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Sylvia Helena Cyntrão

(Organizadora)

P O E S l A:
8 1H981
de eeBHnB8üRee
a poesia e as artes visuais, a canção, o ensino, o gênero,
a imprensa, a memória, as mídias, o teatro,
as tipologias do discurso e a tradução

Brasília
Departamento de Teoria literária e Literaturas - TEL/UnB
2009

l
r

SIMPÓSIO DE CRÍTICA DE POESIA SUMÁRIO

Prefácio
Sylvia Cyntrão
UJr /nn» ............--......
nvirnBP p nBe a n! a a BaB 07

Responsável: O poema como espetáculo


Sylvia melena Cyntrão) l Antõnio Miranda...
Antõnio Miranda ............... 09

l As muitas mortes e muitas vidas da poesia


Comissão Acadêmica:1: 1 Aüonso Romano
Aüonso Romano de
de Santa.nna
Santa.nna ....................
........................ 13
ria Literária
Departamento de Teoria Literária e
e Literaturas
Literaturas -- UnB.
UnB
ENSAIOSTEMÁTICOS
ENSAIOS TEMÁTICOS
Apoio:
I'ucsia e
Poesia c artes
ar lcs visuais
visuills
Capes; FAP-DF
Traço
ii açu também
LaniDem é e letra
tetra
Luís Turiba.. 25
tais, editoração e arte anal
Preparação de originais, final: Luís Turiba......
Petry Gráfica e Editoraa Ltda.
Ltda. Poesiacontemporânea em trânsito
X'co(nhâ.vens......---p e B ee © e B-e--B-Ba. 27

Tiragem: Mallarmé Duchamps


Mallarmé Duchamps e possíveis
possíveis pares
pares
arte500 35
500 CD
CD 's Wagner Barba..
'b\r
gnei' Ba.rja....e+ B nlP!!+-+!çeP+ 9 B n e PP Bq
500 exemplares/ Encarte 's
Dados Internacionais
lis de Catalogaçãona Publicação (CIP) H
B Dn-..;,- - Fn n n= A

Poesiaecanção
Cultura contemporânea: a redefinição do lugar da poesia
Sylvia Helena Cyntrão...................... 47
Poesia : o lugar do contemporâneo. - Brasília : Universidade de Brasília,
A série literária e a MPB
Departamento de Teoria Literárias e Literaturas, 2009.
Anazildo Vasconcelo da Salva............................................ 51
300 p. ; 22 x 15 cm.
Poesia e canção na corda bamba
Mauro Santa Cecília 59
ISBN : 978-85-61700-02-7
À flor da pele: uma leitura da canção "Ela e sua Janela':
de Chico Buarque
Rinaldo de Fernandes 69
1. Poesia brasileira. 1. Cyntrão, Sylvia melena. 11.Universidade de
Brasília, Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Poesia e ensino
CDU 82-1(81)
Poesia, música e sociedade educacional: dialogismos contemporâneos
Robson Coelho Tinoco ......'''''-''-'.----- -'--''-''.---'---'----- --- ---'--'---'''- ' -.83

2 3
r

O espaço literário e as escrituras da orfandade Manifesto de Arturo - La Dialéctica 1944


91 Daniel Chirom 205
Rodrigo Guimarães..
Poesia eensino
Viviane Mosé 99 Poesia e teatro
Poemasdramáticos: criação estéticae esforço conscientizador
Poesia e gênero André Luís Gomes 221
Poetas ou poetisas?
105 A palavra no palco por que usar o verso em cena?
Elga Pérez-Laborde . Fernando Marques .......... 227
Lembranças sobre a vida e a morte na poesia de Hilda Hilst
117 Poesia e tipologias do discurso
Zélia M. Bola.
Palavra e peformance na poesia contemporânea
Entre rios ou amazânia por encomenda 237
João Vianney C. Nuto ..
Leitura de um poema de Antonio Cícero
127 Você é linguista ou pregador?
Gabriel Albuquerque ... Antonio Vigente Pietroforte ........... 241

Manuel Bandeira: a poesia como crítica ao épico


135
Rogério SalvaPereira......--... Poesiaetradução
A tradução do poema no Brasil: algumas tendências atuais
Poesia e imprensa Álvaro Faleiros .................... 255
Notas sobre poesia e imprensa
149 Poesia: tradução literal e tradução recreativa
Alexandre Pilati.. 261
Anderson Braga Horta..
A imprensa perdeu o que a poesia tem de melhor
159 Traduzindo João Cabral
Alexandre Marino ........ 267
Henryk Siewierski .............
Caminho lírico de minha comoção
165
Maurício Meio ....
Palestra de Encerramento
Poesia e memória Retratos de família: uma Lira de Gonzaga
Antânio Cardos Secchin 273
A persistência da memória
173
Sara Almarza ....

