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Sérgio Izecksohn

Teoria Básica para Home Studio 1

A Popularização dos Home Studios

Um velho sonho de todos os músicos já é rotina para uma boa parcela deles. Ter em casa
um estúdio de gravação, onde se possam gravar os próprios trabalhos, seja como fonte
de renda, ou pelo menos para registrar as idéias quando elas ainda estão frescas, recém-
saídas da inspiração. O antigo sonho de compositores, cantores e instrumentistas se
converteu em um mercado que movimenta milhões de dólares por todos os continentes.

Muitos músicos, pelo mundo afora, têm seu próprio estúdio, geralmente instalado em um
quarto ou sala, em casa. Alguns são bastante sofisticados, com gravação de áudio digital
em 24 pistas ou mais, mesas de som automáticas e muito poderosas, vários samplers,
sintetizadores, supercomputadores, tratamento acústico, enfim, recursos compatíveis com
os estúdios comerciais de médio ou até grande porte. Outros (a maioria) são bem mais
simples, sem tratamento acústico, com menos equipamentos, mas com alto poder de
fogo, de qualquer forma.

No Brasil dos últimos anos, com a liberalização alfandegária para a importação de


equipamentos eletrônicos, o mercado cresceu rapidamente. As lojas de instrumentos se
modernizaram e aumentaram em quantidade e qualidade. A figura do “muambeiro” de
instrumentos musicais, outrora o braço direito de
todo músico profissional, vem, passo a passo, dando
lugar a uma estabilização do setor. O músico
brasileiro se torna consumidor, com direito a garantia
e assistência técnica para seus instrumentos de
trabalho, em vez do antigo e triste papel de
receptador de material contrabandeado. Por sua vez,
a indústria nacional começa a despertar para as
novas tecnologias e custos, frente à feroz
concorrência dos produtos importados.

A gigantesca multiplicação do número de estúdios caseiros decorreu de alguns inventos,


que surgiram com a tecnologia digital, no início dos anos 80. Esses inventos evoluíram de
modelos que vinham sendo desenvolvidos nas duas décadas anteriores. O mais
conhecido é o protocolo MIDI, a interface que comunica sintetizadores a computadores.

A MIDI (ou ‘o’ MIDI, como dizem) foi definida em 1983 pelos principais fabricantes de
instrumentos musicais do mundo. Ela evoluiu de sistemas de triggers e outros
sincronizadores, que cada fábrica desenvolvia para seus instrumentos e seqüenciadores
analógicos, sem muita compatibilidade entre equipamentos de fábricas diferentes. Em 83,
a indústria resolveu criar um protocolo unificado, e aberto a inovações futuras. Surgia a
Musical Instrument Digital Interface, ou MIDI.

Mais adiante, com o grande número de usuários e produtores de MIDI files, os arquivos
no padrão MIDI para computadores já não eram mais de interesse exclusivo dos músicos.
Os jogos de computador, por exemplo, lançam mão desses recursos, e se dirigem a um
público muito maior. Foi definido então o padrão General MIDI, um conjunto definido e
limitado de timbres e outros recursos para compatibilizar diferentes equipamentos em
aplicações voltadas para o mercado da informática. As placas de som e a multimídia
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tiveram aí um terreno fértil para se desenvolverem.

Outro grande responsável pela explosão dos home studios foi o chamado porta-estúdio, o
gravador cassete de quatro (ou mais) pistas, que foi aposentando os gravadores de rolo
de quatro, oito ou 16 pistas. Hoje, o porta-estúdio está sendo aos poucos substituído pela
gravação digital em hard disk ou em fita de vídeo. O custo relativamente baixo e a
facilidade de manuseio desta tecnologia foram os responsáveis pelo súbito aumento do
número de produtores independentes.

De lá pra cá, máquinas, ferramentas e software para se gravar música em casa são
lançados freneticamente em um mercado que não pára de se expandir. Nos anos 90, os
seqüenciadores por computador e a gravação de áudio pelo processo digital em oito ou
16 pistas são as tecnologias que mais se popularizam. A Internet, a rede mundial de
computadores, é uma grande parceira desses estúdios, na medida em que fornece
programas, upgrades (atualizações), gravações de músicas, arquivos MIDI, partituras e
informação musical de graça, sem que o músico precise sequer sair de casa.

O outro lado da moeda é a expansão do


próprio mercado de trabalho do músico. Por
todo canto, florescem novas produtoras de
multimídia, de vídeo e animação, agências de
publicidade, rádios comunitárias e outras
empresas que são clientes naturais das
pequenas e médias produtoras de som, caso
de muitos home studios com objetivos
comerciais. Aqui, o estúdio caseiro fornece
meio de trabalho para um ou mais músicos,
cantores, compositores e arranjadores. Por
seu baixo custo operacional, o home studio chega a competir com as grandes produtoras,
oferecendo produtos de alta qualidade aos clientes mais exigentes. Mesmo as emissoras
de TV têm preferido contratar produtores que disponham de estúdio próprio.

Para se montar e operar um home studio são necessários alguns requisitos básicos. O
primeiro que vem à mente, naturalmente, é o capital necessário; o segundo é o
equipamento a comprar. No entanto, um requisito fundamental muitas vezes é esquecido
nessa hora: planejamento. Sem ele, possivelmente o capital será mal empregado ou o
projeto não sairá do mundo das idéias. Planejar os objetivos, o mercado potencial, as
condições de trabalho, o equipamento e os recursos humanos, tudo de acordo com o
capital disponível, deve vir antes da aquisição de qualquer máquina, para que o sonho
não se torne um pesadelo. A consulta permanente ás fontes de informação (revistas,
manuais, lojas, especialistas, amigos com experiência, sites na Internet) é outro requisito
importante.

O Planejamento faz a Diferença

Para se montar um home studio é preciso equilibrar uma série de fatores. De acordo com
os objetivos, capital, espaço, clientela ou necessidades pessoais, surgem inúmeras
opções de equipamento e de projetos de tratamento acústico para quem vai “se equipar”.
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Nada é pior que constatar erros de planejamento depois de realizado o investimento,
como uma obra de isolamento acústico que não isola, ou a compra de aparelhos
desnecessários ou obsoletos. Antes de comprar, devem-se ponderar todas as
necessidades e possibilidades, e aí fazer uma lista de todos os itens, com modelos e
preços compatíveis.

Primeiro vêm os objetivos do empreendimento. Um estúdio caseiro de gravação pode


atender o mercado fonográfico, publicidade, TV, cinema, vídeo, ou produzir fitas demo de
um compositor, cantor ou instrumentista. Também conta o perfil de quem vai operar o
estúdio, se músico, engenheiro de som, produtor etc., e a sua experiência com o material.
Cada combinação dessas variáveis implica num set-up diferente. Um estúdio voltado para
produção de trilhas instrumentais com sintetizadores deverá ter bons teclados e módulos
de som MIDI, além de um bom computador, enquanto outro estúdio, para gravação e
mixagem de grupos vocais e/ou instrumentais, terá bons microfones, processadores e um
sistema de gravação multipista. Nos dois casos, serão necessárias uma boa mesa de
som e monitoração. Se se pretende operar simultaneamente nas áreas de áudio e MIDI,
busca-se o melhor dos dois mundos, com equilíbrio de investimentos entre eles.

O segundo item é o capital disponível. Ele deve ser levado em conta para se definir o
nível ou o padrão geral do estúdio, para que se determinem equipamentos e obras
acústicas compatíveis entre si. Por exemplo, o uso de microfones caros e muito sensíveis
num quarto de alvenaria sem qualquer tratamento acústico pode trazer resultados
decepcionantes.

Distinguem-se três níveis típicos de home studios:

Básico: pode dispor de um porta-estúdio (gravador) cassete de quatro pistas, como os


modelos da Fostex, Tascam ou Yamaha, uma mesa de som de oito ou mais canais
(Mackie), um ou dois microfones Shure ou AKG, reverberador, deck cassete, amplificador
e caixas acústicas (às vezes a solução inicial é o aparelho de som doméstico, se for de
boa qualidade). O estúdio MIDI deste nível pode ter um sintetizador multitimbral da
Roland ou da Korg com seqüenciador próprio (workstation) ou externo. Este pode ser um
programa de computador, como o Cakewalk ou o Cubase, ou um hardware sequencer da
Roland, Yamaha ou Brother. O sistema pode ser sincronizado ao gravador multipista para
expansão de canais através de uma interface para computador (MQX 32-M) ou em
hardware, da MidiMan ou da J. L. Cooper. O computador para gravar o áudio em
substituição ao porta-estudio, através de programas como Cakewalk Pro-Audio ou
Cubase Audio e placas de som Turtle Beach ou Roland, demanda uma configuração mais
avançada que para aplicações MIDI (gravação de instrumentos eletrônicos), viável até
mesmo em velhos 386 com 4 Mega de RAM rodando Windows 3.1. Os arquivos de som
podem ser mil vezes maiores que os arquivos MIDI.

Intermediário: conta com um sistema de gravação de áudio digital em oito ou 16 pistas,


em fita de vídeo (Alesis ADAT-XT ou Tascam DA-88) ou em hard disk, via computador
(Session 8, Session 16, Studio Vision) ou hardware (Roland, E-Mu). A gravação em HD é
mais cara que os gravadores de fita, trazendo contudo muitos recursos de edição. Outros
investimentos, neste nível, são módulos de som (sintetizadores e baterias eletrônicas) e
controladores MIDI, um sampler (Roland, Akai), um Pentium ou MacIntosh com interface
MIDI/Sync, uma mesa de pelo menos 16 canais com conectores Canon (Mackie, Yamaha,
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Tascam), microfones para vozes e instrumentos (AKG C-3000 e Shure SM-57), direct
boxes (Furhman, Countryman) para conectar as fontes sonoras à mesa, reverberadores
(Lexicon, Yamaha, Alesis), compressores (Dbx, Alesis), noise gate, equalizador, DAT ou
Mini-Disk, amplificador e monitores de estúdio Yamaha, Alesis ou JBL. Um projeto de
isolamento e tratamento acústico viabiliza a gravação e a mixagem. Estes recursos
permitem boas gravações para CDs independentes ou publicidade e demos de boa
qualidade.

Avançado: apto a oferecer qualquer serviço de gravação profissional, adiciona uma mesa
de gravação (Mackie, Soundcraft, Tascam, Yamaha) com 32 ou mais canais de
entrada/saída e oito subgrupos, automação e patch bay, um sistema de gravação digital
(24 pistas) em fita de vídeo (ADAT, DA-88) ou computador (MacIntosh com Pro Tools),
dois sistemas de monitoração com amplificadores e caixas profissionais para gravação e
mixagem, processadores (equalizadores, compressores Dbx, reverberadores Lexicon e
Yamaha, multi-efeitos, Vocalist, Aural Exciter etc.), distribuidores para uns 10
headphones, vários microfones (Neumann U87, AKG C-414, Shure SM-57, SM-94, Audio
Technica 4049, Sennheiser MD 421U, Eletro Voice RE 20) e cabos de qualidade. O
sistema MIDI se expande com uma interface de oito portas (8 Port, Studio 5 etc.) para o
Pentium ou o Mac, teclado controlador Roland ou Kurzweil, sintetizadores Korg Trinity,
Roland JV-1080, Ensoniq TS-12, samplers (Roland, Akai, Emulator). A bateria pode ser
acústica (microfonada) e/ou trigada ao sampler.

Na terceira variável, o espaço disponível, um planejamento de obras de tratamento


acústico é vital para o seu perfeito desempenho. Quanto mais alto o nível, mais cuidado
se deve ter com tratamento e isolamento. Um arquiteto com experiência em estúdios do
porte do seu evita decepções com projetos improvisados que pioram a sonoridade de sua
sala. Reserve um espaço para a técnica e outro para os músicos, perfeitamente isolados.
Se for um estúdio pequeno ou médio, pode-se até gravar com headphones, num único
cômodo da casa.

O mais importante é se fazer um projeto com coerência, pesando as reais necessidades


de acordo com suas condições e metas. Vale a pena começar com um estúdio mais
simples, e depois ir evoluindo de acordo com a sua trajetória.

As Mesas de Som
Mesa, console ou mixer. O item central de
qualquer estúdio costuma ser negligenciado
por aqueles que estão iniciando no universo
da gravação de áudio, visto como luxo por
alguns que começam a adquirir seus
equipamentos, ou como um verdadeiro
bicho-de-sete-cabeças por outros. É
impossível se operar um estúdio sem a
mesa, e ela é que determina a qualidade do
seu som. Mesmo os mini-estúdios baseados
num único sintetizador workstation, ou só num computador com placa de som, dependem
do mixer virtual instalado neles.
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O porte da mesa é proporcional ao do estúdio e os fatores principais para se escolher um


bom equipamento são a adequação às necessidades, qualidade do som, recursos
auxiliares, facilidade de manuseio, versatilidade e custo. O mercado conta hoje com as
mais conceituadas marcas mundiais, como Mackie, Yamaha, Soundcraft, Behringer,
Soundtracs etc. Alguns gravadores multipista, cassete, Mini-Disk ou HD, vêm com um
pequeno mixer acoplado, que em diversos casos é suficiente.

Em um sistema de gravação com mais de uma fonte sonora (instrumento ou voz), todas
as fontes devem ser transmitidas à mesa de som através de cabos. Os sinais sonoros
entram na mesa através dos canais de entrada (inputs), são processados um a um e
finalmente misturados e enviados, pelos canais de saída (outputs), a um gravador ou um
amplificador.

Canais. O número de inputs, oito, 12, 16, 24, 32 ou mais, depende do número de fontes
sonoras (microfones, instrumentos elétricos e eletrônicos) a se gravar simultaneamente, e
a se mixar (canais de gravação, instrumentos eletrônicos seqüenciados). Além desses,
temos os inputs auxiliares, geralmente para entrada de efeitos externos, como o reverber,
ou como canais extras para mixagem de teclados ou outros sinais ‘flat’ (não processados
pela mesa).

Os canais de saída são os masters estéreo (direito e esquerdo), em pares de outputs para
monitoração e mixagem, mais as saídas individuais ou de subgrupos de canais para
gravação, além das saídas auxiliares para processamento e efeitos.

Conexões. Os conectores, na maioria das mesas, são do tipo “banana”; outras usam
plugs RCA. Os conectores “banana” podem ser balanceados (com redução do ruído nas
gravações) ou não balanceados. Prefira os plugs do formato XLR ou Canon, balanceados.
As impedâncias dos sinais de entrada são geralmente equilibradas pelos controles de
ganho (gain ou trim), ou com diferentes inputs para diferentes impedâncias
(microfone/linha, mic/line, por exemplo). Nunca use duas entradas de um mesmo canal.

Controles. Cada canal de entrada possui controles de nível (volume), timbre


(equalização), posição estereofônica (pan), e efeitos ou auxiliares. O endereçamento para
subgrupos de canais (bus ou submasters), controles solo e mute são exclusivos de mesas
de médio e grande porte. O processamento do sinal sonoro se dá através do fader,
equalizador, pan e efeitos (ou auxiliar).

O fader, um potenciômetro linear, controla o nível de entrada (volume) da fonte sonora


ligada àquele canal. É útil nivelarem-se os canais pelos controles de ganho, deixando
inicialmente os faders em 50%, para otimizar os recursos de gravação e mixagem.

O equalizador (EQ), que define o timbre de cada canal, pode ser desde um simples par de
controles de tonalidade (grave, low, e agudo, high) até um equalizador paramétrico de
várias faixas de freqüência. Mais comumente, as mesas apresentam controles de
freqüências baixas (Low: 80 ou 100 Hz), médias (Mid: 1 ou 2,5 KHz) e altas (High: 10 ou
12 KHz). As maiores têm uma ou duas faixas de paramétricos nos médios, mais agudo e
grave.
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O pan pot, controle do panorama estéreo, posiciona o sinal de um canal de entrada nos
canais stereo de saída, mais á esquerda ou á direita. Instrumentos estéreo, como
teclados, que utilizem dois canais da mesa, devem ter os pan ajustados, um todo para a
esquerda e o outro todo para a direita. O controle da estereofonia, neste caso, é feito com
os faders, aumentando-se ou abaixando-se
cada um para modificar a posição ‘espacial’.
Algumas mesas dispõem de canais estéreo,
que endereçam os dois sinais para esquerda e
direita. Neste caso, usa-se normalmente o
pan, e os outros controles afetam igualmente
os dois lados.

Controles auxiliares ou de efeitos determinam


quanto sinal de um canal será enviado até um
processador de som, tal como um
reverberador ou delay (eco), pelas saídas
auxiliares da mesa, de forma que um mesmo
processador possa ser usado por vários
canais em intensidades diferentes. Os sinais de diversos canais, devidamente misturados,
são enviados por um output auxiliar (mono ou stereo) até o processador, retornando á
mesa por um input auxiliar (mono ou stereo) e misturados aos sons originais (‘secos’).

Masters, ou mestres, são um ou dois faders que controlam o nível geral dos canais
masters de saída, e os controles de retorno dos auxiliares. Os subgrupos ou submasters,
encontrados nas mesas de médio e grande porte, tipo 8 bus, funcionam como canais
coletivos que gerenciam outros canais. Por exemplo, se as peças de uma bateria ou de
uma seção de instrumentos estão entrando por vários canais, pode-se equalizá-los em
separado e depois endereçá-los para um mesmo submaster, o que permite o uso de um
único fader ou um par estéreo para toda a seção ou a bateria, e gravar tudo em uma ou
duas pistas, pelas saídas dos submasters.

Automação. As mesas com automação, em geral via MIDI, podem ser controladas por um
computador. Diversos procedimentos de mixagem, difíceis de se realizarem
simultaneamente, podem ser preparados no computador e repetidos infinitas vezes
durante o processo. Vários controles da mesa são automatizados, como os faders, pan e
outros. O recurso chamado “recall” permite recuperar as posições dos controles de uma
mixagem feita antes. Algumas mesas vêm com automação interna, independente do
computador, e todo o processamento on board, isto é, com multiprocessadores de efeitos
internos. Mesas digitais transmitem e recebem o sinal dos gravadores por fibra ótica,
mantendo o som definitivamente no campo digital.

Escolha a mesa de seu estúdio de acordo com as necessidades e características do


mesmo. Observe os equalizadores, a quantidade de “mandadas” e retornos auxiliares, o
número de canais, mas principalmente a qualidade do som. Este será o seu som.

A Captação do Som

Gravar vozes, instrumentos acústicos e elétricos é a tarefa mais delicada de um estúdio.


Ainda mais, por não haver regras pré-estabelecidas sobre qual a melhor forma de se
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captar o som de um instrumento. Neste artigo, vamos conhecer os procedimentos usuais
de captação e os microfones mais usados pelos estúdios mundo afora.

Se o seu home studio opera somente via MIDI, isto é, se teclados e baterias eletrônicas
são suas únicas fontes sonoras, não há muito com que se preocupar, pois os
instrumentos eletrônicos são conectados diretamente à mesa de som pelos cabos de
áudio. Porém, se o estúdio dispõe de um gravador multipista (em fita, HD ou MD) e tem o
objetivo de gravar vozes e instrumentos, é necessário conhecer alguns recursos técnicos.

Se o seu home studio é básico, com um porta-estúdio cassete de 4 pistas e sem


tratamento acústico, ainda não é o momento apropriado para se fazer uma coleção de
microfones para todas as finalidades. Neste caso, o uso de microfones dinâmicos, desses
que se usam nos palcos, como os Shure SM57 e SM58 (ou Beta 57, 58) pode ser uma
boa solução. Dinâmicos e unidirecionais (cardióides), esses modelos compensam a falta
de tratamento acústico do pequeno estúdio. Outra boa solução para o pequeno estúdio
com isolamento acústico é o modelo AKG C3000, a condensador.

Há vários tipos de microfones, para diversas finalidades. Os microfones para gravação se


dividem em dinâmicos, que são mais resistentes a ruídos de manuseio e têm uma
resposta mais dura, e os microfones a condensador, bem mais sensíveis. Estes precisam
ser alimentados por corrente elétrica. Geralmente, a mesa de som tem uma chave de
“phantom power”, que os alimenta com uma corrente de 48 V através do próprio cabo de
áudio. Quanto à área de atuação, os cardióides captam melhor o som numa área em
forma de coração, diante da cápsula e a moderada distância, sendo chamados de
unidirecionais. Os hiper-cardióides têm essa área de captação ainda mais estreita. Há
ainda os omni-direcionais ou multi-direcionais, captando áreas mais largas, e ainda em
forma de 8.

A mesa deve ter inputs do formato XLR ou Canon para uma melhor qualidade do som. Se
ela só possui entradas com plugs do tipo “banana”, verifique no manual se essas entradas
são balanceadas. Neste caso, podem-se usar plugs banana estéreo (com 3 vias) para
fazer a conexão. Note que esses plugs estéreo serão usados como “mono” (a terceira via
é usada como terra). Para gravar instrumentos em linha numa mesa com entradas Canon,
é ideal o uso de Direct Boxes, casadores de impedância que mandam o sinal para a mesa
por cabos Canon. Já os microfones são plugados diretamente à mesa.

Vejamos aqui algumas técnicas e os microfones mais usados para a captação de vozes e
dos instrumentos mais comuns:

Voz. Os microfones a condensador são os mais apropriados. Os mais usados são o


Neumann U87 e AKG C-414. O AKG C3000, de menor custo, é uma boa solução para o
home studio. O microfone deve ficar sempre no pedestal, com suspensão própria e uma
tela para filtrar o som da voz e barrar a emissão mais forte do ar, que causa o indesejável
“puf” na gravação. A distância varia de acordo com a potência vocal do cantor, geralmente
entre 20 e 70 cm, mais ou menos na altura dos olhos.
Usando-se um microfone dinâmico (no pequeno estúdio), deve-se posicioná-lo a 45 graus
da boca do cantor, a uns 5, 10 cm.

Violão. Temos aqui várias opções de captação. O violão com cordas de nylon será
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captado por um microfone a condensador, como os citados para voz, a uns 20 ou 30 cm
da boca do instrumento. Usa-se ainda, nos violões eletrificados, combinar o som do
microfone com o som direto, plugando-se o violão em um segundo canal da mesa. O ideal
é se gravar em várias pistas para então dosar o nível dos sons. O violão com cordas de
aço, atuando em conjunto com outros instrumentos de harmonia, pode ser captado por
um microfone que realce as altas freqüências (agudos), como o AKG C-391 ou o Shure
SM-81.

