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Para a v2 de previdenciário:

Identificar 10 parcelas integrantes do salário de contribuição


E 10 não integrantes do salário de contribuição.

Parcelas integrantes do salário-de-contribuição

O § 1º do art. 457 da CLT estabelece que as percentagens, comissões também fazem parte do salário,
devendo, portanto, incidir a contribuição previdenciária sobre tais pagamentos.

Haverá a incidência da contribuição sobre o aviso prévio trabalhado, as etapas (dos marítimos), a
remuneração relativa a repouso semanal e a feriados civis e religiosos, o pagamento relativo aos 15
primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, a remuneração paga pela empresa
aos empregado licenciado para o exercício do mandato sindical, a remuneração paga pelo sindicato a
dirigente sindical.

Para o empregado doméstico o seu salário-de-contribuição será a remuneração registrada na sua CTPS
(art.28, II da Lei nº 8.212/91). O salário-de-contribuição do empregado doméstico sujeita-se aos
limites mínimo e máximo (8,9,11%).Anteriormente à edição da Lei nº 8.212 o custeio da contribuição
dos empregados domésticos era de 8% do salário-de-contribuição entre 1 salário mínimo até 3 salários
mínimos (§ 1º do art. 5º da Lei nº 5.859). O empregador doméstico contribuía com 10% sobre o
salário-de-contribuição do empregado doméstico. Atualmente o empregador doméstico contribui com
12% do salário-de-contribuição do empregado, observado o limite máximo de contribuição.

Quando a admissão, a dispensa, o afastamento ou a falta do empregado, inclusive o doméstico, ocorrer


no curso do mês, o salário-de-contribuição será proporcional ao número de dias de trabalho efetivo.

Exercendo o empregado mais de um emprego, está sujeito ao salário-de-contribuição em cada um


deles, de maneira proporcional.

O salário-maternidade fará parte do salário-de-contribuição da empregada que deu à luz, ou está


prestes a ter a criança (§ 2º do art. 28 da Lei nº 8.212).A estabilidade da gestante (art.10,II,b, do
ADCT) integra o salário-de-contribuição, salvo se for convertida a estabilidade em indenização,
aplicando-se por analogia os arts. 496 e 497 da CLT.No entanto, ao contrário do que menciona o § 15
do art.37 do Decreto nº 612 a gestante doméstica não é beneficiada pela estabilidade prevista na alínea
b, do inciso II do art. 10 do ADCT, ,pois o parágrafo único do art. 7º da Constituição não dá a gestante
doméstica o direito ao disposto no inciso I do art. 7º da mesma norma. O art. 10 do ADCT é claro ao
estabelecera estabilidade da gestante "até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o
art. 7º, I da Constituição", que não foi ofertado a doméstica. Logo, não tem direito esta à estabilidade
disciplinada na alínea b, do inciso II, do art. 10 do ADCT.

O limite mínimo do salário-de-contribuição é de um salário mínimo, tomado o seu valor mensal, diário
ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês (§ 3º do art. 28 da Lei nº
8.212).

O limite mínimo do salário-de-contribuição do menor aprendiz corresponde a sua remuneração


mínima definida em lei(§ 4º do art. 28 da Lei nº 8.212). Segundo o art. 80 da CLT, o menor aprendiz
terá como salário metade do salário mínimo regional, durante a primeira metade da duração prevista
para o aprendizado e 2/3 na segunda metade . Tal artigo, porém, foi revogado pela Constituição, visto
que o inciso XXX do art. 7º da Lei Maior dispõe que não haverá diferença de salários em razão de
idade. Assim, o salário do aprendiz será de um salário mínimo, pelo menos, que será seu salário- de
-contribuição.
Conceito – De acordo com o artigo 28 da Lei 8212/91 (Lei de Custeio da Previdência Social), o
salário-de-contribuição tem várias definições de acordo com o segurado: a) Para o empregado e o
trabalhador avulso – é a remuneração auferida de uma ou mais fonte, devidos ou creditados a qualquer
título durante o mês, para retribuir o trabalho prestado, qualquer que seja a sua forma, inclusive as
gorjetas, outros ganhos habituais, adiantamento decorrente de reajuste salarial. b) Para o empregado
doméstico – será a remuneração registrada em sua carteira de trabalho. c) Para o contribuinte
individual – a remuneração recebida durante o mês, pelo exercício de atividade por conta própria,
prestada a pessoa física ou a empresas. d) Para o segurado facultativo – o valor por ele declarado.
Parcelas integrantes do salário-de-contribuição: a) Férias – integram o salário-de-contribuição as
férias gozadas e o terço constitucional (adicional de 1/3 sobre as férias). A incidência da contribuição
será no mês em que as férias se ferirem, não importando se foram antecipadas. Os abonos de férias e a
conversão de 10 dias em pecúnia (venda de férias), por terem natureza indenizatória não integram o
salário-de-contribuição. b) 13º salário – integra o salário de contribuição, exceto para cálculo do
benefício. No entanto a incidência é em separado do salário-de-contribuição e seu recolhimento deverá
ser feito até dia 20 do mês de dezembro. c) Abonos – são os adiantamentos, se a lei estabelecer que o
abono tem natureza salarial fará parte do salário-de-contribuição. A súmula 241 do STF estabelece que
“a contribuição previdenciária incide sobre o abono incorporado ao salário”. d) Gratificações – as
gratificações ajustas fazem parte do salário-de-contribuição. As gratificações eventuais não terão
incidência da contribuição previdência, pois, neste caso, não há habitualidade. e) Diárias – é o
pagamento feito ao empregado para indenizar despesas com deslocamento, hospedagem ou pousada,
alimentação e sua manutenção quando precisar viajar a serviço do empregador. Integram o salário-de-
contribuição quando excederem a 50% da remuneração mensal. f) Ganhos habituais – são entendidos
como prestações fornecidas, periodicamente, ao trabalhador. g) Comissões e porcentagens sobre
vendas – por ter caráter de habitualidade, integram o salário-de-contribuição. Parcelas não integrantes
do salário-de-contribuição a) Os benefícios da previdência social, nos termos legais, salvo o salário-
maternidade. Lembre-se que a incidência sobre benefícios concedidos aos servidores públicos pelo
Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). No Regime Geral de Previdência Social (RGPS), para
os trabalhadores da iniciativa privada, não incide contribuição sobre benefícios. b) A ajuda de custo e
o adicional mensal recebidos pelos aeronautas (Lei 5929/73); c) A alimentação gratuita fornecida pelo
empregador de acordo com o PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). d) Transporte do
trabalhador – vale transporte de acordo com a Lei 7418/85 (Lei do vale-transporte). Se substituído por
dinheiro incide a contribuição previdenciária. e) A importância recebida a título de férias indenizadas
e o respectivo terço constitucional. f) Ajuda de custo em parcela única. g) As diárias que não excedam
a 50% da remuneração; h) A participação nos lucros ou resultados (PLR), quando pago ou creditado
pela empresa de acordo com a Lei. i) Abono do PIS-Pasep. j) Importância paga pelo empregador como
complemento do auxílio-doença. k) Plano de saúde médico-odontológico e reembolso de
medicamentos. l) Contribuições para previdência complementar. m) Plano educacional para educação
básica. n) Indenização de 40% do FGTS por ocasião da dispensa do trabalhador. o) Indenização pagas
aos safristas. p) Ganhos eventuais e abonos desvinculados dos salários. q) Férias pagas em dobro(art.
137 da CLT). r) Auxílio-creche e auxílio-babá. s) Ajuda de custo paga mensalmente. Limite máximo e
Limite mínimo Limite mínimo – corresponde ao piso salarial, caso não exista, o salário mínimo.
Limite máximo – atualizado pelo Ministério da Previdência Social, por meio de portaria. É o máximo
que o trabalhador poderá receber quando aposentar.
Publicado em: junho 09, 2007 Updated: outubro 05, 2010

