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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM 2020

MAYARA FERREIRA DE ALMEIDA

O FUTURO DO DIREITO EMPRESARIAL NA ERA DIGITAL

MARINGÁ

2020
MAYARA FERREIRA DE ALMEIDA

O FUTURO DO DIREITO EMPRESARIAL NA ERA DIGITAL

Trabalho de Curso apresentado ao


Centro Universitário de Maringá
Cesumar, no curso de Pós Graduação
Lato sensu de Direito Empresarial, como
requisito para obtenção do título de
Especialista, sob orientação do Prof. Dr.
Fábio Ricardo Rodrigues Brasilino.

Aprovada em:

BANCA EXAMINADORA

___________________________________

___________________________________

___________________________________

MARINGÁ

2020
Agradeço ao Prof. Dr. Fábio Ricardo
Rodrigues Brasilino pela orientação e apoio
na pesquisa, além de sua compreensão e
paciência, também a todos os mestres desta
instituição pelos conhecimentos transmitidos
e à Coordenação do curso da Pós
Graduação de Direito pela assistência ao
longo destes anos.
O FUTURO DO DIREITO EMPRESARIAL NA ERA DIGITAL

Mayara Ferreira de Almeida

RESUMO: O mundo está em constante transformação, tanto nas relações


humanas, econômicas, políticas e tecnológicas. Para acompanhar a
remodelação destes mecanismos, o Direito, como o meio imprescindível para
normatizar as relações jurídicas e dirimir os conflitos, também, deve
acompanhar essas transformações, sempre se adaptando ao meio e buscando
novas formas de solucionar os problemas existentes e os novos que irão surgir.
Nessa premissa, o Direito Empresarial merece maior acolhida, tendo em vista
seu papel na sociedade ao longo dos anos. A análise da evolução histórica do
Direito Empresarial propicia o melhor entendimento quanto a evolução da
própria humanidade, uma vez que o comércio é algo inerente às relações
sociais e de suma importância ao desenvolvimento de povos e nações.
Concomitantemente a evolução socioeconômica, a tecnologia surgiu com a
finalidade de facilitar e agilizar procedimentos, buscar soluções e otimizar o
tempo, além de interligar diferentes culturas. Como vertente desse novo
aparato tecnológico, surgiu a necessidade do estudo e aperfeiçoamento de
uma área específica, sobrevindo, neste interim, o Direito Digital ou Eletrônico,
assim como o início de novas relações comerciais e novas modalidades de
empresas. Através dos métodos teóricos e dedutivos, o presente estudo tem
com o objetivo de analisar a evolução histórica do Direito Empresarial,
apresentar a área do Direito Eletrônico ou Digital, assim como tecer
considerações a respeito do avanço da tecnologia no meio jurídico. Por fim,
conceituar as novas modalidades de empreendimentos como, no presente
caso, as Startups, principalmente, as Legaltechs e Lawtechs, contextualizando
a revolução e os conflitos na advocacia tradicional. Para tanto, será necessário
apresentar os conceitos basilares, observando a ordem cronológica dos fatos e
a lógica, trazendo a baila exemplos práticos que exprimam o objetivo central da
referida pesquisa.

PALAVRAS-CHAVE: Legaltech e Lawtech; Inovação; Direito Digital.

ABSTRACT: The world is constantly changing, both in human, economic,


political and technological relations. In order to accompany the remodeling of
these mechanisms, the Law, as the essential means to standardize legal
relations and resolve conflicts, must also accompany these transformations,
always adapting to the environment and seeking new ways to solve the existing
problems and the new ones that will arise. In this premise, Corporate Law
deserves greater acceptance, considering its role in society over the years. The
analysis of the historical evolution of Corporate Law provides a better
understanding of the evolution of humanity itself, since trade is something
inherent to social relations and of paramount importance to the development of
peoples and nations. Concomitantly with socioeconomic evolution, technology
emerged with the purpose of facilitating and streamlining procedures, seeking
solutions and optimizing time, in addition to connecting different cultures. As
part of this new technological apparatus, the need for the study and
improvement of a specific area arose, in the meantime, the Digital or Electronic
Law emerged, as well as the beginning of new commercial relations and new
types of companies. Through theoretical and deductive methods, this study
aims to analyze the historical evolution of Business Law, to present the area of
Electronic or Digital Law, as well as to make considerations about the
advancement of technology in the legal environment. Finally, conceptualize the
new types of ventures such as, in this case, Startups, mainly Legaltechs and
Lawtechs, contextualizing the revolution and conflicts in traditional law. For that,
it will be necessary to present the basic concepts, observing the chronological
order of the facts and the logic, bringing up practical examples that express the
central objective of the referred research.

KEY-WORDS: Legaltech and Lawtech; Innovation; Digital Law.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.....................................................................................................8
1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO EMPRESARIAL ............................ 9
2. DIREITO DIGITAL OU ELETRÔNICO ....................................................... 19
3. O AVANÇO DA TECNOLOGIA NO MEIO JURÍDICO ............................... 26
4. STARTUP – EMPRESAS EMERGENTES E INOVADORAS .................... 37
CONCLUSÃO................................................................................................... 48
BIBLIOGRAFIA..................................................................................................53
8

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo analisar a evolução histórica do Direito


Empresarial ou Comercial, apontando os principais aspectos que culminaram no
desenvolvimento do atual cenário do Mercado, relacionando-o com a própria
transformação que a sociedade vem sofrendo ao longo dos anos.

Em um primeiro momento, será analisada a evolução histórica,


correlacionando-a com o desenvolvimento de alguns povos e nações. Desse feito,
serão apresentadas conceituações basilares e menção aos principais dispositivos
legais que tutelam as relações jurídicas.

Objetiva-se, também, mencionar a relação da globalização e do avanço


tecnológico com as novas vertentes do Direito, principalmente, ao ramo do Direito
Digital ou Eletrônico, trazendo a sua finalidade, setor de atendimento, atividades
englobadas, legislações pertinentes, entre outros aspectos.

Partindo desta premissa, será realizado um estudo do avanço da tecnologia


no mundo jurídico, quais as suas consequências, além dos conflitos enfrentados e
as soluções apresentadas, assim como, a análise do exercício jurisdicional
tradicional e sua adequação às novas necessidades enfrentadas como, por
exemplo, acessibilidade, celeridade e aumento das demandas.

Também será discutida a operabilidade estatal quanto às novas necessidades


advindas da Era Digital, trazendo à baila os problemas enfrentados, principalmente,
quanto ao sigilo de dados, confiabilidade de transações, legalidade de atos, assim
como a repressão de crimes cibernéticos e falhas de sistema.

Resta claro que, embora há um alto índice de precisão dos meios


tecnológicos para dirimir as questões jurídicas, ou seja, mesmo sendo uma ciência
exata, ainda há brechas e falhas perceptíveis apenas pelo homem. Portanto, a
princípio, as “máquinas” não podem substituir completamente o trabalho braçal e
intelectual do homem.

Após as apresentações dos temas acima descritos, será abordado as


variações conceituais de Startup, tendo em vista a sua finalidade e a política pública
8

do país a que se será desenvolvida. Todavia, basicamente, podem ser entendidas, à


princípio como empresas emergentes, escalonáveis, oriundas de uma problemática,
apresentando uma solução inovadora, tendo um retorno financeiro e resultado
rápido.

Referidas empresas surgem por meio de uma ideia, objetivando a resolução


de um problema enfrentado por um meio inovador, de baixo custo, repetível e de
grandes proporções.

Por fim, será abordado o conceito de Legaltech e Lawtech, assim como as


suas particularidades, legislações pertinentes, consequências positivas e negativas,
exemplos de empresas emergentes e sua aplicabilidade no atual cenário econômico
e jurídico. Bem como a análise da tendência de substituição da atividade humana,
extinção de profissões e surgimento de novas, de acordo com as peculiaridades e
desenvolvimento tecnológico.

Espera-se com a referida pesquisa abordar o avanço tecnológico como um


meio útil e eficaz para o desenvolvimento de novas atividades econômicas e
empreendimentos que rompam com a burocratização das negociações e dê maior
segurança nas relações econômicas e jurídicas.

Para esta finalidade, fora utilizado como método científico o dedutivo e


teórico, por meio de análises bibliográficas, menção de decisões e casos reais que
sustentem as ideias ora defendidas.
9

1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO EMPRESARIAL

A princípio é importante pontuar que há divergências doutrinárias quanto a


caracterização do Direito Empresarial e o Direito Comercial como termos sinônimos,
tendo em vista as particularidades advindas da evolução histórica e socioeconômica
do próprio Comércio, podendo ser entendido como apenas um impasse de
nomenclaturas.

Uma das vertentes doutrinárias afirma que o Direito Empresarial é uma área
mais abrangente, pois engloba toda a atividade econômica exercida
profissionalmente, de modo organizado com a finalidade de produzir e/ou circular
bens ou serviços. Em contrapartida, o Direito Comercial, em sua fase primitiva, era
voltado, tão somente, aos comerciantes, ou seja, àqueles que tinham como atividade
econômica apenas a venda de produtos, restringindo a prestação de serviços1.

Deste feito, de acordo com o doutrinador Dr. Edilson Enedino das Chagas, o
Direito Empresarial pode ser entendido como um gênero, sendo subdividido em
cinco grandes espécies, quais sejam, o Direito Comercial, o Direito da Prestação de
Serviço, o Direito Cambial e Contratual, o Direito Industrial e do Agronegócio e o
Direito Processual Empresarial2.

Todavia, é perceptível que o Direito Empresarial nada mais é do que uma


evolução natural do Direito Comercial, trazendo novas conceituações, observando o
desenvolvimento social e econômico ao longo dos anos.

É imprescindível pontuar que há um recente ramo do Direito que, muitas


vezes, se confunde com o Direito Empresarial, todavia, há características distintas e
finalidade específica. Referida área é denominada de Direito Econômico.

O Direito Econômico pode ser conceituado como o “estudo das formas de


intervenção do Estado na atividade econômica”, sendo, por muitas vezes,
confundido seu objeto com o do Direito Empresarial, tendo em vista que, em sua
maioria, os dispositivos do Direito Econômico são direcionados aos sujeitos que

1
TEIXEIRA, Tarcisio. Direito empresarial sistematizado: doutrina, jurisprudência e prática. 5. ed. – São Paulo :
Saraiva, 2016, p. 39.
2
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, pg. 38.
10

desenvolvem a atividade empresária, entretanto, a atividade econômica abrangida


por esse ramo também atinge sujeitos que não são enquadrados como empresários.
Deste modo, a atividade empresarial é uma atividade econômica, porém, “nem todo
agente econômico é considerado e tratado juridicamente como empresário”3.

O capitalismo, em sua forma crua, foi expandido e fixado, basicamente, por


meio do comércio, sendo as primeiras relações comerciais realizadas internamente
e, posteriormente, abrangendo territórios internacionais, ocorrendo um verdadeiro
fluxo e trocas entre os povos e nações4.

Não há um consenso quanto as fases históricas do Direito Empresarial,


todavia, de forma pormenorizada, será utilizada a concepção das três fases:
Subjetiva, Objetiva e Teoria da Empresa.

Todos os ramos do Direito surgiram como necessidade para regulamentar as


relações humanas. O Estado e a sociedade foram originados a partir de um contrato,
sendo que o Estado Natural do homem não havia poder ou organização, surgindo,
deste feito, a imprescindibilidade de um pacto que estabelecesse regras de convívio
social e subordinação organizacional e política5.

Partindo dessa premissa, o filósofo Thomas Hobbes, consolidou sua célebre


frase “O homem é lobo do próprio homem”, ou seja, o ser humano é inseguro em
sua própria essência, sendo característica primordial o egoísmo, deixando a emoção
se sobressair na razão, fazendo com que a vida e a propriedade fosse ameaçada,
surgindo, para tanto, a necessidade de instituir um pacto que viabilizasse a
organização social, a imposição de dispositivos e normas que regulamentasse a
convivência, previsse e penalizasse condutas tidas como prejudiciais a sociedade6.

Nesse interim, a pacificação social só será garantida a partir de um sistema


de controle que traga segurança jurídica e estabilidade entre os indivíduos, mediante
o estabelecimento de normas, modelos de condutas tidos como aceitáveis no meio

3
MASSO, Fabiano Del. Direito econômico esquematizado. 2. ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense; São
Paulo: MÉTODO, 2013, p. 26.
4
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 38.
5
WEFFORT, Francisco C, organizador. Os clássicos da política. 14. ed. São Paulo: Ática, 2006. P. 53.
6
BITTAR, Eduardo C. B. Curso de filosofia política. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2011. p. 167 – 171.
11

social e sanção em caso de descumprimento, surgindo, desse feito o conceito inicial


do que vem a ser o Direito propriamente dito.