Guitarra. Apesar da polêmica entre som direto e microfonado, é majoritária a gravação da


guitarra através de microfones dinâmicos, como o Shure SM-57, captando o alto-falante
do amplificador a uns 20 cm. O amplificador deve estar em outra sala, isolado da técnica.
Após se definir o timbre no amplificador da guitarra, busca-se reproduzi-lo nos monitores
do estúdio através dos equalizadores da mesa. Usa-se também a gravação em linha
através de um pré-amplificador.

Baixo elétrico. Pode ser gravado diretamente na mesa, microfonado, via amplificador, ou
de várias formas combinadas. Microfonado, segue os padrões da guitarra, usando Shure
SM 57, AKG D112, Eletro-Voice RE 20 ou Sennheiser 421. Em linha, com direct box, o
som é mais nítido. As cordas têm que estar novas, o instrumento regulado e, se usar
captação ativa, bateria nova. O ideal é experimentar até se alcançar a sonoridade
desejada. O custo/hora do home studio costuma ser bem menor que nos estúdios de
maior porte, o que permite uma experimentação maior.

Bateria. Usam-se vários microfones diferentes, em geral dinâmicos para as peles e


condenser para os pratos. Para a caixa, o mais comum é o Shure SM57, voltado para a
pele superior, a uns 10 cm. Para o bumbo, AKG D112 ou Eletro Voice RE 20, dentro do
bumbo. Tom tons e surdo, Sennheiser MD 421, como na caixa. Contratempo, Shure SM
94. Os pratos podem ser captados por dois microfones overall do tipo lapiseira, como o
Shure SM 81.

Nunca é demais experimentar opções de captação, já que o que realmente importa é o


resultado. A boa execução vocal ou instrumental é o fator mais importante para uma
gravação de qualidade. Não deixe para recuperar a qualidade na mixagem. As melhores
soluções são encontradas na hora de gravar.

Os Gravadores Multipista

Há poucas décadas, a gravação de um disco era feita diretamente para a fita master,
gravando-se músicos e cantores todos ao mesmo tempo. Se houvesse um erro por parte
de qualquer um deles, todo o trabalho era refeito. O lançamento dos gravadores multipista
permitiu uma grande evolução nas técnicas de gravação. Os estúdios dispõem hoje de
dois tipos de gravadores, multipista e estéreo, o primeiro para a gravação em si e o
segundo para a mixagem. Cada tipo apresenta diversos formatos, para gravação
analógica ou digital.

O gravador multitrack, multipista ou multicanais, registra os sinais sonoros de fontes


acústicas, elétricas e eletrônicas na primeira fase de uma gravação. Há modelos
analógicos, de fita magnética cassete ou de rolo, e os digitais, de fita de vídeo, disco
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rígido ou Mini-Disk, com quantidade variada de pistas de gravação ("tracks").

Gravadores analógicos. Os gravadores de rolo são o padrão original da gravação


multipista. Utilizam fitas de 1/4, 1/2, 1 ou 2 polegadas, em 4, 8, 16, ou 24 pistas. Os rolos
de 8 pistas com fita de 1/4, das marcas Fostex e Tascam eram muito encontrados em
home studios até o lançamento dos gravadores digitais em fita de vídeo. Gravadores
cassete de 4, 6 ou 8 pistas, os porta-estúdios, da Tascam, Fostex e Yamaha, estão entre
as causas da súbita popularização dos estúdios pessoais em quase todo o planeta. Vêm
com uma pequena mesa de som e um filtro de ruídos, e custam em torno de 500 dólares.

Gravadores digitais utilizam fitas de vídeo em 8 pistas, expansíveis até 128, como o Alesis
ADAT-XT (fita S-VHS) e os Tascam DA-88 e DA-38 (fita Hi-8), Mini-Disk (MD) em 4 pistas
(Tascam, Yamaha e Sony) ou disco rígido (HD), em hardware (Roland, E-Mu) ou via
computador. Enquanto a fita permite o livre trânsito do material gravado entre vários
estúdios, a gravação em HD ou MD ganha poderosos recursos de edição. Os programas
de computador (para Mac e PC) controlam sistemas de quatro ou oito pistas, em geral,
utilizando hard disks de mais de um gigabyte de memória. Os mais usados são o Pro-
Tools, da Digidesign (que inclui os periféricos‚ como interface de áudio etc.), o Sonic
Solutions , ambos para o MacIntosh, e o Session 8 (Digidesign) para o PC (Windows).
Recentemente, os seqüenciadores MIDI vêm implementando a gravação de áudio em HD
através das placas ou interfaces de som. Os mais comuns são o Cakewalk Pro Audio
(PC), o Studio Vision, o Digital Performer (Mac), o Cubase Audio e o Logic Audio (para as
2 plataformas).

Pistas e canais são termos usados de forma genérica e confusa para gravadores, mesas,
MIDI e seqüenciadores. Cabe aqui uma distinção: canal ("channel") é a rota de um sinal
de entrada ou saída, seja de áudio em uma mesa de som, seja de informações MIDI
sendo transmitidas ou recebidas por um instrumento ou computador; pista ou trilha
("track") é a faixa de uma fita onde um sinal é gravado. Por exemplo, a fita cassete
estéreo é gravada em duas pistas (direita e esquerda) no lado A e mais duas no lado B.
Os seqüenciadores, inspirados nos gravadores, têm seus setores de "gravação"
igualmente denominados "pistas" .O mesmo ocorre com gravadores de HD. Nada impede,
pois, que enderecemos vários canais de uma mesa direto para uma única pista do
gravador, ou seja, que gravemos várias fontes, através de vários canais da mesa, numa
única pista.

Diferenças entre estéreo e multipista. O gravador multipista difere do estéreo nos modos
de gravação e reprodução. Comparado a um cassete multipista, o deck cassete stereo
tem quatro pistas de gravação, que correspondem aos canais esquerdo e direito de cada
lado ("A" ou "B") da fita. O cabeçote atua sobre duas pistas, os dois canais stereo daquele
lado. Virando-se a fita, gravam-se ou reproduzem-se as duas pistas do outro lado. O
gravador multipista, por seu turno, utiliza todas as pistas de uma só vez. Não há lado "A"
ou "B", mas um único lado com 4 ou 8 pistas, cada uma delas sendo gravada ou
reproduzida independentemente. Cada pista tem seu sinal enviado a um diferente canal
da mesa de som, onde só então o sinal é posicionado no campo auditivo stereo
(direito/esquerdo) via controle de pan.

Canais de entrada e de monitoração em uma gravação exigem atenção. Os gravadores


multipista têm canais de entrada (inputs) correspondentes às pistas de gravação e canais
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de saída (outputs) para monitoração e mixagem. O input recebe o sinal, proveniente da
fonte sonora através da mesa de som, e o envia para o cabeçote de gravação. O output
envia o sinal, da cabeça reprodutora, de volta à mesa de som, para ser monitorado e
processado num segundo canal. Para termos maior liberdade na mixagem, o
procedimento usual é gravar o sinal seco, não tratado acusticamente nem equalizado
(timbre "flat"), nivelando-se os canais de entrada da mesa e do gravador, de modo que os
VUs ou os LEDs de ambos atinjam o pico entre zero e +3 dB (decibéis), para otimizar a
relação sinal/ruído. Nos gravadores digitais, o nível de gravação não pode ultrapassar
zero dB. Monitorando-se a "volta" (o canal da mesa onde se liga o output do gravador)
com o processamento desejado na hora de gravar, esse processamento não interfere na
gravação flat, devendo ser refeito na mixagem e sempre que se desejar. Há exceções, em
que se opta por gravar o sinal já processado, principalmente da guitarra.

Filtros. Nos gravadores analógicos, devemos usar sempre o filtro de ruídos, dbx ou Dolby,
desnecessários nos modelos digitais. Os gravadores em HD e MD, com suas
peculiaridades, serão matéria de um outro artigo.

A escolha de um gravador multipista leva em conta a qualidade do som mais a vocação e


o orçamento do estúdio.

Gravação de Áudio no Computador

Muito têm evoluído os sistemas de gravação de áudio. No princípio, gravava-se toda a


orquestra ou banda reunida, monofonicamente (em um único canal). Ou seja, gravação e
mixagem eram uma coisa só, ocorriam no mesmo momento. Havendo algum erro por
parte de um dos músicos, tudo precisava ser regravado. Depois, veio a gravação estéreo,
e daí em 4, 8, 16 e 24 pistas, nos gravadores analógicos de rolo. Surgiu aí a técnica do
playback, a gravação em separado das partes de um arranjo. Mais recentemente, com o
advento do áudio digital, entraram em cena os gravadores em fita de vídeo, com 8 pistas,
como o ADAT, e gravadores digitais de rolo. A nova tendência é o áudio gravado
diretamente para o disco rígido de um computador. Através de uma interface (placa) de
som e um programa, o micro passa a ser o próprio estúdio de gravação.

Primeiro surgiram programas dedicados exclusivamente à gravação de áudio no hard


disk, em geral com 8 pistas, como o Pro Tools, para o Mac, e o Session 8, para Windows,
ambos da Digidesign. Nos últimos anos, uma nova opção ganha cada vez mais força,
principalmente nos home studios: os programas que conjugam gravadores de som e
seqüenciadores MIDI, como o Digital Performer, o Studio Vision (Mac), o Cubase Audio, o
Logic Audio, ambos para Mac e Windows, e o mais popular de todos, o Cakewalk Pro
Audio (Windows). Com um programa como esses, em um PC multimídia, o usuário dispõe
de um estúdio de gravação com muitos recursos de edição, junto a um poderoso
seqüenciador de teclados MIDI. No Cakewalk, por exemplo, usando qualquer placa de
som, pode-se gravar, em cada track, um canal de áudio (voz, instrumento elétrico ou
acústico) ou um canal MIDI de instrumentos eletrônicos. Para isso, basta selecionar a
fonte sonora (MIDI ou áudio) com o mouse, na coluna apropriada do programa. Os dois
sistemas de gravação, de áudio e MIDI, trabalham sincronizados e unidos, como se
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 11
fossem uma única tecnologia. No entanto, são dois sistemas independentes: um
seqüencia (registra e ordena) informações sobre a performance do músico nos teclados e
baterias eletrônicas, com baixo consumo de memória, e depende de hardware externo,
como sintetizadores, samplers e bateria eletrônica; o outro é um gravador de som
multipista que usa o HD como meio, ao invés de uma fita, convertendo os sinais de áudio
em dados digitais, consumindo um grande espaço em disco.

Para o home studio de nível básico, esta revolução significa que, dispondo-se de um PC
com uma placa Soundblaster, geralmente usada para sonorizar jogos, basta instalar um
programa como o Cakewalk Pro Audio para ter um porta-estúdio digital e um
seqüenciador MIDI sem custos adicionais. O estúdio de nível intermediário pode usar uma
placa de som Turtle Beach ou Roland, que aceitam maior número de pistas de áudio e
conferem melhor qualidade sonora. O estúdio avançado usa a mesma versão do
software, com uma placa Audiomedia III, da Digidesign, e um hard disk SCSI, mais rápido
que o IDE.

Conexões e recursos de edição de áudio. Para se gravar o áudio, usa-se a entrada


Line In da placa de som. A fonte sonora é conectada à mesa de som, e endereçada até a
placa, por um cabo de áudio. Na ausência da mesa, pode-se ligar um microfone na
entrada Mic da placa de som. Através da placa e do programa, os sons são registrados no
HD. Para se reproduzir o áudio, liga-se a saída Line Out da placa às entradas da mesa,
ou se monitora diretamente nas caixas de som do kit multimídia, ligadas à saída Speaker.
O número de canais e pistas de gravação, 2, 4, ou 8, é limitado apenas pela placa de
som, não pelo programa. Cada pista de áudio possui várias ferramentas de edição, que
vão desde o recurso de cortar, copiar e colar trechos gravados, até processadores e
efeitos sonoros on board, como equalizadores e reverberadores, sejam recursos do
programa ou da placa de som. Ë possível, por exemplo, copiar a voz do refrão de uma
música e fazer repetir o trecho em outras partes dessa música.

Recursos do seqüenciador MIDI. O seqüenciador é a função original desses


programas. Embora contem hoje com recursos de gravação de áudio, edição de partituras
etc., todos eram sequencers nas suas primeiras versões. Através das conexões MIDI,
presentes nos instrumentos e na maioria das placas de som, controlam os sintetizadores,
samplers, baterias eletrônicas, e até processadores de efeitos, mesas e gravadores
automáticos. Os teclados, por exemplo, são literalmente tocados por ele, que “aprende a
música” quando o instrumentista a executa ou a escreve com o mouse. O programa
permite que se editem todas as partes da música com enorme liberdade, como repetir
trechos, mudar timbres, andamentos, tons, acrescentar ou retirar notas etc. A quantização
corrige automaticamente imprecisões no ritmo tocado pelo músico. O seqüenciador
executa ‘ao vivo’ os instrumentos eletrônicos, tornando desnecessário o registro de seu
áudio em um gravador multipista, porque os dois sistemas, seqüenciador e gravador,
trabalham sincronizados. Assim, os teclados se reúnem ao áudio gravado (voz,
instrumentos acústicos e elétricos) na mesa de som, sendo gravados, ainda em 1a
geração, somente na mixagem. O uso do seqüenciador sincronizado ao gravador
multipista expande em muito os recursos e os canais do estúdio, seja este pequeno ou
grande.

Vantagens do seqüenciador com áudio incorporado. Essas novas versões dos


programas, como o Cakewalk Pro Audio, dispensam o gravador multipista externo. Toda a
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 12
gravação e o seqüenciamento são feitos no computador. Além disso, a gravação de áudio
conta com os recursos de edição já citados, inexistentes nos gravadores de fita, como o
ADAT.

O Cakewalk Pro Audio

Embora seja fácil sincronizar qualquer gravador multipista com um seqüenciador, uma
nova tendência vem se irradiando com muita intensidade: os programas de computador
que conjugam seqüenciamento MIDI com gravação e edição de áudio digital. Um desses
programas vem se tornando um verdadeiro padrão nos estúdios: o Cakewalk Pro Audio.
Fácil de operar, o programa (para Windows) conta com inúmeros e poderosos recursos. A
versão 6.0 está em fase de lançamento.

Operar o Cakewalk é muito fácil: do lado esquerdo da tela, temos 256 tracks em linhas
horizontais, que podem servir para gravação de áudio ou MIDI. Em cada track, seleciona-
se a fonte sonora, o canal de áudio ou MIDI e outros parâmetros, de acordo com a
natureza da gravação, como volume, pan, patches de sintetizadores etc., clicando nas
colunas correspondentes. No lado direito, cada take gravado tem a forma de um clip, um
retângulo de comprimento proporcional à sua duração. Os clips MIDI são rosa e os de
áudio, vermelhos, facilitando sua identificação, já que sua edição terá importantes
diferenças.

Vejamos, primeiro, a configuração do programa e do computador. Visto que se está


trabalhando com dois sistemas diferentes ao mesmo tempo (áudio e MIDI), as placas ou
interfaces devem atender às duas necessidades. Algumas placas controlam áudio e MIDI
simultaneamente, outras não, o que, neste caso, requer o uso de mais de uma placa. A
Soundblaster controla os dois sistemas, embora não ofereça grande qualidade de som. A
placa MIDI mais usada é a MQX-32(M) da Opcode, e as placas de som preferidas pelos
home studios são as da Roland, como a RAP-10, e da Turtle Beach, como a Tahiti e a
nova Multisound Fiji. A Audiomedia III, da Digidesign, é muito elogiada, sendo bem mais
cara. O número de canais de áudio e de portas MIDI depende de cada placa, sendo
ilimitados no programa. Instalado o hardware e o software, deve-se abrir o menu Settings:
MIDI Devices, como também Settings: Audio, e assinalar as interfaces de entrada e saída
de dados.

Também se pode habilitar o programa para mudar os patches (timbres) de cada


sintetizador do seu estúdio pelos seus nomes. Isto é possível porque o Cakewalk dispõe
de uma extensa lista de teclados e outros instrumentos MIDI, com os presets de fábrica, o
que facilita muito a escolha dos timbres. Não encontrando seu teclado na lista, podem-se
digitar os seus patches. Encontre essas listas com um duplo clique do mouse na coluna
Patch da janela principal. Clique depois em Assign Instruments, Define Instruments,
Import, src.ins e o nome do seu instrumento. Depois, venha clicando OK ou Close até
voltar à janela Assign Instruments, onde se associará cada canal MIDI do lado esquerdo
com o instrumento preferido do lado direito, antes de se voltar à janela principal. Através
de seu instrumento controlador MIDI, pode-se tocar qualquer outro instrumento MIDI.

Midiados os instrumentos e plugadas as entradas e saídas de som (de preferência


através de uma mesa), a gravação é feita simplesmente acionando-se o ícone com o
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 13
botão REC. O botão REWIND (<<) volta a música ao início, e então o botão PLAY a
executa. Esses comandos servem tanto para se gravar áudio quanto MIDI, mas é
importante, antes da gravação de cada track, assinalar nas colunas Source e Port qual a
função desejada e sua interface correspondente.

Lembre-se sempre que o seqüenciador MIDI não está ‘gravando’ o som do teclado, mas
seqüenciando comandos, como note on e off, que só serão ouvidos se o teclado estiver
amplificado. Por outro lado, não é necessário se gravar o áudio do teclado, já que o
Cakewalk sincroniza automaticamente as tracks MIDI com as de áudio. Além disso, o
áudio digital consome centenas de vezes mais memória que os eventos MIDI, o que torna
contraproducente a gravação do som dos instrumentos eletrônicos. Só deve ser gravado
o áudio de vozes, instrumentos acústicos e elétricos etc., nunca dos instrumentos MIDI.

No seqüenciador, crie uma MIDI track com a harmonia (timbre de piano, violão) ou a
bateria, primeiro. Use o metrônomo, para depois poder editar o que foi executado.
Escolha um andamento confortável e, depois de gravado, modifique-o, se quiser, clicando
diretamente na caixa de Tempo (onde está escrito 100,00). A música toca em qualquer
outro andamento, sem alterar o tom. Aliás, se desejar, você também pode modificar o tom
das MIDI tracks, na coluna Key, o timbre em Patch etc.

Selecione na Track seguinte o próximo instrumento, em outro canal MIDI, e vá registrando


o arranjo, instrumento por instrumento. Observe que, cada vez que você conclui a
gravação de um take, surge um novo clip no lado direito da tela. Clicando-o, ele se torna
preto, marcado, pronto para edição. Pode-se arrastá-lo com o mouse para outro momento
da música (no sentido horizontal), para outra track (na vertical), copiá-lo quantas vezes se
quiser, com os comandos Copy e Paste, ou arrastando-o com a tecla Control
pressionada. Pode-se também dividir um clip com o comando Split. Esses comandos são
acessados clicando-se o clip com o botão direito do mouse. O Cakewalk permite que se
marque um retângulo com vários clips para edição, cópia de trechos etc. Você
reconhecerá os clips marcados pela cor preta. O menu Edit tem poderosos recursos de
edição de áudio e MIDI, como quantização, transposição, alteração dinâmica (velocity)
etc. A quantização (Edit: Quantize), por exemplo, permite ajustar o ritmo de um trecho
executado, a partir de uma resolução medida em pulsos por semínima. Os recursos de
edição de áudio não ficam atrás: EQ, fade, reverse (que toca um clip de trás para a frente)
etc.

A Edição no Cakewalk Pro Audio

A produção musical ao alcance de todos. Com os recursos de edição dos seqüenciadores


de computador, você torna a sua execução totalmente profissional, qualquer que seja o
seu nível como instrumentista. Isto porque você pode corrigir sua performance com vários
recursos automáticos, como também acrescentar, retirar e modificar notas, trechos
musicais e outros eventos MIDI com um clique do mouse. Quantização, Piano-roll, Lista
de Eventos e Staff são algumas novas palavras que farão parte de seu vocabulário, a
partir de agora.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 14
Todo seqüenciador registra o que o músico executa em seu instrumento eletrônico como
mensagens MIDI. Essas mensagens aparecem na tela com algum aspecto gráfico, sejam
notas em uma partitura, números ou outras formas. Além de serem executáveis nos
instrumentos eletrônicos, as mensagens MIDI podem ser editadas, tanto quanto as
palavras em um editor de texto. Podem-se copiar e colar trechos inteiros, por exemplo,
montando-se a música parte por parte. Os mesmos recursos do Windows, encontrados na
maioria dos programas, como selecionar um trecho arrastando o mouse sobre ele
(highlight), recortar, copiar e colar etc. são aplicáveis também aqui. Vamos, então,
conhecer os principais recursos de edição do Cakewalk.

Quantização. Se o ritmo executado não foi preciso, basta selecionar o trecho com o
mouse e acionar o menu Edit Quantize. Escolha a resolução equivalente ao menor valor
rítmico (colcheia, semicolcheia etc.) que foi tocado. Determine também se quer afetar o
início ou a duração das notas. Clique OK. Ouça o trecho. As notas que estavam
adiantadas ou atrasadas agora soarão exatamente no tempo. Fique atento: se escolher a
resolução errada ou tocar muito fora do tempo, a quantização poderá mover algumas
notas inadequadamente. Às vezes, convém tocar de novo. Alguns "Instrumentos" soam
melhor quantizados, como bateria e baixo; outros, como cordas e solos, não. A decisão
depende de cada linguagem musical.
Transposição. No menu Edit Transpose, um trecho selecionado é transposto para o
intervalo que se quer, permanecendo o resto no tom original.

Scale Velocities. O menu Edit Scale Velocities modifica a expressão (mais forte ou mais
piano) de um trecho marcado mantendo-se a expressão original do restante da música.

Edição gráfica. As telas a seguir são rapidamente acionadas com o botão direito do
mouse sobre a track (pista) a editar:
Staff. No Cakewalk, é o nome dado à edição da partitura convencional, que inclui notas no
pentagrama, letras de músicas e sinais de expressão. Acrescente, retire e modifique
notas com o mouse, diretamente na partitura, usando lápis e borracha. Depois, ouça o
resultado.

Piano-roll. Derivado dos rolos de papel perfurado das pianolas movidas a corda do séc.
XIX, visíveis nos Westerns, o Piano-roll é a tela de edição mais completa. Tem a forma de
um gráfico cartesiano "x-y", com o tempo na horizontal e a escala musical (as alturas das
notas) na vertical. Cada nota é um traço horizontal, cujo comprimento representa sua
duração, e a posição se refere à altura e ao tempo. Com o mouse, facilmente se modifica
sua duração, pitch (altura, "afinação"), velocity (intensidade do toque), bem como se pode
retirar uma nota "esbarrada" ou acrescentar outras.

