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Curso: TECNOLOGIA EM PROCESSOS QUÍMICOS

Disciplina: TRATAMENTO DE EFLUENTES

Dra. FERNANDA DE MENDONÇA MACEDO


Características das águas Naturais:

Características Biológicas
INTRODUÇÃO

 Os microrganismos podem:

 mudar a composição química da água


 fornecer nutrientes para outros organismos aquáticos

► CICLOS DA MATÉRIA

 representar um grande risco para a saúde humana e animal


► PATÓGENOS
INTRODUÇÃO

 No meio aquático os nutrientes estão diluídos


- baixa diversidade de microrganismos

 Com a presença de matéria orgânica ocorre:


- aumento da atividade microbiana
- inúmeros exemplos

 Uma gota d’água parece simples mas é bastante complexa:


- diferentes substâncias químicas
- diferentes tipos de microrganismos
Tipo de microrganismo presente depende:
- condições físicas e químicas

 Temperatura
 superfície:
 varia de 0 ºC nos pólos a 40 ºC nos trópicos
 sob a superfície:
 90 % do ambiente marinho estão a 5 ºC
 PSICRÓFILOS

 mas, nas fendas oceânicas:


 TERMÓFILOS

 Pyrodictium occultum (ótimo 105ºC, Itália)


O AMBIENTE AQUÁTICO

 Pressão hidrostática
 pressão no fundo de uma coluna d’água:
 1 atm/10 m - no fundo dos oceanos é enorme:
 danos às células

 BAROFÍLICOS, encontrados a  2500 m de profundidade


(possuem vesículas de gás)

 em profundidades acima de 4000 m, ocorrem os


BAROFÍLICOS EXTREMOS
O ambiente aquático

 Luz
 a vida na água depende, direta ou indiretamente, dos
produtos da fotossíntese
 algas e cianobactérias são os principais microrganismos
fotossintetizantes encontrados nos ambientes aquáticos
- estão limitados às regiões superficiais
O AMBIENTE AQUÁTICO

 Salinidade da água

 água doce: 0 %

 água do mar: 2,75 % de NaCl + outros sais = 3,3 - 3,7 %


► HALOFÍLICOS

 lagos salgados (ex.: Salt Lake, EUA): 32 %


► HALOFÍLICOS EXTREMOS
O AMBIENTE AQUÁTICO

 Turbidez
 material suspenso:
 partículas minerais: erosão das rochas, solo
 microrganismos suspensos

 matéria orgânica: tecidos vegetais e animais

- superfície de adesão dos microrganismos


- fonte de nutrientes

TURBIDEZ x LUZ
O AMBIENTE AQUÁTICO

 pH
 A maioria dos microrganismos aquáticos cresce
melhor próximo à neutralidade: 6,5 - 8,5
 pH dos oceanos: 7,5 - 8,5
 organismos marinhos: 7,2 - 7,6
 lagos e rios: variação ampla
 Archaea de lagos do sul da África: 11,5
 Archaea de geisers: 1,0
O AMBIENTE AQUÁTICO

 Nutrientes
 orgânicos e inorgânicos
 nitratos e fosfatos:

 Algas = eutrofização = consumo de O2 = crescimento de outros organismos

 carga de nutrientes:
 águas próximas à praia: variável (esgotos)

 águas de mar aberto: estável e baixa

 baixo fitoplâncton (baixo N e Fe)


 baixa atividade heterotrófica
 atividade fotossintetizante: cianobactérias

 efluentes industriais: presença de antimicrobianos


 alguns microrganismos convertem tais substâncias em formas menos
nocivas: Pseudomonas spp.: mercúrio, metil mercúrio (volátil)
MICROBIOLOGIA DA ÁGUA POTÁVEL

 rios, riachos, lagos,


 sujeitos a freqüente poluição:
 esgoto doméstico
 agricultura

 despejos de resíduos industriais

 reutilização da água
 processo natural, parte do ciclo hidrológico
 mas, atualmente, há enormes pressões

  crescimento populacional

  uso industrial

  irrigação
MICROBIOLOGIA DA ÁGUA POTÁVEL

 Necessidade de uma reciclagem mais rápida e eficiente da


água

 Necessidade de métodos de purificação


 Poluição
 água pode ser límpida, inodora e sem sabor e mesmo assim
ser não potável devido à presença de contaminações

