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Expediente editorial

Diretor Geral
Rafael Peregrino da Silva
Iniciativas criativas
rperegrino@linuxmagazine.com.br
Editores
Em tempos de computação em nuvem e computação móvel, confor-
Flávia Jobstraibizer me já escrevi alhures, há uma enxurrada de oportunidades para estabele-
fjobs@linuxmagazine.com.br
cer negócios bem sucedidos no mercado – algo que não se restringe ao

EDITORIAL
Kemel Zaidan
kzaidan@linuxmagazine.com.br mercado nacional, inclusive. Empresas “de garagem” nunca foram tão
Editora de Arte
Larissa Lima Zanini requisitadas como hoje. Há um gigantesco déficit na cadeia de produção
llima@linuxmagazine.com.br
de programas para dispositivos móveis, ao mesmo tempo que vários con-
Colaboradores
Alessandro Faria, Alexandre Borges, Alexandre Santos,
juntos de ferramentas e lojas de aplicativos bem estruturadas estão dispo-
Augusto Campos, Daniel Kottmair, Marcel Hilzinger,
Markus Junginger, Karsten Günther, Petros Koutoupis,
níveis (gratuitamente) para quem quiser criar e comercializar aplicativos.
Sebastian Kummer, Stefan Wintermeyer, Tim Schürmann. Seguindo o mantra do mercado capitalista moderno, a tônica de ini-
Tradução
Emersom Satomi e Michelle Ribeiro
ciativas em torno do desenvolvimento desses aplicativos é: procure uma
necessidade e atenda-a com excelência. Simples assim. O homem ho-
Editores internacionais
Uli Bantle, Andreas Bohle, Jens-Christoph Brendel, dierno, entretanto, NÃO sabe realmente quais são as suas necessidades,
Hans-Georg Eßer, Markus Feilner, Oliver Frommel,
Marcel Hilzinger, Mathias Huber, Anika Kehrer, especialmente no que tange a software. Assim, cabe ao desenvolvedor e/ou
Kristian Kißling, Jan Kleinert, Daniel Kottmair,
Thomas Leichtenstern, Jörg Luther, Nils Magnus.
ao empreendedor observar atentamente o comportamento de grupos de
usuários: eles vivem dando dicas sobre recursos que gostariam de ver em
Anúncios:
Rafael Peregrino da Silva (Brasil) seus sistemas, gadgets, celulares, smartphones, tablets etc., em redes sociais
anuncios@linuxmagazine.com.br
Tel.: +55 (0)11 3675-2600 e fóruns especializados em tecnologia. Muitas vezes, entretanto, eles não
Penny Wilby (Reino Unido e Irlanda) sabem o que querem, mas quando se deparam com “a coisa” funcionando,
pwilby@linux-magazine.com imediatamente alegam que era isso que “sempre” quiseram. Para quem
Amy Phalen (América do Norte)
aphalen@linuxpromagazine.com vive de tecnologia, como saber qual ideia vai “pegar”? Como identificar as
Hubert Wiest (Outros países) necessidades que nem mesmo os próprios clientes estão cientes de existir?
hwiest@linuxnewmedia.de
Diretor de operações Infelizmente (ou não), não há uma resposta definitiva para essa ques-
Claudio Bazzoli
cbazzoli@linuxmagazine.com.br
tão, mas existem várias “pistas”: primeiramente, vale a pena considerar
as necessidades básicas do ser humano no que tange à obtenção de
Na Internet:
www.linuxmagazine.com.br – Brasil informações. Como fazer para acessar o serviço de home banking para
www.linux-magazin.de – Alemanha
www.linux-magazine.com – Portal Mundial pagar aquela conta que vence hoje? Como obter os dados do balanço
www.linuxmagazine.com.au – Austrália
www.linux-magazine.es – Espanha
da empresa para aquela reunião em outro continente, quando os dados
www.linux-magazine.pl – Polônia armazenados no pendrive USB foram corrompidos durante o transporte?
www.linux-magazine.co.uk – Reino Unido
www.linuxpromagazine.com – América do Norte É meia-noite e as fraldas acabaram (em uma cidade de 10 mil habitantes);
Apesar de todos os cuidados possíveis terem sido tomados existe um serviço de disque-fraldas com entrega expressa nessa região?
durante a produção desta revista, a editora não é responsável
por eventuais imprecisões nela contidas ou por consequên- Se observarmos os exemplos acima, cada um deles é um proble-
cias que advenham de seu uso. A utilização de qualquer ma-
terial da revista ocorre por conta e risco do leitor.
ma clamando por uma solução simples de usar, confortável, intuitiva,
Nenhum material pode ser reproduzido em qualquer meio, flexível, sempre disponível e de baixo custo. Mais importante ainda,
em parte ou no todo, sem permissão expressa da editora.
Assume-se que qualquer correspondência recebida, tal como temos que nos despir de preconceitos e ideias preconcebidas, e pensar
cartas, emails, faxes, fotografias, artigos e desenhos, sejam
fornecidos para publicação ou licenciamento a terceiros de
de maneira criativa para resolvê-los.
forma mundial não-exclusiva pela Linux New Media do Brasil, Por outro lado, ocorre frequentemente que aplicativos despretensio-
a menos que explicitamente indicado.
Linux é uma marca registrada de Linus Torvalds. sos, que podem mesmo ser classificados na categoria dos “inutilitários”,
Linux Magazine é publicada mensalmente por: acabem por emplacar estrondosamente. Um exemplo clássico disso
Linux New Media do Brasil Editora Ltda.
Rua São Bento, 500
é um aplicativo simples para o Android e o iPhone chamado Talking
Conj. 802 – Sé Tom Cat, no qual um gato é capaz de repetir tudo que se fala para ele
01010-001 – São Paulo – SP – Brasil
Tel.: +55 (0)11 3675-2600 com uma voz engraçada, pode arranhar a tela do aparelho, tomar lei-
Direitos Autorais e Marcas Registradas © 2004 - 2011–:
Linux New Media do Brasil Editora Ltda.
te e receber carinho. Apesar de não ter nenhuma utilidade prática, o
Impressão e Acabamento: RR Donnelley programa é muito divertido, e sua versão paga já foi comprada milha-
Distribuída em todo o país pela Dinap S.A.,
Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. res de vezes! Investir no desenvolvimento de aplicativos diferentes e
Atendimento Assinante divertidos, mesmo que aparentemente inúteis, é pensar criativamente.
www.linuxnewmedia.com.br/atendimento
São Paulo: +55 (0)11 3675-2600 São iniciativas como essa, que fazem o diferencial e podem levar ao
Rio de Janeiro: +55 (0)21 3512 0888
Belo Horizonte: +55 (0)31 3516 1280
sucesso. Aproveite a enxurrada de dispositivos móveis para dar asas à
ISSN 1806-9428 Impresso no Brasil sua criatividade: isso pode render mais do que você imagina!

Rafael Peregrino da Silva


Diretor de Redação

Linux Magazine #77 | Abril de 2011 3


ÍNDICE

CAPA

Práticos portáteis 35
Entre os dispositivos móveis, os tablets figuram no topo da lista
de desejos de quem deseja mobilidade com praticidade.

A guerra dos tablets 36


O iPad é um dos muitos produtos da Apple no qual a concorrência
encontra dificuldades para competir. Contudo, examinamos algumas
alternativas genuínas que estão chegando e conquistando o mercado.

Galáxia portátil 40
Muitos encaram o Galaxy Tab da Samsung como o único
tablet páreo para o iPad em termos de qualidade e recursos.
Colocamos esse computador de 7 polegadas à prova.

Aplicativos em alta 43
A Intel quer uma fatia do bolo das lojas online de aplicativos
com seu AppUp Center, que mantém o foco nos netbooks

Android na bandeja 46
Por meio de algumas unidades para demonstração e vídeos no YouTube
durante a Consumer Electronics Show (CES), o Google forneceu um “tira-
gosto” da próxima versão do Android. Com o lançamento do SDK dessa
versão, há finalmente informações detalhadas a respeito do sistema.

6 www.linuxmagazine.com.br
Linux Magazine 77 | ÍNDICE

COLUNAS ANÁLISE
Klaus Knopper 10 Sob o olhar da Zarafa - parte I 56

Charly Kühnast 12
Zack Brown 14
Augusto Campos 16
Kurt Seifried 18
Alexandre Borges 22

NOTÍCIAS
Geral 24
➧ Projeto GNU quer criar alternativa ao Skype
Dificuldades para implementar uma solução de email na empresa
➧ Projeto Debian anuncia primeiro mirror security.
onde trabalha? A diretoria quer recursos avançados e anda sugerindo
debian.org da América do Sul até o MS Exchange? Aprenda como deixar seu diretor feliz com Linux!
➧ HP disponibiliza versão 2.1 do SDK do WebOS
Encolhimento digital 60
➧ Microsoft abre loja virtual no Brasil
A maioria dos discos rígidos possui dados duplicados
➧ Linux 2.6.38 tem aumento de desempenho ou até mesmo triplicados. O LessFS usa um método
sofisticado para remover esses rastros do seu disco.

CORPORATE Real versus virtual 63

Notícias 26 A tecnologia da realidade aumentada, além de fascinar


➧ Executivo da Canonical e líder do Debian em projeto conjunto qualquer ser humano, é um assunto emergente.
Neste artigo, veremos seus princípios básicos.
➧ Nova plataforma de aplicações da Red Hat
inclui solução de virtualização Visão de raio-x 68
➧ Aplicativos para dispositivos móveis infringem licenças livres Que componentes fazem parte de seu computador? A
ferramenta lshw revela detalhes do hardware que você talvez
➧ IBM inaugura laboratório de pesquisa e centro
não encontre nem mesmo na especificação do fabricante.
de soluções no Rio de Janeiro

Entrevista com Gilberto Mautner 28


Com a evolução das tecnologias que tornam possível TUTORIAL
oferecer cada vez mais serviços nas nuvens, é natural que
Toque perfeito 48
a plataforma ganhe cada vez mais adeptos. Mas ao mesmo
tempo, cresce também a desconfiança e o receio com
questões ligadas à segurança e acesso aos dados online.