A partir dessa concepção basilar é possível analisar todas as fases do Direito


Empresarial, desde a sua vertente comercial até os moldes atuais.

O Direito Comercial e o Direito Empresarial são desenvolvidos de acordo com


a época, costumes, crenças, cultura, moldes de civilização, ambiente e organização
política. Portanto, conhecer com afinco a história da civilização e os marcos
históricos é de suma importância para a compreensão dos institutos jurídicos
abordados, assim como o acompanhamento das transformações a que foram
submetidos7 e, conforme lecionado por José X. C. Mendonça, “o direito não se
inventa, não nasce do arbítrio, nem surge espontaneamente dos congressos
legislativos”8.

O Direito propriamente dito, conforme já mencionado, possui um caráter


histórico-social e dinâmico. Dessa concepção há a conclusão lógica de que o Direito
Comercial, especificamente, não se originou apenas em uma única época e apenas
em uma única unidade social, mas, sim, da contribuição de todas as sociedades,
sofrendo adaptações e transformações constantes e sucessivas, tendo como
elemento basilar o cunho econômico9.

Na antiguidade, na era pré-comercial, nos moldes do patriarcado primitivo,


não houve a relação denominada como comércio, uma vez que o chefe da família
detinha todo o poder para delimitar funções (trabalho), assim como recolher o fruto
percebido e partilhá-lo a sua livre vontade, sendo, praticamente autossuficientes, ou
seja, produziam e consumiam aquilo que suprisse suas necessidades. Entretanto, os
primeiros atos comerciais surgiram por meio do sistema de trocas, conhecido como
Escambo, tendo em vista a limitação de um único núcleo social produzir toda a

7
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 39.
8
MENDONÇA, José Xavier Carvalho de. Tratado de direito comercial brasileiro. São Paulo: Bookseller, 2000, p.
47.
9
CHAGAS, Edilson Endino das. Op., cit., p. 39.
12

matéria que necessitava, abrindo uma vertente de compartilhamento e troca de


produtos com outros núcleos e povos10.

Há vertentes doutrinárias que afirmam que o comércio decorre do sistema de


trocas do período pré-comercial da civilização, surgindo como um meio de promover
e facilitar o escambo. Todavia, referido meio se tornou obsoleto, uma vez que
inúmeras dificuldades foram surgindo, principalmente, quanto a desnecessidade e
inutilidade de determinados produtos ao serem trocados entre os povos, fazendo
com que surgisse a imprescindibilidade da fixação de uma moeda11.

Desse modo, o sistema de troca deu origem a modalidade de compra e venda


intermediada, sendo que, a princípio, a moeda era um bem (produto) passível de
troca, facilitando a circulação de mercadorias, surgindo, assim, a concepção de
comércio. Frisa-se que havia um intermediário das relações entre os produtores e
consumidores, esse denominado de mercador ou comerciante12.

Na antiguidade, por meio deste molde de pré-comércio, surgiram as primeiras


normativas como, por exemplo, o Corpus Juris Civilis, o código elaborado por
Justiniano, o qual elencou as principais contribuições mercantis das civilizações,
assim como o Código Legal sumérico instituído por Ur-Nammu, por volta do século
XXI a.C., sendo influência ao Código de Hamurabi originado na Mesopotâmia no
século XVIII a.C13.

Após referidas considerações, se findou a fase primitiva pré-comercial da


Antiguidade.

A consolidação e origem definitiva do que vem a ser o Direito Comercial teve


início na Fase Primitiva da Idade Média, o que alguns autores denominam de
“primeira fase subjetiva” ou “o direito do comerciante”14.

Na Baixa Idade Média, época em que houve a diminuição das invasões e


saques de povos bárbaros, gerando segurança, estabilidade e crescimento

10
Ibidem, p. 40.
11
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 40.
12
Ibidem, p. 41.
13
Ibidem, p. 41.
14
BENSOUSSAN, Fabio Guimarães; BOITEUX, Fernando Netto. Manual de direito empresarial. Curitiba: Editora
Juspodivm, 2018, p. 25.
13

demográfico. Ademais, houve inúmera inovações “tecnológicas” que objetivam


facilitar a vida da população como, por exemplo, arados de ferro, utilização de
animais como instrumento de trabalho, moinhos de água e de vento 15.

Todo esse avanço fez com que os feudos aumentassem a sua produção e
acumulassem excedentes passíveis de comercialização. A partir de então, com a
possibilidade de gerar lucro, surgiram vários tipos de comerciantes como, por
exemplo, mascates, mercadores de feiras e artesãos que, inicialmente, realizam as
negociações em localidades próximas, expandindo os territórios, principalmente,
com o início das Cruzadas, o qual dava maior segurança em explorar os diversos
povos16.

Nessa fase, foram criadas feiras e mercados, reunindo comerciantes, os quais


realizavam grandes negociações e geravam os impostos para o reino, razão pela
qual, houve um estímulo ao comércio e a criação de normas protecionistas 17,
todavia, haviam empecilhos com o Direito Canônico instituído pela Igreja Católica
Romana que condenada o lucro e a usura18.

Os feirantes, comerciantes e artesãos da Era Medieval começaram a se


reunir em corporações, as denominadas corporações de ofício, normatizando as
próprias regras e a própria jurisdição para dirimir conflitos. Dessa forma, referida
estrutura corporativista começou a ganhar força econômica e política19.

As regras comerciais objetivavam a garantia de privilégios à classe burguesa,


isto é, aos comerciantes matriculados nas corporações de ofício, e assegurar o
oligopólio no exercício profissional. Deste feito, apenas era enquadrado como
comerciante aquele que se registrava na corporação de ofício, sendo, portanto uma
fase subjetiva20.

15
SERIACOPI, Gislane Campos Azevedo; SERIACOPI, Reginaldo. História: volume único. 1. ed. São Paulo: Ática,
2008, p. 120.
16
SERIACOPI, Gislane Campos Azevedo; SERIACOPI, Reginaldo. História: volume único. 1. ed. São Paulo: Ática,
2008, p. 121.
17
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 42.
18
BENSOUSSAN, Fabio Guimarães; BOITEUX, Fernando Netto. Manual de direito empresarial. Curitiba: Editora
Juspodivm, 2018, p. 25.
19
CHAGAS, Edilson Endino das. Op., cit., p. 43.
20
Ibidem, p. 43.
14

Devido a fragmentação ocasionada pelos feudos, a pluralidade de


autoridades, moedas e divergências de normas, os comerciantes impulsionaram o
financiamento das Monarquias com a finalidade de unificar, padronizar e
regulamentar as atividades mercantis, surgindo assim, as primeiras nações como,
por exemplo, a França e a Espanha e o Direito Comercial em seus primórdios21.

Todavia, tal circunstância, ao longo dos anos ocasionou o inverso do


pretendido pelos comerciantes, fazendo com que os mesmos perdessem o poder,
pois, com o surgimento dos Estados Modernos, a Monarquia começou a intervir na
economia e editar normas regulamentadoras, deixando de existir o direito
consuetudinário (costumeiro) e internacional, sendo substituído por um direito
nacional e regido por um superior sem a anuência dos próprios comerciantes22.

A fase seguinte do Direito Comercial é a objetiva, também conhecida como


Teoria dos Atos de Comércio. Essa fase teve como marco inicial a Revolução
Francesa e a era Napoleônica23.

Com o advento da Revolução Francesa (1789 – 1799), as corporações de


ofício foram extintas pela Lei Le Chapelier que proibia qualquer agrupamento
profissional, sob o argumento do lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”,
colocando fim a fase subjetiva do Direito Comercial. Por consequência, na Era
Napoleônica, foram instituídos o Código Civil francês de 1804 e o Código do
Comércio de 1807, estabelecendo o marco inicial da fase objetiva do Direito
Comercial24.

O Código Civil de 1804 trouxe um conjunto de normas que consolidaram as


conquistas da Burguesia durante a Revolução, pondo fim ao feudalismo, garantindo
o direito a propriedade privada, proibição de sindicatos de trabalhadores, garantia de
igualdade entre os cidadãos25. Já, o Código Comercial de 1807 tornou objetivo o

21
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 43.
22
Ibidem, p. 42.
23
Ibidem, p. 44.
24
BENSOUSSAN, Fabio Guimarães; BOITEUX, Fernando Netto. Manual de direito empresarial. Curitiba: Editora
Juspodivm, 2018, p. 28.
25
SERIACOPI, Gislane Campos Azevedo; SERIACOPI, Reginaldo. História: volume único. 1. ed. São Paulo: Ática,
2008, p. 259.
15

direito comercial, aplicando o ramo a determinados atos e não a determinadas


pessoas, retirando, completamente, o caráter subjetivo do comércio 26.

A partir de então houve a consolidação da Teoria dos Atos do Comércio que,


embora continuasse estatal, passou a aplicar o Direito Comercial aos atos
propriamente ditos, excluindo atividades agrícolas de produção e de negociações
imobiliárias27.

Os atos de comércio ou mercancia, de acordo com o Código Comercial


francês de 1807 podem ser conceituados como “a compra com intenção de
revender”, devendo apresentar como características a habitualidade e o caráter
profissional28.

Importante mencionar que o Código Comercial francês de 1807 influenciou


diretamente o Código Comercial brasileiro de 1850, fato este que é perceptível no
revogado art. 4º do referido diploma, o qual considerava comerciante e assegura a
proteção legal, apenas aqueles que se registrassem no Tribunal do Comércio e
tivesse habitualidade no exercício profissional da mercancia29.

Concomitantemente a Era Napoleônica francesa, houve a Revolução


Industrial na Inglaterra, fazendo com que as produções se tornassem em massa,
escaláveis, uniforme e em série. Nessa época, surgiram os ideais de Liberalismo
Econômico do economista Adam Smith, ou seja, a não intervenção estatal e a livre
iniciativa e concorrência30.

Não obstante, ao longo dos anos, o modelo dos atos de comércio se tonou
obsoleto, pois as atividades econômicas se tornaram mais complexas, surgindo
outras áreas, novas profissões e novas necessidades, razão pela qual, mais
especificamente em 1942, houve o marco inicial da fase subjetiva moderna e o fim

26
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 44.
27
BENSOUSSAN, Fabio Guimarães; BOITEUX, Fernando Netto. Manual de direito empresarial. Curitiba: Editora
Juspodivm, 2018, p. 28.
28
TEIXEIRA, Tarcisio. Direito empresarial sistematizado: doutrina, jurisprudência e prática. 5. ed. – São Paulo :
Saraiva, 2016, p. 43.
29
Ibidem, p. 43 – 44.
30
BENSOUSSAN, Fabio Guimarães; BOITEUX, Fernando Netto. Op., Cit., p. 30.
16

da teoria dos atos de comércio e a consolidação da Teoria da Empresa. Tal fase foi
instaurada por meio do Código Civil italiano31.

A Teoria da Empresa tem como foco a atividade econômica e sua


organização, conceituando empresa como atividade econômica exercida de forma
repetida e organizada, objetivando a produção ou circulação de bens e serviços, ou
seja, não há mais a limitação do comércio apenas de produtos, mas sim, houve a
abrangência dos prestadores de serviços32.

A base da Teoria da Empresa é a atividade econômica, retirando o vínculo da


pessoalidade do titular que iniciou o exercício da mesma, rompendo com a
característica do corporativismo dos antigos comerciantes das fases anteriores do
Direito Comercial, podendo garantir a continuidade da atividade empresarial,
independente da titularidade do administrador, substituindo o termo comerciante por
empresário, desde que cumprisse com as exigências impostas33.

Quanto a evolução histórica do Direito Comercial no Brasil é imprescindível


apresentar alguns fatos e pontos determinantes que culminaram no atual cenário
econômico.

É importante mencionar que não houve um Direito Comercial tecnicamente


brasileiro durante o período de colonização. Todavia, as relações jurídicas da época
eram regidas pelas Ordenações Portuguesas, marcando o início do direito comercial
através do decreto da Carta Régia em 1808, com a abertura dos portos ao comércio
estrangeiro34.

Com a Proclamação da Independência em 1822, as normativas portuguesas


ainda ficaram em vigência, pois não havia um ordenamento jurídico brasileiro,
entretanto, foram aplicadas subsidiariamente as legislações espanholas e francesas
como o já mencionado Código Comercial francês de 1807, razão pela qual, que em

31
TEIXEIRA, Tarcisio. Direito empresarial sistematizado: doutrina, jurisprudência e prática. 5. ed. – São Paulo :
Saraiva, 2016, p. 44.
32
GOMES, Fábio Bellote. Manual de direito comercial: de acordo com a nova Lei de Falência e Recuperação de
Empresas. 2. ed. rev., ampl. e atual. – Barueri: Manole, 2007, p. 8.
33
Ibidem, p. 8.
34
TEIXEIRA, Tarcisio. Op., Cit., p. 46.
17

1834 foi elaborado um projeto de Código Comercial que só foi sancionado em


185035.

