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CIVIL

LINDB
Principiais funções da LINDB:
a) determinar o início da obrigatoriedade das leis (art. 1º);
b) regular a vigência e eficácia das normas jurídicas (art. 1º e 2º);
c) impor a eficácia geral e abstrata da obrigatoriedade, inadmitindo a ignorância da lei vigente (art.3º);
d) traçar os mecanismos de integração da norma legal para a hipótese de lacuna na norma (art.4º);
e) delimitar os critérios de hermenêutica, de interpretação da lei (art. 5º);
f) regulamentar o direito intertemporal (art. 6º);
g) regulamentar o direito internacional privado no Brasil (art. 7º a 17),

 VIGÊNCIA DAS NORMAS – arts. 1 e 2º


      A LEI só passa a EXISTIR com a SANÇÃO (posição doutrinária e jurisprudencial dominante);
A LEI só passa a ter VALIDADE com a PROMULGAÇÃO (ato que atesta a existência e a validade da lei);
SANÇÃO X PROMULGAÇÃO
incide sobre o projeto de lei incide sobre a lei (PUBLICAÇÃO)
Promulgação: publicação da lei no ordenamento jurídico, atestando a existência da norma (formal – fato
jurídico, pois ainda não possui coercibilidade)

Vacatio Legis: a lei existe, mas não tem vigência (efeitos), consiste justamente no prazo entre a
promulgação da lei e sua entrada em vigor (produção de efeitos).

Vigor: após a vacatio legis, passando a lei a ter vigência e, com isso, produzir seus efeitos.

Vigência da Lei: após a vacatio legis, período no qual a lei passa a emanar efeitos.
Em regra, a lei começa a vigorar em todo país após 45 dias, salvo se a lei não dispuser prazo diverso.
Para o território no exterior, se inicia três meses depois de oficialmente publicada.
REGRAS:
Contagem de prazo de vacatio legis: Inclui-se a data da publicação e do último dia do prazo, entrando em
vigor no dia SUBSEQUENTE à sua consumação integral, não importando se é feriado ou final de semana .
OBS.: Se o prazo de vacatio legis for fixado em mês ou ano, indevidamente, já que de ordinário ele
deveria ser expresso em dias, utiliza-se a regra do art. 132, §3º CC, que estabelece que prazo em
mês ou ano é contado de “data a data”, pouco interessando quantos dias existam entre as datas.
LEMBRANDO QUE ESSAS REGRAS SOMENTE SE APLICAM ÀS NORMAS LEGAIS.
as normas jurídicas administrativas (portarias, decretos, regulamentos, resoluções) sempre
entrarão em vigor na data de sua publicação (Decreto nº 572/1890).

QUANTO AS CORREÇÕES:
Atenção: §3º- Se antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a
correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.
§4º - as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
 A MODIFICAÇÃO DE UMA LEI DENTRO DO SEU PERÍODO DE VACATIO LEGIS
SÓ PODE OCORRER ATRAVÉS DE UMA NOVA LEI.
a correção de erros materiais ou inexatidões pode ser feita através da simples republicação da lei
com as devidas correções, caso em que o prazo de vacatio legis volta a correr do zero somente
para a parte que foi corrigida. *Embora haja divergência na doutrina com relação à vacatio das correções
de lei já publicada, esse é o entendimento que prevalece .

Revogação: uma vez cumprida a vacatio legis e entrando em vigor, a lei continuará vigendo até que venha
outra e, expressa ou tacitamente, a revogue princípio da continuidade. Podendo ser expressa ou tácita,
mas necessariamente por lei, já que o direito brasileiro não admite o dessuetudo – revogação pelos
costumes (uma lei que não conseguiu “pegar”)
NEVER EVER FORGET: A REVOGAÇÃO É GÊNERO DA QUAL AB-ROGAÇÃO E DERROGAÇÃO SÃO ESPÉCIES.
a) ab-rogação: é a revogação total da lei. b) derrogação: é a revogação parcial da lei.
+ Art. 2º, § 2º, LINDB → a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes,
não revoga nem modifica a lei anterior.
Esse dispositivo estabelece que uma lei nova, que trate da mesma matéria de lei anterior, e que traga
disposições que estejam ao lado (a par) da outra lei, não revoga a lei anterior, mas sim que será utilizada
juntamente com aquela.

Repristinação: é o restabelecimento dos efeitos de uma lei que foi revogada pela revogação da lei
revogadora.
REGRA: não se admite no direito brasileiro, exceto se houver disposição expressa nesse sentido.
ATENÇÃO: Efeito repristinatório tácito – Apenas possível em controle abstrato com declaração de efeitos
ex tunc de inconstitucionalidade, seja em decisão de mérito, seja em liminar. Ocorre quando uma lei é
declarada inconstitucional e as normas que a lei inconstitucional havia revogado "voltam" a vigorar. É
possível que o STF se manifeste expressamente pela não restauração da lei revogada. Isto é, em regra, ocorre
o efeito repristinatório tácito, porém pode o STF declarar que não o deseja. Para tanto, deve respeitar os
mesmos requisitos da modulação de efeitos: votação pelo quórum de 2/3 dos membros e razões de
segurança jurídica ou excepcional interesse público.

Ultratividade: Fenômeno através do qual uma lei, já revogada, produz efeitos mesmo após sua revogação.
Ex.: d.penal – norma mais benéfica.

Retroatividade: fenômeno através do qual uma lei produzir efeitos que possam alcançar atos que
ocorreram em momento anterior à sua vigência

-OBRIGATORIEDADE DA NORMA – ART. 3º

Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.

Princípio da Obrigatoriedade Relativa/Mitigada: a presunção de conhecimento da lei NÃO É ABSOLUTA,


uma vez que existem situações excepcionais expressamente previstas em lei em que se admite a alegação
de erro de direito - Só podendo ser feita nos casos previstos em lei.

 INTEGRAÇÃO DA NORMA - ART.4º

Consiste na atividade feita pelo juiz de complementar a norma ante a necessidade do caso concreto, vez
que o legislador não tem como prever todas as situações possíveis.

Espécies de Lacunas, conforme Maria Helena Diniz:


a) Lacuna normativa: ausência total de norma para um caso concreto;
b) Lacuna ontológica: presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha eficácia social;
c) Lacuna axiológica: presença de uma norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja insatisfatória
ou injusta;
d) Lacuna de conflito ou antinomia: choque de duas ou mais normas válidas, pendente de solução no caso
concreto.
Havendo uma lacuna, deverão ser utilizadas as formas de integração da norma jurídica, na qual dispõe que
o juiz decidirá o caso de acordo com a ANALOGIA, COSTUMES E PRINCIPIOS GERAIS DO DIREITO (rol
taxativo e preferencial).
a) ANALOGIA – preenchimento da lacuna através da comparação
Espécies:
Legis: preenche a lacuna através da comparação com um outro já previsto por lei, logo, a lacuna
será integrada comparando-se uma situação atípica (não tratada na norma) com uma outra
situação especificadamente prevista em lei (típica).
Iures – preenche a lacuna através da comparação do caso com o sistema como um todo (valores).
OBS.: NÃO SE ADMITE ANALOGIA NO DIREITO PENAL NEM NO TRIBUTÁRIO, salvo em favor da parte.

Lembrando que na interpretação extensiva existe lei e, portanto, através dela busca-se ampliar o
sentido da norma pela subsunção
b) COSTUMES
ELEMENTOS: prática reiterada (elemento objetivo) e observância da lei (elemento subjetivo),
com relevância no ordenamento jurídico.
Contra legem – o que contraria a lei, não se admite os costumes contra a lei
Secundum legem – determinados pela própria lei. Logo, não há integração, mas subsunção, já que
já determinados
Praeter legem – aquele que não está previsto em lei, preenchendo os requisitos para servir de
método integrativo e, portanto, utilizados para preencher lacunas.
REQUISITOS PARA APLICAÇÃO DOS COSTUMES:
continuidade, uniformidade, diuturnidade, moralidade e obrigatoriedade

c) P. GERAIS DO DIREITO: regramentos básicos aplicáveis a um determinado instituto jurídico, para


auxiliar o aplicador na busca pela justiça e pacificação social. Sob o prisma de sua origem, são
princípios abstraídos das normas jurídicas, dos costumes, da doutrina, da jurisprudência e dos
aspectos políticos, econômicos e sociais.
CC/2202: p. da eticidade, socialidade e operabilidade.
+ excepcionalmente admite-se a equidade como meio de integração se houver previsão em lei

\ - \

Obs.: art 376, CPC: A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-
lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar.

Exceções: o juiz pode determinar à parte interessada que faça prova da EXISTÊNCIA e VIGÊNCIA da lei
alegada em 4 hipóteses: Direito municipal, Direito estadual (ambos que não sejam relativos à jurisdição do juiz,
já que quando forem se presume o conhecimento de lei), Direito estrangeiro e Direito consuetudinário.

Obs.: O Protocolo de Las Leñas determina que o juiz não pode mandar a parte fazer prova das leis de
países integrantes do MERCOSUL, pois, neste caso, se presume que o juiz conheça a legislação – aplicando-
se também em documentos estrangeiros oriundos do mercosul – não podendo realizar a tradução
juramentada, ante a presunção do conhecimento da língua)

 INTERPRETAÇÃO DA NORMA – art 5º


! - A interpretação não se confunde com integração.
Integrar é preencher uma lacuna. Já interpretar é buscar o alcance e o sentido.
Logo, a atividade interpretativa é a atividade de buscar o sentido e o alcance de uma norma que já existe.
! - A interpretação não se confunde com hermenêutica
(Busca pelo sentido do texto legal - mens legis) (ciência que estuda as formas de interpretação).
1- Interpretação ampliativa: a norma que diga respeito aos direitos fundamentais individuais ou
sociais (art. 5º e 7º da CF/88) se submete à interpretação ampliativa.
2- Interpretação declaratória: as normas de Direito Administrativo se submetem a uma
interpretação declarativa, em virtude do princípio da legalidade.
3- Interpretação restritiva: as normas que estabeleçam privilégio, sanção, renúncia, fiança e aval se
submetem à interpretação restritiva.

DPE/RS/2011: O que é “interpretação integrativa”? Na vigência de um contrato podem surgir situações imprevistas
pelas partes que não serão solucionadas através de uma simples interpretação das cláusulas ou disposições do
contrato. Nessas situações, passa a existir então uma atividade psíquica diferente da do hermeneuta, ou seja, surgem
a interpretação integrativa e a integração propriamente dita do contrato. – Reconstrução de uma declaração
incompleta.

Há diversos métodos e critérios de interpretação. Dentre eles podemos citar a interpretação autêntica,
doutrinária, jurisprudencial, gramatical, lógica, ontológica, histórica, sistemática, e por fim, a teleológica.

QUANTO A QUEM INTERPRETA QUANTO AO MEIO PELO QUAL INTERPRETA

A interpretação autêntica é a feita pelo próprio legislador por Gramatical: busca o sentido literal da palavra
meio de outro ato normativo. Ontológica: busca a essência de ser da lei (ratio legis)
A doutrinária é elaborada pelos estudiosos do direito, como Histórica: investiga os antecedentes da lei/ proc. legislativo
doutores, mestres e livre docente. Sistemática: de acordo com as demais normas do O. Jurídico
A interpretação jurisprudencial é feita pelos Tribunais Teleológica (sociológica): busca a finalidade da lei diante da
perspectiva social

- MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO
a) Método jurídico (hermenêutico clássico): Interpreta a C.F. como lei qualquer, usando regras da
hermenêutica clássica – literal, lógico/sistemático, histórico, teleológico e genético
b) Método tópico problemático: Realiza a interpretação partindo do problema para a norma
c) Método Hermenêutico-Concretizador: Relação texto-contexto, prevalência do texto
constitucional sobre o problema
d) Método Integrativo (científico- espiritual): interpretação da constituição deve considerar a
ordem ou sistema de valores subjacentes ao texto constitucional, devendo interpretar o sistema
como um todo
e) Método Normativo Estruturante: a norma é resultado da interpretação do texto aliado ao
contexto
 APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO
REGRA: TEMPUS REGIT ACTUM – Irretroatividade da lei
A lei não retroage, abarcando APENAS situação jurídicas criadas a partir de sua vigência
Efeitos imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
- Ato jurídico perfeito: é o ato pronto e acabado, no qual já exauriu efeitos, não podendo mais produzir efeitos.
- Direito adquirido: direito incorporado ao patrimônio do particular (patrimonialista), não havendo direito
adquirido personalíssimo, a nova lei deverá respeitar o negócio jurídico sob termo ou condição suspensiva
(condições pré-estabelecidas inalteráveis).
- Coisa julgada: qualidade que reveste os feitos decorrentes de uma decisão judicial contra a qual não cabe mais
recursos
Exceção: admitem-se, excepcionalmente, efeitos retroativos na lei quando presentes dois requisitos,
quais sejam:
a) Expressa disposição neste sentido: é preciso que a lei diga que produzirá efeitos retroativos, e,
b) que a retroação não prejudique o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido.
*obs.: O STF entende que não há direito adquirido em face do Poder Constituinte Originário.
ATENÇÃO -> Direito adquirido X Expectativa de Direito
Aquisição Simples esperança
- As relações continuativas em regra possuem sua existência e validade submetidas a lei em que foi
celebrado o ato, MAS A EFICÁCIA SE SUBMETE À REGRA DA LEI NOVA.

 APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO


Regra geral: aplica-se a lei brasileira no espaço territorial brasileiro.
Exceção: Territorialidade mitigada
! - Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não
terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.
Jurisprudência: A cobrança de dívida de jogo contraída por brasileiro em cassino que funciona legalmente no exterior é
juridicamente possível e não ofende a ordem pública, os bons costumes e a soberania nacional. STJ. 3ª Turma. REsp 1628974-SP, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/6/2017 (Info 610)

- P. da territorialidade moderada/mitigada.
- Regra de Conexão: para que haja a aplicação da lei estrangeira no território brasileiro é preciso que haja
uma regra de conexão, denominando-se de estatuto pessoal, no qual se aplica a lei do domicílio do
interessado.
- Aplicação do Estatuto Pessoal: aplicação da lei do domicílio do interessado – estrangeira. A LINDB prevê
as hipóteses de aplicação da lei estrangeira no território brasileiro: Nome, Personalidade, Capacidade,
Direito de família, Bens móveis que o interessado traz consigo, Penhor e Capacidade sucessória.

 ART 7º DA LINDB
Lembrando que a aplicação do estatuto pessoal pressupõe a filtragem interna ou filtragem constitucional,
só podem ser cumpridas as sentenças que sejam compatíveis com o nosso ordenamento jurídico – art. 15
da LINDB e art. 963 do NCPC. Essa é uma necessidade para o respeito da soberania do Estado. Sendo assim,
só se pode aplicar uma lei estrangeira ao território nacional se ela passar pelo crivo constitucional, pois
poderia até mesmo atentar contra a soberania nacional se assim não fosse.
ATENÇÃO:
3 casos em que a LINDB admite a aplicação da lei estrangeira sem a aplicação do estatuto pessoal:
1- Conflito sobre bens imóveis: aplica-se a lei do lugar em que está situado o imóvel.
2- Lei sucessória mais benéfica ao cônjuge ou aos filhos.
3- Lugar da obrigação
a) Contratos internacionais se aplica a residência do proponente
b) Contratos internos se aplica a lei do lugar onde foi feita a proposta
+
A decisão judicial estrangeira, a carta rogatória e o laudo arbitral estrangeiro também podem ser
cumpridos no Brasil desde que se submetam à homologação no STJ.
Atendendo aos 6 requisitos:
1. ser proferida por autoridade competente;
2. ter sido precedida de citação regular, ainda que verificada à revelia;
3. ser eficaz no país em que foi proferida;
4. não ofender a coisa julgada brasileira;
5. estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição que a dispense prevista em tratado;
6. não conter manifesta ofensa à ordem pública.
- O STJ poderá homologar essas medidas de forma monocrática; somente a denegação da homologação
que não pode ser feita de forma monocrática.
! O CPC ENUNCIA QUE A SENTENÇA ESTRANGEIRA DE DIVÓRCIO CONSENSUAL PRODUZIRÁ EFEITOS
NO BRASIL, INDEPENDENTEMENTE, DA HOMOLOGAÇÃO DO STJ.
- Art. 962 do CPC: após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo STJ, decisão estrangeira não
definitiva pode ser executada no BR por carta rogatória sem necessidade de homologação pelo STJ.

 Antinomias jurídicas ou lacunas de colisão:


Antinomia é a presença de 2 normas conflitantes, válidas e emanadas de autoridade competente, sem que
se possa dizer qual delas merecerá aplicação em determinado caso concreto.

CRITÉRIOS BÁSICOS DE SOLUÇÃO DOS CHOQUES ENTRE NORMAS:


1. Critério Hierárquico: Norma superior prevalece sobre a inferior.
2. Critério da Especialidade: Norma especial prevalece sobre a geral.
3. Critério Cronológico: Norma posterior prevalece sobre a anterior.
Obs.: O critério cronológico é o mais fraco, após, vem o da especialidade e o da
hierarquia é o mais forte, ante a importância do texto constitucional.

- CLASSIFICAÇÃO DAS ANTINOMIAS:


a) Antinomia Aparente: Aquela que pode ser resolvida pelos critérios da especialidade, hierárquico e
cronológico. Quando a própria lei tiver critério para a solução do conflito, sendo uma antinomia de 1º grau.

b) Antinomia Real: Não pode ser resolvida pelos critérios tradicionais (acima). Não há na lei critério para a
solução o do conflito, sendo uma antinomia de 2º grau.
b.1) Antinomia de 1º Grau: Conflito entre normas que envolve apenas UM dos critérios acima expostos.
b.2) Antinomia de 2º Grau: Choque de normas válidas que envolve DOIS dos critérios analisados, ou,
quando não houver a possibilidade de solucionar um conflito pelos critérios acima, haverá uma antinomia
de 2º grau.
b.2.1) Norma especial e anterior X norma geral posterior (especialidade x cronológico): Prevalece a primeira,
em razão da especialidade.
b.2.2) Norma superior anterior X norma inferior posterior (hierárquico x cronológico): Prevalece a primeira,
pela hierarquia.
b.2.3) Norma geral superior X norma especial inferior (hierárquico x especialidade): Não há uma
metarregra geral de solução aqui, sendo essa, portanto, uma antinomia real, segundo Maria Helena Diniz,
podendo-se preferir para a solução do conflito qualquer um dos critérios. Todavia, para Bobbio, deve
prevalecer a lei superior.
- Para defender a aplicação da lei especial, deve-se lembrar do princípio da isonomia, consagrado no art.5º, CRFB,
pelo qual a lei deve tratar de maneira igual os iguais, e de maneira desigual os desiguais. Na parte destacada está
o critério da especialidade, que, por isso, pode fazer frente ao da hierarquia.

 FONTES DO DIREITO
Divergência doutrinária quanto a classificação
Fontes diretas, formais ou imediatas: Lei e costume (venosa)
Tartuce – visão civilista: lei, analogia, costumes e princípios gerais do direito
Fontes indiretas, não formais ou mediatas: doutrina e jurisprudência, p. gerais do direito, analogia
equidade (tartuce)

+ Lei. 13.655/2018 – reforma: acrescentou os arts. 20 a 30: Normas sobre segurança jurídica e
eficiência na criação e na aplicação do direito público.
“Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos
sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato,
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.”
 Vale para decisões proferidas nas esferas administrativas (ex: em um PAD), controladora (ex: julgamento das
contas de um administrador público pelo TCE) e judicial (ex: em ação civil pública pedindo melhores condições do sistema carcerário).
- NOVO REQUISITO DA MOTIVAÇÃO REQUER QUE O ADMINISTRADOR, CONSELHEIRO OU MAGISTRADO
QUANDO FOR...
impor alguma medida OU invalidar ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa
... deverá demonstrar que a decisão tomada é necessária e a mais adequada.
... explicando, inclusive, as razões pelas quais não são cabíveis outras possíveis
alternativas.
“Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato,
ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e
administrativas.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições para
que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo
impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou
excessivos.”
 Assim, no caso de invalidação de contrato administrativo, a autoridade pública julgadora que
determinar a invalidação deverá definir se serão ou não preservados os efeitos do contrato, como, por
exemplo, se os terceiros de boa-fé terão seus direitos garantidos.

Interpretação das normas sobre gestão pública – ART. 22


Primado da realidade: serão considerados os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas
públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados - (i) os obstáculos e a realidade fática do gestor, (ii)
as políticas públicas acaso existentes e (iii) o direito dos administrados envolvidos. De modo que em decisão sobre
regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, serão consideradas
as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente.

Critérios a serem considerados na aplicação das sanções:


a) Natureza e gravidade da infração cometida; b) Danos causados à Administração Pública;
c) Agravantes; d) Atenuantes; e) Antecedentes.

MUDANÇA NA INTERPRETAÇÃO OU ORIENTAÇÃO E MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO – art. 23: Se


houver uma mudança na forma como tradicionalmente a Administração Pública, os Tribunais de Contas ou
o Poder Judiciário interpretavam determinada norma, deverá ser previsto um regime de transição. Este
regime de transição representa a concessão de um prazo para que os administradores públicos e demais
pessoas afetadas pela nova orientação possam se adaptar à nova interpretação.
Requisitos para a aplicação do regime de transição:
a) A decisão administrativa, controladora ou judicial deve estabelecer uma interpretação ou orientação nova;
b) Essa interpretação nova deve recair sobre uma norma de conteúdo indeterminado;
c) Por conta dessa interpretação, será imposto novo dever ou novo condicionamento de direito;
d) O regime de transição mostra-se, no caso concreto, indispensável para que o novo dever ou condicionamento de
direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente;
e) A imposição desse regime de transição não pode acarretar prejuízo aos interesses gerais.

- A revisão nas esferas ADM, CONTROLADORA E JUDICIAL levará em conta a orientação vigente na época
da prática do ato, SENDO VEDADO QUE, COM BASE EM MUDANÇA POSTERIOR, SE DECLAREM INVÁLIDAS
SITUAÇÕES PLENAMENTE CONSTITUÍDAS – ART. 24

- O art. 26 da LINDB prevê a possibilidade de a autoridade adm celebrar um acordo (compromisso) com os
particulares com o objetivo de eliminar eventual irregularidade e, incerteza jurídica ou um litígio
(situação contenciosa).
+ Para que esse compromisso seja realizado, é indispensável a prévia manifestação do órgão jurídico (ex:
AGU, PGE, PGM). Em alguns casos de + repercussão, é necessária também a realização de audiência
pública.
Requisitos do termo de compromisso:
a) buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais;
b) não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por
orientação geral;
c) deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções
aplicáveis
em caso de descumprimento.

- art. 27 – possibilidade de imposição de compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou


injustos resultante do processo ou da conduta dos envolvidos, devendo ouvir previamente as partes.

 RESPONSABILIDADE DO AGENTE PÚBLICO


O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo ou
erro grosseiro, ressalvados os casos de previsão específica
EX.: magistrados e promotores, pelas leis de cada um + defensores e advogados da união – previsão cpc.

Ressalte-se que existe um precedente do STF, anterior ao CPC/2015, reconhecendo a responsabilidade de


advogado público pela emissão de parecer de natureza opinativa, desde que configurada a existência de
culpa ou erro grosseiro: (...) 3. Esta Suprema Corte firmou o entendimento de que “salvo demonstração de
culpa ou erro grosseiro, submetida às instâncias administrativo-disciplinares ou jurisdicionais próprias, não
cabe a responsabilização do advogado público pelo conteúdo de seu parecer de natureza meramente
opinativa” (MS24.631/DF, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ de 1º/2/08). (...)

EXISTEM 3 ESPÉCIES DE PARECER: FACULTATIVO, OBRIGATÓRIO E VINCULANTE.

Parecer facultativo: o administrador não é obrigado a solicitar o parecer junto ao órgão jurídico e,
portanto, ele poderá discordar da conclusão exposta pelo parecer, desde que fundamentadamente.
Em regra, o parecerista não tem responsabilidade pelo ato administrativo, mas ele poderá ser
responsabilizado se ficar comprovado existência de culpa ou erro grosseiro.
Parecer obrigatório: o administrador encontra-se obrigado a solicitar o parecer do órgão jurídico.
Nesse caso, o administrador poderá discordar da conclusão exposta pelo parecer, desde que o faça
fundamentadamente com base em um novo parecer.
Em regra, o parecerista não tem responsabilidade pelo ato administrativo, mas poderá ser responsabilizado
se ficar comprovado a existência de culpa ou erro grosseiro.
Parecer vinculante: O administrador é obrigado a solicitar o parecer do órgão jurídico. O administrador
não poderia discordar da conclusão exposta deste parecer ou então o administrador decidirá nos termos da
conclusão do parecer ou não decidirá. Desse modo, há uma partilha do poder de decisão entre o
administrador é o parecerista já que a decisão do administrador deverá ser de acordo com o parecer . Logo,
o parecerista responde solidariamente com o administrador pela prática do ato, NÃO SENDO
NECESSÁRIO DEMONSTRAR CULPA OU ERRO GROSEIRO.

Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas,
inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas.
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação ao
órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.
2. DA PERSONALIDADE JURÍDICA
A personalidade jurídica se refere a aptidão genérica de titularizar direitos e contrair obrigações na órbita
jurídica. Podendo ser pessoa física ou natural.
2.1 O nascituro
A personalidade jurídica inicia-se com o nascimento com vida – art.2º - CC
Aferição: funcionamento do aparelho cardiorrespiratório.
Apesar disso, a lei põe a salvo os direitos do nascituro (aquele que está por nascer, mas já concebido no ventre
materno)
OBS.: Natimorto x concepturo:
O nascituro não pode ser confundido com o natimorto, ou seja, o nascido morto, assim como não pode ser
confundido com o concepturo, ou seja, aquele que nem concebido foi ainda (prole eventual). O enunciado diz que não
se pode lançar no lixo o natimorto porque isso viola a sua imagem. Mesmo nascido morto ele goza de proteção
jurídica.
2.2. Teorias:
a) T. natalista: a PJ somente seria adquirida a partir do nascimento com a vida independentemente da
forma humana e de um tempo mínimo de sobrevida, de maneira que o nascituro, por não ser
considerado pessoa, teria mera expectativa de direto. Adotada pelo CC (Com influência da
concepcionista)
Obs.: STF adotou a teoria natalista no julgamento da ADI 3.510 – Lei de Biossegurança: o embrião
fertilizado in vitro não é considerado nascituro e, portanto, não tem direitos e deveres, podendo ser
manipulados (respeitados os termos da lei).
b) T. da personalidade condicional: o nascituro gozaria de uma personalidade material para efeito de
titularizar direitos personalíssimos (a exemplo do direito à vida), mas somente consolidaria direitos
materiais, econômicos ou patrimoniais sob a condição de nascer com vida – o nascituro possui
direitos sob condição suspensiva.
*MHD diz que o nascituro tem uma personalidade material (mantém relação com direitos patrimoniais e o
nascituro só a adquire com o nascimento com vida) e uma personalidade formal (relacionada com os direitos
da personalidade, o que o nascituro já tem desde a concepção). A MAIS APLICADA NA JURISPRUDENCIA.
c) T. concepcionista: Considera o nascituro pessoa desde a concepção, inclusive em face de direitos
materiais. Essa teoria ganhou grande força a partir da aprovação da Lei n.º 11.804/08 – Lei dos
alimentos gravídicos – na medida em que o nascituro é, expressa e imediatamente, contemplado
por um importante direito material, mesmo não tendo ainda nascido com vida.
Ex.: Você pode fazer uma doação ao nascituro, e quando ele nasce essa doação é consolidada.
- o stj admite em favor do nascituro dano moral, pode ser nomeado curador para a defesa de seus
interesses, possui direito a realização de DNA p/ aferição de paternidade, direito a alimentos, possibilidade
de indenização pelo seguro DPVAT em razão da morte do nascituro. Logo, o nascituro e o embrião possuem
personalidade jurídica formal e, apenas com a vida adquirem a personalidade jurídica material e se alcançam
os direitos patrimoniais.
3. A capacidade e os conceitos correlatos
- Estado: soma das qualificações de uma pessoa na sociedade, podendo ser:
Individual: idade, sexo, saúde mental e física, altura, peso e etc)
Políticos: nacionalidade, naturalidade e cidadania
Familiar: diz respeito aos parentescos e ao matrimonio
A capacidade é uma aptidão geral reconhecida em lei para atuar na vida jurídica. Subdivide-se em
capacidade de direito/gozo e capacidade de fato/de exercício.
A capacidade de direito/gozo é a aptidão para titularizar direitos e contrair obrigações na ordem jurídica,
de modo que toda pessoa (por ter personalidade jurídica) tem capacidade de direito.
Já capacidade da fato/de exercício é aptidão de exercer/praticar pessoalmente os atos da vida civil
CAPACIDADE PLENA = CAPACIDADE DE DIREITO+ CAPACIDADE DE FATO
Já a legitimação é específica, traduzindo uma pertinência subjetiva para a prática de certos e determinados
atos.
Já a legitimidade é capacidade processual, um dos pressupostos processuais, nos moldes do NCPC (art. 17)
 INCAPACIDADE
Absolutamente incapazes: menores de 16
Relativamente incapazes: os maiores de 16 e menores de 18; os ébrios habituais e viciados em tóxicos;
aqueles que, por causa transitória, não poderem exprimir sua vontade; os pródigos.
Obs.: a capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial

R I A = Representação para Incapacidade Absoluta



R I A = Assistência para Incapacidade Relativa

- Estatuto da pessoa com deficiência (art. 2 o do EPD) passa a ser considerada legalmente capaz, ainda que
para atuar necessite do auxílio de institutos protetivos/assistenciais, tais como a tomada de decisão
apoiada e a curatela (excepcional) (arts. 6º e 84 do EPD).
OBS.: O estatuto considera a curatela (art. 85) medida extraordinária, que só será aplicada quando
rigorosamente necessário. Além disso, a curatela é limitada à prática de atos patrimoniais ou negociais
(ex.: a venda de imóvel).

- Vale acrescentar ainda que o pródigo tem liberdade para casar ou manter união estável, de maneira que o
seu curador apenas deverá se manifestar quanto ao regime de bens escolhido. Assim, não pode o curador
intervir em escolhas existenciais do pródigo.

 Jurisprudência:
- Redução da maioridade civil: no âmbito do direito e família, não implica cancelamento
automático da pensão alimentícia, na medida em que deve acompanhar o alimentando, em regra,
até a conclusão dos seus estudos.
- O STJ decidiu que pós-graduação não autoriza a manutenção da pensão.
- No âmbito previdenciário, formou-se entendimento no sentido de que a redução da maioridade
civil não altera os limites etários para a percepção de benefício previdenciário previsto em norma
especial.
- ECA: 121, §5º, da Lei 8.069/90, “a internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos
princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em
desenvolvimento [...] § 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade”. Esse
dispositivo não foi revogado com a redução da maioridade civil.

 Extinção da pessoa física ou natural: se opera com a morte


- Morte presumida: Pode ser com decretação de ausência (art 22 e seguintes) OU sem a decretação
de ausências (há indícios de morte) – art. 7º
- A sentença de ausência é registrada em livro próprio e a sentença de morte sem decretação de
ausência é registrada em livro de óbito.
-Comoriência: uma situação de morte simultânea, ou seja, se duas ou mais pessoas falecem na
mesma ocasião, sem que se possa averiguar qual dos comorientes precedeu aos outros,
presumem-se simultaneamente mortos.

Jurisprudência:
Info 921 - STF inexistência do direito à indenização em razão da divulgação, no jornal, de imagem
do cadáver morto em via pública - O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar
o jornal seria uma forma de censura, o que afronta a liberdade de informação jornalística

Info 583 STJ– 2016 - A morte do interditando no curso de ação de interdição não implica, por si só,
a extinção do processo sem resolução de mérito a ação de exigir contas por ele ajuizada
mediante seu curador provisório, tendo o espólio legitimidade para prosseguir com a ação de
exigir contas

STJ – É possível voltar o nome de solteira após a morte do marido

STJ – (REsp 1693718/RJ, não se exige que o indivíduo tenha deixado um documento escrito dizendo
que desejava ser submetido à criogenia, podendo essa vontade ser provada por outros meios,
como a declaração do familiar mais próximo.

 Emancipação – art. 5º CC: A emancipação é uma das causas de cessação da incapacidade civil, mas
NÃO antecipa a maioridade.
Com efeito, o art. 5º do Código Civil prevê que a menoridade cessa aos dezoito anos completos,
não havendo, portanto, influência da emancipação. Assim, a menoridade somente finda aos 18
anos, independentemente da emancipação, cujo efeito é somente cessar a incapacidade civil.
ESPÉCIES
a) Voluntária: é aquela concedida pelo ato de ambos os pais ou de um deles, na falta do outro, em
caráter irrevogável, mediante instrumento público, independentemente de homologação
judicial, desde que o menor tenha, pelo menos, 16 anos completos.
Obs.: diversamente da legal, os pais permanecem solidariamente responsáveis pelos ilícitos
cometidos pelo filho emancipado até que complete 18 anos de idade.
b) Judicial: trata-se da emancipação concedida pelo juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 16 anos
completos.
Obs.: (art. 91 LRP - o juiz deve comunicar a emancipação concedida ao oficial de registro no
prazo de oito dias; a partir desse registro cartorário o ato produzirá efeitos).
Está sujeita à desconstituição por vicio de vontade
c) Legal: por força da lei
c.1) casamento
obs.: divorcio, o emancipado não retorna à situação de incapacidade
obs.2: a sentença que invalida o casamento o atinge ab initio, por consequência, a
emancipação perderá a eficácia, ressalvada a hipótese de o juiz considerar o casamento
putativo.
c.2) emprego público efetivo
c.3) colação de grau em curso de ensino superior
c.4) estabelecimento civil ou comercial ou relação de emprego + no mínimo 16 anos +
economia própria.
Obs.: O menor emancipado que exerça atividade empresarial, na forma da Lei de Falências,
poderá falir. Eventual ilícito penal praticado deve ser tratado como ato infracional, na forma do
ECA (ver Paulo Henrique Sumariva – A lei de falência e a imputabilidade penal ). Obs.: a emancipação não
antecipa a capacidade penal, por isso o crime falimentar será tratado como ato infracional.
+ O Emancipado, assim como se dá com o maior de 18 anos, pode não perder o direito aos
alimentos, de acordo com as circunstancias do caso concreto (AC 70011429321 - TJRS).
+ O emancipado não pode obter a Carteira Nacional de Habilitação, uma vez que o inciso I, do
art. 140, do Código de Trânsito, exige que a pessoa seja penalmente imputável, e o emancipado
não é (aplica-se o ECA, pois a emancipação não antecipa a capacidade penal).
+ O emancipado não pode ser penalmente preso. Mas embora não tenha capacidade penal,
admite-se a prisão civil do menor emancipado por débito alimentar. Isso porque não se trata
de uma prisão criminal, mas de um meio coercitivo de cumprimento da obrigação.

Estão sujeitos a registro: o nascimento, a emancipação, a interdição, o casamento,


a ausência e o óbito/morte presumida

 Pessoa jurídica: um grupo humano, dotado de personalidade jurídica própria constituído na forma
da lei para a realização de fins comuns.

- Teorias explicativas e natureza jurídica:


a) Corrente negativista (Brinz, Bekker, Ihering): Negava a existência da pessoa jurídica, alegando que ela
não
seria nada mais que um grupo de pessoas físicas reunidas ou que seria um patrimônio reunido.

b) Corrente afirmativista: aceita a existência. Várias teorias se inserem nessa corrente. As 3 principais
teorias dentro da corrente afirmativista são a da ficção, a da realidade objetiva e a da realidade técnica.
Todavia, outras teorias de menor repercussão podem ser lembradas, como a Teoria lógico-formal de Kelsen
e a Teoria institucionalista de Hauriou. Vejamos as principais:
b.1) Teoria da ficção (Windscheid, Savigny): a pessoa jurídica teria uma existência meramente
abstrata ou ideal fruto da técnica do direito. Pecava por não reconhecer a existência objetiva e social da
pessoa jurídica.
b.2) Teoria da realidade objetiva ou organicista (Cunha Goncalves, Clóvis Beviláqua): oriunda
especialmente do cientificismo sociológico reverenciado pelos positivistas como Beviláqua, avançava ao
reconhecer que a pessoa jurídica teria uma existência objetiva e uma dimensão social, mas incorria no
exagero oposto de negar-lhe a influência da técnica do direito. Reduzia a pessoa jurídica a um fenômeno
meramente sociológico.
b.3) Teoria da realidade técnica (Saleilles): consegue conjugar o que há de melhor nas duas teorias
anteriores. Para essa teoria a pessoa jurídica teria uma existência objetiva e dimensão social, mas a sua
personificação seria fruto da técnica do direito. Foi a teoria adotada pelo art. 45, do CC.

Surgimento da pessoa jurídica: Adquire a personalidade com o registro de seu ato constitutivo- contrato
social ou estatuto, devendo ser registrado na junta comercial ou CRPJ.

Ausência de registro estamos diante de um ente despersonificado, regulado a partir do art. 986 do CC e
que a respeitável doutrina clássica de direito comercial denominava de sociedade irregular ou de fato
(Waldmar Ferreira). Vale acrescentar que nas sociedades irregulares ou de fato, a responsabilidade pelas
dívidas sociais recai sobre o próprio patrimônio pessoal dos sócios administradores.

Entes despersonificados com capacidade processual (MHD fala em personificação anômala):


Condomínio*, massa falida, herança jacente, espólio (art. 12 CPC/1973 – art. 75 CPC/2015)
* = discussão doutrinária: tartuce defende que deveria ser considerado pessoa jurídica, pois o rol do
art. 44 é exemplificativo (numerus apertus).
- Jurisprudência:
- o STJ entende que apenas pessoas jurídicas de direto privado podem sofrer dano moral (empresas).
Pessoa jurídica de direito público não (Informativo 534).
o Principais espécies de pessoas jurídicas de direito privado :
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações; IV - as organizações religiosas;
V - os partidos políticos;          VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada.

 Dois grandes grupos: corporações (associações e sociedades) e fundações.

a) Associações: são formadas pela união de indivíduos com propósito de realizar uma finalidade
ideal ou não econômica (art. 53). NÃO PODEM TER FINALIDADE LUCRATIVA.
Não há entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
OBSERVAÇÕES
- Nos termos do art. 55 do CC, é possível haver categorias de associados com vantagens especiais,
o que não se permite é a discriminação dentro de uma mesma categoria.
- Art. 57, desde que haja justa causa, a expulsão de um associado, garantida a ampla defesa. Esse
art. 57 não deve ser aplicado em face de condomínios, na medida em que, refere-se a associações.
Todavia, existe forte corrente de doutrina, bem como já há posição em jurisprudência, no sentido
de, à luz do princípio da função social, admitir a expulsão do condômino nocivo, quando as multas
aplicadas se mostrarem insuficientes- requer ampla defesa e a propositura de ação judicial com
essa finalidade.
Enunciado 577 do CJF/STJ: A possibilidade de instituição de categorias de associados com
vantagens especiais admite a atribuição de pesos diferenciados ao direito de voto, desde que isso
não acarrete a sua supressão em relação a matérias previstas no art. 59 do CC.
Regra geral, nos termos do art. 61, dissolvida a associação, o seu patrimônio será atribuído a
entidades de fins não econômicos designadas no estatuto ou, omisso este, à instituição municipal,
federal ou estadual, de fins iguais ou semelhantes.
b) Fundações: dotação de um patrimônio para uma finalidade ideal (cultural, educacional e de
assistência) por meio de escritura pública ou testamento. Não poderá ter finalidade lucrativa,
podendo gerar receita a ser reinvestida na própria atividade. PODE SER PRIVADA OU
PÚBLICA.
Fases:
(1) Dotação/instituição;
(2) Elaboração do estatuto e aprovação pelo MP;
A elaboração do seu estatuto. É o corpo normativo e organizacional da fundação. O estatuto da fundação
poderá ser elaborado diretamente pelo seu próprio instituidor, como também, fiduciariamente, por um
terceiro, ou, até mesmo, em caráter subsidiário pelo MP.
OBS.: Se o próprio órgão ministerial o elaborar quem o aprova é o Juiz - Isso é muito criticado, pois o juiz
estaria vinculado ao estatuto, não podendo mais julgar causas decorrentes dele .
(3) Registro do CRPJ.

- A função fiscalizatória do MP. Além de aprovar o estatuto, o MP tem, por força de lei, função
fiscalizatória das fundações de Direito Privado.

c) Sociedade: é pessoa jurídica de direito privado, instituída por meio de contrato social, com o
objetivo de exercer atividade econômica e partilhar lucro.
- Sociedade empresária: atividade típica de empresário – 966 + registro público da emp. na junta
comercial
são marcadas pela impessoalidade: a figura do sócio não é indispensável para a realização da sua
atividade. Vale dizer, os sócios, de forma impessoal, atuam como articuladores de fatores de produção
(capital, trabalho, tecnologia e matéria-prima), a ex. de uma concessionária ou de um banco.
- Sociedades simples: com registro, em regra, no CRPJ, são marcadas pela pessoalidade, ou
seja, a figura do sócio é indispensável para a realização da sua atividade não empresarial. Em
regra, são prestadoras de serviços técnico científicos, como a sociedade de médicos e
advogados.

-Eirelli: empresa individual de responsabilidade limitada -Lei n.º 12441/11, pessoa jurídica
unipessoal, denominada EIRELI. Trata-se não de uma sociedade, mas de uma pessoa jurídica
autônoma, constituída por um único indivíduo. Frise-se, a EIRELI é uma P.J. unipessoal com
responsabilidade limitada ao capital social integralizado de no mínimo 100 salários mínimos
(leva em conta o salário nacional).
- Submetem-se as regras da responsabilidade subjetiva quanto aos danos causados a terceiros
Obs.: possibilidade de criação de EIRELLI por pessoa jurídica, inclusive pessoa jurídica
estrangeira – Departamento de Registro Empresarial e Integração – Instrução Normativa nº
38/2017.

d) Cooperativa: é uma associação de pessoas com interesses comuns, economicamente


organizada de forma democrática, isto é, contando com a participação livre de todos e
respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais presta serviços aos
associados, sem fins lucrativos – sociedades simples que não exercem atividade empresarial.
- Adota-se a expressão cooperativa na denominação, sendo vedada a utilização da expressão
banco, constitui-se por deliberação da Assembleia geral dos fundadores, constantes da
respectiva ata ou inst. Publico.
- NÃO SUJEITAS A FALENCIAS
Características: Variabilidade ou dispensa do capital social; concurso de sócios em número mínimo
necessário a compor em ADM da sociedade, sem limitação de número máximo; limitação do valor das
quotas do capital social que cada sócio poderá tomar; intransferibilidade das cotas do capital a terceiros
estranhos à sociedade, ainda que por herança; quórum assembleia geral funcionais de liberar fundado
no número de sócios presentes à reunião e não no capital representado; direito de cada sócio a um só
voto nas deliberações, tenha ou não capital a sociedade, e qualquer que seja o valor de sua participação;
distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a
sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado; indivisibilidade do fundo de reserva
entre os sócios, ainda que em caso de dissolução da sociedade.
- Responsabilidade: Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada
ou ilimitada. Lembrando que a Lei das Sociedades Cooperativas equipara os componentes do
Conselho Fiscal aos administradores das sociedades anônimas, mas apenas para efeito de
responsabilidade criminal (art. 53), não se aplicando o referido dispositivo, portanto, às
relações de natureza civil.
JURISPRUDENCIA:
Info 661/2020 - STJ Membros do conselho fiscal de uma cooperativa não podem ser atingidos pela
desconsideração da personalidade jurídica se não praticaram nenhum ato de administração. – A despeito
de não se exigir prova de abuso ou fraude para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da
personalidade jurídica, tampouco de confusão patrimonial, o § 5º do art. 28 do CDC não dá margem para
admitir a responsabilização pessoal de quem jamais atuou como gestor da empresa.
Súmula 602-STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos empreendimentos habitacionais
promovidos pelas sociedades cooperativas
Lei Federal n. 13.874/19 - (Lei de liberdade econômica): conversão da MP 881/20 - Altera as regras para a desconsideração da
personalidade jurídica, detalhando o que é desvio de finalidade (t. maior subjetiva) e confusão patrimonial (teoria menor subjetiva)
art. 5º: desconsideração dos administradores ou sócios da p.j. beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso: é acrescido um novo
requisito para que se atinja o patrimônio do administrador ou sócio: deve ser provado que essa pessoa foi beneficiada com o abuso da
personalidade jurídica
+ Desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer
natureza – é o ato intencional, do administrador ou do sócio, de fraudar terceiros ou praticar atos ilícitos utilizando a autonomia da pessoa
jurídica como um escudo.
Obs.: não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa
jurídica (art. 50, § 5º do CC)
confusão patrimonial = a ausência de separação de fato entre os patrimônios
§ 3º do art. 50 –prevê “desconsideração inversa” da personalidade jurídica. Na desconsideração inversa (ou invertida) da pers. jurídica, o
juiz, mediante requerimento, autoriza que os bens da pessoa jurídica sejam utilizados para pagar as dívidas dos sócios ou dos
administradores
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o  caput deste artigo não autoriza a desconsideração
da personalidade da pessoa jurídica - Logo, para a responsabilização solidária de um grupo econômico será necessário provar:
1) Abuso da personalidade (desvio de finalidade ou confusão patrimonial);
2) Que os administradores ou sócios da pessoa jurídica foram beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso
- Jurisprudência: STJ - O encerramento das atividades ou dissolução, ainda que irregulares, da sociedade não são causas, por si só, para a
desconsideração da personalidade jurídica, nos termos do Código Civil.

- A sócia da empresa, cuja personalidade jurídica se pretende desconsiderar, que teria sido beneficiada por suposta transferência
fraudulenta de cotas sociais por um dos cônjuges, tem legitimidade passiva para integrar a ação de divórcio cumulada com partilha de bens,
no bojo da qual se requereu a declaração de ineficácia do negócio jurídico que teve por propósito transferir a participação do sócio/ex-
marido à sócia remanescente (sua cunhada), dias antes da consecução da separação de fato

 Direitos da Personalidade
Corrente majoritária: são aqueles inerentes à pessoa humana e sua dignidade – corrente jusnaturalista.
Obs.: Para essa corrente a PJ tem direitos da personalidade por equiparação (art. 52 CC), podendo sofrer
direitos morais¹ - súm. 227 do STJ.

Corrente minoritária: são aqueles ditados pela lei de forma expressa ou implícita – corrente positivista

Obs.: ¹ é preciso observar qual conceito é utilizado para danos morais - Não podemos afirmar que pessoa
jurídica sofre danos morais se conceituarmos danos morais como lesão à dignidade humana. Dano moral
deve ser conceituado como lesão aos direitos da personalidade, e, por isso, podem as p. jurídicas sofrer
danos morais quanto à sua honra objetiva e não em relação à honra subjetiva, pois essa nem mesmo
possui.

Direitos da personalidade (rol exemplificativo) – cláusula geral de tutela da pessoa humana

! – jurisprudência – ver

Técnica da ponderação (ALEXY): Os princípios são normas, mandamentos de otimização que serve, para
resolver casos concretos. Em casos de colisão, o julgador deve fazer uso do juízo de razoabilidade,
apontando qual princípio ou direito deverá prevalecer naquele caso específico, o que não importa em
derrogação ou que este sempre deveria prevalecer. Com a alteração de fatores fáticos, outro principio
prevalecerá. A fórmula da ponderação, apresentada por Alexy, afirma que: P¹ e P² são os princípios em
colisão e que T¹, T², T³ e Tn são os fatores fáticos que influenciam a ponderação, e C é a conclusão.

CARACTERÍSTICAS:

1º Art. 11 - indisponíveis, irrenunciáveis e intransmissíveis, com exceção aos casos previstos em lei – ou
seja, podem sofrer limitações – ponderação/relatividade.

Logo, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e
aos bons costumes.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Enunciado nº 04 da I Jornada de Direito Civil. Art. 11: O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer
limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral – ex.: uso de imagem de artista para fins
econômicos, por contrato com tempo determinado. (veda-se contratos vitalícios – ex.: Ronaldo x nike)
Obs.: O contrato que lesiona direitos da personalidade afronta a função social do contrato (eficácia interna
da função social do contrato) – art. 421 - CC.

2º - art. 12 – reparação dos danos ocasionados ao d. da personalidade.


Em alguns casos, a lesão aos direitos da personalidade gerará um dano moral presumido (in re ipsa).
Ex.: A súmula 403 do STJ trata do uso indevido de imagem, sem autorização. Independe de prova do
prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou
comerciais.
A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgação de imagem vinculada a fato histórico de
repercussão social – caso daniela perez.
Súm. N.º 37 e 387 do stj: os danos morais, materiais, estéticos são possíveis de cumulação.
- O artigo 12, p. único, reconhece o dano ao morto. A personalidade termina com a morte, mas alguns
direitos permanecem. A legitimidade é conferida a alguns parentes - Há uma discussão se esse parente
agiria em nome próprio ou em nome alheio¹.
Cônjuge, qualquer parente em linha reta ou colateral ( os colaterais são leg. de forma subsidiários) até 4º grau
(provas discursivas: não foi previsto, mas são leg. por interpretação extensiva).
¹Enunciado nº 400 da V Jornada de Direito Civil sustenta que os lesados indiretos agem em nome próprio
(dano em ricochete).
Enunciado nº 398 da V Jornada de Direito Civil fala da legitimidade concorrente e autônoma dos familiares
do morto.

3º - art. 13 - Há a tutela da integridade físico-psíquica, proibindo os atos de disposição do próprio corpo que
impliquem diminuição permanente da integridade física ou que contrariem os bons costumes, salvo por
exigência médica.

*Divulgada no dia 18 de junho de 2018, a nova versão da CID (Classificação Internacional de Doenças), CID-
11, retirou a transexualidade da lista de doenças mentais. Importante observar, contudo, que a
transexualidade continua na CID como incongruência de gênero, dentro da categoria de condições relativas
à saúde sexual.

! – jurisprudência: A jurisprudência do STJ entende que, realizada a cirurgia deve ocorrer a alteração do
sexo e do nome no registro civil, para todos os fins (Informativos 411 e 409).
- OBS: O transexual, nova mulher, pode se casar com homem. Porém, para parte da doutrina, caberá a
anulação do casamento por erro quanto à pessoa se não revelar sua situação anterior e isso tornar
insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado (Carlos Roberto Gonçalves).

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
- O direito dos transexuais à retificação do prenome e do sexo/gênero no registro civil não é condicionado
à exigência de realização da cirurgia de transgenitalização. STJ. 4ª Turma. REsp 1.626.739-RS, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 9/5/2017 (Info 608).

Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da


realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do
gênero (sexo) diretamente no registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892).

- O STF entendeu que exigir do transgênero a via jurisdicional para realizar essa alteração representaria
limitante incompatível com a proteção que se deve dar à identidade de gênero. O pedido de retificação é
baseado unicamente no consentimento livre e informado do solicitante, sem a necessidade de comprovar
nada. Premissas: a id. de gênero é uma manifestação da própria personalidade, logo, cabe ao estado
APENAS reconhecê-la., nunca constitui-la - a pessoa não deve provar o que é, não podendo o estado exigir
ou condicionar a livre expresso da personalidade a um procedimento médico ou laudo psicológico.
- O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de
gênero no registro civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo,
o qual poderá exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa. Essa
alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo
“transgênero”. Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada
a expedição de certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação
judicial. Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a
requerimento do interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais registros
nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos.
STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911).

4º - art. 14 - tutela post mortem do corpo. As disposições post mortem de partes do corpo somente são
possíveis com fins científicos ou de doação de órgãos, com fins gratuitos. É vedada a venda de órgãos, sob
pena de ressignificação (pessoa transformada em coisa – res) da pessoa. Órgão é coisa fora do comércio.
OBS.: Pessoa viva – desde que sejam órgãos duplos.
A matéria também está regulamentada pela Lei de Transplantes (Lei n.º 9434/97). Tanto a lei especial
quanto o CC adotaram o princípio do consenso afirmativo, havendo necessidade de uma expressão positiva
do doador ou de seus familiares para os fins de transplantes de órgãos.

Se no documento tem “não”, mas a família autoriza? Prevalece a vontade do doador, ficando a aplicação do
art. 4º da Lei n.º 9434/97 restrita às hipóteses de silêncio do doador. Lembrando que a manifestação
expressa do doador de órgãos em vida PREVALECE sobre a vontade da família.

Enunciado 277 da IV da Jornada. Enunciado 403 da V jornada: o adolescente para doar medula óssea
precisa de autorização de ambos os pais e do juiz se houver risco. Adolescente deve consentir também.

- art. 21.  Fica proibida a doação de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano em casos de não
identificação do potencial doador falecido.  Parágrafo único.  Não supre as exigências do caput o simples
reconhecimento de familiares se nenhum dos documentos de identificação do falecido for encontrado,
exceto nas hipóteses em que autoridade oficial que detenha fé pública certifique a identidade.

5º - art. 15 - Trata da tutela da integridade físico-psíquica e da vida. Esse dispositivo consagra dois
princípios médicos que passaram a ser dois princípios jurídicos: princípio da beneficência + princípio da
não-maleficência. O profissional da área da saúde deve fazer o bem e não deve fazer o mal ao paciente.
Princípio da autonomia do paciente e princípio do consentimento informado (o paciente deve conhecer
riscos e possibilidades antes de dar sua opinião). A regra é a responsabilidade subjetiva dos profissionais de
saúde, por assumirem obrigação de meio.

- Testemunha de Jeová – se houver risco de morte, prevalece a vontade do médico*.

- *Divergência jurisprudenciais sobre o tema: VER


- enunciado 403 da JF: O entendimento da prevalência do tratamento médico mesmo contra a vontade da
pessoa ou de seu representante legal, só se aplica, portanto, se a mesma for menor de idade ou estiver em
estado que não possa manifestar sua vontade e não a tenha manifestado antes, quando consciente.

- o Enunciado 533 da VI Jornada de Direito Civil: O paciente plenamente capaz poderá deliberar sobre todos
os aspectos concernentes a tratamento médico que possa lhe causar risco de vida, seja imediato ou
mediato, salvo as situações de emergência ou no curso de procedimentos médicos cirúrgicos que não
possam ser Interrompidos.

6º - art. 16, 17 e 18 - Tutela do nome: é o sinal que representa a pessoa perante o meio social. Todos os
elementos do nome estão protegidos.
Prenome (simples ou composto)
Sobrenome ou patronímico ou nome de família, partícula (do, de)
Agnome (Jr, Filho, Neto, Sobrinho)

O CC/2002 protege também o pseudônimo, que é o nome fictício do autor de uma obra intelectual ou
cultural (art. 19 e art. 24, II, da Lei n.º 9610/98). Parte da doutrina – Silmara Chinellato – e da jurisprudência
– TJSP AI 4.021.314/3-00, 2005 – inclui o nome artístico, mesmo não sendo incorporado ao nome civil. Ex.:
Silvio Santos, Tiririca, Zezé.

O nome, em regra, é imutável (art. 58 da LRP 6015/73). Exceções:


a) Nome que expõe a pessoa ao ridículo, inclusive em caso de homonímias (nomes iguais). Ex. Jacinto Aquino Rego;
b) Erro crasso de grafia. Ex. Cráudio;
c) Tradução de nomes estrangeiros. Ex. John – João;
d) Cirurgia de adequação de sexo;
e) Introdução de alcunhas, apelidos sociais ou cognome. Ex.: Xuxa, Lula;
f) Introdução de nome do cônjuge ou companheiro. Quando alguém incorpora o nome do outro passa a ser
um direito da personalidade do incorporador. Não pode ser obrigado a retirar no divórcio;
g) Reconhecimento de filho ou adoção;
h) Proteção de testemunha Lei 9807/99;
i) Inclusão do nome de familiar remoto (debate na jurisprudência). Há divergência. Escolher sobrenome
mais
antigo; e
j) Inclusão de sobrenome por enteado por padrasto ou madrasta, havendo motivo ponderável e desde que
haja concordância do último (Lei Clodovil – n.º 11.924/2009).

O art. 56 da Lei de Registros Públicos prevê o prazo de 01 ano, a contar da maioridade civil para que um
nome seja alterado. Porém, a jurisprudência do STJ tem entendido que a ação de retificação do registro civil
é imprescritível, especialmente nos casos em que o nome viole a dignidade humana. O prazo, portanto, é
letra morta (REsp 538.187/RJ e REsp 439.636/SP).

Cabem as medidas de proteção ao nome mesmo que sua utilização não seja com conteúdo de desprezo
público. Sobre o tema: Súmula 403 do STJ: independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação
não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.

6º - art.20 - Protege tanto a imagem retrato (fisionomia) quanto a imagem atributo (reputação;
repercussão social da imagem). Imagem e voz. Para a utilização da imagem alheia, há necessidade de
autorização do seu titular, com duas exceções:
(1) se a pessoa ou o fato interessar à manutenção da ordem pública;
(2) Se a pessoa ou o fato interessar à administração da Justiça. Ex. solução de crimes.

Súmula 221 STJ: São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de danos, decorrente de publicação pela
imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.

! – ADI 8815 – livro proibido roberto carlos – interpretação conforme sem redução do texto: uma biografia
NÃO é necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das demais pessoas retratadas, nem de seus
familiares. Essa autorização prévia seria uma forma de censura, não sendo compatível com a liberdade de
expressão consagrada pela CF/88. Caso o biografado ou qualquer outra pessoa retratada na biografia
entenda que seus direitos foram violados pela publicação, ele terá direito à reparação, que poderá ser feita
não apenas por meio de indenização pecuniária, como também por outras formas, tais como a publicação
de ressalva, de nova edição com correção, de direito de resposta etc. STF. Plenário. ADI 4815, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 10/06/2015.

7º art. 21 - Tutela da vida privada, intimidade, segredo – em ordem decrescente.

!! - o juiz só se manifesta a requerimento


Teoria dos círculos concêntricos superada. Hoje se fala em teoria das camadas – direito alemão.
-Informações genéticas são parte da vida privada e não podem ser utilizadas para outros fins quando
armazenadas. Essa proteção não é absoluta. Ex: Raio X em aeroportos.

o DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA:


a) Desconsideração direta (regular): bens dos sócios ou administradores respondem por dívidas da
pessoa jurídica (está prevista no art. 50, CC e 28, CDC).
b) Desconsideração inversa ou invertida: bens da pessoa jurídica respondem por dívidas dos
sócios e administradores. É criação doutrinária e jurisprudencial que foi contemplada no CPC. Ex.:
os sócios ou o administrador resolvem esconder seu patrimônio na sociedade, isto é, colocam bens
em nome da empresa, visando frustrar a partilha dos bens com eventual divórcio.
+ desconsideração expansiva: denominação dada para atingir patrimônio do socio oculto na sociedade
+ desconsideração indireta: uma empresa controladora comete fraudes por meio de empresa controlada ou
coligada em prejuízo de terceiros.
+ desconsideração incidental: o juiz pode determinar, de forma incidental, nos autos de execução singular ou
coletiva a desconsideração da personalidade jurídica.

