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ADOLESCENTES

ÍNDICE

Encorajando pais de adolescentes | Nívia Tironi Pinto ................04

A profecia divina: o que você fala é mais importante do que você


pensa! | Rosa Maria Mendonça Juraci ............................................11

A importância do vínculo na relação com o filho adolescente |


Ana Paula Syqueira ............................................................................16

Pais e filhos adolescentes: conflitos e caminhos possíveis |


Andréia L. Rafael Quintelia ...............................................................21

Comunicação entre pais e filhos | Cristiane Nogueira Nunes .....27

A CONFIANÇA como fio condutor na conexão de adolescentes e


pais | Marcia Mattos Santos Vieira .................................................31

Adolescência etapa de transformação | Janete de Almeida


Pacheco ...............................................................................................35

Ansiedade do ensino médio e contribuição parental na transição


para a vida adulta | Tarita Mistral Bomfim ...................................42

Regulação emocional na parentalidade com adolescentes | Sônia


Pinheiro ...............................................................................................48
Dialogando com os adolescentes | Regina Barreto .......................54

A sobrevivência dos pais ao adolescer dos filhos | Daniele


Fambelio Gomes Mariano .................................................................59

A adolescência e a importância do encorajamento e


pertencimento no núcleo familiar | Lilian R. Ávila Messias .........64

A importância de escutar com o coração | Mary Caixeta ............68

Considerações sobre sexualidade do adolescente: Uma


orientação aos pais | Rita Nunes Cardoso .....................................74

Automutilação na adolescência: O que está acontecendo? | Maria


Rosiane Silva de Lima ........................................................................79

Como ajudar nas escolhas e decisões dos adolescentes de uma


maneira gentil e firme | Alexandra Toledo ....................................85

Disciplina Positiva: aquecendo a psicoeducação e a comunicação


com a “Reunião de família” | Bethânia Miranda Ferreira ............91

Adolescência: convivendo com os desafios dessa linda fase do


adolescer | Maria Elisa Tagliarini ....................................................97

Compreendendo a adolescência | Silvana Moscoso ...................102


04

Encorajando pais
de adolescentes

Nívia Tironi Pinto | CRP: 04/36611

A adolescência é uma fase de grandes


transformações. O adolescente vivencia alguns lutos: o
luto pela perda do seu corpo infantil, luto pela perda do
seu lugar na família e na sociedade, e o luto pela perda
dos pais da infância. Essas transformações são sentidas
como um grande desamparo. É um processo ameaçador
e ao mesmo tempo excitante. Como compreender as
mudanças no corpo e no lugar social com um psiquismo
que ainda é imaturo?
A família então se torna imprescindível. Se nesse
processo de adolescer, o adolescente contar com o apoio
de seus pais ou cuidadores, mais facilmente ele
conseguirá vivenciar melhor toda essa experiência.
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Quando uma criança chega na família, é comum


uma preparação através do pré-natal, cursos de
grávidos, de festas que marcam a passagem dos anos. Os
pais na sua maioria se envolvem na educação, na
escolha das amizades, nas programações dos finais de
semana. A criança então tem sua vida controlada pelo
mundo adulto. Claro que isso não significa que não
possui suas vontades e formas de manifestá-las, mas
espera-se que os adultos conduzam seus caminhos.
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Mas quando chega a adolescência as coisas mudam.


A principal tarefa do adolescente é responder à questão:
quem sou eu? Para tanto, precisa se diferenciar dos seus
pais ou cuidadores, questionar seus valores, encontrar
seus próprios caminhos. É o processo de individuação e
isso é um grande desafio também para os pais.
Para muitos, eles aprenderam o caminho de serem
pais de crianças. Escolher roupas, dizer o que é certo ou
errado, ajudar nas tarefas de casa, mas como ser pais de
adolescente? Como afirma Dantas (2020, p.21), “é preciso
que os pais aprendam a lidar com a sensação de
impotência diante de muitas situações em que até
pouco tempo tinham (ou pelo menos achavam que
tinham) controle e poder”.
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Um misto de sentimentos invade o coração dos pais


nessa hora. Aos poucos eles percebem que aquele
menino, aquela menina já não são os mesmos. Seu
corpinho infantil ganha novas formas, os amigos antigos
são substituídos pelas primeiras turmas, os interesses
são outros, preferem o quarto do que brincarem pelo
chão da sala, já não querem estar sempre juntos dos
pais e familiares.
Se por um lado se enchem de orgulho e alegria em
verem todo aquele crescimento, “meu filho já é um
rapazinho, minha filha já é uma mocinha”, o que fazer
com suas angústias e incertezas diante dessa autonomia
toda que os filhos começam a adquirir? Namorar? Sair
com os amigos? Estudar longe de casa?
Nesse momento é preciso encorajar os pais para
que possam também encorajar os filhos a adolescerem.
Encorajar vem de coragem: cor = coração + agem = agir,
“agir com o coração”. Encorajar, portanto, significa
incentivar alguém a agir com o coração. Quando se fala
assim, pode parecer que os pais não amam seus filhos.
Na verdade, o que nem sempre sabemos é fazer com que
a nossa mensagem de amor seja compreendida por
nossos filhos.
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Às vezes, transparece mais as nossas dores, angústias,


nossos medos e incertezas, do que o nosso amor.
Deste modo, ao nos encorajarmos, também
podemos encorajar nossas crianças e adolescentes. Ou
seja, o encorajamento contribui para o desenvolvimento
de habilidades para enfrentarmos os desafios da vida:
desafio de ser adolescente, desafio de ser pais de
adolescentes.
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E para demonstrar essa mensagem de amor e


encorajamento é importante que façamos primeiro um
mergulho em nós mesmos. Como foi a nossa
adolescência? De que sentimos falta? Como foram as
nossas experiências com o mundo a nossa volta? Com os
amigos? Amores? Família? Ao perceber o adolescente
que eu fui um dia, meus sonhos e medos, posso então
me conectar com meu filho que vivencia esse mesmo
processo.
Acredite e incentive a autonomia e a independência
dos seus filhos: permita-os crescer e descobrir seus
próprios caminhos. Você pode ser um co-piloto, aquele
que está ao lado do seu filho enquanto ele lança seus
próprios voos!
Dedique tempo de qualidade, conte suas histórias.
Nesses momentos de trocas de experiências, de
compartilhar seus sentimentos e desafios, vocês podem
juntos construir memórias afetivas e de conexão.

Contato | E-mail: nivia.tironi@gmail.com


WhatsApp: (31) 99975-1741
10

Esse é um caminho novo para pais e filhos. Haverá


muitos acertos e erros.
Aproveite os erros como oportunidades de
aprendizado. Não se julgue tanto. Mas busque ajuda
quando achar necessário. Livros, sites, amigos e
profissionais podem colaborar com o seu crescimento
pessoal e parental.
Encorajar é agir com o coração. Então acredite no
amor que tem pelo seu filho. Ele é a chave para a
conexão de vocês, aposte em relações saudáveis e
construtivas. E aproveite o potencial criativo da
adolescência, para com amor e criatividade construir um
jardim para você e seu adolescente florescerem!

@niviatironi.psi
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A profecia divina: o que você


fala é mais importante
do que você pensa!
Rosa Maria Mendonça Juraci | CRP: 03/04141

Muitos de nós herdamos um conceito de valor e


força sobre a educação dos filhos, ligado às crenças
equivocadas de que para tornar os adolescentes
melhores, primeiro temos que fazê-los se sentir pior.
E é assim que, em muitos lares, adolescentes são
rotulados, ridicularizados e sua autoimagem acaba
sendo associada a uma característica negativa, como:
João “bobo”, Miguel “cabeça de vento”, Lúcia “calada”,
Rodrigo “gordo”, Maria “preguiçosa”.
Certa vez li sobre uma história de um homem que
guardava um caixote de madeira no seu guarda-roupa. O
motivo era que, quando criança, seu pai havia lhe dito
que se ele conseguisse fazer uma caixa em esquadro, ele
poderia fazer qualquer coisa. E ele fez, porém sua caixa
saiu torta. Hoje a lembrança que ele traz é a expressão
do pai torcendo o nariz, em sinal de reprovação e um
olhar de censura.
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O que acontece na infância, não fica na infância! Se


queremos verdadeiramente cuidar da autoestima e
favorecer uma educação melhor para nossos filhos,
precisamos estudar para educar.

Entendemos que essa busca da educação,


cooperação e colaboração dos adolescentes significa um
desejo que está por trás destes pais tentando ajudar.
Porém, muitas vezes, acabam desencorajando os filhos e
desse modo, não contribuem para desenvolver
habilidades de vida, competências sobre a inteligência
emocional, social e a capacidade de tomar decisões.
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Seremos muito melhores para nossos filhos quando


almejarmos o desejo de mudança, nos conscientizando e
aceitando que a escolha adequada para ocupar o lugar
da função dos pais na vida do filho é conseguindo sua
cooperação. Para isso precisamos reconhecer quatro
passos importantes:
Expressar compreensão pelos sentimentos do
adolescente;
Mostrar empatia, mesmo que não concorde, apenas
compreenda a percepção de seu filho e seja
verdadeiro;
Compartilhe seu sentimento e percepção de maneira
respeitosa;
Convide ao adolescente a pensar em uma solução,
uma ideia sobre o que fazer da próxima vez. Há
grande diferença entre o adulto resolver e o
adolescente participar da decisão, relacionando as
sugestões para buscar soluções;

Contato | E-mail: rosamendoncalima@hotmail.com


WhatsApp:(79) 99133-5935
14

Lembre-se que os pais são os líderes dos filhos. A


maturidade, habilidade, orientação e experiência são capazes
de transformar um mero colecionador de “momentos”, em
um mix de engajamento, relacionamento, emoções positivas,
significado e realização. Envolva-se não só em uma confecção
de um caixote torto de madeira ou um objeto escondido nas
quinquilharias, mas também no pertencer do dia a dia, vendo,
nas imperfeições, possibilidades.
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Quero te convidar a ser parte efetiva da construção


de um colar de pérolas, onde as diversidades, as
vulnerabilidades possam te encorajar a reconhecer que
seu filho lhe dará sempre uma nova chance para acertar.
Os adolescentes querem a intimidade e o carinho dos pais
e farão qualquer coisa para conseguir isso, até mesmo
abrir mão de seus próprios desejos e sentimentos.
Reflita sobre seus pensamentos, sentimentos e ações
e, quando estiver preparado para ser respeitoso, gentil e
firme, lance sua profecia e que seja divina porque seu
filho, o mundo, você e todos nós precisamos disso.