O projeto do Diploma de 1834 trazia três grandes áreas, sendo a primeira


destinada às pessoas do comércio, aos contratos e às obrigações, a segunda visava
o comércio marítimo e, por fim, a terceira das quebras36.

O Código Comercial de 1850 adotava a teoria dos atos de comércio, a qual


delimitava as atividades comerciais apenas àquelas submetidas ao Tribunal de
Comércio, fazendo uma clara distinção e separação do Direito Civil do Comercial,
isto é, referidas atividades lucrativas determinadas pelos atos de comércio eram
regidas pelo Código Comercial de 1850 e, as demais, lucrativas ou não, sofriam
amparo do Código Civil de 191637.

A consagração da Teoria da Empresa italiana se deu com o advento do


Código Civil de 2002, porém, antes mesmo já haviam leis esparsas que adotaram
referida teoria ao invés dos atos de comércio como, por exemplo, a Lei n.
6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), a qual já trazia a conceituação de S.A e
consideração como figura empresária, independentemente do seu objeto. O Código
de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/1990) também trouxe, em seu art. 3º o
conceito de fornecedor definindo a atividade econômica – produção, importação,
distribuição, montagem, etc – sem limitar a aplicação dos denominados atos de
comércio38.

Com o advento do Código Civil de 2002, houve a revogação parcial do Código


Comercial de 1850, conforme se verifica no art. 2.045 do novo Diploma, “Revogam-
se a Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 - Código Civil e a Parte Primeira do
Código Comercial, Lei n o 556, de 25 de junho de 1850”.39 Portanto, permaneceram

35
TEIXEIRA, Tarcisio. Direito empresarial sistematizado: doutrina, jurisprudência e prática. 5. ed. – São Paulo :
Saraiva, 2016, p. 47.
36
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação,
2018, p. 46.
37
TEIXEIRA, Tarcisio. Op., Cit., p. 47.
38
BENSOUSSAN, Fabio Guimarães; BOITEUX, Fernando Netto. Manual de direito empresarial. Curitiba: Editora
Juspodivm, 2018, p. 32.
39
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art2045>. Acesso em 11 de mar. 2020.
18

em vigor no Código Comercial de 1850 apenas as disposições concernentes ao


Comércio Marítimo.

O art. 966 do Código Civil de 2002 trouxe a conceituação do termo


empresário como sendo aquele “quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços” 40. A
partir de então, de acordo com alguns doutrinadores, houve a diferenciação do uso
da expressão Direito Comercial e Direito Empresarial, sendo que está última é mais
abrangente e engloba a primeira, todavia, há correntes que afirmam que o Direito
Empresarial nada mais é do que uma atualização moderna do Direito Comercial 41.

Como já cediço, o Direito é uma área que está em constante transformação,


sempre acompanhando as evoluções históricas, econômicas e sociais, se
adaptando e adequando suas normativas para acompanhar a dinamicidade a qual
está inserida. Para tanto, faz-se extremamente necessário buscar meios viáveis para
solucionar as novas demandas que surgem, isto é, novos problemas novas
soluções.

Sob esta ótica, no cenário internacional, surgiram precursores de institutos


emergentes que viabilizam a celeridade das negociações, segurança de dados,
troca de tecnologias e aumento do comércio exterior. Esse fato ocorreu por meio da
expansão do capitalismo no fim da Guerra Fria (século XX), assim como a
consolidação da Globalização42.

Uma das principais consequências do capitalismo foi a propagação das


transnacionais pelo mundo, buscando matéria-prima e mão-de-obra barata e a
expansão do mercado consumidor. Alguns países subdesenvolvidos como, por
exemplo, o Brasil se industrializou com incentivo internacional. Houve o fim da
bipolaridade (socialista e capitalista) e a inserção do termo multipolaridade instituído
pelo presidente George Bush (1989-1992), sendo este consistente no surgimento de

40
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art2045>. Acesso em 11 de mar. 2020.
41
TEIXEIRA, Tarcisio. Direito empresarial sistematizado: doutrina, jurisprudência e prática. 5. ed. – São Paulo :
Saraiva, 2016, p. 48.
42
ALMEIDA, Lúcia Marina Alves de; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Geografia: geografia geral e do Brasil. Volume
único. 1. ed. – São Paulo: Ática, 2005, p. 286.
19

novos polos econômicos e a indispensabilidade da busca de novas estratégias para


ganhar mercado43.

A Globalização, também conhecida como Capitalismo Financeiro, houve um


crescente aumento no fluxo de informações, capital, serviços de pessoas e
mercadorias em escala global, através de redes materiais e virtuais, ou seja, o
transporte (marítimo, terrestre e aéreo) e a internet44.

Por consequência da Globalização, uma nova revolução ocorreu, a Revolução


Técnico-científica. O setor mais atingido foi a indústria da informática através do
desenvolvimento de programas computacionais, os denominados softwares e das
técnicas de armazenamento e processamento de dados por intermédio das redes
digitais e cabos de fibra óptica. A tecnologia está presente em, praticamente, todas
as áreas econômicas como, por exemplo, instituições financeiras, escolas, órgãos
públicos, empresas independentemente de seu porte, entre outros45.

Deste feito, o comércio começou a sofrer uma dependência, direta ou indireta,


na internet, como, por exemplo o surgimento dos e-commerce e dos contratos
eletrônicos, fazendo com que surgisse a necessidade de regulamentar essas novas
modalidades de atividade empresarial e dirimir as questões suscitadas. Assim
sendo, surgiu uma nova vertente do Direito, o Direito Digital ou Eletrônico46.

2. DIREITO DIGITAL OU ELETRÔNICO

O desenvolvimento e avanço da tecnologia, assim como a aplicabilidade da


informática nas inúmeras áreas do cotidiano do homem, tem como objetivo principal
estudar a tratativa automática e racional da informação, por meio do
desenvolvimento de novas máquinas, métodos e procedimento de trabalho, criação

43
ALMEIDA, Lúcia Marina Alves de; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Geografia: geografia geral e do Brasil. Volume
único. 1. ed. – São Paulo: Ática, 2005, p. 286 – 287.
44
Ibidem, p. 288.
45
Ibidem, p. 288
46
LEAL, Sheila do Rocio Cercal Santos. Contratos eletrônicos: validade jurídica dos contratos via internet. – São
Paulo: Atlas, 2007, p. 2.
20

de softwares e mecanismos que propiciem facilitar, aprimorar e agilizar as funções


exercidas para suprir as necessidades humanas47.

Sempre houve a necessidade do homem em ter instrumentos que o


auxiliassem a processar as informações obtidas, com o intuito de facilitar e organizar
o trabalho. Podem-se citar alguns exemplos como, no caso da contabilidade dos
rebanhos feita pelos pastores por um sistema de contagem com pedras, a
construção de um equipamento mecânico capaz de somar e subtrair números com
até oito algarismos criado em 1642 pelo filósofo Blaise Pascal48.

Como já mencionado, nos primórdios do projeto denominado “Internet”, o


processamento de dados era algo limitado, com acessibilidade restrita e
centralizada. Deste feito, as atividades econômicas e jurídicas eram resumidas em
acúmulos de papéis, burocracia e prazos extensos. Com a globalização, o avanço
tecnológico e o consequente desenvolvimento da internet e das interações em
tempo real, vários setores sociais desenvolveram novos hábitos, nas metodologias
de trabalho, novas estruturas negociais49.

Da mesma forma ocorreu com o Direito. Como já explanado, o Direito é


dinâmico e deve acompanhar as mudanças sociais, principalmente, no que concerne
à novas relações jurídicas, ou seja, se houve o surgimento de um novo mecanismo
de interação humana e negocial, consequentemente, surgirá problemas e questões
a serem dirimidas, deste feito, cabe ao Direito regular referidas situações e trazer
equilíbrio e segurança jurídica.

Partindo dessa premissa, o Direito é influenciado pelo atual cenário


econômico, político e tecnológico, devendo ser pensado em um modo mais
sistêmico e prático ao ser exercido na Era da Informação50.

Nesse diapasão, a Era Digital, no atual cenário, pode ser compreendida como
um dos medidores de desenvolvimento de uma nação, pois a característica principal
é o acesso a informação e o uso consciente da mesma, ou seja, que detém as

47
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737 de
2012. – São Paulo, 2013, p. 32.
48
Ibidem, p. 32.
49
Ibidem, p. 26.
50
Ibidem, p. 26.
21

melhores técnicas, os melhores aparatos tecnológicos se sobressai em todos os


campos do conhecimento, das relações humanas, econômicas, políticas e
jurídicas51.

Importante frisar que, por um lado, sob a ótica do avanço tecnológico têm-se
as promessas de melhorias tanto no âmbito pessoal quanto no profissional e, por
outro, há inseguranças e receios sobre a fragilidade de expor dados na rede, além
de haver resistência das gerações passadas em se adequar aos novos mecanismos
de conexão. Deste feito, surge a necessidade do Direito desenvolver uma área
específica para dirimir referidas questões.

Foi consolidada recente área do Direito Digital ou Eletrônico, tendo como


objetivo desenvolver medidas preventivas e repressivas para situações que
envolvam a fragilidade dos meios digitais como, por exemplo, vazamento de dados,
invasão de sistemas e, os atuais, cybercrimes52.

Há entendimentos que o Direito Digital não se refere a um ramo específico do


Direito, mas sim uma “releitura do direito tradicional frente ao impacto da internet na
sociedade”53.

Em suma, o Direito Digital ou Eletrônico pode ser conceituado como uma


vertente da evolução do Direito em si, tendo caráter autônomo, englobando todos os
princípios fundamentais e institutos contemporâneos, além de inserir novos
mecanismos e doutrinas jurídicas em todas as áreas tais como, o Direito Civil, Direito
Contratual, Direito Financeiro, Direito Econômico, Direito Tributário, Direito Autoral,
Direito Empresarial, Direito Penal e, principalmente, o Direito Internacional54.

É importante compreender que o Direito Digital é um conjunto de normas e


dispositivos que visam regulamentar o uso dos sistemas informáticos, tanto como
procedimento quanto como finalidade, atingindo os mais variados bens jurídicos,

51
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737 de
2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 37.
52
DIREITO DIGITAL E LGPD. São Paulo: Instituto de Direito Contemporâneo, [entre 2010 e 2019], p. 4.
53
DIREITO DIGITAL. Fundação Instituto de Administração, 2018. Disponível em <
https://fia.com.br/blog/direito-digital/>. Acesso em 06.mai.2020.
54
PINHEIRO, Patricia Peck. Op., Cit., p. 38.
22

como é possível observar no uso de software, no e-commerce e nas demais


relações humanas desencadeadas por meio da Internet55.

O Direito Digital ou Eletrônico, também pode ser compreendido como


conjunto de normas e doutrinas que tem por finalidade estudar e normatizar toda e
qualquer relação envolvendo a informática e aplicação da tecnologia, gerando
direitos e deveres, regulando, inclusive todos os meios de comunicação existentes56.

O objetivo do Direito Digital é basicamente apresentar soluções para os novos


conflitos gerados pela virtualização das relações e atos jurídicos57.

Quanto a autonomia do Direito Digital, há divergências doutrinárias. Alguns


doutrinadores afirmam que o Direito Digital não é autônomo, mas sim uma junção
atípica de diversas áreas legislativas que acompanharam a revolução tecnológica,
sendo as relações sociais inovadoras ainda tratadas pelos ramos do Direito
convencional (Direito Civil, Direito Penal, Direito Comercial, Direito Constitucional,
etc)58.

Já, outros estudiosos, afirmam que há fatores que classificar o Direito Digital
ou Eletrônico como autônomo como é possível identificar no aumento significativo de
normativas que disciplinam o tema no Brasil e no mundo, jurisprudências sobre o
tema e medidas do Poder Executivo. Deste feito, a autonomia da internet decorre da
excepcionalidade da internet e seu caráter exclusivo e único59.