Coluna: Jon “maddog” Hall 30

Coluna: Alexandre Santos 32

Coluna: Rafael Peregrino 34

REDES
Macio como manteiga 72 A partir da versão 2.0 do Android, os desenvolvedores agora têm acesso
à funções multitoque. Mas é preciso cuidado ao manipular a API.

VoIP com Asterisk – parte VI 52


O sistema telefônico ultrapassado, presente até pouco tempo atrás nas
empresas, é prolífico em cobranças: cada novo recurso ativado requer
uma nova ativação de serviço, com o preço adicionado ao pagamento
mensal. É hora de mudar. É hora de criar sua própria central VoIP.

SERVIÇOS
Editorial 03
O Btrfs tem conquistado especialistas, com Emails 08
recursos avançados como subvolumes, snapshots Linux.local 78
e redimensionamento dinâmico de volume. Preview 82

Linux Magazine #77 | Abril de 2011 7


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Emails para o editor

ro
ne
gje
nja
Permissão

sa
CARTAS

de escrita
Coluna do Charly Open VPN GTK
Dentre muitas coisas interessantes Sou leitor da Linux Magazine e Gostaria, em primeiro lugar, de pa-
nas edições da Linux Magazine, gostaria de sugerir artigos sobre VPN, rabenizá-los pela Linux Magazine.
estou sempre ansioso para ver qual mais especificamente abordando o Sou assinante da revista e gostaria
utilitário o Charly irá apresentar em OpenVPN e o OpenSWAN, suas de fazer uma sugestão de artigos
sua coluna mensal. Das muitas já características e diferenças. relacionados à programação GTK,
apresentadas (todas muito simples, Antonio Luis Navas Rodrigues. especialmente focado em linguagem
mas que facilitam muito a vida de C com GTK.
um administrador de sistemas), a Resposta Obrigado!
ferramenta CSSH (apresentada na Antonio, agradecemos a sua sugestão! João Vieira
Linux Magazine 75) me deixou O OpenVPN em particular é uma
eufórico. Extremamente poderosa, irá ferramenta da qual gostamos muito Resposta
me ajudar muito na administração de e costumamos abordar sempre Caro João, agradecemos a sua su-
servidores, switches, roteadores etc. suas novidades, seu uso e recursos gestão. Vamos procurar, em edi-
Parabéns Charly pelos ótimos artigos. em artigos da Linux Magazine. ções futuras, publicar mais artigos
Adriano Matos Meier Como exemplo, confira o artigo contendo programação com GTK,
“Segredos sem fio”, publicado na pois diversos de nossos leitores são
Resposta Linux Magazine 07 e que aborda desenvolvedores GTK e procuram
Realmente Adriano, a ferramenta a criação de túneis criptografados por este tipo de material. Aguarde!
CSSH é tão poderosa, que com OpenVPN. Certamente vamos
pretendemos abordá-la em artigos publicar mais artigos sobre esta
mais completos e abrangentes, fantástica ferramenta!
apresentando mais dos fantásticos
recursos que ela possui. Pode
ter certeza de que já estamos
trabalhando nisso!

Escreva para nós! ✉


Sempre queremos sua opinião sobre a Linux Magazine e nossos artigos. Envie seus emails para
cartas@linuxmagazine.com.br e compartilhe suas dúvidas, opiniões, sugestões e críticas. Infelizmente, devido ao
volume de emails, não podemos garantir que seu email seja publicado, mas é certo que ele será lido e analisado.

8 www.linuxmagazine.com.br
Coluna do Augusto

Escolhas: cada
COLUNA

um tem a sua
Quando não há uma opção nativa e livre para GNU/
Linux de um determinado software, nada como uma
solução multiplataforma para contornar a situação. Com
sorte, podemos obter boas surpresas no final.

Q
uando se trata de escolher aplicativos para ado- populares tornaram bem mais difícil (mesmo quando
tar ou mesmo para receber apoio no desktop havia boa vontade específica por parte dos desenvolve-
baseado em GNU/Linux, as alternativas em dores e estrutura de suporte) transformar em realidade
código aberto contam com a simpatia e a pre- a promessa de aplicativos interoperáveis que instalem
ferência de quase todos os usuários. e sejam executadas com facilidade.
Ao mesmo tempo, a ausência de suporte a alguns Uma novidade relativamente recente que surgiu
aplicativos relativamente populares já foi uma expli- no radar e ainda não foi detectada por muitos, são os
cação frequente para a não adoção do desktop Linux aplicativos em Adobe AIR. O que é possível fazer com
– especialmente entre usuários que não são especial- eles é um pouco limitado, pois em sua essência um
mente sensíveis à questão da liberdade das licenças dos aplicativo AIR continua sendo uma web app (aplicativo
softwares que usam, e os escolhem com base em outras web), mas em compensação, a instalação costuma ser
demandas ou critérios de preferência. simples e o suporte ao Linux é natural, do ponto de vista
No que diz respeito ao atendimento das demandas do desenvolvedor.
deste contingente de usuários, e a sua possível adição Existem vários títulos interessantes feitos em AIR e
subsequente à fatia de mercado que representa a pla- já disponíveis para Linux. Os meus favoritos são o Twe-
taforma GNU/Linux (aumentando assim a atrativida- etDeck, um cliente para o serviço do Twitter, e o Zinio
de para mais desenvolvedores e prestadores investirem Reader, uma interessante implementação de assinatura
nela), a tendência dos últimos anos quanto a aplicati- e leitura de versões digitais de revistas impressas. Mas há
vos multiplataforma ou supra-plataforma é portanto vários outros conceitos interessantes sendo explorados:
bastante positiva. pesquise por nomes como Klok (gestão de tarefas), Sna-
Afinal, quando a camada superior da plataforma de ckr (um jeito diferente de acompanhar feeds) e outros
aplicações é o navegador web, o desktop Linux está muito títulos do AIR Marketplace.
bem servido, com versões nativas dos navegadores que Na minha opinião, nenhuma alternativa é melhor
há anos definem o conceito de aderência a padrões web, que bons aplicativos nativos – e se eles forem de código
desempenho e estabilidade. Assim, a popularização dos aberto, melhor ainda. Mas quando há ausência destes,
chamados aplicativos “da nuvem”, incluindo pacotes de a existência de suporte por modelos multiplataforma é
ferramentas para automação de escritório, comunicado- apreciada pelos usuários e, felizmente, às vezes também
res, agregadores etc., já serviu para tornar o sistema mais serve para estimular o desenvolvimento de equivalentes
palatável para uma parcela maior de usuários. em código aberto. ■
Os aplicativos Java também cumpriram em parte este
papel mas, como muitos usuários do sistema de Imposto Augusto César Campos é administrador de TI e, desde 1996, man-
tém o site BR-linux.org, que cobre a cena do Software Livre no Brasil
de Renda de Pessoa Física podem atestar, as diferenças e no mundo.
entre as configurações padrão das diversas distribuições

16 www.linuxmagazine.com.br
Coluna do Alexandre

Aprenda com o
COLUNA

boot do Linux
Entenda como o kernel Linux faz o endereçamento de
memória através das mensagens de boot do sistema.

T
alvez seja possível que o leitor nunca tenha pres- BIOS-provided physical RAM map:
tado atenção no boot do Linux e na riqueza de BIOS-e820: 0000000000000000 - 000000000009f800
(usable)
detalhes que o mesmo oferece, e que, ao mes- BIOS-e820: 000000000009f800 - 00000000000a0000
mo tempo, também apresenta algumas informações (reserved)
enigmáticas que podem não ter qualquer relevância
para a maioria dos usuários que utilizam o sistema Como o leitor já sabe através de seu auto-aprendizado,
operacional para produzir resultados. Entretanto, são processadores x86 têm dois modos de operação: Real e
muito importantes para aqueles que realizam trabalhos Protegido, sendo que no primeiro, o mesmo somente
relacionados ao kernel. pode acessar 1Mb de memória RAM e, logo em segui-
Existem muitas formas de examinar as mensagens ofere- da, esta operação é trocada para modo Protegido atra-
cidas pelo kernel durante o boot do Linux, sendo possível vés da função start_kernel() que se encontra em init/
utilizar o comando more /var/log/messages ou também main.c. Sugiro, caso não tenha o código-fonte do kernel
dmesg | more para tal. É evidente que tentar explicar todo em sua máquina, visualizar o mesmo em http://lxr.
o boot em uma coluna é algo impossível, porém podemos linux.no/linux/ ou ainda se quiser, pode obtê-lo usando
comentar um ou outro ponto aqui. Exemplos: a sequência (Debian ou Ubuntu):
# apt-get install git-core
# git clone git://git.kernel.org/pub/scm/linux/
Como o leitor já sabe através kernel/git/torvalds/linux-2.6.git linux-2.6
# git pull (apenas se estiver interessado nas
de seu auto-aprendizado, atualizações constantes do kernel)

processadores x86 têm dois Por isto, justamente enquanto o kernel está no modo
Real, ele utiliza (através do código em arch/x86/kernel/
modos de operação: Real setup.c) alguns serviços de interrupção da BIOS (no
e Protegido, sendo que no caso acima, serviço 15 e função 0xe820 – que dá nome
ao que o leitor lê na saída acima) para obter um mapa
primeiro, o mesmo somente da memória, que será utilizado pelo kernel [1]. É útil
pode acessar 1Mb de memória notar que o kernel aproveita esta passagem pelo modo
RAM e, logo em seguida, Real do processador para coletar diversas informações
e salvá-las inicialmente na primeira página física de
esta operação é trocada para memória (que é dividida, em geral 4096 bytes, defini-
modo Protegido através da do com uma macro em include/asm/page.h) para, mais
tarde, após chavear para modo Protegido, salvar estes
função start_kernel() que se dados nas estruturas de dados do kernel.
encontra em init/main.c. Por falar nas estruturas de dados do kernel, é provável
que você observe outras linhas interessantes no boot:

22 www.linuxmagazine.com.br
887MB LOWMEM available um endereçamento virtual mapeando algumas destas
Zone PFN ranges: áreas acima de 1Gb para regiões abaixo de 1Gb (neste
DMA 0x00000010 -> 0x00001000
caso já não há mais esta paridade um-pra-um com a
Normal 0x00001000 -> 0x000377fe
HighMem 0x000377fe -> 0x00080000 memória física e provavelmente seja usada as funções
kmap() ou ainda vmalloc()). Como dito antes, o uso comum
A memória é normalmente dividida em partes e jus- é para processos do usuário e não para o kernel em si.
tamente no momento do boot é que o kernel calcula Fica fácil perceber que algumas poucas linhas do
estas porções (que ele nomeia como sendo zonas). Esta boot do kernel nos trazem muitos conceitos, e destes,
zona mostrada acima (887 MB, que poderia ser qualquer surgem outros assuntos bastante reluzentes que podem
número entre 16MB e 896Mb) é utilizada pelo código trazer dicas de como o kernel funciona. No próximo
do kernel (função kmalloc()). Esta utilização é possível mês eu mostrarei outras pequenas curiosidades a res-
já que o kernel pode fazer um mapeamento um-pra-um peito do boot do Linux. Até mais. ■
do endereço físico da RAM para o endereço lógico do
kernel, apenas defasadas com um offset.
Mais informações
Como o próprio kernel, em sistemas x86, faz uma
divisão de 3Gb para processos do usuário e 1Gb para [1] Documentação sobre interrupções
ele próprio (o kernel x86 pode endereçar mais de 4Gb da BIOS: http://poli.cs.vsb.cz/
devido às extensões), esta diferença (1GB – LOWMEM) misc/rbint/ix/index.html
é justamente o quanto o kernel usa para suas estruturas
de dados (mencionadas acima).
Alexandre Borges (alex_sun@terra.com.br, twitter: @ale_sp_brazil) é Es-
A região que está abaixo dos 16Mb é para uso do pecialista Sênior em Solaris, OpenSolaris e Linux. Trabalha com desen-
DMA (Direct Memory Access) e de uso dos dispositivos volvimento, segurança, administração e análise de desempenho desses
ISA. A memória acima dos 896Mb é conhecida como sistemas operacionais, atuando como instrutor e consultor. é pesquisa-
dor de novas tecnologias e assuntos relacionados ao kernel.
HIGHMEM sendo que para o kernel utilizá-la é gerado

Linux Magazine #77 | Abril de 2011 23


➧ Projeto GNU quer criar
NOTÍCIAS

alternativa ao Skype
O projeto GNU anunciou planos para o GNU Free O projeto será construído sobre o GNU SIP Wi-
Call, que irá oferecer comunicação segura para o tch, um serviço de ligação e registro de protocolo
público em geral e deseja ser tão onipresente e SIP. Ao invés de utilizar qualquer provedor ou serviço
utilizável quanto o serviço de VoIP Skype. Os de- centralizado, isso permite múltiplos pontos encon-
senvolvedores afirmam que o aplicativo será livre, trarem uns aos outros e a se conectarem. O anúncio
gratuito e estará disponível em todas as plataformas, declara que atuar como uma rede VoIP organizada,
incluindo smartphones. sem nenhum controle central, permitirá que a rede
Ao contrário do Skype, este novo sistema utiliza- continue funcionando, mesmo que parte substancial
rá o protocolo peer-to-peer (ponto-a-ponto) SIP, que dela esteja isolada. O projeto está sendo coordenado
necessita apenas de uma rede simples. De acordo por Haakon Eriksen e projetado por David Sugar.
com o anúncio, ela adicionará uma dose substancial O anúncio encoraja a participação dos usuários e
de segurança à comunicação: não haverá necessida- sugere três formas de contato. A primeira é o site do
de de nenhum provedor centralizado de serviços e GNU Telephony. Há duas listas de email: a primeira
nenhum “protocolo binário secreto e inseguro que para o SIP Witch, sipwitch-devel@gnu.org, e a outra para
possa conter vulnerabilidades ocultas”. questões gerais e de projeto, a sipwitch-devel@gnu.org. ■

➧ Projeto Debian anuncia ➧ HP disponibiliza versão


primeiro mirror security. 2.1 do SDK do WebOS
debian.org da América do Sul
O projeto Debian anunciou no início de março a dis- A HP disponibilizou no dia 18 de março, a ver-
ponibilidade do primeiro mirror (servidor espelho) são 2.1 do SDK de seu sistema embarcado. A nova
security.debian.org oficial da América do Sul. O versão é compatível com os aplicativos criados
security.debian.org carrega todas as atualizações de se- para o Palm Pixi, mas incorpora novas funções
gurança das versões stable e oldstable do kernel Debian. que serão incorporadas por padrão na versão 3.0
Em combinação com o recurso de GeoDNS utili- do sistema, como o Just Type, o Exhibition e o
zado pelo Debian, isso deve aumentar drasticamente a Synergy. De forma a tornar os programas compa-
velocidade de download para os usuários nessa região tíveis com a nova safra de smartphones que serão
geográfica. “Este é um avanço muito bem vindo para lançados pela empresa, os aplicativos devem ser
uma melhor cobertura mundial em relação a servidores otimizados para serem exibidos em telas de 320
dedicados oficiais do security.debian.org administrados x 400 pixels.
pelo projeto Debian” afirmou Martin Zobel Helas, O WebOS é o sistema embarcado baseado
membro do time de administração do Debian. em Linux da HP, que foi adquirido junto com a
“O Debian tem muitos usuários na América do Sul e compra da Palm, pela empresa e que possibilita
estamos felizes por podermos contribuir com o projeto De- a criação de aplicativos de maneira relativamente
bian através de hardware e banda de Internet para distribuir fácil através de programação web com HTML,
localmente um conteúdo que estava disponível apenas no Javascript e CSS, mas que permite também o
hemisfério norte”, declarou Carlos Carvalho do C3SL. uso de linguagens como C e C++.
O C3SL, responsável pela iniciativa, é o Centro de A empresa já declarou anteriormente que
Computação Científica e Software Livre, um centro de deseja expandir o uso do sistema para compu-
pesquisa da Universidade Federal do Paraná. ■ tadores pessoais, notebooks e tablets. ■

24 www.linuxmagazine.com.br
Gerais | NOTÍCIAS

➧ Microsoft abre loja ➧ Linux 2.6.38 tem aumento


virtual no Brasil de desempenho
A Microsoft abriu sua loja virtual própria no país, A nova versão do kernel Linux, 2.6.38, já está disponível,
a Microsoft Store. Presente em mais 16 países, oferecendo aos usuários um aumento do desempenho
a loja brasileira é a primeira da América Lati- sobre as versões anteriores.
na, segundo informaram alguns sites. Nela, os O novo kernel vai um passo além do que os desenvolve-
consumidores poderão encontrar a maioria dos dores forneceram na versão 2.6.37 removendo o último
programas mais populares da empresa. Também kernel lock que bloqueava o desempenho do sistema.
é possível que os compradores façam compara- “Há muitas melhorias de desempenho na versão 2.6.38, o
ções entre os produtos e escrever resenhas com Transparent Hugepages (que permite alocações de quan-
suas avaliações. tidades grandes de memória) é uma das características
Não há venda física dos produtos e a entrega se mais notáveis” afirmou Tim Burke, vice-presidente de
dá através de download. O Windows 7 Ultimate, engenharia da Red Hat em entrevista ao site Internet-
versão mais completa do sistema operacional mais News.com. “Entre outras características da nova versão,
recente da empresa sai por apenas R$ 669,00, mas estão o agrupamento automático dos processos (deixan-
por conta de uma promoção de lançamento, em do o escalonamento mais justo), a escalonabilidade no
compras superiores a R$ 150,00, é possível parce- tráfego de rede, e o VFS (camada do kernel abaixo dos
lar o valor em até 10 vezes sem juros, no cartão sistemas de arquivos) recebeu melhoria de escalonabili-
de crédito. ■ dade e um cache de de diretórios. ■

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Linux Magazine #77 | Abril de 2011 25
Coluna do Alexandre Santos
CORPORATE

Linux e a evolução
das espécies
A teoria da evolução das espécies aplicada ao Linux.