@rosalimapsi
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A importância do vínculo
na relação com o filho
adolescente

Ana Paula Syqueira | CRP: : 06/80891

A passagem pela adolescência é um momento


crucial na vida do ser humano. É nesta fase que o jovem
constrói seu mundo interno e forma sua identidade
aprendendo, assim, a criar novas relações com o mundo.
As mudanças corporais e psicológicas são inúmeras e
levam a grandes transformações na relação consigo e
com o outro. Há um luto pelo corpo e pela identidade
infantil, bem como, pelos pais da infância. Nesta
passagem, ao se deparar com tantos desafios, é natural
que este jovem se sinta inseguro e desencorajado, afinal,
quem não estaria ao passar por tantas mudanças ao
mesmo tempo?
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O adolescente revoluciona o seu meio,


principalmente o familiar, trazendo com isso um
desconforto muito grande, conhecido e famoso, “conflito
de gerações”, quase sempre mal resolvido. Em
contrapartida, pais também têm dificuldade em lidar
com essa nova etapa. Muitas famílias questionam
quando essa fase irá passar, ou como dialogar com os
filhos durante um período em que as relações ficam
muito complicadas. Por medo de errar, presos na
autoexigência e na fantasia da cobrança social em
relação ao controle e educação de seus filhos, os pais
muitas vezes ficam presos aos seus valores, olhando
apenas para a educação que receberam, numa busca
incessante de acertos. Fecham-se muitas vezes numa
atitude autoritária e inflexível, ou são muito
permissivos, perdendo o total controle da situação.
Percebe-se então, que os pais também se sentem
inseguros e vulneráveis com isso, o que impossibilita a
manutenção de uma relação saudável, de diálogo e de
respeito, entre pais e filhos.
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Construir uma relação parental com os filhos, desde a


primeira infância, baseada na compreensão, empatia,
diálogo e muito amor, pode prevenir muitos conflitos, pois
estes ingredientes são importantíssimos para a
construção de um bom vínculo, uma vez que regula, de
forma significativa, as relações entre pais e filhos.
Para a psicanálise, o vínculo afetivo é uma forma
que o adulto pode desenvolver para se relacionar com o
filho, na perspectiva de se manter ligado emocional e/ou
comportamentalmente com ele. Assim, é possível
proporcionar a ele um ambiente como um meio de
subsistência e manutenção, adequado para o
desenvolvimento maturacional da criança.
Adolescentes que possuem boas imagens parentais,
com lembranças primárias amorosas, tendem a construir
melhores vínculos com seus pais e possivelmente serão
mais confiantes e seguros, o que permitirá resultar num
melhor afastamento dos mesmos, ao contrário daqueles
que possuem em suas lembranças, imagens hostis e pouco
estáveis.
Estes, por sua vez, não se sentirão seguros em
confiar ou não vão se identificar com estas figuras e,
portanto, irão buscar personalidades mais consistentes e
firmes.
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Jovens gostam de defender suas próprias ideologias


e buscam figuras ideais que possam, não só apoiá-los,
mas também debater e estabelecer trocas. Por isso, são
tão apaixonados por seus ídolos, enxergando neles tudo
aquilo que acreditam fazer sentido. Quando não se
sentem respeitados e acolhidos pelos pais e/ou
sociedade, passam a se comportar de forma oponente,
por se sentirem julgados e ameaçados, principalmente
quando estes insistem no reforço da autoridade.
Adolescentes passam por momentos de muita
ambivalência, ao passo que querem toda nossa atenção.
Quando se negam a fazer algo pedido, ou tiram muitas
notas vermelhas nos estudos, também buscam, na
mesma medida, uma independência, com um
sentimento forte de que podem dar conta de tudo. Um
posicionamento muito útil para os pais é a de
espectadores ativos, ouvindo e observando quando eles
querem falar e argumentar, tentando compreender o
ponto de vista deles. Intervenções são mais positivas
quando se constata que eles estão se colocando numa
situação de risco, por exemplo. Ao contrário, é
importante permitir que eles experimentem e sintam os
desafios da vida.
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Permita que seu filho explore mais suas necessidades,


tentando enxergar pela perspectiva dele e não naquilo
que você acredita ser melhor para ele.
Oferecer uma liberdade com limites e firmeza, que
incluem, muita cautela, observação diária, diálogo e
contato afetivo permanente, sempre usando o sentir
como termômetro.
O relacionamento entre pais e filhos adolescentes,
que está pautado em confiança e diálogo, proporciona
uma melhora significativa na autoestima dos jovens,
bem como maiores índices de felicidade e de satisfação
com a vida. Embora haja muitos conflitos durante essa
fase, os adolescentes ainda contam com seus familiares
para fornecer apoio emocional e ajudá-los na
compreensão de limites.

Contato | WhatsApp: (11) 98371-6235


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Pais e filhos adolescentes:


conflitos e caminhos
possíveis
Andréia L. Rafael Quintelia | CRP: 06/55415-2

Eu não sei como está a sua relação com seu filho


adolescente, mas, é possível que, como boa parte dos pais
que atendo, você esteja sentindo que os desafios
aumentaram com a adolescência. Nessa fase, os pais
costumam me relatar que seu filho, que na maioria das
vezes, se mostrava carinhoso e receptivo, agora, se
recolhe em seu quarto, arredio ou calado, voltando-se aos
jogos eletrônicos, redes sociais, evitando os programas
com a família ou parecendo nem ouvir o que os pais
falam.
Teoricamente, todos sabemos que a adolescência é
uma fase do desenvolvimento humano, que faz conexão
da infância com a vida adulta e que é marcada por
mudanças importantes, que, de modo geral, se revelam
no corpo e no modo de nos relacionarmos com o mundo à
nossa volta. Na prática, costuma ser uma fase que gera
conflitos e questionamentos.
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E, os pais costumam perguntar: Afinal, quem é esse


novo ser? Como lidar com suas dúvidas e inseguranças?
Como desenvolver uma boa comunicação, quando nada
do que digo parece ser compreendido ou aceito por ele?
Eu costumo lembrar aos pais, algo que parece tão
óbvio: “nós somos pessoas!” Sim, e, como humanos, todos
nós temos nossas vulnerabilidades, uma série de
“questões mal resolvidas”, atitudes que se repetem e
dores de nossa própria relação com nossos pais. E, muitas
vezes, o que os filhos fazem é sacudir a “velha poeira, que
estava escondida.”
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Assim, se aceitamos olhar para nós mesmos como


humanos, podemos enxergar nos desafios que os filhos
trazem, oportunidades de revisitarmos nossa própria
adolescência e o que nela experimentamos e, dessa
forma, nos permitirmos aprender na relação com
nossos filhos.

Minha vivência como mãe e profissional, me faz


confiar no que diz Jane Nelsen (2016) sobre uma relação
de respeito ser construída na fé em nossas habilidades e
nas de nossos filhos. Dessa forma, sinto que, quando
nós pais, acreditamos que nossos erros podem nos levar
a aprender, que somos capazes de encontrar novos
jeitos de resolver um problema, é possível acreditar,
também,
que nossos filhos não estão prontos e que podem, com
nosso apoio, desenvolver novas habilidades de se
comunicarem, de se relacionarem em família, de
assumirem responsabilidades.
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Assim, quando os pais procuram meu suporte para


lidar com os conflitos na relação com seus filhos
adolescentes, eu costumo incentivá-los a pensar em sua
própria adolescência e em como através de sua história
foram desenvolvendo habilidades de se comunicar e se
relacionar com o mundo e, uma das principais estratégias,
para exercitar esses aspectos com seus filhos é a Reunião
de Família, proposta pela Disciplina Positiva.

Para mim, a Reunião de Família tem se mostrado um


espaço importante para o exercício de ouvir e ser ouvido,
para encontrar caminhos possíveis para os problemas;
dividir conquistas e angústias; aprender com os erros;
organizar tarefas do dia a dia, diversão, dentre muitas
outras oportunidades que as famílias podem criar.
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De acordo com a doutora Jane Nelsen, a Reunião de


Família pode ser tão importante para as famílias, quanto
as reuniões de equipe são para as empresas bem
administradas. E elas precisam seguir algumas orientações
para se tornarem significativas:

Os filhos adolescentes podem resistir à ideia da


reunião, é importante deixar claro os motivos pelos
quais ela está sendo proposta.
Na reunião não há um “chefe”, todos têm direito à vez e
voz!
Combinar um dia e horário e tempo de duração da
reunião, que atenda às necessidades da família.
Começar a reunião com reconhecimentos e
agradecimentos.
Ter uma pauta, construída ao longo da semana e que
contemple itens que não foram conversados.
Caso algum tema seja complexo ou polêmico, pode-se
fazer um levantamento de ideias para resolvê-lo.
Se o assunto não tiver consenso, sugerir deixá-lo para a
próxima reunião.
Abrir espaço para diversão, realização de alguma
atividade que seja prazerosa.

Contato | WhatsApp: (11) 97182-3324


26

E, então, se você viu sentido no que apresentei aqui, o


que falta para iniciar os passos na direção de uma relação
mais respeitosa e próxima de seu filho? Que tal iniciar
suas reuniões em família?

@andreiaquintelia
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Comunicação entre
pais e filhos
Cristiane Nogueira Nunes | CRP:05/61569

A fase da adolescência é marcada por muitas


dificuldades e uma delas é a comunicação entre pais e
filhos. Escutamos muito isso no consultório, pais que
não sabem lidar com os comportamentos dos filhos e
suas ações acabam gerando distanciamento e
dificultando a comunicação.
Mas o que vem a ser comunicação? Em dicionários
podemos encontrar comunicação como uma palavra
derivada do latim "communicare", que significa
"partilhar, participar algo, tornar comum". É entendida
como uma forma de transmissão de mensagens, onde
deve haver o transmissor e o receptor.
Tá bom, mas vamos refletir um pouco...
Será que não está faltando nada? É possível haver
uma boa comunicação sem a escuta? Bem, são muitos os
tipos de mensagens que podemos transmitir, mas
quando o foco é a relação entre pais e filhos,
entendemos que a escuta é o principal ingrediente da
comunicação.
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A escuta ativa trata da compreensão do que é dito


com o cuidado de não avaliar ou julgar, pois só assim
será possível entrar em contato genuíno com o outro e
contribuir para a mudança que se busca. Só que não
estamos acostumados a escutar ativamente, pois muitas
coisas interferem nesse processo, assim como levar para
o lado pessoal. Os pais costumam levar para o lado
pessoal quase tudo o que os filhos fazem ou dizem de
“errado”, detectamos isso em falas como as que seguem:
“Meu filho faz isso para me irritar”, “Minha filha quer
que eu fique maluca”... Mas nem tudo está perdido, a
boa notícia é que existem ferramentas que se colocadas
em prática podem contribuir para a melhora
significativa dessas relações e da comunicação.
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Jane Nelsen, em seu livro Disciplina Positiva para


adolescentes, nos apresenta uma lista com conselhos dos
adolescentes aos pais sobre como melhorar a comunicação:

Não dê sermões.
Fale objetivamente e com gentileza.
Não fale com tom de superioridade.
Escute-nos em vez de falar sobre o que fizemos.
Não se repita.
Se tivermos a coragem de lhe dizer o que fizemos de
errado, não fique bravo e não reaja de forma exagerada.
Não se intrometa ou nos interrogue.
Não grite de outro cômodo e espere que venhamos
correndo atendê-lo.
Não tente fazer-nos sentir culpados dizendo coisa como:
Eu fiz isso porque você não conseguiu arranjar tempo".
Não faça promessas que não pode cumprir.
Não nos compare com irmãos ou amigos.
Não fale com nossos amigos sobre nós.

