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Perdas Necessárias – Judith Viorst

Para onde quer que olhemos, todos nós estamos lidando com diferentes tipos
de perdas a todo momento. Quando falamos em perda, não nos referimos
apenas à perda da morte, mas sim a qualquer tipo de perda que contempla
nossa efêmera existência. Separações e partidas, perdas de sonhos, perda da
saúde, perda da juventude.

Todas essas são perdas necessárias ao constante aprendizado humano.


Perder significa amadurecer ante aos desafios que a vida nos impõe, pois, a
estrada do desenvolvimento humano é pavimentada com renúncias e perdas,
perdas essas que de alguma forma contribuem, ainda que de maneira
dolorosa, para o nosso desenvolvimento. “Perder suga “.

Cap. 1. O alto preço da separação

A partir do instante em que somos lançados à vida, sofremos nossa primeira


perda, a perda do útero materno. Um lugar aconchegante e seguro ante ao
hostil mundo externo ao qual somos lançados.

O nosso primeiro vínculo humano ocorre com as nossas mães, porém nossa
primeira perda humana também ocorre com ela. A presença de nossas mães
representa segurança, já sua separação, ainda que momentânea, provoca
ansiedade e medo de perdê-la para sempre.

A ausência temporária da mãe, ao longo dos 6 primeiros anos de vida, nos


ensina um temor de perdê-la para sempre. Quando sua privação é constante,
estudos comprovam que ocorrem lesões em nosso cérebro, causando
prejuízos emocionais que podem perdurar por toda nossa vida. P.21.

Apenas aos 3 anos, começamos a aprender que a mãe ausente está viva e
bem, e que em breve voltará para nós. P.23.
A ausência produz uma série de respostas como protesto, desespero e
alheamento (aprisionamento do sentimento para afrentar a perda, mostrando
externamente indiferença). P.24.

“A ausência congela o coração, não aumenta o amor”.

Separações graves no começo da vida deixam cicatrizes emocionais


permanentes em nosso cérebro, pois atacam a conexão humana essencial: o
elo mãe-filho que nos ensina que somos dignos de ser amados e o elo mãe-
filho que nos ensina a amar. P.27.

O preço da separação nos anos iniciais de nossas vidas é muito alto, quando
nossa mãe se ausenta, ainda que brevemente, pensamos que fomos
abandonados e que ela não voltará. Quando essa separação ocorre de forma
permanente o preço é ainda mais alto, pois ocorre uma ruptura com o nosso
primeiro vínculo humano, o vínculo materno, fazendo com que todos os nossos
outros vínculos fiquem prejudicados de alguma forma.

Não conseguimos lembrar de maneira consciente de nossas primeiras


experiências de vida, porem de alguma forma elas estão guardadas em nós,
sendo externalizadas através de nossos comportamentos ou reflexos diante de
determinadas situações. P. 30.

A perda, quando temporária, dá origem à ansiedade que contém as sementes


da esperança. Porém, quando a perda é permanente, essa ansiedade é
transformada em depressão e desespero. P.30.

Estudos indicam que as perdas que sofremos na primeira infância (0 a 6) nos


deixam mais sensíveis às perdas que sofremos ao longo da vida.

Indiferença emotiva, necessidade compulsiva de cuidar dos outros e autonomia


prematura são alguns dos comportamentos de enfrentamento que
desenvolvemos para lidar com essas perdas. P. 30 / 31.
Cap. 2 A conexão final

Todas as perdas que sofremos ao longo da vida são decorrentes da Perda-


Original mãe-filho e da conexão mãe-filho. A ligação umbilical presente no
útero materno constitui um ambiente de segurança, em que estamos
protegidos de qualquer possível ameaça. Porém, ao rompermos essa ligação,
somos expostos ao mundo externo, um mundo hostil e gelado, constituindo a
nossa primeira e mais difícil renúncia, a desistência do paraíso. P.33.

Como forma de compensar nossa perda original, ao longo da vida


desenvolvemos diversos comportamentos compensatórios, visando restaurar a
simbiose rompida entre mãe e filho, através do sexo, religião, uso de drogas,
arte, trabalho, exercícios físicos, meditação etc. P.34.

Esses comportamentos compensatórios visam o retorno à simbiose (a volta


desesperada à infância insegura e dependente, em que tínhamos a todo tempo
a figura materna disponível para nos ajudar). P.37

Diante disso, a principal razão da nossa resistência para desenvolver uma


identidade individual é o fato de sentirmos que esse desenvolvimento se
interpõe cada vez mais entre nós e a mãe com quem compartilhamos uma
união total. Sendo um exemplo de perda necessária a desistência dessa união
total entre mãe e filho. P.38.

Viver com fantasias douradas de uma infância sem fim pode ser uma recusa
neurótica ao crescimento. Em nossa vida, nos mais variados contextos,
gratificamos nosso desejo permanente de união total. P.40.