REVISTA ÂMBITO JURÍDICO ®


Parcelas integrantes e n?integrantes do sal?o-de-contribui?
1 - Introdução
Um dos principais pontos do estudo do Direito Previdenciário é a análise da base de incidência das
contribuições previdenciárias. A legislação,
muitas vezes, suscita dúvidas a respeito da inclusão de algumas rubricas na composição da base de
tributação previdenciária.
As empresas, por outro lado, costumam cometer equívocos, cada vez mais freqüentes, na definição de
sua tabela de incidência, ou seja, das
parcelas que consideram integrantes do salário-de-contribuição. Quando estes erros são verificados
pela Fiscalização Previdenciária, são gerados,
de imediato, processo de débito, que comprometem o planejamento orçamentário das corporações,
gerando gastos imprevistos.
Em outras situações, mesmo a empresa estando ciente do posicionamento do Fisco, decide não
oferecer à tributação algumas parcelas, por possuir
um entendimento divergente à pregada pela Instituição Tributária Previdenciária.
Neste artigo, traremos à discussão cinco pontos polêmicos sobre a base de cálculo previdenciária,
enfocando o posicionamento fiscal, doutrinário e
jurisprudencial, que foram também tratados no livro Salário-de-Contribuição – A Base de Cálculo
Previdenciária das Empresas e dos Segurados,
além de outros 48 tópicos[1]. São os temas escolhidos para este breve texto:
a) Aviso Prévio
b) Benefícios da Previdência Social
c) Alimentação do Trabalhador
d) Guelta
e) Stock Options
Como regra básica do estudo do salário-de-contribuição, poderíamos afirmar que toda fez que a
parcela paga pela empresa ao trabalhador for
destinada a retribuir o seu trabalho, deve ser incluída no salário-de-contribuição, exceto as parcelas
excluídas expressamente por força do art. 28,
§9°, da Lei 8.212/91, que traz uma lista exaustiva de isenções.
2 - Aviso Prévio
A Carta Magna, no seu artigo 7°, inciso XXI, elencou como direito do trabalhador o aviso prévio
proporcional ao tempo de serviço, sendo este de, no
mínimo, de trinta dias, nos termos da lei.
De acordo com Alice Monteiro de Barros, “a finalidade do aviso prévio é impedir que as partes sejam
pegas de surpresa com a ruptura brusca do
contrato indeterminado. O período a ele alusivo propicia ao empregado pré-avisado a procura de um
novo emprego e ao empregador pré-avisado a
substituição do empregado que pretende se desligar”. [2]
A CLT dispõe que “a falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos
salários correspondentes ao prazo do aviso,
garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço” (art. 487, §1°). Foi assim criada
a possibilidade de indenização monetária
pela falta de concessão de aviso prévio por parte do empregador
Esclarece ainda mais Godinho que “a CLT prevê dois tipos de pré-aviso, classificados segundo a
modalidade de cumprimento de seu prazo:
mediante labor ou não, caso em que o respectivo período se torna indenizado. Trata-se do aviso prévio
trabalhado e do aviso prévio não trabalhado”.
[3]
Do ponto de vista da tributação previdenciária, não há qualquer divergência doutrinária, fiscal ou
jurisprudencial quanto à incidência de contribuição
sobre o aviso prévio trabalhado. A dúvida persiste em saber se deverá haver incidência sobre o aviso
prévio indenizado, o que tentaremos explorar
neste tópico.
A Lei 8.212/91 não elenca, no seu §9°, artigo 28, expressamente, o aviso prévio indenizado como
parcela não integrante do salário-de-contribuição.
Já o Decreto 3.048/99, por sua vez, prevê tal exclusão, no art. 214, §9°, V, “f”. Teria o Decreto
extrapolado a Lei, instituindo isenção por ato
infralegal?
Independentemente da resposta, é preciso mencionar que a posição oficial da Secretaria da Receita
Federal do Brasil é de que o aviso prévio
indenizado não faz parte do salário-de-contribuição, o que equivale dizer que ela aplica a disposição
do Regulamento da Previdência Social.
Elucidando o questionamento é preciso demonstrar que a Lei 8.212/91 traz implícita a impossibilidade
de o aviso prévio indenizado ser incluído na
base de cálculo da contribuição previdenciária, uma vez que o inciso I, do artigo 28 define o salário-
de-contribuição para empregados como “a
remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos,
devidos ou creditados a qualquer título,
durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as
gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de
utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente
prestados, quer pelo tempo à disposição do
empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou
acordo coletivo de trabalho ou sentença
normativa”. Desta forma, para ser considerado salário-de-contribuição, é necessário que o valor
recebido seja destinado a retribuir o trabalho, o que,
de fato, não ocorre com a indenização do aviso prévio.
Nesta mesma linha, leciona Wladimir Novaes Martinez, ao aludir que “o caput de um artigo – norma
geral – pode ser quebrado pela norma especial,
constante de inciso ou alínea abaixo dele postada e, então, não há dúvidas quanto a todas as letras do
§9°. Trata-se de disposição comissiva.
Entretanto, por omissão, ou por raciocínio contrário sensu, nem sempre a conclusão é possível.
Ausente da enorme lista, comporta interpretação e
será possível recorrer ao caput, onde o aviso prévio indenizado não tem abrigo. Quer dizer, embora
não faça parte do §9° (relação de valores não
integrantes do salário-de-contribuição) necessariamente não está sujeito à exação securitária”.[4]
Saliente-se, ainda, que a redação original da alínea “e”, do artigo 28, da Lei 8.212/91, previa,
expressamente, a exclusão do aviso prévio indenizado
da base de cálculo da contribuição previdenciária, tendo tal disposição sido suprimida pela Lei 9.528,
de 10/12/97, ficando esta previsão apenas
sitiada em norma infralegal (Decreto 2.173/97 e, posteriormente, Decreto 3.048/99).
Este mesmo diploma, ao suprimir da Lei 8.212/91 a expressa previsão legal da não incidência de
contribuição previdenciária sobre o aviso prévio,
alterou a redação do inciso I, do artigo 28, da Lei 8.212/91. Vejamos:
Art 28, I, da Lei 8.212/91
Redação anterior:
Art 28. Entende-se por salário-de-contribuição:
I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração efetivamente recebida ou creditada a
qualquer título, durante o mês em uma ou mais
empresas, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 8° e
respeitados os limites dos §§ 3°, 4° e 5° deste
artigo;
Redação original, alterada pela Lei 9.528/97:
Art 28. Entende-se por salário-de-contribuição:
I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim
entendida a totalidade dos rendimentos pagos,
devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer
que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os
ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer
pelos serviços efetivamente prestados, quer
pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou,
ainda, de convenção ou acordo coletivo de
trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)
Note-se que a mesma lei que suprimiu o aviso prévio indenizado do rol de não incidência do §9º, do
art. 28, da Lei 8.212/91, alterou a redação do
conceito deste instituto, incluindo a expressão “destinada a retribuir o trabalho”. Ora, se o aviso prévio
indenizado não se destina a retribuição do
esforço laboral, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária, independentemente
de expressa previsão.
A dúvida faz-se presente, também, devido ao fato de a CLT mencionar que o aviso prévio deverá ser
considerado para fins de integração ao tempo
de serviço (art. 487, §1°). Desta forma, alguns Juizes do Trabalho têm entendido que, na execução das
