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PAULA ARANTTES

APRENDA
AGORA COMO
APROVAR SEU
PRIMEIRO
PROJETO NA
PREFEITURA
SOZINHO
PARE DE SONHAR,
COMECE A REALIZAR

PASSO A PASSO DA
APROVAÇÃO DE PROJETOS!

@paulaaranttes
SOBRE A AUTORA

A HISTÓRIA
POR TRÁS
DESTE
E-BOOK
@paulaaranttes

Paula Cristina Pereira Arantes

Engenheira Civil, Designer de Interiores,

autora do Blog Toda Obra, sócia do escritório

PRIMORE Engenharia & Design, e apaixonada

por disseminar conhecimento.


UMA BREVE HISTÓRIA
Olá, meu nome é Paula Arantes, nasci em
Santo Antônio da Platina, interior do Paraná,
quando criança queria ser ginasta, mas como
não entendia bem os nomes de cada esporte
dizia querer ser trapezista e isso foi uma
decepção para minha mãe...rs, porque o sonho
dela era ter uma filha modelo, médica,
advogada ou algo assim....rs.

Meus pais sempre foram pessoas simples, que


nunca saíram de nossa cidade natal, mas
muito batalhadores, sempre valorizaram muito
nossos estudos. Isso se deu porque meu pai
perdeu os pais muito jovem e teve que
trabalhar duro, era um exímio empreendedor,
vendia gado, leite, produzia queijos, carneiros
e o que mais o mercado pedisse naquele
momento, sabia diversificar e nunca se
acomodar.

Minha mãe que veio de uma vida de muita


batalha, pois minha avó ficou viúva após 4 ou 5
anos de casada e com 3 filhos pequenos, por
conta disso minha mãe aprendeu a batalhar
desde cedo, fez de tudo um pouco e nunca
deixou os estudos de lado, fez magistério e se
tornou professora primária, quando eu e
minha única irmã já tínhamos idade para ficar
parte do dia em casa sozinhas ela resolveu ir à
luta mais uma vez, se formou em História e
Geografia, fez especialização em educação
especial e continuou sua carreira.
Logo a vida não foi fácil para meus pais, e por
isso eu cresci pensando que queria ganhar
muito dinheiro para dar mais conforto a eles.

Então em 2007 eu resolvi dar meu primeiro


voo solo, meio solo...rs, fui morar com uma
prima em Maringá-PR para fazer faculdade,
me formei em Designer de Interiores e tinha
um ótimo emprego, as coisa iam bem, e
quando me formei fui transferida para a filial
desta mesma empresa em Londrina-PR, onde
moro até hoje, mas o trabalho no
departamento de projetos embora bom não
me levaria para onde eu pretendia chegar,
então resolvi entrar na Faculdade de
Engenharia Civil, profissão mais requisitada e
bem remunerada no mercado de trabalho, e
assim fiz, continuei trabalhando e estudando,

Mas em 2014 o universo resolveu conspirar


contra mim, ou pelo menos eu achava isso, e
perdi meu pai em abril deste ano, vítima de
um infarto fulminante e isso foi um grande
baque na minha vida, fiquei sem muitas
perspectivas. Meses depois minha mãe ficou
sem emprego e eu também, e aí parecia que
tudo tinha ido por água abaixo, os sonho e
objetivos estavam mais distantes e perderam
um pouco o sentido.
E nesse momento que eu entendi que as
crises acontecem para a gente se reinventar, e
fui atrás de um estágio em engenharia, era a
minha oportunidade de me colocar neste novo
mercado.

Mas a crise econômica no Brasil estava


começando a mostrar suas caras e a
construção civil só caindo, ninguém
contratava e não tive a chance de estagiar em
uma obra, fiquei apavorada.

Mas como para tudo se dá um jeito nesta vida,


eu tinha uma amiga engenheira civil e uma tia
com um terreno, negócio fechado...rs, minha
tia me pediu um projeto e minha amiga topou
me ensinar, e esse foi meu estágio. Deste
momento em diante me dediquei a aprender
todos os tipos de projetos que eu podia, fiz
cursos, busquei treinamentos online, gratuitos
e pagos, enfim corri atrás daquilo que não
tinha visto na faculdade como se fosse minha
última chance.

