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ESTATUTO DO DESARMAMENTO
Lei nº 10.826/2003

1. Evolução legislativa

Atualmente, as condutas de porte ilegal, posse irregular, comércio ilegal e o tráfico internacional de arma
estão regulamentadas pelo Estatuto do Desarmamento, a Lei de nº 10.826/2006. Contudo, a tipificação dessas
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condutas nem sempre estiverem presentes na referida legislação.
Nesse sentido, faz-se necessário uma análise breve da evolução legislativa.
1.1 Lei das Contravenções Penais
O primeiro diploma legal a tratar da matéria foi a Lei de Contravenções penais em seu art. 19, tipificando
o Porte Ilegal de Armas. O referido diploma legal foi parcialmente revogado em relação as armas de fogo, contudo,
aplica-se para as chamadas “armas brancas”.

O art. 19, §2º, letra C, da Lei das Contravenções Penais ainda continua em vigor somente em relação às
armas brancas e as de arremesso ou munição e em relação ao inexperiente que se apodera da arma.

→ O porte ilegal de arma de fogo foi, por muito tempo, considerado somente contravenção penal, prevista no art.
19 da Lei das Contravenções Penais.

1.2 Lei das Armas de Fogo (Lei nº 9.437/1997)


Em sequência em 1997, temos a Lei de Armas de Fogo. Com a referida legislação o porte ilegal de arma
de fogo deixou de ser contravenção penal e passou a configurar crime.

Desse modo, temos que até 1997, as condutas envolvendo armas de fogo eram apenas contravenção penal
previstas na lei das contravenções penais (DL 3688). Em 1997, por sua vez, surgiu a Lei nº 9.437. Essa lei foi
denominada de lei das armas de fogo.

→Assim, as condutas envolvendo armas de fogo deixaram de ser contravenção e passaram a ser crime. Todos os
crimes estavam concentrados no art. 10 dessa lei.

1.3 Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003)


Em sequência surge a Lei de nº 10.826/2003, o nosso atual Estatuto do Desarmamento.

→Essa lei também manteve as condutas envolvendo armas de fogo como crimes, além de prever várias outras
providências, como a restrição à venda, registro e autorização para o porte de arma de fogo, a tipificação dos crimes
de posse e porte de munição, tráfico internacional de armas de fogo, dentre outras.

As condutas consideras crimes encontram-se concentradas entre os arts. 12 a 18 da legislação ora em estudo.
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Vamos Esquematizar?

Lei das Contravenções Lei das Armas de Fogo Estatuto do Desarmamento


O porte ilegal de arma de As condutas envolvendo Manteve as condutas
fogo era considerado somente armas de fogo deixaram de envolvendo armas de fogo
contravenção penal, prevista ser contravenção e passaram a como crimes, além de prever
no art. 19 da Lei das ser crime. Todos os crimes várias outras providências,
Contravenções Penais. estavam concentrados no art. como a restrição à venda,
10 dessa lei. registro e autorização para o
porte de arma de fogo, a 550
tipificação dos crimes de
posse e porte de munição,
tráfico internacional de armas
de fogo, dentre outras.

2. Noções Preliminares

2.1 Capítulo I do Estatuto do Desarmamento


O Capítulo I do Estatuto do Desarmamento regulamenta o SINARM – Sistema Nacional de Armas, órgão
instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal, com circunscrição em todo o território nacional.

Faz-se necessário destacarmos que antes o controle de armas de fogo era exercido pelos Estados, por meio
da Polícia Civil. Vejamos:

Art. 2º, parágrafo único: “As disposições deste artigo não alcançam as armas de fogo das
Forças Armadas e Auxiliares, bem como as demais que constem dos seus registros
próprios.”

Obs.1: o Estatuto do desarmamento não se aplica às Forças Armadas e auxiliares.

Obs.2: o Estatuto do Desarmamento foi regulamentado pelo Decreto n° 5.123/2004.


3. Classificação das Armas de Fogo

Classificação
Armas de fogo de uso permitido Armas de fogo de uso restrito Armas de fogo de uso proibido
Aquelas acessíveis tanto as As de uso exclusivo das Forças Aquelas em que há vedação total
pessoas físicas quanto as pessoas Armadas, de instituições de ao uso, por exemplo, armas
jurídicas que preencherem os segurança pública e de pessoas químicas e nucleares.
requisitos necessários, exigidos físicas ou jurídicas habilitadas,
no Estatuto do Desarmamento. devidamente autorizadas pelo
Comando do Exército

3.1 Armas de fogo de uso permitido


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Segundo Cleber Masson, as armas de fogo de uso permitido são aquelas cuja utilização pode ser autorizada
a pessoas físicas e a pessoas jurídicas. A relação encontra-se no artigo 17 do Decreto n° 3.665/2000, que deu uma
nova redação ao Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados - R-105.

DECRETO Nº 5.123, DE 1º DE JULHO DE 2004. Art. 10. Arma de fogo de uso permitido
é aquela cuja utilização é autorizada a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas, de
acordo com as normas do Comando do Exercito nas condições previstas na Lei nº
10.826/2003. 551

São aquelas acessíveis tanto as pessoas físicas quanto as pessoas jurídicas que preencherem os requisitos
necessários, exigidos no Estatuto do Desarmamento.

3.2 Armas de fogo de uso restrito


Por outro lado, as chamadas armas de fogo de uso restrito são as de uso exclusivo das Forças Armadas, de
instituições de segurança pública e de pessoas físicas ou jurídicas habilitadas, devidamente autorizadas pelo
Comando do Exército (art. 11 do Decreto 5.123/2004, com relação contida no art. 16 do Decreto n. 3665/2000).
Exemplo: pistola 9 milímetros; fuzil, etc.

3.3 Armas de fogo de uso proibido


O Decreto nº 5.123, de 1º de Julho de 2004 não definiu o que se entende por armas de fogo de uso proibido,
contudo, a doutrina define como sendo aquelas em que há vedação total ao uso, por exemplo, armas químicas e
nucleares.

3.4 Conceito técnico de Arma de fogo; Acessório e Munição

a) Arma de Fogo: arma que arremessa projéteis empregando a força expansiva dos gases gerados pela
combustão de um propelente confinado em uma câmara que, normalmente, está solidária a um cano que tem
a função de propiciar continuidade à combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil.
Obs.1: Se o artefato não é apto a produzir o referido efeito, não será considerada arma de fogo.
b) Acessório: artefato que, acoplado a uma arma, possibilita a melhoria do desempenho do atirador, a
modificação de um efeito secundário do tiro ou a modificação do aspecto visual da arma. (Ex. silenciador
altera o efeito secundário do tipo – altera o som/ bandoleira de arma).
c) Munição: artefato completo, pronto para carregamento e disparo de uma arma, cujo efeito desejado pode
ser: destruição, iluminação ou ocultamento do alvo; efeito moral sobre pessoal; exercício; manejo; outros
efeitos especiais.

4. Registro e Porte de Arma de Fogo


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4.1 Aquisição da Arma


Trata-se do ato da compra da arma. Uma vez interessado (a) em adquirir a arma, qual o procedimento a
ser feito?

A pessoa interessada na aquisição da arma de fogo deve ser maior de 25 anos de idade (art. 28), salvo nas
hipóteses indicadas nos incs. I, II, II, V, VI, VII e X do art. 6º.
Regra Exceção (não precisa ter mais de 25 anos de idade).
Deve ser mais I – os integrantes das Forças Armadas; 552
de 25 anos. II – os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144
da Constituição Federal;
III – os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos
Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes;
ATENÇÃO: para as capitais de Estados não importa a quantidade de
habitantes, mas, para os Municípios, é necessário número de habitantes
previamente descrito em lei.

V – os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os


agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República;
VII – os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os
integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias;
X - integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de
Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analista Tributário.

Além da idade mínima, para adquirir a arma de fogo é preciso atender a determinados requisitos estipulados no
Estatuto do Desarmamento, tais como:
• Comprovação da idoneidade;
• Ocupação lícita e residência;
• Capacidade para manuseio da arma, art.
Vejamos o teor do art. 4º do Estatuto:
Art. 4º Para adquirir arma de fogo de uso permitido o interessado deverá, além de declarar a
efetiva necessidade, atender os seguintes requisitos:
I – comprovação de idoneidade, com apresentação de certidões negativas de antecedentes
criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Miliar e Eleitoral e de não estar
respondendo a inquérito policial ou a processo criminal, que poderão ser fornecidas por
meios eletrônicos;
II – apresentação de documento comprobatório de ocupação lícita e de residência certa;
III – comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma
de fogo, atestadas na forma disposta no regulamento desta Lei.
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Se presentes os requisitos legais, o SINARM emitirá autorização para compra da arma de fogo, em nome
do postulante e exclusivamente para a arma indicada. Por sua vez, a compra de munição somente poderá ser feita
no calibre correspondente à arma adquirida (art. 4°, § 2°).

Requerimento ao SINARM →Autoriza →Adquiri →realiza o REGISRO.

4.2 Registro da arma de fogo


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Após o ato de aquisição da arma de fogo, o interessado deverá proceder com o registro. Nesse contexto,
indaga-se: qual será o órgão competente para realizar o registro? DEPENDE. Vejamos:

a) arma de fogo de uso permitido: será registrada na Polícia Federal, após a anuência do SINARM, com
validade em todo o território nacional;

b) arma de fogo de uso restrito: será registrada no Comando do Exército (art. 27 do Estatuto do
Desarmamento).

O registro autorizará o proprietário a manter a arma de fogo no interior de sua residência ou dependência
desta, exclusivamente, ou ainda em seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou responsável legal do
estabelecimento ou empresa.

O registro da arma legítima o individuo a possuir a arma, mas não a portar. Dessa forma, possuindo apenas
o registro o sujeito não poderá sair pelas ruas com a arma.

Deverá:

- manter no interior de sua residência ou dependência desta;

- manter em seu local de trabalho, desde que seja o titular ou responsável.

4.3 Autorização para o Porte


Conforme estudado acima, percebemos que apenas o registro não autoriza o porte. Nessa linha, para trazer
consigo a arma de fogo em via pública ou locais distintos, será necessária a autorização para o porte (artigo 6° e
seguintes).

Nesse contexto indaga-se, qual o procedimento para conseguir esse porte?

No Ordenamento Jurídico Brasileiro, em regra, é vedado (proibido) em todo o território nacional (art. 6°).
Contudo, excepcionalmente, a legislação a autorização para o porte poderá ser concedida em algumas hipóteses,
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seja em caso da função do sujeito (art. 6°), seja em decorrência da obtenção de autorização junto à Polícia Federal,
após a anuência do SINARM, desde que preenchidos os requisitos legais (art. 10).

Art. 6º É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos
previstos em legislação própria (...).

Porte Funcional x Servidor Aposentado


O servidor aposentado tem direito ao porte funcional? 554

STJ: “O porte de arma de fogo a que têm direito os policiais civis (arts. 6º da Lei 10.826/2003 e 33
do Decreto 5.123/2014) não se estende aos policiais aposentados. Isso porque, de acordo com o art.
33 do Decreto 5.123/2004, que regulamentou o art. 6º da Lei 10.826/2003, o porte de arma de fogo
está condicionado ao efetivo exercício das funções institucionais por parte dos policiais, motivo
pelo qual não se estende aos aposentados” (HC 267.058/SP, rel. Min. Jorge Mussi, 5ª Turma, j.
04.12.2014, noticiado no Informativo 554).
Observações:
 A autorização para o porte pode ser concedida com eficácia temporária e territorial (art. 10, § 1°), e perderá
sua eficácia se o portador for com ela detido ou abordado em estado de embriaguez ou sob o efeito de
substâncias químicas ou alucinógenas (art. 10, § 2°).