- Procedimento: previsto nos arts 133 a 137 do CPC


-Teorias: MAIOR (CC) E MENOR (CDC)

TEORIA MAIOR TEORIA MENOR


Adotada pelo Direito Civil brasileiro adotou, como Adotada na seara do Consumidor e Ambiental, adotou-se a teoria
regra geral, a chamada teoria maior da menor da desconsideração. Isso porque, para que haja a
desconsideração. Isso porque o art. 50 exige que se desconsideração da personalidade jurídica nas relações jurídicas
prove o desvio de finalidade (teoria maior subjetiva) envolvendo consumo ou responsabilidade civil ambiental não se exige
ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva) desvio de finalidade nem confusão patrimonial
Deve-se provar: De acordo com a Teoria Menor, a incidência da desconsideração se
justifica:
Prejuízo do credor
Basta provar o prejuízo do credor
+
1) Abuso da personalidade (desvio de finalidade ou Isto é:
confusão patrimonial); a) pela comprovação da insolvência da pessoa jurídica para o
2) Que os administradores ou sócios da pessoa pagamento de suas obrigações, somada à má administração da
jurídica foram beneficiados direta ou indiretamente empresa (art. 28, caput, do CDC); ou
pelo abuso (novo requisito trazido pela Lei nº b) pelo mero fato de a personalidade jurídica representar um
13.874/2019). obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores,
nos termos do § 5º do art. 28 do CDC. STJ. 3ª Turma. REsp 1735004/SP, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/06/2018
Art. 50 CC Prevista no art. 4º da Lei nº 9.605/98 (Lei Ambiental) e no art. 28, § 5º do CDC.

*O encerramento irregular das atividades da empresa devedora autoriza, por si só, que se
busque os bens dos sócios para pagar a dívida? (EREsp 1306553/SC – STJ 2ª seção)
• Código Civil: NÃO • CDC: SIM
• Lei Ambiental: SIM • CTN: SIM
#novidade legislativa: Lei Federal n. 13.874/19 - (Lei de liberdade econômica) conversão da MP
881/20 : Somente poderá ocorrer a desconsideração da personalidade jurídica nas relações
jurídicas regidas pelo Código Civil se ficar caracterizado que houve abuso da personalidade jurídica,
podendo ocorrer em duas situações: 1) Desvio de finalidade; 2) Confusão patrimonial
(A mudança promovida pela Lei nº 13.874/2019 no caput do art. 50)
Assim só se pode atingir o patrimônio particular do administrador ou do sócio se ficar
demonstrado que eles se beneficiaram, direta ou indiretamente, do abuso da personalidade
jurídica.

+ ALTERAÇÕES DA LEI:
Desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de
atos ilícitos de qualquer natureza – é o ato intencional, do administrador ou do sócio, de fraudar terceiros
ou praticar atos ilícitos utilizando a autonomia da pessoa jurídica como um escudo.
Obs.: não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade
econômica específica da pessoa jurídica (art. 50, § 5º do CC)

confusão patrimonial = a ausência de separação de fato entre os patrimônios

§ 3º do art. 50 – expressamente prevê “desconsideração inversa” da personalidade jurídica. - Na


desconsideração inversa (ou invertida) da personalidade jurídica, o juiz, mediante requerimento, autoriza
que os bens da pessoa jurídica sejam utilizados para pagar as dívidas dos sócios ou dos administradores

§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste
artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica - Logo, para a
responsabilização solidária de um grupo econômico será necessário provar:
1) Abuso da personalidade (desvio de finalidade ou confusão patrimonial);
2) Que os administradores ou sócios da pessoa jurídica foram beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso

§ 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade
econômica específica da pessoa jurídica

- Jurisprudência:
- INFO 554 STJ: O encerramento das atividades ou dissolução, ainda que irregulares, da sociedade não
são causas, por si só, para a desconsideração da personalidade jurídica, nos termos do Código Civil.
- STJ: A desconsideração da personalidade jurídica, ainda que com fundamento na Teoria Menor, não
pode atingir o patrimônio pessoal de membros do Conselho Fiscal sem que haja a mínima presença de
indícios de que estes contribuíram, ao menos culposamente e com desvio de função, para a prática de atos
de administração.
- Súmula nº 435, STJ: presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu
domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução
fiscal para o sócio-gerente.
- Enunciado 281: a aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do Código Civil,
prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.
- Enunciado 284: As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos
estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica.

- a pessoa jurídica não possui legitimidade nem interesse recursal para questionar decisão que, sob o
fundamento de ter ocorrido dissolução irregular, determina a responsabilização dos sócios
 BENS JURÍDICOS
Coisa x Bens: Coisa é gênero (tudo que não é humano), enquanto bens é espécie (coisas com interesse econômico e/ou
jurídico).
Os bens podem ser corpóreos (materiais, tangíveis), ou incorpóreos (imateriais, tais como direitos
autorais).
Patrimônio: soma de bens corpóreos e incorpóreos de um sujeito apreciável economicamente.
- Classificação:
Quanto a mobilidade:
A. Bens imóveis
a.1) Bens imóveis por natureza: a imobilidade decorre de sua essência. Ex.: árvore natural.
a.2) Bens imóveis por acessão física industrial: a imobilidade decorre da atuação humana, concreta
e efetiva. Ex.: construções e plantações.
a.3) Bens imóveis por acessão física intelectual (Tartuce): são os bens móveis incorporados ao bem
imóvel pela vontade do proprietário.
a.4) Bens imóveis por determinação legal (art. 80, CC): os direitos reais sobre imóveis e as ações
que os asseguram e o direito à sucessão aberta.
B. Bens móveis:
b.1) Bens móveis por natureza: a mobilidade decorre de sua essência, sendo possível a remoção
por força alheia ou por força própria (semoventes).
b.2) Bens móveis por antecipação: eram imóveis, mas foram mobilizados por uma atuação humana
concreta e efetiva. Ex.: plantação colhida e prédio demolido.
b.3) bens móveis por determinação legal (art. 83, CC): Ex.: as energias que tenham valor
econômico; os direitos reais sobre objetos móveis (ex.: penhor) e as ações correspondentes; os
direitos pessoais de caráter patrimonial (ex.: direitos autorais) e respectivas ações
OBS.: navios e aeronaves admitem hipoteca e possuem registro especial, e desta feita, para alguns,
se trata de bens imóveis. Contudo, veja que as peculiaridades registradas têm natureza acessória, o
que impede que mudem a natureza do principal. São, portanto, bens móveis especiais. Frise-se,
inclusive, que os direitos reais sobre eles são bens móveis, nos termos do art. 83, CC. Teoria Geral
do Fato jurídico

Quanto a dependência:
C. Bem principal
D. Bem acessório
art. 92, CC, consagra o princípio da gravitação jurídica cujo teor preconiza que “o acessório segue o
principal” - Frise que esse princípio não se aplica apenas aos bens, mas também aos contratos, etc.
Modalidades:
d.1 frutos: saem do principal sem diminuir sua quantidade
→ Naturais: que decorrem da essência. Ex.: frutas.
→ Industriais: que decorrem da atividade humana. Ex.: cimento
→ Civis: que são rendimentos. Ex.: juros, aluguel, etc.
d.2 produtos: são bens que saem do principal diminuindo esse.
d.3: pertenças: não constituem partes integrantes, servem de modo duradouro ao uso, serviço ou
embelezamento de outro bem. Como não são partes integrantes são independentes. Podem ser
bens móveis incorporados a bens imóveis ou incorporados a bens móveis, ambos pela vontade do
homem (acessão intelectual). Em regra, a pertença não segue o bem principal, salvo se resultar da
lei, manifestação da vontade ou circunstâncias do caso.
OBS.: Circunstâncias do caso – se a pertença for essencial ao bem principal seguirá esse. Ex.:
piano no conservatório musical.
d.4 partes integrantes: são bens acessórios que estão unidos ao bem principal formando com o
último um todo indivisível. Não tem autonomia (diferente das pertenças), ou seja, só tem
funcionalidade com o principal. Ex.: lâmpada no lustre.
d.5 benfeitorias: são acréscimos e melhoramentos introduzidos no bem principal, sendo certo que
podem ser de três tipos:
→ Necessárias: conservação e manutenção do bem.
→ Úteis: facilitam o uso. Ex.: corrimão da escada.
→ Voluptuárias: mero deleite ou recreio. Ex.: sauna, piscina.
OBS.: a melhor diferenciação entre pertença e benfeitoria voluptuária é a de que a primeira é uma
incorporação realizada pelo proprietário, enquanto a segunda é uma incorporação realizada por
quem não é proprietário.
Quanto ao uso
E. Fungíveis: podem ser substituídos por outro da mesma espécie, qualidade, quantidade
F. Infungíveis: são os que não podem ser substituídos por outros
Obs.: A fungibilidade é relativa, pois resulta não somente da lei, mas também da vontade humana.
Tal classificação possui inúmeras importâncias práticas, como, por exemplo, se um bem é fungível,
sobre ele recairá o mútuo, ao passo que, se infungível, sobre ele recairá o comodato. Vejamos as
principais características de cada um deles.
Quanto ao consumo
G. Consumíveis: o uso importa sua destruição imediata
H. Inconsumíveis: o seu uso não importa a destruição imediata
Obs.: relatividade – os bens consumíveis podem se tornar inconsumíveis, ou mesmo o inverso, pela
vontade das partes
Quanto a divisibilidade
I. Divisíveis
J. Indivisíveis
Obs.: relatividade – os bens naturalmente divisíveis podem se tornar indivisíveis por determinação
da lei ou vontade das partes
Quanto a individualidade
K. Singulares: embora reunidos, são considerados distintos, isolados uns dos outros.
Espécies: simples, compostos (formados por partes distintas), materiais (bens corpóreos),
imateriais (bens incorpóreos)
L. Coletivos/ Universais: bens formados por coisas simples que agregados formam um todo – perdem
individualidade (destinação unitária).Espécies:
universalidade de fato: conjunto de coisas materiais singulares, simples ou compostas, reunidas em
coletividade pela vontade da pessoa, tendo distinção comum. Ex: um rebanho, uma bicicleta, frota de
automóveis.
universalidade de direito: conjunto de coisas materiais ou imateriais, corpóreas ou incorpóreas que
tem caráter coletivo, no entanto, a lei atribui caráter unitário. Sendo formada por um completo de
relações jurídicas com vínculo resultante da lei. Ex.: herança, massa falida.
Quanto à possibilidade de serem negociados:
M. No comercio: negociáveis.
N. Fora do comercio: bens insuscetíveis de apropriação (pela natureza – ex. ar), legalmente inalienáveis
(pela lei – ex. bens de uso comum, bens de uso especial, bens dos incapazes, valores e direitos da personalidade, bem de
família) ou indisponíveis pela vontade humana ( ex.: bens com clausula de inalienabilidade – impenhorabilidade e
incomunicabilidade dos bens – súmula 49 STF)

Quanto ao titular de seu domínio:


R. Públicos – bens de uso comum, bens de uso especial e bens dominicais
S. Privados

++ BENS PÚBLICOS:
A) BENS DE USO COMUM DO POVO B) BENS DE USO ESPECIAL C) BENS DOMINICAIS

São aqueles utilizados pela


São aqueles destinados à utilização geral São aqueles que não estão sendo utilizados para
Administração para a prestação dos
pelos indivíduos, podendo ser utilizados nenhuma destinação pública (estão desafetados),
serviços administrativos e dos serviços
por todos em igualdade de condições, abrangendo o denominado domínio privado do
públicos em geral, ou seja, utilizados pela
independentemente de consentimento Estado.
Administração para a satisfação de seus
individualizado por parte do Poder Exs: terras devolutas, terrenos de marinha, prédios
objetivos.
Público (uso coletivo). públicos desativados, móveis inservíveis, dívida ativa
Exs: prédio onde funciona um órgão
Exs: ruas, praças, rios, praias etc. etc.
público.

 BEM DE FAMÍLIA:
FUNDAMENTO JURÍDICO: eficácia horizontal dos direitos fundamentais – teoria do estatuto do patrimônio
mínimo (p. do mínimo legal)
- Duas espécies de bem de família: bem de família voluntário (art. 1.711 e segs., CC) e bem de família legal
(Lei n.º 8.009/90).
Art.789,CPC: O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas
obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
CLASSIFICAÇÃO: VOLUNTÁRIO/ CONVENCIONAL X LEGAL

 Voluntário/convencional: é aquele instituído por ato de vontade do casal, da entidade familiar ou de


um terceiro, mediante registro imobiliário, não podendo ultrapassar de 1/3 do patrimônio líquido da
entidade familiar. (arts. 1711 a 1722 do Código Civil);
Gera 2 efeitos principais: a impenhorabilidade por dívidas futuras (art. 1715, CC) e a inalienabilidade do
referido imóvel (art. 1716, CC) – NÃO SÃO ABSOLUTAS.
EX.: por dívidas condominiais ou tributos incidentes sobre o bem.
Exemplos: A impenhorabilidade do bem de família é oponível às execuções de sentenças cíveis decorrentes
de atos ilícitos, salvo se decorrente de ilícito previamente reconhecido na esfera penal. Cabe a penhora do
bem de família para pagamento de dívidas de pensão decorrente de vínculo familiar ou de ato ilícito (art.
3º, III, da Lei nº 8.009/90).
Por outro lado, não é cabível a penhora de bem de família para o pagamento de indenização por ato
ilícito, salvo se decorrente de ilícito previamente reconhecido como crime na esfera penal. Isso porque aí
se enquadrará no inciso VI do art. 3º. STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1619189/SP, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 25/10/2016.
A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família. Parágrafo único. Dissolvida a
sociedade conjugal pela morte de um dos cônjuges, o sobrevivente poderá pedir a extinção do bem de
família, se for o único bem do casal. Art. 1.721.
Bens de família de alto padrão: não estão excluídos, em razão do seu valor econômico, da proteção
conferida pela Lei nº 8.0009/90 aos bens de família.
INOVAÇÕES DO CC/02: 1) O valor do bem de família não poderá ultrapassar o teto de 1/3 do patrimônio
líquido dos seus instituidores. 2) Admitiu-se, ainda, a possibilidade de se agregar renda ou valor mobiliário
para a instituição desta forma voluntária de bem de família. Vale lembrar que essa renda ou valor se torna
impenhorável junto com o bem de família, bem como deve se limitar ao valor de 1/3 também – não pode
exceder ao valor do prédio instituído como bem de família.

 Legal: Instituído pela lei 8009/90, sua instituição independe de ato de manifestação de vontade do
casal, da entidade familiar ou de terceiros. A Lei, de uma forma geral e irrestrita, estabelece,
independentemente de qualquer ato específico, que o imóvel residencial do casal ou da entidade
familiar estará protegido pela impenhorabilidade, não podendo ser, portanto, penhorado para
satisfação das dívidas por eles contraídas. Ademais, diferentemente do bem de família voluntário, não
se fala aqui em inalienabilidade.

Aplicabilidade: A “Entidade familiar” - O STJ tem o conceito mais amplo possível de entidade familiar,
porque, apesar de o bem ser denominado de bem de família, o que o STJ busca, efetivamente,
proteger, com a Lei 8.009/90, não é propriamente a família, mas sim o direito fundamental à moradia
do devedor. Abrangendo as famílias monoparentais, homossexuais e etc. Súmula 364 – STJ: O conceito
de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras,
separadas e viúvas.

Ademais, na hipótese de o casal ou a entidade familiar ser possuidor de vários imóveis utilizados como
residências, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor, salvo se o outro tiver sido instituído como
bem de família voluntário (art. 5)
STJ- Súmula nº 205 - 01/04/1998 - A Lei nº 8.009-90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência.
A proteção da Lei n.º 8.009 é ampla, compreendendo bem móveis quitados e favorecendo até mesmo o
locatário (parágrafo único do art. 1º e art. 2º). Já houve decisões no Brasil protegendo televisão, ar
condicionado, computador, e até mesmo, teclado musical. (REsp 218.882/SP).
IMPENHORABILIDADE:
Art. 3o, Lei 8009/90: Art. 3o A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil,
fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:
I - em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições
previdenciárias;
II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do Imóvel,
no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato;
III -- pelo credor de pensão alimentícia;
III – pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que,
com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão
pela
Dívida;
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel
familiar;
V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade
familiar;
VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a
ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.
VII-por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação e
VIII - para cobrança de crédito constituído pela Procuradoria-Geral Federal em decorrência de benefício
previdenciário ou assistencial recebido indevidamente por dolo, fraude ou coação, inclusive por terceiro
que sabia ou deveria saber da origem ilícita dos recursos.

OBS.: o próprio STF já firmou entendimento no sentido de que a cobrança da taxa condominial também
pode levar à penhora do imóvel (RE 439.003/SP). Por outro lado, o STJ tem entendido, conforme o recente
julgado no AgRg no REsp 137.4805/SP, que contribuições criadas por associação de moradores não se
equiparam a despesas de condomínio, para efeito de penhora.
STJ: Não se pode penhorar o bem de família com base no inciso IV do art. 3º da Lei 8.009/90 se o débito de
natureza tributária está relacionado com outro imóvel que pertencia ao devedor
Inciso V: se o devedor voluntariamente constitui a hipoteca para garantir dívida contraída em benefício do
casal ou entidade familiar, não poderá, a luz do princípio da confiança e da regra proibitiva do venire,
pretender posteriormente voltar atrás, alegando a proteção do bem de família. Tem que provar que a
família foi beneficiada (AgRg no Ag 115.2734/SP, AgRg no AREsp 72.620/DF, REsp 988.915/SP). No entanto,
o próprio STJ, invocando a irrenunciabilidade da proteção legal, admite que o devedor possa voltar atrás
invocando a proteção ao bem de família, caso haja apenas INDICADO O BEM À PENHORA (AgRg no REsp
813.546/DF, REsp 875.687/RS).
O STJ, contudo, ao interpretar esse inciso, faz a seguinte distinção:

1) Se o imóvel foi dado em garantia de uma dívida que beneficiou o 2) Se o imóvel foi dado em garantia de uma dívida que
casal ou entidade familiar: beneficiou um terceiro:
Este bem poderá ser penhorado. Este bem NÃO poderá ser penhorado.
A situação se enquadra no inciso V do art. 3º. A situação NÃO se enquadra no inciso V do art. 3º.
Ex: Antônio toma um empréstimo junto ao banco (contrato de Ex: João toma um empréstimo junto ao banco a fim de pagar
mútuo) a fim de pagar a faculdade de sua filha. Ele oferece o seu tratamento médico de seu filho. Ele precisava dar uma garantia
apartamento em hipoteca como garantia da dívida. Se Antônio real para o caso de não pagar as parcelas do mútuo. Como não
deixar de pagar as prestações, o banco poderá executar a tinha nenhum bem para oferecer em garantia, pediu ajuda a seu
hipoteca, ou seja, vender o apartamento e utilizar o dinheiro amigo Pedro. Assim, Pedro ofereceu a sua casa em hipoteca como
para quitar o saldo devedor. garantia de uma dívida de terceiro (João).
Trata-se de situação que se enquadra no inciso V do art. 3º (é Se João não conseguir pagar as parcelas combinadas, a empresa
uma exceção à proteção do bem de família). NÃO poderá executar a hipoteca e vender a casa. Isso porque se
trata de bem de família e NÃO se enquadra na exceção do inciso V
do art. 3º.

Em outras palavras, o fato de a hipoteca não ter sido registrada não pode ser utilizado como argumento
pelo devedor para evitar a penhora do bem de família. STJ. 3ª Turma. REsp 1.455.554-RN, Rel. Min. João
Otávio de Noronha, julgado em 14/6/2016 (Info 585).
Inciso VII: a despeito de toda crítica doutrinária, o STJ já firmou entendimento, inclusive reconhecendo
repercussão geral, no sentido de que é constitucional e possível a penhora do bem de família do fiador na
locação geral. Ainda que o fiador renuncie ao benefício de ordem, sua obrigação é subsidiária. Se a pessoa
tem um imóvel familiar, ele é impenhorável, enquanto o do fiador não.
Súmula 549 do STJ: É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação. STJ.
2ª Seção. Aprovada em 14/10/2015, DJe 19/10/2015.
Jurisprudência:
#STJ: É possível a penhora de bem de família de condômino, na proporção de sua fração ideal, se
inexistente patrimônio próprio do condomínio para responder por dívida oriunda de danos a terceiros.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.473.484-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/06/2018 (Info 631).
#IMPORTANTE
#STJ: O bem de família é IMPENHORÁVEL quando for dado em garantia real de dívida por um dos sócios da
pessoa jurídica, cabendo ao credor o ônus da prova de que o proveito se reverteu à entidade familiar. O
bem de família é PENHORÁVEL quando os únicos sócios da empresa devedora são os titulares do imóvel
hipotecado, sendo ônus dos proprietários a demonstração de que não se beneficiaram dos valores
auferidos. Assim é possível a penhora de bem de família dado em garantia hipotecária pelo casal quando os
cônjuges forem os únicos sócios da pessoa jurídica devedora. STJ. 2ª Seção. EAREsp 848498-PR, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 25/04/2018 (Info 627).
O STJ entende que imóvel pertencente à pessoa jurídica de conotação familiar está protegido pela
impenhorabilidade, se o casal ou entidade familiar nele residir.
Segundo a redação literal da súmula 486-STJ,é impenhorável o único imóvel RESIDENCIAL do devedor que
esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a
moradia da sua família.
Afasta-se a proteção conferida pela Lei nº 8.009/90 ao bem de família, quando caracterizado abuso do
direito de propriedade, violação da boa-fé objetiva e fraude à execução.
STJ considera impenhorável a renda de aluguel proveniente do único bem de família ( bem de família
indireto) - súmula 486 do STJ: “É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a
terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua
família”.
GARAGEM DE UNIDA HABITACIONAL X PENHORABILIDADE:
Súmula 449, STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui
bem de família para efeito de penhora. -> Nota-se que a ideia é de que a vaga de garagem que TEM
MATRICULA PRÓPRIA, integra o imóvel residencial, razão pela qual pode ser protegida pelo instituto do
bem de família.
conta de poupança vinculada a financiamento para aquisição de imóvel – alcançada pela
impenhorabilidade

Renúncia do bem de família:


Deve ser afastada a impenhorabilidade do único imóvel pertencente à família na hipótese em que os
devedores, com o objetivo de proteger o seu patrimônio, doem em fraude à execução o bem a seu filho
menor impúbere após serem intimados para o cumprimento espontâneo da sentença exequenda
 TEORIA DO FATO JURÍDICO
CORRENTES:
1ª corrente: Todo evento natural ou humano que produz efeitos jurídicos, seja pela criação,
modificação, extinção ou conservação de direitos e deveres (Maria Helena Diniz, Orlando Gomes, Caio
Mário, Washington de Barros Monteiro, Silvio Rodrigues e Silvio Venosa). Ex.: choveu – não é fato
jurídico, em princípio. Chuva que alagou o estacionamento e causou vários danos. Nesse caso, é sim
fato jurídico.
2ª corrente: todo aquele que estabelece uma relação jurídica. Não é necessário que produza efeitos
em concreto; basta que seja ato/capaz a produção de efeitos. Não exige a eficácia em si, apenas a
potencialidade (Pablo Stolze, Rodolfo Pamplona, Flávio Tartuce, Gustavo Tepedino, Francisco Amaral).
Ex.: lavratura de um testamento e o autor ainda não morreu. Ele revoga depois e o ato nunca produzirá
efeitos, mesmo assim é fato jurídico. Essa segunda corrente tem por base a divisão dos fatos/negócios
jurídicos em planos de existência, validade e eficácia. Não é necessário preencher os três planos para
que o ato seja considerado jurídico. Ela está em consonância com o que determina o CC.
CLASSIFICAÇÃO:

a) Fato jurídico stricto sensu/natural: eventos da natureza com importância pro direito
a.1- Ordinários: fatos comuns da vida – o simples decurso do tempo os provoca. Sendo eles:
concepção, nascimento, maioridade, morte, prescrição e decadência (doutrina majoritária)
a.2 Extraordinários: acaso – caso fortuito e força maior, são excludentes da responsabilidade civil,
pois excluem o nexo de causalidade. Há diversas correntes que conceitual fato fortuito e força
maior, em regra, convergem quanto a serem excludentes de responsabilidade civil.
b) Fato jurídica humano: eventos caracterizados pela manifestação e vontade.
b.1) atos lícitos b.2) atos ilícitos
 Ato jurídico lato sensu
Manifestação de vontade que está de acordo com o ordenamento jurídico.
volitivo + licitude
(manifestação de vontade )
É um fato jurídico (tem importância para o direito) humano (manifestação de vontade) e lícito. Por isso o ato ilícito é
espécie de fato e não de ato jurídico (pela segunda corrente citada). Ele é gênero, do qual são espécies:
a) Ato jurídico stricto sensu: toda manifestação de vontade que produz efeitos impostos pelo
ordenamento jurídico. O conteúdo e as consequências do ato estão predeterminados em lei.
A autonomia se restringe a praticar ou não o ato. Ex.: reconhecimento voluntário do filho (perfilhação).
b) Negócio jurídico: é toda manifestação de vontade que produz efeitos desejados pelas partes e
permitidos por lei. A lei atua como simples limite. As partes podem exercer a autonomia privada na
determinação do conteúdo e das consequências do negócio jurídico. Ex.: contrato
c) Ato-fato jurídico: fato jurídico qualificado por uma atuação humana. Introduz consequências
independentemente da análise da capacidade das partes. Criação doutrinária para reconhecer a
validade e a eficácia de atos que não passariam na análise dos requisitos do negócio jurídico. o foco
é a consequência e não na manifestação de vontade. Ex.: a compra de um salgado por uma criança
 TEORIA GERAL DO NEGÓCIO JURÍDICO
Escala Ponteana
EXISTENCIA VALIDADE EFICÁCIA
AGENTE CAPACIDADE E LEGITIMIDADE CONDIÇÃO
OBJETO LICITO, POSSIVEL, DETERMINADO OU DETERMINÁVEL TERMO
VONTADE LIVRE E BOA FÉ MODO
FORMA LIVRE OU PRESCRITA EM LEI CONSEQUENCIAS DO INADIMPLEMENTO
SÃO OS ELEMENTOS DO N. JURÍDICO SÃO A QUALIDADE DOS ELEMENTOS SÃO OS FATORES ACIDENTAIS

Lei da liberdade econômica – nº 13.874/19


“Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração.
§ 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que:
I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração do negócio;
II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio;
III - corresponder à boa-fé;
IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável; e
V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre a questão discutida, inferida das demais disposições do
negócio e da racionalidade econômica das partes, consideradas as informações disponíveis no momento de sua celebração.
§ 2º As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos
negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei.”

DEFEITOS NO NEGÓCIO JURÍDICO


ALICERCE DO NEGÓCIO JURÍDICO
LIBERDADE + AUTORRESPONSABILIDADE
(iniciativa consciente) (necessidade de suportar as cons. do próprio ato)

Vício da vontade/do consentimento – o defeito está na formação da vontade (vontade interna)


O prejudicado é um dos contratantes (erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo).
Vícios sociais – o defeito está na manifestação da vontade (vontade externa) – intuito de prejudicar
prejudicado é sempre um terceiro (simulação e fraude contra credores).

1. ERRO: Falsa percepção da realidade ocasionando um erro substancial sobre as circunstâncias do


negócio, podendo ser percebido por pessoa normal, estando a declaração de vontade viciada.
GERA ANULABILIDADE
A doutrina clássica exige 2 pressupostos:
erro essencial ou substancial + erro escusável ou perdoável (Homem médio cometeria o mesmo erro)
Autores modernos insurgem contra esse último pressuposto, pois não seria justo exigir da vítima a prova de
que o erro era escusável, pois ela confiou na outra parte (p. da confiança).O ENTENDIMENTO CONFORME BANCA.
ESPÉCIES: SOBRE O OBJETO, SOBRE O NEGÓCIO OU SOBRE A PESSOA.
(1) Erro sobre objeto – incide nas qualidades do próprio objeto do negócio jurídico. Ex.: compra biju pensando ser ouro.
(2) Erro sobre negócio (erro de direito) – incide na própria categoria jurídica do negócio que se realiza; imagina-se
estar celebrando um negócio por outro. Ex.: achou que era comodato (empréstimo gratuito de coisa infungível), mas era aluguel.
(3) Erro sobre pessoa – natureza da pessoa, com especial aplicação no direito de família (art. 1556 e 1557), é aquele
que incide sobre a identificação da outra parte do negócio.
Ex.: casamento - para maioria da doutrina é negócio jurídico de natureza especial.
O erro deve ser substancial (motivo principal do NJ) ocasiona a ANULAÇÃO,
caso seja acessório, retifica-se a declaração de vontade
DOLO: Ocorre quando o negócio jurídico foi eivado de má-fé - quando um 3º ou uma das partes do
N.J. utiliza algum artificio para induzir a outra parte do N.J. a praticar um ato que lhe seja prejudicial
PARA QUE O DOLO INVALIDE O NEGÓCIO, ELE DEVE SER PRINCIPAL E NÃO MERAMENTE ACIDENTAL
Dolo bilateral- quando as partes tentam reciprocamente enganar uma à outra -> Não podem alegá-lo para
anular o negócio jurídico ou reclamar indenização.
Dolo negativo – à luz do princípio da boa-fé objetiva, do dever de informação, e a teor do art. 147 do CC,
consiste no silêncio intencional ou omissão dolosa que induza a parte ao erro.
Dolo de terceiro – quando um 3º induz a parte ao erro. Há a anulação e a indenização em prejuízo do
terceiro e do beneficiário. ATENÇÃO: Se o beneficiário não sabia nem poderia saber, o negócio não é
anulável, respondendo pelas perdas e danos apenas o terceiro.

COAÇÃO: emprego da coação moral/psicológica (vis compulsiva) para conduzir a vítima na realização do
negócio jurídico, contra sua própria vontade, podendo esta coação atingir pessoa da família, bens ou
pessoa próxima.
GERA ANULABILIDADE
Análise do caso concreto para observar se houve coação.
ESPÉCIES DE COAÇÃO
Coação física (vis absoluta) Coação moral (vis compulsiva)
Emprego da violência física Emprego da violência moral/psicológica
Inexistência do negócio: por ausência de vontade Anulabilidade do negócio: por vontade viciada

+ a coação proveniente de terceiro: poderá anular o negócio jurídico, se o beneficiário dele soubesse ou
tivesse como saber (art. 154 e 155). O art. 154 prevê solidariedade entre o beneficiário e o terceiro coator no
pagamento da indenização, previsão esta que não há na norma específica do dolo de terceiro (art. 148). Essa
coação de terceiros envolve negócios comuns. Os negócios especiais, em que a vontade deve ser plenamente
livre, não se subordinam à manutenção sem voluntariedade, como no casamento e testamento.
Obs.: nos termos do art. 153, não se considera coação a ameaça do exercício regular de um direito (ex.: ameaça
colocar SPC, quando cobra um crédito), nem o simples temor reverencial (Ex.: respeitar o sogro).

ESTADO DE PERIGO: configura-se quando o agente, diante de uma situação de perigo de dano,
conhecida pela outra parte, assume uma obrigação excessivamente onerosa.
De todos os defeitos, na perspectiva do princípio da função social, certamente é o mais grave e emergencial
diante do grave perigo de dano à vida, à integridade física ou a outros direitos da personalidade .
GERA ANULABILIDADE
dolo de aproveitamento: a parte beneficiária tinha conhecimento da situação de perigo de dano
LESÃO: É o vício do negócio jurídico caracterizado pela onerosidade excessiva em sua formação, em
decorrência de uma situação de premente necessidade ou inexperiência.
GERA ANULABILIDADE
Prestação desproporcional + Preemente necessidade + Inexperiência
(onerosidade excessiva) (técnica, negocial, jurídica)
Consequência: anulabilidade do negócio jurídico por meio da Ação Anulatória, no prazo decadencial de 4 anos,
a contar da celebração do negócio, mesmo que tenha conhecimento depois (no CDC conta do conhecimento do
fato, privilegiando a justiça e não a segurança, como geralmente ocorre no direito civil).
Princípio da conservação dos contratos:a anulação pode ser evitada, se for oferecido suplemento suficiente ou
se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.
OBS.: NÃO REQUER O CONHECIMENTO DA PARTE
distinção entre a lesão e a onerosidade excessiva: A diferença é que na lesão o negócio jurídico já nasce
viciado, enquanto no caso da teoria da imprevisão não. Na lesão o vício é congênito. Ao contrário da
teoria da imprevisão, onde o contrato nasce válido, e devido ao fato imprevisível e inevitável, que altera
substancialmente a base do contrato, acaba por tornar a prestação excessivamente onerosa para uma das
partes. A saída encontrada pelos protagonistas é a revisão do contrato (CC, art. 479), ou até mesmo a
extinção do negócio, essa como última medida. A resolução por onerosidade excessiva encontra-se
regulamentada no art. 478 do Código Civil33.

SIMULAÇÃO: Manifestação de vontade com desacordo proposital entre a vontade interna (intenção)
e a vontade externa (manifestação/declaração).
É UM VICIO SOCIAL – NA VONTADE EXTERNA
SIMULAÇÃO RESERVA MENTAL
Na simulação os contratantes agem em conluio para prejudicar 3º O declarante age sozinho, sem qualquer conluio com o declaratário
A reserva mental NÃO INVALIDA o NJ.
INVALIDADE O N.J. MAS, se a outra parte (declaratário) tinha conhecimento da reserva
mental, o negócio jurídico será nulo (art. 110 CC)

Natureza jurídica: (1) simulação ainda como espécie de vício social, em que pese o deslocamento da matéria no
CC/02 para o capítulo que trata das invalidades. Vício da vontade/do consentimento – o defeito está na formação
da vontade – MHD, Stolze, Tartuce. (2) simulação como simples causa de nulidade – Gonçalves e Francisco
Amaral. Prova – segunda corrente.
Consequências: AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE: Único que o legislador determina A NULIDADE
DO NEGÓCIO JURÍDICO, os demais são causas de anulabilidade.
Pode ser alegada por qualquer pessoa, até mesmo pela parte que participou do NJ simulado.
Imprescritível - Tanto a simulação absoluta como a relativa determinam a nulidade do negócio. Entretanto, a
extensão da nulidade (parte do negócio ou o negócio por inteiro, se possível, pois se o negócio dissimulado não preencher os requisitos legais também
levará à nulidade) varia de acordo com a espécie de simulação.

STJ: basta que se comprove a 4 elementos;


I anterioridade do crédito/ II –prejuízo/ III –redução da insolvência/ IV –conhecimento do terceiro

ESPÉCIES: ABSOLUTA E RELATIVA


a) Simulação absoluta: é aquela que tem a aparência de um negócio, mas na essência as partes não
desejam realizar qualquer negócio. Há negócio simulado e não há negócio dissimulado.
Ex.: marido que simula negócio com amigo para prejudicar a esposa na partilha dos bens. Tudo é mentira, logo, tudo é nulo

b) Simulação relativa: é aquele que tem a aparência de um negócio, mas na essência as partes
desejam
realizar negócio diverso. ATENÇÃO – o negócio dissimulado só será válido se preencher os demais
requisitos substanciais e formais exigidos em lei. Nem tudo é mentira, logo, nem tudo é nulo! Pode ser
subjetiva – o elemento falso é subjetivo, isto é, um dos contratantes ( ex.: se vale de interposta pessoa para
fazer doação à amante. Usa a mãe da amante. Art. 550 do CC proíbe a doação à amante. Interposta pessoa = testa de ferro,
laranja. Nesse caso o negócio será nulo por inteiro, pois o negócio dissimulado não preenche os requisitos substanciais e
formais); e objetiva – o elemento falso diz respeito ao próprio objeto, sua natureza, data, condição,
cláusula, etc. Ex.: a escritura pública de imóvel com valor abaixo do real.
Podendo ainda se dividir:
Simulação maliciosa  (tem como objetivo prejudicar terceiro ou fraudar lei imperativa)
Simulação inocente (não tem o objetivo de prejudicar terceiro ou fraudar lei imperativa)

FRAUDE CONTRA CREDORES: vício social do negócio jurídico presente quando o devedor insolvente,
ou que beira a insolvência, realiza negócios gratuitos ou onerosos, com o intuito de prejudicar
credores.
Disposição Onerosa: COLUSÃO FRAUDULENTA ENTRE AS PARTES + PREJUIZO AO CREDOR
Disposição Gratuita: BASTA O PREJUÍZO AO CREDOR (eventos damn)
A simulação consiste em um vício social, ou seja, sempre visa prejudicar uma terceira pessoa, ainda que não definida,
enquanto na fraude contra credores a investida fraudulenta é destinada a prejudicar o credor.

Consequências: são anuláveis (art. 171, CC) – prova objetiva. A ação anulatória é chamada de pauliana (origem
romana) ou ação revocatória - art. 161: deverá ser proposta contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou o
negócio fraudulento e terceiros adquirentes de má fé – litisconsórcio passivo necessário.

ATENÇÃO
Os defeitos do negócio jurídico como erro, dolo, coação, lesão e estado de perigo, podem ser discutidos como questões principais no
processo através de uma ação anulatória, ou então, até mesmo de forma incidental. Por via incidental, hipoteticamente, poderia ocorrer
na hipótese de alguém ajuizar ação de adimplemento contratual (questão principal), e parte contrária, em sua defesa, alegar algum vício
social quando da celebração do contrato(questão incidental). Por outro lado, quando falamos em fraude contra credores, tem-se o
manejo de uma ação própria, denominada de Ação Pauliana, também denominada de Ação Revocatória, que tem o mesmo sentido de
uma ação anulatória. Todavia, neste caso, não é possível suscitar a fraude contra credores por via incidental.

PROVA SUBJETIVA: Cresceu na doutrina e na jurisprudência a tese de que o reconhecimento da fraude gera a ineficácia do
negócio. Portanto, provado pelo credor os requisitos, a alienação será ineficaz em relação ao credor, considerando-se como se nunca
tivesse produzido efeitos. Estenderam à fraude os mesmos efeitos da fraude à execução, institutos que não se confundem.

ATENÇÃO: Fraude não ultimada ou não aperfeiçoada - Consagra o princípio da conservação do negócio jurídico.
Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pagado o preço e este for, aproximadamente, o
corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a citação de todos os interessados. Se inferior, o
adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o preço que lhes corresponda ao valor real. (art. 160 CC)
+ Fraude contra credores e boa-fé -> art. 164: A boa-fé objetiva nesse caso está relacionada a 2
conceitos: (i) função social da empresa (quando a lei menciona negócios ordinários indispensáveis à manutenção de
estabelecimento) e
(ii) valorização da ideia de patrimônio mínimo (quando a lei fala em subsistência do devedor e de sua família).
NÃO CONFUNDIR
FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO
Instituto de direito civil. Instituto de direito processual civil.
O devedor tem ações executivas ou condenatórias propostas
O devedor tem obrigações assumidas e aliena o patrimônio. 
contra si e aliena o patrimônio. 
Fraude à parte, ou seja, envolve ordem privada. Fraude ao processo, ou seja, envolve ordem pública. 
Há necessidade de uma ação específica (pauliana) para o seu Não há necessidade de uma ação específica para o seu
reconhecimento.  reconhecimento. 
Os atos praticados são inválidos (sentença constitutiva negativa) – Os atos praticados são ineficazes (decisão declaratória) –
plano da validade.  plano de eficácia. 

 Prazos para anulação do Negócio Jurídico -> 4 anos – PRAZO DECADENCIAL


No de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o N.J.
No caso de coação, do dia em que ela cessar;
No de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
OBS: Divergência acerca do momento da realização do negócio jurídico.
P/ a doutrina majoritária é a data da escritura
P/ a jurisprudência majoritária é a data do registro imobiliário.
 DA INVALIDADE NOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
NULIDADE ANULABILIDADE
Negócio é nulo. No CC/16 se falava em nulidade absoluta. Negócio é anulável. No CC/16 se falava em nulidade relativa. No
No CC/02 nulidade é sempre absoluta.  CC/02 anulabilidade é sempre relativa
Ação declaratória de nulidade – (1) majoritária -
Ação anulatória – prazo especial. Estão espalhados no Código
imprescritível, com base no art. 169 do CC, jurisprudência e
Civil. Há um prazo geral, quando não houver prazo específico –
doutrina. (2) Prescreve em 10 anos, que é prazo geral de
art. 179, CC – 2 anos. Ex.: a anulação da venda de ascendente
prescrição no art. 205 CC. Caio Mário.
para descente. Art. 496. Súmula 494 do STF está superada. Ex
(3) Declaração de nulidade é imprescritível, mas para desfazer
nunc.
os efeitos patrimoniais teria um prazo de 10 anos. – Stolze e
enunciado 536/CJF. Ex tunc.
Ação declaratória de nulidade – (1) majoritária - Ação anulatória – prazo especial.
imprescritível, com base no art. 169 do CC, jurisprudência e Estão espalhados no Código Civil.
doutrina. (2) Prescreve em 10 anos, que é prazo geral de Há um prazo geral, quando não houver prazo específico – art.
prescrição no art. 205 CC. Caio Mário. (3) Declaração de 179, CC – 2 anos. Ex.: a anulação da venda de ascendente para
nulidade é imprescritível, mas para desfazer os efeitos descente. Art. 496. Súmula 494 do STF está superada . Ex nunc.
patrimoniais teria um prazo de 10 anos. – Stolze e enunciado
536/CJF. Ex tunc.
Hipóteses: (1) art. 166 + 167; Hipóteses: art. 171 –
(2) casos expressos espalhados pelo CC (nulidades expressas); (1) incapacidade do agente;
(3) quando a lei proíbe a prática de um ato e não estabelece (2) vícios do CC; e
sanção – nulidade virtual. Art. 166, VII. (3) casos expressos.
Interesse público (norma de ordem pública). Interesse particular (norma de ordem privada).
Coisa julgada erga omnes. Coisa julgada inter partes.
Juiz deve declarar de ofício. Juiz não pode declarar de ofício.
Não pode ser sanado/suprido/convalidado, mas pode ser Pode ser suprido/sanado – confirmação ou
objeto de conversão. assentimento/convalidado (gênero). Ex.: simples decurso do tempo.

Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.
OBS.: Só os negócios anuláveis podem ser confirmados. A “confirmação” do negócio anulável (art. 173 e 174) não se
confunde com a conversão do negócio jurídico inválido (art. 170). Isso porque, a confirmação mantém os elementos
do negócio, sem que haja uma nova categorização jurídica.

Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.

Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a
anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - Celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - For ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - O motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - Não revestir a forma prescrita em lei;
V - For preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - Tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - A lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.

Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - Por incapacidade relativa do agente;
II - Por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.
OS NEGÓCIOS JURÍDICOS PODEM SER CONVALIDADOS OU RENOVADOS

CONVALIDAÇÃO RENOVAÇÃO
Consiste em ratificar um negócio jurídico realizado de
Consiste em fazer o ato ou negócio de novo sem os vícios que o macularam anteriormente.
maneira ilegal ou contrariando as formalidades exigidas.
O ato ou negócio não será refeito, mas
O ato ou negócio será feito novamente, agora de maneira correta.
apenas confirmado.
Os efeitos da renovação não são retroativos (eficácia ex nunc). Trata-se de um novo
Os efeitos da convalidação são retroativos negócio, completamente autônomo em relação ao primeiro (nulo), tendo validade,
(eficácia ex tunc). portanto, a partir da data em que for celebrado, desprezando-se completamente o tempo
transcorrido entre o negócio jurídico nulo e o novo negócio realizado.
Não é possível a convalidação de negócio jurídico nulo. É possível a renovação de negócio jurídico nulo.

 CONVERSÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO:


Medida sanatória, por meio da qual aproveitam-se os elementos materiais de um negócio inválido,
convertendo-o em outro negócio válido e de fins lícitos.
a) Requisito material: aproveitamento dos elementos fáticos do negócio inválido para convertê-lo em
negócio válido.
b) Requisito imaterial: se as partes tivessem previsto a nulidade teriam aquiescido o negócio convertido.
Ex. compra e venda de apartamento entre João e Pedro. Por ignorância lavraram instrumento particular, mesmo
sendo imóvel de valor maior de 30 salários mínimos. Um terceiro da família do devedor ajuizou ação declaratória de
nulidade. Vício de forma é absoluto. Pode ser convertido em promessa de compra e venda, que não exige a forma
pública.
OBS.: O juiz não pode suscitar de ofício a conversão. (João Del Nero)
 Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim
a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.
Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.
Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de
mantê- lo.
Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor,
ciente do vício que o inquinava.

 Plano da eficácia: elementos acidentais para o negócio jurídico produzir efeitos.

CONDIÇÃO TERMO ENCARGO OU MODO


Relaciona a eficácia do negócio jurídico a evento Relaciona a eficácia do negócio jurídico a É um ônus introduzido em
futuro e incerto evento futuro e certo ato de liberalidade.
(“se” e “enquanto”) (“quando”) (“para que” ou “com o fim de”)
Suspende a aquisição e o exercício do direito. Suspende somente o exercício do direito. NÃO suspende a aquisição e o exercício do
direito, salvo se houver previsão.
não tem direito adquirido. Tem direito adquirido Tem direito adquirido
Suspende o termo inicial (condição suspensiva) Suspende o termo (condição suspensiva) Não cumprido o encargo,
ou resolve os efeitos no NJ (condição resolutiva – ou resolve os efeitos do NJ (termo final) cabe a revogação da liberalidade
nesta há direito adquirido)

 Condição
-> Quanto a licitude: lícita ou ilícita
Obs.: condição, em regra, está no plano da eficácia. Porém, o art. 123, CC, prevê casos em que a
condição se desloca para o plano da validade. Trata-se de nulidade absoluta.
->Quanto à possibilidade: possível ou impossível
Obs.: se a condição impossível for suspensiva o negócio jurídico será inteiramente nulo (e não
somente a condição); se resolutiva, será considerada não escrita e o negócio jurídico continua.
->Quanto a origem: causal (relacionada a fato jur. Sentido estrito: fenom. Da natureza)
Condição potestativa: simplesmente ou puramente potestativa
Mista: vontade de um e de outro + fenômeno natural.
Ex.: dou-lhe um carro se você cantar no show e estiver chovendo
+Condição potestativa:
a) simplesmente (meramente potestativa): vontade de um + vontade de outro. É lícita.
b) puramente potestativa: vontade de apenas um. Ex.: dou-lhe um carro se eu quiser.
É ilícita e gera nulidade do negócio jurídico, pois sujeita o negócio ao puro arbítrio
de uma das partes.
->Quanto aos efeitos: suspensiva (não tem d. adquirido) ou resolutiva (tem d. adquirido).

 Termo
Quanto a origem:
a) Legal (decorre da lei). Ex.: inventariante.
b) Convencional (decorre do contrato). Ex.: termo inicial e final da locação.
Quanto à certeza (ou determinação):
a) Determinado: sabe-se que ocorrerá e quando ocorrerá.
b) Indeterminado: sabe-se que ocorrerá, mas não se sabe quando ocorrerá. Ex.: morte.
Quanto ao tempo (aos efeitos):
a) Termo inicial: quando começa o negócio jurídico (dies a quo).
b) Termo final: quando termina o negócio jurídico (dies ad quem).
Obs.: prazo é o lapso temporal existente entre o termo inicial e final.

 Encargo ou modo
Obs.: quando o encargo é ilícito possui o mesmo efeito da condição resolutiva impossível.
Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando
expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.

Art. 555. A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecução do encargo.

Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo
determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer
coisa impossível.
 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Prescrição Decadência/caducidade
extinção da pretensão para o exercício de determinado direito prazo para a extinção de determinado direito potestativo, atinge ações constitutivas
pelo decurso do tempo. Relacionada c/ direitos subjetivos, atinge positivas e negativas (principalmente anulatórias)
as ações condenatórias (ex.: cobranças e reparações de danos)
A PRESCRIÇÃO NASCE COM A EXIGIBILIDADE E A DECADÊNCIA COM O PRÓPRIO DIREITO.
Espécies: São sempre legais, não podendo ser alterados pelas Espécies: legais OU convencionais, podendo estes serem alterados pelas partes
partes
Os prazos são os estabelecidos na lei Os prazos podem ser estabelecidos por leis ou pelas partes a depender da espécie.
Regra geral 10 anos Regra geral: não prazo geral, mas sim um prazo geral de anulação do negócio jurídico
Prazos especiais (art. 206 – CC) (2 anos a contar da celebração).
5, 4, 3, 2, 1 ano (s) Prazos especiais em dias , meses, ano e dia e anos (1 a 5 anos) fora dos era
Deve ser conhecida de ofício pelo juiz Depende da espécie
Podendo ser alegada em qualquer grau de jurisdição pela parte Decadência legal: deve ser reconhecia de ofício pelo juiz, não podendo ser
(respeitado o prequestionamento no RE, REsp) renunciada pela parte.
Obs.: pode ser renunciada pelo devedor Decadência convencional: não pode ser reconhecida de ofício pelo juiz, podendo ser
é admitida a renúncia após o prazo prescricional renunciada após a consumação. Deve ser alegada pelo interessado em qualquer grau
NÃO SE ADMITE RENÚNCIA ANTECIPADA de jurisdição.
Não corre contra conjugues, ascendentes e descendentes, Opera contra todos, exceto em relação aos absolutamente incapazes
tutelados e curatelados, absolutamente incapazes, ausentes do
país a serviço da U E ou M, os que estiverem servindo as forças
armadas em tempos de guerra
Há casos de impedimento, suspensão ou interrupção da prescrição Em regra, não há casos de impedimento, suspensão ou interrupção (salvo regras
específicas)
Não confunda o prazo PRESCRICIONAL que tem o consumidor p/ formular pretensão de reparação civil pelo fato do produto ou do serviço (acidente de
consumo), previsto no art. 27 do CDC (5 anos), c/o prazo DECADENCIAL para se exercer o direito potestativo de reclamar pelo vício do produto ou do
serviço, a teor do art. 26 da mesma Lei (30 ou 90 dias).

 Prescrição:
Espécies: São sempre legais, não podendo ser alterados pelas partes
Prazo geral: 10 anos para quando não houver previsão
Prazos específicos:
5 anos –> pretensão para: dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular; dos
profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos seus honorários,
contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato; do
vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo
+ FAZENDA PÚBLICA: reparação civil contra a FP -> regra quinquênio
+ ação monitória (súm. 503 e 504 STJ) fundada em cheque prescrito, contado da emissão da cartula e
quanto for em face de emitente de nota promissória prescrita, a contar do dia seguinte do vencimento.
+ STJ – REsp 1139030/RJ –Pretensão de cobrança de cotas condominiais é de cinco anos.
4 anos –> pretensão relativa a tutela, a contar da aprovação das contas
3 anos –> pretensão para: aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; para receber rendas temporárias ou
vitalícias; para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias; ressarcimento de
enriquecimento sem causa; reparação civil; restituição de lucros e dividendos recebidos de má fé; violação
da lei ou do estatuto (o prazo para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima; para os
administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada,
ou da reunião ou assembleia geral que dela deva tomar conhecimento e para os liquidantes, da primeira assembleia semestral
posterior à violação); pagamento de título de crédito; beneficiário contra o segurador, e a do terceiro
prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.
+ Seguro DPVAT - súm. 405 STJ
2 anos –> pretensão para: para débitos alimentícios
1 ano –> pretensão para: pagamento de hospedagem e de alimentos; de seguros (data em que é citado ou da
data que indeniza com a anuência do segurado r); dos tabeliães/auxiliares da justiça/ serventuários
judiciais/árbitros e peritos pela percepção de emolumentos, custas e honorários; contra os peritos pela
avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação
da ata da assembleia que aprovar o laudo; dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os
liquidantes (prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade)
OBS. #IMPORTANTE - Transporte aéreo: voo doméstico x voo internacional - PRAZO
p/ responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo doméstico: 5 anos - STJ, aplicando-se o CDC.
p/ responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo internacional: 2 anos - art. 29 da Convenção de
Varsóvia
CAUSAS QUE INTERROMPEM OU SUSPENDEM A PRESCRIÇÃO – arts 198, 199, 202, 204
- A interrupção só pode ocorrer uma única vez
Causa suspensiva ou impeditiva tem a mesma natureza, dependendo apenas do momento em que ocorre
a impeditiva obsta o início do prazo (crédito que surge na constância da sociedade conjugal);
a suspensiva paralisa o prazo que estava em curso (crédito antes da sociedade conjugal)

Par. Único do art. 203/CC: a prescrição interrompida RECOMEÇA a correr da data do ano
que a interrompeu OU do último ato do processo que a interromper.

Relativamente Incapazes Corre contra ou a favor


PRESCRIÇÃO
Se contra: a prescrição Se a favor: a
Absolutamente incapazes não corre prescrição conta

Obs.: A prescrição intercorrente: aquela que se verifica no curso da demanda, após seu ajuizamento,
quando o credor/autor/exequente fica inerte na prática de atos processuais, permitindo a paralisação do
processo injustificadamente.
O novo CPC inovou ao trazer o marco inicial para a contagem da prescrição intercorrente, nas hipóteses
em que houver a suspensão do processo, assim como prestigiou A NÃO DECISÃO SURPRESA, conforme
parágrafo 5º, visto que estabelece que o “juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 dias, poderá, de
ofício, reconhecer a prescrição de que trata o § 4º  e extinguir o processo”. E mais, nos termos de seu
artigo 924, V, estabeleceu expressamente que a execução se extinguirá quando ocorrer a prescrição
intercorrente, o que se aplicará até para a execução em curso, quando da entrada em vigor do novo CPC,
visto que legislação processual aplica-se de imediato com sua vigência, tendo como marco inicial para a
contagem do prazo exatamente a data de vigência do novo CPC, conforme regra de direito intertemporal
do artigo 1.056.

Súmula 383, do STF: A prescrição em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por dois anos e meio, a
partir do ato interruptivo, mas não fica reduzida aquém de cinco anos, embora o titular do direito a
interrompa durante a primeira metade do prazo.
Súmula 154, do STF: Simples vistoria não interrompe a prescrição.
Súmula 229, do STJ: O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição
até que o segurado tenha ciência da decisão.

 Decadência/caducidade
Espécies: legais ou convencionais, podendo estes serem alterados pelas partes

 Fórmula de tartuce para identificar se o prazo é prescricional ou decadencial


1º. Identificar a contagem dos prazos – se for em dias, meses ou ano e dia, será decadencial.
2º. Caso o prazo seja em anos: procure identificar a localização do prazo no CC, se estiver nos arts.
206 será prescricional, se estiver fora, será decadencial.
3º. Se não houver menção ao art. Na questão: utilizar os critérios de Agnelo Amorim Filho: se a ação
correspondente for condenatória, o prazo será prescricional. Caso a ação seja constitutiva positiva
ou negativa, o prazo é decadencial.
 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
Conceito: Conjunto de normas reguladoras da relação jurídica pessoal vinculativa do credor ao
devedor.
ELEMENTOS: SUBJETIVO + IMATERIAL (liame subjetivo) + OBJETIVO
Sujeitos da relação + vínculo juríd. que une as partes + objeto
credor e devedor da prestação
OBS.: Elemento objetivo: é o objeto da prestação, podendo ser direto (satisfação do crédito – dar,
fazer, não fazer) e indireto (prestação obrigacional).

SCHULD (débito) x HAFTUNG (responsabilidade)


Em regra, o devedor possui o schuld e o haftung, contudo, pode ocorrer de ser atribuído o haftung a 3º
(ex.: fiador, este não tem o schuld, mas tem o haftung). Há também obrigações imperfeitas, em que
apenas um desses elementos está presente

PRINCÍPIOS: FUNÇÃO SOCIAL E BOA-FÉ OBJETIVA


DUTY TO MITIGATE: Como decorrência do próprio princípio da boa-fé, o titular de um direito deve,
sempre que possível, atuar para minimizar a extensão do dano, mitigando a gravidade da situação
experimentada pelo devedor.
Fonte das obrigações: atos negociais e atos não negociais.
A principal fonte é o contrato, mas há outros atos não negociais que derivam do fato da vizinhança

- Estrutura e elementos da obrigação

Classificação das obrigações: de dar, de fazer e não fazer


De fazer De não fazer De dar
Prestação positiva Prestação negativa Prestação positiva
Fungível ou infungível; Abstenção temporária ou não coisa certa ou coisa incerta (determ
personalíssima ou não gênero e quantidade, a ser individual
posteriormente)
personalíssima
obrigações de não fazer transeuntes: são obrigações Coisa incerta: Tutela externa do c
negativas instantâneas, quando descumpridas uma única do 3º cumplice
vez, são irreversíveis, gerando inadimplemento absoluto, além de uma eficácia interna, há
na medida em que é impossível retornar ao estado externa, impondo ao terceiro um
originário. respeito, sob pena de respons
civil.

 MODALIDADES:
- Quanto a complexidade da prestação
a) Obrigação simples: uma única prestação
b) Obrigação composta objetiva: mais de uma prestação
b.1) conjuntiva/cumulativa: todas devem ser cumpridas – conjunção E
b.2) alternativa/disjuntiva: uma das prestações deve ser cumprida – conjunção OU
Em regra, a escolha cabe ao devedor, se o contrário não for estipulado.
Inadimplemento:
Sem culpa do devedor: Qnd impossíveis ocorre a resolução, sem direito às perdas e danos
Havendo a perda de somente uma das prestações, subsiste o débito quanto a outra
Com culpa do devedor: Resolução da obrigação, gerando direito às perdas e danos.
ATENÇÃO: A quem compete a escolha influencia na resolução da questão.
A escolha não competia ao credor: o devedor ficará obrigado a pagar o valor da prestação que por
último se impossibilitou + perdas e danos que o caso determinar.
A escolha competia ao credor: o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da
outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem
inexequíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas + indenização por perdas e
danos.

OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA X OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA X OBRIGAÇÃO


FACULTATIVA
Obrigação composta obrigação simples obrigação simples
Espécies: dar, fazer, não fazer Espécies: dar Espécies: dar, fazer, não fazer
Gêneros diferentes Gêneros iguais Gêneros diferentes

- Quanto a responsabilidade:
a) pessoal: cada um tem sua responsabilidade
b) solidárias: todos possuem a mesma responsabilidade como se fosse uma só.
Espécies: ativa, passiva e mista ou recíproca
#ATENÇÃO: não confundir com as obrigações “in solidum”, em que todos os devedores respondem pela
integralidade da obrigação e estão vinculados ao credor em virtude do mesmo fato, mas sem que haja
solidariedade entre eles, pois os liames são independentes. Ex.: acidente em imóvel segurado, o proprietário poderá
cobrar tanto do causador do dano como da seguradora, pois estes estão vinculados ao credor pelo mesmo fato, mas não há
solidariedade.

- Qual a divisibilidade
a) divisíveis: podem ser cumpridas em partes (fracionadas)
b) indivisíveis: devem ser cumpridas de uma vez só.
Espécies: natural, convencional (devido à ordem econômica) ou jurídica (devido à natureza do negócio).
Se há uma pluralidade de devedores, cada um será cobrado pela dívida toda, podendo exigir dos demais suas
quotas correspondentes.
Se há pluralidade de credores, cada um pode exigir a dívida por inteiro, devendo repassar as quotas
correspondentes.
perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos  DIFERENTE da solidariedade.
As obrigações divisíveis e indivisíveis não se confundem com as obrigações solidárias , pois diferem quanto à
origem.
As obrigações divisíveis e indivisíveis possuem uma origem objetiva, presente na natureza da prestação. Já as
obrigações solidárias têm uma origem subjetiva, proveniente da lei ou da vontade das partes.

REGRAS ACERCA DA SOLIDARIEDADE


ATIVA PASSIVA MISTA
Existente entre os credores Existente entre os devedores Existente entre credores e
devedores ao mesmo tempo
Cada um tem o direito de exigir do devedor NÃO há renúncia da solidariedade na propositura contra Ex. locadores e locatários
em comum o cumprimento por inteiro, um ou só alguns dos devedores, podendo o pagamento
devendo pagar a quota parte dos demais ser parcial ou total da dívida comum. Se parcial, persiste
aos demais, a solidariedade pelo resto.
Antes de ser demandado judicialmente, o O devedor que satisfez a dívida por inteiro pode exigir
devedor pode pagar p/ quem quiser e como dos outros codevedores as suas quotas, havendo
quiser. Com a judicialização por qlqr dos previsão de divisão igualitária (relativa). Na solidariedade
credores, o pagamento deve ser feito àquele passiva, a relação interna entre devedores é fracionável,
que demandou (prevenção judicial quanto à caso seja exclusiva só de 1, este responderá por toda ela
dívida). para aquele que pagar
O credor que tiver remitido (perdoado) a Não confundir renúncia à solidariedade com remissão
dívida ou recebido o pagamento responderá (perdão), porque o beneficiado com a remissão fica
aos outros pelas partes que lhes caibam totalmente liberado do vínculo obrigacional.
(quotas corresp.).
Na solidariedade ativa, a relação interna Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais dev.,
(aquela entre os credores) é fracionável, subsistirá a dos demais. Porém, deve-se abater a quota
havendo uma presunção de divisão igualitária do beneficiado pela renúncia à solidariedade do
entre as partes, cabendo pacto em contrário. montante que pode ser cobrado dos demais devedores.
o beneficiário não fica exonerado da sua obrigação junto
ao credor, o que ocorre é que esta somente poderá ser
cobrada nos limites da sua quota parte, “virando”
devedor fracionário
No caso de morte, desaparece a solidariedade No caso de morte de um dos devedores, deixando
em relação àquele que faleceu (refração do herdeiros (refração do débito), cada um destes será
crédito), persistindo ainda entre os credores obrigado a pagar a quota que corresponder ao seu
sobreviventes. quinhão hereditário – ACABA a solidariedade, até os
limites da herança.
Convertendo-se a prestação em perdas e Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos
danos, subsiste, p/ todos os efeitos, a devedores solidários, subsiste para todos o encargo de
solidariedade. pagar o equivalente à prestação; mas pelas perdas e
Solidariedade X indivisibilidade. Ex.: se a danos só responde o culpado.
prestação de 30mil é convertida em perdas e danos Esse efeito diferencia a solidariedade da indivisibilidade.
no valor de 60mil, cada um dos credores pode
exigir do devedor o pagamento dos 60mil.
Exceções pessoais: A um dos credores
solidários não pode o devedor opor as
exceções pessoais oponíveis aos outros.

TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES


CESSÃO DE CRÉDITO, DE DÉBITO (ASSUNÇÃO DE DÉB.) OU DE POSIÇÃO CONTRATUAL (CESSÃO DE CONTRATO).
CESSÃO DE CRÉDITO CESSÃO DE DÉBITO CESSÃO CONTRATUAL
Espécies Legal, judicial, oriunda de N.J. (aqui estudada)
Conceito A cessão de c. de negócio jurídico é o meio do N. J. no qual o devedor (cedente) Por meio dela, o cedente
qual o credor (cedente) transmite total ou com expresso consentimento do transmite a sua própria
parcialmente o seu crédito a um terceiro credor, transmite o débito a um posição contratual a um
cessionário, mantendo-se a relação terceiro (cessionário), mantida a terceiro com anuência da
obrigacional com o mesmo devedor (cedido). mesma relação obrigacional (não se parte contrária. É uma
confunde com a novação subjetiva cessão de “locus”.
passiva).
Espécies É possível a cessão onerosa ou gratuita de
crédito.
Comunicação O devedor deve ser comunicado da cessão Deve consentir, sendo o seu silencio Necessita do
para que ela tenha eficácia, podendo opor interpretado como recusa. consentimento da outra
defesas parte.
Exceção: A lei pode admitir
a cessão do contrato
independentemente da
anuência do outro
Responsabilidad REGRA GERAL: o cedente se responsabiliza Se o terceiro for insolvente e o Transmissibilidade global e
e apenas pela existência do crédito que cedeu credor ignorar, a relação obrigacional unitária, não fragmentada.
(cessão pro soluto). se restabelece em relação ao
EXCEÇÃO: pode se responsabilizar também devedor primitivo.
pela solvência do devedor, isto é, pelo
pagamento.
(cessão pro solvendo)
Natureza jurídica

 Teoria do Pagamento
Cond. subjetivas do pagamento (quem paga e a quem se deve pagar) / Cond. objetivas do pagamento (objeto, tempo e lugar do
pagamento)
SOLVENS E ACCIPIENS
DEVEDOR CREDOR
cuidado para não denominar os elementos subjetivos do pagamento como credor e devedor, vez que outras
pessoas, que não o devedor, podem pagar; ao mesmo tempo em que outras pessoas, que não o credor, podem
receber.
QUEM PODE PAGAR
CREDOR OU REPRESENTANTE TERCEIRO INTERESSADO TERCEIRO NÃO INTERESSADO
LEGAL OU CONVENCIONAL
Sujeito ativo do pagamento O descumprimento obrigacional poderá Não detém interesse jurídico no cumprimento da
repercutir em sua esfera. Ex.: Fiador obrigação
Paga em seu nome Paga em seu nome Paga em seu próprio Paga em nome do
nome devedor
Extingue-se a relação caso realize Sub-roga em todas as ações, privilégios e Direito ao reembolso NÃO terá direito a
o adimplemento total garantias do credor originário, além de ter o (não se sub-rogando em nada. Poderá demandar
natural direito ao reembolso pelo que pagou. todos os privilégios e em desfavor do devedor.
garantias);
O DEVEDOR ORIGINÁRIO PODE SE OPOR AO PAGAMENTO REALIZADO POR TERCEIRO, DESDE QUE
TENHA FUNDAMENTO JURÍDICO. Por ex., quando demonstrar que tem meios de pagar.
Caso tenha sido comunicado e, nada tenha dito, deverá ressarcir o 3º.
Mas, caso o pagamento tenha sido feito com o desconhecimento ou omissão do devedor, ele não estará obrigado a
reembolsar aquele que pagou, caso o devedor tivesse os meios para elidir a ação .

- A quem se deve pagar: Em regra, ao credor ou representante legal ou convencional.


Ainda, é possível que seja feito a um 3º, a ser ratificado pelo credor. Caso não tenha ocorrido a ratificação,
deverá ser demonstrado que o pagamento reverteu em proveito dele.
EM QUALQUER HIPÓTESE, DEVE ser feito à pessoa capaz de fornecer a devida quitação, sob pena de não
valer (QUEM PAGA MAL, PAGA 2 VEZES). A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular.

OBS.: CREDOR PUTATIVO: Segundo a boa-fé objetiva, na perspectiva do p. da confiança e com amparo na teoria da
aparência, admite-se o pagamento feito de boa-fé ao 3º que aparentava ser credor. Quanto a este, a lei condiciona a
eficácia da solutio a dois requisitos: ter o accipiens a aparência de verdadeiro credor (ex.: herdeiro aparente;
procurador cujo mandato foi revogado sem conhecimento de 3º; o herdeiro que vem a ser afastado por indignidade,
etc.) e estar o solvens de boa-fé.

Pagamento a menor: o Código fala em “pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar”, donde se
conclui que “se o solvens desconhecia, sem culpa, a incapacidade do credor, o cumprimento será válido, ainda que o
accipiens tenha dissipado ou malbaratado a prestação”
+ art. 311: “considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias
contrariarem a presunção daí resultante”. A lei fixa, portanto, a presunção juris tantum de que o portador da quitação
seja autorizado a receber o pagamento, salvo se as circunstâncias afastarem a presunção relativa desse mandato
tácito (como por ex., constar na quitação assinatura aparentemente falsificada).

+ QUEM PAGA MAL PAGA DUAS VEZES: Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora
sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que
poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor.

Condições objetivas de pagamento


OBJETO DO PAGAMENTO E SUA PROVA TEMPO DO PAGAMENTO LUGAR DO PAGAMENTO
Regra: Princípio do nominalismo (pagamento Toda obrigação deve ser cumprida na data Regra Geral: domicílio do devedor (dívida
em dinheiro). de vencimento quesível/quérable). Se for designado mais
Obs.: são nulas as convenções em pagamento Atenção: Caso não tenham previsão, de um lugar, cabe ao credor escolher entre
em ouro ou moeda de estrangeira, bem como podem ser exigidas de imediato. eles.
para compensar a diferença entre estas e a Exceção: domicílio do credor se a dívida for
moeda nacional, exceto casos previstos na lei. portável ou portable
Cláusulas de escala móvel: índices de As obrigações condicionais cumprem-se na As dívidas quesíveis são aquelas em que
correção monetária para atualizar o valor data do implemento da condição, cabendo cabe ao credor procurar o devedor para o
ao credor a prova de que deste teve ciência seu pagamento (ex. seu barriga indo atrás de
o devedor. madruga).
As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no É POSSIVEL o credor cobrar a dívida antes As dívidas portáveis são aquelas em que
vencimento, em moeda corrente e pelo valor de vencido o prazo estipulado no contrato cabe ao devedor procurar o credor para
nominal, salvo o disposto nos artigos ou da lei nas condições a seguir: No caso isentar sua obrigação, sendo de sua
subsequentes ao art. 315 do CC. de falência do devedor, ou de concurso de responsabilidade provar que realizou a
+ É lícito convencionar o aumento progressivo credores; Se os bens, hipotecados ou prestação
de prestações sucessivas. empenhados, forem penhorados em
O credor não é obrigado a receber prestação execução por outro credor; Se cessarem, 1.º Se o pagamento for referente a tradição
diversa da que lhe é devida, ainda que mais ou se se tornarem insuficientes, as de um imóvel, ou prestações referentes a
valiosa. garantias do débito, fidejussórias, ou reais, ele, devem ser pagas no lugar do bem
e o devedor, intimado, se negar a reforçá- 2º Em função de motivo grave para que não
las (nesse caso requer NOTIFICAÇÃO). se efetue o pagamento no lugar
Obs.: se houver, no débito, solidariedade determinado, poderá o devedor fazer em
passiva, NÃO SE RUPUTARÁ VENCIDO outro sem prejuízo do devedor
QUANTO AOS OUTROS DEVEDORES
SOLVENTES.
PROVA DO PAGAMENTO: Instrumento de OBS.: no caso de mútuo de dinheiro, não OBS.: O pagamento reiteradamente feito em
quitação (recibo). havendo vencimento estipulado, o prazo outro local faz presumir a renúncia do credor
+ previsões relativas em favor do devedor: mínimo para pagamento é de 30 dias (art. relativamente ao previsto no contrato.
a) Nas prestações de trato sucessivo, o pagamento 592, II, CC). (SUPRESSIO E SURRECTIO)
da última prestação presume o pagamento das
demais;
b) Quitação do capital, sem reserva de juros;
c) Entrega do título, que já estava previsto no
CC/16, e consiste na presunção inferida pela posse
do devedor do título.

TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL (SUBSTANTIAL PERFORMANCE): Sustenta que a atividade do


devedor, embora não haja sido perfeita, aproximou-se substancialmente do resultado final
esperado
+ enunciado 361 CJF/STJ, na IV jornada de direito civil: “O adimplemento substancial decorre dos p. gerais contratuais,
de modo a fazer preponderar a função social do contrato e o p. da boa-fé objetiva, balizando a aplicação do art. 475”.

+ O STJ à luz dos p. da função social e da boa-fé objetiva, tem aplicado a teoria (REsp 1051270-RS). Acontece
quando o descumprimento é ínfimo ou de menor monta, não cabendo a extinção contratual. Em outras
palavras, a mora do devedor, sendo de escassa importância, não autoriza a resolução do contrato, por
atentar contra o princípio da boa-fé objetiva. É importante ressaltar que aquele não perde o direito de obter
o restante do crédito, já que é perfeitamente viável o manejo da ação de cobrança ou mesmo a convenção
sobre outras formas de que a obrigação seja cumprida, como o aumento dos prazos . Logo, não caberá a
extinção contratual, mas apenas faculta o exercício dos demais efeitos jurídicos, como o pedido de
indenização por perdas e danos, a cobrança judicial, por exemplo.
ATENÇÃO: NÃO SE APLICA A ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA: REsp. nº 1622555 / MG, da 2ª seção,
relatoria do Min. Marco Buzzi, o STJ, por maioria, entendeu que, pelo fato de a teoria do
adimplemento substancial não estar prevista expressamente em lei, derivando de interpretação
extensiva de dispositivos do Código Civil, ela não pode prevalecer sobre o texto expresso do
Decreto-Lei 911/1969, que viabiliza a busca e apreensão do bem para satisfazer o direito do
credor. Ficou decidido que mesmo havendo o pagamento de mais de 90% do débito, caso não haja
a quitação, apesar do adimplemento substancial, o “sistema da alienação fiduciária é
microssistema específico e por isso não daria ensejo à contaminação por essa teoria”.

 REGRAS ESPECIAIS E FORMAS DE PAGAMENTO INDIRETO:


Espécies:
- Atos unilaterais: pagamento em consignação (art. 355 e seguintes), imputação do pagamento (ordem de
imputação legal: juros precede capital, dívida liq. E vencida primeiro, dívida mais onerosa ) e sub-rogação legal (arts. 346 a 351)
- Atos bilaterais (neg. jur.): sub-rogação convencional, dação em pagamento (mantém os elementos
obrigacionais, alterando a prestação ), novação (req. obrigação anterior + obrigação nova + animus novandi. Todos os elementos da
obrigação antiga, em regra, são extintos, havendo uma nova obrigação. Em regra: extingue também os acessórios da dívida: juros,
multa, garantias, fiança),
compensação, remissão (pagamento indireto efetivado pelo perdão do credor que deve ser aceito
pelo devedor) e confusão (qualidades de credor e devedor se confundem na mesma pessoa).
OBSERVAÇÕES
- DAÇÃO X NOVAÇÃO: Na dação, a entrega da prestação supletiva objetiva a liberação de um crédito em
caráter imediato, enquanto na novação, as partes constituirão uma nova obrigação para extinguir a anterior.
É a entrega de uma coisa por outra, e não a substituição de uma obrigação por outra. Se a dação é modo
indireto de pagamento, a novação é modo de extinção da obrigação sem pagamento.
- Efeito repristinatório da evicção da coisa dada em pagamento: a obrigação primitiva é restabelecida
- Súmula 286: “a renegociação de contrato bancário ou a confissão da dívida não impede a possibilidade
de discussão sobre eventuais ilegalidades dos contratos anteriores. Na ação revisional de negócios
bancários, pode-se discutir a respeito de contratos anteriores, que tenham sido objeto de novação.
- Se não resultar clara a intenção do expromitente em substituir o devedor e a do credor em fazer novação ,
ocorrerá adpromissão, isto é, acréscimo de nova responsabilidade, aderente à primitiva, atento à regra de
que a novação não se presume.
- Na dação se extingue os acessórios e as garantias da dívida, a não ser que haja aquiescência do terceiro
fiador ou proprietário dos bens dados em garantia (Súmula 214 do STJ: “o fiador na locação não responde
por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu”);
- Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso como devedor principal (art. 366).
- Transação e compromisso de arbitragem são contratos típicos que geram a extinção obrigacional.
- Remissão: perdão. Pode ser total ou parcial, expressa ou tácita. Lembrando que somente as obrigações
patrimoniais de caráter privado comportam perdão.
- O perdão concedido ao devedor principal extingue a obrigação dos fiadores e liberta as garantias reais.
Se forem vários os devedores, a remissão concedida a um deles extingue a obrigação na parte que lhe
corresponde. Sendo indivisível, os demais credores somente poderão exigir a prestação com desconto da
parte relativa ao remitente (quem perdoou).

DO INADIMPLEMENTO CONTRATUAL
a) absoluto ou definitivo (arts. 389 e ss): quando o cumprimento da obrigação torna-se impossível ou
inútil, podendo ser total ou parcial, bem como fortuito ou culposo.
b) relativo ou mora: quando há atraso no cumprimento da obrigação ou, ainda, quando o
cumprimento é realizado de forma diverso do contratado (lugar distinto ou forma diversa).
+ violação negativa e a violação positiva do contrato.
Violação negativa do contrato é aquela que tem por base o inadimplemento obrigacional, ou seja, a pessoa não fez o
que deveria ter feito. Já a violação positiva do contrato, é o descumprimento do contrato em uma situação de
adimplemento. A pessoa cumpriu a obrigação, mas o fez em lugar distinto ou de forma diversa. Nesse segundo
sentido de violação positiva (descumprimento dos deveres anexos) não existe solução expressa na lei. Em regra, a questão
será resolvida mediante pagamento de indenização.

RESPONSABILIDADE:
a) inadimplemento absoluto fortuito: regra – isenção do devedor, devendo devolver o dinheiro.
Exceções:
a.1) Cláusula de assunção de responsabilidade pelo caso fortuito e força maior: em contratos civis ela
possui validade, mas em contratos de consumo ela é abusiva e nula.
a.2) Perpetuatio obligationis: (art. 399, CC) Se o devedor estava em mora (culposa) quanto ao cumprimento da
obrigação e ocorrer o inadimplemento absoluto fortuito, ele deverá reparar os danos ao credor. O devedor somente não
terá responsabilidade se provar que o atraso no cumprimento da prestação não era culposo ou que o dano sobreviria ao
credor ainda que a obrigação tivesse sido oportunamente desempenhada.
b) inadimplemento absoluto culposo: o devedor tem culpa pelo inadimplemento da obrigação e, portanto,
responde pelos danos causados. A responsabilidade abrange todos os elementos previstos no art. 389 do CC
(perdas e danos, juros e atualização monetária, honorários do adv).
c) Inadimplemento relativo fortuito: quando a mora for fortuita não há responsabilidade do devedor por
perdas e danos, juros, atualização e honorários (art. 389), permanecendo o dever de cumprir a obrigação
d) Inadimplemento relativo culposo: o devedor tem culpa pela mora e, portanto, poderá ser cobrado da
prestação acrescida de perdas e danos, juros, atualização e honorários (art. 389).
ESPÉCIES DE MORA:
d.1) mora ex re ou mora automática: ocorre de forma automática, o devedor não precisa ser notificado para
ser constituído em mora. O simples decurso do tempo constituirá o devedor em mora (dies interpellat pro
homine). Para que exista mora ex re devem estar presentes os seguintes requisitos:
(i) a obrigação deve ser positiva ( dar ou fazer); (ii) a obrigação deve ser líquida ( certa quanto a sua existência,
determinada quanto ao seu valor/objeto); c) deve ter data/termo certo para o seu cumprimento.
d.2) mora ex persona ou mora pendente: Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação
judicial ou extrajudicial. Logo, exige a notificação do devedor, judicial ou extrajudicial, para constituição da
mora. Está prevista no parágrafo único, do art. 397, CC.

Observações: perpetuatio obligationis (art. 399 CC): O entendimento dominante é o de que a mora do
credor prescinde, de fato, da aferição de culpa. Desde que não queira receber a coisa injustificadamente,
isto é, no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer, sem razão plausível, o credor estará em
mora, não sendo necessário que o devedor demonstre a sua atuação dolosa ou culposa . Pode ocorrer,
entretanto, que o credor esteja transitoriamente impedido de receber, por fato plenamente justificável,
situação essa que, obviamente, não caracterizaria a sua mora.
SÚMULAS SOBRE O TEMA DE INADIMPLEMENTO RELATIVO:
Súmula 76, do STJ: A falta de registro do compromisso de compra e venda de imóvel não dispensa a prévia
interpelação para constituir em mora o devedor.
Súmula 245, do STJ: A notificação destinada a comprovar a mora nas dívidas garantidas por alienação fiduciária
dispensa a indicação do valor do débito.
Súmula 284, do STJ: A purga da mora, nos contratos de alienação fiduciária, só é permitida quando já pagos pelo
menos 40% (quarenta por cento) do valor financiado. Obs.: lei n.º 10.931/2004 extinguiu a purgação da mora – Logo,
antes de 2004 poderá haver, após, não há mais o que se falar em purgação de mora
Súmula 369, do STJ: No contrato de arrendamento mercantil (LEASING), ainda que haja cláusula resolutiva expressa,
é necessária a notificação prévia do arrendatário para constituí-lo em mora.
Súmula 54, do STJ: “os juros de mora fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual”.

Mora ex re Vencimento (Enunciado 428, V, JDC).


Mora ex persona Citação inicial (art. 405, CC) ou notificação
Mora presumida
Evento danoso (S. 54, STJ).
irregular

+ MORA BILATERAL OU RECÍPROCA: é a mora do credor e devedor, não podendo nenhuma das partes alegá-la, em
virtude do princípio da boa-fé. Há uma compensação de moras (Maria Helena Diniz).
PURGAÇÃO OU EMENDA DA MORA (art. 401, CC – regra geral): ocorre com o pagamento direto, tendo como
consequência da purgação a neutralização dos efeitos da mora.
OBS.: se houver pagamento indireto ou regra especial de pagamento há cessação da mora.
PURGAÇÃO DA MORA: EFICÁCIA EX NUNC.
CESSAÇÃO DA MORA: EFICÁCIA EX TUNC.
Elementos da responsabilidade:
a) Perdas e danos: refere-se a toda e qualquer forma de dano (material, moral ou estético).
Dano emergente ou lucros cessantes.
b) Teoria dos danos diretos e imediatos: O devedor responde tão-só pelos danos que se prendem a seu ato por
um vínculo de necessidade, não pelos resultantes de causas estranhas ou remotas.
Obs.: Danos em ricochete ou reflexos atingem pessoas próximas, e são perfeitamente indenizáveis, por
derivarem diretamente da atuação ilícita do infrator. Ex.: uma pessoa, que presta alimentos a outra pessoa, vem a perecer
em consequência de um fato que atingiu o alimentante, privando o alimentando do benefício.
c) Juros: podendo ser compensatórios ou moratórios

JUROS COMPENSATÓRIOS –
JUROS MORATÓRIOS
REMUNERATÓRIOS - (JUROS-FRUTOS)

- Devidos em razão do inadimplemento absoluto ou parcial do contrato (incidem em caso de


retardamento na restituição do capital ou de descumprimento de obrigação);
- Devidos como compensação pela utilização - Correm a partir da constituição em mora;
de capital pertencente a outrem - A sentença que julgar procedente o pedido deve condenar o vencido nos juros legais,
(utilização consentida de capital alheio). mesmo que não tenha sido formulado pedido expresso na inicial (art. 322 do CPC/2015); ainda
que omissa a condenação, os juros moratórios devem ser incluídos na liquidação (STF 254);

- Devem ser previstos no contrato,


- Podem ser convencionados (“juros moratórios convencionais”) ou não (“juros moratórios legais”).
estipulados pelos contratantes.
- Não podem exceder a taxa que estiver em
vigor para a mora do pagamento de - Se não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de
impostos devidos à Faz. Nacional (arts. 406 e 591), determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do
permitida somente a capitalização anual (art. pagamento de impostos devidos à Faz. Nacional (“taxa legal”, art. 406).
591).
Responsabilidade contratual: juros de mora contados desde a citação (ilíquida) ou do vencimento (líquida)
Responsabilidade extracontratual: juros de mora contato desde da data do fato/evento danoso

Juros convencionais: A lei de usura estabelece o dobro da taxa legal (2% ao mês ou 24% ao ano).

O art. 591, CC, estabelece o mesmo limite do art. 406, CC, para o mútuo oneroso (empréstimo de dinheiro a
juros). Porém, a jurisprudência superior entende que tais limites não se aplicam aos contratos bancários e
financeiros, pois essas entidades podem cobrar as taxas de mercado (S. 596, STF e S. 382, STJ).

JUROS MORATÓRIOS: stj entende ser cabível taxa Selic. Já a doutrina entende ser cabível a taxa prevista
pelo art. 161, §1º do CTN – 1% ao mês
d) Atualização monetária:
e) Honorários advocatícios (contratuais)
f) Honorários extrajudiciais
g) Honorários judiciais (o autor da ação pode cobrar do réu o valor gasto com adv. – p. da causalidade )

 Cláusula Penal: cláusula do contrato em que se estipula, previamente, o valor da indenização a ser
paga pela parte que não cumprir a obrigação – consistindo numa pena convencional.
Natureza Jurídica: obrigação acessória.
Finalidades: ressarcitória e coercitiva/compulsória (meio de coerção para intimidar o devedor ao cumprimento da obrigação)
Espécies moratória (atraso) e compensatória (resolutiva)
 MORATÓRIA (compulsória) COMPENSATÓRIA (compensar o inadimplemento)
Estipulada para desestimular o devedor a incorrer em mora ou para evitar que Estipulada para servir como indenização no caso de
deixe de cumprir determinada cláusula especial da obrigação principal. É a total inadimplemento da obrigação principal
cominação contratual de uma multa para o caso de mora. (adimplemento absoluto).
Funciona como punição pelo retardamento no cumprimento da obrigação ou
Funciona como uma prefixação das perdas e danos.
pelo inadimplemento de determinada cláusula.
Ex1: em uma promessa de compra e venda de um apartamento, é estipulada multa Ex: em um contrato para que um cantor faça um show no
para o caso de atraso na entrega. Ex2: multa para o caso do produtor de soja fornece réveillon, é estipulada uma multa de 100 mil reais caso ele
uma safra de qualidade inferior ao tipo “X”. não se apresente.
A cláusula penal compensatória não é cumulativa.
A cláusula penal moratória é cumulativa, ou seja, o credor poderá exigir o Assim, cabe ao credor a alternativa: exigir o
cumprimento da obrigação principal + o valor da cláusula penal cumprimento da obrigação principal OU apenas o valor
(poderá exigir a substituição da soja inferior e ainda o valor da cláusula penal).
da cláusula penal.
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de
especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em
pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. alternativa a benefício do credor.

Cumulação de cláusula penal com perdas e danos: depende da espécie


- Se for cláusula penal MORATÓRIA: SIM / Se for cláusula penal COMPENSATÓRIA: NÃO.
Multa moratória = obrigação principal + multa.
Multa compensatória = obrigação principal ou multa.
OBS.: Quando o contrato não se mostra muito claro, costuma-se atentar para o montante da multa, a fim de apurar
a natureza da disposição. Se de valor elevado, próximo do atribuído à obrigação principal, entende-se que foi
estipulada para compensar eventual inadimplemento de toda a obrigação. Se, entretanto, seu valor é reduzido,
presume-se que é moratória, pois os contratantes não iriam fixar um montante modesto para substituir as perdas e
danos decorrentes da inexecução total da avença.

Cláusula penal e pluralidade de devedores:


Quando a OBRIGAÇÃO É INDIVISÍVEL: basta que um só a infrinja para que a cláusula penal se torne exigível. Do
culpado, poderá ela ser reclamada por inteiro, mas dos demais codevedores só poderão ser cobradas as respectivas
quotas, ficando- lhes reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena (art. 414).
Quando a OBRIGAÇÃO FOR DIVISÍVEL: só incorre na pena o devedor, ou herdeiro do devedor que a infringir, e
proporcionalmente à sua parte na obrigação (art. 415).

CLÁUSULA PENAL PERDAS E DANOS


- o valor é antecipadamente arbitrado pelos próprios - o valor é fixado pelo juiz, com base nos prejuízos alegados e
contratantes. provados.
- por se tratar de uma estimativa feita pelos contratantes, - por abrangerem o dano emergente e o lucro cessante,
pode ficar aquém de seu montante real. possibilitam o completo ressarcimento do prejuízo.
Semelhanças: destinam-se a ressarcir os prejuízos sofridos pelo credor em razão do inadimplemento do devedor.

CLÁUSULA PENAL ARRAS PENITENCIAIS


- por admitirem o arrependimento, facilitam o descumprimento da
- atua como elemento de coerção, para evitar o inadimplemento avença, pois as partes sabem que a pena é reduzida, consistindo na
contratual. perda do sinal dado ou em sua devolução em dobro, nada mais
podendo ser exigido a título de perdas e danos (art. 420).
- pode (deve) ser reduzida pelo juiz, em caso de inadimplemento - não podem ser reduzidas pelo juiz. (mas: Enunciado 165 do CJF:
parcial da obrigação ou de montante manifestamente excessivo. “Em caso de penalidade, aplica-se a regra do art. 413 ao sinal, sejam
(art. 413) as arras confirmatórias ou penitenciais”.
- torna-se exigível APENAS SE OCORRE O INADIMPLEMENTO
- são PAGAS POR ANTECIPAÇÃO.
do contrato.
- aperfeiçoam-se com a entrega de dinheiro ou outro bem móvel
- aperfeiçoa-se com a simples estipulação no instrumento.
(caráter real).
Semelhanças: têm natureza acessória e visam a garantir o adimplemento da obrigação, constituindo seus valores prefixação das perdas e
danos.
 Arras confirmatórias e arras penitenciais: são quantias ou coisas entregues por um dos contratantes
ao outro, como confirmação de acordo de vontades e princípio de pagamento – cabendo somente em
contratos bilaterais, translativos de domínio, reais (se aperfeiçoam com a entrega)
Natureza: acessória, não existem sozinhas
Funções: servir de garantia do cumprimento (aras confirmatórias), prefixação de perdas e danos
quando convencionado o direito de arrependimento (arras penitencias), assim como podem servir de
começo de pagamento, quando tenha a mesma natureza da obrigação principal (ambas as aras)
Arras confirmatórias: é um sinal de confirmação do contrato, reforçando/incentivando que as
partes cumpram a obrigação combinada, significando princípio de pagamento (art. 418 e 419)
Arras penitencias: é uma penalidade em caso de descumprimento (art. 420)
 
Confirmatórias (arts. 418 e 419) Penitenciais (art. 420)
São previstas no contrato com o objetivo de reforçar, São previstas no contrato com o objetivo de permitir que as partes
incentivar que as partes cumpram a obrigação combinada. possam desistir da obrigação combinada caso queiram e, se isso ocorrer, o
  valor das arras penitenciais já funcionará como sendo as perdas e danos.
A regra são as arras confirmatórias. Assim, no silêncio do Ocorre quando o contrato estipula arras, mas também prevê o direito de
contrato, as arras são confirmatórias. arrependimento.
Não admite direito de arrependimento
Se as partes cumprirem as obrigações contratuais, as arras Se as partes cumprirem as obrigações contratuais, as arras serão
serão devolvidas para a parte que as havia dado. devolvidas para a parte que as havia dado.
Poderão também ser utilizadas como parte do pagamento. Poderão também ser utilizadas como parte do pagamento.
• Se a parte que deu as arras não executar (cumprir) o • Se a parte que deu as arras decidir não cumprir o contrato (exercer seu
contrato: a outra parte (inocente) poderá reter as arras, ou direito de arrependimento): ela perderá as arras dadas.
seja, ficar com elas para si. • Se a parte que recebeu as arras decidir não cumprir o contrato ( exercer
• Se a parte que recebeu as arras não executar o contrato: seu direito de arrependimento): deverá devolver as arras mais o equivalente*.
a outra parte (inocente) poderá exigir a devolução das
arras + o equivalente.
Além das arras, a parte inocente poderá pedir: As arras penitenciais têm função unicamente indenizatória. Isso significa
• indenização suplementar, se provar maior prejuízo, que a parte inocente ficará apenas com o valor das arras (e do
valendo as arras como taxa mínima; equivalente) e NÃO terá direito a indenização suplementar. Nesse
• a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo sentido:
as arras como o mínimo da indenização. Súmula 412-STF: No compromisso de compra e venda com cláusula de
arrependimento, a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em
dobro, por quem o recebeu, exclui indenização maior, a título de perdas e danos,
salvo os juros moratórios e os encargos do processo.

Art. 413 aplica-se a aras: A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação
principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo,
tendo-se em vista a natureza e a finalidade do contrato
 CONTRATOS
 Teoria Geral do Contrato
Conceito clássico – Negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa a criação, modificação ou extinção,
entre as partes de direitos e deveres que traduzem uma relação jurídica de conteúdo patrimonial
Características: Bilateral/plurilateral; Negócios jurídicos inter vivos; Patrimonialidade;
Observações:
- Não se admite a existência de autocontrato ou contrato consigo mesmo. Todavia pode ocorrer a hipótese
de ambas as partes se manifestarem por meio do mesmo representante, configurando-se, então, a situação
de dupla representação. Pode ocorrer, ainda, que o representante seja a outra parte no negócio jurídico
celebrado, exercendo, neste caso, dois papéis distintos: o de representante do dono do negócio e o de
contratante
- nulidade absoluta de pacto sucessório (pacto corvina) – transacionar herança não recebida
- Patrimonialidade estrita: parte da doutrina contemporânea contesta essa, pois o contrato também pode
envolver valores existenciais, relativos à tutela da pessoa humana. Surge assim um conceito
contemporâneo ou pós-moderno de contrato. Paulo Nalin – contrato é uma relação intersubjetiva (entre
pessoas), baseada no solidarismo constitucional, e que traz efeitos existenciais e patrimoniais não somente
em relação às partes contratantes, mas em relação a terceiros. De fato, existem contratos que envolvem
valores relativos à dignidade da pessoa humana. Exs.: plano de saúde, contratos de aquisição da casa
própria,
contratos de direitos de autor.

Fundamentos do direito contratual: autonomia da vontade e igualdade das partes

Constitucionalização do direito civil: a autonomia não é mais privada, mas sim solidária, pois ela deixa de
ser absoluta para passar a ser limitada, observando os princípios constitucionais (aplicação vertical –
incidindo nas relações privadas com observância a disparidade entre as partes dos casos concretos)
Forma do contrato: P. da liberdade da forma – art. 107 do CC
Obs.: a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição,
transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30X o maior SM
vigente no País).
 Princípios contratuais
São princípios clássicos: autonomia da vontade, força obrigatória dos contratos e relatividade dos efeitos
do contrato (os efeitos estão limitados às partes).
São princípios pós-modernos: boa-fé objetiva, função social do contrato e equilíbrio contratual.

Teoria do diálogo das fontes: aproximação principiológica do CC e CDC, através de três princípios:
autonomia privada, boa-fé objetiva e função social do contrato.
Princípio da autonomia privada:
Toma o lugar da autonomia da vontade: devido a junção de três elementos.
Crise da vontade + dirigismo contratual + império do contrato modelo de estandardização contratual
. . (standard – adesão).
Existência de diferentes graus de autonomia privada. No REsp 1158815, o STJ considerou que, nos
contratos empresariais, a autonomia privada (e assim também a força obrigatória dos contratos) tem maior
intensidade, devendo a revisão do contrato ocorrer em casos excepcionais. É possível afirmar, assim, a
existência de diferentes graus de autonomia privada (nos contratos de consumo, nos civis e nos
empresariais).

Dirigismo contratual: a LIBERDADE não era suficiente para sustentar o equilíbrio do contrato, sendo
necessário também IGUALDADE MATERIAL - intervenção do Estado e da lei nos contratos.

- Liberdade de contratar (quando e com quem se contrata) x Liberdade contratual (objeto -


conteúdo): Apesar de ser expressões similares, referidos institutos são diferentes.  A liberdade de contratar está
relacionada com a escolha da pessoa ou das pessoas com quem o negócio jurídico será celebrado, sendo, em regra,
uma liberdade plena.  Em contrapartida, a liberdade contratual está relacionada com o conteúdo do negócio
jurídico, sendo uma liberdade bem mais restrita, já que não se é admissível negócio jurídico cujo objeto seja ilícito.

O que é contrato cativo de longa duração? Conforme ensina a doutrinadora Cláudia Lima Marques, trata-se de
uma série de novos contratos ou relações contratuais que utilizam os métodos de contratação de massa (através
de contratos de adesão ou de condições gerais dos contratos) para fornecer serviços especiais de mercado, criando
relações jurídicas complexas de longa duração, envolvendo uma cadeia de fornecedores organizados entre si e com
uma característica dominante: a posição de catividade ou “dependência dos clientes” Um exemplo que pode ser
citado são os contratos de seguro em geral, mormente os de plano de saúde. Tal expressão já foi utilizada
expressamente pelo STJ, no informativo 441.

Contrato de adesão: uniformidade, predeterminação unilateral, rigidez, superioridade material de uma das partes.

Princípio da função social do contrato – art. 421


Princípio limitativo da autonomia privada, pois se vive atualmente uma época de responsabilidade
solidária.
Orlando Gomes: função quer dizer finalidade; social quer dizer coletiva. Finalidade coletiva do contrato -
Miguel Reale foi o responsável por colocar esse princípio no CC. Ele dizia que o contrato não deveria
atender apenas aos interesses das partes, mas de toda a coletividade.

Obs.: exame oral da MAGISTRATURA FEDERAL – 3ª região: Quais os dois erros técnicos do art. 421 CC? Art. 421. A
liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Esses dois erros foram observados
pelos professores Junqueira e Villaça e constam no Projeto de Lei nº 699/2011:
. 1º) a função social do contrato não limita a liberdade de contratar, mas a liberdade contratual;
2º) função social não é a razão do contrato, mas sim limite ao conteúdo. A razão do contrato é a autonomia privada.
Corrigindo ficaria: A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato.

DUPLA EFICÁCIA DO CONTRATO: INTERNA E EXTERNA


a) eficácia interna ou intersubjetiva: entre as partes.
Aplicabilidade: dignidade da pessoa humana, vedação da onerosidade excessiva (efeito gangorra),
nulidade de cláusulas antissociais, conservação contratual (extinção ultima ratio –> ex.: teoria do
adimplemento substancial), proteção do vulnerável contratual

enunciado 23 jornada I - A função social do contrato, prevista no art. 421 do novo Código Civil, não
elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio quando
presentes interesses metaindividuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana.

OBS.: contratos que violam o p. da função social são contratos nulos de pleno direito (art. 2035, §
do CCB – P. único. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais
como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos
contratos). Chamada por alguns de nulidade virtual (implícita, depreendendo-se da função da
norma na falta de sanção expressa).

b) eficácia externa ou transobjetiva: além das partes – gerando efeitos perante terceiros – extensão
do princípio da relatividade dos efeitos contratuais.
b.1. tutela de direitos difusos e coletivos: função socioambiental do contrato
b.2. tutela externa do crédito: efeitos do contrato perante terceiros ou até a conduta de terceiros
repercutirem no contrato. Ex.: Teoria do terceiro cúmplice, art. 608 - Ex.: Caso do Zeca Pagodinho.
Havia um contrato entre a Nova Schin e Pagodinho. A Brahma aliciou Zeca e o contrato foi
rescindido e ele voltou para a Brahma. Não existe nenhuma relação entre Nova Schin e Brahma. No
entanto, a Brahma foi responsabilizada por ter violado o princípio da função social do contrato por
ter aliciado o Zeca.

Princípio da força obrigatória do contrato (pacto sunt servanda): o contrato faz lei entre as partes –
relativizado pelos princípios da boa-fé objetiva e da função social do contrato.

Princípio da Boa-fé objetiva: Trata-se de uma evolução do conceito de boa-fé, que saiu do plano
intencional (boa-fé subjetiva) para o plano de lealdade das partes (boa-fé objetiva). É o desdobramento de
uma máxima cristã que diz que não basta ser bem intencionado, pois de bem intencionados o inferno está
cheio.

Como cláusula geral, apresenta indeterminação em sua fattispecie a fim de permitir ao intérprete a
incidência da hipótese normativa a diversos comportamentos do mundo do ser que não poderiam ser
exauridos taxativamente no texto legal.

Há, no direito privado, dois tipos de boa-fé:

a) Boa-fé subjetiva: é um estado psicológico. É a boa-fé do: “eu não sabia”, ou seja, o indivíduo ignora o
possível vício. Ex.: posse de boa-fé. Ex: possuidor de boa-fé, casamento putativo.
b) Boa-fé objetiva: é uma boa conduta. É a boa-fé concreta. É a presente no plano dos contratos. Art. 422.
Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os
princípios de probidade e boa-fé. Relaciona-se aos deveres anexos, laterais ou secundários. Tais deveres
são aqueles ínsitos a qualquer contrato, sem a necessidade de previsão no instrumento. Ex.: dever de
cuidado, de respeito, de informação, lealdade, colaboração, transparência, confiança.
A quebra desses deveres gera uma terceira modalidade de inadimplemento (os dois primeiros são absoluto
e relativo), denominada violação positiva do contrato. Essa violação pode ocorrer nas fases pré e pós-
processual e a parte pode cumprir os deveres principais e violar os anexos. Ex.: locatório que devolver o
imóvel pintado de preto. O contrato não dizia a cor que deveria estar pintado. Cumpriu o principal? Sim.
Violou, no entanto, o dever de respeito, colaboração.
Enunciado 24 da 1ª JDC: Art. 422. Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código
Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa –
responsabilidade objetiva.
Funções: interpretativa, de controle ou reativa, integradora (criadora de deveres laterais/anexos).

Enunciado 25 – Art. 422: o art. 422 do Código Civil não inviabiliza a aplicação pelo julgador do princípio da boa- fé nas
fases pré-contratual e pós -contratual.

Enunciado 170 – Art. 422: A boa-fé objetiva deve ser observada pelas partes na fase de negociações preliminares e após a
execução do contrato, quando tal exigência decorrer da natureza do contrato.

Súmula 308: A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou posterior à celebração da
promessa de compra e venda, não tem eficácia perante os adquirentes do imóvel, desde que esteja de boa-fé.

Exemplo 1: Caso dos tomates: empresa CICA distribuía sementes aos agricultores gaúchos e ela comprava os tomates a
eles. Anos e anos fazendo isso. Em um certo ano, a CICA distribuiu as sementes, mas depois sumiu. Houve perda da
produção e os agricultores foram indenizados por quebra do dever de confiança (teoria da confiança- boa-fé na função
interpretativa e pré-contratual.)

Exemplo 3: Fase pós-contratual. Diante do dever de colaboração há a seguinte consequência: o credor tem o dever de
retirar o nome do devedor de cadastro negativo, no prazo de 5 dias úteis, após acordo ou pagamento da dívida.
Conceitos parcelares da boa-fé objetiva:
As “figuras parcelares”, “funções reativas” ou “desdobramentos da boa-fé objetiva“ - São conceitos intimamente ligados à boa-
fé objetiva, havendo quem diga que sejam subprincípios.
a) Supressio: perda de um direito ou de uma posição jurídica pelo seu não exercício no tempo. Haveria uma perda
por renúncia tácita.
b) Surrectio: é o surgimento de um direito diante de práticas, usos e costumes. Simão diz que é o outro lado da
moeda da supressio. Um perde e o outro ganha. Ex.1: Art. 330.
Possibilidade de supressio em relação ao credor e uma surrectio em relação ao devedor. Ex.2: Informativo 478 STJ –
aplicou surrectio em contrato de mandato, entendendo que houve renúncia tácita em relação à correção
monetária. O contrato de honorários previa a correção monetária, mas o escritório de advocacia passou seis anos
sem cobrar. Mesmo dentro do prazo prescricional houve uma supressio, pela omissão no exercício do direito.

c) Tu quoque: quer dizer “até tu?” (até tu, Brutus) Não faça como outro o que você não faria contra si mesmo.
decorrente da boa-fé objetiva que visa a impedir que uma das partes na relação negocial surpreenda a outra,
colocando-a em situação injusta de desvantagem. Significa que um contratante que violou uma norma jurídica não
poderá, sem a caracterização do abuso de direito, aproveitar-se dessa situação anteriormente criada pelo
desrespeito – o sujeito não se pode valer da própria torpeza.
Ex.: exceptio non adimpleti contractus (exceção de contrato não cumprido) - trata-se de uma defesa indireta de
mérito, que a parte demandada opõe justificando o seu direito de não cumprir a prestação pactuada enquanto o
demandante não adimplir a sua obrigação.
OBS.: Caso a primeira prestação seja cumprida de forma imperfeita, o demandado pode sim se defender alegando a
exceptio non adimpleti contractus. A cláusula solve et repete ressalva a exceção de contrato não cumprido, uma
vez que, se convencionada, o contratante renunciará à defesa, podendo ser compelido a pagar,
independentemente do cumprimento da primeira prestação. Ex.: comum nos contratos adm.
A cláusula solve et repete, significa pague e depois reclame, é a que se estabelece em um contrato com o objetivo
de tornar a exigibilidade de sua prestação a qualquer intenção contrária do devedor, sendo que o mesmo só
poderá reclamar desta em outra ação, visando assim o pagamento ao credor sem outra oposição. A “solve et
repete” é uma renúncia à “exceptio non adimpleti contractus”.

d) Excepctio doli: excepctio é defesa e doli é dolo. É a defesa contra o dolo alheio. Ex.: exceção do contrato não
cumprido. Ex.: Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação,
pode exigir o implemento da do outro.

e) Venire contra factum proprium non potest: é a vedação de comportamento contraditório. Requisitos:
1) comportamento anterior;
2) comportamento posterior;
3) ausência de justa causa; e
4) dano ou receio de dano.

Diferença com supressio: Nesta se trabalha com omissão e no venire tem que ter pelo menos um ato positivo. Ex.:
Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade
se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior.
Obs.: no direito internacional é comum a consagração do venire por meio da denominada cláusula de stoppel.

f) Duty to mitigate the loss: A boa-fé objetiva impõe ao credor o dever de mitigar o próprio prejuízo. Tem origem
na Convenção de Viena sobre compra e venda. Art. 77. Enunciado 169, III Jornada

Princípio da relatividade dos efeitos contratuais (res inter atos): Um contrato só deverá ter repercussão
jurídica entre as próprias partes contratantes. Não se reveste daquela oponibilidade erga omnes que
caracteriza os direitos reais, ao contrário, os contratos são sempre relativos, são erga singulum. Entretanto,
vale mencionar que tal princípio não é absoluto, uma vez que a doutrina, em determinadas situações,
reconhece uma eficácia transubjetiva do contrato (para além dos sujeitos contratantes). Ex.: art. 17 do CDC
(terceiro equiparado ou bystander); algumas figuras contratuais também são exemplos que excepcionam a
regra de que um contrato só repercute juridicamente entre as próprias partes.
Exceções:
Função social do contrato (eficácia externa) - Transubjetividade jurídica da dimensão ética do negócio,
especialmente para coibir interferência indevida de terceiro (tort of induction) – ex.: caso zeca pagodinho.
Contrato com pessoa a declarar: Segundo ORLANDO GOMES, trata-se de um contrato em que se introduz a
cláusula PRO AMICO ELIGENDO ou PRO AMICO ELECTO, por meio da qual uma das partes se reserva a
faculdade de indicar quem irá assumir a posição de contratante.
Estipulação em favor de 3º: é um contrato sui generis, pelo fato de a prestação não ser realizada em favor
do próprio estipulante, como seria natural. As figuras são o estipulante, o promitente (seguradora) e o
beneficiário determinável, que não é parte, mas pode exigir o cumprimento. Os efeitos saem do contrato.
Promessa de fato de terceiro: É a situação oposta: os efeitos são de fora para dentro do contrato
-endógenos. Ex.: Promessa de um show de um cantor que não comparece, aquele que fez a promessa vai
responder

 Formação dos contratos

São quatro fases.

1. Negociações preliminares
2. Proposta, policitação ou oblação
3. Contrato preliminar
4. Contrato definitivo
Obs.: efeitos crescentes

Negociações preliminares Proposta, policitação ou oblação Contrato preliminar Contrato definitivo

Debates prévios sem força Proposta formalizada Fase preparatória do contrato Encontro de vontades
vinculativa, sem formalização definitivo. aperfeiçoado pelo contrato
Espécies: entre presentes ou entre Espécies: compromisso unilateral
ausentes de contrato (opção) ou bilateral
- Proponente, policitante ou solicitante: O contrato preliminar, exceto
faz a proposta (vinculado). quanto à forma, deve ter todos os
Oblato, policitado ou solicitado: requisitos de validade do contrato
recebe a proposta. definitivo.
Não tem força vinculativa Tem força vinculativa Tem força vinculativa Efeitos PLENOS
Obs.: mas se houver quebra Obs.: se a proposta originária é haverá responsabilidade
da boa-fé pode haver subitamente alterada pelo oblato, há civil contratual nos casos do
responsabilização (caso dos uma contraproposta e, com isso, os seu inadimplemento.
tomates) papeis se invertem.
a responsabilidade civil nessa Regra CC: T. da expedição
fase é aquilina, ou seja, trata- .
se de responsabilidade civil Exceções CC: T. da recepção
extracontratual. Nas demais (retratação ou convencionado) + email
posteriores é contratual
CDC: T. da confirmação ou duplo
clique

 REVISÃO DOS CONTRATOS - Rebuc sic stantibus (cláusula da alteração das circunstâncias)
O contrato só permanece como está se as circunstâncias também permanecerem.

- Requisitos para revisão: contrato bilateral (regra), contrato de execução diferida ou continuada, contrato
comutativo, fator imprevisibilidade (parâmetro contratante – desequilíbrio ou consequências produzidas),
onerosidade excessiva, ausência de mora, alegações verossímeis, depósito de parte incontroversa (ncpc)

Obs.: Enunciado 365 – IV Jornada. Numa prova objetiva, o art. 478 exige a extrema vantagem, mas numa
discursiva colocamos o enunciado, que afirma que a demonstração de extrema vantagem não é requisito
essencial para a revisão do contrato. LETRA DA LEI: precisa provar a extrema vantagem do outro.
Obs.2: O CDC não adotou a Teoria da Imprevisão, pois o art. 6º, V, do CDC adotou a Teoria da Base
Objetiva, não exigindo o fator imprevisibilidade. Basta um fato novo que cause onerosidade excessiva.
Exemplo disso no STJ: LEASING atrelado à variação cambial. REsp 374.351/RS. Havia a paridade cambial. O
dólar passou para 1,90. O STJ dividiu a onerosidade excessiva entre o consumidor e a empresa. O STJ vem
dividindo o prejuízo em partes iguais entre as empresas de leasing e consumidores.

 Teoria da imprevisão: a doutrina sustentam a possibilidade de revisão ou resolução do contrato, caso


acontecimento superveniente imprevisível desequilibre a sua base econômica, impondo a uma das
partes obrigação excessivamente onerosa. Assim, mitiga o princípio da força obrigatória, justifica a
resolução ou a revisão do contrato, caso acontecimentos supervenientes e imprevisíveis desequilibrem
a sua base econômica, impondo a uma das partes obrigação excessivamente onerosa. Em geral, aplica-
se a contratos de médio e longo prazo.
Elementos: Superveniência de acontecimento imprevisível, alteração da base econômica do contrato,
obrigação excessivamente onerosa para uma das partes, p. da equivalência material.

a) Superveniência de um acontecimento imprevisível;


b) Alteração da base econômica do contrato;
A alteração da base econômica do contrato deve ser objetiva, ou seja, não pode ter ocorrido em função de
fato que somente afetou a parte, mas em função de fato com efeitos gerais
c) Obrigação excessivamente onerosa para uma das partes;
d) Princípio da equivalência material: preservação do equilíbrio real entre as prestações pactuadas

A TEORIA DA IMPREVISÃO É INAPLICÁVEL AOS CONTRATOS ALEATÓRIOS


Obs.: se no contrato aleatório, o fato imprevisível não estiver inerente à álea, é possível a aplicação da
teoria da imprevisão, tendo em vista que esta teoria é implícita nos contratos aleatórios. Ex.: o preço.
Desse modo, se a parte se compromete a pagar um dólar por tomate, e a moeda esteja valendo R$ 3,15.
Havendo modificação na economia e passando o dólar a valer R$ 1,00, haverá prejuízo a uma das partes.

+ o STJ reconhece a aplicação da teoria da imprevisão aos contratos consumeristas, entendendo que é
possível contabilizar imprevistos para revisão de contratos dessa natureza, na qual chamamos de teoria
da quebra da base.
TEORIA DA QUEBRA DA BASE OBJETIVA DO NEGÓCIO: O CDC prevê como direito básico do consumidor a possibilidade
de exigir a revisão de um contrato toda vez que um fato superveniente acarretar uma onerosidade excessiva.
Conforme se verifica, a teoria da quebra da base objetiva do negócio exige apenas dois requisitos para a revisão:
Fato superveniente; Onerosidade excessiva.
Dessa forma, diferentemente da teoria da imprevisão, verifica-se que o consumidor não precisa demonstrar que o
fato que gerou a desproporção entre as prestações era imprevisível.
Como exemplo, podemos mencionar a situação de um contrato de leasing de um veículo automotor pelo prazo de 48
meses, com índice de atualização das prestações atrelado à variação cambial do dólar. Nesse caso, ocorrendo uma
alta valorização da moeda americana, a prestação que o consumidor irá pagar será excessivamente onerosa. Contudo,
não se pode dizer que esse fato era imprevisível, uma vez que a variação cambial é esperada no mercado. Dessa
forma, pode-se afirmar que não seria possível aplicar a teoria da imprevisão, porém, estando o contrato de leasing
inserido em uma relação de consumo, o consumidor poderia exigir a revisão contratual com fulcro na teoria da quebra
da base objetiva do negócio

- Diferença entre revisão e modificação contratual: Na modificação contratual, a cláusula contratual é


originariamente abusiva/desproporcional, ou seja, o contrato já nasce abusivo, merecendo ser modificado.
Em contrapartida, na revisão contratual, a avença nasce equilibrada, mas, posteriormente, torna-se
excessivamente onerosa a uma das partes, devendo ser revisto.
 Vícios Redibitórios: são os vícios ocultos que atingem a coisa, objeto do contrato, desvalorizando-a ou
tornando-a impropria ao uso. Gerando a resolução ou abatimento do contrato, repercutindo no plano
da eficácia.
Obs.: Vícios redibitórios: contratos civis X Vícios do produto: contratos de consumo
Existe uma garantia legal contra os vícios redibitórios em determinados contratos: Contratos bilaterais;
Onerosos; Comutativos ou Doações onerosas. Ex.: doação modal/com encargo (“cavalo dado se olha os
dentes sim”).
O adquirente prejudicado pelo vício redibitório poderá fazer uso das Ações Edilícias, pleiteando:
1) Abatimento proporcional no preço – ação quanti minoris ou estimatória.
2) Resolução + devolução dos valores pagos + despesas contratuais + perdas e danos (se houver a má-fé) –
ação redibitória.
Cabe resolução mesmo se o alienante não souber do vício.
A sua má-fé somente influencia na questão das perdas e danos – art. 443 do CC.
- Prazos decadenciais (art.445):
I - Vícios que poderiam ser percebidos imediatamente – caput.
30 dias – móveis
1 ano – imóveis
Contados da entrega efetiva do bem -> Tradição real.
Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um
ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade.
Vamos fazer uma ponderação reflexiva: Nas ações quanti minoris – estimatória – não se aplica o dispositivo acima mencionado, tendo em
vista que a sentença é condenatória e a relação entre credor e devedor é de direito subjetivo. Os direitos subjetivos, por sua vez, estão
sujeitos a prazos prescricionais, enquanto os prazos decadenciais estão ligados a direitos potestativos.
redibir o contrato  direito potestativo;
cobrar o abatimento do preço  direito subjetivo
para a ação quanti minoris, aplicam-se as regras de prazo prescricional – 03 anos; e para ação redibitória, aplica-se o prazo decadencial
previsto no artigo 445 do CC.
Nesse contexto, quando da leitura do artigo 445, deve-se excluir a expressão “abatimento no preço”. Todavia, se em prova objetiva for
cobrada a literalidade do dispositivo, deve-se assinalar como correta.

ATENÇÃO: Se o adquirente já estiver na posse os prazos são reduzidos à metade e contados da alienação.
Ex.: locatário que compra o imóvel.
Possibilidade de burlar o prazo: Se as partes num contrato de compra e venda de um bem móvel, por exemplo, realizam a
entrega desse bem na data de hoje, mas somente formalizam o contrato de compra e venda no dia de amanhã. Tendo em
vista que no momento da formalização do contrato o adquirente já estava na posse do bem, o prazo para o ajuizamento de
redibitória cai para 15 dias. Essa redução é realizada, independentemente de quanto tempo faz que o adquirente se encontre
na posse do bem.

II. Vícios que por sua natureza somente podem ser percebidos mais tarde (ocultos) - §1º
- 180 dias - móveis
- 1 ano – imóveis ex. infiltração.

Nesse caso, o ordenamento dá ao adquirente dois prazos:


1. um para a constatação da existência do direito
2. um para reclamar a existência do defeito, a partir dessa constatação.
- Bem móvel: 180 dias para constatar a existência do defeito (contados da entrega efetiva do bem) + 30
dias para reclamar (contado da constatação) ; e
- Bem imóvel: 1 ano para constatar a existência do defeito (contados da entrega efetiva do bem) + 1 ano
para reclamar (contado da constatação).

