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FUNDAMENTOS NA UMBANDA

CASA DE UMBANDA MÃE MARIA


CONGA E ÌJỌBA TI ṢÀNGÓ

Uberaba – MG
2019
INTRODUÇÃO
SUMÁRIO
HISTÓRIA DA UMBANDA
Viver a Umbanda é expressar elementos religiosos, culinários, linguísticos e
sociais que pertencem a nossa sociedade brasileira há mais de 120 anos. Esta religião
é originalmente brasileira, pois foi elaborada por experiências e valores que se
encontram em nosso país em um período onde se faziam presentes grupos étnicos
portugueses, africanos e indígenas.
Historicamente, a Umbanda surgiu no ano de 1908, quando um jovem rapaz
chamado Zélio Fernandino de Moraes acabava de ingressar na carreira militar na
Marinha Brasileira. Em certo momento, o jovem começou a relatar estranhas
sensações e crises que se assemelhavam as de desmaio e convulsão, assim, logo
seus pais o levaram para unidades de saúde para que seu caso foi analisado e
diagnosticado. Contudo, nada era detectado. A cada “ataque” que o jovem sofria, seus
pais relatavam que ele se apresentava como sendo o velho escravo que falava muitas
coisas desconexas a vida de Zélio. Sem uma explicação na medicina do homem, seus
pais resolveram levá-lo a padres que possuíam o saber em exorcismo, porém, um
familiar sugeriu que ele fosse levado para a Federação Espírita de Niteroí, onde um
tal “espiritismo1” poderia trazer respostas para o caso.
No dia 15 de novembro daquele ano, Zélio Fernandino foi convidado para
compor a mesa dos médiuns2 e participar daquela sessão; quando tudo parecia estar
pronto para seu início, Zélio levanta sua voz e diz que no meio daquela mesa estava
faltando uma flor. Saiu da sala, foi ao jardim, colheu uma linda rosa branca e a colocou
dentro de um vaso ao centro da mesa. Os médiuns e frequentadores se estranhavam
com tal atitude, porém, logo decidiram por começar a sessão que foi realizada com a
incorporação3, por meio dos médios kardecistas, de vários espíritos que se diziam ter
sido em vida índios e velhos escravos. O dirigente do local, entendia que aqueles
espíritos não possuíam permissão para participar de tais momentos, já que eram
considerados de baixo escalão. Em meio ao tumulto, Zélio começa a incorporar um
espírito indígena que se apresenta e diz: “Porque repelem a presença destes

1
Doutrina religiosa, filosófica e espiritualista que compreende a existência de espíritos e sua capacidade de
influenciar ou causar fenômenos no campo da vida material.
2
Pessoas que atuam como intercessores entre os espíritos e as pessoas vivas.
3
Ato em que o médium permite a interação entre seu corpo físico e o corpo espiritual de determinada
entidade para que se possa ser obtida informações, trocas energéticas ou capacidades em sessões.
espíritos de corajosos índios e de velhos escravizados, sem ouvir o que eles
tem a dizer? É devido sua origem social, cor de pele ou modo de se expressar?”.
Enquanto médiuns tentam afastar tal espírito, um médium vidente4 se aproxima dele
e pergunta sobre o porquê de um imponente jesuíta5 (que era o que o médium
conseguia enxergar), se apresentava com um tom austero e fala nada polida. Logo, o
espírito respondeu: “Se querem um nome, que seja o de Caboclo das Sete
Encruzilhadas pois, para mim, não há caminhos fechados. O que você enxerga
em meu corpo espiritual são os restos de uma das últimas experiências terrenas
que tive, contudo, com a permissão de nosso Deus, pude retornar em terra como
um índio de nossa amada nação brasileira... Porém, se julgam espíritos como
eu atrasados, saibam que amanhã estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas,
dando origem a uma religião com a missão espiritual de falar aos humildes,
buscando trazer igualdade a vida de cada de vós que habitam essa terra.”
As 20 horas do dia 16 de novembro, próximo ao horário prescrito, se encontram
na casa de Zélio os participantes da Federação Espírita de Niterói, amigos, parentes
e conhecidos de Zélio, além de alguns desconhecidos e curiosos da redondeza. As
20 horas manifestava-se o espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas que dissertava
sobre o nascimento, naquele momento, de uma religião que acolheria a todos, por
meio de espíritos de velhos escravos e bravos índios que, ao desencarnarem não
encontraram meios de colaborar para o desenvolvimento do plano terreno mas que, a
partir de agora, teriam a possibilidade de ajudar a muitos e trazer a mensagem de fé
e esperança de um modo acessível a todos. A principal característica deste culto seria
a prática da caridade e o aprendizado de Jesus contidos em seu Evangelho. Os
trabalhos aconteceriam diariamente, das 20 às 22 horas, estando todos os
participantes uniformizados de branco e realizando atendimentos gratuitos. Deu a esta
nova prática religiosa o nome de Umbanda.
Por meio deste breve relato que remonta como se deu a origem de nossa
amada Umbanda, podemos perceber o quanto ela era vista com olhares de
discriminação e repulsa, por parte de algumas pessoas e médiuns espíritas. Porém, o
que podemos afirmar é a Umbanda é uma religião, e não apenas um fato cultural, pois
possui um conjunto de símbolos e valores morais que propõem uma visão de mundo

4
Médium que possui a capacidade de ver os espíritos.
5
Individuo pertencente a ordem religiosa, fundada em 1534, com objetivos missionários e educacionais
baseadas na religião católica.
para seus adeptos e simpatizantes. Esta religião teve como base os ensinamentos do
Evangelho Segundo o Espiritismo6 que se concretizavam por meio de atendimentos
realizados por médiuns que incorporavam espíritos de velhos escravos e índios que
representavam uma população muito importante na identidade de nossa nação e que
possuíam conhecimentos e perspectivas que atendiam as necessidades da população
mais carente e negligenciada por serviços e ideologias que eram de acesso apenas a
alguns grupos.
Enquanto encarnados, estes espíritos compunham um cenário muito particular.
Os velhos escravos eram indivíduos que fizeram parte da grande mão de obra trazida
do continente africano para as terras tupiniquins, com o objetivo de possibilitar a
urbanização e domínio de nossas terras por parte dos portugueses. Os negros que
sobreviveram as incansáveis horas de viagem ao longo do Atlântico, trouxeram
consigo valores, saberes e objetos que permanecem em nosso dia a dia até hoje. Os
escravos, em grande parte, praticavam culto a espíritos que personificavam
características da natureza humana e ecológica que os rodeavam. Deste modo, eles
poderiam ser considerados de crença panteísta7 e que utilizava de um certo
“materialismo religioso8”

1. A FÓRMULA ESSENCIAL PARA A UMBANDA


Umbanda: Grão-sacerdote adivinho ou médico-feiticeiro;
designação dos cultos afro-brasileiros, que se confundem com
os da macumba e dos candomblés (Bahia), do Xangô
(Pernambuco), da Pajelança (Amazônia), do catimbó.

A Umbanda possui, assim como todas as demais religiões, fazer com que as
pessoas se reconectem com seu íntimo para compreender a relação do meio em que
ela se encontra inserida com a natureza do seu ser. Isso se torna necessário para o
cuidado de doenças psicossomáticas9

6
Obra decodificada por Allan Kardec e que compreende os ensinamentos do Novo e Velho Testamento sob a
perspectiva espírita.
7
O panteísmo é a crença na existência de vários deuses e não apenas de uma única figura que represente o
sagrado.
8
Prática de se utilizar materiais para o culto e prática de atos religiosos, propondo uma visão de que há
símbolos materiais que devam ser respeitados como uma referência a valores ditados por uma religião.
9
São doenças que não afetam apenas o corpo, mas também aspectos emocionais, dos sentimentos e
pensamentos; além de sua origem ser na alma ou psicológico do indivíduo.
ORIXÁS
São consideradas divindades que manifestam as potências transformadoras,
presentes em nosso planeta. Eles seriam, por assim dizer, um reflexo da grandeza de
Deus. Na obra Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista,
supervisionado por Rubens Saraceni, é dito que a Umbanda não se ampara no
politeísmo (crença em vários deuses), já que a figura suprema da religião é Deus; os
Orixás seriam forças ordenadas por Ele para acolher a humanidade no processo de
evolução espiritual. Para fins didáticos, nomeia-se O criador na Umbanda como
Olorum, Zambi, Tupã ou mesmo Deus.
Vale ressaltar que, em nossa Umbanda, os Orixás não são cultuados ao
mesmo modo que ocorre no Candomblé. Embora a Casa tenha recebido contribuições
desta religião, seus princípios não são utilizados na mesma, porém, não há
impedimento quanto alguns aspectos desta crença em nossos fundamentos.
Para a compreensão acerca do uso de determinados elementos para o culto
de determinados orixás, se faz necessário conhecer sua história e, assim,
compreender a origem de seus fundamentos.