 A autorização para o porte não permite o porte ostensivo da arma de fogo, ou de entrar ou com ela
permanecer em locais públicos ou com aglomeração de pessoas (Decreto 5.123/2004, art. 26). A violação
dessa regra importa na cassação da autorização e apreensão da arma de fogo.

 O porte de trânsito para desportistas, colecionadores e caçadores será concedido pelo Comando do
Exército (Decreto 5.123/2004, art. 32). – exemplo: competidor de tiro.

É típica (art. 14 da Lei 10.826/2003) a conduta do praticante de tiro desportivo que


transportava, municiada, arma de fogo de uso permitido em desacordo com os termos de sua
guia de tráfego, a qual autorizava apenas o transporte de arma desmuniciada. Em relação aos
atiradores, foi autorizado o porte apenas no momento em que a competição é realizada.
Informativo 540, STJ. Pratica o crime do art. art. 14 da Lei n.° 10.826/2003 o praticante de
tiro desportivo que transporta, municiada, arma de fogo de uso permitido em desacordo com
os termos de sua guia de tráfego, a qual autorizava apenas o transporte de arma
desmuniciada.

 O porte na categoria de “caçador de subsistência” poderá ser concedido pela Polícia Federal aos residentes
em áreas rurais que comprovem depender do emprego de arma de fogo para prover a subsistência alimentar
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familiar, desde que se trate de arma portátil, de uso permitido, de tiro simples, com um ou dois canos, de
alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16 (art. 6°, § 5° do Estatuto c.c. art. 17 do Decreto 5.123/2004).

4.4 Ausência do registro ou autorização para o porte e adequação típica

Candidato, qual é a consequência jurídica da ausência do registro ou autorização? Aquele que não tem registro
pratica crime? E aquele que não tem a autorização pratica fato típico?
A falta do registro de uma arma de uso permitido leva ao crime do art. 12 (Porte ilegal de arma de fogo). 555
Por outro lado, quando a arma é de uso permitido, mas o agente não tem a autorização para o porte, ele comete o crime de
porte ilegal de arma de fogo (art. 14).

Por fim, quando a arma de fogo é de uso restrito, mas o agente não tem a autorização para o porte ou o registro, ele
comete o crime do artigo 16 do Estatuto.

Vamos Esquematizar?

Arma permitida – Caracteriza o crime de Posse ilegal de arma


ausência do registro de fogo - art. 12 do Estatuto do
Desarmamento.
Arma permitida – Caracteriza o crime de Porte ilegal de arma de
ausência de autorização para o porte fogo – art. 14 do Estatuto do Desarmamento.
Arma de uso restrito – Caracteriza o crime do art. 16 do Estatuto do
registro ou porte Desarmamento.

STJ: “É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou
possuir arma de fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do
Desarmamento, que impõem registro das armas no órgão competente” (STJ: RHC
70.141/RJ, rel. Min. Rogério Schietti Cruz, 6ª Turma, j. 07.02.2017, noticiado no
Informativo 587).

4.5 Lei 13.870/2019: a autorização para posse de arma de fogo abrange toda a extensão do imóvel rural (e não
apenas a sede da propriedade)

A lei nº 13.870/2019 altera a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, para determinar que, em área rural,
para fins de posse de arma de fogo, considera-se residência ou domicílio toda a extensão do respectivo imóvel.
Vejamos:
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LEI Nº 13.870, DE 17 DE SETEMBRO DE 2019

Altera a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, para


determinar que, em área rural, para fins de posse de
arma de fogo, considera-se residência ou domicílio toda
a extensão do respectivo imóvel.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei: 556

Art. 1o O art. 5º da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, passa a vigorar acrescido


do seguinte § 5º:

“Art. 5º .....................................................................................................................

...................................................................................................................................

§ 5º Aos residentes em área rural, para os fins do disposto no caput deste artigo, considera-
se residência ou domicílio toda a extensão do respectivo imóvel rural.” (NR)

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 17 de setembro de 2019; 198o da Independência e 131o da República.

Vamos compreender o que mudou com a alteração proposta pela Lei n° 13.870/2019.

• Requisitos para aquisição de arma de fogo


O Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003) prevê, em seu art. 4º, uma série de requisitos para que a
pessoa possa adquirir uma arma de fogo de uso permitido:

Art. 4º Para adquirir arma de fogo de uso permitido o interessado deverá, além de declarar a
efetiva necessidade, atender aos seguintes requisitos:
I - comprovação de idoneidade, com a apresentação de certidões negativas de antecedentes
criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e de não estar
respondendo a inquérito policial ou a processo criminal, que poderão ser fornecidas por
meios eletrônicos;
II – apresentação de documento comprobatório de ocupação lícita e de residência certa;
III – comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma
de fogo, atestadas na forma disposta no regulamento desta Lei.
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• Certificado de Registro de Arma de Fogo

Depois de cumpridos os requisitos legais e expedida a autorização de compra de arma de fogo pelo SINARM,
o interessado deverá requerer da Polícia Federal o certificado de registro de arma de fogo.
Esse certificado conferirá ao titular da arma de fogo o direito de possuí-la no interior de sua residência ou
domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal
pelo estabelecimento. Veja o que diz o caput do art. 5º: 557

Art. 5º O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território


nacional, autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de
sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde
que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.
§ 1º O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia Federal e será
precedido de autorização do Sinarm.
(...)

• Posse x porte de arma de fogo


Vale aqui relembrar a diferença entre posse e porte de arma de fogo.

POSSE PORTE
Se o indivíduo tem direito à posse, Se o indivíduo tem direito ao porte,
significa que ele está autorizado a manter significa que ele está autorizado a carregar
a arma de fogo exclusivamente no consigo a arma de fogo mesmo em outros
• interior de sua residência ou domicílio; ambientes que não sejam a sua residência
ou ou trabalho.
• no seu local de trabalho (desde que seja
ele o titular ou o responsável legal pelo
estabelecimento ou empresa).
A autorização para posse é concedida por A autorização para o porte de arma de
meio de certificado expedido pela Polícia fogo de uso permitido é de competência da
Federal, precedido de cadastro no Sinarm. Polícia Federal e somente será concedida
após autorização do Sinarm.
É necessário que o interessado cumpra os É necessário que o interessado cumpra os
requisitos previstos no art. 4º da Lei nº requisitos previstos no art. 10, § 1º, da Lei
10.826/2003. nº 10.826/2003.
O titular deste direito recebe um O titular deste direito recebe um
documento chamado “certificado de documento chamado “porte de arma de
registro de arma de fogo”. fogo”.
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O indivíduo que possui ou mantém arma O indivíduo que é encontrado com arma
de fogo, acessório ou munição (de uso de fogo, acessório ou munição (de uso
permitido) em sua residência ou trabalho, permitido) fora de sua residência ou local
sem que tivesse autorização para isso (sem de trabalho sem que tivesse autorização
que tivesse certificado da Polícia Federal), para isso (sem que tivesse porte de arma),
comete o crime de posse irregular de arma comete o crime de porte ilegal de arma de
de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/2003). fogo (art. 14 da Lei nº 10.826/2003).

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• Posse de arma de fogo para indivíduo que mora em zona rural (NOVIDADE)

É comum que a Polícia Federal conceda certificado de registro de arma de fogo para pessoas que moram em
zona rural, tendo em vista que geralmente atendem aos requisitos do art. 4º da Lei nº 10.826/2003.
Assim, essas pessoas ficam autorizadas a possuir arma de fogo em suas residências ou locais de trabalho.
Ocorre que a estrutura do imóvel rural é diferente dos imóveis urbanos. Isso porque no imóvel rural é comum
haver um local onde a família efetivamente mora, ou seja, onde dorme, faz as refeições, onde é o banheiro etc. Esse
local é a casa, que é conhecida como “sede da propriedade”/ “sede da fazenda”. No entanto, essa casa (sede da
propriedade) é o menor local do terreno, existindo uma vasta área ao redor, onde os ocupantes do imóvel
desenvolvem as atividades rurais, como plantações, criação de gado, de porcos, aves etc.
Assim, a estrutura do imóvel rural é composta pela sede da fazenda e pelo terreno, sendo este último a maior
extensão territorial.
O art. 5º da Lei nº 10.826/2003 afirma que o titular do certificado de Registro de Arma de Fogo tem o direito
de manter a sua arma de fogo “exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses,
ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou
empresa.”
Para mim, não havia dúvidas de que uma interpretação teleológica permitia que concluíssemos que a
autorização conferida pelo art. 5º abrangia tanto a sede da fazenda como o restante do terreno. No entanto, o
legislador entendeu que seria mais adequado e seguro que essa interpretação ficasse expressamente consignada na
Lei e, portanto, inseriu um parágrafo ao art. 5º com essa informação. Confira:

Art. 5º (...)
§ 5º Aos residentes em área rural, para os fins do disposto no caput deste artigo, considera-se residência ou
domicílio toda a extensão do respectivo imóvel rural. (Incluído pela Lei nº 13.870/2019)
559

Ex: João possui uma fazenda de 2 mil hectares onde cria 10 mil cabeças de gado. Ele possui um certificado de
registro de arma de fogo. Isso significa que ele pode ficar com sua espingarda dentro da casa onde mora com a
família (sede da fazenda) e também pode andar com ela por toda a extensão dos 2 mil hectares de sua fazenda.

Fonte: https://www.dizerodireito.com.br/2019/09/lei-138702019-autorizacao-para-posse-de.html | Comentado por


Márcio André Lopes (Dizer o Direito).
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Antecipação da Tutela Penal – “crimes de obstáculo”


O Estatuto do Desarmamento prevê tipos penais preventivos. Tipos preventivos são aqueles que criam os chamados
crimes obstáculo, ou seja, aqueles em que o legislador antecipa a tutela penal, incriminado um ato preparatório de forma
autônoma.

HABEAS CORPUS. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO


RASPADA. ARMA DESMUNICIADA. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. REGIME
INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA. FIXAÇÃO DO REGIME MAIS GRAVOSO
UNICAMENTE EM RAZÃO DA GRAVIDADE ABSTRATA DO DELITO.
REINCIDÊNCIA. SÚMULAS 269 E 440/STJ E 718 E 719/STF. PARECER ACOLHIDO.
1. É irrelevante aferir a eficácia da arma para a configuração do tipo penal estabelecido no
art. 16, parágrafo único, IV, da Lei n. 10.826/2003, pois a lei visa proteger a incolumidade
pública, transcendendo a mera proteção à incolumidade pessoal. Para tanto, basta a
probabilidade de dano, e não a sua efetiva ocorrência. Trata-se de delito de perigo abstrato,
que tem como objeto jurídico imediato a segurança pública e a paz social, assim, para a
configuração do crime, é suficiente o simples porte de arma desmuniciada. Precedente da
Sexta Turma.
2. De acordo com as Súmulas 440/STJ e 718 e 719/STF, a imposição de regime prisional
mais severo do que o quantum da pena autoriza requer motivação idônea.
3. É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados à pena
igual ou inferior a 4 anos se favoráveis, como no caso, as circunstâncias judiciais (Súmula
269/STJ).
4. Ordem concedida em parte, para fixar o regime inicial semiaberto.(HC 211.823/SP, Rel.
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 22/03/2012, DJe
11/04/2012).

