira, 2001. 320 p.
SALOMON, Délcio Vieira. A Maravilhosa Incerteza. Pensar, pesquisar e criar. São Paulo:
Martins Fontes. 2000.
SAMPAIO, Mariana. A Pesquisa Interdisciplinar. Porto Alegre: Globo. 1999.
SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia Científica: a construção do conhecimento. Rio de
Janeiro: DP&A, 1999.
SANTOS, Boaventura de Souza. Um discurso sobre as ciências. 13.ed. Porto: Edições
Afrontamento, 2002.
SARTI, Ingrid. Onde está a ciência política?. Ciência Hoje. São Paulo, v.31, n.185, p.62-63,
agosto, 2002.
SELLTIZ, Claire et al. Métodos de Pesquisa nas Relações Sociais. São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo, 1975.
TRALDE, Maria Cristina; DIAS, Reinaldo. Monografia passo a passo. 3.ed. Campinas, SP:
Alínea, 2001.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. SISTEMA DE BIBLIOTECAS. Normas para
apresentação de trabalhos científicos, 10 v. Curitiba: Editora da UFPR, 2000.
VERA, Asti. Metodologia da pesquisa científica. Porto Alegre: Editora Globo, 1974.
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Leituras Complementares
1- Um Olhar Crítico-reflexivo Sobre o Projeto de Pesquisa

*Ierecê Barbosa

O projeto de pesquisa é o resultado do planejamento da pesquisa. Não se pode


desenvolver uma pesquisa na base do achismo, do improviso. Ele deverá possibilitar a execução
de idéias que permitam encontrar soluções aos problemas locais, regionais, nacionais e que
possam ser aplicados no crescimento e no desenvolvimento social. É interessante que o projeto de
pesquisa esteja atrelado ao curso de formação dos estudantes (graduação ou pós-graduação) e,
obviamente, a uma das linhas de pesquisas ofertadas pelos programas, sendo de fundamental
importância que a pesquisa seja planejada em todas as suas etapas. Vejamos quais são elas:

1- Tema;
2- Problema;
3- Revisão de Literatura;
4- Hipóteses;
5- Justificativa;
6- Objetivos;
7- Fundamentação Teórica;
8- Procedimentos Metodológicos;
9- Cronograma de Execução;
10- Orçamento;
11- Fontes Financeiras;
12- Referências.

O projeto de pesquisa deve ser o mais objetivo possível, demonstrando a intenção do


pesquisador e o seu triplo compromisso, ou seja, com ele mesmo, com o programa institucional,
com o desenvolvimento social do contexto no qual se insere.
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Quando o avaliador examina um projeto de pesquisa, ele lança sobre o mesmo um olhar
crítico-reflexivo, percebendo que:

Ao escolher o Tema, o proponente definiu também o seu campo de estudo. Portanto, o


tema deve ser selecionado de acordo com as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as
tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. Entretanto, não é só isso que
conta, é interessante que alguns questionamentos sejam respondidos para aumentar a
probabilidade do projeto ser viabilizado. O tema está atrelado a uma das linhas de pesquisas
oferecidas pelo programa? Há professor (a) orientador (a) que tenha afinidade intelectual com o
tema proposto?

Observa-se que a problematização já se faz presente. É necessário vários questionamentos


que devem ser feitos ao tema: O quê? Como? Por quê? Para quê? Onde? Quando? Quanto?
Quais? Até porque um deles ou a junção de vários em uma única pergunta será o problema da
pesquisa. Com a definição do tema inicia-se o desenho da pesquisa, que culminará em um
projeto. O pesquisador começa a tomar consciência da magnitude da sua pesquisa, tendo que
pensar em delimitações, pois não é viável verificar tudo o que existe ou possa a vir a existir sobre
a temática. Às vezes, se faz necessário à criação de um sub-tema. Vale lembrar que temas
concretos são mais acessíveis do que temas abstratos e que temática conhecida não significa
temática desgastada, há sempre um assunto que ainda não foi estudado. Outro detalhe, temas que
agregam intelectuais têm mais chances de serem bem sucedidos, dado a multiplicidade do olhar
sobre o objeto de estudo.