Controllers. Os controladores e controles em tempo real, como volume, pan, pedal


sustain, pitch wheel, pedal de expressão, portamento e todos aqueles disponíveis nos
seus instrumentos, podem ser editados com o mouse nesta tela. Na versão atualmente
em lançamento, a 6.0, esta tela faz parte do Piano-roll.

Event List. Como nos seqüenciadores em hardware, na lista de eventos cada mensagem
MIDI é uma linha com números que a representam, indicando o tipo de evento (notas,
outros comandos), o tempo, a intensidade etc. Podem-se editar as mensagens mudando-
se os números.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 15

Faders. No menu View Faders, um mixer ou mesa de som controla tanto os


sintetizadores MIDI quanto mesas de som automáticas, permitindo-se controlar volume,
pan e outros parâmetros para mixagem, passo a passo.
Audio. O áudio gravado no Cakewalk é editável em vários parâmetros: equalizador gráfico
e paramétrico, reverse (toca o trecho de trás para a frente), fade in e fade out etc. Cada
trecho pode ser cortado com uma "tesoura" e editado em separado. Um botão de volume
em cada um desses trechos (ou clips) modifica o nível de saída do som de cada parte,
simplificando a monitoração e a mixagem. A nova versão do programa, em lançamento,
acrescenta recursos como reverber, chorus, flanger, delay e conversão de áudio
monofônico em MIDI, ou Pitch Detection. Este fascinante recurso permite que uma
melodia cantada ou tocada, e gravada como áudio, seja convertida em MIDI e executada
com qualquer timbre de um sintetizador, facilitando ainda mais o uso do programa por
aqueles que não dominam a técnica do teclado.

O número de canais de áudio e a qualidade do som gravado nesses programas


dependem das interfaces, as chamadas placas de som.

Placas de Som
Seu computador está novinho, com 32 MB de RAM e um HD grande e rápido, só
esperando ser configurado para gravação de áudio. Você até já instalou um programa de
gravação, agora só falta a placa de som. Mas, qual placa? O que ela precisa ter? Quantas
entradas e saídas? I/O digitais, ou analógicos? MIDI? Sync? Pode-se gravar áudio de
qualidade com placas multimídia?

As primeiras interfaces de áudio tinham um som muito ruim. Eram baratas, com alto ruído,
e seus conectores se limitavam a miniplugs estéreo (1/8" ou P2). Hoje, uma verdadeira
revolução acontece nesse mercado, onde os modelos evoluem muito rapidamente em
recursos e qualidade de som. A multimídia, para o mercado de consumo, tem placas
baratas com múltiplas funções, como a popular SoundBlaster. Pode-se gravar com essas
placas, embora seu som lembre o de um rádio AM. As placas para multimídia congregam
um grande número de funções, como interface MIDI, sons de sintetizador, controlador de
CD ROM e de joystick para jogos etc., mas não possuem recursos de sincronização (sync
time code) para gravadores multipista externos. Os estúdios dispõem de interfaces de
áudio internas e externas com alta qualidade de som, inúmeros recursos de
processamento digital de sinal (DSP), como reverb, delay, EQ, compressor etc., e preços
atraentes.

Entre os principais responsáveis pela qualidade do som digital, os conversores AD/DA


(analógico/digital e digital/analógico) de entrada e saída evoluíram de 16 bits para 18 e 20
bits, expandindo a dinâmica do som. Algumas interfaces têm DSP (processamento
interno) de 24 bits. A relação sinal ruído, em poucos anos, passou de 60-70 dB para 80-
100 dB. Todas as boas placas utilizam sampling rates de 44.1 KHz, a mesma resolução
de amostragem dos CDs, e de 48 KHz, usada em áudio profissional. Várias delas têm
ainda outras taxas de amostragem. O recurso de full duplex permite gravação e audição
simultâneas.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 16
As entradas e saídas de áudio aparecem em diversos formatos, tanto analógicos quanto
digitais. As interfaces externas, conectadas a algumas dessas placas, além de permitirem
maior variedade e quantidade de ins e outs, evitam o ruído gerado por componentes do
computador. Os inputs e outputs analógicos podem ser do formato XLR (Canon), 1/4"
(banana) balanceados ou não, 1/8" (P2) ou RCA. Os formatos de I/O digitais estéreo mais
comuns são o S/PDIF (encontrado na maioria dos aparelhos de som digitais, como DATs
e CDs), com cabos e conectores coaxiais (RCA) ou óticos (TOS link), e o AES/EBU (para
áudio profissional), com conectores XLR. Os formatos ADAT e TDIF (Tascam DA-88)
permitem conexão digital multicanal com os respectivos gravadores de fita. A
transferência digital do sinal de um equipamento para outro preserva a qualidade original
da gravação, sem passar pelos conversores AD/DA ou por cabos de áudio analógico.

Algumas placas vêm com interface MIDI, sincronização a outros equipamentos, efeitos
digitais, capacidade de expansão de entradas e saídas e um gerador de sons, recursos
que interessarão aos usuários, dependendo de suas necessidades. Na ausência de
certos recursos, como MIDI, sync ou mais canais de áudio, pode-se usar mais de uma
placa, em geral, para suprir estas necessidades.

No quadro (Anexo), são comparados vários recursos das placas mais conhecidas do
mercado. Não são citados, por limitação de espaço, os sistemas integrados, pacotes com
placa/interface/software, nem as placas para multimídia, embora ambos também sejam
utilizados para gravação de áudio em HD. Os preços em dólares se devem à dificuldade
de compararmos todos os preços em reais.

Você pode gravar o áudio em seu HD através de uma ou mais dessas placas, com um
programa gravador de áudio multipista ou estéreo, como o Cakewalk Pro Audio, o Cubase
Audio, o Logic Audio, o Session, o Saw Plus ou o Sound Forge, para citar os mais
usados. É importante verificar a compatibilidade entre a placa e o programa, pois nem
todos trabalham em conjunto ou utilizam todos os recursos. Outra boa opção, geralmente
mais cara, são os sistemas integrados (kits) com placas, interfaces externas e programas
num só produto, como o Pro Tools, o Session 8 ou o Yamaha CBX-D5, entre outros, o
assunto de nosso próxim artigo. Veremos, também, os recursos das placas multimídia,
como a SoundBlaster AWE 64, e suas possibilidades de utilização no estúdio.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 17

Placas de Som – Comparativo (Anexo I)

Configuração I/O Sample Full Preço


Marca/Modelo PC/Mac Ins/Outs Analógicos MIDI Sync Extras
Recomendada Digital Rates Duplex (US$)

ADB 24 bits
486 2 Outs
S/PDIF Até 96 Via
PC Sim Não DSP24bits 699,00
Multi!Wav Pro KHz S/PDIF
ISA 16 bits DAC 18 bits
18 AES/EBU

AES/EBU MIDI,
Antex Pentium 4 Ins / 4 Outs 6.25 a 1 In Efeitos
PC Sim 1595,00
LTC/VI
StudioCard 16 MB, PCI XLR 50 KHz 1 Out Opcionais
S/PDIF TC

Synth
AVM
PC * * * * * * * Kurzweil 349,00
Apex
Efeitos

EQ em
CreamWare 486/66 16 MB 4 I/O 1 In MTC
PC 2 Ins / 2 Outs * Sim tempo real 998,00
Master Port ISA 16 bits S/PDIF 1 Out MIDI
Efeitos
11.025
Digidesign Mac PowerMac/ 2 Ins / 2 Outs
a
Pentium,16MB, S/PDIF Sim Não Não EQ 795,00
AudioMedia III PC PCI RCA
48 KHz
Sérgio Izecksohn
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Configuração I/O Sample Full Preço


Marca/Modelo PC/Mac Ins/Outs Analógicos MIDI Sync Extras
Recomendada Digital Rates Duplex (US$)
Não, só
Digital Audio 11.025
486, 4 MB, 2 Ins / 2 Outs via
Labs a
PC Sim Não Não - 795,00
ISA 16 bits RCA Dig. Only
CardDplus 48 KHz
CardD

Digital Audio
32, 44.1
Labs 486, 4 MB, Não, só via
e
PC S/PDIF Sim Não Não - 495,00
Digital Only ISA 16 bits CardDplus
48 KHz
CardD
MTC
Emagic Mac PowerMac/ 2 Ins / 8 Outs 38.5 a via
Pentium,16MB, RCA S/PDIF Sim Não VMR 799,00
Audiowerk8 PC PCI AD/DA 18 bits 50 KHz S/PDIF
SMPTE
Event 8 Ins / 10 Outs 1 In / Interface
Mac PowerMac/ 1
Electronics Balanceados 24 bits Qualqu externa
Pentium,16MB, Sim Out 999,00
S/PDIF er MTC
PC PCI 1
Layla 1/4" 20 bits DSP24bits
Thru MIDI

Event Interface
Mac PowerMac/ 2 Ins / 8 Outs 11 a
Electronics 24 bits externa
Pentium,16MB, Sim Não Não 499,00
S/PDIF
PC PCI 1/4", AD/DA de 20 bits 48 KHz
Gina DSP24bits
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Configuração I/O Sample Full Preço


Marca/Modelo PC/Mac Ins/Outs Analógicos MIDI Sync Extras
Recomendada Digital Rates Duplex (US$)

Event 2 Ins / 8 Outs


Mac PowerMac/ 11 a
Electronics
Pentium,16MB, RCA, AD/DA Não Sim Não Não DSP24bits 349,00
PC PCI 48 KHz
Darla
de 20 bits
Frontier 8 ADAT 1 In
486 39 a
Designs I/O
PC Não Sim * DSP24bits 825,00
3
ISA 16 bits 51 KHz
WaveCenter S/PDIF Outs

Gadget Labs Pentium, 8 MB, 4 Ins / 4 Outs 22.05 a 1 In


PC Não Sim MIDI - 499,00
Wave/4 ISA 16 bits 1/8" 48 KHz 1 Out

S/PDIF WordCl
Korg PowerMac 2 Ins / 2 Outs 44.1 e
ck
Mac Sim Não - 1250,00
ADAT
1212 I/O 8 MB, PCI 1/4" 48 KHz
ótica ADAT

Lucid
Mac AES/EBU
Technology PowerMac/
Não * * Não * * 499,00
Pentium, PCI
PC S/PDIF
PCI24

Lucid
PowerMac
Technology
Mac Não S/PDIF * * Não * DSP24bits 399,00
NuBus
NB24
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 20

Configuração I/O Sample Full Preço


Marca/Modelo PC/Mac Ins/Outs Analógicos MIDI Sync Extras
Recomendada Digital Rates Duplex (US$)

MIDIMAN 486, 8 MB, 2 Ins / 2 Outs 1 In


PC Não * Sim MIDI - 249,95
DMAN ISA 16 bits 1/8", Mic In 1 Out

Turtle Beach 486, 8 MB, 2 Ins / 2 Outs 5a 1 In


S/PDIF 20bits
PC Sim MIDI 299,00
opcional AD/DA
MultiSound Fiji ISA 16 bits 1/8", Mic In 48 KHz 1 Out

Turtle Beach
486, 8 MB, 2 Ins / 2 Outs 5a 1 In Synth
S/PDIF
PC Sim MIDI 429,00
MultiSound opcional
ISA 16 bits 1/8", Mic In 48 KHz 1 Out Kurzweil
Pinnacle

(*) dados não disponíveis


Sérgio Izecksohn
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Sistemas de Gravação de Áudio em HD; Placas Multimídia

Home studios existem em diferentes níveis, do mais básico ao mais sofisticado, e o


mercado oferece interfaces de áudio para todos os gostos (e gastos). Os estúdios entry
level podem praticar até mesmo com as baratíssimas e versáteis placas para multimídia.
No terreno do áudio digital, o estado-da-arte são os sistemas integrados para gravação
em hard disk, compostos de placas, interfaces externas com conectores, conversores etc.
e o software que gerencia a gravação. As placas de som, para estúdios de nível
intermediário, foram objeto de nossa última edição.

Essa grande variedade de modelos de interfaces de áudio traz uma enorme gama de
opções: conectores analógicos e digitais de diversos formatos, várias taxas de
amostragem (sampling rates), tipos de sync time code, número de pistas de gravação,
recursos de edição e processamento etc. Às vezes, uma consulta a um profissional mais
experiente evita despesas inúteis com recursos que não serão usados e otimiza as
escolhas.

O estúdio básico, que conta com o possível para realizar suas gravações, pode fazer de
seu kit multimídia um verdadeiro "porta-estúdio", gravando o áudio e seqüenciando pistas
MIDI de teclados, com uma versão com áudio de qualquer software seqüenciador, como o
Cakewalk Pro Audio. O áudio é gravado no HD de seu computador através de uma placa
de som como a SoundBlaster 16, AWE 32 ou 64, ou compatível, tudo controlado pelo
programa. Você contará com recursos de edição, processamento acústico (reverber,
compressor...), mixagem e muito mais, em várias pistas de áudio. Se seu estúdio tem
uma mesa de som, ligue primeiro o microfone ou instrumento na mesa, e envie o sinal
dela para a entrada de linha (line in) da placa de som. Para monitorar, ligue a saída de
linha (line out) da placa a 2 entradas da mesa. Caso não possua a mesa, ligue o
microfone direto à entrada mic in da placa, controle o nível de sinal de entrada/saída via
software e ouça o resultado nas caixinhas do kit multimídia ou outro par de caixas plugado
à saída speaker out da placa.

Não se deve subestimar nem superestimar o poder das placas multimídia. De um lado,
são baratíssimas (SoundBlaster 16: R$89; AWE 64, ótima, menos de R$300),
extremamente versáteis (controlam CD, joystick, MIDI, gravam/reproduzem áudio, e têm
um pequeno sintetizador MIDI) e práticas, mas, em contrapartida, apresentam qualidade
sonora inferior à das placas para estúdios, apesar da maciça propaganda. Isto se deve à
economia de custos proporcionada pela escolha de conversores AD/DA de baixa
qualidade, entre outros fatores.

Típicos de estúdios de nível profissional, os sistemas de gravação, edição, mixagem e


masterização de áudio em hard disk são, além da última palavra da tecnologia musical,
fortes concorrentes dos gravadores analógicos de rolo em 2 polegadas, ainda hoje o
padrão mundial de gravação. Liderados pelo famoso kit Pro Tools III, esses sistemas têm
como principal vantagem, além do menor preço, os recursos de edição e processamento
do material gravado. As desvantagens surgem na dificuldade de transferência do material
gravado (backup), e no altíssimo consumo de memória do computador. A maior vantagem
sobre as placas de som é a interface externa, que mantém conectores e conversores de
áudio suficientemente distantes dos componentes elétricos do computador, verdadeiras
usinas de ruído.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 22
Vários sistemas permitem gravação em um Jaz Drive, um disco removível de um
Gigabyte, a preço de 150 reais, já que o áudio profissional gasta cerca de 5 Mb por
minuto por canal. O custo oriundo do tempo despendido em copiar e deletar esses
arquivos do HD justifica a opção da gravação em um Jaz Drive. O uso de gravadores
digitais de fita, como o DA-88 e o ADAT, para se fazer backup dos arquivos de áudio do
HD para a fita digital, determina a escolha da interface que disponha dos recursos
necessários, tanto para transferência de sinal analógico ou digital, quanto para se
sincronizar os 2 sistemas durante essa transferência. Usando-se os 2 sistemas durante a
mixagem na mesa de som, tem-se boa expansão do número de pistas de gravação e dos
canais de saída.

Cada estúdio tem suas peculiaridades, e, com tantas opções, pode-se encontrar os
sistemas que satisfaçam às mais variadas exigências. Escolha o seu de acordo com as
suas reais necessidades. Procure contar com a opinião e orientação de quem já tem
experiência com alguns desses kits de áudio.

A dificuldade de se encontrar a maioria desses produtos no mercado brasileiro nos levou


à escolha pelos preços dos EUA, para garantir a comparação entre os produtos. A tabela
anexa apresenta, quando disponíveis, os 2 preços, o do mercado americano e brasileiro.
As diferenças se devem principalmente aos custos de transporte e aos altos impostos,
taxando produtos que não possuem similar nacional.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 23

Placas Multimídia – Comparativo (Anexo II)

Marca/ Config. Pistas de Ins/Outs Sample Preço (US$)


I/O Digital Sync
Modelo Mínima Grav/Repr Analógicos Rates EUA/BR

Pentium 1798,/*
CreamWare S/PDIF 32, 44.1,
90 4/8-25 (256 MTC, MIDI,
2/ 2 RCA coax./ót.; 1998,/*
virtuais) word, LTC
tripleDAT AES/EBU 48 KHz
16Mb
(c/AES)

Kit:
Digidesign 486 888:S/PDIF 1995,/2300,
888: 8/8 XLR
DX2/66 coax., 8
Session 8 44.1 e MTC, MIDI,
882: 8/8 1/4" AES/EBU 888: */3500,
8/8 word, LTC,
16Mb ADAT
(mais 48 KHz
882-S: 4 XLR+ 882 e 882-S: 882: */1250,
interfaces S/PDIF coax
HD SCSI 10 1/4"/8 1/4"
888,882,882-S)
882-S: */*

888: 8/8 XLR


Digidesign
PowerMac 44.1 e MTC, MIDI,
882: 8/8 1/4" Conforme a
8/8 word, LTC, 2495,/3000,
Pro Tools interface
16 Mb 48 KHz ADAT
Project 882-S: 4 XLR+
10 1/4"/8 1/4"

NuBus:
Digidesign PowerMac 8-48/ 888: 8/8 XLR 44.1 e MTC, MIDI,
Conforme a 6995,/8250,
word, LTC,
interface
Pro Tools III 16 Mb 16-48 882: 8/8 ¼" 48 KHz ADAT
PCI: 7995,/9300,
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 24

Marca/ Config. Pistas de Ins/Outs Sample Preço (US$)


I/O Digital Sync
Modelo Mínima Grav/Repr Analógicos Rates EUA/BR

DoReMi MTC, LTC,


PowerMac 32, 44.1 e
Labs word,
8/8 8/8 XLR 4 AES/EBU 14445,/*
16 Mb 48 KHz
Dawn-II RS-422, BB

Korg PowerMac 11.025,


S/PDIF, MMC/MTC,
2-12/16-30 2/2 1/4" 22.05, 44.1 e 1250,/*
ADAT word, ADAT
1212 I/O 16 Mb 48KHz

5000,/* (4
S/PDIF canais)
Merging 32, 44.1, LTC, word,
Pentium coax./ót.;
4-8/4-8 * RS-422, BB, 7000,/* (8
150, 16 Mb
Pyramix V. S. 48 KHz ADAT canais)
ADAT
11600,/* (c/PC)

Pentium
2/1 (P2 stereo) 11.025,
Metalithic 90, 22.05,
Breakout: 1695,/*
2/128 breakout:4/4XLR S/PDIF, 29.4, MIDI
Digital Wings 16 Mb, AES/EBU c/breakout:1995,/*
for Audio
2/2 1/4"stereo 44.1 KHz
Win 95

Pentium
MicroSound 8, 11.025, 16, MTC, MIDI,
90, S/PDIF,
4-8/64 stereo 1/1 1/4" stereo 22.05, 24, word, LTC, 2999,/*
AES/EBU
Crystal 2400 44.1, 48 KHz BB
16 Mb
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 25

Config. Pistas de Ins/Outs Sample Preço (US$)


Marca/ Modelo I/O Digital Sync
Mínima Grav/Repr Analógicos Rates EUA/BR

8, 9.45, 10,
Pentium 11.025, 12,
MicroSound
90, S/PDIF, 16, 18.9, 20, MTC, LTC,
4/64 stereo 4/4 XLR 4895/*
AES/EBU 22.05, 24, 32, BB
MicroSound 37.8, 44.1,
16 Mb
48KHz

SonicSolutions
PowerMac, MTC, word,
16/24 8/8 XLR Opcionais 44.1, 48 KHz LTC, RS- 7999,/*
SonicStudio 422, BB
24 Mb
16*24

MMC, MTC,
Soundscape 486/50
S/PDIF 1 22.05, 32, LTC,
2/8 2/4 RCA 3250,/*
In/2 Outs 44.1, 48 KHz
SSHDR1 8 Mb
RS-422

MMC, MTC,
Spectral 486/66 MIDI, LTC,
Interfaces Interfaces
2-8/12 (96 virtuais) 30-50 KHz word, RS- 3390,-3890,/*
opcionais opcionais
Prisma 16 Mb 422, BB,
ADAT

MMC, MTC,
Spectral 486/66 MIDI, LTC,
Interfaces Interfaces
2-16/16 30-50 KHz word, RS- 4540,-6810,/*
opcionais opcionais
AudioEngine 16 Mb 422, BB,
ADAT
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 26

Config. Pistas de Ins/Outs Sample Preço (US$)


Marca/ Modelo I/O Digital Sync
Mínima Grav/Repr Analógicos Rates EUA/BR

S/PDIF,
Studer Editech PowerMac, 32, 44.1, MMC, MTC,
AES/EBU,
4-16/8-32 4/4 XLR LTC, word, 10000,/*
Dyaxis II 16 Mb 48 KHz RS-422, BB
SDIF, Y2

Pentium S/PDIF,
Studio A & V 2/4 XLR 22.05, 32, 7995,/*
75
2/10 MTC, LTC
AES/EBU
Sadie 2 outs RCA 44.1, 48 KHz 10995,/* c/PC
8 Mb 1In/2Outs

Yamaha 22.05, 32,


Depende do Depende do
2/4 4/4 1/4" S/PDIF out 995,/*
software software
CBX-D3 44.1, 48 KHz

Yamaha S/PDIF, Y2, 22.05, 32,


Depende do Depende do
2/4 2/4 XLR AES/EBU 1995,/*
software software
CBX-D5 1In/2Outs 44.1, 48 KHz

(*) dados não disponíveis


Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 27

Sync Time Code - O Pulo do Gato

Como pode um estúdio caseiro, com um gravador cassete de 4 pistas, um computador


comum e um sintetizador, soar parecido com uma gravadora profissional? Onde está o
segredo que permite a gravação e mixagem de dezenas de canais com alta qualidade de
som num equipamento tão simples? A chave do mistério se chama SYNC, nome dado
aos vários recursos de sincronização entre os equipamentos do estúdio.