contribuições previdenciárias decorrentes de
suas sentenças, deve-se considerar o período correspondente ao aviso prévio indenizado base de
tributação, com o intuito de que seja contado como
tempo de contribuição para a Previdência Social. Neste caso, consideram que o “aviso prévio não
trabalhado” tem caráter salarial.
Ora, é nítida a natureza indenizatória do “aviso prévio não trabalhado”, pois, sendo o instituto do aviso
prévio uma obrigação de fazer (pré-avisar ao
trabalhador sobre o seu desligamento com a antecedência mínima de 30 dias), uma vez descumprida,
conforme dispõe o artigo 247, do Código Civil
de 2002, “importa em obrigação de INDENIZAR em perdas e danos o devedor”.
Ademais, o artigo 487, §1º, da CLT, quando impõe que a falta de aviso prévio garante a integração
deste período no tempo de serviço do trabalhador,
estabelece uma contagem de tempo de serviço fictícia o que é vedado constitucionalmente desde a EC
20/98 (art. 40, §10, CF c/c art. 4º, da EC
20/98). Note-se que a nomenclatura “tempo de serviço” utilizada pela CLT refere-se ao extinto
benefício da aposentadoria por tempo de serviço,
substituída pela aposentadoria por tempo de contribuição. Desta forma, acreditamos que a EC 20/98
revogou este dispositivo da CLT.
A doutrina moderna tem se mostrado omissa na discussão sobre a incidência de contribuição
previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. A
jurisprudência, contudo, tem entendido, de forma majoritária, pela impossibilidade desta, devido ao
caráter eminentemente indenizatório do aviso
prévio pago em dinheiro, não podendo este, de forma alguma, ser confundido com a noção de
remuneração. Vejamos:
“TST RECURSO ESPECIAL Nº 410.435 - RS (2002/0014338-7) RELATOR : MINISTRO
HUMBERTO GOMES DE BARROS DJ 16.12.2002.O
recurso especial desafia acórdão que restou assim ementado: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO
SOCIAL SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ABONO
LEGAIS E VERBAS INDENIZATÓRIAS. (...)Tribunal a quo negou provimento à apelação do INSS,
pois entendeu que: a cobrança da contribuição
previdenciária sobre aviso prévio indenizado, indenização por tempo de serviço e indenização
adicional exigida com base no artigo 22, § 2º da Lei
8.212/91 é indevida, visto que tais parcelas tem nítido caráter indenizatório, sendo impossível incluí-
las no conceito de salário; somente por meio de
lei complementar, é que se poderia criar outras fontes de custeio da seguridade social (195, § 4º, da
CF); o STF, no julgamento da ADIn 1659/97,
suspendeu a eficácia do artigo 22, § 2º da MP 1.523/96, por ofensa ao artigo 195, I da CF.”
“TST: JUÍZA CONVOCADA WILMA NOGUEIRA DE A. VAZ DA SILVA EMENTA RECURSO
DE REVISTA. NATUREZA JURÍDICA DO ADICIONAL
DE QUEBRA DE CAIXA. AUSÊNCIA DE OFENSA AO ART. 28, § 9º, DA LEI Nº 8.212/91.
Fundamentada a decisão regional no pressuposto da
natureza indenizatória da parcela quebra de caixa, não se verifica a indigitada ofensa ao art. 28, § 9º,
da Lei nº 8.212/91, cuja alínea "e"
expressamente exclui verbas em razão da mencionada natureza indenizatória, como o aviso prévio
indenizado, as férias indenizadas e a indenização
por tempo de serviço. Não se pode pretender que seja taxativa essa enumeração excludente do
conceito do salário-de-contribuição, porque não
apenas a parcela quebra de caixa deixou de ser mencionada, mas também o transporte fornecido para o
trabalho, o prêmio-assiduidade, o prêmio de
tempo de serviço concedido anualmente, o prêmio-aposentadoria etc. Recurso não conhecido.”
Para reforçar ainda mais o entendimento da impossibilidade de cobrança de contribuição
previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, trazemos a
colação a Medida Provisória 1523-7, de 30/04/97, que alterou o texto do §2°, do art. 22, da Lei
8.212/91 que assim passou a dispor: “Para os fins
desta Lei, integram a remuneração os abonos de qualquer espécie ou natureza, bem como as parcelas
denominadas indenizatórias pagas ou
creditadas a qualquer título, inclusive em razão da rescisão do contrato de trabalho”. Tentou-se, desta
forma, tributar as parcelas indenizatórias, entre
elas o aviso prévio indenizado, a partir de agosto de 1997, devido à anterioridade nonagesimal.
A matéria foi objeto de análise pelo STF em 27/11/97, através da ADIn 1659/97, que suspendeu,
liminarmente, a eficácia da alteração promovida pela
Medida Provisória 1.523/97, por ofensa ao artigo 195, I da CF, com efeitos “ex nunc”.
Durante o período compreendido entre a data do início da vigência da MP 1523-7, de 01/08/97, e a sua
suspensão, por decisão liminar, em 27/11/97,
o Fisco Previdenciário exigiu contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado.
Anote-se que tanto o texto constitucional (art. VII, XXI) quanto a CLT (art. 487) dispõem que o aviso
prévio será de, no mínimo, 30 dias, não havendo
qualquer obstáculo legal para que as partes acordem um tempo superior a este, sem que seja
descaracterizada a natureza da parcela.
É muito comum que as empresas convencionem com os sindicatos que o prazo do aviso prévio dos
trabalhadores que têm idade avançada seja
superior ao mínimo legal. Havendo pagamento deste sob a forma de indenização não há que se cogitar
incidência de contribuição previdenciária.
Por fim, trazemos a tona a discussão gerada recentemente pela Instrução Normativa 20/2007, da SRP,
que revogou a alínea f, do inciso VI, do artigo
72, da Instrução Normativa 03/2005, onde havia expressa previsão da não incidência de contribuição
sobre o aviso prévio indenizado. Note-se,
contudo, que mesmo com esta revogação nada mudou, pois a não incidência continua prevista no
inciso I, do Caput, da Lei 8.212/91 e no §9º, do
artigo 214, do Decreto 3.048/99.
3 - Benefícios da Previdência Social
Em regra, os benefícios da Previdência Social não são considerados salário-de-contribuição, exceto o
salário-maternidade, que é o único sobre o
qual há incidência de contribuição previdenciária (art. 28, §9°, Lei 8.212/91).
Recentemente, com a Reforma da Previdência operada pela aprovação da Emenda Constitucional
41/03, a incidência de contribuição previdenciária
sobre os proventos de aposentadoria e pensão ficou em evidência.
O fato é que o art. 195, II, da Carta Magna dispõe sobre o pagamento de contribuição previdenciária
pelo trabalhador e pelos demais segurados da
Previdência Social, asseverando não incidir contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas
pelo Regime Geral de Previdência Social.
Não havia, entretanto, qualquer vedação expressa na Constituição Federal de 1988 quanto à tributação
dos proventos de aposentadoria e pensão
dos servidores vinculados a regimes próprios de previdência social, ligados a União, Estados, Distrito
Federal e Municípios. Por isso, alguns Estados
Brasileiros, antes mesmo da Reforma da Previdência, decidiram instituir contribuição previdenciária
sobre a aposentadoria e pensão dos seus
servidores.
Observe-se, todavia, que o §12 do art. 40 da Constituição menciona que o regime de previdência dos
servidores públicos titulares de cargo efetivo
observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social.
Ou seja, na falta de dispositivo expresso na Lei
Maior sobre os regimes próprios, aplica-se, subsidiariamente, as regras do RGPS. Com base neste
parágrafo, o STF julgou inconstitucional a
tributação dos inativos efetuada anteriormente à publicação da EC 41/03.
Com a Reforma da Previdência (EC 41/03), foi inserida explicitamente no texto constitucional a
previsão da incidência de contribuição previdenciária
sobre o valor das aposentadorias e pensões dos servidores ligados a regimes próprios. Alegou-se, na