Ao formular o Problema, o pesquisador vislumbra as possibilidades de sua elucidação


através do esforço metódico que deverá empreender. Portanto, o problema deve ser formulado
sob a forma de pergunta. Um bom procedimento para se obter um problema bem formulado é
problematizar o tema como já falamos anteriormente. Elaborando-se vários questionamentos,
com certeza irá surgir um que se coaduna com aquilo que o pesquisador quer efetivamente
pesquisar. Marconi e Lakatos (2000) levantaram cinco critérios que devem ser considerados na
formulação de um problema de pesquisa:

a) o da viabilidade - o problema pode ser resolvido através da pesquisa?


b) o da relevância - é capaz de trazer novos conhecimentos?
c) o da novidade - é adequado ao estágio atual da evolução científica?
d) o da exeqüibilidade - pode chegar a uma conclusão válida?
e) o da oportunidade - atende a interesses particulares e generalizados?

Dos critérios supra mencionados pode-se inferir que formular um problema consiste em dizer de
modo claro, compreensível e operacional qual a dificuldade enfrentada pelo pesquisador e que ele
se propõe a resolver, limitando o campo de atuação e as categorias que irá trabalhar.

Ao apresentar a Revisão de Literatura, o pesquisador demonstra a sua linha de


pensamento, a sua visão de mundo, a sua capacidade enquanto pesquisador em adequar a
literatura aos limites do estudo proposto. Neste item, o pesquisador deve levantar as obras que
estão em consonância com a temática e com o problema, iniciando o processo de leitura técnica,
imprescindível a quem quer fazer uma boa pesquisa. Tal leitura consiste em fichar, resumir e
esquematizar, podendo, nesta etapa, começar a definir os termos, estabelecendo os contornos do
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problema levantado e, ao mesmo tempo, adicionando os conceitos fundamentais que elucidam e


explicam melhor o objeto de estudo, sinalizando para a busca de sua solução e para o contexto
em que se insere. Durante a revisão de literatura, o pesquisador pode redefinir o seu problema ou
delimitá-lo melhor, pois a leitura técnica possibilita um novo olhar sobre o tema e pode indicar
caminhos não percebidos antes, devido a falta de base teórica. A revisão de literatura, a definição
dos termos e dos conceitos são pré-requisitos para o referencial teórico e, às vezes, para os
métodos e técnicas.

A revisão de literatura (não pode ser confundida com as referências bibliográficas) ela
permite um mergulho em todos aqueles que já pesquisaram sobre a temática escolhida, bem como
um diálogo entre o pesquisador e os atores, fazendo analogias, verificando pontos de
convergências e divergências, situando o autor do projeto em sua temática.

Ao formular as Hipóteses de trabalho percebe-se que o proponente está fazendo


afirmações “a priori”, isto é, antecipadas, do que pretende provar, alcançar ou descrever. Assim,
as hipóteses devem ser bem definidas. Em verdade, elas são as respostas alusivas a pergunta
formulada no problema. Para Ruiz (1996, p.54): “a hipótese é o enunciado da solução
estabelecida provisoriamente como explicativa de um problema qualquer”. Ou seja, o
pesquisador deve ter uma idéia daquilo que ele vai encontrar no final da pesquisa, essa idéia
(hipótese) poderá ser confirmada ou refutada no decorrer do estudo científico.

Para Richardson (1989, p.49): “as hipóteses podem ser definidas como soluções
tentativas, previamente selecionadas, do problema de pesquisa”. Os autores, acima citados,
sinalizam para o caráter provisório das hipóteses e não afirmam que elas seriam a solução do
problema, pois a solução está sujeita a verificação.