Embora a ruptura da união primária seja uma perda necessária, permanece


como um ferimento incurável, que aflige o destino de toda raça humana. P.41.
Cap. 3. De Pé sem Ajuda

Romper a simbiose entre mãe e filho requer um desenvolvimento nos anos


iniciais de vida propício para que isso ocorra ao longo da vida adulta do
indivíduo. Começamos o nosso processo de distanciamento a partir do
momento em que aprendemos a engatinhar. Com isso, podemos explorar o
mundo, fisicamente longe de nossas mães, porém voltando para ela para
reabastecer nossas necessidades de afeto. P.44.

Ao aprendermos a andar nossas possibilidades aumentam, pois andar permite


inúmeras possibilidades e triunfos fazendo com que a criança se embriague
com a sensação de onipotência e grandeza. P.45.

O aprendizado é perigoso, mas a criança sente-se ávida demais para notar.


Machuca-se e sangra e chora e volta para mais. E enquanto anda, corre,
brinca, pula, parece ter se esquecido da mãe, mas ela continua lá, como uma
rede de proteção que impede a criança de cair, e saber disso traz alento e
conforto para a criança, ainda que ela pareça não demonstrar. P.45.

Com o passar do tempo, descobrimos que nossa mãe boa pode também ser
má, surgindo a ambiguidade da vida adulta. Um universo dicotômico/dual
dividido entre bem e mal, bom e ruim, certo e errado, é comum nos anos
iniciais de nossa vida, constituindo uma maneira simplificada de interpretar a
realidade. Porém, abandonar nossas temerárias simplificações infantis de
preto-branco a favor das difíceis ambiguidades da vida real é outra de nossas
perdas necessárias. P.49.

Romper a simbiose entre mãe-filho implica em perdas e ganhos valiosos para


nossa vida e nosso desenvolvimento.

Cap. 4. O Eu Particular

O nosso “eu” possui múltiplas facetas, constituindo uma imagem criada a partir
da identificação que estabelecemos com figuras importantes para nós, como a
família, amigo, ídolos etc. O nosso “eu” internalizado funciona como uma
imagem, uma lente por onde passamos a nos enxergar e a ver o mundo.

A identificação é um dos processos centrais na formação do “eu”, pois faz com


que internalizemos determinadas características presentes em outras pessoas
(organizado como meu pai, ansioso como meu amigo etc).

Podemos utilizar a identificação para enfrentar a perda, preservando em nós


determinadas características presentes nas pessoas com quem tínhamos
algum tipo de vínculo emocional.

Podemos construir uma imagem distorcida de nós mesmos, sendo denominada


de “falso eu”. Constitui uma forma irreal de interpretar a realidade, distorcendo
o nosso “eu”.

“Quando o talento falha, quando fenece a beleza, quando a carreira brilhante


declina, o mundo não reflete mais a perfeição do Narciso”. P.64.

Um crescimento saudável implica em renunciar à nossa necessidade de


aprovação, quando o preço dessa aprovação é nosso verdadeiro eu. P.66.

Cap. 5 Lições de amor

Ao longo da infância, se nossa mãe for suficientemente boa, essa bondade é


sentida como perfeição por nós, passando a sensação de amor incondicional e
confirmando nossos desejos e fantasias. P. 69.

Não podemos chegar ao amor adulto, sem passar pelo infantil, ou seja, não
podemos amar se não soubermos o que é ser amado. P.70.

Amar engloba sentimentos ambivalente de amor e ódio.

“A bondade sempre implica a escolha de ser bom”. P.74.

Na infância os pais oferecem imagens mais estimulantes e físicas para as


crianças, já as mães são mais verbais e mais calmantes. P.75.
Mães e pais nos dão experiências qualitativamente diferentes na infância,
sendo que os papéis desempenhados por ambos não são intercambiáveis, não
são idênticos, mas sim recíprocos. P.75.

As experiências de nossa primeira infância (0 – 6) moldam nossos padrões


comportamentais quando adultos. Repetimos nosso passado, sobrepondo
imagens de nossos pais no presente.

Compulsão repetitiva = nos leva a repetir tudo o que fizemos antes. Aqueles a
quem amamos e o modo como o fazemos, são repetições de padrões
comportamentais aprendidos na infância. P.79.

“O que fazemos diante das coisas que não podemos mudar”. Viver com isso e
tentar se perdoar?

Cap. 6. Quando você vai levar o novo bebê de volta ao hospital?

“O amor pode servir de ponte ou de muro, depende da forma como o


utilizamos”.

A rivalidade entre irmãos e normal e universal? Sim! Nos primeiros meses de


vida, imaginamos possuir completamente nossa mãe, como em uma simbiose,
a ideia de ter que dividir seu amor com outro é inaceitável me nossa
concepção.

Conflitos não resolvidos entre irmãos na infância, podem perdurar por toda a
vida do indivíduo.

Segundo Freud, a natureza do relacionamento do ser humano com outros


indivíduos é determinada nos 6 primeiros anos de vida.

Cap. 7. Triângulos apaixonados

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