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BRASIL

ENERGIA
RENOVÁVEL
Projeto Pinhão Manso

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Desenvolvimento de variedades de
Jatropha curcas L. - Pinhão Manso
de alto desempenho, produtividade e
homogeneidade das safras, adaptado a diversas
regiões climáticas brasileiras e tipos de cultivo

Pesquisa e levantamento
de dados realizados por:-
Rostislav Gavriloff

Piracicaba - SP
2008

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Porque “Pinhão Manso de alto desempenho” ?

O sucesso e o fracasso de qualquer empresa ou empreendimento


dependem da vantagem competitiva1 – ofertando o produto a um
custo mais baixo e/ou oferecendo benefícios ÚNICOS ao
comprador e que justifiquem um preço.

A vantagem competitiva está no âmago do desempenho de uma


empresa em mercados competitivos.
Após várias décadas de prosperidade e expansão vigorosa,
contudo, muitas empresas perderam de vista a vantagem
competitiva em sua luta por crescimento e busca de diversificação.
Hoje, a importância da vantagem competitiva dificilmente poderia
ser maior. Empresas em todo o mundo enfrentam um crescimento
mais lento bem como concorrentes internos e externos que não
agem mais como se o bolo em expansão fosse grande o
bastante para todos.

1
Do livro “Vantagem Competitiva – criando e sustentando um desempenho superior” –
M. E. Porter. Michael E. Porter é professor na cadeira C. Roland Christensen de
Administração de Empresas na Harvard Business School.
É autor dos livros “Estratégia Competitiva”, “Vantagem Competitiva”, “A vantagem
Competitiva das Nações” e “Estratégia – A Busca da Vantagem Competitiva”, todos
publicados pela Editora Campus.
Apresenta-se também no programa intitulado Michael Porter on Competitive Stategy,
da série de vídeos da Harvard Business School.

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PROPOSTA DE PARCERIA
BER - PETROBRÁS
Estamos apresentando neste trabalho subsídios para avaliação de uma
parceria BER – PETROBRÁS para a pesquisa e desenvolvimento de
variedades de Jatropha curcas L. - Pinhão Manso - de alto
desempenho, alta produtividade e homogeneidade das safras, adaptado
a diversas regiões climáticas brasileiras e diversos tipos de cultivo.
Justificando a possível escolha da BER como parceira da Petrobrás
nesta empreitada, vamos apresentar os nossos argumentos.
Em primeiro lugar destacamos termos uma proposta ÚNICA de alta
competitividade da variedade a ser desenvolvida, em médio prazo, ou
seja – pesquisar e desenvolver uma variedade própria para
adensamento. Cumpre aqui destacar que o adensamento de longe não
se compara com a alta densidade de plantio. Têm que ser destacadas
certas características da planta, principalmente em relação aos seus
meritálos mais curtos, conferindo efetivamente à planta, um porte
compacto, capacidade de enraizamento vertical, quando o normal é
horizontal superficial, e também planta de crescimento suficientemente
rápido e frutificação e maturação uniformes, para evitar um atraso de
entrada em produção em relação a um material standard.
Esta característica de adensamento permitirá em um período de dois a
três anos ter mudas e técnica de plantio e conseqüente produção muitas
vezes superior a outros tipos de cultivo. Fala se na obtenção de até
4.000 kg de grãos/ano/ha em culturas de solos adubados, sob regime de
irrigação e com duas safras por ano.
Existem hoje avaliações e estudos que indicam um potencial de
produtividade do Jatropha curcas em 12.000 kg/ano/ha. Produtividade
esta que pode ser atingida com o adensamento. Basta verificar que a

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maioria das culturas de frutas hoje segue métodos de adensamento,
visando renda compensatória da sua cultura. Plantações de maçã que
não aderiram ao adensamento – quebraram por falta de competitividade.
Também o café adensado, além de ter a sua qualidade melhorada, voltou
a ser um grande atrativo, principalmente para pequenas e médias
propriedades. Hoje uma propriedade média de café rende o volume de
uma grande fazenda tradicional.
Destaca-se também uma característica social de plantio adensado –
que a sua densidade de plantio, que ao mesmo tempo proporciona altos
volumes nas safras, não permite entrada de máquinas nas plantações
devido à falta de espaço, exigindo assim emprego intensivo de mão de
obra, sem outra alternativa.
Portanto, o adensamento, ao se apresentar como de alta produtividade,
também favorece o emprego e fixação do homem ao campo, tanto pela
necessidade de manejo manual, como pelos altos resultados financeiros
que proporcionam o incentivo a permanência do agricultor com o seu
manejo.
Por outro lado, a longo prazo, a BER se propõe a desenvolver
variedades geneticamente modificadas e melhoradas, através de
pesquisas conjuntas com instituições nacionais e internacionais, visando
obter o estado da arte em matéria de variedade de Jatropha curcas – o
Pinhão Manso - hoje ainda não existente no mundo.
O grande diferencial desta variedade genética vai ser a sua total
aclimatação e adaptação para as diversas regiões brasileiras, com as
suas características de solo, clima, regimes pluviométricos e irrigação ou
sequeiro, recursos de adubação, salinidade, etc.
Nenhuma variedade desenvolvida fora do Brasil, sem considerar as
características do nosso país, poderá ter a produtividade realmente
otimizada fora do ambiente para o qual foi adaptada.
Para a realização destes trabalhos contamos com vários acordos e
contatos nacionais e internacionais, de incontestável capacidade técnica

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e trabalhos realizados na área.

Para começar, como uma parceria muito forte, deve ser destacado
neste ponto que a BER – Brasil Energia Renovável - tem assinada uma
carta de intenções (Letter of Intention – LOI) com a Volcani, pertencente
a Organização de Pesquisas Agrícolas (ARO), divisão de pesquisas do
Ministério da Agricultura de Israel, visando exclusividade de trabalho de
apoio no desenvolvimento de Jatropha curcas – Pinhão Manso -no Brasil.
A BER tem também contatos avançados, plano de visitas e troca de
informações com as seguintes instituições e centros de pesquisa, da
Índia, os mais avançados que se conhece até hoje:
• Punjab Agricultural University (PAU)
• Coiabatore Horticultural University
• Institute of Petroleum (lIP)
• Indian institute of Chemical Technology (IJCT)
• Indian Institute of Technology (Delhi, Madras)
• Indian Oil Corporation (bC)
• Mahindra&Mahindra
Além dos contatos na Índia, temos estreito relacionamento com a
Microgene Pty Ltd
sediada na Austrália, (WA) sendo uma das referências tecnológicas
mundiais.
Outra parceria de suma importância é a:
• Parceria BER - Pólo Nacional de Biocombustíveis
O Grupo BER, está inserido no Pólo Nacional de Biocombustíveis, além
de ter fortíssimos laços de colaboração tecnológica com a ESALQ –
Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz.

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INTRODUÇÃO

O Nome científico da planta Pinhão Manso é Jatropha curcas L. da


família botânica do euphorbiaceae.
Outros nomes populares:
Pinhão-paraguaio,
pinhão-de-purga,
pinhão-de-cerca,
purgante-de-cavalo,
manduigaçu,
mandubiguaçú,
figo-do-inferno,
purgueira,
mandythygnaco,
pinhão croá.
O pinhão-manso é uma planta com até 4 m de altura, flores pequenas,
amarelo esverdeadas, cujo fruto é uma cápsula com três sementes
escuras, lisas, dentro das quais se encontra a amêndoa branca, tenra e
rica em óleo.
A semente contém 66% de cascas e fornece de 50 a 52% de óleo
extraído com solventes e 32 a 38% em caso de extração somente por
expressão (trituração e aquecimento da amêndoa).
As folhas alternas, longo-pecioladas, cordiformes, levemente lobadas,
com cinco lobos. As folhas tem limbo menor que o pecíolo, este de até 18
cm de comprimento e aquele de 6-15 cm de comprimento, por igual
largura, de âmbito oval orbicular e geralmente tri-lobado ou inteiro.
Flores unissexuadas, pequenas, pentâmeras, amarelo-esverdeadas em
panículas terminais ou axilares e com as flores masculinas ocupando as
extremidades superiores dos ramos.
Fruto capsular de 2,5-4 cm de comprimento, por 2-2,5cm de diâmetro, de
cor marrom escura, quando seca, quase roliço e entre os carpides

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ligeiramente sulcado, base e ápice agudos, endocarpo rijo e duro,
mesocarpo carnoso e filiforme e epicarpo carnoso, semeado de
pequenas elevações puntiformes. Sementes de 2 cm de comprimento,
por 11 mm de largura, e 9 mm de espessura, oblongo eliptóides, pálidas,
bastante estriadas de linhas e salientes, reticuladas.
A espécie Jatropha curcas está distribuída em regiões tropicais de todo o
globo, inclusive no Brasil. Cresce rapidamente em solos pedregosos e de
baixa umidade. Muitas vezes é cultivada como cerca viva, mas seu maior
emprego hoje está na medicina popular. As sementes, bem como o óleo
retirado destas, são freqüentemente usadas como purgativo, no
tratamento de afecções da pele, hidropisia, gota, paralisia e reumatismo,
principalmente nos países tropicais.
A planta apresenta uma grande importância econômica. Seu óleo é
empregado como combustível em motores a diesel e na fabricação de
sabão e tinta. O pinhão manso no mundo parece se adaptar melhor em
regiões mais secas dos trópicos com um quantidade de chuva anual
entre 300 e 1000 mm.
Os produtos são óleo, torta e o sedimento da purificação do óleo. O óleo
pode ser usado como o combustível nos motores diesel de câmara de
pré-combustão e como lubrificante, o óleo e o sedimento podem ser
usados para a produção do sabão e a torta é um fertilizante orgânico
bom. O óleo contém também um inseticida.

Pinhão Manso e Pinhão Bravo

O pinhão-manso tem folhas em forma de coração, e o pinhão-bravo,


folhas mais alongadas. Outra diferença entre ambos é que os frutos do
pinhão-bravo são deiscentes, isto é, ao atingir a maturidade, abrem-se,
deixando cair às sementes. A semente do pinhão-manso pesa de 0,48 a
0,72 g e a do pinhão-bravo, de 0,22 a 0,39 g, Essas plantas ocorrem
espontaneamente desde o Maranhão até o Paraná. Em alguns lugares,

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sem distinção de espécie, são chamados, além dos nomes já referidos,
de purgueira, grão-de-maluco, pinhão-de-cena, tuba, tartago, tapete,
siclité, pinhão-de-inferno, figo-do-inferno, pinhão-das-barbadas e saci.