época, que a EC 41/03 era portadora de vício
de constitucionalidade por ferir direito adquirido. O STF, todavia, julgou a ADIN 3.105, rejeitando a
ocorrência de inconstitucionalidade.
Embora o tema seja bastante controvertido, filiamo-nos à tese da constitucionalidade da incidência da
contribuição previdenciária, pois não há direito
adquirido no que se refere à tributação. Se assim fosse, poderíamos considerar inconstitucional a
criação ou majoração de tributos, já que a
tributação sempre representa decréscimo patrimonial ao cidadão. Desta forma, seria também
inconstitucional o acréscimo de alíquota do imposto de
renda de 25% para 27,5%, como ocorreu em um passado recente.
Por outro lado, o regime previdenciário é contributivo, compulsório e solidário, estando equivocado o
pensamente de que o segurado contribui a vida
toda para ter direito a sua aposentadoria. Em realidade, o segurado contribui, em primeiro lugar,
porque é obrigado. A contribuição, por si só, não
garante que ele irá, de fato, usufruir de qualquer benefício, pois o regime é solidário, e dele somente
extrairá benefícios quem se enquadrar nas
situações seletivas definidas pela lei. O fato de o segurado continuar contribuindo após a
aposentadoria é justificado também pelo caráter solidário do
sistema.
Salientamos, no entanto, que quando o Governo Federal propôs a tributação dos inativos,
materializada pela Emenda Constitucional 41/03, teve
como principal objetivo o aumento da arrecadação em atendimento aos princípios neoliberais que têm
norteado as decisões estratégicas na área
previdenciária, desde 1990.
Frisamos, contudo, que esta polêmica não afeta o Regime Geral de Previdência Social e o salário-de-
contribuição, pois para os inativos do RGPS a
vedação à tributação dos inativos encontra-se expressa na Carta Magna.
Os demais benefícios do RGPS, com exceção do salário-maternidade, como já afirmado, não integram
o salário-de-contribuição. Qual é, então, o
motivo da incidência da tributação sobre o salário-maternidade?
Inicialmente, é necessário analisar os aspectos históricos da criação do salário-maternidade. A CLT,
em seu artigo 392, instituiu a
licença-maternidade para a empregada gestante originariamente de 12 semanas. Neste período, o
empregador estaria obrigado a manter o vínculo
empregatício e arcar com os salários correspondentes.
A Lei 6.136, de 07/11/74, com alterações posteriores, incluiu o salário-maternidade entre as prestações
previdenciárias, permitindo o reembolso do
pagamento deste benefício pela empresa nas guias da Previdência Social. Tal reembolso estaria
condicionado à manutenção do emprego e do
salário, conforme dispõe o art. 392 da CLT. Esta Lei manteve, todavia, a tributação previdenciária
sobre o referido benefício.
A tributação é questionada do ponto de vista legal e doutrinário. Do ponto de vista legal questiona-se
se a Lei, ao prevê a taxação de um benefício
previdenciário incorre em vício de constitucionalidade, pois se considerarmos que este pagamento não
está destinado a retribuir o trabalho, não há
razão para a sua tributação. Do ponto de vista doutrinário, questiona-se se é possível ser sujeito
passivo da obrigação tributária previdenciária, sem
que se pratique o fato gerador, que, na hipótese, é a remuneração que se destina a retribuir o trabalho.
Ora, se o benefício é previdenciário e quanto
a isso não resta dúvida, quem absorve o custo é a Previdência Social e, portanto, não há que se falar
legitimamente em tributação. Ocorre, neste
caso, verdadeira suspensão do contrato de trabalho.
Há, no entanto, quem defenda que o salário-maternidade é causa de interrupção do contrato de
trabalho, sob a argumentação de que existiriam duas
relações jurídicas distintas: uma trabalhista, que se dá entre o empregador e a empregada gestante e se
aperfeiçoa com o pagamento da
remuneração, devidamente consignada em folha e outra previdenciária, que se dá entre a empresa e a
Instituição Previdenciária, desde que mantida
a relação de emprego. Nesta hipótese, a empresa praticaria o fato gerador, o que justificaria a
tributação.
Entendemos que o fato de a empresa pagar o salário-maternidade não transforma sua natureza
previdenciária em remuneratória. O que ocorre, em
verdade, é uma economia administrativa que busca desburocratizar a concessão deste benefício. A
natureza previdenciária torna-se evidente se
analisarmos que o objetivo do salário-maternidade é o de se evitar a discriminação do trabalho da
mulher pela simples possibilidade de engravidar,
posto que sem este benefício, o custo da licença seria suportado pelo empregador. Por isso, o Estado
passou a assumir o risco social da
maternidade. Sob esta ótica, não poderia haver incidência de contribuição previdenciária.
Outro ponto polêmico é que o Texto Constitucional, no seu art. 7°, enumera como direito dos
trabalhadores a licença à gestante, sem prejuízo do
emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias. Como o Legislador Constituinte utilizou o
termo salário, reforça-se a idéia de que o
salário-maternidade tem caráter remuneratório.
Acreditamos que o que o legislador constituinte quis, na verdade, foi garantir um benefício integral à
parturiente. Quando se referiu a “salário”, houve,
em verdade, mais uma atecnia do legislador, como ocorre, com freqüência, nos textos trabalhistas.
Por fidelidade ao leitor, no entanto, saliente-se que a jurisprudência dos tribunais tem firmado
posicionamento no sentido da procedência da
contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade.
“TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA. SALÁRIO-
MATERNIDADE. - Posição do TRF4, através tanto da 1ª e como da
2ª Turmas, no sentido de que o salário-maternidade é computado na base de cálculo da contribuição da
empresa sobre a remuneração paga aos
empregados. Ressalva de ponto de vista em contrário do relator” (Rel. Leandro Paulsen, Dju
Data:03/11/2005 Página: 543).
Embora a ementa transcrita tenha se posicionado pela procedência da incidência de contribuição
previdenciária sobre o salário-maternidade, vale a
pena transcrever o inteiro teor do voto do Desembargador Federal Leandro Paulsen do TRF 4ª Região,
que ilustra magnificamente a polêmica.
“O pleito de não computar o salário_maternidade na base de cálculo da contribuição previdenciária da
pessoa jurídica tem forte fundamento. Isso
porque o art. 195, I, a, da CF, com redação da EC nº 20/98, autoriza a instituição de contribuição
ordinária para o custeio da seguridade social do
empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada sobre "a folha de salários e demais
rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a
qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício".
“Ocorre que o "salário_maternidade" constitui benefício previdenciário, sendo pago pela própria
Previdência Social ou, relativamente à segurada
empregada, pela empresa em nome do INSS, tanto que a lei autoriza, nesse caso, a compensação
quando do recolhimento das contribuições
previdenciárias devidas pela empresa nos termos dos arts. 71, 71_A, 72 e 73 da Lei 8.213/91.”
“Constitui, pois, o salário_maternidade renda mensal a cargo do INSS, não configurando nenhuma das
verbas inseridas na base econômica que
delimita a competência tributária, estabelecida pelo art. 195, I, a, com a redação da EC nº 20/98.
Contudo, não se pode olvidar que ambas as Turmas
deste Tribunal Regional Federal desta 4ª Região entendem no sentido de que incide a contribuição
sobre o salário_maternidade pago às empregadas,
assim como o STJ:”
"TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PREVISTA NO ART. 22, II, DA LEI
8.212/91. SALÁRIO_MATERNIDADE. INCIDÊNCIA. 1. A
