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Data do estudo Lição 6

Texto base: Filipenses 1:3

A Alegria
para Servir
A Carta aos Filipenses

Esta é uma das cartas mais revigo- to de Paulo, planejando voltar de sua
rantes em meio às crises, pois expres- viagem missionária para fortalecer a
sa a alegria cristã. Paulo estava preso fé dos irmãos das igrejas que já esta-
em Roma e acorrentado quando a vam estabelecidas. Entretanto, à noi-
escreveu. Como pode alguém, nessa te, ele teve uma visão de um homem
condição, pensar em alegria? que pedia: “Passa a Macedônia e
ajuda-nos” (At 16:9). Paulo obedeceu
Todavia, o Apóstolo expressa um ao chamado, crendo que era a von-
profundo sentimento de satisfação tade do Senhor e, ali, foi usado pelo
por saber que, o evangelho estava Espírito Santo para a conversão de
sendo pregado em todos os lugares, três pessoas importantes: Lídia, uma
mas também, sentia alegria, pois lem- senhora religiosa e com muitas pos-
brava-se da comunhão que lá havia. ses; uma jovem possessa; e um servi-
Esse sempre é um grande desa- dor público, o carcereiro. (At 16:11-15;
fio para nós, permanecer alegres em 16:18; 19:34).
meio às circunstâncias adversas. “Ale- Paulo inicia sua carta se apresen-
grai-vos sempre no Senhor.” (4:4) é o tando e fazendo uma oração (1:3-11),
apelo para nós, também. agradecendo a Deus a constância e
alegria daqueles irmãos, porque ape-
1. Início da igreja em Filipos sar da perseguição, a Igreja crescia.
Ele continuava pedindo para que o
Em At 16:6-40, podemos ver o rela- amor daqueles crentes transbordas-

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se, fossem cheios de ciência e conhe- cargos entre irmãos, trazendo sofri-
cimento do Senhor e Sua graça, pois mento, como disse Paulo: julgando
sem conhecer, como se pode amar? suscitar tribulação as minhas cadeias
(17). Contudo, o apóstolo afirma que
Sendo assim, eles poderiam pro- apesar de tudo, experimentou muitas
var as coisas excelentes da vida cristã bênçãos, seja na guarda pretoriana,
até a volta de Cristo. na igreja e na sua própria vida, a pon-
to de chegar a pensar numa difícil es-
2. Apesar das colha: morrer ou viver? E ele confessa
circunstâncias, alegria que se fosse possível, desejava partir
e estar com Cristo, o que é incompara-
(1:12-26) velmente melhor (23).
É sempre bom lembrar que, o iní-
cio do ministério de Paulo, em Filipos, 3. Motivação para viver e
teve um episódio de muita alegria, alegrar-se (1:27; 2:30)
apesar do perigo que correra. Ele e
Silas estavam presos e acorrentados, O relacionamento humano era
cantando louvores e, então, houve algo que preocupava o apóstolo, sen-
um terremoto e o Senhor os libertou. do um desafio para nós, também. A
Paulo pôde testemunhar ao carcerei- alegria, com certeza, depende dos
ro, o qual estava totalmente sem es- relacionamentos com as pessoas que
perança, querendo tirar a própria vida. conhecemos. Um dos grandes pro-
Talvez, Paulo, ao escrever essa blemas nas famílias e, especialmen-
carta, se lembrasse desse ocorrido. te, nas igrejas é a desavença entre
Entretanto, se vê na mesma condição irmãos.
em Roma, pois no v.18 diz: “Com isto Por isso, para que haja verdadeira
me regozijo, sim, sempre me regozija- unidade no Espírito, é fundamental
rei”. Assim, vemos um servo de Deus, que “nada façais por partidarismo ou
louvando, em uma situação difícil. E vanglória” (2:3), mas sim, “fazei tudo
nós? Como é nossa disposição, quan- sem murmurações nem contendas”
do tudo está aparentemente ruim? (2:14).
Cantamos ao Senhor?
Em Filipenses 1:27-30, Paulo vai
Paulo continua e expõe o seu so- observar que, deveras, aparece opo-
frimento: 1:12-18; foi injustiçado nas sição dos adversários, assim como,
cadeias (13); e, também, enfrentou in- há o pecado de dentro, o qual Paulo
veja de colegas (15-18). Esse episódio chama de partidarismo ou vanglórias.
aconteceu, quando Paulo não estava
presente na Igreja e alguns intrusos Essa situação-problema não é
buscavam a preeminência, aprovei- uma exclusividade desta igreja, mas
tando-se desse fato. de muitas outras, como era o caso da
Igreja de Corinto, onde havia conten-
Um arsenal de pastores e líderes, das e ciúmes. O que, então, motiva
muitas vezes, sofre com a disputa de a busca pela harmonia? (2:1) Alguma

