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Mesopotâmia: terra entre rios

O nome Mesopotâmia vem do grego meso-potamos e significa “entre rios” (no caso,
os rios Tigre e Eufrates, que desembocam no golfo Pérsico). A região é um imenso platô
vulcânico extremamente fértil, rodeado por desertos ao sul e por montanhas com escassas
pastagens ao norte, e foi povoada pelos sumérios e acádios.

Na região da Mesopotâmia existiram várias sociedades que dependiam dos recursos


hídricos ali existentes. Se o antigo Egito era dádiva do Nilo, os povos da Mesopotâmia eram a
dádiva do Tigre e do Eufrates.

Embora muitos especialistas afirmem que a região da Mesopotâmia foi a primeira a


abrigar sociedades complexas no Oriente Próximo, tendo sido o foco da revolução agrícola do
VI milênio a.C., evidências arqueológicas indicam que as primeiras cidades da região datam,
assim como no antigo Egito, do III milênio a.C., dentre elas Lagash, Umma, Ur e Uruk.

Dessa época, datam também os primeiros zigurates, templos compostos de várias


plataformas retangulares, ovais ou quadradas. Cada andar possuía uma área menor do que o
inferior. Buscava-se, assim, a estabilidade do edifício, que podia ter de dois a sete andares. O
mais famoso zigurate foi construído na Babilônia, em honra ao deus Marduk. O templo foi
chamado de Etemananki, na língua suméria, e significa “fundação do Céu e da Terra”. Muitos
historiadores afirmam que esse templo era a Torre de Babel citada na Bíblia, uma construção
realizada por pessoas ambiciosas, que desejavam alcançar o céu.

A Babilônia de Hamurabi

Na Mesopotâmia, o Estado hegemônico demorou a se formar. Existiam cidades-


Estado, como Ur e Lagash, que exerciam somente controle local, principalmente sobre as
aldeias circunvizinhas. Destacavam-se os sumérios e os acádios, que realizavam obras para
controle das águas e dominavam a metalurgia do bronze.

Entre 2000 a.C. e 1750 a.C., formou-se o primeiro Estado centralizado da


Mesopotâmia, organizado pelos amoritas ou antigos babilônios. Foi o chamado Primeiro
Império Babilônico, cujo centro político se situava às margens do rio Eufrates. Seu principal
governante foi Hamurabi, que assumiu o poder em 1792 a.C. e reinou por mais de 40 anos.

Hamurabi foi responsável pelo primeiro código de leis escritas conhecido, o Código de
Hamurabi. Após a sua morte, o Império Babilônico sofreu várias invasões culminando com a
dos assírios, povo semita que vivia do pastoreio ao norte da Mesopotâmia, nas proximidades
do rio Tigre. Ao longo do I milênio a.C., os assírios se expandiram por toda a Mesopotâmia.
Chegaram a impor ainda tributos aos povos próximos, incluindo os egípcios.

Expansão assíria

Em 729 a.C., os assírios conquistaram a Babilônia. No reinado de Sargão II, eles


atacaram os hebreus, deportando milhares deles para trabalhos forçados naquela cidade. No
século VII a.C., Senaqueribe transferiu a capital de Assur para Nínive, também às margens do
Tigre. Morreu assassinado por dois de seus filhos. Seu reinado representou o apogeu do
Império Assírio. Assurbanipal foi o último a governar o Império Assírio, e seu reinado foi
marcado por muitas derrotas militares, que facilitaram a conquista de autonomia pelos antigos
egípcios. Mandou criar uma biblioteca com tábuas de barro na Babilônia, conhecida como a
Biblioteca de Assurbanipal, contendo textos em escrita cuneiforme sobre a vida social,
política e religiosa do Império Assírio.
Babilônia dos caldeus

No século VII a.C., os assírios tiveram de se defrontar com o avanço dos caldeus, povo
originário da península Arábica, que se fixou na margem oriental do rio Eufrates. Em 625 a.C.,
os caldeus conquistaram a Babilônia; dez anos depois, Assur; e, em 612 a.C., Nínive. O
Império Caldeu começou a se formar e foi chamado também de Segundo Império Babilônico ou
Império Neobabilônico.

Nesse período, destacou-se Nabucodonosor II, que reinou sobretudo no século VI a.C.
No seu reinado ocorreu a conquista do Reino de Judá e a destruição do tempo de Jerusalém,
em 587 a.C. Seguiu-se a deportação de milhares de hebreus no chamado cativeiro da
Babilônia, que durou 70 anos. Foi o apogeu do Segundo Império Babilônico.