Em 2015 me formei, abri meu escritório de


projetos, e fiz uma sociedade com meu então
melhor amigo de faculdade, que hoje também
leva o título de Marido....hehehe.
E porque o universo fingi conspirar contra?

Mas é só para a vida dar as voltas que precisa,


o Fabio (sócio/melhor amigo/marido) havia
estagiado durante quase toda a faculdade em
diversos setores de uma grande construtora,
então orçamento de obra e execução era e é a
área que ele domina.

E foi aí que minha carreira na engenharia


realmente começou, unimos nossos
conhecimentos de projeto e obra e
começamos a atuar neste mercado,
projetando e gerenciando obras.

Neste tempo todo passamos por milhares de


áreas, quem me segue nas redes sociais já
deve ter me visto contar dos mais diversos
nichos que já atuamos, afinal no começo da
carreira é difícil conseguir clientes suficientes
para atuar apenas em uma frente, então até
sermos reconhecidos como especialistas
damos voltas e mais voltas no mercado.

E é com está experiência que pretendo ajudar


você a começar sua caminhada, espero que
goste deste material de apoio.

Sucesso, é meu desejo a você!


ÍNDICE
Sobre a autora
Introdução
Plano Diretor
1 – Uso e Ocupação do solo
1.1   Mapa de zoneamento
1.2   O que pode ser construído?
1.3   Taxa de Ocupação
1.4   Coeficiente de Aproveitamento
1.5   Taxa de Permeabilidade
1.6   Recuos e afastamentos
 
2         – Código de Obras
 
2.1   Vagas de estacionamento
2.2   Área mínima de cada cômodo
2.3   Área mínima de iluminação
2.4   Área mínima de ventilação
2.5   Outros parâmetros
2.6   Escalas
2.7   Prancha padrão
2.8   Padrão de calçada
 
Projeto de Prefeitura
3         – Desenvolvendo o projeto
 
3.1   Planta baixa
3.2   Cortes
3.3   Implantação e cobertura
3.4   Elevação da fachada
3.5   Planta de situação
3.6   Quadro de áreas
3.7   Quadro de esquadrias
3.8   Carimbo
 
4         – Documentos
 
4.1   Matrícula do terreno
4.2   Contrato de compra e venda
4.3   Requerimento da prefeitura
4.4   ART ou RRT
4.5   Projetos plotados
4.6   Placa de Obra
4.7   Certidões
 
 
5         – Taxas
 
5.1   Das taxas de responsabilidade do profissional
5.2   Das taxas de responsabilidade do proprietário
5.3   Taxa de aprovação de projeto
5.4   ISS
5.5   Taxa de Habite-se
Prancha Completa
Conclusão

@paulaaranttes
INTRODUÇÃO
"Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa.

Ir para a cama à noite dizendo que fizemos

algo maravilhoso, isso importa para mim."

Steve Jobs
E aí o diploma está na mão, você viu um
milhão de coisas na faculdade, mas colocar na
prática parece uma confusão, seu cérebro não
consegue organizar as informações na
sequência correta e parece que um colapso
está por vir? 

Calminha, vou te contar um segredinho, todo


mundo passa por isso, e quem disse que não,
ou é mentiroso ou realmente tem um grau de
entendimento e inteligência que ultrapassa a
normalidade.

Isso acontece porque tanto na Engenharia


Civil, quanto na Arquitetura o leque de opções
de trabalho que podemos escolher é muito
grande, e 5 ou 6 anos de faculdade é pouco
para sair sabendo colocar qualquer área em
prática, e eu diria que nem em uma vida toda
vamos conseguir entender e atuar em todas as
áreas que o diploma nos permite.
Então vamos manter a calma e dar um
passinho por vez!

Estas profissões tem uma vantagem imensa no


mercado, podemos ser autônomos, nas mais
diversas áreas e ainda com um baixo
investimento, ou seja, no começo da carreira
com um computador, uma calculadora e um
software é sim possível trabalhar de casa com
um custo bem baixo.
Então se o mercado não está para peixe, tudo
bem, vamos aprender a pescar de outras
formas, e eu te convido a começar por aqui,
aprovação de projetos.