Contribuição previdenciária a cargo da empresa prevista no art. 22, I, da Lei 8.212/91, incide sobre a
remuneração paga aos segurados empregados.
2. Do artigo 7° da CF/88, infere_se que salário e salário_maternidade são a mesma coisa, diferindo o
nomen juris apenas por este ser percebido
durante o afastamento motivado pela gravidez da segurada. Ademais, o art. 20, § 2º do art. 22 da Lei
8.212/91 considera tal benefício previdenciário
como remuneração paga à segurada. 3. Configurada a natureza salarial das referidas verbas, forçoso
concluir que sobre elas incide a exação em
comento." (TRF4, 2ª T., unânime, AMS 200372050068760, rel. Des. Fed. Dirceu de Almeida Soares,
nov/2004)
..............
“Assim, com a ressalva de ponto de vista pessoal em contrário, dou provimento à apelação do INSS e
à remessa oficial para denegar a segurança,
considerando prejudicado, por conseqüência, o recurso da Impetrante.”
É como voto.”
Outro tema bastante discutido nos tribunais é a incidência de contribuição previdenciária sobre os
primeiros 15 dias de afastamento do empregado
por motivo de doença, que são pagos pela empresa. O Fisco Previdenciário tem posição definida pela
incidência de tributação sobre estes valores,
com base no §3°, do artigo 60, da Lei 8.213/91, que dispõe que “durante os primeiros 15 dias
consecutivos ao afastamento da atividade por motivo
de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado seu salário integral”. Como o texto se
referiu a “salário”, o Fisco entende ser tal
parcela tributável.
Parte da Doutrina alega ser ilógico que haja incidência de contribuição previdenciária sobre o
pagamento referente aos primeiros 15 dias de
afastamento, pois tal rubrica não é acompanhada de uma contraprestação de serviços por parte do
empregado e o afastamento por motivo de
doença é risco social coberto pela Previdência. Este é também o entendimento do Superior Tribunal de
Justiça:
“REsp 786250 / RS ; RECURSO ESPECIAL 2005/0165089-4. MIN. TEORI ALBINO ZAVASCKI.
DJ 06.03.2006 p. 234 TRIBUTÁRIO.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR NOS
PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIO-DOENÇA.
NÃO-INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIES. COMPENSAÇÃO.
CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. 1. É dominante no
STJ o entendimento segundo o qual não é devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração
paga pelo empregador ao empregado, durante
os primeiros dias do auxílio-doença, à consideração de que tal verba, por não consubstanciar
contraprestação a trabalho, não tem natureza salarial.
Precedentes RESP 720.817/SC, 2ª T., Min. Franciulli Netto, DJ de 05.09.2005, RESP 550.473/RS, 1ª
T., Min. Teori Albino Zavascki, DJ de
26.09.2005. (...)”
Ousamos discordar do Colendo Tribunal, pois embora os primeiros 15 dias de afastamento
configurem, inegavelmente, risco social, pode ele, sem
desconfigurar a sua natureza jurídica, nem ferir o ordenamento pátrio, ser suportado pelas empresas.
Ora, se a empresa assume os riscos da
atividade econômica, deve ela suportar também uma parcela do risco social. A assunção do risco
social não deve ser vista como atribuição exclusiva
do Estado, mas também da sociedade, aí incluída, naturalmente, a empresa. Então, acreditamos que,
além de ser legal, é legítima a incidência de
contribuição previdenciária sobre os primeiros 15 dias de afastamento.
4- Alimentação do Trabalhador
O art. 28, §9°, da Lei 8.212/91, exclui da incidência previdenciária “a parcela in natura recebida de
acordo com os programas de alimentação
aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de
abril de 1976”. A referida Lei delegou ao
Ministério do Trabalho e Emprego a elaboração de Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT.
A princípio, se a empresa seguir as regras do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador (Lei
6.321/76, regulada pelo Decreto 05/91 e pela
portaria interministerial n° 03 de 01/03/02 do MTE), a alimentação fornecida não integra o salário-de-
contribuição.
As principais regras do PAT que devem ser atendidas pela empresa estão descritas a seguir:
Modalidades - A empresa pode fornecer alimentação aos seus empregados por meio de refeitórios
próprios ou administrados por empresas
prestadoras de serviço de alimentação coletiva. Pode, ainda, distribuir cestas-básicas, vales-
alimentação ou vales-refeição. Os vales-refeição são
aceitos, principalmente, em restaurantes e lanchonetes. Os vales-alimentação são aceitos em
supermercados (art. 8° e 10°, da Portaria 03, do MTE).
Inscrição no programa - As empresas, as prestadoras de serviço de alimentação coletiva e as
fornecedoras de alimentos (quentinha) e similares
(cestas-básicas, vales-alimentação e vales-refeição) devem estar inscritas no PAT para que os valores
gastos não sejam considerados remuneração.
A inscrição pode ser efetuada e conferida no site do MTE - Ministério do Trabalho e Emprego
(www.mte.gov.br) (art. 2°, da Portaria 03, do MTE).
Participação dos trabalhadores no custeio - A participação máxima dos trabalhadores no custo
direto da alimentação fornecida não pode ser
superior a 20% do valor total despendido. Adicionalmente, a parcela desembolsada por empregado
não pode ser superior a 20% do valor da refeição
recebida. Custo direto da alimentação é o gasto com a compra dos alimentos e preparo das refeições.
Não são permitidos rateios de custos indiretos;
ou seja, a parcela referente ao consumo de luz e a água do refeitório, por exemplo, não podem ser
incluídos para cálculo dos 20% da participação
dos trabalhadores (art. 4°, da Portaria 03, do MTE).
Suponhamos, a título de exemplo deste requisito, que uma fábrica de material de construção gaste com
os custos diretos do refeitório dos
empregados o total de R$ 100.000,00. A participação máxima dos empregados no custo da
alimentação seria de R$ 20.000,00. Da mesma forma, se
ela concedesse R$ 200,00 de vales-alimentação para cada um de seus empregados, deveria descontar,
no máximo, R$ 40,00. Observe-se que não
há dispositivo que obrigue à empresa efetuar um desconto mínimo da remuneração dos seus
empregados para o custeio da alimentação, como
adiante comentaremos.
Vedação à utilização do programa como forma de premiação – A alimentação do trabalhador não
pode estar sujeita a qualquer condição.
Algumas empresas costumam condicionar a entrega de cestas-básicas mensais à freqüência regular dos
empregados, limitando o número de faltas
mensais para obtenção deste benefício. Neste caso, o Fisco Previdenciário considera esta parcela
incidente (art. 6°,II, da Portaria 03, do MTE).
Obrigatoriedade para empregados que percebam até 5 salários mínimos - As pessoas jurídicas
beneficiárias poderão incluir no Programa
trabalhadores de renda mais elevada, desde que esteja garantido o atendimento da totalidade dos
trabalhadores que percebam até cinco
salários-mínimos, independentemente da duração da jornada de trabalho. O benefício concedido aos
trabalhadores que percebam até cinco salários
mínimos não poderá, sob qualquer pretexto, ter valor inferior àquele concedido aos de rendimento
mais elevado (art. 3°, da Portaria 03, do MTE).
Percebe-se que o regulamento do Programa de Alimentação do Trabalhador não traz qualquer vedação
para que a empresa possua mais de um
restaurante, mesmo que de qualidade diferente. O próprio princípio constitucional da isonomia exige o
tratamento igual entre iguais. Não seria
coerente defender que os hábitos alimentares de um diretor de uma construtora transnacional são os
mesmos das de um operário da construção civil,