SAUDAÇÃO PARA CADA ORIXÁ

Exú LAROYÊ. MOJUBÁ!


Ogum PATAKORI. OGUNHÊ!
Oxóssi OKÊ ARÔ. AROLÊ!
Ossain EWE ASSA. ORUN AXÉ!
Omolu / Obaluayê ATÔTO AJUBERO!
Oxumarê ARROBOBOI!
Nanã SALUBA!
Oxum ORA IÊ IÊ Ô!
Obá OBÁ XIRÊ!
Ewá RIRÓ!
Iansã EPAHEY OYÁ!
Logunedé LOCI LOCI LOGUN!
Iemanjá ODÔ IÁ!
Xangô KAÔ KABIECILE!
Oxalá EPI EPI BABÁ!

EXÚ

Significado do nome: esfera.


Relação: com o “falo” (órgão sexual masculino), sexualidade, caminhos, comunicação,
diplomacia e com o infinito.
Cores: Preto, vermelho e branco.
Pedra: Ônix ou rubi.
Metais: Prata e Ouro.
Fio de contas: em nossa Casa se utiliza o preto e vermelho opaco – preto que é a cor
do poder, da violência, da negação e da morte, já o vermelho simboliza as paixões, a
felicidade, o perigo, tudo que é ambíguo - intercalando ambas as cores

Quando conhecemos um pouco sobre o Orixá Exu, a primeira coisa que nos é
dita é que ele é o grande mensageiro entre o Ayè (plano terreno/Terra) e o Orun (plano
astral/Paraíso) e como o Orixá que intermedia entre todos os mundos (o que gera
confusão para muitos que tentam o definir como bom ou mal). Muitas destas
percepções são resultantes do contexto com que este Orixá era cultuado na África,
sendo este um continente onde não se imperava a perspectiva dicotômica de “ser
bom” ou “ser mal”. Mesmo na África, Exú é um Órixa difícil de se tentar definir, mas
que recebe bastante respeito devido sua capacidade construtiva e destrutiva frente
seus aliados ou inimigos. Ao chegar ao Brasil, Exú é bastante utilizado para afastar
dos negros as más intenções dos brancos, fazendo uso de feitiçaria e peripécias para
amedrontá-los.
Ao ser trazido para a Umbanda a grande questão se tornou definir o lado ao
qual pertencia esta entidade. Nesta religião ele assume duas posições distintas: a de
Orixá Mensageiro e a de guia espiritual que ainda há de galgar certo reconhecimento
e evolução espiritual. A origem da Umbanda se deu em uma sociedade que era muito
influenciada por valores católicos, que pregavam submissão e entrega ao catolicismo.
Com o tráfico negreiro, a servidão involuntária ao povo branco, a segregação cada
vez mais marcante da sociedade em classes sociais, se faz necessário emergir uma
figura heroica que pudesse trazer alegria, vingança e alento para aqueles que apenas
sofriam dia após dia. Em uma tentativa de ser aceita e tomar uma cara própria, a
Umbanda vai se distanciando dos dogmas candomblecistas a medida em que constitui
seu modo próprio de agir como crença espiritualista – trazendo uma abordagem que
acolhe espíritos humildes que não se manifestavam no Kardecismo com o mesmo
valor que os demais – além de propor o melhor uso de valores culturais presentes em
nossa nação, sendo eles a pajelança, o orientalismo, a simbologia católica e a
proposta filosófica do espiritismo.
Mesmo para alguns Umbandistas, a versão que apresentam sobre Exu (em
suas duas variações) é a de um anjo rebelde, agente da magia e justiça cármica,
sendo Guardiões das esferas inferiores do plano espiritual. Assim sendo, podemos
considerar Exu como um ser originário do panteão africano, quanto ao ser que
desobedeceu às ordens do Pai, sendo esta a versão que causa maior grau de
preconceito dentro da religião. A que melhor compreende a energia ambivalente deste
ser é a que recebe larga contribuição do espiritismo e das filosofias baseadas nas leis
cármicas. Nesta perspectiva Exu seria um espírito que vivencia seu desencarne
buscando se alimentar do que ainda o mantém em plano semi terreno - como vícios,
paixões, traumas, etc - se vinculando a energias que possam lhe gerar a carga
energética que pertence a vibração energética na qual se encontra. Contudo, também
lhe é dada a importância de ser um mentor de luz que já lhe foi concebida ascender
espiritualmente, porém, sua escolha ou mérito concede o trabalho em áreas densas
de sofrimento e apego material. Lá se encontram inúmeros desencarnados que ainda
não transitaram para o plano astral de regeneração e necessitam de cuidado, para
que assim possam se dirigir para um entendimento racional e verdadeiro sobre sua
nova condição espiritual. Sendo assim, Exu é a energia de conversa sobre nossos
limites, fraquezas, potencias, desejos e medos. Contudo, o enfoque para
compreender esta entidade vai, ao nosso encontro, muito mais em sua atuação como
guia (Tranca Ruas, Tiriri, Capa Preta, etc) do que como Orixá, já que para este último
tipo de culto, se faz necessários muitas práticas e saberes próprios do candomblé.

Itans (mitos) de Exu


Exu ganha o poder sobre as encruzilhadas
Exu não tinha riqueza, não tinha fazenda, não tinha rio, não tinha profissão,
nem artes, nem missão.
Exu vagabundeava pelo mundo sem paradeiro.
Então um dia, Exu passou a ir à casa de Oxalá.
Ia à casa de Oxalá todos os dias.
Na casa de Oxalá, Exu se distraía, vendo o velho fabricando os seres
humanos.
Muitos e muitos também vinham visitar Oxalá, mas ali ficavam pouco, quatro
dias, oito dias, e nada aprendiam.
Traziam oferendas, viam o velho orixá, apreciavam sua obra e partiam.
Exu ficou na casa de Oxalá dezesseis anos.
Exu prestava muita atenção na modelagem e aprendeu como Oxalá fabricava
as mãos, os pés, a boca, os olhos, o pênis dos homens, as mãos, os pés, a boca, os
olhos, a vagina das mulheres.
Durante dezesseis anos ali ficou ajudando o velho orixá.
Exu não perguntava.
Exu observava.
Exu prestava atenção.
Exu aprendeu tudo.
Um dia Oxalá disse a Exu para ir postar-se na encruzilhada por onde
passavam os que vinham à sua casa.
Para fica ali e não deixar passar quem não trouxesse uma oferenda a Oxalá.
Cada vez mais havia mais humanos para Oxalá fazer.
Oxalá não queria perder tempo recolhendo os presentes que todos lhe
ofereciam.
Oxalá nem tinha tempo para as visitas.
Exu tinha aprendido tudo e agora podia ajudar Oxalá.
Exu coletava os ebós para Oxalá.
Exu recebia as oferendas e as entregava a Oxalá.
Exua fazia bem o seu trabalho e Oxalá decidiu recompensá-lo.
Assim, quem viesse à casa de Oxalá teria que pagar também alguma coisa a
Exu.
Quem estivesse voltando da casa de Oxalá também pagaria alguma coisa a
Exu.
Exu mantinha-se sempre a postos guardando a casa de Oxalá.
Armado de um ogó, poderoso porrete, afastava os indesejáveis e punia quem
tentasse burlar sua vigilância.
Exu trabalhava demais e fez ali a sua casa, ali na encruzilhada.
Ganhou uma rendosa profissão, ganhou seu lugar, sua casa.
Exu ficou rico e poderoso.
Ninguém pode mais passar pela encruzilhada sem pagar alguma coisa a Exu.
(PRANDI, A mitologia dos Orixás).