Registro de arma de fogo e Lei Maria da Penha: Aplicação de Medida protetiva de Urgência – Suspensão
da Posse ou Restrição do Porte
560

A Lei Maria da Penha prevê a suspensão da posse ou restrição do porte de armas no caso de violência
doméstica ou familiar contra a mulher. Se o sujeito permanecer com a arma de fogo, ele cometerá o crime previsto
no artigo 12 ou no art. 16 do Estatuto do desarmamento, a depender da espécie da arma de fogo.

Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos
desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as
seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:I - suspensão da posse ou restrição do560
porte de armas, com comunicação ao órgão competente.

5. Dos Crimes

5.1 Bem Jurídico Tutelado

A segurança pública e a incolumidade pública, que são interesses vinculados a um corpo social, tendo a
coletividade como titular, e, não, a uma pessoa isolada ou grupo isolado de pessoas. Portanto, é CRIME VAGO
(aquele em que o sujeito passivo é uma coletividade sem personalidade jurídica, ou seja, uma comunidade inteira e
não apenas uma pessoa).

5.2 Competência

Em regra, a competência para o processo e para o julgamento é da justiça estadual, uma vez que o bem
jurídico tutelado não diz respeito a nenhum interesse da União exclusivamente nos moldes do art. 109 da CRFB/88.
O fato de haver o controle de armas pelo SINARM, órgão pertencente ao Ministério da Justiça, Poder Executivo
Federal, como vimos antes não justifica a competência da justiça federal.

Contudo, em algumas hipóteses a competência será da justiça federal, quando a infração penal for praticada
em detrimento de bens, serviços ou interesse da União e suas entidades autárquicas ou empresas públicas. Como no
caso do delito previsto no art. 18, que trata do delito de tráfico internacional de arma de fogo por haver lesão a
interesse da União Federal, no que toca ao seu exercício de fiscalização sobre a zona alfandegária. Outro exemplo é
a prática de um delito previsto no Estatuto, praticado a bordo de navio ou aeronave (art. 109, IX da CRFB/88).

5.3 Norma Penal em Branco

Os tipos penais, ao fazerem menção a arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido ou restrito,
devem ser complementados pelos Decretos 3.665/2000 e 5.123/2004.
561

5.4 Crimes de Perigo Abstrato

Prevalece no STF e no STJ que os crimes do Estatuto do Desarmamento são crimes de perigo abstrato. Ou
seja, a lesão ao bem jurídico já está presumida na lei. Não é necessário comprovar que a conduta gerou algum perigo
real, concreto, porque o perigo já está presumido na lei.

5.5 Natureza Dolosa ou Culposa*


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Os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento são crimes são dolosos, exceto pelo crime de omissão
de cautela do art. 13, caput, que prevê uma conduta culposa.

6. Posse Irregular de Arma de Fogo de Uso Permitido (art. 12, da Lei nº 10.826/2003)

Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso
permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua
residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular
ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
A conduta do art. 12 do Estatuto sanciona a falta de registro.

Trata-se de crime de médio potencial ofensivo, pois possui pena mínima de um a três anos, e multa. Admite
a suspensão condicional do processo (art. 89, da Lei nº 9.099/95).

6.1 Objetividade Jurídica


O bem jurídico protegido é a incolumidade pública (segurança pública), bem como o controle sobre a propriedade
das armas de fogo.

6.2 Sujeitos do Delito


a) Sujeito ativo: pode ser qualquer pessoa, trata-se de crime comum ou geral (não se exige qualidade especial do
agente), inclusive o proprietário da arma que a possuir sem o devido registro.

b) Sujeito passivo: a coletividade. Trata-se de crime vago. Crime vago é aquele que tem como sujeito passivo um
ente destituído de personalidade jurídica.

6.3 Consumação e Tentativa


562

O crime de Posse Irregular de Arma de Fogo é um crime permanente, pois a sua consumação se prolonga
no tempo pela vontade do agente, enquanto o sujeito possuir ou mantiver sob sua guarda a arma sem o registro este
estará ocorrendo. Nesse sentido, vejamos o entendimento do STJ.

STJ: “Não é ilegal a prisão realizada por agentes públicos que não tenham competência para
a realização do ato quando o preso foi encontrado em estado de flagrância. Os tipos penais
previstos nos arts. 12 e 16 da Lei n. 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento) são crimes562
permanentes e, de acordo com o art. 303 do CPP, o estado de flagrância nesse tipo de crime
persiste enquanto não cessada a permanência” (HC 244.016/ES, rel. Min. Jorge Mussi,
5ª Turma, j. 16.10.2012, noticiado no Informativo 506).
Trata-se de crime de perigo abstrato (ou de perigo presumido), o que significa que o crime se consuma
com a mera exposição do perigo ao bem jurídico, não reclama lesão efetiva ao bem jurídico, sendo suficiente a
exposição do bem jurídico a uma probabilidade de dano. A lei presume de forma absoluta a situação de perigo (não
cabendo prova em sentido contrário).

Trata-se de crime de mera conduta (ou simples atividade), o tipo penal se limita a descrever uma conduta
ilícita, não há resultado naturalístico. O crime se consuma com a mera posse ilegal de arma de fogo.

É crime plurissubsistente – admite tentativa.

6.4 Guarda de Arma de Fogo com Registro Vencido


Candidato, o fato de o agente possuir arma de fogo com registro vencido configura crime? Excelência, a resposta
é negativa. NÃO. Não configura o crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/2003) a conduta
do agente que mantém sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso permitido com registro vencido.
Se o agente já procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo é mera irregularidade administrativa que autoriza
a apreensão do artefato e aplicação de multa. A conduta, no entanto, não caracteriza ilícito penal.

Assim, temos que a consequência jurídica será a irregularidade administrativa.

STJ: “Manter sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso permitido com
registro vencido não configura o crime do art. 12 da Lei 10.826/2003 (Estatuto do
Desarmamento). O art. 12 do Estatuto do Desarmamento afirma que é objetivamente típico
possuir ou manter sob guarda arma de fogo de uso permitido, em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, no interior de residência. Entretanto, relativamente ao
elemento subjetivo, não há dolo do agente que procede ao registro e, depois de expirado
prazo, é apanhado com a arma nessa circunstância. Trata-se de uma irregularidade
563

administrativa” (APn 686/AP, rel. Min. João Otávio de Noronha, Corte Especial, j.
21.10.2015, noticiado no Informativo 572). Em sentido contrário: RHC 60.611/DF, rel. Min.
Rogério Schietti Cruz, 6ª Turma, j. 15.09.2015, noticiado no Informativo 570.

7. Omissão de Cautela (art. 13, da Lei nº 10.826/2003)

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito)
anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob563
sua posse ou que seja de sua propriedade:
Pena – detenção, de (1) um a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de
empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial
e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma
de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro)
horas depois de ocorrido o fato.
Trata-se de infração penal de menor potencial ofensivo, pois tem pena máxima não superior a dois anos.
O parágrafo único contempla uma figura equiparada.
7.1 Caput do Art. 13, da Lei nº 10.826/2003

7.1.1 Objetividade Jurídica


O bem jurídico protegido é a segurança pública, e, mediatamente, a integridade física do menor de 18 anos
de idade ou doente mental.

7.1.2 Sujeitos do Crime


a) Sujeito Ativo: pode ser qualquer pessoa, trata-se de crime comum ou geral.

b) Sujeito Passivo: coletividade, pois é crime contra a segurança pública e também o menor e portador de doença
mental.

7.1.3 Elemento Subjetivo


O elemento subjetivo é a culpa, que consiste em deixar de observar as cautelas necessárias é negligência (modalidade
de culpa).

Trata-se do único crime culposo previsto no Estatuto do Desarmamento.


564

7.1.4 Consumação e Tentativa


Trata-se de crime material, depende da produção de um resultado naturalístico. Assim, não é suficiente
que o agente seja negligente, deixando de tomar as cautelas necessárias, é preciso ainda que o menor ou doente
mental se apodere da arma.

Trata-se de crime de perigo abstrato.


564
Não admite tentativa.

7.2 Figura equiparada

Art. 13. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável
de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial
e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma
de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro)
horas depois de ocorrido o fato.
Assim, temos que nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de
segurança e transporte de valores que:
• Deixarem de registrar ocorrência policial;
• De comunicar à Policia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório
ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o
fato.
Dessa forma, temos que o Estatuto estabelece também a obrigatoriedade de seu proprietário ou diretor
comunicar a subtração, perda ou qualquer outra forma de extravio a ela referentes. Assim, se não for efetuado o
registro da ocorrência e não houver comunicação à Polícia Federal, em um prazo de vinte e quatro horas a contar do
fato, haverá crime.

7.2.1 Objetividade Jurídica


O tipo penal protege a veracidade dos cadastros das armas de fogo perante o SINARM, bem como o registro perante
os órgãos competentes.

7.2.2 Sujeitos do Delito


565

a) Sujeito ativo: trata-se de crime próprio ou especial, pois somente pode ser praticado pelo proprietário ou pelo
diretor responsável pela empresa de segurança ou ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de
valores.

Assim, comtemplamos que o sujeito ativo só pode ser o proprietário ou diretor responsável de empresa de
segurança ou de empresa de transporte de valores. Portanto, trata-se de crime próprio, pois exige uma qualidade
especial do sujeito ativo.
565
b) Sujeito passivo: coletividade.

O sujeito passivo é a coletividade (crime vago).

7.2.3 Observações Pontuais

• As armas de fogo utilizadas pelas empresas de segurança e de transporte de valores deverão pertencer a
elas, ficando também sob sua guarda e responsabilidade;
• O registro e a autorização para o porte, expedidos pela Polícia Federal, deverão ser elaborados em seu
nome (art. 7°, caput).
• A empresa deve apresentar ao SINARM, semestralmente, a relação dos empregados habilitados que
poderão portar as armas. Esse porte restringe-se ao serviço.
Se um funcionário da empresa for surpreendido portanto a arma fora do horário de serviço, ele responderá pelo
crime de porte ilegal de arma de fogo.
7.2.4 Consumação e Tentativa
Trata-se de crime a prazo, nessa situação o tipo penal condiciona a consumação ao transcurso de
determinado tempo, in casu, 24 horas. O crime só restará consumado quando já tiver ultrapassado esse período de
24 horas sem que tenha ocorrido a comunicação.

→ O dispositivo menciona “nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato”. Portanto, o crime só
se consuma após 24h da ocorrência do fato. Antes disso não há crime ainda. Esses crimes que só se consumam após
determinado prazo são chamados de CRIME A PRAZO.

Esse crime não admite tentativa (crime omissivo próprio).

