Você está na página 1de 4

14/07/2021 Candidíase (invasiva) - Doenças infecciosas - Manuais MSD edição para profissionais

Apresentado
SOBRE A MSD CARREIRAS NA MSD INVESTIGAÇÃO NO MUNDO TODO
a você pela

Candidíase (invasiva)
(Candidose, Monilíase)
Por Sanjay G. Revankar
, MD, Wayne State University School of Medicine

Última modificação do conteúdo jul 2019

Candidíase é a infecção causada por Candida spp, mais frequentemente C. albicans; ela manifesta-se por lesões mucocutâneas,
fungemia e, algumas vezes, infecção focal de múltiplos locais. Os sintomas dependem do local de infecção e incluem disfagia,
lesões cutâneas e de mucosa, cegueira, prurido, queimação e corrimento vaginais, febre, choque, oligúria, insuficiência renal e
coagulação intravascular disseminada. O diagnóstico é confirmado por histopatologia e culturas de locais habitualmente estéreis.
O tratamento, quando necessário, é feito com anfotericina B, fluconazol, equinocandinas, voriconazol, ou posaconazol.

(Ver também Visão Geral das infecções fúngicas, Candidíase, Vaginite por Candida, e Candidíase mucocutânea crônica.)
Espécies de Candida são organismos comensais que habitam o trato gastrointestinal (GI) e algumas vezes a pele (ver Etiologia da candidíase
mucocutânea). Ao contrário de outras micoses sistêmicas, a candidíase resulta de organismos endógenos. A maioria das infecções é provocada por
C. albicans; entretanto, C. glabrata (anteriormente Torulopsis glabrata) e outras espécies não albicans estão cada vez mais envolvidas na fungemia,
infecção do trato urinário e, ocasionalmente, outra doença focal. C. glabrata costuma ser menos sensível ao fluconazol do que as outras espécies; C.
krusei é inerentemente resistente ao fluconazol: a frequência da resistência ao voriconazol e à anfotericina varia. C. krusei é mais frequentemente
suscetível a equinocandinas. C. auris é uma espécie emergente e multirresistente que causou surtos recentes em hospitais e é difícil de identificar e
tratar.
Candida spp são responsáveis por cerca de 80% das principais infecções fúngicas sistêmicas e são a causa mais comum de infecções fúngicas em
pacientes imunocomprometidos. A candidíase envolvendo a boca e o esôfago é uma infecção oportunista definidora de AIDS. Como a resistência e
transmissão de C. auris em estabelecimentos de saúde tornaram-se uma preocupação, foram instituídas precauções especiais de controle de
infecções para pacientes colonizados ou infectados por C. auris.
Candidíase do esófago é uma infecção oportunista definidora na aids. Embora a candidíase mucocutânea esteja presente com frequência em
pacientes infectados pelo HIV a disseminação hematogênica não é comum, a menos que outros fatores de risco específicos estejam presentes (ver
abaixo).

Imagens da candidíase
oral

Candid

https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doenças-infecciosas/fungos/candidíase-invasiva 1/4
14/07/2021 Candidíase (invasiva) - Doenças infecciosas - Manuais MSD edição para profissionais

Esofagite por Candida

IMAGEM FORNECIDA POR KRISTLE LYNCH,


MD.

Infecção por candidíase das


áreas intertriginosas do
abdômen e da virilha

IMAGEM CORTESIA DO DR. HARDIN,


ATRAVÉS DA PUBLIC HEALTH IMAGE
LIBRARY OF THE CENTERS FOR DISEASE
CONTROL AND PREVENTION.

Candidíase disseminada
Pacientes neutropênicos (p. ex., aqueles que recebem quimioterapia para câncer) estão sob risco aumentado de desenvolvimento de candidíase
disseminada com risco à vida.
Candidemia pode ocorrer em pacientes neutropênicos que estão hospitalizados por tempo prolongado. Essas infecções de corrente sanguínea são,
muitas vezes, relacionadas a:
Cateteres venosos centrais

Cirurgia de grande porte

Terapia antibacteriana de amplo espectro

Hiperalimentação IV
Cateteres IV e de trato GI são as vias de entrada habituais.
A candidemia muitas vezes prolonga a hospitalização e aumenta a mortalidade em doenças concomitantes. Candidemia pode ocorrer com outras
formas da candidíase invasiva, como endocardite ou meningite, e também envolvimento focal da pele, tecido subcutâneo, ossos, articulações,
fígado, baço, rins, olhos e outros tecidos. A endocardite é comumente relacionada com o uso de drogas IV prótese valvar, ou trauma intravascular
induzido por retirada de cateteres IV.
Todas as formas de candidíase disseminada devem ser consideradas graves, progressivas e potencialmente fatais.