Exu respeita o tabu e é feito o decano dos orixás


Exu era o mais jovem dos orixás.
Exú assim devia reverância a todos eles, sendo sempre o último a ser
cumprimentado.
Mas Exu almejava a senioridade, desejando ser homenageado pelos mais
velhos.
Para conseguir seu intento, Exu foi consultar um babalaô.
Foi dito a Exu que fizesse sacrifício.
Deveria oferecer três ecodidés, que são as penas do papagaio vermelho, três
galos de crista gorda, mais quinze búzios e azeite-de-dendê e mariô, a folha nova da
palmeira.
Exu fez o ebó e o adivinho disse a ele para tomar um dos ecodidés e usá-lo na
cabeça, amarrado na testa.
E assim não poderia por três meses carregar na cabeça o que quer que fosse.
Oludumare disse então que queria ver todos os orixás, queria saber se eles
estavam dando conta na Terra das missões que Olodumare a eles atribuía.
Oxu, a lua, foi buscar os orixás.
Todos os orixás se prepararam para o grande momento, a grande audiência
com Olodumare.
Todos trataram de preparar suas oferendas na cabeça.
Só Exu não levava nada, porque estava usando o ecodidé e com o ecodidé não
podia levar nenhuma carga no ori.
Sua cabeça estava descoberta, não tinha gorro, nem coroa, nem chapéu, nem
carga.
Oxu levou os orixás até Olodumare.
Quando chegaram ao orum de Olodumare, todos se prostaram.
Mas Olodumare não teve que perguntar nada a ninguém, pois tudo que ele
queria saber, lia na mente dos orixás.
Disse ele: “Aquele que usa o ecodidé foi quem trouxe todos os orixás até mim.
Todos trouxeram oferendas e ele não trouxe nada. Ele respeitou o tabu e não
trouxe nada na cabeça.
Ele está certo.
Ele acatou o sinal de submissão.
Doravante será meu mensageiro, porque respeitou o euó.
Tudo o que quiserem de mim, que me seja mandado dizer por intermédio de
Exu.
E então por isso, por sua missão, que ele seja homenageado antes dos mais
velhos, porque ele é aquele que usou o ecodidé e não levou o carrego na cabeça em
sinal de respeito e submissão”.
Assim, o mais novo dos orixás, o que era saudado em último lugar, passou a
ser o primeiro a receber os cumprimentos. (PRANDI, A mitologia dos Orixás)..

OGUM

Significado do nome: luta, guerra.


Relação: com metais, guerras, caminhos, caça e tecnologias.
Cores: Azul marinho, vermelho, branco e verde.
Pedra: Opala.
Metais: Aço ou metal ferroso.
Fio de contas: em nossa Casa se utiliza o azul marinho opaco – cor que simboliza a
simpatia, a harmonia, a fidelidade, a amizade e a confiança. Azul é uma das três cores
primárias (o vermelho, o amarelo e o azul), cujas quais dão origem as demais cores,
mas que não podem ser produzidas por nenhuma outra.

Ogum é compreendido como a divindade relacionada aos metais e tudo que é


a ele relacionado. Em química, segundo Alves, os metais possuem algumas
propriedades como: brilho (capacidade de absorção e irradiação da luz),
maleabilidade (por ter a capacidade de se alterar em determinadas temperaturas),
condutibilidade (possui a capacidade de conduzir calor dezenas de vezes mais rápido
que outras substâncias) e ponto de fusão e ebulição elevado (o que pode exigir um
calor elevadíssimo para que se funda ou entre em ebulição).
Na filosofia oriental de nome Feng Shui, o metal é o elemento relacionado ao
Tigre Branco, animal sagrado que fluidifica as energias do Oeste. Segundo o Baguá
(instrumento de aplicação da arte do Feng Shui), o metal se refere ao campo da
criatividade, as cores branca/prata/ouro, ao aspecto familiar Tui (filha mais nova) e
número 7. Segundo esta tradição, em seu aspecto positivo, o metal proporciona força,
intuição, serenidade, justiça, ética, atitude analítica, lógica, atitude comunicativa, boa
oratória, receptividade, adaptabilidade, otimismo, alegria, sensualidade, carisma,
paciência e tolerância. Em aspectos negativos proporciona rigidez, rancor, mágoa,
tristeza, melancolia, inflexibilidade, timidez, vitimismo, desorganização e teimosia. Em
suas propriedades, pessoas que são regidas por este elemento podem apresentar
dois tipos de personalidade: 1 – A pessoa que inspira respeito e proporciona ordem e
segurança, dotado de enorme vitalidade, justiça, paciência e providência. Trabalhador
tanto físico quanto mental, perfeccionista e solitário. Alheio a críticas ou sugestões
dos outros. Altruísta, mas nem sempre tão generoso quanto parece. Conservador em
matéria de sexo, procurando pela perfeição do lugar, da pessoa e da finalidade
desejada. Pode, em alguns casos, desenvolver vida amorosa paralela, ou frequentar
lugares nem sempre respeitáveis. Deve evitar ambientes secos; 2 – É mais feminino
e diplomático, conseguindo tudo o que quer sem se impor. Sensações físicas, comida,
bebida, emoções e conhecimentos são sempre apaixonantes. Anárquicos, avessos à
rotina, agendas, compromissos chatos, intuitivo, reflexivo e sereno quando pode
captar influências sutis da existência. Defende ideias impossíveis de forma
exibicionista para ganhar o amor dos outros. Sexualmente físicos. Deve evitar
ambientes secos.
No Brasil, Ogum é sincretizado como São Jorge. Conforme seu histórico, este
santo é compreendido como um combatente cristão que se opôs as imposições do
imperador Diocleciano e seus dogmas. Seu principal papel, dentro da cultura cristã,
foi o de ser o guerreiro que venceu o abominável dragão (representante do poder real
e dos valores célticos – anteriores ao cristianismo) em nome do cristianismo. Isso
favoreceu a fama do santo nos primórdios da fé cristã, o que favorecia a formação
identitária deste povo. Especificamente no Brasil, a popularidade deste santo se deu
por meio do momento histórico que marcou diversas mudanças políticas, sociais e
históricas que marcaram a queda do império português no país e a instauração da
República, fato que estratificou o povo em grupos sociais que mantiveram o culto
deste santo como milagroso e protetor daqueles que sofriam com as mazelas sociais.
Nos atuais cultos afro-brasileiros, em especial a Umbanda, São Jorge é identificado
como Ogum devido sua valentia e força para o combate em prol da defesa dos
necessitados. É dito que o santo possui grande proximidade com o ferro, sendo ele
mesmo quem produz seus instrumentos de luta como lanças, machados e espadas.
Seu sincretismo com Ogum é tido como um modo de unir culturas, etnias e classes
sociais, tentando dissolver as diferenças e unir todos pelo poder da fé.
Itans (mitos) de Ogum
O mistério do ferro é de Ogum

Na Terra criada por Obatalá, em Ifé, os orixás e os seres humanos trabalhavam


e viviam em igualdade.
Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira,
pedra ou metal mole. Por isso o trabalho exigia grande esforço.
Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa. Era
necessário plantar uma área maior.
Os orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores
do terreno e aumentar a área da lavoura. Ossaim, o orixá da medicina, dispôs-se a ir
primeiro e limpar o terreno. Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem
sucedido.
Do mesmo modo que Ossaim, todos os outros orixás tentaram um por um e
fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio.
Ogum, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então. Quando
todos os outros orixás tinham fracassado, Ogum pegou seu facão, de ferro, foi até a
mata e limpou o terreno.
Os Orixás, admirados, perguntaram a Ogum de que material era feito tão
resistente facão. Ogum respondeu que era de ferro, um segredo recebido de
Orunmilá.
Os orixás invejavam Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à
agricultura, mas como à caça e até mesmo à guerra. Por muito tempo os orixás
importunaram Ogum para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só
para si.
Os orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca de que ele lhes
ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente. Ogum aceitou a proposta. Os
humanos também vieram a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro. E Ogum lhes
deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram
suas lanças de ferro.
Mas, apesar de Ogum ter aceitado o comando dos orixás, antes de mais nada,
ele era um caçador. Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa
difícil temporada.
Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho. Os orixás não gostaram de
ver seu líder naquele estado.
Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado. Ogum se decepcionou
com os orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram
rei e agora dizem que não era digno de governá-los.
Então Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou
suas armas e partiu.
Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da árvore de
acocô e lá permaneceu. Os humanos que receberam de Ogum o segredo do ferro não
o esqueceram.
Todo mês de dezembro, celebram a festa de Iudê-Ogum.
Caçadores, guerreiros, ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória
de Ogum. Ogum é o senhor do ferro para sempre. (PRANDI, A mitologia dos Orixás).