- Enunciado n. 174 (CJF): “Em se tratando de vício oculto, o adquirente tem os prazos do caput do art. 445
para obter redibição ou abatimento de preço [30 dias = bem móvel; 1 ano = bem imóvel], desde que os
vícios se revelem nos prazos estabelecidos no § 1º, fluindo, entretanto, a partir do conhecimento do defeito
[180 dias = bem móvel; 1 ano = bem imóvel].

- POSIÇÃO DO STJ: O prazo decadencial para o exercício da pretensão redibitória ou de abatimento do


preço de bem móvel é de 30 dias (art. 445 do CC). No caso de vício oculto em coisa móvel, o adquirente
tem o prazo máximo de 180 dias para perceber o vício (§ 1º do art. 445) e, se o notar neste período, tem o
prazo de decadência de 30 dias (a partir da verificação do vício) para ajuizar a ação redibitória. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.095.882-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 9/12/2014 (Info 554).
Garantia contratual: enquanto a garantia contratual está em curso, o prazo da garantia legal está
suspenso
! - Decadência convencional
Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o
adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob
pena de decadência. Polêmica: essa decadência atinge o que?
1) Só atinge a garanta contratual (MAJORITÁRIA) – MHD. Aqui se não reclama nos trinta dias, no 31º
dia começa a correr o prazo legal de garantia. Os prazos são independentes.
2) Atinge a garantia contratual e legal – Simão.

- São elementos caracterizadores ou requisitos do vício redibitório:


a) a existência de um contrato comutativo (translativo da posse e da propriedade da coisa);
b) um defeito oculto existente no momento da tradição;
c) a diminuição do valor econômico ou o prejuízo à adequada utilização da coisa.

OBS.: diferentemente da evicção, para o vício redibitório o legislador não fez previsão de hasta pública, no
sentido de admitir a responsabilidade civil (o direito às perdas e danos).
 Evicção:
O instituto da evicção trata-se de uma garantia jurídica, pois o vício/defeito encontra-se na relação jurídica
e não na coisa, como ocorre no vício redibitório. Podem ocorrer nos contratos onerosos e comutativos ou,
na doação onerosa.
Bilaterais; Onerosos; Comutativos; Arrematado em hasta pública.
OBS.: Se a aquisição se deu em hasta pública, quem responderá pelos riscos da evicção? Em primeiro
plano, o devedor responde pelo risco da evicção em hasta pública, havendo entendimento na doutrina, no
sentido de responsabilizar o credor caso o devedor seja insolvente, já que este recebeu o preço.
Entendimento minoritário: Araken de Assis a partir do pensamento de Castro Villar, e na mesma linha
Fredie Didier Júnior, o Estado poderá responder também pela evicção, pois não pesquisou a fim de saber se
o bem poderia ser levado à hasta.

É a perda da coisa diante de uma decisão judicial ou ato administrativo de apreensão que a atribui a um 3º
EX.: STJ – apreensão de vínculo pelo DETRAN (REsp. 259726/RJ).
Não há necessidade de trânsito em julgado da decisão (REsp. 1332112/GO).
A evicção prescinde de sentença – Pode ser por ato administrativo.

PARTES DA EVICÇÃO: ALIENANTE + ADQUIRENTE/EVICTO + TERCEIRO/EVICTOR


Quem transmitiu a Quem perde a coisa Quem consegue a coisa
coisa viciada para si
. (alienante)

ALIENANTE -----transmite ------- ADQUIRENTE (EVICTO)


TERCEIRO (EVICTOR) ----- pleiteia.
ADQUIRENTE ---- denunciação da lide ----- ALIENANTE.

Cabe ao alienante a obrigação da evicção. Trata-se de uma obrigação de fazer - garantir a propriedade ou
vir a indenizar pela impossibilidade da manutenção de tal benefício em favor do adquirente.

E para que a sua (alienante) responsabilidade se manifeste, três requisitos devem se conjugar:
a) aquisição de um bem; b) perda da posse ou da propriedade;
c) prolação de sentença judicial ou execução de ato administrativo.

O evicto, ao exercer o seu direito, resultante da evicção, formulará, em face do alienante, uma pretensão
tipicamente indenizatória. Inclusive, a prática de atos conservatórios em casos de cláusulas condicionais.
Obs.: ação edilícia deve ser observado o prazo prescricional de 3 anos - art. 206, § 3º, inciso V, CC.
Os prazos de evicção são prescricionais de 03 anos - evicção possui a mesma natureza da ação quanti
minoris.

-> Exclusão da evicção: Legal ou convencional


A cláusula excludente da responsabilidade por evicção não é totalmente exonerativa da responsabilidade
do
alienante. Se constar somente essa cláusula, o adquirente pode cobrar o preço da coisa (evita o
enriquecimento sem causa).

Para que o alienante não tenha qualquer responsabilidade do contrato devem constar duas cláusulas:
A cláusula excludente de responsabilidade pela evicção + Cláusula de ciência ou assunção de
“se a coisa se perder, o alienante não responde” risco pelo adquirente “estou ciente do risco”.
.

Espécies: a evicção pode ser total ou parcial.


a) Total:
O preço que pagou pela coisa no momento da perda. (preço que vale)
- Frutos: que tiver sido obrigado a restituir ao evictor.
- Benfeitorias necessárias e úteis não abonadas.
- Despesas contratuais (escritura, registro, etc.).
- Custas judiciais e honorários advocatícios.
- Perdas e danos em geral - Inclusive dano moral.
b) Evicção parcial
- Considerável – o adquirente pode optar entre a rescisão do contrato ou indenização pela parte
perdida - Não considerável – apenas indenização pela parte perdida.
Obs.: a análise aqui é quantitativa e qualitativa. Perdi 10% da Fazenda, mas era a única parte dela
produtiva.

+ Aspecto processual:
Prazo prescricional: 3 anos para que o evicto proponha ação de indenização contra o alienante
Cabe denunciação da lide (Ñ é obrigatória), não podendo ser “per saltum”,
apesar do CC prevê, o CPC a veda

QUESTÕES RESIDUAIS
- Não deixa de ocorrer evicção caso a ação verse apenas sobre a posse do bem que foi adquirido e que
agora é reclamado por terceiro.
- O direito de terceiro tem que ser anterior à perda.
- A boa-fé ou a má-fé são irrelevantes para se configurar a evicção.
- Se o adquirente souber e assumir o risco (contrato aleatório) não há evicção.

EXTINÇÃO DOS CONTRATOS

NORMAL EXTINÇÃO POR FATOS EXTINÇÃO POR FATOS POSTERIORES EXTINÇÃO POR MORTE
ANTERIORES À CELEBRAÇÃO
Execução, seja Autonomia privada (por eventual Resolução (inadimplem.), resilição Só ocorre nos contratos
instantânea, diferida ou cláusula) ou problemas de (unil. ou bil.), rescisão (a doutrina personalíssimos (intuito
continuada. formação. entende ser = resolução) personae)
Hipóteses: invalidade contratual A resilição: unilateral é através de Contrato cessa pela morte.
(nula ou anulável), previsão de denúncia, bilateral é pelo distrato ou Ex.: art. 607 (prestação de
cláusula de arrependimento, contratual (se houver previsão legal) serviço) e art. 836 (fiança).
cláusula resolutiva expressa
Nulidade: efeitos ex tunc Observações:
Anulabilidade: “ ex nunc Resolução: em virtude de cláusula
resolutória, a resolução será
imediata.
A cláusula resolutiva expressa Sem a cláusula resol. É preciso uma
opera de pleno direito; a tácita notificação para a resolução
depende de interpelação jud. Obs.: Resilição – na sua espécie unilateral
em alguns casos, mesmo deve haver notificação previa para a
constando a cláusula, há denúncia (espécies: denúncia vazia,
necessidade de interpelação ou revogação, renúncia, exoneração
notif da parte. Ex.: Comprom. de unilateral)
compra e venda não registrado:
Súm. 76 STJ. Já no cont. de arrend. + Resolução – Inexecução voluntária
mercantil (leasing) : necessária a com dolo ou culpa (acarreta perdas e
notificação prévia para constituir danos), sem dolo ou culpa (não há
em mora. Súmula 369 STJ. perdas e danos), por onerosidade
excessiva, clausula resolutiva tácita
Seguro – jurisprudência. Alienação
fiduciária em garantia –
jurisprudência.

COVID-19 E IMPACTOS NOS CONTRATOS


a) DE CASO FORTUITO:
Evento totalmente imprevisível — ou força maior: evento previsível, mas inevitável —, nos termos do art. 393 do
Código Civil, para justificar o inadimplemento. Por esse comando, o devedor não responde pelos prejuízos resultantes
desses eventos se expressamente não se houver por eles responsabilizado, por força do contrato.
b) RESOLUÇÃO OU REVISÃO DO CONTRATO COM BASE NA TEORIA DA IMPREVISÃO OU DA
ONEROSIDADE EXCESSIVA (arts. 317, 478, 479 e 480 do Código Civil)
Nunca é demais lembrar que a codificação privada exige, além da onerosidade excessiva, que o fato novo
superveniente que causou o desequilíbrio seja, ao menos, imprevisível, afirmação que vale para a pandemia de Covid-
19.
Quanto aos contratos de consumo, a revisão ou resolução contratual dispensa a imprevisibilidade, bastando um fato
novo que cause a quebra da base objetiva do negócio, da proporcionalidade das prestações (art. 6º, inc. V, da Lei n.
8.078/1990).
c) UTILIZAÇÃO DO INSTITUTO DA IMPOSSIBILIDADE DA PRESTAÇÃO

TARTUCE
1º Grupo:
No primeiro grupo estão aqueles contratos em que houve a intervenção do Estado por atos normativos para fazer cessar as
atividades, um fato do príncipe, como nos casos de cinemas, restaurantes, teatros e lojas em shopping centers ou fora deles.
Para esses negócios, os autores sugerem a incidência da impossibilidade da prestação, com a suspensão de pagamentos ou
eventual resolução no futuro, sem imputação de culpa a qualquer uma das partes.
2º Grupo:
No segundo grupo de contratos situam-se os negócios em que não há ato normativo de intervenção, mas está presente a falta
de interesse da parte quanto ao seu conteúdo, o que se verifica para as compras de passagens áreas.
Nesses, incide a tese da frustração do fim da causa, que, como visto, tem relação com a função social do contrato, resolvendo-
se este sem a imputação de culpa a qualquer uma das partes.
De todo modo, não se pode admitir, com essa solução, uma proteção exagerada de qualquer uma dos partes para que, por
exemplo, os valores sejam devolvidos somente após um longo período de tempo, fora da esperada razoabilidade. Assim, um
prazo de doze meses para a devolução dos valores relativos às passagens áreas me parece algo excessivo.
3º Grupo:
No terceiro grupo temos os contratos em que houve um agravamento do sacrifício econômico para uma ou ambas as partes,
caso de grandes contratos de fornecimento entre empresas, ou empréstimos bancários para o incremento do capital de giro.
Aqui, devem ser subsumidos os preceitos relacionados à revisão ou mesmo resolução por onerosidade excessiva, caso dos arts.
317 e 478 do Código Civil. Não se pode esquecer que, diante do princípio da conservação e da correspondente função social do
contrato, a extinção do contrato deve ser a última medida a ser tomada.
Nesse contexto, podemos citar o Enunciado n. 176 da III Jornada de Direito Civil: "em atenção ao princípio da conservação dos
negócios jurídicos, o art. 478 do Código Civil deverá conduzir, sempre que possível, à revisão judicial dos contratos e não à
resolução contratual".

DIREITO INTERTEMPORAL DOS CONTRATOS:


Os negócios jurídicos celebrados antes da entrada em vigor do novo Código continuarão regidos pelas leis anteriores
(CC 1916 e Cód. Comercial), quanto aos seus pressupostos de validade (nulidade e anulabilidade).
Da mesma forma, não se deve pretender aplicar as regras da lesão e do estado de perigo (defeitos do negócio
jurídico), inauguradas pelo Código de 2002 (art. 156 e 157), restando ao hermeneuta recorrer a outros meios de
colmatação, eventualmente aplicáveis, e à luz da disciplina normativa anterior.
Ex.: Por tais razões, um contrato celebrado por um menor de 18 anos, antes de 11 de jan. (data da entrada em vigor
do cc/02), continua sendo anulável (art. 147, I, CC/16), a despeito da redução da maioridade civil (18 anos), eis que, à
época da celebração do negócio, segundo a lei então vigente, o ato seria considerado inválido.

CONSIDERADOS EM SI MESMOS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS


Unilaterais ou bilaterais
Onerosos ou gratuitos
Quanto à natureza da
Comutativos (prestações conhecidas) ou
obrigação
aleatórios (coisas ou fatos futuros)
Formais ou reais CONTRATOS PRINCIPAIS ou CONTRATOS-
Consensuais (apenas pelo acordo), formais BASE
Quanto à forma (exige uma forma pré-estabelecida) ou reais
(exigem a entrega da coisa)
Quanto à designação Nominados e inominados
Alienação de bens
Quanto ao objeto (conteúdo Transmissão de uso e gozo
do direito conferido) Prestação se serviço
Conteúdo especial
Execução imediata CONTRATOS ACESSÓRIOS ou CONTRATOS –
Quanto ao tempo de execução Execução mediata DERIVADOS
Execução diferida
Quanto à pessoa do
Intuito personae ou impessoal
contratante

CONTRATOS Um dos contratantes, na alienação de coisa futura, toma para si o risco


ALEATÓRIO relativo à existência da coisa, ajustando um preço, que será devido
S integralmente, mesmo que nada se produza (artigo 458), sem que haja
culpa do alienante; vende-se a esperança ou a probabilidade de as coisas
existirem.
EMPTIO SPEI
EXEMPLO: comprar de um pescador, por preço certo, os peixes que este
retirar de sua rede, assumindo o risco de nenhum peixe ser apanhado.

Dizem respeito à
coisa futura
Ocorre que a álea versa sobre quantidade maior ou menor da coisa
esperada (artigo 459). O risco assumido pelo adquirente determina o
pagamento do preço ao alienante, mesmo que venha a existir em quantia
EMPTIO REI mínima ou irrisória, basta que a coisa venha a existir em qualquer
SPERATAE quantidade.
EXEMPLO: comprar de um pescador o produto do lanço de sua rede,
assumindo apenas a álea de ele retirar maior ou menor quantidade de
pescado, o adquirente libertar-se-á da obrigação, se a rede nada contiver.
Dizem respeito à Para o contrato ser aleatório, deve existir risco de que as coisas se percam, danifiquem-se
coisa existente ou ainda, sofram depreciação (artigo 460). A alienação aleatória poderá ser anulada como
dolosa pelo prejudicado, se provar que o outro contratante não ignorava a consumação do
risco, a que no contrato se considerava exposta a coisa. A venda será válida e o vendedor
terá direito ao preço, se ignorava o sinistro (artigo 461). 

A teoria da imprevisão é inaplicável aos contratos aleatórios

Obs.: se no contrato aleatório, o fato imprevisível não estiver inerente à álea, é possível a aplicação da
teoria da imprevisão, tendo em vista que esta teoria é implícita nos contratos aleatórios. Ex.: o preço.
Desse modo, se a parte se compromete a pagar um dólar por tomate, e a moeda esteja valendo R$ 3,15.
Havendo modificação na economia e passando o dólar a valer R$ 1,00, haverá prejuízo a uma das partes.

 CONTRATOS EM ESPÉCIE

1. CONTRATO DE COMPRA E VENDA


CONCEITO: Pelo contrato de compra e venda, o vendedor compromete-se a transmitir (translativo) ao
comprador o domínio de certa coisa, mediante uma remuneração.
Obs.: o que transmite é o registro ou a tradição.
NATUREZA JURÍDICA: Bilateral, oneroso, consensual, comutativo, formal e solene.
EXCEÇÕES:
A) Pode ser aleatório (o risco é causa do contrato).
- Venda da esperança: emptio spei (existência) – o risco diz respeito à existência da coisa e a sua
quantidade (o risco é maior). Ex.: pescador, eu te dou vinte reais, você entra no mar e me dá o que pescar.
- Venda da esperança com coisa esperada: emptio rei speratae (quantidade). Há risco só na quantidade. Ex.:
pescador, te dou 50 reais, mas você tem que pescar pelo menos dez peixes.
B) ATENÇÃO: se o imóvel vale mais de 30 salários mínimos, o contrato é solene e formal, pois o art. 108
exige a escritura. Se for igual ou menor que 30 salários mínimos, o contrato é não solene e formal –
continua havendo a exigência quanto à forma escrita (como iria registrar, mesmo que não solenemente,
sem ser escrito?). Contrato solene ou não-solene: pode ser um contrato solene ou não-solene dependendo
do objeto do contrato.
Pagamento: em dinheiro ou valor fiduciário (cheque ou valor de crédito).
Responsabilidade pelo risco:
REGRA: até o momento da tradição, o risco da coisa corre pelo vendedor e os do preço pelo comprador
EXCEÇÕES:
1. Em casos fortuitos ocorrentes no caso de contar, marcar ou assinalar a coisa, que já tiverem sido
postas à disposição do comprador: o risco é do comprador
2. Em caso de mora do comprador em receber as referidas coisas, quando postas à sua disposição: o risco
é por conta do comprador
3. Em caso de entrega da coisa, se o vendedor contrariar as ordens do comprador: o vendedor suporta
os riscos ocorridos no transporte da coisa.

Ordem ao cumprimento das obrigações: 1º o comprador paga, depois o vendedor entrega a coisa

Elementos: PARTES em CONSENSO + COISA + PREÇO

a) Partes + consenso – observando a regra de legitimação


a.1. necessidade de outorga uxória para a venda de imóvel, salvo no caso de separação abs. De
bens
-> Falta de outorga: anulabilidade – prazo decadencial 2 anos, contados da dissolução da socie.
Conj.
Obs.: divergência sobre a aplicabilidade para união estável.
a.2. venda de ascendente para descendente: necessidade de autorização dos demais
descendentes e do conjugue varão. Sua ausência acarreta anulabilidade – prazo decadencial de 2
anos
Obs.: se for doação, dispensa-se autorização, pois é adiantamento de herança e o bem deverá
ser colecionado.
a.3. pessoas impedidas de contratar – art. 497 CC. Passível de nulidade
b) Coisa (res): bem corpóreo/ material (se for imaterial seria cessão de direitos)
Deve ser licito, possível, determinado ou determinável, sob pena de nulidade absoluta.
Obs.: A compra e venda pode ter como objeto coisa atual ou futura (venda sob encomenda).
Se a coisa vier a não existir a compra e venda será ineficaz (não falar que é nula), a não ser que o
contrato seja aleatório (emptio soei)
OBS.2: venda por amostra, protótipo ou modelo: Funciona sob condição suspensiva. A coisa deve
ser entregue conforme prometido. A oferta prevalece sobre o conteúdo do contrato.
c) PREÇO: remuneração da compra e venda, devendo ser expressa em moeda nacional corrente
pelo valor nominal (princípio do nominalismo – em reais), sob pena de nulidade. Ex.: comprei
imóvel por um milhão de dólares – nula. Não pode ser em dólar, mas pode ser cotado em dólar.
MODALIDADES DE PREÇO: cotação, arbitramento/por avaliação (feito por 3º) e tabelado/preço
médio (ordem na ausência de estipulação: preço tabelado/vendas habituais/preço médio), preço
unilateral.

Regras especiais: Não precisam estar expressas, são implícitas aos contratos

1. VENDA DE COISA COMUM OU BEM INDIVIDÍVEL EM CONDOMÍNIO

+ Direito de preempção: consiste em um direito de preferência na venda. Há um direito de preempção


(preferência) legal em favor do condômino, seja móvel ou imóvel. Devendo haver igualdade de condições
‘tanto por tanto’. Ex.: tenho uma moto em condomínio com minha irmã. Ofereço minha parte a ela.
Ex.2: tenho meu apartamento em condomínio edilício (bem divisível) – não preciso oferecer.
Atenção: O condômino preterido pode entrar com ação adjudicatória ou anulatória, inclusive contra
terceiros (ação de preferência de natureza real). Atenção: Tem que depositar o preço.
NATUREZA – anulatória -> prazo decadencial de 180 dias p/essa ação, contando da ciência da venda (e.
maj.)
Ordem no caso de pluralidade de condôminos com preferência.
1) Quem tem benfeitorias de maior valor.
2) Quem tenha quinhão maior.
3) Quem depositar primeiro.

2. VENDA POR MEDIDA OU POR EXTENSÃO – VENDA AD MENSURAM

Na venda de imóveis é possível estabelecer que a sua área não é meramente enunciativa, ou seja, trata-se
de um fator determinante do negócio jurídico. Ex.: apartamento.

VENDA AD CORPUS VENDA AD MENSURAM


Venda na qual as dimensões são
imprecisas, simplesmente enunciativas.
Venda especificada, venda detalhada por indicação de preço e medida
Presunção enunciativa quando a
de extensão.
diferença não exceder a 1/20 (§ 1o, artigo
500)
Proteção especial do comprador (artigo 500, caput):
Venda ad corpus – o imóvel interessa de a) AÇÃO EX EMPTO – complemento da área.
corpo inteiro. Não interessa pela b) REDIBITÓRIA – Resolução do contrato.
metragem. A área é enunciativa. c) ESTIMATÓRIA – Abatimento no preço.
(Essas duas últimas somente em caso de não ser possível a
complementação da área, segundo Tepedino)
O § 1o, artigo 500, traduz a ideia de que se a margem de erro é apenas
de 5%, o comprador não poderá ingressar em juízo, salvo se provar
que sem esse percentual não teria realizado a compra.
Obs.: é tolerável, em regra, uma variação de até 5%. Porém, o STJ entendeu que uma cláusula de
admissão dessa variação é abusiva quando inserida em larga escala em contratos de consumo. REsp
426.853/DF.

Na venda ad mensuram, se houver uma variação considerável na área, estará presente um vício
redibitório especial.

a) Se faltar área – o comprador prejudicado poderá pleitear


 Complementação da área – ação ex empto
 Abatimento no preço – ação quanti minoris/estimatória
 Resolução + devolução das quantias (perdas e danos, se houver má-fé) – ação redibitória.

b) Se houver excesso de área e o vendedor comprovar que tinha motivos para ignorar a variação dessa
área, poderá ingressar em juízo. O comprador terá duas opções:
 Completar o preço
 Devolver o excesso
Obs.: o art. 501 estabelece o prazo decadencial para todas essas ações – 1 ano, a contar do registro do
título. O prazo de decadência é impedido ou suspenso se houver invasão do imóvel. É exceção à regra do
artigo 207 – Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que
impedem, suspendem ou interrompem a prescrição

CLÁSUSULAS ESPECIAIS DA COMPRA E VENDA

Devem estar expressas no contrato, pois decorrem da autonomia privada ( diferenciando-se das regras
especiais)
a) Cláusula de retrovenda, recompra ou retrato
b) Venda a contento e venda sujeita a prova
c) Cláusula de preempção, preferência ou prelação convencional (diferente da do condomínio)
d) Cláusula de venda com reserva de domínio

 Cláusula de retrovenda, recompra ou retrato – arts. 505 ao 508 CC


Consiste na possibilidade do vendedor (faculdade) de coisa imóvel reservar-se o direito de recobrá-
la/recomprá-la no prazo máximo de decadência de 3 anos.
Logo, é uma propriedade resolúvel do comprador, há uma condição para adquirir.
ATENÇÃO: Na recompra, o vendedor deve pagar o preço recebido, monetariamente corrigido, como
também, as despesas e benfeitoria necessárias.

Se o comprador se negar a vender a coisa, caberá a ação de resgate. Essa ação de resgate tem natureza
real, ou seja, erga omnes, podendo ser proposta contra terceiro adquirente. O terceiro tem propriedade
resolúvel (se ela é registrada na matrícula do imóvel, pode ser oposta contra terceiros)

 Venda a contento e venda sujeita a prova – arts. 509 ao 512


Distinção: na venda a contento a coisa ainda não é conhecida, havendo a consumação do negócio a critério
do comprador, independentemente da coisa. Já na venda sujeita à prova a coisa já é conhecida, havendo a
consumação do negócio quanto ao fato da coisa ter ou não as qualidades asseguradas pelo vendedor e ser
ou não idônea para o fim a que se destina. Lembrando que os efeitos para ambas são os mesmos.
Essas cláusulas funcionam como condição suspensiva, pois a venda somente será plenamente eficaz se
houver a aprovação pelo comprador (móveis ou imóveis).
Obs.: Elas são trazidas como no CC como cláusulas especiais, mas na prática são regras especiais
(implícitas) nas vendas de vinhos, alimentos e perfumes. É só lembrar do cerimonial do vinho venda ad
gustum.

 Cláusula de preempção, preferência ou prelação convencional – arts. 513 a 520


É diferente da clausula legal de preempção no condomínio
“A natureza jurídica da preempção é de promessa unilateral de oferecer a coisa ao vendedor, pelo preço
equivalente ao da oferta feita por terceiro interessado na sua aquisição. No Direito Brasileiro, confere ao
vendedor apenas um direito pessoal (personalíssima – não cabe transmissão)que, se desrespeitado, gera
para o comprador a obrigação de arcar com as perdas e danos” [Tepedino]
Logo, é uma cláusula inserida na venda de bens móveis e imóveis, que dá ao vendedor um direito de
preferência se o comprador pretender vender a coisa para terceiro “tanto por tanto” (igualdade de
condição).
Espécies: convencional (cláusula feita pelas partes) e legal (ex.: 519 do CC)
Prazo decadencial de cobertura da preempção:
● Móvel: 180 dias da data da venda
● Imóvel: 2 anos da data da venda
Obs.: prazos decadenciais para manifestação do vendedor quanto às preferências após a notificação pelo
comprador (são prazos mínimos)
● Móvel: 3 dias
● Imóvel: 60 dias
Se o vendedor for preterido, os efeitos são obrigacionais e não reais. NÃO CABE ADJUDICAÇAO DA COISA,
como na preempção legal. Aqui se resolve por perdas e danos – efeitos obrigacionais.

OBS.: Ao contrário da retrovenda, não cabe transmissão. É personalíssima.

 Cláusula de venda com reserva de domínio – arts. 521 a 528


Conceito: Cláusula inserida na venda de bens móveis infungíveis, pela qual o vendedor mantém a
propriedade da coisa até que o preço seja integralmente pago. Quando o comprador paga integralmente
o preço, deixa de ter posse indireta e passa a ter a posse direta/plena. (propriedade resolúvel).
Pelos riscos da coisa responde o comprador (res perit emptoris). É uma exceção da regra res perit domini.
Requisitos:
Formal de validade: que seja estipulada por escrito
Eficácia: Registro no domicilio do comprador para valer contra terceiros – erga omnes

Na verdade, essa reserva de propriedade não passa de uma garantia: Visa a proteger o vendedor de um
móvel, que fica sem garantia do pagamento posterior. Para o bem imóvel, a solução é o compromisso de
compra e venda.
Inadimplemento do comprador, o vendedor tem duas opções:
a) Cobrar as parcelas vencidas e vincendas;
b) Recuperar a posse do bem (se o inadimplemento for substancial) – ação de busca e apreensão.
Exige-se a constituição da mora – logo, é EX PERSONA, mediante protesto do título ou interpelação judicial
Atenção: INFO 601 STJ – 28/03/2017: Assim, em caso de cláusula de reserva de domínio, existem três
formas pelas quais o vendedor (credor) poderá comprovar a mora do comprador (devedor): a) mediante
protesto do título; b) por meio de interpelação judicial; c) por notificação extrajudicial enviada pelo
Cartório de Títulos e Documentos.
DISTINÇÃO
RESERVA DO DOMINIO ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA
Clausula no contrato de compra e venda Garantia real do contrato de mútuo
Contrato de compra e venda a prazo Contrato de compra e venda À vista
Contrato de mútuo com garantia real
Propriedade resolúvel em favor do vendedor Propriedade resolúvel em favor do banco
Relação bilateral: comprador e vendedor Relação trilateral: comprador, vendedor,
instituição financeira

OBS.:
Súmula  369: “No contrato de arrendamento mercantil (leasing), ainda que haja cláusula resolutiva
expressa, é necessária a notificação prévia do arrendatário para constituí-lo em mora”
Na alienação fiduciária em garantia a ação cabível é busca e apreensão, que pode ser convertida em ação
e depósito (isso não pode ser feito na venda com reserva de domínio).

A reserva de domínio é uma exceção à regra geral de transmissão da propriedade por tradição. A venda
com reserva de domínio caracteriza-se pela transmissão da posse não correspondente à transmissão do
domínio, que fica com o vendedor até que o preço esteja integralmente pago.

OUTROS CONTRATO EM ESPÉCIES:

1) Contrato de Prestação de Serviço


2) Contrato de Empreitada
3) Contrato de fiança
4) Contrato de doação
Contrato de Prestação de Serviço: 
 Trata-se de um contrato em que uma pessoa (prestador ou executor) compromete-se a realizar uma
determinada atividade em favor de outra pessoa (tomador ou solicitante), mediante certa remuneração
(preço ou salário civil).

Sujeito dos contratos: Os sujeitos são o tomador e o prestador (bilateral). Por ser um contrato
personalíssimo, a cessão contratual depende de expressa anuência da outra parte.
#EXCEÇÃO: O contrato é transferido automaticamente (logo, sem necessidade de expressa anuência) em
caso de alienação de prédio agrícola (imóvel com destinação rural).
EX.: Imagine o caso do caseiro em um sítio. Caso a propriedade seja alienada, o prestador pode escolher
entre continuar prestando serviço ao adquirente da propriedade ou ao primitivo contratante.

Capacidade civil e habilitação: Como qualquer contrato, a formação válida depende da capacidade civil dos
contratantes. Para a prestação de serviço, exige-se que o prestador tenha, pelo menos, 16 anos
ATENÇÃO
Determinadas atividades exige-se capacidade ou habilitações específicas. Ex: profissional da área da
saúde (médico e enfermeiro), profissional da advocacia.
A pessoa que não era habilitada pode cobrar a remuneração? Se o serviço for prestado de boa-fé por
quem não possui habilitação específica, o prestador poderá cobrar uma compensação razoável, mas não
será a mesma do profissional habilitado. Exemplo: Intermediação de negócio imobiliário sem registro no
CRECI. Na realidade, a pessoa presta serviço de corretagem.
Se houver forte interesse público na prestação do serviço, o prestador não fará jus à remuneração. Ex:
Falso médico ou falso advogado.
O STJ tem afastado a cobrança de honorários advocatícios por parte de empresas de cobrança.

Objeto: Obrigação de fazer lícita: intelectual ou braçal. Se o contrato não estipular especificadamente o
serviço, será compreendido que o prestador se obrigou a todo e qualquer tipo de serviço, desde que
compatível com a sua condição, força, etc.

Remuneração (preço ou salário civil): A remuneração é um elemento ESSENCIAL do contrato de prestação


de serviço, vedando-se o contrato escravo. Sem remuneração não há prestação de serviço.
Mas, se o contrato de prestação de serviço for omisso quanto à remuneração, a onerosidade será
presumida. Se não houver acordo entre as partes, o preço será arbitrado pelo Juiz.
A remuneração é, em regra, em pecúnia/dinheiro, mas não há proibição quanto à remuneração in natura
(moradia, alimentação).

Prazo contratual: Celebrado por prazo determinado ou indeterminado, vedando-se a celebração pelo
prazo superior a 4 anos.
Qual a consequência se o contrato for estipulado por prazo superior a 04 anos? Se estipulado por prazo
superior a 04 anos, o contrato será válido e eficaz até o prazo estipulado (não há qualquer nulidade). Após
o prazo máximo legal (04 anos), o contrato será interpretado como se estivesse estabelecido por prazo
indeterminado.
OBS.1: Há quem defenda que o contrato, após o prazo máximo legal (04 anos), será extinto (plano da
eficácia). O concurso pode adotar ambas as consequências. 
OBS.2: Não existe proibição para a celebração de sucessivos contratos de 04 anos.
E se o contrato for omissivo quanto ao prazo? Se o contrato for omisso quanto ao prazo (prazo
indeterminado) e não for possível deduzi-lo da natureza da atividade e dos costumes, qualquer das partes
poderá resolvê-lo mediante prévio-aviso (art. 599, CC).
Prazos específicos para o aviso prévio:
(i) Aviso deve ter antecedência de 08 dias, se o salário for mensal ou por período superior (bimestral,
semestral, etc.).
(ii) Aviso deve ter antecedência de 04 dias, se o salário for semanal ou quinzenal.
(iii) Aviso deve ter antecedência de 01 dia (véspera), se o salário for inferior a 07 dias.
2) Suspensão da contagem do prazo contratual:
(i) Falta culposa: o prazo é suspenso. Isso significa que os dias faltosos serão trabalhados no futuro (espécie
de compensação).
(ii) Falta não culposa: o prazo não é suspenso e o serviço é considerada prestado. Ex.: enfermidade.
Art. 600. Não se conta no prazo do contrato o tempo em que o prestador de
serviço, por culpa sua, deixou de servir.

Tutela externa do crédito: O art. 608 do CC consagra a eficácia externa do princípio da função social do
contrato ao proteger as partes do aliciamento de outras pessoas.
Art. 608. Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço a outrem pagará a este
a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito, houvesse de caber durante dois anos.
O instituto representa uma exceção ao princípio da relatividade dos efeitos (eficácia inter partes). Logo, a
teoria da tutela externa do crédito transforma a relação obrigacional relativa em absoluta, criando-se um
dever de abstração (não fazer) a fim de não prejudicar outrem.

Natureza jurídica e características: Bilateral/sinalgmático, oneroso, consensual, informal, comutativo,


pessoal, individual, de prestação sucessiva ou continuada.
OBSERVAÇÕES SOBRE AS CARACTERÍSTICAS:

Bilateral ou sinalagmático: Estabelece obrigações para ambos os contratantes. Por essa razão, é possível a
alegação de exceção de contrato não cumprido por qualquer um dos contratantes.
Ordem no cumprimento de uma dessas obrigações: Primeiro o serviço é prestado e, somente depois, paga-
se a remuneração.
Consensual: É aquele que se aperfeiçoa (se conclui) com a manifestação de vontade.

- Quando a transferência do objeto é requisito de aperfeiçoamento (eficácia), o contrato é consensual.


- Quando a transferência do objeto é requisito de formação (existência), o contrato é real.

Obrigação de dar Obrigação de fazer/não fazer


Contrato pode ser real ou consensual Contrato será, necessariamente, consensual

Informal: Não é exigida qualquer formalidade ou solenidade na formação do contrato.


OBS.: Se uma das partes não souber ler ou escrever, o contrato pode ser assinado a rogo (leia-se: “a
pedido”) e subscrito por duas testemunhas.
Pessoal: A prestação de serviço é um contrato personalíssimo/intuito personae, motivo pelo qual a morte
de qualquer um dos contratantes acarreta a extinção do contrato. Pela mesma razão, o contrato não pode
ser cedido/substituído a outra pessoa.
Individual: a prestação de serviço é sempre individual.
Caráter residual: O CC/2002 tem caráter residual na regulamentação da prestação de serviço, já que a
legislação civil só deve ser aplicada quando inexistente norma especial.
Art. 593. A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial (exemplo: CDC),
reger-se-á pelas disposições deste Capítulo.

DIFERENCIAÇÕES RELEVANTES
1) Prestação de serviço x Relação trabalhista: A relação trabalhista difere da prestação de serviço em razão
das seguintes características: continuidade, dependência econômica e não eventualidade.
A continuidade também está presente na prestação de serviço, mas neste contrato há prazo determinado,
o que o diferencia do contrato de trabalho.
#LEMBRAR: De acordo com o art. 114, inciso I, CF, compete à Justiça do Trabalho julgar as ações oriundas
da relação de trabalho, abrangidas os entes de direito público externo e da administração pública direta e
indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

c.2) Prestação de serviço x Relações de Consumo: Se houver relação de consumo, deve ser aplicado o CDC.
Segundo a teoria finalista, consumidor é aquele que é destinatário fático e econômico, ou seja, aquela
pessoa que põe fim ao serviço. Essa teoria é adotada, em regra, pelo STJ. Segundo a teoria do finalismo
aprofundado, consumidor é aquele que é destinatário meramente fático, desde que haja evidente
vulnerabilidade. Esta teoria é adotada, excepcionalmente, pelo STJ.

2.CONTRATO DE EMPREITADA
É o contrato pelo qual uma pessoa (dono da obra ou tomador) se compromete a pagar determinada
remuneração a outra pessoa (empreiteiro ou prestador) para a realização de uma determinada obra. 
Na prestação de serviço, há uma preocupação maior com o fazer (dia a dia). Já na empreitada, há uma
preocupação com o resultado propriamente dito.
Objeto do contrato: Obra material (ex.: construção de uma casa, terraplenagem, poda de árvore, etc.) ou
imaterial/intelectual (ex: software, parecer de jurista, etc.
Natureza jurídica e características: Bilateral/sinalagmático, oneroso, comutativo, consensual, informal,
impessoal (em regra, exceção: cláusula de vedação expressa da subempreitada), indivisível, execução
sucessiva ou continuada.

Contrato de prestação de serviço Contrato de empreitada


Art. 593 a 609 do CC Art. 610 a 626 do CC
Trata-se de uma espécie de prestação de serviço.
Trata-se do gênero.
Há prestação de serviço especial.
Prestador assume uma obrigação de resultado.
Prestador assume uma obrigação de meio.
FOCO ESTÁ NA ATIVIDADE. FOCO ESTÁ NA OBRA.

Há subordinação. Não há subordinação.


A remuneração é proporcional ao dia/hora de A remuneração é proporcional ao resultado
trabalho. alcançado.

QUANTO AO FORNECIMENTO DE MATERIAIS:


Empreitada de lavor ou de mão de obra: É aquela em que o empreiteiro fornece apenas a mão de obra
(quem contrata), cabendo ao dono o fornecimento dos materiais.
Espécies No silencio contratual, presume-se que a empreitada seja de lavor, sendo a responsabilidade dos
de materiais do dono da obra – res perit domino.
empreitada
Empreitada mista ou de materiais : O empreiteiro fornece a mão de obra e os materiais.
Pode-se dizer que, na empreitada mista, a responsabilidade quanto aos materiais é do empreiteiro até
a entrega da obra, aplicando-se a regra res perit domino

Empreitada sob administração: O empreiteiro não fornece a mão de obra, tampouco os materiais,
assumindo apenas o dever de administrador.
QUANTO A REMUNERAÇÃO:
Empreitada a preço fixo ou preço global ou maché à forfait: É aquela em que a remuneração é
estipulada para a obra inteira, sem levar em consideração o fracionamento do resultado. O pagamento
pode até ser parcelado, mas sempre relacionado à conclusão da obra.
Em regra, o empreiteiro não pode exigir aumento no preço (leia-se: empreitada a preço fixo absoluto).
Contudo, se as alterações no projeto forem determinadas por escrito pelo dono da obra ou se ele tinha
ciência inequívoca das mesmas o empreiteiro poderá exigir acréscimo no preço (leia-se: empreitada a
preço fixo relativo).
  Em situações excepcionais (fatos imprevisíveis e extraordinários), a jurisprudência vem admitindo a
revisão contratual para afastar a onerosidade excessiva
Empreitada sob medida ou ad mensuram ou machésur devis: É aquela em que a remuneração leva em
conta o fracionamento da obra (partes ou medidas).
Exemplo: empreitada de terraplanagem, de asfalto, de piso.
OBS.1: Quando a remuneração é paga, presume-se que a obra foi verificada/aceita.
OBS.2: A medição gera presunção de verificação/aceitação, se os vícios não forem denunciados no
prazo de 30 dia

RESPONSABILIDADE CIVIL:

Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de
materiais e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do
trabalho, assim em razão dos materiais, como do solo.
Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra que não propuser a ação contra
o empreiteiro, nos 180 dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito.
 
Refere-se ao direito de reclamar de vício redibitório em construções consideráveis (há previsão legal
apenas para grandes construções).
Prazo de garantia legal de 05 anos e outro de 180 dias para exercer o direito de reclamar (as 2 regras
devem se conciliar). Tal prazo é apenas para exigir o conserto, não sendo uma regra de exigir perdas e
danos.
Caso ocorra um vício no primeiro ano de obra, o dono da obra tem o prazo de 180 dias.
O conserto não se restringe apenas aos materiais/solo, estendendo-se à segurança da obra.

Qual é o prazo para reclamar reparação pelas perdas e danos? Na vigência do CC/16, o prazo era de 20
anos (Súmula 194 do STJ). Atualmente, o entendimento majoritário é no sentido de ser aplicado o prazo
de 03 anos (prazo geral de responsabilidade civil). Mas, há um precedente do STJ, aplicando-se o prazo de
10 anos (prazo geral de prescrição do CC/2002).

3.CONTRATO DE EMPRÉSTIMO

DUAS MODALIDADES
COMODATO MÚTUO
Empréstimo de bem infungível/insubstituível, Empréstimo de bem fungível/substituído, sendo
sendo conhecido como empréstimo de uso. conhecimento como empréstimo de consumo.
Exemplo: Empréstimo de imóvel/móvel. Exemplo: Empréstimo de dinheiro

 Quando se tem a entrega de alguma coisa, é possível configurar 04 contratos diversos. Vejamos as
diferenças:
Entrega para Entrega para consumo (utilização e Entrega para Entrega para
uso substituição de outro da mesma espécie) guarda administração
Depósito
Comodato Mútuo (a coisa não pode Mandato.
utilizada).

Natureza jurídica:
Contrato unilateral (deveres para uma das partes) e gratuito (prestação sem contraprestação), em regra.
EXCEÇÃO: admite-se o empréstimo oneroso. Exemplo: mútuo oneroso.
Imagine a seguinte situação: “A” (comodante) empresta imóvel a “B” (comodatário), devendo este pagar as
despesas de condomínio e IPTU. Neste caso, o contrato passa a ser bilateral? NÃO, pois, segundo os
ensinamentos de Maria Helena Diniz, Carlos Roberto Gonçalves e Flávio Tartuce, ocorre o chamado
comodato (oneroso) modal ou encargo com natureza de contrato unilateral imperfeito.
Contrato real: Tem aperfeiçoamento com a entrega da coisa. Exemplo: art. 579 do CC (comodato). Pode-se
guardar a regra: todo contrato real é unilateral, já que não há mais obrigações para uma das partes (aquela
que entregou).
Contrato comutativo: As prestações são previamente conhecidas.
Contrato informal e não solene: Não se exige a forma escrita, tampouco escritura pública.
Contrato personalíssimo (intuito personae): Baseia-se na confiança (fidúcia).
Contrato temporário: Não há perpetuidade, já que o bem deve ser devolvido. O prazo pode ser
determinado pelas partes. Em caso de silêncio, a lei supre-o.

1. COMODADO
Contrato pelo qual alguém entrega a outra pessoa uma coisa infungível p/ ser utilizada por determinado
tempo e devolvida findo o contrato. O comodato pode ter como conteúdo bens imóveis ou móveis.

 *#LEMBRAR: O veículo, para fins contratuais, sempre é um bem móvel infungível em razão do
número de chassi identificador.
Partes:
(i) Comodante: Aquele que empresta a coisa;
(ii) Comodatário: Aquele que recebe a coisa.

Cabe analisar a questão dos tutores, curados e administradores em geral. O art. 580 segue a mesma
finalidade (mesma regra e mesma consequência, inclusive) do art. 497 do CC (trata de compra e venda).
Art. 580. Os tutores, curadores e em geral todos os administradores de bens alheios não poderão dar em comodato,
sem autorização especial (há quem entende que esta autorização deve ser judicial), os bens confiados à sua guarda.
 A violação do art. 580 acarreta a nulidade absoluta, segundo art. 166, inciso VII, segunda parte, do CC

 *#ATENÇÃO: É possível, excepcionalmente, que o comodato tenha por objeto alguns bens
fungíveis, que serão utilizados e, necessariamente, devolvidos ao final do contrato. Exemplo:
Empréstimo de enfeites que serão utilizados em festas. Este comodato é chamado de comodato ad
pompam vel ostentationes.

 Retomada do bem:
Art. 581. Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe-á o necessário para o uso
concedido; não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz,
suspender o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou o que se determine
pelo uso outorgado.

Para que ocorre a retomado do bem, cabe ação de reintegração de posse, observadas as seguintes regras:
(i) Fixado um prazo convencional, vencido este, a mora do comodatário é automática ou ex re (art. 397,
caput, CC). Diante disso, cabe ação de reintegração de posse sem a necessidade de notificação prévia do
comodatário, já que o dia do vencimento interpela a pessoa.

(ii) Não havendo prazo convencional, a coisa será utilizada conforme sua natureza. Isso é um problema.
Imagine que o comodato seja de um imóvel para a moradia. Nesse caso, presume-se que o agente sempre
precisará de moradia.
Finda a utilização, o comodante deverá notificar (judicial ou extrajudicial) o comodatário para devolvê-la,
constituindo-o em mora (ex persona – art. 397, par. único, CC), para, somente depois, ingressar com a ação
de reintegração de posse. Caso não haja notificação, o processo será extinto sem resolução do mérito.
Esta notificação para retomada do bem deve ser motivada? O STJ entende que, em regra, esta notificação
deve estar motivada (o motivo deve ser justo e plausível). Nesse sentido: STJ, REsp 571453/MG.

- Obrigação do comodatário:
Art. 582. O comodatário é obrigado a conservar, como se sua própria fora, a coisa emprestada, não
podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob pena de (extinção pela resolução
em razão do descumprimento) responder por perdas e danos.

Tem-se a consagração de responsabilidade subjetiva do comodatário. Em caso de pluralidade de


comodatários, haverá a responsabilidade solidária entre eles (art. 585, CC). Neste caso, tem-se uma
responsabilidade solidária passiva legal.
Art. 582. [...]. O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o
aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante.
O devedor responde, por força do art. 399, até por caso fortuito e força maior.

O devedor responde por um aluguel chamado de aluguel pena, fixado na notificação ou no contrato.

ATENÇÃO: A mora e incidência do aluguel não transforma comodato em locação, já que ele é apenas
uma penalidade (pena privada).

O Enunciado 180 da III Jornada de Direito de Civil afirma que cabe a redução deste aluguel pena, se ele for
exagerado, com base no art. 575 do CC (pode ser reduzida). Nesse sentido: STJ, REsp 1175848/PR.
Contudo, o professor Flávio Tartuce prefere embasar essa redução no art. 413 do CC (deve ser reduzida).

 Punição para o “comodatário egoísta”: Aquele que “ao invés de conservar o bem emprestado, resolve
proteger o seu bem próprio”. Ele responde por caso fortuito e força maior.
Art. 583. Se, correndo risco o objeto do comodato juntamente com outros do comodatário, antepuser este
a salvação dos seus abandonando o do comodante, responderá pelo dano ocorrido, ainda que se possa
atribuir a caso fortuito, ou força maior.

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O falecimento do consignante não extingue a dívida decorrente de


contrato de crédito consignado em folha de pagamento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.498.200-PR, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 05/06/2018 (Info 627).

(Im)possibilidade de restituição de despesas realizadas no bem (benfeitorias):

Ao final do contrato, o comodatário poderá pleitear do comodante indenização por benfeitorias


necessárias ou úteis que realizou no imóvel, considerando o contrato em que não haja cláusula de
renúncia?
1ª POSIÇÃO: NÃO, segundo o art. 584 do CC. Trata-se de uma interpretação literal. Neste sentido: TJSP,
AC 7276634-2.
Art. 584. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo
da coisa emprestada.
2ª POSIÇÃO: SIM, conforme o art. 1.219 do CC, já que se trata de possuidor de boa-fé. Faz-se uma
interpretação sistemática e principiológica do CC. Essa posição somente privilegia a eticidade/boa-fé do
sistema introduzido pelo CC/2002. Esta posição deve ser adotada na atualidade. Neste sentido: TJSP, AC
7301347-5.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem
como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da
coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.

1. MÚTUO
Trata-se do empréstimo de coisas fungíveis (logo, móveis), sendo que o mutuário é obrigado a restituir ao
mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, mesma qualidade e mesma quantidade . Ex:
Empréstimo de dinheiro

Partes:
(i) Mutuante: Aquele que cede;
(ii) Mutuário: Aquele que recebe

 Contrato translativo e real: Com o empréstimo, transmite-se a propriedade da coisa, incidindo a regra
da res perit domino a partir da tradição (entrega efetiva).
Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm
todos os riscos dela desde a tradição (res perit domino).

A compra e venda, apesar de ser translativo (transfere a propriedade), é um contrato consensual.

- O que se entende por senatus consulto macedoniano?


O CC/2002 continua, como regra, condenando o mútuo feito à pessoa menor ou mútuo a menor, segundo
o art. 588. Há exceções do art. 589 do CC.
A regra tem origem romana com o instituto do senatus consulto macedoniano. Em Roma, o filho do
Senador Macedo (rico) contraiu dívidas e matou o pai para pagá-las, o que originou a clássica vedação do
mútuo a menor. O objetivo inicial do instituto era evitar que filhos menores contraíssem dívidas e
matassem o pai para quitá-las. Essa história inspirou as seguintes regras no CC/2002:

REGRA GERAL: Sem autorização dos responsáveis, o mútuo a menor gera uma obrigação
natural/incompleta, já que: a dívida existe, mas não pode ser exigida. Há débito sem responsável (debitum
sem obligatio), atingindo o plano da eficácia.
Art. 588. O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver, não pode
ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores.
EXCEÇÃO: Não se tem uma obrigação natural/incompleta, mas uma obrigação completa.
Art. 589. Cessa a disposição do artigo antecedente:
I - se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o empréstimo, o ratificar
posteriormente: Ratificação posterior dos responsáveis.
II - se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o empréstimo para os seus
alimentos habituais: Para a proteção do patrimônio mínimo do menor.
III - se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho. Mas, em tal caso, a execução do credor não lhes
poderá ultrapassar as forças: Para a proteção do patrimônio mínimo do menor.
IV - se o empréstimo reverteu em benefício do menor;
V - se o menor obteve o empréstimo maliciosamente: Há ocorrência de dolo

 Mútuo oneroso ou mútuo a fins econômicos ou mútuo feneratício: 


Art. 591. Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros, os quais, sob pena de
redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual.
Empréstimo de dinheiro a juros, sendo que estes não podem exceder a taxa do art. 406 do CC, permitindo a
capitalização anual.
A taxa do art. 406 possui qual natureza jurídica?
1ª POSIÇÃO: 1% ao mês ou 12% ao ano (art. 161, §1º, CTN). Neste sentido, Enunciado 20 da I Jornada de
Direito Civil. Segundo Tartuce, o magistrado deve julgar com base na lei (CTN) e não com base na vontade
do Banco Central.
2ª POSIÇÃO: SELIC, a qual embute juros e correção monetária.

A jurisprudência superior que as instituições bancárias e financeiras não se submetem aos limites do
Código Civil e da Lei de Usura (DL 22626/33 – dobro da taxa legal – máximo de 2% ao mês ou 24% ao
ano). Com isso, podem cobrar as taxas de mercado. Neste sentido a Súmula 596 do STF, a Súmula 283 do
STJ, Súmula 382 do STJ
#SELIGANASSÚMULAS:
Súmula 596 do STF: As disposições do Decreto 22.626 de 1933 não se aplicam às taxas de juros e aos outros
encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o sistema
financeiro nacional.
Súmula 282 do STJ: A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica
abusividade.
Súmula 382 do STJ: A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica
abusividade.

ATENÇÃO: Pessoa celebrou contrato de mútuo feneratício com instituição financeira. Por algum motivo
(ex: nulidade, ato ilícito, abusividade etc.) o mutuário ingressou com ação judicial pedindo a resolução do
contrato e a restituição das parcelas pagas. Se esta ação for julgada procedente, o mutuário terá direito
de receber os valores pagos acrescidos de juros remuneratórios no mesmo percentual que era previsto
no contrato para ser cobrado pelo banco mutuante? NÃO. O mutuário que celebrar contrato de mútuo
feneratício com a instituição financeira mutuante, não tem direito de pedir repetição do indébito com os
mesmos índices e taxas de encargos previstos no contrato. Tese aplicável a todo contrato de mútuo
feneratício celebrado com instituição financeira mutuante: “Descabimento da repetição do indébito com os
mesmos encargos do contrato”. STJ. 2ª Seção. REsp 1.552.434-GO, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
julgado em 13/06/2018 (recurso repetitivo) (Info 628)

Prazos legais: Privilegiam a regra de que se trata de um contrato temporário.


Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será:
I - até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para
semeadura;
II - de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro;
III - do espaço de tempo que declarar o mutuante (ex: notificação), se for de qualquer outra coisa fungível.

- Contrato de mandato:
 Art. 661. O mandato em termos gerais só confere poderes de administração. Para que o mandatário possa
dispor, alienar ou gravar o patrimônio do mandante, exige-se a confecção de instrumento de procuração
com poderes expressos e especiais.
É o que prevê o § 1º do art. 661: “Para alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros quaisquer atos que
exorbitem da administração ordinária, depende a procuração de poderes especiais e expressos.” A
outorga de poderes de alienação de “quaisquer imóveis em todo o território nacional” não supre o
requisito de especialidade exigido pelo art. 661, § 1º do CC, que exige referência e determinação dos bens
concretamente mencionados na procuração. STJ. 3ª Turma. REsp 1.814.643-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 22/10/2019 (Info 660).

4. CONTRATO DE FIANÇA
Trata-se de um contrato especialíssimo no CC, já que possui características próprias, as quais não se
estendem às demais avenças.
Art. 818. Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo
devedor, caso este não a cumpra.
Inicialmente, percebe-se que a fiança é uma garantia pessoal, já que todo o patrimônio do devedor
responde. Por isso, diz-se que a fiança é uma caução/garantia fidejussória.

*#DICA: Não cabe confundir fiança com penhor/hipoteca/anticrese, já que estes institutos são garantias
reais e aquela é uma garantia fidejussória.

PARTES:
Na essência, o contrato de fiança é celebrado, na sua relação principal, entre fiador e credor, uma vez que
o fiador assume responsabilidade sem ter dívida. Trata-se da premissa “haftung sem shuld” ou “obligatio
sem debitum”, sendo, exatamente, oposta da obrigação natural (vide acima).

O contrato de fiança pode ser celebrado contra a vontade do devedor? Sim, já que a relação jurídica
principal é entre fiador e credor. A relação entre fiador e devedor é, meramente, subsidiária. Isso somente
se excepciona na fiança bancária ou seguro fiança (formas atípicas de fiança – doutrinariamente, há quem
sustente que sequer fiança seria).
Art. 820. Pode-se estipular a fiança, ainda que sem consentimento do devedor ou contra a sua vontade.

Requisitos para a parte ser fiadora: A possibilidade de ser fiador exige determinadas condições
(requisitos):
c.1) Capacidade (art. 3º e art. 4º do CC), sob pena de nulidade/anulabilidade.
c.2) Legitimação: O art. 1.647, inciso III, exige a outorga conjugal, salvo no regime de separação absoluta
(somente a convencional), sob pena de anulabilidade da fiança (art. 1.649).
ATENÇÃO: Pela leitura do CC, a fiança sem autorização de um dos cônjuges implica a anulabilidade.
Mas, a redação da Súmula 332 do STJ traz solução diversa: “A fiança prestada sem autorização de
um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia” – CRITICA DOUTRINÁRIA: Quem escolhe se
a consequência do (não) ato é o legislador e não os juristas. É criticável a incompatibilidade da
súmula com a lei! Na prova objetiva deve-se adotar o entendimento sumulado (o que mais cai!).

Este entendimento sumulado se estende à união estável? Não, segundo o STJ no REsp 1299866/DF.

+ #DEOLHONAJURIS #STJ: Em um contrato de cessão de crédito tendo por cessionário Fundo de


Investimento em Direitos Creditórios - FIDC, é válida a previsão contratual de fiança, garantindo os riscos
em caso de inadimplência dos devedores É válida a celebração de contrato acessório de fiança na cessão de
crédito em operação de securitização de recebíveis, tendo por cessionário um FIDC (Fundo de Investimento
em Direito Creditório). STJ. 4ª Turma. REsp 1.726.161-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
06/08/2019 (Info 655). 
Observação: o entendimento acima é diferente do caso das factorings. Não se admite a estipulação de
garantia em favor da empresa de factoring no que se refere, especificamente, ao inadimplemento dos
títulos cedidos, salvo na hipótese em que a inadimplência é provocada pela própria empresa faturizada
(STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1385554/SE, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 09/09/2019)

- Condições especiais de idoneidade:


Art. 825. Quando alguém houver de oferecer fiador, o credor não pode ser obrigado a aceitá-lo se não for
pessoa idônea, domiciliada no município onde tenha de prestar a fiança, e não possua bens suficientes para
cumprir a obrigação.
Assim, o fiador deve ser pessoa idônea (moral e patrimonial), domiciliada no mesmo Município e com
bens suficientes para cumprir a obrigação, sob pena de ser rejeitado.
O fiador precisa, também, ser solvente, ou seja, não pode estar na situação de insolvência (sentido amplo)
e incapacidade, sob pena de ser substituído.
Art. 826. Se o fiador se tornar insolvente ou incapaz, poderá o credor exigir que seja substituído.
Natureza jurídica: Trata-se de um contrato complexo e sui generis, com características
únicas/exclusivas/especiais. 
Características: unilateral, gratuito, consensual e comutativo, formal e não solene, contrato acessório

Observações

Em regra, contrato unilateral, pois traz deveres apenas para o fiador. Excepcionalmente, ela é remunerada
(fiança bancária e seguro fiança).
Em regra, contrato gratuito, pois é negócio benéfico. Por isso, a fiança não admite interpretação extensiva
(art. 819, CC)
+ Por se tratar de contrato benéfico, as disposições relativas à fiança devem ser interpretadas de forma
restritiva (art. 819 do CC), razão pela qual, nos casos em que ela é limitada (art. 822), a responsabilidade
do fiador não pode superar os limites nela indicados.
Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva.
Pelo art. 819 do CC, o fiador, em um contrato de locação, só responderia por aluguéis. Contudo, isso será
aprofundado posteriormente (vide abaixo).

Contrato formal e não solene: Deve ser escrito (art. 819, CC), mas não há necessidade de escritura
pública.

Contrato acessório: Isso significa que o contrato de fiança nunca existe sozinho, acompanhando o contrato
principal (geralmente, o contrato principal é locação). Exemplo: Se o contrato principal é nulo/anulável, a
fiança também será.
A fiança pode configurar a forma de contrato de adesão.

Efeitos e regras fundamentais da fiança:


Fiador é devedor subsidiário:
*#CUIDADO: O fiador, em regra, não é devedor solidário, mas subsidiário, pois tem a seu favor o benefício
de ordem ou de excussão.
 
Art. 827. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide, que
sejam primeiro executados os bens do devedor.
Parágrafo único. O fiador que alegar o benefício de ordem, a que se refere este artigo, deve nomear bens
do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito.
 