H
á algumas semanas eu estava demonstrando as brilhantes mentes trabalhando em sua evolução, mas sem
novidades do meu desktop Ubuntu 10.10 duran- dúvida, se olharmos para a árvore genealógica do Linux
te uma aula e um aluno me perguntou por que [2], veremos distribuições que entraram em extinção (Co-
cada vez que ele me encontrava eu tinha uma versão di- nectiva, Jurix, linux-ft etc.), outras que evoluíram de um
ferente de Linux instalada na minha máquina. A resposta ascendente comum como a RedHat, Suse ou Slackware e
seria bem simples se a pergunta não estivesse carregada algumas espécies que acabaram de nascer sem se basear em
com dúvidas sobre a maturidade do sistema operacional. outros sistemas como o Android, o QubesOS e o Quirky.
Não é novidade que sou um grande defensor do A beleza evolutiva do Linux se dá em razão da facilidade
GNU/Linux e, para responder a essa pergunta, não po- que cada um de nós possui em criar uma nova distribuição
deria ser diferente. A resposta é simples: assim como a que atenda a uma necessidade peculiar. O sistema ope-
evolução das espécies exige a adaptação dos seres para racional aberto, permite tanto a criação de uma interface
sobrevivência, a evolução das tecnologias também é movida a gestos, que facilitará a vida de deficientes físicos,
definida pela capacidade de resiliência do ecossistema. até a facilidade de adaptação para se trabalhar com aplica-
Se observarmos bem ao nosso redor, veremos mi- tivos multitouch ou multi-sensores sendo executados em
lhares de diferentes espécies, cada qual adaptada a um variados dispositivos conectáveis ou não a Internet. Alguns
ambiente diferente, com características diferentes, mas destes aplicativos ainda estão por existir, mas o mais fasci-
carregando códigos genéticos (kernels) muito parecidos. nante de tudo isso é a possibilidade deles mudarem vidas.
Podemos concluir que a teoria da evolução das espé- Da hereditariedade, mutação, recombinação genética e
cies de Darwin [1] nos mostra que força não é o fator transferência de código dessas distribuições surgirá, quem
essencial para a sobrevivência, muito menos inteligên- sabe em breve, uma espécie ultra-adaptável chamada Li-
cia. Para conseguir passar pela seleção natural e seguir nux-sapiens, com a única certeza de que a diversidade
em frente, a capacidade de adaptação é o que garante continuará a existir em prol da evolução darwiniana. ■
a sobrevivência das espécies.
Com o Linux, funciona da mesma maneira. O sistema
Mais informações:
operacional não é o mais forte – não do ponto de vista fi-
nanceiro – e não necessariamente precisa possuir as mais [1] Evolução: http://pt.wikipedia.
org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o

A beleza evolutiva do [2] Árvore genealógica do Linux: http://


en.wikipedia.org/wiki/List_of_Li-
Linux se dá em razão da nux_distributions

facilidade que cada um de [3] Distribuições demais: http://www.oreilly-


net.com/linux/blog/2007/01/so_many_
nós possui em criar uma nova distros_so_little_time.html
distribuição que atenda a
uma necessidade peculiar. Alexandre Santos (alexos@br.ibm.com) é gerente de estratégia e marke-
ting de System z da IBM Brasil.

34 www.linuxmagazine.com.br
A invasão dos tablets

Práticos portáteis

CA
CAPA
APA
Entre os dispositivos móveis, os tablets figuram no topo da lista de
desejos de quem deseja mobilidade com praticidade.
por Flávia Jobstraibizer

A
evolução dos dispositivos portáteis multifuncio- Entre as opções impressionantes que o mercado de
nais cresce a olhos vistos. Desde os e-readers e tablets nos oferece atualmente, está o Samsung Galaxy
os primeiros tablets dos anos 2000, muita coisa Tab, que traz o Android – sistema operacional livre da
mudou. Nos tablets que atualmente invadiram o mer- gigante Google – como sistema operacional, e que por
cado, podemos encontrar recursos tais como: ler livros ser livre, é outro ponto decisivo no momento da compra
e revistas digitais, navegar na Internet, efetuar ligações de um destes dispositivos. Não deixe de conferir o teste
telefônicas, tirar fotos, escutar e armazenar músicas, realizado por nossa equipe neste excelente aparelho.
fazer videoconferências e muitas outras coisas. Programar para o Android, também é uma das faci-
Para os profissionais de tecnologia, os tablets que possuem lidades abordadas nesta edição, em um artigo que irá
sistemas operacionais livres são uma fonte inesgotável de introduzi-lo no mundo da programação Android para
diversão, conhecimento e informação, pois tais dispositivos tablets, agora em sua versão 3.0.
são abertos e configuráveis, além de permitirem uma am- Para quem deseja usufruir ao máximo da capacidade
pla gama de customizações e modificações personalizadas. do seu equipamento, obter aplicativos dos mais variados
O popular iPad está ficando para trás no que diz res- tipos certamente será um dos seus principais pontos de
peito às vantagens de outros tablets “abertos” do mercado. interesse. Sendo assim, não deixe de conferir o artigo so-
Isso se deve ao fato de que o popular e pioneiro tablet bre a AppUp Center, loja de aplicativos online da Intel,
da Apple não permite grandes modificações e possui di- que possui uma imensa variedade de softwares livres e
versos bloqueios que diariamente fazem com que seus comerciais para tablets, smartphones e netbooks.
usuários procurem opções livres – e menos burocráticas Se voce é mais uma entre tantas pessoas que dese-
– no mercado. Pensando nisso, nesta edição da Linux jam arduamente um tablet, ou um fã aficcionado do
Magazine, você vai conhecer diversas alternativas ao tablet que já possui, aproveite esta invasão!
iPad, das mais simples às mais rebuscadas. Boa leitura! ■

Matérias de capa
A guerra dos tablets 36
Galáxia portátil 40
Aplicativos em alta 43
Android na bandeja 46
TUTORIAL | VoIP com Asterisk - parte VI

Asterisk descomplicado
TUTORIAL

VoIP com
Asterisk – parte VI
O sistema telefônico ultrapassado, presente até pouco tempo atrás nas empresas, é prolífico
em cobranças: cada novo recurso ativado requer uma nova ativação de serviço, com o preço
adicionado ao pagamento mensal. É hora de mudar. É hora de criar sua própria central VoIP.
por Stefan Wintermeyer

N
a edição 76 da Linux Maga- trário, há mais de 20 anos, utiliza-se com valores mais em conta, entre
zine, apresentamos recursos ISDN em larga escala, mesmo em 10 e 30 euros, em leilões de lojas vir-
como controle remoto, es- pequenos escritórios. tuais. A questão sobre qual a melhor
tacionamento de chamadas e tem- Analogamente, o novo sistema As- placa ISDN não é tão simples de
porização com includes. Nesta sexta terisk deve ser conectado não apenas se responder. Ainda mais levando-
parte do tutorial, vamos abordar o como VoIP, mas também com ISDN. se em conta que uma placa de 30
universo dos ISDNs. Mãos à obra! Ele funciona tanto com placa ISDN, euros de uma pequena loja pode
como através de um modem ISDN, ser tão boa quanto uma de 1000
Beleza americana conectado em uma entrada USB euros de um estabelecimento espe-
A conexão entre o ISDN (Integrated do computador, quanto como uma cializado. Entre tantos fabricantes,
Services Digital Network ou Rede appliance ISDN-to-SIP. Vamos nos considera-se que o melhor produto
Digital Integrada de Serviços) e o limitar neste momento à sua variante se encontra em grandes lojas ou nas
Asterisk não pode ser considerada mais empregada, que corresponde melhores embalagens.
um caso de amor. Considerando à placas ISDN. Será útil o conheci- Uma diferença objetiva se en-
principalmente que o Asterisk é mento acerca do padrão ISDN [1], contra, certamente, no grau de di-
utilizado em linhas analógicas com e em particular sobre as diferenças ficuldade na instalação do driver.
cabos de cobre. E curiosamente aí entre BRI (Basic Rate Interface) e E a tendência é de que, quanto
está a origem do software. Ainda PRI (Primary Rate Interface). mais barata uma placa ISDN, mais
hoje a principal instalação do Aste- demorada é a instalação. Produtos
risk, nos Estados Unidos, se dá em Placas ISDN entre mais caros vêm geralmente com
linhas analógicas. Isso esclarece por-
que, para esse grupo de usuários, a
10 e 1000 euros scripts de instalação relativamente
melhores, baixados da Internet, que
tecnologia VoIP significa, em geral, Infelizmente há tantas placas ISDN rapidamente atualizam e finalizam
um grande salto de qualidade. Em quanto areia no mar – placas PRI a instalação mesmo de versões mais
muitos países europeus, pelo con- a preços exorbitantes e placas BRI antigas do Asterisk.

52 www.linuxmagazine.com.br
VoIP com Asterisk - parte VI | TUTORIAL

Exemplo: a servidores da Digium. Em seguida, Quadro 1: Olá, eco!