No se puede viver sin que nos falte Roteiro Espetáculo "Fale-me de amor!"
Soledad Bianchi...... 179 poemas de A6onso Romano de Sant ' Anna. Encenação do
Trás las huellas de mito: memoria e imaginación Grupo Vivoverso. Acompanha o CD com a íntegra do espetáculo. 281
Eduardo Garcia .......... 189

Poesia e mídias contemporâneas


O texto literário no novo cenário cultural da humanidade
201
Rogério Lama ...
4 5
A TRADUÇÃO DO POEMA NO BRASIL: ALGUMAS
TENDENCIASANUAIS

Álvaro Faleiros

No Brasil, a tradução poética estána origem de um importante debate


em torno do princípio da transposição criativa, como descrito por Jakob-
son (1963) e mais amplamente divulgado nas obras dos irmãos Augusto e
Haroldo de Campos (1976). Essequadro só se altera a partir dos anos 1980,
com o surgimento de abordagens mais textuais. Nosso intuito é analisar
algumas dessasnovas perspectivas teóricas.
As primeiras reflexões teóricas no Brasil sobre a tradução poética da-
tam dos anos 1950 e 1960. Um grupo de tradutores, notadamente os irmãos
Haroldo e Augusto de Campos, como observa John Milton (1996), estão na
origemda "primeira escolade tradução literária no Brasil'l inspirada, por
suavez, nas teorias antropofágicas modernistas e nas ideias de Ezra Pound.
Assim, os irmãos Campos defenderam uma prática da tradução poética,
chamada por eles de "transcriação" ou de "transculturação': segundo a qual
cabeao poeta reescrevero poema, tornando-se coautor do mesmo.
Entretanto, desde os anos 1980 e, sobretudo, a partir dos anos 1990,
um grupo de críticos e tradutores adotou um outro conjunto de pers-
pectivasteóricas. Essanova abordagem, que chamamos de "semióticas
e textuais [...] propõe um equilíbrio dinâmico entre a forma, o sentido e
ascaracterísticas retóricasdo texto literário': (FALEIROS,2005,p. 61).
Há,pois, uma certa desconfiança em relação aos excessosde liberdade da
correnteantropofágica, desconfiançaque leva à adoção de uma postura
distinta. Esseé o caso da "re-criação" proposta por Paulo Vizioli(1985), a
noção de "signiÊcância'lde Mário Laranjeira (1996) e o conceito de "cor-
respondência': de Paulo Henriques Britto (2002).
Vizioli(1985) é o primeiro a esboçaruma abordagem mais textual no
Brasil. Em seu artigo sobre a tradução de poesia inglesa, afirma que não quer
H
construir teorias "complexas ou esotéricas':mas tratar o assunto de forma
"direta e informal" com um intuito "essencialmente prático': A perspectiva
adotadapor Vizioli está embasadana deÊnição das três atividades de criação
poética sistematizadas por Ezra Pound: a melopeia, a fanopeia e a logopeia.

