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Disciplina: Prática Simulada Do Trabalho

Docente: Tatiana Maria


Acadêmico: Manuela Santos Conrado

Caso Concreto 9

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 50º VARA DO TRABALHO


DE JOÃO PESSOA/PB
(10 linhas)

Processo nº 98765

FLORICULTURA FLORES BELAS LTDA, sociedade empresária de direito


privado, inscrita no CNPJ xxx, com sede na Rua/Av: xxx nº: xxx, bairro: xxx,
na cidade: xxx, CEP: xxx, endereço eletrônico: xxx, vem respeitosamente
perante Vossa Excelência por intermédio de seu advogado adiante assinado,
com escritório profissional na rua: xxx, nº xxx, bairro: xxx, na cidade: xxx,
Cep: xxx, endereço eletrônico: xxx, onde recebe notificações, com base no
art. 847 da CLT, oferecer:
CONTESTAÇÃO COM RECONVENÇÃO
Nos autos da reclamatória trabalhista que lhe move Estela, já qualificada nos
autos em epígrafe, pelas razões de fato e de direito a seguir descritas:
I- DA SÍNTESE DA INICIAL
A reclamante ajuizou ação trabalhista pleiteando:
- Aplicação da penalidade criminal cominada no Art. 49 da CLT contra os sócios da ré,
uma vez que eles haviam cometido a infração prevista no referido diploma legal;
- Pagamento de adicional de penosidade, na razão de 30% sobre o salário base,
porque, no exercício da sua atividade, era constantemente furada pelos espinhos das
flores que manipulava;
- Pagamento de horas extras com adição de 50%, explicando que cumpria a extensa
jornada de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, com intervalo de duas horas para
refeição, e aos sábados, das 16h às 20h, sem intervalo;
- Pagamento da multa do Art. 477, § 8º, da CLT, porque o valor das verbas resilitórias
somente foi creditado na sua conta 20 dias após a comunicação do aviso prévio,
concedido na forma indenizada, extrapolando o prazo legal.
- Que foi obrigada a aderir ao desconto para o plano de saúde, tendo assinado na admissão,
contra a sua vontade, um documento autorizando a subtração mensal.

II- DA PRELIMINAR DO MÉRITO

II.I- DA INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

A reclamante solicita a aplicação da penalidade cominada no Art. 49 da CLT contra os


sócios da ré. Alega que foi obrigada a assinar um documento autorizando a subtração
mensal, para aderir ao desconto para plano de saúde.

No entanto, compete a justiça do trabalho julgar e processar controvérsias


decorrentes da relação de trabalho, não abrangendo penalidade criminal, sendo esta
incompetente para tal. Além disso, segundo o Art. 337, II, do CPC/15, cabe ao réu,
antes de discutir o mérito alegar a incompetência absoluta e relativa.

Sendo assim, o pedido de aplicação de penalidade criminal contra os sócios da ré não


pode ser pleiteado, em razão da incompetência absoluta da Justiça do Trabalho.

III- DA PREJUDICIAL DO MÉRITO

III.I- DA PRESCRIÇÃO QUINQUENAL

O reclamante trabalhou pra a reclamada no período de 25.10.2012 à 29.12.2017 e


ajuizou a reclamação trabalhista em 27/02/2018.

De acordo com os art. 7º, inciso XXIX, da CF/88 e o art. 11º da CLT, a pretensão
quanto a créditos trabalhistas prescreve em cinco anos após a extinção do contrato
de trabalho e a Súmula 308, I, do TST dispõe que respeitado o biênio subsequente à
cessação contratual, a prescrição quinquenal conta-se da data do ajuizamento da
reclamação trabalhista.

Diante o exposto, requer o acolhimento da preliminar, para extinguir com resolução


de mérito, os créditos anteriores a 27/02/2013.

IV- DO MÉRITO

IV.I DO PLANO DE SAÚDE


A Reclamante afirma que foi obrigada a aderir ao desconto para o plano de saúde,
tendo assinado na admissão, um documento autorizando a subtração mensal.

Ocorre que, no ato da admissão, a Reclamante assinou o documento autorizando o


desconto de plano de saúde (doc. Anexo).

Sustenta a OJ 160 da SBDI-1 que é inválida a presunção de vício de consentimento


resultante do fato de ter o empregado anuído expressamente com descontos
salariais na oportunidade da admissão. Vale ressaltar que é de se exigir
demonstração concreta do vício de vontade.

A Súmula 342 do TST dispõe que são válidos os descontos salariais efetuados pelo
empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para ser
integrado em planos de assistência médico-hospitalar, o que não afronta o disposto
no Art. 462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de coação ou de outro
defeito que vicie o ato jurídico, não sendo este o caso.

Além disso, o Art. 818, I da CLT e o Art. 373, I, do CPC/15 estabelecem que o ônus da
prova incumbe ao reclamante, quanto ao fato constitutivo de seu direito.

Sendo assim, o desconto a título de plano de saúde ocorreu dentro da legalidade,


sem qualquer vício de vontade em relação à assinatura, já que é válida a autorização
de desconto feita no momento da admissão, cabendo a Reclamante o ônus de provar
qualquer ilegalidade nesse sentido, não devendo prosperar a sua alegação.

IV.II- DO ADICIONAL DE PENOSIDADE

A Reclamante pleiteia o recebimento de adicional de penosidade, na razão de 30%


sobre o salário-base, porque, no exercício da sua atividade, era constantemente
furada pelos espinhos das flores que manuseava.