Através dos formatos de sync time code fazemos os diversos meios de gravação de áudio
e seqüenciamento MIDI trabalharem em conjunto. Dessa forma, por exemplo, não
precisamos gravar os teclados seqüenciados na fita, economizando canais: o
seqüenciador trabalhará sincronizado ao gravador multipista (porta-estúdio, ADAT etc.).
Isto quer dizer que os instrumentos eletrônicos MIDI (sintetizadores, samplers, baterias
etc.) estarão funcionando ao vivo no momento da mixagem, tocados diretamente pelo
seqüenciador. O som desses instrumentos será mixado ao som das pistas de áudio
gravadas, todos ligados à mesa de som. Assim, na fita multipista só são gravados
instrumentos acústicos/elétricos e vozes, consumindo-se poucos canais, evitando-se as
reduções e outros procedimentos que degradam a qualidade do som. Os teclados não
ocupam canais dessa fita, e só serão gravados na fita mixada.

Os formatos mais típicos de sync são o MIDI Clock, o FSK e o SMPTE/MTC. Cada um é
usado entre diferentes meios de gravação/seqüenciamento.

MIDI Clock. Também chamado “MIDI sync”, atua entre 2 seqüenciadores MIDI, com
precisão de 24 pulsos por semínima. Serve para se copiar uma seqüência de um
hardware para outro (de um teclado workstation para o Cakewalk, p/ ex.), ou para se
executar um seqüenciador e uma bateria eletrônica ao mesmo tempo. Comandos MIDI,
como “Start/Stop/Continue” e “Song Position Pointer” (que indica o ponto exato da
música) são enviados pela conexão MIDI Out do seqüenciador “mestre” (master) para o
MIDI In do “escravo” (slave). Primeiro se ajusta o “escravo” para receber MIDI clock; em
seguida é dado o comando “Play” ou “Record”. O “escravo”, em compasso de espera, fica
pronto para trabalhar em conjunto com o “mestre”. Este é ajustado para transmitir os
mesmos comandos. Quando se der o comando “Play” ou “Record”, como também “Stop”,
no mestre, ambos atuarão juntos, no andamento deste. Quando terminar, não esqueça de
tirar o “escravo” do modo sync.

FSK. Frequency Shift Key é um sinal que muda de tom rápida e constantemente, de
acordo com o andamento de uma música seqüenciada. Sincroniza um seqüenciador MIDI
a um gravador multipista. Vários seqüenciadores em hardware e baterias eletrônicas têm
entradas e saídas “tape” ou “sync”, que são conversores MIDI/FSK e FSK/MIDI. O FSK
age como um metrônomo: gerado pelo seqüenciador e gravado na fita, ele permite que o
gravador (mestre) acione o seqüenciador (escravo) de acordo com o(s) andamento(s) da
música previamente determinado(s), bem como o ponto inicial e final. Assim, não são
possíveis alterações nesses parâmetros (andamento e duração), a não ser que se refaça
todo o processo desde a gravação do sync na fita, inclusive regravando as pistas de
áudio. É útil quando o estúdio não dispõe de um computador, apesar de geralmente o
FSK só sincronizar corretamente os aparelhos quando a música é executada desde o
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 28
início (nada confortável quando se precisa regravar várias vezes um vocal no meio da
música).

SMPTE/MTC. Derivado de padrões de sincronização de vídeo, é um sinal analógico de


áudio (SMPTE) que também pode ser convertido em sinal MIDI (MIDI Time Code – MTC).
É gerado pela interface MIDI/sync do computador, como a Opcode MQX-32(M), e gravado
numa pista da fita de áudio ou de vídeo. Quando o gravador multipista ou o videocassete
(mestre) é acionado (“Play”), envia este mesmo sinal de volta à entrada de sync da
interface do computador (escravo), através de um cabo de áudio e plugs banana ou RCA.
O seqüenciador entra em funcionamento. Funciona como um relógio: o SMPTE contém
informações de tempo cronológico: horas, minutos, segundos e frames (quadros por
segundo), que indicam o tempo decorrido da fita. O contador de tempo do software
seqüenciador faz o cálculo, relacionando o tempo cronológico do SMPTE aos compassos
e tempos da música. Por exemplo, aos 2 minutos, no andamento de 120 bpm e em 4/4,
estamos no compasso 60. Qualquer que seja o ponto onde a fita comece a tocar, em um
segundo o seqüenciador estará tocando, perfeitamente sincronizado. Não há problemas
em se mudar o andamento nem a duração da música, após gravado o time code na fita.
Pode-se gravá-lo logo ao adquirir a fita (os usuários do ADAT costumam ‘syncar’ a fita
durante sua formatação, já que as 2 operações tomam o mesmo tempo, o tempo total da
fita). Alguns gravadores e conversores transformam o sinal do SMPTE ou de seus
próprios contadores de tempo em mensagens MIDI, o MTC, gerado automaticamente.
Poupando uma pista de áudio e o tempo de gravar o time code na fita, o MTC é enviado
ao computador por um cabo MIDI, conectado do MIDI Out do gravador ao MIDI In da
interface.

O sinal de áudio do sync time code é sempre um sinal de altas freqüências, não devendo
jamais passar por filtros de nenhuma espécie. Conecte o seqüenciador ou interface
diretamente ao gravador, sem passar pela mesa etc. Vários porta-estúdios têm uma
chave e conectores “sync”. É porque eles trabalham usando filtros de ruído dbx ou Dolby,
que prejudicam o sincronismo. A chave sync desliga o filtro na última pista de gravação,
permitindo gravar o time code sem o filtro, ao contrário das demais pistas.

Sincronizados, gravador multipista e seqüenciador MIDI trabalham lado a lado, cada um


com suas pistas. Aos teclados, mixados ao vivo (e, portanto, gravados ainda em 1a
geração), é permitido mudar seu timbre, tonalidade, expressão etc., até o momento da
mixagem final, enquanto as pistas de áudio, só com vozes e instrumentos tradicionais,
ganham em nitidez e presença. Podemos considerar a sincronização como o verdadeiro
“pulo-do-gato” do home studio, pois ela multiplica várias vezes os recursos, os canais e a
qualidade do som de qualquer estúdio, do mais simples ao mais sofisticado. Para
sonorizar um vídeo, o sync permite que o compositor toque os teclados enquanto assiste
às imagens, criando sua trilha em tempo real, desde já sincronizadas, além de permitir a
edição dos eventos MIDI e do áudio em HD, e checar seu sincronismo com as imagens
imediatamente.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 29

Técnicas de Gravação de Áudio I

O Endereçamento do Sinal
Hoje, os estúdios têm muitas opções de equipamentos para gravação de áudio. Os
procedimentos descritos a seguir são as técnicas mais usuais. Devido ao espaço, este
assunto será dividido em várias edições. Nesta, vamos nos ater ao endereçamento do
sinal de áudio.

Uma gravação pode ser feita em fita analógica ou digital, em disco rígido ou mini-disk,
mas sempre se gravam os instrumentos em diversas pistas ou ‘tracks’. Depois de tudo
gravado, todas essas pistas são mixadas para um gravador estéreo. Pode-se gravar em
várias pistas simultaneamente, ou em uma de cada vez, como também gravar só um ou
vários instrumentos (ou vozes) em cada pista. Tudo depende dos recursos do
equipamento e das características de cada trabalho. Para isso, necessitamos de um mixer
(mesa de som). Os porta-estúdios, que gravam em cassete, MD ou HD, vêm com a mesa
acoplada, endereçando-se os sinais internamente. Sistemas de gravação em computador
têm uma “mesa virtual” para controlar e mixar os sinais, embora continuem a precisar do
mixer externo, “real”, para vários procedimentos.

As mesas de som servem tanto para endereçar os instrumentos para o gravador quanto
para se ouvir os sons gravados. Para se monitorar o gravador, liga-se cada pista dele
(output) em um canal da mesa. Temos, assim, na mesa, um controle separado para cada
pista do gravador.

Para se gravar um instrumento em uma pista, ele é conectado a um canal da mesa,


diretamente ou por microfone. Podemos endereçar o sinal da mesa até o gravador pela
saída direta (“direct out”) desse canal.. Porém, para se gravar vários sinais (vários canais,
portanto) em uma mesma pista, utiliza-se o “submaster”. Ele agrupa esses canais e os
envia de uma só vez, por uma única saída, até uma entrada do gravador (input). Há vários
submasters, cada um ligado a uma dessas entradas. O endereçamento é feito a um par
estéreo de submasters. Em cada canal da mesa, há um botão para cada par (“1-2”, “3-4”
etc.). Por exemplo, para enviar o sinal do canal 7 para o submaster “1-2”, aperta-se no
canal 7 o botão “1-2”. Se virarmos o pan do canal todo para a esquerda, o sinal irá
somente para o submaster 1. Virando todo para a direita, irá só para o submaster 2. No
centro, o sinal irá para os dois submasters. Assim, podemos endereçar vários canais para
um par de submasters e criar um efeito estéreo, como, por exemplo, para gravar
percussão, ou enviar um único canal para uma pista do gravador, como, por exemplo,
para gravar voz ou guitarra. Enquanto cada canal controla o seu próprio volume, o
submaster controla o nível geral.

O som gravado retorna à mesa, para ser monitorado e mixado, de cada canal de saída
(output) do gravador para os canais da mesa, como já vimos. Isto significa que são
usados, ao todo, dois canais da mesa para cada instrumento, um de entrada, por onde
entra o sinal do instrumento para gravação, e outro de retorno, onde entra o áudio já
gravado, para monitoração. Na mixagem, esses canais de retorno são endereçados à
seção master da mesa, através dos botões “L-R”, e dali para o gravador estéreo, como
também para o amplificador, pelas saídas master estéreo.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 30
As diferenças entre porta-estúdios e sistemas com gravador e mesa separados, quanto
ao endereçamento do sinal na gravação, são duas. A primeira é óbvia: não há cabos, a
transmissão é interna. A segunda é a maneira de se fazer o endereçamento do sinal. Há
dois modos: o individual e o coletivo. No individual, para gravar um instrumento na pista 1,
ele é plugado no canal 1 e liga-se a chave de gravação na posição “1”. Dessa maneira,
somente o instrumento que está ligado no canal 1 será gravado na pista 1, e os outros
canais serão ignorados. No modo coletivo, para gravarmos vários instrumentos na pista 1,
liga-se a chave na posição “L”, que quer dizer Left, esquerda. Ligamos cada instrumento
em um canal e viramos o pan de cada canal a gravar para a esquerda. Os canais que não
quisermos gravar, viramos o pan para a direita. Para gravar nas pistas pares (2 ou 4),
ligamos a chave na posição “R” (Right, direita) e viramos o pan para a direita, dos canais
que queremos gravar, e para a esquerda, dos canais que não queremos.

Na monitoração, os porta-estúdios têm em cada canal uma chave “line/tape”, que nos
permite usar o mesmo canal, tanto para entrada (“line”) quanto para monitoração do som
gravado (“tape”), de acordo com a necessidade.

Nos estúdios, os sons recebem um tratamento todo especial. Em busca de qualidade,


nitidez, presença, peso e coerência com o estilo, usam-se variados processadores de
sinal. Por exemplo, a voz gravada dentro do estúdio não deve conter as reflexões sonoras
(reverberação) da sala de gravação. Caso contrário, toda música gravada nesse estúdio
teria o mesmo tipo de reverberação, fosse uma bossa nova, que combina com pequenos
ambientes, ou um heavy metal, típico de grandes clubes e estádios. Por isso, o
tratamento acústico das salas abafa as reflexões o suficiente para deixar o som natural,
porém seco. Artificialmente, aplica-se a reverberação. Conhecer os tipos de
processadores, seus usos e as formas de conectá-los aos demais equipamentos é
fundamental para se gravar bem.

Processamento “fantasma”. O som de uma voz ou instrumento pode ser gravado


já processado, com reverberação e equalização, por exemplo. Ou pode-se gravá-lo seco,
e ele ser processado somente para a monitoração, durante a gravação dos outros sons, e
para a mixagem, quando os sons recebem o tratamento definitivo. Desta forma, ouve-se o
efeito “fantasma”, mas ele não é gravado. Grava-se o som seco, mas ele é ouvido com os
efeitos. Exemplo: o cantor ouve sua voz reverberada no fone de ouvido, mas o reverber
não está sendo gravado, só a voz. Assim, na primeira fase da gravação, o operador se
preocupa apenas com a captação do som. Se ele gravasse o som com excesso de
efeitos, não poderia corrigir o problema, a não ser gravando novamente. Na mixagem,
quando se regrava em outra fita estéreo tudo o que foi gravado na fita multipista, o
operador se concentrará no processamento definitivo de cada sinal.

Isto é possível porque dois canais da mesa são usados para cada som gravado: um para
a entrada (input) do sinal - que vem do microfone ou instrumento e vai para a fita (ou HD
etc.) - e outro para a monitoração (audição) e posterior mixagem do som gravado, que
retorna à mesa. (Fig. 1) As ligações são: microfone > canal de entrada da mesa > saída
submaster > input do gravador e output do gravador > canal de monitoração da mesa (ou
“volta do gravador”). Como o canal de entrada fica antes do gravador e o canal de
monitoração fica depois, basta deixar o som entrar flat (seco, não tratado) na fita e ouvi-lo
com os efeitos, equalizadores etc. no canal de retorno. O som vai seco para a fita e é
tratado na volta.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 31

Para se gravar o som já processado, usam-se os efeitos, EQ etc. do canal de entrada da


mesa, antes do gravador. Assim, o processamento é gravado na pista do gravador, junto
com o sinal da voz ou instrumento. No canal de monitoração (“volta”) da mesa, pode-se
deixar o som flat ou processá-lo novamente, se necessário.

Processadores se dividem em dois grupos, pelo seu uso individual ou coletivo e pela
maneira de serem plugados à mesa. Os efeitos (“FX”), como o reverber, o delay ou eco, o
chorus e outros, podem ser usados por vários canais ao mesmo tempo, em diferentes
intensidades, como um mesmo reverber, que pode ser regulado mais forte no canal da
voz e mais discreto no violão. Nos controles auxiliares dos canais da mesa, dosam-se as
intensidades do efeito para cada canal. O outro grupo é o dos processadores individuais,
que modificam inteiramente um sinal, não se controlando a intensidade, e que são usados
cada um por um único canal. É o caso dos equalizadores, noise gates e compressores.

Conexões. Efeitos e processadores individuais são conectados à mesa de formas


totalmente diferentes.

Os efeitos são conectados às saídas (“aux send”) e entradas (“aux return”) auxiliares da
mesa, também conhecidas como “mandadas” e “voltas” dos efeitos. (Fig. 2) As ligações
são: Aux Send (“mandada do efeito”) da mesa > input do efeito e output do efeito > Aux
Return (“volta do efeito”) da mesa. A mandada pode ser mono ou estéreo, usando-se um
ou dois cabos de ¼”, ou banana. Na mesa, em cada canal, controla-se a intensidade do
efeito para aquele canal. A volta costuma ser estéreo, com dois cabos de ¼”. A
intensidade de saída do efeito fica no máximo, e é controlada por um botão do tipo “aux
return” na seção master da mesa. Já o nível de entrada no efeito é controlado no próprio
efeito, num botão do tipo “input level”.

Os processadores individuais são plugados na mesa ao “insert” do canal. O “insert” é um


conector do canal da mesa que usa um único plug (banana estéreo) para o sinal sair, ser
processado e voltar pelo mesmo lugar. (Fig. 3) O som do canal sai e volta pelo mesmo
plug do “insert”, que tem um cabo em “Y”, com as outras duas pontas (banana mono) do
cabo entrando e saindo do processador. A ponta do cabo que tem o plug estéreo não é
para som estéreo: as duas vias de sinal são usadas, uma para saída da mesa e outra
para entrada (retorno). Os cabos de “insert” não são facilmente encontrados no mercado,
você terá de fazê-los. Quando se quer gravar o som já processado, usa-se o “insert” do
canal de entrada. Quando se prefere deixar o processamento para a mixagem, usa-se o
“insert” do canal de monitoração. Outras formas de se conectarem processadores
individuais, quando não há inserts na mesa: entre a saída da mesa e a entrada do
gravador (grava-se o som processado), ou entre a saída do gravador e a entrada da mesa
(o processamento é apenas monitorado, podendo ser modificado na mixagem). Estas
ligações trazem os mesmo resultados que o uso dos inserts. O som vem da saída direta
(“direct out”) do canal ou do submaster da mesa, passa pelo processador e vai para o
gravador. Ou então, grava-se o som flat e ele sai do gravador, passa pelo processador e
vai para o canal de monitoração da mesa.

Certos instrumentos devem ser gravados já processados em definitivo, outros podem ser
melhor tratados na mixagem. A guitarra e o baixo elétrico costumam ser gravados com os
timbres já equalizados, embora ainda se possam ajustá-los de novo na mixagem. Certos
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 32
efeitos da guitarra são gravados junto com ela, como o distorcedor, o chorus, o flanger e
outros. Já a reverberação e o eco podem ser equilibrados na mixagem, para se ambientar
os diversos instrumentos e vozes, todos na mesma hora. Grava-se, geralmente, a voz ou
instrumento com eco ou reverber “fantasma”, isto é, apenas no canal de monitoração. É
comum, com bons microfones, deixar-se o timbre da voz intocado, sem usar
equalizadores, mesmo na mixagem. Os teclados muitas vezes também são gravados e
mixados sem nenhum processamento adicional.

Não exagere ao usar processadores. Às vezes, o excesso de efeitos pode ser fatal para
uma gravação. Da mesma forma, um som muito seco ou sem brilho parecerá artificial. Ao
gravar e mixar, imagine o ambiente desejado para os sons e regule os efeitos para criar
esse ambiente. Ouça outras músicas, de vários CDs. Depois, ouça de novo sua mixagem.
Mexa nos processadores e nas mandadas auxiliares quanto for preciso, sempre ouvindo o
resultado. Aproveite a disponibilidade de tempo, que seu próprio estúdio proporciona,
para experimentar. Quando tudo estiver bom, grave esta mixagem na fita estéreo. Tire
cópias: é o seu produto final.

Os Processadores de Efeitos

O famoso som de estúdio. Afinal, o que faz com que aquela voz pequenina soe tão
exuberante na gravação? Usam-se nos estúdios muitos tipos de processadores. Há
processadores de efeitos, que abordaremos aqui, e processadores de sinal, de que
falaremos na próxima edição. São vários aparelhos que modificam os sons originais dos
instrumentos, dando-lhes novo colorido, ambientando-o ou adaptando o som para ser
gravado em um determinado meio. Os mais usados em home studios são o reverberador
ou reverber, o delay, o compressor, filtros de ruído, o "chorus", o "flanger" e outros mais
específicos, como os distorcedores.

Os processadores podem se apresentar em forma de "rack", dedicados (um só tipo de


efeito) ou multi-efeitos Os multiprocessadores vêm com vários recursos diferentes, como
se fosse uma pedaleira de guitarra, com os efeitos em série e controles de todos eles.
Alguns têm o processamento totalmente independente à esquerda e à direita (em
paralelo), se conectados pelas mandadas estéreo de efeitos da mesa. Podem vir como
recursos próprios de mesas de som e de certos teclados, as "workstations". Ou, ainda,
podem aparecer como recursos adicionais, os “plug ins”, para programas de gravação em
HD. Todos os formatos são úteis e podem soar muito bem, se bem escolhidos e dosados.
Enquanto os plug ins são um novo front na revolução do áudio gravado, pela imensa
versatilidade, os efeitos em rack dão mais estabilidade e, em geral, agilidade ao trabalho
de processamento de sinais e efeitos.

Os processadores com MIDI podem ter seus controles modificados em temo real na
mixagem, pelo mesmo seqüenciador onde se ‘gravam’ os sintetizadores. Escolhe-se um
canal MIDI só para ele e opera-se pelas funções “control change” e “patch change”.

Efeitos. Esses processadores são de uso coletivo. Em cada canal se controla a


intensidade de cada efeito ligado à mesa. Há muitos tipos de efeitos. Deles, o reverber é
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 33
um item obrigatório no estúdio, por permitir a correta ambientação de vozes e
instrumentos. As marcas mais usadas são Lexicon, Yamaha e Alesis, com modelos dos
mais simples aos mais complexos.

O reverberador reproduz os ambientes acústicos, de acordo com os timbres dos


instrumentos e vozes e com as peculiaridades de cada música. Ao som seco e impessoal
de estúdio, acrescenta vida e profundidade, valorizando, dando profundidade e definindo
os diversos sons.

Quando estamos num lugar amplo, diante de um paredão ou uma montanha, podemos
experimentar o efeito do eco. O eco é o reflexo do som, como uma imagem no espelho, a
onda sonora que volta ao ouvido do emissor, após bater numa superfície reflexiva. O som
viaja a 340 metros por segundo. Se você estivesse a 340 metros da montanha e pudesse
gritar alto o suficiente, você ouviria o eco exatos dois segundos após o grito. Um segundo
para a sua voz chegar na montanha, e outro para o eco vir até você.

O som se propaga em todas as direções. Ao atingir uma superfície reflexiva, reverbera


(ecoa) num ângulo simétrico. Exatamente como a imagem de um espelho. Dentro de uma
sala, com paredes, piso e teto mais ou menos reflexivos, múltiplas reflexões do som
causam a reverberação. De acordo com os materiais usados e o tamanho das salas, as
ondas sonoras se refletem com características variadas.

Os estúdios têm suas salas de gravação revestidas de materiais absorventes para “secar”
o som. Isto nos permite gravar o som seco e aplicar a reverberação artificialmente. Do
contrário, todos os sons gravados teriam a mesma reverberação, e todas as músicas
ficariam com o mesmo “clima”, gravadas no mesmo ambiente.

Quando emitimos um som dentro de uma sala, primeiro ouvimos o som seco, direto da
fonte. É o estágio do reverber conhecido como “pre delay”. Um instante (mili-segundos)
depois, ouvimos as primeiras reflexões (“early reflections”), e depois ouvimos as reflexões
se cruzando pelas paredes, até o som perder força e cessar.

Os parâmetros de um reverberador variam desde o tipo e tamanho de salas, quartos,


estádios, catedrais, “plates” (antigos reverberadores de metal), “gates’ etc., passando pela
intensidade do efeito, até o timbre (graves e agudos) da reverberação, o tempo de
decaimento (decay), o pre-delay, que é o atraso do efeito sobre o som seco, usado para
definir o ataque do som e dar maior nitidez, e outros.