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Segundo Vizioli, um tradutor deve traduzir, primeiramente, partir do Segundo Vizioli, o texto deve, pois, ser traduzido em nível semântico, so-
ritmo (melopeia) do poema e criar um texto que retoma a regularidade ciocultural e sonoro,estabelecendo
um diálogo entre essasdiferentesdi-
métrica, caso haja alguma, no texto original. Um pentâmetro iâmbico in- mensões.Os princípios de uma abordagem textual anunciados por Vizioli
glês, por exemplo, pode ser traduzido em decassílabosou alexandrinos. O são mais sistematizados por Laranjeira.
importante é que a escolha não esteja isolada das outras qualidades sonoras Para John Milton, além dos irmãos Campos, "Mano Laranjeira puts
do texto, como as repetições, as assonâncias e as aliterações. forward his argumentfor translations@n@cáncicz
of poem,but the rest of
Vizioli nota, também, que a "imagética" (a fanopeia) do texto deve the field is vague and nebulous" (1996, p. 197). Mário Laranjeira publica,
ser recriada e que os termos mais marcadospela "cor local" não devem ser em 1993,suatesede doutorado defendidaem 1989,com o título Poéfíca
substituídos por elementos da cultura de chegada.Assim, para chegar-sea dczf7adução: do sentido à signÜcáncía. De acordo com Laranjeira (1996),
uma "verdadeira re-criação poética': é necessáriotranspor o termo em sua na síntese que fez de suas ideias, no caso da tradução de textos poéticos, é
estranheza. O apagamento dessa estranheza pela introdução de elementos importante dar destaque à dimensão do significante (lado material do sig-
da língua-cultura de chegada significa que se saiu do domínio da tradução no) e à "obliquidade semântica" que constitui a passagem de acessoao nível
para entrar no da adaptação literária. semiótico, "tornando possívela leitura múltipla pela ruptura do referente
Enfim, o autor declara que a logopeia é, para ele, o elemento de mais externo" (1996, p. 217).
difícil tradução e que o essencial,aqui, é captar o "tom do texto original': Trata-se de identificar, no texto, o que constitui a manifestaçãodo
sejaele "sentimental ou reservado,cómico ou sério, ingênuo ou irónico': poético e verificar, no ato de traduzir, como permite a passagemdo poéti-
Vizioli conclui seu texto atentando para a eventual necessidade de algumas co no texto traduzido. As operações significantes pelas quais o poético se
notas de pé de página para explicar situações que não têm paralelismo geo- manifesta são identificadas por Mário Laranjeira como índices textuais. O
grá6co, histórico ou cultural na língua de chegada. primeiro dessesíndices, que o leitor-tradutor deve reconhecer, é o que La-
No referido artigo, além de indicar os elementos textuais a serem ranjeira chama de "agramaticalidade': Laranjeira (1996, p. 219) assinala que
transpostos,Vizioli estabeleceuma importante distinção entre o que ele o termo é empregado em sentido amplo e que "pode designar tanto os casos
chama de "re-criação" e a "adaptação";conceitos que ele retoma numa en- menores de perturbação da linearidade sintática quanto os casos extremos
trevista concedida a Nóbrega e Giani( 1988),na qual identifica três tipos de que levam ao hermetismo ou chegam ao nonsense't
tradução literária. A definição de Laranjeira, muito mais ampla que a dos gramáticos,
Primeiramente, a simples tradução do sentido das palavras, e que tem continua sendo a de um linguista, pois pressupõe a existência de uma nor-
como objetivo ajudar na leitura de originais. Em seguida, a adaptação late-, ma identiâcável à qual se pode comparar a gramática do poema. Ele cita,
rária, tipo de atividade comum na Idade Média e no Renascimento, como, como exemplo, a anteposição do artigo, que é uma regra no inglês, mas
não nas línguas românicas. A maioria dos elementossintáticos, contudo,
por exemplo, as peças de Shakespeareou as histórias de Chaucer. Um ou-
tro exemplo é a tradução de Propércio feita por Pound, em que o poeta aceitam um conjunto considerável de variações. De todo modo, Laranjeira
latino dá de presente uma geladeira para sua amada. Vizioli observa que o rompe com a lógica de uma ideologia de vanguarda e estrutura seus argu-
resultado, muitas vezes de grande valor artístico, é um poema totalmente mentos a partir de princípios textuais e socioculturais.
novo, e assinalaque esteé também o casodas transcriações que Haroldo de Um segundo elemento para o qual Laranjeira (1996, p. 219) atenta
Campos fez de Goethe. Há, por íim, o que chama de "re-criação': quando é o que Rifaterre chama de signo dup/o, termo equívoco "situado na inter-
o tradutor procura, ao mesmo tempo, transpor "o sentido global" do texto secção de duas sequências de associações semânticas ou formais't Não se
mesmo tempo, "recriar as característicassonoras do texto original'l trata, pois, de apreender apenas a forma, mas de ler o poema, levando em

