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Conceito de Tensões

A Figura 01 ilustra a relação entre as cargas externas e as componentes dos esforços


internos na seção transversal de um elemento linear. Como pode ser observado, as componentes
que atuam na seção transversal representam os vetores resultantes de força (Fx, Fy, Fz) e
momento (Mx, My, Mz) necessários para garantir o equilíbrio estático do elemento em todas as
direções.
Figura 01 – Relação entre carga externa e esforços internos.

Em uma análise mais detalhada (Figura 02), é possível notar a seguintes equivalências com
os vetores Fx, Fy, Fz, Mx, My e Mz:

Fx  Componente x da soma de forças produzidas por todos os pontos que constituem a seção.
Fy  Componente y da soma de forças produzidas por todos os pontos que constituem a seção.
Fz  Componente z da soma de forças produzidas por todos os pontos que constituem a seção.
Mx  Componente x da soma dos momentos produzidos por todos os pontos que constituem a
seção transversal.
My  Componente y da soma dos momentos produzidos por todos os pontos que constituem a
seção transversal.
Mz  Componente z da soma dos momentos produzidos por todos os pontos que constituem a
seção transversal.

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Disciplina: Resistência dos Materiais I
Prof.: João Sedraz
Figura 02 – Origem das componentes de esforços internos.
Equivalência Características em comum

As resultantes de Força Cortante (Fx, Fz) e


Momento de Torção (My) surgem da atuação
de forças paralelas à seção transversal.

As resultantes de Força Normal (Fy) e


Momento Fletor (Mx, Mz) surgem da atuação
de forças perpendiculares à seção transversal.

Na Figura 02 são representadas as forças produzidas por unidade de área da seção


transversal que originaram as componentes dos esforços internos. As resultantes de Força
Cortante (Fx, Fz) e Momento de Torção (My) surgem da atuação de forças paralelas à seção
transversal. Já as resultantes de Força Normal (Fy) e Momento Fletor (Mx, Mz) surgem da atuação
de forças perpendiculares à seção transversal. Dessa maneira, os quatro tipos de esforços
internos, quando avaliados por unidade de área, são produzidos apenas por forças paralelas ou
perpendiculares a seção.
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A intensidade da força por unidade de área é conhecida por tensão. Nos casos em que a
força produzida por unidade de área é paralela a seção analisada a tensão é classificada como
cisalhante e representada pela letra grega  (tau). Para casos em que a força produzida por
unidade de área é perpendicular a seção a tensão é classificada como normal e representada por
 (sigma).

Representação matemática da tensão

A partir da definição apresentada na seção anterior, dado um ponto de área infinitesimal


dA que produz um força também infinitesimal dF, a tensão será calculada pela razão dF/dA.
Figura 03 – Exemplo da representação de tensão.
Diagrama de corpo livre Tipo de tensão analisada no ponto Equação

Tensão Cisalhante

Tensão Normal

Unidade de medida no Sistema Internacional

É comum a utilização dos seguintes múltiplos do Pascal:

kPa = 103 Pa
MPa = 106 Pa
GPa = 109 Pa

Exercício de Fixação 06: A força cortante que atua em uma seção de um elemento
estrutural está relacionada com qual tipo de tensão:
(a) Tensão normal (b) Tensão de flexão (c) Tensão cisalhante (d) Tensão de torção

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Tensão causada por Carga Axial

Seja a barra prismática (barra com seção transversal constante) na Figura 04. Se
desprezarmos o peso próprio da barra e a seccionarmos como indicado, então, para o equilíbrio
da parcela inferior (c), a resultante da força interna que atua na seção transversal deverá ser igual
em intensidade, colinear e de sentido oposto ao da força P que atua na extremidade inferior de
elemento.

Figura 04 – Tensão causada por Carga Axial.

(a) (b) (c)

Para determinarmos a distribuição média de tensão que atua na área da seção transversal
da barra, é necessário o atendimento das seguintes hipóteses simplificadoras:
 A barra deve permanecer reta durante a aplicação do carregamento;
 A seção transversal deve permanecer plana durante a deformação (ao ser carregada a barra
muda o seu volume e a sua forma). Para tanto, não serão consideradas as regiões próximas das
suas extremidades, sujeitas a distorções localizadas próximas à região de concentração de
tensão (b);
 Para que a barra sofra deformação uniforme, o seu material deve ser homogêneo e isótropo.

A região intermediária da barra está submetida a uma deformação uniforme e constante


(b), que é conseqüência de uma tensão axial constante  (c). Devido a isto, cada elemento de área
dA da seção transversal da Figura 04 está sujeito a uma força dF = dA. Dessa maneira, temos
que:

Onde:
 = tensão normal média em qualquer ponto da área da seção transversal;
P = resultante da força normal interna, aplicada no centróide da seção transversal;
A = área da seção transversal da barra.

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Tensão Cisalhante Média

Figura 05 – Tensão Cisalhante Média na seção transversal de um parafuso.

(a) (b)

Seja a junta sobreposta mostrada na Figura 05a, na qual a força de atrito entre as chapas
seja desprezível. O diagrama de corpo livre do corte que passa entre as chapas e através do
parafuso é mostrado na Figura 05b. O parafuso está submetido à força de cisalhamento interna P
na seção transversal. Supondo que a força P atua distribuída uniformemente na área A, a Tensão
de Cisalhamento Média na seção transversal do parafuso pode ser calculada pela equação abaixo:

Onde:
méd = tensão de cisalhamento média na seção;
P = resultante interna da força de cisalhamento na seção de corte;
A = área da seção transversal de corte.

Fator de Segurança
Para que se possa garantir a segurança dos elementos estruturais ou mecânicos, faz-se
necessário escolher uma tensão admissível que restrinja a carga aplicada a um valor inferior ao da
carga que o elemento possa suportar. Entre as razões para a adoção dessa prática, podemos citar:
• A carga para a qual o elemento foi projetado pode ser diferente do carregamento realmente
aplicado;
• As dimensões da estrutura ou das peças que a compõem podem apresentar diferenças devido
a erros de montagem ou fabricação;
• Ocorrência de cargas acidentais, de impacto ou vibrações desconhecidas não consideradas em
projeto;
• Corrosão, deterioração ou desgaste provocado por agentes atmosféricos;
• Materiais que por sua natureza podem apresentar grande variação em suas propriedades
mecânicas, tais como: madeiras, concretos.

Obtém-se a tensão admissível de projeto a partir da tensão de ruptura, obtida em testes


experimentais de laboratório, e da adoção de um Fator de Segurança. O Fator de Segurança é
selecionado com base na experiência e em normas técnicas, a fim de que as incertezas
mencionadas anteriormente sejam contempladas ao projeto. Esse fator é expresso
matematicamente pela seguinte expressão:

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Exercício de Fixação 07: Duas barras circulares maciças estão soldadas em B, como
mostrado na figura. Determine a tensão normal na seção média dos trechos AB e BC do
conjunto.

Exercício de Fixação 08: O pino do acoplamento é de aço, com tensão de ruptura 300MPa.
Considerando um fator de segurança 2, calcule o valor mínimo para o diâmetro do pino.

Leitura Recomendada
BEER, F. P.; JOHNSTON JUNIOR, E. R. J. Conceito de Tensão. In: BEER, F. P.; JOHNSTON JUNIOR, E.
R. J. Resistência dos Materiais. 3. ed. São Paulo: Pearson, 1995. Cap. 1. p. 1-63.
HIBBELER, R. C. Tensão. In: HIBBELER, R. C. Resistência dos Materiais. 7. ed. São Paulo: Pearson,
2010. Cap. 1. p. 14-46.

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