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O Povo Brasileiro (Darcy Ribeiro)

Cap. 1.

O povo brasileiro foi formado pela confluência entre portugueses, índios,


negros africanos e imigrantes (japoneses, árabes e europeus) principalmente.

A nação brasileira não surge da evolução de formas anteriores de sociedade,


em que grupos humanos se estruturaram em classes opostas se unindo para
atender às necessidades de sobrevivência e progresso. Surge, sim, da
concentração de uma força de trabalho escrava, recrutada para servir a
propósitos mercantis alheios a ela, através de processos tão violentos de
ordenação e repressão que constituíram, de fato, um continuado genocídio e
um etnocídio implacável. “estratificação classista de nítido colorido racial”.

A costa Atlântica inicialmente era ocupada por índios de diferentes matrizes,


sendo a matriz Tupi a de maior prevalência. Era constituída por uma miríade de
povos tribais, que quando cresciam se bipartiam e um hostilizava o outro. Com
a chegada dos portugueses a realidade dos índios mudou, pois, muitos índios,
aliciados pelos portugueses, se voltaram contra outras tribos, outros se
voltaram contra os portugueses, mas acabaram sendo dizimados.

A metrópole portuguesa sofria forte influência da igreja católica (Roma –


Vaticano), em nome da fé e das cruzadas católicas permitiam que povos
fossem escravizados, terras fossem tomadas. Soma-se a isso a revolução
mercantil de Portugal, a qual possibilitou melhores tecnologias de navegação,
contribuindo para o descobrimento do Brasil.
Cap. 2. (O enfrentamento dos Mundos)

Quando os portugueses desembarcaram de suas naus nas praias brasileiras,


os índios acharam que eles eram pessoas enviadas por seus deuses. Muitos
índios, com essa crença embarcaram nos navios portugueses, rumo á Europa.
Depois do pau-brasil, o índio passou a ser a principal mercadoria de
exportação para a metrópole.

“Mais tarde com a destruição das bases da vida social indígena, a negação de
seus valores, o despojo e o cativeiro, muitos índios deitavam em suas redes e
se deixavam morrer. ”

O Brasil foi descoberto/invadido/achado pelos Portugueses. Ao longo do


primeiro século da invasão, a função dos jesuítas era minar as lealdades
étnicas dos índios, fazendo com que eles servissem aos colonos e fossem
catequizados. Porém no segundo século os jesuítas adotaram um papel de
protetor dos índios, defendendo seus interesses. Diante do evidente choque de
interesses entre a Coroa de Portugal, os jesuítas foram presos.

A fé serviu como uma alienação iluminada, justificando os atos desumanos


praticados durante a expansão ibérica. Ao final do segundo século as coroas
optaram pelo projeto colonial, pois os místicos já tinham cumprido seu papel de
dignificar a ação conquistadora.
Cap. 3. – O processo civilizatório

Dois estilos de colonização se inauguram no Norte e no Sul do Novo Mundo, o


gótico e o barroco.

O gótico é caracterizado por frias gentes nórdicas, transladado em famílias


inteiras para compor a paisagem de que vinham sendo excluídos pela nova
agricultura. Os senhores góticos não esperavam riquezas de suas novas
pátrias, não se sujeitavam ao mundo europeu, porque de lá saíram. O lado
nórdico se constituiu um povo livre, dono de seu destino, que engloba toda a
cidadania branca, dando lugar ao amadurecimento de uma sociedade
democrática, fundada nos direitos de seus cidadãos, englobando também os
negros.

Já o barroco era formado por gente ibérica, mestiçada, mesclando-se com os


índios, porém sem lhes reconhecer direito se não o de multiplicarem-se em
mais braços para o serviço. A Europa vislumbrava nos índios e negros mão de
obra indispensável para gerar riquezas. A classe dominante se apoderava de
todas as terras, obrigando os gentios subjugados a trabalharem em terra
alheia.