Contato | E-mail: contato@conexaoadolescente.com.br


WhatsApp: (21) 96884-2426
30

Que tal colocar essas dicas em prática e depois


contar para a gente como está se saindo?
Não é uma tarefa fácil, mas é um desafio que se
aceito pode trazer muitos benefícios para você, seu filho e
sua família. Lembre-se sempre de que errar faz parte do
processo e está tudo bem, nosso foco deve ser a melhoria
contínua e não a perfeição porque essa não existe!

@conexaoadolescente
31

A CONFIANÇA como fio


condutor na conexão de
adolescentes e pais
Marcia Mattos Santos Vieira | CRP: 05/27298

Pensar na CONFIANÇA como um espaço de escuta


empático pode trazer uma estranheza para alguns, mas
quando você começa a se orientar e se conduzir por uma
postura positiva, você percebe que está se transformando
e transformando o comportamento.
Ser mãe ou pai de adolescente, mais do que tudo é
ser colocado diante de inúmeros desafios. Em um estalar
de dedos tenho a minha frente um adolescente, com sua
singularidade e comportamento bem diferente de dois
anos atrás, quando era uma criança. Então o que fazer?
Perceber que já não existia uma criança em casa,
mas sim um ser em um período onde mudanças
fisiológicas e hormonais estavam presentes, me trouxe
um desconforto e medo, pois estava diante do novo,
diferente dos meus atendimentos, pois era o meu filho
adolescente.

Contato | E-mail: marciamattos.psicobem@gmail.com


WhatsApp: (21) 97343-1616
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Conhecer e estudar a Disciplina Positiva foi um


divisor encorajador, pois percebi que poderia me apropriar
desse saber como profissional e também como mãe de
adolescente, partindo disso fui cultivando um espaço com
o meu adolescente onde a empatia e a escuta são
exercidas de maneira acolhedora e gentil, nesse espaço,
um dos pilares é o exercício da CONFIANÇA mútua.
Pensar que a CONFIANÇA que estabelecemos é na
verdade uma via de mão dupla, ou seja, eu CONFIO nesse
adolescente e ele CONFIA em mim, como mãe e amiga,
para compartilharmos medos, inseguranças, momentos de
incerteza e grandes alegrias.
33

Com a CONFIANÇA estabelecida em nossa relação, os


combinados ficaram muito mais fáceis de serem
negociados e quando há conflito são colocados em pauta e
conversados em reuniões de família, que também é um
instrumento dentro da Disciplina Positiva.
Pautado nesse espaço de CONFIANÇA colocamos
nossa angústia, tristeza, medo e tantas outras emoções
que nos envolvem e discutimos os limites e possibilidades
desse momento adolescer.
Nesse processo de CONFIAR – CONFIANÇA, conseguimos
estabelecer uma conexão, com aquisição e exercício de
habilidades que gostaria que o meu adolescente levasse
para a vida toda. Com o exercício da postura positiva a
comunicação ficou mais suave, menos estática a relação
que mantenho com o meu adolescente. Ter um espaço de
CONFIANÇA é apostar em uma postura mais amigável,
encorajadora, amorosa, gentil e firme ao mesmo tempo,
para formar conexão com os nossos adolescentes,
lembrando sempre que devemos honrar, validar e celebrar
esse espaço.

@marciamattos.psicobem | /Marcia Mattos


34

Posso dizer que essa postura vai ser levada por todos,
para além desse espaço, pois esse encontro com a
Disciplina Positiva possibilitou reflexões e ressignificações
para além dessa relação, para a vida de uma maneira
geral, ultrapassando as paredes do meu espaço de
atendimento e da minha casa.
35

Adolescência etapa
de transformação

Janete de Almeida Pacheco | CRP: 07/04870

É muito fácil nos dias de hoje nos deparamos com


pais desesperados, inseguros, estressados e até mesmo
culpabilizados pelo fato de não saberem manejar certas
situações do cotidiano dos seus filhos. Todos desejam o
melhor para seus filhos, um futuro bom, uma educação,
que sejam honestos, trabalhadores, boa pessoa e
quando chegam na adolescência estas preocupações e
sentimentos tendem a aumentar. Surgem medos,
indecisões entre dar liberdade ou não, aceitar a
personalidade que vem se manifestando no adolescente
ou tentar que não vá por este ou aquele caminho.
Buscam respostas, temem se equivocar e perder o
controle da situação. Normalmente, fazem uso do
aprendido na sua própria família, levam em cada célula,
seus progenitores, valores e crenças e a tendência é
repetir o padrão. O período da adolescência, para muitos
pais é considerado um momento caótico, difícil, onde
muitos deles desistem por sentirem que não podem
controlar a situação e não sabem como fazer.
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Não se desesperem, temos boas ferramentas para


ajudá-los a encontrar formas onde todos desfrutem de
liberdade, respeito, afeto, empatia e compreensão, mas
devemos lembrar que adolescência é uma fase onde a
criança começa a revisar todo o aprendido, vai testar
seus limites e de seus pais, vai confrontar, desafiar, vai
em busca da sua identidade. Seus ídolos serão
extrafamiliares, já buscam seus grupos de amigos com
interesses compartilhados e lhes fazem mais caso, o tipo
de música que escutam, tipo de roupa que usam, dentre
outros.
As etapas prévias a adolescência, têm muita
influência neste novo período, portanto creio ser
necessário e importante fomentar os vínculos afetivos
desde cedo, compartilhar tarefas, fazer algo juntos como
por exemplo: lavar os pratos, pôr a mesa, tarefas que
além de fortalecer o vínculo afetivo fará com que a
criança se sinta importante, levada em conta. Estar
plenamente com seu filho, abandonar suas próprias
preocupações e sua mente por alguns momentos e
conectar com ele, dedicar-lhe um espaço especial onde
estejam desfrutando com seu filho/a de uma
experiência juntos.
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Para que os pais não entorpeçam o processo de


transformação de seus filhos na adolescência e lhes ajude a
atravessar esta etapa, necessita ter uma boa comunicação
com eles, uma comunicação consciente e não com silêncios
que podem ser muito mal interpretados pelo adolescente,
conversar sobre coisas interessantes também, não somente
perguntar como foi na escola hoje, ou porque não estuda
mais. Falar de coisas que lhes interesse ou importa é uma
boa forma de comunicação.
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Conheça teu filho, seja curioso, faça perguntas do


tipo: Como está? Como se sente? Quais são as coisas que
gosta e que desfruta fazendo?
Outra coisa importante que os pais encontram
dificuldades é a questão da aceitação, se questionam em
como aceitar algo com o que não estão de acordo, algo
que pensam não ser bom, adequado ou correto para seu
filho/a. Podem confundir aceitar com permitir. Quando
falamos em aceitar nos referimos a compreender,
empatizar, por outro lado, permitir está relacionado a
não dar sua autorização para tal comportamento. Por
exemplo: se manifestam o desejo de fazer uma
tatuagem, os pais podem perguntar que figura desejam,
que sentido tem para ele ou ela essa tatuagem e depois
de escutá-lo/a, dizer que o entende e aceita seus
argumentos, mas não concorda que faça algo
permanente e que possa arrepender-se em um futuro,
portanto, não pode permitir neste momento.
Seguramente, este adolescente não estará conforme
mas acabará por acatar os argumentos dos seus pais,
afinal, foi conversado, foi compreendido e escutado, a
mensagem recebida é totalmente distinta. Somos
rebeldes com aqueles que não nos escutam e não nos
aceitam!
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O nível de maturidade e responsabilidade dos filhos


pode contribuir para ajudar os pais a estabelecerem
os limites e liberdades nesta etapa. A madurez marcará a
diferença, adolescentes que dependem totalmente dos
pais necessitam mais de limites e aqueles que
demonstram ser responsáveis, poderão desfrutar de
maior liberdade - (respeito com as outras pessoas,
controle dos seus gastos, bom estudante, colabora nas
tarefas de casa).

Pode haver muitas razões para que um adolescente


tenha algumas condutas inadequadas, mas sem julgar
nem aos pais e muito menos a este futuro adulto, se faz
necessário uma compreensão maior sobre as possíveis
causas e o que ainda pode ser feito. Se a criança não
recebeu em etapas anteriores, limites e regras, não
podemos agora na adolescência pretender que as saiba.
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Ter recebido uma educação exageradamente rígida,


sem considerar suas preferências, lares onde houve
pobreza de afeto também influenciarão sua conduta
consideravelmente. Outra causa da má conduta pode se
dar por conflitos pessoais, o adolescente tem problemas
ou dificuldade para encontrar sua identidade. Necessitam
saber que os problemas fazem parte da vida, que é
normal tê-los, mas isto não lhes dá direito de fazer o que
queiram, uma vez mais é imprescindível escutar,
compreender e não julgar. Como pais, ajudaremos que se
expressem, que se conectem com suas emoções e lhes
prestaremos atenção plena.
Os pais também podem crescer emocionalmente,
conjuntamente com seus filhos, identificando suas
crenças, seus valores, pensando e repensando sua própria
infância, como se sentia quando seus pais eram
amorosos, respeitosos, quando lhes escutavam com o
coração ou por outro lado, se receberam uma formação
rígida, com agressões verbais ou mesmo físicas.