Cultura do pinhão-manso

Geralmente pode-se obter uma boa multiplicação das plantas por meio
de sementeiras ou por estacas. Por estacas, a multiplicação é mais
rápida e gera unidades com produção mais homogênea. O problema é
que a média geral de germinação das estacas não chega a 50% (é de
cerca de 45%). E só as estacas com mais de 2 cm de espessura
proporcionam maior índice de germinação.
Em sementeira, a germinação pode chegar a quase 100%, usando-se
sementes novas, de boa conformação. Aconselha-se, no caso, o uso de
sacos plásticos pretos, como cobertura, para evitar a ação direta dos
raios solares.

História da planta

Vários cientistas tentaram definir a origem do pinhão manso, mas sua


origem é bastante controversa. Martin e Mayeux (1984) colocou o estado
de Ceará no Brasil como um centro de origem, mas sem dar qualquer
argumento. Acredita-se que o pinhão manso proceda da América do Sul,
possivelmente originária do Brasil, tendo sido introduzida por
navegadores portugueses, em fins do século XVIII, nas ilhas de Cabo
Verde e em Guiné, de onde mais tarde foi disseminada pelo continente
africano.
No começo do século XIX era usado, em alguns países, para aumentar a
ação purgativa do óleo de rícino, com o qual era misturado. Depois foi
abandonado, pois sua ação purgativa é média.

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As sementes são comestíveis na opinião de alguns autores, desde que
se tenha a precaução de retirar o embrião, onde se encontram as
propriedades drásticas enérgicas. Na opinião do primeiro médico
brasileiro a estudar Plantas Tóxicas, Dr. J.R.Caminhoá, o óleo de que
tratamos pode substituir o de Croton tiglium, e em dose elevada produz
graves alterações no tubo gastrointestinal, que se traduz em vômitos e
dejeções abundantes, que podem ser seguidas de morte.
Uma criança de 6 anos que comeu alguns destes pinhões, apresentou
depois de algum tempo vômitos, dejeções abundantes, pulso fraco e
lento e suores abundantes. “O óleo é acre e produz vômitos abundantes,
quando tomado em dose elevada, porém perde essa propriedade se for
agitado com álcool".
Externamente usa-se o suco espesso do tronco para curar hematomas
ou feridas, ou seja, estende-se o suco fresco sobre uma mecha de
algodão e aplica-se no local. Segundo os autores do passado seu efeito
é o mesmo do esparadrapo.
Na Índia usa-se este óleo em fricção nos dartros, reumatismo, e se
prepara o ungüento com 2 partes de óleo e uma de banha, que também
é usada para as hemorróidas.
Durante a primeira metade deste século era um produto de exportação
importante das Ilhas de Cabo Verde. Quantias consideráveis de
sementes do pinhão manso foram produzidas em Cabo Verde neste
período e isto constituiu uma contribuição importante para a economia do
país. Foram exportadas sementes para Lisboa e Marselha para extração
de óleo e produção de sabão. Porém, a produção global de hoje é
desprezível.
No passado o pinhão manso era bastante plantado nas divisas de sítios,
para mangueirões de porcos, plantava-se um pé ao lado do outro,
quando crescido fechava a linha e os porcos ficavam cercados, isto em
São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Atualmente em algumas localidades
destas regiões encontramos algumas plantações. Era usado também

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para fazer sabão, triturando a semente. Usava-se também como remédio
para prisão de ventre.
O nome Jatropha, deriva do grego iatrós (doutor) e trophé (comida),
implicando as suas propriedades medicinais. curcas é o nome comum
para o pinhão manso em Malabar, Índia.

Distribuição

Atualmente, o pinhão manso é encontrado em quase todas as regiões


intertropicais, estendendo-se sua ocorrência à América Central, índia,
Filipinas e Timor, até mesmo às zonas temperadas, em menor proporção.
No Brasil, o pinhão manso ocorre praticamente em todas as regiões,
sempre de forma dispersa, adaptando-se em condições edafoclimáticas
as mais variáveis, propagando-se, sobretudo, nos estados do Nordeste,
em Goiás e em Minas Gerais. De modo geral, cresce nos terrenos
abandonados e não cultivados, não subsistindo, porém nos locais de
densa vegetação, com a qual dificilmente consegue competir.

Uma planta de futuro

Sendo uma cultura existente de forma espontânea em áreas de solos


pouco férteis e de clima desfavorável à maioria das culturas alimentares
tradicionais, o pinhão pode ser considerado uma das mais promissoras
oleaginosas do sudeste, centro-oeste e nordeste do Brasil, apresentando
ainda como vantagens o fato de não ser afetado (até o presente) por
nenhuma praga. “É altamente resistente a doenças e os insetos não o
atacam, pois ele segrega um leite que queima.”
Entre as experiências feitas com vegetais para uma futura substituição
do óleo diesel como combustível, destacaram-se como plantas de alta
possibilidade o pinhão-manso (Jatropha curcas L.), e o pinhão-bravo
(Jatropha pohliana M.), também conhecido como pinhão branco.

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Tanto o pinhão-manso como o pinhão-bravo vêm sendo utilizados
comumente como cerca viva, mas o pinhão-manso é usado também para
a extração de óleo que serve para a fabricação de sabão e como
purgativo para o gado bovino. Ensaios feitos com o óleo extraído do
pinhão-manso (óleo-de-purgueira), comparando-o com o diesel, deram
bons resultados. Num motor diesel, para gerar a mesma potência, o
consumo de óleo de pinhão manso foi maior, mas o ruído mais suave e a
emissão de fumaça, semelhante. Considerou-se também possível o uso
desse óleo não apenas como combustível, mas também na indústria de
tintas e de vernizes.
Análises posteriores mostraram que o óleo de pinhão-manso tem 83,9%
do poder calorífico do óleo diesel e o óleo de pinhão-bravo, 77,2%. Se o
óleo de pinhão-manso for usado como substituto do diesel, o consumo
será 16,1% maior; se a experiência for feita com o óleo de pinhão-bravo,
será 21,8% maior.
Além disso, a torta que resta é um fertilizante rico em nitrogênio,
potássio, fósforo e matéria orgânica. Desintoxicada, a torta pode também
ser transformada em ração, como tem sido feito com a torta de mamona.
E a casca dos pinhões pode ser usada como carvão vegetal e matéria-
prima na fabricação de papel.

Vantagens:

• Severo na natureza; pode crescer e sobreviver com poucos cuidados


em terras marginais (de pouco fertilidade).
• Crescimento rápido e planta de vida longa (> 50 anos).
• Planta de fácil de propagação.
• Sementes não comestíveis (tóxica), nem levadas por pássaros ou
animais.
• Suportou com sucesso secas em Orissa, Índia.

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• Biodiesel produzido foi testado analiticamente por DaimlerChrysler e
recebeu status de promissor.
• Controle de erosão (redução da erosão do vento ou da água).
• Melhoria da fertilidade do solo.
• Aumento da renda para produtores rurais.
• Redução da saída de dinheiro das áreas rurais para os centros
urbanos.
• Produção de energia nas áreas rurais.
• A torta é muito valiosa como adubo orgânico e fertilizante.
• Planta altamente adaptável, com grande habilidade para crescer em
locais pobres, secos.

Desvantagens:

• Baixa resistência ao frio.


• Má qualidade da madeira.
• Sementes tóxicas.
• A torta que sobra não pode ser usada para alimentação animal sem ser
desintoxicada, devido as suas propriedades tóxicas.

Utilização e Aproveitamento Industrial do Pinhão-Manso

Nos países importadores, basicamente Portugal e França, as sementes


de pinhão-manso sofrem o mesmo tratamento industrial a que são
submetidas as bagas de mamona, isto é cozimento prévio o
esmagamento subseqüente em prensas tipo "expeller", para extração do
óleo, que em seguida, é filtrado, centrifugado e clarificado, resultando,
afinal , um produto livre de impurezas.
A torta, que contém ainda aproximadamente 8% de óleo, é re-extraída,
desta vez com solventes orgânicos, de modo geral hexano sendo o farelo
residual ensacado para aproveitamento como fertilizante natural, tendo-

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se em vista os teores elevados de nitrogênio, fósforo e potássio.
O óleo de pinhão-manso, assim produzido, destina-se quase que à
fabricação do sabão, não obstante tenha sido empregado durante a
segunda guerra mundial, nos países colonizados da África, em
Madagascar e na então África Ocidental Francesa, como sucedâneo do
óleo lubrificante ou como carburante, diretamente nos motores de ciclo
diesel. Neste último emprego os resultados foram considerados
satisfatórios, comparáveis aos apresentados com óleo diesel derivado do
petróleo. Conta-se que o óleo de pinhão manso foi usado pelo exército
aliado, comandado pelo Gen. Montgomery na África, sendo obtido
localmente, sem grandes problemas de logística e perfeitamente
compatível para uso nos motores dos blindados, enquanto que o Gen.
Rommel dependia de abastecimento vindo de Tripoli, o que implicava em
logística complexa, que era sujeita a interceptações e outras dificuldades
de percurso. Com isso o Gen. Montgomery teve vantagem estratégica
sobre o Gen. Rommel.
Além de sua utilização na indústria têxtil, o óleo de pinhão-manso,
adicionado ao óleo de tungue em proporções até 5%, constitui matéria-
prima para a fabricação de tintas de impressão ou de vernizes, que são
usados em revestimentos de lonas e de caixas condicionadoras.
No Brasil, não há registro de nenhuma experiência de beneficiamento
industrial das sementes de pinhão-manso até há pouco tempo atrás,
sendo que o interesse maior da planta residia na formação de cerca viva
divisória ou de proteção contra ventos e animais, prática bastante
difundida nas fazendas e localidades distantes do Norte e Nordeste de
Minas Gerais e também no Vale do Paraíba – São Paulo.
Eventualmente, os moradores dessas áreas colhem as sementes
maduras e delas extraem o óleo para fazer sabão ou para iluminação das
casas, em candeias, cuja combustão, se realiza sem produzir fumaça
nem odor. A extração caseira do óleo requer, inicialmente o
esmagamento das sementes em monjolos ou pilões; depois, coze-se a

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massa oleosa em água até à fervura; separa-se, afinal o óleo com
emprego de colher de pau.
Segundo se registra na literatura científica, o óleo de pinhão-manso já foi
empregado no passado para a iluminação pública nas zonas rurais do
Rio de Janeiro e até mesmo em Lisboa.
Outras aplicações da euforbiácea, sobre tudo nas áreas pobres do
Jequitinhonha, devem-se ao efeito medicinal que apresentam certas
partes da planta, tais como as folhas, que têm ação anti-sifilítica, e a
seiva, que possui propriedades hemostáticas, isto é, cura e cicatriza as
feridas; ou ainda as raízes que apresentam atividade anti-leucêmica,
conforme mostram estudos recentes desenvolvidos no Japão.
O emprego medicinal das sementes do pinhão-manso, especialmente no
tratamento de bovinos, baseia-se em sua ação purgativa bastante
enérgica, que pode até causar a morte do animal, desde que a ingestão
de grãos seja exagerada.