Embora haja divergências doutrinárias a respeito da autonomia do Direito


Digital, um ponto é certo, este ramo está intimamente interligado com as demais
áreas do Direito, tendo caráter autônomo devido a amplitude de regulamentos e
legislações do tema. Ademais, uma vez que a tecnologia da informação está
presente em praticamente todas as relações do cotidiano, traz a concepção de

55
ALVES, Marcelo de Camilo Tavares. Direito Digital. 2009. 114 – Universidade Católica de Goiás, Goiânia,
2009, p. 9.
56
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a
informação judicial no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 60.
57
GOMES, Frederico Félix. Direito Eletrônico. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2017, p. 10.
58
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737 de
2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 38.
59
GOMES, Frederico Félix. Op., Cit., p. 10.
23

multidisciplinaridade, tendo influência de todos os ramos jurídicos na formação desta


nova área60.

Há inúmeros exemplos de aplicabilidade do Direito Eletrônico em outros


ramos do Direito. É possível citar, no presente caso, a responsabilidade civil (Direito
Civil) pela prática de atos ilícitos no meio eletrônico, a criminalização destas
condutas (Direto Penal) e aplicabilidade de sanções penais, a produção de provas
(Direito Processual) por intermédio do meio eletrônico e a validade jurídica e,
também, a confrontação dos direitos fundamentais da privacidade e da liberdade de
expressão (Direito Constitucional)61.

Outro ponto que merece atenção é que o Direito Digital não deve ser limitado
a apenas uma criação de infinitas normas legais, regulamentando qualquer tipo de
situação, pois, como já abordado, a evolução tecnológica ocorre em um ritmo
absurdamente veloz, impossível de ser acompanhado pela atividade legislativa,
surgindo uma abertura para a autorregulação proposta pelos participantes diretos
das relações jurídicas tecnológicas62.

Surgem alguns questionamentos a respeito das benesses e contrariedades


da regulamentação da internet pelo Estado. Primeiramente, imprescindível
apresentar as duas correntes doutrinárias do Direito Eletrônico, sendo elas, a
corrente libertária, a escola da arquitetura da rede, a corrente do Direito
Internacional e a escola Tradicionalista63.

A corrente libertária defende a criação de uma área específica para a internet,


não havendo vantagens em normatizar o âmbito virtual, pois o Poder Público não
possui autoridade na área eletrônica, tendo em vista a internet não tem
territorialidade delimitada e possui uma soberania própria, tornando inviável a
aplicação do Direito convencional64.

Por outro lado, a corrente da arquitetura da rede defende a necessidade do


Estado em estabelecer uma “natureza tecnológica do espaço virtual” para que,

60
GOMES, Frederico Félix. Direito Eletrônico. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2017, p. 15.
61
Ibidem, p. 15.
62
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737 de
2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 38.
63
GOMES, Frederico Félix. Op., Cit., p. 16.
64
Ibidem, p. 16.
24

então, regulamente o âmbito virtual, objetivando impedir que determinada


corporação controle a rede e atenda apenas a interesses econômicos próprios65.

A corrente do Direito Internacional aduz que o espaço virtual, uma vez que
não há um território específico, deve ser normatizado pelas regulamentações, usos e
costumes internacionais, sendo um meio eficaz, pois as fontes do Direito
Internacional, em tese, são universais e de conhecimento de todos os usuários66.

Por fim, a escola Tradicionalista trata o espaço virtual como uma “extensão do
mundo físico”, portanto, as mesmas normas aplicadas a este último também seriam
utilizadas no âmbito virtual, razão pela qual haveria vantagens na uniformidade das
relações entre os usuários e traria uma maior segurança jurídica nos atos. Todavia,
a desvantagem ocorreria na ausência de conhecimentos técnicos tecnológicos pelos
operadores do Direito ao analisar e resolver lides desta natureza 67.

Partindo da premissa de autorregulação do Direito Digital, faz-se necessário


apresentar determinados termos e conceitos aplicados, principalmente, nos e-
commerce.

As normas digitais podem ser publicadas através do mecanismo denominado


Disclaimer. Referida ferramenta pode ser conceituada como um aviso legal ou termo
de responsabilidade como, por exemplo, avisos encaminhados por e-mail, sites,
relatórios e demais meios de comunicação que objetivam cientificar o leitor das
condições específicas e normas a serem submetidas na relação jurídica68.

Ao publicar as normas na página inicial por meio dos disclaimers, o leitor terá
o pleno conhecimento das normativas da relação jurídica, consolidando sua eficácia,
tornando-se uma norma padrão69, pois, de acordo com a Lei de Introdução às

65
GOMES, Frederico Félix. Direito Eletrônico. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2017, p. 16.
66
Ibidem, p. 17.
67
Ibidem, p. 17.
68
MAIS RETORNO. O que é o disclaimer? [2010 a 2019]. Disponível em <
https://maisretorno.com/blog/termos/d/disclaimer>. Acesso em 06. mai. 2020.
69
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737 de
2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 38.
25

normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei n. 4.657/1942) em seu artigo 3º “Ninguém


se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”70.

Entretanto, embora o Direito Digital seja, em sua essência,


autorregulamentador, ainda se faz necessária a atividade legislativa, porém, deve-se
tomar a precaução de que a norma seja genérica e flexível, possibilitando, desta
forma, sua aplicabilidade de forma ampla e que perdure ao longo das
transformações tecnológicas, não ficando engessadas e ultrapassadas
rapidamente71.

Importante pontuar que a normatização da internet no Brasil foi tardia em


relação aos outros países desenvolvidos, somando, também, a morosidade do
próprio processo legislativo brasileiro e pelo conflito entre o anseio do mercado em
ter liberdade econômica, a repulsa em restrição na liberdade de expressão pela
sociedade e a ausência de conhecimento suficiente do Poder Legislativo para propor
medidas adequadas e eficazes ao tema72.

Voltando ao cerne da autorregulamentação do Direito Digital, a mesma tem


como princípio basilar a expressão de que “ninguém melhor do que o próprio
interessado para saber quais são as lacunas que o Direito deve proteger”, ou seja,
delimitar quais são as situações práticas do cotidiano que precisam de soluções
viáveis como, por exemplo, provedores de acesso à internet que criaram normas-
padrões como no caso de crimes virtuais e proteção a privacidade73.

Frisa-se que a autorregulamentação não é específica do Direito Digital, mas,


também, pode ser observada em determinadas categorias profissionais como no
caso dos advogados, dos médicos e profissionais da área de telecomunicação74.

O princípio basilar da autorregulamentação é a desburocratização ao legislar


sobre o tema do Direito Digital, permitindo adequar o direito a realidade social,

70
BRASIL. Decreto Lei n. 4.657, de 04 de setembro de 1942. Brasília, DF. Disponível em
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del4657compilado.htm>. Acesso em 06. mai. 2020.
71
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737 de
2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 39.
72
GOMES, Frederico Félix. Direito Eletrônico. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2017, p. 17.
73
PINHEIRO, Patricia Peck. Op., Cit., p. 50.
74
Ibidem, p. 50.
26

trazendo dinamismo e flexibilidade para perdurar ao longo do tempo e acompanhar o


avanço tecnológico75.

Portanto, o Direito Digital pode ser compreendido de diversas formas, mas há


um consenso de que o mesmo objetiva disciplinar as questões do âmbito virtual de
forma a se autorregulamentar e acompanhar o avanço tecnológico desenfreado.
Ademais, referido avanço trouxe inúmeros benefícios ao meio jurídico o que será
devidamente abordado a seguir.

3. O AVANÇO DA TECNOLOGIA NO MEIO JURÍDICO

Conforme dissertado, o Direito Digital surgiu como uma nova área do Direito
ou, de acordo com alguns doutrinadores, como uma atualização e aperfeiçoamento
do Direito tradicional, tendo em vista as mudanças ocorridas na sociedade, e todos
os campos, após o início da Era Tecnológica.

As mudanças advindas da globalização foram necessárias para acompanhar


a celeridade das atividades econômicas, sociais e políticas, assim como trazer uma
desburocratização das relações jurídicas e uma integração de dados e informações
de forma mais eficaz.

Antes de adentrar aos aspectos tecnológicos inseridos no meio jurídico, faz-


se necessário trazer algumas considerações a respeito do Estado, da sociedade e
do próprio Judiciário.

O Estado e a sociedade são concebidos pela junção dos elementos território,


nação e povo. Atualmente, na Era Tecnológica o território não é apenas o físico,
mas, também, o virtual e a concepção de sociedade é tida como sociedade da
informação tecnológica. Uma vez que há território virtual, as barreiras geofísicas
foram rompidas e a comunicação tornou-se célere, imediata e eficiente76.

A partir de então, foi proposto por estudiosos, o termo “The Internet


Corporation for Assigned Names and Numbers” ou ICANN, ou seja, um poder geral
75
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737 de
2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 50.
76
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a
informação judicial no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 32.
27

da internet, “desmaterializando as estruturas organizacionais” tradicionais,


transformando todos os atos e procedimentos em mecanismos virtuais, flexibilizando
ao utilizarem os denominados softwares77, isto é, programas que permitem realizar
as atividades específicas em um computador como, por exemplo, sistemas
operacionais, aplicativos, navegadores web, entre outros78.

A ICANN surgiu no final da década de 1990, sendo uma organização voltada


a desenvolver medidas para assegurar a proteção de dados, estabilidade e
interoperabilidade da Internet, gerenciando a coordenação do Sistema de Nomes de
Domínio (DNS), isto é, a garantia de exclusividade, identidade e validade de
endereços na web, associado a um IP (Internet Protocol), a identificação única de
cada computador conectado a rede79.

A partir dessas concepções, faz-se necessário traçar um paralelo entre a Era


Tecnológica e a legalidade da mesma, chegando à análise do sistema judiciário em
si.

O Sistema Jurídico deve ser compreendido sob todas as óticas, isto é, desde
a análise dos movimentos sociais, o direito é visto como autorreferencial, sendo sua
existência tida por meio das relações sociais e dos problemas a ela advindos. Em
outras palavras, o direito é basicamente compreendido como comunicação jurídica
através de um código binário de legalidade e ilegalidade80.

Importante deixar claro que por trás de todo o desenvolvimento tecnológico há


uma indispensabilidade da atuação do poder político, pois, como já mencionado,
todas as relações jurídicas e novos fatos devem ser regulamentados ou trazer
normativas de procedimentos para prevenir ou solucionar empecilhos que possam
surgir81.

77
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a
informação judicial no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 32.
78
GCFGLOBAL. Informática básica. Item 2. Disponível em < https://edu.gcfglobal.org/pt/informatica-basica/o-
que-sao-hardware-e-software-
/1/?gclid=CjwKCAjwqdn1BRBREiwAEbZcR9e7oVmhM4ppqx0RUPFCfBZhwYtVYffHsf1R2uNFKEUShQqGlopeBBoC
h48QAvD_BwE>. Acesso em 09.mai.2020.
79
ICANN. Sobre a ICANN. Disponível em < http://icannlac.org/PO/sobre-ICANN>. Acesso em 09.mai.2020.
80
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo, Op., Cit., p. 34.
81
Ibidem, p. 34.
28

O processo legislativo brasileiro não consegue acompanhar de maneira célere


a construção do direito em relação ao avanço tecnológico, ainda mais quando o
sistema é positivista82.

Nesse diapasão, a Sociedade da Informação é caracterizada como “um


estágio do desenvolvimento social caracterizado pela capacidade de seus membros
(...) de obter e compartilhar qualquer informação, instantaneamente, de qualquer
lugar e da maneira mais adequada”, além de dotas de competências para processar
essas informações de forma útil83.

A tecnologia trouxe inúmeras possibilidades aos usuários, tanto de modo a


proporcionar comodidade, rapidez na comunicação, facilidade na troca de
informações, quanto nas possibilidades de cometimentos de atos ilícitos. Portanto,
há, além de benefícios, também, malefícios84.

Toda essa situação traz a importância na conciliação do direito com as novas


tecnologias, tendo em vista a socialização global da comunicação. Atualmente, não
há barreiras geofísicas que limitem as relações jurídicas entre as nações como, por
exemplo, a contratação de estrangeiros para desenvolverem suas atividades
laborativas por meio do teletrabalho ou homeoffice, porém, podem surgir problemas
de competência, territorialidade e soberania que deverão ser dirimidos com o auxílio
do Direito Internacional85.

Como cediço, tendo em vista a velocidade na transmissão das informações,


os conflitos foram ampliados como, por exemplo, lides em relação a marcas e
patentes, domínios na Internet, facilidade no anonimato para o cometimento de
crimes, propagação de conteúdos que violem direitos autorais, direitos
personalíssimos (ex. racismo, misoginia, bullying), entre outros. Ademais, nessas
questões, também surgem os mecanismos que permitem se esquivar da jurisdição e
trazer conflitos de competência como, por exemplo, a proibição de comercialização
de um determinado material no Brasil, mas que a empresa, com a finalidade de

82
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a
informação judicial no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 34.
83
Ibidem, p. 35.
84
Ibidem, p. 35.
85
Ibidem, p. 35.
29

burlar, hospeda seu site em domínios estrangeiros e retornam as


86
comercializações .