Contato | WhatsApp: (51) 98527-0656


41

Depois de identificar essas crenças e valores podem


finalmente abandoná-las, pois já não servem. Libertem-
se, abram seus corações e mentes para uma educação
mais amorosa, consciente e responsável, dando lugar a
relacionamentos respeitosos onde o limite, regras e
amor possam estar presentes visando contribuir para
que este futuro adulto enfrente sua vida com
ferramentas saudáveis e corajosas e não seja mais uma
vítima de crenças limitantes das muitas que recebemos.
42

Ansiedade do ensino médio


e contribuição parental na
transição para a vida adulta

Tarita Mistral Bomfim | CRP: 03/7324

Adolescência! Quem de nós adultos, não lembra


das vivências pelas quais passou? É um momento de
muitas mudanças e carecemos de experiência. Estamos
em desenvolvimento, e em transição para um momento
que pede por atuações completamente novas,
diferentes do que estávamos habituados.
No atendimento de adolescentes, observo com
frequência que os pais muitas vezes não entendem por
que os filhos ficam ansiosos, pois, “não trabalham” e “o
único compromisso é estudar”. Muitas vezes para iniciar
o diálogo sobre o tema, trago a experiência adulta para
reflexão: quando estamos preocupados ou tristes, será
que conseguimos desenvolver as atividades de trabalho
da mesma forma de quando não estamos nos sentindo
assim? E a resposta frequente é não.
43

Na história do desenvolvimento social, para alguns


grupos, não existia o longo tempo entre as atividades
infantis e a plena integração do sujeito ao grupo produtivo e
reprodutivo, sendo caracterizada a entrada no mundo
adulto, com a chegada da puberdade. A sociedade
gradativamente adaptou-se aos novos conceitos sobre o
desenvolvimento humano, passando a incluir a adolescência
nas fases do desenvolvimento.
44

É um período da vida que se relaciona com as


experiências da infância e as expectativas e solicitações
da vida adulta. Sua expressão resulta da relação que
estabelece com fatores indissociáveis, como a
hereditariedade, crescimento orgânico, maturação
neurofisiológica. Além disso, a dimensão sócio-histórica e
cultural, que determinam em boa medida as
características do adolescente.
Podemos considerar o ensino médio como a
adolescência educacional. Não estamos no início, nem
temos a experiência de um profissional com larga
experiência. Estamos às portas de uma escolha
profissional que nos acompanhará ao longo de toda a
vida. E o que isso pode causar? Podemos ter atitudes
proativas diante da escolha profissional ou podemos
potencializar o pensamento na direção dos resultados
esperados, como uma corrida contra o tempo, em
detrimento do que é nosso potencial, identidade e
propósito. E é aí que surge a ansiedade.
Então, a ansiedade embora traga prejuízos escolares,
em medidas diferentes para cada indivíduo, ela é uma
importante comunicadora. Traz aspectos não-verbais que
revelam o acontecimento de um fluxo interno de reações
às demandas externas.
45

Com a percepção desse acontecimento, cabe a


importante ação do cuidado, frente ao momento atual, e
de prevenção no que se refere a vida futura (adulta), com
mais saúde, qualidade nas relações e sucesso profissional.
E o que os pais podem fazer no hoje, para contribuir
qualitativamente com o desenvolvimento pessoal e
profissional dos filhos? Todos nós percebemos e
interagimos com o mundo, até mesmo, antes de nascer. E
desde lá, vamos constituindo um projeto de vida
considerando as necessidades que se apresentam; esses
projetos vão sofrendo alterações a partir do que
vivenciamos e experimentamos.
O adolescente, como dito antes, transita entre as
experiências da infância e as solicitações da vida adulta.
Essas solicitações ele experimenta no espaço escolar, na
vida social e em família, geralmente se referem a
definição profissional. Embora na adolescência o ser
humano seja convocado a assumir decisões para a vida,
ainda está em processo de desenvolvimento
neurofisiológico e sociocultural, o que significa dizer que
nem sempre apresentará a resposta adequada, esperada.
46

Esse é o momento em que sua filha ou seu filho está


desenvolvendo o projeto de vida dela ou dele, que pode ser
diferente do seu. Mas a diferença pode trazer uma
importante riqueza para o desenvolvimento de ambos. É
um momento em que permitir-se conhecer, apresentar
curiosidade e disponibilizar suporte, além de fortalecer o
vínculo, contribui encorajando de forma importante, os
filhos para a vida adulta. Visitar em reflexão à própria
adolescência é um importante exercício para facilitar o
manejo da situação atual. Experimente refletir sobre:

Contato | E-mail: taritamistral.contprofissional@gmail.com


WhatsApp: (71) 99696-1591
47

Lembrar como foram suas experiências;


Quais eram seus desejos, necessidades;
Quais eram suas expectativas;
Como foram recebidos por seus pais e como você se
sentiu;
Qual ou quais atitudes positivas dos seus pais
contribuíram para sua vida pessoal e profissional;
Considerando as contribuições que você recebeu e
com a experiência que tem hoje, quais contribuições
positivas você ofertará para a experiência da sua filha ou
do seu filho, nas construções para a vida adulta?
Lembre-se: projetos de vida podem ser ajustados ou
reprogramados e estilos de vida podem seguir um novo
curso. Ambos precisam servir ao propósito de vida.

@caminhos.de.temperanca / @lotuscdh
48

Regulação emocional
na parentalidade com
adolescentes
Sônia Pinheiro | CRP: 11/15484

A vida que vivemos na contemporaneidade é de


muitas demandas na família. Os pais tem as
cobranças do trabalho, dentro de suas profissões, a
educação dos filhos, as questões financeiras e tudo
isso se não for bem administrado pode gerar
estresse no relacionamento familiar, especialmente
na relação parental com os filhos adolescentes.
A regulação emocional é a capacidade que
alguns indivíduos possuem de compreender seus
sentimentos e emoções, desde sua origem e
conseguir agir de forma racional e sensata, sem se
deixar levar por impulsos e pensamentos negativos.
49

Segundo Jane Nelsen e Lynn Lott é necessário


honestidade e coragem para entrar em contato com
seus próprios sentimentos, a raiz desses sentimentos e o
que você pretende fazer com eles.
A adolescência é uma fase de transição da infância
para a idade adulta e de mudanças físicas, psicológicas e
sociais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
a adolescência começa aos 10 anos e termina aos 20
anos; para a Organização das Nações Unidas (ONU)
acontece entre 15 e 24 anos; para o Ministério da Saúde,
no Brasil, é entre 10 e 24 anos; para o Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA) é dos 12 aos 18 anos,
podendo ir até 21 anos em casos específicos; para a
Neurociência é até 24 e 25 anos.
50

Daniel Siegel, médico psiquiatra, explica o cérebro


relatando que o córtex pré-frontal, na parte dianteira do
lobo frontal, o principal centro de controle do cérebro,
ainda está em desenvolvimento e continuará até a
maturação completa aos 24 anos. Esse conhecimento do
cérebro do adolescente é essencial para os pais de
adolescentes. Ele usa o cérebro na palma da mão para
ensinar aos pais como o nosso cérebro funciona. O braço e
o punho são a coluna vertebral. Entrando no crânio temos
o sistema límbico, onde se encontra a amígdala
(representada pelo polegar dobrado no meio da palma da
mão aberta) que trabalha junto com o tronco cerebral
regulando a ansiedade e as emoções. O córtex cerebral
fica na parte superior (representado por sua mão fechada
em cima do polegar) e nos ajuda a pensar e raciocinar e as
unhas (representam o córtex pré-frontal), na frente da
testa que regula o nosso raciocínio.
51

Quando estamos estressados não conseguimos


acessar o cérebro racional, nossa mão fica aberta e
somente a amígdala que está dentro do sistema límbico
age no movimento de lutar, fugir ou paralisar. Quando
nos acalmamos acionamos o córtex pré-frontal, a nossa
palma da mão fecha e acionamos a parte racional do
cérebro para solucionar o problema.
Os pais de adolescentes tem mais condições de se
autorregular no momento de conflitos com seus filhos,
porque o cérebro já está maduro e o cérebro do
adolescente só vai amadurecer plenamente por volta
dos 24 a 25 anos. Diante deste conhecimento seguem
algumas dicas práticas para a relação parental com os
adolescentes:

Manter o bom humor: evitar levar o que o


adolescente fala para o seu lado pessoal, busque
mais leveza e diversão no relacionamento familiar.
52

Praticar a pausa positiva: quando estiverem


estressados dar um tempo para você e seu filho(a)
se acalmarem. Pode ser bebendo água, contando até
10 ou mais, fazer uma caminhada e quando
estiverem calmos voltar a conversar para encontrar
uma solução juntos e unidos.
Se o pai ou a mãe errou com o filho(a), praticar os 4
R´s da reparação dos erros: reconhecimento
(reconheça seu erro, tendo consciência do erro
cometido, sem culpa); responsabilidade (ser auto
responsável identificando a sua parte na situação);
reconciliação (peça desculpas, perdão, pois as
crianças e adolescentes sabem perdoar); resolução
(solucionem o problema buscando juntos uma
solução adequada para ambos).
Seja empático e escute o adolescente: compreenda a
forma do adolescente ver o mundo e escute com
paciência.

Contato | E-mail: terezasonia@hotmail.com


WhatsApp: (85) 98124-6895
53

Ame seu filho(a) adolescente pelo que ele é e não pelo


que ele faz: expresse o amor com gratidão evitando
críticas e humilhações. Os pais são os primeiros que
precisam se alfabetizar emocionalmente, isto é, serem
os líderes de si mesmos, gerenciando suas emoções e
desfrutando de um relacionamento saudável, de
conexão com o coração de seus filhos.

@soniapinheiropsi
54

Dialogando
com os adolescentes

Regina Barreto | CRP: 11/08479

Na adolescência inicia-se o processo de


desenvolvimento da autorresponsabilidade na
medida que os pais possibilitam aos seus filhos a
demonstração de sua capacidade e competência. Para
filhos que estão acostumados com pais que fazem
tudo por eles, a probabilidade de haver uma migração
para a fase da liberdade e autonomia será bem
menor, e ao mesmo tempo poderá haver rebeldia por
parte dos adolescentes em perceberem que estão
sendo cuidados como se ainda fossem crianças. Em
cada família será necessária uma adequação da
comunicação ao seu padrão de funcionamento, de
modo que se invista numa forma eficaz de interação
entre pais e filhos.
55

Um manual como guia para conduzir a educação dos


filhos quando chega a adolescência seria muito bom para
todos os pais, pois é nessa fase que a incerteza desperta a
vulnerabilidade gerando sentimentos de frustração e
medo. Criar filhos que se relacionam com o mundo
sentindo-se valorizados, autênticos, cheios de coragem e
que sabem responder aos desafios e tensões de maneira
assertiva, requer dos pais uma autoavaliação do
relacionamento com seus filhos.
Os adolescentes estão migrando para uma fase de
autonomia e eles necessitam sentirem o respeito e a
confiança. Quanto mais controladores e desconfiados
forem os pais, maior será a possibilidade de seus filhos os
desafiarem. Quando sentem-se apoiados, sem medo de
punições, contestações e reprovações, os adolescentes
entendem que estão em ambiente seguro e abrem-se para
compartilhar seus sentimentos, pensamentos e decisões.
56

Uma palavra de acolhimento, um gesto de carinho,


atenção, interesse no compartilhar do outro e a
capacidade de ouvir são atitudes essenciais para o
estabelecimento de um diálogo e a vivência de uma
comunhão familiar. Os adultos da relação devem dar o
primeiro passo, evitando o vazio, o distanciamento e uma
relação meramente de perguntas e respostas, sem
vínculos emocionais, pois geralmente os adolescentes,
apesar de serem os que mais desejam e necessitam do
diálogo devido a tantas dúvidas, frustrações,
transformações vividas nesse período de suas vidas,
muitas vezes não conseguem buscar proximidade e auxílio
dos pais. Pais, busquem olhar sob a ótica do seu filho,
sendo empático e curioso o suficiente para que
estabeleçam um vínculo. Aprendam a se comunicar com o
coração, não deixando a razão invadir e dominar todo o
diálogo. Invistam em gentileza e firmeza como a base
norteadora de sua educação. Apresentem a honestidade
de seus sentimentos sobre a percepção das diferenças
existentes entre vocês. Fale menos, escute mais. Viva mais
tempo juntos de forma despretensiosa. Evitem o
julgamento prévio de alguma situação desconhecida,
buscando sempre ouvir e acolher primeiramente os
sentimentos de seu filho.