placa Digium compile e instale os pacotes Zaptel
(linhas 3 e 4). O último make execu-
O problema do eco, uma caracte-
rística da própria voz, é tão anti-
Este artigo naturalmente não tem a ta o download do pacote MISDN e go quanto o telefone. Um circuito
pretensão de explicar o processo de instala o driver para a placa ISDN. híbrido comparece quase sem-
instalação para todas as placas ISDN As linhas 5 e 6 compilam o servidor pre como uma causa em telefonia
disponíveis no mercado. Como exem- Asterisk. O make-config é executado analógica. Nesse caso, o contato
plo, vamos tratar da placa Digium em seguida, com o intuito de que o é feito com dois fios bidirecionais,
B410P [2], cujas quatro entradas Debian seja configurado para carre- em vez de quatro, em que cada
par se responsabilizaria por uma
ISDN satisfazem as necessidades de gar automaticamente o Asterisk no
direção. E em um transporte de
pequenos escritórios ou de usuários processo de inicialização. informações realizado com dois
domésticos. A placa controla até fios, é comum que ocorra super-
mesmo o cancelamento de eco [3] Placa ISDN posição – no caso, o fenômeno
do hardware, não sobrecarregando
a CPU e proporcionando qualidade
configurada por script do eco. Uma pessoa pode perce-
ber o eco, mas isso só acontece
na compensação do eco (quadro 1). Para o reconhecimento de uma pla- se ele for alto o suficiente e vier
com certo atraso. Isso acontece
Embora a Digium produza e ca ISDN recém instalada, execute
porque cada pessoa ouve a pró-
revenda vários tipos de placas, não o script /usr/sbin/misdn-init scan. pria voz e o cérebro, por conta de
se pode dizer com certeza, se para Será exibido algo como: um sistema otimizado de cancela-
cada atualização do Asterisk, será mento de eco.
possível encontrar rapidamente um [OK] found the following devices:
card=1,0x4 Normalmente, o sistema de telefonia
driver funcional. A oferta de atua- seria responsável pelo cancelamen-
[ii] run “/usr/sbin/misdn-init
lizações, por parte da Digium, é o config” to store this information to de eco do aparelho. Por ser o últi-
único caminho viável para que os to /etc/misdn-init.conf mo na cadeia do sistema, geralmen-
administradores de sistema utilizem te deixa-se o problema por conta do
sempre uma nova versão do Asterisk. Caso o sistema tenha reconheci- Asterisk. Se ele é o único sistema de
do corretamente a placa, é possível telefonia empregado – mesmo que
Compilando o Asterisk permitir que seja efetuada, com a se opere somente com dispositivos
digitais –, deve-se resolver o proble-
Nas primeiras partes desse tutorial, já execução do utilitário /usr/sbin/
ma por conta própria.
tratamos da instalação do Asterisk. O misdn-init config, a configuração
funcionamento de uma placa ISDN automática dos dados no arquivo / No caso do Asterisk, o cancela-
mento de eco, tanto para placas
demanda, contudo, um complicado etc/misdn-init.conf. A configuração
ISDN quanto para placas analógi-
trabalho de configuração. As instru- da placa deve se restringir, neste cas, pode ser efetuado por meio de
ções a seguir requerem um sistema passo, à seção intitulada Port set- software, caso não haja suporte na
Debian recém instalado como base. tings. Nela, são listadas as opções própria placa. É preferível um can-
Atenção: a placa ISDN deve an- disponíveis. celamento de eco executado pela
tes ser conectada ao computador. Se você quiser que a placa fun- própria placa, por ser um caminho
Acesse o sistema como usuário root cione com um dispositivo multifun- mais fácil e também para não so-
e execute os comandos: cional e que este esteja conectado brecarregar a CPU. E, para a maio-
ria das conversas simultâneas, o
à sua porta 1, deverá então constar
apt-get update cancelamento via software é de fato
apt-get -y upgrade na configuração a linha te_ptmp=1. o recurso mais conveniente.
shutdown -r now Caso deseje incluir na mesma porta,
um aparelho de fax, deve-se retirar O desagradável é que o modo de
configuração varia de acordo com
Tenha certeza de que o sistema o caracter de comentário da linha
o fabricante. Com o Digium, a coisa
esteja funcionando com um kernel option=1,master_clock. A última li- é relativamente simples: um simples
atualizado. nha contém uma interrupção que echocancel=yes resolve o proble-
Após reiniciar a máquina, entre designa um maior nível de depura- ma. Para placas mais complicadas,
novamente como usuário root e exe- ção. Ela não causa problemas, en- torna-se necessário estudar o códi-
cute os pacotes necessários para a tão convém deixá-la como debug=1. go de configuração desta.
compilação (listagem 1, linha 1). Os Em seguida, especifique no ar- O cancelamento de eco mediante
comandos da segunda linha são usa- quivo /etc/asterisk/misdn.conf, os software livre não é menos exigente.
dos para obter drivers atualizados de dados do Asterisk para a porta. Deixe

Linux Magazine #77 | Abril de 2011 53


TUTORIAL | VoIP com Asterisk - parte VI

Listagem 1: Instalando os pacotes necessários


01 apt-get -y install build-essential libncurses5-dev libcurl3-dev libvorbis-dev libspeex-dev unixodbc
unixodbc-dev libiksemel-dev linux-headers-`uname -r` flex bc pciutils libnewt-dev libusb-dev
TUTORIAL

02 cd /usr/src && wget http://downloads.digium.com/pub/asterisk/asterisk-1.4-current.tar.gz && wget


http://downloads.digium.com/pub/zaptel/zaptel-1.4-current.tar.gz && tar xvzf asterisk-1.4-current.tar.gz
&& tar xvzf zaptel-1.4-current.tar.gz
03 cd zaptel-1.4.8
04 ./configure && make && make install && make b410p
05 cd /usr/src/asterisk-1.4.17
06 ./configure && make && make install && make samples && make config

comentadas todas as linhas e entre, Para isso, será suficiente a seguinte exten => _X.,n,Dial(SIP/2000)
ao final, com os seguintes comandos: entrada em seu arquivo de configu-
rações extensions.conf: Na próxima edição da Linux Ma-
[isdn] gazine, você irá conhecer o funcio-
ports=1 [from-isdn]
context=from-isdn exten => 1234567,1,Dial(SIP/2000) namento dos telefones analógicos e
msns=* também sobre como trabalhar com
quando, por exemplo, você desejar fax. Até lá! ■
Nesse exato momento, reinicie que seu MSN receba as chamadas
o sistema com um shutdown -r now de seu telefone interno SIP.
Mais informações
para testar se o Asterisk e os drivers Caso você queira encaminhar
da placa foram inicializados perfei- todas as chamadas provenientes [1] ISDN: http://de.wikipedia.
tamente. Os quatro leds próximos de telefones internos, no contexo org/wiki/Integrated_
à porta ISDN da placa devem se [meu-telefone], que apresenta um 0 Services_Digital_Network
acender. Logo que o cabo for co- em seu começo, coloque a seguin-
[2] Digium B410P: http://www.
nectado à primeira porta ISDN, te linha no arquivo ``/etc/asterisk/
digium.com/en/products/
deve o seu led permanecer cons- extensions.conf@: digital/b410p.php
tantemente aceso.
[meu-telefone]
exten => _0X.,1,Dial(mISDN/ [3] Cancelamento de eco:
Olá, mundo ISDN! g:isdn/${EXTEN:1}) http://en.wikipedia.org/
Após a configuração da placa, deve- wiki/Echo_cancellation
mos testá-la com um “Olá, mundo!”, Observe que, para chamadas in-
como descrito na listagem 2. Quan- ternacionais, deve-se remover o :1
do qualquer sistema do tipo MSN e substituí-lo por um zero. Com o Sobre o autor
executar uma chamada para essa zero, normalmente utilizado para
Stefan Wintermeyer é o autor do
conexão, o Asterisk será acionado, identificar chamadas de telefones Livro do Asterisk, da editora Addis-
executará a frase “Olá, mundo!”, e fixos, há, porém, um problema: a son Wesley e primeiro DCAP (Di-
fechará, em seguida, o programa. listagem de ligações de seu telefo- gium Certified Asterisk Professio-
ne. Receba uma chamada por meio nal) alemão. Ele auxilia clientes, por
de sua rede ISDN, indique correta- meio da Amooma GmbH (http://
www.amooma.de), a implementar so-
mente o número da chamada em
Listagem 2: seu telefone SIP e o grave também
luções com Asterisk.
extensions.conf em seu telefone. Ao tentar retornar
01 [from-isdn] a ligação por meio da lista de cha-
02 exten => _X.,1,Answer() madas de seu telefone, ocorrerá uma Gostou do artigo?
rtigo?
03 exten => falha. A seguinte entrada, em seu
_X.,n,Playback(hello-world) Queremos ouvir sua opinião.
arquivo extensions.conf resolverá Fale conosco em
04 exten => _X.,n,Wait(1)
05 exten => o problema: cartas@linuxmagazine.com.br
azine.com r
_X.,n,SayDigits(${EXTEN}) [from-isdn] Este artigo no nosso site:
e:
06 exten => _X.,n,Hangup() exten => _X.,1,Set(CALLERID(num) br/ar /505
http://lnm.com.br/article/5050
=0${CALLERID(num)})

54 www.linuxmagazine.com.br
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VoIP com Asterisk - parte VI | TUTORIAL

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Linux Magazine #77 | relevantes
Abril de 2011 para o mercado de TI. 55
Real versus virtual | ANÁLISE

Realidade aumentada

Real versus virtual

ANÁLISE
A tecnologia da realidade aumentada,
além de fascinar qualquer ser humano,
é um assunto emergente. Neste artigo,
veremos seus princípios básicos.
por Alessandro de Oliveira Faria (Cabelo)

A
tecnologia de realidade au- ➧ Interatividade e processamento tiva de trabalhos de software livre são
mentada, é definida como a em tempo real baseados ou derivados da biblioteca
sobreposição, no ambiente ➧ Ser concebida em três dimensões. ARToolKit (figura 2), uma biblioteca
real, de objetos virtuais e tridimen- Meu primeiro contato com reali- livre escrita em C, desenvolvida pelo
sionais gerados por computador por dade aumentada teve início em se- Dr. Hirokazu Kato. Atualmente utili-
meio de algum dispositivo tecnoló- tembro de 2008, quando conheci o zada por pesquisadores do Laboratório
gico de videocaptura. Esta tecno- fantástico projeto Levelhead [1] criado Tecnológico de Interface Humana,
logia disponibiliza uma interação pelo designer e programador Julian na Universidade de Washington. A
sem necessidade de treinamento, Oliver, o jogo open source é baseado biblioteca surgiu com o objetivo de
pois o usuário pode trazer para o em um cubo real que utiliza somente facilitar a construção de aplicações
ambiente real os objetos virtuais, bibliotecas de visão computacional de realidade aumentada (RA), sendo
incrementando e aumentando a de código aberto para reproduzir o assim, o seu funcionamento utiliza
visão do mundo real. Isso somente cubo virtual no monitor. Foi preci- recursos de visão computacional
é possível com técnicas de visão so um final de semana para baixar e processamento de imagens para
computacional juntamente com os códigos-fontes e compilá-los com prover os recursos de RA.
computação gráfica. todas as dependências. A jogabilida- O que encanta nesta tecnologia, e
Os objetos virtuais introduzidos de resume-se a entrar e sair de portas a complexidade do desenvolvimento
no ambiente real podem ser mani- utilizando memória e inteligência das aplicações, ou seja, calcular pre-
pulados com as próprias mãos, assim, espacial, o que o levará para outros cisamente, em tempo real, o ponto
proporcionando ao usuário uma inte- ambientes onde será necessário resol- de observação do usuário, para so-
ração inovadora e atrativa. Na figura ver alguns quebra-cabeças. mente então projetar corretamente os
1, confira uma representação gráfica objetos virtuais no mundo real. Este
do recurso e interatividade com a ARToolKit é o principal objetivo da biblioteca
tecnologia de realidade aumentada. Existem diversas bibliotecas e tecno- ARToolKit, rastrear rapidamente e
Os principais recursos da tecnologia logias tanto de código aberto, como calcular a posição real da câmera
de realidade aumentada são: proprietárias, para o uso de realidade e de seus marcadores de referência
➧ Combinar elementos virtuais com aumentada (openCV, Bazar e outras). possibilitando que o programador
o ambiente real. Entretanto, uma quantidade significa- acrescente objetos virtuais sobre es-