Sinais e sintomas
Candidíase esofágica frequentemente se manifesta por disfagia.
A candidemia geralmente causa febre, mas nenhum sintoma é específico. Algumas vezes, a síndrome evolui como sepsia bacteriana, com um
curso fulminante que pode incluir choque, oligúria, insuficiência renal e coagulação intravascular disseminada.
A endoftalmite por cândida tem início com lesões brancas de retina primeiramente assintomáticas, mas pode progredir com opacificação do
vítreo e provocar cicatriz potencialmente irreversível e cegueira. Em pacientes neutropênicos, hemorragia retiniana também ocorre algumas vezes,
mas uma infecção real do olho é rara.
Lesões cutâneas papulonodulares podem se desenvolver, em especial em pacientes neutropênicos, nos quais isso indica alta prevalência de
disseminação hematogênica para outros órgãos. Os sintomas de outras infecções focais ou invasivas dependem do órgão envolvido.

Diagnóstico

https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doenças-infecciosas/fungos/candidíase-invasiva 2/4
14/07/2021 Candidíase (invasiva) - Doenças infecciosas - Manuais MSD edição para profissionais

Histopatologia e culturas fúngicas

Hemoculturas

Testes séricos de betaglicana

Painel T2Candida
Como Candida spp são comensais, sua cultura de escarros, boca, vagina, urina, fezes ou pele não necessariamente significa infecção invasiva e
progressiva. Uma lesão clínica característica também deve estar presente, evidência histológica de invasão tecidual (p. ex., leveduras, pseudo-hifas
e/ou hifas nos espécimes teciduais) deve ser documentada e outras etiologias devem ser excluídas. Culturas positivas de espécimes coletados de
locais normalmente estéreis, como sangue, líquor, pericárdio, líquido pericárdico ou amostra tecidual obtida por biopsia são evidências definitivas
de que terapia sistêmica é necessária.
Betaglicana sérica costuma ser positiva nos pacientes com candidíase invasiva; por outro lado, um resultado negativo indica baixa probabilidade de
infecção sistêmica.
O painel T2Candida é um ensaio por ressonância magnética que detecta diretamente espécies de Candida em amostras de sangue total em 3 a 5
horas. É altamente sensível e tem excelente valor preditivo negativo (1). Outros testes de diagnóstico molecular também estão disponíveis, como a
espectrometria de massa ionização e dessorção a laser assistida por matriz:tempo de voo (MALDI-TOF) e testes baseados na reação em cadeia da
polimerase (PCR).
Recomenda-se exame oftalmológico a fim de verificar se há endoftalmite para todos os pacientes com candidemia.

Candida albicans

IMAGEM CEDIDA PELO DR. STUART BROWN


VIA A PUBLIC HEALTH IMAGE LIBRARY OF
THE CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND
PREVENTION.

Técnicas laboratoriais convencionais muitas vezes confundem C. auris com C. haemulonii, C. famata, C. sake ou outra espécie. Espectrometria de
massa de tempo de ionização por dessorção a laser assistida por matriz (MALDI-TOF MS) é um método mais confiável para a identificação correta.
Um teste baseado em ácidos nucleicos também está atualmente disponível.

Referência sobre diagnóstico


1. Zervou FN, Zacharioudakis IM, Kurpewski J, Mylonakis E: T2 magnetic resonance for fungal diagnosis. Methods Mol Biol 1508:305–319, 2017. doi:
 10.1007/978-1-4939-6515-1_18.