Contato | E-mail: maia-barreto@uol.com.br


WhatsApp: (85) 98878-6518 / (85) 98165-6518
57

A migração da adolescência para a fase adulta de modo


saudável se dá através da interdependência, quando há
um distanciamento dos pais e uma aproximação de outros
grupos por identificação e o sentimento de fazer parte.
Nesse momento de intensidade emocional e social os
vínculos estabelecidos na infância serão considerados
como o alicerce para os próximos anos.
Migrar para a adolescência em muitas famílias é
sinônimo de isolamento, o que deveria ser um movimento
de amplitude nos canais de comunicação, considerando os
desafios que serão enfrentados nessa etapa da vida e as
demandas da idade.

Contato | E-mail: maia-barreto@uol.com.br


WhatsApp: (85) 98878-6518 / (85) 98165-6518
58

Nesse período os pais devem incansavelmente


interagir, investir em diálogo, conversas afetivas e
reflexivas, tempo compartilhado, buscar maior
proximidade e relacionamento com seus filhos. Famílias
que demonstram amor e disciplina geralmente terão
adolescentes mais respeitosos e responsáveis. O
relacionamento é a base e ele determinará o nível de
envolvimento, respeito e afetividade, entre pais e filhos.
Menos críticas, questionamentos e desconfianças, mais
palavras de afeto, encorajamento e amor. Pais, seus
filhos adolescentes não migraram para a fase adulta
ainda e precisam de vocês para dar esse passo de
maneira mais assertiva e segura.

@psireginabarreto | /Psireginabarreto
59

A sobrevivência dos
pais ao adolescer
dos filhos
Daniele Fambelio Gomes Mariano | CRP: 06/121336

A única coisa a fazer é dar tempo ao tempo e sobreviver à


turbulência. (Dias, 2003)

Conviver com adolescentes poderia ser


comparado a andar em uma montanha russa. O
percurso inicia com uma grande e lenta subida,
seguida de uma enorme descida, dá vontade de
desistir, a velocidade é tanta que parece que não vai
parar, eis que surge um enorme “loopping” e achamos
que não conseguiremos aguentar. Aos poucos a
velocidade é reduzida, voltamos a respirar, é uma
mistura de medo com as mais diversas emoções e
sentimentos, quando tudo passa respiramos fundo e
pensamos “ufa, sobrevivemos”. A boa notícia é que a
adolescência também passa e os adultos sobrevivem.
60

Para o pediatra e psicanalista inglês, Donald W.


Winnicott, a adolescência é um período de retorno aos
estágios iniciais da vida, em que o indivíduo se torna
dependente dos adultos e de um ambiente facilitador
para sentir-se real e construir sua identidade, da mesma
forma que o bebê depende dos cuidados da mãe e de um
ambiente seguro para existir. Segundo sua teoria sobre o
desenvolvimento emocional, os cuidados da mãe – ou de
quem exerce a função materna – proporcionam ao bebê o
contorno, noção de integração e pertencimento, o sentir-
se real. Na adolescência esse estágio é revivido, porém
acompanhado de força física e com a necessidade de
confronto. É um período de luta pelo sentir-se real, uma
busca constante de identidade, de “quem eu sou”, um
ensaio para o amadurecimento.
61

O confronto adolescente não é vingança, não é


retaliação, é uma manifestação turbulenta que, em
parte, é resultado dos cuidados suficientemente bons
dispensados ao bebê. “Os adultos são necessários para
que os adolescentes tenham vida e vivacidade.” (D.W.
Winnicott, 1968).
A adolescência é um ensaio necessário, o jovem não
“é”, e sim está em processo de “vir a ser”, por isso deve-
lhe ser permitido experimentar, errar, expressar,
“quebrar a cara”, agir por impulso e viver, mas sem
abandoná-lo no caos. Não é saudável, nem justo exigir do
adolescente uma maturidade falsa, nem seu cérebro está
pronto para isso. Pesquisas mostram que as regiões do
córtex órbito-frontal amadurecem ao final da
adolescência, ou seja, só então pode-se esperar um
comportamento sensato, sociabilidade, empatia e
diminuição da impulsividade (Suzana Herculano, 2005).

Contato | E-mail: psi.danielemariano@gmail.com


WhatsApp: (11) 97674-4514
62

O conselho à sociedade poderia ser: por


amor aos adolescentes e a sua imaturidade,
não lhes permitam crescer e atingir uma
falsa maturidade, transferindo-lhes uma
responsabilidade que ainda não é deles,
mesmo que possam lutar por elas. (D.W.
Winnicott, 1968).

O isolamento também é necessário para a construção


da identidade do adolescente, o desenvolvimento da
criatividade e do processo de descoberta do eu, está
neste afastamento dos pais e na busca por outras
referências e grupos. Porém, como uma mãe atenta ao
bebê, os pais precisam demonstrar que não o
abandonaram, que é um ambiente seguro e ele não está
só. Um ambiente facilitador permite o isolamento
saudável, que é a capacidade de estar só na presença,
afinal “esconder-se é um prazer, mas não ser encontrado
é uma catástrofe” (D.W. Winnicott).
O adolescente precisa ser encontrado pelos pais e
adultos que os cercam (família, escola).

@psi.danielemariano
63

Na prática, isso significa criar conexão com o adolescente,


reconhecer a intenção por trás do comportamento,
confiar e gerar confiança, permitir que se frustrem e que
mesmo assim estejam seguros e sejam amados. Os pais
precisam reconhecer as próprias emoções, sentimentos e
necessidades para que possam se conectar e reconhecer,
escutar com empatia e acolher as emoções do
adolescente. O que precisa ser controlado é a situação, o
comportamento e não o adolescente; com gentileza e
firmeza, com motivação e encorajamento é possível
alcançar a melhora no comportamento e estabelecer a
boa convivência, para assim sobreviver a esta montanha
russa que é o adolescer.

Mantenha os olhos abertos e esteja pronto para agir quando o


adolescente precisar de sua sabedoria e ajuda adultas para
descobrir o que é importante para ele ou ela. (Jane Nelsen e
Lynn Lott).
64

A adolescência e
a importância do
encorajamento e
pertencimento no
núcleo familiar
Lilian Rodrigues Ávila Messias | CRP: 05/62318

A adolescência é um período muito importante na


vida do indivíduo, pois é a transição da infância para a
fase adulta, trazendo consigo mudanças relevantes que
transformarão o psicológico, o físico, o cognitivo e o
social.
É uma fase de grandes descobertas, desafios,
fantasias, crises religiosas e também de escolhas
importantes que influenciarão a vida adulta, como por
exemplo, a escolha da profissão.
Fase que virá acompanhada de intensos conflitos
que farão com o que o adolescente venha a se
distanciar, buscando ter a sua privacidade, fazendo com
que os passeios em família percam a graça e as
conversas na mesa não faça mais sentido para eles.
65

É um momento em que um turbilhão de pensamentos


permeará a sua mente ocasionando tantas ideias que
poderão fazer com que o adolescente se sinta angustiado,
perdido e sozinho.
Então a tendência é se isolar da família e buscar mais
pelos grupos de amigos, onde eles se sentem pertencentes
e aceitos e tem mais facilidade de se expor, de falar o que
pensam sem muitas restrições.
66

O poder frequentar as festas sem a companhia dos


pais, irem ao shopping, cinema e pegar o ônibus sozinho
são situações novas que causam motivação, trazendo a
sensação de liberdade que o adolescente tanto almeja.
Diante de tantas transformações e novas ideias, a
identidade vai se formando, o senso crítico é evidenciado
e o desempenho para alcançar os seus sonhos e objetivos
já faz parte do seu dia a dia, ou em alguns casos esses
sonhos não existem, dando lugar a um sentimento de
frustração e vazio.
Então, é importante que a família busque uma
proximidade criando uma conexão com esse adolescente,
observando o que está dentro da normalidade ou fora de
controle, e se necessário, é importante a busca por um
profissional para que possa estar orientando e
acompanhando tanto os pais quanto o adolescente.
67

Uma ideia para os pais é que eles desenvolvam a


gentileza e firmeza, que é a base da disciplina positiva,
sabendo ouvir o adolescente com empatia e sem
julgamento, buscando entender os seus pensamentos e
sentimentos e validando-os de forma com que eles se
sintam pertencentes, acolhidos e seguros, tornando esse
momento mais tranquilo e harmonioso.
Se sentir pertencente e encorajado fará com que o
adolescente tenha confiança e desenvolva um
autoconhecimento e tenha habilidade para regular suas
emoções, facilitando assim as suas escolhas e tornando-o
um adulto resiliente, empático e corajoso, pronto para
conquistar os seus sonhos e apto para lidar com as
frustrações que aparecerão durante a caminhada da vida.

Contato | E-mail: lilian.rodrigues.avila@gmail.com


WhatsApp: (24) 9992-8982
68

A importância
de escutar com
o coração
Mary Caixeta | CRP: 01/6479

Um dos grandes desafios da atualidade é a


comunicação, ainda que tenhamos as mais modernas
ferramentas de comunicação disponíveis a qualquer
momento. No contexto familiar a tecnologia nem
sempre aproxima e, por vezes, até causa
distanciamento. A grande variedade de estímulos e
opções de conexão com o mundo externo pode gerar
prejuízos à comunicação entre aqueles que estão
mais próximos, vivendo sob o mesmo teto.
A boa notícia é que essa realidade pode ser
mudada a partir do resgate da comunicação efetiva
em família. Afinal, a harmonia familiar beneficia a
todos e certamente é almejada por todos.
69

A comunicação entre pais e filhos, sobretudo quando


estes se tornam adolescentes, envolve alguns desafios;
muitos deles, decorrentes do estilo de personalidade de cada
um e do seu jeito de ser no mundo.
Interessante observar que, quando os filhos são bebês,
às vezes é difícil decifrar suas necessidades e compreender
sua linguagem. Aos poucos, pais e mães vão descobrindo
quais sinais indicam cada uma dessas necessidades e vão
aprendendo a atendê-las com os recursos que têm
disponíveis.