Ogum ensina aos homens as artes da agricultura


Ogum andava aborrecido no Orum, queria voltar ao Aiê e ensinar aos homens
tudo aquilo que aprendera.
Mas ele desejava ser ainda mais forte e poderoso, para ser por todos
admirado por sua autoridade.
Foi consultar Ifá, que lhe recomendou um ebó para abrir os caminhos.
Ogum providenciou tudo antes de descer à Terra.
Veio ao Aiê e aqui fez o pretendido.
Em pouco tempo foi reconhecido por seus feitos.
Cultivou a terra e plantou, fazendo com que dela o milho e o inhame
brotassem em abundância.
Ogum ensinou aos homens a produção do alimento, dando-lhes o segredo da
colheita, tornando-se assim o patrono da agricultura.
Ensinou a caçar e a forjar o ferro.
Por tudo isso foi aclamado rei de Irê, o Onirê.
Ogum é aquele a quem pertence tudo de criativo no mundo, aquele que tem
uma casa onde todos podem entrar. (PRANDI, A mitologia dos Orixás).

Ogum livra um pobre de seus exploradores


Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando or numa, ora
noutra plantação.
Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderavam de tudo o que
ele construía.
Um dia esse homem foi a um babalaô, que o mandou fazer um ebó na mata.
Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho
que Ogum, o dono da mata, foi ver o que ocorria.
O homem, então, deu-se conta da presençade Ogum e caiu a seus pés,
implorando seu perdão por invadir a mata.
Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam. Ogum aceitou e satisfez-
se com o ebó.
Depois, conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele
lugar proibido.
Falou-lhe de todos os seus infortúnios. Ogum mandou que ele desfiasse
folhas de dendezeiro, mariô, e as colocasse nas portas das casas de seus amigos,
marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogum destruiria a
cidade de onde vinha o peregrino.
Seria tudo destruído até o chão.
E assim se fez.
Ogum destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo mariô. (PRANDI, A
mitologia dos Orixás).

Ogum violenta e maltrata as mulheres


Dizem que Ogum abusava das mulheres que iam à floresta.
Com elas mantinha relações sexuais usando de violência.
Uma mulher bonita de nome Iemanjá ficava excitada com as histórias que
contavam de Ogum.
Um dia foi à floresta para ser possuída pelo famoso guerreiro.
Ogum teve relações com Iemanjá e depois ordenou que ela partisse.
Iemanjá não queria ir embora e pediu para Ogum lhe dar mais prazer.
Ogum ignorou seus apelos e a expulsou da floresta.
Angustiada, Iemanjá foi pedir ajuda à sua irmã Oxum.
Oxum foi até a floresta à procura de Ogum, envolveu-o com seu mel sedutor e
teve relações com ele.
Quando Ogum quis mais, Oxum exigiu que ele fosse para a casa dela.
E eles foram para a casa de Oxum, que era também a casa de Iemanjá.
De noite, no escuro, a esperta Oxum escapou da cama de Ogum e cedeu seu
lugar no leito à irmã.
Ogum teve muito prazer naquela noite.
No dia seguinte, quando viu Iemanjá deitada a seu lado, o fogoso amante
ficou enfurecido.
Espancou Iemanjá e saiu da casa.
No lado de fora Ogum encontrou Obatalá e começou a bater nela também.
Obatalá fugiu da perseguição de Ogum, foi para o rio, atirou-se n’água e lá
permaneceu até que Ogum partisse.
Ogum voltou para o mato e ainda hoje alimenta a fama de gostar de violência.
Sobretudo quando se trata de mulher. (PRANDI, A mitologia dos Orixás).

Ogum criou o mundo


Olodumare resolveu criar o mundo.
Seus filhos foram convocados para ajudar nessa tarefa, cada qual levou
consigo o que era necessário: joiás, dinheiro, tecidos...
A Ogum coube levar uma espada e um saco de terra preta.
Carregando essas coisas, Ogum saiu caminhando em direção do llugar onde
o mundo havia de ser criado.
Quando se cansou, foi dormir no alto de uma palmeira.
Apanhou algumas folhas de mariô para cobrir seu corpo e defender-se de
insetos que o incomodavam.
A chuva chegou e não parou mais.
Ogum abriu o saco que trazia e, do alto da palmeira, espalhou a terra preta
que havia nele.
A terra espalhou-se, fazendo surgir uma lagoa.
Do fundo da lagoa, da lama do fundo, apareceu Nanã.
Ogum e Nanã saíram criando o mundo.
Ogum construiu casas, fez plantações e todos ouviram falar de seu reino
próspero.
Um dia, seus irmãos vieram conhecer seu reino e tentaram dividi-lo entre si.
Aconselhado por Nanã, Ogum apanhou sua espada mágica e derrotou todo
aquele que tentava usurpar o que era seu. (PRANDI, A mitologia dos Orixás).

OXÓSSI

Significado do nome:
Relação:
Cores:
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REZAS E ORAÇÕES
Pai Nosso Umbandista
Pai Nosso que estais nos céus, nas matas, nos mares e em todos os mundos
habitados. Santificado seja o teu nome, pelos teus filhos, pela natureza, pelas águas,
pela luz, e pelo ar que respiramos.
Que o teu reino, reino do bem, reino do amor e da fraternidade, nos una a todos e a
tudo que criastes em torno da sagrada cruz, aos pés do Divino Salvador e Redentor.
Que a tua vontade nos conduza sempre a vontade firme para sermos virtuosos e úteis
aos nossos semelhantes. Dai-nos hoje o pão do corpo, o fruto das matas e a água
das fontes para o nosso sustento material e espiritual. Perdoa, se merecermos, as
nossas faltas e dá o sublime sentimento do perdão para os que nos ofendam.
Não nos deixeis sucumbir ante a luta, dissabores, ingratidões, tentações dos maus
espíritos e ilusões pecaminosas da matéria. Envia nos Pai, um raio da tua divina
complacência, luz e misericórdia para os teus filhos pecadores que aqui habitam, pelo
bem da humanidade, nossa irmã.
Assim seja e assim será, pois essa é a Vossa vontade, Olorum, Nosso Divino Pai
Criador.

Ave Maria
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa
morte. Amém.

Credo
Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu
único filho, Nosso Senhor, o qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu da Virgem
Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos; foi crucificado morto e sepultado;
desceu aos infernos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu ao céu. está sentado à direita
de Deus Pai todo-poderoso; donde há de vir julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica; na Comunhão dos Santos; na
remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.

Salve Rainha
Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós
bradamos os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste
vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a
nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre,
ó! Clemente, ó Piedosa, ó! Doce sempre Virgem Maria. Rogai por nós Santa Mãe de
Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Prece de Caritas
Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai força àquele que passa pela
provação, dai luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a
compaixão e a caridade. Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao
doente o repouso. Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à
criança o guia, ao órfão o pai.
Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor,
para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem. Que vossa
bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toa a parte a paz, a
esperança e a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas
fontes dessa bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores
se acalmarão. Um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de
reconhecimento e de amor. Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos
com os braços abertos. Oh, Poder! Oh, Bondade! Oh, Beleza! Oh, Perfeição! E
queremos de alguma sorte, merecer vossa misericórdia.
Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós; dai-nos a
caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas
o espelho onde se deve refletir vossa doce e divina imagem. Amém.