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exortação em Cristo. Tudo deve ser em 4. Razão para alegrar-se
Cristo, pois assim a comunhão de fato (3:1-21)
prevalece. Alguma consolação em
amor. Se o amor de Deus está em nós Podemos nos perguntar: Qual era
como nos demais, isso nos faz unidos o fundamento da alegria de Paulo e
uns aos outros e queremos o bem co- daquela Igreja? A linha de pensamen-
mum. Alguma comunhão do Espírito. to discorrida por ele é que, alegria é
Assim como existe um só Espírito, ele no Senhor. Eis aqui um desafio apre-
não pode ser dividido. Qual é o resul- sentado: de não olhar para as condi-
tado de estar desse modo em Deus? ções pessoais para se alcançar a feli-
É que se há de pensar de igual forma, cidade. Paulo faz uma relação de sua
igualmente; ter o mesmo amor; ficar vida pregressa e descarta tudo isso.
unidos de alma e ter o mesmo senti- Ele diz que foi religioso desde criança:
mento – aquele que houve em Cristo circuncidado ao oitavo dia, da linha-
Jesus. gem de Israel, da tribo de Benjamim,
hebreu de hebreus, quanto à lei, foi
Esse é o exemplo para viver uma
fariseu. (3:2-7). Ele vivia de acordo com
vida feliz. Paulo vai relatar o feito de
todos os detalhes da lei e era honra-
Jesus por nós, contando esse feito a
do pela sua posição social e religiosa.
partir da cruz. Quem era aquele que
Pode-se dizer que, era irrepreensível
estava pregado àquela cruz? Muitas
e pensava que tudo isso era muito lu-
pessoas, também, morreram cruci-
cro. No entanto, quando se encontrou
ficadas, todavia, Cristo é o único que
com Cristo, tudo passou a ser perda,
deixou a sua glória e se encarnou,
pois o que realmente valia a pena era
habitando entre nós. Quanta humilda-
conhecer a Cristo (3:8-11).
de! Abriu mão dos seus direitos, pois,
sendo Deus, assumiu a forma de ser- O grande objetivo de Paulo foi
vo, se esvaziando, sendo obediente demonstrado na figura de um atle-
até à morte. O próprio Senhor decidiu ta (3:12-16), para mostrar o perigo de
se humilhar assim. Vamos relacionar, achar-se satisfeito com a vida presen-
então, como foi a humilhação do Se- te, ao passo que precisamos melho-
nhor Jesus (2:6-8): “ele se esvaziou; rar sempre, conhecer mais de Cristo,
assumiu a forma de servo; tornou-se tendo comunhão com Ele e demons-
semelhante a homens; se humilhou; trando o nosso amor através do ser-
foi obediente até à morte; morte de viço cristão. Numa olimpíada, o atleta
cruz”. Sendo assim, Deus o exaltou é motivado a sempre prosseguir para
soberanamente; e lhe deu o nome o alvo. Nada deve desconcentrá-lo
que está acima de todo nome. É o na hora da prova. Assim somos nós
nome do servo sofredor, o qual vem em nossa carreira cristã: precisamos
e absorve toda dor humana; vence na deixar as coisas que para trás ficam
morte, e está agora no trono da Glória e avançar para as que estão adiante.
eterna. Por isso, todo joelho haverá de Nosso lema deve ser: Prossigo para o
dobrar, e toda a língua confessará que alvo, pelo prêmio da soberana voca-
Jesus Cristo é Senhor. ção de Deus em Cristo Jesus (3:14).

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O que você precisa abandonar? O Jesus é nosso exemplo maior, o
que atrapalha você de correr a car- qual deixou a sua glória e passou
reira cristã e de almejar o prêmio que pelas mesmas provações se com-
Deus tem a seu favor? Há algumas paradas às nossas e, ainda, foi morto
estratégias que Paulo compartilhou: na cruz, sem ter cometido pecado al-
01. Imitar o exemplo dele (3:17). Eis aí gum. Paulo, também, é exemplo para
um bom exemplo a seguir, e se pen- nós, pois, mesmo na prisão, sentia-se
sarmos que seja impossível viver a alegre com a vida e olhava para fren-
vida cristã com determinação, o seu te, na verdade para o alto, para o prê-
exemplo nos desafia a viver no limite mio que lhe estava proposto no céu.
da vida cristã; 02. Evitar maus exem- Sigamos esses exemplos e sejamos
plos (3:18). Há muitos inimigos da cruz alegres em Cristo Jesus.
de Cristo a nos rodear, mas nunca
devemos permitir que tais pessoas
sejam exemplos para nós; 03. Olhar Para pensar e agir
firmemente para a pátria celestial
01. Se porventura você fosse con-
(3:20,21).
denado injustamente, como você se
Nesse viés, então, precisamos comportaria? Talvez, para muitas pes-
nos lembrar sempre que a nossa pá- soas, o mundo acabasse, a vida não
tria não é aqui, por mais distraídos teria mais valor. Coloque-se no lugar
que fiquemos com as coisas desse de Jesus e Paulo, refletindo que Deus
mundo. Logo, devemos olhar para o está no controle, mesmo que a injus-
alto, porque nossa pátria está no céu. tiça prevaleça.
Quando aquele dia chegar, uma das
02. A alegria passa por relaciona-
glórias que havemos de desfrutar
mentos com o próximo. Você se sente
será a transformação do nosso corpo
alegre com sua família e irmãos da
carnal. Todas as dores, enfermidades,
Igreja? Será que, na sua Igreja, você
imperfeições, males dessa vida e a
sente verdadeira unidade do Espírito?
aparente finitude, tudo será vencido.
Seremos à semelhança de Cristo,
transformados e glorificados! (1Jo 3:2;
Rm 6:5).
Leitura Diária
Conclusão SEG Filipenses 1:1-12
TER Filipenses 1:13-30
Muitas vezes, nos sentimos injus-
tiçados pela vida, murmurando e re- QUA Filipenses 2:1-18
clamando, porque acontece isso ou QUI Filipenses 2:19-30
aquilo. Nesse estudo, somos desa-
fiados a encarar a realidade. É mister SEX Filipenses 3:1-11
dizer que, até mesmo, em circunstân- SÁB Filipenses 3:12-41
cias desfavoráveis, Deus está no con-
trole de tudo. DOM Filipenses 4:2-23

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