Mas aí você pode me dizer, mas Paula eu não


tenho clientes, tudo bem, aprovação pode ser
um nicho de trabalho de prestação de serviços
a outros escritórios também, você sabia que
existem escritórios grandes que não fazem a
planta técnica e o processo de aprovação? Pois
é eles terceirizam este trabalho.

E se você não tiver nenhum contato para


entrar neste mercado, tudo bem também,
existe uma segunda possibilidade, assim que a
gente se forma é sempre comum nós
conseguirmos nossos primeiros clientes, e eles
tem até nome, chamam-se PARENTES....kkkkk

É sério, todo mundo tem uma tia, ou um


primo que vai pensar em construir logo, foi
assim comigo, meus dois primeiros projetos
foram para duas tias, o que é maravilhoso
porque a gente pode treinar o atendimento e
todo o trabalho com pessoas que nos amam e
vão nos apoiar, e isso é fundamental no início
da carreira.

Então sem mais delongas, vamos ao assunto


que nos trouxe até aqui, projeto e processo de
aprovação de projetos na prefeitura.
Quero lembrá-los que este não é um e-book
para aprender a desenvolver projetos, esse
assunto vai ficar para um outro momento,
neste e-book vamos tratar de forma objetiva
os parâmetros para aprovar seus projetos na
prefeitura.

Minha ideia aqui é colaborar para o inicio da


sua carreira, de forma prática e objetiva, como
eu precisei lá no começo da minha, e tive uma
amiga para me ajudar, agora é a minha vez de
tentar dar um apoio a você.

Este é um material de apoio, para quem não


teve contato com aprovação de projetos
durante o período de faculdade, ou para quem
atuava em outra frente da engenharia ou
arquitetura e resolveu se reinventar no
mercado.

Não se trata de um livro de engenharia


aplicada e temas aprofundados, mas de um
guia prático, um contato inicial com o projeto
de aprovação na prefeitura.

Boa sorte na sua carreira, muito sucesso e


espero poder ajudar com este pequeno
incentivo para começar!
PLANO DIRETOR
Este é o inicio de tudo,
o primeiro documento que você deve
buscar na prefeitura do município
onde pretende atuar, ele contém as
informações que vamos precisar
verificar para que nosso projeto
atenda as normas do município.

O que é?

Procurei diversas explicações, sobre o que é um plano

diretor, mas a que mais se aproximou do meu entendimento

foi esta:

“O Plano Diretor pode ser definido como um conjunto de

princípios e regras orientadoras da ação dos agentes

que constroem e utilizam o espaço urbano. (BRASIL,

2002, p. 40).”

Onde encontro?

Geralmente ele é disponibilizado no site da

prefeitura, quando se trata de uma cidade pequena,

pode ser que não esteja disponível no site, então você

pode ir até a secretaria de obras e solicitá-lo.


1 – Uso e Ocupação do solo

O fato de uma cidade ter lei de uso e ocupação

do solo significa que ela possui controle sobre a

utilização de espaços e definição de atividades

permitidas nela.

1.1   Mapa de Zoneamento


 

Este é o pontapé inicial, o primeiro documento

a ser verificado na hora de desenvolver seu

projeto.

Pode ser encontrado online no site da

prefeitura, ou através de um arquivo fornecido

pela secretaria de obras. Na minha região ele

tem estas duas formas de apresentação:


Zoneamento fácil – pesquisa de zoneamento no site da Prefeitura de Londrina - PR.

Neste modelo você precisa apenas digitar o

endereço do terreno o qual vai desenvolver o

projeto e ele já informa a qual zoneamento ele

pertence, e todos os parâmetros que precisam

ser analisados para este.

Zoneamento fácil – quando você clica sobre o terreno pesquisado ele fornece os dados do mesmo.
Quando você clica em mais informações como

destacado na imagem, tem acesso a lei de uso e

ocupação do solo daquele zoneamento e outras

informações necessárias sobre aquele terreno.

Informações de Zoneamento– Pesquisa de zoneamento da Prefeitura de Londrina – PR.

Claro que estou levando em consideração o sistema

da minha cidade, porém, embora possam ser

diferentes de uma cidade para a outra, este sistema

costuma ser bem simples e intuitivo na hora de

pesquisar.