Linux Magazine #77 | Abril de 2011 63


ANÁLISE | Real versus virtual

compilação na íntegra, execute o imprimir os arquivos calib_cpara.


comando make. pdf e calib_dist.pdf. O arquivo ca-
Se todos os passos foram conclu- lib_cpara.pdf é uma grade de linha.
ídos com sucesso, entre no diretório Imprima este arquivo na escala onde
/bin para testar os exemplos (sugiro preferencialmente as linhas fiquem
o binário videoTest). Antes crie a va- separadas com uma distância exata
riável do ambiente ARTOOLKIT_CONFIG de 40mm.
para definir as configuração do seu O arquivo calib_dist.pdf possui
dispositivo de captura: uma matriz de 6x4 pontos e, como
Figura 1: Esquema de funcionamento ilustrado no arquivo pdf anterior,
$ export ARTOOLKIT_CONFIG=”v4l2src também deverá ser impresso na es-
da realidade aumentada. device=/dev/video0 use-fixed-
fps=false ! cala onde as distâncias entre os pon-
tes marcadores no mundo real, sem ffmpegcolorspace ! capsfilter tos são exatamente 40mm. Ambos
sacrifícios nem magia negra. caps=video/x-raw- rgb,bpp=24, os arquivos deverão ser impressos
width=960,height=720 ! identity
Para o perfeito funcionamento name=artoolkit ! fakesink”
em papel cartonado ou colados em
desta tecnologia, em primeiro lu- superfícies não flexíveis.
gar é preciso transformar o quadro Se tudo estiver em perfeito fun- A calibragem do dispositivo de
capturado no video ao vivo, em cionamento, será apresentado uma captura é obtida a partir das posições
uma imagem com valores binários janela cujo conteúdo será o video do ponto central, distorções da lente
e, somente então, examiná-la para ao vivo da sua webcam. e da distância focal da câmera. Sendo
encontrar regiões quadradas. Ao assim, o binário calib_dist é utiliza-
encontrar um quadrado, a imagem Calibre seu dispositivo do para calcular o ponto central da
no seu interior é comparada com As propriedades padrão da bibliote- imagem e a respectiva distorção da
algumas imagens pré-cadastradas. ca ARToolKit estão localizadas no lente. De forma complementar, o
Existindo uma similaridade sufi- arquivo de parâmetro do dispositivo programa calib_param calcula a dis-
ciente com a imagem, utiliza-se o de captura. Este arquivo é denomi- tância focal da câmera. Como todo
tamanho conhecido do quadrado nado camera_para.dat e encontra-se excelente trabalho de código aberto,
e a orientação do padrão encontra- no diretório ARToolKit/bin/Data. O os fontes estão disponíveis para estudo
do, para calcular a posição real da arquivo presente no projeto, apre- e aprendizado. Vale a pena mencio-
câmera em relação à posição real senta um padrão que abrange um nar que devemos primeiro executar
do marcador. amplo conjunto de dispositivos de o programa calib_dist para depois
videocaptura. Porém, sugiro a ca- executar o calib_cparam.
Instalação da libragem da câmera conforme as O primeiro passo é executar o
biblioteca ARToolkit instruções a seguir.
Para iniciar o processo de calibra-
calib_dist e logo em seguida po-
sicionar a folha impressa (arquivo
Efetue o download da versão 2.72.1 gem, em primeiro lugar devemos calib_dist.pdf) de tal modo que to-
do código fonte do projeto no Sour-
ceForge [2] e descompacte o pacote
com o tradicional comando tar:
$ tar -zxvf ARToolKit-2.72.1.tgz

Entre na pasta ARToolKit re-


cém-criada e execute o comando
./configure seguido das respostas
(5,n,n,) onde 5 representa a utilização
da biblioteca GStreamer para acesso
aos dispositivos de videocaptura, n
caso o sistema operacional seja de
64 bits, n novamente para não gerar
informações de debug e y se estiver
trabalhando com uma placa NVIDIA Figura 2: A biblioteca ARToolkit é uma das grandes responsáveis pelos
ou ATI. Finalmente, para iniciar a calculos necessários ao projeto.

64 www.linuxmagazine.com.br
Real versus virtual | ANÁLISE

dos os pontos estejam visíveis. En- branca até cobrir a linha preta no
tão, clique com o botão esquerdo topo e pressione [ENTER]. A li-
do mouse para congelar a imagem. nha movimenta-se para cima ou
Após o congelamento, pressione o para baixo ao utilizar as teclas de
botão esquerdo do mouse sobre a seta para cima ou para baixo. A
imagem e desenhe um retângulo linha pode ainda ser rotacionada
em torno de todos os pontos da no sentido horário e anti-horário
imagem (segurando o botão do usando-se as teclas de setas para a
mouse pressionado). Começando direita e para a esquerda. Repita
pelo ponto localizado no canto esse processo com todas as linhas Figura 3: As linhas vermelhas devem
superior esquerdo da imagem e verticais e horizontais por 5 vezes. passar pelos pontos do
prossiga até que todos os pontos Ao terminar, informe o nome do arquivo impresso.
tenham sido desenhados. Repita arquivo (figura 4).
este procedimento de 5 a 10 ve- Para utilizar o arquivo de calibra- toriamente necessário, facilitam (e
zes em vários ângulos. Termine gem recém-criado, basta copiá-lo muito) a vida do programador. Claro
a operação pressionando o botão para a pasta Data com o nome ca- que nada impede o uso do OpenGL
direito do mouse ou a tecla [ESC]. mera_para.dat ou alterar no código- junto à biblioteca ARToolKit, Open-
O programa começará a calcular fonte a variável char *cparam_name. CV ou Bazar.
os valores de distorção da câmera. Agora, para testar o funcionamento A escolha do motor (engine) de
Para se certificar dos parâmetros da realidade aumentada, execute o renderização determinará o sucesso
e cálculos da operação, pressione programa simpleTest e veja o resulta- ou o fracasso do projeto. Pois, no
o botão esquerdo do mouse para do ao apresentar o arquivo pattHiro. que tange à visão computacional,
mostrar as imagens capturadas, pdf impresso para a câmera. todo processamento deve ser bem
com as linhas vermelhas dese- O aplicativo ExView exibe a visão distribuído e projetado. Projetar
nhadas, passando pelos pontos de externa da câmera e também projeta objetos em 3 dimensões na web,
calibragem. Se tudo estiver em em tempo real seu movimento em 3 em games ou apresentações, requer
pleno funcionamento, as linhas dimensões. Para executar este apli- esforço computacional distinto. Por
deverão se cruzar no centro de cativo, digite o comando ./exview na exemplo, um motor de renderiza-
cada um destes pontos. Cada vez pasta bin (figura 5). ção para games pode apresentar
que o botão esquerdo do mouse é Para trabalhar com outros pa- uma qualidade inferior, uma vez
pressionado, a próxima imagem drões, utilize o programa mk_patt. que existem outras tarefas mate-
capturada é mostrada (figura 3). Ao executá-lo, aponte o dispositivo máticas a serem cumpridas (efeitos
Agora partiremos para o programa de captura para o padrão e rotacione abstratos como fogo e explosões re-
calib_cparam, que como mencionado até os dois lados vermelho e verde sultantes de tiros). A seguir, listo 4
anteriormente, é usado para encontrar aparecerem em torno do padrão. entre os muitos motores de renderi-
a distância focal da câmera, além de Os lados vermelhos do quadrado zação existentes.
outros parâmetros. Para continuar- devem posicionar-se no topo e à
mos, execute o programa e informe esquerda do quadrado. Logo em
as coordenadas do centro e o fator seguida, clique no botão esquerdo
de distorção disponibilizado pelo do mouse e informe o nome do ar-
aplicativo calib_dist. quivo padrão.
Coloque a impressão do arquivo
calib_cpara.pdf diante da câmera de Motores de
tal modo que a imagem fique o mais
perpendicular possível ao eixo ótico
renderização
da câmera. Nele também todas as Os motores de renderização são bi-
linhas devem ser visualizadas. bliotecas e componentes que facili-
Basta pressionar o botão es- tam a projeção em 3 dimensões de
Figura 4: O processo de calibragem,
querdo do mouse para capturar a objetos ou cenários criados em edi-
embora demorado, permite
imagem. Logo a seguir será exibi- tores tridimensionais (Blender, por ao programa calcular a
da uma linha branca horizontal exemplo). Embora o uso de motores posição do objeto virtual
na imagem. Movimente a linha de renderização não sejam obriga- em relação ao real.