 Água potável: livre de microrganismos


patogênicos e de substâncias químicas nocivas
 contaminantes:
 químicos

 físicos

 biológicos
Poluentes Possível fonte Efeitos adversos

Físicos
Asbestos Resíduos industriais Câncer
Argila suspensa Precipitação Interfere com
tratamentos sanitários
Químicos
Metais pesados Indústrias Várias doenças
Sulfatos Algicidas e minas Diarréias
Nitratos Fertilizantes Metemoglobinemia
Sódio Detergentes Retenção de fluidos
Doenças do coração
Pesticidas Agricultura Várias doenças
Clorofórmio Indústria Câncer

Biológicos
Bactérias Fezes e urina Febre tifóide
Shigeloses
Salmoneloses
Gastroenterites
Tularemia
Leptospirose
Vírus Fezes Hepatite
Poliomielite
Gastroenterites
Protozoários Fezes Disinteria amébica
Giardíase
Balantidíase
MICROBIOLOGIA DA ÁGUA POTÁVEL

 Purificação da água
 abastecimento residencial:
 áreas rurais: poços e fontes: filtração no solo
 cidades: estações de tratamento:

 sedimentação

 filtração

 cloração
Importância do estudo microbiológico da
água

Visa investigar a presença de micro-organismos potencialmente patogênicos em


concentrações que comprometam o uso da água para os fins a que se destina:

• Consumo humano e animal


• Recreação
• Navegação
• Irrigação
• Paisagismo
Micro-organismos patogênicos presentes na
água

Bactérias
Fungos
Protozoários
Vírus
Exame colimétrico da água
Objetivo
Avaliar as condições sanitárias da água, investigando a presença
de bactérias do grupo coliforme, que atuam como indicadores
de contaminação fecal.
Contaminação fecal
Podem estar presentes nas fezes:
Bactérias patogênicas
Pseudomonas
Enterococcus
Salmonella
Shigella
Vibrio
MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS NA ÁGUA
BACTÉRIAS, FUNGOS PROTOZOÁRIOS E VÍRUS

 Bactérias
Salmonella spp.
Vibrio cholerae

 principais problemas associados à falta de cuidados sanitários


 Shigella spp.
Yersinia enterocolitica: gastroenterite aguda

Escherichia coli: linhagens patogênicas: enterites

Clostridium perfringens: enterite, gangrena gasosa

Vibrio parahaemolyticus: gastroenterites

Pseudomonas aeruginosa: infecções nos olhos, ouvidos

Staphylococcus aureus: infecções cutâneas, garganta e

intoxicações alimentares
Leptospira: hepatite, conjuntivite e insuficiência renal
MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS NA ÁGUA

 Fungos

 aquáticos: saprófitas, parasitas de peixes


 oriundos do solo: leveduras

 Candida albicans: infecções da pele, mucosas

 fungos dermatófitos

 Geotrichum
 Protozoários

 ciliados
 Giardia lamblia: esporos resistentes ao cloro

 amebas
 Entamoeba hystolytica (amebíase-doença intestinal)

• Vírus
– Hepatites A e B
– Gastroenterite infecciosa não bacteriana
– Poliomielite
O monitoramento de todos os microrganismos

Patogênicos é difícil e alto custo: meios e

metodologias diferentes, dificuldade de analisar

os resultados
MICRORGANISMOS INDICADORES DE QUALIDADE
DA ÁGUA

 O que é um microrganismo indicador?

 Qual é o indicador ideal?


MICRORGANISMOS INDICADORES DE QUALIDADE
DA ÁGUA

O que é um microrganismo indicador?