Quer conhecer o sistema de Londrina – PR

http://zoneamentofacil.londrina.pr.gov.br/
Pesquisa de zoneamento offline:

Neste modelo não é tão simples, é preciso localizar no

mapa a região exata onde o terreno se encontra, e

então, para descobrir a qual zoneamento ele

pertence, buscá-lo através da cor na legenda, e a

partir dai pesquisar o documento que apresenta os

Parâmetros Urbanísticos daquele zoneamento.

Mas não precisa se preocupar, agora que já

aprendemos a descobrir em qual zoneamento o

terreno se encontra, vamos para a segunda

etapa, que é saber quais informações

precisamos verificar na lei de uso e ocupação

do solo, quais são os parâmetros urbanísticos

que vão influenciar no projeto em questão.

Mapa de Zoneamento – Pesquisa de zoneamento da Prefeitura de Cambé – PR.


1. 2   O que pode ser construído?
 

Nesta etapa você vai consultar no documento

Uso e Ocupação do Solo, do seu munícipio, tudo

o que é permitido construir naquele

zoneamento, nesta verificação vai analisar se

trata-se de edificação comercial, industrial,

residencial, ou mista, vai verificar também se a

edificação será unifamiliar ou multifamiliar,

horizontal ou vertical, enfim analisar se a

edificação a qual pretende construir naquele

terreno é permitida para aquele zoneamento.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Uso e Ocupação do Solo.


Visto isto, vamos a segunda analise, o terreno

atende a metragem mínima permitida para este

tipo de edificação?

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Uso e Ocupação do Solo.

Ex.: Um terreno 750m ² onde o zoneamento

permite que a metragem mínima do lote seja de

²
360m , pode ser construído duas edificações,

subdividir o lote e ainda assim atingir as

exigências do zoneamento.

Vimos que o terreno pode ser dividido neste

exemplo de acordo com a metragem, agora

vamos para outra analise, a frente mínima do

lote, isto também dever ser verificado se ao

dividir o terreno conseguimos ter duas frentes

com pelo menos a metragem mínima exigida

para lotes neste zoneamento, sem esquecer que

terrenos em meio de quadras e esquinas

possuem diferenças, fique atento.


Em caso de edificações verticais ainda neste

tópico é preciso verificar o numero máximo de

pavimentos ou altura junto as divisas de lotes

que o zoneamento permite.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Uso e Ocupação do Solo

1.3  Taxa de Ocupação


 

Trata-se da porcentagem máxima que a

projeção da edificação pode ocupar no terreno,

o cálculo dele é feito da seguinte forma:

TO = Área total do primeiro pavimento + área excedente dos outros pavimentos x 100
Área total do lote
Imagem retirada da internet

O resultado não pode ultrapassar a

porcentagem máxima permitida pelo

zoneamento, ou seja, deve ser inferior ou igual a

Taxa de ocupação máxima do lote.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Uso e Ocupação do Solo

Ps.: Se o pavimento superior for idêntico ao

inferior, ou seja, nenhuma projeção dele

ultrapassar a construção do primeiro pavimento,

usamos apenas a área do pavimento inferior

para este cálculo.


1 .4 Coeficiente de Aproveitamento
 

Esta precisa da verificação sobre o mínimo, o

básico e o máximo, ou seja, o mínimo ou o

máximo que você pode aproveitar levando em

consideração a metragem do lote

CA = Área construída total

           Área total do lote

O resultado não pode ser menor que o mínimo

apresentado e nem exceder ao coeficiente de

aproveitamento máximo.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Uso e Ocupação do Solo.

Ps.: Para verificar a metragem máxima de

construção permitida, levando em consideração

a metragem do lote, é preciso fazer o seguinte

cálculo:

Área de construção = (C.A.) * (Área do lote)


1 .5 Taxa de Permeabilidade
 Trata-se do valor mínimo obrigatório de área

permeável que deve ser deixada no terreno,

esta é a parte do terreno que permite que as

águas pluviais sejam absorvidas pelo solo.

Este valor também vai ser apresentado no

documento da lei de uso e ocupação do solo, e

dever ser verificado no projeto, calculado e

atendido.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Uso e Ocupação do Solo.