Em 539 a.C., os povos da Mesopotâmia foram derrotados pelos persas, comandados


por Ciro II, o Grande. O controle da região mudaria de mãos outra vez.

Os persas aquemênidas

Na região do atual Irã, os persas construíram um dos principais impérios da


Antiguidade. O nome é derivado de pars ou parsa, denominação do clã que detinha o poder no
grupo. Originários de povos indo-europeus do Cáucaso, durante algum tempo foram
dominados pelos medas, habitantes do planalto iraniano.

Em 700 a.C., os habitantes das cidades persas, como Pasárgada, pagavam tributos
aos medas. Em meados do século VI a.C., coube a Ciro II liderar a expansão dos persas,
vencendo os medas e conquistando Babilônia, Síria, Palestina e os povos da Ásia Menor. Era o
início do grande Império Persa da dinastia Aquemênida. Seu sucessor, Cambises II, comandou
a expansão persa, conquistando o Egito, em 525 a.C. Dario I ampliou mais ainda o império, no
início do século V a.C., conquistando a Anatólia e a Trácia. A leste, avançou até a Índia,
conquistando-a em parte. Foi este o apogeu dos aquemênidas, o mais poderoso império até
então conhecido nessa parte do mundo.

A administração do império foi centralizada em Susa, mas se baseou nas satrapias,


criadas por Dario I, províncias governadas por funcionários leais ao soberano, os sátrapas.
Para o abastecimento de gêneros alimentícios, o deslocamento de tropas e o grande comércio,
foram construídas estradas do Egito à Índia e à China. O comércio foi estimulado pela
introdução do dárico, moeda de ouro que pesava cerca de 8 gramas. Os persas tentaram
ainda dominar a Grécia – uma aventura que se mostrou desastrosa para o Império Persa.

Os hebreus: o reino do “povo eleito”

Os hebreus eram um dos povos semitas que, na tradição bíblica, descendiam de Sem,
filho primogênito de Noé. O conceito de semita se refere, antes de tudo, a um tronco linguístico
que inclui o hebraico, o aramaico e o árabe, entre outras línguas.

O povo hebreu tinhja como religião o judaísmo, o primeiro monoteísmo na história


universal das religiões. O judaísmo tem como elemento fundamental a crença em um único
deus, invisível e indivisível (Yahwé, em hebraico), criador do mundo de todas as coisas – os
hebreus tinham a crença de serem eles o povo eleito, dentre todos os demais povos, para
honrá-los.

O patriarca do judaísmo foi Abraão, natural da cidade de Ur, na Mesopotâmia. Ele teria
recebido uma revelação divina e se recusado a cultuar os ídolos. Fez uma aliança com Yahwé,
por meio da circuncisão que fora exigida aos 86 anos de idade.

Assim, Abraão é considerado o patriarca que fundou a linhagem hebreia, migrando da


Mesopotâmia para Canaã, na Palestina, onde seria erguido, muito mais tarde, o reino hebreu.
Descendem de Abraão as 12 tribos (unidades patriarcais) fixadas na Palestina, cujas mais
importantes e duradouras foram as de Benjamin, Judá e Levi.

No tempo de Moisés
Os hebreus eram pastores que depois adotaram a agricultura e se dedicaram ao
comércio, favorecidos pela proximidade das principais rotas da região.

O povo hebreu passou, no entanto, por uma série de períodos de fome. Por volta do II
milênio a.C., há evidências de uma migração voluntária de hebreus para o delta do Nilo,
autorizada pelo faraó. Posteriormente, foram submetidos à tributação coletiva pelos egípcios,
obrigados a trabalhar nas obras do faraó e impedidos de deixar o reino. Essa situação dos
hebreus é narrada na Bíblia como o cativeiro do Egito. Mas nem todos os hebreus teriam
passado pelo cativeiro egípcio, que durou séculos, pois parte deles permaneceu na Palestina.

Foi entre os hebreus que viviam no Egito que surgiu Moisés (Moshe, em hebraico). A
Bíblia conta que Moisés teria sido o único sobrevivente de um massacre de bebês hebreus do
sexo masculino ordenado pelo faraó, identificado por alguns como Ramsés II. Colocado numa
cesta nas águas do Nilo, acabou descoberto por uma das filhas do faraó e foi criado no palácio.
Já adulto, recebeu a revelação divina de que era hebreu e tinha por missão libertar seu povo do
cativeiro egípcio. O relato bíblico narra, de maneira alegórica, a história do hebreu que, criado
no palácio do faraó, voltou às suas origens em defesa de seu povo. Moisés de fato exigiu do
faraó que autorizasse a libertação dos hebreus, episódio que aparece, na narrativa bíblica, nas
sete pragas contra o Egito lançadas por Moisés, em nome de Yahwé.