Cultivo

Pode-se obter boa multiplicação das plantas por meio de sementeiras ou


por estacas. O ciclo produtivo do Jatropha curcas é variável, conforme se
faça o plantio por estacas ou por sementes. Segundo informações
obtidas nas áreas de incidência em Minas Gerais, a produção por via
vegetativa tem início após 10 meses, e atinge a plenitude após somente
2 anos. A propagação por via seminal, por outro lado, é mais demorada,
mas esse processo tem a vantagem de gerar espécies mais robustas,
normalmente de ciclo vegetativo mais longo, podendo atingir de 50 a 100
anos de vida.

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Cultivo por sementes

As sementes utilizadas na disseminação devem provir de plantas


robustas e saudáveis, dotadas de boa produtividade. O sistema de
propagação em viveiros é mais racional e deve ser o recomendado, pois
estando sujeita a melhores cuidados nos primeiros 2 anos certamente irá
à planta adquirir maior resistência e possuir melhor conformação. Porem
a propagação via seminal não garante cultivares de produção
homogênea, mesmo usando se sementes de alta qualidade.

Cultivo por estacas

As estacas utilizadas para a propagação por via vegetativa devem ser


extraídas de matrizes de boa origem, de galhos lenhosos, sendo que os
ramos mais próximos da base são os melhores para o fornecimento de
estacas, selecionadas aquelas de casca lisa e brilhante, de 40 a 50 cm
de comprimento. O início do ciclo produtivo, segundo informações
levantadas nas áreas de ocorrência, depende das dimensões da estaca
plantada e das condições do trato, variando de 10 meses e podendo
chegar a 2 anos.

Produtividade

Não obstante sua tolerância com respeito aos rigores da seca, o nível de
produtividade do pinhão-manso é bastante afetado pela distribuição
irregular de chuvas ou mesmo pela ação prolongada de ventos na época
da floração. Diferentemente das zonas equatoriais, onde o pinhão-manso
floresce duas vezes por ano, por exemplo, em Minas Gerais a colheita
das sementes ocorre apenas uma vez, pelo menos nas condições de
desenvolvimento espontâneo da planta, embora a produção se distribua
entre janeiro e julho, quando então o pinhão-manso entra em repouso

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vegetativo, com perda das folhas, até o início das chuvas em outubro,
período que começa nova brotação.
A maturação dos frutos é completa com o escurecimento das cápsulas; à
colheita, segue-se a secagem ao ar, onde são amontoados, prática que
provoca a deiscência espontânea dos frutos; depois se separam as
sementes por meio de trilhadoras e peneiras.

Colheita

O método mais prático e rápido de colheita dos frutos, ao contrário do


processo tradicional de catação manual direta na planta, é fazendo vibrar
o pé do pinhão, a meia altura, o que provoca a queda apenas dos frutos
maduros. Neste caso, pode-se adaptar uma lona sobre o solo para tornar
a colheita mais simples, e leva-se, então, a carga de frutos ao sol para a
secagem. Este método implica em ter que se passar pelo mesmo pé de
pinhão várias vezes, mínimo de três vezes, até que sejam colhidos todos
os frutos – o que demanda uso intensivo de mão de obra.

Rendimentos

Os rendimentos de sementes por pé são variáveis conforme as


condições edafo-climáticas, regularidade pluviométrica e trato durante o
cultivo. De acordo com os dados obtidos de plantios organizados de
pinhão-manso, desenvolvidos no Centro Experimental de Ségou, na
antiga África Ocidental Francesa, a produtividade da cultura alcançava
índices em torno de 8.000 kg de sementes por hectare.

Plantio e Adubação

O aproveitamento dos resíduos da extração como adubo natural nos


próprios plantios da euforbiácea, além de enriquecer o terreno de matéria

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orgânica, irá incorporar ao solo quantidades acentuadas de nitrogênio,
fósforo e potássio, presentes em índices elevados na torta residual,
contribuindo para manter um nível de produtividade mais regular da
cultura e diminuindo o consumo dos fertilizantes químicos.
A adubação verde com leguminosas é outro procedimento recomendado
para a fertilização dos campos cultivados com o pinhão-manso, pois, de
modo geral, fornecem altos rendimentos por unidade de área plantada,
fixando o nitrogênio atmosférico e transferindo aos solos, por
decomposição orgânica, os elementos nutrientes essenciais como
fósforo, cálcio ou enxofre além do nitrogênio. Entre as principais
leguminosas, destaca-se a Crotolaria paulina Schranck, ou mucuna preta
como vulgarmente é conhecida, cuja produção de massa seca por
hectare atinge índice ao redor de 7 toneladas anuais, as quais podem
transferir ao solo cerca de 195 kg de nitrogênio, 23 kg de P2O5 e 144 kg
de K2O por hectare.
A consorciação do pinhão-manso com culturas de ciclo anual é outra
prática agrícola de grande alcance no êxito econômico da cultura,
proporcionando maior rentabilidade pelo uso intensivo do solo. Tendo em
vista as condições edafo climáticas das áreas de maior aptidão ao cultivo
do pinhão-manso, sugere-se a utilização de plantios intercalares com o
amendoim, que além de aumentar a oferta de óleos vegetais por unidade
de área, apresenta como outras leguminosas, a vantagem de promover a
fertilização dos solos.
As técnicas agronômicas empregadas na cultura da mamona podem
também ser adaptadas aos plantios de pinhão-manso, ressalvando-se,
no entanto, que sendo este último bem mais rústico e tolerante,
certamente dispensará de maiores cuidados culturais. A planta se adapta
melhor, entretanto, em solos de boa consistência, pouco compactos para
não prejudicar o seu sistema radicular.

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Pragas

Entre as pragas nocivas ao desenvolvimento do pinhão-manso, que não


são muitas, conseqüência da presença do látex cáustico nas diversas
partes da planta, incluem a Corynorhynchus radula, Stiphra robusta
Leitão, Retithrips syriacus Mayet, Pachycoris torridus Scopoli e
Sternocolaspis quatuordecim Costata.

Perspectivas

As perspectivas favoráveis da implantação racional da cultura do pinhão


manso decorrem não somente dos baixos custos de sua produção
agrícola, conforme se deve esperar diante das vantagens anunciadas,
mas sobretudo porque ele poderá ocupar os solos pouco férteis e
arenosos, de modo geral inaptos à agricultura de subsistência,
proporcionando, dessa maneira, uma nova opção econômica as regiões
carentes do país.
Não há duvida de que a cultura racional do pinhão-manso, desenvolvida
com o emprego de melhores técnicas, devera constituir-se entre as mais
promissoras fontes de grãos oleaginosos para fins carburantes. Além do
alto índice de produtividade, as maiores facilidades de seu manejo
agrícola e de colheita das sementes, com relação a outras espécies
como palmáceas, tornam a cultura do pinhão-manso bastante atrativa e
especialmente recomendada para um programa de produção de óleos
vegetais.
Outros aspectos positivos referem-se à possibilidade de armazenagem
das sementes por longos períodos de tempo, sem os inconvenientes da
deterioração do óleo por aumento da acidez livre, conforme acontece
com os frutos de dendê ou de macaúba, ambos os quais devem ser
processados o mais depressa possível.

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A Tabela da composição do fruto do pinhão-manso indica os resultados
das análises processadas em diversos lotes de sementes de pinhão
manso, oriundas de Riacho da Cruz, município de Januária, cujos
rendimentos médios de óleo representam cerca de 38% do peso da
semente seca. As características físico-químicos do óleo de pinhão-
manso apontam, a título de comparação, os resultados analíticos obtidos
em laboratórios distintos. Ressalve-se, porém, que as amostras possuem
acidez livre variáveis e, portanto podem acarretar diferenças em suas
propriedades.
Embora o índice de iodo seja o mesmo do óleo da polpa de dendê,
indicativo, portanto para ambos, de uma estrutura química de mesmo
grau de insaturação, a diferença marcante entre os correspondentes
óleos reside no baixo ponto de solidificação do óleo de pinhão-manso,
inferior a 10 graus Celsius negativos, bastante diferente dos valores
atribuídos aos óleos de macaúba e de dendê, em torno de 15 graus
Celsius positivos, aspecto que pode favorecer o emprego direto do óleo
de pinhão-manso, puro ou em mistura com diesel, nos motores de
combustão interna, mesmo nas regiões de clima temperado.
A composição química em ácidos graxos do óleo de pinhão-manso,
determinados com base na análise por cromatografia em fase gasosa
aponta para diferenças verificadas entre os dados obtidos em
laboratórios diversos e que são pouco significativas; basicamente,
representam modificações nos teores de ácido linoléico, cuja estrutura e
mais susceptível a alterações químicas, dependendo da origem e do
estado de conservação das sementes.
Conforme se vê, a acentuada incidência do grupo linoléico nas moléculas
individuais dos glicerídeos, que constituem o óleo de pinhão-bravo, pode
representar, no entanto, um ponto negativo do uso da Jatropha pohliana
Muell – pinhão bravo, como fonte produtora de óleos vegetais para fins
carburantes, pois, como já se disse, a sua estrutura favorece a formação
de reações de polimerização o que, por isso, pode dificultar a sua queima