Linux Magazine #77 | Abril de 2011 65


ANÁLISE | Real versus virtual

IrrAR [3] funções de detecção e rastreamento


Motor de renderização multipla- de marcadores do ARToolKit junto aos
taforma, performático e de código recursos de construção de modelos
aberto. Ideal para criação de jogos, virtuais da biblioteca OpenScene-
pois é baseado na Irrlicht, que além Graph. A OSGART apresenta alta
de suportar arquivos do Quake, su- qualidade na renderização dos obje-
porta outros diversos formatos. Este tos virtuais, suporte à reprodução de
motor permite o processamento de video e técnicas de renderização de
efeitos abstratos como neve, fumaça, sombras. Um boa escolha para apli-
fogo, superfícies aquáticas e outros. cativos voltados para apresentações.
Figura 5: Se tudo for feito correta-
Logo chegaremos a conclusão que
mente, o ExView exibirá um
ele utiliza grande parte do seu proces- Utilizando a osgART cubo como o visto acima.
samento com efeitos e sendo assim, Como seria muito extenso detalhar
talvez não proporcione uma rende- a instalação e utilização de todas as ponibilizo um rpm no meu repo-
rização tão realista em tempo real. tecnologias mencionadas nesse texto, sitório [8]. Se resolver efetuar o
decidi explicar a biblioteca osgART download na pagina oficial, basta
FLARToolkit [4] pelo fato de demonstrar excelente salvar o arquivo osgexport-2.42.py
É um porte do código fonte da qualidade de renderização. Sendo no diretório [local-do-blender]/
biblioteca ARToolKit para o Action assim, para iniciar o trabalho, deve- blender/.blender/scripts.
Script 3.0 (Flash), feito pelo japonês mos primeiramente baixar, compilar Em seguida, abra o modelo que
Saqoosha sob licença livre. O projeto e instalar o pacote OpenSceneGraph. deseja exportar e clique em File/
carrega todas os recursos do projeto O artigo toma como referência a Export/OpenSceneGraph (.OSG).
em que se baseia: detecta movimento, versão 1.2, porém, não é obrigatório Será exibida uma janela de diálogo
reconhece uma determinada “marca” o uso desta. O principal motivo da onde devemos informar a localiza-
e projeta um cenário ou objeto 3D. utilização dessa versão é somente ção completa do arquivo a ser salvo
Utiliza a renderização baseada no Pa- manter a compatibilidade com os e clique no botão Export. Utilize o
pervision3D e movimenta os objetos estudos do projeto Levelhead, e programa osgconv que acompanha o
de acordo com movimentos reais. Este também obedecer à versão reque- pacote OpenSceneGraph compilado
motor não apresenta altíssima quali- rida para a biblioteca osgART. Para e instalado anteriormente, para con-
dade, pois foi projetado para ser exe- iniciar, faça o download no link verter o arquivo .osg para .ive. Esta
cutado no ambiente web (navegador); http://www.artoolworks.com/dist/ extensão é apenas a versão binária
esta tecnologia deve estar preparada osgart/release/1.0/osgART-1.0.tar. do arquivo .osg. Vale a pena men-
para qualquer tipo de equipamento e bz2 e em seguida execute: cionar, que para conferir o arquivo
velocidade de conexão [5]. .osg, podemos utilizar o programa
$ tar-xfzj osgART-x.x.tar.bz2
$ cd osgART/bin osgview que também pertence ao
AndAR pacote OpenSceneGraph.
É um projeto que tenho orgulho Agora compile a biblioteca substi- Agora, finalmente veremos o re-
de divulgar, pois foi devido a minha tuindo o trecho abaixo pela localiza- sultado de todo este trabalho: entre
solicitação e contato com o autor, que ção do ARToolKit como parâmetro no diredório bin do projeto recém-
este, abriu seu código fonte. AndAR do comando make. compilado osgART e execute o pro-
é um projeto também baseado na grama osgARTsimpleNPR usando como
biblioteca ARToolKit. Mesmo criado $ make -f GNUmakefile ARTOOLKIT_ parâmetro seu arquivo .ive e o tama-
PATH=”[path da biblioteca
para equipamentos portáteis, apresenta ARToolKit]” nho e a posição (X Y Z). Lembre-se
um excelente desempenho. O autor que a variável ambiental ARTOOLKIT_
projetou com excelência a abstração E os modelos 3D? O pacote CONFIG deve existir com as devidas
da biblioteca com JNI e assim, escre- osgExport é um plugin do Blender configurações, conforme mencio-
veu muito bem o software. que exporta os modelos deseja- nado anteriormente.
dos para o formato osg (figura 6).
./osgart_example models/
osgART [6] Esse plugin, é um módulo escrito cubo-neti.ive 80 0 0 5
A biblioteca osgART facilita o em Python e pode ser obtido na
desenvolvimento de aplicativos de página oficial do software [7] ou Divirta-se vendo o seu objeto ganhar
realidade aumentada. Ela agrupa as para os usuários openSUSE, dis- vida na tela do seu computador! ■

66 www.linuxmagazine.com.br
Real versus virtual | ANÁLISE

Figura 6: O osgEXPORT permite que você exporte objetos do Blender para


utilizá-los em seus projetos de realidade aumentada.

Mais informações
[1] Projeto Levelhead: http://selectparks.net/~julian/levelhead/

[2] ARToolkit: http://sourceforge.net/projects/artoolkit/

[3] IrrAR: http://sourceforge.net/projects/irrar/

[4] FLARToolkit: http://saqoosha.net/category/flash/flartoolkit/

[5] Teste do FLARToolkit: http://www.netitec.com.br/alessandro/ra

[6] OSGART: http://osgart.org/

[7] osgEXPORT: http://projects.blender.org/projects/osgexport/

[8] Repositório openSUSE do Cabelo: http://download.


opensuse.org/repositories/home:/cabelo:/osgexport/

Sobre o autor
Alessandro Faria é sócio-proprietário da NETi TECNOLOGIA, fundada em Junho de 1996
(http://www.netitec.com.br) e especializada em desenvolvimento de software e soluções
biométricas. Consultor Biométrico na tecnologia de reconhecimento facial, atuando na área de
tecnologia desde 1986. Leva o Linux a sério desde 1998 com desenvolvimento de soluções open-
source, é membro colaborador da comunidade Viva O Linux e mantenedor da biblioteca open-
source de vídeo captura, entre outros projetos.

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Linux Magazine #77 | Abril de 2011 67


ANÁLISE | Visão de raio-x

Listagem de hardware

Visão de raio-x
ANÁLISE

Que componentes fazem parte de seu


computador? A ferramenta lshw revela detalhes
do hardware que você talvez não encontre
nem mesmo na especificação do fabricante.
por Karsten Günther

inicializado (listagem 1), o que é prá-

Q
ualquer tipo de hardware O nome lshw é o acrônimo para
detectado pelo kernel e seus list hardware (listar hardware) e o tico se você precisar arquivar a saída
módulos deixarão traços nos aplicativo descobre todos os deta- ou processá-la automaticamente (por
arquivos de log ou nos lhes dos componentes do hardware, exemplo, filtrar e processar as linhas
pseudo arquivos de sistemas /proc e como CPU, módulos de memória ou de saída: lshw … | grep size …).
/sys. Obter essas informações ma- interfaces IDE, que podem incluir A opção -xml fornece um com-
nualmente pode ser um processo placas de som, placas gráficas ou pleto e interessante documentado
que tomará muito tempo; sendo drives externos. A ferramenta pode formatado em XML, que é útil para
assim, algumas distribuições tenta- ser executada em linha de comando arquivamento em base de dados. Pá-
ram – com sucesso variado – tirar e você precisará configurar algumas ginas HTML são preferíveis se você
esse ônus dos ombros dos usuários. opções para controlá-la (tabela 1). precisa de uma saída que seja mais
Em contraste a essas ferramentas, o O primeiro grupo de opções con- amigável para leitura, sendo assim,
lshw [1] trabalha bem em qualquer trola o formato da saída. Por padrão, a opção -html (em minúsculo) deve
plataforma e exibe os resultados de as saídas do lshw são em texto plano ser usada, nesse caso. O parâmetro
uma forma inteligente. para um terminal, a partir do qual é -X inicializa uma interface gráfica.
Para uma rápida visão geral, em
vez das incrivelmente detalhadas
informações que o lshw exibe por
padrão, você pode usar as opções
-businfo e -short.

Detalhes
Sem privilégios de root, o lshw tem ape-
nas acesso limitado as informações do
sistema, então a saída de dados é igual-
mente pobre e deixa de exibir muitos
detalhes importantes. Normalmen-
Figura 1 A interface gráfica lshw-gtk facilita o acesso à árvore de informa- te, você irá notar que será necessário
ções; no entanto, esta não oferece suporte a todas as opções alterar seu acesso para o usuário root
que estão disponíveis na ferramenta em linha de comando. (sudo lshw) para executar o comando.

