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PALESTRA DIREITOS HUMANOS

Painel intergovernamental sobre mudanças climáticas da ONU, que


reuniu as maiores autoridades científicas sobre o tema mudanças climáticas aponta a
possibilidade do derretimento total do gelo do Pólo Norte até 2100 e a
redução da cobertura de neve em outras áreas do planeta. O que
significará uma elevação do nível do mar, que poderia chegar a até
59cm, número considerado tímido por muitos especialistas.

Se confirmadas tais previsões, o derretimento das


geleiras faria com que cidades costeiras como Rio de Janeiro, Recife ou
Nova Iorque desaparecessem inundadas pelos oceanos. As mudanças
climáticas também provocariam o desaparecimento de 50% das
espécies de fauna e flora do planeta, muitas delas ainda desconhecidas.
As previsões são consideradas até tímidas demais diante da gravidade
da situação, porque projetam os índices de poluição do ano 2000 e não
atuais que são muito maiores.

O problema ambiental não vem desacompanhado,


é acompanhado e impulsionado pela própria degradação social,
já que 1/3 da população do mundo vive em condições de miséria
e exclusão social.

Pela primeira vez na história mais de 1 bilhão de pessoas estão

subnutridas no mundo (isso representa 100 milhões a mais do que o ano

passado). Uma em cada seis pessoas no mundo passa FOME todos os dias.

O mais surpreendente é que 70% dessas pessoas que passam fome vivem
justamente nas áreas rurais. Esse dado é um dado oficial divulgado pela

FAO (órgão da ONU responsável pelo setor de agricultura e alimentos).

Esse órgão divulga ainda um crescimento brutal do preço dos alimentos e

dos insumos agrícolas no mundo.

A causa para o aumento da fome e da subnutrição no mundo é

simples: tem a ver com a profunda concentração de riquezas e nesse

modelo agrícola assentado na implantação de vastos latifúndios e na

exploração da monocultura que transforma camponeses, da noite para o

dia, em marginalizados, em excluídos, que são forçados a vender sua força

de trabalho por valores aviltantes. Aumento da produção de alimentos é

correlato ao aumento da fome. 1 bilhão de mortos vivos passando fome no

mundo, porque os alimentos são transformados em comoodfities e

negociados nos “mercados futuros”, sem qualquer relação com a demanda

real da população.

Os custos ambientais desse modelo dedesenvolvimento

predatório também são distribuídos desigualmente: é a população mais

pobre que paga o preço mais alto: é o barraco do pobre que desaba com a

enchente, é a criança pobre que mora ao lado do lixão tóxico, é o

trabalhador que depois de anos a fio de trabalho compra a sua casa com

seu FGTS e descobre que essa casa foi erguida sobre um aterro

contaminado por gazes tóxicos, como no caso do Condomínio Barão de

Mauá.
Paradoxo de civilização: grande movimento teórico e prático

para a promoção dos direitos humanos a gente vive numa sociedade de

desrespeito maciço e sistemático desses direitos.

Direitos humanos são considerados os direitos básicos e as liberdades

fundamentais que pertencem a todos os seres humanos, sem distinção de raça, cor,

sexo, idade, religião, opinião política, origem nacional ou social, ou qualquer outra,

declarados internacionalmente por meio de várias de declarações de direitos, cujo

mais conhecido é Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU de

1948.

Primeira geração de direitos humanos: surgem com a revolução

francesa e lá no século XVIII, relacionados ênfase as liberdades civis e aos

direitos individuais, ao direito de propriedade. Direito de propriedade

igualado ao direito à vida. Liberdade de voto, de expressão, de ir e vir,

liberdade religiosa, liberdade de associação, etc.

Liberdade Igualdade e Fraternidade. Marx que foi um grande

crítico das revoluções burguesas e do capitalismo afirmava ironicamente

que o mercado, o âmbito do consumo, da circulação das mercadorias é o

paraíso dos direitos humanos. No âmbito o consumo todo mundo é

aparentemente livre, como consumidores somos livres. Poder da matéria

morta (coloca o dinheiro no bolso e sai por aí com o poder de consumo,

livre para gastar como quiser, portabilidade do celular, o cartão de crédito

que te leva para onde vc quiser, etc).