21
completa na câmara de combustão do motor.
Além das vantagens apresentadas, que certamente colocam o pinhão-
manso entre as oleaginosas mais promissoras, as variações de acidez
nas sementes são pouco expressivas, mesmo nos períodos longos de
armazenamento. Com efeito, sementes condicionadas em sacos, durante
mais de 1 ano, por moradores de Riacho da Cruz, apresentaram acidez
livre inferior a 6%. Por outro lado, a manutenção de grãos recém
coletados em dessecadores por períodos até 6 meses não implica em
alterações substanciais do grau de acidez das amostras, cujo teor em
ácidos graxos livres foi sempre inferior a 2%.
A preservação das sementes do pinhão-manso durante longos períodos
de tempo constitui efetivamente, num dos aspectos mais favoráveis da
euforbiácea, o que resultará em menores custos de sua produção
agrícola, certamente bem inferiores aos de outras culturas oleaginosas,
como dendê ou macaúba, cujos frutos são rapidamente deterioráveis,
motivo por que se exige seu processamento no máximo 48 horas após a
coleta.
A auto-oxidação do óleo de pinhão-manso durante a estocagem pode,
contudo, ser acelerado por ação de calor, oxigênio ou traços de metais
pesados, e de seus cátions, comumente presentes nos materiais
empregados na fabricação dos tanques de armazenagem, o que pode
conduzir ao desenvolvimento de reações laterais, como a formação do
aldeídos saturados, por exemplo, hexanal, heptanal ou nonanal, ou de
compostos corrosivos. Por tais razões, os estudos preliminares devem
ser conduzidos também para avaliar e minimizar, talvez por adição de
inibidores, os efeitos da auto-oxidação dos óleos insaturados.
Sem considerar o pericarpo do fruto, cujo aproveitamento para geração
de vapor nas caldeiras irá atender às necessidades energéticas na fase
industrial de processamento das sementes. A torta residual, representada
pela casca e albúmen da semente, terá emprego direto como fertilizante
de qualidade ímpar, tendo em vista os índices elevados de nitrogênio,

22
potássio e fósforo, em quantidades pouco vistas em outros concentrados
naturais.
Na Índia existem 7 vegetais nativos com possibilidades de serem
utilizados como matéria-prima. Estes vegetais nativos têm diversos
pontos favoráveis tais como o alto conteúdo de óleo de boa qualidade,
baixos investimentos (adubo, agroquímicos), crescimento rápido com
colheita estável, fácil acessibilidade por serem nativos, sendo no
momento atual os mais apropriados. O governo indiano também tem
muitas esperanças na viabilidade econômica dos produtos que são
matéria-prima de BDF, já que ao redor de 60% da população do país vive
em áreas rurais e dependem da agricultura praticada de acordo com as
condições climáticas. Uma das matérias-primas, o Pinhão Manso
(Jatropha Curcas), recebeu o apoio da companhia Daimler Chrysler e
em novembro de 2003 teve início o “Programa Pinhão Manso”. Este é um
projeto conjunto entre a Índia e a Alemanha e planeja-se iniciar
pesquisas num espectro amplo, desde o cultivo até a produção de BDF
em um período de 5 anos. Participam do projeto, a Universidade
Hohenheim pela Alemanha e a Indian Central Salt & Marine Chemicals
Research Institute, pela Índia, que desempenharão um papel central. A
companhia Daimler Chrysler proporciona o capital, tecnologia e veículos
para testes2.

2
Ver no “Anexo 1” detalhes do Programa Pinhão Manso na Índia.

23
POLÍTICA ATUAL
Política Nacional de Desenvolvimento e
Informações Relativas ao Biocombustível
Situação Atual no Brasil

A República Federativa do Brasil possui uma área de 8,512 milhões km2,


sendo o maior país da América Latina (5º maior do mundo). Seu clima é
muito variado compreendendo florestas tropicais (norte), semi-árido
(centro) e temperado (sul).
Têm uma população de cerca 182 milhões de habitantes (2004), sendo
que aproximadamente 144 milhões (80%) vivem na zona urbana e 36
milhões (20%) na zona rural. A taxa de crescimento populacional no
período de 1991 a 2000 foi de 1,63% por ano no total, sendo 2,45% na
zona urbana e (-1,30%) na zona rural. Nas grandes regiões o
comportamento foi:-
Amazônica 2,84%;
Nordeste 1,30%;
Sudeste 1,61%;
Sul 1,41% e
Centro Oeste 2,37%.
A taxa de crescimento de 1,63% é a menor das últimas décadas,
confirmando a tendência declinante. Também ocorre um rápido
adensamento das cidades em contraposição à redução populacional das
áreas rurais. A Amazônia e o Centro-Oeste têm-se constituído fonte de
atração demográfica principalmente em virtude da baixa densidade e
ampliação de novas áreas para agricultura e pecuária. A população ainda
encontra-se concentrada principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e
Minas Gerais, que juntos representam 40,7% da população total. A
densidade demográfica média do país era de 21,4 habitantes por
quilômetro quadrado, sua população economicamente ativa de cerca de

24
60 milhões de pessoas e destas, 23% se dedicava à agropecuária. A
expectativa de vida ao nascer em 2003 era de 67,7 anos para homens e
75,2 anos para mulheres. A taxa de mortalidade infantil era de 27,5
crianças por 1.000, taxa de natalidade de 2,2, taxa de escolaridade no
nível primário de 88% e a taxa de analfabetismo para maiores de 15
anos é de 19%. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)) apresenta
uma média de 0,74 no território brasileiro. O IDH do Brasil foi
septuagésimo nono lugar no mundo em 1997.
Depois do ano 2000, mais de 80% da população total se concentrava nas
grandes cidades e esta participação mostrava uma tendência crescente.
Também se pode observar que a porcentagem da população rural
decresceu dos 22,8% em 2000 para 19,8% em 2003 (durante o mesmo
período a taxa de emprego no setor de produção intermediária cresceu
2,2 % e 0,8% no setor de serviços, não se consideram o número de
desempregados).
O governo federal brasileiro estabeleceu como uma das principais metas
políticas a diminuição das diferenças regionais, juntamente com a criação
de empregos no interior do país. Porém as desigualdades regionais entre
Norte/Nordeste e Sudeste/Sul do país tendem a aumentar sendo
necessário implantar medidas para corrigir estas distorções.
Atualmente, de um total aproximado de 5.600 cidades e vilas, das 500
mais pobres, mais da metade estão localizadas no Norte e Nordeste do
país. Abaixo se mostra o ranking de cidades que possuem os indicadores
de desenvolvimento humano mais baixo. 115 municípios (51,6%) dos 217
existentes no Maranhão apresentaram IDH entre 0,46 a 0,58.
Nestas regiões não existem atividades econômicas que possam
sustentar seu desenvolvimento, portanto é preciso tomar certas medidas
para resolver estes problemas de desigualdade regional, principalmente
nos Estados de Alagoas, Maranhão, Paraíba e Piauí.
O governo federal discutiu com representantes nacionais e estaduais
sobre medidas para mitigara pobreza e reduzir as diferenças regionais na

25
elaboração dos planos sócio-econômicos do PPA (2004 – 2007),
concluindo que os problemas básicos no Brasil são os seguintes:

Temas Básicos

1 Concentração dos recursos e renda em parte da sociedade


2 Restrições sociais na redução da pobreza
3 Falta de garantia para os direitos como cidadão
4 Avanço da degradação ambiental
5 Pouca oportunidade de emprego entre a faixa mais pobre
6 Falta de oportunidades para aumento da renda entre maior parte
das famílias
(aumento da renda com elevação da produtividade)
7 Falta de desenvolvimento sustentável

Ao mesmo tempo concluiu-se que o Brasil possui as seguintes


potencialidades para atingir uma taxa de crescimento do PIB maior que
4%.

Potencial

1. Abundância de mão de obra capaz de adaptar-se a novas


tecnologias
2. Abundância de recursos naturais
3. Recursos humanos com capacidade para atuar em todas as
áreas
4. Possui um setor produtivo competitivo no mercado mundial
5. Possui empresários com suficiente competitividade no mercado
mundial dentro de condições adequadas de legislação e
assistência

26
Com isso, o governo federal elegeu 5 metas apresentadas a seguir:

Metas Estabelecidas Através da Discussão com o Povo e Governo


Estadual
1. Gerar emprego e promover a inclusão social
2. Atingir uma taxa de crescimento de 4%
3. Mitigar as diferenças de renda
4. Mitigar as diferenças regionais
5. Promoção da conservação ambiental e desenvolvimento
sustentável

Os seguintes mega-objetivos do PPA surgiram da ordenação destas


metas do ponto de vista social, econômico, regional, ambiental e da
democracia.

Mega-objetivos do PPA

1. Redução das desigualdades sociais e promoção da inclusão


social
2. Crescimento com geração de emprego e renda, ambientalmente
sustentável e redutor
das desigualdades
3. Promoção e expansão da cidadania e fortalecimento da
democracia

A seguir apresentam-se detalhes dos mega-objetivos.

Este tema é prioridade para o governo federal. O governo pretende criar


oportunidades de emprego para a camada de baixa renda e aos
desempregados através do desenvolvimento econômico. Espera-se um
aumento na renda, mitigando ao mesmo tempo as diferenças regionais e

27
de renda. Pretende-se alcançar os objetivos através da execução
concentrada dos investimentos em áreas de pobreza, melhorando a
infra-estrutura de produção nestas áreas. Outro aspecto importante
seriam as estratégias de fortalecimento do setor social através do acesso
desta camada menos privilegiada à educação e segurança social. O
setor de assistência aos menos privilegiados também deverá ser
fortalecido. Ainda serão realizados o estabelecimento de políticas de
financiamento, melhoria nos regulamentos de impostos, promoção da
agricultura familiar, linhas de financiamento de moradia para a camada
menos privilegiada e formação de pequenas empresas no setor de macro
economia. E desejada uma taxa de 4% do PIB para atingir um
desenvolvimento sustentável.

Resumo dos Planos sobre Biocombústível

Concepção do Plano do MAPA para o Biocombustível O MAPA é


responsável pela parte entre a produção de matéria prima até a produção
de etanol e biodiesel. O MME é responsável pela comercialização destes
combustíveis. Portanto a promoção destes combustíveis deverá ocorrer
dentro de uma parceria entre os dois ministérios, com a cooperação de
outros órgãos relacionados ao setor.

Linhas Gerais dos Planos sobre Biocombustível do MAPA

O subsetor de BDF está ainda no estágio inicial. Por este motivo, as


técnicas de produção ainda não estão definidas, principalmente no que
tange o cultivo de matérias primas. Portanto, o fortalecimento da
produção de BDF dependerá do desenvolvimento de técnicas de
agrícolas e industriais.

Assim, o fortalecimento do setor de pesquisas será fundamental.