Alguns reverberadores mais simples e baratos, porém com qualidade profissional, trazem
apenas um seletor de “salas” e controle de intensidade, o que é suficiente para bem
sonorizar o home studio de nível básico.

Delay e Eco. O eco é um efeito usado para dar maior profundidade a instrumentos
solistas. O recurso mais usado para criar este efeito é o digital delay. Delay significa
atraso. Ele reproduz uma ou várias cópias digitais do som com atrasos pré-determinados,
criando um “eco”.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 34
Seus controles mais comuns são “level”, que dosa o volume do eco, “delay time”, o tempo
ou o ritmo das repetições, “intensity”, que determina o número de repetições e outros, em
geral referentes ao uso em estéreo, com diferentes delays à esquerda e à direita.

O delay digital substituiu as antigas câmaras de eco (que consistiam numa fita magnética
girando em torno de cabeçotes de gravação com distâncias variáveis) por "samples"
(amostras do som gravados digitalmente). É necessário ao estúdio para fixar a
profundidade de solos instrumentais e algumas vozes.

O chorus faz oscilar a freqüência (afinação) de um sample (amostra sonora digital) em


torno da freqüência do som original. A soma dos dois sons, o original e a amostra com
afinação oscilante, sugere um efeito como o de um coro. Pode-se regular a intensidade, a
velocidade (rate) da oscilação, o distanciamento do "pitch" (afinação) original. O flanger,
que funciona de outro jeito, tem efeito semelhante, porém mais dramático. Também há o
phaser, o rotary, derivado das caixas Leslie, que tinham falantes rotatórios motorizados, e
muitos outros efeitos.

Os Processadores de Sinal

Um processador de sinal afeta por completo o som de um canal. Assim, só faz sentido
conectá-lo à mesa de modo que o sinal do canal passe inteiramente através do
processador. O controle é todo feito no processador, não na mesa. Além disso, ele é feito
para ser usado por um único canal. Pelas diferenças com os processadores de efeitos,
que acrescentam efeitos aos sons em variáveis proporções e que podem ser usados por
vários canais, os processadores de sinal são conectados à mesa através dos inserts, e
não dos canais auxiliares.

Compressor. Chamamos de curva dinâmica de uma gravação à diferença entre os


picos (pontos de mais alto volume) e os vales, os pontos mais suaves. Quanto maior a
diferença entre picos e vales, maior é a curva dinâmica. Cada tipo de gravador tem uma
diferente sensibilidade para a dinâmica. Muitas vezes, uma pista que parecia bem
gravada quanto à dinâmica, soa cheia de “altos e baixos” na mixagem, ou com picos
excessivos ou, ao contrário, com trechos inaudíveis, de tão baixos.

O compressor atenua a curva dinâmica, reduzindo a distância entre picos e vales. Ao


diminuir o volume dos picos da gravação, ele permite que se aumente o volume do canal,
dando a sensação de se aumentar o volume dos vales e diminuir o dos picos,
equilibrando a dinâmica. O excesso, por outro lado, torna o sinal muito “achatado” e
artificial.

Os principais parâmetros são threshold, ratio, attack, release e output gain. Os dois
primeiros ajustam o nível dos picos e a taxa de compressão. O threshold determina um
volume de som (em dB) a partir do qual o compressor atua. Abaixo deste nível, o som sai
como entra. Acima da fronteira do threshold, o som sofre uma atenuação, de acordo com
uma certa taxa de compressão (ratio). A compressão só atua no trecho do volume que se
situa entre a linha do threshold e o volume real do pico. Se a taxa de compressão for de
2:1 (dois pra um), a diferença entre o threshold e o volume do pico será reduzida à
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 35
metade. Se a ratio for de 4:1 o pico será atenuado para a quarta parte do volume que
excede a linha de threshold. Isto significa que há volumes superiores à linha do threshold,
há uma dinâmica, só que atenuada por uma taxa de compressão. Só não haverá picos de
volume acima do threshold se a ratio for de infinito pra um. Assim, não há dinâmica, e
este efeito é conhecido como limiter.

Os controles de attack e release permitem que o compressor atue de forma mais rápida
ou lenta, tanto na entrada do efeito quanto na saída, realçando mais ou menos os sons. O
output gain, ganho de saída, serve para compensar o volume de saída que tenha sido
alterado pela compressão.

Noise gate. O noise gate tem um threshold que funciona ao contrário do threshold do
compressor: a atuação é sobre os sons com volumes abaixo da linha de threshold, que
são totalmente cortados. Se gravamos um bumbo e uma caixa em duas pistas, com dois
microfones, o som da caixa vazará para o canal do bumbo, e o som do bumbo também
vazará para o canal da caixa. Mas o bumbo e a caixa, em geral, se alternam, quase
nunca tocam ao mesmo tempo. Com dois compressores, um em cada canal, e seus
thresholds ajustados para um nível abaixo do sinal “real” e acima do sinal “vazado”, os
dois canais soam limpos de vazamentos. Quanto o som “vazado” toca abaixo do volume
do threshold do noise gate, ele é simplesmente cortado.

Os noise gates podem ter outros controles, como da velocidade de atuação, para não
cortar o som fora de hora. Usados em canais com vozes e instrumentos gravados com
ruídos de fundo, comuns nos pequenos estúdios, cortam os ruídos durante os momentos
de silêncio, mas não durante os trechos tocados ou cantados. Nestes trechos, o som
estará acima do nível de threshold, e nada será cortado pelo gate, nem o ruído.

Filtros. Existe uma variedade de filtros no mercado, que cortam freqüências específicas,
como os filtros passa-alta (high-pass filter, ou HPF), passa-baixa (low-pass filter, ou LPF),
passa-banda, corta-banda. Cada um tem controles de cutoff, ponto de corte,
determinando as freqüências a partir das quais os sons serão cortados.

Os filtros de ruído mais conhecidos para gravadores analógicos são os Dolby e Dbx.
Cortam ruídos das fitas analógicas, gravando bem mais alto as freqüências das mesmas
faixa do ruído de fundo, e depois reproduzindo essas freqüências proporcionalmente mais
baixo. Os sons são novamente nivelados, mas os ruídos são reproduzidos muito abaixo
do resto. Sempre que você gravar uma fita com um desses filtros, obrigatoriamente
reproduza-a também com o filtro.

Os Equalizadores

Para obtermos resultados satisfatórios numa gravação ou mixagem, é preciso que o


timbre das fontes sonoras seja muito bem ajustado. O instrumento deve soar como soa ao
vivo, em seus melhores momentos. Ou ainda, soar conforme o desejo dos artistas e
produtores, mesmo que isso implique num som artificial. Tudo depende do estilo e da
linguagem musical. Ajustam-se os timbres com o equalizador (EQ), que pode ser gráfico,
paramétrico, semi-paramétrico, ou simples controles de tonalidades graves e agudas.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 36

Ondas sonoras, freqüências e timbre. O ouvido humano interpreta como som as


vibrações do ar emitidas entre as freqüências de 16 ciclos por segundo (16 Hertz ou 16
Hz) até cerca de 20 mil ciclos (20 KHz, ou 20 K). Cada instrumento ou voz musical tem
seu próprio espectro de freqüências, a faixa de freqüências onde o instrumento atua. A
faixa de freqüências varia de acordo com a extensão ou a escala do instrumento e a
riqueza do seu timbre.

O som tem quatro parâmetros principais: altura, intensidade, timbre e duração. As alturas
são as afinações (pitch) dos sons e notas musicais, como do, re, mi, medidas em ciclos
por segundo (Hz). Quanto mais “aguda’ (alta) uma nota, mais ciclos de onda vibram por
segundo. Diz-se que são freqüências altas, enquanto as “graves” são as baixas
freqüências.

A intensidade é o volume do som. No gráfico da curva da onda sonora, quanto maior a


intensidade do som, maior a amplitude da onda. Ela se distancia mais do centro, vibra
com mais energia. Nesse gráfico, a linha reta ao centro indica silêncio, ausência de
energia sonora.

Uma onda tem ciclos, que se dividem em morros e vales, alternando-se e variando seu
comportamento ao longo do tempo. Durante um ciclo da onda, a amplitude pode variar,
determinando a forma da onda. É a forma da onda que define o timbre. A forma da onda é
derivada da superposição das parciais do som.

Um som da natureza nunca é totalmente puro. Ele é composto de parciais, sons que se
agregam ao som principal. É como se uma nota musical nunca fosse uma só nota, mas
sempre fosse um acorde com muitos sons. E é isso mesmo o som. Ouvimos a nota
principal, chamada fundamental, porque ela tem uma intensidade muito maior que as
outras, em geral. Mas são as outras parciais (chamadas sons harmônicos) que dão a
principal característica do som, o timbre. Uma mesma nota, com a mesma altura e
intensidade, cantada por duas pessoas, soa com diferentes timbres. Os harmônicos
presentes numa voz e na outra, que são os mesmos, estão com intensidades diferentes
de uma voz para a outra, como se fossem duas diferentes mixagens dos harmônicos
sobre a fundamental. O resultado são dois timbres diferentes.

A onda sonora pura, sem harmônicos, que pode ser produzida artificialmente para
experimentos, é totalmente arredondada. É a onda senóide ou senoidal. Cada harmônico
é também uma onda senóide. Superpostos, fundamental e seus harmônicos resultam
numa outra forma de onda, de acordo com as amplitudes de todas as ondas superpostas.
Na superposição de ondas sonoras, dois movimentos iguais se somam, aumentando a
amplitude da onda resultante. Dois movimentos opostos, simétricos, como um morro e um
vale ao mesmo tempo, se anulam, tirando amplitude (volume) do som.

Um som estridente tem os harmônicos de altas freqüências com mais intensidade que um
som mais abafado. A onda sonora do primeiro é mais pontuda, e a do segundo som, mais
arredondada.

O equalizador atua tanto sobre a intensidade das fundamentais quanto dos harmônicos,
de acordo com as freqüências que se operam, moldando o timbre do instrumento.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 37
A duração é o quarto parâmetro do som. Todos os outros parâmetros podem variar ao
longo do tempo.

Controles de tonalidade. Os controles de graves (Low), médios (Medium) e agudos


(High), presentes nos amplificadores e mesas simples, atuam sobre faixas ou bandas de
freqüências pré-determinadas, aumentando ou atenuando as intensidades dessas faixas.
Os mais antigos têm as freqüências centrais pré-ajustadas em 100 Hz, 1 KHz e 10 KHz.
As mesas mais novas vêm com freqüências centrais em 80 Hz, 2,5 KHz e 12 KHz. Assim
como as freqüências centrais de cada banda, as larguras de banda, ou as freqüências
vizinhas, também são determinadas pelo fabricante. Temos, então, 2 ou 3 faixas de
freqüências com freqüência central e largura de banda pré-ajustadas. Em cada faixa, só
há controle de intensidade. No centro, o som passa como entrou. Pode-se aumentar ou
abaixar a intensidade de cada faixa, graves, médios e agudos.

Equalizador gráfico. Funciona do mesmo modo que os controles de tonalidade, mas


tem maior número de faixas de freqüências. Seu nome vem de seu aspecto, com vários
sliders (potenciômetros lineares) lado a lado, formando uma curva. O equalizador gráfico
tem uma quantidade variável de faixas (bandas) de freqüências, de 4 até 20, cada uma
reforçada ou atenuada por um controle de nível. O usuário tem à disposição aquele leque
de freqüências, para manipular uma a uma. Útil quando várias freqüências precisam ser
manipuladas ao mesmo tempo.

Os EQs gráficos de 20 bandas, nos estúdios, podem ser usados para processar um canal,
para timbrar os canais masters estéreo na mixagem ou mesmo para compensar
deficiências acústicas da sala de operação (técnica), sendo então plugado ao amplificador
dos monitores.

Equalizador paramétrico e semi-paramétrico. Os equalizadores paramétricos


apresentam menores quantidades de faixas (em geral de uma a quatro bandas), mas são
os que têm mais controles. O usuário escolhe exatamente a freqüência central que
deseja manipular em cada banda, a largura da banda, ou quantas freqüências vizinhas, e
a amplitude dessa banda. Um botão determina a freqüência central, outro controla a
largura da banda e um terceiro reforça ou atenua o nível dessa faixa de freqüências. É útil
quando se quer mexer em algumas bandas, mas com precisão, para só afetar as
freqüências que realmente precisam de equalização.

Os equalizadores semi-paramétricos, comuns em mesas de som de médio e grande


porte, não dispõem do controle de largura da faixa. Só apresentam controles para
selecionar a freqüência central e o que reforça ou atenua o nível. A largura de banda é
determinada pelo fabricante.

Qualquer que seja o seu EQ, nunca exagere o seu uso, ou estará criando sonoridades
que não existem na gravação real. Depois, na mixagem, a gravação soará irreal. Com
moderação, o EQ é um grande aliado do estúdio.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 38

Áudio & MIDI: O Melhor dos Dois Mundos

Muito se fala sobre o uso dos recursos da interface MIDI como um reforço no trabalho do
tecladista, ou até do baterista, para usarmos partes seqüenciadas de bateria e teclados
no palco. Mas o principal front dessa tecnologia é mesmo o estúdio de gravação. E, por
ser uma tecnologia barata, acessível e que sempre traz resultados profissionais, ela
passa a ser o grande trunfo do pequeno estúdio na competição com as grandes salas de
gravação. É graças à interface MIDI que podemos expandir os canais do estúdio sem um
aumento proporcional nos custos.

Estúdios que gravam áudio, estúdios MIDI e o estúdio híbrido. Os estúdios


tradicionais gravam o áudio em fitas multipista. Cada instrumento ou voz, geralmente, é
registrado numa diferente pista (track) da fita, que pode ter 8, 16 ou 24 pistas. Depois,
essas pistas têm seus sons mixados na mesa e gravados em definitivo no formato
estéreo, num gravador DAT ou outro. Um grande estúdio, de uma gravadora ou particular,
costuma ter um ou dois gravadores de 24 pistas, caríssimos (entre 25 mil e 50 mil dólares,
cada), garantindo a qualidade do som. Afinal, gravando um instrumento ou voz em cada
pista separada, em vez de gravar vários sons juntos, podemos cuidar muito melhor de
cada som na mixagem. Mas, num home studio, com gravadores de 4 ou 8 pistas, como
obter um som à altura de competir com os estúdios grandes? Só com o pequeno gravador
multipista, não dá. Gravando em programas de computador, com placas de som de 2 ou 4
canais, pior ainda. Então, como resolver a questão?

Se um estúdio trabalha exclusivamente com seqüenciamento MIDI de teclados e


instrumentos eletrônicos, ele não grava voz, nem instrumentos acústicos ou elétricos. O
seqüenciador MIDI age como um robô ou uma mão invisível que toca os sintetizadores,
samplers e baterias eletrônicas. Ele “aprende” a música quando você a toca, timbre por
timbre, e depois vai juntando todos os sons do arranjo, executando a mesma música nos
seus instrumentos. Só mexe com música instrumental, e eletrônica. Porém, sendo barato,
este estúdio tem uma excelente qualidade sônica, por uma razão muito simples:
seqüenciados, e não gravados, todos os instrumentos estão tocando ao vivo, na hora,
com o som ainda inalterado pela gravação. Como se diz, som em primeira geração. E
som de sintetizadores e samplers, que estão a cada dia mais fantásticos e baratos. Além
disto, seqüenciadores têm infinitos recursos de edição, que permitem que notas erradas
ou imprecisas sejam corrigidas com grande rapidez, aumentando ainda mais a qualidade
do trabalho musical.

O ideal seria unirmos os recursos dos dois estúdios: MIDI, para que os instrumentos
eletrônicos atuem em quantidade, com a qualidade sonora preservada, tocados na hora
pelo seqüenciador, e um gravador multipista só para gravarmos vozes e instrumentos
elétricos e acústicos. E é exatamente isto o que vamos fazer. Sincronizando os dois
sistemas, temos um home studio com poder de fogo maior do que o de muitos estúdios
comerciais, mesmo de produtoras e certas gravadoras, ao custo de um estúdio caseiro.
Este é o estúdio híbrido, o estúdio MIDI com um gravador multipista sincronizado.

Veremos agoara os seus três tipos de conexões, de áudio, de MIDI e de sincronização.


Vamos citar também os programas que fazem os dois papéis, gravando o áudio e
seqüenciando os sintetizadores, tudo no computador.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 39

Conexões. Na ilustração, temos as conexões de MIDI, áudio e sync. Os sintetizadores


(o teclado controlador e os módulos) são midiados ao computador, via placa MIDI, e entre
si. Os comandos MIDI primeiro são enviados da saída OUT do controlador para a entrada
IN da placa; seqüenciados, os comandos retornam, para serem executados nos
instrumentos, do OUT da placa para o IN do primeiro sintetizador; deste, através da saída
THRU, para o IN do segundo, e do THRU deste para o IN do terceiro, formando uma
rede. É o sistema MIDI. Ele se liga ao estúdio de áudio conectando-se as saídas de som
de todos os sintetizadores aos canais da mesa de som.

O áudio a ser gravado na fita entra primeiro num canal da mesa por microfone ou linha,
sendo então enviado por um submaster (saída de um grupo de canais) ou pelo DIRECT
OUT (saída individual de um canal) até a entrada (INPUT) de um canal do gravador
multipista. Dali, sai pelo OUTPUT do gravador, voltando a um outro canal da mesa (ou o
MIX-B), para ser mixado aos teclados e aos outros canais do gravador.

Os cabos para sincronização são dois, em geral RCA ou banana. Um sai do computador
(placa com MIDI e SYNC) pelo SYNC OUT, para gravação direta numa pista do gravador.
O outro cabo retorna do OUTPUT do canal do gravador para o SYNC IN da placa do
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 40
computador, permitindo a sincronização do gravador multipista com o seqüenciador.
Outra opção é o seqüenciamento através de MIDI Time Code (MTC), quando o gravador
tem uma saída MIDI OUT para sincronização com o computador.

Os programas com MIDI e áudio. Uma nova tendência é totalmente voltada para o
computador, usando um único programa para fazer os dois trabalhos, a gravação do
áudio e o seqüenciamento MIDI. O Cakewalk Pro Audio, o Logic Audio, o Digital
Performer e o Cubase VST são exemplos de workstations (estações de trabalho) que
atuam ao mesmo tempo como seqüenciadores e gravadores de áudio multipista. Gravam
as pistas de áudio lado a lado com as pistas MIDI seqüenciadas, sincronizando
automaticamente as duas coisas. Além disto, contêm bons processadores de sinal e de
efeitos e um mixer, permitindo que os sons cheguem à mesa já processados e mixados.

A escolha do formato ideal (fita, HD do computador etc.) para gravarmos o áudio em


nossos estúdios depende de vários fatores, mas uma coisa é certa: acrescentando um
sistema MIDI ao estúdio, grande parte do trabalho é transferida para lá, poupando as
pistas de áudio e garantindo som em primeira geração, com qualidade máxima, para os
teclados e baterias eletrônicas, na mixagem final.

Nas próximas edições, analisaremos os prós e contras de cada opção na constituição de


um estúdio híbrido. O som gravado em fita ou disco e suas vantagens e desvantagens na
captação, monitoração e no processamento do sinal, a bateria gravada versus bateria
programada, os samplers, o sample playback e a qualidade do som, a edição dos eventos
MIDI e os procedimentos na mixagem “syncada” serão assunto desta série de artigos.
Enquanto isso, continuaremos respondendo suas cartas e e-mail com dúvidas e
sugestões.

Fita ou Disco?
Qual é o melhor meio para gravarmos o áudio? Eis uma questão complexa e delicada.
Bom exemplo é o do leitor João Bonon Netto, que precisa comprar um gravador de 8
pistas. Gostou do Alesis ADAT, mas teme que o equipamento tenha problemas de
desalinhamento de cabeça, já que ele mora distante de uma assistência técnica. Ele
gostaria de saber qual a melhor opção, ADAT ou hard disk. Outros leitores escrevem
querendo saber de porta-estúdios em MD, Zip Disk, HD e cassete. Há ainda os que se
mantêm fiéis à fita de rolo.

A escolha do formato. Os estúdios têm diferentes necessidades e condições. Podem


servir para gravar discos ou demos de grupos e artistas. Ou pode ser um estúdio pessoal,
de um músico, que faz trilhas ou registra os próprios trabalhos. Cada caso é um caso. E
cada caso requer uma solução. Com uma fita temos mais agilidade para gravar. E fitas de
gravadores comuns, como do ADAT, transitam por vários estúdios, gravando em um e
mixando em outro. No HD há incríveis recursos de edição dos sons, alguns impraticáveis
fora de um computador. Mas você não vai tirar o seu HD para remixar o material fora de
casa, então precisará fazer backup (cópia) do áudio. Usará um computador possante,
com uns 64 Mb de memória. E, mesmo assim, talvez um ADAT para as cópias.

Sistemas e custos. Há produtos caros e baratos, tanto em hardware como em software.


Entre R$300 e R$3.000 temos os porta-estúdios (cassete, MD, HD e Zip disk) e algumas
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 41
interfaces de áudio para o PC. Entre R$2.000 e R$5.000, há o ADAT, modelos similares
da Tascam e boas interfaces para o PC. Os sistemas mais profissionais em HD para
Macintosh ou mesmo em rack e gravadores de rolo custam entre R$5.000 e R$50.000. O
DAT e o MiniDisk, ambos para a mixagem estéreo, custam em torno de R$1.000, o
primeiro bem superior ao segundo. Leve em conta os custos com o computador, memória,
hard disk e outros, se optar pela gravação em software.

Captação e monitoração do áudio. Com as fitas em geral e os porta-estúdios digitais (MD,


HD e Zip), durante a gravação de novas pistas, os sons são fáceis de monitorar, pelos
canais da mesa. Gravando pela placa de som, o número de canais de
gravação/reprodução costuma ser limitado por ela e/ou pela velocidade do HD.
Trabalhando com muitas pistas, temos que processá-las e mixá-las no computador, antes
de as monitorarmos pela mesa.