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consideração as marcas textuais formais ou semânticas, como o signo du- que caracteriza o poema'l É, pois, por meio modo como se articulam as ope-
plo. O tradutor procura transmitir asassociações,as ambiguidades,aspo- rações textuais que o tradutor deve balizar sua observação e sua prática.
lissemias, e não apenas uma forma; o que não impede Laranjeira de refletir Britto (2002) propõe também um conjunto de preceitospara "uma
sobre os elementos significantes, como o ritmo do original e a primazia do avaliação mais objetiva de tradução de poesia" e as organiza a partir de qua-
elemento material do signo. Como lembra o autor, em determinados poe- tro grandes níveis de correspondência. Britto (2002, pp. 54 e ss) destaca
mas, a escolha das palavras obedece mais a critérios associados à criação de que é possível "compreender o conceito de correspondênciaem diferentes
rimas ou ambiguidades do que a seu valor semântico. As marcas textuais a níveis de precisão" e começa pelo nível métrico. Depois de comentar que a
serem apreendidas não se reduzem, pois, ao sentido, mas deve considerar as correspondência mais exata,em português, para a tradução do pentâmetro
operações em seu nível textual. iâmbico inglês é o decassílabo,ele afirma que a alguns sistemasmétricos do
O terceiro elemento identificado por Laranjeira, ligado aos aspectos inglês podem corresponder "funcionalmente': em português, outros "for-
semânticos,ou até mesmo antropológicos, é o que chama de "interpretantes malmente diferentes': Ele cita, como exemplo, o metro da balada inglesa,
textuais': O exemplo que nos dá encontra-se no poema "Mea culpa" de Pré: que pode ser traduzido em redondilhas, metro popular brasileiro. De todo
vert. Laranjeira (1996, p. 220) nota que o tradutor deve ser capaz de identi- modo, que seja em nível formal ou funcional, o que o autor propõe é uma
ficar, no poema, a referência ao Con!/ifeor;de compreender essarealidade e correspondência textual.
de restitui-la dentro da tradição brasileira. A essacorrespondência,primeiramente silábico-acentual,soma-seuma
Uma última dimensão, a "visilegibilidade': é destaca por Laranjeira
outra no nível das rimas, para chegar-se,por íim, a uma correspondência dos
elementos lexicais. Para cada um dessesníveis, Britto (2002, pp. 58-59) pro-
(1996, p. 221), que assinala o fato de que, antes de chegar à significância
põe toda uma escalaque vai, por exemplo, do nível da rima, da correspon-
do texto, o receptor do poema procede a uma espéciede "pré-leitura estri-
dência de todos os sons à supressãoda rima. A importância de cada nível de
tamente visual, baseada na distribuição espacial da massa textual sobre a
correspondênciavaria de um poema a outro. De acordo com Britto (2002,p.
página'l Trata-se de uma percepção global que, nas obras de determinados
59), na tradução do poema deve-se "preservar os elementos que apresentam
autores,como Apollinaire e Mallarmé, ocupa um papel central e deve ser
uma maior regularidade no original'! pois serão os mais visíveis.
reproduzida no texto de chegada.
Enâm, para os três autores aqui citados, a unidade de análise é sempre
Depois de identificar os elementos sintáticos (agramaticalidades), se-
o texto, sistemaem que se articulam som e sentido, forma e imagem. É nes-
mânticos (os signos duplos) e culturais (os interpretantes textuais), Laran-
se sentido que Vizioli propõe uma espécie de "fidelidade à expressão" e que
jeira conclui seu artigo chamando a atenção para os aspectos formais. Dessa Laranjeira indica que a "única fidelidade possível" é às "marcas textuais da
maneira, desenvolve um instrumento de análise que consiste na "recupera- significância'l O mesmo ocorre com Britto e seu conceito de correspondên-
ção,no texto de chegada, das marcas textuais da signiâcância" (LARANJEI- cia "rítmica': "sonora" ou "semântica'l É, em todo caso, a materialidade do
RA, 1996,P 222). texto que está em jogo. Como afirma Berman (1999, p. 76), "o estrangeiro é
Com efeito, Laranjeira resume seus princípios também a partir do um ser carna] [...] do mesmo modo, a obra é uma rea]idade carnal, tangível
conceito de âdelidade. Para ele (LARANJEIRA, 1993, p.125): "a fidelidade e viva no nível da língua. É sua própria corporeidade(por exemplo,sua
em tradução poética será a resultante de um trabalho operado nos níveis se- iconicidade) que a torna viva e capaz de sobreviver ao longo dos séculos'l
mântico, linguístico-estrutural e retórico formal, integrados todos no nível O tradutor pode, assim, ao invés de dedicar-se à pura reinvenção, preferir
semiótica-textual onde sedá a significância':E adiante (Ibidem: 139), conclui partir de uma análisedo texto em sua complexidade - semântica, retórico-
que a fidelidade semiótico-textual: "consisteem manter-se, no trabalho trans- formal e cultural -, como âzeram e fazem essestrês importantes teóricos e
linguístico da reescritura, o processointerno e oblíquo de geraçãode sentido tradutores que são Vizioli, Laranjeira e Britto.