28
Subsetor de Biodiesel

O MAPA apresentou o Plano Nacional de Agroenergia para assistir a


estratégia do B2/B5 do MME por parte do fornecimento de matéria prima
tendo como planos de ação os seguintes itens:
• Aumento da produção de óleo por área
• Melhoria da produção de BDF com uso de etanol
• Aumento do uso de resíduos da pecuária
• Desenvolvimento de tecnologia para agregar valores a resíduos e
subprodutos da produção de BDF
• Desenvolvimento de tecnologia voltada à auto-suficiência de
energia em usinas e locais remotos

Medidas de Promoção do Biodiesel do MME

O setor de BDF tem como programas principais o Programa de Produção


e Uso de Biodiesel, Selo Combustível Social e Programa de Assistência
ao Financiamento para Investimentos no Biodiesel.
O Programa de Produção e Uso de Biodiesel apresentado em junho de
2004 planeja realizar a mistura de 2% de BDF no diesel até 2008 e 5%
até 2013. A obrigatoriedade da mistura foi promulgada pela Lei No 11097.
O Selo Combustível Social foi criado para assistir os pequenos
agricultores. O Selo estimula a compra de matéria prima de pequenos
agricultores criando vantagens sobre impostos para as empresas
compradoras.
O Programa de Assistência ao Financiamento para Investimentos no
Biodiesel foi criado para incentivar investimentos no setor, e abrange
desde o setor agrícola até a comercialização do BDF. Este programa tem
como órgão financiador central o BNDES, possuindo taxas de juros
menores. Para se ter acesso a estas taxas também é necessário possuir
o Selo Combustível Social.

29
ESTADO DA ARTE
Situação Atual da Produção de Matéria-Prima
Culturas para o BDF

No Brasil se conhecem pelo menos 90 espécies que poderiam servir


como matéria-prima para o biodiesel (BDF), mas se desconhece o
volume de óleo que se poderia extrair da maioria destas plantas assim
como qual seu ambiente ecológico. Os produtos viáveis ao projeto na
atualidade, são: dendê, côco, abacate, pinhão manso, mamona, colza,
cacau, girassol, gergelim, café, soja, algodão, nabo forrageiro.
O Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a
Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (EMBRAPA)
selecionaram cinco espécies (soja, dendê, mamona, girassol e colza)
como produtos elegíveis para a produção de BDF.
Os parâmetros para esta seleção foram os seguintes:
・ Alto teor de óleo
・ Produtos que já tenham sido cultivados
・ Produto representativo da região
・ Métodos de cultivo conhecidos.
Além destes 5 produtos, as seguintes plantas estão sendo consideradas
como matéria-prima para o BDF o pinhão manso e o nabo forrageiro. O
óleo de amendoim tem sua própria importância no mercado por seu alto
valor, portanto a EMBRAPA considera que seria difícil utilizá-lo como
matéria-prima de BDF.
Existe também a possibilidade de se mudar ou acrescentar novos
produtos viáveis como matéria-prima de BDF.

Características de Novas Culturas:

O Brasil possui muitas culturas com alto potencial para se tornarem


matérias-primas de BDF, mas a maioria é inédita, não há experiência de

30
plantações de porte. Por isso não existe muita informação ou
conhecimentosno que se refere a variedades de sementes e de técnicas
de cultivo apropriadas a uma produção em larga escala.

Pesquisas experimentais em campo e difusão de técnicas eficazes


precisam ser desenvolvidas a partir de agora.

Para promover o cultivo de novas culturas, será necessário implementar


as seguintes medidas.

• Cultivo experimental dos produtos elegíveis (pinhão manso, nabo


forrageiro, diversos tipos de coco).

• Seleção das variedades recomendadas e garantia das técnicas de


cultivo assim como implementar o sistema de extensão técnica.
• Garantia da tecnologia de extração de óleo e fabricação de BDF

As diversas regiões do país apresentam diferenças climáticas

Na região Norte, domina a floresta tropical, representada pelo


Amazonas. A região Norte é adequada para o cultivo de dendê, que
requer chuvas abundantes.
Na região Nordeste existe uma diferença entre a zona litorânea, (com
chuvas abundantes) e a do interior (semi-árido). Nessas zonas é
adequado o cultivo da mamona e do pinhão manso, resistentes à seca. A
mamona é relativamente resistente à seca e absorve bastante mão-de-
obra, sendo um cultivo interessante para a inclusão social. Não existe
muita informação relativa ao pinhão manso e não se conhecem técnicas
de cultivo do produto.
Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste já se cultivam soja em grande

31
escala e suas técnicas de produção são bastante conhecidas. O girassol
poderia ser uma alternativa para a entressafra da soja.

Análise de Risco do Programa de Produção e Uso do Biodiesel e


Estrutura Executiva no Médio / Longo Prazos

(1) Análise de Risco


Como risco para o “Programa de Produção e Uso de BDF” pode ser
considerado o fato de não se conseguir atingir a produção para o B2/B5
e promover a inclusão social concomitantemente. Pelo exposto, a
seleção das matérias-primas de BDF se encontra em um antagonismo
entre a soja, que é uma cultura já desenvolvida e altamente competitiva
no mercado internacional, e a mamona, cujas técnicas de produção são
bastante rudimentares. Para assegurar o volume de produção necessário
de BDF para atingir o B2/B5, a escolha, do ponto de vista meramente
econômico, tenderá para a soja. Esta tem competitividade e é cultivada
por grandes empresas agrícolas, mas aí há o risco de o Programa não
atingir o outro objetivo, que é o de promover a produção de matérias-
primas que possam aumentar as oportunidades de emprego na área
rural e trazer resultados para a inclusão social (mamona e pinhão
manso). E, do outro lado, se for enfatizado somente a inclusão social,
existe o risco de não se atingir a meta do B2/B5. Entre os riscos do setor
BDF podem ser enumerados os seguintes:

1) Risco de não poder comercializar os produtos candidatos à


matéria-prima de BDF por deficiência de técnicas de cultivo.
2) Risco dos produtores não transformarem o óleo em BDF, devido a
diferença nos preços entre o BDF e o óleo vegetal

3) Risco de não se poder comercializar o BDF por falta de assistência


financeira aos pequenos agricultores

32
4) Risco de criação do monopólio da soja como matéria-prima de
BDF, pondo em risco os resultados da inclusão social
5) Risco de não atingir o B5 por falta de plantas processadoras
devido a investimentos insuficientes por parte das empresas
6) Risco de redução dos efeitos na inclusão social e falta de difusão
do BDF com soja pela variação nos preços dos óleos vegetais e do
diesel
7) Risco de redução dos efeitos do “Selo Social Combustível” pela
queda nos preços do diesel.
8) Risco de não cumprir com o B2/B5 devido a Alta nos Preços da
Matéria-Prima e do Óleo Vegetal

Risco em Atingir o B2/B5 devido a Alta nos Preços da Matéria-


Prima (Principalmente Soja) e do Óleo Vegetal

Do ponto de vista da produção e do preço, a única matéria-prima do BDF


possível de ser fornecida atualmente é a soja. As outras culturas estão
numa situação que seria quase impossível fornecer matéria-prima
suficiente para o B5. Produziu-se 21.000.000 ha de soja em 2003 sendo
fornecido ao mundo na forma de grão, óleo e torta. O mercado consumiu
como ração para suínos e aves, tão como processado ou em forma de
óleo. O consumo de carne vem aumentando muito atualmente, tão
quanto o consumo de óleo de soja. Isto ocorre principalmente na China,
onde o consumo aumenta anualmente 7%. Assim, a demanda pela soja
que é matéria-prima para ração de animais tem aumentado também.
O consumo de carne vem aumentando muito, principalmente relacionado
ao consumo de aves de suínos que utilizam a soja como ração. Estima-
se que esta tendência persista por algum tempo aumentando ainda mais
a demanda pela soja. O mesmo pode ser dito para o óleo de soja que
apresenta um grande crescimento na demanda (tab. 7.47). Esta
tendência pode acarretar um aumento nos preços da soja causando

33
riscos para a oferta de B2/B5. Portanto, se a produção de BDF ficar
totalmente dependente da soja, criará uma situação de alto risco para o
sistema de fornecimento de BDF. No longo prazo, para que a estrutura
de fornecimento de BDF seja concretizada, deve-se ficar independente
deste tipo de produto e passar a usar produtos menos sensíveis
(mamona, pinhão manso, etc.).

Medidas para Evitar Tais Riscos

Risco Medidas contra os Riscos


Não Realização da Comercialização Aumentar a produção de culturas que tenham efeito de inclusão social
Devido a Imaturidade das Técnicas de Fortalecimento da pesquisa de técnicas de cultivo
Cultivo das Culturas para BDF Melhoria da extensão técnica aos agricultores e fortalecimento da estrutura
de extensão
Formar uma estrutura de fornecimento do B2 através da participação de
agricultores empresariais
Descontentamento dos Produtores Devido à Melhoria técnica em áreas de cultivo de mamona (experimentos /
Diferença nos Preços do BDF e Óleo fortalecimento da pesquisa sobre variedades com alta produtividade)
Vegetal e Circulo Vicioso de Redução dos Promoção da extensão técnica
Preços dos Produtos Seleção de áreas adequadas ao cultivo de culturas para BDF e assistência
concentrada nestas áreas
Não Comercialização do BDF devido à Melhoria nas políticas de assistência financeira no plantio para os
Falta de Recursos Voltado aos Agricultores agricultores familiares
Familiares Solidificação da extensão técnica de cultivo
Não Atingir a Inclusão Social devido ao Concretização da tecnologia de cultivo de culturas para BDF com vista no
Domínio da Soja como Matéria-Prima do longo prazo
BDF
Não Atingir o B5 por Falta de Usinas Estabelecimento de linhas de financiamento com baixos juros
devido ao Recuo dos Investimentos por Fortalecimento do sistema de assistência técnica de produção do BDF
Parte dos Empresários
Redução dos Efeitos de Inclusão Social Concretização da tecnologia de cultivo de culturas para BDF com vista no
pela Expansão da Soja como Matéria-Prima longo prazo
do BDF devido à Variação dos Preços do
Diesel e Óleo Vegetal
Redução dos Efeitos do Selo Combustível Inclusão de Novas Oleaginosas a Serem Beneficiadas pelo Selo
Social devido à Queda do Preço do Diesel e Combustível Social
Aumento da Carga sobre os Distribuidores
Risco em Atingir o B2/B5 devido a Alta Fortalecimento da Estrutura Produtiva de BDF através de Outras Culturas
nos Preços da Matéria-Prima como Mamona e Pinhão Manso
(Principalmente Soja) e do Óleo Vegetal

Ao mesmo tempo, se faz necessário implementar medidas para outros


temas do setor BDF.

Abaixo apresentamos uma relação destes temas a serem tratados.