Porém, o devedor pode renunciar este benefício ou assumir a posição de devedor solidário (art. 828, CC)
nos seguintes casos:
(i) Renúncia expressa: Somente se aplica a regra de ser demandado em conjunto (as demais regras não se
aplicam);
(ii) Obrigou-se como principal pagador ou devedor solidário: Neste caso, todos os efeitos da solidariedade
são aplicados.
(iii) Devedor insolvente ou falido.

Contudo, essa questão deve ser analisada em um caso específico:


E se esta renúncia ao benefício de ordem ou esta assunção como solidário ocorrer em um contrato de
adesão, ela é válida? Segundo o CC, a cláusula é nula.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente
a direito resultante da natureza do negócio.
- A doutrina se posicionou nesse sentido, tendo editado o Enunciado 364 da IV Jornada de Direito Civil: “No
contrato de fiança, é nula a cláusula de renúncia antecipada ao benefício de ordem quando inserida em
contrato de adesão”, já que se renuncia um direito inerente ao negócio. Exemplo: contrato imposto pela
imobiliária.
Cuidado! Entre fiadores há solidariedade passiva legal. Porém os fiadores podem convencionar o benefício
de divisão, respondendo cada fiador por uma parte da dívida (divisão pro rata), segundo o art. 829 e art.
830 do CC.
Art. 829. A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso
de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservarem o benefício de divisão.
Parágrafo único. Estipulado este benefício (leia-se: benefício de divisão), cada fiador responde unicamente
pela parte que, em proporção, lhe couber no pagamento (divisão pro rata).
 
Art. 830. Cada fiador pode fixar no contrato a parte da dívida que toma sob sua responsabilidade, caso em
que não será por mais obrigado.

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: A interrupção do prazo prescricional operada contra o devedor principal


prejudica o fiador. Em regra, o ato interruptivo da prescrição apresenta caráter pessoal e somente
aproveitará a quem o promover ou prejudicará aquele contra quem for dirigido (persona ad personam non
fit interruptio). Isso está previsto no art. 204 do CC. Exceção a esta regra: interrompida a prescrição contra
o devedor afiançado, por via de consequência, estará interrompida a prescrição contra o fiador em razão
do princípio da gravitação jurídica (o acessório segue o principal), nos termos do art. 204, § 3º, do CC: § 3º
A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador. A interrupção do prazo prescricional
operada contra o fiador não prejudica o devedor afiançado, salvo nas hipóteses em que os devedores
sejam solidários. Como regra, a interrupção operada contra o fiador não prejudica o devedor afiançado.
Isso porque o principal não segue a sorte do acessório. Existe, no entanto, uma exceção: a interrupção em
face do fiador poderá, sim, excepcionalmente, acabar prejudicando o devedor principal nas hipóteses em
que a referida relação for reconhecida como de devedores solidários, ou seja, caso o fiador tenha
renunciado ao benefício ou se obrigue como principal pagador ou devedor solidário. STJ. 4ª Turma. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.276.778-MS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/3/2017 (Info 602).

Sub-rogação: O fiador que paga, integralmente, a dívida se sub-roga nos direitos do credor, podendo
cobrar dos outros fiadores as suas quotas na dívida (art. 831, CC).
Art. 831. O fiador que pagar integralmente a dívida fica sub-rogado nos direitos do credor; mas só poderá
demandar a cada um dos outros fiadores pela respectiva quota.
Parágrafo único. A parte do fiador insolvente distribuir-se-á pelos outros.

Mas o fiador do devedor principal poderá cobrar a dívida inteira (art. 285, CC), já que ele é um mero
responsável (sem dívida).
Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda ela
para com aquele que pagar.

O devedor principal responde pelas perdas e danos pagas pelo fiador? Pelo art. 832, sim. Mas o ponto é
polêmico, já que a fiança não permite a interpretação extensiva (em regra, a fiança pressupõe o
pagamento da dívida principal – e não das perdas e danos).
Art. 832. O devedor responde também perante o fiador por todas as perdas e danos que este pagar, e pelos
que sofrer em razão da fiança.

Extinção da fiança:
Exoneração unilateral da fiança; morte do fiador; nas hipóteses de vencimento ou extinção da obrigação
principal (novação, prescrição e dação em pagamento); concessão de moratória ao devedor principal, sem
a participação do fiador; Se, por fato do credor, for impossível a sub-rogação nos seus direitos ou
preferências (art. 838, inciso II, CC), retardo da execução pelo credor contra o devedor e este último cair
em insolvência:
e.1) Exoneração unilateral pelo fiador: Trata-se de uma forma de resilição unilateral, só cabendo na fiança
sem prazo determinado. Essa exoneração demanda prévia notificação judicial/extrajudicial do credor,
garantindo a dívida por mais 60 dias após esta notificação.
Art. 835. O fiador poderá exonerar-se da fiança que tiver assinado sem limitação de tempo, sempre que lhe
convier, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante sessenta dias após a notificação do
credor.
Obs.: Este dispositivo se aplica à Lei de Locações? Sempre houve debate quanto à possibilidade dessa
exoneração na fiança locatícia. Aliás, a jurisprudência entendia que prorrogada a locação automaticamente
pra prazo indeterminado, a fiança estaria extinta se não houvesse a participação (assinatura) do fiador na
prorrogação (Súmula 214 do STJ), sob pena de nulidade (abusividade). Porém, nos últimos anos (2007), o
STJ mudou de entendimento no sentido de que é possível a persistência da fiança, sendo válida a
cláusula de prorrogação automática (STJ, REsp 566633/CE). 
A polêmica e os debates persistiam. Em 2009, a questão se estabilizou com o advento da Lei 12.112/2009, a
qual modificou os artigos 39 e 40, incisos X. Em regra, prorrogada a locação por prazo determinado, a
garantia continua até a devolução do imóvel.
Art. 39. Salvo disposição contratual em contrário, qualquer das garantias da locação se estende até a
efetiva devolução do imóvel, ainda que prorrogada a locação por prazo indeterminado, por força desta Lei.

Considerando que a fiança se tornou um contrato por prazo indeterminado, cabe a exoneração unilateral
do fiador (mesma regra do art. 835 do Código Civil), garantindo a dívida por mais 120 dias após a
notificação.

Art. 40. O locador poderá exigir novo fiador ou a substituição da modalidade de garantia, nos seguintes
casos:
X – prorrogação da locação por prazo indeterminado uma vez notificado o locador pelo fiador de sua
intenção de desoneração, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante 120 (cento e vinte) dias
após a notificação ao locador. (Incluído pela Lei nº 12.112, de 2009).

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: O art. 12 da Lei nº 8.245/91 prevê que “em casos de separação
de fato, separação judicial, divórcio ou dissolução da união estável, a locação residencial prosseguirá
automaticamente com o cônjuge ou companheiro que permanecer no imóvel.” O § 1º do art. 12 afirma que
o locatário original (sub-rogado) deverá notificar o fiador, informando sobre essa separação, a fim de que o
fiador decida se deseja ou não continuar com este encargo. Segundo o § 2º do art. 12, o fiador, depois de
ser notificado pelo sub-rogado, poderá, no prazo máximo de 30 dias, informar ao locador que quer se
exonerar das suas responsabilidades. Suponhamos que o locatário original não informou o fiador. O
locador, contudo, assumiu esse papel e notificou o fiador, comunicando que houve a sub-rogação. Mesmo
assim o prazo do fiador já começou a correr? O prazo de 30 dias para que o fiador peça a sua exoneração
começou a ser contado a partir dessa notificação feita pelo locador? SIM. O prazo para o fiador exonerar-se
da fiança inicia-se do efetivo conhecimento da sub-locação, ainda que a ciência não ocorra pela
comunicação do locatário sub-rogado. Apesar de o art. 12, § 2º, da Lei nº 8.245/91 afirmar que é o locatário
original que deverá fazer a notificação do fiador, é possível a relativização dessa formalidade por meio da
aplicação do princípio da instrumentalidade das formas. STJ. 3ª Turma. REsp 1.510.503-ES, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

- Morte do fiador: A exoneração se justifica pelo fato de que a fiança é um contrato personalíssimo
baseado na confiança.
Art. 836. A obrigação (não a condição) do fiador passa aos herdeiros; mas a responsabilidade da fiança se
limita ao tempo decorrido até a morte do fiador, e não pode ultrapassar as forças da herança.

As obrigações vencidas, enquanto era vivo o fiador, são transmitidas aos herdeiros até os limites da
herança. Logo, o que se transmite é a obrigação (pagamento de aluguéis, por exemplo) e não a condição
de fiador (herdeiros não serão considerados fiadores).
- Nas hipóteses de vencimento ou extinção da obrigação principal : Os exemplos clássicos são novação,
prescrição e dação em pagamento.
Art. 837. O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais, e as extintivas da obrigação
que competem ao devedor principal, se não provierem simplesmente de incapacidade pessoal, salvo o caso
do mútuo feito a pessoa menor.
Art. 838. Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: [...] III - se o credor, em pagamento da
dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar, ainda que
depois venha a perdê-lo por evicção.

-Concessão de moratória ao devedor principal, sem a participação do fiador: Isso porque a fiança não
admite interpretação extensiva.
Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado:
I - se, sem consentimento seu, o credor conceder moratória ao devedor;

- Se, por fato do credor, for impossível a sub-rogação nos seus direitos ou preferências (art. 838, inciso II,
CC): Imagine que um credor perdoou 02 fiadores, persistindo apenas um. Considerando que o fiador, que
sobrou, não terá privilégios contra os demais, a fiança estará, automaticamente, extinta.

- Retardo da execução pelo credor contra o devedor e este último cair em insolvência :
Art. 839. Se for invocado o benefício da excussão e o devedor, retardando-se a execução, cair em
insolvência, ficará exonerado o fiador que o invocou, se provar que os bens por ele indicados eram, ao
tempo da penhora, suficientes para a solução da dívida afiançada.

*#JURISEMTESES #STJ:
1. O contrato de fiança deve ser interpretado restritivamente, de modo que a responsabilidade dos fiadores se
resume aos termos do pactuado no ajuste original, com o qual expressamente consentiram.
2. Existindo, no contrato de locação, cláusula expressa prevendo que os fiadores respondam pelos débitos
locativos até a efetiva entrega do imóvel, subsiste a fiança no período em que referido contrato foi prorrogado,
ressalvada a hipótese de exoneração do encargo.
3. O fiador na locação não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu. (Súmula n.
214/STJ)
4. Havendo mais de um locatário, é válida a fiança prestada por um deles em relação aos demais, o que
caracteriza fiança recíproca.
5. É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação. (Súmula n. 549/STJ)
6. A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia (Súmula n.
332/STJ).
7. A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia (Súmula n.
332/STJ), salvo se o fiador emitir declaração falsa, ocultando seu estado civil de casado.
A contrário senso: se o fiador emitir declaração falsa, ocultando seu estado civil de casado, a fiança é devidamente
válida.
8. A fiança prestada por fiador convivente em união estável, sem a outorga uxória do outro companheiro, não é
nula, nem anulável
8. A nulidade da fiança só pode ser demandada pelo cônjuge que não a subscreveu ou por seus respectivos
herdeiros
8. A retirada dos sócios-fiadores, per si, não induz à exoneração automática da fiança, impondo-se, além da
comunicação da alteração do quadro societário, a formulação de pedido de exoneração das garantias
mediante notificação extrajudicial ou ação judicial própria.
8. A decretação de falência do locatário, sem a denúncia da locação, nos termos do art. 119, VII, da Lei n.
11.101/2005, não altera a responsabilidade dos fiadores junto ao locador.

*#JURISEMTESES #STJ:
1. A retirada dos sócios-fiadores, per si, não induz à exoneração automática da fiança, impondo-se, além da
comunicação da alteração do quadro societário, a formulação de pedido de exoneração das garantias mediante
notificação extrajudicial ou ação judicial própria.
2. A decretação de falência do locatário, sem a denúncia da locação, nos termos do art. 119, vii, da lei n.
11.101/2005, não altera a responsabilidade dos fiadores junto ao locador.
3. O fiador que não integrou a relação processual na ação de despejo não responde pela execução do julgado.
(súmula n. 268/stj)
4. Se o fiador não participou da ação de despejo, a interrupção da prescrição para a cobrança dos aluguéis e
acessórios não o atinge.
5. A falta de citação do fiador para a ação de despejo isenta o garante da responsabilidade pelas custas e pelas
demais despesas judiciais decorrentes daquele processo, sem, entretanto, desobrigá-lo dos encargos decorrentes
do contrato de fiança
6. Admite-se a substituição da garantia em dinheiro por outro bem ou por fiança bancária, na fase de
execução ou de cumprimento de sentença, em hipóteses excepcionais e desde que não ocasione prejuízo ao
exequente
7. É legal a exigência de prestação de garantia pessoal e de comprovação da idoneidade cadastral do
estudante e do respectivo fiador, para a celebração de contrato de financiamento estudantil vinculado ao fundo
de financiamento estudantil – fies
8. A fiança bancária não é equiparável ao depósito integral do débito exequendo para fins de suspensão da
exigibilidade do crédito tributário, ante a taxatividade do art. 151 do CTN e o teor do enunciado sumular n. 112
desta corte. (tese julgada sob o rito do art. 543-c/1973 – tema 378)
9. É possível a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa – CPEN, desde que a carta de fiança seja
suficiente para garantir o juízo da execução.
10. A substituição do depósito em dinheiro por fiança bancária na execução fiscal sujeita-se à anuência da
fazenda pública, ressalvada a comprovação de necessidade de aplicação do princípio da menor onerosidade
11. O levantamento da fiança bancária oferecida como garantia da execução fiscal fica condicionado ao trânsito
em julgado da respectiva ação.
12. É impossível a substituição da carta-fiança por seguro-garantia com prazo de validade determinado
13. É válida a cláusula do contrato bancário que estabelece a prorrogação automática da fiança com a
renovação do contrato principal.

-OUTROS CONTRATOS

 Contrato de doação
Pelo contrato de doação, o doador, por ato de liberalidade, transfere do seu patrimônio, bens ou
vantagens (ex: bem incorpóreo) ao donatário, sem qualquer remuneração (art. 538, CC).
Trata-se de um contrato benefício pela ausência de remuneração. Desta classificação, incide-se esta regra:
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente (leia-se:
restritivamente).

Imagine que se faz uma doação de um apartamento, sem abranger a garagem (matrícula própria). Neste
caso, a garagem também foi objeto do ato de liberalidade?

1ª CORRENTE: Não, em razão da interpretação restritiva.


2ª CORRENTE: Sim, já que o acessório (garagem) acompanha o principal (apartamento), incidindo a regra
da gravitação jurídica. Além do mais, o acompanhamento da garagem aumenta a função social do imóvel, o
que, por si só, deveria ser levado em consideração.
Obs. Há julgados nos dois sentidos

Elementos fundamentais da doação: ANIMUS DONANDI + ACEITAÇÃO DO DONATÁRIO

b.1) Animus donandi: Intenção de doar.


b.2) Aceitação do donatário: Seja ela expressa ou tácita.
Art. 539. O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade. Desde que o
donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que aceitou (aceitação
tácita), se a doação não for sujeita a encargo.
OBS.: A aceitação tácita não é aceita na doação onerosa (com encargo).

Neste dispositivo, tem-se a máxima: “quem cala, consente”. Contudo, essa premissa é exceção no âmbito
civil. Já que a regra no CC, segundo o art. 111, é “quem cala, não consente”.
Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for
necessária a declaração de vontade expressa.

- Natureza jurídica: unilateral, gratuito, consensual, comutativo.


a.1) Em regra, contrato unilateral, pois traz deveres para apenas uma das partes (no caso, o doador). No
entanto, excepcionalmente, admite-se a doação modal ou com encargo.

1ª CORRENTE: O encargo é o ônus e não chega a ser um dever (menos que um dever). Logo, o contrato é
unilateral imperfeito. Neste sentido, Maria Helena Diniz, Paulo Stolze e Tartuce.
2ª CORRENTE: O encargo é um dever jurídico, o que transforma o contrato em bilateral. Neste sentido,
José Fernando Simão e Nery.

a.2) Em regra, contrato gratuito.


OBS.: Excepcionalmente, admite-se a doação onerosa. Exemplo: doação modal ou com encargo. Neste caso,
cabe a alegação de vício redibitório (art. 441, par. único, CC).

a.3) Contrato consensual, já que o aperfeiçoamento se dá com a vontade das partes. Neste sentido,
Orlando Gomes e Maria Helena Diniz.

a.4) Contrato comutativo, pois o objeto doado já é conhecida. Não se admite a doação aleatória, já que ela
é considerada uma mera “promessa de doação”.

- Formalidades e solenidades da doação: art. 541

Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular.


Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe
seguir incontinenti a tradição

ATENÇÃO: Para a configuração de bem móvel de pequeno valor, é necessário verificar o patrimônio do
doador. Neste sentido: STJ, REsp 155.240/RJ.

Compra e venda Doação


Compra e venda de imóvel com valor superior a 30 Doação de imóvel com valor superior a 30
salários mínimos: contrato formal e solene salários mínimos: contrato formal e solene
(escritura pública). (escritura pública).
Compra e venda de imóvel com valor inferior a 30
Doação de imóvel com valor inferior a 30 salários
salários mínimos: contrato formal e não solene
mínimos: contrato formal e não solene (escrito).
(escrito).
Compra e venda de móvel: contrato informal e não Doação de móvel: contrato formal e não solene
solene (não escrito). (escrito conforme art. 541 do CC).

Somente é admitida a doação verbal de bem móvel de pequeno valor, se, logo após a declaração, ocorrer a
entrega da coisa. Esta doação é chamada de doação manual.
Modalidades de doação e seus efeitos: Doação remuneratória (recompensa por um serviço);
meritória/contemplativa (doação em virtude de admiração); ao nascituro (condicional a um nascimento);
doação sob forma de subvenção periódica (renda); doação propter nuptias (condicional a um casamento);
doação de ascendente para descendente e entre conjugues (adiantamento da legitima); doação com
clausula de reversão ou retorno; doação conjuntiva (dois donatários) (; doação inoficiosa (excedeu a parte
disponível); doação universal (doa todos os seus bens); doação ao conjugue adultero; doação a entidade
futura; promessa de doação

e.1) Doação remuneratória: Não se trata de ato de liberalidade, mas de uma remuneração por um
serviço prestado (a doutrina majoritária diz que isso é uma “doação onerosa”). Somente há ato de
liberalidade naquilo que exceder o valor do serviço.
 Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de
liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos
serviços remunerados ou ao encargo imposto.
Exemplo: “Dou um carro para o médico que salvou a vida do meu filho”. Na realidade, está-se
remunerando pelo serviço prestado.
Considerando que se tem uma doação onerosa, advêm três consequências jurídicas:
(i) Cabe alegação de vício redibitório (art. 441, par. único, CC);
(ii) Não cabe revogação por ingratidão (art. 564, I, CC), já que não há liberalidade;
(iii) Não está sujeita à colação pelo descendente que recebeu a doação (art. 2.011, CC). Imagine que o
filho presta serviço para o pai, sendo que este doa um carro. Desse bem móvel não precisará ser feita a
colação, já que a doação remunera o serviço prestado.

e.2) Doação meritória ou contemplativa: É aquela realizada em contemplação de um merecimento do


donatário. 
Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de
liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos
serviços remunerados ou ao encargo imposto.
Exemplo: “Dou um carro para o José, pois sou sua fã”. Não se perde o caráter de liberalidade (doação
pura, como outra qualquer).

e.3) Doação a nascituro (concebido e não nasceu – prevalece a teoria concepcionista): Valerá sendo
aceita pelo seu representante legal, sob pena de atingir o plano da validade.
Art. 542. A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal.
Na essência, tem-se uma doação condicional, pois somente gerará efeitos após o nascimento com vida,
já que o nascituro tem personalidade jurídica formal (direitos da personalidade), não tem personalidade
jurídica material (direitos patrimoniais).

e.4) Doação sob forma de subvenção periódica: Trata-se de uma doação de rendas. Exemplo: “Dou R$
1.000,00 por mês ao meu amigo Pablo Stolze até a minha morte”.

Essa doação persiste após a morte do doador? Ou seja, o doador poderia doar até a morte do donatário,
onerando os herdeiros do doador? Trata-se de uma doação personalíssima (intuitu personae) que, em
regra, é extinta com a morte do doador (art. 545, primeira parte, CC).

Art. 545. A doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado extingue-se morrendo o doador,
salvo se este outra coisa dispuser, mas não poderá ultrapassar a vida do donatário.

Contudo, é possível que a doação de rendas seja estipulada após a morte do doador, onerando os
herdeiros até os limites da herança (art. 545, segunda parte, CC). Trata-se de exceção à proibição do
pacta corvina (art. 426, CC), já que o objeto do contrato é a herança do doador. No último caso, não
pode ultrapassar a vida do donatário (personalíssima ou intuitu personae). 
Art. 545. A doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado extingue-se morrendo o doador,
salvo se este outra coisa dispuser, mas não poderá ultrapassar a vida do donatário.

e.5) Doação propter nuptias: É aquela realizada em contemplação de um casamento futuro, ficando sem
efeito se este não se realizar. Mais uma vez, tem-se doação condicional.
Deve-se tratar de um casamento, não se estendendo à união estável.
Art. 546. A doação feita em contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa, quer
pelos nubentes entre si, quer por terceiro a um deles, a ambos, ou aos filhos que, de futuro (leia-se:
prole eventual), houverem um do outro, não pode ser impugnada por falta de aceitação, e só ficará sem
efeito se o casamento não se realizar.

Esta doação deve ocorrer entre os cônjuges, de terceiros para os cônjuges, inclusive se dessa união
nascer filho (doação para prole eventual ou para o concepturo).

Esta doação se iguala ao “presente de casamento”? Não, pois no “presente do casamento” tem-se uma
doação pura e simples e a declaração de casamento é anterior.

Presente de casamento Doação propter nuptias


Ocorre o casamento e, somente depois, dá-se o Doação e, somente depois, ocorre o
presente. casamento.

e.6) Doação de ascendente para descendente e doação entre cônjuges: Em ambos os casos, há
adiantamento de herança (da legítima – que é a quota dos herdeiros necessários).

Não há necessidade de qualquer autorização (isso se diferencia, substancialmente da compra e venda),


pois o bem doado deve ser colacionado (em regra), sob pena de perder todos os direitos sobre o bem
(sonegados).
Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do
que lhes cabe por herança.
Imagine que um pai (“P”) tenha três filhos (“A”, “B” e “C”). Em vida, o “P” doa o imóvel para o filho “A”,
não necessitando de autorização de “B” e “C”. Com o falecimento de “P”, o bem deve ser colacionado,
ou seja, trazido para o inventário para a partilha aos demais herdeiros. Caso essa colação não ocorra, “A”
perde os direitos sobre este bem. 
Obs.: É possível dispensar o herdeiro da colação, beneficiando-se um filho em detrimento do outro,
desde que não atinja a legítima.
É possível doação entre cônjuges? Depende do regime
(i) Regime da comunhão parcial: Sim, apenas em relação a um bem particular.
(ii) Regime da participação final nos aquestos: Sim, apenas em relação a um bem particular.
(iii) Regime da comunhão universal: Sim, apenas em relação aos bens incomunicáveis.

Art. 1.668. São excluídos da comunhão:


I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar;
II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a
condição suspensiva;
III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou
reverterem em proveito comum;
IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade;
V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659. 
 
(iv) Regime da separação convencional: Sim.
(v) Regime da separação legal/obrigatória (art. 1.641, CC): Há divergência.
A doutrina clássica (Caio Mário e Barros Monteiro) entendia que não haveria a possibilidade de doação
entre os cônjuges na separação obrigatória, pois haveria uma fraude ao regime (ilicitude – doação nula).
Porém, a tendência é outra:
a) Não se pode presumir a fraude em um sistema que tem como princípio a boa-fé.
b) O sistema possibilita, a qualquer tempo, a alteração de regime.
c) Tem-se aplicado a Súmula 377 do STF para comunicação, nesse regime, dos bens havidos durante o
casamento. Este entendimento sumulado mitiga, substancialmente, o regime de separação legal. Neste
sentido: STJ, AgRg no REsp 194325/MG.

7) Doação com cláusula de reversão ou de retorno: Mais uma exceção ao art. 426 do CC.
Art. 547. O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao
donatário.
Parágrafo único. Não prevalece cláusula de reversão em favor de terceiro.
Trata-se de uma cláusula personalíssima do doador, já que não pode ser estipulada por terceiro (doação
sucessiva).

Exemplo: Se o donatário morreu, o bem doado volta para o patrimônio do doador. Trata-se de uma
cláusula resolúvel. O donatário tinha uma propriedade resolúvel. 

Essa doação não impossibilita a alienação do bem. Logo, o donatário pode vender para terceiro. Se for
bem imóvel, não haverá maiores problemas, já que a cláusula de reversão constará na matrícula do
imóvel. Contudo, se for bem móvel, há divergência: a doutrina majoritária entende que o bem deve
retornar ao patrimônio do doador, ainda que exista terceiro de boa-fé.

*#OUSESABER: A cláusula de reversão, ou de retorno, consiste em cláusula na qual o doador estipula


que o BEM DOADO RETORNE AO SEU PATRIMÔNIO, caso o donatário venha a falecer primeiro.
Demonstra o intuito do doador de beneficiar apenas o donatário, e não os seus sucessores. Conforme
assevera Flávio Tartuce, trata-se de uma espécie de condição resolutiva expressa, a qual SÓ TEM
EFICÁCIA SE O DOADOR SOBREVIVER AO DONATÁRIO. Se o doador falecer antes deste, a condição não
ocorre e os bens doados incorporam-se ao patrimônio do donatário definitivamente, podendo
transmitir-se aos seus herdeiros. Ressalte-se que a cláusula de reversão NÃO pode ser estipulada em
favor de terceiro, mas apenas em favor do próprio doador. Com essa proibição, pode-se dizer que o
Código Civil proíbe o fideicomisso em contrato de doação. O Código Civil cuida do tema em seu art. 547.

e.8) Doação conjuntiva: É aquela que se apresenta com mais de dois donatários, havendo uma
presunção relativa de divisão igualitária do bem entre eles. Aplica-se a regra “concursus partes fiunt”.
Art. 551. Salvo declaração em contrário, a doação em comum a mais de uma pessoa entende-se
distribuída entre elas por igual.

Em regra, não há direito de acrescer entre os donatários. Isso significa que, com a morte de um dos
donatários, a sua quota irá para os respectivos herdeiros dele (e não para o outro donatário).
Excepcionalmente, o art. 551, par. único, do CC consagra um direito de acrescer entre os cônjuges. Trata-
se de um “direito de acrescer legal”.

Parágrafo único. Se os donatários, em tal caso, forem marido e mulher, subsistirá na totalidade a
doação para o cônjuge sobrevivo.
Esta regra não se estende entre os companheiros.

e.9) Doação inoficiosa: 


art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no momento da
liberalidade, poderia dispor em testamento.

É possível dispor, no testamento, de 50% do patrimônio (parte disponível), no caso de existência de


herdeiros necessários, abrangendo os descendentes, os ascendentes e cônjuge (art. 1.845, CC), já que
estes têm direito à legítima. Contudo, é possível dispor de 100% do patrimônio, se não houver herdeiros
necessários. Exemplo: A pessoa só tem uma companheira ou somente sobrinhos.

A hipótese do art. 549 do CC é de nulidade absoluta parcial, já que somente atinge aquilo que exceder
50% do patrimônio.

Imagine que o pai tem um patrimônio de 05 milhões e 03 filhos (“A”, “B” e “C”). Em vida, o pai doou 03
milhões para “A”. Essa doação é válida em 2,5 milhões e nula em 500 mil reais. Por isso, a nulidade é
absoluta parcial.

A ação de declaração de nulidade absoluta é denominada ação de redução, possuindo algumas


peculiaridades:

(i) Pode ser proposta mesmo estando vivo o doador: Como envolve nulidade absoluta, pode ser
proposta a qualquer tempo.
(ii) Só pode ser proposta pelo interessado (interesse patrimonial): Logo, o MP não tem legitimidade.
Neste sentido: STJ, REsp 167069/DF.
(iii) Esta ação está sujeita ao prazo geral de prescrição: 10 anos (art. 205, CC). Neste sentido: STJ, REsp
259406/PR. Há divergência doutrinária neste ponto, já que as ações de nulidade absoluta são
imprescritíveis.

e.10) Doação universal: Nula é doação de todos os bens, sem a reserva do mínimo para a sobrevivência
do doador. Há uma relação direta com a dignidade humana e a tese do estado jurídico do patrimônio
mínimo desenvolvida por Luiz Edson Facchin. Neste sentido: STJ, REsp 285421/RS.
Art. 548. É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte, ou renda suficiente para a subsistência
do doador.
A pessoa até pode doar todo o seu patrimônio, desde que faça reserva de renda mínima (alimentos e
usufrutos).

e.11) Doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice:


Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro cônjuge, ou por
seus herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal.

#CRÍTICAS AO DISPOSITIVO:
(i) Inexistência de crime de adultério:
(ii) O “cúmplice” pode ser companheiro do doador, não se aplicando a regra (Revista do STJ, Volume
62/193). A doação para companheiro não é anulável.
(iii) A culpa vem sendo mitigada nas ações de divórcio. Para alguns, a culpa sequer deve ser analisada no
Direito de Família.
Em suma, o dispositivo deve ser aplicado na doação ao concubino (amante), segundo Maria Helena
Diniz.

e.12) Doação à entidade futura: A doação é feita para uma pessoa jurídica, que ainda será constituída.
Esta doação caducará se a entidade não for regularmente constituída no prazo decadencial de 02 anos.
Mais uma vez, tem-se uma doação condicional.Art. 554. A doação a entidade futura caducará se, em
dois anos, esta não estiver constituída regularmente.

e.13) Promessa de doação: Essa doação é exigível? Há duas correntes

1ª CORRENTE: Não, pois não é viável obrigar alguém a cumprir liberalidade. Neste sentido: Caio Mário e
STJ no REsp 730626/SP.

2ª CORRENTE: Sim, diante da boa-fé e justa expectativa que são geradas na parte. Neste sentido: Barros
Monteiros, Flávio Tartuce, STJ no EREsp 125859/RJ, Enunciado 549 da VI Jornada de Direito Civil. Para
fundamentar essa corrente, há dispositivo no CC: Art. 466. Se a promessa de contrato for unilateral, o
credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou,
inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor.

 Revogação da doação: Hipótese de resilição unilateral por parte do doador (direito


potestativo)

Hipóteses: ingratidão do donatário e inexecução do encargo

1) Ingratidão do donatário: A ingratidão envolve ordem pública, motivo pela qual não se admite renúncia
à revogação nesses casos (art. 556, CC).
CASOS:
(i) Se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele.
(ii) Se cometeu contra ele ofensa física.
(iii) Se o injuriou gravemente ou o caluniou;
(iv) Se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este necessitava.
 
Este rol é exemplificativo ou numerus apertus. Nesse sentido, Enunciado 33 da I Jornada de Direito Civil.
Segundo Pablo Stolze, “não há limite para a ingratidão humana”. Confirmando esta tese, tem-se a abertura
de interpretação do art. 558:
Art. 558. Pode ocorrer também a revogação quando o ofendido, nos casos do artigo anterior, for o cônjuge,
ascendente, descendente, ainda que adotivo, ou irmão do doador (leia-se: parentes do doador)
Como interpretar o art. 561 do CC? O perdão deve ser analisado no ato de última vontade. 
Art. 561. No caso de homicídio doloso do doador, a ação caberá aos seus herdeiros, exceto se aquele
houver perdoado.

O art. 564 aduz que não haverá revogação por ingratidão:


I - as doações puramente remuneratórias;
II - as oneradas com encargo já cumprido;
III - as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural. Ex: gorjeta (não pode ser exigível).
IV - as feitas para determinado casamento. Ex: presente de casamento e propter nuptias.

2) Inexecução do encargo: 
Art. 562. A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo, se o donatário incorrer em
mora. Não havendo prazo para o cumprimento, o doador poderá notificar judicialmente o donatário,
assinando-lhe prazo razoável para que cumpra a obrigação assumida.
Há duas hipóteses:
(i) Havendo prazo para a execução, a mora é ex re, sendo ela automática;
(ii) Não havendo prazo para a execução, a mora é ex persona, devendo o donatário ser notificado
judicialmente para a execução do encargo em prazo razoável.

Qual o prazo para a propositura da ação de revogação pelo doador? O prazo é decadencial de 01 ano.
Art. 559. A revogação por qualquer desses motivos (Quais motivos? Ingratidão ou inexecução do encargo?)
deverá ser pleiteada dentro de um ano, a contar de quando chegue ao conhecimento do doador o fato que
a autorizar, e de ter sido o donatário o seu autor.
Quanto à ingratidão, não há polêmica: o prazo é de 01 ano, aplicando-se o art. 559 do CC.

Quanto à inexecução do encargo, aplica-se o art. 559 do CC?


Há duas posições doutrinárias:
1ª POSIÇÃO: Sim, pois o encargo é um ônus, havendo um direito potestativo de resilição (contrato
unilateral imperfeito). Quando se tem um direito potestativo, o prazo é decadencial. Neste sentido, Maria
Helena Diniz, Pablo Stolze e Tartuce.
2ª POSIÇÃO: Não, pois o encargo é um dever, havendo um direito subjetivo de resolução (contrato
bilateral). Quando se tem um direito subjetivo, o prazo é prescricional, incidindo o prazo de 10 anos (art.
205 do CC). Neste sentido: Nelson Nery e Simão.
POSIÇÃO DO STJ: Contrato bilateral + Direito subjetivo + Prazo prescricional de 10 anos (2ª posição). Neste
sentido: STJ, REsp 69682/MS.

DIREITOS REAIS
SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO – DIREITO DAS COISAS X DIREITOS REAIS


2.DIFERENÇA ENTRE DIREITOS REAIS E DIREITOS PESSOAIS PATRIMONIAIS
3. POSSE
3.1. CONCEITO, NATUREZA JURÍDICA E TEORIAS JUSTIFICADORAS
3.1.1. Conceito de posse
3.1.2. Natureza jurídica da posse
3.1.3. Teorias Justificadoras Da Posse
3.2. DIFERENÇAS ENTRE POSSE E DETENÇÃO
3.3. PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES DA POSSE E SEUS OBJETOS
3.3.1. Quanto aos vícios objetivos
3.3.2. Quanto aos vícios subjetivos ou quanto à boa-fé
3.3.3. Quanto ao desdobramento (paralelismo ou relação pessoa - coisa)
3.3.4. Quanto à presença do título (causa representativa da posse, documentada ou
não)
3.3.5. Quanto ao tempo
3.3.7. Composse ou compossessão (art. 1.199)
3.4. AQUISIÇÃO, TRANSMISSÃO E PERDA DA POSSE
4. PROPRIEDADE (“GRUD”) – Gozar, Reivindicar, Usar e Dispor
4.1. CONCEITO E ATRIBUTOS
4.2. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DE PROPRIEDADE
4.3. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE
4.4. A FUNÇÃO SOCIAL DA POSSE E A DESAPROPRIAÇÃO JUDICIAL EM POSSE-TRABALHO*
4.5. FORMAS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL
4.5.1. Usucapião imobiliária*
5. ENFITEUSE*
6. CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO*
7. CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA*
8. MODOS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE MÓVEL
9. MODOS DE PERDA DA PROPRIEDADE
10. DA PROPRIEDADE RESOLÚVEL
11. DA PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA
12. ARRENDAMENTO RURAL
13. ADENDO: LEI 13.465/2017 E A REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA*
14.PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA – PMCMV

1. Introdução:
“Direito das Coisas” é um ramo do Direito Civil (Livro do CC/02) que tem por objeto as relações de domínio
entre pessoas e coisas.
Essa relação de domínio pode ser de dois tipos:
domínio fático (posse) e domínio jurídico (propriedade).
Existe uma pessoa que é o sujeito ativo dessa relação de domínio (soberania privada) sobre uma coisa. O
sujeito passivo, para Orlando Gomes, é universal, isto é, toda a coletividade. Esse direito, em regra, é
oponível a todos (efeitos erga omnes) - Todos os doutrinadores aceitam essa ideia.

OBS.: Devemos entender coisa como um bem corpóreo, material, tangível. Para os civilistas não existe
posse ou propriedade sobre bens imateriais ou incorpóreos. Portanto, os civilistas não admitem a ideia de
propriedade intelectual. Por quê? Primeiro porque você coisifica a pessoa. Segundo porque o regime
jurídico é bem diverso (não existe usucapião para tais direitos, por exemplo) – súm. 228 STJ. Além disso,
posse e propriedade devem ser sobre bens passíveis de serem locados.

1.1.Teorias: personalista, realista ou clássica,

a) Teoria personalista – teoria pela qual os direitos reais são relações jurídicas estabelecidas entre
pessoas, mas intermediadas por coisas. Segundo Orlando Gomes, “a diferença está no sujeito passivo.
Enquanto no direito pessoal, esse sujeito passivo – o devedor – é pessoa certa e determinada, no direito
real seria indeterminada, havendo nesse caso uma obrigação passiva universal, a de respeitar o direito –
obrigação que se concretiza toda vez que alguém o viola”. Essa teoria nega realidade metodológica aos
Direitos Reais e ao Direito das Coisas, entendidas as expressões como extensões de um campo
metodológico.

b) Teoria realista ou clássica – o direito real constitui um poder imediato que a pessoa exerce sobre a
coisa, com eficácia contra todos (erga omnes). O direito real opõe-se ao direito pessoal, pois o último traz
uma relação pessoa-pessoa, exigindo-se determinados comportamentos.

Obs.: Atualmente há uma tendência de aproximação entre os direitos pessoais e reais, o que representa uma
certa volta à teoria personalista. Seria uma espécie de “contratualização do Direito das Coisas” (Luciano de
Camargo Penteano). Conforme já vimos, os contratos, em alguns casos, geram efeitos perante terceiros (função
social do contrato – eficácia externa dos efeitos contratuais). Ainda, o s direitos reais, por sua vez, em alguns
casos, também geram efeitos inter partes.
Súmula 308 do STJ diz que “a hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou
posterior à celebração da promessa de compra e venda (registrada!), não tem eficácia perante os
adquirentes do imóvel” –> IMPORTANTE em provas de 1ª fase, especialmente da CESPE.
Em tese, a hipoteca tem efeitos erga omnes e o banco (agente financeiro) teria direito ao imóvel.
Contudo, a boa-fé (objetiva) dos adquirentes “vence” a hipoteca, que passa a ter efeitos inter partes.

1.2. Direito das coisas x direitos reais.


 DIREITOS REAIS (domínio jurídico)
DIREITO DAS COISAS 
(mais amplo)  POSSE (domínio fático)

DIREITOS DAS COISAS


POSSE DIREITOS REAIS
A posse é o domínio fático que a pessoa exerce sobre uma coisa. Art. 1225: a propriedade, superfície, servidões, usufruto, uso,
Pelo art. 1.196 do CC, considera-se possuidor aquele que tem, habitação, direito do promitente comprador do imóvel, penhor,
pelo menos, um dos atributos da propriedade.    hipoteca, anticrese, concessão de uso especial para fins de
São 4 os atributos da propriedade: é o chamado GRUD: moradia, concessão de direito real de uso, laje.
Visão clássica: rol taxativo
Gozar (fruir), Reaver (buscar), Usar (utilizar) e Dispor (alienar).
Visão contemporânea: exemplificativo – 2 correntes
- Quem tem todos os atributos tem propriedade plena. 1ª não há taxatividade, mas tipicidade, podendo ser criado outros
- Quem tem alguns tem propriedade limitada. direitos reais por outras leis ex.: alienação Fiduc. em garantia-
- Quem tem um deles tem posse.  Tartuce
2ª a autonomia privada poderiam criar direitos reais
Natureza especial ou sui generis, não sendo nem direito pessoal Oponibilidade erga omnes, ou seja, contra todos os membros da
nem direito real. coletividade;
Existência de um direito de sequela;
Previsão de um direito de preferência a favor do titular de um
direito real;
Possibilidade de abandono dos direitos reais, de renúncia a tais
direitos;
Viabilidade de incorporação da coisa por meio da posse;
Previsão da usucapião como um dos meios de sua aquisição;
Suposta obediência a um rol taxativo (numerus clausus) de
institutos, previstos em lei, o que consagra o princípio da
tipicidade dos direitos reais;
Regência pelo princípio da publicidade dos atos, o que se dá pela
entrega da coisa ou tradição (no caso de bens móveis) e pelo
registro (no caso de bens imóveis).
Sobre a própria coisa – propriedade e vizinhança
Obs.: laje*
Sobre a coisa alheia:
1. de fruição (usufruto, uso, habitação, servidão, enfiteuse,
superfície, concessão de uso especial para fins de moradia,
concessão de direito real de uso, laje*)
2. de garantia (penhor, hipoteca, anticrese, alienação fiduciária)
3. de aquisição (promessa de compra e venda).

1.3. Classificação

+ concessão de uso especial para fins de moradia e concessão de direito real de uso são d. de fruição
+ Laje dupla dimensão: propriedade e fruição de coisa alheia
+ multipropriedade imobiliária: mesmo não efetivada codificada, possui natureza de direito real,
harmonizando-se com os institutos constantes do rol do art. 1225 do CC
Os direitos reais podem ser classificados em:
a) Direitos reais sobre coisa própria e direitos reais sobre coisa alheia; 
b) Direitos de gozo ou fruição ou direitos de garantia;
c) Direitos reais mobiliários e direitos reais imobiliários.

De acordo com as classificações acima, os direitos reais enumerados no Livro III do CC/02 recaem sobre
coisa própria (propriedade) ou sobre coisa alheia.
Os Direitos reais na coisa alheia, que nos interessa por ora, podem ser classificados de acordo com a tabela
abaixo:
DIREITO REAL DE GOZO OU DIREITO REAL DA COISA
DIREITO REAL A AQUISIÇÃO
FRUIÇÃO ALHEIA DE GARANTIA
Permitir que uma pessoa tenha
Não terá a coisa consigo. É
consigo os poderes de utilização - Busca-se através do domínio ser
vedada a utilização da coisa.
da coisa. proprietário.
Credor tem o direito real.
- O exercício dos poderes do
domínio viabilizam a aquisição da
Permitir que terceiro retire as propriedade.
ASSEGURAR CUMPRIMENTO
utilidades da coisa.
DE OBRIGAÇÃO.
UTILIDADE
6 HIPÓTESES 4 HIPÓTESES 1 HIPÓTESE (OU  2)

1. Enfiteuse (código 16) 1. Hipoteca


1. Promessa irretratável de
2. Superfície 2. Penhor
compra e venda
3. Servidão predial 3. Anticrese
2. Direito de preferência (não
4. Usufruto 4. Alienação fiduciária em
unânime)
5. Uso garantia.
6. Habitação

Os direitos reais de gozo ou fruição são autônomos, enquanto os de garantia são acessórios.

A Renda constituída sobre imóvel é apenas um contrato, não mais um direito real.

2. Diferença entre direitos reais e pessoais patrimoniais

DIREITO PESSOAIS PATRIMONIAIS DIREITO REAIS


Quanto a relação Entre as pessoas (credor e devedor) Relação do sujeito com as coisas
Objeto Prestação do devedor (dar, fazer, não fazer) A coisa (corpórea)
Princípio básico Autonomia privada Regras do direito público (registro e tradição)
Modalidades Não taxativo, podendo estar ou não previstas em lei Taxatividade (regra)
Quanto a ação O lesado ingressa ação somente contra a outra parte O lesado ingressa ação contra quem detiver a
coisa (direito de sequela)
Duração transitórios Perpétuos
Responsabilidade O patrimônio do devedor responde A coisa responde
Extinção Pela inercia do interessado (prescrição) Conserva-se até que haja uma situação contrária
Efeitos Inter partes Erga omnes

ATENÇÃO: Existem conceitos que são híbridos, estão “no meio” desse quadro comparativo entre direitos
pessoais patrimoniais e direitos reais. Como exemplo, temos a “obrigação propter rem”, também chamada
de obrigação mista, híbrida, ambulatória ou reipersecutória. Possui ela parte de direito pessoal e parte de
direito real. São as chamadas obrigações próprias da coisa, que seguem a coisa com quem quer que ela
esteja. Ex.: dívidas de condomínio – art. 1345 do CC: “o adquirente de unidade responde pelos débitos do
alienante, em relação ao condomínio, inclusive multas e juros moratórios”.

3. POSSE
Defesa de um estado de aparência: sempre que um estado de aparência for juridicamente relevante,
existirão normas ou princípios gerais de direito a resguardá-lo.
- A doutrina tradicional enuncia ser a posse relação de fato entre pessoa e a coisa. Venosa entende ser a
posse um estado de aparência relevante. Esse estado de aparência que inicialmente pode surgir sem
substrato jurídico pode servir para a aquisição da propriedade. Esse é o sentido da usucapião.
3.1. CONCEITO, NATUREZA JURÍDICA E TEORIAS JUSTIFICADORAS
3.1.1. Conceito de posse
A posse é o domínio fático que a pessoa exerce sobre uma coisa. Pelo art. 1.196 do CC, considera-se
possuidor aquele que tem, pelo menos, um dos atributos da propriedade.   
- São 4 os atributos da propriedade: é o chamado GRUD:
Gozar (fruir), Reaver (buscar), Usar (utilizar) e Dispor (alienar).

Quem tem todos os atributos tem propriedade plena.


Quem tem alguns tem propriedade limitada.
Quem tem um deles tem posse. 

CONCEITO: Posse é a situação de fato, regulada pelo direito, na qual o possuidor tem o exercício, pleno ou
não, de alguns dos poderes inerentes à propriedade.
3.1.2. Natureza jurídica da posse
Moreira Alves fala do dilema de saber se a posse é fato ou é direito, chegando à conclusão de que a posse é
um fato e um direito de natureza especial ou sui generis, não sendo nem direito pessoal nem direito real.
- É a posição que prevalece, embora doutrinadores como Clóvis Beviláqua defendam que a posse é direito
real, porque intimamente relacionada ao direito de propriedade. 

Podemos chegar à conclusão de Moreira Alves com base também na ideia da teoria tridimensional do
direito de Miguel Reale: o Direito é fato, valor e norma. Se a posse entra no mundo dos fatos, ela é
componente jurídico, do Direito, sendo também considerado um direito (subjetivo)!
Premissa 1 – A posse é um domínio fático, ou seja, um fato.
Premissa 2 – Direito é fato, valor e norma.
Conclusão – A posse é um direito.

Natureza Jurídica da Posse. Jus Possessionis e Jus Possidendi.


Houve muita discussão, até mesmo entre Ihering e Savigny, sobre a definição de qual é a natureza jurídica
da posse; se ela é um FATO ou um DIREITO. 

SAVIGNY: teria natureza jurídica dúplice. Considerada isoladamente, a posse seria um FATO, por
independer de regras do direito. Mas, em determinadas condições, atribuem a este fato os efeitos de um
DIREITO PESSOAL. É a chamada teoria eclética.

IHERING: conceituando direito subjetivo como um interesse juridicamente protegido, obtém definição que
identifica a posse como um interesse legitimo. Tratar-se-ia, portanto, de um DIREITO, porque se trata de um
interesse tutelado pela norma. 

Para Cristiano Chaves, a posse é um DIREITO SUBJETIVO dotado de estrutura peculiar.


A partir da ideia de que a posse é um direito, surge a discussão se se trata de um DIREITO REAL ou DIREITO
PESSOAL. Entretanto, não pode ser enquadrada nas duas modalidades mencionadas pelas seguintes
razões:
o A pretensão de classificá-la como direito pessoal esbarra na própria definição deste:
relação ou vínculo jurídico que confere ao credor o direito de exigir do devedor o cumprimento de uma
prestação; 
o  Um argumento que pode tirar da posse qualquer natureza real é o caráter absoluto desses
direitos, sendo que a posse não é oponível erga omnes em pelo menos duas situações: 
 (i) ainda que o possuidor possa vencer a demanda possessória contra o
proprietário, este acabará reavendo a coisa por meio das vias reivindicatórias, e
 (ii) o direito de sequela do possuidor (responde a coisa onde quer que ela esteja)
cede ante a boa-fé. 
Assim, “em verdade, no direito moderno, a posse é um instituto jurídico sui generis e, assim sendo, não só
não se encaixa nas categorias dogmáticas existentes, mas também não dá margem à criação de uma
categoria própria que se adstringiria a essa figura única” (José Carlos Moreira Alves).

Essa discussão importava muito no processo civil, porque se fosse considerada como direito real importaria
a participação obrigatória do cônjuge nas ações possessórias. Mas, depois da reforma de 1994, o CPC sanou
essa questão ao disciplinar a obrigatoriedade de participação do cônjuge nas ações possessórias somente
nas seguintes situações (art. 10):
a) Se há caso de composse ou; 
b) Se se discute ato por ambos praticado.

JUS POSSESSIONIS E JUS POSSIDENDI.


POSSE FORMAL POSSE CAUSAL
INDEPENDENTE DE TÍTULO PORTADOR DO TÍTULO
O nosso direito protege não só a posse correspondente ao direito de propriedade e outros direitos reais,
como também a posse como figura autônoma e independente da existência de um título.
- Assim, se alguém se instala em um imóvel e nele se mantém, mansa e pacificamente, por mais de ano e
dia, cria situação possessória, que lhe proporciona direito à proteção. Tal direito é chamado jus possessionis
ou posse formal, derivado de uma posse autônoma, independentemente de qualquer título. É tão
somente o direito fundado no fato da posse.
Já o direito à posse, conferido ao portador de título devidamente transcrito, bem como ao titular de outros
direitos reais, é denominado jus possidendi ou posse causal. Neste caso, a posse não tem qualquer
autonomia, constituindo-se em conteúdo do direito real.

GENERALIDADES SOBRE A POSSE: é protegida para evitar a violência e assegurar a paz social, bem como
porque a situação de fato aparenta ser uma situação de direito. A posse é o fato que permite e possibilita o
exercício do direito de propriedade. Quem não tem posse não pode utilizar-se da coisa, por isso prefere o
ordenamento proteger sempre e com maior celeridade e eficácia o que detém o aspecto externo da
propriedade.

- Nas ações possessórias (interditos), trata-se exclusivamente da questão da posse.


- Já nas chamadas ações petitórias, leva-se em consideração o direito de propriedade.

É vedado examinar o domínio nas ações possessórias no bojo de ações petitória - . A decisão que dirime o
conflito possessório não inibe nem prejulga o âmbito petitório (art. 1.210, §2º, CC/2002).

- Nas ações petitórias, ressalta-se um caráter ofensivo por parte do titular do domínio, que deve provar
ser o senhor da coisa. Já na possessória, sobreleva o caráter defensivo. No Brasil, por influência de Rui
Barbosa, os interditos possessórios chegaram a ser utilizados para a defesa de direitos pessoais,
incorpóreos, como o direito a determinado cargo.
+ Além das pessoas naturais e jurídicas, os entes despersonalizados podem ser considerados possuidores.
Nesse sentido, o Enunciado n.º 236, da III Jornada de Direito Civil, prevendo que se considera possuidor,
para todos os efeitos legais, também a coletividade desprovida de personalidade jurídica. Assim, podem ser
possuidores o espólio, a massa falida, a sociedade de fato e o condomínio, para aqueles que entendem
ainda tratar-se de um ente despersonalizado.

3.1.3. Teorias Justificadoras Da Posse 


São três: Subjetiva, objetiva e sociológica (função social)
Savigny, Ihering
Teoria Subjetiva: Savigny Teoria Objetiva: Ihering Teoria Sociológica ou da Função Social
Da Posse - Defendida por Saleilles,
Perozzi e Hernandez Gil.
P = C + AD P=C P = C + FS
Posse = Corpus (domínio fático) + Posse = Corpus (domínio fático, Posse = Corpus + Função Social.
animus domini (intenção de ser com a intenção de explorar a coisa
proprietário economicamente).
Por essa teoria, o locatário, o Dentre as clássicas, foi a teoria Se não houver função social, não há
comodatário, o depositário, entre adotada pelas codificações civis posse. A sociedade aceita a situação, já
outros, não são possuidores (seriam brasileiras. No CC/02, está nos arts. que o sujeito dá uma função social à
detentores). Por esse motivo, essa 1.196 e 1.197.   propriedade.
teoria não foi adotada no Brasil, nem Essa teoria foi adotada implicitamente
pelo CC/16 nem pelo CC/02, que Não obstante o CC/02 adote a pelo CC/02, ao valorizar a chamada
considera os sujeitos acima como Teoria Objetiva, por vezes traz “posse-trabalho”.
possuidores aspectos subjetivos. Ex.: usucapião Ex.: art. 1238, p.ú. do CC: o prazo da
Para essa teoria, eles têm DETENÇÃO, (posse com animus domini). usucapião extraordinária cai de 15 para
ou seja, uma posse sem o elemento Enunciado 492 da V Jornada de 10 anos se houver posse-trabalho. 
subjetivo, situação na qual está Direito Civil: 492: A posse constitui Já pelo art. 1242, p.ú., o prazo da
presente somente o elemento direito autônomo em relação à usucapião ordinária cai de 10 para 5 anos
objetivo. Assim, não teriam direito a propriedade e deve expressar o se houver posse-trabalho.
utilizar ações possessórias, nem aproveitamento dos bens para o Além desses, o art. 1228, §§ 4º e 5º traz
contra o locador e outros, nem contra alcance de interesses existenciais um instituto que é uma verdadeira
3º econômicos e sociais merecedores jabuticaba jurídica (porque só existe no
+ essa teoria é importante, no BR, de tutela Brasil), que é a desapropriação judicial
para fins de usucapião, pois aqui a privada por posse-trabalho, estudada à
intenção de ser proprietário é frente
relevante.

O importante é fixar o destino econômico da coisa. O animus está integrado ao conceito de corpus. O
possuidor comporta-se como faria o proprietário. É o ordenamento jurídico que discrimina a seu arbítrio
sobre as relações possessórias, criando, assim, artificialmente, a separação da chamada detenção jurídica
relevante de outras situações não protegidas. Quando não houver proteção legal da relação com a coisa, o
que existe é mera detenção, portanto, a detenção nada mais é do que espécie de posse cujo ordenamento
jurídico não concede proteção.

Aplicada a teoria objetiva, o locatário e os outros são possuidores, porque têm a imagem do domínio,
parecem ser proprietários, já que têm poderes inerentes ao mesmo. Na medida em que têm posse, têm
acesso à via de proteção possessória que pode ser exercida contra terceiros ou contra o locador e outros. O
conceito de DETENÇÃO, para essa teoria, consiste em uma escolha discricionária pelo legislador: a rigor,
seriam situações de posse, mas que o legislador decidiu atribuir efeito de detenção. Seria posse, mas por
força da lei deixou de ser, sendo conceituada como detenção.
 
Assim, pelo nosso sistema civil, têm posse: locatário, comodatário, depositário, etc. Podem, portanto,
exercer a defesa de sua posse até mesmo contra o locador, o comodante ou depositante, como atesta o
artigo 1197, já que são possuidores diretos.
- A superioridade desta teoria repousa na maior facilidade de distinguir-se a POSSE da DETENÇÃO. Para
Ihering a detenção seria uma posse desqualificada pelo ordenamento jurídico. 

O CC/2002, nesse entrechoque de posições, se inclinou no artigo 1196, a toda evidência, pela teoria
objetiva. Mas o CC/02 faz concessões à teoria subjetiva, como, por exemplo, ao tratar da usucapião, já que
o CC exige posse com animus domini.

3.2. DIFERENÇAS ENTRE POSSE E DETENÇÃO


POSSE DETENÇÃO (art. 1.198)
Exercício do poder de fato em nome próprio, exteriorizando Exercício do poder de fato em nome alheio, seguindo ordens
a propriedade e fazendo uso econômico da coisa e instruções daquele a qual subordina-se.
Obs. Tb chamada de fâmulo da posse/ gestor da posse:
contato físico, mas não é possuidor (servid. da posse)
Lhe assiste o direito de invocar, em nome próprio, as ações Não lhe assiste o direito de invocar, em nome próprio, as
possessórias. ações possessórias. Mas poderá exercê-lo no interesse do
possuidor.
Hipóteses: servidores da posse (caseiro), permissão ou
tolerância (empréstimo), violência ou clandestinidade e
atuação em bens públicos de uso comum do povo ou bens
públicos especiais
Atenção: quem inicia a posse como mero fâmulo ou detentor
não pode alterar por vontade própria esta situação e tornar-se
possuidor, portanto, há necessidade de um ato ou negócio
jurídico que altere a situação de fato - há necessidade de um
ato ou negócio jurídico que altere a situação de fato
(convalescimento)
+ Cessada a violência/clandestinidade, os mencionados atos
passam a produzir o efeito de qualificar como injusta, com os
efeitos daí decorrentes – a posse que a partir de então surge,
estando, apenas, que a injustiça da posse fica circunscrita ao
esbulhado e ao esbulhador.
Enunciado 493 da V Jornada de Direito Civil: O detentor (art. 1.198) pode, no interesse do possuidor,
exercer a autodefesa do bem sob seu poder. 
 
Art. 1.224. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia
dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido.
 Até que o não-presente tenha notícia do esbulho e se abstenha de retomar a coisa, ou não logre êxito
em retomá-la, o ocupante é mero detentor.

#SELIGA! É possível que o ato de mera detenção se torne posse, quando houver o seu convalescimento. A
conversão da mera detenção em posse se dará com a ruptura da relação jurídica originária. O
convalescimento, também chamado de interversão, ocorrerá quando cessada a causa que lhe originou ou
quando passado ano e dia. 
 
Enunciado 301 da IV Jornada de Direito Civil: É possível a conversão da detenção em posse, desde que
rompida a subordinação, na hipótese de exercício em nome próprio dos atos possessórios.
 
#obs.: Os atos de violência/clandestinidade não caracterizam posse, senão depois de cessada a
violência/clandestinidade. Têm natureza de mera detenção. 
+ em relação a terceiros, a posse violenta ou clandestina já nasce com natureza de posse!
 

+  ato de tolerância ou permissão: pode induzir posse quando rompida a relação jurídica base. Ex.: quando
o comodatário não restitui a coisa no dia certo, passa a haver esbulho, rompendo a relação jurídica base, e
induzido a posse do esbulhador.

+ A ocupação irregular de áreas públicas não induz posse, mas detenção.


 A concessão de uso de bem público não gera posse, mas detenção.
 O detentor não tem direito a usucapião, e nem a indenização por benfeitorias ou acessões. 
 
enunciado de súmula nº 619-STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de
natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.

