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Data do estudo Lição 4

Texto base: Gálatas 1:6-10

O Evangelho
da Graça
A Carta aos Gálatas

Esta epístola foi escrita, provavel- a confusão entre a lei e a graça, onde
mente, entre os anos 49 e 55 d.C. às se prega o cumprimento da lei como
igrejas da região da Galácia. Talvez algo exigível para justificação diante
seja a mais antiga escrita por Paulo. de Deus.
Era uma província romana da Ásia
Paulo se apresenta (1:1,2) aos lei-
Menor, a qual foi evangelizada por
tores como “apóstolo, não da parte
Paulo em suas viagens missionárias
de homem, nem por intermédio de
e, ali, se estabeleceram várias igre-
homem algum, mas por Jesus Cris-
jas nessa região. Portanto, a carta é
to e por Deus Pai, que o ressuscitou
endereçada não a uma igreja, mas a
dentre os mortos”. Ele não foi comis-
igrejas.
sionado nem representava alguma
instituição humana, mas unicamen-
1. Motivo da carta te Cristo. Vale dizer que, nos v.10-24,
Paulo se apresenta como alguém
Um dos erros frequentes daqueles credenciado pelo Senhor a pregar
dias e, também, de hoje, é o que Pau- o evangelho e, por isso, não o fazia
lo chamou de ‘fermento do legalis- para agradar aos homens, mas ao
mo’, então, conhecido como ‘galacia- Senhor. Ele faz um relato de sua vida,
nismo’. O estudo da carta aos Gálatas conversão, chamada e capacitação
é fundamental para se corrigir os er- para o ministério. O que ele passaria
ros doutrinários da fé cristã. É comum a tratar era tão relevante, que preci-

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sava reivindicar a autoridade divina 2. O erro que fascina
para usar suas palavras com sabe- (Cap. 3)
doria contra toda estrutura religiosa,
especialmente nesse caso, a judaica. Paulo vai mostrar como o erro fas-
cina o ser humano e, como, até os
Nos v.6-9, Paulo expõe a insegu- crentes são enganados. Ele vai reafir-
rança que pairava naquelas Igrejas. mar que, somente a justificação pela
Depois de enaltecer o evangelho da fé deve ser ensinada. Na visão pauli-
graça (1:4,5), ele passa a condenar o na, a promessa é superior à Lei. Nes-
evangelho das obras. Ele se sente se prisma, então, ele usa o exemplo
(1:6,7) espantado pela rapidez com de Abraão, considerado o Pai da fé,
que aqueles crentes retornaram às e salvo porque creu e, depois, agiu. A
doutrinas judaizantes. Para ele, esse Lei teve o propósito básico (3:19) de
é outro evangelho que, no final das mostrar ao homem sua imperfeição
contas, não é o evangelho da graça. e incapacidade e, assim, sentir a ne-
Para ele (1:8,9) não era, simplesmen- cessidade de um salvador.
te, fazer opção entre essa ou aquela
doutrina, mas trocar a verdade pela Portanto, uma vez que Cristo che-
mentira. É bom lembrar que, não se gou, nós estamos submissos a Ele
trata apenas de trocar o rótulo de um e, não mais, debaixo do jugo da Lei.
produto, mas sim o conteúdo todo. É lindo saber que, em Cristo, todos
Destarte, era o que acontecia e, as- somos iguais. Não há mais distinção
sim, o apóstolo era tão duro ao dizer entre judeu e grego; escravo ou livre;
que deviam ser mesmo considera- homem ou mulher (3:28). As dife-
dos anátemas: amaldiçoados. renças naturais não importam mais,
pois a relação com Deus depende
No cap.2:1-21, ele faz uma defesa unicamente da fé em Cristo Jesus e
contra os inimigos, os quais queriam da submissão ao seu senhorio. Não
desacreditá-lo. Ele mostra que agia há mais que pensar se somos filhos
conforme todos os demais apóstolos da escrava (Hagar) ou da livre (Sara)
de Cristo. Foi, então, que a Igreja de (4:21-31), uma vez que, pela fé, somos
Antioquia, bem como, a de Jerusa- filhos de Deus (3:1-31), gerados para
lém não tiveram dificuldades de en- sermos semelhantes a Cristo. (4:1-31).
viá-lo ao ministério entre os gentios.
No cumprimento da missão, depois
de quatorze anos, encontrou-se com 3. A liberdade cristã
Pedro e Tiago, e leva provas da efi- (5:1-15)
cácia, quando apresenta Barnabé e
Tito. Relembra um episódio da dis- Qual o conceito que temos de li-
cordância e inconsistência de Pedro, berdade cristã? Será livre, alguém
o qual foi por ele repreendido quanto que simplesmente pode ‘ir’ e ‘vir’, fi-
à essa conduta (2:11-21). sicamente falando? Paulo vai tratar
dessa liberdade espiritual, bem como