34
Campo Temas
Setor Melhoria da infra-estrutura desde a produção agrícola, extração de óleo, usina de BDF até a distribuição do
em Geral combustível
Promoção do investimento no setor e desenvolvimento de tecnologia de produção
Elevar o nível técnico de cultivo dos agricultores familiares de baixa renda e a produtividade das culturas
Concretizar preços de comercialização que considere a renda dos produtores de matéria-prima
Fortalecimento da assistência para elevar a produtividade agrícola e promoção de uma participação
sustentável dos agricultores familiares
Definição de culturas adequadas do ponto de vista social e ambiental
Cultivo Desenvolvimento / introdução de variedades com alta produtividade e adequadas à mecanização
de Consolidação das técnicas de cultivo
Mamona Elevação da técnica de produção dos agricultores
Mecanização (Preparo do solo, transporte, colheita, etc.)
Aquisição conjunta de insumos agrícolas através do fortalecimento da organização de agricultores
Posse conjunta de máquinas
Criar uma estrutura de cooperação entre agricultores e produtores de óleo
Cultivo Estabelecimento de um sistema produtivo que possibilite a participação dos agricultores familiares
de Dendê (distribuição de mudas, extensão técnica, linhas de crédito, etc.)
Introdução de medidas que possibilite a sobrevivência dos agricultores durante a fase inicial não produtiva
Empreendimentos que unam os produtores de dendê e de óleo (por exemplo, cultivo por contrato)
Formação de cooperativas aptas a coordenar o cronograma de colheita entre os agricultores
Colza e Produção experimental de culturas com potencial (nabo forrageiro, pinhão manso, palmeiras, etc.)
Novas Seleção de variedades para indicação e estabelecimento de técnicas de produção e de extensão técnica
Culturas Consolidação da técnica de extração de óleo e de produção de BDF
Extração Estabelecimento de indústrias de extração de óleo de mamona e de linhas de financiamento que ative o
de Óleo investimento no setor
Estabelecimento de sistema de coleta de mamona
Estabelecimento de indústrias de extração de óleo de dendê e de linhas de financiamento que ative o
investimento no setor
Produção Promoção das pesquisas sobre o método de craqueamento
de BDF Promoção das pesquisas sobre o método transesterificação utilizando o etanol como solvente
Controle de qualidade do BDF
Instalação de usinas de BDF para mamona
Instalação de usinas de BDF para outros óleos

DEPOIMENTOS

Sr. Luiz Magalhães (EMBRAPA):


Relatou ter recebido a primeira versão do Estudo (intermediário) e que o
considera extenso e valioso. Ressaltou que seus comentários tinham a
intenção de corroborar com o estudo, confirmando que a soja e o dendê
são de fato as melhores alternativas a curto prazo, enquanto a mamona
embora produza um efeito social e seja boa para o semi-árido, apresenta
grandes problemas quanto a gerar rendimentos. Concordou com a
importância de se estudar outras culturas para a produção de biodiesel e
citou que a EMBRAPA vem realizando estudos com nabo forrageiro e
pinhão manso, que embora seja natural da Índia e Ásia, está
apresentando bons resultados na região do Piauí e Maranhão. Neste
sentido disse ser importante o apoio financeiro para tais pesquisas.
Matérias-primas de origem animal, como o sebo bovino, também foram

35
citadas como alternativas que necessitam de tempo e recursos para
serem pesquisadas. Por se tratar de um sub-produto com limite de oferta
é importante explorar este limite. O dendê requer uma alta precipitação
pluviométrica e portanto deve-se se estudar até que ponto é possível
expandir o plantio pelo Norte e deve-se pesquisar o dendê irrigado.
Finalizou confirmando que a produção do BDF no Brasil ainda é baixa e
onde ela acontece usa-se a soja ou dendê.
Sr. Paulo Morceli (CONAB):
Também confirmou a necessidade de se estudar novos produtos como o
pinhão manso, que tem se adaptado bem ao Semi-Árido podendo ser
trabalhado com pequenos produtores. Citou números de um projeto que
contempla 15.000 produtores que cultivarão 2.500 plantas em 2ha cada.
Trata-se de um projeto bem focado ambientalmente e que promove a
Inclusão Social.
Sr. Ângelo (MAPA):
Disse que o projeto mencionado será localizado em Montes Claros.
Embora o Brasil não ter muito conhecimento botânico sobre o pinhão
manso, sabe-se que tem um alto potencial de extração de óleo, leva 4
anos para produzir e pode ser cultivado por pequenos proprietários. O
projeto tem a parceria da CONAB, Petrobrás, EPAMIG entre outras
instituições. Acredita-se que 1 ha gere de 5 a 6 toneladas com uma
extração de 38% de óleo bom para biodiesel. O projeto prevê duas
abordagens com plantação de sequeiro: a “solteira” onde a lavoura
estaria consorciada com outra cultura e o plantio no meio do cerrado, não
de 2 ha mas de 4 ha, para não agredir o meio ambiente. Pinhão manso
mostra-se economicamente viável, tratando-se de uma ação de cultura
domesticada.

36
POLO NACIONAL DE BIOCOMBUSTÍVEIS

Apesar de a região Nordeste do Brasil ser a mais carente e necessitar


mais que as outras a implantação de um programa de uso intensivo de
mão de obra e geração de renda no campo, outras regiões brasileiras
também são carentes de programas de incentivo a culturas familiares
com o intuito de fixação do homem no campo. Existem terras impróprias
para agricultura e necessidade de se achar utilização para as mesmas
nas regiões de Norte de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e outras
regiões mais no Sudeste e Sul do Brasil. Deve ser considerado também
o aspecto que muitas vezes em certas regiões as distâncias encarecem
o transporte de escoamento do produto agrícola destas regiões e o
combustível chega lá a preços mais elevados que praticado nos grandes
centros de consumo – portanto carecem de terem uma produção regional
de bio-combustível. Tem também os aspectos de logística de
distribuição, sendo as regiões S/SE as maiores consumidoras e dispondo
de terras pouco viáveis para agricultura de alimentos, poderão fornecer o
óleo de Pinhão Manso a custos menores devido à sua proximidade, sem
prejudicar a cultura na região Nordeste.
Outro aspecto é a proximidade de centros de pesquisa, de inegável
capacidade e competência, para dar suporte a pesquisa e
desenvolvimento do projeto do Pinhão Manso.
Com a finalidade de preparar o Brasil para um novo contexto energético,
a partir da matriz agroenergia, foi lançado em 16 de janeiro de 2004, na
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ / USP, o
PÓLO NACIONAL DE BIOCOMBUSTÍVEIS pelo Presidente da
República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro da Agricultura, Roberto
Rodrigues e o Diretor da Escola Superior de Agricultura "Luiz de
Queiroz", Prof. Dr. José Roberto Postali Parra.
Na solenidade, também estiveram presentes a Ministra de Minas e
Energia, Dilma Rousseff, o Governador do Estado de São Paulo, Geraldo

37
Alckmin, o prefeito da cidade de Piracicaba, José Machado e o Reitor da
Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Adolpho José Melfi.
O Pólo Nacional de Biocombustíveis foi implantado em novembro do
mesmo ano com o objetivo de coordenar esforços e definir estratégias
para uso de diferentes fontes de biomassa, como girassol, milho,
amendoim, mamona, soja, gordura animal, madeira, carvão e a própria
cana-de-açúcar para fins energéticos, bem como contribuir para o
desenvolvimento de uma política de promoção e produção dos
biocombustíveis no país.
O Pólo Nacional de Biocombustíveis atua em rede e desenvolve
parcerias com órgãos governamentais, empresas e pesquisadores do
setor agroenergético, com o objetivo de captar e organizar recursos
financeiros e humanos que viabilizem o desenvolvimento do segmento
de biocombustíveis no país e no exterior. De forma complementar, o Pólo
Nacional de Biocombustíveis funciona como facilitador para iniciativas de
captação de recursos para financiamento de projetos de
desenvolvimento tecnológico e projetos estratégicos.

Missão

A missão do Pólo Nacional de Biocombustíveis é a de contribuir para a


produção sustentável e o uso de biocombustíveis, catalisando e
facilitando as iniciativas no país e no exterior voltadas à redução dos
custos de desenvolvimento tecnológico, produção, armazenagem e
transporte dos biocombustíveis.

Atuação

O Pólo Nacional de Biocombustíveis tem um importante papel de


coordenação do desenvolvimento tecnológico descentralizado no país;
comunicação à sociedade e aos meios produtivos dos resultados e

38
impactos do uso de diferentes biocombustíveis3; formação de recursos
humanos; efetivação de treinamento e formação técnica nas áreas acima
e assessoramento às políticas públicas e projetos, voltados à biomassa
energética no Brasil.
O Pólo funciona ainda como um importante ponto focal nacional e
internacional em biocombustíveis, relacionando-se com institutos,
universidades e o setor produtivo coordenando a implementação,
suporte, consolidação de projetos e a prestação de serviços. Dessa
forma, busca contribuir para a sustentabilidade dos modelos de produção
dentro da agroindústria, a partir de indicadores de sustentabilidade sócio-
econômico e ambiental. Funciona também como um parceiro
independente e com a necessária credibilidade para dar suporte à
elaboração de políticas públicas, captação de recursos no país e no
exterior para projetos em biocombustíveis.

3
Vide Anexo 3

39
OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Obtenção de variedades de Jatropha curcas L.- Pinhão Manso - de


alta produtividade e homogeneidade, adaptadas a diversas regiões
climáticas brasileiras e diversos tipos de cultivo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1 – Adensamento
 seleção e propagação de mudas naturalmente desenvolvidas para
condições de adensamento – garantindo com isso rendimento
muito maior por área plantada, apesar de poder reduzir
ligeiramente o rendimento por planta. Notar que “adensamento”
não é “densidade de plantio”, pois exige certas características da
planta as quais garantem este rendimento alto por área. A simples
densidade maior de plantio não tem o efeito de planta adaptada
para o adensamento. Geralmente esta característica tem que ser
propagada por clonagem “in vitro”.

 O estabelecimento de um bem elaborado plano nacional para a


cultura adensada poderá oferecer o necessário estímulo para
ampliação das áreas de cultivo tradicionais e alternativas atraentes
para regiões emergentes que hoje abandonam cultivos e
explorações extensivas de baixo rendimento por hectare.

2 – Micropropagação
 obtenção de mudas clonadas a partir de espécimes selecionados
diferenciados por ter alto rendimento, reproduzidas “in vitro” e

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aclimatadas em viveiro, garantindo assim que tenham rendimento
alto uniforme em toda a plantação, garantindo assim safras e
resultados maiores, característica esta NUNCA atingida por
propagação seminal.