É possível o manejo de interditos possessórios em litígio entre particulares sobre bem público dominical,
pois entre ambos a disputa será relativa à posse. STJ. 4ª Turma. REsp 1296964-DF, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 18/10/2016 (Info 594).
 
Em ação possessória entre particulares é cabível o oferecimento de oposição pelo ente público, alegando-
se incidentalmente o domínio de bem imóvel como meio de demonstração da posse. STJ. Corte Especial.
EREsp 1.134.446-MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/03/2018 (Info 623)

Súmula 637-STJ: O ente público detém legitimidade e interesse para intervir, incidentalmente, na ação
possessória entre particulares, podendo deduzir qualquer matéria defensiva, inclusive, se for o caso, o
domínio.

 Tença: a posse e a detenção não se confundem com a tença, sendo a última “uma mera situação
material de apreensão física do bem, sem qualquer consequência jurídica protetiva”.
Ex.: a pessoa tem a coisa em situação totalmente precária. Mini-detenção. Ex.: pega um peixe para tirar
uma foto e depois devolve ao mar.

3.3.Principais classificações da posse e seus objetos

QUANTOS AOS:
- VICIOS OBJETIVOS - justa, injusta, violenta, clandestina e precária
- VICIOS SUBJETIVOS (BOA-FÉ) - Má-fé e boa-fé
- DESDOBRAMENTO (paralelismo) – direta e indireta
- PRESENÇA DE TÍTULO - Causal ou sem titulo/material
- TEMPO - Nova e velha
- EFEITOS – posse ad interdicta ou ad usucapionem
- COMPOSSE OU COMPOSSESSÃO: pro diviso(fração real) ou pro indiviso (fração ideal, sem fixação de
limites)

QUANTO a/ao/aos:

Vícios objetivos justa, injusta, Posse justa: sem Posse injusta: pelo menos um vício. Posse precária: abuso de
violenta, vícios objetivos. ! – prazo de 1 ano e 1 dia confiança
clandestina e (violenta, cland. e Podendo ser: (não haverá
precária precária) Posse violenta – roubo da posse (vis convalescimento, exceto
absoluta ou vis compulsiva): violência se houver modificação da
física ou coação moral. rel. jur., )
Posse clandestina – furto da posse: basta
que o possuidor não saiba, embora seja de
conhecimento geral
Vícios Má-fé e boa-fé Posse de má-fé: Posse de boa-fé (subjetiva): quando o ATENÇÃO: em regra há
subjetivos sabe que não pode possuidor ignora um obstáculo p/ equivalência de p. justa e
Ou boa-fé ser proprietário E aquisição da propriedade (real) ou tem p. de boa-fé, como pela p.
não tem justo titulo justo título (presumida) injusta e p. de má-fé.
HAVENDO EXCEÇÕES
Desdobramento direta e indireta Posse indireta: Posse direta: contato imediato e corpóreo
(paralelismo) contato mediato entre a pessoa e a coisa.
com a coisa Obs.: O possuidor dir. e o indir. podem
invocar a prot. possessória, podendo o
poss. direto valer-se deste instrumento
contra o possuidor indireto
Presença de Causal ou sem Posse causal (ius Posse sem título ou posse material (ius
titulo título/material possidendi): com possessionis):
contrato Quando não há causa repres., pelo menos
aparente, da transm. do dom. fático.
Sendo qualificado como um ato-fato
jurídico

Tempo Nova ou velha Posse nova: menos Posse velha: pelo menos um ano e um dia A ação velha admite tutela
de 1 ano e 1 dia já passados antecipada
+ Repercussão Proces., se for ação nova, a
ação segue o rito especial e cabe liminar,
caso não seja, o rito é ordin.
Efeitos ad interdicta ou Posse ad interdicta: Posse ad usucapionem – usucapivel, isto é,
ad usucapionem passível de ser alcançar a propriedade da coisa pelo
defendida por a. decurso de certo tempo. Req.: ânimo de
possessórias, basta dono, que seja mansa e pacífica (sem
que seja justa. oposição), contínua (s/ interrupção), que
Exceção: ainda c/ os haja decurso do tempo, seja de boa-fé e
vícios, o possuidor que haja justo título. Esses dois últimos
está garantido em interessam apenas ao usucapião ordinário.
relação a terceiros
Composse ou pro diviso ou Trata-se do cond. pro diviso: fração real, cada qual sabe sua Composse X concorrência
compossessão pro indiviso da posse, quando 2 parte, sendo a área da posse definida. ou sobreposição de
ou + pessoas, pro indiviso fração ideal, sem fixação de posses (desdobram.
simultaneamente, limites da posse. vertical da p. em direta e
exercem a posse. indireta). Na concorrência
Req.: indivisib. Da Acessio possessionis x sucessão da posse: de posses, c/ o
coisa + suj. plurais Acessio seria a soma das posses anteriores desdobramento destas
p/ atingir o lapso p/ usucapião, por ex. em dir. e indir, dá-se o
Sucessão possessória é a transmissão da fenôm. da existência de
posse do falecido para os sucessores posses de nat. diversa
sobre a mesma coisa,
tendo cada possuidor o
exercício limitado ao
âmbito específico da sua.

CONSEQUENCIAS DA CLASSIFICAÇÃO

3.3.1. Quanto aos vícios objetivos


Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua
aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade.
Observe que a justiça ou injustiça da posse é conceito de exame objetivo. Não confunde com
posse de boa ou má-fé, que exigem exame subjetivo (vontade do agente).
- Fator relatividade: a posse pode ser justa em relação a um sujeito e injusta em relação a outro.
Logo, a posse injusta poderá ser protegida por interditos contra 3º que a ameacem.
Obs.: enquanto perdurar a violência ou clandestinidade não há posse, mas tão somente mera
detenção. Cessadas, surge a posse, porém injusta em relação a quem perdeu e justa em relação a
comunidade (dualidade da posse)
Ex.:
Usucapião: somente o possuidor justo (pode ter se tornado justo depois de um ano e um dia)
pode obter propriedade por usucapião
Possessórias: o possuidor justo sempre tem ação possessória. O possuidor injusto só tem contra
terceiro e não contra o possuidor justo. Ex.: particular que ocupa um bem público dominical não
poderá ajuizar ação possessória quanto ao poder público, mas poderá ajuizá-las quanto a 3º

- art. 1.200 “salvo prova em contrário, a posse mantém o caráter que foi adquirida.”
Enunciado 237 da Jornada de Direito Civil: É cabível a modificação do título da posse - interversio
possessionis - na hipótese em que o até então possuidor direto demonstrar ato exterior e
inequívoco de oposição ao antigo possuidor indireto, tendo por efeito a caracterização do animus
domini.

+ A posse precária não convalesce (entendimento majoritário, pois não há previsão legal). Para
Cristiano Chaves há a exceção quando se houver modificação da relação jurídica originária. Trata-
se da quebra do Princípio da Continuidade do Caráter da Posse.

Segundo entendimento MAJORITÁRIO, a posse injusta passa a ser justa depois de um ano e dia,
por interpretação do art. 924, do CPC

Em relação aos seus efeitos, os vícios da violência, da clandestinidade ou da precariedade não


influenciam na questão dos frutos, das benfeitorias e das responsabilidades. Para tais questões,
leva-se em conta se a posse é de boa-fé ou má-fé.

3.3.2. Quanto aos vícios subjetivos ou quanto à boa-fé


Natureza: Boa-fé subjetiva

Em regra, há equivalência entre posse justa e posse de boa-fé e Posse injusta e posse de má-fé.
Ou seja, quem tem posse justa geralmente está de boa-fé e vice-versa, mas não necessariamente.
Ex.: comprar Iphone roubado. A posse é injusta (só passa a ser justa com um ano e um dia), mas
de boa-fé, se ignora o fato do roubo. Por outro lado, terá posse justa, mas de má-fé, o locatário
que pretende adquirir o bem por usucapião, na vigência do contrato.

- Posse justa e injusta – critérios objetivos. Efeitos para usucapião e ações possessórias.
- Posse boa e má-fé – critérios subjetivos. Efeitos: frutos, benfeitorias e responsabilidades (1.214 a
1.220).
ATENÇÃO: Nos termos do artigo 1.202 do Código Civil, não apenas a citação pode fazer cessar a
boa-fé, mas também opera o mesmo efeito qualquer circunstância anterior ao processo que faça
presumir a consciência da ilicitude por parte do sujeito, como notificação judicial ou extrajudicial.
+ Com a citação de uma ação proposta, o possuidor de má-fé responde pela entrega da coisa e
pelos frutos em decorrência de princípios processuais e obrigacionais, produzindo a sentença
efeitos desde aquele ato de conhecimento (citação).
POSSE DE BOA-FÉ POSSE DE MÁ-FÉ
Responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como
pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em
Tem direito aos frutos percebidos.
que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e
custeio.
Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a
Responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como
boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas
pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em
as despesas da produção e custeio; devem ser
que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e
também restituídos os frutos colhidos com
custeio.
antecipação.
Responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que
Não responde pela perda ou deterioração da coisa,
acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado,
a que não der causa.
estando ela na posse do reivindicante.
Direito à indenização das benfeitorias necessárias e Serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe
úteis. assiste o direito de retenção pela importância destas .
Direito de levantar a benfeitorias voluptuárias. Não tem direito de levantar as voluptuárias.
Direito de retenção pelo valor das benfeitorias
Não lhe assiste o direito de retenção.
necessárias e úteis.
O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de
ao possuidor de boa-fé, indenizará pelo valor atual. má-fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo
Indenização do prejuízo: responde em todos os casos, mesmo em
Indenização do prejuízo: somente se tiver dado razão de força maior ou caso fortuito. Somente pode eximir-se caso
causa comprove a perda ou deterioração dar-se-ia da mesma maneira se
estivesse nas mãos do retomante
#ATENÇÃO:
- O STJ entende que, caso o possuidor deseje exercer o direito de retenção, deverá fazê-lo na contestação
ou na petição inicial. Isso para que o juiz, no cumprimento de sentença, já reconheça o direito à
retenção. 
- Para evitar que o possuidor de boa-fé realizasse benfeitorias úteis somente para o fim de retenção, a
jurisprudência estabeleceu que as benfeitorias úteis realizadas após a notificação para restituição da coisa
não geram direito de retenção, mas apenas de indenização. 
#DESAPROPRIAÇÃO: No caso das benfeitorias úteis realizadas após o decreto expropriatório, só serão
indenizadas caso haja prévia autorização do poder expropriante. As benfeitorias necessárias serão sempre
indenizadas. 
- Frutos não se confunde com produtos, pois enquanto os frutos não geram diminuição do principal, os
produtos sim. Logo, o entend. maj. é que os possuidores de boa-fé NÃO possuem direito aos produtos

- O art. 1212 do CC preceitua que “O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização,
contra o terceiro que recebeu a coisa esbulhada, sabendo que o era”.

Do referido dispositivo pode-se extrair a seguinte conclusão, exposta no Enunciado 80 do CJF: “Art. 1212: É
inadmissível o direcionamento de demanda possessória ou ressarcitória contra terceiro possuidor de
boa-fé, por ser parte passiva ilegítima, diante do disposto no art. 1212 do NCC. Contra o terceiro de boa-
fé cabe tão-somente a propositura de demanda de natureza real” – ou seja, quando se discute a
propriedade, que é erga omnes.
3.3.3. Quanto ao desdobramento
- Venosa traz o conceito de desdobramento vertical da posse para denominar situações onde há um plano
vertical para a pluralidade de sujeitos; portanto, um plano hierárquico ligado à natureza do fato jurígeno.
Ex.: posse mediata e posse imediata. Por outro lado, pode-se dizer que há desdobramento horizontal da
posse quando os sujeitos exercem o poder de fato sobre a coisa de forma horizontal, de acordo com o
mesmo título e com as mesmas peculiaridades como, por exemplo, na composse.
Se não ocorrerem os fatos jurígenos que dão origem ao desdobramento da posse, não há que se falar em
posse direta ou indireta (mediata ou imediata), mas simplesmente posse (plena). A posse direta é, de
maneira geral, uma posse derivada, como alguns a denominam, sendo limitada no tempo.
- EFEITOS DA POSSE
 Usucapião;
 Proteção possessória;

A legítima defesa e desforço imediato correspondem a duas modalidades de defesa da posse, mas exigem
imediatismo e proporcionalidade.
Na legítima defesa, a posse é ameaçada (ameaça ou turbação)
No desforço, a posse é perdida (esbulho).
A autotutela engloba tanto os bens móveis quanto imóveis.
- Autotutela – possibilidade, desde que as medidas sejam proporcionais/razoáveis/imediatas ( in continenti).
É possível o uso de prepostos. Lembrando que o detentor poderá, no interesse do possuidor, exercer a
autodefesa do bem sob seu poder.

SOBRE AS AÇÕES POSSESSÓRIAS

 É possível a cumulação de pedido;


 Fungibilidade;
 Natureza dúplice das ações possessórias;
 Proibição da exceção de domínio.

ATENÇÃO: EXCEPTIO PROPRITETATIS – EXCEÇÃO DE DOMÍNIO: É admitida pela jurisprudência quando


duvidosa a posse de ambos os litigantes ou as partes disputam a posse a título de proprietárias.

3.3.4. Quanto a presença de titulo


Cabe ressaltar que titulo é entendido como causa representativa de posse, documentada ou não.
A) Posse causal ou posse ius possidendi: é a posse fundada em contrato;
B) Posse sem título ou posse material (ius possessionis): é a situação em que não há uma causa
representativa, pelo menos aparente, da transmissão do domínio fático. Exemplo: achado de um tesouro
sem querer (art. 1,264, CC). Nesse caso, a posse é qualificada como um ato-fato jurídico, pois não há uma
vontade juridicamente relevante para que exista um ato jurídico.
Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido
por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente.
Art. 1.265. O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio, se for achado por ele, ou em
pesquisa que ordenou, ou por terceiro não autorizado.
Art. 1.266. Achando-se em terreno aforado, o tesouro será dividido por igual entre o descobridor e o
enfiteuta, ou será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor.

3.3.5. Quanto ao tempo


Ação de força nova X ação de força velha – determina o rito processual

Obs.: cabe tutela antecipada na ação de força velha.

3.3.6. Quanto aos efeitos – posse ad interdicta ou ad usucapionem


A análise da posse parte do efeito de interditos ou de usucapião.
Posse ad interdicta: Os vícios da posse só não o garantem em relação ao proprietário, necessitando que
seja justa. Em relação àqueles, qualquer posse dá direito aos interditos.
- Possibilita o manejo das ações possessórias (regra). Interditos possessórios (ações possessórias diretas).
Há uma fungibilidade total entre essas ações;

- Ameaça: interdito proibitório;


- Turbação (atentado temporário): ação de manutenção da posse;
- Esbulho (atentado definitivo): reintegração da posse (ação de força espoliativa).
Obs.: Não importa se a área é parcial ou total.
a invasão parcial de um terreno reclama a aplicação da ação de reintegração de posse

Posse ad usucapionem:
Requisitos:
 Mansa e pacífica;
 Animus domini (segundo Savigny);
 Determinado tempo – varia de 2 a 15 anos;
 Ininterrupta.
- as datas variam de acordo a lei material e a espécie de usucapião

2 hipóteses de autotutela: legitima defesa e desforço imediato


A legítima defesa ocorre quando a posse é ameaçada, já o desforço imediato quando a posse é perdida.

+Onde é possível a ação possessória também é possível a autotutela. Engloba tanto os móveis quanto
imóveis. Para que o possuidor valha-se da defesa de mão própria, faz-se necessária a turbação ou o esbulho
e uma reação imediata: contanto que faça logo. Passadas a oportunidade e conveniência da autodefesa,
cabe ao sujeito recorrer às vias judiciais, sob pena de praticar o ilícito penal tipificado no art. 345 do CP
(exercício arbitrário das próprias razões)

AÇÕES: interdito possessório, interdito proibitório, manutenção da posse, reintegração da posse,


embargos de terceiro, ação de nunciação de obra nova, ação de imissão na posse, ação de dano
infecto, usucapião

a) Interdito possessórios – art. 555 ao 557 - CPC


Legitimação ativa: quem possuir a posse (não basta o direito real)
Obs.: a lei presume que o herdeiro continua a posse do antecessor
Legitimação passiva: autor da ameaça, turbação ou esbulho
Atenção: Contra o 3º que recebeu a coisa de boa-fé não cabe reinteg. de posse, mas apenas ação
petitória
Logo, a ação poderá ser proposta contra quem ordenou a ofensa ou contra ambos; se o demandado for
detentor, deverá alegar preliminar de ilegitimidade da parte (art. 338 CPC); se for possuidor direto,
deverá denunciar a lide.
Atenção: O herdeiro a título universal também é legitimado passivo.
Pessoas jurídicas têm legitimidade passiva.
Em relação às de direito público, pode até ser deferida liminar, desde que previamente ouvidos os seus
representantes. Neste caso, a jurisprudência, ao fundamento de que a obra pública não pode ser
demolida, vem convertendo muitos interditos em ação de desapropriação indireta (alguns exigem que,
para que tal aconteça, tenha o autor formulado pedido alternativo).
Cumulação de pedidos na ação possessória. O art. 921 do CPC autoriza a cumulação do pedido
possessório com a condenação em perdas e danos; cominação de pena em caso de nova turbação ou
esbulho; e desfazimento de construção ou plantação feita em detrimento de sua posse.
++ Desde que o autor dispense o rito especial, pode formular outros pedidos cumulados ao possessório,
como, por exemplo, o de rescisão do compromisso de compra e venda e o demarcatório.
Fungibilidade. Em relação aos interditos, vige o princípio da fungibilidade, mas apenas entre as três
ações possessórias em sentido estrito (ação de reintegração, manutenção e interdito proibitório). Em
atenção a possibilidade de rápida mutabilidade do estado de fato ou da dificuldade de precisar-se, no
caso concreto, qual a espécie de agressão que a vítima efetivamente sofreu.

Natureza dúplice da ação possessória. As possessórias são ações dúplices, conforme dispõe o art. 922
do CPC. Tal dispositivo tem natureza de reconvenção, não se admitindo, portanto, a reconvenção
propriamente dita quanto aos pedidos formulados na ação; no entanto, o STJ tem entendido que é
possível a reconvenção pela conexão com os fundamentos da defesa

Natureza jurídica da ação de posse: jurisprudência considera que é de natureza pessoal (logo, não
precisa citar o conjugue – novo cpc prevê a prescindibilidade da convocação de ambos os conjugues,
exceto se houver composse ou ato por ambos praticado)

Exceção de domínio. A jurisprudência somente vem admitindo quando (a) é duvidosa a posse de ambos
os litigantes, isto é, quando o exame da prova não tenha sido capaz de dissipar a dúvida no que diz
respeito ao verdadeiro possuidor ou (b) as partes disputam a posse a título de proprietárias. Enquanto
estiver tramitando a ação possessória, em que ambas as partes a discutem com base no domínio, nem o
réu nem o autor podem ajuizar ação petitória. No entanto, se o pleito não tiver esse conteúdo, não fica
impedida a propositura de ação petitória. Súmula 487 do STF: “Será deferida a posse a quem,
evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela disputada”.
Ainda que a decisão judicial na possessória seja no sentido da súmula 487 do STF, não fará coisa julgada
acerca do domínio.
Entretanto, o entendimento acima exposto diverge do constante nos Enunciados 78 e 79 do CJF: “Art.
1210: Tendo em vista a não-recepção, pelo NCC, da exceptio proprietatis (art. 1210, §2º) em caso de
ausência de prova suficiente para embasar decisão liminar ou sentença final ancorada exclusivamente no
jus possessionis, deverá o pedido ser indeferido e julgado improcedente, não obstante eventual alegação
e demonstração do direito real sobre o bem litigioso” e “A exceptio proprietatis, como defesa oponível
às ações possessórias típicas, foi abolida pelo Código Civil de 2002, que estabeleceu a absoluta separação
entre os juízos possessório e petitório”.
Em outras palavras, a ação possessória é a via adequada para a discussão da posse; enquanto a ação
petitória é a via adequada para a discussão da propriedade e do domínio, não sendo possível embaralhar
as duas vias. Pode-se afirmar, em conclusão, que está prejudicada, pelo menos em parte, a redação da
Súmula 487 do STF. Não é possível discutir a posse em ação de discussão de domínio”

b)Interdito proibitório: caráter preventivo, buscando proteção quanto violência iminente


Requisitos: posse do autor; ameaça de turbação ou esbulho; e justo receio.
Se após proposta a ação e antes da sentença houver turbação ou esbulho, expede-se mandado de
reintegração ou manutenção. Caso se verifique tal incidente após a sentença que cominou a pena, o réu
responde por ela sem prejuízo de outras medidas possessórias cabíveis.
Não se admite o interdito proibitório com a finalidade de impedir que o réu ajuíze alguma ação.

c) Manutenção de posse
Requisitos: turbação (molestamento sem privação da posse) atual; e (b) data do início da turbação e a
continuação na posse.
Pode haver concessão de medida liminar, ordenando que cesse a turbação. Após a citação e caso não
tenha sido concedida medida liminar nem tenha sido convencido o juízo com justificação judicial, toma o
feito o rito ordinário. É ação dúplice, podendo o demandado requerer sua reintegração, caso tenha
sido esbulhado por posse violenta e não convalidada por ano e dia.

d) Reintegração de posse
É conferida ao possuidor que foi esbulhado, ou seja, privado de sua posse de forma injusta.
Requisitos: que tenha havido esbulho e que o mesmo date de menos de um ano e um dia. Com prova
pré-constituída ou extraída de justificação, pode o juiz conceder medida liminar de reintegração. Caso
contrário, ordenada a citação e contestado o feito, toma-se o rito ordinário.
e) embargos de terceiro
Podem ser utilizados por terceiro, senhor ou possuidor, para defesa da sua posse e podem ser opostos
em caráter preventivo. Pressuposto é o ato de apreensão judicial (esbulho processual), fato que o
distingue das demais possessórias.

A qualidade de terceiro é estabelecida por exclusão: quem não é parte no feito, ainda que possa vir a ser.
É também terceiro o cônjuge atuando em defesa de sua meação, bens próprios, reservados ou dotais. É
irrelevante que ele tenha sido intimado da penhora, mas jamais poderá ele pretender discutir o débito,
porque isso é matéria a ser deduzida em embargos do devedor.
Obs.:
(i) responde pelas dívidas do casal o patrimônio da mulher quando elas resultarem de atos praticados
em proveito da família;
(ii) a meação da mulher deve ser considerada em cada bem do casal e não na totalidade do patrimônio.

Figurará como réu aquele que deu causa à apreensão judicial.

Cabem os embargos para o credor com garantia real obstar alienação judicial do objeto da garantia.
Note-se que ele tem, ainda, direito de preferência legal, devendo, para esse fim, ser intimado da praça. A
contestação será limitada aos seguintes argumentos: (a) devedor comum é insolvente; (b) título da
garantia é nulo ou não obriga terceiro; (c) outra é a coisa dada em garantia. O bem hipotecado não é
impenhorável, mas ao credor hipotecário está assegurado o direito de impedir a alienação, pelos
embargos de terceiro, desde que demonstre a solvência do devedor.

Súmula 195 do STJ: em embargos de terceiro não se anula ato jurídico por fraude contra os credores
(deve-se ajuizar a ação pauliana).

Os embargos de terceiros podem ser ajuizados a qualquer tempo, antes da sentença final, ou na
execução, até 5 dias após a arrematação, adjudicação ou remição, mas sempre antes da assinatura da
carta respectiva (art. 1040 CPC).
+ Cabem os embargos ainda que o processo se encontre no tribunal para apreciação de recurso.

Se o prazo de embargar for perdido, ainda restará a possibilidade de se postular a anulação do ato
judicial.

COMPETENCIA: É o juízo deprecante quem deve apreciar os embargos se o bem apreendido foi por ele
indicado.

f) Ação de nunciação de obra nova


Tem caráter possessório. Cuida-se de ofensa à posse por obra vizinha. Objetivo da ação é impedir a
continuação de obra que prejudique prédio vizinho ou esteja em desacordo com os regulamentos
administrativos. Situa-se na proteção dos direitos de vizinhança.

O proprietário de imóvel tem direito de construir aqueduto no terreno do seu vizinho,


independentemente do consentimento deste, para receber águas provenientes de outro imóvel, desde
que não existam outros meios de passagem de águas para a sua propriedade e haja o pagamento de
prévia indenização ao vizinho prejudicado. Trata-se de direito de vizinhança assegurado pelo art. 1.293
do Código Civil. STJ. 3ª Turma. REsp 1.616.038-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/9/2016 (Info
591).

É pressuposto essencial que a obra seja “nova”. Se já estiver em fase de conclusão, o vizinho poderá
propor ação de reparação de danos ou demolitória, mas não mais embargá-la.
Os prédios devem ser vizinhos, mas não precisam ser contíguos. Nos casos de invasão mínima, tem-se
convertido, pretorianamente, a nunciação ou a demolitória em indenização da área invadida.
Inadmissível a ação se a obra nova é executada não no prédio do nunciado, mas em logradouro público.

Prevalece na doutrina o entendimento de que a ação tem natureza pessoal, de modo que se dispensa o
consentimento do outro cônjuge, embora o STJ tenha assinalado sua natureza real.

O nunciante requererá embargo para que fique suspensa a obra, bem como a cominação de multa para
o caso de descumprimento de perdas e danos. Descumprimento do embargo configura atentado.

O prazo para contestar é de apenas 5 dias. Desde que preste caução e demonstre prejuízo, o nunciado
poderá requerer o prosseguimento da obra (menos se a ação for fundada em contravenção às posturas
administrativas).

“A diversidade de requisitos entre a ação de nunciação de obra nova e a ação demolitória não impede
possa ser feita a conversão de uma em outra, quando erroneamente ajuizada” (REsp 851.013/RS, Rel.
Min. Hélio Quaglia Barbosa, Quarta Turma, julgado em 05/12/2006).

g) Ação de dano infecto


Quem tiver justo receio de sofrer dano em seu imóvel em decorrência de ruína em prédio ou obras
vizinhas pode pedir que o proprietário ou responsável preste caução, para garantir eventual
indenização, se ocorrer dano. Nesse caso, protege-se o bem possuído de dano potencial, ainda não
ocorrido. O proprietário ou possuidor previne-se exigindo caução. 

h) Ação de imissão na posse


Dela podem se valer:
(a) os adquirentes de bens para haver a respectiva posse;
(b) administradores e demais representantes das pessoas jurídicas para haverem de seus antecessores a
entrega dos bens;
(c) mandatários para haver os bens dos mandantes das mãos de seus antecessores.

+ A ação tem sido utilizada, também, pelos arrematantes dos imóveis para haver a sua posse das mãos
dos devedores.

Trata-se de ação dominial, portanto, não é possessória. Difere da reivindicatória, pois esta busca obter
a posse que se perdeu por ato injusto de outrem e na imissão é reservada a quem nunca tivera a posse.

No estatuto processual vigente não foi incluída a ação como procedimento especial.

i) Usucapião
A posse é requisito fundamental, embora não o único, para a usucapião. Desse modo, a aquisição de
propriedade pela usucapião é um dos principais efeitos da posse. Usucapir é adquirir a propriedade pela
posse continuada durante certo lapso de tempo. 

3.3.7. Quanto a composse ou compossessão


É a situação pela qual duas ou mais pessoas exercem, simultaneamente, poderes possessórios sobre a
mesma coisa. Assim como existe o condomínio, existe a composse. Esta pode existir tanto na posse
imediata como na mediata. Ex.: dois ou mais locadores.
Requisitos: Indivisibilidade da coisa + Sujeitos plurais.
 
Na composse todos exercem a posse sobre o todo, mesmo que as quotas sejam distintas. Logo, cada
compossuidor pode defender a coisa como um todo, inclusive contra o compossuidor (e, claro, contra
terceiros)
- é possível usucapião em composse? em regra não, pois cada compossuidor exerce o poder sobre
o todo. Mas o STJ já abriu uma exceção, no caso de posse estabelecida, por um possuidor, com
exclusividade sobre a coisa, afastando os demais.
O condômino tem legitimidade para usucapir em nome próprio, desde que exerça a posse por si
mesmo, ou seja, desde que comprovados os requisitos legais atinentes à usucapião, bem como
tenha sido exercida posse exclusiva com efetivo animus domini pelo prazo determinado em lei, sem
qualquer oposição dos demais proprietários. (REsp 668131 PR).

Venosa entende que se os compossuidores acordam em delimitar o terreno objeto de sua posse, ou a
extensão fática do objeto da posse, passa cada um a exercer posse exclusiva sobre o torrão escolhido,
desaparecendo nesse caso a composse. É posse pro diviso.
Composse localizada é mera aparência de posse em comum. É posse exclusiva (posse delimitada sobre a
coisa, exercitada sobre parte certa).
A posse pro indiviso é posse em comum sem fixação clara de limites, indeterminada. É composse.

 Pro diviso: fração real (sabe qual a parte de cada um). A área da posse é definida.
 Pro indiviso: fração ideal. NÃO é definida.    

Não se deve confundir composse com concorrência ou sobreposição de posses (desdobramento vertical da
posse em direta e indireta). Na concorrência de posses, com o desdobramento destas em direta e indireta,
dá-se o fenômeno da existência de posses de natureza diversa sobre a mesma coisa, tendo cada possuidor
o exercício limitado ao âmbito específico da sua.

Também não se pode confundir acessio possessionis com sucessão de posse.  “Acessio possessionis” é a
soma de posses anteriores para, por exemplo, configurar o lapso temporal para a usucapião. Sucessão
possessória é a transmissão de posse que era do falecido para os seus sucessores.

Posse natural e civil

POSSE NATURAL: é aquela que já nasce do contato físico com a coisa possuída.

POSSE CIVIL: é aquela decorrente de uma relação contratual, tal como o CONSTITUTO POSSESSÓRIO.

3.4. AQUISIÇÃO, TRANSMISSÃO E PERDA DA POSSE

AQUISIÇÃO TRANSMISSÃO PERDA DA POSSE


Originária ou derivada - -
Há um ato (saisine) ou negócio jurídico Presume-se a continuidade da Quando cessa os atributos
bilateral (tradição na compra e venda). posse, salvo prova em contrário relativos a propriedade – modelo
aberto
adquire-se a posse quando se torna possível o Sucessão universal x singular quando desaparecem os poderes
exercício de um dos poderes da propriedade. inerentes à propriedade com
Continuidade x união da posse relação à coisa que eram exercidos
pelo possuidor.
Quando a aquisição é originária, não havendo Causas: (a) abandono: é a
vínculo com possuidor anterior, a posse renúncia; (b) tradição; (c)
apresenta-se despida de vícios para o novo destruição: perecimento do
possuidor. Se o possuidor recebeu a posse de objeto; (d) colocação da coisa fora
outrem, derivada, portanto, as mesmas do comércio: tornou-se
características lhe são transferidas inalienável, ex.: terras públicas; (e)
posse de outrem; (f) constituto
possessório
3.4.1. Da aquisição.

Classificação da Tradição:

Washington de Barros Monteiro – USAR ESSA Orlando Gomes


Real: traditio real – entrega efetiva;
Real: traditio real – entrega efetiva;
Ex.: entrega do veículo pela concessionária
Simbólica: ato representativo – traditio longa manu (a Ficta/Presumida: ato representativo – traditio
coisa é disponibilizada); entregar as chaves. longa manu (a coisa é disponibilizada);
Ficta/Presumida: decorre de presunção – traditio Consensual: traditio breve manu e constituto
brevi manu e constituto possessório. possessório

- Traditio brevi manu: possuía em nome alheio, agora possui em nome próprio (exemplo: locatário que
compra o bem).

- Constituto possessório (cláusula constituti): possuía em nome próprio, agora possui em nome alheio,
com posse direta (exemplo: vendeu o imóvel e locou).

3.4.2. Modalidades de tradição: tradição é modo derivado de apossamento da coisa.


A tradição efetiva ocorre quando materialmente a coisa é deslocada para a posse de outrem, tem conteúdo
real - Tradição significa entrega.
Distinguem-se tradição efetiva, simbólica e consensual.

É efetiva a tradição referida pelas fontes como “traditio longa manu”, segundo a qual o transmitente da
posse leva o adquirente ao local do imóvel que está entregando, mostrando-lhe e apontando-lhe a área e
seus limites.

Na tradição simbólica, ou ficta traditio, a entrega da coisa é traduzida por gestos, atitudes, conduta
indicativa da intenção de transferir. A entrega das chaves do imóvel é exemplo.

A consensual, que consiste em duas modalidades clássicas de tradição, é aquela em que não ocorre a
transferência real da posse. Trata-se da “traditio brevi manu” e do constituto possessório.

O constituto possessório é ao mesmo tempo modo de aquisição e de perda da posse. Na verdade, ocorre o
desdobramento da posse, já que o alienante transmite somente a posse indireta ao adquirente,
conservando a posse direta do bem, pois mantém a coisa consigo. O adquirente, por sua vez, adquire
apenas a posse indireta. Entretanto, deve-se destacar que havendo cláusula constituti, pode o alienante
permanecer com o bem tanto a título de possuidor direto, quanto a título de detentor, como na situação
em que o adquirente concede ao alienante prazo de 30 dias para desocupação do imóvel (atos de mera
permissão ou tolerância – art. 1.208 do NCCB e art. 497 do Código Civil de 1916). Porém, se o alienante
mantiver a coisa em seu poder em decorrência de contrato de locação ou comodato, por exemplo, a
relação fática que ele tem com a coisa é a de possuidor direto.

A posse pode ser adquirida pelo próprio titular do direito ou representante (exemplo: mandatário) ou por
terceiro, sem mandato, dependendo de ratificação (exemplo: gestor de negócios).

Não é cabível a intervenção de terceiros em procedimento de dúvida registral suscitada por Oficial de
Registro de Imóveis (arts. 198 a 207 da Lei nº 6.015/73). STJ. 4ª Turma. RMS 39.236-SP, Rel. Min. Marco
Buzzi, julgado em 26/4/2016 (Info 582).

Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:


I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante;
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.

3.4.3. Quem pode adquirir a posse


Pode-se adquirir por meio de procurador ou mandatário (I). Até mesmo pelo gestor de negócios (II).
Nada impede que o menor adquira a posse por ato seu, pois o fato da posse independe da capacidade.

Enunciado 236 do CJF: “Arts. 1196, 1205 e 1212: Considera-se possuidor, para todos os efeitos legais,
também a coletividade desprovida de personalidade jurídica”.

A posse pode ser adquirida por: (a) apreensão da coisa ou exercício do direito; (b) disposição da coisa ou do
direito; (c) modos de aquisição em geral.

3.4.4. Apreensão da coisa ou exercício do direito:


A apreensão consciente da coisa importa em posse. Consiste na apropriação unilateral de coisa “sem
dono”. A coisa é dita “sem dono” quando for abandonada (res derelicta) ou quando não for de ninguém
(res nullius). Dá-se ainda a apreensão quando a coisa é retirada de alguém sem sua permissão. Adquirir-se-
á também por exercício do direito. Exemplo clássico: servidão.

3.4. 5. Disposição da coisa ou do direito: Após o início do poder fático sobre a coisa, continua-se,
permanece-se no mesmo estado, utilizando-se da coisa. Utilizar-se da coisa caracteriza conduta normal de
titular de posse ou domínio.

3.4.6. Modos de aquisição da posse em geral: Entende-se que a posse pode ser obtida por qualquer forma
lícita. Ex: abertura de herança, contrato, etc.

Enunciado 77 do CJF: “Art. 1205: A posse de coisas móveis e imóveis também pode ser transmitida pelo
constituto possessório”.

3.5. DA TRANSMISSÃO DA POSSE


Art. 1.203. Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida.

Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os
atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade.

Art. 1.206. A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres (Princípio da
continuidade da posse)

Art. 1.207. O sucessor universal (exemplo: herdeiro legítimo ou testamentário) continua de direito a posse do seu
antecessor; e ao sucessor singular (exemplo: legatário, compra e venda) é facultado unir sua posse à do antecessor,
para os efeitos legais.

OBS.: “A lei diferencia dois tipos de sucessão: a universal (nos casos de herança legítima) e a singular (nos
casos de compra e venda, doação ou legado).
Na sucessão universal: a lei prevê a continuidade;
Na sucessão singular: a união de posses (acessão).
Como esclarece Orlando Gomes, ‘o que distingue a sucessão da união é o modo de transmissão da posse,
sendo a título universal, há sucessão; sendo a título singular, há união.
Não importa que a sucessão seja inter vivos ou mortis causa: Na sucessão mortis causa a título singular, a
acessão se objetiva pela forma da união. A sucessão de posses é imperativa; a união, facultativa, enquanto
na singular é facultado unir sua posse à precedente. Sendo nesta última hipótese, uma faculdade, o
possuidor atual só usará se lhe convier, limitando-se à sua posse quando do seu interesse’. Sintetizando,
quanto à defesa possessória, tanto o sucessor universal quanto o singular poderão defendê-la, em
continuidade ou acessão à posse anterior.
Art. 1.209. A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem
(Princípio da gravitação jurídica – o acessório segue o principal).

3.5.1. Continuidade da posse x união da posse.


Na sucessão universal (causa mortis ou não) temos a continuidade da posse, obrigatoriamente (mantém o
mesmo caráter anterior).
Já no caso de sucessão singular (causa mortis ou não) temos união da posse, facultativamente.

Atenção para o Enunciado nº 494, V Jornada de Direito Civil – a faculdade conferida ao sucessor singular de
somar ou não o tempo da posse de seu antecessor não significa que, ao optar por nova contagem, estará
livre do vício objetivo que maculava a posse anterior. Essa regra objetiva afastar a má-fé do sucessor
singular.
Sobre o tema é relevante destacar o instituto da UNIÃO DAS POSSES, previstas no artigo 1207 do CC,
traduzido na continuação da posse pela soma do tempo do atual possuidor com o de seus antecessores. O
gênero união de posses subdivide-se em 2 espécies: 
- Sucessio Possessionis (bem singularizado) – trata-se de modo derivado de titularização da posse,
diante do princípio da saisine. 

- Accecio possessionis (bem singularizado) – que se verifica sempre inter vivos e por meio de uma
relação jurídica (e.g compra e venda).

3.5.2.Transmissão da posse
Pode ocorrer a título universal ou a título singular.
Na primeira pode ser causa mortis, os herdeiros sucedem o autor da herança e, inter vivos, quando se
transfere uma universalidade como, por exemplo, um estabelecimento comercial.
Na segunda, a título singular, ocorre quando se transfere um bem ou bens determinados e individualizados,
ou ainda, causa mortis, quando no testamento institui-se u

3.6. DA PERDA DA POSSE


Art. 1.223. Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem,
ao qual se refere o art. 1.196 – MODELO ABERTO

Art. 1.224. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia
dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido.

A norma mantém relação com a boa-fé objetiva, particularmente com a perda de um direito ou de posição
jurídica pelo seu não exercício no tempo (supressio). Isso porque o possuidor que não toma as medidas
cabíveis ao ter conhecimento do esbulho não pode, após isso, insurgir-se contra o ato de terceiro. A lei
acaba por presumir que a sua posse está perdida, admitindo-se, obviamente, prova em contrário”.

O art. 520, CC/16, elencava hipóteses que ainda servem como exemplos para entender a perda da posse:
abandono/derrelição da coisa (res derelictae); tradição; perda ou destruição do bem; posse de outrem;
constituto possessório (cláusula constituti).

Conserva-se na posse aquele que mantém o comportamento de exteriorização do domínio, que se dá por
conduta do próprio agente ou de seus prepostos e representantes. 

O novo CC em seu art. 1223 dispõe que “perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do
possuidor, o poder sobre o bem, ao qual ser refere o art. 1196”, isto é, quando desaparecem os poderes
inerentes à propriedade com relação à coisa que eram exercidos pelo possuidor. Causas da perda da posse:
(a) abandono: é a renúncia; (b) tradição; (c) destruição: perecimento do objeto; (d) colocação da coisa fora
do comércio: tornou-se inalienável, ex.: terras públicas; (e) posse de outrem; (f) constituto possessório.
4. Propriedade (GRUD) – Gozar, reivindicar, usar e dispor

Direito de usar, gozar, dispor e reivindicar a coisa - Essas faculdades não prescrevem pelo uso. 
POSSE: TEM APENAS UM DELES
PROPRIEDADE LIMITADA: TEM TODOS OS ATRIBUTOS

PROPRIEDADE PLENA= 4 PODERES SOBRE A COISA + TÍTULO.

- E se não houver título? Aí teremos o domínio. É o caso do usucapiente que já tem o prazo mínimo, já
interpôs a ação, mas ainda não tem o título. (A sentença de usucapião é declaratória de domínio e
constitutiva do título). 

Em relação ao tema da propriedade, é importante colocar em destaque, desde o início, o verbete n. 496 da
súmula do STJ, que dispõe: “Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de
marinha não são oponíveis à União”. Ou seja, o fato de o terreno de marinha estar registrado no Registro
de Imóveis como sendo de um particular não o torna um bem particular.

 A partir do art. 1. 228 do Código Civil, pode-se apresentar o seguinte esquema para os elementos que
compõem o Direito de propriedade:

a. Elementos internos ou econômicos: (1) Usar, (2) Gozar e (3) Dispor.


b. Elemento externo ou jurídico: Reivindicar.
c. Elemento Funcional: Função social. 

Atributos da propriedade – em regra são faculdades jurídicas. O único que é direito é reaver.
No CC/16 eram todos direitos. Qual o motivo dessa mudança? 1. Abrandamento da propriedade. 2. Karl
Lareng – a propriedade é um grande direito subjetivo, do qual se destacam as faculdades. 
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder
de quem quer que injustamente a possua ou detenha.

4.1. A estrutura do Direito de Propriedade


O direito subjetivo de propriedade concerne à RELAÇÃO JURÍDICA COMPLEXA que se forma entre aquele
que detém a titularidade formal do bem e a coletividade de pessoas.
O objeto da relação jurídica descrita é o DEVER GERAL DE ABSTENÇÃO.

- Já o DOMÍNIO repousa na RELAÇÃO MATERIAL de SUBMISSÃO DIRETA e IMEDIATA da COISA ao PODER do


seu titular, mediante o senhorio, pelo exercício das faculdades de uso, gozo e disposição.

O DOMÍNIO, como vínculo real entre o titular e a coisa, é ABSOLUTO (oposição erga omnes). A
PROPRIEDADE É RELATIVA (deve ser ponderada com outros direitos), uma vez que intersubjetiva e
orientada à funcionalização do bem pela imposição de deveres positivos e negativos de seu titular perante
a coletividade.

4.2. A extensão vertical da propriedade (Art. 1.229, CC)


Abrange o ESPAÇO AÉREO e o SUBSOLO correspondente, em altura e profundidade ÚTEIS (critério da
utilidade) ao seu exercício, sendo que o seu titular não poderá opor-se injustificadamente à atuação de
terceiros sobre o imóvel (passagem de postes de eletricidade e cabeamento).
O art. 1.230, em consonância com o art. 20, IX e X, da CF, determina que a propriedade do solo não
abrangerá os recursos minerais do subsolo, potenciais energéticos, sítios arqueológicos e demais bens
referidos em leis especiais. Tratando-se de bens dominicais de propriedade da União e distinta da do solo,
as jazidas e demais recursos minerais apenas poderão ser explorados pelo proprietário na qualidade de
concessionário, com acesso ao produto da lavra. Excepcionalmente, será viável a exploração direta de
recursos minerais pelo proprietário, quando imediatamente utilizados na construção civil sem qualquer
transformação industrial.

4.3. Conceito e atributos:


a) Conceito
A propriedade é o direito real por excelência. Trata-se de domínio jurídico que uma pessoa exerce sobre
uma coisa, relacionada com os atributos previstos no art. 1228 CC. Gozar, reaver, usar e dispor.

A propriedade é um direito fundamental condicionado a sua função social. Função social não é apenas o
limite do exercício da propriedade, e sim a própria razão da propriedade.

b) Estudo dos atributos da propriedade

O proprietário tem as faculdades de usar, gozar e dispor de seus bens e reavê-los de quem quer que
injustamente os possua.

GOZAR/ FRUIR REAVER OU BUSCAR USAR/UTILIZAR DISPOR


Consiste na exploração econômica É o direito de reaver a É a faculdade de o É a faculdade de transmitir
da coisa, mediante a extração de propriedade contra proprietário servir-se da gratuita ou onerosamente a
frutos (há renovação constante à quem injustamente a coisa de acordo c/ a sua coisa, podendo a disposição
medida que são retirados) e possua ou detenha, destinação econômica. As ser material ou jurídica.
produtos (vão se exaurindo quando sendo exercido pelas faculdades não prescrevem Tais atributos podem ser
extraídos da natureza, sem ações petitórias, em pelo não uso (HOJE É distribuídos para outras
possibilidade de renovação) especial a MITIGADO). pessoas. Ex.: d. real de gozo
reivindicatória e fruição e d. real de garantia

Naturais = ex.: frutos. A falta de utilização da Propriedade plena: tem


Industriais = atividade humana. Ex.: coisa apenas priva alguém todos os caracteres.
cimento da fábrica. do dom. qnd se mostrar Propriedade limitada: recai
Civis = rendimentos. Ex.: aluguel, antissocial (desapropriação sobre a propriedade algum
juros dividendos por interesse social) ônus.
+ também se inclui o direito as A posse prolongada de 3º P. limitada: nua-propriedade
pertenças pelos prazos legais (não tem uso e nem fruição)
provocará a mutação Dom. útil: possui as caract.
subjetiva do domínio; uso, gozo e a dispôs. da coisa
Usufruto Usufruto

4.4. Principais características:


1) Direito absoluto – erga omnes
2) Direito exclusivo – exceto condomínios
Atenção: multipropriedade
3) Direito elástico: estendida e distendida de acordo com os seus atributos
Propriedade plena  Usufruto  Uso  Habitação
Elasticidade e consolidação: não há cisão do complexo de faculdades se uma delas for,
temporariamente, desmembrada do conjunto.
4) Direito perpetuo: É contínua, transmissível aos herdeiros, até que surja um fato mod. ou extintivo,
Ilimitada, subsistindo independente do exercício.
EXCEÇÃO: FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE
5) Direito complexo: GRUD – Gozar (fruir), reaver (buscar/reivindicar), utilizar (usar), dispor
6) Direito fundamental

4.5. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE.


A refundação do direito de propriedade prende-se a três princípios: o bem comum, a participação e a
solidariedade
Conceito: Orlando Gomes – função social é a finalidade coletiva. 
Leon Duguit: a propriedade é função social, pois traz deveres ao proprietário.
!- A primeira Constituição que adotou essa ideia foi a Alemã de Weimar.
Principal julgado sobre o tema no BR: Favela Pullman
A função social da propriedade tem dupla função (José de Oliveira Ascensão): limitadora e impulsionadora

a) Função limitadora: impõe um não fazer. Ex.: a propriedade não pode ser exercida em abuso de direito.
Art. 1228, §2º, do CC – vedação dos atos emulativos ou chicaneiros.
§ 2o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de
prejudicar outrem.

b) Função impulsionadora: impõe condutas. A coisa cumpre a sua função social quando é utilizada em um
sentido positivo. “Usa o bem para o bem” (Lucas Abreu Barroso).

O artigo 186/CF traz parâmetro da função social da propriedade agrária. Esses parâmetros são
simultâneos. Esses parâmetros também servem para a propriedade urbana. 
1. Aproveitamento racional e adequado = desenvolvimento sustentável
2. Proteção do meio ambiente = Inciso II e art. 225 CF. 
3. Tutela dos trabalhadores = Inciso III e art. 7º CF.
4. Bem estar geral = Inciso IV.

Obs.: uma propriedade produtiva necessariamente atende à função social? NÃO, pois devem ser
observados todos os requisitos do art. 186. Ex.: usina de cana de açúcar que mantém trabalho escravo

Função socioambiental: Art. 1228, §1º + CF (art. 186 e 225) engloba a sua função socioambiental.
Ex.: STJ. O novo proprietário do imóvel é obrigado a fazer uma recuperação ambiental, mesmo não sendo o
causador do dano. Argumentos: a responsabilidade civil é objetiva (risco integral), função socioambiental,
obrigação propter rem. Isso foi incluído no Código Florestal (Lei nº 12.651/12, art. 2º, §2º).
É a função impulsionadora – obriga a fazer a recuperação ambiental.

FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE RURAL


A propriedade urbana cumpre sua função social quando A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
atende às exigências fundamentais de ordenação da simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência
cidade expressas no plano diretor. estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e
preservação do meio ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de
trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários
e dos trabalhadores.
Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de
reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua
As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da
prévia e justa indenização em dinheiro. dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real,
resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de
sua emissão.
É facultado ao Poder Público municipal, exigir, do
proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado
ou não utilizado, que promova seu adequado
aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em
II - imposto sobre a propriedade predial e lei, desde que seu proprietário não possua outra;
territorial urbana progressivo no tempo;
II - a propriedade produtiva. (independentemente do seu
III - desapropriação com pagamento mediante tamanho).
títulos da dívida pública de emissão previamente
aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de
até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais.

+ Teoria do Abuso do Direito ou Teoria dos Atos Emulativos.


“Deve-se entender que também pode estar configurado o ato emulativo se proprietário tiver
vantagens com o prejuízo alheio, mesmo que haja mera satisfação pessoal
Lembre-se que o abuso de direito gera:
 A obrigação de reparar todos os danos por ele causados (extrapatrimoniais ou patrimoniais), e;
 A responsabilidade objetiva para seu autor. 

4.6. Desapropriação devido ao descumprimento da função social:


Espécies: As formas de usucapião ( a certo modo)
Usucapião especial urbano coletivo
Desapropriação judicial em posse trabalho/ desapropriação indireta

 LEMBRE-SE: a expropriação decorrente do cultivo ilícito de plantas psicoativas a que se refere o art. 243 da
Constituição deve abranger toda a propriedade, e não apenas a área efetivamente cultivada

4.6.1 A FUNÇÃO SOCIAL DA POSSE E A DESAPROPRIAÇÃO JUDICIAL EM POSSE-TRABALHO


(desapropriação indireta)
A posse-trabalho pode gerar ao proprietário a privação da coisa reivindicada, se for exercida em extensa área por
prazo ininterrupto de cinco anos, mas o proprietário tem direito à fixação de justa indenização.

DENOMINAÇÃO: os autores estão dando nomes distintos para o instituto: DESAPROPRIAÇÃO JUDICIAL,
POSSE TRABALHO, DESAPROPRIAÇÃO PRÓ-LABORE, DESAPOSSAMENTO SOCIAL. 
Forma de aquisição: divergências, prevalecendo ser forma de aquisição originária
Requisitos:
⇒ Não precisa ser população de baixa renda. Ex.: favela.
⇒ Pode ser alegada em Ação Autônoma ou em Contestação.
⇒ Não é usucapião (há divergências), pois tem indenização

NATUREZA JURÍDICA: tratar-se de dispositivo que institui uma nova forma de perda de propriedade, não
antes conhecida do direito brasileiro, dada a sua peculiaridade. No entanto, debate-se a doutrina acerca da
natureza jurídica do mesmo. De fato, digladiam-se diversas correntes de pensamento, defendendo diversos
conteúdos essenciais para o instituo, que vão da USUCAPIÃO até a DESAPROPRIAÇÃO JUDICIAL, passando
por uma ALIENAÇÃO COMPULSÓRIA ou mesmo a caracterização de uma figura mista de POSSE-TRABALHO.

Como nenhuma delas é ainda predominante, cita-se seus defensores:

Posse-trabalho:  "Trata-se, como nos ensina Miguel Reale, de uma inovação substancial do Código Civil,
fundada na função social da propriedade, que dá proteção especial à posse-trabalho, isto é, à posse
traduzida em trabalho criador, quer se concretize na construção de uma morada, quer se manifeste em
investimentos de caráter produtivo ou cultural. Essa posse qualificada é enriquecida pelo valor
laborativo, pela realização de obras ou serviços produtivos e pela construção de uma residência" (Maria
Helena Diniz).

Alienação compulsória: “Todavia, comparações à parte, o que o novo instituto faculta ao juiz não é
desapropriar o bem, mas sim converter a prestação devida pelos réus, que de específica (de restituir a
coisa vindicada) passa a ser alternativa (de indenizá-la em dinheiro). Nosso sistema processual prevê
várias hipóteses dessa natureza, notadamente em se tratando de obrigações de fazer e de obrigações de
entregar a coisa. Assim, não se teria nem uma desapropriação, nem uma usucapião, mas sim uma
alienação compulsória do imóvel, transferindo-se a propriedade aos ocupantes” (Teori Albino Zavascki).
Também: Fredie Didier Júnior.

Desapropriação judicial: “A norma cria a desapropriação judicial, considerada uma inovação ‘do mais
alto alcance, inspirada no sentido social do direito de propriedade, implicando não só novo conceito
desta, mas também novo conceito de posse, que se poderia qualificar como sendo de posse-trabalho’
(Miguel Reale, Exposição de motivos ao Ministro da Justiça, Diário do Congresso Nacional, Seção I,
suplemento B ao n. 061, 13.6.1975 n. 27 c, p. 121), quer dizer, o ponto alto do Código no que tange à
tutela da posse (Teori Albino Zavascki, A tutela da posse na Constituição e no Projeto do Novo Código
Civil, in Martins-Costa, Reconstrução, p. 851)” (Nélson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery).
Também: Marco Aurélio S. Viana, Carlos Roberto Gonçalves.

Da indenização:

PODER PÚBLICO PAGA A INDENIZAÇÃO SE:


FINALIDADE DE MORADIA + POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA
Ente público deve ser citado
União: área rural
Município: área urbana
 
Art. 10-12 do Estatuto
da Cidade (antes da
Art. 10-12 do Estatuto da Cidade (alterado
Art. 1.228, §4º e 5º do CC/02 – alteração promovida
pela Lei 13.465/2017) – USUCAPIÃO
DESAPROPRIAÇÃO JUDICAL INDIRETA  pela Lei 13.465/2017) –
ESPECIAL URBANO COLETIVO
USUCAPIÃO ESPECIAL
URBANO COLETIVO
População de baixa
Não precisa ser população de baixa renda Não precisa ser população de baixa renda. 
renda, em composse
Pode ser alegada em
Pode ser alegada em Ação Autônoma ou em Pode ser alegada em Ação Autônoma ou em
Ação Autônoma ou em
Defesa Defesa
Defesa
Não é usucapião, pois tem indenização (há
Não tem indenização Não tem indenização
divergências)
Quem paga a indenização? Os possuidores.  - - 
Núcleos urbanos informais cuja área total
Imóvel urbano superior a dividida pelo número de possuidores seja
Extensa área rural ou urbana
250m² inferior a duzentos e cinquenta metros
quadrados por possuidor.
Prazo de mais de 5 anos Prazo de 5 anos Prazo de mais de 5 anos
População de baixa
Considerável número de pessoas Núcleos urbanos informais
renda, em composse
Posse de boa-fé Não exige boa-fé Não exige boa-fé
Realização de obras e serviços relevantes
Finalidade de moradia - 
(moradia ou não)
Pode incidir sobre bens públicos (dominicais),
porque aqui não se trata de usucapião (que
não incide sobre bens públicos). Enunciado
304 da Jornada: São aplicáveis as disposições
dos §§ 4º e 5º do art. 1.228 do Código Civil às
ações reivindicatórias relativas a bens públicos
dominicais, mantido, parcialmente, o Não há usucapião de
Não há usucapião de bem público
Enunciado 83 da I Jornada de Direito Civil, no bem público.
que concerne às demais classificações dos
bens públicos.
Enunciado 83 CJF: Nas ações reivindicatórias
propostas pelo Poder Público, não são
aplicáveis as disposições constantes dos §§ 4º
e 5º do art. 1.228 do novo Código Civil.
Representativo da
Representativo da Função Social da Posse Representativo da Função Social da Posse
Função Social da Posse
Representativo do
- Direito Civil dos Pobres - 
(Antônio Menger)
5. FORMAS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL
Originária: contato direito entre pessoa e coisa. A propriedade é zerada, ou seja, os seus acessórios
(tributos, dívidas de condomínio, hipoteca, propter rem) são extintos. STF – Re 94596-6/RS. usucapião.
Derivada: intermediação pessoal. A propriedade continua com os mesmos atributos, em razão da solução
de continuidade. Compra e venda. 

Outra concreção envolve hipoteca. Se um imóvel gravado por este direito real de garantia for adquirido
por usucapião, ela estará extinta, uma vez que a aquisição é originária. O mesmo não pode ser dito
quanto à compra e venda, forma de aquisição derivada. 

a.1) ACESSÕES

Consiste no direito em razão do qual o proprietário de um bem passa a adquirir a prop. de tudo aquilo que a ele se adere.
Isto é, pela acessão contínua, uma coisa se une ou se incorpora a outra, em estado permanente, por ação humana ou causa
natural, e o prop. da coisa principal adquire a propriedade da coisa que se lhe uniu ou incorporou. Em alguns casos, o tit.
desfalcado do dom. será indenizado, em respeito ao p. que veda o enriquecimento sem causa.
DE IMOVEL A IMOVEL (NATURAL) DE IMOVEL A IMOVEL (ARTIFICIAL)

Ilhas, aluvião, avulsão, álveo abandonado Plantações e construções

Ilhas: só beneficiará o particular quando, por força natural, surgir Plantações e construções: semeadura, plantação e
um pedaço de terra em um rio não navegável; se navegável, edificação, quando a titularidade das sementes não
pertencerá à pessoa jurídica de Direito Público. Logo, a ilha pode ser coincidir com a do terreno:
formada diante de um novo curso de água que se abre. Diante da -Terreno próprio + materiais alheios: se o dono do
terceira regra, se isso ocorrer, a ilha será daquele que tem a terreno estava de boa-fé, pagará ao proprietário o
propriedade do terreno à custa do qual o novo braço se constituiu:  valor dos materiais; se de má-fé, além desse
Aluvião. LENTO. Própria ou impropria pagamento, indenizará por perdas e danos;
Aluvião própria: acréscimo PAULATINO de terras que o rio deixa -Terreno alheio + materiais próprios: o titular perde
naturalmente nos terrenos ribeirinhos (terra vem) o material próprio. Se de boa-fé, com base em justo
Aluvião imprópria:– acréscimo que se forma quando parte do álveo título, tem direito à indenização; se de má-fé, perde
descobre-se em razão do afastamento das águas correntes (água as acessões e não recebe indenização; 
vai) - O construtor proprietário dos materiais poderá
Avulsão: é o desprendimento, por força natural, VIOLENTA e cobrar do proprietário do solo a indenização devida
ABRUPTA, de uma porção de terra que se junta ao terreno de outro pela construção, quando não puder havê-la do
proprietário, ocorrendo a consolidação de duas coisas em uma. O contratante. Ex.: a empresa "A" contratou uma
proprietário perdente reclamará a devolução no prazo decadencial construtora para fazer um centro comercial no
de um ano. Nesse caso, o titular do prédio acrescido terá o direito terreno pertencente à empresa "B". A empresa "B",
potestativo de OPTAR entre aquiescer que se remova a parte mesmo não tendo participado do contrato, poderá
acrescida ou indenizar o dono da propriedade do qual se destacara a ser responsabilizada subsidiariamente caso a
porção de terra. A regra é a indenização. construção seja realizada e a construtora não seja
Álveo abandonado: não se confunde com a aluvião imprópria, em paga. Aplica-se, ao caso, o parágrafo único do art.
que parte do álveo descobre-se em razão de um desvio no curso das 1.257: "O proprietário das sementes, plantas ou
águas. No álveo abandonado, há um total e permanente abandono materiais poderá cobrar do proprietário do solo a
do antigo leito, ficando este inteiramente descoberto e passando a indenização devida, quando não puder havê-la do
pertencer aos proprietários ribeirinhos das duas margens, seja o rio plantador ou construtor." STJ. 4ª Turma. REsp
público ou particular. 963.199-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em
11/10/2016 (Info 593).

a.2) Usucapião

Pode haver usucapião de bem móvel, imóvel ou de servidões aparentes.


