Você está na página 1de 3

Tema: O papel do Procurador do Estado na sociedade do Século XXI;

INTRODUÇÃO

Após uma acurada análise dos temas a serem debatidos no XXXV Congresso Nacional de Procuradores
do Estado, em especial aquelas constantes das especialidades do Direito Constitucional, Direito
Processual Civil e Direito Tributário, em relação aos quais tenho maior afinidade, um deles me chamou
especial atenção, referente ao papel do procurador do Estado, na sociedade do século XXI, motivo pelo
qual resolvi dedicar meus estudos e pesquisas em torno do mesmo.

Já há algum tempo venho me questionando sobre o papel do procurador do Estado e penso que ele não
pode se limitar ao exercício da advocacia pública, consubstanciada na defesa do Estado no âmbito civil,
tributário, trabalhista, fundiário, bem como na elaboração de pareceres administrativos, através dos
departamentos dedicados ao contencioso e à consultoria, mas, sobretudo, velar pela supremacia do
interesse público, influenciando as decisões sobre as políticas públicas, interagindo com a sociedade de
forma mais efetiva, alargando os limites do possível.

A sociedade brasileira vem passando por profundas modificações, desde o surgimento da atividade do
procurador, passando pelas diversas constituições até a promulgação da Constituição Federal de 1988.

O requisito do concurso público para o ingresso nos cargos públicos, entre eles o cargo de Procurador do
Estado, trouxe uma mudança de paradigma que influencia diretamente no papel atual do procurador do
Estado, que não é mais indicado por políticos, fato este que possibilita uma atuação mais independente
e autônoma.

O fato de não estar atrelado a grupamentos políticos possibilita uma atuação independente, corajosa,
além da defesa intransigente do interesse público, o que não significa um agir descontrolado, mas,
sobretudo, inspirado nos princípios constitucionais, os quais devem ser imperiosamente preservados.

Dessa forma, o presente estudo passa por uma reflexão do papel do procurador em cada área específica
de defesa e consultoria estatal, para chegar a uma atuação pró-ativa, que possa influenciar na escolha
de políticas públicas inovadoras, criativas, capazes de colaborar na construção de uma sociedade livre,
justa e solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir
as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, objetivos estes fundamentais da República
Federativa do Brasil, consubstanciados nos termos do art. 3º da Carta Magna de 1988.

É verdade que a atuação do procurador do Estado encontra limites no direito constitucional, no


princípio da legalidade, devendo respeitar a área de atuação do Judiciário, do Ministério Público, bem
como de outras carreiras, no entanto, penso que não se pode limitar à confecção de pareceres e peças
jurídicas, mas, sim, tem um compromisso social maior, motivo pelo qual se deve pensar seriamente na
sua organização enquanto categoria, através das associações a nível estadual e da ANAPE, a nível
nacional, bem como através da OAB.

Nesse diapasão, é de bom alvitre pontuar que a motivação de escrever sobre esse tema nasceu do
idealismo que ainda possuo em minha mente e em meu coração, de podermos construir um mundo
melhor.
BIBLIOGRAFIA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988, edição 2009.
CANOTILHO, JJ GOMES. Direito Constitucional e Teoria da Constituição, Editora Almedina, 3ª
Edição, 1999.
CARVALHO FILHO, José dos Santos, Manual de Direito Administrativo, 19ª edição, Lúmen Júris
Editora, Rio de Janeiro, 2008.
DE MELO Celso Antonio Bandeira, Curso de Direito Administrativo, Malheiros Editores, 22 ª
edição, 2006.
SPECK, Bruno Wihelm, (org.) Caminhos da Transparência, Editora da UNICAMP, 2002, P. 111.

Você também pode gostar