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das emoções. Como vimos, a falta ciosidade, pois, uma vez que fomos
de liberdade torna o homem cativo. chamados à liberdade, não se pode
Uma das coisas mais lindas que traz dar lugar à carne, que leva à anarquia
a justificação pela fé é a vida prática; (5:13). Notem que é o outro extremo, a
é o fato de sermos livres em nosso in- licenciosidade para pecar.
terior. Podemos até ser presos como
Em 5:16-21, Paulo chega a um pon-
Paulo, muitas vezes, e, mesmo assim,
to crucial: Quem está no comando da
podermos cantar louvores ao nosso
nossa vida: a carne ou o Espírito? A
libertador. Somente a Deus, havemos
quem estamos obedecendo? Quem
de prestar contas e o obedecermos
está nos guiando? Importa lembrar
por amor e não por obrigação, pois
que, nós temos uma natureza car-
sabemos que Seu caminho é perfeito
nal a qual, no entanto, não pode nos
e leva à vida. Nesse viés, então, estu-
dominar. Somos muito mais do que
daremos.
simples animais do campo; somos a
Neste cap.5, a ameaça que ron- imagem e semelhança de Deus. Se,
dava as igrejas da Galácia é de se em nós, existem essas duas forças
voltar à escravidão da Lei, despre- que se opõem para que não façamos
zando dessa forma a liberdade que o que queremos, cabe a cada um de
Cristo alcançou – liberdade do poder nós escolher quem vai nos conduzir
do pecado e da lei mosaica, que é o – ou o Espírito ou a carne. Contudo,
caso no presente estudo. Em 5:1-4, é preciso andar pelo espírito (5:16),
somos exortados ao fato de que de- para não cumprir a concupiscência
vemos permanecer nessa liberdade, da carne, a saber: os desejos maus,
porque do contrário a obra de Cristo impulsos e apetites carnais, que dão
torna-se em vão (v.2). Será que Cristo prazer momentâneo, mas que es-
morreu em vão? craviza, e, logo adiante, leva à morte.
Como tem sido a sua conduta, boa ou
Todavia, é isso o que acontece,
má? A expressão ‘milita’ (5:17,18) de-
quando pensamos que podemos
monstra que, a nossa mente se torna
fazer alguma coisa ou obedecer a
o campo de batalha entre o Espírito e
alguma lei para sermos salvos. É
a carne. Aquele a quem nos subme-
como se substituíssemos o Salvador
temos e passamos mais tempo, será
por nós mesmos, ou seja, por nossas
o vencedor. Teremos alegria e paz, ou
obras. A obrigação de guardar a Lei
desilusão e dor.
(v.3) é imperiosa. E quem é capaz de
realizar esse feito? Os falsos mestres, Paulo tem o cuidado de relacionar
que andavam entre as igrejas, en- algumas obras da carne, as quais po-
sinavam dessa forma, o que para o dem ser assim divididas: na área do
apóstolo era um impedimento para sexo: prostituição, impureza, lascívia.
continuarem bem a caminhada cris- Na área da religião: idolatria e feitiça-
tã (5:7). Paulo terá de advertir que, a ria. Na área social: inimizades, porfias,
liberdade não pode dar lugar à licen- ciúmes, iras, discórdias, dissenções,

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facções e invejas. Na área da alimen- devemos abrir mão do privilégio de
tação: bebedices e glutonaria. Será viver pelo Espírito e produzir o fruto
que ainda há alguém, entre nós, es- do Espírito.
cravo de algum desses pecados?
No entanto, a marca do verdadei- Para pensar e agir
ro cristão está em produzir o fruto do
espírito (5:22-26). Mas o fruto do espíri- 01. O legalismo é, ainda hoje, um
to é: amor, alegria, paz, que são frutos erro comum. Pense em como corre-
produzidos no relacionamento com mos o risco de decair da graça. Que
Deus. Longanimidade, benignidade, tipo de obras e atitudes legalistas
bondade, que são frutos produzidos são requeridas, para se ter uma apa-
em nosso relacionamento com os rência de superioridade espiritual ou
outros. Os demais frutos são produ- ajudar na salvação?
zidos em nosso relacionamento co- 02. A licenciosidade é o outro
nosco: fidelidade, mansidão e domínio extremo. Para muitas pessoas, a li-
próprio. Entretanto, a conquista sobre berdade é opção para praticar a
a carne só ocorre (5:24-26), quando a carnalidade. As obras da carne são
carne, com suas obras más, é crucifi- manifestas e a lei é dada, justamen-
cada, e passamos a andar no espírito. te, para impedi-las. Como é possível
Se, de fato, temos uma nova vida em conciliar a liberdade sem ferir o direi-
Cristo, por obra do Espírito Santo, de- to do próximo?
vemos crucificar a carne e andar no
Espírito. 03. O fruto do Espírito se manifesta
por meio do amor em suas diversas
facetas. Pense naqueles que, estão
Conclusão escravizados pelo legalismo ou mer-
gulhados no mundanismo e, sobretu-
Muitas vezes, precisamos ser
do, como você pode atingi-los com o
enérgicos na defesa da nossa fé.
amor de Deus.
Paulo não se intimidou diante dos
inimigos que perturbavam as Igrejas
da Galácia, porém, com autoridade,
Leitura Diária
chamou a todos à responsabilidade
diante de Deus. SEG Gálatas 1:1-10

Como é fácil voltar ao erro do lega- TER Gálatas 1:11-24


lismo e decair da graça. Infelizmen- QUA Gálatas 2:1-21
te, muitos irmãos estão iludidos por QUI Gálatas 3:1-29
meio desse tipo de religiosidade, que
dá uma aparência de espiritualidade. SEX Gálatas 4:1-31
Porém, para a liberdade, Cristo nos li- SÁB Gálatas 5:1-15
bertou. É preciso crucificar a carne e
DOM Gálatas 5:16-26
suas obras malignas, bem como, não

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