Oração de São Francisco de Assis


Senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio que eu leve o
amor. Onde houver ofensa que eu leve o perdão. Onde houver discórdia que eu leve
a união. Onde houver dúvida que eu leve a fé. Onde houver erro que eu leve a
verdade. Onde houver desespero que eu leve a esperança. Onde houver tristeza que
eu leve a alegria. Onde houver trevas que eu leve a luz.
Oh! Mestre, fazei com que eu procure mais consolar do que ser consolado,
compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado, pois é dando que se
recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se nasce para a vida
eterna. Amém.

Oração a Bezerra de Menezes


Nós te rogamos, Pai de Infinita bondade, as graças de Jesus Cristo, através de
Bezerra de Menezes e suas legiões de Companheiros. Que eles nos assistam,
Senhor, consolando os aflitos, curando aqueles que se tornem merecedores,
confortando aqueles que tiverem suas provas e expiações a passar, esclarecendo aos
que desejarem conhecer e assistindo a todos quantos apelam ao Teu Infinito Amor.
Jesus, Divino Portador da Graça e da Verdade, estende Tuas mãos dadivosas em
socorro daqueles que Te reconhecem o Despenseiro fiel e prudente; faze-o Divino
Modelo, através de Tuas Legiões consoladoras, de Teus santos espíritos, a fim de
que a Fé se eleve, a Esperança aumente, a Bondade se expanda e o Amor triunfe
sobre todas as coisas.
Bezerra de Menezes, apóstolo do Bem e da Paz, amigo dos humildes e dos enfermos,
movimenta as tuas falanges amigas em benefício daqueles que sofrem, sejam males
físicos ou espirituais. Santos espíritos, dignos obreiros do Senhor, derramai as graças
e as curas sobre a humanidade sofredora, a fim de que as criaturas se tornem amigas
da Paz e do Conhecimento, da Harmonia e do Perdão, semeando pelo mundo os
Divinos Exemplos de Jesus Cristo.

Oração ao Anjo de Guarda


Meu companheiro de todas as horas; amigo de todos os momentos, tanto os de alegria
como os de sofrimento; guia meus passos, meus pensamentos e minhas ações; cria
em redor de mim um círculo de defesa contra os fluídos, influências ou interferências
que possam afetar-me o corpo ou a mente; ajudando-me também estarás te ajudando,
num intercâmbio de amor, de paz e de compreensão; sê o meu porta-voz diante de
outro espíritos superiores, médicos ou cientistas; professores ou sacerdotes; guias ou
amigos para que me dirijam na solução dos meus problemas físico-espirituais.
Agradeço-te sinceramente toda a assistência que me prestaste, toda orientação que
imprimiste à minha vida, socorrendo-me nas horas aflitivas, consolando-me nas
épocas de amarguras e sugerindo-me a prática do amor e da caridade. Que Deus te
dê mais luz, força e poder como recompensa pelo esforço, dedicação e afeto que
demonstras no cumprimento de tão importante missão. Amém.

Prece a Exú
Orixá Exú, vós que sois o orixá regente do vazio, o orixá vitalizador, o Orixá esgotador
dos excessos humanos e de suas ilusões vãs, auxilie-nos. Pedimos ao senhor e ao
Pai Criador Olorum, guiem-nos para que vazio não nos tornemos. Não nos permitam
perder-nos na dualidade dos momentos da vida. Orixá Exú, não deixe que
perturbações espirituais e materiais minem nossa força de vontade e livre arbítrio, nem
nossa vontade de viver.
Orixá Exú, senhor da dualidade que vemos na matéria, oriente-nos para que não
sejamos seduzidos por caminhos que nos levam a paralisação evolutiva e consciência
das trevas da ignorância em que mergulhamos quando vazios de Deus nos tornamos.
Livra-nos de tudo aquilo que nos afasta de nosso criador e afaste de nós o mal. E se
merecedores formos, que tenhamos paz e prosperidade, para conduzirmos nosso
fardo nessa encarnação de maneira mais amena, com ausência de nossos abismos
e negativismos, sobre tua guarda e proteção. Amém.

Prece a Santo Antônio


Ó Santo Antônio, o mais gentil dos santos, teu amor a Deus e tua caridade com Suas
criaturas, fizeram com que foste digno de possuir poderes miraculosos. Motivado por
este pensamento, peço-te que abençoe a todos nós.
Glorioso Santo Antônio que tivestes a sublime dita de abraçar e afagar o Menino
Jesus, alcançai-me a graça que vos peço e vos imploro do fundo do meu coração.
Vós que tendes sido tão bondoso para com os pecadores, não olheis para os poucos
méritos de quem vos implora, mas antes fazei valer o vosso grande prestígio junto a
Deus para atender o meu insistente pedido.
Ó gentil e amoroso Santo Antônio, cujo coração estava sempre cheio de simpatia
humana, sussurra minha súplica aos ouvidos do doce Menino Jesus, que adorava
estar em teus braços. A gratidão do meu coração será sempre tua. Amém!!
Prece a Oxalá
Nosso Pai Bondoso e Misericordioso. Babá Okê, cacubeká... Meu Pai das Colinas,
olhai por nós. Assim como criastes todos os Orixás, Oxalá-Lufã, Oxalá-Guiã, Deus
eterno e criador do Universo Celeste. Dai-nos a vossa bênção. Ó Divino Mestre,
deixai-nos apoiar em vosso cajado de esperança. Alá, Babá, Orun... Alá, Orixá... Para
que vosso Manto Sagrado possa proteger-nos com vossas bênçãos e
benevolências. Orixá Babá... Olorun Ifé... Exê Eú pá Babá... Axé Babá!

Pai Nosso
Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso
reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai as nossas ofensas, assim como nós
perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-
nos do mal. Amém.

Prece a Ogum
Orixá, protetor, Deus das lutas por um ideal. Abençoai-me, dai-me forças, fé e
esperança. Senhor Ogum, Deus das guerras e das demandas, livrai-me dos
empecilhos e dos meus inimigos. Abençoai-me neste instante e sempre para que as
forças do mal não me atinjam. Ogum Iê, Cavaleiro Andante dos caminhos que
percorremos. Patacori... Ogum Iê... Ogum meu Pai, vencedor de demandas... Ogum
Saravá Ogum... E que assim seja!

Prece a São Jorge


Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos,
tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam,
e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu
corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça.
Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em
todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder,
seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas
poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que
debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a
vós.
Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge, rogai por nós.

Prece a Oxossi
Okê... Okê Cavaleiro de Aruanda! Okê... Rei dos Caboclos e das Matas! Senhor
Oxossi, que as suas matas possa estar repleta de Paz, Harmonia e Bem-
Aventurança. Meu Pai Oxossi, Rei dos Caçadores, não permita que eu me torne uma
presa dos malefícios nem dos meus inimigos. Okê, Okê, meu Pai Oxossi! Rei das
Matas de Aruanda. Okê Arô!

Oração à São Sebastião


Glorioso mártir São Sebastião, soldado de Cristo e exemplo de cristão. Hoje nós
viemos pedir vossa intercessão junto ao trono do Senhor Jesus, nosso Salvador, por
quem destes a vida. Vós que vivestes a fé e perseverastes até o fim, pedi a Jesus por
nós para que nós sejamos testemunhas do amor de Deus. Vós que esperastes com
firmeza nas palavras de Jesus, pedi a Ele por nós para que aumente nossa esperança
na ressurreição. Vós que vivestes a caridade para com os irmãos, pedi a Jesus para
que aumente nosso amor para com todos. Enfim, glorioso mártir São Sebastião,
protegei-nos contra a peste, a fome e a guerra; defendei nossas plantações e nossos
rebanhos que são dons de Deus para o nosso bem, para o bem de todos.
E defendei-nos do pecado que é o maior mal, causador de todos os outros. Amém.