Ao Sul o que se engendra é uma elite de senhores da terra e de mandantes


civis e militares, montados sobre a massa de uma subumanidade oprimida, a
que não se reconhece nenhum direito. A evolução dessa formação dá lugar a
uma sociedade baseada na feitoria latifundiária, hostil ao seu povo, condenado
ao arbítrio, à ignorância e à pobreza.

A base da sociedade brasileira foi formada por uma brutal escravidão, de um


processo civilizatório que interrompeu a linha evolutiva das populações
indígenas brasileiras. “Dominação e transfiguração”.
Gestação Étnica

Cap. 1. – O cunhadismo

A instituição social que possibilitou a formação do povo brasileiro foi o


cunhadismo. Consistia em um sistema classificatório de parentesco utilizado
pelos índios, incorporando estranhos à sua comunidade, e se relacionando uns
com os outros. Essa era uma forma de recrutar mão de obra para os trabalhos
realizados.

Como forma de preservar os interesses da coroa, foram instituídas as


donatarias no Brasil Colônia. Os contemplados deveriam tomar posse de suas
terras, ocupa-las, povoa-las e fazê-las produzir, elevando a economia colonial a
um novo patamar.

A povoação do Brasil ocorreu através da transladação forçada de degredados,


muitos presos condenados em Portugal foram enviados ao Brasil, com suas
penas perdoadas, para ajudar na ocupação do país, defendendo-o contra as
iminentes ameaças da França, Alemanha e Holanda que também estavam
ocupando a costa Brasileira.

Com o tempo, o escambo praticado pelos portugueses como forma de aliciar


os índios com sua mão de obra foi sendo pouco valorizado pelos índios, pois
eles queriam melhores ferramentas por sua mão de obra, além de que eles
precisavam ir cada vez mais longe para colher o pau-brasil. Nessa altura, a
escravidão começou a impor-se como forma de conscrição da mão de obra.
Cap. 2. Moinhos de Gastar gente

Os mamelucos exerceram um importante papel na expansão portuguesa no


Brasil Colônia. Foram considerados agentes da civilização. Por terem nascidos
em um contexto de cativeiros, os mamelucos eram extremamente flexíveis,
moldável às circunstâncias que se apresentavam

Mamelucos = Brasilíndios

Os Afro-brasileiros – Os negros inicialmente foram trazidos ao Brasil para


complementar a mão de obra escrava nos moinhos e minas. Constituiu a
massa trabalhadora que produziu quase tudo que aqui se fez, remarcando o
amálgama racial com suas cores fortes.

Inicialmente o negro teve um papel na formação cultural brasileira pouco


relevante, exercendo um papel cultural mais passivo do que ativo.

Os negros africanos cresciam em um contexto extremamente diversificado e


hostil na África, em meio a centenas de povos tribais, cada um com sua própria
língua e costume, constituindo uma imensa Babel de línguas. Tudo isso
alinhado à política de evitar a concentração de escravos negros de uma
mesma etnia, nas mesmas propriedades impediu a formação de núcleos
solidários, que passassem adiante o patrimônio cultural africano.

Com o passar do tempo, esses negros conseguiram aprender o português,


utilizando para comunicar entre si.

Aos poucos, foi se instituindo uma comunidade de negros cativa, que nem
existia para si, e nem se regia por uma lei interna do desenvolvimento de suas
potencialidades, uma vez que só vivia para outros e era dirigida por vontades e
motivações externas que o queriam degradar moralmente e desgastar
fisicamente para usar seus membros homens como bestas de carga e as
mulheres como fêmeas animais.

A base ecológica do Brasil foi pautada na monocultura, no escravismo.

Uma vez na condição de escravo, só se sai pela parta da morte ou da fuga.


Muitos negros e índios, como forma de fugir dessa realidade optaram pela fuga
voluntariada do suicídio. O negro vivia em média de 7 a 10 anos, morrendo
logo após de estafa. P. 90

A vigilância perpétua e a violência atroz da punição preventiva eram os


mecanismos utilizados para manter os escravos na linha.