Prós & Contras

Fita (analógica ou digital) Disco (HD, MD, Zip ou Jaz Disks)

Prós Contras Prós Contras

• Agilidade na • Recursos de edição • Edição total do áudio • Gravação mais lenta


gravação limitados ou • Freqüentes • Difícil trânsito entre
• Trânsito entre inexistentes atualizações estúdios
estúdios • Rápida obsolescência • Uso dos processadores • Monitoração limitada
• Fácil de monitorar • Suporte técnico de som do software e aos recursos da
escasso do estúdio interface
• Masterização de CDs • Dependente do "humor" do
computador

Todos os sistemas permitem a sincronização com um seqüenciador MIDI. Assim, os


sintetizadores continuam soando ao vivo durante a mixagem, poupando pistas de
gravação e trazendo mais flexibilidade à produção. Em suma, o melhor sistema será o
que melhor se adaptar às suas necessidades e possibilidades. O ideal é ter os dois
(computador e fita). Escolha de acordo com o seu coração.

Som Analógico e Digital

Muito se discute sobre a proliferação de sistemas de gravação profissional verificada na


década de 90. A vanguarda tecnológica apregoa as virtudes do som digital e de seus
recursos, enquanto os mais conservadores alegam que nada substitui o som da fita
analógica, porque alguns timbres perdem colorido quando digitalizados. A razão, aqui,
pode estar com os dois lados.

Alguns confundem MIDI com som digital. MIDI, de que não trataremos nesta edição, são
comandos musicais para acionar sintetizadores. O que está em questão aqui, é o áudio
analógico e o áudio digital. Vejamos aqui alguns princípios das duas tecnologias:

Som analógico. Ondas sonoras são as oscilações do ar, que vão variando ao longo do
tempo de acordo com as características dos sons. Um microfone as reconhece, por uma
membrana, e cria uma corrente elétrica que varia de forma análoga (semelhante) a elas.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 42
Essa corrente é o sinal elétrico, analógico, do áudio. Esse sinal passa pela mesa e outros
circuitos e entra num gravador. O cabeçote recebe o sinal elétrico e vai magnetizando a
fita enquanto ela passa, de acordo com a voltagem do sinal de entrada. As partículas
metálicas que cobrem a fita vão mudando de posição, de acordo com o maior ou menor
magnetismo. Para tocar a fita, ocorre o inverso: quando ela passa diante do cabeçote,
este reconhece o magnetismo das partículas a cada instante, recriando o sinal elétrico,
que segue pelos circuitos até ser transformado novamente em som mecânico (vibrações
do ar) pelo alto-falante.

Som digital. O gravador digital recebe o mesmo sinal elétrico, mas ele entra primeiro
num conversor analógico-digital (AD). O conversor “redesenha” a onda sonora, medindo a
variação da amplitude em milhares de pontos por segundo. Essa imensa lista de volumes
é gravada na fita ou num disco magnético ou ótico como bytes de computador (dígitos).
Para reproduzir o som, o cabeçote lê a fita ou o disco e envia esses dados a um
conversor digital-analógico (DA) que liga os pontos e transforma de novo essas
informações em sinal elétrico.

As razões da polêmica. A primeira grande diferença é que no áudio digital não há


ruído da fita. Uma fita analógica, mesmo virgem, tem um ruído de fundo. O
posicionamento das partículas, na fabricação, nunca é perfeito. Num gravador digital, o
conversor de saída (DA) só transforma em sinal elétrico os dados que tiverem sido
digitalizados. Não é o caso do ruído original da fita. Ignorando o ruído, o gravador digital
fornece um som mais limpo e cristalino. Assim, tornam-se totalmente desnecessários os
filtros de ruído de fita, como os Dolby e DBX. O mesmo se aplica às mesas e outros
aparelhos digitais.

Por outro lado, usuários de gravadores analógicos, como os grandes estúdios que
trabalham com máquinas de rolo de 2 polegadas em 24 pistas, se queixam da falta de
“calor” do áudio digital. Alegam que o gravador de rolo armazena certos timbres com
melhor resultado, como o som da guitarra. Algumas gravadoras internacionais chegam a
recusar gravações em DAT, ADAT e outros modelos digitais. Mas existem aparelhos e
programas de computador com recursos para acrescentar características da gravação
analógica aos sons digitais.

Pode-se alegar que o som, no fim do processo, será mesmo digital. Seja em forma de CD
ou digitalizado numa emissora de TV ou de rádio, cedo ou tarde o áudio é convertido em
bytes. É notável que o som digital está em franca evolução, com modelos se substituindo
freneticamente. Do áudio em 16 bit, avançou-se para 18 e 20 bit, permitindo uma
dinâmica dos sons cada vez maior. O áudio digital já transita em 24 bit de um aparelho
para outro e há aparelhos de 32 bit. Cada vez mais apurado e com mais recursos, o
formato (ou os inúmeros formatos!) tem mostrado que veio para ficar.

Tudo no Computador ?

Nesta nova era das gravações multipista no PC, com as interfaces de áudio explodindo
em recursos e seus preços descendo a ladeira, cabe uma pergunta: ainda precisamos de
todos aqueles equipamentos em nossos estúdios? Ou chegou a hora de aposentar a
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 43
parafernália?

Muita gente pergunta se ainda é necessário adquirir uma mesa, processadores e módulos
de som quando seus programas e interfaces dispõem dos mesmos recursos. Se as
placas multimídia contêm um sintetizador multitimbral, por que haveríamos de comprar
outros sintetizadores? E se os programas de gravação de áudio e seqüenciamento MIDI
têm um mixer virtual, não podemos mixar tudo no micro e dispensar a mesa de som?

Como toda revolução, esta vive sua fase de transição. Apesar das enormes inovações,
nem tudo mudou e ninguém sabe ao certo aonde vamos parar. É um período de
novidades, esperança, mas também de instabilidade. Os computadores domésticos, de
fato, já gravam áudio profissional em vários canais, mas ainda é difícil encontrar um que
funcione com esses recursos o tempo todo, sem dar sustos periódicos em seu dono.

Entradas para microfones. Com tantas opções de interfaces e programas, seus


usuários recorrem a diferentes soluções para suas questões. Muitas placas e interfaces
de áudio só têm entradas em nível de linha, o que nos impõe o uso de uma mesa ou de
pré-amplificadores para os microfones. Algumas interfaces já dispõem dessas entradas
pré-amplificadas, mas usam conectores de ¼” (banana), inferiores ao padrão XLR
(Canon) usado nos estúdios. Este só é encontrado em sistemas muito caros, para
estúdios de maior porte.

O processamento em tempo real traz outras questões para a maioria dos sistemas:
como entrar com um sinal comprimido no computador? E como usar reverberação
“fantasma” para gravar uma voz seca, porém dando conforto ao cantor na hora de gravar?
São necessidades típicas dos estúdios, que somente uma interface com um processador
de sinal em separado (DSP) pode satisfazer. Mesmo assim, a velocidade dos
processadores atuais nem sempre é suficiente para realizar todas as tarefas ao mesmo
tempo. E experimentar vários efeitos girando botões continua a ser muito mais prático que
determinar valores dos parâmetros com o mouse e esperar o processamento para só
então conferir o resultado.

Os sintetizadores têm recursos que ainda não foram contemplados pelas placas
multimídia. Algumas contêm timbres de alta qualidade, mas não em quantidades
comparáveis aos teclados e módulos atuais. Também ainda são raros os recursos para a
edição de novos timbres. Por outro lado, vêm surgindo novos programas que permitem
tocar e seqüenciar amostras do áudio gravado via MIDI, transformando o PC num
poderoso sampler.

A mixagem é um outro problema. É comum misturarmos na mesa os sons dos


sintetizadores MIDI seqüenciados com os das pistas gravadas. Aproveitamos assim os
recursos do estúdio para todas as fontes sonoras. As interfaces e os programas atuais
permitem a mixagem interna, isto é, sem que o áudio “saia” do computador, mas para isso
precisamos gravar o áudio dos teclados em novas pistas.

Backup. Seus clientes pretendem guardar as pistas de áudio para remixar em outro
estúdio. Você pode arquivá-las em um CD-ROM, mas, às vezes essas pistas só rodam
num determinado sistema. Nesse caso, para mixar em outros sistemas, você terá que
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Teoria Básica para Home Studio 44
converter cada pista em um arquivo .wav. Gravadores como o ADAT ainda são o padrão
mais freqüente, o que leva muitos clientes a solicitarem um backup em fita.

Conclusões. Muitas funções do estúdio já podem ser transferidas para o computador.


Algumas têm o desempenho muito melhorado com a edição não-linear. “Ver” um gráfico
de áudio ajuda em muito o trabalho de produção. Recursos como recortar, copiar e colar
trechos do áudio são muito facilitados com o uso do computador. Mas ainda não
chegamos ao ponto de dispensar os outros equipamentos do estúdio. Continuamos a usar
a mesa, os processadores e módulos de som, e até mesmo gravadores de fita, uma mídia
ágil e barata. Pelo menos, ainda por alguns anos.

Placas de som, de MIDI e de Multimídia

Os estúdios, há alguns anos, eram em geral classificados pelo número de “canais”, as


pistas de gravação. Era o tempo dos gravadores de rolo de oito, 16 e 24 pistas. Os
estúdios de hoje, dos maiores aos home studios, combinando recursos de gravação de
áudio com o seqüenciamento MIDI de sintetizadores, facilmente perdem a conta dos
canais que têm.

Sincronizando um seqüenciador MIDI à gravação das pistas de áudio temos, em princípio,


a soma dos canais MIDI e de áudio, certo? Errado. Temos mais que isso, já que cada
canal MIDI aciona um sintetizador estéreo ou mono, ou um sampler ou uma bateria
eletrônica com os tambores e pratos saindo cada um por um canal de áudio. Então, na
mesa de som, esses canais da bateria e dos sintetizadores são finalmente mixados às
pistas de áudio. Ou a bateria pode mandar seu som pra mesa em um par estéreo de
canais, ou até misturada aos demais sons de um sintetizador multitimbral. Os seja,
chegam à mesa, em dois canais, os sons eletrônicos em geral, já mixados dentro do
sintetizador. Se, neste exemplo, temos oito canais de áudio para gravar, ao todo, quantos
canais tem esse estúdio? A resposta é: depende de muitos fatores, como quantos canais
tem sua interface MIDI, sua placa de som ou gravador multipista, quantos sintetizadores,
quantos canais de mixagem tem a mesa e outros.

Não podemos mais definir num número a dimensão de um estúdio, mas especificar os
detalhes. Toda essa expansão do conceito de “canais” dos estúdios se deve à
combinação dos recursos de gravação com o seqüenciamento MIDI, por causa da
sincronização, do sync time code. Com isto não gravamos os sons eletrônicos junto com a
voz e outros instrumentos, mas mixamos todos eles, poupando as pistas do gravador.
Teclados são tocados “ao vivo” pelo seqüenciador, que está sincronizado como “escravo”
ao gravador multipista, o “mestre”.

Este mesmo conceito, em que os teclados só são mesmo gravados na mixagem final, se
aplica aos programas híbridos em voga, como o Cakewalk e o Cubase. Eles são ao
mesmo tempo seqüenciador e gravador. Isto economiza enorme espaço do HD e os
recursos das placas de som. Para que tudo funcione, precisamos de dois tipos de
interface: de áudio e MIDI.

As interfaces de áudio, ou placas de som, como a Gina ou a Audiomedia, se diferenciam


pela qualidade dos conversores AD/DA, pelos conectores, pela compatibilidade com os
programas. São as maiores responsáveis pela qualidade do som gravado no computador
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Teoria Básica para Home Studio 45
e pelo número de canais simultâneos de entrada/saída de áudio.

Com as interfaces ou placas MIDI, como a MQX-32(M) e a MIDI Time Piece, conectamos
maior ou menor número de sintetizadores e sincronizamos o seqüenciador com um
gravador multipista externo, juntando assim os dois sistemas.

As placas de multimídia, como a SoundBlaster ou a Fiji, fazem um pouco de tudo, mas


raramente sincronizam o micro com um gravador externo. Neste caso, o áudio é gravado
no HD do micro, junto com as levíssimas pistas MIDI, e tudo é sincronizado internamente.
Elas têm conexões de áudio e MIDI, além do sintetizador multitimbral interno, convidando
a usar seus próprios timbres e a fazer todo o trabalho no computador. Mas ainda são
limitadas em cada aspecto, desde o número de canais MIDI e de áudio até a qualidade de
conectores e conversores de som.

O bom é usar cada interface de acordo com suas necessidades, item por item.
Separadas, de áudio e de MIDI, mas trabalhando em conjunto, ou ter um sistema bem
mais simples com uma placa de multimídia, resumindo as principais funções das
verdadeiras placas de som e de MIDI. Este é um proveitoso tubo de ensaio.

Bateria acústica X eletrônica

Sempre vem à tona a polêmica que contrapõe instrumentos acústicos aos sons
eletrônicos que os imitam. Nosso tema opõe o mais tradicional de todos às mais recentes
conquistas da história da música: as percussões acústicas e eletrônicas. Será que vale a
pena substituir peles e pratos por amostras digitalizadas? A programação de padrões
rítmicos consegue substituir a execução do baterista? Quais os investimentos para gravar
bateria no estúdio? Vamos analisar aqui os prós e contras dos dois sistemas e verificar a
praticidade de uni-los, aproveitando o que cada um tem de melhor.

Para gravar uma bateria tomamos cuidados especiais. Não registramos um som, e sim o
de vários instrumentos. Tambores e pratos, captados por microfones específicos, podem
e devem ser armazenados em diferentes pistas. Temos assim mais recursos para a
mixagem final destes com os demais sons do arranjo. Se for gravada em estéreo, em
apenas duas pistas, a bateria não tem como ser equalizada na finalização do trabalho.
Seus vários microfones, nos canais da mesa, podem ser endereçados para duas ou
várias pistas do gravador.

Esses recursos são, contudo, os maiores investimentos do estúdio. Chegam a multiplicar


os custos em várias vezes. A bateria, um instrumento caro, precisa de um kit de
microfones especiais, cabos e pedestais, além de cerca de 8 pistas no gravador ou 8
entradas na interface de som do computador. A mesa de som e a cabine acústica
completam os principais itens da lista, que ainda incluem compressores, gates e outros.
Nada disso evita o vazamento dos sons pelos microfones. O resultado depende do talento
de cada produtor.

É óbvio que a maioria dos home studios começa usando os recursos eletrônicos. Muitos
deles obtêm ótimos resultados. Disseminado na música pop a partir dos anos 80, o uso
do sampler, com loops seqüenciados e timbres originais ou muito bem copiados de
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Teoria Básica para Home Studio 46
instrumentos acústicos, é hoje predominante em vários gêneros musicais, do rap
americano ao nosso pagode. E a bateria eletrônica nada mais é que um seqüenciador de
amostras sampleadas. Em certos estilos de execução mais livre, como o jazz, a bateria
programada é menos conveniente. Em outros, seu uso é a regra. Em muitos gêneros,
uma boa e detalhista programação de timbres bem escolhidos pode convencer até
profissionais mais experientes. Mal feita, ridiculariza uma produção.

Uma bateria eletrônica, no senso estrito, é um aparelho com um seqüenciador MIDI e


botões ou pads que ativam sons digitalizados de percussões. Num sentido amplo, todos
os instrumentos MIDI do estúdio que tenham sons percussivos são tocados pelo teclado
(ou outro controlador) e programados num seqüenciador, de computador ou não.
Podemos programar os ritmos na tela do computador, com muitos recursos, ou na própria
bateria eletrônica. Em vez de gravarmos o áudio desses sons percussivos, poupamos as
pistas de gravação sincronizando o seqüenciador ou a bateria eletrônica ao gravador
multipista, fazendo com que atuem sempre juntos. Na mixagem, reunimos na mesa as
pistas gravadas de vozes e instrumentos com o som direto dos instrumentos MIDI.

O baterista pode programar seus ritmos usando pads, espécie de “tambores” eletrônicos,
e triggers, pequenos microfones de contato que convertem qualquer fonte de som em
controladores MIDI. Com eles, pode lançar mão de sua técnica instrumental para
programar seqüências com mais conforto, sem ter que se adaptar, por exemplo, a um
teclado. O músico toca até mesmo em uma bateria de estudo trigada ao sistema MIDI.

Alguns estúdios chegam a combinar o uso simultâneo dos processos de gravação


acústica e de seqüenciamento MIDI da bateria. Gravando os componentes que têm som
mais rico em detalhes, como caixa e pratos, enquanto seqüenciam outros tambores
“trigados”, aproveitam o melhor dos dois mundos com contenção de despesas.

O Sampler e os Sons “Acústicos”

Popularizados no meio musical a partir do início dos anos 80, os samplers, hoje
obrigatórios em todos os estúdios profissionais, despertaram a princípio o desdém de
muitos compositores, arranjadores e instrumentistas. Gravar sons dos instrumentos
tradicionais para depois serem tocados por teclados eletrônicos chegou a parecer
antimusical para cultores de diversos gêneros. Na verdade, ainda há quem discuta a
importância do sampler. Enquanto isso, o mais versátil instrumento já inventado vem
promovendo, não uma, mas várias revoluções nesta fase tão turbulenta da história da
música.

Capaz de reproduzir qualquer som com absoluta fidelidade e respeitando a dinâmica dos
instrumentos em suas sutilezas, o sampler pode ser tocado por um instrumento
controlador MIDI ou ainda por um seqüenciador. Você pode tanto imitar o som de seu
instrumento acústico sampleando nota por nota quanto criar um loop ou ostinato repetindo
um trecho quantas vezes quiser. Diversos gêneros musicais, como o rap e o techno se
desenvolveram a partir desses loops eletrônicos. A música eletroacústica, importante
tendência erudita, como também diversos jazzistas, reconheceram e adotaram o
instrumento, explorando sua infinita riqueza timbrística e expressiva e elevando-o à
categoria que merece.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 47

O sampler não é um mero imitador de instrumentos. Com ele, você pode criar as mais
originais sonoridades, já que o som digitalizado (gravado) por ele pode ser editado como
fazemos num sintetizador. A diferença é que o sintetizador edita sons gerados
internamente e o sampler o faz com sons que gravamos. Não por acaso, a maioria dos
sintetizadores do mercado usa como matéria prima amostras sonoras sampleadas.
Conhecida como sample playback, essa síntese permite o acesso de uma maior
quantidade de músicos e home studios ao vasto universo de sonoridades digitais. Com
um sintetizador sample player, dispomos de um grande número de sons de instrumentos
“reais” que foram gravados pelo fabricante, mas não podemos samplear novos sons. O
sampler, um pouco mais caro que os sintetizadores, permite ao arranjador a escolha de
qualquer som para seu trabalho.

Os samplers vêm geralmente em rack ou teclado, podendo conter drive de disquete, HD,
CD-ROM, Zip Drive, memória, igualzinho a um computador. Agora vêm surgindo os
softwares que transformam seu próprio PC num sampler. Os sons utilizados podem ser
obtidos por você, gravando-os no HD de seu sampler, ou através de amostras obtidas no
mercado. Diversos fabricantes de CDs de áudio com loops para serem sampleados e de
CD-ROM com amostras prontas nos diversos formatos (Akai, E-Mu, Roland, Wav. e
outros) oferecem milhares de sons e loops para usuários de todos os gostos. É escolher o
som e tocar.

Os detalhes expressivos da maioria dos instrumentos acústicos e elétricos garantem vida


eterna para eles. Ninguém em sã consciência pretende substituí-los. Os bons
instrumentistas sempre serão requisitados nas gravações e performances. As conquistas
obtidas com a entrada do sampler no mercado são as novas formas de expressão
musical, o salto na qualidade do som gravado e uma maior democratização da produção
musical, já que mais produtoras e home studios vêm tendo acesso a todo tipo de timbre, o
que barateia o custo dos projetos.

No home studio, o uso do sampler acarreta menor consumo de pistas de gravação de


áudio, já que ele permanece tocado pelo seqüenciador MIDI até o momento da mixagem,
sincronizado ao gravador de áudio, e causa um enorme salto na qualidade do som.
Modelos profissionais em torno de 2000 dólares, como o Akai S2000, E-Mu ESI-4000,
Roland S-760 e Yamaha A3000, viabilizam sua aquisição, com todo o brilho dos produtos
mais caros e sofisticados. Poupe as pistas do gravador exclusivamente para as vozes e
os instrumentistas mais competentes. O resto vai por MIDI, com o maior som.

A edição dos eventos MIDI

É impressionante como o tempo passa. A coluna Home Studio está completando dois
anos na Backstage. Nesses 24 meses, que esperamos que se estendam por 24 anos,
procuramos divulgar o emaranhado de tecnologias em que se transformaram os sistemas
de gravação. A resposta dos leitores tem sido fundamental para nortear este trabalho,
com suas pertinentes dúvidas e utilíssimas sugestões. Vamos em frente.

Vamos entrar no penúltimo ano do milênio. E é incrível como, na era dos upgrades e
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 48
updates, onde versões de programas ficam obsoletas em três meses, a interface MIDI,
que já passou dos 15 anos, continua com cara de criança. É verdade! Nesta década e
meia o padrão se manteve inalterado, com as mesmas características desde o seu
lançamento, embora para muitos ainda seja uma grande novidade. E é. Afinal, editar tudo
o que tocamos num instrumento eletrônico, depois de gravado, até hoje parece milagre.

O seqüenciador em software foi o maior beneficiário da interface MIDI. Com uma


evolução frenética e incessante, os melhores modelos acabaram tendo que abrir uma
nova frente, ou ficariam muito parecidos. Já não tendo muito para onde correr na
disputada concorrência, incluíram a gravação de áudio multipista. A briga recomeçou,
agora no terreno do áudio. A MIDI não precisou ser atualizada, mesmo com seus 8 bits,
por ter previsto a capacidade de evolução dos instrumentos eletrônicos, deixando espaço
livre para os recursos que foram surgindo.

Como o seqüenciador registra simples comandos musicais ao longo do tempo, e não o


som, é fácil editar todos eles. Cada nota é adiantada, atrasada, excluída ou incluída com
poucos cliques no mouse. Um instrumento pode ter seu timbre modificado depois de
gravado, e podemos variar o andamento sem mudar o tom. Tudo é simples, com as telas
de edição gráfica. Não importa se você é um virtuose no seu instrumento ou se não
domina a técnica: o mouse e as telas de edição são grandes ferramentas para todo
arranjador.

Na tela principal de cada programa, vemos as pistas de gravação e suas características,


como canal MIDI, programa (timbre) do instrumento, volume, mute, solo, mais play, rec,
stop, compasso, andamento, contadores e marcadores de tempo. Podemos alterar todos
eles a todo instante, e também alterar trechos que marcamos com o mouse. Uma edição
minuciosa permite grande aperfeiçoamento da performance original.