Prece a Ossain
Ossain, que suas bênçãos se derramem sobre meu espírito, minha mente e meu
corpo, trazendo cura, paz e harmonia a minha vida; com as folhas frescas, traga a
fartura, a saúde, a alegria, e o amor a minha jornada diária. Ewê o! Com as folhas
secas, leve para longe aqueles que obstruem meus caminhos. Ewê o! Saravá Ossain,
traga sua proteção a meus caminhos! Ewê Asá! Ewê o! Meu Pai, Meu mestre, Meu
Senhor do Desconhecido!
Que as encruzilhadas das duvidas sejam afastadas de minha vida. Que o seu pássaro
voe à chegada de meu espírito! Meu Pai, Meu Mestre, e Senhor das Folhas, que as
folhas do outono possam alegrar a minha alma! Que as folhas da primavera possam
enfeitar meu destino! Que as folhas do inverno me cubram com sua proteção! Que as
folhas do verão me tragam sabedoria e esperança!! Meu Pai, Meu Mestre, e Senhor
das Curas! Que seu pássaro cante 3 vezes para levar a minha saudade; que seu
pássaro cante 7 vezes para levar a minha dor; que seu pássaro cante eternamente
para receber o seu amor! Saravá Ossain, traga sua proteção a meus caminhos! Ewê
Asá! Ewê o!

Oração à São Benedito


São Benedito, filho de escravos, que encontrastes a verdadeira liberdade servindo a
Deus e aos irmãos, independente de raça e de cor, livrai-me de toda a escravidão,
venha ela dos homens ou dos vícios, e ajudai-me a desalojar de meu coração toda a
segregação e a reconhecer todos os homens por meus irmãos. São Benedito, amigo
de Deus e dos homens, concedei-me a graça que vos peço do coração. Por Jesus
Cristo Nosso Senhor. Amém.

Prece a Xangô
Senhor de Oyó. Pai justiceiro e dos incautos. Protetor da fé e da harmonia. Kaô
Cabecile do Trovão. Kaô Cabecile da Justiça. Kaô Cabecile, meu Pai Xangô. Morador
no alto da pedreira. Dono de nossos destinos. Livrai-nos de todos os males. De todos
os inimigos visíveis e invisíveis. Hoje e sempre, Kaô meu Pai.

Prece a São Jerônimo


Ó Deus, criador do universo, que vos revelastes às pessoas, através dos séculos, pela
Sagrada Escritura, e levaste o vosso servo São Jerônimo a dedicar a sua vida ao
estudo e a meditação da Bíblia, dai-me a graça de compreender com clareza a vossa
palavra quando leio a Bíblia.
São Jerônimo, ajudai-nos a considerar o as palavras de Cristo acima de qualquer outra
doutrina, já que é a palavra e o ensinamento do próprio Deus. Fazei que todas
pessoas descubram em suas palavras as profundas intuições humanas sobre que tipo
de amor tem por nós Pai comum. Amém.
Prece a Obaluaiê-Omulu
Dominador das epidemias. De todas as doenças e da peste. Omulu, Senhor da
Terra. Obaluaiê, meu Pai Eterno. Dai-nos saúde para a nossa mente, dai-nos saúde
para nosso corpo. Refoçai e revigorai nossos espíritos para que possamos enfrentar
todos os males e infortúnios da matéria. Atotô meu Obaluaiê! Atotô meu Velho Pai!
Atotô Rei da Terra! Atotô Babá!

Oração à São Lázaro


São Lázaro, amigo de Nosso Senhor Jesus Cristo, vós que tivestes um tão grande
privilégio de hospedar em vossa casa o próprio Deus, volvei a nós vosso olhar
misericordioso e dai consolo a todos os que estão partindo desta terra neste momento.
Que recebam a conversão e seus entes queridos possam encontrar todo o conforto
espiritual que necessitam. Vós que conhecestes a morte e fostes ressuscitado,
ressuscitai nosso coração que por vezes se encontra adormecido diante da caridade
e do zelo que devemos ter com nossa alma. Animados no coração pela fé que vos
depositamos, agradecemos por vossa existência e amparo. Por Cristo Nosso Senhor.

Prece a Oxumarê
Arroboboi Oxumarê! Orixá Cobra, Senhor do Arco-íris, das riquezas do mundo,
responsável pela renovação dos ciclos deste mundo! Serpente da Sabedoria, quebre
os ciclos ruins e danosos à minha vida; purifique meu espírito para que eu encontre
progresso em minha jornada espiritual e pessoal; e ponha-me na direção de caminhos
mais saudáveis e prósperos para minha vida e para meu crescimento espiritual.
Peço-lhe, Pai, sua benção para que a riqueza, a prosperidade e o sucesso
acompanhem-me onde eu for! Que eu seja sempre merecedor de estar sob sua
proteção. Ilumina-me, Arco-íris Sagrado, com seu poder renovador da vida; livrando-
me dos inimigos, dos falsos amigos, e das pessoas más e invejosas e de suas intrigas;
e ponha em meus caminhos as amizades sinceras e os sentimentos verdadeiros que
me trarão crescimento e harmonia! Arroboboi Oxumarê!”

Prece a São Bartolomeu


São Bartolomeu, faz-me puro de espírito, torna minha alma digna de grandeza, para
que eu possa ajudar e ter uma palavra de consolo a quem amo nos momentos de
dificuldade financeira. As minhas orações não podem ser em vão. Ajude-me a só levar
harmonia! Amém!

Prece à Iansã
Oiá... Oiá... nossos passos. Iansã, Deusa máxima do Cacurucaia... Bamburucena,
Rainha, Mãe e Protetora. Eparrei nossa mãe Divina. Deusa divina dos ventos e das
tempestades. Deixa-nos sentir também a tua bonança. Iansã dos relâmpagos, dá-
nos uma faísca da tua graça divina. Eparrei, Eparrei... Oiá!

Prece a Santa Bárbara


Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos
furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar
dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Ficai sempre ao meu lado para
que possa enfrentar de fronte erguidas e rosto sereno todas as tempestades e
batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do
dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus,
criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor
das tempestades e abrandar a crueldade das guerras. Santa Bárbara, rogai por nós.

Prece à Nanã Buruquê


Mãe protetora de todos nós. Senhora das águas opulentas. Deusa das chuvas
benévolas. Deixa cair sobre nós a chuva divina da tua bondade fecunda e
infinita. Salubá Nanã Buruquê! Purifica com tuas forças nossa atmosfera para que
possamos ser envolvidos pelos teus olhos maravilhosos. Salubá Nanã Buruquê!
Salubá!

Prece a Nossa Senhora Sant’Ana


Senhora Sant’Ana, fostes chamada por Deus a colaborar na salvação do mundo.
Seguindo os caminhos da Providência Divina, recebeste São Joaquim por Esposo.
Deste vosso matrimônio, vivido em santidade, nasceu Maria Santíssima, que seria a
Mãe de Jesus Cristo. Formando Vós família tão santa, confiantes nós vos pedimos
por esta nossa família.
Alcançai-nos a todos as graças de Deus: aos PAIS deste lar, que vivam na santidade
do matrimônio e formem seus filhos segundo o Evangelho; aos FILHOS desta casa,
que cresçam em sabedoria, graça e santidade e encontrem a vocação a que Deus os
chamou.
E a TODOS nós, Pais e Filhos, alcançai-nos a alegria de viver fielmente na Igreja de
Cristo, guiados sempre pelo Espírito Santo, para que um dia, após as alegrias e
sofrimentos desta vida, mereçamos também nós chegar à casa do Pai, onde vos
possamos encontrar, para junto sermos eternamente felizes, no Cristo, pelo Espírito
Santo. Amém!

Prece à Iemanjá
Poderosa força das águas. Inaê, Janaína, Sereia do Mar. Saravá minha Mãe
Iemanjá! Leva para as profundezas do teu mar sagrado. Odoiá... Todas as minhas
desventuras e infortúnios. Traz do teu mar todas as forças espirituais para alento de
nossas necessidades. Paz, esperança, Odofiabá... Saravá, minha Mãe Iemanjá!
Odofiabá...