8. Porte Ilegal de Arma de Fogo de Uso Permitido (art. 14, da Lei nº 10.826/2003)

Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda
que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de
566

fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com


determinação legal ou regulamentar:
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo
estiver registrada em nome do agente (STF declarou a inconstitucionalidade desse parágrafo
único).
Trata-se de crime de elevado potencial ofensivo, sendo incompatível com os institutos despenalizadores
da Lei dos Juizados.
566
O entendimento do Supremo é no sentido de que serão considerados inafiançáveis apenas aqueles crimes
que a Constituição Federal considera como tais. A lei não pode impedir a fiança com base a gravidade em abstrato.

→ O parágrafo único foi declarado inconstitucional pelo STF na ADIN 3.112-1. O entendimento atual é de
que crimes inafiançáveis são apenas aqueles em que a Constituição Federal declara como tais, ou seja, a lei não
pode, em abstrato, rotular um delito como inafiançável. Mas, cuidado, no caso concreto o juiz pode negá- la.

8.1 Objetividade Jurídica

É a incolumidade pública, mais especificamente a segurança pública.


8.2 Sujeitos do delito
a) Sujeito ativo: é crime comum ou geral, o que significa que pode ser praticado por qualquer pessoa.

b) Sujeito passivo: é a coletividade.


Obs.: Art. 20*.
Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se
forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta
Lei.
8.3 Elemento normativo
O elemento normal corresponde ao “sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar”.

8.4 Consumação e Tentativa


Trata-se de crime de mera conduta, se esgotando no porte ilegal de arma de fogo.

8.5 Observações pontuais

Crime de perigo abstrato


567

Comprovação da potencialidade lesiva: a lei presume de forma absoluta o perigo à segurança pública causado pelo
porte ilegal da arma de fogo

Candidato, se a arma de fogo estiver quebrada, o crime estará configurado?

“Não está caracterizado o crime de porte ilegal de arma de fogo quando o instrumento
apreendido sequer pode ser enquadrado no conceito técnico de arma de fogo, por estar567
quebrado e, de acordo com laudo pericial, totalmente inapto para realizar disparos”
(AgRg no AREsp 397.473/DF, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 5ª Turma, j. 19.08.2014,
noticiado no Informativo 544). Em igual sentido - STJ: REsp 1.451.397/MG, rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, 6ª Turma, j. 15.09.2015, noticiado no Informativo 570.

Porte simultâneo de duas ou mais armas de fogo


Candidato, o porte simultâneo de duas ou mais armas de fogo constitui quantos crimes? Excelência, prevalece o
entendimento de que há um único crime de porte ilegal de arma de fogo. A pluralidade de armas influi na dosimetria
da pena.

“O crime de manter sob a guarda munição de uso permitido e de uso proibido caracteriza-
se como crime único, quando houver unicidade de contexto, porque há uma única ação,
com lesão de um único bem jurídico, a segurança coletiva, e não concurso formal” (HC
148.349/SP, rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6ª Turma, j. 22.11.2011, noticiado no
Informativo 488).

Porte de Arma de Brinquedo


Candidato, o porte de arma de brinquedo é considerado crime? O simples porte de arma de brinquedo não foi
incriminado pelo Estatuto do Desarmamento. Entretanto, a Lei 10.826/2003 veda a fabricação, a venda, a
comercialização, a importação de réplicas e simulacros de armas de fogo. Vejamos:
Art. 26. São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos,
réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir.
Parágrafo único. Excetuam-se da proibição as réplicas e os simulacros destinados à
instrução, ao adestramento, ou à coleção de usuário autorizado, nas condições fixadas pelo
Comando do Exército.

Tipo Misto Alternativo


Embora a denominação legal do delito seja “porte ilegal de arma de fogo de uso permitido”, o tipo possui
abrangência muito maior, já que existem inúmeras outras condutas típicas. As ações nucleares, além de portar, são:
568

deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter,
empregar, manter sob sua guarda ou ocultar. Trata-se, portanto, de crime de ação múltipla, também chamado de tipo
misto alternativo, em que a realização de mais de uma conduta típica, em relação ao mesmo objeto material, constitui
crime único.

O art. 14 constitui-se em tipo misto alternativo (crime de ação múltipla ou de conteúdo variado). Existem
dois ou mais núcleos, e se o agente praticar duas ou mais condutas contra o mesmo objeto material responderá por
um único delito. 568

Porte ilegal de arma de fogo e ausência de munição

Para o STF, há crime quando o sujeito porta ilegalmente uma arma de fogo desmuniciada:

“Asseverou-se que o tipo penal do art. 14 da Lei 10.826/2003 contemplaria crime de mera
conduta, sendo suficiente a ação de portar ilegalmente a arma de fogo, ainda que
desmuniciada” (HC 95.073/MS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min.
Teori Zavascki, 2ª Turma, j. 19.03.2013, noticiado no Informativo 699).

Porte de munição e lesividade da conduta


Candidato, o agente que porta apenas munição pratica crime? O STF entende que sim, mas o STJ já decidiu em
sentido contrário:

STF: “A 2ª Turma denegou habeas corpus no qual se requeria a absolvição do paciente —


condenado pelo porte de munição destinada a revólver de uso permitido, sem autorização
legal ou regulamentar (Lei 10.826/2003, art. 14) — sob o argumento de ausência de
lesividade da conduta. (...) a objetividade jurídica da norma penal em comento transcenderia
a mera proteção da incolumidade pessoal para alcançar, também, a tutela da liberdade
individual e do corpo social como um todo, asseguradas ambas pelo incremento dos níveis
de segurança coletiva que a lei propiciaria. Por fim, firmou-se ser irrelevante cogitar-se da
lesividade da conduta de portar apenas munição, porque a hipótese seria de crime de perigo
abstrato, para cuja caracterização não importaria o resultado concreto da ação” (HC
113.295/SP, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 2ª Turma, j. 13.11.2012, noticiado no
Informativo 688).
STJ: “A Turma, por maioria, absolveu o paciente do crime de porte ilegal de munição; ele
fora preso com um único projétil, sem ter havido apreensão da arma de fogo. O Min. Relator
entendeu que se trata de crime de perigo abstrato, em que não importa se a munição foi
apreendida com a arma ou isoladamente para caracterizar o delito. Contudo, no caso,
verificou que não houve lesão ao bem jurídico tutelado na norma penal, que visa resguardar
569

a segurança pública, pois a munição foi utilizada para suposta ameaça, e não é esse tipo de
perigo, restrito a uma única pessoa, que o tipo penal visa evitar. E, por se tratar de apenas
um projétil, entendeu pela ofensividade mínima da conduta, portanto por sua atipicidade”
(HC 194.468/MS, rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6ª Turma, j. 17.04.2012, noticiado no
Informativo 495).

Uso de munição como pingente e atipicidade Para o STF, o fato é atípico:

569

“É atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição


desacompanhada de arma. (...) A Turma apontou que, no caso concreto, o comportamento
do paciente não oferecera perigo, abstrato ou concreto” (HC 133.984/MG, rel. Min. Cármen
Lúcia, 2ª Turma, j. 17.05.2016, 2ª Turma, noticiado no Informativo 826).

9. Disparo de Arma de Fogo (art. 15, da Lei nº 10.826/2003)

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas
adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como
finalidade a prática de outro crime (trata-se de crime subsidiário):
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (*Trata-se de crime de elevado
potencial ofensivo).
O crime em comento se aperfeiçoa com o disparo da arma de fogo ou o acionamento da munição.

O professor Cleber Masson explica que esse crime é subsidiário (subsidiariedade expressa), ou seja, ele se aplica
“desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime”.

*Lugar habitado – onde reside um núcleo de pessoas ou famílias ou adjacências (lugar próximo) – não há crime se
o disparo é feito em lugar ermo (ex.Floresta, deserto, descampado).
9.1 Objetividade Jurídica
O bem jurídico protegido é a incolumidade pública, em específico, a segurança pública.

9.2 Sujeitos do delito


a) Sujeito ativo: trata-se de crime comum ou geral, pode ser praticado por qualquer pessoa.

b) Sujeito passivo: coletividade, mas também é considerado vítima as pessoas que tenham suportado a situação de
perigo.

9.3 Consumação e Tentativa


570

Trata-se de crime de mera conduta, se consumando com o disparo da arma de fogo ou o acionamento da munição.
A tentativa é possível.

Esse tipo penal está punindo duas condutas diferentes: disparar arma de fogo e acionar munição, mesmo que não
dispare.
• Disparar arma de fogo ou
• Acionar munição, ainda que ela não seja disparada.
570

9.4 Observações pontuais


a) Trata-se de crime de perigo abstrato.

b) Pluralidade de disparos, no mesmo contexto fático: O agente responde por um único delito, contudo a pluralidade
de disparos será levada em conta na dosimetria da pena.

c) Veracidade do projetil: é necessário que se trate de projétil verdadeiro. O disparo de bala de festim ou de borracha,
por exemplo, não caracteriza esse crime.

d) Crime mais grave e absorção: na hipótese de o agente efetuar o disparo como meio de execução de um crime mais
grave, responderá apenas por este delito (ex: latrocínio). Nessa situação, o disparo fica absorvido.

e) Porte ilegal e disparo de arma de fogo: na hipótese de o agente, além de portar ilegalmente uma arma de fogo,
também efetuar o disparo, ele responderá por quais crimes? Depende do caso concreto (as condutas possuem nexo
entre si ou não). Vejamos:
1ª SITUAÇÃO 2ª SITUAÇÃO
Em sua residência, o sujeito vai até a rua, O sujeito já estava portando ilegalmente a
efetua o disparo e volta para casa. Ele arma de fogo e, prestes a chegar em sua
portou ilegalmente a arma de fogo apenas casa, ele efetua o disparo e ingressa no
para efetuar o disparo. Nesse caso, o imóvel. Nessa hipótese, há contextos
disparo absorve o porte ilegal. fáticos diversos, e concurso de crimes
entre porte ilegal e o disparo.

10. Posse ou Porte Ilegal de Arma de Fogo de Uso Restrito (art. 16, da Lei nº 10.826/2003)

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder,
ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar
arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
571

Quando a arma de fogo é de uso restrito, o crime do art. 16 vale tanto para a posse ilegal como também
para o porte ilegal. Por outro lado, quando a arma de fogo é de uso permitido, a posse ilegal caracteriza o delito do
art. 12, enquanto o porte ilegal acarreta no delito do art. 14.

Desse modo, contemplamos que o art. 16 está punindo tanto a posse quanto o porte de arma proibida. A
posse e o porte aqui são punidos com a mesma pena. Ou seja, ter uma arma proibida em casa ou andar com uma
arma proibida pelas ruas configura o mesmo crime. Se for arma permitida, a posse configura o crime do art. 12 e o
porte configura o crime do art. 14. Por outro lado, se for arma proibida, tanto a posse quanto o porte configuram o571
crime do art. 16.

O art. 16 contempla um crime de levado potencial ofensivo – não aplica os institutos despenalizadores da
Lei dos Juizados Especiais Criminais.

10.1 Objetividade Jurídica


O bem jurídico tutelado é a incolumidade pública, especificamente a segurança pública.
10.2 Sujeitos do Delito
a) Sujeito ativo: trata-se de crime comum ou geral, pode ser praticado por qualquer pessoa.

b) Sujeito passivo: coletividade. Trata-se de crime vago.

10.3 Elemento normativo


“Sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar”.