Retomando aos aspectos da tecnologia no meio jurídico, imprescindível


analisar a função do Direito Processual e a consolidação do Processo Eletrônico
como um meio necessário para dar acessibilidade à justiça, celeridade, integração
de dados e de informações e uniformizações de entendimentos.

A essência do Direito Processual é a resolução de conflitos por meio da tutela


do Estado em resguardar os direitos daquele que se sentir ofendido e desamparado.
Portanto, vincula-se ao acesso amplo à justiça por todo aquele que tiver seus
direitos lesionados, caracterizando a função social do processo87.

O processo eletrônico é tido como um meio de dar a acessibilidade a justiça,


havendo a necessidade de adequar o tradicional processo civil. Referida
informatização foi consolidada em 2004 com o Pacto Republicano, uma ação
conjunta entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, com o intuito de modernizar
o Judiciário, sistematizar e aperfeiçoar as normas e o acesso à justiça, trazendo
agilidade processual88.

Todavia, não é prudente limitar o processo eletrônico a apenas ao acesso à


justiça, pois vai além da acessibilidade e da agilidade do processo, tendo, também, o
condão de dirimir as questões que surgiram na sociedade da informação
tecnológica, pois não há lógica em resolver conflitos virtuais por meios integralmente
físicos89.

O precursor da informatização judicial foi o Tribunal Regional Federal da 4ª


Região, compreendido pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e

86
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a
informação judicial no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 36 – 37.
87
Ibidem, p. 38.
88
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Pacto republicano: parceria entre os Três Poderes a serviço da democracia.
Disponível em <
http://www2.stf.jus.br/portalStfInternacional/cms/verConteudo.php?sigla=portalStfDestaque_pt_br&idConteu
do=173547>. Acesso em 09.mai.2020.
89
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo, Op., Cit., p. 39.
30

Paraná90, o qual determinou que todos os processos dos Juizados Especiais fossem
processados exclusivamente de modo eletrônico, por meio da Plataforma Pje91.

Em maio de 2007 foi lançado um projeto-piloto de um sistema informatizado


de competências estaduais, o software Projudi. Referido sistema é uma plataforma
digital de tramitação de processos judiciais com interação eletrônica entre as partes,
exceto determinados atos formais que devem ser feitos de forma presencial92.

Um adendo a esta última informação, atualmente, com a pandemia do


COVID-19 e a determinação do isolamento social por recomendação da
Organização Mundial da Saúde concretizado por meio de Decretos Estaduais e
Municipais, o teletrabalho e o homeoffice tornou-se um mecanismo eficaz para dar
continuidade às relações trabalhistas e minorar os efeitos da crise econômica. Da
mesma forma, os processos judiciais também deveriam prosseguir e não tornar-se
mais moroso, pois atinge direitos dos cidadãos que merece acolhida.

Diante de tal fato, embora alguns Estados tenham adotado a suspensão dos
prazos processuais, alguns atos que deveriam ser feitos de forma presencial de
forma urgente como, por exemplo, audiências criminais e que envolvem direitos de
menor, precisaram buscar outros meios para serem realizadas sem desrespeitas as
normativas sanitárias e assegurar a preservação da saúde dos envolvidos.

A videoconferência é uma ferramenta tecnológica que permite transmitir som


e imagem entre os interlocutores, proporcionando interação em tempo real para
aqueles que estão distantes, sendo uma solução segura, com custo reduzido e
aproveitamento do tempo93.

90
RUSCHEL, Aírton José; LAZZARI, João Batista; ROVER, Aires José. O processo judicial eletrônico no Brasil. In:
COÊLHO, Marcus Vinicius Furtado; ALLEMAND, Luiz Cláudio (coord.) O processo judicial eletrônico. Brasília,
OAB, Conselho Federal, Comissão Especial de Direito da Tecnologia e Informação, 2014, p. 17.
91
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a
informação judicial no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 40.
92
TJPR. Projudi completa 10 anos com mais de 8 milhões de processos eletrônicos cadastrados. Brasília, 2017.
Disponível em < https://www.tjpr.jus.br/destaques/-/asset_publisher/1lKI/content/projudi-completa-10-anos-
com-mais-de-8-milhoes-de-processos-eletronicos-cadastrados/18319?inheritRedirect=false>. Acesso em
09.mai.2020.
93
CNJ. Videoconferência muda o formato de audiências. Brasília, 2020. Disponível em <
https://www.cnj.jus.br/videoconferencia-muda-o-formato-de-audiencias/>. Acesso em 09.mai.2020.
31

A utilização da videoconferência em audiência não é algo novo e exclusivo


por conta da Pandemia do COVID-19, mas, diante das circunstâncias, tornou-se um
mecanismo de grande utilidade.

Em uma análise dos casos criminais, a Lei Federal n. 11.900/2009 alterou o


Código de Processo Penal, autorizando a utilização da videoconferência em
interrogatórios, depoimentos de testemunhas, acareações e julgamento de presos
de alta periculosidade94. O Conselho Nacional de Justiça confeccionou a Resolução
n. 105/2010 para regulamentar a realização de interrogatório e inquirição de
testemunhas por sistema audiovisual no âmbito criminal95, porém, incentiva a
aplicabilidade em outras áreas do Direito, tendo em vista a redução de custos e
celeridade procedimental.

Em continuidade a aplicabilidade da tecnologia no meio jurídico na prática,


principalmente, no atual cenário político, econômico e social que o mundo vivencia
por conta da pandemia do COVID-19, importante trazer algumas considerações à
respeito do Processo Penal.

O Pacto San José da Costa Rica, publicado em 1969 na Convenção


Americana dos Direitos Humanos, mencionou várias normativas à respeito do direito
à liberdade dos cidadãos. No artigo 7, item 5, aduz que qualquer pessoa presa deve
ser apresentada a um juiz ou autoridade competente, sem demora, devendo ter um
julgamento em um prazo razoável ou ser posta em liberdade enquanto perdurar o
processo, desde que não haja circunstâncias impeditivas ao regular andamento96.

O artigo 5º da Constituição Federal Brasileira de 1988 traz como um dos


direitos fundamentais que o Estado deve assegurar ao cidadão, o direito a um
julgamento com prazo razoável, isto é “a todos, no âmbito judicial e administrativo,

94
PETRY, José Paulo. Audiências por videoconferência: uma maneira de reduzir custos no Judiciário. Santa
Catarina, 2019. Disponível em < https://teltecsolutions.com.br/mundo/audiencia-por-videoconferencia/>
Acesso em 09.mai.2020.
95
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (Brasil). Resolução nº 105, de 06 de abril de 2010. DJE/CNJ Nº 62/2010,
DE 08/04/2010, Brasília, 06 de abril de 2010. Disponível em < https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/166>.
Acesso em 09.mai.2020.
96
NETTO, Santos Fiorini. Quanto tempo o réu pode ficar preso sem julgamento?. Revista Jus Navigandi, 2016.
Disponível em < https://jus.com.br/artigos/50659/quanto-tempo-o-reu-pode-ficar-preso-sem-julgamento>.
Acesso em 09.mai.2020.
32

são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a


celeridade de sua tramitação”97.

Ademais, o processo penal não tem apenas caráter persecutório, mas,


também, garantidor dos direitos do acusado, principalmente, daquele em que se
encontra em situação prisional, pois, conforme o ensinamento do artigo 7 da
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, item 3, ninguém pode ser
submetido a detenção ou encarceramento arbitrários”98, ou seja, diante de
circunstâncias que crie óbices ao regular andamento do processo, para evitar a
prisão arbitrária e que o réu cumpra uma pena sem ao menos ter concluído o devido
processo legal, faz-se necessária a adoção de medidas que coíbam essa falhas e
que sejam adequadas ao regular andamento do processo.

A possibilidade de audiência de instrução por videoconferência surgiu com a


finalidade de reduzir custos com o transporte de detentos do estabelecimento
prisional para os fóruns, assim como dar maior segurança, principalmente, em casos
de acusados por crimes hediondos ou com alta periculosidade, além de evitar fugas.
Frisa-se que referida modalidade não é a regra, mas sim aplicada em casos
excepcionais, razão pela qual foi imprescindível uma norma regulamentadora para
delimitar o procedimento99, como já mencionado.

Diante da situação de isolamento social por conta do COVID-19 e os Decretos


Judiciais que suspenderam a realização das audiências presenciais, alguns
Tribunais vêm adotando uma série de medidas para a realização de atos
processuais presenciais através de mecanismos virtuais. Exemplo disso é a Portaria
nº 3742/2020 do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de
Conflitos (NUPEMEC), emitida pela 2ª Vice Presidência do Tribunal de Justiça do
Paraná, publicada em 1º de abril de 2020, em que institui como procedimento
especial para a realização de sessões de conciliação/mediação para as partes
interessadas, utilizando ferramentas virtuais de comunicação audiovisual como, por

97
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em 09.mai.2020.
98
CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. San José, Costa Rica, 22 de novembro de 1969.
Disponível em < https://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/c.convencao_americana.htm>. Acesso em
09.mai.2020.
99
NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução penal. 13. ed. rev. atual. Rio de Janeiro:
Editora Forense, 2016, p. 250.
33

exemplo, videoconferência, aplicativos de mensagem instantâneas, chat, aplicativos


como o Zoom, WhatsApp, Skype, e-mail ou similares, desde que permitam a
interação entre todas as partes100, sendo um mecanismo eficaz para a realização do
ato e evita protelar ainda mais o processo.

Outro ponto que merece dissertar refere-se ao Marco Civil da Internet. A Lei
nº 12.965 de 23 de abril de 2014, surgiu com o intuito de estabelecer “princípios,
garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil”. Neste Diploma houve
o reconhecimento da rede em escala mundial, além de reconhecer a sua finalidade
social101.

Referida normativa foi de grande de importância ao cenário tecnológico


brasileiro, pois devido ao grande fluxo de troca de informações, disponibilidade de
conteúdo e desenvolvimento de plataformas digitais, houve a exigência de
imposição de limites aos usuários e, também, aos provedores, para evitar e reprimir
a utilização da rede para práticas delituosas102.

Antes da promulgação da lei do Marco Civil da Internet já haviam algumas


propostas legislativas que objetivavam regular as repercussões da tecnologia nos
campos sociais, jurídicos e econômicos como, por exemplo, o Projeto de Lei nº
1.589/99 oriunda da proposta da Comissão de Informática da Ordem dos Advogados
do Brasil Subseção do Estado de São Paulo, o qual objetivada estabelecer normas
sobre o comércio eletrônico ou e-commerce, sem burocratizá-lo e inviabilizá-lo e,
também, tratativas à respeito do documento eletrônico como meio de prova aceito
judicialmente103.

100
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ. Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos.
Gabinete da 2ª Vice Presidência. Portaria nº 3742, de 1º de abril de 2020. Dispõe sobre o procedimento para
realização de sessões de conciliação/ mediação por intermédio de ferramentas virtuais/digitais de
comunicação e sua homologação, no âmbito dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos - CEJUSC's do
Estado do Paraná e dá outras providências. Curitiba, PR. Disponível em <
https://www.tjpr.jus.br/documents/18319/33666028/NUPEMEC+CEJUSC/5f598e6c-3dac-c4f3-55d1-
12f900bedd0b>. Acesso em 10.mai.2020.
101
BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Brasília, DF, 2014. Disponível em
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm>. Acesso em 10.mai.2020.
102
DIREITO DIGITAL E LGPD. São Paulo: Instituto de Direito Contemporâneo, [entre 2010 e 2019], p. 5.
103
MARCACINI, Augusto. Aspectos fundamentais do marco civil da internet. Lei nº 12.965/2014. São Paulo:
Edição do autor, 2016, p. 20.
34

Há inúmeras manifestações da tecnologia no âmbito jurídico, algumas


merecem uma breve explicação como no caso dos documentos eletrônicos, da
prova eletrônica, da assinatura digital e certificação digital.

Com a Era da Tecnologia, houve uma diminuição drástica dos documentos


físicos, tanto por questão de economia, quanto praticidade, assim como consciência
ambiental (desmatamento e produção de lixo) e a necessidade de desburocratizar
as relações jurídicas.