podendo, nesta situação, a empresa possuir dois ou mais refeitórios de forma que atenda a necessidade
de todos.
No caso de não inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador, os Auditores-Fiscais do
Trabalho (IN 30/02, MTE) e da Receita Federal do
Brasil (art. 758, IN 3, SRP) devem lançar, respectivamente, os débitos referentes ao FGTS e à
contribuição previdenciária sobre o valor da
alimentação fornecida, pois esta passará a integrar o salário-de-contribuição.
Caso o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil constate que a empresa beneficiária inscrita no
PAT não esteja cumprindo os outros requisitos da
legislação, deverá elaborar Representação Administrativa para o Ministério do Trabalho, para que este
promova, se julgar necessário, a exclusão da
empresa do PAT, somente sendo possível a constituição do crédito previdenciário após a exclusão (art.
753, §3°, IN 3, SRP).
A jurisprudência trabalhista consolidou também o entendimento de que é obrigatório o cumprimento
das regras do PAT para que a parcela não
integre a remuneração do trabalhador, conforme Orientação Jurisprudencial 133, da Seção de
Dissídios Individuais I, do TST:
“A ajuda alimentação. PAT. Lei 6.321/76. Não integração ao salário. A ajuda alimentação fornecida
por empresa participante do Programa de
Alimentação ao Trabalhador, instituído pela Lei n° 6.321/76, não tem caráter salarial. Portanto, não
integra o salário, para nenhum efeito legal”.
Entendemos, todavia, ser desproporcional a integração da alimentação ao salário-de-contribuição, pelo
simples descumprimento formal de inscrição
no PAT, sem que seja comprovado o descumprimento dos aspectos materiais da norma. O que
interessa, em verdade, é verificar se a empresa
atende ou não as exigências materiais da regulamentação do PAT. Acreditamos ser frágil o
lançamento do crédito previdenciário, com base apenas
em aspectos formais.
Apesar da controvérsia a respeito da simples falta da inscrição no PAT ser suficiente para considerar
os gastos com alimentação dos trabalhadores
parcela remuneratória, a jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais tem admitido a tese de que a
alimentação fornecida “in natura”, no âmbito
da própria empresa, independentemente de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador,
não integra o salário-de-contribuição.TVejamos
ementa da decisão do TRF 1ª Região:
“TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO.
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT. SALÁRIO IN NATURA.
DESNECESSIDADE. PRECEDENTES DO TRF E STJ. 1. Se a
alimentação fornecida aos empregados se dá no âmbito da própria empresa, é inadmissível a cobrança
de contribuição previdenciária,
independentemente de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador 2. Apelação e remessa
oficial desprovidas. 29/07/2004 DJ p.105”
Por sua fez, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão firmou posicionamento que a
concessão do vale-alimentação “in natura” não é
salário-de-contribuição, independentemente de inscrição no PAT. Se, contudo, os valores forem pagos
em pecúnia, passam a integrar o
salário-de-contribuição. Vejamos:
“REsp 662241 / CE ; RECURSO ESPECIAL 2004/0069584-6. Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO
(1117). DJ 20.03.2006 p. 237 RECURSO
ESPECIAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. DEPÓSITO NA CONTA-CORRENTE DOS
EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA. MATÉRIA PACIFICADA NA PRIMEIRA SEÇÃO DESTA CORTE.
Prevalece nesta Corte Superior de Justiça o modo de julgar
segundo o qual "o pagamento in natura do auxílio-alimentação não possui natureza salarial, de modo
que não sofre incidência da contribuição
previdenciária, sendo o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador
(PAT)" (AGA 388.617/RS, da relatoria deste
Magistrado, DJ 2.2.2004). Por outro lado, a egrégia Primeira Seção desta colenda Corte pacificou o
entendimento de que, "quando o auxílio
alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta-corrente, (...), em caráter habitual e
remuneratório, integra a base de cálculo da
contribuição previdenciária" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ 8.11.2004). Na espécie,
o pagamento da ajuda alimentação deu-se sob
a forma de depósito em conta-corrente bancária, razão pela qual, na linha de raciocínio da
jurisprudência deste Tribunal, deve incidir a contribuição
previdenciária. Recurso especial improvido.”
“Como demonstrado, diferente é a análise para o pagamento de alimentação em pecúnia, pois, neste
caso, haveria flagrante violação ao disposto no
regulamento do PAT, e, ainda, a parcela seria facilmente confundida com a própria remuneração do
trabalhador.”
Há o mito difundido nos setores de pessoal das empresas de que, para não ser considerado salário-de-
contribuição, deve ser descontado da
remuneração um valor, mesmo que simbólico, a título de alimentação. É como se o desconto de uma
parcela muitas vezes insignificante tivesse o
poder de transformar a natureza jurídica da concessão de uma verba bastante custosa. Obviamente esta
interpretação não passa de um mito
irracional, já que, mesmo sem qualquer valor descontado, não há incidência de contribuição
previdenciária sobre a alimentação fornecida de acordo
com as regras do PAT.
Existe, porém, uma modalidade de fornecimento de alimentação permitido pela Legislação
Previdenciária, independentemente das regras do PAT,
sem que haja incidência de contribuição previdenciária. O art. 28, §9°, “m”, da Lei 8.212/91 menciona
que não integrará o salário-de-contribuição “os
valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado
contratado para trabalhar em localidade
distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija
deslocamento e estada, observadas as normas de
proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho”.
Dentro da Previdência Social não há consenso a respeito da interpretação deste diploma legal. Uma
das controvérsias repousa no fato de a
expressão “em localidade distante de sua residência” é, sem dúvida, uma imprecisão do legislador
ordinário, que dificulta a aplicação da norma pelo
operador do Direito. Entendemos que a intenção do legislador foi desburocratizar a concessão da
alimentação, nas situações em que o local de
trabalho fique isolado do setor urbanizado do município, pois, neste caso, sem a alimentação fornecida
pelo empregador, não haveria qualquer
possibilidade de seu empregado continuar a jornada de trabalho. Nesta hipótese, as parcelas in natura
são concedidas “para” e não “pela” execução
do trabalho.
Saliente-se que, mesmo neste caso, acreditamos ser necessário à concessão de alimentação in natura,
pois somente ela, nesta situação, pode suprir
a necessidade fisiológica do obreiro. Destarte, o fornecimento em qualquer outra modalidade (vales-
alimentação, vales-refeição ou pecúnia), faz com
que o benefício passe a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, pois, se a localidade
é mesmo distante da vila urbana, não haveria
condições de o empregado converter os vales ou mesmo o dinheiro em alimentos.
5 - Guelta
Uma prática que vem se tornando comum no mercado, especialmente no segmento do comércio, é o
oferecimento de uma espécie de prêmio por
uma empresa aos empregados de uma outra (cliente), para que estes estimulem as vendas do seu
produto. Esta premiação tem sido comumente
denominada de guelta e objetiva alavancar as vendas dos produtos das empresas fabricantes, através
de incentivo aos empregados dos pontos
comerciais.
Do ponto de vista previdenciário, a grande preocupação é relativa à incidência ou não de contribuição
previdenciária sobre esta parcela, e, sendo