1 .6 Recuos e Afastamentos
 Por último, mas tão importante quanto os

outros, devemos verificar se os recuos e

afastamentos atendem os exigidos pelo

zoneamento.

Recuo frontal é a distância entre o alinhamento

predial até o início da edificação, afastamentos

são as distâncias entre a edificação e a divisa

do lote.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Uso e Ocupação do Solo.

 Obs.: Em edificações sem aberturas laterais, a

edificação pode ser encostada ou possuir menor

afastamento lateral, a não ser em casos específicos

que sejam citados no documento de Uso e

Ocupação do Solo, ou documentos complementares

do município ou ainda documentos do condomínio

onde a edificação será construída.


ANOTAÇÕES
2 – Código de Obras

O código de obras é o documento que

estabelece normas para a elaboração de

projetos e execução de obras e instalações.

2.1   Vagas de estacionamento


 

De acordo com o tipo de obra que você vai

projetar, é necessário verificar o número mínimo

de vagas de garagens exigidas no código de

obras, este número deve ser encontrado em

forma de tabelas como está do exemplo abaixo:

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Código de Obras.


2.2 Metragem mínima dos cômodos

Trata-se do valor mínimo em metros quadrados

exigidos para cada ambiente, este valor é

encontrado em uma tabela, junto com outros

parâmetros que vamos explicar abaixo.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Código de Obras.


2.3 Área mínima de iluminação

É o mínimo necessário de luz natural para que

aquele ambiente seja confortável do ponto de

vista técnico, assim ele deve ser calculado

também de acordo com as informações

encontradas em uma tabela apresentada no

código de obras da sua cidade. Geralmente

apresentado em forma de fração como na

tabela de exemplo abaixo.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Código de Obras.


2.4 Área mínima de ventilação

Assim como a área de iluminação outro item

extremamente importante para analisarmos é a

área de ventilação de cada ambiente, ela deve

ser calculada de acordo com a metragem de

cada ambiente, e atender ao menos o valor

mínimo para cada ambiente apresentado na

tabela já citada. Também é apresentado em

forma de fração e deve ser calculado de acordo

com a medida do ambiente que você está

projetando.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Código de Obras.


2.5 Outros parâmetros

Ainda nesta tabela que estamos citando, é

necessário fazer mais duas verificações, a

altura mínima do Pé direito, ou seja, a altura

mínima exigida para cada ambiente e a

necessidade de revestimentos, alguns ambientes

como banheiro e cozinha exigem revestimentos

para proteção de áreas molhadas, eles podem

ser exigidos só no piso, ou no piso e na parede.

Lembrando que você deve buscar a tabela no

código de obras da cidade onde pretende

aprovar o projeto, e buscar pela tabela

referente ao tipo de obra que você está

projetando.

Exemplo de parte das informações apresentadas no documento Código de Obras.


2.6 Escalas

Ainda no código de obras vamos encontrar

detalhes de apresentação do projeto para a

prefeitura como as escalas exigidas para cada

desenho na prancha, e este detalhe também é

fundamental para a aprovação do seu projeto.

Algumas prefeituras são rigorosas quanto a este

detalhe, outras permitem que você escolha uma

escala adequada, mas em ambos os casos,

planta baixa e cortes costumam ocupar a maior

parte da prancha, já plantas de situação e

cobertura possuem escalas menores.

2.7 Prancha padrão

Outro item que pode ser fornecido ou não pela

prefeitura da qual você vai aprovar seu projeto,

as que possuem um modelo padrão

disponibilizam o mesmo em um arquivo dwg., e

não aceitam pranchas que não sejam a

fornecida por eles e preenchida com os dados

do seu projeto.

As que não possuem modelo padrão costumam

apresentar no código de obras por escrito

aquilo que exigem que seja apresentado no

carimbo.
2.8 Padrão de calçada

Quase todas as cidades já possuem e muitas

estão implantando um modelo padrão para as

calçadas, isto é importante pela questão de

permeabilidade, uma vez que estes modelos

costumam possuir uma faixa de grama que

ajuda a percolação de águas pluviais, e

também pela acessibilidade, já que estes

modelos adotam no seu padrão a faixa de piso

tátil.