Âmbito da produção o trabalhador é realmente livre? Ele que é

obrigado a se vender para subsistir, esse ato de venda não é um ato de

liberdade, ele não tem outra escolha. Desigualdade real e de não

liberdade.

Essa desigualdade econômica real, profunda e brutal que é um obstáculo

intransponível para a realização dos direitos humanos.

Ao longo do século XIX, ênfase na chamada segunda geração de

direitos humanos passa a ser a busca por uma maior igualdade real no

plano econômico, são os direitos econômicos, sociais e culturais (direito do

trabalho, direitos de cunho previdenciário, direito à saúde, à educação, ao

acesso aos bens culturais, liberdade sindical aqui é enfatizada, etc).

Se fortificam no pós segunda guerra mundial, e acabam sendo

contemplados pelas principais constituições democráticas do mundo. Se os

direitos humanos de 1ª geração implicava em limitar o poder do Estado

frente ao indivíduo, os de segunda geração tratam de fomentar um Estado

intevencionista, o Estado do bem estar social, que promoveria maior

igualdade econômica.

Finalmente, a terceira geração de direitos humanos, que

decorrem dessa evolução histórica e constitui uma mescla das outras duas

gerações ou dimensões, não tem como titular o indivíduo, mas sim grupos

humanos, idosos, as crianças, os consumidores, grupos étnicos (os negros,

os índios...) São direitos coletivos que também tem como titulares, a


família, a nação, a até toda a humanidade, na medida em que o direito a

um meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito humano

terceira geração.

E há autores que já falam em direitos humanos de 4ª geração,

distinção que teve marco inicial na obra de um jurista italiano, Norberto

Bobbio, a era dos direitos, que seriam aqueles destinados a proteger o

patrimônio genético do homem e da humanidade, contra os abusos na área

de biotecnologia (técnicas de clonagem, de alteração de genoma).

Efetividade

Caráter ideológico – falseamento da realidade, fazer crer numa

realidade que não existe e que jamais existirá – Marcelo Neves (professor

faculdade de direito da usp).

compromissos dilatórios, âmbito das promessas, crenças, sonhos jamais

realizáveis na nossa sociedade capitalista, tal como ela subsiste hoje.

Instrumento de dominação (citação).

Falta de efetivação em todas as esferas de poder.

Etienne de la Boitié.
Dimensão direitos humanos como direitos de resistência, razão

de resistência à opressão. Direito de resistir a uma ordem injusta, marca

de um espírito insurgente, instrumento político para exercício da nossa

cidadania, inspira a cão política, a práxis efetiva desses direitos no mundo

da cultura através do terceiro setor, das associações da sociedade civil,

dos conselhos, que atuam numa esfera política nova que transcende a

divisão entre público e privado. A sociedade civil se tornando sujeito do

poder. Materializar conflitos latentes e apontar a necessidade de

superação desses conflitos.

Ordem social atual, como todas as demais já foram, como tudo que é
histórico é transitória, e pode ser transformada.

O filósofo e moralista Hans Jonas enuncia que “a obrigação para com a


posteridade...a relação entre pais e filhos é o arquétipo de todo agir responsável...”
(Jonas, 1995, 88). Ao abraçar essa criança, os pais, de um certo modo, abraçam o
mundo, firmando compromisso de responsabilidade para com esse mundo que será
dela.

A responsabilidade para com a posteridade envolve a luta por uma mudança de


civilização.

GENOCÍDIO DO PONTO DEVISTA SOCIAL E

MÃE NATUREZA – VERDADEIRO MATRICÍDIO


Utopia – coisas como estão, lógica da rentabilidade, da acumulação,
da segregação econômica, da exploração e degradação da natureza e do homem. Utopia
conformista e irresponsável, destrutiva.

Utopia construtiva e mais responsável: se coloca esse grande desafio histórico de


através da própria organização social coletiva caminhar em direção a essa mudança de
civilização.

Esperança x Responsabilidade.