esta considerada salário-de-contribuição, discuti-se em qual das empresas deve ser tributada: na que
paga a guelta (indústria) ou na própria
empregadora (ponto comercial). Caso consideremos que as gueltas sejam base de cálculo da
contribuição da empresa industrial, configurariam
estas, remuneração a trabalhadores sem vínculo empregatício (contribuintes individuais). Se
concluirmos, todavia, que as gueltas, tais como as
gorjetas, integram o salário-de-contribuição do trabalhador empregado, a tributação deve ser efetuada
na empresa comercial, considerando-se esta
parcela parte do salário.
De acordo com Juliana Bracks Duarte, a palavra guelta deriva da palavra “Geld”, que, em alemão,
precedida do prenome “Wechsel”, significa troco
(“Wechselgeld”). A prática da “guelta” teria nascido no mercado farmacêutico na década de 60,
quando os balconistas recebiam uma comissão do
laboratório farmacêutico por quantidade do remédio vendido, e, para provar o volume alcançado,
retiravam uma lingüeta que vinha afixada na
embalagem e a entregavam ao representante do laboratório. Quando o balconista sugeria um
medicamento em substituição a outro, cujo nome
fantasia constasse da receita, normalmente estava recebendo comissão pela venda.[5]
Atualmente, a prática da guelta está alastrada por diversos segmentos comerciais ou de serviços,
como, por exemplo, o setor de eletrodomésticos,
hotelaria e turismo. Uma bonificação que uma guia recebe para conduzir os turistas à determinada loja
ou restaurante pode ser considerado um típico
exemplo de guelta.
Note-se que é pacífico o entendimento de que as gorjetas integram o salário de contribuição, sendo ela
parcela paga por terceiros, por intermédio do
empregador ou diretamente ao empregado. Este posicionamento está expresso no artigo 28, I, da Lei
8.212/91, conforme já demonstrado nesta obra.
O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula 354, que reconhece as gorjetas como parcelas
integrantes do salário: “as gorjetas cobradas pelo
empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes integram a remuneração
do empregado, não servindo de base de
cálculo para as parcelas de aviso prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal
remunerado”.
A doutrina pouco tem se pronunciado acerca da integração ou não da guelta à remuneração. Em raro
texto que trata da matéria, o eminente
professor Luciano Martinez observa “que o tratamento dado às gorjetas é estendido, por analogia, às
gueltas”.[6]
Tentaremos agora responder o questionamento inicial. Podem as gueltas ser equiparadas às gorjetas
para fins de tributação previdenciária, sendo,
neste caso, consideradas remuneração dos empregados, ou devem elas ser reputadas remuneração de
contribuintes individuais paga pelo próprio
produtor?
Depende da situação do caso concreto. Entendemos que, se a atividade do empregado, ao estimular a
venda de determinado produto, coincidir com
os objetivos do empregador, de modo que este a incentive por obter uma maior rentabilidade, ou, até
mesmo, para possibilitar o pagamento de
salário mais reduzido, deve-se, sim, associar a guelta à gorjeta. Se, contudo, o empregador não possuir
qualquer interesse na venda específica de
determinada marca, sendo, muitas vezes, até mesmo contrário a esta prática, não vemos razão para a
extensão da natureza salarial da guelta, neste
caso. Observe-se que, na primeira hipótese, o valor extra é percebido exatamente para que o
trabalhador desempenhe suas funções habituais, ao
passo que, na segunda, há um “plus” na atividade do obreiro, o qual desenvolve serviço complementar
a terceiro.
Ressalte-se que, de qualquer forma, em ambas as situações, os valores pagos deverão integrar o
salário-de-contribuição, quer como salário do
empregado, quer como remuneração do contribuinte individual.
Os Tribunais Regionais do Trabalho já se posicionaram, em diversas ocasiões, sobre a integração das
gueltas ao salário e, recentemente, o TST se
pronunciou no mesmo sentido. Vejamos trecho das decisões:
“EMENTA: GUELTAS. REFLEXOS. O fato de ser realizado pagamento habitual das gueltas e provir
de terceiro e não do empregador não desnatura
a feição salarial-contraprestativa da verba. Guardando a mesma feição de prêmios por metas
alcançadas, remunera o empregado que atingiu a meta
comum das três partes, que é vender. Devido à sua natureza nitidamente salarial reflete no repouso
semanal remunerado, aviso prévio, férias
acrescidas de 1/3, 13o. salário, FGTS e indenização de 40% do FGTS. (TRT 3a R – 3T – RO
13317/2001 – Rel. Juiz Milton Vasques Thibau de
Almeida – DJMG 18-12-2001 PG: 10, Arapua Comercial S/A e Guilherme Rocha de Souza).”
“EMENTA: GUELTAS - NATUREZA SALARIAL. Não se concebe falar em negociação de metas
com vendedor de loja, sabidamente popular, sem a
correspondente comissão, fruto de seu maior ou menor desempenho. A circunstância de parte das
gueltas ser paga por terceiros - mas por
intermédio da ré, não constitui óbice à sua integração, pois a hipótese assemelha-se à gorjeta, cujo
conteúdo oneroso está no fato de ter sido dada
oportunidade ao autor para a ela fazer jus.”
“(v) “GUELTAS”. INTEGRAÇÕES. A reclamada postula a reforma do julgado no que respeita ao
deferimento de integrações da parcela denominada
“guelta”, vez que, no seu entendimento, revestida de natureza indenizatória e não, como propugnado
na sentença, salarial. Sem razão. A primeira
testemunha da reclamada esclarece que “as gueltas constituíam em incentivo às vendas” (fl. 224,
carmim), o que restou corroborado pelos
esclarecimentos contábeis da fl. 207, carmim (quesito 2), dos quais depreende-se que a vantagem era
“prêmio de venda”. No mesmo sentido o
depoimento da segunda testemunha da reclamada, ao afirmar que “gueltas são incentivos de vendas
que são pagos pela loja e pelo fornecedor”
(também na fl. 224, carmim). Patente, assim, a natureza salarial da vantagem, vez que decorrente
diretamente do exercício da atividade contratada
(vendedor), em razão do que faz jus o reclamante à integração dos valores respectivos em repousos
semanais remunerados, férias, 13º salários e
FGTS, bem deferidas na origem. (TRIBUNAL: 4ª Região, Tipo: RO Número: 00816.903/98-6 ANO:
1998)”
“PROC. Nº TST-AIRR-1511/2004-010-18-40.4: DJ 10/08/2006. AGRAVO DE INSTRUMENTO.
RECURSO DE REVISTA. GUELTAS. COMISSÕES.
INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. (...) 2.1 - GUELTAS. COMISSÕES. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO
v. acórdão recorrido assim proclamou:(...)As
comissões pagas ao Reclamante, consoante se infere dos documentos de fls. 70/92, eram calculadas
sobre o total das vendas, não havendo prova
convincente de que eram prêmios oferecidos pelos laboratórios fornecedores a título de incentivo de
vendas, e, ademais, eram pagas pela própria
reclamada, com habitualidade.(...)As parcelas pagas pela Reclamada a título de repasse de valores de
terceiros, ao que se vê do contexto probatório
trazidos aos autos, na verdade, constituem comissões, uma vez que eram pagas com habitualidade,em
percentual fixo e em decorrência das vendas
realizadas.(...)Por outro lado, colhe-se da prova testemunhal que havia pagamento de comissões que
não constavam da folha, ...(...)Desta forma, nos
termos do disposto no artigo 457, § 1º, têm as comissões natureza salarial, pelo que nego provimento
ao recurso, ...(...) (fls. 66/69)”
Coadunando com o nosso entendimento de que para a guelta ser considerada parcela salarial faz-se
mister que ela seja do conhecimento do
empregador, temos uma recente decisão do TST:
“PROC. Nº TST-RR-901/2003-001-19-40.0: DJ 19/05/2006. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM
RECURSO DE REVISTA. GUELTAS. NATUREZA