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Referências bibliográ6cas POESIA:TRADUÇÃO LITERAL ETRADUÇÃO RECRIATIVA
BERMAN, Antoine. l,a fraducffon ef /a ieffre ou Jb berreJofnfaín.Paria:Seuil, 1999.
BRTTTO, Paulo Henriques. Para uma avaliação mais objetiva das traduções de poesia. In:
Gustavo Bernarda, dir. 4s marge/zsda tradução. Rio de Janeiro: Capes/Faperj/Uerj, 2002. Anderson Braga Horta
CAMPOS, Haroldo, Da tradução como criação e como crítica. In: À4efa/ínguagem.
São
Paulo: Cultrix, 1976. Uma das questões recorrentes quando setrata da tradução de poesia é
FALEIROS, Álvaro. Sons /'ínvocafíon de Saflzf;éróme et la traduction au Brésil. In: Pierre
a da fidelidade. Mais particularizadamente, da indecisão teórica e da oscila-
Rivas (org.). Der?zíêreferzfafíon de Ualery l,arbaud: l,e BrésíZ.Paras:Cendres, 2005. pp. 60- ção prática entre a obediência à literalidade do poema a traduzir e a postura
66 de tentar, antes, a maior aproximação possível aos imponderáveis que vivi-
JAKOBSON, Roman. Essalsde Zínguísffquegétzéra/e.Trad. N. Ruwet. Paras:Minuit, 1963. íicam a sua estrutura verbal. Deve o tradutor, decerto, procurar ser fiel ao
LARANJEIRA, Mário. Poéfíca da tradução ; do serzfídoà slgnHcáncía. São Paulo: EDUSP, texto, concretamente considerado; contudo, de outra parte, é essencialque
1993 seja fiel ao "clima': ao ritmo, à música, à aura que circunda o artefato verbal
Sens et signiâance dans la traduction poétique. Nela, XLI, 2, 1996, pp. 217-222. e o anima; e ainda aos padrões culturais por que se norteia. Pode ser difícil.
MILTON, John. Literary Translation Theory in Brazil. Meta, XLI, 2, 1996, pp. 196-207. Por isso, é útil para o leitor que, além da tradução que diríamos propria-
NÓBREGA, Thelma Médice; GIANI, Giana. Haroldo de Campos, JoséPaulo Pães e Paulo mente poética, seja oferecida também uma tradução literal.
Vizioli falam sobre tradução. Tuba/hos de l,fngzzísfícaAP/lcada, 11, 1988, pp. 53-65.
Ocorre que, especialmente quanto a certos poemas simbolistas,
VIZIOLI, Paulo. A tradução de poesia em língua ingle >}.Tradução ó' Com nicação, 2,
surrealistasou de que outra corrente sejam- tendentes ao hermetismo a
1985,PP.109-128.
própria tradução literal enfrenta dificuldades de interpretação às vezesin-
superáveis. Em situações que tais, pode suceder que a tradução /íferaZseja
mais penosa que a poética (ou recriadora), se não impossível. Se o original
é ininteligível como discurso, a tradução digamos assim- mais ortodoxa
daria uma ininteligibilidade de segundo grau, e de segunda mão... Problema
por problema, a recriação se impõe, por maioria de razão.
Muitas vezes,o tradutor não tem como impor a seu trabalho uma
filosofia, um esquema prévio, mas, ao contrário, o poema é que Ihe impõe o
caminho a seguir. O poema, por si, ou pelo idioma original, ou por circuns-
tâncias outras as do tradutor mesmo, nalguns casos...
Como disse, é esta uma questão recorrente, e tenho-a aflorado em
mais de uma ocasião.Não sendo um mestre da matéria, nem podendo jac-
tar-me de profundos conhecimentosda literatura a que tem dado azo o
assunto, evitarei referências livrescas, limitando-me, nesta comunicação, ao
âmbito de minha prática de traduzir poemas, com uma já longa experiência
de investidas e negaças,fazeres e refazeres,caminhadas e desencaminha-
mentos, escolhas e desescolhas; idas e voltas.
Tentarei não me repetir em demasia, evitando, pois, insistir na expo-
sição de "batalhas" relatadas em palestras diversas, a maioria delas reunidas

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