Muitas vezes até se diz: “ah será tão mais fácil quando
eles aprenderem a falar...” Aí eles crescem, aprendem a falar,
as necessidades mudam e a forma de expressá-las também.
Começam a ser diretos e a manifestar suas próprias vontades
e os pais, mães e cuidadores novamente se veem precisando
reaprender a linguagem deles.
70

Na adolescência os filhos sentem necessidade de ter


autonomia, de se perceberem donos de si, capazes de
fazer as próprias escolhas. Muitas vezes questionam e
até desafiam as normas e convenções familiares com as
quais conviveram bem até então. Isso faz parte do
processo de desenvolvimento. Estão entrando na
chamada idade da razão e conseguem pensar de maneira
lógica e ver as consequências de cada atitude que
adotarem. Começam a exercitar os questionamentos
como parte desse processo de desenvolvimento de suas
habilidades mentais. Quando os pais entendem isso
podem ter conversas produtivas e com total conexão
com os filhos. Nesse contexto, um diálogo sincero faz
toda a diferença para superação de conflitos. Exercitar a
escuta é fundamental para criar conexão.
71

Essa escuta requer que se percebam algumas


necessidades básicas dos filhos adolescentes, como o
desejo de ser ligado aos pais, de ser aceito, de ser cuidado
e de ser amado.
O desejo de se sentir ligado aos pais pode ser
suprido com tempo de qualidade juntos, de presença
efetiva, que gera sensação de segurança por sentir-se
amado. E essa ligação emocional requer comunicação.
Conversas corriqueiras à mesa das refeições costumam
ser geradoras de conexão.
A necessidade de sentir-se aceito como pessoa, em
sua individualidade, sem comparações, por exemplo, com
outros irmãos, alimenta o “tanque emocional” de amor
que cada um carrega consigo. É importante que os filhos
entendam que são aceitos, ainda que os pais não aprovem
alguns de seus comportamentos.
O sentimento de ser cuidado é experimentado
quando os filhos são valorizados e reconhecidos por seus
esforços e encorajados pelos pais a seguirem buscando o
desenvolvimento suas capacidades.
72

A necessidade mais básica experimentada por todo


ser humano e que se evidencia na adolescência é sentir-
se amado, sobretudo pelos pais, que lhes são tão
importantes. Sentir-se amado gera na pessoa humana
um sentimento de pertença e de sentido para a vida.
Além de perceber tais necessidades é necessário
entender que cada filho tem uma linguagem própria para
expressar amor e com a qual interpreta o amor recebido
dos pais.

Contato | E-mail: mary.caixeta.psi@gmail.com


73

Dialogar com os filhos requer disposição e


autoconhecimento, considerando que entender o mundo
externo passa primeiro por entender a nós mesmos.
Assim, os pais devem ter em mente que educação é um
processo contínuo e que os erros de ambas as partes são
excelentes oportunidades para o aprendizado. Portanto,
pais, tenham compaixão e tolerância consigo mesmos. O
importante é perseverar nos seus propósitos, pois o
caminho se constrói ao caminhar.

@caixetamary | /Mary Caixeta


74

Considerações sobre
sexualidade do adolescente:
Uma orientação aos pais
Rita Nunes Cardoso | CRP: 01/8904

Um dos assuntos mais complicados que tenho


observado no decorrer de meus atendimentos clínicos
a adolescentes e seus pais é a comunicação aberta e
eficaz entre eles, notadamente os relacionados à
sexualidade, afetividade amorosa e romântica entre
pares, definição de identidades e assuntos relacionados
a esse campo. Muitos pais, possivelmente por suas
vivências e orientações não recebidas, em seus
processos educativos, encontram dificuldades para
tratar com seus filhos do assunto sexualidade. Para
muitos, esse tema é um tabu levado de geração a
geração, embora seja encontrado largamente na
internet, redes sociais e outros meios de comunicação.
Apesar dessa grande publicidade, a comunicação entre
pais e filhos ainda é difícil nessa matéria, obrigando o
adolescente a encontrar estratégias frente a pressão de
amigos, da sociedade, da família e de si próprio na
busca do equilíbrio emocional.
75

Frente ao turbilhão de sentimentos desencadeados


pelas mudanças físicas e hormonais, na adolescência, cabe
aos pais se acercarem de orientação precisa, aberta e
segura que lhes possam proporcionar a confiança
necessária para transpor esse período de maior dificuldade
em suas vidas.
76

Com o intuito de ajudar os pais nessa tarefa, seguem


algumas considerações sobre o assunto:

conhecer as fases de desenvolvimento de cada idade e


situar o seu filho nelas. Lembrar que cada adolescente
é diferente em grau de amadurecimento;
jamais desqualificar o sentimento do adolescente por
mais infantil que ele pareça ser;
abrir a escuta, sem reservas, para esse e para outros
assuntos;
certificar-se de que não possuem amarras e tabus
acerca do tema ao abordá-lo sem constrangimento;
antes de emitir qualquer ponto de vista, acercar-se de
conhecimentos atuais sobre o assunto. Seus filhos
estão vivendo a adolescência numa época diferente da
sua, embora os sentimentos sejam os mesmos;
começar a conversar com os filhos o mais cedo
possível, conforme sua necessidade e grau de
evolução. Isso evitará que ele seja guiado por
informações deturpadas recebidas de terceiros e
fiquem suscetíveis a experiências traumáticas.
77

Algumas situações de risco podem acontecer tais


como: gravidez indesejada e contaminação por doenças
sexualmente transmissíveis.
Diante desses fatos, embora os pais estejam tomados
pela emoção, reações insensatas devem ser evitadas tais
como: explosão de raiva, virar as costas ao adolescente,
acusá-lo por ter sido “burro”, ameaçá-lo ou expulsá-lo de
casa, dentre outras. Ao invés disso os pais devem procurar
manter o autocontrole e oferecer uma atitude de ajuda
para avaliar todas as alternativas e possíveis soluções
naquele momento. O acolhimento, torna-se fundamental
deixando claro aos jovens que eles não estão sozinhos e
que não serão abandonados.
Se o jovem ainda não compreendeu ou definiu sua
sexualidade, é importante que os pais se coloquem numa
situação de entendimento e busca de conhecimento sobre
o assunto. A angústia frente ao desconhecimento de suas
emoções, as desqualificações dos amigos com acusações,
rótulos grosseiros e bullying faz com que o adolescente se
torne inseguro e se veja sem saída partindo para condutas
autodestrutivas, sentimentos de menos valia, depressão e
até tentativas de suicídio.
78

É importante que os pais tenham uma visão clara e


atualizada dos conceitos vigentes sobre sexualidade,
para serem capazes de orientar os filhos em suas
dificuldades. A leitura de livros, procura de profissionais
especializados no assunto e acima de tudo a posição
receptiva e de acolhimento, demonstrações de afeto,
validação de sentimentos são atitudes importantes
diante dos jovens. O amor, carinho e o respeito são os
maiores aliados nessa caminhada.

Contato | E-mail: ritancardoso@gmail.com


@ritancardoso
79

Automutilação na
adolescência: O que está
acontecendo?

Maria Rosiane Silva de Lima | CRP: 06/130185

A adolescência é marcada por diversas


mudanças físicas e psicossociais, tais como: conflito
com o inicio das relações sexuais, momentos de
incertezas, ansiedade, insegurança, isolamento, o
fortalecimento da autoimagem e autoestima,
amadurecimento emocional e mental; é uma fase
onde ocorrem muitos questionamentos sobre
imposições, regras, valores, identidade, conflitos
familiares e uma preocupação quanto à formação
de grupos de amigos.
80

Os comportamentos autolesivos na adolescência


podem começar a aparecer por volta dos 13 anos de idade
com a passagem para adolescência, onde estão em pleno
vapor, a construção de identidade e os sentimentos de
inadequação. Infligir lesões contra o próprio corpo pode ser
compreendido como um desvio do desenvolvimento
positivo ou sinal de uma adolescência patológica,
evidenciando um intenso sofrimento que não deve se
ignorado.

Estudos mostram que comportamentos autolesivos


revelam dificuldades nas esferas individual, familiar e
social, resultante de uma tentativa desesperada de mudar
uma situação insustentável. No âmbito individual o
adolescente que pratica a automutilação apresenta, com
frequência, baixa autoestima, depressão, frustração e ou
ansiedade, insegurança, tristeza e pouco contato social.
81

As famílias, em grande parte, apresentam conflitos


frequentes e redes de sociabilidade deficitárias, com
dificuldades de exercer uma parentalidade que possam
transmitir segurança e encorajamento para os adolescentes.
Os jovens por sua vez costumam não estar inseridos em
grupos juvenis ou em estruturas da comunidade.
Como mencionado acima, a automutilação está muitas vezes
ligada à depressão, porém é importante frisar que não são
todos os adolescentes que estejam passando por um quadro
depressivo que recorrem a comportamentos autolesivos. É
importante ter atenção para alguns sintomas que podem
indicar que algo está disfuncional, tais como:
Mudanças no sono;-
Alterações no apetite, incluindo mudança no peso;
Falas que remetem a intenções suicidas;
Isolamento social, jovens que se distanciam do convívio
com as demais pessoas, não desenvolvem amizades
importantes;
Surgimento de algum transtorno de personalidade, como
por exemplo o transtorno de personalidade borderline.
82

Importante se atentar se o adolescente estiver usando


com frequência roupas mais longas, mesmo em
períodos quentes, esse comportamento pode indicar
que esteja escondendo as lesões.
Procurar cicatrizes como: arranhões, escoriações, que
tenham sido feitas de forma intencional em outras
partes do corpo, como nas pernas ou abdômen. Alguns
adolescentes podem tentar cobrir as autolesões com
curativos.

É extremamente importante desenvolver uma conexão


com o adolescente de modo que ele se sinta aceito,
oferecendo escuta empática, sem julgamentos, com
atenção ao que ele esteja trazendo, que seja algo genuíno.
Interessando-se em saber como está sendo a sua rotina,
como tem se sentido nos últimos dias, se tem pensado em
morte ou em se machucar.
Cabe ressaltar que falar sobre a automutilação é
essencial para que possa abrir um caminho para que o
adolescente peça ajuda. Não gerará incentivo a
comportamentos autolesivos, como algumas pessoas
consideram.
83

Os comportamentos autolesivos podem ter três


objetivos principais:
Momentos nos quais há algum tipo de conflito de
ordem psíquica, no qual tenha pensamentos
intrusivos e emoções difíceis. A autolesão pode dar
uma sensação de concentração em algo real e
concreto que esteja acontecendo naquele momento.
Outro objetivo seria o de aliviar uma dor emocional
com uma dor física, pois quando há algum tipo de
corte, o corpo libera substâncias opióides,
encontradas por vezes em psicofármacos, possuem
efeitos analgésicos que, de fato, aliviam
temporariamente a dor emocional. Entretanto, geram
depois sentimentos de culpa, ocasionando, assim,
novas crises.