SALARIAL. Atendido o pressuposto estabelecido no art. 896, a, da CLT, colhe provimento o agravo
para processamento da revista. Agravo
conhecido e provido. RECURSO DE REVISTA. GUELTAS. NATUREZA SALARIAL. As gueltas
pagas por terceiro ao empregado, com a anuência
do empregador e com o objetivo de estimular as vendas de determinado produto, assemelham-se
às gorjetas, tendo natureza
remuneratória, não podendo ser excluídas da integração pertinente por aplicação analógica da
Súmula nº 354 desta Corte. Recurso de revista
conhecido e desprovido (grifos nossos).”
6 - Stock Options
As “stock options” consistem em operações financeiras, nas quais são comercializadas opções de
compra de ações de determinada empresa por um
preço pré-estabelecido, que devem ser exercidas em um prazo definido. Uma empresa que tenha o
valor presente de suas ações fixado em R$
1.000,00 pode comercializar “stock options” por R$ 70,00 no mercado de capitais, fixando o preço
futuro das suas ações em R$ 1.100,00, para ser
exercida a opção de compra das ações em, por exemplo, um ano. O comprador das “stock options”
deve pagar os R$ 70,00 para ter o direito de
comprar as ações da empresa dentro de um ano por R$ 1.100,00. Passado este prazo, verifica-se qual o
preço das ações no mercado. Se elas
valerem mais que o preço pré-fixado, por exemplo, R$ 1.300,00 o detentor das “stock options” pode
exercer o seu direito de compra por R$ 1.100,00,
auferindo resultado positivo no investimento. Caso as ações apresentem valor inferior ao estabelecido,
a opção de compra não é exercida, ficando o
comprador com o prejuízo do investimento inicial de R$ 70,00.
Algumas empresas de capital aberto têm disponibilizado aos seus empregados comprarem suas “stock
options” com a facilidade de transacionar
diretamente, sem passar pelo mercado de capitais. Entendemos que as “stock opitions” não têm feição
salarial, desde que seja onerosa para os
empregados, ou seja, eles devem efetivamente comprar as opções, não podendo recebê-las a título de
doação.
Obviamente, se este procedimento é adotado, seguindo as regras de mercado, não há que se falar em
incorporação à remuneração ou em tributação
previdenciária. É esta prática salutar para estreitar o vínculo entre a empresa e seus empregados e
estimular a produtividade, já que estes se
tornarão acionistas se o valor patrimonial da empresa for aumentado até a data fixada para o exercício
da opção.
Vejamos trecho de recente decisão do TST, que julgou a natureza não salarial das “stock options”:
“PROC. Nº TST-RR-3273/1998-064-02-00.7
CJ AIRR-3273/1998-064-02-40.1
STOCK
OPTION PLANS. NATUREZA SALARIAL. Não se configura a natureza salarial da parcela quando a
vantagem percebida está desvinculada da força
de trabalho disponibilizada e se insere no poder deliberativo do empregado, não se visualizando as
ofensas aos arts. 457 e 458 da CLT. Os arestos
colacionados revelam-se inservíveis, nos termos da Súmula nº 296 do TST e do art. 896 da CLT.
Recurso não conhecido
Voto
(...)1.4 - STOCK OPTION PLANS. NATUREZA SALARIAL
Sustenta o reclamante a natureza salarial do benefício, alegando que a opção de compra de ações é
um benefício que faz parte da estratégia de
remuneração da empresa. Aponta violação aos arts. 457 e 458 da CLT e indica arestos para
confronto. O Regional consignou às fls. 891:
A opção pela compra de ações é um benefício, o qual faz parte da estratégia de remuneração da
empresa, a qual, porém, não tem o escopo de
remunerar os serviços prestados, já que eventual benefício efetivo a empregado está na razão direta
do aumento do valor das ações da empresa. Em
outras palavras, esse título não é salário, pois, não está vinculado a efetiva prestação dos serviços. O
fato de o autor ter tido sucesso com tais ações
(fls. 791) não implica em dizer que essa parcela seja de cunho salarial. Esse lucro é derivado dos
valores de mercado das ações da reclamada e não
se vinculam diretamente ou indiretamente a força de trabalho disponibilizada pelo reclamante à
reclamada.
Não se configura a natureza salarial da parcela quando a vantagem percebida está desvinculada da
força de trabalho disponibilizada e se insere no
poder deliberativo do empregado, não se visualizando as ofensas aos arts. 457 e 458 da CLT.
Nesse sentido escreve Sérgio Pinto Martins, em artigo sobre a natureza do stock options no direito do
trabalho, publicado no repertório IOB de
jurisprudência nº 16/01, página 304:
“Natureza jurídica da opção de compra de ações é mercantil, embora feita durante contrato de
trabalho, pois representa mera compra e venda de
ações. Envolve a opção um ganho financeiro, sendo até um investimento feito pelo empregado nas
ações da empresa. Por se tratar de risco do
negócio, em que as ações ora estão valorizadas, ora perdem seu valor, o empregado pode ter prejuízo
com a operação. É uma situação aleatória,
que nada tem a ver com o empregador em si, mas com o mercado de ações”.
Igualmente Luciana Aboim Machado Gonçalves da Silva, em artigo publicado na Revista IOB, nº
199-janeiro/2006, filia-se à corrente que destaca a
natureza mercantil da opção de compra de ações.
Com efeito, segundo escreve:
“A Lei de Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/1976, artigo 168, § 3º) prevê a possibilidade de os
empregados participarem das ações da empresa por
meio de plano de opção de compra de ações, negociados no mercado de capitais, por um dado preço
e em certo período. O contrato de opção de
compra de ações negociados no mercado de capitais tem natureza jurídica mercantil e, por
conseguinte, não integra o contrato de trabalho. Atribui ao
empregado a opção de aquisição de lotes de ação, dentro de um prazo predeterminado, por meio de
pagamento de um preço pré-fixado. O proveito
obtido pelo empregado com a venda de ações não se confunde com o salário. Nesse caso o
empregado adquire uma personalidade mista de
assalariado e capitalista.
Já os arestos colacionados às fls. 993/994 revelam-se inespecíficos, nos termos da Súmula nº 296 do
TST, pois o primeiro refere-se ao
prêmio-produtividade e o segundo trata dos bichos pagos em função do desempenho da equipe de
futebol, hipóteses distintas da discutida nos autos.
O aresto de fls. 995 é originário de Turma do TST, sendo inservível, na esteira do art. 896 da CLT.
Não conheço. Brasília, 15 de março de 2006.
MINISTRO BARROS LEVENHAGEN – Relator”
7 – Conclusão
Como visto, o estudo da natureza jurídica das parcelas é fundamental para definição da matriz de
incidência da contribuição previdenciária. Além das
aqui tratadas, existe polêmica doutrinária e jurisprudencial acerca de diversas outras rubricas.
A dinâmica da legislação previdenciário impõe uma necessidade de constante atualização dos
profissionais que militam neste importante área do
Direito. Neste contexto, o salário-de-contribuição, como espinha dorsal do custeio previdenciário,
merece especial atenção dos estudiosos.
Notas: [1] Para maiores informações ver Kertzman, Ivan e Cyrino, Sinésio. Salário-de-Contribuição –
A Base de Cálculo Previdenciária das
Empresas e dos Segurados, Edições JusPodivm, 2007. [2] Barros, Alice Monteiro. “Curso de Direito
do Trabalho”. São Paulo. LTR, 2005, Pg. 899.
[3] Delgado, Maurício Godinho. “Curso de Direito do Trabalho”. 3ª ed., São Paulo. LTR, 2004, Pg.
1174. [4] Martinez, Wladimir Novaes.
“Comentários a Lei Básica da Previdência Social”. 4ª ed., São Paulo. LTR, 2003, Pg. 380. [5] Duarte,
Juliana Bracks, Advogada do Escritório
Pinheiro Neto e Associados, artigo acessado dia 14/04/06 no site www.migalhas.com.br . [6]
Martinez, Luciano. “Guia Prático do Direito do
Trabalho”. Salvador. JusPodivm, 2006, Pg. 102.