As hipóteses, segundo Richardson, devem apresentar alguns requisitos: Clareza,


verificabilidade, especificidade, pertinência e generalidade. Ou seja, elas devem ser formuladas
de modo claro para melhor compreensão e decodificação. Elas têm que ser testadas, daí a sua
base empírica. Se não forem específicas, focadas, elas poderão se ramificar em sub-hipóteses.
Elas precisam ter pertinência ou guardar estreita relação com os conhecimentos já acumulados
para ajudar a ciência na confirmação, revisão ou refutação das teorias. E, finalmente, a questão da
generalidade, as hipóteses poderão ser aplicadas em áreas específicas ou em outras áreas.

Já Ruiz, diz que as hipóteses devem possuir certas características: Plausibilidade,


razoabilidade e verificabilidade. Se analisarmos tais características chegaremos a conclusão que
elas estão contempladas nos requisitos elencados por Richardeson, sendo tautológico especificá-
las.

Uma vez formulada as hipóteses é interessante que o pesquisador defina as variáveis. Ou


seja, identifique as forças que intervêm ou podem intervir sobre o problema em estudo. Segundo
Sabino (1977, p.74) “variável é qualquer característica ou qualidade da realidade, que é suscetível
de assumir diferentes valores”. Inclui-se aqui, na categoria das variáveis, o sexo, a idade, a altura,
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o peso das pessoas, e assim, vai-se criando outras categorias (aprovados, reprovados, evadidos,
retidos). Já para Ferrari (1982, p.142) há “variáveis contínuas - que apresentam grande número
de valores possíveis, teoricamente divisíveis em unidades cada vez menores”. Um exemplo disso
é a idade das pessoas que podem ser contadas em anos, em meses, em dias etc. Para este autor,
existe o oposto das variáveis mencionadas, as variáveis descontínuas, que não têm graduação, é
ou deixa de ser. Ex. casada, solteira, viúva. Não existe ½ viúva ou ¼ casada Há, ainda, as
variáveis qualitativas que são avaliadas em suas características e especificidades. Ex: mãe
solteira, pessoa extrovertida, setor terciário etc. Seu oposto são as variáveis quantitativas que são
passíveis de mensuração. Ex: número de habitantes, salários etc. Pesquisas atuais sinalizam para
as variáveis quantiqualitativas. Ou seja, pode-se quantificar o número de mães solteiras em um
bairro (quantitativo) e analisar o que significa para elas a responsabilidade de criar os filhos
sozinhas? Como elas se sentem frente aquelas que tem seus maridos? Que tipo de discriminação
elas sofrem? (qualitativo). Em muitas pesquisas têm-se detectado as variáveis analíticos-
relacionais, que têm assumido quatro formas: As variáveis independentes (que surgem antes e
que determinam a existência de outras); as variáveis dependentes (derivadas das independentes);
as variáveis intervenientes que interferem nas outras, anulando, ampliando ou diminuindo seus
impactos e as variáveis antecedentes, que funcionam como fator-prova, quando não são
suficientes as relações entre as independentes e as dependentes para determinar a causa do
fenômeno. A classificação das variáveis depende muito dos autores.

Eles, muitas vezes, rebatizam as variáveis para dar uma idéia de coisa nova. O certo é que o
pesquisador não deve se descuidar desse item na construção do seu projeto de pesquisa, pois ele é
tão importante como os demais. Aliás, no projeto de pesquisa todos os passos são importantes e
devem estar concatenados.

O próximo passo do avaliador é ler a Justificativa. É ela que vai ressaltar a importância, a
relevância do projeto. É necessário que o pesquisador faça na justificativa a defesa do seu projeto,
expondo de forma convincente os ganhos que a pesquisa deverá obter do ponto de vista da
temática abordada, podendo ser econômico, social, psicológico, ecológico etc. É nesta parte do
projeto de pesquisa que “se vende o peixe” e ninguém compra produto, sem qualidade, sem
validade, sem saber para que serve e quais os benefícios que ele trará ao consumidor. Assim, a
pesquisa tem que enfatizar todo o seu potencial e ressaltar os benefícios de sua aplicabilidade
junto a ciência e a tecnologia, que alavancam o crescimento e desenvolvimento social.