Segundo o relato bíblico, o faraó acabou cedendo, mas logo depois se arrependeu e
partiu com seu exército no encalço do fugitivo. Nesse momento, Moisés teria realizado o
milagre de abrir um caminho no mar Vermelho, conduzindo seu povo para a outra margem, na
península do Sinai, em busca da Terra Prometida. Tratava-se, na realidade, de um retorno à
Palestina (a Terra Prometida), de onde parte dos hebreus tinham saído para o Egito. Esta
migração aparece narrada no livro bíblico do “Êxodo”.

A Moisés é atribuído o papel de legislador do judaísmo, incluindo a redação do


Pentateuco (os primeiros cinco livros do Antigo Testamento) e os Dez Mandamentos, as
tábuas da lei que segundo a Bíblia, recebeu diretamente de Deus, no monte Sinai.

O reino hebreu

A formação do Estado hebreu não foi imediata, pois houve conflitos. Os maiores
ocorreram entre as tribos do norte (que formariam posteriormente o Reino de Israel) e as do
Sul (o de Judá). Para muitos historiadores, os hebreus do norte eram mais abertos às
influências do politeísmo dos povos vizinhos, enquanto no sul eles eram monoteístas radicais.

No século XI a.C., o Estado hebreu surgiu com as 12 tribos aceitando Saul, da tribo de
Benjamin, como rei, em decorrência das exortações do juiz Samuel. A falta de união política
aumentava o risco de os hebreus serem dominados pelos povos vizinhos (como os filisteus). O
reino hebreu abrangia uma estreita faixa de terra, que se estendia desde o sul do atual Líbano
até a península do Sinai, e do mar Mediterrâneo até o rio Jordão.

No reinado de Saul, destacou-se o jovem guerreiro Davi. Ele ganhou prestígio ao


vencer os vizinhos filisteus, que cobravam impostos dos hebreus do sul. A Bíblia narra esse
combate, alegoricamente, ao mostrar a vitória de Davi sobre o gigante Golias, o líder dos
filisteus. Com a morte de Saul (suicídio ou assassinato), por volta de 1010 a.C., Davi o sucedeu
e conseguiu submeter os filisteus.

Assim, o Reino de Israel foi fortalecido, Jerusalém se consolidou como centro


administrativo e um poderoso exército foi formado. Nesse tempo, o reino passou a ser
respeitado pelos Estados vizinhos e a controlar rotas comerciais importantes. Em decorrência
dessa reorganização interna, o reino hebreu pôde expandir seus domínios, agregando terras a
leste do rio Jordão, o sul da Fenícia e parte da atual Síria (Colinas de Golã). Davi também
reforçou o judaísmo entre os hebreus; enfrentou a conspiração do filho Absalão e tornou
Betsabá uma de suas várias esposas ou concubinas – a lei judaica não impedia que o homem
tivesse várias mulheres (poliginia). Dessa união nasceu Salomão, terceiro grande rei de Israel.
Salomão ficaria conhecido pelo seu senso de justiça (vem daí a expressão justiça
salomônica). Ele assumiu o governo por volta de 965 a.C. e ordenou a construção do templo
de Jerusalém. Mandou construir um grandioso palácio com os recursos fiscais arrecadados no
comércio e na tributação das aldeias. Submeteu ainda, os hebreus do norte a trabalhos
forçados, isentando de impostos os naturais de Judá, ao sul.

Salomão estabeleceu importantes alianças casando-se com mulheres originárias de


vários povos, incluindo a filha do faraó egípcio. Chegou a ter 700 esposas e 300 concubinas,
segundo a Bíblia. A mais famosa foi a rainha de Sabá, Makeda, que governava um povo
africano localizado ao sul do antigo Egito, próximo da Etiópia. Um dos livros sagrados desse
povo, As gloriosas memórias do império, informa que a sua principal linhagem derivou da união
de Salomão com a rainha negra de Sabá.

O reino dividido

Com a morte de Salomão, por volta de 922 a.C., os hebreus se dividiram. O Reino de
Israel, ao norte, não resistiu aos assírios, em 722 a.C., comandados por Sargão II. O Reino de
Judá, ao sul, também enfraquecido, tornou-se tributário do antigo Egito por imposição do faraó
Checonq. Em 587 a.C., a cidade sagrada dos hebreus caiu de vez, conquistada pelo rei da
Babilônia, Nabucodonosor II. O célebre cativeiro da Babilônia, que somente atingiu os hebreus
do sul, perdurou até 539 a.C., ano em que a cidade foi tomada pelos persas e os hebreus
foram autorizados a regressar para suas terras.