Nossa Senhora dos Navegantes


Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Mãe de Deus criador do céu, da terra, dos rios,
lagos e mares; protegei-me em todas as minhas viagens. Que ventos, tempestades,
borrascas, raios e ressacas, não perturbem a minha embarcação e que monstro
nenhum, nem incidentes imprevistos causem alteração e atraso à minha viagem, nem
me desviem da rota traçada. Virgem Maria, Senhora dos Navegantes, minha vida é a
travessia de um mar furioso. As tentações, os fracassos e as desilusões são ondas
impetuosas que ameaçam afundar minha frágil embarcação no abismo do desânimo
e do desespero. Nossa Senhora dos Navegantes, nas horas de perigo eu penso em
vós e o medo desaparece; o ânimo e a disposição de lutar e de vencer tornam a me
fortalecer. Com a vossa proteção e a bênção de vosso Filho, a embarcação da minha
vida há de ancorar segura e tranquila no porto da eternidade. Nossa Senhora dos
Navegantes, rogai por nós.

Prece à Oxum
Canto sereno que assobia, nos regatos lagos e cachoeiras. Senhora faceira de beleza
e ternura. Protetora das crianças e de todos os que necessitam de tua graça. Mamãe
Oxum, Deusa formosa dos rios. A Mãe das Águas Doces, acolhe-nos em teu seio,
proporciona-nos paz e alegria. Saravá Mamãe Oxum! Ora Iê Ie!
Oração à Nossa Senhora Aparecida
Querida Mãe Nossa Senhora Aparecida. Vós que nos amais e nos guiais todos os
dias, vós que sois a mais bela das Mães, a quem eu amo de todo o meu coração.
Eu vos peço mais uma vez que me ajudeis a alcançar uma graça. Sei que me ajudareis
e sei que me acompanhareis sempre, até a hora da minha morte. Amém.

Prece aos Pretos Velhos


Meus benditos Pretos e Pretas Velhas. Meus Santos, guias e espíritos
protetores. Mestres divinos da Linha das Almas, abençoai esta casa e os meus
passos. Aplacai as forças dos nossos inimigos. Meus queridos Pretos Velhos, que a
sua candura e bondade recaia sobre nós como o véu do divino amor. Meus Pretos
Velhos, dai-nos a fé, a esperança e a felicidade. Eu adorei as Almas! Saravá, meus
Pretos Velhos!

Prece aos Caboclos


Do sabiá, ao primeiro trinado, ergue-se o homem, ainda cansado, do sono dormido e
que não descansou. Caminha até a porta, com muito vagar, e olhando o infinito, se
põe a rezar, a oração dos caboclos que a terra ensinou. Do sol que renasce, o primeiro
clarão, clareia o caboclo, que de pé no chão, vai noutra batalha, sozinho enfrentar. E
assim o caboclo, na luta sem fim, caminha ao perfume da flor de jasmim, rezando a
oração que a terra ensinou.

Prece a Cosme e Damião


São Cosme e São Damião, por amor a Deus e ao próximo, consagrastes a vida no
cuidado do corpo e da alma dos doentes. Abençoai os médicos e farmacêuticos.
Alcançai a saúde para o nosso corpo. Fortalecei a nossa vida. Curai o nosso
pensamento de toda a maldade. Que vossa inocência e simplicidade ajudem a todas
as crianças a terem muita bondade umas com as outras. Fazei com que elas
conservem sempre a consciência tranquila. Com a vossa proteção, conservai o meu
coração sempre simples e sincero. Fazei que eu lembre com frequência estas
palavras de Jesus: “Deixai vir a mim as criancinhas, pois delas é o reino do céu”. São
Cosme e São Damião, rogai por nós, por todas as crianças, médicos e farmacêuticos.
Amém.
Prece aos Marinheiros
Saravá Marinheiros, Caboclos e Calungas do Mar! Venho pedir que levem para os
mares o olho gordo que afetou minha vida. Levem para os mares a escassez e a
instabilidade financeira. Que com vossa boa energia, a fartura dos oceanos entre em
minha vida. Com a Vossa bênção, tenho a certeza de que vou encontrar a bússola do
meu destino e ser feliz no amor.
Que com vossa intervenção em meus caminhos, eu nunca mais fique à deriva nos
mares da vida. Peço que inundem meu espírito com vossa energia, para que eu
atravesse com segurança, as tempestades nos mares da vida. Peço a Iemanjá,
Patrona da Linha das Águas que chefia a Falange dos Marinheiros, Caboclos e
Calungas do Mar que abençoe meu espírito. Saravá Iemanjá! Odoyá, Rainha do Mar!
Iluminem como um farol os meus caminhos, para que eu encontre vitórias em minhas
batalhas. Saravá Marinheiros, Caboclos e Calungas do Mar!

Prece aos Ciganos


Salve o Sol, a natureza, o orvalho da manhã! Salve Deus Todo Poderoso, que me dá
a felicidade de tomar a bênção de toda a natureza. Salve o vento, a chuva, as nuvens,
as estrelas e a lua! Salve as forças das águas, a terra, a areia e o solo fértil! Que belo
seja seu remédio, o pão que parto à mesa seja multiplicado. O Universo me abraça e
que os quatro elementos: Terra, Água, Fogo e Ar me deem as forças necessárias pra
lutar. Meus caminhos sejam abertos, hoje e sempre com toda a pureza dos
elementais, dos anjos mensageiros de Deus e da nossa Rainha Santa Sara Kali.
Optcha!

Prece aos Baianos


Supremas entidades de luz e sabedoria, me possibilitem o conhecimento da alegria e
axé que só esse povo brasileiro tem. Me ensinem a valorizar cada migalha que tenho
em minha mesa e transformá-las em um grande banquete. Me permitam sentir um
pouquinho dessa força e vontade de viver.
Povo Baiano proteja minhas estradas, quebre as demandas, dance o samba e o
xaxado em meus dias e faça deles os melhores possíveis! Povo Baiano peço perdão
por meus erros humanos, mas peço também sua proteção e axé para meus dias!
Peço, com muita fé, que abençoe a todos nós e, antecipadamente agradeço a você,
querido baiano, querida baiana! Peço pelo carinho e paciência e pelo seu trabalho que
sei que será realizado com a vontade e permissão de Nosso Senhor do Bonfim!

Prece a Exú e Pomba Gira


Exu e Pomba Gira, entidades das sombras e da luz, seres das auras e da aurora.
Seres das ruas que nos conduz, Seres do Tempo e do Agora, Seres que me chama e
me abandona, Seres que ama e que odeia. Reis e Rainhas justos das sensações
humanas, olhai por meus passos insanos. Seres que me acobertam e me repelem,
Seres que em todas as horas se revelam, Seres das brigas e calmarias. Ajustai o
tempo para mim. Senhores e Senhoras, eu nada vos peço. Imploro que meus passos
sejam protegidos, que meus olhos, que a tudo assistem, possam ter a sua força e
soberania. Laroyê!

Salmo 23
O Senhor é nosso pastor, nada nos faltará. Em campos relvosos nos fará deitar e nos
levará a aguas quietas e tranquilas, pelo amor de seu nome. Refrigera as nossa almas,
guia-nos pelas veredas do Amor e da Justiça, pelo amor do seu nome. Mesmo que
tivéssemos que andar pelo vale da sombra e da morte, nenhum medo teríamos, pois
tua vara e teu cajado nos confortam. Aparelhas a nossa mesa diante de nós e ante os
nossos adiversários. Unges a nossa cabeça com óleo. Nosso cálice transborda. Pois
o bem e a beneficência nos acompanharão durante os longos dias da nossa vida. E
nós todos viveremos felizes, na casa do Pai, por longos dias. O Senhor é nosso
Pastor, nada nos faltará.
RITOS
Dentre os vários ritos que ocorrem na casa, temos o que se realiza para
preparação do médium em sua caminhada espiritual rumo ao autoconhecimento e
desenvolvimento de suas capacidades mediúnicas. Podemos considerar este
processo como dividido em 4 etapas: Amaci, Camarinha (Iniciação), Firmeza (3 anos)
e Consagração (7 anos).