Obs.: a usucapião é modo originário de aquisição da propriedade E outros direitos reais
Usucapião não pode ser declarada de ofício (embora seja uma forma de prescrição – aquisitiva) -INFO 560
STJ.
- Requisitos materiais: bem suscetível de ser usucapido
● Como regra, os bens de sociedades de economia mista e empresas públicas são usucapíveis (exceto se
prestarem ou estiverem afetados ao serviço público).
● Bem de família (legal ou convencional) pode ser usucapido.
● As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são inalienáveis, indisponíveis e insuscetíveis de
usucapião.
● O STJ já admitiu que o condômino pode usucapir contra os coproprietários se o condomínio for pro
indiviso, desde que o apossamento recaia sobre a integralidade do imóvel.
● Vaga de garagem pode ser usucapida se for autônoma em relação ao imóvel.
● Não cabe usucapião de bens incorpóreos (pois não há posse sobre eles). Cuidado com a exceção dada
pela Súmula 193 do STJ.
● Nos condomínios horizontais o uso da coisa comum, ainda que com exclusividade, não gera posse ad
usucapionem.
- Requisitos formais: Posse mansa pacífica, animus domini, lapso temporal
+ na usucapião ordinária: justo título e boa-fé

ESPÉCIES DE USUCAPIÃO DE IMÓVEL


Exige:
 Animus domini;
 Posse mansa, pacífica e ininterrupta;
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA  Prazo de 15 anos (posse simples);
 Prazo de 10 anos (posse qualificada pelo cumprimento da função
social). 
Exige:
 Animus domini;
 Posse contínua, mansa, pacífica e ininterrupta;
USUCAPIÃO ORDINÁRIA  Justo título e boa-fé;
 10 anos se posse simples;
 5 anos se posse qualificada. 
USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA ou Exige:
pro misero  Área urbana de até 250m²;
 Posse por 5 anos ininterruptos;
 Sem oposição; 
 Função social (moradia);
 Não pode ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural;
Exige:
 Área rural não superior a 50 hectares;
USUCAPIÃO ESPECIAL RURAL ou  Posse por 5 anos ininterruptos;
pró-labore ou rústico  Sem oposição;
 Função social (trabalho e moradia);
 Não pode ser proprietário de outro imóvel rural ou urbano. 
 Núcleos urbanos informais cuja área total dividida pelo número de
possuidores seja inferior a 250m² por possuidor
 Posse por 5 anos ininterruptos;
USUCAPIÃO COLETIVA URBANA
 Função social
 Não há indenização

Exige:
 Abandono do lar pelo ex-cônjuge/companheiro;
 Imóvel urbano de até 250m²;
USUCAPIÃO CONJUGAL  2 anos ininterruptos;
 Sem qualquer oposição.
 Função social (moradia);
 Não pode ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 

SÚMULAS
Súmula 263-STF: O possuidor deve ser citado, pessoalmente, para a ação de usucapião.
Por esse enunciado podemos concluir que mesmo que o indivíduo (autor da ação) não esteja mais na
posse do imóvel, ainda assim ele poderá ter direito à usucapião desde que, quando perdeu a posse, já
tenha preenchido todos os requisitos para a constituição do direito.

Súmula 391-STF: O confinante certo deve ser citado pessoalmente para a ação de usucapião.
CUIDADO: o CPC previu uma exceção a essa regra: art. 246, § 3º do CPC/2015: 3º Na ação de usucapião
de imóvel, os confinantes serão citados pessoalmente, exceto quando tiver por objeto unidade autônoma
de prédio em condomínio, caso em que tal citação é dispensada.

Súmula 11-STJ: A presença da União ou de qualquer de seus entes, na ação de usucapião especial, não
afasta a competência do foro da situação do imóvel.

Súmula 237-STF: O usucapião pode ser arguido em defesa.

Súmula 340-STF: Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos,
não
podem ser adquiridos por usucapião.

SÚMULA 193-STJ: “O direito de uso de linha telefônica pode ser adquirido por usucapião”.
Lembre-se que usucapião pressupõe posse e essa não cabe para bens imateriais. Logo, essa súmula é
uma
exceção à impossibilidade de se usucapir bens imateriais.

OBS.: É possível o reconhecimento da usucapião quando o prazo exigido por lei se complete no curso do
processo judicial, conforme a previsão do art. 493, do CPC/2015, ainda que o réu tenha apresentado
contestação. Em março de 2017, João ajuizou ação pedindo o reconhecimento de usucapião especial
urbana, nos termos do art. 1.240 do CC (que exige posse ininterrupta e sem oposição por 5 anos). Em abril
de 2017, o proprietário apresentou contestação pedindo a improcedência da demanda. As testemunhas e
as provas documentais atestaram que João reside no imóvel desde setembro de 2012, ou seja, quando o
autor deu entrada na ação, ainda não havia mais de 5 anos de posse. Em novembro de 2017, os autos
foram conclusos ao juiz para sentença. O magistrado deverá julgar o pedido procedente considerando que
o prazo exigido por lei para a usucapião se completou no curso do processo. STJ. 3ª Turma. REsp
1.361.226-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/06/2018 (Info 630).
+ USUCAPIÃO ADMINISTRATIVA:

A Lei nº 11.977/09, que disciplina o Programa Minha Casa Minha Vida, trouxe a possibilidade de usucapião,
sem a intervenção do Poder Judiciário, de imóveis urbanos para fins de regularização fundiária de interesse
social, cujos procedimentos seriam feitos diretamente no Registro de Imóveis. Esta lei instituiu a conversão
da legitimação de posse em propriedade, instituto conhecido doutrinariamente como “usucapião
administrativa”, sendo um mecanismo ágil, eficiente e menos oneroso para a regularização fundiária da
ocupação do solo urbano, visando o direito social à moradia (art. 6º da CF).

Vamos registrar os pontos mais importantes da reforma operada pela Lei 13.465/17*:
 O silêncio dos titulares de direitos reais é tido como concordância. Agora, uma vez transcorridos os
prazos legais sem que haja expressa discordância dos titulares de direitos reais sobre o imóvel a ser
usucapido, bem como dos imóveis confrontantes, o Oficial do Registro de Imóveis registrará a aquisição
do imóvel de acordo com a descrição que lhe foi apresentada.
 Imóvel não matriculado poderá ser usucapido pela via administrativa;
 Usucapião em unidade autônoma em condomínio edilício dispensa o consentimento dos titulares
de direitos reais bastando a notificação do síndico, que silente, também incorre pela concordância.
 Imóvel cujo dono desconhece-se, ou é sumido, o registrador promoverá a notificação por edital,
mediante dupla publicação, pelo prazo de 15 (quinze) dias cada um, também interpretado o silêncio do
notificando como concordância

b) Derivadas
 Registro
 Sucessão

Nos termos do art. 108 do CC/2002, os contratos constitutivos ou translativos de direitos reais sobre
imóveis devem ser feitos por escritura pública, se o imóvel tiver valor superior a trinta salários mínimos. A
escritura pública é lavrada no Tabelionato de Notas de qualquer local do País, não importando a
localização do imóvel.
Se o imóvel tiver valor igual ou inferior a trinta salários mínimos, está dispensada a escritura pública,
podendo o contrato ser celebrado por instrumento particular, eis que em regra a forma é livre (art. 107 )
 
Esse esclarecimento inicial é útil para apontar que a escritura pública não serve para a aquisição da
propriedade imóvel, sendo apenas uma formalidade que está no plano da validade dos contratos de
constituição ou transmissão de bens (art. 104, inc. III, do CC — menção à forma prescrita e não defesa em
lei). O registro imobiliário, que se situa no plano da eficácia do contrato, é que gera a aquisição da
propriedade imóvel, e deve ocorrer no Cartório de Registro de Imóveis do local de situação da coisa (arts.
1.°, IV, e 167 a 171 da Lei 6.015/1973).

“Considera-se também título translativo, para fins do art. 1.245 do novo Código Civil, a promessa de
compra e venda devidamente quitada (arts. 1.417 e 1.418 do CC e § 6º do art. 26 da Lei 6.766/1979)”. O
enunciado doutrinário ressalta a importância prática do compromisso de compra e venda, seja registrado
ou não, para os fins de aquisição do domínio. 

A ação de retificação corre perante a Vara de Registros Públicos, se houver, ou na Vara Cível. Cancelado o
registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro
adquirente, pois o registro traz presunção do domínio (art. 1.247, parágrafo único, do CC).
Diferentemente dos direitos pessoais, os direitos reais possuem regime próprio de aquisição,
consubstanciado em modos previamente estipulados em lei.

b.1) Registro: o registro está para os bens imóveis, assim como a tradição está para os bens móveis (art.
1226, CC). O Brasil adotou o sistema romano. Sem registro, não se adquire a propriedade de bem imóvel:

Art. 1.245. Transfere-se ENTRE VIVOS a propriedade mediante o REGISTRO do título translativo no Registro
de Imóveis.
§ 1º Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel.
§ 2º Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o
respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel.

O negócio ainda não registrado produz apenas um direito obrigacional. O registro, entretanto, não conduz
a uma presunção absoluta e indestrutível da propriedade; um vício no negócio jurídico poderá contaminar
o registro. Há presunção iuris tantum do domínio, acarretando inversão do ônus da prova. Os vícios
originários do título são insanáveis e transmitem-se junto à cadeia dos adquirentes. Obs.: Nem tudo que é
objeto de registro importa em constituição dos direitos reais. A finalidade do registro dos direitos
obrigacionais é a quebra do princípio da relatividade dos contratos, estendendo seus efeitos a quem deles
não é parte. Enunciado 87 do CJF: “Art. 1245: Considera-se também título translativo, para fins do art.
1.245 do NCC, a promessa de compra e venda devidamente quitada (arts. 1.417 e 1.418 do CC e §6º da lei
6.766/79)”.

Atributos do registro:

 CONSTITUTIVIDADE: o registro é indispensável para a aquisição da propriedade. Efeitos ex nunc, com


EXCEÇÃO da usucapião e da saisine, quando será ex tunc.

 PRIORIDADE ou PREFERÊNCIA: dá-se proteção a quem registrou primeiro.

 FORÇA PROBANTE: força probante com presunção iuris tantum da propriedade. O registro TORRENS, em
caráter excepcional, gera PRESUNÇÃO ABSOLUTA de domínio, assim TAMBÉM o registro da SENTENÇA de
USUCAPIÃO. O art. 456, CC, animado pelo princípio da operabilidade, permitia, em caso de evicção, que o réu
pudesse promover a denunciação coletiva da lide, convocando imediatamente todos os alienantes, ao invés de
convocá-los sucessivamente. Permitia, ainda, que o evicto operasse a denunciação por saltos, pois permitia que o
último adquirente pudesse atingir qualquer um dos alienantes anteriores na cadeia causal, mesmo que não fosse
aquele que imediatamente transferiu-lhe o bem. *#ATENÇÃO: O novo CPC revoga o art. 456, CC, não sendo mais
possível a denunciação da lide por saltos.

 CONTINUIDADE: o registro de um título prende-se ao registro anterior em uma sequência de atos. Esse
princípio é derrogado no caso de usucapião, por ser modo originário de aquisição. Pelo mandato in rem suam o
mandatário substitui o instrumento da compra e venda e pode transferir o domínio do bem para si.

 PUBLICIDADE: tem por fim tornar conhecidas pela sociedade as mutações no cadastro imobiliário e proteger
os atos praticados com boa-fé.

 LEGALIDADE: o assento somente terá validade se baseado em título revestido das exigências legais.

 ESPECIALIDADE: o imóvel deve estar precisamente descrito e caracterizado como corpo certo, individual e
autônomo.

B.2) sucessão:

6. MODOS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE MÓVEL


6.1. OCUPAÇÃO: é o modo ORIGINÁRIO por excelência de aquisição da propriedade móvel, pelo qual
alguém imediatamente apropria-se de coisas SEM DONO, seja porque nunca foram apropriadas ( RES
NULLIUS), seja porque foram abandonadas (RES DERELICTAE). As coisas abandonadas não se confundem
com as perdidas, pois aqui há apenas um temporário afastamento do corpus, mas é mantido o animus. Para
estas, há a descoberta. Tem como objeto seres vivos (caça e pesca) e seres inanimados.

6.2. ACHADO DO TESOURO: tesouro é o depósito antigo de coisas preciosas ocultas cujo DONO É
DESCONHECIDO. Se a propriedade for presumível, não é tesouro. Se o tesouro for achado pelo proprietário
do terreno, a ele pertence; caso seja encontrado por outra pessoa que não seja proprietária, terá ela direito
à metade do tesouro. Todavia, se o descobridor penetrar no prédio alheio com o propósito de encontrar o
tesouro, não terá direito a nada, pois não se permite a obtenção de vantagem quando do esbulho.

6.3. ESPECIFICAÇÃO: é o modo ORIGINÁRIO de aquisição da propriedade mobiliária que se dá mediante a


transformação de matéria-prima em espécie nova por meio do trabalho. Se a matéria–prima for alheia em
sua integralidade, pertencerá o produto ao especificador de boa-fé, quando a espécie nova não puder ser
restituída à forma primitiva, pois, se possível a reversão, retornará ao seu titular originário. Encontrando-se
de má-fé o especificador, a coisa nova pertencerá ao dono da matéria-prima, não podendo aquele nem
pleitear indenização pelo trabalho executado. Mesmo havendo má-fé, porém, sempre que o preço da mão
de obra exceder consideravelmente o valor da matéria-prima será a coisa nova do especificador, apenas
indenizando o dono daquela por seu valor.

6.4. COMISTÃO, CONFUSÃO e ADJUNÇÃO: são modos ORIGINÁRIOS de aquisição. 

Comistão: é a mistura de coisas secas ou sólidas, pertencentes a diferentes donos, sem que possam ser
separadas e sem que se produza coisa nova. 

Confusão: é a mistura de coisas líquidas de diferentes pessoas, nas mesmas condições. 

Adjunção: é a justaposição de uma coisa sólida à outra, de tal modo que não possam mais ser separadas
sem deterioração do bem formado. Se a mescla for intencional, os proprietários decidem o que fazer com o
produto. Se for acidental, em regra, a coisa será do dono do bem principal, sendo o outro indenizado. Se
não houver bem principal, incidirá um condomínio forçado. Se houver conduta unilateral de má-fé, a outra
parte adquire a propriedade do todo indenizando a parte que não era sua, abatida a indenização por ato
ilícito, ou então poderá renunciar à propriedade, com ressarcimento.

6. 5. USUCAPIÃO:

USUCAPIÃO DE BEM MÓVEL


USUCAPIÃO POSSE DA COISA + 3 ANOS + JUSTO TÍTULO E BOA -FÉ
ORDINÁRIO
USUCAPIÃO POSSE DA COISA + 5 ANOS
EXTRAORDINÁRIO INDEPENDENTEMENTE DE TÍTULO OU BOA-FÉ.

7. Espécies de propriedade:
Propriedade plena: possui todos os atributos da propriedade – GRUD, sem quaisquer restrição
Propriedade limitada: divide-se em restrita e resolúvel
Restrita: quando a propriedade está gravada com um ônus real, como hipoteca e o penhor ou quando o
proprietário cedeu a coisa em usufruto (ficando só com a posse indireta do bem e a disposição)
Propriedade Anômala – Condomínio, Propriedade resolúvel e Propriedade fiduciária
a) Condomínio:
+ Multipropriedade:
b) Propriedade resolúvel: aquela que pode ser extinta pelo advento de condição (evento futuro e
incerto) ou pelo termo (evento futuro e certo).
Hipóteses: Fideicomisso, retrovenda, doação com cláusula de reversão, compra e venda com reserva
de domínio e direitos autorais.
Efeitos: aquele em favor do qual se opera a resolução investe-se no direito de propriedade como se esta
nunca houvesse pertencido temporariamente ao proprietário resolúvel. A resolubilidade é oponível erga
omnes.
- propriedade resolúvel x propriedade ad tempus/revogável: nesta inexiste cláusula contratual de
limitação temporal quando de sua constituição, eis que sua extinção decorre de um evento superveniente.
Nestes casos pode haver a resolução, mas esta não pode prejudicar direitos adquiridos por terceiros, já que
estes não podiam prevê-la. Casos: revogação de doação por ingratidão do donatário, revogação da doação
por descumprimento do encargo e exclusão da sucessão por indignidade.

c) Propriedade fiduciária: Ocorre quando o credor fiduciário adquire a propriedade resolúvel e a


posse indireta de bem móvel recebido em garantia de financiamento efetuado pelo alienante, que
se mantém na posse direta da coisa, resolvendo-se o direito fiduciário com a solução da dívida
garantida.
O objeto é BEM MÓVEL, por natureza, INFUNGÍVEL, DURÁVEL e INCONSUMÍVEL.
- É PACÍFICO que o bem que já integre o patrimônio do devedor pode ser objeto de propriedade fiduciária
(S. 28 do STJ)
4 fenômenos no âmbito da prop. fiduciária: desdobramento da posse, constituto possessório, propriedade
resolúvel e patrimônio de afetação.
- Há VEDAÇÃO da CLÁUSULA COMISSÓRIA, mas “o devedor pode, com a anuência do credor, dar seu direito
eventual à coisa em pagamento da dívida, APÓS o VENCIMENTO desta” (CC, art. 1.365, § único).
- A   aquisição do domínio é ficta e o formalismo do ato completa-se com o registro do contrato no Cartório
de Títulos e Documentos do domicílio do devedor ou na repartição competente para licenciamento do
veículo automotor, com anotação no certificado de registro.
Súmula 92 do STJ: “A terceiro de boa-fé não é oponível a alienação fiduciária não anotada no Certificado de
Registro do veículo automotor”

Patrimônio de afetação: Caso o próprio credor fiduciário seja responsabilizado por dívidas perante
terceiros, no decurso do contrato, também não ficará o devedor fiduciante prejudicado. Apesar de a
propriedade pertencer ao credor, trata-se de patrimônio de afetação, imune à ação de terceiros, posto
reservado ao titular do direito eventual, que pode praticar os atos destinados a preservá-lo.

+ A Lei nº 9.514/97 que dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário instituiu a modalidade de
alienação fiduciária de coisa imóvel, mediante registro no ofício imobiliário. Com o advento dessa regra, o
interessado na compra de um imóvel levantará, na instituição de sua preferência, o empréstimo para
pagamento do preço de aquisição e, em garantia, efetuará a alienação fiduciária do imóvel ao credor,
transferindo-lhe o domínio resolúvel e a posse indireta. Até a liquidação do débito, o devedor fiduciante
será possuidor direito do imóvel. Na hipótese de o devedor fiduciante não purgar a mora no prazo de 15
dias, contados da intimação pelo Oficial do Registro Imobiliário, restará consolidada a propriedade em
poder do credor fiduciante, após pagar o ITBI, sendo-lhe lícito aliená-la no prazo de 30 dias, a contar do
registro que efetivou a consolidação. Em caso de resistência à desocupação, o credor fiduciário poderá
manejar ação de reintegração de posse. Apesar da vedação do art. 1.365 do CC, excepcionalmente poderá
o credor imobiliário conservar a coisa em seu patrimônio, se o segundo leilão vier a frustrar-se, adquirindo,
então, propriedade plena.   

Súmula 72, STJ – a comprovação da mora é imprescindível à busca e apreensão do bem alienado
fiduciariamente (mora ex persona).

Súmula 245, STJ – a notificação destinada a comprovar a mora nas dívidas garantidas por alienação
fiduciária DISPENSA a indicação do valor do débito.

No que se refere à previsão de prisão do devedor, atualmente a questão está pacificada no STF, conforme
se abstrai da súmula vinculante 25: 
“É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito”.

Leasing X Propriedade Fiduciária.


O primeiro é arrendamento mercantil, por ex., uma pessoa pede dinheiro emprestado ao banco para
comprar um equipamento; a instituição financeira compra o bem e irá arrendá-lo a essa pessoa, que será
arrendatária e pagará prestações fixas sobre o bem. É um aluguel que o banco/proprietário (posse indireta)
faz com a pessoa que terá a posse direta; desdobra-se a posse. Logo, o Leasing é contrato misto
(mútuo/empréstimo e opção de compra e venda no final) e não é apenas locação.
O leasing é direito obrigacional. Já a Propriedade Fiduciária é direito real, visto que ao final do
pagamento o devedor adquire a propriedade.

 
Alienação fiduciária de bens MÓVEIS Alienação fiduciária de bens MÓVEIS
Alienação
fungíveis e infungíveis quando o infungíveis quando o credor fiduciário for
fiduciária de
credor fiduciário for instituição pessoa natural ou jurídica (sem ser
bens IMÓVEIS
financeira banco)

Lei nº 4.728/65 Código Civil de 2002


Lei nº 9.514/97
Decreto-Lei nº 911/69 (arts. 1.361 a 1.368-B)

8. MODOS DE PERDA DA PROPRIEDADE


MNEMÔNICA: quem PERDE, P A R D A.
Em princípio, a propriedade é irrevogável, transmitindo-se aos sucessores por força da saisine. Todavia,
perde-se voluntariamente por alienação, abandono e renúncia e, involuntariamente, pelo perecimento e
desapropriação.

o PERECIMENTO: dá-se pela perda das qualidades essenciais da coisa.

o PERDA INVOLUNTÁRIA: pela arrematação, adjudicação, implemento de condição


resolutiva, usucapião, casamento pela comunhão universal e confisco.

o ALIENAÇÃO: ato pelo qual o proprietário, por vontade própria, gratuita ou onerosamente,
transfere a outrem seu direito sobre a coisa.

o RENÚNCIA: ATO UNILATERAL pelo qual o proprietário declara formal e explicitamente o


propósito de despojar-se do direito de propriedade. Só se aplica aos BENS IMÓVEIS, com exceção do
patrimônio móvel que se encerra no direito hereditário objeto de abdicação pelo herdeiro.
o DESAPROPRIAÇÃO: modo ORIGINÁRIO de aquisição e perda da propriedade, em face da
intervenção estatal na propriedade privada.

o ABANDONO: é o ATO MATERIAL pelo qual o proprietário desfaz-se da coisa porque não
quer mais ser seu dono. Por não ser um ato expresso como a renúncia, a derrelição deve resultar de
ATOS EXTERIORES que atestem a manifesta intenção de abandonar. O mero desuso não implica em
abandono, tem que haver o elemento psicológico. No NCC, surge uma PRESUNÇÃO ABSOLUTA de
abandono do IMÓVEL quando o proprietário associar ao desuso (cessação dos atos de posse) o
INADIMPLEMENTO dos TRIBUTOS REAIS (art. 1.276, §2º), privilegiando-se a função social da
propriedade. A previsão é desarrazoada, porque o proprietário pode deixar de pagar o imposto, por
exemplo, porque acredita que a cobrança é indevida. Há proposta de alteração para que seja
considerado como uma PRESUNÇÃO RELATIVA. É causa gratuita de perda da propriedade. Enunciados
242 e 243 do CJF: “Art. 1276: A aplicação do art. 1.276 depende do devido processo legal, em que seja
assegurado ao interessado demonstrar a não-cessação da posse” e “Art. 1276: A presunção de que
trata o §2º do art. 1.276 não pode ser interpretada de modo a contrariar a norma-princípio do art. 150,
IV, da CF”. (proibição de tributo com efeito de confisco).

9. DIREITOS REAIS

+ concessão de uso especial para fins de moradia e concessão de direito real de uso são d. de fruição
+ Laje dupla dimensão: propriedade e fruição de coisa alheia
+ multipropriedade imobiliária: mesmo não efetivada codificada, possui natureza de direito real,
harmonizando-se com os institutos constantes do rol do art. 1225 do CC.

- Os direitos reais podem ser classificados em:


a) Direitos reais sobre coisa própria e direitos reais sobre coisa alheia; 
b) Direitos de gozo ou fruição ou direitos de garantia;
c) Direitos reais mobiliários e direitos reais imobiliários.
De acordo com as classificações acima, os direitos reais enumerados no Livro III do CC/02 recaem sobre
coisa própria (propriedade) ou sobre coisa alheia.

Os Direitos reais na coisa alheia, que nos interessa por ora, podem ser classificados de acordo com a
tabela abaixo:

DIREITO REAL DA COISA DIREITO REAL A


DIREITO REAL DE GOZO OU FRUIÇÃO
ALHEIA DE GARANTIA AQUISIÇÃO
Permitir que uma pessoa tenha consigo os poderes Não terá a coisa consigo. É - Busca-se através do
de utilização da coisa. vedada a utilização da domínio ser proprietário.
coisa. - O exercício dos poderes
Credor tem o direito real.
do domínio viabilizam a
ASSEGURAR aquisição da propriedade.
Permitir que terceiro retire as utilidades da coisa.
CUMPRIMENTO DE
OBRIGAÇÃO.
UTILIDADE
6 HIPÓTESES 4 HIPÓTESES 1 HIPÓTESE (OU  2)
7. Enfiteuse (código 16)
8. Superfície
3. Promessa
9. Servidão predial 5. Hipoteca
irretratável de compra
10. Usufruto 6. Penhor
e venda
11. Uso 7. Anticrese
4. Direito de
12. Habitação 8. Alienação fiduciária
preferência (não
13. Concessão de direito real de uso em garantia.
unânime)
14. Concessão de uso especial para fins de
moradia
Os direitos reais de gozo ou fruição são autônomos, enquanto os de garantia são acessórios.

9. DO DIREITO REAL DE GOZO OU FRUIÇÃO


- Espécies: Enfiteuse, concessão de direito real de uso, concessão de uso especial para fins de moradia,
superfície, servidão predial, usufruto, uso e habitação

9.1. enfiteuse
Art. 678 do CC/16: Dá-se a enfiteuse, aforamento, ou emprazamento, quando por ato entre vivos, ou de
última vontade, o proprietário atribui a outro o domínio útil do imóvel, pagando a pessoa, que o adquire,
e assim se constitui enfiteuta, ao senhorio direto uma pensão, ou foro, anual, certo e invariável.

PROPRIETÁRIO ⇒ SENHORIO DIRETO


TITULAR DO DIREITO REAL ⇒ ENFITEUTA

Traduzindo: a enfiteuse é espécie de direito real na coisa alheia, que gera a obrigação do enfiteuta de
manter o imóvel em bom estado, efetuar o pagamento de uma prestação anual (foro ou pensão) ao
proprietário (senhorio direto) e pagar o laudêmio quando da transferência dos direitos de ocupação. 

O poder conferido pela enfiteuse é bem amplo, compreendendo o de usar, desfrutar, alienar e transmitir
o bem. Por isso se diz que a enfiteuse é o mais amplo dos direitos reais sobre coisas alheias. Frise-se, que o
enfiteuta pode proceder à alienação do domínio útil do imóvel.  O domínio útil é passível de transação
onerosa, hipótese em que será devido pelo enfiteuta de terreno de marinha o pagamento do
chamado laudêmio.

ATENÇÃO: A Constituição Federal de 1988, ao dispor sobre a função social da propriedade, reformulou a
visão sobre alguns institutos, orientando uma adequação do diploma civil, pois a enfiteuse, limitada no seu
objeto e na sua perpetuidade, já não mais satisfazia as necessidades sociais, hoje enfatizadas na evolução
contínua da política urbana e fundiária, razão pela qual foi instituído o direito de superfície no seu lugar.
Nesse sentido, cumprindo o mandamento constitucional, o CC/02, no seu art. 2.038 proibiu a constituição
de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando as já existentes, até sua extinção, às disposições do Código
Civil de 1916 e leis posteriores.

Art. 2.038, CC/02: Fica proibida a constituição de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando-se as


existentes, até sua extinção, às disposições do Código Civil anterior, Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916,
e leis posteriores.
§ 1º Nos aforamentos a que se refere este artigo é defeso:
I - cobrar laudêmio ou prestação análoga nas transmissões de bem aforado, sobre o valor das construções
ou plantações;
II - constituir subenfiteuse.

No entanto, tal previsão não alterou as enfiteuses de bens da União, em especial os casos de terreno de
marinha, que são regulados por lei própria e permanecem existindo (decreto-lei n.º 9.760/46). Isso se
justifica por se tratar de uma região estratégica em termos de defesa e de segurança nacional (é a “porta
de entrada” de navios mercantes ou de guerra). Lembre-se que os terrenos de marinha são bens da União
(art. 20, VII, da CF/88).

ENFITEUSE DOS BENS DA UNIÃO

Decreto-lei 3.438/41, Art. 1º: São terrenos de marinha, em uma profundidade de 33 metros, medidos
para a parte de terra, do ponto em que se passava a linha do preamar médio de 1831:
a) os situados no continente, na costa marítima e nas margens dos rios e lagoas, até onde se faça sentir a
influência das marés;
b) os que contornam as ilhas situadas em zona onde se faça sentir a influência das marés.
Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, a influência das marés é caracterizada pela oscilação de
cinco centímetros, pelo menos, do nível das águas (atração luni- solar) que ocorra em qualquer época do
ano.
Art. 2º São terrenos acrescidos de marinha os que se tiverem formado, natural ou artificialmente, para o
lado do mar ou dos rios e lagoas, em seguimento nos terrenos de marinha.
Art. 4º Ficam sujeitos ao regime enfitêutico os terrenos de marinha e os seus acrescidos, exceto aqueles
necessários aos logradouros e aos serviços públicos ou quando houver disposição legal em sentido
diverso. 
Parágrafo único. O foro é de 0,6%, calculado sobre o valor do domínio pleno do terreno, deduzido o valor
das benfeitorias porventura existentes.

ATENÇÃO: OS VALORES PAGOS A TITULO DE FORO E LAUDÊMICO NÃO SÃO TRIBUTOS, MAS
CONTRAPRESTAÇÕES PECUNIÁRIAS EM RAZÃO DA OBRIGAÇÃO CONTRATUAL.

FORO X LAUDÊMICO
Ambos são taxas pagas pelos proprietários de imóveis localizados em terrenos de Marinha, sendo:
Taxa de laudêmio é equivalente a 5% do valor do imóvel, devendo ser paga no momento da
transferência do imóvel. Obs.: imóveis recebidos a titulo de herança ou doação não se sujeitam ao pag.
do laudêmico.
Taxa de Foro é pago anualmente e equivale a 0,6% do valor do imóvel

+ A cobrança de laudêmio não se limita ao regime de aforamento de terreno de marinha, incidindo em


caso de transferência onerosa de imóvel ou de benfeitorias nele construídas, ainda que em regime de
ocupação. Embargos de divergência conhecidos, mas improvido. (STJ, EREsp 1250916 / SC, Primeira
Seção, Relator Ministro Humberto Martins, 11.04.2012)
+ sobre o tema, importante ressaltar que o STJ entende que enquanto a União não for comunicada de
que o ocupante que consta no registro junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) não tem mais
interesse em utilizar o terreno de marinha, será ele o responsável pelo recolhimento da taxa de
ocupação, ou seja, em interpretação a contrario sensu, a ciência da União sobre transferência de posse
extingue a execução fiscal – Cabe ao autor comunicar a SPU da transferência da ocupação do imóvel a 3º
DEMARCAÇÃO:
Decreto-lei 9.760/46, Art. 12-C,:  Fica a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) autorizada a concluir até
31 de dezembro de 2025 a identificação dos terrenos marginais de rio federal navegável, dos terrenos de
marinha e seus acrescidos, de que tratam os arts. 2o, 3o e 4o deste Decreto-Lei
OBS.: A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) é o órgão responsável por administrar os bens da União
e cobrar os pagamentos. 
Art. 12-A. A Secretaria do Patrimônio da União do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão fará
notificação pessoal dos interessados certos alcançados pelo traçado da linha demarcatória para, no
prazo de 60 (sessenta) dias, oferecerem quaisquer impugnações.

A demarcação dos terrenos é feita pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) com a notificação
pessoal de todos os interessados, devendo ser assegurados o contraditório e a ampla defesa. Sobre o
tema, importante lembrar que em 2011, no julgamento da ADI 4264, o STF decidiu
pelo restabelecimento da obrigatoriedade de convite pessoal dos ocupantes conhecidos de áreas de
marinha, nos processos de demarcação de tais áreas. Com a decisão, a Suprema Corte suspendeu, ex
tunc (desde o início de sua vigência), a redação dada pela Lei 11.418/07 ao artigo 11 do Decreto-lei
9.760/46, impugnada na ADI. Esse texto havia suprimido a obrigatoriedade do convite pessoal aos
interessados certos (conhecidos), nos procedimentos de demarcação de terrenos de marinha. Com a
alteração promovida pela Lei 11.418/, o Serviço de Patrimônio da União (SPU) havia sido autorizado a
fazer a notificação apenas por edital, tanto dos interessados certos quanto dos incertos (desconhecidos).
Uma vez notificados, eles tinham prazo de 60 dias para oferecer, para estudo, documentos e outros
esclarecimentos concernentes aos terrenos compreendidos no trecho a ser demarcado. 

*#ALERTA: a Lei 13.465/2017 (Lei de Regularização Fundiária) modificou a Lei 9.636/1998, que trata da
alienação de bens imóveis da União, facilitando a extinção da enfiteuse sobre terras de marinha, por
meio da remição (art. 16-A). Para os terrenos submetidos ao regime enfitêutico, facilitou-se a extinção
da enfiteuse e consolidação do domínio pleno com o foreiro mediante o pagamento do valor
correspondente ao domínio direto do terreno.
Obs.: remição – pagar o preço x remissão: perdão da dívida

CONCURSO FEDERAIS: A alegação da União de que determinada área constitui terreno de marinha,
sem que tenha sido realizado processo demarcatório específico e conclusivo pela Delegacia de
Patrimônio da União, não obsta o reconhecimento de usucapião. Nesse caso, na sentença que
reconhecer a usucapião, o juiz deverá ressalvar que a União poderá fazer uma eventual e futura
demarcação no terreno. Se ficar constatado, efetivamente, que o imóvel está localizado em terreno de
marinha, a União será declarada proprietária da área, não havendo preclusão sobre o tema. Aplica-se o
mesmo raciocínio constante na Súmula 496 do STJ: “Os registros de propriedade particular de imóveis
situados em terrenos de marinha não são oponíveis à União”. Com isso, não haverá prejuízo à União

9.2. Concessão de direito real de uso


A CDRU é direito real resolúvel, que pode ser outorgada por contrato, público ou particular, ou termo
administrativo. Presta-se apenas às finalidades estipuladas legalmente. A CDRU pode se aplicar sobre a
superfície dos imóveis ou sobre seu espaço aéreo, podendo, ainda, ser remunerada ou gratuita, por prazo
certo ou indeterminado. A sua transmissão pode se dar por ato inter vivos ou por sucessão legítima ou
testamentária, desde que não haja previsão contratual em contrário. 

Características:
 Tipicidade; 
 Necessidade de registro no ofício de registro de imóveis;
 Possibilidade de ser oferecido em garantia em negócios jurídicos. 
 O Código Civil, no art. 1473, IX prevê que a CDRU pode ser objeto de hipoteca, sob a condição de
que seja limitada ao prazo fixado para duração da concessão (art. 1473, § 2º, CC).
 É um dos institutos da Regularização Fundiária Urbana (Reurb) – art. 15, XIII da Lei 13.465/17.
 É um dos instrumentos da Política Urbana – art. 4º, V, g, do Estatuto das Cidades (Lei 10.257/01). 

.ATENÇÃO: Lei 13.465/2017 promoveu algumas reformas no tocante à temática da CDRU. 

O Decreto-lei 271/67 disciplina a CDRU (concessão de direito real de uso):


Art. 7º  É instituída a concessão de uso de terrenos públicos ou particulares remunerada ou gratuita, por
tempo certo ou indeterminado, como direito real resolúvel, para fins específicos de regularização
fundiária de interesse social, urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra, aproveitamento
sustentável das várzeas, preservação das comunidades  tradicionais e seus meios de subsistência ou
outras modalidades de interesse social em áreas urbanas.
§ 1º A concessão de uso poderá ser contratada, por instrumento público ou particular, ou por simples
termo administrativo, e será inscrita e cancelada em livro especial.
§ 2º Desde a inscrição da concessão de uso, o concessionário fruirá plenamente do terreno para os fins
estabelecidos no contrato e responderá por todos os encargos civis, administrativos e tributários que
venham a incidir sobre o imóvel e suas rendas.
§ 3º Resolve-se a concessão antes de seu termo, desde que o concessionário dê ao imóvel destinação
diversa da estabelecida no contrato ou termo, ou descumpra cláusula resolutória do ajuste, perdendo,
neste caso, as benfeitorias de qualquer natureza.
§ 4º A concessão de uso, salvo disposição contratual em contrário, transfere-se por ato inter vivos , ou por
sucessão legítima ou testamentária, como os demais direitos reais sobre coisas alheias, registrando-se a
transferência.
§ 5º Para efeito de aplicação do disposto no caput deste artigo, deverá ser observada a anuência
prévia:         
I - do Ministério da Defesa e dos Comandos da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, quando se tratar de
imóveis que estejam sob sua administração; e          
II - do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência de República, observados os termos do inciso III
do § 1o do art. 91 da Constituição Federal.
Art 8º É permitida a concessão de uso do espaço aéreo sobre a superfície de terrenos públicos ou
particulares, tomada em projeção vertical, nos termos e para os fins do artigo anterior e na forma que for
regulamentada.
A Lei de Geral de Licitações (8.666/93) estabelece em seu art. 17, algumas hipóteses de dispensa de
licitação, quando se tratar de CDRU:

Art. 17.  A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse público


devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas:
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e entidades
autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação
prévia e de licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos:
f) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito real de uso, locação ou permissão de
uso de bens imóveis residenciais construídos, destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de
programas habitacionais ou de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou
entidades da administração pública;                 
h) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito real de uso, locação ou permissão de
uso de bens imóveis de uso comercial de âmbito local com área de até 250 m² e inseridos no âmbito de
programas de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da
administração pública;
i) alienação e concessão de direito real de uso, gratuita ou onerosa, de terras públicas rurais da União e do
Incra, onde incidam ocupações até o limite de que trata o § 1o  do art. 6o  da Lei no  11.952, de 25 de junho
de 2009, para fins de regularização fundiária, atendidos os requisitos legais; e
§ 2º A Administração também poderá conceder título de propriedade ou de direito real de uso de imóveis,
dispensada licitação, quando o uso destinar-se:
I - a outro órgão ou entidade da Administração Pública, qualquer que seja a localização do imóvel;   
II - a pessoa natural que, nos termos de lei, regulamento ou ato normativo do órgão competente, haja
implementado os requisitos mínimos de cultura, ocupação mansa e pacífica e exploração direta sobre área
rural, observado o limite de que trata o § 1o do art. 6o da Lei no 11.952, de 25 de junho de 2009;

9.3. Concessão de uso especial para fins de moradia


 É um dos institutos da Regularização Fundiária Urbana (Reurb) – art. 15, XII da Lei 13.465/17.
 É um dos instrumentos da Política Urbana – art. 4º, V, h, do Estatuto das Cidades (Lei 10.257/01). 
 Na qualidade de instrumento da política de desenvolvimento urbano, com fundamento
constitucional e legal, sua aplicação não depende de previsão em leis municipais ou estaduais de
regularização fundiária e urbanística.

Esse direito real foi inserido e regulamentado no projeto do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01), dentre os
diversos mecanismos então criados para dar efetividade à função social das cidades e também à função
social da propriedade, através dos artigos 10 a 15 do referido Estatuto. Porém, tais artigos foram vetados
pelo Presidente da República. Assim, para regular o tema, surgiu, a MP 2.220, de 4 de setembro de 2001,
que vige até hoje (atenção aos destaques realizados):

Art. 1º  Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, ininterruptamente e
sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel público situado em área com
características e finalidade urbanas, e que o utilize para sua moradia ou de sua família, tem o direito à
concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse, desde que não seja
proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural.   
§ 1º  A concessão de uso especial para fins de moradia será conferida de forma gratuita ao homem ou à
mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.
§ 2º  O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo concessionário mais de uma vez.
§ 3º  Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, na posse de seu
antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão.

Art. 2   Nos imóveis de que trata o art. 1 , com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupados
o o

até 22 de dezembro de 2016, por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a
duzentos e cinquenta metros quadrados por possuidor, a concessão de uso especial para fins de moradia
será conferida de forma coletiva, desde que os possuidores não sejam proprietários ou concessionários, a
qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural

 Art. 5º  É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. 1º e 2º em
outro local na hipótese de ocupação de imóvel:
I - de uso comum do povo;
II - destinado a projeto de urbanização;
III - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais;
IV - reservado à construção de represas e obras congêneres; ou
V - situado em via de comunicação.

Art. 6º  O título de concessão de uso especial para fins de moradia será obtido pela via administrativa
perante o órgão competente da Administração Pública ou, em caso de recusa ou omissão deste, pela via
judicial.
§ 1º  A Administração Pública terá o prazo máximo de doze meses para decidir o pedido, contado da data
de seu protocolo.
§ 4º  O título conferido por via administrativa ou por sentença judicial servirá para efeito de registro no
cartório de registro de imóveis.
   
Art. 7º  O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter
vivos ou causa mortis.
       
Art. 8º  O direito à concessão de uso especial para fins de moradia extingue-se no caso de:
I - o concessionário dar ao imóvel destinação diversa da moradia para si ou para sua família; ou
II - o concessionário adquirir a propriedade ou a concessão de uso de outro imóvel urbano ou rural.
Parágrafo único.  A extinção de que trata este artigo será averbada no cartório de registro de imóveis, por
meio de declaração do Poder Público concedente.
Art. 9º  É facultado ao poder público competente conceder autorização de uso àquele que, até 22 de
dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, até 250m² de
imóvel público situado em área com características e finalidade urbanas PARA FINS COMERCIAIS.      
 § 1º  A autorização de uso de que trata este artigo será conferida de forma gratuita.
§ 2º  O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu
antecessor, contanto que ambas sejam contínuas.

9.4. superfície
Consiste na faculdade do proprietário conceder a outro o direito de construir ou plantar em seu terreno,
por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório Registro de
Imóveis.
Atenção: não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao objeto da concessão
Sujeitos: proprietário e superficiário (para quem foi conferido a surperfície)
Modalidades: gratuita ou onerosa.
Caso seja onerosa, devem estipular a forma de pagamento (à vista ou de forma parcelada)
Deveres do superficiário: responde pelos encargos e tributos que incidirem sobre o imóvel
Possibilidade de transferência: À terceiros ou, no caso de morte do superficiário, para seus herdeiros
Obs.: não pode ser estipulado pelo concedente, a nenhum título, qualquer pagamento de transferência
Obs.: Em caso de alienação do imóvel ou do direito de superfície, o superficiário ou o proprietário tem direito de
preferência, em igualdade de condições.
Extinção da concessão: termo final ou pelo descumprimento da destinação diversa daquela pela qual foi concedida
Art. 1.375. Extinta a concessão, o proprietário passará a ter a propriedade plena sobre o terreno, construção ou
plantação, independentemente de indenização, se as partes não houverem estipulado o contrário.
Art. 1.376. No caso de extinção do direito de superfície em consequência de desapropriação, a indenização cabe ao
proprietário e ao superficiário, no valor correspondente ao direito real de cada um.

9.5. servidão predial


Servidão Predial é a utilização de um prédio por outro. Tal utilização não pode ser indispensável, mas se faz
necessária ou vantajosa ao prédio chamado de dominante. A servidão constitui um ônus real que é
imposto voluntariamente a um prédio, chamado de serviente, em favor de outro (o dominante), em
virtude do qual o proprietário do prédio serviente perde o exercício de algum de seus direitos dominiais
sobre ele, ou tolera que o proprietário do prédio dominante se utilize dele, tornando seu prédio mais útil.
Formas de Constituição: “A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante, e grava o prédio serviente,
que pertence a diverso dono, e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários, ou por testamento, e
subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis”

Embora as servidões possam ser constituídas causa mortis, como o testamento, no entanto, o modo mais
frequente de sua constituição é por ato inter vivos, isto é, através de contrato em regra oneroso.
+ Por se tratar de ato de vontade é necessário que as partes sejam capazes, não apenas a capacidade
genérica, mas também as especificas para atos de disposição do prédio serviente.

- A servidão só pode ser estipulada pelo proprietário do prédio.


- A servidão pode ser instituída judicialmente pelas sentenças que homologam a divisão, matéria
regulamentada no Código de Processo Civil nos arts. 588 a 597 – CPC/15.

+ é possível a usucapião de servidão, mas esta deve ser aparente:

“Art. 1.379. O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente, por dez anos, nos termos
do art. 1.242 , autoriza o interessado a registrá-la em seu nome no Registro de Imóveis, valendo-lhe como
título a sentença que julgar consumado a usucapião. Parágrafo único. Se o possuidor não tiver título, o
prazo da usucapião será de vinte anos.”

Sujeitos: serviente e dominante


Modalidades: contínuas, aparentes
Espécies: diversas, tais como: de passagem, aqueduto, iluminação, ventilação, pastagem e etc.
Requisitos: prédios devem ser vizinhos, embora não haja a necessidade de que sejam contíguos
Sejam de proprietários diferentes
Características básicas:
 A servidão é uma relação entre dois prédios distintos, o serviente e o dominante. O serviente sofre um
gravame em benefício do dominante. A vantagem ou desvantagem adere ao imóvel e transmite-se
com ele independente da pessoa do proprietário.
 É necessário que os prédios pertençam a donos diversos. Se pertencerem ao mesmo proprietário, este
estará simplesmente usando o que é seu, sem que se estabeleça uma servidão, e sim uma serventia
que pode se transformar em direito real se o domínio dos prédios passarem a titulares diferentes.
 Nas servidões serve a coisa e não o seu dono, isto porque o proprietário não tem uma obrigação de
fazer, mas de não fazer ou de suportar o exercício da servidão.
 A servidão não se presume, pois só se constitui mediante declaração expressa dos proprietários, ou por
testamento, e por posterior registro no Cartório de Imóveis (Art. 1378, CC).
 A servidão deve ser útil ao prédio dominante, ela deve trazer alguma vantagem de modo a aumentar o
valor do imóvel dominante. Essa vantagem não precisa ser necessariamente reduzida a dinheiro,
podendo constituir maior utilidade ou simples comodidade para o prédio dominante.
 A servidão é direito real e acessório. É direito real porque incide diretamente sobre os imóveis. Sendo
assim, está munido de sequela e ação real e é oponível a terceiros. E é acessório porque decorre do
direito de propriedade e acompanha os imóveis mesmo que sejam alienados.
 A servidão tem duração indefinida, pois perderia sua característica se fosse estabelecido um limite de
tempo. Ela dura por tempo indefinido, enquanto não seja extinta por nenhuma causa legal, ainda que
os prédios mudem de donos.
 A servidão é indivisível porque não se desdobra em caso de divisão do prédio dominante ou do
serviente. Ela só pode ser reclamada em sua totalidade, mesmo que o prédio dominante pertença a
várias pessoas
 A servidão é inalienável. Por decorrer de uma necessidade do prédio dominante, não se concebe sua
transferência a outro prédio, pois isso extinguiria a servidão e constituiria outra.

- O exercício das servidões ( arts. 1383 e 1385): O primeiro dispõe que “o dono do prédio serviente não
poderá embaraçar de modo algum o exercício legítimo da servidão”. O segundo dispõe que a servidão se
restringirá às necessidades do prédio dominante devendo agravar o menos possível o prédio serviente.
Os artigos. 1380 a 1382 do Código Civil  garantem ao dono do prédio dominante os meios necessários para
a  “conservação e uso” das servidões. Para a realização de serviços e obras necessárias o dono do prédio
dominante pode entrar no prédio serviente e depositar materiais de construção no mesmo. No entanto, se
causar dano ao proprietário do prédio serviente por culpa, o proprietário do prédio gravame será
responsabilizado civilmente.

As classificações são importantes porque existem regras diferentes para a constituição, execução e
extinção, algumas se aplicam somente às servidões contínuas e aparentes.
Classificação:
Quanto ao exercício:
- Será continua quando é exercida ininterruptamente, independente de uma ação humana.
- Será descontínua quando tem seu exercício condicionado a algum ato humano atual.
Quanto a exteriorização:
- A servidão aparente é aquela que se manifesta por obras exteriores, são aquelas que são visíveis e
permanentes, como a servidão de passagem, por exemplo.
- A servidão não aparente é a servidão que não se revela por obras exteriores.
Quanto a prestação:
As servidões ainda podem ser positivas, quando conferem ao dono do prédio dominante o poder de
praticar algum ato no prédio serviente, e negativas quando é imposto o dever de se abster da pratica de
determinado ato de utilização.

- Ações processuais:
As servidões podem ser protegidas por ações como a confessória, que visa á  obtenção do reconhecimento
judicial da existência de servidão negada ou contestada.
Ações negatórias se destinam a possibilitar ao dono do prédio serviente a obtenção de sentença que
declare a inexistência da servidão ou de direito a sua ampliação.
As ações possessórias podem ser invocadas em favor do prédio dominante que é molestado ou esbulhado
pelo proprietário do prédio serviente. Também pode ser utilizada quando este não permite a realização de
obras de conservação da servidão. Também podem ser invocadas as ações de nunciação de obra nova e de
usucapião.

EXTINÇÃO: Quando cancelado o registro, quando renunciada ou ainda quando os prédios são reunidos no
domínio da mesma pessoa, pela desapropriação, quando cessar a utilidade – art. 1.388
- A servidão uma vez registrada só  se extingue com respeito a terceiros quando cancelada. Sendo assim,
enquanto permanecer registrada no Cartório de Registro de Imóveis subsistirão em favor do dono do
prédio dominante.
+ Nos casos de desapropriação, a servidão se extingue mesmo sem o cancelamento do registro.
+ O titular da servidão pode renunciar ao benefício, renunciando-o expressamente, desde que seja capaz e
tenha poder para dispor.
De acordo com o Art.1389 do CC ainda a servidão se extingue pela reunião dos dois prédios no domínio de
uma mesma pessoa, pela supressão das respectivas obras e pelo não uso contínuo durante dez anos

Art. 1.388. O dono do prédio serviente tem direito, pelos meios judiciais, ao cancelamento do registro,
embora o dono do prédio dominante lho impugne:
I - quando o titular houver renunciado a sua servidão;
II - quando tiver cessado, para o prédio dominante, a utilidade ou a comodidade, que determinou a
constituição da servidão;
III - quando o dono do prédio serviente resgatar a servidão.
  Art. 1.389. Também se extingue a servidão, ficando ao dono do prédio serviente a faculdade de fazê-la
cancelar, mediante a prova da extinção:
I - pela reunião dos dois prédios no domínio da mesma pessoa;
II - pela supressão das respectivas obras por efeito de contrato, ou de outro título expresso;
III - pelo não uso, durante dez anos contínuos.

9.6. usufruto
Consiste no direito real sobre coisas alheias, conferindo ao usufrutuário a capacidade de usar as utilidades
e os frutos (rendas) do bem, ainda que não seja o proprietário
Sujeitos: Usufrutuário: pessoa para quem foi constituído o usufruto
Nu-proprietário: pessoa que detém a propriedade
Modalidades: Legal: pai e mãe no exercício do poder familiar, são usufrutuários dos bens dos filhos
menores; as terras tradicionalmente ocupadas por índios (posse permanente, com usufruto exclusivo sobre
as riquezas do solo, dos rios e dos lados nela existentes)
Convencional: alienação ou retenção
a) alienação, que se dá quando o proprietário concede, mediante atos inter vivos ou causa mortis, o
usufruto a um indivíduo, conservando a nua propriedade; 
b) a retenção, que ocorre quando o dono do bem, somente mediante contrato, cede à nua
propriedade, reservando para si o usufruto
Extensão: O usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro, ou
parte deste, abrangendo-lhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades.
OBS.: Salvo disposição em contrário, o usufruto estende-se aos acessórios da coisa e seus acrescidos.
“Art. 1.392: § 1º Se, entre os acessórios e os acrescidos, houver coisas consumíveis, terá o usufrutuário o
dever de restituir, findo o usufruto, as que ainda houver e, das outras, o equivalente em gênero, qualidade e
quantidade, ou, não sendo possível, o seu valor, estimado ao tempo da restituição.
§ 2º Se há no prédio em que recai o usufruto florestas ou os recursos minerais a que se refere o  art. 1.230,
devem o dono e o usufrutuário prefixar-lhe a extensão do gozo e a maneira de exploração.
§ 3º Se o usufruto recai sobre universalidade ou quota-parte de bens, o usufrutuário tem direito à parte do
tesouro achado por outrem, e ao preço pago pelo vizinho do prédio usufruído, para obter meação em
parede, cerca, muro, vala ou valado.”

Direitos do usufrutuário: O usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos.
“ Art. 1.395. Quando o usufruto recai em títulos de crédito, o usufrutuário tem direito a perceber os frutos e
a cobrar as respectivas dívidas.
Parágrafo único. Cobradas as dívidas, o usufrutuário aplicará, de imediato, a importância em títulos da
mesma natureza, ou em títulos da dívida pública federal, com cláusula de atualização monetária segundo
índices oficiais regularmente estabelecidos.
Art. 1.396. Salvo direito adquirido por outrem, o usufrutuário faz seus os frutos naturais, pendentes ao
começar o usufruto, sem encargo de pagar as despesas de produção.
Parágrafo único. Os frutos naturais, pendentes ao tempo em que cessa o usufruto, pertencem ao dono,
também sem compensação das despesas.
Art. 1.397. As crias dos animais pertencem ao usufrutuário, deduzidas quantas bastem para inteirar as
cabeças de gado existentes ao começar o usufruto.
Art. 1.398. Os frutos civis, vencidos na data inicial do usufruto, pertencem ao proprietário, e ao
usufrutuário os vencidos na data em que cessa o usufruto.
Art. 1.399. O usufrutuário pode usufruir em pessoa, ou mediante arrendamento, o prédio, mas não mudar-
lhe a destinação econômica, sem expressa autorização do proprietário”
Deveres do usufrutuário:
“Art. 1.400. O usufrutuário, antes de assumir o usufruto, inventariará, à sua custa, os bens que receber,
determinando o estado em que se acham, e dará caução, fidejussória ou real, se lhe exigir o dono, de velar-
lhes pela conservação, e entregá-los findo o usufruto.
Parágrafo único. Não é obrigado à caução o doador que se reservar o usufruto da coisa doada.
OBS.: estando o usufrutuário impossibilitado de dar caução suficiente perderá o direito de administrar o
usufruto; e, neste caso, os bens serão administrados pelo proprietário, que ficará obrigado, mediante
caução, a entregar ao usufrutuário o rendimento deles, deduzidas as despesas de administração, entre as
quais se incluirá a quantia fixada pelo juiz como remuneração do administrador.
- O usufrutuário não é obrigado a pagar as deteriorações resultantes do exercício regular do usufruto.

Art. 1.403 Incumbem ao usufrutuário:


I - as despesas ordinárias de conservação dos bens no estado em que os recebeu;
II - as prestações e os tributos devidos pela posse ou rendimento da coisa usufruída.

Art. 1.405. Se o usufruto recair num patrimônio, ou parte deste, será o usufrutuário obrigado aos juros da
dívida que onerar o patrimônio ou a parte dele.
Art. 1.406. O usufrutuário é obrigado a dar ciência ao dono de qualquer lesão produzida contra a posse da
coisa, ou os direitos deste.
- SEGURO: Se a coisa estiver segurada, incumbe ao usufrutuário pagar, durante o usufruto, as
contribuições do seguro. Já se o usufrutuário fizer o seguro, ao proprietário caberá o direito dele resultante
contra o segurador. Em qualquer hipótese, o direito do usufrutuário fica sub-rogado no valor da
indenização do seguro.

Deveres do nu-proprietário:
Art. 1.404. Incumbem ao dono as reparações extraordinárias e as que não forem de custo módico; mas o
usufrutuário lhe pagará os juros do capital despendido com as que forem necessárias à conservação, ou
aumentarem o rendimento da coisa usufruída.
§ 1 o Não se consideram módicas as despesas superiores a dois terços do líquido rendimento em um ano.
§ 2 o Se o dono não fizer as reparações a que está obrigado, e que são indispensáveis à conservação da
coisa, o usufrutuário pode realizá-las, cobrando daquele a importância despendida.