3 – Melhoria Genética
 maior rendimento de quantidade de frutos por árvore;
 maior rendimento de óleo por semente;
 obtenção de óleo de melhor qualidade;
 obtenção de sementes de tamanho maior;
 Amadurecimento uniforme dos frutos;
 adaptação da planta à diversas condições climáticas, com maior
rendimento em cada condição;
 adaptação da planta à irrigação por água salobra (semi árido);
 enraizamento mais profundo para alcançar o lençol freático em
regiões semi áridas;
 estudo dos efeitos de irrigação sobre o rendimento da planta;
 resistência às pragas às quais a planta é suscetível;
 atingir no mínimo três a quatro safras por ano;
 variantes com rendimento precoce.

4 – Consórcio com outras culturas e atividades agrícolas


 consórcio, principalmente nos primeiros anos, com outras culturas
agrícolas de ciclo curto, tipo milho, feijão, amendoim, entre outras;
 consócio com criação de animais;
 sua produtividade aumenta com o consórcio com abelhas, já que a
polinização de suas flores é cruzada e o mel de suas flores tem
propriedades medicinais.

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5 – Pesquisa de pragas e doenças que afetam a planta
 levantamentos regional e nacional de pragas que afetam a planta
em diversos estágios de crescimento, floração e amadurecimento
dos frutos.
 prevenção de pragas existentes em outros países, e que ainda não
ocorrem no Brasil.

6 - Regimes pluviométricos e Irrigação


 estudo de efeitos dos regimes pluviométricos sobre a planta;
 estudo e avaliação de efeitos de irrigação controlada.

7. – Tipos e métodos de Colheita


 Colheita manual em agricultura familiar
 Colheita mecanizada nas plantações extensivas

8 – Desintoxicação de torta resultante de esmagamento


 tratamentos necessários para diversos tipos de aplicação,
principalmente adubação e ração animal.

9 - Métodos e épocas de poda, e adubação química e orgânica

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RESULTADOS ESPERADOS

De uma forma ampla e generalizada e sucinta – desenvolvimento e


obtenção de variedades de Jatropha curcas L.- Pinhão Manso -de alta
produtividade e homogeneidade, adaptadas a diversas regiões climáticas
brasileiras e diversos tipos de cultivo, de alta produção de óleo de
qualidade melhorada e quantidade maior, ainda não existente em
nenhum lugar no mundo.

Serão duas pesquisas correndo em paralelo:

- a primeira, de resultados de médio prazo, pesquisará e desenvolverá a


variedade “adensada”, com propagação “in vitro”, com resultados iniciais
esperados a partir do segundo e terceiro anos.

- a segunda pesquisa vai se concentrar na melhoria genética, pesquisa


esta de longo prazo. Os resultados desta pesquisa, a par de serem
compatíveis com o adensamento, trarão benefícios ainda maiores
relativos a qualidade e qualidade das sementes obtidas. Esta pesquisa,
sendo de longo prazo, deve continuar o seu desenvolvimento até atingir
os resultados esperados.

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ANEXOS

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Anexo 1
Resumo de Programas na Índia com Jatropha curcas

Em abril de 2003, o comitê de desenvolvimento de BIO-COMBUSTÍVEIS,


sob os auspícios da comissão do planejamento da Índia, apresentou seu
relatório que recomenda o principal programa multi-disciplinar visando
substituir 20% do consumo do diesel da Índia. A comissão nacional do
planejamento integrou os ministros do petróleo, desenvolvimento rural,
mitigação da pobreza, o ministro ambiental e outros. Um dos objetivos do
programa é misturar o petro-diesel com os 13 milhões de toneladas
planejados de bio-diesel para 2013 (1000 vezes mais se comparado ao
cultivo e produção atuais de Jatropha curcas – Pinhão Manso - no
mundo), produzidos principalmente do óleo do não comestível Jatropha
curcas, e uma parte menor de Pongomia.Para esta finalidade, onze
milhões do ha de terras presentemente não utilizadas devem ser
cultivados com Jatropha (para a comparação: desmatamento anual de
florestas tropicais brasileiras - 2.4 milhões de ha). Um programa similar
foi começado com produção do etanol do melaço de cana, que deve
substituir 5% do petróleo usado no transporte, na primeira fase. O
anúncio e a discussão deste programa têm trazido a adesão de
numerosas instituições, investidores privados e alguns fazendeiros a
preparar-se para começar com o trabalho neste programa de Jatropha.
Este movimento para a utilização em grande escala de óleo de Jatropha
está sendo principalmente em função da discussão da energia, com o
seu aumento de restrições ambientais e da saúde e também o custo da
dependência estrangeira; e também do setor do desenvolvimento
florestal e rural, procurando os potenciais futuros da renda. Em março de
2004 uma primeira parcela para este Programa Nacional de Jatropha foi
liberada no valor de RS. 800 Crore (161 Milhões Euros) para sustentar o
cultivo de Jatropha em campos e em plantações novas de 200.000 ha.

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Esta é a primeira parcela de um programa total aprovado com um volume
de RS. 1.500 Crore (300 milhões de Euros) e 400.000 ha, para ser
realizado dentro de um período de cinco anos. O programa pretende
substituir 5% do consumo diesel em 2006, valores estes baseados nos
rendimentos esperados pelo governo.Para plantar estes 11 milhões de
ha de Jatropha, o programa deve transformar-se "uma missão nacional"
e movimento maciço e quer mobilizar um grande número de partes
interessadas incluindo indivíduos, comunidades, empreendedores,
companhias de óleo, negócios em geral, indústria, o setor financeiro
assim como o governo em si e a maioria de suas instituições.
Na primeira fase, dentro de um projeto de demonstração, a "viabilidade
de todos os componentes" deve ser testado, desenvolvido e
demonstrado pelo Governo com todos seus participantes em partes
diferentes do país, tais como, produção suficiente das sementes e uma
abrangente informação e treinamento de potenciais participantes e de
investidores para permitir uma disseminação auto-sustentada. O projeto
de demonstração consiste em 2 fases, cada uma com 200.000 ha
plantados em 8 estados de 25.000 ha "de área compacta" cada uma.
Cada estado terá uma planta de transesterificação, que é esperada ser
economicamente viável a partir de 80.000 t de bio-diesel, volume este
esperado vir de 50 a 70.000 há plantados. As áreas compactas em cada
estado serão subdivididos em blocos de 2000 ha para facilitar os
suprimentos de materiais, obtenção de sementes e para o
processamento preliminar local através dos esmagadores.
Os resultados previstos dos 400.000 ha são esperados ser 0.5 milhão t
de bio-diesel, torta de massa resultante de esmagamento, e geração
maciça do emprego (16 milhões dias/ano – 128 milhões H/H por ano)
para os pobres. O programa também é suposto ajudar a atingir os
padrões da emissão e as metas climáticas aprovados pelo Governo, para
melhorar recursos de terras degradadas, e renda para 1.6 milhões de

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famílias pobres, considerando 4 famílias por o ha, em uma base de 5
Rupees/kg da sementes vendidos.
Para 2007, quando todo o processo é esperado continuar auto-
sustentado, um esquema de recursos financeiros, subsídios e
empréstimos é planejado ser instituído. A expansão de capacidades
processamento são supostos acontecer com um subsídio de 30%, com
um empréstimo de 60%, e em uma base de 10% de investimento
privado. A sustentação adicional para a "fase II" baseada em economia
de mercado, de 2007 em diante, será suportada pelas agências
financeiras internacionais, já que o programa atende aos interesses
ambientais globais e contribui para redução da pobreza.

A Missão Nacional em Biodiesel, é proposta em duas fases como


abaixo:
1. Fase I que consistindo em um Projeto de Demonstração a ser
executado no biênio 2006-07 com um investimento de Rs. crore
1500 ($300 milhões de euros) em 400.000 ha.
2. Como uma continuação do Projeto de Demonstração, a Fase II
consistirá em um programa de expansão auto-sustentada que
começa no ano 2007 e que conduz à produção de Biodiesel
requerida nos anos 2011-12.

A seguir, os objetivos da pesquisa e desenvolvimento definidos pelo


programa da Índia:
• Obter espécies geneticamente melhoradas das espécies de planta,
para produzir óleo em quantidade maior e melhor; identificação e
seleção de espécimes, além de padronização de cultivo em
estufas; propagação seminal e por clonagem vegetativa; dados
cientificamente testados para a densidade das plantações, práticas
de fertilização e outros procedimentos de plantio e condução das
plantações.

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• Práticas tecnológicas de domínio da cultura da planta;
• Pesquisa de consorciamento para aplicações de agricultura, agro-
florestal e florestal;
• Técnicas de processamento incluindo o bio-diesel e sub produtos;
• Utilização de diferentes óleos e misturas de óleos, incluindo
potenciais aditivos porventura necessários;
• Mistura, estocagem e transporte do bio-diesel;
• Desenvolvimento e modificações em motores;
• Marketing e comercialização;
• Técnicas de irrigação, necessidades de água e irrigação e uso de
águas usadas não são parte do programa.

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Anexo 2
TESTANDO ALTERNATIVAS PARA
O BIO DIESEL EM ISRAEL
Israel aderiu muito recentemente às pesquisas de energia renovável;
para tanto o Governo de Israel formou uma força tarefa para desenvolver
uma estratégia de biocombustíveis. Quatro Ministérios são responsáveis
pela elaboração desta estratégia: Ministérios da Infraestrutura, Ministério
dos Transportes, Ministério de Meio Ambiente e o Ministérios das
Finanças. É esperado que diante da complexidade do empreendimento e
grande número de agentes envolvidos, a política de energias renováveis
não conseguirá ser implementada nos próximos dois anos.
Neste meio tempo, em Israel as experiências com plantação de
variedades destinadas ao biodiesel começaram há três anos. Atualmente
as experiências estão concentradas no desenvolvimento das sementes
de Mamona e de Jatropha curcas – o Pinhão Manso. Em 2007 a área
experimental plantada era de 2 hectares.
As experiências são conduzidas pelo Instituto Volcani pertencente a
Organização de Pesquisas Agrícolas (ARO), divisão de pesquisas do
Ministério da Agricultura de Israel. A estratégia da Volcani está focada em
plantações de biodiesel e por enquanto não em bioetanol. As
experiências de campo4 são conduzidas com sementes geneticamente
modificadas de mamona e Jatropha curcas.
No momento a estratégia da ARO - Volcani está focada em variedades
para a produção de biodiesel e não de bioetanol. Além do mais, a
estratégia da ARO – Volcani está focada na idéia de desenvolver culturas
de variedades não destinadas a alimentos e viáveis em regiões e solos
marginais.
4
Lá em Israel é proibido conduzir plantações de testes com biotecnologia perto de
campos cultivados, campos de agricultura orgânica e plantações de destino alimentício
e comercial. Para conduzir tais experiências deve ser solicitada autorização para o
Serviço de Inspeção e Proteção de Plantas de Israel (PPIS).