Marcamos um trecho arrastando o cursor do mouse sobre um grupo de eventos. Copiar,


cortar, colar, quantizar (tornar os ritmos precisos), mudar durações e alturas são alguns
dos comandos do menu de edição.

Para ajustar cada evento, como uma nota, um controle ou uma troca de timbres, usamos
basicamente três telas. A mais antiga (e a mais complicada de operar!) é a lista de
eventos: cada linha (como numa folha de caderno) contém todas as informações de um
evento. É onde fazemos variar timbres e outros parâmetros mais gerais. Uma nota ocupa
duas linhas, note on e note off.

Para mexermos nas notas e controles, as telas da partitura (staff) e do piano-roll permitem
uma visualização infinitamente melhor. Vemos a música enquanto a ouvimos, seja no
pentagrama ou num gráfico onde as notas são traços. Herdeiro dos rolos de papel
perfurado das pianolas movidas a corda, o piano-roll é uma maneira mais cartesiana de
lermos a partitura. O comprimento do traço é a duração da nota e sua altura na tela é a
própria altura musical ou o pitch. Abaixo ou acima, outra tela mostra variações nos
controles MIDI na mesma hora em que vemos as notas no piano-roll. Com o mouse
desenhamos variações de volume e pan, cortamos notas erradas, mudamos a afinação, a
duração, o momento do ataque ou a intensidade de cada nota, editando glissandos,
pedais de sustain e muitos outros recursos. É o gráfico mais completo e preciso. Na
partitura, apesar da leitura mais direta (para os que a lêem), editamos parâmetros das
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 49
notas e alguns outros. Essas partituras também são editadas para impressão. Além
destes, temos gráficos (curvas) de andamentos, compassos, tonalidades e outros.

A edição dos eventos MIDI, simples como um video-game, tem uma incomparável gama
de recursos. Afinal, não estamos mexendo diretamente com os sons, mas com a forma
deles serem tocados. O que simplifica tudo, embora por muito tempo ainda, para muita
gente, vá parecer milagre.

A edição do áudio digital

A gravação e a edição das pistas de áudio e MIDI, a mixagem com automação e multi-
efeitos em tempo real, assim como a finalização do trabalho, após a mixagem, com
masterização em CD, já estão à disposição de estúdios médios e pequenos. E com
recursos avançados, comparáveis às workstations profissionais. Todos os recursos de
processamento encontrados num estúdio estão integrados aos diversos programas de
edição.

De fato, os porta-estúdios digitais contêm diversas ferramentas de edição. Mas um


computador médio para os padrões atuais, como um Pentium I ou II, pode ser
transformado numa estação de trabalho bem mais poderosa. Com uma moderna interface
de áudio e programas como o Cakewalk e o Sound Forge temos como processar
multipistas e som estéreo com qualidade profissional. Adicione memória de 64 MB, um
gravador de CD e um HD grande e rápido e o micro se torna o centro do estúdio,
assumindo a maioria de suas funções.

As pistas de áudio gravadas no Cakewalk podem ser editadas nele próprio ou no Sound
Forge. Marcamos o trecho de áudio clicando o botão esquerdo do mouse sobre ele. Ali
mesmo acionamos com o botão direito um menu e o item “Audio”. A partir da tela de
áudio, o botão direito abre outro menu com os recursos de edição. Além de copiar,
recortar e colar trechos, contamos com vários plug-ins, programas acessórios com efeitos
e mais alguns recursos. Muitas vezes, uma edição mais elaborada de alguma pista ou
trecho se faz necessária. O Cakewalk permite editarmos esse material no Sound Forge.
Basta clicar no menu “Tools” e em “Sound Forge”, que o programa abre com o trecho
original do Cakewalk.

Apesar de ser um programa independente, para edição de áudio estéreo ou mono, o


Sound Forge interage eficazmente com o Cakewalk. Com muito mais recursos de edição,
ele processa as pistas do outro programa e as devolve prontas para mixar. Depois de
editar cada uma no Sound Forge, clicamos em “Save” e retornamos ao Cakewalk clicando
na barra de tarefas do Windows. O material editado substitui o original, após
confirmarmos isso numa janela. É quase como se fosse um só programa, somando
muitos recursos indispensáveis que só estariam presentes num ou noutro.

Depois de gravar e editar tudo, mixamos o material usando uma mesa “real” ou o console
virtual do Cakewalk. O áudio estéreo é enviado para 2 pistas do próprio programa, depois
convertidas num arquivo wave através do comando “Export Audio” do menu “Tools”. Salvo
o material, o Cakewalk encerra aqui sua atuação. Este arquivo wave é agora aberto no
Sound Forge, para a edição final, ou pré-masterização.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 50

Edição. Num programa com os recursos do Sound Forge, marcamos facilmente um


trecho de qualquer duração, arrastando o mouse sobre ele, ou editamos toda a pista. A
chamada edição não-linear não depende da execução da música. O som é ‘visto’ no
gráfico, além de ser ‘ouvido’. E o áudio é modificado no HD. Habilite a função “Undo”
(refazer) para poder experimentar os recursos sem perder o original.

No Sound Forge há todo tipo de processadores de efeitos (reverber, delay, chorus,


flanger, distorção, wah-wah), dinâmicos (compressor ou Dynamics/Graphics, noise gate),
equalizadores (gráfico e paramétrico), analisadores de espectro, filtros diversos,
conversores, mute, fade in/out, envelopes de volume e afinação, remoção de “clicks”,
restauração de vinil e muito mais. Otimize o volume com a função “Normalize”. Tire ruídos
de fundo com o plug-in “Noise Reduction” (comprado em separado): após marcar um
pequeno trecho só de ruído, para coletar uma amostra, abra a tela do Noise Reduction,
clique em “Get”, habilite “Apply to all” e dê OK. Aguarde e confira. Reduz sensivelmente
ruídos e vazamentos, mas às vezes altera alguns timbres. Os efeitos em geral são ótimos.
Na compressão e no uso do noise gate, a visualização através do gráfico facilita muito o
ajuste dos parâmetros. Na pré-masterização, corte os trechos em silêncio do início e do
fim de cada música. Use os comandos “Fade in” e “Fade out” sobre pequeninos trechos
para o som entrar e sair sem sobressaltos, traduzidos em indesejáveis “clicks”.

Planeje sempre a seqüência correta dos recursos que vai usar em cada etapa. Essas
ferramentas do Sound Forge podem ser usadas na edição das pistas do Cakewalk e na
finalização em estéreo. Algumas só numa ou noutra etapa, outras são usados mais
freqüentemente.

Salve seus arquivos wave pré-masterizados e grave o CD usando o programa que vem
com o gravador ou o plug-in “CD Architect”. Agora é só fazer a capa e as cópias. Seu
home studio virou uma pequena mas sofisticada gravadora.

Mixagem sincronizada de áudio e MIDI

Desde que surgiram os seqüenciadores MIDI, ainda no tempo em que só havia fitas
analógicas, usamos os processos de sincronização entre eles e os gravadores multipista.
Esses processos, como o FSK, o SMPTE/MTC e o MIDI clock, são úteis não apenas
porque permitem rápidas e radicais modificações no material gravado durante a produção.
Mais que tudo, servem para expandir a quantidade de pistas do estúdio, graças à
economia que proporcionam: os sons dos instrumentos eletrônicos não são gravados,
mas enviados diretamente das suas saídas de áudio para a mesa de mixagem, onde se
juntam aos sons das pistas gravadas.

Hoje, quando os seqüenciadores se tornaram também gravadores de áudio, o conceito


permanece. Nas suas pistas, podemos seqüenciar comandos MIDI ou gravar sons
acústicos e elétricos. Cada uma através de uma interface apropriada, as pistas de áudio e
MIDI são automaticamente sincronizadas pelo programa. Não é preciso gravarmos o
áudio de um teclado ou módulo que permanecerá no estúdio: se ele pode ser “tocado”
pelo seqüenciador sempre que dispararmos o gravador, é só enviar seu som direto pra
mesa. As pistas acústicas também vão pra mesa, saindo do gravador ou da placa de som.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 51
Na mesa é que misturamos todo o material.

A grande vantagem de mantermos os sons eletrônicos como pistas MIDI durante todo o
processo de gravação é que não gastamos espaço do HD ou da fita com esses sons. Em
certas produções, essa economia pode representar até cem por cento do que seria
consumido. E o conceito do número de canais do estúdio fica ultrapassado: estamos
atingindo a era dos infinitos canais.

Plugados aos canais de entrada da mesa, que devem ser em número suficiente, tanto os
sintetizadores e samplers quanto os canais de saída do gravador ou da placa de som
terão, a partir de então, o mesmo tratamento. Seja numa mesa analógica ou numa digital,
podemos acrescentar efeitos, equalização e controlar o volume e pan manualmente ou
automaticamente. O programa pode ter uma outra mesa, virtual, que auxilia no processo
de automação da mixagem, mas a mesa externa é necessária para conectarmos os
sintetizadores.

Se gravamos o áudio multipista no micro e depois mixamos tudo masterizando em


estéreo no próprio micro, pode ocorrer um aparente paradoxo. O som das pistas de áudio
sai do computador, é mixado numa mesa externa e retorna em estéreo para o micro.
Lembre-se: os teclados e módulos MIDI ficam mesmo fora do computador. Por isso
precisamos mixar tudo externamente. Quando só gravamos pistas de áudio o programa
pode mixar tudo pela sua mesa virtual, mas quando sincronizamos essas pistas a outras
de MIDI, a mesa externa é necessária para reunir os sintetizadores ao áudio gravado. Por
outro lado, numa produção só com sons seqüenciados de um sintetizador, podemos mixar
tudo internamente pelo seqüenciador, com o som estéreo já saindo pronto do instrumento
para o DAT ou placa de som.

É claro que há exceções. Se o seu sintetizador multitimbral só contém um par de saídas


estéreo e você precisa dar um tratamento especial a um dos sons através da mesa – por
exemplo, um reforço nos graves do contrabaixo -- grave este som numa pista de áudio à
parte e depois desabilite (mute) a pista MIDI original. Agora envie para a mesa o som da
pista de áudio com o baixo, num canal independente do teclado, e acrescente os graves
no equalizador do canal apropriado, sem afetar os outros sons do teclado.

As conexões são, portanto: MIDI out do instrumento controlador para MIDI in do


seqüenciador ou da interface MIDI; MIDI out da interface ou do seqüenciador para MIDI in
do sintetizador. Saídas de áudio da mesa (submasters ou direct outs) para entradas de
áudio do gravador ou da placa de som; saídas de áudio da placa de som ou do gravador
mais as saídas do sintetizador para os canais de entrada da mesa. Saídas de áudio
estéreo da mesa (master) para entradas do gravador estéreo ou placa de som. As
conexões de sync podem ser, no caso do SMPTE, sync out da placa MIDI para a entrada
do último canal do gravador de fita e a saída deste canal para sync in da placa MIDI; no
caso do MTC ou MIDI clock, MIDI out do gravador digital para MIDI in da placa MIDI ou
seqüenciador; usando MMC, MIDI out da placa MIDI para MIDI in do gravador digital.
Essas conexões se aplicam às mesas analógicas e digitais.

Com a mixagem das pistas de áudio gravadas e dos sintetizadores “ao vivo”, ganhamos
em número de canais, flexibilidade na experimentação dos timbres eletrônicos (que
podem ser modificados depois de seqüenciados) e economia de espaço no HD ou nas
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 52
pistas de áudio (o áudio profissional consome pelo menos 5 MB por minuto, contra alguns
bytes de uma pista MIDI). Em contrapartida, precisamos de uma mesa com canais em
quantidade suficiente para mixar todos esses sons. O pequeno estúdio agora perdeu a
conta dos canais que tem.

As novas placas de som

Até cerca de um ano atrás, uma gravação multipista no computador exigia pesados
investimentos em interfaces profissionais de áudio. Modelos como a Digidesign Session 8,
a Creamware TripleDAT, a Soundscape HDR1 ou a Yamaha CBX-D5 chegavam ao
mercado por milhares de dólares. Agora, esta barreira foi vencida. Novas placas e
interfaces externas, de novos e antigos fabricantes, conectam e convertem múltiplos
canais analógicos e digitais com qualidade profissional de som e facilidade de operação e
instalação. E todas elas custam algumas centenas de dólares, pouco mais que uma
plaquinha multimídia ou um porta-estúdio cassete.

Estamos falando de interfaces como as Event Electronics Layla, Gina e Darla, a MOTU
2408, a Ensoniq PARIS e a E-Mu APS. Com algumas diferenças, todas permitem
gravação simultânea de múltiplas pistas de áudio através de suas entradas, além de
monitoração e mixagem numa mesa de som externa, pelas suas diversas saídas de som.
Com conectores profissionais ou semiprofissionais ("banana" de ¼" balanceado ou não,
ou RCA, além das conexões digitais), elas livram o pequeno estúdio do pesadelo que era
enviar todos os sons por um único e estreito cabo estéreo com conector de 1/8" (de fone
de ouvido), caso das placas de multimídia.

Esta nova categoria de placas profissionais abaixo de mil dólares traz ainda uma
vantagem sobre as antigas e caras concorrentes. A maioria dos novos modelos é
compatível com os programas de gravação e edição de áudio mais usados, como o
Cakewalk, o Sound Forge, o Cubase e o Logic, como também com os plug-ins DirectX,
que fornecem efeitos e outras ferramentas de edição, compartilhados pelos diversos
programas. Com processamento interno e conexões digitais de 24 bits e conversores
AD/DA de 20 bits, algumas dessas baratas interfaces superam em muito suas antigas e
caras concorrentes.

Embora alguns modelos, como a Layla, contenham conexões MIDI, provavelmente você
precisará usar uma interface em separado para ligar seus sintetizadores. Fábricas como a
Opcode, MOTU e MidiMan têm modelos baratos, de poucas centenas de dólares. Elas
são perfeitamente compatíveis com as placas de áudio. É aconselhável o uso de uma
placa multi-portas (vários MIDI ins e outs), especialmente se você vai sincronizar um
gravador externo ou se tem vários sintetizadores. A mais usada é a barata (menos de 300
dólares) e já tradicional Opcode MQX-32(M).

Também é possível mixar os sons internamente no computador, mas, como vimos no


artigo anterior, é muito interessante o uso de uma mesa de som externa, onde unimos os
sons dos sintetizadores seqüenciados às pistas gravadas. A mesa externa traz agilidade à
mixagem e acrescenta os recursos dos processadores "físicos" de sinal aos recursos dos
programas. Ou seja, se seu computador está sobrecarregado com muitas pistas gravadas
para processar, você ainda pode usar seu velho reverber ou compressor através da
mesa, para processar os canais gravados no micro.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 53
Conecte sua mesa à placa de som do mesmo modo como a ligaria a um gravador de fita,
como um ADAT. Das saídas da mesa (subgrupos ou saídas diretas) para as entradas da
placa e das saídas da placa para os canais de entrada da mesa. No programa de
gravação, podemos modificar a cada instante o canal da placa que será usado por cada
pista. Se gravamos mais pistas que a quantidade de canais da placa, agrupamos algumas
delas pelo mesmo canal, dosando níveis de volume, efeitos e timbre no próprio programa.
As pistas que saem sozinhas por um canal podem ser processadas inteiramente pela
mesa e seus periféricos.

Com essas novas interfaces e as versões atuais dos programas, o número de pistas
gravadas não dependem mais delas. A velocidade de gravação e leitura do hard disk é
que define quantas pistas podem ser gravadas e reproduzidas simultaneamente. Um HD
Ultra Wide SCSI, bem mais rápido que um do tipo IDE, será capaz de gravar/reproduzir
mais pistas que este. Isto ocorre porque cada take de áudio gravado é um diferente
arquivo, registrado num diferente setor do disco. A cabeça de leitura e de gravação tem
que saltar pelo HD para dar conta simultaneamente de todos esses pesados arquivos de
som. Assim, sua nova placa oferece vários canais de entrada e saída, mas você pode
gravar um número bem maior de pistas no programa, quanto mais rápido for seu hard
disk.

O Sistema MIDI
O milagre da multiplicação dos canais de gravação. Partituras que se escrevem
automaticamente, ao tocarmos um instrumento. Novos e infinitos timbres para os arranjos.
A adição de um sistema MIDI ao estúdio faz essas e outras. A partir deste artigo, vamos
conhecer melhor esses recursos.

Com MIDI, podemos fazer muitas coisas. Na edição de partituras, podemos tocar em vez
de escrever. Ligando dois ou mais sintetizadores, misturamos seus timbres em novas
sonoridades. Automatizamos mesas de mixagem. Sincronizamos gravadores e
seqüenciadores, expandindo o estúdio. Sonorizamos programas multimídia e sites da
Internet, poupando a memória do computador. Mas os seqüenciadores, onde
desenvolvemos os arranjos e que permitem a troca dos timbres eletrônicos mesmo depois
de gravados, são a mais completa tradução dessa tecnologia ainda revolucionária.

Só não grava som. Na verdade, mesmo quando gravamos um arranjo MIDI num
seqüenciador, só estamos registrando comandos musicais, em forma de dados digitais.
Pelos cabos MIDI só transitam mensagens, que dizem aos equipamentos quais notas,
pedais ou botões são acionados pelo músico, e quando. Registrando esses dados e o
momento em que cada ação se dá, o seqüenciador "aprende" a tocar a música. Acionado
o PLAY, ele "toca" os sintetizadores, como um robô ou uma mão invisível, através dos
cabos MIDI. Os sons desses instrumentos continuam sendo gerados por eles, todos
plugados à mesa de som. Por isso, os arquivos MIDI são muito mais leves do que o áudio
gravado no computador. Afinal, aqueles sons não estão no hard disk, mas saindo "ao
vivo" dos próprios instrumentos.

O estúdio MIDI básico tem um seqüenciador, um instrumento controlador e um gerador de


som. Às vezes, um único teclado, apelidado de workstation, contém os três. Mas um
seqüenciador em software, com muito mais ferramentas de edição, precisa de uma placa
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 54
ou interface MIDI instalada no computador para conectar os instrumentos. Tocamos num
teclado, guitarra, baixo, violão, bateria, violino, sax ou outro controlador MIDI. Seja qual
for o seu, ele aciona os geradores de som e alimenta o seqüenciador com as partes do
arranjo, uma a uma, cada parte num diferente canal. Os geradores de som são
sintetizadores, samplers ou simples arquivos de sons pré-programados. Podem ter forma
de teclados, módulos, placas multimídia ou pedaleiras. São acionados pelo controlador e
pelo seqüenciador através dos canais MIDI.

Pelo cabo MIDI as mensagens transitam codificadas em 16 canais independentes. O


seqüenciador toca 16 sintetizadores numa cadeia ou rede em que cada um soa como
uma diferente parte do arranjo, como o piano e o baixo, usando um canal para cada
instrumento. Ligamos o MIDI out (saída) do controlador ao MIDI in (entrada) do
seqüenciador ou da placa MIDI. E o MIDI out do seqüenciador ao MIDI in do primeiro
sintetizador. Para ligar os outros geradores de som, conectamos o MIDI thru do primeiro
ao MIDI in do segundo. O MIDI thru é uma saída usada para retransmitir a outro
instrumento as mensagens que entram pelo MIDI in. Daí pra frente, ligue o MIDI thru de
cada gerador ao MIDI in do seguinte. Agora, ajuste cada um para operar num diferente
canal e temos uma orquestra de sintetizadores. Os instrumentos ditos multitimbrais são
capazes de operar em muitos canais ao mesmo tempo, o que é uma grande economia.

Para termos mais de 16 canais, usamos várias portas MIDI. Cada porta tem um conector
e 16 canais. Com duas portas enviamos mensagens, num total de 32 canais, por dois
cabos. Cada nova porta, mais 16 canais independentes. Certos sintetizadores e as placas
ou interfaces MIDI profissionais para computadores são multiportas.

Os programas multimídia e as home pages usam sempre os padrões General MIDI (GM),
uma lista unificada de 128 timbres, e Standard MIDI Files (SMF), arquivos MIDI salvos por
qualquer seqüenciador usando a extensão .mid. São totalmente compatíveis com os
diversos sistemas.

Os instrumentos controladores MIDI e a operação dos diferentes módulos geradores de


sons são o assunto do mês que vem. Veremos como compensar os atrasos gerados pela
guitarra MIDI e outras dicas de operação. Enviem correspondência para a Backstage,
indicando a seção Home Studio. Até lá, um abraço.

Instrumentos Controladores MIDI

"Não uso seqüenciador porque não toco teclado!" Esta é uma frase muito repetida pelos
músicos que não conhecem os controladores alternativos. Eles suprem as necessidades
de todo tipo de instrumentista.

Controlador é o instrumento MIDI em que realmente tocamos, aquele onde o músico


executa a sua performance. Num computador, conectamos a saída MIDI out do
instrumento à entrada MIDI in da interface. Tocando no controlador, ‘gravamos’
(seqüenciamos) a música pista por pista, canal por canal. Essa música soa através dos
sintetizadores, samplers e demais instrumentos MIDI.

O controlador pode ser mudo, para tocar sons de outros aparelhos, ou pode gerar sons
próprios. Um sintetizador MIDI de teclado, por exemplo, funciona ao mesmo tempo com
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 55
as funções de controlador e módulo de som. Para executar bem as duas funções, deve
ser encarado como se fossem duas partes distintas do estúdio: o controlador e o módulo.
Facilmente desligamos a função Local (LOCAL OFF) no teclado e conectamos dois cabos
MIDI entre ele e o computador: out para in e in para out. O teclado agora só emitirá sons
quando assim determinarmos no seqüenciador. Sem isso, ele fica mudo. Esta
configuração permite que usemos o teclado para controlar (tocar) o som de outro
instrumento, sem que seu próprio som atrapalhe a execução.

O teclado e o mouse não são os únicos meios de registrarmos a música num


seqüenciador. Para adaptar melhor a técnica instrumental de cada um à transmissão de
dados musicais via MIDI, existem inúmeros tipos de controladores alternativos, em forma
de guitarras, violões, baterias de muitos formatos, violinos, violas, violoncelos,
instrumentos de sopro, vibrafones etc. Fábricas como Roland, Yamaha e Zeta produzem
diversos modelos.

Além do controlador de sua preferência, mesmo que não toque teclado, convém ao
músico dispor de um, para programar as baterias e percussões, realizar certos
encadeamentos harmônicos e outras facilidades típicas desse tipo de intrumento. Esse
teclado pode ser mudo ou conter os sons que serão seqüenciados, tocados através dele e
do controlador alternativo.