Na seqüência devem figurar os Objetivos. Ao ler os objetivos traçados no projeto de


pesquisa o examinador concluirá se o pesquisador sabe o que quer. Daí ser de fundamental
importância que os objetivos sejam bem definidos. Eles correspondem a pergunta para quê? Para
que pesquisar a temática escolhida? Para que se debruçar sobre o objeto de estudo?

Os objetivos devem ser divididos em Geral e Específicos. Toda atenção ao traçar os


objetivos é pouca. Um erro crasso é muito cometido pelos pesquisadores e até por certos autores,
quando mencionam objetivos “gerais”. A imprecisão é grave. O objetivo geral é amplo,
abrangente e articulado com os específicos. Ele deve condensar tudo o que ser quer da pesquisa.
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Para isso deve-se prestar atenção aos verbos empregados no início do objetivo geral, que deve
preceituar ações que não se esgotam num único desempenho. Verbos como compreender,
analisar, avaliar, conhecer, investigar, desenvolver, dentre outros, sinalizam para possíveis
desdobramentos de ações e solicitam objetivos específicos, que devem denotar ações menores
como identificar, apontar, selecionar, classificar, comparar, relacionar etc. Quando o examinador
verifica os objetivos, ele já tem a idéia se o elaborador do projeto de pesquisa sabe o que quer, se
ainda está perdido e se foi bem ou mal orientado. Muitos candidatos a curso de pós-graduação
são eliminados pelo fato de terem em seus projetos de pesquisas objetivos mal formulados.
Ocorre, também, com pesquisadores já titulados, que não são contemplados em suas pesquisas
com recurso provenientes das agências de fomento, pelo fato de serem desatentos na elaboração
de seus projetos ou poucos humildes para recorrerem aos pares, solicitando uma avaliação prévia
que sanaria a tempo algumas imprecisões.

O próximo passo a ser examinado pelo avaliador é o Referencial Teórico, que é o


componente que enfatiza as leituras já feita pelo elaborador do projeto. O referencial teórico é um
texto consistente, com os pressupostos teóricos que fundamentarão as ações do pesquisador,
mostrando: quem são os autores, os teóricos que darão suporte a pesquisa? As idéias dos autores
estão em consonância com o enfoque dado a formulação do problema e a concepção teórica que
se evidencia nos demais componentes do projeto (positivista, fenomenológica, dialética)? Como
o pesquisador costura as idéias dos autores, entre eles, e com as suas próprias idéias? O discurso é
coerente? O vocabulário é adequado à temática? Há imprecisões ortográficas? As regras da
ABNT foram utilizadas? O texto é bem estruturado, apresentado dentro das normas de um texto
acadêmico? E por aí vão os questionamentos do observador, lendo, analisando o texto e tirando
suas conclusões a respeito da validade da pesquisa.

Para não se ocorrer em falhas na construção do referencial teórico deve-se ficar atento a
alguns passos significativos que podem resultar num bom referencial teórico, a saber:

a) tratar com profundidade os aspectos relacionados ao problema;


b) apresentar sintonia lógica entre conceitos e proposições;
c) evitar usar falsas referências;
d) não atribuir a um autor a idéia de outro;
e) observar a contextualização;
f) não se prender apenas a livros, procurar citar artigos publicados em sites ou em revistas
indexadas;
g) elaborar um texto claro, preciso, conciso e apoiado nas normas da ABNT;
h) revisar o texto várias vezes.

Após serem observados todos os cuidados supra citados é grande a probabilidade do


pesquisador ter conseguido elaborar um texto consistente e técnico, que realmente dará suporte a
sua pesquisa.