A aquisição de arma de fogo de uso restrito deve ser concedida pelo Comando do Exército, e seu registro
também será feito nesse órgão.

Quem possui o porte funcional poderá portar uma arma de uso restrito? Sim, pois o porte funcional vale
para qualquer arma de fogo, de uso permitido ou restrito.

10.4 Consumação e Tentativa


Trata-se de crime de perigo abstrato, o que significa dizer que a lei presume de forma absoluta o perigo à segurança
pública com a prática de qualquer das condutas previstas no art. 16 do Estatuto.

É considerado crime de mera conduta, pois o tipo penal se limita a descrever uma conduta sem prever resultado
naturalístico.
572

10.5 Figuras Equiparadas


São crimes autônomos, ou seja, condutas e objetos materiais próprios, para os quais se aproveitou a pena
do artigo 16, caput.

As condutas não precisam ser relacionadas a arma de fogo de uso restrito ou proibido.

Vejamos:

a) Inc. I: “suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo572
ou artefato”.

O tipo penal pune o responsável pela supressão (eliminação completa) ou alteração (mudança) da marca ou
numeração. Cumpre destacarmos que, se não houver prova desse delito, incidirá o tipo penal contido no
artigo 16, parágrafo único, inc. IV.

b) Inc. II: “modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de
fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro
autoridade policial, perito ou juiz”.

Na hipótese do inc. II temos a tipificação de duas condutas diversas. Vejamos:

1ª Figura Típica 2ª Figura Típica


(modificar as características de arma de fogo, (modificar as características de arma de fogo,
de forma a torná-la equivalente a arma de fogo para fins de dificultar ou de qualquer modo
de uso proibido ou restrito...) pune apenas o induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz)
responsável pela modificação. Qualquer outra é crime formal, que afasta a incidência do delito
pessoa que a porte ou a possua responde pelo de fraude processual (CP, art. 347).
artigo 16, caput.

→ A primeira figura pune apenas o responsável pela modificação.

→A segunda figura típica, por sua vez, pune a conduta daquele que busca modificar as características de arma de
fogo, para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz. Cleber Masson
explica que nessa situação trata-se de crime formal, sendo suficiente a intenção do agente em dificultar, não
necessitando que este efetivamente consiga.

Princípio da especialidade - Esse crime é especial em relação ao crime de fraude processual do art. 347 do
CP. Ou seja, esse inciso II é norma especial em relação ao inciso 347 do CP.
573

d) Inc. III: “possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário,


sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”.
Em relação aos explosivos, esse dispositivo prevalece sobre o artigo 253 do Código Penal:
Art. 253 - Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade,
substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua
fabricação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
573
No tocante ao artefato incendiário (ex: coquetel molotov), não se pune a mera posse de seus
componentes.
e) Inc. IV: “portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com
numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou
adulterado”
11. Comércio Ilegal de Arma de Fogo (art. 17, da Lei nº 10.826/2003)

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar,
montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em
proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo,
acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo,
qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino,
inclusive o exercido em residência. (Trata-se de norma penal explicativa).

11.1 Objetividade Jurídica


O bem jurídico protegido é a segurança pública, especificamente visando evitar que armas de fogo,
acessórios ou munições circulem ilegalmente na sociedade.

11.2 Sujeitos do Delito


a) Sujeito Ativo: o sujeito ativo do crime de comércio ilegal de arma de fogo só pode ser comerciante ou industrial,
legal ou ilegal, de arma de fogo, acessório, ou munição. Assim, estamos diante de um crime próprio, que exige
uma qualidade especial do sujeito ativo. Aquele que não exerce comércio ou indústria de arma de fogo, acessório,
ou munição, não pode cometer esse crime.

Por exemplo, o vizinho vende a sua arma para o outro vizinho, ilegalmente. Não é esse crime, mas sim o do art. 14,
se for arma permitida, ou o do art. 16, se for arma proibida.
574

→O Sujeito Ativo nesse delito só pode ser comerciante ou industrial, legal ou ilegal, de arma de fogo, acessório, ou
munição. Portanto, nós estamos diante de um crime próprio, que exige uma qualidade especial do sujeito ativo.

c) Sujeito Passivo: coletividade.

11.3 Objeto material


Interessante destacarmos que o art. 17 não faz distinção entre arma de fogo de uso permitido e arma de fogo
de uso restrito. Em outras palavras, o crime é o mesmo tanto para o comércio ilegal de arma de fogo de uso proibido574
como para o comércio ilegal de arma de fogo de uso permitido.

“Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma
de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.”

11.4 Elemento normativo do tipo


Está contido na expressão “sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”.

11.5 Consumação e Tentativa


Trata-se de crime é de perigo abstrato e de mera conduta. Assim, consuma-se com a prática de qualquer
das condutas previstas em lei, e, uma vez realizada a conduta, presume-se de forma absoluta o perigo à segurança
pública.

Nesse sentido, Gabriel Habib o crime de comércio ilegal de arma de fogo consuma-se “no momento da
prática das condutas descritas no tipo, de forma reiterada, independentemente da produção de qualquer resultado,
por tratar-se de crime de mera conduta”.

Admite-se a tentativa (crime plurissubsistente).

12. Tráfico Internacional de Arma de Fogo (art. 18, da Lei nº 10.826/2003)

12.1 Objetividade Jurídica


É a incolumidade pública, especificamente a segurança pública, no sentido de evitar o comércio
internacional clandestino de arma de fogo, acessório ou munição.
575

12.2 Objeto Material


O objeto material do delito em estudo pode ser qualquer arma de fogo (de uso permitido ou de uso restrito),
acessório ou munição. Se, contudo, a arma de fogo for de uso restrito, a pena será aumentada de metade. Nesse
sentido, o art. 19 do Estatuto. Vejamos:

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de
fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.
575

12.3 Sujeitos do delito


a) Sujeito Ativo: O crime é comum ou geral: pode ser praticado por qualquer pessoa.

b) Sujeito Passivo: coletividade.


12.4 Consumação e Tentativa
O crime é de perigo abstrato e de mera conduta. A lei presume de forma absoluta o perigo à segurança
pública com a entrada de uma arma no Brasil de forma clandestina. Dessa formo, sendo o delito de mera conduta,
esgota- se com a prática da conduta descrita no tipo penal, e não há resultado naturalístico.

Nesse sentido, preleciona Gabriel Habib, o crime consuma-se no momento da prática das condutas
descritas no tipo, independentemente da produção de qualquer resultado, por tratar-se de crime de mera conduta.

A tentativa é admitida.

Aplicação do Princípio da especialidade: o art. 18 da lei de armas constitui tipo penal especial em relação aos
art. 334 (nas condutas importar e exportar) e 318 (na conduta favorecer) do Código Penal, afastando, dessa forma,
a sua incidência quando se tratar de armas de fogo, acessório ou munição.

12.5 Tráfico internacional de munição e princípio da insignificância


O STF negou a aplicação do princípio da insignificância ao crime de tráfico internacional de munição. Vejamos:

STF: “A 1ª Turma, por maioria, indeferiu habeas corpus em que se pretendia a aplicação do
princípio da insignificância para trancar ação penal instaurada contra o paciente, pela suposta
prática do crime de tráfico internacional de munição (Lei 10.826/2003, art. 18). A defesa
sustentava que seria objeto da denúncia apenas a apreensão de 3 cápsulas de munição de
origem estrangeira, daí a aplicabilidade do referido postulado. Aduziu-se que o denunciado
faria do tráfico internacional de armas seu meio de vida e que teriam sido encontrados em
seu poder diversos armamentos e munições que, em situação regular, não teriam sido objeto
da peça acusatória. Nesse sentido, não se poderia cogitar da mínima ofensividade da conduta
576

ou da ausência de periculosidade social da ação, porquanto a hipótese seria de crime de


perigo abstrato, para o qual não importaria o resultado concreto” (HC 97.777/MS, rel. Min.
Ricardo Lewandowski, 1ª Turma, j. 26.10.2010, noticiado no Informativo 606).

13. Observações Pontuais

Causas de Aumento de Pena


Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade
576
se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta
Lei.

Fiança e Liberdade Provisória no Estatuto do Desarmamento


O Estatuto do Desarmamento dispõe que o crime do art. 14 é inafiançável, salvo se a arma estiver registrada
em nome do agente. O crime do art. 15 (disparo de arma de fogo) é inafiançável. E os crimes dos arts. 16, 17 e 18
são insuscetíveis de liberdade provisória.
O art. 2l veda a liberdade provisória nos crimes de posse ou porte de arma de fogo, acessório
ou munição de uso restrito (art. 16), comércio ilegal (art. 17) e tráfico internacional (art. 18)
de arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito. O legislador quis proibir que o preso
em flagrante pelos delitos mencionados permanecesse em liberdade, proibindo a liberdade
provisória. A prisão em flagrante, como toda e qualquer prisão imposta antes do trãnsito em
julgado da sentença condenatória constitui uma prisão provisória, e como tal deve ser
encarada, sob pena de a mesma ser utilizada como instrumento de vingança privada do
próprio Estado de Direito, bem como antecipação do cumprimento de uma pena que ainda
não existe, e que pode nem existir por razões diversas.
Toda e qualquer prisão provisória, medida cautelar que é, deve ser regida pelos Princípios
da Necessidade e Excepcionalidade. Assim, toda e qualquer prisão provisória somente deve
ser decretada ou mantida se for necessária, e, ainda assim, de forma excepcional.
Com base nesse raciocínio que os Tribunais Superiores solidificaram suas
jurisprudências no sentido de não existir prisão provisória ex lege, isto é, prisão que
decorra meramente da lei, sem motivação, sem que estejam presentes os requisitos da
prisão preventiva previstos no art. 312 do Código de Processo Penal, sob pena de
violação dos princípios da presunção de inocência, devido processo legal, contraditório
e ampla defesa.
Note-se que o art. 21 do Estatuto teve sua inconstitucionalidade declarada pelo STF na
ADI 3112/DF, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 2.5.2007. (Gabriel Habib, Leis Penais para
Concursos, 2017).

Abolitio Criminis Temporária


Art. 30. Os possuidores e proprietários de arma de fogo de uso permitido ainda não registrada
deverão solicitar seu registro até o dia 31 de dezembro de 2008, mediante apresentação de
documento de identificação pessoal e comprovante de residência fixa, acompanhados de
577

nota fiscal de compra ou comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova
admitidos em direito, ou declaração firmada na qual constem as características da arma e a
sua condição de proprietário, ficando este dispensado do pagamento de taxas e do
cumprimento das demais exigências constantes dos incisos I a III do caput do art. 4o desta
Lei.
*Art. 20. Ficam prorrogados para 31 de dezembro de 2009 os prazos de que tratam o § 3o
do art. 5º e o art. 30, ambos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003.

577

Súmula 513-STJ: A abolitio criminis temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime de posse de
arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido
ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005.
- Retroatividade da abolitio temporária
STJ: Com base no art. 5º, inciso XL, da Constituição Federal e no art. 2º, do Código Penal,
a abolitio criminis temporária DEVE RETROAGIR para beneficiar o réu apenado pelo crime
de posse de arma de fogo seja de um permitido ou restrito com ou sem numeração suprimida,
perpetrado na vigência da Lei nº 9.473/97.
STF: No caso dos autos, é atípica a conduta atribuída ao Paciente, uma vez que a busca
efetuada em sua residência ocorreu em 08/04/1997, ou seja, antes do período de abrangência
para o armamento, qual seja, 23 de Dezembro de 2003 a 23 de Outubro de 2005, motivo pelo
qual se encontra abarcada pela excepcional vocatio legis indireta nos arts. 30 e 32 da Lei nº
10.826/03. (HC 164.321/SP. Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, Dje 28;06/2012).