Este modelo deve ser fornecido pela prefeitura

municipal, ele pode estar anexo ao código de

obras ou em um documento a parte no site da

prefeitura, com o nome de padrão de calçada

ou similar.

Segue abaixo exemplo de modelo usado em

algumas cidades:

Exemplo de padrão de calçada.


ANOTAÇÕES
Projeto de Prefeitura
3 – Desenvolvendo o projeto

3 .1   Planta baixa


 

O mais importante é fazer uma apresentação

caprichada, desenhos bem feitos, informações

claras e nada de poluição visual.

Mas quanto aos itens que precisam constar na

planta baixa:

- Cotas internas e externas:

Conforme o exemplo, nós adotamos o padrão

de numeração interna para representar a

medida das paredes internas, e cotas para

apresentar as medidas externas, o fundamental

é que qualquer medida que seja necessária

possa ser encontrada de alguma forma na sua

planta, e que todas esteja apresentadas de

forma bem clara para que não ocorra confusão.

- Nomenclatura, pisos e área dos ambientes:

É fundamental identificar cada ambiente, bem

como colocar sua área e tipo de piso que será

usado no mesmo, isso também facilita na hora

de identifica-los no corte.
- Níveis:

São dois tipos de níveis que devem ser

apresentados, o nível da construção, ou seja o

nível em qual cada ambiente deve ser

construído e o nível do perfil natural do solo, ou

seja em qual nível aquele terreno se encontra

antes da edificação, está informação

geralmente é fornecida pela loteadora, mas em

alguns casos é necessário contratar um

topógrafo para tirar este níveis.

NOTA: Lembre-se quem vai corrigir seu projeto

precisa entendê-lo como se ele mesmo o tivesse

desenvolvido.

Ex.: Planta baixa


3 .2 Cortes

 O que faz de um corte bom é ele se apresentar

de forma que possa ser completamente

compreendido, e que passe por o máximo

possível de portas, janelas, desníveis e todos os

detalhes que precisam ser cotados na vertical.

São necessários no mínimo dois cortes em cada

projeto, um horizontal e um vertical, caso julgue

necessário pode apresentar mais cortes para

que seu projeto tenha maior entendimento.

- Cotas internas e externas: Como no exemplo

abaixo, elas devem indicar todas as alturas, de

portas, janelas, peitoris, pés direito,

platibandas, e o que mais for necessário ser

cotado na vertical.

- Nomenclatura dos ambientes: Assim como na

planta baixa os ambientes precisam de

nomenclatura para a perfeita identificação dos

ambientes.

- Níveis: Os níveis internos devem ser

apresentados nos cortes, bem como foram

apresentados na planta baixa.

- Telhados: Nos cortes é necessário indicar o

tipo de cobertura a ser executado, isso incluí

desenhos, tipo de telha, inclinação da

cobertura, além de locação de calhas e rufos.


Ex.: Cortes
3 .3 Implantação e cobertura

 Trata-se do desenho o qual deve apresentar

como a edificação está locada dentro do lote.

Em projetos pequenos usamos a mesma

apresentação para mostrar o telhado.

- Cotas: A planta deve ser cotada de forma a

apresentar a posição da edificação dentro do

lote, nisto cabe incluir as distâncias de recuos,

frontais, laterais e posteriores.

- Nomenclatura: Assim como nos cortes a planta

de cobertura deve apresentar a posição da

caída da água, tipo de telha e inclinação

adotada para a mesma.

- Áreas permeáveis: Estas devem ser

representadas através de hachuras, com

nomenclatura e área da mesma.

- Cortes: É fundamental que as linhas de cortes

sejam apresentadas também na planta de

cobertura para a compatibilização entre os

desenhos.

- Níveis: A planta de cobertura deve ainda

apresentar os níveis de acordo com o perfil

natural do solo.
Ex.: Locação e cobertura

3 .4 Elevação da fachada

 A elevação da fachada é fundamental para a

completa interpretação do projeto, em hipótese

alguma ela deve ser cotada.

É importante apresentar neste desenho todos os

detalhes de acabamentos.

Ex.: Elevação da fachada


3 .5 Planta de situação

 Está apresenta o lote ao qual se pretende

edificar, entre todos os lotes existentes naquela

rua.