- SEGURO: Se o usufrutuário fizer o seguro, ao proprietário caberá o direito dele resultante contra o
segurador. Em qualquer hipótese, o direito do usufrutuário fica sub-rogado no valor da indenização do
seguro.
Destruição do prédio: Se um edifício sujeito a usufruto for destruído sem culpa do proprietário, não será
este obrigado a reconstruí-lo, nem o usufruto se restabelecerá, se o proprietário reconstruir à sua custa o
prédio; mas se a indenização do seguro for aplicada à reconstrução do prédio, restabelecer-se-á o usufruto.
Também fica sub-rogada no ônus do usufruto, em lugar do prédio, a indenização paga, se ele for
desapropriado, ou a importância do dano, ressarcido pelo terceiro responsável no caso de danificação ou
perda.
Transmissão: Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode ceder-se por
título gratuito ou oneroso
Extinção do usufruto: extingue-se, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de Imóveis:
I - pela renúncia ou morte do usufrutuário;
II - pelo termo de sua duração;
III - pela extinção da pessoa jurídica, em favor de quem o usufruto foi constituído, ou, se ela
perdurar, pelo decurso de 30 anos da data em que se começou a exercer;
IV - pela cessação do motivo de que se origina;
V - pela destruição da coisa, guardadas as disposições dos arts. 1.407, 1.408, 2ª parte, e 1.409;
VI - pela consolidação;
VII - por culpa do usufrutuário, quando aliena, deteriora, ou deixa arruinar os bens, não lhes
acudindo com os reparos de conservação, ou quando, no usufruto de títulos de crédito, não dá às
importâncias recebidas a aplicação prevista no parágrafo único do art. 1.395;
VIII - Pelo não uso, ou não fruição, da coisa em que o usufruto recai (arts. 1.390 e 1.399).
Art. 1.411. Constituído o usufruto em favor de duas ou mais pessoas, extinguir-se-á a parte em
relação a cada uma das que falecerem, salvo se, por estipulação expressa, o quinhão desses couber
ao sobrevivente.

9.7. USO:
Consiste na faculdade do proprietário de permitir o uso da coisa (imóvel ou móvel, devendo ser infungível)
a terceiros.
Trata-se, portanto, de modalidade de usufruto de menor âmbito (usufruto anão) Enquanto o usufrutuário
tem o ius utendi et fruendi, o usuário tem apenas o ius utendi, ou seja, o simples direito de usar da coisa
alheia. Ao contrário do que possa parecer, o titular do direito de uso pode usar e também fruir, ou seja,
receber os frutos que a coisa produz.
Sujeitos: proprietário e usuário
Modalidades especiais: concessão de uso especial para fins de moradia, concessão de direito real de uso
Direitos do usuário: O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos, quanto o exigirem as necessidades
suas e de sua família.
- Avaliar-se-ão as necessidades pessoais do usuário conforme a sua condição social e o lugar onde viver.
- As necessidades da família do usuário compreendem as de seu cônjuge, dos filhos solteiros e das pessoas
de seu serviço doméstico.
Direitos, deveres e extinção: São aplicáveis ao uso, no que não for contrário à sua natureza, as disposições
relativas ao usufruto.
Extinção:
- com o falecimento do usuário, pois este direito real possuí natureza personalíssima, então infere-se
logicamente que o ordenamento não admite a transmissão de tal direito na sucessão.
- se resta por resolvido o termo de duração estabelecido no ato constitutivo, exceto se o usuário vier a
falecer antes.
- se cessar o motivo que a originou ou quando não mais se verifica a situação de necessidade do usuário

9.8. HABITAÇÃO
Direito em que o proprietário confere a um terceiro, denominado habitante, o direito de habitar o imóvel
a seu favor e de sua família. O art. 1414, do Código Civil, deixa evidente o caráter personalíssimo do
instituto, não sendo possível ceder o direito a terceiros, eis que o instituto visa à moradia específica do
beneficiado. Dessa forma, não é admissível o direito real de habitação de segundo grau, ou seja, que o
HABITANTE institua um benefício semelhante em favor de terceiro. 
+ é possível o direito real de habitação simultâneo, isto é, a possibilidade de o PROPRIETÁRIO instituir o
direito real de habitação em favor de mais de uma pessoa.
ATENÇÃO: Se o direito real de habitação for conferido a mais de uma pessoa, qualquer delas que sozinha
habite a casa não terá de pagar aluguel à outra, ou às outras, mas não as pode inibir de exercerem,
querendo, o direito, que também lhes compete, de habitá-la.

Caráter: Não existe direito real de habitação presumido ou tácito, assim como não existe renúncia
presumida ou tácita.
O fato de não ter sido requerido o direito no feito do inventário não implica em sua configuração, mas
também, por outro lado, não implica em sua renúncia. Tanto que pode vir a ser requerido, se o for
tempestivamente, mesmo depois de concluído o inventário. Por se tratar de direito real sobre coisa alheia,
não há direito se não estiver estabelecido e registrado na matrícula do imóvel.
Uma vez estabelecido o direito real de habitação, ele retroage ao momento da morte do autor da herança,
de tal forma que, desde o óbito, o titular do direito à habitação já o detinha, mesmo que não tivesse
exercido, para que assim se dê o perfeito cumprimento ao Princípio da Saisine.
No procedimento sucessório: não havendo a sua concretização de forma automática e instantânea.
Devendo ser requerido pelo seu detentor nos autos do processo de inventário. Deve, após concluído o
inventário e registrados os formais de partilha, constar expressamente da matrícula do Ofício Imobiliário.

Restrições: Quando o uso consistir no direito de habitar gratuitamente casa alheia, o titular deste direito
não a pode alugar, nem emprestar, mas simplesmente ocupá-la com sua família – não é transmissível.

São aplicáveis à habitação, no que não for contrário à sua natureza, as disposições relativas ao usufruto.

O reconhecimento do direito real de habitação, a que se refere o art. 1.831 do Código Civil, não pressupõe
a inexistência de outros bens no patrimônio do cônjuge/companheiro sobrevivente. Em outras palavras
mesmo que o cônjuge ou companheiro sobrevivente possua outros bens, ele terá direito real de
habitação. Isso se justifica porque o objetivo da lei é permitir que o cônjuge/companheiro sobrevivente
permaneça no mesmo imóvel familiar que residia ao tempo da morte como forma, não apenas de
concretizar o direito constitucional à moradia, mas também por razões de ordem humanitária e social, já
que não se pode negar a existência de vínculo afetivo e psicológico estabelecido pelos
cônjuges/companheiros com o imóvel em que, no transcurso de sua convivência, constituíram não
somente residência, mas um lar. STJ. 3ª Turma. REsp 1582178-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 11/09/2018 (Info 633).

#STJ Se o cônjuge sobrevivente casar novamente ou constituir uma união estável, ele perderá o direito real
de habitação? Ex: João era casado com Maria. Faleceu, deixando quatro filhos e, como herança, um único
apartamento, que estava em seu nome e onde morava com a esposa. Diante desse cenário, Maria passou a
ter direito real de habitação sobre o imóvel. Suponhamos que 10 anos após a morte de João, Maria
passou a viver em união estável com Pedro. Ela perderá o direito real de habitação sobre o imóvel? • Se a
morte do autor da herança ocorreu na vigência do CC/1916: SIM. A constituição de união estável
superveniente à abertura da sucessão, ocorrida na vigência do Código Civil de 1916, afasta o estado de
viuvez previsto como condição resolutiva do direito real de habitação do cônjuge supérstite. • Se a morte
do autor da herança ocorreu na vigência do CC/2002: NÃO (posição majoritária da doutrina). O Código
Civil de 1916 previa que o direito real de habitação seria extinto caso o cônjuge sobrevivente deixasse de
ser viúvo, ou seja, caso se casasse ou iniciasse uma união estável (art. 1.611, § 2º). Como o CC-2002 não
repetiu essa regra, entende-se que houve um silêncio eloquente e que não mais existe causa de extinção
do direito real de habitação em caso de novo casamento ou união estável. STJ. 3ª Turma. REsp 1.617.636-
DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 27/08/2019 (Info 655).

10. DIREITO REAL DA COISA ALHEIA DE GARANTIA


“direito real de garantia é o que confere a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor de bem
aplicado exclusivamente à sua satisfação. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida, por
estar vinculado determinado bem ao seu pagamento” – ORLANDO GOMES

Logo, são hipóteses de propriedade restrita ou limitada, diferenciando-se dos direitos reais de gozo ou
fruição pelo conteúdo e pela sua função.

ATENÇÃO
DIREITOS REAIS DE GARANTIA GARANTIAS PESSOAIS/FIDEJUSSÓRIAS
um bem garante a dívida por vínculo real e efeitos a dívida é garantida por uma pessoa, presentes
erga omnes (art. 1.419 do CC/2002); efeitos inter partes (ex.:fiança).
são os direitos reais que tem o objetivo de garantir Nas garantias pessoais o garantidor responde pelas
o cumprimento de uma obrigação vinculando a um obrigações com o seu patrimônio global,
bem determinado. sem a vinculação de um determinado bem

Direitos reais sobre a coisa alheia: penhor, hipoteca, anticrese


Direitos reais sobre a coisa própria: alienação fiduciária

10.1 CARACTERÍSTICAS:
a) Acessoriedade: os direitos reais de garantia seguem a sorte do principal (a obrigação garantida). Em
decorrência do princípio da gravitação jurídica (acessoriedade), se a obrigação for nula, nula também será
a garantia.
b) Sequela: o direito real de garantia acompanha o bem em caso de alienação gratuita ou onerosa, e
também na hipótese de transmissão sucessória, Obs.: se o bem for objeto de usucapião, a hipoteca
existente sobre o imóvel deixará de existir, pois surge um novo direito de propriedade (usucapião – forma
de aquisição originária da propriedade).

c) Indivisibilidade: o pagamento de uma ou mais prestações da dívida não importa exoneração


correspondente da garantia. O pagamento de parte da dívida não afeta em nada a garantia real dada,
ainda que compreenda vários bens (dados em garantia). Exceção: o contrato pode conter cláusula em
sentido contrário, prevendo a divisibilidade do direito.

d) Excussão: o credor hipotecário, pignoratício ou fiduciário tem o direito de promover a execução do bem
dado em garantia na hipótese de inadimplemento. O bem dado em garantia deve ser primeiro penhorado
e, depois, expropriado/excutido (hipoteca ou penhor). Na propriedade fiduciária não há penhora, pois como
o bem pertence ao credor fiduciário ele pode levá-lo a leilão extrajudicial (imóveis) ou à simples venda
amigável (bens móveis).
e) Direito de preferência: o credor hipotecário e o pignoratício têm preferência no pagamento a outros
credores quirografários (sem preferência). Obs.: A preferência estabelecida pelos direitos reais de garantia
não é absoluta, pois outros credores podem ter privilégios a frente (ex.: créditos trabalhistas).

F) Direito de retenção: o credor anticrético tem direito a reter em seu poder o bem enquanto a dívida não
for paga. Este direito será extinto se decorridos 15 anos da sua constituição (perempção da anticrese).

g) Pacto comissório: é a cláusula que autoriza o credor fiduciário, hipotecário, pignoratício ou anticrético a
ficar com o bem objeto da garantia em caso de inadimplemento. É totalmente proibido no Brasil, sem
exceção  A pena é de nulidade.
Obs.: Na alienação fiduciária/propriedade fiduciária, o credor fiduciário é obrigado a promover a venda do
bem (o bem já está com ele, só que ele vai vender para ficar com o valor correspondente a ele. O credor
fiduciário é obrigado a vender o bem – não pode simplesmente ficar com o bem – quitando a dívida do
devedor e restituindo o resto a ele).

10.2. PENHOR
É o direito real de garantia sobre coisa alheia constituído, em regra, através da transferência ao credor da
posse de um bem móvel ou mobilizável, suscetível de alienação.
- SUJEITOS: credor pignoratício e devedor pignoratício.
Ex.: eu deixo as jóias no banco até que seja quitada a dívida (transfere a posse do bem).

10.2.1 ESPÉCIES DE PENHOR


a. Penhor convencional: é aquele que decorre de acordo de vontades (contrato) entre as partes. O
penhor convencional pode ser de 2 tipos:
a.1) Penhor comum: o devedor entrega a posse do bem ao credor. Ex.: penhor de joias na CEF.
a.2) Penhor especial: é aquele que dispensa a transferência da posse dos bens ao credor. Ex.:
penhor rural, agrícola, pecuário, industrial e mercantil. Ex.: penhora as máquinas da fazenda –
tratores.

b. Penhor legal: é aquele constituído independentemente de manifestação de vontade do devedor.


Deriva de um ato de força do credor com fundamento na lei (arts. 1467 a 1462/CC). Ex.: o penhor dos
donos de hotéis sobre os bens móveis dos hóspedes. Isso também acontece com os restaurantes, em
que a pessoa não paga a conta e o dono do restaurante pode ficar com os bens móveis do devedor
(celular, relógio...).

10.2.2. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PENHOR


a. Instrumento: o penhor deve ser contratado por instrumento público ou particular. Se for feito por
instrumento particular deverá ser registrado no CRTD (regra).

b. Registro: o registro não tem natureza constitutiva do penhor, mas tão somente publicitária (o que
se busca através dessa publicidade é a oponibilidade erga omnes. O penhor não tem natureza
constitutiva, pois haverá esta com a tradição do bem móvel). Mesmo sem o registro do contrato é
possível executar o bem (só que o credor não terá oponibilidade erga omnes).

10.2.3 Direitos do credor pignoratício


a. Posse: o credor tem direito à posse da coisa empenhada enquanto a dívida não for paga em sua
integralidade. Ocorrendo o adimplemento, o bem deve ser constituído ao devedor.
b. Retenção: o credor pode reter o bem até ser ressarcido das despesas justificadas (ex.: conservação
do bem).
c. Vício: o credor também deve ser ressarcido pelos prejuízos resultantes de vício na coisa
empenhada. Ex.: uma doença no animal empenhado.
d. Execução dos bens: o credor pode promover a venda judicial ou até mesmo a venda amigável
(aquela venda extrajudicial sem leilão), caso expressamente autorizada no contrato.
e. Frutos: tem direito de apropriar-se dos frutos da coisa em seu poder, MAS TEM O DEVER de
imputar o valor dos frutos no valor da dívida. O credor pignoratício vai ficando com os frutos que
forem rendendo, e no final, vai abater no valor da dívida. Esses valores não são dele.

638-STJ: É abusiva a cláusula contratual que restringe a responsabilidade de instituição financeira pelos
danos decorrentes de roubo, furto ou extravio de bem entregue em garantia no âmbito de contrato de
penhor civil

#CDC: A parte celebrou contrato de mútuo com a instituição financeira e deu uma joia em penhor
como garantia do débito. Ocorre que a joia foi furtada de dentro do banco. Diante disso, o devedor
(mutuário) terá que pleitear indenização pelos prejuízos sofridos com o furto, sendo de 5 anos o
prazo prescricional para essa ação de ressarcimento. O furto das joias, objeto do penhor, constitui
falha do serviço prestado pela instituição financeira, devendo incidir o prazo prescricional de 5 anos
para a ação de indenização, conforme previsto no art. 27 do CDC. STJ. 4ª Turma. REsp 1.369.579-
PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/10/2017 (Info 616)

10.3. HIPOTECA
É um direito real de garantia que vincula um bem imóvel do devedor ou de terceiro ao cumprimento de
uma determinada obrigação. Ao contrário do que ocorre com o penhor (comum), a posse do bem
permanece com o devedor.

10.3.2 CONSTITUIÇÃO 
O contrato de hipoteca deve ser feito por escrito (SEMPRE).
Se o imóvel tiver valor superior a 30 S.M., deverá ser celebrado por escritura pública (art. 108, CC).
Se o proprietário do imóvel a ser hipotecado for casado será necessária a vênia conjugal (em regra).

Diversamente do que ocorre no penhor, na hipoteca o registro do contrato (CRI) é indispensável para que
exista o direito real de garantia. Sem registro, o credor não tem direito de preferência (preferir aos outros
credores quirografários) nem sequela (buscar o bem com quem quer que esteja).

10.3.3 OBJETO DA HIPOTECA 


Além da propriedade dos imóveis, podem ser objeto de hipoteca outros direitos e até mesmo a
propriedade de alguns bens móveis. Ex.: navios e aeronaves (art. 1473/CC).

10.3.4 MODALIDADES DE HIPOTECA


a. Hipoteca convencional: é aquela que decorre de manifestação de vontade das partes.
b. Hipoteca legal (art 1489/CC): é aquela imposta por lei na proteção de determinadas pessoas. 
c. Hipoteca judicial: está prevista no art. 495 do NCPC e surge do registro da sentença que condena o
réu ao pagamento de dinheiro ou outro bem.

A hipoteca de navio registrada no país de nacionalidade da embarcação tem eficácia extraterritorial,


alcançando o âmbito interno nacional. Ex: navio de nacionalidade liberiana foi hipotecado na Libéria; essa
hipoteca produz efeitos aqui no Brasil, inclusive nas execuções propostas contra a empresa proprietária do
navio e que gerem a penhora dessa embarcação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.705.222-SP, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 16/11/2017 (Info 618).

(...) Diante disso, a empresa Habitac Crédito Imobiliário S.A. ajuizou ação de obrigação de fazer contra João
pedindo que ele fosse condenado a reformar a casa a fim de deixá-la dentro dos padrões previstos no
contrato. O STJ afirmou que a credora hipotecária tem interesse de agir para propor esta ação. Isso
porque ela tem interesse jurídico na valorização do bem dado em garantia. Se o devedor não pagar a
dívida, o bem dado em hipoteca será alienado. Logo, o credor hipotecário tem interesse em que o imóvel
seja construído de acordo com os padrões estabelecidos para o loteamento a fim de que ele se mantenha
valioso e, em caso de inadimplemento, possa ser vendido por um bom preço, pagando a dívida. STJ. 1ª
Turma. REsp 1.400.607-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17/05/2018 (Info 628).

Em ação de execução hipotecária, o credor hipotecário pode requerer a adjudicação do imóvel


penhorado pelo valor constante do laudo de avaliação, independentemente da realização de hasta
pública. STJ. 3ª Turma. REsp 1.721.731-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/11/2018
(Info 640)

10.4. ANTICRESE
É o direito real de garantia sobre coisa alheia pelo qual o devedor ou terceiro garantidor cede os frutos
produzidos por um bem imóvel como forma de pagamento da dívida. Aqui explora economicamente o
bem até o pagamento da dívida. Ex.: aluguel do imóvel. 
Obs.: o direito de anticrese é constituído a partir do contrato do CRI.

10.2 PRINCIPAIS REGRAS

a. Pluralidade de garantias: o bem dado em anticrese PODE ser objeto de hipoteca, assim como o
bem hipotecado também pode ser objeto de anticrese. Não tem ordem: pode constituir primeiro a
anticrese e depois a hipoteca e vice-versa.

b. Administração do bem: o credor anticrético pode administrar os bens dados em anticrese, gozando
dos frutos e produtos (ele faz seus os frutos e produtos). Deverá prestar contas anualmente, enquanto
vai gozando dos frutos e vai abatendo do valor da dívida.

c. Responsabilidade: o credor tem responsabilidade pela deterioração ou destruição da coisa se


tiver agido, ou deixado de agir, culposamente. Isso também vale para os frutos.

d. Preferência: o credor anticrético tem preferência sobre os credores quirografários e sobre os


hipotecários posteriores ao registro da anticrese (se primeiro foi constituída a anticrese e depois a
hipoteca).

e. Resgate do bem: o adquirente dos bens dados em anticrese poderá remi-los antes do vencimento
da dívida pagando a sua totalidade na data do pedido de remição.

10.5. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA


D. real de garantia sobre coisa própria, com tratamento em leis esparsas. Consistindo:
“A alienação fiduciária em garantia é um contrato instrumental em que uma das partes, em confiança,
aliena a outra a propriedade de um determinado bem, ficando esta parte (uma instituição financeira, em
regra) obrigada a devolver àquela o bem que lhe foi alienado quando verificada a ocorrência de
determinado fato.” (RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial Esquematizado. São Paulo:
Método, 2012)

Espécies:
1. alienação de bens moveis no mercado financeiro – Lei n.º 4.728/65 e Dec-lei 911/1969
2. alienação de bens móveis quando o credor fid. for pessoa nat. ou juríd.- CC/02 (arts. 1.361 a 1.368-B)
3. alienação de bens imóveis - Lei 9.514/1997.

+ A LEI Nº 13.874, DE 20 DE SETEMBRO DE 2019 - inclui tratamento do fundo de investimento nos novos
dentro do Livro de Direito das Coisas e do capítulo da propriedade fiduciária (críticas doutrinárias)

Dos procedimentos
a) Alienação fiduciária no âmbito do mercado financeiro e de capitais – DL 911/69
b) Alienação de bens móveis quando o credor fiduciário for pessoa nat. ou juríd.
c) Alienação de bens imóveis

11. DIREITO REAL DE AQUISIÇÃO

Promessa irretratável de compra e venda


Direito de preferência (não unânime)

 DA RESPONSABILIDADE CIVIL

Responsabilidade civil é a OBRIGAÇÃO que incumbe a uma pessoa de ter de REPARAR os danos causados
a outra, ou seja, é o fenômeno jurídico que propicia ao credor de uma obrigação por ato ilícito buscar
ressarcimento junto ao patrimônio do devedor.
 RESPONSABILIDADE CIVIL deriva de uma violação de uma norma jurídica preexistente, impondo ao
infrator a obrigação de indenizar. A depender da natureza da norma jurídica violada, a obrigação pode ser
CONTRATUAL OU EXTRACONTRATUAL (responsabilidade aquiliana).

- Evolução histórica:
Responsabilidade no final do milênio: da culpa e do risco ao dano lícito: no século XIX vigia o
entendimento de que a obrigação de reparar nascia da culpa.
Na segunda metade do século XX chegou-se à conclusão de que o fundamento da responsabilidade residia
na quebra do equilíbrio econômico e jurídico causado pelo dano, decorrente de ato culposo ou do risco.
Ou seja, verificou-se que a culpa não era o único fundamento da responsabilidade civil, havendo as
atividades de risco que também poderiam gerar reparação independentemente de ação voluntária, culposa
ou dolosa.
Por fim, chega-se ao entendimento de que ao lado do dano ilícito, proveniente de ação contrária ao
direito, há a responsabilidade civil pelo dano lícito. É a figura do dano tolerado, em que a ordem pública
permite que o interesse de um venha sobrepor-se ao interesse do outro, impondo, a despeito disso, o
dever de indenizar o prejudicado.

- Causalidade jurídica: norma, fato jurídico e consequência


Para a compreensão da estrutura da responsabilidade civil é de fundamental importância entender o
seguinte mecanismo sequencial: norma que prevê o dano; o fato jurídico antecedente (ato ilícito, fato
ilícito stricto sensu, ato-fato ilícito ou ato lícito ou ato-fato lícito); o dano, que é o fato jurídico
consequente; a EFICÁCIA JURÍDICA ANEXA, que é a responsabilidade civil (relação jurídica obrigacional); e
a EFICÁCIA JURÍDICA REFLEXA, que é o ressarcimento do dano.

 Do ato ilícito e abuso de direito:


Quanto à origem, há duas modalidades de responsabilidade civil: contratual e extracontratual
Obs.: a tendência legislativa é de superar essa divisão, unificando a responsabilidade civil. Uma prova
disso é o CDC, a legislação ambiental, a lei anticorrupção (responsabilidade objetiva dos agentes). Neles
não importa se é ato ilícito ou abuso de direito.

Responsabilidade civil contratual ou negocial Responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana


É o inadimplemento de uma obrigação. Está nos artigos art. Responsabilidade que tem origem na VIOLAÇÃO DE UM
389, 390 e 391. DEVER GERAL DE ABSTENÇÃO pertinente aos direitos
ATENÇÃO: em caso de inadimplemento não se utiliza o art. 186 reais ou de personalidade. É FUNDADA NO “NEMINEN
do CC. É um erro comum em peças jurídicas falar em LAEDERE”, dever apriorístico imposto a todos de não
responsabilidade civil com base no art. 186 quando há causar danos a outrem
descumprimento de um contrato.

- Ônus da prova: basta comprovar o INADIMPLEMENTO. - Ônus da prova: há necessidade de demonstrar o DANO
- Mora: mora é automática (mora ex re). + CONDUTA CULPOSA (em regra) + NEXO DE
CAUSALIDADE.
- Mora: não é automática (mora ex persona).

obs.: É possível responsabilizar o relativamente incapaz que mentiu sobre a sua idade induzindo em
erro o outro contratante (Responsabilidade contratual).

A) DO ATO ILÍCITO
ATO ILÍCITO CIVIL = VIOLAÇÃO DE UM DIRETO + DANO.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Logo, o art. 186 adotou um modelo culposo da responsabilidade subjetiva, por tratar de dolo e culpa.

ATENÇÃO: risco de dano. Há a discussão se o simples risco de dano configuraria o ato ilícito. Ministra
Nancy julgou caso da coca-cola e asseverou que o simples risco poderia sim gerar dano. Mas, a priori,
sem dano não há ilícito civil nem dever de indenizar. Art. 927, caput (quem causa dano tem o dever de
indenizar). Ex1.: sujeito que dirige bêbado, mas não bateu ninguém; ex2.: adultério ou infidelidade, por
si só, não é ilícito civil. Se o cara tinha outra família com cinco filhos (aí já se pode discutir).

B) DO ABUSO DE DIREITO
ABUSO DE (DO) DIREITO + DANO.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente
os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

É o exercício irregular ou imoderado de um direito, que tem 3 parâmetros de configuração:


função social e econômica, boa-fé e bons costumes.
O abuso de direito é lícito quanto ao conteúdo e ilícito quanto às consequências (Rubens Limongi
França), por isso que é ato ilícito impuro. A ilicitude está na forma de execução do ato.

Enunciado 37 da I Jornada de Direito Civil de 2002 – a responsabilidade civil decorrente de abuso de


direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo – finalístico (ou seja, não
interessa a intenção e sim o desrespeito às finalidades ou funções). É, portanto, responsabilidade
objetiva.

! - Publicidade abusiva = publicidade antissocial (art. 37 CDC), abuso no processo (art. 79 e 80


CPC/2015), abuso no exercício da propriedade (ato emulativo – ato de provocação do vizinho. Art.
1228, §2º e art. 1277 (apesar de falar da intenção, ela é dispensada) – trata do uso anormal da
propriedade nas relações entre os vizinhos, com a consagração da regra dos 3S – segurança, sossego e
saúde), abuso de direito de greve e abuso de direito nos contratos de trabalho.

 ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL


DOLO OU CULPA + NEXO DE CAUSALIDADE + DANO

Fato antecedente: a AÇÃO ou OMISSÃO do agente, lícita (abuso de direito) ou ilícita, a atividade de risco
ou, excepcionalmente, o caso fortuito e a força maior, constituem fatos antecedentes geradores do dano;

Dano: é o fato jurídico gerador da responsabilidade civil;


Nexo causal: é a relação de CAUSA E EFEITO entre o fato do agente e o resultado do dano, ou seja, o fato
antecedente constitui a causa do efeito do dano.

Imputabilidade: é a ATRIBUIÇÃO de poder ou dever a alguém para RESPONDER por determinado fato
jurídico. No campo da responsabilidade civil é a APTIDÃO para ser sujeito do dever de reparação. De modo
geral, a imputação do dever de reparar recai sobre o causador do dano; porém, excepcionalmente, a lei
atribui a um terceiro o dever de ressarcir o fato danoso, como na hipótese do art. 932, do NCC, que trata da
responsabilidade por fato de terceiros.

OBS.: Imputação subsidiária: é a hipótese prevista no art. 928 do NCC:


“O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação
de o fazer ou não dispuserem de meios suficientes. Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo,
que deverá ser equitativa, não terá lugar se ela privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele
dependem.”

Obs.: para uma parcela moderna da doutrina (Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona), a culpa genérica
(elemento subjetivo) seria um ELEMENTO ACIDENTAL da responsabilidade civil, sobretudo em virtude da
outra espécie de responsabilidade que prescinde da mesma, qual seja, da responsabilidade objetiva.

CONDUTA Ação ou omissão Espécies: Ato próprio ou ato responsabilização do


HUMANA (dever de agir)de terceiro (filho, coisa, incapaz: caso os pais não
empresado, hospede, animal) tenha patrim.,
– OBS.: art. 936 indenização equitativa
DOLO E CULPA Regra: Subjetiva Espécies: a) Culpa in vigilando = a culpa concor
1.Culpa lato sensu (dolo e vigilância. Ex.: filho o fato conc
NÃO HÁ DIFERENÇA culpa) b) Culpa in elegendo = na vítima são ad
entre o comport.
+ culpa in concreto: baseia-se escolha. Ex.: escolha do como atenuan
doloso e o culposo,
porque o objetivo da no caso OU culpa in abstrato: empregado. nexo de caus
indenização NÃO é a baseia-se no homem médio c) Culpa in custodiendo = na respon
punição. O legislador 2.Culpa stricto sensu: na custódia de um objetiva, condu
não faz diferença (na Violação de padrão de conduta
esfera civil)
animal. redução equita
(imprud., neglig. e imperícia)
indenização.
NEXO DE Relação entre Causas excludentes: Prevalece a teoria do Obs. caso fortu
CAUSALIDADE conduta e dano Da causalidade: fato da dano direto e imediato força maior:
Responsabilidades: vítima, de 3º, caso fortuito e art. 403 do CC. Mas há Eventos extern
Subjetiva (análise força maior casos de teoria da excluem a resp
de culpa) Da imputabilidade: menorid. causalidade adequada eventos intern
Objetiva (sem e alienação mental + concausas: dentro do risco
análise de culpa) Da ilicitude: cump. do dever Ordinária/comum: resp. negócio, não e
Espécies: Simples legal, exerc. reg. de direito, solidária – art. 942 CC a respons. Civi
(pode ser afastada) leg. Defesa, anuência da Acumulativa: independ. +
Agravada (risco int., vítima e cláusula de não das condutas -> Respons.
ñ pode ser afastada) indenizar (só p/ D. disponível) proporcional
Alternativa/disjuntiva:
resp. somente do ofensor
DANO OU Viola direito alheio Atualidade + subsistência do DANO REFLEXO/ INDIR./ + art. 94
PREJUIZO E causa prejuízo. dano + certeza do dano EM RICOCHETE: atinge Danos emerge
(exigível) indiretamente pessoa que foi perdido
Espécies: que não foi a vítima Lucros cessant
Materiais, morais, estéticos, principal do ato ilícito, que deixou de
morais coletivos, difusos e sendo indenizável, desde
sociais e por perda de uma que seja demonstrado o
chance. prejuízo à VÍT. INDIRETA.
Súmula 37, STJ: São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.
Súmula 227, STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
RESP 1.258.398-PA: não há a possibilidade de se conceder danos morais para pessoas jurídicas de direito publico
Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa co
econômicos ou comerciais
A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgação de imagem vinculada a fato histórico de repercussão so

OBSERVAÇÕES:
- RESPONSABILIDADE OBJETIVA SIMPLES – possibilidade de afastamento da responsabilidade.

- RESPONSABILIDADE OBJETIVA AGRAVADA (RISCO INTEGRAL) – não haverá afastamento da


responsabilidade.
⮲HIPÓTESES: 
 DANO AMBIENTAL;
 DANO NUCLEAR;
 DANO EM ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO COBERTO PELO DPVAT;
 DANO NO ACIDENTE DE TRABALHO.
- nesse caso o nexo é denominado de NEXO DE ATRIBUIÇÃO.
- fundamento: necessidade da SOLIDARIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE.

Culpa presumida Responsabilidade objetiva


Responsabilidade subjetiva Objetiva
Se o réu provar que não teve culpa, ele não
Mesmo sem culpa ele responde.
responde.
Para não responder, deve provar a ausência de
-
nexo.

Obs.: Graduação da culpa e valor indenizatório (quantum debeatur). Arts. 944 e 945. 
 Dolo ou culpa grave = reparação integral. 
 Culpa leve ou levíssima = redução equitativa da indenização.
 Culpa, fato ou risco concorrente da vítima (contribuição causal da vítima) = redução equitativa.

GRAU DE CULPA é a medida de acordo com a gravidade/intensidade da desídia. Tanto a doutrina quanto
a jurisprudência tendem a equiparar a CULPA GRAVE e o DOLO, trata-se de uma desídia severa, fora do
comum. Nesse caso, há reparação integral (assim como na hipótese de dolo), desde que não haja culpa
concorrente da vítima ou de terceiro. Conclui-se, então, que a indenização será fixada de acordo com o
GRAU DE CULPA, de modo que o dolo (que tem o mesmo tratamento que a culpa grave/gravíssima) leva
à reparação integral.
Logo, vigora o princípio da reparação integral, ou seja, a indenização mede-se pela extensão do dano (art.
944, Código Civil, caput). Existe, no entanto, uma exceção, prevista no parágrafo único, que a doutrina aduz
que consiste na teoria do inferno da severidade:
CC- Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz
reduzir, equitativamente, a indenização.
+ o art. 945 do CC não impede a aplicação da causalidade adequada, nada mais significa que o valor da
indenização deve ser adequado às condutas dos envolvidos.
O grau de culpa é assaz relevante ao domínio do dano moral, tendo em vista que não há propriamente
um ressarcimento no sentido estrito, mas uma reparação (compensação satisfativa).

Art. 951 –> a responsabilidade civil dos profissionais liberais da área da saúde, em regra, é subjetiva (ex.:
médico, enfermeiro, dentista). Como exceção, há a teoria do Demogue, que hoje é muito criticada na
doutrina brasileira, mas que é muito adotada pelo STJ (foi trazida por Washington de Barros Monteiro). Ela
diz que quando houver obrigação de resultado, haverá culpa presumida ou mesmo responsabilidade
objetiva.
Ex.: O exame ultrassonográfico para controle de gravidez implica obrigação de resultado. Dano material e
moral. Disse que eram gêmeos e, na verdade, tratava-se de apenas um bebê. STJ.
Ex.: Cirurgia plástica estética (reparadora não) – obrigação de resultado. Trata-se de culpa presumida
(responsabilidade é subjetiva). STJ.
O art. 951 do atual Código é o que regulamenta a responsabilidade subjetiva dos profissionais liberais da
área da saúde em geral – médicos, dentistas, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, entre outros –,
prevendo que as regras anteriores aplicam-se “no caso de indenização devida por aquele que, no exercício
de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-
lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho”. Em relação ao profissional que presta serviços a
consumidor, a responsabilidade subjetiva está consagrada no art. 14, §4º, da Lei 8.078/1990, o que
constitui exceção à regra geral da responsabilização objetiva prevista no CDC. Segundo o entendimento
majoritário, caso o profissional de saúde assuma uma obrigação de resultado, como no caso do médico
cirurgião plástico estético, a sua responsabilidade é objetiva, ou seja, independe de culpa (STJ, REsp.
81.101/PR, Rel. Min. Waldemar Zveiter, 3ª Turma, j. 13.04.1999, p.140). No caso do médico cirurgião
plástico reparador, bem como dos demais médicos e profissionais em geral, a obrigação é de meio ou de
diligência e a premissa da sua responsabilização é a prova da culpa (responsabilidade subjetiva).

Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras reparações:
I – DANOS EMERGENTES no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da
família;
II – LUCROS CESSANTES (alimentos indenizatórios ou reparatórios – são devido aos dependentes do de
cujus) na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração
provável da vida da vítima (conforme a tabela do IBGE).

Como calcula? Prova de sentença = Pega quanto o sujeito ganhava (3.000,00). 2/3 para gastar com a
família por mês. Calcula somando com 13º, FGTS, férias, horas extras. Multiplica esse valor pelos anos
que ele iria viver – morreu com 44. Viveria até 74 (IBGE) = 30 anos x o valor achado.
OBS.: Eventualmente, se a vítima faleceu após a idade limite de vida provável, faz-se um cálculo de
sobrevida, de acordo com as suas condições gerais, que pode variar de dois a cinco anos, ou até mais

- DEFINIÇÃO DA INDENIZAÇÃO EM CASO DE MORTE:


Sem excluir outras reparações (e.g.: danos morais), a indenização consiste em (art. 948 do cc):
i) pagamento das despesas com tratamento da vítima, funeral e o luto da família;
ii) prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, considerando a sua expectativa de vida.

MORTE DE FILHO MORTE DE PAIS


a jurisprudência entende que ainda que o filho fosse menor Legitimados: o art. 948, II (PENSÃO ALIMENTÍCIA) traz
de idade, e não exercesse trabalho remunerado, será DEVIDA hipótese de DEPENDÊNCIA ECONÔMICA PRESUMIDA, para
a INDENIZAÇÃO. os demais haverá a necessidade de se provar a
SÚMULA 491, STF: É indenizável o acidente que cause a morte de dependência.
filho menor, ainda que não exerça trabalho remunerado.  OBS.: se a vítima não tinha ganho fixo ou não foi possível
prová-lo: indeniz. será arbitrada no valor de 1 SM.

Surge a discussão de quando seria o INÍCIO DA CONTAGEM, Vida média para efeitos de arbitramento de pensão
havendo entendimento pela idade de 14 ANOS, idade que o alimentícia: ENTRE 65 E 70 ANOS.
ordenamento constitucional permite o trabalho como se o morto tiver mais de 70 anos: presunção de uma
aprendiz (ART. 7º, XXXIII, CF/88) sobrevida de 5 anos.
obs.: precedente isolado pelos 18 anos – STJ
Termo final: quando a VÍTIMA atingiria 65 ANOS, ou a CESSA AOS 25 ANOS. (recebem até terminar o curso
SOBREVIDA daqueles a serem indenizados. superior)
Valor devido Valor devido
(i) Até os 25 anos: 2/3 do SALÁRIO PERCEBIDO ou do salário
mínimo (se não houver remuneração).
(ii) Após os 25 anos: 1/3 do SALÁRIO PERCEBIDO ou do SM. ⇨
entend. de que a partir dessa idade o indivíduo constituiria
sua família, passando a contribuir menos para a renda familiar

Observações sobre alimentos indenizatórios:


- Não cabe prisão
- São cumuláveis com a indenização acidentária (INSS).
- Cabem no caso de morte de filho menor que não trabalhava, somente no caso de famílias de baixa
renda. Súmula 491 STF. Como calcula aqui? Prova de sentença. 2/3 do que ele ganharia dos 14 aos 25 anos
+ 1/3 dos 25 até idade em que os pais morrerem.
- Pode ser pago mês a mês ou de uma vez. É uma faculdade. STJ esse ano decidiu que tem que ser mês a
mês.

 Lucros cessantes: Perda da capacidade laborativa. Art. 950.


Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe
diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da
convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação
que ele sofreu.
Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez.

Nos casos de responsabilidade civil derivada de incapacitação para o trabalho (art. 950 do CC), a vítima não
tem o direito absoluto de que a indenização por danos materiais fixada em forma de pensão seja arbitrada
e paga de uma só vez. O juiz é autorizado a avaliar, em cada caso concreto, se é conveniente ou não a
aplicação da regra que estipula a parcela única (art. 950, parágrafo único, do CC), STJ. 3ª Turma. REsp
1.349.968-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 14/4/2015 (Info 561).

Critério para definir a extensão do dano patrimonial:


TEORIA DA DIFERENÇA – Trata-se de critério para a definição do valor da indenização devida:
"Tradicionalmente, define-se dano patrimonial como a diferença entre o que se tem e o que se teria, não
fosse o evento danoso. A assim chamada ‘Teoria da Diferença’, devida à reelaboração de Friedrich
Mommsen, converteu o dano numa dimensão matemática e, portanto, objetiva e facilmente calculável"
(Maria Celina Bodin, 2003, p. 143).

 Dos danos ou prejuízos

MATERIAIS MORAIS ESTÉTICOS MORAIS SOCIAIS/ DIFUSOS PERDA DE UMA


COLETIVOS CHANCE
Lesão a Lesão ao direito da Uma alteração É aquele que atinge Aqueles que causam um Alguém praticando
bens personalidade. Próprio: morfológica da vários direitos da rebaixamento do nível um ato ilícito,
materiais sentimentos do indiv. OU pessoa nat., tendo personalidade ao de vida da coletiv., ocasionou que
Improprio/amplo: se for como parâmetro a mesmo tempo, relacionados a condutas outrem perdesse
qualquer outra lesão aos medicina estética. sendo as vítimas socialmente reprovadas uma oportunidade
dir. da personalidade Ex.: deformação cognoscíveis ou deixou de evitar
um prejuízo
Pessoa pessoa natural e jurídica Pessoa natural vítimas identificadas Vítimas indeterminadas Vitima determinada
natural e (quanto a honra obj.) (vários direitos da e indetermináveis
jurídica obs.: Postulação pelo personalidade) Obs.: Toda a sociedade
legitim. do art. 12 CC é atingida
A pessoa jurídica deve Entende-se que o A indenização é A indenização é O dano deve ser
comprovar o dano sofrido dano é presumido. destinada para as revertida para fundo de real, atual e certo,
p/ a indenização (dano in re ipsa) vítimas proteção ou inst. de dentro de um juizo
caridade de possibilidade
(real)
Quanto a necessidade de Natureza: direitos Nat. do dano:
prova: subjetivo ou individ. Homog. ou Intermediário entre
objetivo (in re ipsa) col. Em sentido o lucro cessante e o
estrito emergente- 3ª GER.
Podendo ser direto ou Pode ser reconhecida
indireto/ricochete de oficio pelo juiz
vedação ao (extrapatrimoniais)
enriquecimento ilícito

Em síntese, é possível dividir o dano moral coletivo em dano moral difuso (quando não individualizáveis os
lesados, devendo a indenização reverter para um Fundo), dano moral coletivo (de certa categoria) e dano
moral individual homogêneo (quando individualizáveis os lesados, em futura liquidação de sentença).

Obs.: dano existencial: dano a projeto de vida

DANO À IMAGEM [art. 20 e seu parágrafo único] – o uso indevido da imagem pode acarretar:
⇨ DANO MATERIAL: sempre que houver EXPLORAÇÃO ECONÔMICA SEM AUTORIZAÇÃO;
⇨DANO MORAL: se a imagem for utilizada de forma HUMILHANTE e VEXATÓRIA.
A imagem não é um bem absoluto. Não haverá direito de indenização no caso de foto de uma pessoa no
contexto da imagem publicada no jornal.

Valor da indenização: não pode ser o mesmo que se obteria pela utilização autorizada.
Fundamento: o caráter sancionatório da indenização por dano moral.

Súmula 403, STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem
de pessoa com fins econômicos ou comerciais. Material ou moral?

DANOS MORAIS CAUSADOS PELA IMPRENSA – a imprensa não está obrigada a apurar a veracidade dos
fatos antes de divulgá-los, por conta da urgência da notícia, mas não pode violar a intimidade, a honra, a
imagem de outrem. Não pode agir SEM CUIDADO e nem COM SENSACIONALISMO.

 Quanto a reponsabilidade

SUBJETIVA OBJETIVA
REGRA DO CC EXCEÇÃO
O autor da ação tem o ônus de provar a culpa do réu O réu da ação tem o ônus de se isentar da culpa
Teoria da culpa Teoria do risco
Análise de conduta (dolo ou culpa) – ato ilícito Não há análise de culpa, sendo responsável mesmo que
por ato lícito, diante do risco da atividade
Elementos: conduta + nexo de causalidade + dano nexo de causalidade + dano
Risco integral: modalidade extremada, devendo haver
indenização mesmo quando não houver nexo causal
Risco mitigado: a respons. dependerá de requisito
legal, causalidade qualificada
Ex.: O CDC exige o defeito OU A responsabilização do
pai em relação ao filho exige que este esteja em seu
poder
Abuso de direito – art. 187 CC e responsabilidade civil
por atos de outrem – arts. 932 e 933

*#OUSESABER: A responsabilidade civil dos Titulares dos Cartórios é subjetiva?


Resposta: Correta. Antes do advento da Lei nº 13.286/2016, a responsabilidade civil dos notários e
registradores era tida por objetiva pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ou seja, não
dependia da existência do elemento subjetivo. Exemplo de precedente: "(...) A jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça tem assentado que o exercício de atividade notarial delegada (art. 236, § 1º, da CF/88)
deve se dar por conta e risco do delegatário, de modo que é do notário a responsabilidade objetiva por
danos resultantes dessa atividade delegada (art. 22 da Lei 8.935/1994), cabendo ao Estado apenas a
responsabilidade subsidiária. Precedentes do STJ e do STF. (...)" (STJ, 2ª Turma, AgRg no AREsp 474.524/PE,
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 06/05/2014). Com o advento da Lei nº 13.286/2016, o art. 22 da
Lei nº 8.935/94, passou a prever que os notários e registradores passarão a responder civilmente pelos
seus atos na modalidade subjetiva, senão vejamos a literalidade do dispositivo: "Art. 22. Os notários e
oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa
ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o
direito de regresso". É necessário lembrar que o titular da serventia extrajudicial responde de forma
principal e, caso não seja possível indenizar a vítima, o Estado responde de modo subsidiário. Nesse
sentido: STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1377074/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16/02/2016.

*#IMPORTANTE: A responsabilidade civil do incapaz pela reparação dos danos é subsidiária, condicional,
mitigada e equitativa. Os incapazes (ex.: filhos menores), quando praticarem atos que causem prejuízos,
terão responsabilidade subsidiária, condicional, mitigada e equitativa, nos termos do art. 928 do CC.
Subsidiária: porque apenas ocorrerá quando os seus genitores não tiverem meios para ressarcir a vítima.
Condicional e mitigada: porque não poderá ultrapassar o limite humanitário do patrimônio mínimo do
infante.
. Equitativa: tendo em vista que a indenização deverá ser equânime, sem a privação do mínimo necessário
para a sobrevivência digna do incapaz. A responsabilidade dos pais dos filhos menores será substitutiva,
exclusiva e não solidária. A vítima de um ato ilícito praticado por menor pode propor a ação somente
contra o pai do garoto, não sendo necessário incluir o adolescente no polo passivo. Em ação indenizatória
decorrente de ato ilícito, não há litisconsórcio necessário entre o genitor responsável pela reparação (art.
932, I, do CC) e o menor causador do dano. É possível, no entanto, que o autor, por sua opção e
liberalidade, tendo em conta que os direitos ou obrigações derivem do mesmo fundamento de fato ou de
direito, intente ação contra ambos – pai e filho –, formando-se um litisconsórcio facultativo e simples. Ex:
Lucas, 15 anos de idade, brincava com a arma de fogo de seu pai e, por imprudência, acabou acertando um
tiro em Vítor, que ficou ferido, mas sobreviveu. Vítor ajuizou ação de indenização por danos morais e
materiais contra João (pai de Lucas). Não era necessário que Vítor propusesse a ação contra João e Lucas,
em litisconsórcio. Vale a pena esclarecer, no entanto, que seria plenamente possível que o autor (vítima)
tivesse, por sua opção e liberalidade, ajuizado a ação contra ambos (pai e filho). Neste caso, teríamos uma
hipótese de litisconsórcio: facultativo e simples. Não há como afastar a responsabilização do pai do filho
menor simplesmente pelo fato de que ele não estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da
conduta. O art. 932 do CC prevê que os pais são responsáveis pela reparação civil em relação aos atos
praticados por seus filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. O art. 932, I do
CC, ao se referir à autoridade e companhia dos pais em relação aos filhos, quis explicitar o poder familiar (a
autoridade parental não se esgota na guarda), compreendendo um plexo de deveres, como proteção,
cuidado, educação, informação, afeto, dentre outros, independentemente da vigilância investigativa e
diária, sendo irrelevante a proximidade física no momento em que os menores venham a causar danos. Em
outras palavras, não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de
que ele não estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta. STJ. 4ª Turma. REsp
1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 2/2/2017 (Info 599). #NÃOCONFUNDIR: Obs.:
cuidado com o REsp 1.232.011-SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17/12/2015 (Info 575 –
acima citado), precedente em sentido um pouco diverso envolvendo uma mãe que morava em outra
cidade.
- Principais casos específicos de responsabilidade objetiva previstos em lei
a) Abuso de direito – art. 187 CC. Enunciado 37: a responsabilidade civil decorrente do abuso do direito
independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico.
b) Responsabilidade civil objetiva indireta ou por atos de outrem – art. 932 e 933.

Essa responsabilidade se bifurca em duas modalidades:


 RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO:
 RESPONSABILIDADE PELO FATO DA COISA E DO ANIMAL

De modo a ampliar o espectro de proteção da vítima, o legislador permite, em determinados casos (artigo
932), que seja responsabilizada, além do efetivo causador do dano, terceira pessoa. Em princípio, terá a
vítima o poder de escolher contra quem quer demandar: se contra o agente, se contra o terceiro ou se
contra ambos. Essa responsabilidade é restritiva porque atinge pessoa distinta daquela que praticou o ato
causador do dano

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:


I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que
lhes competir, ou em razão dele; (VINCULO DE SUBORDINAÇÃO + CULPA DO EMPREGADO)
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo
para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; (relação de onerodidade)
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.

Obs.: Regresso: O art. 934 assegura o direito de regresso do responsável contra o empregado culpado.
Exceção: ascendente não tem direito de regresso contra o descendente incapaz. O legislador considerou
essa ação regressiva como imoral. SALVO se o causador do dano for DESCENDENTE seu, absoluta ou
relativamente INCAPAZ. Se o empregado é descendente, o empregador, que é ascendente, pode voltar-se
contra o empregado, que por coincidência é seu descendente.

É preciso harmonizar o artigo 934 como artigo 928 (limitação da indenização do incapaz – subsidiariedade
da responsabilidade do incapaz), assim, se o agente responsável por ato próprio for incapaz, não cabe
regresso porque a sua responsabilidade é subsidiária e o incapaz restaria desprotegido com o regresso.

Obs.: Responsabilidade solidária. O artigo 942, parágrafo único estabelece que os casos do artigo 932 são
de responsabilidade solidária, ou seja, há uma opção de demanda.
Exceção = art. 928 que trata da responsabilidade civil subsidiária do incapaz. O incapaz só responde se os
responsáveis não tinham obrigação de fazê-lo ou se não dispuserem dos meios suficientes. A indenização
do incapaz deve ser equitativa para manter o patrimônio mínimo do incapaz e de seus descendentes.
 
Enunciado 40 – o incapaz responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou
excepcionalmente como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes que
praticarem atos infracionais nos termos do art. 116 do Estatuto da Criança e do Adolescente, no âmbito
das medidas sócio-educativas ali previstas.

ATENÇÃO: Enunciado 41– Art. 928: a única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do
menor de 18 anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5º, parágrafo único, inc. I, do
novo Código Civil. Se houve emancipação voluntária os pais respondem.
 ESPÉCIES DE RESPONSABILIDADE

 Responsabilidade pelo fato da coisa ou do animal


Uma pessoa será responsabilizada pelo FATO (acontecimento juridicamente relevante) da coisa. O
VÍNCULO da pessoa se estabelece pela sua RELAÇÃO DE PODER com a coisa. 

1. DONO OU DETENTOR DE ANIMAL

Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima
ou força maior. Jurisprudência e doutrina acrescentam culpa ou fato exclusivo de terceiro e caso fortuito.

Como justificar a responsabilidade objetiva por ato de animal: (1) A responsabilidade é objetiva, pois foi
retirada a excludente do máximo cuidado na guarda do animal (art. 1527, CC/16). Além disso, há
responsabilidade objetiva, pois (2) pode existir uma atividade de risco (art. 927, parágrafo único) e, por fim,
(3) a jurisprudência do STJ tem aplicado o CDC (responsabilidade objetiva) a muitos acidentes com animais.

A responsabilidade é do guardião, pela aplicação da TEORIA DA GUARDA, de origem francesa, ou seja, a


pessoa que detém poder de comando sobre o referido bem.

Essa responsabilidade agora passa a ser OBJETIVA, como se pode notar pelo artigo 936. Dentre as
excludentes (culpa da vítima ou força maior), não há menção ao CASO FORTUITO. Destaque-se que não é
qualquer culpa da vítima, é preciso entender que há GRAUS DE CULPA, nesse caso, somente a CULPA
EXCLUSIVA DA VÍTIMA para excluir a responsabilidade do dono ou detentor do animal.

Casos
(1) Acidentes ocasionados por animais na pista: aplica o CDC contra as concessionárias. É considerada
detentora do animal quando ele invade a pista.
(2) Responsabilidade do circo e do shopping onde estava o circo (CDC) – REsp 1.100.571/PE. Aplicando o
CDC para complementar o CC. Aplicação do diálogo das fontes.

2. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO DONO DO PRÉDIO OU CONSTRUÇÃO POR SUA RUÍNA


Responsabilidade do dano infecto. Quando cai o prédio total ou parcialmente.

Art. 937 – não está escrito que a responsabilidade é objetiva. Art. 937. O dono de edifício ou construção
responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade
fosse manifesta. A responsabilidade é considerada objetiva diante de um risco criado pela aplicação do CDC
(Enunciado 556, VI, JDC: A responsabilidade civil do dono do prédio ou construção por sua ruína, tratada
pelo art. 937 do CC, é objetiva.). É irrelevante a necessidade de reparos manifesta.

Responsabilidade de dono da construção ou do terreno: O dono da construção somente responde se a


NECESSIDADE DE REPAROS ERA MANIFESTA. Mas, a jurisprudência tem sido extremamente rigorosa na
responsabilização do dono, entendendo que se caiu é porque havia necessidade manifesta de reparação,
logo tem o dever de indenizar; na verdade, a jurisprudência somente afasta o dever de indenização se a
ruína ocorrer por fato totalmente alheio a sua atuação, EXEMPLO: em decorrência de abalo sísmico.

3. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO HABITANTE DO PRÉDIO PELAS COISAS QUE DELE CAÍREM OU FOREM
LANÇADAS EM LOCAL INDEVIDO.
Não é o proprietário e sim o habitante.
Se estiver locado a responsabilidade é do locatário. Defenestramento (fenestra – janela). Effusis et dejectis.
Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele
caírem ou forem lançadas em lugar indevido.

Na jurisprudência, o que é pacífico é o entendimento de que a vítima pode demandar o CONDOMÍNIO,


que internamente pode buscar o regresso contra a unidade autônoma.

A responsabilidade é objetiva diante de um risco criado. Tanto isso é verdade que, se a coisa cair de um
condomínio edilício, não sendo possível identificar qual a unidade, responderá todo o condomínio,
assegurado o direito de regresso contra o culpado. Enunciado 557 da VI Jornada (Nos termos do art. 938 do
CC, se a coisa cair ou for lançada de condomínio edilício, não sendo possível identificar de qual unidade,
responderá o condomínio, assegurado o direito de regresso). Venosa fala que essa é uma hipótese de
pulverização da responsabilidade, para que haja o ressarcimento.

4. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO TRANSPORTADOR


A responsabilidade é objetiva por três razões:
(1) Aplicação histórica e por analogia do Decreto-Lei nº 2681/1912, que previa a responsabilidade objetiva
das empresas de estradas de ferro.
(2) Obrigação de resultado das transportadoras (cláusula de incolumidade).
(3) Aplicação do CDC inclusive para o transporte aéreo.

Do Transporte de Pessoas
Art. 734. O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens,
salvo motivo de força maior E CASO FORTUITO, sendo nula qualquer cláusula excludente da
responsabilidade. É NULA A CLÁUSULA DE NÃO INDENIZAR. TANTO NO TRANSPORTE DE PESSOAS QUANTO
NO DE COISAS.  SÚMULA 161 STF. A CULPA OU FATO EXCLUSIVO DA VÍTIMA TAMBÉM SÃO EXCLUDENTES.
Parágrafo único. É lícito ao transportador exigir a declaração do valor da bagagem a fim de fixar o limite da
indenização.
Art. 735. A responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é elidida por
culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. A CULPA OU FATO EXCLUDENTE DE TERCEIRO NÃO É
EXCLUDENTE NO TRANSPORTE DE PESSOAS. E COISAS? POLÊMICO.
Art. 736. Não se subordina às normas do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade ou
cortesia.
Parágrafo único. Não se considera gratuito o transporte quando, embora feito sem remuneração, o
transportador auferir vantagens indiretas.
NÃO É APLICÁVEL A RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO TRANSPORTADOR. AQUELE QUE DEU CARONA SÓ
RESPONDE POR DOLO OU CULPA GRAVE. TRATA-SE DE RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. SÚMULA 145 STJ.

Obs.: Se na carona estiverem presentes vantagens indiretas há a responsabilidade objetiva do


transportador. Ex. pagamento do combustível, pagamento do pedágio. Enunciado 559: Observado o
Enunciado 369 do CJF, no transporte aéreo, nacional e internacional, a responsabilidade do transportador
em relação aos passageiros gratuitos, que viajarem por cortesia, é objetiva, devendo atender à integral
reparação de danos patrimoniais e extrapatrimoniais. ex: programa de milhagem.
Q - no transporte cumulativo as empresas transportadoras respondem solidariamente

 RESPONSABILIDADE CIVIL DA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO POR ATO DE TERCEIROS

Responsabilidade civil da pessoa jurídica de direito privado por ato de terceiro – responderá por ato de
terceiro, como se fosse pessoa natural, desde que enquadrados nas circunstâncias do artigo 932.

TIPOS DE RESPONSABILIDADE:
RESPONSABILIDADE SIMPLES X RESPONSABILIDADE AGRAVADA (RISCO INTEGRAL)
SIMPLES: quando o sujeito responde pelos danos abrangidos pelo conceito de “FORTUITO INTERNO”.
AGRAVADA OU DE RISCO INTEGRAL: quando o responsável responde pelos danos causados por qualquer
tipo de evento (danos ambientais, danos nucleares, danos em acidentes de trabalho, danos cobertos pelo
seguro dpvat). Nos casos de dano ambiental e dano nuclear há hipóteses de exoneração de
responsabilidade, embora muito limitadas.

OUTRAS TEORIAS SOBRE O RISCO:

a) RISCO CRIADO – aquele que CRIA O RISCO deverá ser o responsável pelo DANO DELE DECORRENTE.
b) RISCO PROVEITO – aquele que TEM O BÔNUS, DEVE ARCAR COM OS ÔNUS.
c) RISCO EMPRESA – empresário deve se responsabilizar pelos RISCOS DECORRENTES DA ATIVIDADE por ele
desenvolvida.
d) RISCO PROFISSIONAL – o profissional deve ser responsabilizar pelos riscos decorrentes da atividade por
ele desenvolvida. 

#CEREJADOBOLO: PRINCIPAIS HIPÓTESES DE RESPONSABILIDADE AQUILIANA OBJETIVA FORA DO


CÓDIGO CIVIL:
 
-ESTRADAS DE FERRO [Decreto 2681/12, art. 26]
-CÓDIGO DE MINERAÇÃO [DL 227/67, art. 47, VIII]
-CÓDIGO BRASILEIRO DE AERONÁUTICA [Lei Federal 7565/86, arts. 268 e  269]
-ESTADO [CF/88, art. 37, Par. 6º]
-PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO PRESTADORAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS [CF/88, art. 37, Par. 6º]
-CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR [Lei Federal 8.078/90, arts. 12, Par. 3º, 14, Par. 3º e 17]
-MEIO AMBIENTE [Lei Federal 6.938/81, art. 14, Par. 1º]
-DANOS NUCLEARES [Lei Federal 6.453/77, arts. 4º a 18, st arts. 4º a 8º,  11, 12 e 15]
-ACIDENTES DE TRABALHO [Lei 8.213/91]
-DPVAT [Lei 6.194 /74]

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