Partindo dessa premissa, o Direito e a Tecnologia passaram a buscar


métodos alternativos para a substituição do uso do papel e para a celeridade e
segurança na confecção de documentos e contratos. A partir de então, houve a
criação de uma metodologia de certificação de documentos e assinaturas digitais,
observando sempre a adequação da técnica para que assegure a comprovação de
autoria e integridade do documento, permissível de auditoria e perícia, para
proporcionar uma maior segurança da informação e atestar fé pública104.

É inegável que o arquivo de documentos impressos em papel é menos segura


do que o armazenamento de documentos eletrônicos em disco rígido ou em nuvem,
entretanto, o processo deve ser adequado, ter um registro seguro das operações
eletrônicas, além do Estado regulamentar um padrão a seguir para certificar e dar
legalidade a esses documentos105. Atualmente, é cada vez mais comum a utilização
de documentos eletrônicos, sendo estes validados por inúmeros mecanismos como,
por exemplo, assinatura digital, chave de segurança e código hash, o que será
devidamente abordado oportunamente.

Quanto a prova eletrônica, não há óbices em sua utilização por parte da


legislação processual, porém, deve seguir determinados padrões técnicos de coleta
e guarda, para que a mesma não tenha sua integridade violada ou seja obtida
através de atos ilícitos, tornando-se ineficaz e inútil106.

Para assegurar a legitimidade da prova eletrônica é imprescindível ter acesso


ao registro de logs, dos cadastros de IPs (identidade do computador), os horários

104
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737
de 2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 88.
105
Ibidem, p. 88.
106
Ibidem, p. 88.
35

CMT (Greenwich Mean Time) para delimitar a localidade (território) em que a prova
foi produzida. Ademais, o documento eletrônico assinado por meio de uma
certificação ou assinatura digital, caso haja quaisquer tentativas de modificações no
documento, fica perceptível, tendo em vista a modificação da sequência binária que
nada mais é do que o modo em que o computador guarda as informações e as
processa107.

Há permissibilidade da utilização dos documentos eletrônicos como meios de


provas lícitos e adequados podem ser observadas no art. 225 do Código Civil de
2002, quando traz um rol de meios probatórios permitidos como, por exemplo,
reproduções fotográficas, cinematográficas e registros fonográficos (imagem, vídeo
e áudio). Também, há a previsão do Código de Processo Civil de 2015 por meio da
edição dos artigos 332 (meios de provas moralmente legítimos e hábeis a provar a
verdade) e no 334, inciso IV (presunção de existência e veracidade)108.

Em 2001 foi editada a Medida Provisória nº 2.200 instituindo a infraestrutura


de Chaves Públicas Brasileiras – ICP, com o intuito de “garantir a autenticidade, a
integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica” além de
estabelecer suportes e mecanismos que adotam o uso de certificados digitais e,
também, tornar as transações eletrônicas mais seguras109.

A ICP-Brasil é composta pelas autoridades certificadoras Raiz (AC Raiz),


Autoridades Certificadoras (AC) e pelas Autoridades de Registro (AR) 110. No caso da
assinatura eletrônica realizada por advogados, compete a autoridade Certificadora
da Ordem dos Advogados do Brasil (AC-OAB) em parceria com a empresa
Certasign111, empresa criada em 1996 especialista em Identidade Digital112,
promover o cadastro das assinaturas eletrônicas dos advogados, suas identidades
digitais e emissão de token e códigos de acesso específicos e únicos para cada

107
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737
de 2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 89.
108
Ibidem, p. 89.
109
BRASIL. Medida Provisória nº 2.200, de 24 de agosto de 2011. Brasília, DF, 2001. Disponível em <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2200-2.htm>. Acesso em 10.mai.2001.
110
PINHEIRO, Patrícia Peck. Op., Cit., p. 89.
111
AC-OAB. Certificação Digital. Quem somos. Brasília, DF. Disponível em < https://www.acoab.com.br/>.
Acesso em 10.mai.2020.
112
CERTASIGN. Institucional. São Paulo, SP. Disponível em <
https://www.certisign.com.br/certisign/institucional>. Acesso em 10.mai.2020.
36

profissional113, validando a assinatura de petições, acessos em sistemas,


movimentações processuais, além de inúmeras outras funções nos mais variados
órgãos, sendo de inteira responsabilidade do profissional a utilização de sua
assinatura.

A Certificação Digital originou-se de uma tecnologia de criptografia,


patenteada em 1983, sendo uma ferramenta de codificação capaz de encaminhar
mensagens e informações seguras pelas redes eletrônicas, utilizando os códigos de
chave (pública e privada) para a decodificação representada pela assinatura
eletrônica nos documentos114.

Deste feito é possível conceituar a assinatura eletrônica como uma chave


privada, por meio de um código único e pessoa e que não pode ser reproduzido,
com o intuito de evitar fraudes e falsificações. Já, a chave criptográfica é aquele que
só pode ter seu conteúdo transmitido lido pelo receptor que detém a mesma chave.
A assinatura eletrônica permite reconhecer a origem de um ato e identificar o usuário
autorizado a realizar determinada transação115. Ademais, o autor da assinatura “não
pode negar a autenticidade do seu ato”, isto é, a característica da irretratabilidade116.

Importante mencionar que certificado digital não é algo exclusivo no campo


jurídico. Há, também, certificados digitais específicos para pessoas físicas (E-CPF) e
pessoas jurídicas (E-CNPJ), em que os cidadãos e as empresas tenham segurança
em realizar os mais variados atos em sites governamentais como, por exemplo,
acesso e registro de dados na Receita Federal, emissão de notas fiscais, assinatura
de documentos, contratos, operações bancárias, entre outros117.

Outro termo que merece apresentação é o Hash. Referida expressão pode


ser conceituada como uma sequência de letras e numerários que são gerados
através de um algoritmo de hashing (função criptográfica) que visa identificar um

113
OAB NACIONAL. Portal de assinaturas. Brasília, DF. Disponível em <
https://oab.portaldeassinaturas.com.br/?cod_rev=28652>. Acesso em 10.mai.2020.
114
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737
de 2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 90.
115
Ibidem, p. 90 – 91.
116
HENRIQUE, Márcio Alexandre Ioti; PERRUCI, Felipe Falcone. Tecnologias de informação aplicadas ao direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2018, p. 155.
117
HENRIQUE, Márcio Alexandre Ioti; PERRUCI, Felipe Falcone. Tecnologias de informação aplicadas ao direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2018, p. 156.
37

arquivo ou informação de modo único e exclusivo como, por exemplo, um e-mail, um


arquivo específico, uma senha ou uma chave. As funções que foram usadas de
forma criptografada e com valor de hash asseguram a impossibilidade de retorno à
informação original118, isto é, trazem segurança na informação e tornam impossível a
alteração ou reprodução de um documento original, evitando, desta maneira, fraudes
e prática de atos ilícitos.

Enfim, há inúmeras funcionalidades da tecnologia com aplicação efetiva no


meio jurídico, trazendo vários benefícios como a redução de custos, redução da
morosidade do Poder Judiciário em dirimir as questões conflituosas, quebra de
barreiras geofísicas, simultaneidade em operações e celeridade nas relações
jurídicas. Todavia, como há uma troca intensa de informações em uma rede aberta,
faz-se necessária tomar algumas precauções para evitar fraudes, falsificações,
vazamentos de dados, assegurar a autenticidade de documentos e atos e identificar
os sujeitos, principalmente, para inibir a prática de atos ilícitos e abrir brechas para a
impunidade.

Tendo em vista que a tecnologia está enraizada na sociedade, todos os


ramos de atividades tiveram que se adaptar ao novo contexto econômico. Deste
feito, para acompanhar o avanço tecnológico surgiram as atividades de e-commerce
e as empresas emergentes e inovadoras denominadas Startups, o que será
devidamente abordada e contextualizada a seguir.

4. STARTUP – EMPRESAS EMERGENTES E INOVADORAS

Com a Era Tecnológica, a economia e o comércio nos moldes tradicionais


conhecidos tornaram-se obsoletos, razão pela qual surgiram demandas que
careciam de mecanismos mais aprimorados para serem atendidas.

Em primeiro lugar, importante mencionar que uma empresa virtual não é uma
extensão da empresa física, ou seja, pode haver tanto empresas físicas que também
se utilizam no ambiente eletrônico para realizar seus negócios, assim como há

118
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico: a
informação judicial no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 22.
38

empresas que operam exclusivamente em campo online, as denominadas e-


commerces119.

Para melhor entendimento à respeito da diferenciação de lojas físicas que


também trabalham com ambiente virtual e lojas exclusivamente virtuais que,
também, possuem produtos virtuais, vejamos o exemplo das livrarias Saraiva e da
Amazon.

A companhia Saraiva Livreiros S.A possui instalada no Brasil 82 lojas físicas e


desenvolveu uma plataforma, tanto por website quanto por aplicativos de aparelhos
celulares, que proporciona a venda de seus produtos, também, por e-commerce,
comercializando produtos físicos e virtuais como, por exemplo, ebooks digital
readers que podem ser adquiridos online e ser acessado quase que imediatamente
pelo consumidor a qualquer tempo e a qualquer lugar, desde que tenha um aparelho
eletrônico compatível com a sua reprodução120.

A empresa Amazon foi fundada em 1994 nos Estados Unidos, quando o seu
precursor Jeff Bezos, observou que entre os anos de 1993 e 1994, a atividade na
internet cresceu 230%, abrindo um precedente para o desenvolvimento de uma
atividade econômica online121. A empresa comercializa uma infinidade de produtos e
serviços de forma online, abrindo apenas uma loja física de comércio de livros em
2018 nos EUA, com produtos específicos e com classificação alta122.

Atualmente, a empresa Amazon foi expandida para a Austrália, Alemanha,


Canadá, China, Cingapura, Espanha, França, Brasil, Holanda, índia, Itália, Japão,
México, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Turquia123, quebrando,
completamente, qualquer barreira geofísica, tornando-se uma empresa global.

119
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737
de 2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 52.
120
SARAIVA LIVREIROS S.A. Mercado de atuação. Atual., 13 de novembro de 2018. Disponível em <
http://www.saraivari.com.br/conteudo_pt.asp?idioma=0&conta=28&tipo=49682>. Acesso em 11.mai.2020.
121
STONE, Brad. A loja de tudo: Jeff Bezos e a era da Amazon. Tradução de Andrea Gottlieb. Rio de Janeiro:
Editora Intrínseca, 2014, p. 24.
122
FARINACCIO, Rafael. Amazon abre loja física nos EUA só para produtos com mais de 4 estrelas. Tecmundo,
2018. Disponível em < https://www.tecmundo.com.br/mercado/134681-amazon-abre-loja-fisica-eua-so-
produtos-4-estrelas.htm>. Acesso em 11.mai.2020.
123
AMAZON. Quem somos. [2016 a 2020], rodapé. Disponível em <
https://www.amazon.com.br/?tag=lomadee0850014813-
39

Embora o termo Startup tenha surgido na década de 1970 para conceituar


pequenas empresas inovadoras, apenas na década de 1990, com o avanço
tecnológico desenfreado, referidas empresas ganharam mais notoriedade. Portanto,
a evolução das Startups está intrínseca ao desenvolvimento e popularização da
internet124.

Alguns estudiosos da área tecnológica afirmam que o precursor dessa nova


área econômica denominada Startup foi a empresa Mosaic, lançada em abril de
1993, como o primeiro navegador gráfico da internet capaz de exibir textos e
imagens de forma simultânea, pois antes, a internet ela limitada a arquivos escritos
em blocos de notas125.

A partir de então, surgiram outras empresas emergentes e inovadoras como a


Amazon e Yahoo que, em 1998, faturaram o quadruplo de suas ações, tornando a
internet um mecanismo de quebra de paradigmas da economia tradicional126.

Importante frisar que não há um consenso na conceituação do que vem a ser


uma empresa Startup, tendo em vista que cada nação define de acordo com a sua
finalidade e políticas públicas, mas é possível identificá-la ao observar as
características a ela inerentes127.