14. Natureza hedionda do crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no art. 16
do Estatuto do Desarmamento

A Lei nº 13.497/2017 alterou a Lei de Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90), em específico, a redação do parágrafo
único do art. 1º da Lei nº 8.072/90 prevendo que também é considerado como crime hediondo o delito de posse
ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no art. 16 do Estatuto do Desarmamento.

#MOMENTODIZERODIREITO #MARCINHOEXPLICA

Foi publicada no dia 27/10/2017 a Lei nº 13.497/2017, que altera a Lei de Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90).

O que são crimes hediondos? São crimes que o legislador considerou especialmente repulsivos e que, por essa razão,
recebem tratamento penal e processual penal mais gravoso que os demais delitos.

Quais são os crimes hediondos no Brasil? O Brasil adotou o sistema legal de definição dos crimes hediondos. Isso
significa que é a lei quem define, de forma exaustiva (taxativa, numerus clausus), quais são os crimes hediondos.
578

Esta lei é a de nº 8.072/90, conhecida como Lei dos Crimes Hediondos.

A Lei nº 8.072/90 traz, em seu art. 1º, o rol dos crimes hediondos.

O que fez a Lei nº 13.497/2017?

Alterou a redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.072/90 prevendo que também é considerado como crime
hediondo o delito de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no art. 16 do Estatuto do578
Desarmamento.

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição
de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato;

II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou
restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz;

III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar;

IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal
de identificação raspado, suprimido ou adulterado;

V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança
ou adolescente; e

VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo.

As armas de uso restrito estão previstas no art. 16 do anexo do Decreto nº 3.665/2000.

Alguns exemplos:

• armas, munições, acessórios e equipamentos iguais ou que possuam alguma característica do material bélico usado
pelas Forças Armadas nacionais;

• calibres .357 Magnum, 9 Luger, .38 Super Auto, .40 S&W, .44 SPL, .44 Magnum, .45 Colt e .45 Auto;
579

• armas de fogo automáticas de qualquer calibre.

A Lei nº 13.497/2017 já entrou em vigor, de forma que, se a pessoa praticar o crime do art. 16 da Lei nº 10.826/2003
de hoje em diante, estará submetido às consequências penais e processuais inerentes aos crimes hediondos, sendo a
mais gravosa delas a existência de requisitos objetivos diferenciados para progressão de regime (art. 2º, § 2º).

A Lei nº 13.497/2017 é mais gravosa e, por isso, não tem efeitos retroativos, de forma que, quem cometeu o delito
até o dia de ontem (26/10/2017), não é abrangido pelo tratamento dispensado aos crimes hediondos.
579
Fonte: http://www.dizerodireito.com.br/2017/10/lei-134972017-posse-ou-porte-de-arma-de.html

15. Jurisprudência sobre o Tema

Atenção candidatos com pretensão de ser Delegado de Polícia, os informativos a seguir possuem pertinência
temática com a carreira!
➢ Portar granada de gás lacrimogêneo ou de pimenta não configura crime do Estatuto do Desarmamento

A conduta de portar granada de gás lacrimogêneo ou granada de gás de pimenta não se subsome (amolda)
ao delito previsto no art. 16, parágrafo único, III, da Lei nº 10.826/2003. Isso porque elas não se enquadram
no conceito de artefatos explosivos. STJ. 6ª Turma. REsp 1627028/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 21/02/2017 (Info 599).

Portar granada de gás não se enquadra ao delito previsto no art.


lacrimogêneo; 16, parágrafo único, III, da Lei nº
Portar granada de gás de pimenta. 10.826/2003.

➢ Delegado de Polícia que mantém arma em sua casa sem registro no órgão competente pratica crime de
posse irregular de arma de fogo

Atenção candidato com pretensão de ser Delegado de Polícia.

É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou possuir arma de fogo,
não observa as imposições legais previstas no Estatuto do Desarmamento, que impõem registro das armas
no órgão competente. STJ. 6ª Turma. RHC 70.141-RJ, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 7/2/2017
(Info 597).

O Delegado de Polícia que mantém Pratica o crime de posse irregular de


arma em sua casa sem registro no arma de fogo, sendo típica e antijurídica
órgão competente. sua conduta, mesmo autorizado a portar
ou possuir arma de fogo.

➢ Posse ou porte apenas da munição configura crime

A posse (art. 12 da Lei nº 10.826/2003) ou o porte (art. 14) de arma de fogo configura crime mesmo que
ela esteja desmuniciada. Da mesma forma, a posse ou o porte apenas da munição (ou seja, desacompanhada
da arma) configura crime. Isso porque tal conduta consiste em crime de perigo abstrato, para cuja
580

caracterização não importa o resultado concreto da ação. STF. 1ª Turma. HC 131771/RJ, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 18/10/2016 (Info 844).

Posse ou porte de arma de fogo MESMO QUE esteja DESMUNICIADA.


configura crime
Posse ou porte APENAS de Configura CRIME.
munição
Fundamento: trata-se de crime de perigo abstrato.

➢ Uso de munição como pingente e aplicação do princípio da insignificância 580

ATENÇÃO na Exceção!

É atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição desacompanhada de arma.
Obs: vale ressaltar que, em regra, a jurisprudência não aplica o princípio da insignificância aos crimes de
posse ou porte de arma ou munição. STF. 2ª Turma. HC 133984/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
17/5/2016 (Info 826).

Uso de Porém, na FORMA DE APLICAÇÃO do


munição PINGENTE, desacompanhada Princípio da
de arma Insignificância:
possibilidade.

➢ Porte de arma de fogo por vigia após o horário de expediente

O fato de o empregador obrigar seu empregado a portar arma de fogo durante o exercício das atribuições de
vigia não caracteriza coação moral irresistível (art. 22 do CP) capaz de excluir a culpabilidade do crime de
"porte ilegal de arma de fogo de uso permitido" (art. 14 da Lei nº 10.826/2003) atribuído ao empregado que
tenha sido flagrado portando, em via pública, arma de fogo, após o término do expediente laboral, no percurso
entre o trabalho e a sua residência. STJ. 5ª Turma. REsp 1.456.633-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, julgado em 5/4/2016 (Info 581).

➢ O porte ilegal de arma de fogo deve ser absorvido pelo crime de homicídio?

Se o agente, utilizando arma de fogo, atira e mata alguém, haverá homicídio e porte de arma de fogo ou
apenas homicídio? Se uma pessoa pratica homicídio com arma de fogo, a acusação por porte deverá ser
absorvida?
Aplica-se o princípio da consunção?
Depende da situação:

1ª Situação 2ª Situação
Situação 1: NÃO. O crime de porte não Situação 2: SIM. Se não houver provas
será absorvido se ficar provado nos autos de que o réu já portava a arma antes do
que o agente portava ilegalmente a arma homicídio ou se ficar provado que ele a
de fogo em outras oportunidades antes ou utilizou somente para matar a vítima. Ex:
depois do homicídio e que ele não se o agente compra a arma de fogo e, em
utilizou da arma tão somente para seguida, dirige-se até a casa da vítima, e
praticar o assassinato. Ex: a instrução contra ela desfere dois tiros, matando-a.
581

demonstrou que João adquiriu a arma de No caso concreto julgado pelo STF, ficou
fogo três meses antes de matar Pedro e provado que o réu havia comprado a
não a comprou com a exclusiva arma 3 meses antes da morte da vítima.
finalidade de ceifar a vida da vítima. Além disso, também se demonstrou pelas
testemunhas que o acusado, várias vezes
antes do crime, passou na frente da casa
da vítima, mostrando ostensivamente o
revólver utilizado no crime. Desse modo,
restou provado que os tipos penais
consumaram-se em momentos distintos e 581
que tinham desígnios autônomos, razão
pela qual não se pode reconhecer o
princípio da consunção entre o homicídio
e o porte ilegal de arma de fogo. STF. 1ª
Turma. HC 120678/PR, rel. orig. Min.
Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Marco
Aurélio, julgado em 24/2/2015 (Info
775).

CESPE já cobrou o entendimento desse Informativo. TJ AM/2016. Vejamos:


Júlio foi denunciado em razão de haver disparado tiros de revólver, dentro da própria casa, contra Laura, sua companheira, porque
ela escondera a arma, adquirida dois meses atrás. Ele não tinha licença expedida por autoridade competente para possuir tal arma,
e a mulher tratou de escondê-la porque viu Júlio discutindo asperamente com um vizinho e temia que ele pudesse usá-la contra
esse desafeto. Raivoso, Júlio adentrou a casa, procurou em vão o revólver e, não o achando, ameaçou Laura, constrangendo-a a
devolver-lhe a arma. Uma vez na sua posse, ele disparou vários tiros contra Laura, ferindo-a gravemente e também atingindo o
filho comum, com nove anos de idade, por erro de pontaria, matando-o instantaneamente. Laura só sobreviveu em razão de pronto
e eficaz atendimento médico de urgência.
Ainda com referência à situação hipotética descrita no texto anterior e a aspectos legais a ela pertinentes,
assinale a opção correta com respaldo na jurisprudência do STJ.
a) Além dos crimes de homicídio, Júlio responderá em concurso material pelo crime de posse irregular de
arma de fogo, uma vez que, ao mantê-la guardada em sua residência durante mais de dois meses, já havia
consumado esse crime.
A alternativa A foi a considerada correta e se enquadra na 2ª situação descrita no Informativo acima!

➢ Atipicidade da conduta de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido com registro vencido

Não configura o crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/2003) a conduta do agente
que mantém sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso permitido com registro vencido.
Se o agente já procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo é mera irregularidade administrativa que
autoriza a apreensão do artefato e aplicação de multa. A conduta, no entanto, não caracteriza ilícito penal.
Ex: a Polícia, ao realizar busca e apreensão na casa de João, lá encontrou um revólver, de uso permitido.
João apresentou o registro da arma de fogo localizada, porém ele estava vencido há mais de um ano. João
não praticou crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/2003). STJ. Corte Especial. APn
686-AP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 21/10/2015 (Info 572). STJ. 5ª Turma. HC
294.078/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/08/2014.