1. O AMACI (PREPARAÇÃO)
Este ato se refere a um simples banho de ervas feito para a cabeça do médium,
onde será utilizado ervas e/ou folhas e/ou flores que representem cada um dos
Órixas cultuados na casa (Exú, Ogum, Oxóssi, Xangô, Omolú, Oxumarè,
Ossain, Iansã, Oxum, Iemanjá, Nanã e Oxalá), 1 bacia esmaltada, pó de
pemba, 1 pano branco médio e uma metade de cabaça. As ervas/folhas/flores
serão previamente quinadas e preparadas para o uso, em água limpa. Em
determinado dia de trabalho, seja de caboclo ou preto velho, a pessoa receberá
esse banho em sua cabeça, entonado pela reza do amaci e pontos de outros
guias/orixás que se fizerem presente. A bacia esmaltada será utilizada para
aparar o banho derramado e a metade de cabaça deverá ser usada para se
pegar o banho e jogar sob a cabeça da pessoa. Ao final, a pessoal receberá
um pouco de pemba branca em sua coroa, terá sua cabeça coberta por um
pano branco e permanecerá deitada por 10 a 15 minutos. (SUGESTÃO QUE
SEJA UM ATO INTERNO SEM PARTICIPAÇÃO DE CONSULENTE, E QUE
DURE 30 MINUTOS)

2. A CAMARINHA (INICIAÇÃO)
Confirmado o interesse em permanecer na Casa de Umbanda, após tomar um
amaci (pelo menos), a pessoa poderá se iniciar por meio da Camarinha. Este
ato é realizado em 1 dia. A pessoa precisará se organizar para poder preparar
uma comida para seu santo, para Xangô e para Iemanjá. Será preparado um
banho com ervas, folhas e flores de seu santo de cabeça, e um banho de Oxalá.
Deverá ser realizado um pequeno agrado para exú e pomba-gira (que seja
servido, pelo menos, uma bebida a eles, no dia do ato), a pessoa terá que levar
roupas brancas, levar uma guia referente ao seu santo (que já tenha sido,
previamente preparada pelo próprio médium) podendo conter algumas
miçangas maiores, de cor condizente ao santo, chamadas de firmas. Além
disso será utilizado pemba branca e fruto de Obí. Neste ato, será pedido para
a pessoa tomar um banho de Oxalá e vestir branco, para se iniciar o processo.
Médiuns do centro farão o agrado inicial a exu e pomba gira e retornará para
ficar quieta na esteira. A guia feita por ele, estará com o dirigente (e não poderá
estar amarrada). Será iniciado, então, o processo similar ao amaci. Serão
realizados cânticos relacionados ao amáci, ao Orixá da pessoa, a Xangô e a
Iemanjá. O banho será derramado sob a cabeça do médium, até que sobre um
pouco dele no recipiente. Será escolhido um outro médium da casa para ser
padrinho daquela pessoa que está iniciando, sendo que este será responsável
por acompanhar os passos do iniciando dali por diante (dando orientações,
ensinando e partilhando experiências). Nesse momento, o Guia Chefe deste
médium (ou mesmo a pessoa que seja um médium de não incorporação),
jogará o restante do amaci na cabeça do iniciante. Ao final, o dirigente partirá
o Obí, dando uma metade para o iniciante mastigar e a outra o dirigente
mastigará. Será pego ambas partes esmagadas e colocadas no centro de um
pano branco virgem e amarrado na cabeça da pessoa para que ela se deite
por, pelo menos meia hora, com ele (após esse prazo o Obi sera colocado em
pequeno pano e colocado dentro de uma quartinha - que será de barro ou louça
conforme a exigência do dirigente). As comidas serão colocadas no altar, a guia
será colocada no pescoço da pessoa (recebendo bons desejos do dirigente) e
o iniciante. Preceito de 7 dias. (SUGESTÃO – TIRAR EBÔS DA PESSOA
MINUTOS ANTES, PEDIR PARA ELA TOMAR O BANHO DE SEU SANTO,
E DAI COMEÇAR O PROCESSO

3. FIRMEZA (3 ANOS)
Após três anos de realizada a iniciação, o médium poderá fazer seu ato de
Firmeza. Neste ato serão feitas comidas de seu santo de cabeça, de Xangô e
de Iemanjá; além de uma oferenda para cada linha de trabalho da casa. A
pessoa terá que ter conhecimento de seu “Guia Chefe” para que seja preparado
um prato em sua homenagem. Será realizado três limpezas (egún, feitiço e
branco) em um dia determinado, sendo que, após este feito, a pessoa terá que
permanecer 7 dias de preceito (inclusive sem incorporação da linha de
esquerda). Será dado banho de ervas/folhas/flores. Após isso, será entregue
ao Guia sua comida e que poderá ser comida (distribui aos demais presentes)
ou colocada em algum lugar que o Guia desejar. Após isso, o médium terá que
desincorporar e fazer a firmeza com vela, para cada guia/orixá homenageado,
cantando um ponto para cada e batendo paó ao final (sendo acompanhado
pelo dirigente durante todo o processo). Ao final, acenderá uma vela de 7 dias
para seu orixá no Congar, tomará um banho referente ao seu santo e se sentará
na esteira para “descansar” por pelo menos meia hora. Com isso, o médium
receberá uma função a qual ficará responsável na casa, a partir daquele
momento (essa função será revelada ao longo de sua vivência espiritual).

4. CONSAGRAÇÃO (7 ANOS)
Este ato é feito após 7 anos da iniciação e é o momento que marca a possível
consagração de um médium que poderá ser um dirigente de Centro. Será
preparado a comida de todos os 12 orixás cultuados na casa, um Obará, uma
oferenda para Exú e Pomba Gira e uma Oferenda para Cosme e Damião. O
ato deverá ser feito em um lugar que seja representativo para o Santo da
pessoa, ou seja: Exu/Ogum/Iansã (Estradas de Terra); Oxóssi/Omolú/Ossain
(Mata); Xangô, Oxumarê, Nanã (Beira de Rio/lago/cachoeira); Oxum e Iemanjá
(Dentro de Rio/lago/cachoeira) e Oxalá (Debaixo de arvore antiga – sem
espinho e que esteja vivida - e frondosa). A pessoa deverá tomar um banho de
Oxalá e de seu santo e vestir roupas brancas. Deverá ser feito entrega de
oferenda para exú e pomba gira (catiço – 1 dia antes) e exú (orixá) em um lugar
escolhido previamente. Após isso, todos deverão ir ao local escolhido para a
realização da Consagração (caso não possa ser realizado no que é indicado
para o Orixá regente, poderá ser feito debaixo de arvore antiga e frondosa,
como é pedido para Oxalá). Deverá ser feito a colocação das 12 comidas dos
Orixás, em locais escolhidos pelo médium, próximo ao espaço em que será
feita a Consagração (sendo a comida do Santo da Pessoa a última a ser
colocada). Após colocação das comidas dos Orixás, o médium deverá entregar
a oferta para Obará e a de Cosme Damião. Em local escolhido se dará início a
Consagração. O dirigente levará uma porção de Amaci dos 12 Orixás, rezará
pelo médium e chamará por seu orixá. Ainda incorporado, o médium receberá
seu fio de conta com 3 linhas referentes ao seu santo (feito pelo médium
anteriormente) e receberá seu Quipá – homens - (boina) de Consagração ou
seu Ojá – mulheres - (pano de cabeça) na cor referente ao seu santo. Isso
representará a coroação do santo, que será comemorado com Pontos em sua
homenagem e que poderão sem acompanhados por dança ou atos realizados
pelo santo. Ao final, o Orixá deverá se ajoelhar, e de cima da cabeça dele o
Dirigente soltará uma pomba, que estará em mesma posição que o corpo do
médium, após pedidos de proteção e confirmação da Consagração. Após
soltura do animal, será possível fazer a confirmação do que aguarda a nova
jornada do médium. Ao final, ele deverá passar o resto do dia no quarto de
santo, e sairá apenas no outro dia, a partir das 7 horas da manhã.
REFERÊNCIAS
https://brasilescola.uol.com.br/quimica/metais.htm

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