68 www.linuxmagazine.com.br
Visão de raio-X | ANÁLISE

Opção Descrição sadores ou placas-mãe. Ela exibe o


-html Gera saída em HTML endereço MAC para dispositivos de
-xml Gera saída em XML rede e o GUID (identificador único)
-short Exibe um pequeno sumário das partições.
Discos rígidos com múltiplas par-
-businfo Gera saída com informações de barramento
tições lógicas aparecem várias vezes:
-X Usa a interface gráfica
como partições lógicas e nas parti-
Ação Descrição ções estendidas que as contém. O
-c, -C, -class class Exibe informações de classe lshw resume os recursos das classes
-disable test Não executa testes na opção capabilities (recursos);
-enable test Executa testes novamente aqui a interpretação de-
-quiet Esconde a barra de status pende do tipo de dispositivo.
-sanitize
-numeric
Esconde informações confidenciais
Exibe Ids numéricos
Interface gráfica
Uma interface gráfica está disponível
Tabela 1 Opções importantes do lshw para o lshw, chamada de lshw-gtk.
Para inicializar a interface gráfica
As várias opções permitem que nais (o lshw requentemente exibe a diretamente, digite seu nome ou
você modifique a saída para refletir informação para isso diretamente). inclua a opção -X no lshw. Uma vi-
suas necessidades. Para fazer isso, ➧ DISABLE – (desabilitado): existe sualização gráfica, em formato de
use classes (tabela 2) e execute al- um problema com o driver. árvore, das informações coletadas
guns testes (tabela 3). Para interpretar os detalhes, você pelo lshw é o resultado exibido. A
A opção -sanitize diz ao lshw para precisa que as saídas das seções size informação está aninhada em três
substituir informações confidenciais (tamanho) e capacity (capacidade) camadas e um clique duplo leva
(como números seriais e endereços dependem da classe. Elas diferem de- você a próxima camada.
IP) pela string [REMOVED], ou remo- pendendo se você estiver analisando Esse processo somente funciona
vido, em português. Essa opção será uma CPU ou dispositivo de armaze- para os itens exibidos em negrito, na
util se você quiser passar informações namento (storage). A palavras-chave tela, que é a forma que o lshw utiliza
para um terceiro, como por exemplo, serial está relacionada aos números para indicar que o item subordinado
se você precisa fazer uma pergunta seriais dos dispositivos como discos existe. A esquerda, a janela exibe as
em um fórum. rígidos, chips de memória, proces- informações. A interface gráfica não
A opção -quiet evita que o lshw
Classe Descrição
envie a saída da classe que ele está
address Endereços de memória para extensões de memória de vídeo ou ROM
testando no momento para o terminal
bridge PCI-to-PCI, AGP, PCMCIA
e a opção -numeric faz exatamente o
bus Barramentos, sem nenhum hardware conectado
contrário: ela exibe os IDs númericos
communication Modem e porta serial
de dispositivos PCI, USB e outros. disk Drivers (incluindo fíicos)
O utilitário lshw exibe a saída para display Componentes gráficos (sem o display)
classes individuais em uma estrutura generic Outros componentes
de árvore. Os “nós” são marcados input Teclados, mouses e joysticks
com uma das quatro palavras-chaves: memory RAM, BIOS e firmware
➧ CLAIMED – (solicitado ou re- multimedia Som, TV e placas de vídeo
clamado): um driver adequado existe network Bluetooth, Ethernet, FDDI e WLAN
e está carregado (o lshw frequente- power Baterias e fontes de energia
mente exibe a informação para isso printer Impressoras e e dispositivos multifuncionais
diretamente). processor Controladora de CPU e RAID
➧ UNCLAIMED – (não solicita- storage Controladora IDE e SCSI
do ou não reclamado): classes para system Tipo de sistema: Laptop, Desktop, Servidor ou Computador
as quais (atualmente) não existem tape Dispositivos DAT/DDS
drivers. volume Sistemas de arquivos e partições
➧ ENABLE – (habilitado): classes
com drivers totalmente operacio- Tabela 2 Classes

Linux Magazine #77 | Abril de 2011 69


ANÁLISE | Visão de raio-x

Teste Descrição
Listagem 1: Comando lshw
cpuid Analisa o ID da CPU
01 # lshw cpuinfo Dados da CPU
02 ...
device-tree Árvore de dispositivos OpenFirmware (PowerPC)
03 *-multimedia
04 description: Audio device dmi Extensões DMI/SMBIOS
05 product: Azalia Audio ide Dispositivos legados IDE e ATAPI
Controller
isapnp Extensões ISA PnP
06 vendor: Silicon Integrated
Systems [SiS] pci Dispositivos PCI e AGP
07 physical id: f pcmcia Extensões de cartão PCMCIA e PC
08 bus info: pci@0000:00:0f.0 memory Quantidade de memória heurética
09 version: 00
10 width: 32 bits network Interfaces de rede
11 clock: 33MHz scsi Dispositivos SCSI reais e simulados
12 capabilities: pm spd Detecção de presença de dispositivo serial [2]
bus_master cap_list
usb Todos os dispositivos USB
13 configuration: driver=HDA
Intel latency=0 Tabela 3 Testes
maxlatency=11 mingnt=52
14 resources: irq:18 suporta todos as opções de linha de O programa apenas mostrará o que
memory:d4200000-d4203fff comando e você precisa testar para o hardware revela sobre si próprio,
15 ...
localizar entradas específicas. sendo assim, os dados nem sempre
16 *-usb:1
17 description: USB Controller
estarão completos. No caso da placa
18 product: USB 1.1 Controller Conclusão ATI Radeon X1600, usada na máquina
19 vendor: Silicon Com algum conhecimento básico de em meu laboratório, por exemplo, o
Integrated Systems [SiS] hardware e um pouco de paciência, lshw informou os dados corretos do
20 physical id: 3.1 o lshw acaba sendo uma ferramenta produto para a porta padrão, mas
21 bus info: pci@0000:00:03.1 útil, pois possui controles simples. O somente a observação ATI Techno-
22 version: 0f usuário tem acesso a uma quantida- logies Inc, ou seja, o nome do fabri-
23 width: 32 bits
de enorme de informações sobre o cante, para a segunda. Novamente,
24 clock: 33MHz
hardware utilizado na máquina local você precisa interpretar os detalhes
25 capabilities: bus_master
26 configuration: e, em alguns casos, o utilitário revela corretamente se quiser obter resul-
driver=ohci_hcd latency=32 informações que as especificações do tados significativos. ■
maxlatency=80 fabricante deixaram de mencionar.
27 resources: irq:21 Além disso, ter uma boa conexão
memory:d4205000-d4205fff
Mais informações
de Internet é aconselhável para que
28 *-usb:2 você possa usá-la para preencher as
29 description: USB Controller [1] Website do lshw: http://
lacunas, mas o lshw já inclui uma ezix.org/project/
30 product: USB 2.0 Controller
generosa documentação de ajuda wiki/HardwareLiSter
31 vendor: Silicon Integrated
Systems [SiS] feita por especialistas, em suas saídas.
32 physical id: 3.3 O acesso a interface gráfica é fácil [2] Detecção de presença de
33 bus info: pci@0000:00:03.3 em um primeiro momento, mas, se dispositivo serial: http://
34 version: 00 depois você precisar executar a fer- en.wikipedia.org/wiki/
35 width: 32 bits ramenta em múltiplas máquinas, Serial_presence_detect
36 clock: 33MHz descobrirá que a linha de comando
37 capabilities: pm debug bus_ oferece uma abordagem mais ele-
master cap_list
gante e completa. Gostou do artigo?
tigo?
38 configuration: driver=ehci_
hcd latency=32 Depois de conectar um novo hard-
Queremos ouvir sua opinião.
maxlatency=80 ware, a detecção com o lshw rapida- Fale conosco em
m
39 resources: irq:22 mente criará uma nova entrada em cartas@linuxmagazine.com.br
gazine.com br
memory:d4206000-d4206fff sua base de dados de informações de
40 ... Este artigo no nosso
osso site:
e:
hardware, que não poderia ter sido
http://lnm.com.br/article/5037
br/art 503
criada se o mesmo tivesse falhado.

70 www.linuxmagazine.com.br
Visão de raio-X | ANÁLISE

Tem novidade na Coleção Academy!


Principais comandos de configuração
de um roteador Cisco
Temas e configurações avançadas
Segurança, dicas, truques
e resolução de problemas

Em março de 2010, a Cisco apresentou a plataforma de roteadores CRS-3, alegadamente a mais veloz do mundo
(por enquanto), com um poder de processamento de 322 Terabits por segundo (Tbps).
Este é o tipo de tecnologia que é desenvolvida a cada minuto, e que nos permite usufruir de ferramentas como
áudio e vídeos online, transmissão de televisão via Internet, computação em nuvens, e tantas outras.
Conhecer como funciona um roteador – peça chave no processo de transmissão de dados de um ponto a outro
– e saber como configurá-lo para que desempenhe sua função com eficiência pode ser um grande diferencial na
hora de lançar-se ao mercado em busca de um novo desafio. A demanda por profissionais com este conheci-
mento já está aí. O desafio agora é preparar-se adequadamente para supri-la. Este livro tem por objetivo apresen-
tar ao leitor comandos e técnicas de configuração básica de roteadores Cisco visando atingir alguns objetivos
específicos, tornando o profissional apto a instalar e configurar um roteador de maneira clara e precisa.

Disponível no site www.LinuxMagazine.com.br


Linux Magazine #77 | Abril de 2011 71
Calendário de eventos Índice de anunciantes
Empresa Pág.
Evento Data Local Informações Tecla 02
Plusserver 04, 05
Canonical 09
www.websecforum.com.br/ Othos 11
SERVIÇOS

Web Security Forum 09 e 10 de abril São Paulo, SP


evento/ Central Server 13
UOL Host 15
WatchGuard 17
Seminário de Globo.com 20, 21
13 de abril São Paulo, SP www.ideti.com.br/cloud/
Cloud Computing Zarafa 23
Unodata 25
http://www.tecsi.fea.usp.br/ Impacta 31
8º CONTECSI 1 a 3 de junho São Paulo, SP
eventos/contecsi/ Konsultex 33
Senac 51

17 e 18 de http://events.linuxfoundation. F13 67
LinuxCon Brasil 2011 São Paulo, SP Bull 83
novembro org/events/linuxcon-brazil
Sony 84

Nerdson – Os quadrinhos mensais da Linux Magazine

80 www.linuxmagazine.com.br
Linux Magazine Especial
Shell Script
O Shell Script CHMOD
SSH Aprenda a usar o
continua presente na
Rsync terminal de maneira
rotina de nove entre
PASSWD fácil e descomplicada.
dez administradores
Adquira o seu
de sistemas. Ifconfig
exemplar nas bancas
Mas qualquer um Yum de todo o país
também pode Cron ou pelo site da
beneficiar-se Su/Sudo Linux Magazine.
de seu poder.
Wireless

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Linux Magazine #78
PREVIEW

Segurança
O que você pode fazer para proteger
seus dados, sua conexão e seu compu-
tador contra invasões?
A detecção de invasão em sua rede ou
sistemas, a formulação de testes espe-
cíficos e políticas internas para pre-
venção de ataques e o gerenciamento
de informações críticas que devem ser
mantidas em segurança, são os desta-
ques desta edição. ■

Ubuntu User #22


Ubuntu 11.04
O novo Ubuntu 11.04, codinome Natty
Narwhal, está saindo do forno. Muitas
mudanças são esperadas e previstas para
este lançamento. Entre elas, podemos
destacar o novo modo de organização
da área de trabalho, que agora utiliza
o Unity, interface de usuário padrão
adotada pela versão 10.10 para netbooks,
embora o Gnome continue ativo e fun-
cional no sistema. Os recursos multitou-
ch também vêm aperfeiçoados e com
muitas novidades.

82 www.linuxmagazine.com.br