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Aluna: Bárbara Nascimento Gomes

ATIVIDADE 4

Após um longo período de ditadura militar, houve uma grande abertura política
e o mercado se tornou cada vez mais competitivo e globalizado, devido a isso
ocorreram grandes transformações para dar amparo para esse novo estilo, por
exemplo, a inserção de novas tecnologias afetou todos os setores, modificando
as condições de inserção no mercado de trabalho.

Então, pode-se dizer que a busca por inovações e logo depois a busca de
profissionais que conseguissem se inserir sendo possível se reestabelecer
diante qualquer intempérie foram muito marcantes. Além disso, foi o período
marcado pelas privatizações e fusões de empresas. Essa competitividade e
busca por lucratividade acabaram batendo de frente com o Serviço Social,
nesse contexto, tanto as empresas públicas quanto as privadas incorporaram o
assistente social, com o intuito de preservação da força de trabalho dos
empregados, assim como mediação de conflitos que acabavam surgindo entre
capital e trabalho. De certa forma, a empresa controlava e disciplinava a força
de trabalho aos níveis de produtividade requeridos ao seu processo produtivo e
é através disso que há a apropriação crítica dos objetos de intervenção
originária dos empregadores.

Nesse período também houve uma grande efervescência dos movimentos


sindicais, principalmente por conta dos grandes contrastes sociais e
econômicos, devido às condições de trabalho e vida, aliás, era previsto diante
um modelo de sociedade tão excludente. Com isso, o confronto com os
capitalistas se intensificou, entretanto, apesar das discussões, a busca de mais
produtividade não parava, tendo como inspiração a economia japonesa e a
americana. A partir do momento que se necessita gerar mecanismos
sociopolíticos junto aos trabalhadores isso dá reforço na gestão de trabalho,
entretanto, isso gera também contradições, pois as práticas que visavam à
integração dos trabalhadores aos objetivos empresariais eram questionadas.
Nota-se a tentativa de esvaziamento do conteúdo político do movimento
sindical, visto que, as práticas do confronto são substituídas pelas estratégias
“passivizadoras” das lutas sociais em presença. Nessa perspectiva, o
assistente social atuando nas empresas capitalistas também é objeto de novas
exigências e qualificações, assim sendo bem distintos em relação aos das
ações problematizadoras do projeto profissional dos anos de 1980, sendo
marcados por rupturas e continuidades.

No processo da crise capitalista houve uma reestruturação produtiva do capital,


assim, se teve a recriação das bases de valorização e dominação ideológica do
capital, além disso, as empresas também sofreram com essa reestruturação,
com novas estratégias e seu desenvolvimento, que reordenaram as forças
produtivas e assim, atualizaram as práticas organizativas das classes. Esse
modelo econômico, devido à crise gerada, provocou grandes alterações no
“mundo do trabalho”, que afetaram todos os ramos, até mesmo o conjunto da
vida social. Em vista, se sucedeu a redefinição do processo de produção de
mercadorias para dinâmica da acumulação, foi notório que as inovações
tecnológicas se tornaram cada vez mais frequentes nas empresas, substituindo
a eletromecânica pela eletrônica. Em concordância disso, o assistente social
colabora numa mútua colaboração entre empregados e empregadores e
também na neutralização das tensões inerentes às relações entre capital e
trabalho. Desse modo, houve treinamentos oferecidos pelas próprias empresas
e, além disso, essas procuraram elevar os níveis de escolaridade da força de
trabalho e seus empregados, devido a isso, recebem um leque de benefícios e
serviços sociais, chamados de “salários indiretos”.

Pode-se afirmar então, que, as empresas constituem um importante


instrumento para mobilizar o consenso em torno das metas de produção. Foi
notório que o Estado interviu menos, entretanto, houve uma transferência dos
mecanismos de proteção do Estado para as grandes corporações que
refuncionalizam, de acordo com seus interesses, a esfera dos “benefícios
ocupacionais”. Enfim, de acordo como texto lido pode-se afirmar que as
empresas investem num processo de “aculturamento” dos empregados e em
formas ideológicas que pressupõem um “moral de envolvimento” para a
geração de um novo comportamento produtivo adequado aos novos métodos
de produção e assim, o assistente social se insere, buscando desenvolver um
processo educativo para a adequação dos padrões de desempenho à
flexibilização da produção e uma mobilização ideológica favorável à adesão do
trabalhador com as meta, da empresa.

Por fim, com a incorporação da “cultura da qualidade”, o trabalho do assistente


social é redimensionado e passa a assumir o papel de impulsionador da
inovação e mudança, principalmente, no que toca à “democratização” das
relações de trabalho, enquanto um processo que, em tese, beneficia tanto à
empresa quanto aos trabalhadores.

REFERÊNCIA

AMARAL, Angela Santana; CESAR, Monica. O trabalho do assistente social nas


empresas capitalistas. In: CFESS; ABEPSS. Serviço Social: direitos sociais e
competências profissionais. Brasília: CFESS; ABEPSS, 2009.