Não configura o crime de Considera-se mera


Arma de fogo de uso posse ilegal de arma de irregularidade
permitido com registro fogo (art. 12 da Lei nº administrativa que autoriza
vencido 10.826/2003)
582

a apreensão do artefato e
aplicação de multa

➢ Magistrado que mantém sob sua guarda arma ou munição de uso restrito não comete crime

O Conselheiro do Tribunal de Contas Estadual que mantém sob sua guarda arma ou munição de uso restrito
não comete o crime do art. 16 da Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). Os Conselheiros dos
Tribunais de Contas são equiparados a magistrados e o art. 33, V, da LC 35/79 (LOMAN) garante aos
magistrados o direito ao porte de arma de fogo. STJ. Corte Especial. APn 657-PB, Rel. Min. João Otávio de
Noronha, julgado em 21/10/2015 (Info 572). 582

➢ Atipicidade da conduta de posse/porte ilegal de arma de fogo ineficaz

Para que haja condenação pelo crime de posse ou porte NÃO é necessário que a arma de fogo tenha sido
apreendida e periciada. Assim, é irrelevante a realização de exame pericial para a comprovação da
potencialidade lesiva do artefato. Isso porque os crimes previstos no arts. 12, 14 e 16 da Lei 10.826/2003 são
de mera conduta ou de perigo abstrato, cujo objeto jurídico imediato é a segurança coletiva. NO
ENTANTO, se a perícia for realizada na arma e o laudo constatar que a arma não tem nenhuma
condição de efetuar disparos não haverá crime. Para o STJ, não está caracterizado o crime de porte ilegal
de arma de fogo quando o instrumento apreendido sequer pode ser enquadrado no conceito técnico de arma
de fogo, por estar quebrado e, de acordo com laudo pericial, totalmente inapto para realizar disparos. Assim,
demonstrada por laudo pericial a total ineficácia da arma de fogo e das munições apreendidas, deve ser
reconhecida a atipicidade da conduta do agente que detinha a posse do referido artefato e das aludidas
munições de uso proibido, sem autorização e em desacordo com a determinação legal/regulamentar. STJ. 5ª
Turma. AgRg no AREsp 397.473/DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/08/2014 (Info 544).
STJ. 6ª Turma. REsp 1.451.397-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 15/9/2015 (Info
570).

➢ Policiais civis aposentados não têm porte de arma

Atenção candidato com pretensão de ser Delegado de Polícia!

O porte de arma de fogo a que têm direito os policiais civis não se estende aos policiais aposentados. Isso
porque, de acordo com o art. 33 do Decreto 5.123/2004, que regulamentou o art. 6º da Lei 10.826/2003, o
porte de arma de fogo está condicionado ao efetivo exercício das funções institucionais por parte dos
policiais, motivo pelo qual não se estende aos aposentados. STJ. 5ª Turma. HC 267.058-SP, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 4/12/2014 (Info 554).

Os Policiais Civis TÊM direito ao porte Esse direito NÃO SE ESTENDE aos
de arma de fogo policiais APOSENTADOS.

➢ Transporte de arma de fogo por praticante de tiro desportivo

Pratica o crime do art. 14 da Lei nº 10.826/2003 o praticante de tiro desportivo que transporta, municiada,
arma de fogo de uso permitido em desacordo com os termos de sua guia de tráfego, a qual autorizava apenas
o transporte de arma desmuniciada. STJ. 6ª Turma. RHC 34.579-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 24/4/2014 (Info 540).
583

Esse Informativo já foi cobrado no Concurso de Delegado do Pará/2016; Banca Funcab. Vejamos.
Sobre os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, assinale a resposta correta.
c) Comete o crime do art. 14 do Estatuto o praticante de tiro esportivo que transporta arma de fogo municiada,
quando a guia de tráfego autoriza apenas o transporte de arma desmuniciada.
A Alternativa C foi considerada correta.

➢ Posse/porte de arma de fogo é desnecessidade de perícia

Para que haja condenação pelo crime de posse ou porte é necessário que a arma de fogo tenha sido apreendida
e periciada? NÃO. É irrelevante (desnecessária) a realização de exame pericial para a comprovação da583
potencialidade lesiva do artefato, pois basta o simples porte de arma de fogo, ainda que desmuniciada,
em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para a incidência do tipo penal. Isso porque
os crimes previstos no arts. 12, 14 e 16 da Lei 10.826/03 são de perigo abstrato, cujo objeto jurídico imediato
é a segurança coletiva. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1294551/GO, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
07/08/2014.

É desnecessária a realização de exame Sendo suficiente o simples porte de


pericial para a comprovação da arma de fogo, ainda que desmuniciada,
potencialidade lesiva do artefato. em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, para a incidência do tipo
penal.

➢ Porte/posse apenas da munição

A posse ou porte apenas da munição configura crime?


SIM. A posse ou o porte apenas da munição (ou seja, desacompanhada da arma) configura crime. Isso porque
tal conduta consiste em crime de perigo abstrato, para cuja caracterização não importa o resultado concreto
da ação. O objetivo do legislador foi o de antecipar a punição de fatos que apresentam potencial lesivo à
população, prevenindo a prática de crimes. STF. 2ª Turma. HC 119154, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado
em 26/11/2013. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1442152/MG, Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado
em 07/08/2014.

➢ Porte/posse de arma desmuniciada

O porte de arma de fogo desmuniciada configura crime? SIM. O porte de arma de fogo (art. 14, Lei
10.826/03) configura crime, mesmo que esteja desmuniciada. Trata-se,atualmente, de posição pacífica tanto
no STF como no STJ. Para a jurisprudência, o simples porte de arma, munição ou acessório de uso permitido
— sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar — configura o crime previsto
no art. 14 da Lei nº 10.826/2003, por ser delito de perigo abstrato, de forma a ser irrelevante o fato de a arma
apreendida estar desacompanhada de munição, porquanto o bem jurídico tutelado é a segurança pública e a
paz social. STJ. 3ª Seção. AgRg nos EAREsp 260.556/SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
26/03/2014. STF. 2ª Turma. HC 95073/MS, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, 19/3/2013 (Info 699).

➢ Arma de fogo encontrada em caminhão configura porte de arma de fogo (e não posse)

Se a arma de fogo é encontrada no interior do caminhão dirigido por motorista profissional, trata-se de crime
de porte de arma de fogo (art. 14 do Estatuto do Desarmamento). O veículo utilizado profissionalmente NÃO
pode ser considerado “local de trabalho” para tipificar a conduta como posse de arma de fogo de uso
584

permitido (art. 12). STJ. 6ª Turma. REsp 1219901-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
24/4/2012..

➢ De Olho na Súmula

Súmula 513-STJ: A abolitio criminis temporária prevista na Lei nº 10.826/2003 aplica-se ao crime de posse
de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado,
suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005. {Abolitio criminis temporária}.

16. Jurisprudência em TESES – STJ 584

Os entendimentos foram extraídos de julgados publicados até 29/06/2018

Jurisprudência em TESES – STJ II

1) O SIMPLES FATO DE POSSUIR OU PORTAR MUNIÇÃO caracteriza os delitos previstos nos arts. 12, 14 e
16 da Lei n. 10.826/2003, por se tratar de crime de perigo abstrato e de mera conduta, sendo prescindível a
demonstração de lesão ou de perigo concreto ao bem jurídico tutelado, que é a incolumidade pública.

2) A apreensão de ínfima quantidade de munição desacompanhada de arma de fogo, excepcionalmente, a depender


da análise do caso concreto, pode levar ao reconhecimento de atipicidade da conduta, diante da ausência de
exposição de risco ao bem jurídico tutelado pela norma.

3) Demonstrada por laudo pericial a inaptidão da arma de fogo para o disparo, é atípica a conduta de portar ou de
possuir arma de fogo, diante da ausência de afetação do bem jurídico incolumidade pública, tratando-se de CRIME
IMPOSSÍVEL PELA INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO.

4) A conduta de possuir, portar, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo, seja de uso permitido, restrito ou
proibido, com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado, implica
a condenação pelo crime estabelecido no art. 16, parágrafo único, IV, do Estatuto do Desarmamento.

5) O crime de comércio ilegal de arma de fogo, acessório ou munição (art. 17 da Lei n. 10.826/2003) é delito de
TIPO MISTO ALTERNATIVO E DE PERIGO ABSTRATO, bastando para sua caracterização a prática de um dos
núcleos do tipo penal, sendo PRESCINDÍVEL a demonstração de lesão ou de perigo concreto ao bem jurídico
tutelado, que é a incolumidade pública.

6) O delito de comércio ilegal de arma de fogo, acessório ou munição, tipificado no art. 17, caput e parágrafo único,
da Lei de Armas, nunca foi abrangido pela abolitio criminis temporária prevista nos arts. 5º, § 3º, e 30 da Lei de
Armas ou nos diplomas legais que prorrogaram os prazos previstos nos referidos dispositivos.
585

7) Compete à Justiça Federal o julgamento do crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição,
em razão do que dispõe o art. 109, inciso V, da Constituição Federal, haja vista que este crime está inserido em
tratado internacional de que o Brasil é signatário.

8) O crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, tipificado no art. 18 da Lei n. 10.826/03,
É DE PERIGO ABSTRATO OU DE MERA CONDUTA e visa a proteger a segurança pública e a paz social.
585

9) Para a configuração do tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição não basta apenas a
procedência estrangeira do artefato, sendo NECESSÁRIO QUE SE COMPROVE A INTERNACIONALIDADE
DA AÇÃO.

10) É TÍPICA a conduta de importar arma de fogo, acessório ou munição sem autorização da autoridade competente,
nos termos do art. 18 da Lei n. 10.826/2003, mesmo que o réu detenha o porte legal da arma, em razão do alto grau
de reprovabilidade da conduta.

Jurisprudência em TESES – STJ I

1) O crime de posse irregular de arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido (art. 12 da Lei n. 10.826/2003)
é de perigo abstrato, prescindindo de demonstração de efetiva situação de perigo, porquanto o objeto jurídico
tutelado não é a incolumidade física e sim a segurança pública e a paz social.
2) O crime de porte ilegal de arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido (art. 14 da Lei n. 10.826/2003)
é de perigo abstrato e de mera conduta, bastando para sua caracterização a prática de um dos núcleos do tipo penal,
sendo desnecessária a realização de perícia.

3) O art. 14 da Lei n. 10.826/2003 é norma penal em branco, que exige complementação por meio de ato regulador,
com vistas a fornecer parâmetros e critérios legais para a penalização das condutas ali descritas.

4) O crime de disparo de arma de fogo (art. 15 da Lei n. 10.826/2003) é crime de perigo abstrato, que presume a
ocorrência de dano à segurança pública e prescinde, para sua caracterização, de comprovação da lesividade ao bem
jurídico tutelado.

5) O crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito (art. 16, caput, da Lei n.
10.826/2003) é crime de perigo abstrato, que presume a ocorrência de dano à segurança pública e prescinde, para
sua caracterização, de resultado naturalístico à incolumidade física de outrem.
586

6) A abolitio criminis temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime de posse de arma de fogo de uso
permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado,
praticado somente até 23/10/2005. (Súmula n. 513/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 TEMA
596)

7) São ATÍPICAS as condutas descritas nos arts. 12 e 16 da Lei n. 10.826/2003, praticadas entre 23/12/2003 e
23/10/2005, mas, a partir desta data, até 31/12/2009, somente é atípica a conduta do art. 12, desde que a arma de
fogo seja apta a ser registrada (numeração íntegra).
586

8) A regra dos arts. 30 e 32 da Lei n. 10.826/2003 alcança, também, os crimes de posse ilegal de arma de fogo
praticados sob a vigência da Lei n. 9.437/1997, em respeito ao princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica.

9) A forma qualificada do art. 10, § 3º, IV, da Lei n. 9.437/1997, que foi suprimida do ordenamento jurídico com o
advento da Lei n. 10.826/03, não tem o condão de tornar atípica a conduta, mas apenas de desclassificar o delito
para a forma simples, prevista no caput do dispositivo legal mencionado.