Contato | E-mail: rosianelimapsique@gmail.com


WhatsApp: (11) 98097-3275
84

Por último, é um pedido de ajuda. Quando ocorre a


automutilação, provavelmente, a pessoa já
apresentou outros sintomas que transpareciam que
não estava bem, mas pode não ter sido vista com a
devida atenção. Nunca ignore um pedido de ajuda.
Auxilie o jovem a buscar ajuda especializada de
psicólogos e psiquiatras. Será de extrema
importância para compreensão dos motivos e
construir novas habilidades para lidar com os
desafios emocionais que a pessoa não esteja tendo
recursos emocionais para lidar com eles.

@_rose.lima_
85

Como ajudar nas


escolhas e decisões dos
adolescentes de uma
maneira gentil e firme
Alexandra Toledo | CRP: 06/67793

Meu interesse maior pela temática da


adolescência surge durante os atendimentos
clínicos e vivência com projetos nas escolas, ouvindo
muitas queixas dos pais e educadores dizendo que
não compreendem os adolescentes, que ora eles
estão de um jeito, ora de outro, escolhe uma coisa,
ora outra, são tantas escolhas e decisões que não
sabem como acessar o mundo deles para ajudá-los.
Primeiro, devemos entrar neste mundo dos
adolescentes, compreender como acontece este
processo de transformação que envolve estresse e
instabilidade para todos (pais, educadores).
86

Segundo Daniel Siegel (2016, p.7), a adolescência é um


período da vida que pode ser ao mesmo tempo
desconcertante e maravilhoso. Com uma duração que vai
aproximadamente dos doze aos vinte e quatro anos de
idade (sim até meados dos vintes anos!), a adolescência é
conhecida em várias culturas como a época de grandes
desafios, tanto para os adolescentes quanto para os
adultos que os rodeiam.

Claro que a adolescência é uma fase do processo de


crescimento, com mudanças psicológicas e corporais, e
uma relação nova com os pais e o mundo, que cabe aos
pais e educadores compreender este período e vivenciar
junto com os adolescentes. Estas mudanças podem
oferecer riscos e oportunidades: as primeiras mudanças
cerebrais que ocorrem na adolescência começam em
experimentar alterações físicas e emocionais, e
afastamento dos pais.
87

As alterações cerebrais durante os primeiros


anos da adolescência estabelecem quatro qualidades da
mente durante esse período: a busca por novidade, o
engajamento social, o aumento da intensidade
emocional e a exploração criativa. Há mudanças nos
circuitos básicos do cérebro que tornam o período da
adolescência diferente do da infância. Essas mudanças
afetam a forma de os jovens buscarem recompensas ao
tentar coisas novas, ao se relacionarem com amigos e ao
se rebelarem contra modos habituais de fazer as coisas,
criando novas maneiras de ser no mundo (SIEGEL, p.12).
É positivo para os adolescentes receberem
incentivos dos pais para seguirem seus próprios desejos.
Contudo, não é tarefa fácil para os pais/educadores que
pensam em um futuro próspero para seus filhos/alunos,
visto que a prosperidade está muitas vezes relacionada
a reconhecimento e valorização vista pela sociedade.
Uma experiência inesquecível, quando pais e
educadores praticam o autoconhecimento e o
reconhecimento interior, vivenciam fatos do passado,
que facilitam o comportamento exterior, podendo ter
atitudes adequadas com os adolescentes.
88

A Disciplina Positiva proporciona este momento de


liberdade com ordem, escolhas limitadas e escolher dentro
dos limites que demonstram respeito por todos. Rudolf
Dreikurs ensinou a importância de ser gentil e firme em
nossas relações com os adolescentes. Gentileza é
importante para mostrar respeito pelo adolescente.
Firmeza é importante para mostrar respeito por nós
mesmos e conforme a necessidade da situação.
Com isto, algumas dicas de acordo com a Disciplina
Positiva, ajudam aos pais e educadores a compreenderem
as escolhas e decisões dos adolescentes, podendo ajudar
de uma maneira gentil e firme.
Coloque-se no lugar do seu filho e seja empático,
procurar saber o que o adolescente sente, ao invés de
julgá-lo.
Ouça e seja curioso, mesmo não concordando com as
atitudes e falas do adolescente, mantenha uma escuta
ativa.
Pare de se preocupar com o que os outros pensam –
faça o que é melhor para seu filho adolescente.

Contato | E-mail: psi.alexandratoledo@gmail.com


WhatsApp: (11) 99691-0778
89

Substitua humilhação por encorajamento, palavras que


incentivam e reforçam um comportamento a longo
prazo.
Certifique-se de que a mensagem do amor seja
compreendida, demonstre claramente para o
adolescente que ele é importante, amado e respeitado.
Encoraje seu filho adolescente a se concentrar em
soluções.
Faça acordos respeitosos, que sejam pensados em
conjunto.
Atenção, para adquirir novas habilidades de conexão
com os adolescentes têm que ser passo a passo, não vai
ser de um dia para o outro. Aos poucos, até surtir efeito e
perceber que as suas atitudes estão influenciando de
forma positiva na vida do adolescente.
Quando os adolescentes são criados com escolhas,
responsabilidades e consistência têm maior probabilidade
de desenvolver as habilidades sociais e de vida que lhes
ajudarão muito ao longo de suas vidas.

@aletoledopsi | /ale.toledo.712
90

Ser pai ou educador desperta emoções desconfortáveis,


mas ao invés de se deixarem sentir essas emoções, muitos
estão mudando seus hábitos na hora de educar. A forma
como navegamos nas águas da adolescência – se como
indivíduos jovens na jornada ou como adultos ao lado
deles – pode ajudar a levar o navio que é a nossa vida a
águas traiçoeiras ou a aventuras excitantes. A decisão é
nossa. (SIEGEL, 2016, p.15).
91

Disciplina Positiva:
aquecendo a psicoeducação
e a comunicação com a
“Reunião de família”

Bethânia Miranda Ferreira | CRP: 05/22562

Olá famílias! Desde 1996, trabalho com grupo de


adolescentes e percebo que a comunicação entre as
famílias é bem deficiente, para não dizer precária.
Encontro, hoje, ao estudar a Disciplina Positiva,
material contemporâneo no qual poderemos auxiliar
as famílias, de forma mais pontual e direta devido às
ferramentas e estratégias simples e eficazes da
mesma.
Vamos bater um papo, e este material desejo
que chegue a todos: pais/mães, pais solteiros, mães
solos. Onde temos mais de um membro já é uma
comunidade, e nossa família é uma comunidade. A
qual encontra suas soluções, e poder pensar/sentir e
decidir dentro da mesma.
92

Afinal, como é sua família? Neste capítulo, quero ativar


sua criatividade/curiosidade, abordando a “Reunião de
Família”, uma das ferramentas com o foco na solução
desenvolvida por Jane Nelsen, onde partiu da própria
vivência, com seus filhos, esposo e dia a dia.

A Disciplina Positiva nos coloca 5 pilares:


1. Ajuda no desenvolvimento da autoestima das crianças e
adolescentes;
2. Estimula o respeito e o encorajamento;
3. É eficaz em longo prazo;
4. Ensina habilidades sociais e de vida;
5. Convida as crianças a descobrir o quão capaz elas são.

Todos são importantes, contudo, os pilares 04 e 05, a meu


ver, tocam diretamente na “Reunião de Família”, abordando
aspectos fundamentais para desenvolver habilidades sociais
ativando a psicoeducação que visa à ação sobre como
adquirir novos hábitos, e a comunicação respeitosa entre os
membros, auxiliando e iniciando a dinâmica da Reunião de
Família.
A Reunião de Família acontece em algumas etapas e tem
algumas características importantes que devem ser seguidas
para que seja mais efetiva:
93

Reconhecer e apreciar: sempre iniciar as reuniões


reconhecendo e apreciando as atitudes uns dos
outros;
Avaliar as soluções: façam um levantamento do que
foi conversado na reunião passada e se as soluções
encontradas foram úteis ou precisam ser revistas;
O tempo indicado de duração da reunião é de 20 a 30
minutos e deve ser estipulado fora de seus
compromissos, para que não aconteçam sabotagens;
Quanto à pauta, podem escolher entre: compartilhar
sentimentos, discutir assuntos e elaborar soluções e
que nada fique pesado ou de responsabilidade de um
único membro,
Planejamento: a reunião também pode ser realizada
para planejar eventos, atividades em família, todos
devem participar de forma divertida.
Frequência: é indicado que as reuniões aconteçam
toda semana, para que possam acompanhar as
soluções e criarem um momento de diálogo.
94

Para que a reunião seja realmente efetiva, ela


envolve treinamento e prática. São estratégias que
estreitam os vínculos pessoais, familiares e sociais.
Teremos crianças, adolescentes e adultos saudáveis e
cultivando uma comunicação respeitosa. A comunicação
é ativada com a Reunião de Família, os membros
desenvolvem o saber falar, a usar regras, e não acusar,
por exemplo: “os brinquedos fora do lugar, quem foi?”. O
modelo novo (reunião de família): “o que devemos fazer
quando os brinquedos estão fora do lugar?”.

Contato | E-mail: psitc.miranda@gmail.com


WhatsApp: (22) 99837-7260
95

Alfred Adler pontuava que o comportamento


humano é motivado pelo desejo de pertencimento.
Assim, com os estudos e práticas passamos a
compreender que ao aplicar a Disciplina Positiva e
utilizando a ferramenta “Reunião de Família”, é uma das
formas gentis e firmes para comunicar, ensinar,
encorajar, psicoeducar, fazer com que as famílias
compreendam e não se punam. ENCORAJAR – “dar ou
tomar coragem, ânimo, incentivo, estímulo”.
Se entenderem a importância da “Reunião de
Família” terão uma ótima e valiosa ferramenta que irá
favorecer a todos, validando as emoções a cada
encontro. A sugestão deste material é “Estudar para
Educar”, que os pais aprendam a usar de maneira gentil e
firme e se tornem companheiros de seus filhos, sendo
capazes de orientá-los, sem reprimir ou tornarem
rebeldes.