Para ser considerado uma Startup, a empresa deve possuir determinados


elementos. “Startup é uma empresa em seu estágio inicial de desenvolvimento” que
não possui processos internos e organização, tendo como atividade um modelo de
negócio inovador que rompe com a dinâmica e as práticas econômicas tradicionais,
além de primar pela redução de custos, controle de gastos e utilização de mão de
obra intelectual dos fundadores e desenvolvedores. Ademais, tem, também, a
característica o desenvolvimento e investimento em produtos ou serviços primitivos e
simples, com o intuito de verificar a viabilidade do negócio, o denominado Produto

20&ascsubtag=226536395456z7897z1589212544336&lmdsid=443336395456-7897-1589212544336>. Acesso
em 11.mai.2020.
124
FEIGELSON, Bruno; NYBO, Erik Fontenele FONSECA, Victor Cabral. Direito das Startups. São Paulo: Saraiva
Educação, 2018, p. 12.
125
NCSA. Mosaic: há 20 anos, era lançado o 1º navegador gráfico web. Terra, 2013. Disponível em <
https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/internet/mosaic-ha-20-anos-era-lancado-o-1-navegador-
grafico-da-web,6f3289d31f13e310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html>. Acesso em 11.mai.2020.
126
FEIGELSON, Bruno; NYBO, Erik Fontenele FONSECA, Victor Cabral. Op., Cit., p. 12 – 13.
127
Ibidem, p. 13.
40

Mínimo Viável. Importante ressaltar que o produto e/ou serviço deve ser escalável e
repetível, facilmente expandido, salvo se houve um nicho de mercado específico,
alcançando um maior eixo de consumidores e usuários128.

Outra característica peculiar da Startup, como já cediço, é a redução de


custos. Para tanto, há a necessidade de inserção de capital de terceiros para dar
início na operação, além de parcerias, quotas de participação, aporte para
impulsionamento do negócio, buscando investidores até mesmo externos, o que é
denominado no meio como processo de fundraising129.

Por fim, a característica primordial do uso da tecnologia como fonte de


negócio, podendo ser utilizadas plataformas digitais como no caso de websites ou
aplicativos, desenvolvimentos de softwares (programas), desenvolvimento de
hardwares (parte física de um computador)130.

Como visto, o desenvolvimento de um Startup necessita de empreendedores


convictos em criar novos produtos e serviços, mesmo quando há um ambiente de
incertezas de sucesso. É imprescindível saber administrar e adotar práticas de
gestão sistemáticas, não basta apenas produzir produtos ou ofertar serviços e lucrar,
mas, sim, “aprender a desenvolver um negócio sustentável”, por intermédio de
validações com experimentos frequentes131.

O objetivo central de uma Startup é transformas ideias em produtos ou


serviços, medindo a reação dos clientes e concluir se será necessário pivotar ou
perseverar, ou seja, mudar as ações e o rumo de um negócio tendente ao fracasso
ou insistir nas medidas tomadas. Nesse mesmo sentido, a inovação deve ser
contabilizada, medindo o progresso e estabelecendo metas132.

Retomando, uma Startup pressupõe um negócio escalável com crescimento


rápido e de baixo custo. Resta claro que a tecnologia está associada ao
desenvolvimento da Startup como, por exemplo, o desenvolvimento de softwares

128
FEIGELSON, Bruno; NYBO, Erik Fontenele FONSECA, Victor Cabral. Direito das Startups. São Paulo: Saraiva
Educação, 2018, p. 14.
129
Ibidem, p. 14.
130
Ibidem, p. 15.
131
RIES, Eric. A startup enxuta: the lean startup. Tradução Texto Editores. São Paulo: Lua de Papel, 2012, p. 13.
132
Ibidem, p. 14.
41

que realizam atividades repetitivas em alta velocidade e com probabilidades de erros


ínfimas133.

A utilização da tecnologia permite desenvolver modelos de negócios


denominados de “cauda longa”, baseado na distribuição de vários produtos de
diferentes nichos com baixa demanda que, se fossem comercializados separados
seria inviável e que, se fossem comercializados juntos de forma física (estoque e
exposição) seria impossível134.

Com o avanço da tecnologia vários empreendimentos desapareceram por se


tornaram inviáveis e desinteressantes aos consumidores, assim como profissões
foram extintas e novas surgiram e, nesse interim, para não incorrer nessa
consequência, as empresas e profissões ditas tradicionais precisam se adaptar a
nova Era Digital. Exemplo disso tem-se a antiga rede de locadoras de filmes e séries
Blockbuster que foi extinta, tendo em vista a consolidação da tecnologia e a criação
de empresas de streaming como, por exemplo, a Netflix, sendo que esta plataforma,
sem espaço e produtos físicos, oferta vastas opções se séries e filmes que podem
ser acessados pelos usuários em qualquer lugar, a qualquer tempo e que é possível
vender os acessos a uma infinidade de clientes135.

Independente do ramo ou da atividade pretendida para se desenvolver uma


Startup, o primeiro passo é desenvolver um modelo de negócio que crie um valor
aos clientes, delimitando a estratégia, operação e o modelo econômico. Deve
identificar o problema, isto é, a “dor” do cliente e, a partir de então desenvolver as
soluções. Então, o primeiro passo é a construção da persona, do público alvo 136.

Em outras palavras, deve responder os seguintes questionamentos: Qual o


problema que a Startup irá resolver? Quem tem esse problema? Qual o impacto do
problema para essa pessoa? Quais vantagens ou facilidades serão ofertadas?

É imprescindível pontuar que os modelos tradicionais de planejamento e


previsão de riscos tradicionais são ineficazes no modelo de Startup, pois neste

133
GALVÃO, Helder; HANSZMANN, Felipe. Direito para startups. São Paulo: FGV IDE, [2010 – 2019], p. 10.
134
Ibidem, p. 11.
135
Ibidem, p. 11.
136
TOLEDO, Marcelo. Plano de negócios para Startups. 2016, p. 12.. Disponível em
<http://marcelotoledo.com/plano-de-negocios-o-guia-absolutamente-completo/>. Acesso em 11.mai.2020.
42

modelo de negócio não há estabilidade operacional e nem há ambiente estático 137.


Portanto, uma Startup basicamente trabalha no risco.

No que concerne a inovação, alguns doutrinadores afirmam que as novas


tecnologias surgem por meio de ondas, sendo as destaque denominadas
Kondratieff. A primeira onda ocorreu com a Revolução Industrial entre 1780 a 1842,
o segundo ocorreu com o surgimento da máquina a vapor e do aço entre 1842 a
1897 e, por fim, a onda da eletricidade, da química e dos motores a partir de 1898.
As ondas de inovação de Kondratieff não é resumida em apenas no
desenvolvimento de novos produtos inovadores ou de técnicas elaboradas, mas,
sim, compreende o impacto no mercado e como as corporações se adaptam a essas
novas tecnologias138.

Atualmente, vivencia-se a quinta onda, isto é, a onda baseada em tecnologia


da informação, nas redes digitais, no desenvolvimento de hardwares, softwares e
demais mecanismos inovadores que objetivam facilitar a atividade empresarial 139.

Mesmo o desenvolvimento de uma Startup ser algo extremamente atraente,


tendo em vista o baixo custo e o crescimento acelerado, referida empresa
emergente segue o mesmo ciclo que qualquer outra empresa é submetida no mundo
capitalista. Há três estágios distintos, sendo eles a inovação (pioneiros), o inchaço
(inúmeras empresa semelhantes) e, por fim, a seleção natural em que apenas os
mais qualificados sobrevivem no mercado140.

Importante frisar que nem toda empresa que desenvolve produtos ou serviços
voltados à tecnologia são Startups. Referidas empresas são espécies que estão
inseridas no gênero que os estudiosos chamam de Tech Companies, sendo as
Startups também uma espécie, devendo preencher os requisitos próprios como já
mencionado e, óbvio, trabalhar com tecnologia141.

137
RIES, Eric. A startup enxuta: the lean startup. Tradução Texto Editores. São Paulo: Lua de Papel, 2012, p. 14.
138
FEIGELSON, Bruno; NYBO, Erik Fontenele FONSECA, Victor Cabral. Direito das Startups. São Paulo: Saraiva
Educação, 2018, p. 16.
139
Ibidem, p. 16.
140
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737
de 2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 55.
141
FEIGELSON, Bruno; NYBO, Erik Fontenele FONSECA, Victor Cabral. Op., Cit., p. 17
43

Uma Startup é uma empresa como qualquer outra, devendo seguir os


mesmos procedimentos de abertura e regulamentação, não havendo privilégios em
detrimento das demais. Portanto, referido modelo de empresa emergente deve
escolher um modelo societário, sendo o mais comum as sociedades anônimas que
permitem compras de quotas e aquisição de investidores, constituição de CNPJ,
seguir as formalidades empresariais e seguir um regime tributário142.

Deste feito, todas as obrigações legais devem ser observadas e acatadas


pelas Startups, então, não basta apenas conhecimento administrativo e tecnológico,
é imprescindível a atuação de um profissional da área jurídica que observe todas as
questões burocráticas de regularização empresarial143.

Portanto, o Direito Empresarial e os profissionais da área devem sempre estar


atualizados e acompanhar as tendências de mercado, estudando e aprofundando-se
na área tecnológica para não se transformar em um profissional obsoleto. Ademais,
a tecnologia está enraizada no mundo jurídicos e, inclusive, há inúmeras Startups
desenvolvidas em prol de facilitar o Judiciário e todos os operadores de direito, o
que será abordado a seguir.

5. LEGALTECH E LAWTECH – REVOLUÇÃO E CONFLITOS NA ADVOCACIA


TRADICIONAL

Como já visto anteriormente, a Tecnologia surgiu como um mecanismo eficaz


para desburocratizar as relações sociais e jurídicas, trazer celeridade aos
procedimentos, reduzir custos e alcançar uma infinidade de usuários e interessados
em determinada área, quebrando as barreiras geofísicas e aproximando as pessoas
do mundo todo em tempo real.

Entretanto, assim como houve o desenvolvimento de novas tendências


tecnológicas à favor da sociedade, também foram gerados problemas que mereciam
tratamento, prevenção e medidas com soluções eficazes, dirimindo questões
complexas que necessitavam de conhecimentos técnicos nas mais variadas áreas

142
FEIGELSON, Bruno; NYBO, Erik Fontenele FONSECA, Victor Cabral. Direito das Startups. São Paulo: Saraiva
Educação, 2018, p. 21.
143
Ibidem, p. 21.
44

de atuação, principalmente, conhecimentos tecnológicos e jurídicos, surgindo, deste


feito, a necessidade de regulamentar medidas e procedimentos e desenvolver uma
área do Direito específica para tal situação, o que vem a ser o Direito Digital ou
Eletrônico.

Diante de tal fato, a tecnologia começou a trabalhar em prol das mais


variadas áreas, tanto no campo social, quanto econômico e no meio jurídico, sendo
sua aplicabilidade cada vez mais comum e consolidada. No campo social, verifica-se
a aplicabilidade por meio de troca de e-mail, mensagens instantâneas por aplicativos
e softwares, videoconferências sem barreiras geofísicas e redes sociais. Já, na área
econômica, observa-se no aumento de empresas físicas que utilizam o campo virtual
para impulsionar suas vendas, assim como empresas exclusivamente virtuais, os
denominados e-commerces e as empresas emergentes, inovadoras e escalonadas,
as ditas Startups. E, por fim, a aplicabilidade da tecnologia no meio jurídico, por
intermédio de mecanismos e plataformas que visam garantir a segurança jurídica, a
celeridade dos processos judiciais, a ampliação do acesso à justiça e, também,
ferramentas que facilitem o trabalho e comunicação dos operadores do Direito.

Surgiram, portanto, as Startups denominadas de Legaltech ou Lawtech.

Atualmente, inúmeras Startups foram desenvolvidas para proporcionar


ferramentas que aperfeiçoasse a gestão jurídica como, por exemplo, acesso
facilitado a conteúdos jurídicos, consultorias, automação e gestão de documentos,
resolução de conflitos online, rede workplace que conecta profissionais da área,
jurimetria, consulta de dados públicos, entre outros144.

O operador do direito não pode mais se limitar ao modelo de advocacia


tradicional, pois conforme há um avanço tecnológico desenfreado, quem não se
atualiza ou se limita acaba se tornando obsoleto. A partir de então, o advogado
precisa adotar uma postura estrategista, não apenas deter conhecimento do Direito
e das leis, mas, também aprofundar-se nos variados modelos de relações
comerciais, políticas, sociais e econômicas145.

144
HENRIQUE, Márcio Alexandre Ioti; PERRUCI, Felipe Falcone. Tecnologias de informação aplicadas ao direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2018, p. 36.
145
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737
de 2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 212.
45

A tecnologia e a valoração do tempo já não é mais a mesma. Há uma


exigência contínua de celeridade e flexibilização na resolução de questões jurídicas.
Ademais, a informatização do Poder Judiciário já é algo consolidado, tendo
profundas mudanças em questões processuais e adaptações legislativas 146.

O operador do direito deve ter uma postura de negociador, estrategista e


informatizado, uma vez que é cada vez mais comum a utilização de prestação de
serviços online. Ademais, há uma saturação na profissão de advogado, sendo
imprescindível que o profissional se adeque e tenha um diferencial para se
sobressair, mas, sempre, observado o Estatuto de Ética da OAB147.