- Identificação: Deve identificar e destacar o

lote a ser edificado, bem como os lotes ao

entrono do mesmo, a quadra a qual ele

pertence e ruas próximas.

- Norte: É necessário apresentar o norte de

acordo com a localização do lote.

- Cotas: É preciso cotar o lote, bem como a

distância entre ele e a esquina mais próxima.

Ex.: Planta de situação


3 .6 Quadro de áreas

 Também conhecido como memorial de cálculos,

o quadro de áreas deve apresentar todas as

áreas edificas e áreas permeáveis, bem como

seus devidos cálculos.

Ex.: Quadro de áreas


3 .7 Quadro de esquadrias

Este deve apresentar todas as esquadrias

existentes na edificação, assim como suas

nomenclaturas, materiais, medidas e áreas.

Ex.: Quadro de esquadrias


3 .8 Carimbo

O carimbo é fundamental para completar o projeto,

ele deve ser desenvolvido de acordo com o padrão

apresentado no código de obras da cidade, caso a

sua não possua um modelo padrão, adote um bem

completo.

-  Informações: Todas as informações do

proprietário e profissional devem constar no

carimbo, assim como todas as áreas, taxa de

ocupação, de permeabilidade e coeficiente de

aproveitamento, além da planta de situação e

endereço da obra.

Ex.: Carimbo

Ex.: Exemplo de pranchas padronizadas de Cambé PR e Londrina PR:

http://www.cambe.pr.gov.br/site/estruturamunicipal/obras/documentos/doc_details/2428-carimbomodelo.html

http://www.londrina.pr.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=511&Itemid=627&limitstart=4
ANOTAÇÕES
4 – Documentos

Os documentos são tão importantes quando o

projeto em si, devem ser apresentados

exatamente como solicitados no código de

obras, algumas prefeituras exigem apenas os

documentos padrão como os que vamos

apresentar abaixo, mas verifique no código de

obras da sua cidade quais são as exigências

para o perfil da obra que você está projetando.

4.1   Matrícula do terreno


 

- Matrícula atualizada do terreno, está deve ser

solicitada pelo cliente, ao cartório de registro

de imóveis onde o terreno está devidamente

registrado, ela deve ter data de menos de 30

dias.

4.2   Contrato de compra e venda

- Apenas em caso de terrenos não quitados,

quando o lote for financiado é preciso

apresentar também a cópia do contrato de

compra e venda.
4.3 Requerimento da prefeitura

- Quando solicitado, a prefeitura fornece o

modelo de requerimento de aprovação a ser

preenchido e apresentado junto ao projeto.

4.4   ART ou RRT


 

- ART ou RRT de projeto arquitetônico e

execução, ambas precisam ser apresentadas,

devidamente assinados pelo cliente e

responsáveis técnicos. Quando a construção for

²
maior que 100m , também é solicitado ART ou

RRT de projetos complementares

(hidrossanitário, elétrico e estrutural).

4.5   Projetos plotados

- Geralmente são solicitadas 3 vias dos projetos

plotados, mas isso pode mudar de uma

prefeitura para a outra.

4.6   Placa de obra

- Algumas prefeituras apresentam um modelo

padrão, ou ao menos suas exigências para com

o que deve conter na placa, mas é obrigatório

ter placa de identificação profissional em toda

obra. Caso sua prefeitura não tenha um padrão,

adote um modelo bem completo, e aproveite

esta brecha para divulgar o seu trabalho.


Dica - Uma placa bem elaborada e com
imagem boa, expressa o capricho e a
competência do profissional.
além de ser um ótimo marketing!

Ex.: Placa de obra

4.7 Certidões

- Podem ser solicitadas ainda certidão negativa

de débitos do profissional com a prefeitura, do

proprietário e do terreno, estes podem variar de

um município para o outro.


ANOTAÇÕES
5 – Taxas

Tanto na hora de desenvolvermos o orçamento,

quanto para passar mais tranquilidade ao

cliente, é fundamental estarmos a par de todas

as taxas que são de responsabilidade do

profissional e também as que são de

responsabilidade do proprietário. Obviamente

cada escritório trabalha da maneira que acha

mais coerente, vou apresentar para vocês o

padrão que eu adotei e tem funcionado para o

meu escritório.