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ANEXO 3
Exemplo de duas (entre muitas outras) linhas de pesquisa do Pólo
Nacional de Biocombustíveis

Sustentabilidade e Indicadores
Autor: Lucas Rogério Pereira
Estagiário do Pólo Nacional de Biocombustíveis

“A questão de mesclar a viabilidade social, econômica e ambiental é


pertinente ao pensamento moderno. Na busca de novas soluções, a idéia
de energias renováveis, como os biocombustíveis é uns dos caminhos
que podem levar a várias saídas.
Por ser um fato relativamente novo no cenário mundial e de interesses
governamentais, muito está se dizendo sobre os biocombustíveis. No
Brasil, o incentivo na utilização de biocombustíveis, com exceção do
etanol (Proálcool), ainda é recente e a cada dia são desenvolvidas e
descobertas novas formas de energia renovável. Atualmente, o tema
mais focado é o biodiesel, que é extraído de óleos vegetais, como a
mamona ou o dendê, resultando em um novo combustível, cujos fatores
de poluição são relativamente baixos, comparados ao diesel de origem
mineral.
Devido ao crescimento da demanda por biodiesel no Brasil, criada a
partir da Lei No. 11.097, de 14 de janeiro de 2005, que dispõe sobre a
introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, têm-se observado
um grande movimento para a instalação de novas plantas industriais
para produção de biodiesel em diversas regiões do país. Muitos podem
ser favorecidos com esse projeto, como a agricultura familiar. Porém, há
algumas questões a serem analisadas, quando se trata da produção de
biocombustíveis. Um exemplo típico é a idéia de “enriquecer”, plantando-
se mamona no quintal de casa. Entretanto, todo processo, independente
da matéria-prima escolhida, não é tão simples assim. Há a necessidade

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de um planejamento, envolvendo estudos sobre a viabilidade do solo,da
planta, da área; enfim, isso nã pode ser feito de uma maneira “amadora”
e impulsiva,visando somente o lucro rápido e irreal.
A questão ambiental também é muito relevante na produção do
biocombustível. A energia é totalmente renovável, podendo funcionar,
como já acontece com a cana-de-açúcar, cuja produção da cultura ocorre
o ano todo, resultando numa coleta de matéria-prima de modo não-
extrativista como acontece nos combustíveis minerais.
A viabilidade econômica também pode ser bem estudada, quando
abordamos o tema dos biocombustíveis, pois o Brasil possui um
potencial enorme, tanto em área produtiva (locais para a plantação de
matéria-prima), mão-de-obra (o desemprego no Brasil atualmente está
elevado, sendo que para a maioria dos serviços prestados, a qualificação
profissional não é fator relevante) e para investimentos maciços dos
empresários, já que o futuro nessa área é muito promissor.
Contudo, os biocombustíveis estão sendo vistos como um divisor de
águas para o Brasil, em relação a outros países do mundo, pois aqui há
um estudo muito avançado nesse setor.
Esperamos que a preocupação com todos esses fatores citados acima
seja levada a sério, pois essa deve ser a linha de pensamento daqui pra
frente; sempre focando as viabilidades social, ambiental e econômica”.

Serviços Ambientais e Projetos de Carbono


Juliana Dias Bernardes Gil - Pesquisadora do PNB

O termo “serviços ambientais”, bastante disseminado nos últimos


tempos, designa uma série de serviços providos pela natureza,
decorrentes do funcionamento saudável dos ecossistemas – sejam estes
naturais ou antrópicos. A produção de oxigênio pelas plantas, a
capacidade de produção de água e o equilíbrio hidrológico, a fertilidade
do solo e o equilíbrio climático são alguns exemplos.

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A continuidade ou manutenção desses serviços, essenciais à
sobrevivência das espécies, depende, diretamente, de conservação e
preservação ambiental, bem como de práticas que minimizem os
impactos das ações humanas sobre o ambiente.
Tradicionalmente, os mercados costumam valorar a maior parte dos bens
ambientais de uso direto e imediato – como madeira, água, óleos e
essências, sementes etc. – em detrimento dos serviços ambientais,
ignorando a interdependência existente entre ambos.
A criação de mercados específicos para serviços ambientais, como o de
créditos de carbono, é um fenômeno relativamente recente. No entanto,
já indica o reconhecimento da importância da valoração econômica e
financeira desses serviços como forma de evitar a exploração
indiscriminada e irresponsável dos recursos naturais, e ainda estimula a
adoção de práticas ecologicamente corretas por parte da sociedade.
Particularmente em relação ao carbono, um número crescente de países
têm se inserido no mercado mundial de créditos e lançado novos projetos
de mitigação do clima ou de redução comprovada da taxa de emissão de
GEEs (Gases de Efeito Estufa).
Na realidade, com a ratificação e entrada em vigor do Protocolo de
Quioto, foram estabelecidas metas diferenciadas de redução desses
gases para os países (5,2% na média, com relação aos níveis verificados
em 1990), em função de suas responsabilidades históricas. Calcula-se
que esse montante equivaleria a algo em torno de 714 milhões de
toneladas de gases por ano. Como complementação às medidas e
políticas domésticas, o Protocolo ainda definiu mecanismos adicionais de
implementação – permitindo que a redução de emissões e/ ou seqüestro
de carbono por parte dos países desenvolvidos pudessem ser obtidos
além de suas fronteiras nacionais. São eles a Implementação Conjunta,
o Comércio de Emissões e os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo.
Esse último, derivado de uma proposta brasileira, é o único que permite a

52
participação de países em desenvolvimento, e tem o poder de oferecer
benefícios a diversos agentes sociais.
Fruto de uma proposta brasileira, o MDL tem por objetivo prestar
assistência às Partes Não Anexo I para que viabilizem o desenvolvimento
sustentável através da implementação da respectiva atividade do projeto
e contribuam para o objetivo final da Convenção, além de prestar
assistência também às Partes Anexo I para que cumpram seus
compromissos quantificados de limitação e redução de emissões de
gases de efeito estufa. Ou seja, as atividades contidas nos projetos de
MDL, de um lado, estimulam investimentos externos em países mais
carentes e, de outro, ajudam as Partes Anexo I a atingirem suas metas
de redução de emissão de gases de efeito estufa de forma custo-efetiva.
Para que sejam consideradas elegíveis no âmbito do MDL, os projetos
devem observar alguns critérios fundamentais, entre os quais o da
adicionalidade (pelo qual uma atividade deve, comprovadamente,
resultar na redução de emissões e/ ou remoção de CO2, adicional ao
que ocorreria em sua ausência). Além disso, deve ser capaz de trazer
benefícios reais, mensuráveis e de longo prazo relacionados à mitigação
da mudança climática.
As reduções atribuídas a um projeto resultam em RCEs (Reduções
Certificadas de Emissões), ou “créditos de carbono”, medidas em
tonelada métrica de dióxido de carbono equivalente. As RCEs
representam créditos que podem ser usados pelos países desenvolvidos
como forma de cumprimento parcial de suas metas, e que serão
comercializadas em mercados especializados. Cada crédito de carbono
pode valer de U$ 3,00 a 40,00 dólares, variando de acordo com as
características do projeto executado; uma empresa que realiza
reflorestamento em um local degradado por suas atividades, por
exemplo, obtém créditos menos valorizados em comparação àqueles
provenientes da instalação de um equipamento de alta tecnologia para
reduzir a emissão de gases poluentes.

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Até outubro de 2005, o Brasil havia elaborado 82 projetos de MDL e 13
deles tinham sido aprovados, ocupando o segundo lugar no ranking
mundial. Juntos, os 82 projetos somavam mais de 17.900.000 toneladas
de CO2 a serem reduzidas anualmente, e trabalhavam com indústria
energética, energia renovável, manejo e tratamento de resíduos,
indústria manufatureira, emissão fugitiva, recuperação de gás de aterro,
substituição de combustível e indústria química.
A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em parceria com o Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, lançou, em dezembro
de 2004, o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE),
primeiro mercado a ser implantados em um país em desenvolvimento,
que deverá negociar ativos gerados por projetos enquadrados como
MDL.
Em outros países (Inglaterra, Canadá, Países Baixos, Nova Zelândia
etc.) também se pôde assistir a ações importantes de fomento do
mercado de carbono, sendo que, em 2005, entrou em vigor o mercado
de emissões europeu – o qual pretendia atingir cerca de 14 mil
indústrias-alvo com metas relevantes de redução de emissões.
Mesmo nos EUA, muitos estados vêm contrariando a orientação do
governo federal de não aderir ao Protocolo de Quioto e estão
promovendo iniciativas próprias, dando início à construção de um
mercado de carbono que envolverá as indústrias e atores instalados em
seus territórios. Estados nas regiões Leste e Nordeste do país têm
aprovado políticas e medidas para a redução das emissões de gases de
efeito estufa. A Califórnia tem liderado esse processo, sendo o estado
indutor das mudanças mais progressistas da legislação ambiental norte-
americana nos últimos anos. Outra iniciativa que merece destaque foi a
criação do Mercado de Carbono de Chicago, envolvendo uma série de
empresas que aderiram voluntariamente a metas de redução de
emissões, antevendo ganhos em termos de mercado, tecnologia e
imagem sócio-ambiental da organização.

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Cabe dizer ainda que o Brasil, a exemplo de outros países, também está
preparando uma legislação específica adequada ao protocolo e tem
elaborado alguns programas oficiais relativos às mudanças climáticas -
como é o caso do Pró-Carbono e o Pró-Ambiente.
Considerando, portanto, a tendência de dinamização do mercado de
carbono e a necessidade premente de se reorientar o sistema produtivo
brasileiro para atender ao acordo internacional, é necessário entender
essas operações como estratégicas para a realização de um modelo de
desenvolvimento efetivamente mais sustentável. Governo, sociedade civil
organizada, instituições acadêmicas e os setores financeiro e de políticas
públicas, em especial, devem oferecer suporte no que toca à demanda
por produtos favoráveis ao meio ambiente - sobretudo investindo em
pesquisa e disseminação de conhecimento, bem como estabelecendo
linhas de crédito e programas específicos de incentivo à iniciativa privada
para seu ingresso nesses novos mercados.

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