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TODA PRÁTICA PEDAGÓGICA FUNDAMENTA-SE NUMA TEORIA

Adriana Tosta Rêgo1

A prática pedagógica exige do professor a compreensão da realidade do aluno bem


como do que fazer para que a turma possa se mostrar e, consequentemente revelar suas
necessidades. Neste fazer pedagógico identificamos o papel de organizador do ambiente
social conforme afirma Vygotsky (1994, pg 93), sem, contudo esquecer que cada aluno deve
dirigir o seu próprio processo de aprendizagem. Porém este processo deve ser acompanhado
de perto pelo professor com metas e objetivos determinados e com domínio do que vai
orientar-ensinar. Tunes, em seu texto O professor e o ato de pensar, explica que:

Nesse processo, integram-se histórias de vida com inúmeras experiências e


vivências, tornando-se presentes e se atualizando sentidos subjetivos. Isso
não quer dizer, contudo, que os que ensinam e os que aprendem percebam, a
cada instante, o impacto que sofrem e causam um no outro. Há que se ter em
conta, entretanto, que o professor planeja ações cujos objetivos realizam-se
no aluno. Na esfera de ações do professor, existe um impacto no aluno que é
intencional e esperado como realização, fato que não se pode afirmar que
existia da parte do aluno.
Assim, para o professor empenhado em promover a aprendizagem de seu
aluno, há o imperativo de penetrar e interferir em sua atividade psíquica,
notadamente seu pensamento. Essa necessidade antecede a tudo e, por isso
mesmo, dirige a escolha dos modos de ensinar, pois sabe o professor que os
métodos são eficazes somente quando estão, de alguma forma, coordenados
com os modos de pensar do aluno. É nesse sentido, portanto, que podemos
afirmar que o aluno dirige o seu próprio processo de aprender.

Cabe, neste momento, enfatizar que não se deve supervalorizar a teoria e minimizar a
importância da prática, ou o contrário, pois não há prática sem uma teoria, nem a teoria existe
sem a experiência prática. Sobre o assunto Lopes afirma:

Para chegar-se à idéia de prática pedagógica, faz-se necessária a


compreensão de que não há uma prática sem teoria, nem o contrário, teoria
sem prática, teoria sem conhecimento, visto que, para se conhecer algo, é
necessário ter havido a prática de uma experiência anterior. É nesse sentido
que há uma teoria pedagógica e uma prática pedagógica que são resultantes
não só do acúmulo de experiências como também do campo perceptivo das
interrelações que o professor vai acessando e das ações de estudo e de
pesquisa que vai realizando. Trata-se, nesse sentido da dialética teoria –
prática, na prática pedagógica docente, da intermediação que uma produz
sobre a outra e vice-versa.

1
Aluna do curso Desenvolvimento humano e aprendizagem: da infância à adolescência. Curso de Formação
Continuada – EAD IFBA. Texto apresentado à Elaine Soeira, professora do curso.
A escola precisa exercer a função que lhe compete, qual seja: viabilizar o acesso dos
alunos ao ensino sistematizado; para tanto o professor necessita compreender que sua prática
deve estar fundamentada em pressupostos teórico-metodológicos. Este trabalho depende de
uma ação conjunta entre escola e o professor no que tange a escolha da teoria que melhor
atenda à necessidade de viabilizar a apropriação dos conhecimentos produzidos pelo aluno.
Partindo-se dessa análise, pode-se constatar a relevância de se organizar o ensino para
a escolha da melhor teoria que se adéqüe à intervenção pedagógica.
A prática pedagógica exige um saber-fazer e para tanto é necessário ser reflexivo. Um
pensar reflexivo, segundo o autor do texto Professor reflexivo: gênese e implicações atuais,
“abrange um estado de dúvida, hesitação, perplexidade, dificuldade mental e um ato de
pesquisa, procura, inquirição, buscando encontrar a resolução da dúvida”. Quando isto
acontece o professor adquire uma ferramenta eficaz para identificar e vencer as dificuldades e
determinar com clareza novo modo de agir com maior qualidade e com mais coerência.
A escolha de uma teoria que se adéqüe mais á realidade da escola, da sala de aula,
enfim dos alunos é muito importante, pois ela vai contextualizar as ações pedagógicas bem
como nos capacitará para a compreensão da diversidade de história de vida e de
potencialidades dentro da sala.
Diante do exposto é importante ter em mente que a prática pedagógica é construída no
dia-a-dia do docente por meio de respostas às interferências das histórias de vida dos alunos,
fator importante na escolha da teoria que melhor se adéqüe às exigências da sua turma.
Definitivamente esta escolha transforma-se em uma experiência profissional e
contribui para a evolução do pensamento profissional do professor e, consequentemente deste
enquanto pessoa. Esta experiência reflete na sua prática docente que alcança cada aluno
afetando a todos, individualmente e coletivamente, não só no âmbito cognitivo quanto bio-
psicossocial, e aí então, instala-se um ciclo de evolução, desenvolvimento, inquietação e
enriquecimento. Isto é a vivência do fazer pedagógico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LOPES, Lourival da Silva. A construção da prática pedagógica do professor: saberes e
experiência profissional. Disponível no site: http://www.artigonal.com/ensino-superior-
artigos/a-construcao-da-pratica-pedagogica-do-professor-saberes-e-experiencia-profissional-
4863604.html. Acessado em 20/07/2011

Professor reflexivo: gênese e implicações atuais. Disponível no site:


http://www.ufjf.br/espacoeducacao/files/2009/11/cc05_4.pdf. Acessado em 20/07/2011

TUNES, Elizabeth. O professor e o ato de pensar. Disponível em:


http://www.scielo.br/pdf/cp/v35n126/a08n126.pdf. Acessado em 20/07/2011

VYGOTSKY, Lev Semenovich. (1994). Formação social da mente. 5. ed. São Paulo :
Martins Fontes.

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