Tratamento
Equinocandina se os pacientes estão crítica ou gravemente enfermos ou se há suspeita de infecção por C. glabrata, C. auris ou C. krusei

Fluconazol se os pacientes estão clinicamente estáveis ou se há suspeita de infecção por C. albicans ou C. parapsilosis

Alternativamente, voriconazol ou anfotericina B


(Ver também Antifungal Drugs and the Infectious Diseases Society of America’s Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016
Update.)

Candidíase invasiva
Em pacientes com candidíase invasiva, condições predisponentes, como neutropenia, imunossupressão, uso de antibacterianos de amplo espectro,
hiperalimentação e cateteres intravenosos, devem ser revertidas ou, se possível, controladas.
Em pacientes sem neutropenia, os cateteres IV devem ser removidos.
Quando a equinocandina for indicada [se os pacientes estão moderada ou criticamente enfermos [(a maioria dos pacientes neutropênicos) ou se
houver suspeita de C. glabrata, C. auris, ou C. krusei], um dos seguintes fármacos pode ser usado:
Caspofungina, dose de ataque de 70 mg, IV, então 50 mg, IV, 1 vez/dia
MANUAL MSD
Micafungina, 100 mg, IV, 1 vez/dia
Versão para Profissionais de Saúde
Anidulafungina, dose de ataque de 200 mg, IV, então 100 mg, IV, 1 vez/dia
Se o fluconazol for indicado (se os pacientes estiverem clinicamente estáveis ou se houver suspeita de C. albicans ou C. parapsilosis), a dose de
ataque é 800 mg (12 mg/kg) por via oral ou IV uma vez, a seguir 400 mg (6 mg/kg) uma vez ao dia.
Se há intolerância, disponibilidade limitada ou resistência a outros antifúngicos, pode-se usar uma formulação lipídica de anfotericina B na dose de
3 a 5 mg/kg IV 1 vez/dia (1).
O tratamento da candidíase é mantido por 14 dias após a última hemocultura negativa.

Candidíase esofágica
Trata-se candidíase esofágica com um dos seguintes:

https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doenças-infecciosas/fungos/candidíase-invasiva 3/4
14/07/2021 Candidíase (invasiva) - Doenças infecciosas - Manuais MSD edição para profissionais

Fluconazol 200 a 400 mg por via oral ou IV uma vez ao dia

Itraconazole, 200 mg VO uma vez ao dia


Se esses fármacos são ineficazes ou se a infecção é grave, pode-se usar um dos seguintes:
Voriconazol, 4 mg/kg, por via oral ou IV 2 vezes ao dia

Posaconazol, 400 mg VO 2 vezes ao dia

Uma equinocandina
O tratamento da candidíase esofágica é mantido por 14 a 21 dias.

Referência sobre o tratamento


1. Pappas PG, Kauffman CA, Andes DR, et al: Clinical practice guideline for the management of candidiasis: 2016 update by the Infectious Diseases
Society of America. Clin Infect Dis 62(4):e1–e50, 2016. doi: 10.1093/cid/civ933.

Pontos-chave

Ao contrário de outras infecções fúngicas, candidíase invasiva geralmente ocorre por causa de organismos endógenos.

Infecção invasiva normalmente ocorre em pacientes imunocomprometidos e/ou hospitalizados, particularmente aqueles que
passaram por cirurgia ou foram tratados com antibióticos de amplo espectro.

Culturas positivas das espécies colhidas de locais normalmente estéreis (p. ex., sangue, líquor, amostras de biópsia de tecido) são
necessárias para distinguir infecção invasiva de colonização normal; o betaglicano sérico costuma ser positivo nos pacientes com
candidíase invasiva.

Pode-se usar um painel T2Candida no sangue total para diagnosticar infecção por Candida no sangue.

Usar equinocandina se os pacientes estão grave ou criticamente enfermos ou se há suspeita de infecção por C. glabrata, C. auris ou
C. krusei.

Usar fluconazol se os pacientes estão clinicamente estáveis ou se há suspeita de infecção por C. albicans ou C. parapsilosis.

Informações adicionais
Centers for Disease Control and Prevention (CDC): Infection Prevention and Control for Candida auris

© 2019 Merck Sharp & Dohme Corp., subsidiária da Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ, EUA)

https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doenças-infecciosas/fungos/candidíase-invasiva 4/4

Você também pode gostar