Obs.: Estamos citando aqui apenas as taxas e


impostos referentes a aprovação de projetos,
outras taxas e impostos do escritório devem ser
vistas junto ao seu contador.
5.1 Das taxas de responsabilidade do
profissional
 

- CREA ou CAU: Para poder atuar é necessário

manter sua licença em dia.

- Alvará de autônomo ou da empresa: A grande

maioria das prefeituras exige que você, seja

como autônomo ou empresa, mantenha um

cadastro com pagamento de taxa de ISS anual

para que possa atuar naquele município, está

certidão geralmente é solicitada para atestar

que você está em dia com o município no

momento da aprovação do projeto. Procure a

secretaria municipal da sua cidade e veja a

necessidade e custos de se cadastrar.


5.2 Das taxas de responsabilidade do
proprietário

- Custos de ART ou RRT: você vai definir se estás

taxas devem ser pagas pelo seu escritório e

incluídas no seu orçamento, ou se prefere

repassar para que o cliente pague, o importante

é estar ciente dos custos e repassar a

informação ao seu cliente.

5.3  Taxa de aprovação de projeto


 

- O valor desta taxa deve ser verificado junto a

secretaria de obras do seu município, a mesma

costuma disponibilizar uma tabela, com os

referentes preços anuais, de acordo com o tipo

²
de edificação e por m , assim fica fácil calcular

e passar para seu cliente uma estimativa bem

aproximada destes custos.

5.4   ISS

- Imposto sobre serviço da obra, este é o

imposto que a secretaria municipal calcula e

emite, na maioria dos municípios, no final do

ano para todas as obras, o mesmo é enviado

diretamente ao proprietário.

5.5   2.1   Taxa de Habite-se

- Assim como a taxa de aprovação, pode ser

encontrado em uma tabela na secretaria de

obras, com valores referentes por tipo de

²
edificação e por m .
PRANCHA COMPLETA
ANOTAÇÕES
CONCLUSÃO
Ao final deste e-book preciso mais uma vez, elucidar

aos leitores, que este não se trata de uma literatura

técnica, mas sim, com caráter de instrução, assim

cada profissional dever buscar o código de obras e

lei de uso e ocupação do solo do município onde

pretende atuar para se informar sobre possíveis

alterações sobre o que aqui foi apresentado.

Busque informações junto a secretaria de obras,

existem lá profissionais aptos a tirar suas dúvidas.

Sem mais delongas, gostaria de agradecer por ter

confiado no material que estou disponibilizando, e

espero que ele possa ser de grande ajuda a você

que acabou de ser formar ou está se reinventando

no mercado.

Minha ideia foi sempre ser a mais clara e objetiva

possível nestas informações, e espero ter atendido as

expectativas.

Me conte o que achou deste e-book, sua opinião é

muito importante para mim, envie seus comentários

para: paula.aranttes@gmail.com

Um grande abraço e muito sucesso na sua carreira!

“COMECE ONDE VOCÊ ESTÁ. USE O QUE


VOCÊ TEM. FAÇA O QUE VOCÊ PODE.”
Arthur Ashe

@paulaaranttes
OBS.: Todas as imagens e referências
adotadas neste e-book são da internet e do
plano diretor da região onde eu atuo.
Cada profissional deve buscar as
informações referentes a sua região, nas
informações, leis e referencias de seu
município podem constar, mais exigências
ou exigências diferentes. Cada tipo de
edificação exige apresentações e
documentações específicas, busque estas
informações junto a secretária de obras da
sua cidade.
Este E-book está sendo disponibilizado com o
intuito orientativo, isentando a autora de
quaisquer responsabilidade pela aprovação
de seu projeto junto aos órgãos públicos
competentes.
UM POUCO MAIS
SOBRE A AUTORA

Paula Arantes é formada em

Engenharia Civil, formada também em

Design de Interiores, atua na área desde

2007, e hoje é autora do Blog Toda Obra,

sócia do escritório de arquitetura,

engenharia e design

PRIMORE Engenharia & Design, na

cidade de Londrina - PR, além disso é

uma apaixonada por disseminar

conhecimento.

@paulaaranttes

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