Feita a leitura e as devidas observações no referencial teórico, o examinador passará a


verificar os Procedimentos Metodológicos, quando o autor descreve o método, o tipo de
pesquisa que será adotado, enfatizando quais as técnicas, os instrumentos de coleta de dados, qual
o universo, a amostra, o tratamento que será dado a tudo que foi coletado. Ou seja, o caminho da
pesquisa deve ser delineado, detalhando-se como será feito o estudo. É importante que o autor do
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projeto explicite aqui se a pesquisa é empírica, com trabalho de campo ou de laboratório, se é


pesquisa teórica ou histórica ou se combinará, e até que ponto, as várias formas de pesquisas,
lembrando que os métodos, tipos de pesquisas, técnicas e instrumentos devem estar relacionados.
Não cabe aqui explicitar quais deveriam ser os procedimentos metodológicos mais apropriados,
pois cada projeto é um projeto e deve ser pensado e elaborado como impar, portanto é salutar o
autor fugir de receitas formuladas em manuais. A consulta ao orientador/orientadora ou a alguém
que já vivenciou o processo também é válida, pode ajudar bastante a esclarecer as dúvidas. O
tratamento que se deve dar aos dados também é de fundamental importância. Muitos
pesquisadores perdem seus dados por puro descuido e junto com eles vão-se os prazos
estipulados no cronograma, outros adiam a análise dos dados e os resultados deixam de ser
fidedignos, um exemplo disso é de um pesquisador que estava estudando fungos nas folhas do
cupuzeiro e deixou as folhas no laboratório por mais de uma semana. Quando resolveu examiná-
las, elas já tinham perdido propriedades e o fungo também. Resultado: ele teve que coletar tudo
novamente, sob o olhar de censura do orientador.

Uma vez asseguradas todas as condições intelectuais e materiais para realização da


pesquisa, deve o pesquisador traçar um Cronograma de execução, contemplando os prazos para
execução das etapas e finalização do trabalho com a entrega dos resultados.

Na seqüência tem-se o Orçamento, uma projeção detalhada dos custos da pesquisa,


listando todos os possíveis gastos, desde o material de expediente, os recursos humanos, as
despesas com transportes etc., não esquecendo de acrescentar 10% do montante para despesas
imprevistas. Se o autor pretende obter financiamento de agências de fomento ou outras Fontes
Financiadoras, cabe explicitar, também, a fonte e a forma de desembolso para verificar a
adequacidade ao cronograma de execução. Por fim chega-se as Referências, item em que
aparecem todos os autores referenciados no projeto de pesquisa (segundo as normas da ABNT).
Agora o projeto está completo. A avaliação foi concluída. O parecer, seguido da nota
classificatória fervilha na mente do avaliador, para tristeza ou felicidade do autor do projeto.

Considerações Finais

Com o projeto completo e aprovado pelo programa de pesquisa, é chegada à hora do


jovem cientista iniciar a caminhada rumo ao novo, de ir a campo, de sofrer com as incertezas e as
inseguranças que o novo proporciona. Mas como tudo tem o seu oposto, é hora de vibrar,
também, com as descobertas e com a sensação maravilhosa de que se é capaz de produzir
conhecimento, de passar pela vida deixando algo para as próximas gerações, um pedacinho
engenhoso da capacidade humana de saber fazer ciência e tecnologia, melhorando com isso a
qualidade de vida daqueles que ainda estão por vir, mas que virão, pois tem direito a existência e
com certeza encontrarão um mundo melhor, mais sadio, mais justo, mais humano.

*Licenciada em Pedagogia, Bacharel em Comunicação Social, Psicanalista Clínica,


Doutora em Educação.
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Referências

FERRARI, A T. Metodologia da Pesquisa Científica. São Paulo; McGraw-Hill do Brasil, 1982.


LAKATOS, Eva Marina; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. Rio de
Janeiro: Vozes, 2000.
RICHARDSON, R.J. Pesquisa Social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1998.
RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica. Guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas,
1996.
SABINO, C. Metodologia da Pesquisa Científica: análise teório-prática. Caracas: Editorial
Noriega, 1977.
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