Todos nós brasileiros somos carne da carne daqueles pretos e índios


supliciados. Somos a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a
crueldade mais atroz que aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida
e sofrida que somos e a gente insensível e brutal que também somos. P. 91

Os Neobrasileiros: Retrata a evolução da língua tupi, utilizada com


predominância até meados do Século XVII, para o Português, se completando
no século XVIII. Além disso, a tecnologia produtiva que inicialmente era
indígena, foi aos poucos sendo substituída e aprimorada a técnicas europeias
de produção

Os Brasileiros: Diferenciação entre a formação dos diferentes povos


americanos. Por que alguns povos progrediram aceleradamente enquanto
outros se atrasaram e ainda se esforçam por modernizar-se? P.95

- Povos transplantados; a identidade étnica já veio perfeitamente definida da


Europa, tendo facilidade em incorporarem em uma nova civilização surgida no
seio de suas matrizes.

- Uniformidade linguística.
O Brasil é a realização derradeira e penosa dessas gentes tupis, chegadas à
Costa Atlântica um ou dois séculos antes dos portugueses, e que desfeitas e
transfiguradas, vieram dar no que somos: uns latinos tardios de além-mar,
amorenados na fusão com brancos e com pretos, deculturados das tradições
de suas matrizes ancestrais, mas carregando sobrevivência delas que ajudam
a nos contrastar tanto com os lusitanos. P. 98.

Cap. 2. Bagos e Ventres

O processo de desindianização:

Registros históricos não são precisos quanto ao número exato da população


indígena quando os portugueses chegaram. Darcy Ribeiro defende o número
de 5 milhões de índios, baseado em estudos de depopulação da população
mexicana, após a conquista.

O processo de desindianização ocorreu de maneira sistemática e contínua.

No primeiro século aproximadamente 1 milhão de índios foram dizimados


através de doenças e epidemias trazidas pelos portugueses.

No secundo século, a dizimação continua através das epidemias e do desgaste


do trabalho escravo e de guerras, reduzindo mais 2 milhões de índios.

No terceiro século mais 1 milhão de índios foram dizimados, e desde então


com a ocupação de vastas áreas florestais em São Paulo, Minas Gerais,
Paraná e Santa Catarina, e com a abertura da expansão do Brasil essa
população vem minguando paulatinamente. P. 107/108.

- Genocídio = ocorreu através das guerras de extermínio, desgaste do trabalho


escravo, virulência das novas enfermidades.

-Etnocídio = ocorreu através da desmoralização pela catequese, pela pressão


dos fazendeiros que iam apropriando de suas terras, do fracasso de suas
tentativas de encontrar um papel e um lugar no mundo dos brancos. P. 108
Isso faz com que eles (índios) transitem da condição de índios específicos com
sua raça e cultura peculiares à de índios genéricos.

Cândido Rondon = estabeleceu a política indigenista oficial. Direito à diferença;


o objetivo não era transformar ou exterminar os índios, mas proporcionar a ele
ferramentas e orientações adequadas, assegurando a ele o direito de ser índio
mediante a garantia de um território onde possam viver sossegados, a salvo de
ataques, podendo reconstituir sua vida e seus costumes. P. 110.

Processo Sociocultural

Cap. 1. Aventura e rotina.

A empresa Brasil –

As empresas do Brasil colônia eram divididas em empresa escravista


(dedicada à produção de açúcar/ mineração do ouro, baseadas na força de
trabalho escrava), Empresa comunitária jesuítica utilizando a mão de obra
servil dos índios. A terceira foram as microempresas de produção de gêneros
de subsistência e criação de gado. P.135

Cap. 2. A urbanização caótica

Cap. 3 Classe, cor e preconceito

O Brasil é estratificado em várias camadas sociais, sendo a distância social


entre as classes muito significativa.

Classes dominantes

Setores intermediários
Classes subalternas

Classes oprimidas/ marginalizadas

As classes sociais brasileiras correspondem a um losango, tendo sua base


bastante alargada e seu topo fino, como um funil invertido.