Ainda que previsto no Art. 7º, XXIII, da CF/88, o adicional de remuneração para as
atividades penosas, o mesmo não foi regulamentado.

Sendo assim, o pedido de pagamento de adicional de penosidade na proporção de


30% sobre o salário-base não deve prosperar, uma vez que não consta previsão na
CLT e não foi regulamentado em lei especial.

IV.III- DAS HORAS EXTRAS


A Reclamante alega que faz jus ao recebimento de horas extras com adição de 50%,
em razão da jornada de trabalho, laborava de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h,
com intervalo de 2 horas para refeição, e aos sábados, das 16h às 20h, sem intervalo,
totalizando 44h semanais.

O Art. 58 da CLT dispõe que a duração normal do trabalho, para os empregados em


qualquer atividade privada, não excederá de 8h diárias e o Art. 7º, XIII da CF/88
assenta que a duração do trabalho normal não será superior às 8h diárias e 44h
semanais. Vale destacar que o Art. 71, § 2º da CLT alinha que os intervalos não serão
computados na duração do trabalho.

Sendo assim, a Reclamante não faz jus ao recebimento das horas extras pleiteadas,
pois o módulo constitucional de 8h diárias e 44h semanais não foi ultrapassado.

IV.IV- DA MULTA DO ART. 477, § 8º da CLT

A Reclamante alega que o pagamento das verbas resilitórias extrapolou o prazo legal,
que somente foi creditada na sua conta 20 dias após a comunicação do aviso prévio.

Conforme estabelece o Art. 477, § 6º da CLT, o pagamento dos valores constantes do


instrumento de rescisão ou recebido de quitação deverá ser efetuado até dez dias
contados a partir do término do contrato de trabalho.

Sendo assim, é infundado o pedido de pagamento da multa prevista no Art. 477, § 8,


da CLT, vez que o pagamento das verbas devidas foi dentro do prazo legal.

V- DA RECONVENÇÃO

De acordo com o art. 343 do CPC/15, na contestação, é lícito ao Réu propor


reconvenção, para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou
com o fundamento da defesa, o que faz pelas razões de fato e de direito a seguir.

V.I- DA REAÇÃO VIOLENTA DA RECLAMANTE

A Reclamante ao ser cientificada do aviso prévio teve uma reação violenta, gritando
e dizendo-se injustiçada, sendo necessário que a segurança a contivesse e
acompanhasse até a porta de saída.

V.II- DAS CUSTAS PELA VIDRAÇA QUEBRADA.


Quando deixava o prédio, a Reclamante correu e pegou uma pedra que arremessou
violentamente contra o prédio da Reclamada, vindo a quebrar uma das vidraças.

A empresa gastou R$ 300,00 na recolocação do vidro danificado, conforme nota


fiscal (doc. Anexo).

Conforme disposto no Art. 186 do CC/02, aquele que por ação, violar o direito e
causar dano a outrem, comete ato ilícito, já o Art. 927 do mesmo diploma legal,
assegura que, aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo.

Sendo assim, requer o valor de R$ 300,00, relativo ao vidro quebrado pela


Reclamante.

VI- DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Conforme disciplinado no Art. 791-A, da CLT, ao advogado serão devidos honorários


de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% e o máximo de 15% sobre o valor que
resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo
possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. Outrossim, a teor do § 5º, do
Art. 791-A da CLT, são devidos honorários de sucumbência na reconvenção.

Desse modo, requer honorários de sucumbência na ação principal e na reconvenção,


nos termos supra.

VII- DOS PEDIDOS DA CONTESTAÇÃO

De acordo com os fatos e fundamentos acima apresentados, em sede de


Contestação, requer a Vossa Excelência:

- O acolhimento da preliminar de incompetência absoluta da Justiça do Trabalho para


apreciação e condenação criminal, conforme o Art. 337, II, do CPC/15 c/c Art. 114, IX,
da CF/88;

- O acolhimento da prejudicial de mérito, quanto à prescrição quinquenal das


pretensões anteriores a 27.02.2013, data do ajuizamento da ação, nos termos da
Súmula 308, I, do TST;

- Por hipótese absurda, ultrapassada as preliminares avençadas, no mérito, requer


que as pretensões apresentadas na exordial sejam julgadas totalmente
improcedentes, com a consequente condenação da Reclamante em custas
processuais e demais cominações legais;

Em sede de RECONVENÇÃO, requer:

- O recebimento das razões da reconvenção com seu devido processamento, de


acordo com o Art. 343, do CPC/15, e a procedência da reconvenção para receber o
valor de R$ 300,00, relativo ao vidro quebrado pela Autora, nos termos do Art. 186 e
Art. 927, ambos do CC/02;

a) A intimação da Reclamante para apresentar resposta, nos termos do Art. 341, § 1º,
do CPC/15;

b) Honorários de sucumbência na ação principal e na reconvenção, nos termos do


Art. 791-A, § 5º da CLT;

- Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direitos admitidos, em


especial, a testemunhal, documental e depoimento da reclamada, e o que mais for
necessário à elucidação dos fatos;

VIII- DO VALOR DA CAUSA

Dá-se à causa, na Reconvenção, o valor de R$ 300,00 (trezentos reais)

Nestes termos,

Pede deferimento.

Local xxx e data xxx

Advogado xxxOAB/ UF nº xx.xxx