10) NÃO SE APLICA O PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO quando os delitos de posse ilegal de arma de fogo e
disparo de arma em via pública são praticados em momentos diversos e em contextos distintos.

11) A simples conduta de possuir ou de portar arma, acessório ou munição é suficiente para a configuração dos
delitos previstos nos arts. 12, 14 e 16 da Lei n. 10.826/2003, sendo INAPLICÁVEL O PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA.

12) Independentemente da quantidade de arma de fogo, de acessórios ou de munição, NÃO É POSSÍVEL A


DESCLASSIFICAÇÃO do crime de tráfico internacional de arma de fogo (art. 18 da Lei de Armas) para o delito
de contrabando (art. 334-A do Código Penal), em respeito ao princípio da especialidade.

Fonte: http://www.stj.jus.br/SCON/jt/toc.jsp

17. Já Caiu. Vamos Treinar?

1. (Ano: 2018. Banca: CESPE. Órgão: PC-MA. Prova: Delegado de Polícia Civil). De acordo com o
entendimento da doutrina e dos tribunais superiores sobre o Estatuto do Desarmamento, especialmente
quanto às armas de fogo,
a) o crime de tráfico internacional de arma de fogo é insuscetível de liberdade provisória.
b) majora-se a pena em caso de crime de comércio ilegal de arma de fogo mesmo que se trate de armamento de uso
permitido.
587

c) a arma de fogo desmuniciada afasta as figuras criminosas da posse ou do porte ilegal, considerando-se que o
objeto jurídico tutelado é a incolumidade física.
d) o porte de arma de fogo de uso permitido com a numeração raspada equivale penalmente ao porte de arma de
fogo de uso restrito.
e) o disparo de arma de fogo em via pública e o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido configuram situações
de inafiançabilidade.

587
2. (Ano: 2017. Banca: MPE-SP. Órgão: MPE-SP. Prova: Promotor de Justiça Substituto). A guarda de arma
desmuniciada, de uso permitido, em sua própria residência, constituirá crime
a) na hipótese de a arma, em exame pericial, se mostrar apta a efetuar disparo.
b) na hipótese em que, na residência, houver disponibilidade de munição compatível com a arma apreendida.
c) se o implicado não possuir licença para o porte da arma apreendida.
d) caso o implicado não possua o registro de propriedade válido da arma.
e) se a residência estiver situada em área urbana.

3. (Ano: 2017Banca: CESPE. Órgão: PJC-MT. Prova: Delegado de Polícia Substituto). João, ao trafegar com
sua moto, foi surpreendido por policiais que encontraram em seu poder arma de fogo — revólver — de uso
permitido. João trafegava com a arma sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar.

A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta de acordo com o Estatuto do Desarmamento e
com o entendimento jurisprudencial dos tribunais superiores.
a) O simples fato de João carregar consigo o revólver, por si só, não caracteriza crime, uma vez que o perigo de dano
não é presumido pelo tipo penal.
b) Se o revólver estiver com a numeração raspada, João estará sujeito à sanção prevista para o delito de posse ou
porte ilegal de arma de fogo de uso proibido ou restrito.
c) O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável.
d) O simples fato de João carregar consigo o revólver caracteriza o crime de posse ilegal de arma de fogo de uso
permitido.
e) Se o revólver estiver desmuniciado, o fato será atípico.

4. (Ano: 2017. Banca: IBADE. Órgão: PC-AC. Prova: Delegado de Polícia Civil). Acerca do Estatuto do
Desarmamento (Lei 10.826/2003), assinale a alternativa correta.
a) O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é inafiançável.
588

b) O proprietário responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar ocorrência
policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo que esteja
sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato, incorrerá no crime de omissão de
cautela.
c) De acordo com a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, aquele que mantiver em seu poder uma arma
de fogo de calibre permitido com registro vencido, incorrerá na prática do crime de porte ilegal de arma de fogo.
d) No crime de comércio ilegal de arma de fogo. a pena é aumentada em um terço se a arma de fogo, acessório ou
munição forem de uso proibido ou restrito. 588
e) O crime de omissão de cautela consiste em deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de
14 (catorze) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse.

5. (Ano: 2015. Banca: MPDFT. Órgão: MPDFT. Prova: Promotor de Justiça Adjunto). Aponte a alternativa
CORRETA. O proprietário de um bar mantinha, sob sua guarda, há semanas, no referido estabelecimento
comercial, arma de fogo de uso permitido, municiada e funcionando perfeitamente, em desacordo com
autorização legal e regulamentar. Para fazer uma demonstração do funcionamento da arma a seus clientes,
o proprietário do bar a disparou em direção à via pública, situada do lado de fora do bar, praticando, assim:
a) Crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo, em concurso.
b) Crime de disparo de arma de fogo, sendo a manutenção da arma de fogo considerada fato anterior impunível.
c) Crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo, em concurso.
d) Crime de posse irregular de arma de fogo, sendo o disparo de arma de fogo considerado fato posterior impunível.
e) Crime de porte ilegal de arma de fogo, sendo o disparo de arma de fogo considerado fato posterior impunível.

6. (Ano: 2017. Banca: CESPE. Órgão: PC-GO. Prova: Delegado de Polícia Substituto). Considerando o atual
entendimento dos tribunais superiores quanto aos institutos do Código de Defesa do Consumidor, do Estatuto
do Desarmamento e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assinale a opção correta.
a) Ao estabelecer prazo para a regularização dos registros pelos proprietários e possuidores de armas de fogo, o
Estatuto do Desarmamento criou situação peculiar e temporária de atipicidade das condutas de posse e porte de arma
de fogo de uso permitido e restrito.
b) Aquele que fornece a adolescente, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito
ou proibido fica sujeito à sanção penal prevista no ECA, em decorrência do princípio da especialidade.
c) Pessoa jurídica não pode figurar como sujeito passivo de infração penal consumerista, porquanto não se enquadra
no conceito de consumidor.
d) A conduta daquele que promove propaganda enganosa capaz de induzir o consumidor a se comportar de maneira
prejudicial à sua saúde somente é penalmente punível diante da ocorrência de resultado danoso.
e) O porte ou a posse simultânea de duas ou mais armas de fogo de uso restrito ou proibido não configura concurso
formal, mas crime único, pois a situação de perigo é uma só.
589

7. (Ano: 2015. Banca: FAPEC. Órgão: MPE-MS. Prova: Promotor de Justiça Substituto). Assinale a
alternativa correta:
a) Considerando-se a Lei nº 10.826/2013 (Estatuto do Desarmamento), não comete qualquer crime a pessoa que,
possuindo autorização para o porte de arma de fogo permitido, adentra em local público com a arma municiada,
podendo, entretanto, ser sancionada administrativamente.
b) Em relação aos crimes previstos na Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), as medidas protetivas de urgência
poderão ser concedidas de imediato, observada a prévia manifestação, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, do589
representante do Ministério Público.
c) Aquele que oferece droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, à pessoa de seu relacionamento, para juntos
consumirem, deve ser considerado usuário, nos termos do que dispõe a Lei nº 11.343/2006 (Lei de Tóxicos).
d) Conforme a Lei nº 12.850/2013 (Crime Organizado), os condenados por integrar, pessoalmente ou por interposta
pessoa, organização criminosa iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado.
e) Tratando-se de crime ambiental previsto na Lei nº 9.605/1998, não é necessário que a infração, para ser passível
de responsabilização penal a pessoa jurídica, deva ser cometida no interesse ou benefício da entidade.
8. (Ano: 2016. Banca: FUNCAB. Órgão: PC-PA. Prova: Delegado de Polícia Civil). Durante uma operação
policial de rotina, policiais rodoviários federais abordam o caminhão conduzido por Teotônio. Revistado o
veículo, encontram um revólver calibre 38, contendo munições intactas em seu tambor, escondido no porta-
luvas. Os policiais constatam, ainda, que a numeração de série do revólver não está visível, sendo certo que
perícia posterior concluiria que o desaparecimento se deu por oxidação natural, decorrente da ação do tempo.
Questionado, Teotônio revela não possuir porte de arma e sequer tem o instrumento registrado em seu nome.
Afirma, também, que a arma fora adquirida para que pudesse se proteger, pois um desafeto o ameaçara,
prometendo-lhe agressão física futura. Nesse contexto, é correto afirmar que Teotônio:
a) cometeu crime de porte de arma de fogo de uso permitido.
b) cometeu crime de porte ou posse de arma de fogo com numeração suprimida.
c) cometeu crime de posse de arma de fogo de uso permitido.
d) Não cometeu crime.
e) cometeu crime de porte ou posse de arma fogo de uso restrito.

9. (Ano: 2016Banca: CESPE. Órgão: PC-PE. Prova: Delegado de Polícia). Lucas, delegado de polícia de
determinado estado da Federação, em dia de folga, colidiu seu veículo contra outro veículo que estava parado
em um sinal de trânsito. Sem motivo justo, o delegado sacou sua arma de fogo e executou um disparo para o
alto. Imediatamente, Lucas foi abordado por autoridade policial que estava próxima ao local onde ocorrera
o fato.
Nessa situação hipotética, a conduta de Lucas poderá ser enquadrada como
a) crime inafiançável.
590

b) contravenção penal.
c) crime, com possibilidade de aumento de pena, devido ao fato de ele ser delegado de polícia.
d) crime insuscetível de liberdade provisória.
e) atípica, devido ao fato de ele ser delegado de polícia.

10. (Ano: 2016. Banca: MPE-SC. Órgão: MPE-SC. Prova: Promotor de Justiça – Matutina). O tipo penal do
art. 15 da Lei n. 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento) prevê pena de reclusão e multa para a conduta de590
disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em
direção a ela, apresentando, contudo, uma ressalva que caracteriza ser o crime referido de natureza
subsidiária, qual seja, desde que as condutas acima referidas não tenham como finalidade a prática de outro
crime.

11. (Ano: 2015. Banca: VUNESP. Órgão: PC-CE. Prova: Delegado de Polícia Civil de 1a Classe). Com relação
ao Estatuto do Desarmamento, Lei no 10.826/2003, assinale a alternativa correta.
a) É proibida a conduta de portar arma de fogo de uso permitido ou proibido, não se punindo, no estatuto, a conduta
de portar ou possuir acessório ou munição para arma de fogo.
b) O porte de arma de fogo com numeração raspada, previsto no parágrafo único, inciso IV, do artigo 16, refere-se
tanto à arma de fogo de uso permitido como à arma de fogo de uso proibido/restrito.
c) O artigo 16 prescreve que é proibido possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar,
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo de
uso permitido sem autorização legal.
d) O crime de disparo de arma de fogo, previsto no artigo 15 do estatuto, é autônomo, sendo que, na hipótese de o
agente tentar matar a vítima com disparos de arma de fogo, responderá por tentativa de homicídio e pelo crime de
disparo de arma de fogo em concurso material de delitos.
e) A vedação à concessão de fiança prevista no parágrafo único do artigo 15 (disparo de arma de fogo) foi declarada
constitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de constitucionalidade.

GABARITO
1 – D; 2 – D; 3 – B; 4 – B; 5 – A; 6 – E; 7 – A; 8 – A; 9 – C; 10 – C; 11 – B.

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