Embora o Tribunal de Ética da OAB não permita a consultoria de advogados


por meio eletrônico, sendo necessário o contato pessoal com o cliente, é de suma
importância não engessar essa regra, pois a tecnologia traz inúmeros meios para
efetivar a consultoria de modo adequado148 como, por exemplo, reuniões por
videoconferências, transferência bancária do valor dos honorários da consulta,
assinaturas eletrônicas em documentos, impressão, assinatura e digitalização, troca
de e-mails, entre outros.

Com o advento do processo eletrônico, os operadores do direito,


principalmente os advogados, obtiveram inúmeras vantagens como, por exemplo, a
redução de custos com papel, com impressão, fotocópias, comodidade de acesso
imediato aos autos a qualquer lugar e em qualquer horário, desde que tenha um
aparelho adequado e compatível com o sistema, além de diminuir os deslocamentos
até aos órgãos Judiciários e públicos e ter um melhor gerenciamento de seus
processos (ativos, arquivados, pendentes de manifestação, intimações). Outras
vantagens concernem a redução de custos do próprio Judiciário, agilidade na
prestação jurisdicional e maior transparência ao cliente149.

Em 2017 foi fundada a organização sem fins lucrativos AB2L – Associação


Brasileira de Lawtechs e Legaltechs, composta por diversas “empresas de

146
PINHEIRO, Patricia Peck. Direito Digital. 5. ed. rev., atual. e ampl. de acordo com as Lei n. 12.735 e 12.737
de 2012. – São Paulo: Saraiva, 2013, p. 213.
147
Ibidem, p. 213.
148
Ibidem, p. 213.
149
RUSCHEL, Aírton José; LAZZARI, João Batista; ROVER, Aires José. O processo judicial eletrônico no Brasil. In:
COÊLHO, Marcus Vinicius Furtado; ALLEMAND, Luiz Cláudio (coord.) O processo judicial eletrônico. Brasília,
OAB, Conselho Federal, Comissão Especial de Direito da Tecnologia e Informação, 2014, p. 22.
46

tecnologia focadas no mercado jurídico”, com o intuito de fomentar a área, propor


ações regulatórias e mediar a interação entre empresas de tecnologia,
empreendedores, investidores, operadores do direito e instituições de ensino 150.

Existem inúmeras Lawtechs/Legaltechs associadas a AB2L que objetivam


proporcionar um melhor desempenho nas atividades jurídicas151. É possível citar
como exemplo, a empresa Projuris, consistente em uma plataforma com
comunicação em base de dados que alerta sobre novas publicações, intimações e
andamentos processuais, tendo uma calculadora de prazos, cadastramento
automático de processos vinculados ao registro profissional, geradores de
documentos, entre outras funcionalidades152.

Há outras Startups de destaque no mundo jurídico, sendo elas a plataforma


Migalhas, com portal de notícias jurídicas, catálogos de escritórios de advocacia e
oferta de software em que é possível cadastrar correspondentes jurídicos para
realizações de diligências por todo o território brasileiro153.

Outra plataforma consolidada e de destaque é o JusBrasil em que há


publicações de artigos por qualquer profissional da área, publicação de notícias do
meio jurídico, assim como dos Diários Oficiais, disponibilização de jurisprudências
para serem utilizadas como parâmetros e fundamentações de demandas, modelos
de peças processuais, banco de dados de legislações, diretório de advogados e
consultas processuais154.

Merece destaque, também, a plataforma Acordo Certo, em que é possível


inserir o número da inscrição CPF da pessoa e realizar uma busca de dados de
possíveis dívidas a ela relacionadas, com o intuito de renegociar e proporcionar a

150
AB2L. Quem somos. [2017 – 2020]. Disponível em < https://www.ab2l.org.br/#quem-somos>. Acesso em
13.mai.2020.
151
AB2L. Radar dinâmico Lawtechs e Legaltechs. Disponível em <https://www.ab2l.org.br/radar-dinamico-
lawtechs-e-legaltechs/>. Acesso em 13.mai.2020.
152
PROJURIS. Aumente o lucro de seu escritório. Disponível em <https://www.projuris.com.br/escritorios>.
Acesso em 13.mai.2020.
153
MIGALHAS. Correspondentes Jurídicos. Disponível em <https://correspondentes.migalhas.com.br/>. Acesso
em 13.mai.2020.
154
JUSBRASIL. Conectando pessoas à justiça através de advogados e informação jurídica. Disponível em
<https://www.jusbrasil.com.br/home>. Acesso em 13.mai.2020.
47

organização financeira, evitando demandas de execução e ações de cobrança que


sobrecarregam o Judiciário155.

Por fim, seguindo a tendência da Justiça em desafogar o Judiciário através de


meios alternativos de solução de conflitos, foram criadas inúmeras plataformas
digitais e softwares que permitem realizar acordos através de mediação e
conciliação. Um exemplo desta inovação é a empresa Conciliare, uma Câmara de
Conciliação, Mediação e Arbitragem que objetivam solucionar conflitos. O
procedimento pode ser resumido em envio do caso para a plataforma, os
conciliadores entram em contato com a parte adversa e convida para uma reunião
online e, ao final, em caso de acordo frutífero, é emitido um Termo de Conciliação
que será assinado por todas as formas por meio de Assinatura Eletrônica, sendo
todos os documentos autenticados e passíveis de validação156.

Alguns escritórios de advocacia vêm desenvolvendo medidas a fim de se


adaptar ao atual cenário tecnológico e as demandas que surgem. O escritório de
advocacia Braga, Nascimento e Zilio, desenvolveu o projeto “BNZ for Startup”, um
departamento específico para atendimento de Startup em estágio inicial, desde o
desenvolvimento de um plano de negócios até as questões burocráticas e tributárias
inerentes a qualquer empresa. Para tanto, analisando os custos dos serviços
jurídicos empresariais, o escritório desenvolveu uma moeda própria, o BNZ, sendo
um sistema pré-pago de consultoria, tabelando os serviços a serem prestados,
trazendo segurança na contratação por empresas que operam, basicamente, no
risco157.

Embora haja inovações no exercício da advocacia tradicional, deve haver


prudência e observâncias das normas de ética e disciplina do órgão regulamentador
profissional, no caso, a Ordem dos Advogados do Brasil. Todavia, também deve ter
um entendimento do próprio órgão de classe que as mudanças e adaptações são

155
ACORDO CERTO. Negocie suas dívidas sem sair de casa e de forma 100% segura. Disponível em
<https://www.acordocerto.com.br/>. Acesso em 13.mai.2020.
156
CONCILIARE. Conciliação e mediação online. Disponível em <https://www.conciliare.net.br/conciliacao-
online>. Acesso em 13.mai.2020.
157
FONSECA, Mariana. Escritório de advocacia cria moeda própria para atender startups.Exame abril, 2017.
Disponível em <https://exame.abril.com.br/pme/escritorio-de-advocacia-cria-moeda-propria-para-atender-
startups/>. Acesso em 13.05.2020.
48

inevitáveis, não podendo engessar e limitar a atuação profissional no que concerne


a inovações de metodologias de trabalho.

Portanto, verifica-se que a Era Tecnológica surgiu para facilitar as relações


humanas em todos os seus aspectos. Assim como há uma evolução natural da
sociedade, também há no Direito, sendo ele dinâmico e imprescindível para
regulamentar as mais variadas situações.

Ademais, a tecnologia proporcionou o nascimento de outros segmentos


empresariais e novas profissões, rompendo com o exercício empresarial tradicional
e trazendo uma perspectiva inovadora, fato este que pode ser observado, por
exemplo, no desenvolvimento de Fintechs. Entretanto, as denominadas Legaltech e
Lawtech esbarram com a exclusão do conceito de empresário, tendo em vista o
caráter de exercício de atividade intelectual, conforme dispõe o art. 966, parágrafo
único do Código Civil de 2002.

CONCLUSÃO

Como visto, o Direito é dinâmico, mutável e adaptável às realidades sociais,


econômicas e políticas. O Direito Comercial e o Direito Empresarial foram
desenvolvidos em conformidade com a época, os costumes, os modelos de
civilizações e organizações políticas. O comércio em si passou por inúmeras
mudanças sistemáticas, desde comercializações mais primitivas como, por exemplo,
o escambo, até as mais aprimoradas como, por exemplo, a Revolução Industrial e a
Era Tecnológica.

Um dos acontecimentos mais marcantes na história política e econômica


mundial foi a consolidação do capitalismo e da globalização no final do Século XX.

Com a globalização houve um aumento no fluxo de informações, capital,


serviços de pessoas e produtos em escala global, surgindo, deste feito, a Revolução
Técnico-científica, com desenvolvimento de computadores, softwares e
consolidação da internet, o comércio tornou-se dependente das interações virtuais,
tanto por questões burocráticas quanto para atingir um nível maior de clientes.
49

A internet proporcionou o desenvolvimento de novos métodos de trabalho


como, por exemplo, empresas que trabalham de forma auxiliar com o e-commerce
ou que se dedicam exclusivamente a comercializar com esse mecanismo.

A partir do momento que surgiram novas relações jurídicas pautadas na


tecnologia, também, por consequência, surgiram questões e conflitos que
necessitavam de regulamentações, tratativas e soluções. Deste feito, foi iniciado os
estudos e uma nova vertente do Direito ou, como já mencionado, uma extensão do
Direito tradicional, o denominado Direito Eletrônico ou Direito Digital.

Embora haja poucas normativas que regulamentem o Direito Eletrônico ou


Digital no Brasil, a doutrina majoritária afirma que o mesmo é autorregulamentador,
uma vez que o Legislativo não consegue acompanhar na mesma velocidade o
avanço tecnológico.

A tecnologia surgiu para beneficiar as mais variadas áreas do conhecimento e


profissionais. O foco central do estudo foi a análise da Era Digital no meio jurídico. O
Judiciário, nos moldes tradicionais antes do desenvolvimento tecnológico, era
extremamente moroso e burocrático, com acúmulos de papéis, impressões,
manuscritos, deslocamentos frequentes a fóruns e órgãos públicos, fazendo com
que o processo fosse cada vez mais complexo e inviável, limitando, em algumas
circunstâncias, o acesso à justiça.

Um dos benefícios trazidos pela tecnologia no meio jurídico foi o


desenvolvimento e consolidação do processo eletrônico, através de protocolos
online, movimentações procedimentais, redução de custos, integração de dados e
uniformização de entendimentos.

Também, houve algumas inovações que permitiram uma maior segurança,


rapidez e eficácia nas negociações, interligando pessoas e empresas do mundo todo
como, por exemplo, o uso de videoconferência, contratos eletrônicos e assinaturas
digitais.

Com a Era Digital, novas profissões e novas empresas surgiram, rompendo


com os moldes tradicionais de economia. Deste feito, na década de 1970 foi
empregado pela primeira vez o termo Startup, podendo ser conceituado como
50

empresas emergentes, inovadoras, escaláveis, de crescimento rápido, que


trabalham no risco, custos reduzidos, inserção de capital de terceiros, além de
trabalharem com a tecnologia.

Frisa-se que, embora seja um novo molde de empresa, uma Startup deve
seguir e obedecer a todos os procedimentos burocráticos e tributários como
qualquer outra empresa, devendo ter um amparo e consultoria de operadores do
direito.

É cediço que a tecnologia trouxe inúmeras mudanças na atividade


empresarial, assim como a vida pessoal dos usuários e reflexos no campo jurídico.
Algumas profissões tornaram-se obsoletas, outras foram extintas e, para não ser
classificado como desqualificado no mercado, o profissional, principalmente, o
operador do direito, deve sempre manter-se atualizado as novas mudanças
econômicas, sociais e políticas que o mundo vivencia.

Com o intuito de auxiliar nas demandas jurídicas e proporcionar meios que


tornem a profissão do advogado mais organizada, célere e facilitada, surgindo
Startups jurídicas, as denominadas Legaltech ou Lawtech.

Referidas empresas trouxeram mecanismos que auxiliam os advogados a


organizar a carta de clientes, gestão de prazos, intimações, sistema financeiro de
cobrança de honorários, pesquisas de jurisprudências, legislações, correspondência
jurídica no Brasil inteiro, entre outros.

Por fim, a advocacia tradicional não é mais viável, uma vez que, quem não se
atualiza não se destaca no mercado. A tecnologia é uma realidade enraizada e
qualquer área deve ser adaptável a ela. Embora haja circunstâncias que podem
ocasionar conflitos ao utilizar o ambiente virtual, os mesmos não têm o condão de
descredibilizar o uso da tecnologia, ou seja, há mais benefícios do que
desvantagens.
51

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