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CONCEPÇÕES DE LINGUISTICA APLICADA, DE LINGUAGEM E DE GRAMÁTICA

Entendendo a gramática a partir da LA

- A LA é a disciplina que trata de questões relacionadas ao uso da linguagem.

- Seu objeto de investigação é a linguagem como prática social em contextos de ensino e


aprendizagem de línguas ou em qualquer outro contexto onde surjam questões relevantes
sobre o uso da linguagem nas sociedades.

- Rojo (2008) afirma que os linguistas aplicados buscam soluções de problemas


contextualizados, relevantes socialmente, ligados ao uso da linguagem.

- Uma dessas questões é o contexto da gramatização do português brasileiro nos últimos anos,
ou seja, como português brasileiro tem sido sistematizado nas gramáticas.

SAIBA MAIS

A gramatização é, segundo Auroux (1992), um processo de origem renascentista de escrever e


instrumentar as línguas ocidentais a partir de duas tecnologias: a gramática e o dicionário.

- Franchi (2006) fala sobre três tipos diferentes de gramática: gramática normativa, gramática
descritiva e gramática internalizada.

- A identificação da gramática como conjunto de regras está associada à gramática normativa –


esse entendimento de que a gramática é um compilado de normas criado para que os usuários
da língua falem ou escrevam corretamente.

- A área de linguística aplicada mostra a importância da produção de gramáticas que sejam


mais descritivas, ou seja, que não ditem normas de como a língua deveria ser, mas descrevam
como ela é.

CARACTERISTICAS DA GRAMÁTICA NORMATIVA:

- Concepção de língua estática e homogênea;

- Atitude prescritiva;

- Construção de um modelo artificial e língua certa;

- Valorização das normas lusitanas em detrimento às brasileiras;

- Desconsideração das normas gramaticais que se afastam da norma padrão;

- Tomada da frase/oração/período como unidade máxima de análise;

- Emprego de uma taxionomia gramatical fixa;

- Comprometimento ideológico explícito com as camas dominantes da sociedade;

- O grande marco na produção de gramáticas voltadas ao uso da linguagem foi o Projeto


Gramática do Português Falado (PGPF)
- Iniciou uma sequência de produção de gramáticas descritivas do português brasileiro, que
promoveram um movimento de ruptura com o padrão da gramática normativa tradicional.

- A preocupação é a de descrever a estrutura e o funcionamento da língua.

- Não há noção de certo e errado, é considerado gramatical tudo o que está em consonância
com as regras de funcionamento da língua em qualquer uma de suas variantes – a noção de
certo e de errado é substituída pela noção da diferença.

- As gramáticas descritivas adotam uma postura includente e não excludente.

- Se voltam para a descrição e a análise do português brasileiro em uso.

A GRAMÁTICA A SERVIÇO DO USO DA LINGUAGEM

Gramática tradicional: definir o que era língua e como deveria ser ensinada ou aprendida.

- Sistema de noções, de descrição de regras estruturais do bem falar e do bem escrever, a


gramática normativa e seu ensino foram sendo solidificados através do tempo.

- Elaborado a partir da análise do uso da língua e das regras gramaticais dos seus bons
usuários, os grandes escritores.

- A língua é um objeto autônomo e homogêneo, desvinculado com a realidade do falante e, em


se tratando de escola, com a língua usada no dia a dia dos alunos.

- Uma gramática normativa não é capaz de descrever como os falantes começam a dominar
uma língua desde cedo, pois as estratégias de aprendizagem de uma língua vão além de regras
gramaticais.

- A língua começa a ser entendida como discurso e enunciação, e a linguagem, como uma
faculdade do homem.

- Isso significa que todas as pessoas do mundo desenvolvem uma gramática interna. Usamos a
língua e nos comunicamos a partir de recursos expressivos que vamos desenvolvendo.

- A gramática é uma metalinguagem, uma maneira de se referenciar a própria língua.

FIQUE ATENTO

Para a LA, a linguagem é uma construção social que possibilita ao homem interagir com os
outros e se constituir um ser social. A linguagem permite que uma identidade social seja
construída a partir das ações que se faz no mundo. Já a língua é um conjunto organizado de
recursos constituídos por sons, gestos, palavras que possibilitam a comunicação. A língua é um
sistema vivo e se modifica por ser um diálogo entre os seres sociais. A linguagem, como
percebemos, não é só a língua, mas é o modo com o qual lidamos com os outros na nossa
sociedade.

- Nossa língua é organizada em um sistema gramatical.


- Defende-se que a gramática não deve ser passiva, mas operativa. Ou seja, que o estudo da
gramática deve servir para aumentar o repertório de recursos linguísticos e expressivos para
comunicarmos de forma mais proficiente em diferentes espaços e situações.

- A gramática deve servir para deixar seus falantes mais confiantes para atuar por meio da
linguagem tendo em vista os propósitos de cada interação social. Isso porquê ao considerar a
modificação da língua, estamos afirmando que não há uma só forma de dizer como ela
funciona, não há uma só forma de catalogar as definições de como se usa determinada
estrutura.

- Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs): há a defesa de que a reflexão sobre a língua é uma
etapa importante para a ampliação do repertório linguístico dos estudantes. Essa reflexão se
centra na análise das diferentes formas de se expressar linguisticamente, materializadas nos
diferentes gêneros e textos – sejam eles orais ou escritos – de diferentes situações
comunicativas.

CONCEITOS

Atividade epilinguística: é o exercício de reflexão sobre o texto lido/escrito para compreender


ou atribuir sentidos ao texto a fim de explorá-lo em suas diferentes possibilidades.

Atividade linguística: o próprio ato de ler e escrever;

Atividade metalinguística: capacidade de falar sobre a linguagem, descrevê-la e analisá-la


como objeto de estudo (a gramática convencional).

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