Microrganismo indicador é uma espécie de


microrganismo que, quando presente na água, pode
fornecer informações sobre a ocorrência de contaminação
fecal, sobre a presença de patógenos ou sobre a
deterioração do alimento.
INDICADOR IDEAL DE QUALIDADE
SANITÁRIA

 Ocorrência e desaparecimento concomitante com


patogênicos
 Densidade populacional diretamente relacionada
com o grau de contaminação
 Maior sobrevida que a dos patogênicos

 Ausência em água potável

 Fácil detecção e recuperação laboratorial

 Não prejudicial à pessoas e animais

 Manipulação segura
ESCHERICHIA COLI E OUTROS COLIFORMES
 bacilos curtos, Gram -, fermentam a lactose com
produção de ácido e gás, dentro de 48 h a 35ºC
 lac+
 Escherichia coli: coliforme fecal
 Klebsiella pneumoniae: coliforme fecal

 Enterobacter aerogenes, Citrobacter, Klebsiella: (fezes,

vegetais e solo): coliforme ambiental

► a fermentação da lactose é a chave do teste


 Presença de coliformes totais não indica necessariamente

contaminação fecal ou ocorrência de enteropatógenos.

A técnica de Gram, também conhecida como coloração de Gram, é um método de coloração de


bactérias desenvolvido pelo médico dinamarquês Hans Christian Joachim Gram, em 1884, o qual
permite diferenciar bactérias com diferentes estruturas de parede celular a partir das colorações
que estas adquirem após tratamento com agentes químicos específicos.
 Análise bacteriológica da água

 metodologia:
 teste presuntivo
 teste confirmativo

 teste completo
Análise bacteriológica da água

Bastonete Gram negativo (não esporulado), aeróbio ou anaeróbio facultativo,


oxidase negativo, que crescem na presença de sais biliares ou de outros
surfactantes e fermentam a lactose com produção de aldeído, ácido e gás a 35ºC
em 24 – 48 horas.

PRESUNTIVO CONFIRMATIVO

Caldo Lauril Triptose Caldo Verde Brilhante


Crescimento com Gás e/ou Crescimento com Gás
Formação de Ácido24-48 24-48 h/35ºC
h/35ºC

Os tubos positivos no caldo lauril e que também positivaram no caldo verde brilhante
são os que devem ser considerados como pertencentes ao grupo
Coliformes (Coliforme Total).
Técnica dos tubos múltiplos para determinação do Número Mais Provável
de coliformes - Teste Presuntivo

10 ml por tubo

1 ml por tubo

Amostra de
água

0,1 ml por tubo

incubação a 35ºC/24-48 h:
formação de gás: NMP
Teste presuntivo: caldo lauril triptose
(caldo lactosado)
Teste confirmativo: caldo lactosado
bile-verde brilhante

Tubos com Tubos com


gás do teste caldo lactosado
anterior bile verde brilhante

Incubação a 35 ºC/24-48 h
Coliformes fecais

Tubos com gás Caldo lactosado


do teste confirmativo incubação a 44,5 ºC

Coliformes fecais fermentam a lactose a 44,5 ºc (termotolerantes)

Coliformes não fecais fermentam a lactose somente até 37 ºC


Colônias típicas: azuis
Teste da membrana
filtrante

Colônias típicas: brilho metálico


Método substrato cromogênico/fluorogênico

Baseia-se na utilização de substratos análogos à lactose (glicopiranosídeos)


Específicos para Escherichia coli.
• Exemplos: ONPG (Orto Nitrofenil galactopiranosídeo)
MUG (Metil-Umbeliferone Galactopiranosídeo)

Ferramenta poderosa para identificação de Escherichia coli (teste confirmativo)


Classificação das águas interiores do território nacional

Classe Características microbiológicas DBO DO Utilização


colif. totais colif. fecais mg/L mg/L

1 <1 <1 ----- ------ Potável

2 ≤ 5.000 ≤ 1.000 ≤5 >5 Recreação


Irrigação (frutas,
hortaliças)
3 ≤ 20.000 ≤4.000 ≤ 10 >4 Pesca
Consumo animal

4 > 20.000 > 4.000 > 10 >0,5 Navegação


Indústria
Irrigação (grandes
culturas)

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