@bethaniamiranda.psi | /bethaniamiranda.psi
96

No meu Instagram @bethaniamiranda.psi desenvolvi um


material que poderá ajudar a cada encontro estreitando os
vínculos – “O Diário das Emoções”. Peça o seu e deixe seu
comentário. Faça sua “Reunião de Família” ter mais um
recurso para uma Comunicação Respeitosa.
97

Adolescência:
convivendo com os
desafios dessa linda fase
do adolescer

Maria Elisa Tagliarini | CRP: 06/22226-3

“O desafio da criação dos filhos consiste em encontrar um


equilíbrio entre nutrir, proteger e guiar, por um lado, e
permitir que seu filho explore, experimente e se torne uma
pessoa independente e única, por outro.” (Jane Nelsen)

Você já parou para pensar que o seu filho ou


filha que há pouco tempo era um bebê, dependendo
de todos os seus cuidados, cresceu e que hoje é um
adolescente? E que você sempre presente, estava ao
seu lado, encorajando-o nos momentos em que mais
precisou de você? Seja quando começou a andar,
quando começou a falar, quando tirou as fraldas e
quando foi à escola pela primeira vez. Não foi fácil não
é mesmo? Quantos desafios, muitas vezes você
pensou que não iria conseguir, mas você conseguiu.
98

E a temida fase por alguns pais enfim chegou: a


adolescência. Fase muito importante neste lindo processo
do adolescer que vem do Latim e significa crescimento.
Fase da contestação, mas também a fase da construção.
Durante essa fase o que todos os adolescentes estão
tentando descobrir é “Quem sou eu, e será que sou bom o
suficiente?”.
99

Você lembra de quando ele começou a andar e caiu


várias vezes e que em algumas delas, ele até se machucou?
Mas você sempre por perto animava-o e incentivava-o a
continuar. Nesta fase da adolescência ele não está
aprendendo a andar, dando seus primeiros passinhos, mas
está aprendendo a ser um adulto. Da mesma forma que
você teve que soltá-lo para aprender a andar, também terá
que soltá-lo para torná-lo um adulto.

Você sabe que quando o deixar ir, ele tropeçará e


cairá, cometerá erros, mas você entenderá que isso é
apenas parte do processo de crescimento. Lembra da sua
adolescência? Você também tropeçou, caiu e cometeu
erros, não é mesmo? O que o seu filho ou filha adolescente
precisa é que você o encoraje, anime-o e mostre que você
acredita que ele conseguirá.
100

A adolescência é uma fase importante no processo de


crescimento. Durante essa fase, os adolescentes tentam
descobrir quem são e tentam afastar-se de seus pais na
busca da sua autonomia, que muitas vezes é entendida
por alguns pais de forma errônea.
Muitos pais querem continuar no controle da vida de
seus filhos adolescentes, como fizeram até hoje. Eles têm
medo de que, se entregarem o controle aos filhos
adolescentes, estes se envolvam em problemas, se
magoem, fracassem ou talvez até morram. Com esse medo
em mente, muitas vezes se tornam pais ineficazes,
causando mais rebeldia com seu jeitos super
controladores.
É claro que, como mãe ou pai, você está ao lado de
seus filhos, mas muitas vezes eles não percebem que você
está ao lado deles. Em nome dos melhores interesses de
seus filhos, muitos pais perdem de vista o significado de
estar do lado deles e o que realmente ajudará seus filhos a
desenvolver o caráter e as habilidades de vida de que
precisam para ter sucesso na vida.

Contato | E-mail: metagliarini@hotmail.com


WhatsApp: (19) 99790-1211
101

Hoje há um foco em tornar os filhos felizes e ajudá-


los a desenvolver uma autoestima saudável. No entanto,
os pais ainda usam os velhos métodos de supercontrolar
ou superproteger, o que torna difícil para os filhos se
sentirem bem consigo mesmos.
Seu desafio como pai ou mãe é evoluir e mudar tão
rápido quanto os tempos e tão rápido quanto seus filhos
adolescentes. Mudar não é fácil, mas é claro que você pode
conseguir se souber que vale a pena. O primeiro passo é
parar de tratar seus filhos como bebês, especialmente
seus filhos adolescentes. Você precisa tratá-los como
pessoas dignas de respeito e capazes de aprender,
contribuir e amadurecer. Pode ser muito difícil soltar seus
filhos, mas é fundamental acreditar na capacidade básica
que eles tem de aprender sem serem controlados ou
superprotegidos por você.

@psicologa_maria_elisa | /Psicologa - Maria Elisa Tagliarini


102

Compreendendo a
adolescência
Silvana Moscoso | CRP:

A adolescência é uma fase de descobertas e


experimentação. Com uma duração que vai de
aproximadamente 12 aos 24 anos. Por volta dessa
fase há uma explosão no crescimento e maturidade,
com alterações físicas e emocionais (Siegel, 2016).
Ser adolescente é muito angustiante, pois eles estão
em formação, alternando no ser infantil e ser adulto,
não é tão novo pra ter certas atitudes, nem tão velho
para agir como adultos. É um jogo de aproximação e
distanciamento, onde a identidade vai sendo
formada. Ainda precisam do olhar aprovador dos
pais pra saber se estão no caminho certo. Outro
ponto é quanto ao desenvolvimento sexual que
estava em latência e nessa fase retorna de forma
intensa, precisando de um olhar mais atento para
essas questões (SILVA & SOARES, 2001).
103

Esse é um momento de assumir papéis que muitas vezes


ainda não se sentem preparados, é um período que eles não
sabem exatamente quem são, pois deixaram de ser crianças,
mas ainda não são adultos. Fica alternando nesses dois
mundos (ANDRADE, MEIRA & VASCONCELOS, 2002 & ALMEIDA
& PINHO, 2008). O modo como percorremos os anos da
adolescência tem uma forte influência em como nos
comportaremos na vida adulta. Mais do que “sobreviver” à
adolescência, essa fase pode ser de fortalecimento do nosso
self, construindo identidades encorajadoras e saudáveis
(Siegel, 2016).
Erikson observou na adolescência a fase de crise de
identidade, isto é, uma confusão sobre quem ele é. Crise no
sentido de reajuste, passagem, oportunidade, perigo, forma
de adaptação. É importante nesse período ele resgatar quem
ele foi até então e pensar em quem ele quer ser. O
crescimento saudável ocorre quando o adolescente consegue
elaborar esse momento, rejeitando o que não lhe agrada e
incorporando influências significativas ao longo da vida. O
conceito de identidade para Erikson é um processo de
construção do eu que nunca acaba, desenvolvido no decorrer
da vida dentro dos contextos socioculturais (ALMEIDA &
PINHO, 2008).
104

Quanto mais desenvolvida a identidade, mais os


jovens consolidam o autoconceito, fortalecendo a
autoconfiança e mais claras ficam suas capacidades,
habilidades e limitações. Mas se essa identidade não
tiver uma base sólida, mais influenciável se torna o
indivíduo e mais difícil é pra se fazer escolhas na vida
(HOWES, 2012; SARRIERA, 2001).
Os adultos têm um papel muito importante nesse
processo de construção da personalidade, pois a maneira
como veem os adolescentes, como os definem, podem
moldar a maneira como eles próprios se enxergam e se
comportam. Por isso deve-se ter cuidado a comentários
negativos como, “você é muito desobediente”, “esse
menino é impossível, preguiçoso, etc”. O que ocorre
nesses casos é que eles acabam moldando seu
comportamento com base nessas informações. O ideal é
reforçar aspectos positivos, de forma genuína e
verdadeira. Tratá-los da maneira como você gostaria que
eles fossem, demonstrando que são capazes de tornar-se
pessoas de valor (Siegel, 2016).
105

Assim a adolescência será uma fase criativa, intensa e


de muito engajamento social. Demonstre confiança que
essa pessoa será capaz de ser confiável. Porém a confiança
é conquistada através de atitudes do próprio adolescente,
assim como a liberdade. Através de atitudes responsáveis
e adaptadas por parte do adolescente ele vai
conquistando sua liberdade responsável (Siegel, 2016).
106

Os adultos precisam manter o canal de comunicação com os


adolescentes aberto, através de uma escuta ativa,
compreensiva, da troca, do respeito e da negociação. É
importante que os pais compreendam essa fase para poder
auxiliá-los da forma assertiva. Bloquear a comunicação pode
levá-lo para comportamentos de isolamento social,
introversão, desconexão. Tem comportamentos juvenis que
criam estranhezas nos pais, que por desconhecimento
acabam agindo de forma que reforçam os comportamentos
desafiadores indesejados (Nelsen, 2019).

A adolescência é apenas uma parte do processo de


crescimento. Seus comportamentos são apenas temporários.
Quando crescer o adulto não será a mesma pessoa que era
quando adolescente. Nessa fase de adolescência eles passam
por um processo conhecido como individuação. Esse processo
é representado por algumas características descritas abaixo
(Siegel, 2016).
107

Na individuação é comum os adolescentes se


afastarem dos pais. Se distanciam mais dos adultos e se
aproximam dos iguais. Na verdade eles estão testando
novos limites, explorar o desconhecido, se relacionando
socialmente, o importante é “a galera”, questionam seus
padrões familiares. Nessa fase começam a enxergar os
pais como pessoas reais, não mais idealizadas, mas com
falhas e limitações. Muitas vezes confundida como
rebeldia, mas não é nada pessoal, é apenas a
necessidade de ampliar os horizontes. É através de seus
pares que o adolescente vai colocar em prática tudo que
foi aprendido quando criança. Aproveitando o que faz
sentido e liberando o que não concordam (Nelsen, 2019).
Outro comportamento comum da individuação é a
necessidade de privacidade. Por isso adolescentes
gostam de se isolar no quarto. Uma outra maneira do
adolescente proteger sua privacidade é mentindo. Daí a
importância de se criar uma atmosfera em que o
adolescente se sinta seguro para lhe dizer a verdade. E
isso é adquirido através primeiramente do exemplo
pessoal, e da construção de uma relações baseadas na
gentileza e firmeza. Através da compreensão e
orientação sem julgamento e estereótipos (Nelsen, 2019).

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108

Nessa fase os adolescentes acham que “sabem tudo”.


Para isso os pais precisam ter paciência, não de controle
e manipulação. O que eles estão buscando é construir
suas próprias opiniões e para isso muitas vezes vão
contra o ponto de vista dos pais. Ao invés de querer ser o
piloto da vida do seu filho, seja o copiloto. Estando
presente e tomando o comando quando necessário, mas,
ciente de que quem é o principal responsável por suas
atitudes e consequências são eles. O importante é
encorajar o seu filho adolescente a ser um piloto
qualificado e responsável (Nelsen, 2019).
109

Aproveitem os erros como oportunidades de aprendizado.


Algumas vezes os adultos veem os impulsos em direção à
experimentação, característicos da adolescência, como
negativos, porém se os adultos reprimem isso, a paixão por
novidades será frustrada. Buscar novidades é uma maneira
de nos adaptarmos a um mundo eternamente em mudança.
Quando enxergamos a adolescência como um momento
favorável para criatividade, descobertas, experimentação,
relacionamentos intensos, socialização e a valorizamos como
um aspecto positivo, essa fase se torna de grande
importância a qual deveríamos não temer, mas cultivar e
aproveitar ao máximo (Siegel, 2016).
110

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