Cada tipo de controlador tem suas próprias características. As guitarras MIDI podem
causar um certo atraso na transmissão dos dados, devido à dificuldade de reconhecer a
afinação da nota executada. Enquanto um teclado transmite a nota imediatamente ao
tocarmos, já que cada tecla tem um contato eletrônico, a guitarra usa um conversor, que
primeiro reconhece a freqüência fundamental de cada nota tocada, para só então
convertê-la numa nota MIDI e transmiti-la a um sintetizador ou outro aparelho. Este
conversor tem que aguardar que se complete um ciclo da onda sonora da corda da
guitarra, para identificar a nota tocada. Só que o dedo do guitarrista, como de qualquer
instrumentista de cordas, não tem a exatidão de uma tecla, porque é comum que a corda
fique ligeiramente esticada quando é tocada. Então, por exemplo, um Fa é mesmo um Fa
ou é um Mi que foi esticado pelo pitch bender? O conversor, muitas vezes, precisa tomar
decisões como esta, antes de fazer a conversão do som para uma nota MIDI.

Ao seqüenciar cada parte do arranjo numa guitarra controladora, o músico pode


compensar esses atrasos de duas formas: quantizando ou adiantando o trecho. As duas
operações são muito fáceis. Para quantizar, marque o trecho no seqüenciador e acione o
comando <Quantize>, escolhendo a resolução correspondente à menor figura rítmica
utilizada. Para antecipá-lo, marque o trecho e arraste-o com o mouse um pouco para a
esquerda. Na maioria das vezes, dá certo.

Cada controlador combina melhor com certos timbres, e pior com outros. É melhor
tocarmos bateria eletrônica por meio de pads do que nas cordas de uma guitarra MIDI
(embora seja possível), mas os pads não nos permitem tocar violino, e a guitarra, sim. O
músico deve escolher aquele controlador que melhor se adapta à sua técnica
instrumental, procurando manter também um teclado.

Mês que vem, veremos a operação dos diferentes módulos geradores de sons. Enviem
correspondência para a Backstage, indicando a seção Home Studio. Até lá, um abraço.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 56

Piratas à Vista! - O arquivo de som MP3 se torna símbolo da liberdade


de expressão.

Mês passado, prometi abordar os módulos MIDI, mas um assunto muito urgente impôs
um adiamento. O MP3 tem suscitado um feroz debate na Internet, na mídia impressa e
até nos parlamentos do Primeiro Mundo. Com qualidade próxima ao CD, 12 vezes menor
que os arquivos WAV, o MP3 é ideal para a transmissão de som pela Internet. Com ele,
um home studio, além de gravar e finalizar um trabalho musical, pode ainda divulgá-lo e
distribuí-lo diretamente ao público, sem intermediários. Mas são justamente esses
intermediários, as grandes gravadoras, que têm tentado todas as formas de banir o MP3,
alegando estímulo à pirataria. Lutam ferozmente para garantir a própria sobrevivência.

Só quem tem o direito de julgar o seu talento é você mesmo e o seu público, certo?
Errado. Ao longo de todo o século XX este julgamento coube aos executivos de algumas
gravadoras multinacionais. Para um artista ou uma banda tentar o sucesso, é preciso que
um diretor artístico aprove o seu trabalho e autorize o seu lançamento em disco. Para
algumas centenas de artistas de sucesso no show business brasileiro, quantos milhares
(milhões?) ficaram de fora, muitos até desistindo da profissão? Sem o respaldo da
indústria, a maioria se desestimula e o público nem chega a conhecer seus trabalhos.

O MP3  ou os formatos que o sucederem  é a grande revolução democrática no universo


ditatorial da indústria do disco. Cada artista é sua própria gravadora e distribuidora,
usando um home studio e uma conexão à Internet. Como toda revolução, esta também
tem sua reação: a indústria, defendendo o seu monopólio, e vários artistas de renome,
equivocados ou pensando mais em seu quinhão do que na liberdade de expressão, vêm
brandindo a bandeira da luta contra a pirataria. Trata-se de uma jogada de marketing que
tenta desmoralizar (para poder proibir) os arquivos de som com fácil trânsito na Grande
Rede. O que está em jogo aqui não é a pirataria, mas a previsível redução da influência
dessas empresas sobre o mercado. Seu poder de fogo é grande, mas a maioria silenciosa
já se prepara para reagir à altura.

Há semanas, a editora do caderno "Informática etc." do jornal O Globo, Cora Rónai, vem
desmascarando a duvidosa ética da indústria a respeito do MP3. Em 28 de junho,
publicou uma carta-manifesto de John Perry Barlow, letrista do Grateful Dead e professor
de Direito em Harvard, além de diretor da Electronic Frontier Foundation  EFF  , que luta
pela liberdade de expressão na Web. Abro aspas para ele:

"Graças à efervescente popularidade do formato MP3, a indústria fonográfica está


tentando, desesperadamente, pôr uma tampa no verdadeiro caldeirão de música líquida
que, de repente, apareceu na Internet. Sempre parasítica, esta indústria (...) vem se
aproveitando do natural desejo dos músicos de serem ouvidos para impor-lhes contratos
que os separam da propriedade intelectual dos seus trabalhos. Como essas entidades
gigantescas controlam a única mídia disponível para uma ampla distribuição desses
mesmos trabalhos, a maioria dos criadores aceita, passivamente, o roubo do vinho pelos
engarrafadores. Os contratos estabelecem, como pagamento pelas suas obras, pouco
mais de 5% do valor gerado pelas vendas.

"Pois isso está para mudar, e mudar rápido. Com a Internet, há uma ligação direta entre
os artistas e o público. Os músicos podem interagir diretamente com os fãs, conservando
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 57
o copyright dos seus trabalhos e, eventualmente, ganhando a vida com um volume de
vendas que as grandes gravadoras considerariam pequeno demais para valer a pena.

"No ano passado, as gravadoras conseguiram passar pelo Congresso dos EUA diversos
projetos de lei grotescos, criminalizando o que elas determinam ser violações de direitos
autorais. (...) Pior: as empresas tentaram impedir, judicialmente, até mesmo a divulgação
de arquivos de MP3 de domínio público.

"Acontece que ninguém pode ser dono da liberdade de expressão, a menos que a
expressão em questão seja de sua própria lavra. Para impedir este holocausto artístico, a
EFF deu a largada num movimento chamado CAFE (sigla, em inglês, para consórcio para
a liberdade de expressão audiovisual), para organizar artistas, público e provedores de
mídias virtuais contra as indústrias de gravação e divulgação. Há mais informações em
<www.eff.org/cafe/>.

"Algo realmente importante está acontecendo. E está mesmo. Mas precisamos da ajuda
de todos para que continue assim. A EFF tem tido um sucesso fantástico no processo de
impedir que diversas nações e Estados calem o ciberespaço com mordaças legislativas.
Eles podem ser maiores do que nós, mas ainda há certas vantagens em se estar com a
razão."

Bem, depois disso, só me resta perguntar às gravadoras: quem é o pirata, Cara-Pálida?

Como publicar sua música na Internet

Só faltavam estes dois detalhes para cada Home Studio vir a ser a própria gravadora do
músico: a divulgação e a distribuição. Agora, com a fácil circulação de sons pela Grande
Rede, nossas gravações serão apresentadas e vendidas diretamente dos produtores aos
milhões de consumidores, sem intermediários. É fácil e pode ser grátis!

Primeiro, crie, grave, mixe e finalize a sua música, como sempre. Depois, copie-a para o
seu computador, se ainda não o tiver feito, num arquivo <.wav>. Então, edite a música,
adequando-a às limitações do novo formato. Depois, transforme o arquivo WAV em MP3,
usando um programa encoder (conversor). Finalmente, hospede seu arquivo num web
site e divulgue-o nas ferramentas de busca da Internet, para que todos o conheçam.
Parece complicado? Vejamos cada passo da operação, para desfazer essa impressão.

Criar, gravar, mixar e finalizar músicas são assuntos que já estamos debatendo há anos
nesta coluna e, de resto, em quase toda esta Edição Especial da Backstage. Por isso,
vamos direto aos próximos passos. Sua música foi mixada para uma fita ou para dentro
do computador, podendo ainda estar num CD ou mesmo num disco de vinil. Caso ela
ainda não esteja em seu HD, copie-a para lá. Basta plugar as saídas estéreo do gravador,
CD player ou toca-discos nas entradas da placa de som. A mesa de som é útil para ajudar
a nivelar os volumes. Mande o som para a mesa e dali para a placa de som. Usando um
programa de gravação, como o Sound Forge, da Sonic Foundry (www.sonicfoundry.com),
basta gravar e depois salvar o novo arquivo no formato <.wav>. Deixe pelo menos um
segundo de silêncio no início, para posterior redução de ruídos.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 58
A edição, aqui, equivale à pré-masterização de um CD. Nessa fase, tiramos os ruídos de
fundo, ajustamos o volume e cortamos o início e o fim da música. Para reduzir ruídos de
fundo, marque o trecho inicial de silêncio e use um plug-in como o Noise Reduction,
também da S. Foundry. Depois, aumente o volume com o recurso Normalize e, se
possível, use também o compressor, levando os picos a -0,5 dB. Provavelmente, você vai
preferir mostrar gratuitamente apenas trechos de suas músicas, deixando no ouvinte um
gostinho de "quero mais". Escolha a passagem mais significativa, mas corte-a iniciando
com um fade in e terminando em fade out, marcando os trechos e executando os
respectivos comandos no programa de edição. Salve novamente o arquivo <.wav>, com
outro nome, para reaproveitar mais tarde o arquivo original.

Converta seu arquivo editado para o formato <.mp3>, usando os recursos do próprio
Sound Forge ou de um programinha como o WinDAC32 (www.windac.de) ou o
Audioactive Production Studio (www.audioactive.com). Aguarde uns minutos e confira o
resultado, usando um player como o WinAmp (www.winamp.com). Há diversas opções de
qualidade sonora: 44.1 kHz/16 bit, 22.05 kHz/8 bit e várias outras. Quanto melhor o som,
maior e mais lento o arquivo que vai navegar pelo mundo.

Para criar um web site você precisará conhecer um pouquinho da linguagem HTML. Um
bom e claro livrinho é o "Aprenda a fazer sua home page", de Marcos Cabral Resende
(Ediouro), mas há muitas páginas brasileiras que ensinam a linguagem gratuitamente.
Procure no Cadê? (www.cade.com.br). Se der, peça ajuda a um amigo ou ao seu
provedor Internet para confeccionar seu web site, adicionando os arquivos MP3 saídos do
forno. Publique o site com os arquivos no seu próprio provedor, se ele disponibilizar
hospedagem. Estes são alguns sites que hospedam home pages gratuitamente:
<www.angelfire.com>, <www.geocities.com>, <www.tripod.com>, <www.xoom.com>. Eles
também permitem criar páginas online, com manual de instruções, só que em inglês. Se
preferir fazer um site mais profissional, a custos relativamente baixos, contrate um bom
provedor brasileiro para hospedá-lo e registre seu próprio domínio (tipo
www.seunome.com.br) na FAPESP (www.fapesp.org.br). Há ainda a opção, mais simples,
de colocar as músicas em sites dedicados à divulgação de novos artistas e bandas. Envie
os arquivos para a rede através do programa FTP Explorer (www.ftpx.com).

Uma vez no ar, seu site precisa de divulgação. Além dos amigos do chat, é bom que seu
endereço seja visto nos portais, as ferramentas de busca da Rede. O principal portal
brasileiro é o Cadê?. Nele você encontra informações sobre como solicitar o registro, que
é gratuito mas leva algumas semanas. O gigantesco portal americano AltaVista
(www.altavista.com) é gratuito, e o registro é automático e imediato. Não esqueça de
indicar o seu e-mail na home page. É por ali que seus fãs vão entrar em contato com
você.

Caso pretenda começar a vender as cópias de suas músicas, você pode optar por enviar
arquivos MP3 online (por e-mail ou com sofisticadas ferramentas de comércio eletrônico)
ou mandar os CDs pelos Correios (o CD por SEDEX), após a comprovação do depósito
bancário. À medida em que a Internet se acelera, você ficará cada vez mais surpreso com
o alcance e o retorno desta empreitada!
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 59

Gravação e Edição no PC

Masterizar um CD, restaurar antigas gravações e editar pistas de áudio no computador já


não são mais tarefas exclusivas de grandes estúdios de última geração. Com as novas
interfaces e placas de áudio de 20 e 24 bit com qualidade sonora profissional e custo
relativamente baixo, os home studios realizam esses mesmos trabalhos em seus PCs,
usando programas como o Sound Forge (Sonic Foundry) e o WaveLab (Steinberg)
incrementados por fantásticos programas acessórios, os plug-ins. A partir deste artigo,
vamos aprender a dominar as principais técnicas da edição do áudio digital.

O Sound Forge <www.sonicfoundry.com>, atualmente na versão 4.5, é o mais usado e


um dos mais completos editores de áudio para Windows. É compatível com plug-ins
Direct X, o que significa que pode ser acrescido de inúmeros recursos – efeitos,
equalizadores, compressores, filtros, editores de CD, conversores e outros -- produzidos
por diferentes fábricas. Além de finalizar arquivos de som para CDs de áudio, multimídia,
Internet e outras aplicações, ele ainda edita as pistas registradas em um software de
gravação multipista como o Cakewalk Pro Audio <www.cakewalk.com>. Podemos,
portanto, usar em cada pista os recursos de gravação, mixagem e processamento de
efeitos em tempo real do Cakewalk e os recursos de edição não-linear do Sound Forge.

Gravando. Arquivos estéreo ou mono podem ser gravados diretamente no Sound Forge.
Clicando na "tecla" <Record> abrimos a janela que configura a gravação (Fig. 1). Em
<New...> definimos se o arquivo será mono ou estéreo, 8 ou 16 bit e sua taxa de
amostragem. Música para CD é sempre estéreo, 16 bit, 44.1 kHz. Outras aplicações usam
outros formatos. Em <Mode> escolha se cada take será gravado numa janela
independente ou não. Ative <Monitor> e mande o som para a entrada da placa,
monitorando-o nos LEDs e controlando o volume pela saída da mesa. Habilite <DC
adjust>, verifique o tempo de gravação disponível em seu hard disk e mãos à obra.
Vamos gravar. Clique na tecla <Rec>, aguarde dois segundos para começar o som
(vamos precisar desse trecho de silêncio mais tarde) e observe o movimento dos LEDs.
Se acender a luz vermelha com a palavra "Clip", grave de novo mais baixo. Ao terminar,
clique em <Stop> (mesmo botão) e em <Close> para fechar a janela. Agora vamos salvar
o arquivo em <File> <Save as...>, dando-lhe um nome como "Som1.wav". Podemos
começar a edição.

Normalizando. Nossas principais tarefas são nivelar o som, reduzir ruídos, comprimir a
dinâmica e cortar o início e o final. Para que o material fique no máximo volume possível
(0 dB), primeiro vamos normalizar os seus picos. Contudo, para que não tenhamos
surpresas como distorções em certos aparelhos de som, vamos limitar estes picos a –0,5
dB. Em <Process> <Normalize> (Fig. 2) ajustamos o limite dos picos em –0,50 dB e
escolhemos o modo <Peak level>.

Reduzindo ruídos. Se a gravação contém um ruído de fundo constante, como o chiado


de um disco de vinil ou fita cassete ou ruídos gerados pelo equipamento, podemos reduzir
bastante o seu nível através do programa Noise Reduction. Desenvolvido pela própria
Sonic Foundry, este plug-in é aberto no próprio Sound Forge. Atua por uma análise
dinâmica das freqüências do ruído. Primeiro marcamos o trecho inicial (1 a 2 segundos)
de silêncio (na verdade, ruído puro) arrastando o mouse sobre ele. Em seguida, no menu
<Tools>, clicamos em <Noise Reduction> (Fig. 3). O comando <Get> mostra o gráfico
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 60
com as freqüências do ruído; <Apply to all> garante a redução em todo o arquivo. Ok.
Ouça como ficou. Não se trata de eliminar, mas de reduzir o ruído. Se não for suficiente,
desfaça <Edit> <Undo> e refaça a operação. Nas setinhas à esquerda do botão <Get>
escolhemos um nível maior ou menor de redução. Quando reduzimos o ruído em mais
que 10 dB, os timbres do material gravado soam um tanto deformados, portanto devemos
atuar com os ouvidos bem atentos. Durante a operação, podemos ouvir o que vai
realmente ser retirado, clicando em <Keep residue> e <Preview>. Antes de dar OK,
desabilite o <Keep residue>.

Comprimindo a dinâmica. Dinâmica são as variações de volume ao longo do material


gravado. Cada mídia de gravação aceita uma diferente dinâmica. Por exemplo, sons de
baixa intensidade num CD podem sumir numa fita cassete. Para que a sua música fique
bem audível é provável que você tenha que comprimí-la um pouco. Você pode usar o
compressor do Sound Forge, clicando em <Effects> <Dynamics> <Graphic> (Fig. 4).
Ajuste os controles de <Threshold> (limiar da compressão), <Ratio> (taxa de
compressão) e <Output gain> (ganho de saída) como num compressor tradicional em
rack, mas lembrando sempre de não ultrapassar o limite de zero dB (ou –0,5 dB, como
sugerimos), já que estamos no domínio digital. Comece experimentando com o Threshold
em –10 dB, o ajuste de Ratio em 4:1 e o ganho em 7,5 dB. Depois, tente outras
regulagens. Para saber o ganho de saída, aplique a seguinte fórmula: G = -T/R, onde G é
o ganho, T é o valor do threshold (em dB) e R é a ratio. Ouça sempre o material do início
ao fim após comprimir, em busca de distorções no áudio.

Para quem quer uma boa compressão sem ter que fazer contas, uma excelente opção é o
plug-in L1 Ultramaximizer, da Waves (Fig.5). Instalado no micro, ele se abre no Sound
Forge pelo menu <DirectX>. Ajuste apenas o <Out Ceiling> (nível máximo) em –0,5 dB,
ative <Real-time>, ligue o <Preview> e vá movendo o <Threshold> enquanto ouve a
música até achar a atenuação ideal dos picos de volume. Ouça todo o material antes de
dar <OK>.

Cortando. Agora, só falta cortar as pontas e salvar o arquivo. Marque o trecho inicial de
silêncio e aperte a tecla <Delete> no teclado do micro. Faça o mesmo no final. Para não
começar a música com um estalinho, marque um trecho bem curto (centésimos de
segundo) do início e acione <Process> <Fade> <In>. Ao final, marque outro trechinho e
clique em <Process> <Fade> <Out>. Seu arquivo está editado. Agora só falta salvar.
Aliás, salve a todo instante durante a edição. A segurança de nosso trabalho tem vários
inimigos: os conflitos do computador, as companhias de energia elétrica...

Endereçamento dos canais de áudio


Com uma interface de som e um programa de gravação multipista, podemos transformar
um PC num poderoso e completo sistema de gravação. Há modelos fantásticos de
interfaces de áudio, relativamente baratas e com vários canais de entrada e saída, num
mercado que não pára de se expandir. Sim, mas, instalada a interface, o que fazer com
todos esses canais?
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 61
Na maioria dos sistemas de gravação em PC encontrados atualmente nos estúdios,
usamos um misto de gravador multipista de som e seqüenciador MIDI de sintetizadores.
Programas como Cubase VST (Steinberg), Logic (Emagic) e o popular Cakewalk Pro
Audio são o que há de melhor nesta área.

Os sons MIDI, embora seqüenciados através do programa, não são gerados pelo
computador. Eles saem dos sintetizadores, que são dispositivos externos. Mesmo que
seja o sintetizador de uma placa de multimídia, seu som, tecnicamente, não ‘sai de dentro’
do computador, mas sim da própria placa. O áudio gravado no hard disk, este sim, é
gerado ‘dentro’ do computador. O que causa a confusão é que as placas de multimídia
usam a mesma saída (line out ou mesmo speaker out) para o áudio gravado no HD e o
seu próprio sintetizador MIDI. O que amplia a confusão é que tanto as pistas de áudio
quanto as de MIDI podem ser produzidas por um mesmo programa. A maior diferença é o
peso de umas e de outras. As pistas de áudio podem consumir milhares ou milhões de
vezes mais memória do computador que as pistas MIDI, razão pela qual evitamos gravar
o áudio de samplers, sintetizadores ou baterias eletrônicas. Em vez disso, mandamos
todos os sons, dos teclados e da placa de som, para a mesa (externa), onde serão
mixados. Só então retornam ao computador, agora como um arquivo estéreo (wave).

Esta maneira de trabalhar é bem semelhante à já tradicional técnica do sync time code
sincronizando um gravador de fita e um seqüenciador MIDI. Só que aqui, em vez de
pouparmos pistas da fita, poupamos o HD e a memória. Os objetivos são os mesmos:
economia e liberdade de edição.

A mesa é um item central e indispensável em todo sistema de gravação. Existem modelos


compactos de primeira linha, a partir de trezentos dólares e em todas as faixas de preço,
para todo tipo de necessidade e orçamento. E, além do mais, não dá mesmo pra plugar a
guitarra ou um bom microfone na entrada “mic” da placa de multimídia...

Decidido o uso da mesa de som, vejamos como mandar os sons dela para a placa
(interface) e como mandar de volta os sons do computador para a mesa. Aproveitamos
para plugar também os teclados MIDI na mesa.

Primeiro, ligamos as fontes sonoras nos canais de entrada da mesa. Microfones,


instrumentos elétricos e eletrônicos são conectados às diversas entradas. Depois,
enviamos esses sons aos canais de saída, que podem ser os subgrupos, as saídas
diretas dos próprios canais de entrada ou mesmo, na ausência destes, os masters. Como
vimos, os instrumentos MIDI não serão enviados a essas saídas, apenas os microfones e
demais instrumentos. A outra ponta dos cabos entra nos inputs da placa de som. Assim, o
computador está recebendo os sons que vêm da mesa, pelas entradas da interface.

Agora, conectamos as saídas da placa de som aos canais de retorno de gravação (Mix-B)
da mesa. Na ausência destes, ligamos essas saídas aos canais de entrada, lado a lado
com as fontes sonoras. Só que as fontes sonoras são endereçadas às saídas da mesa,
enquanto que esses retornos de gravação são enviados à seção máster da mesa,
juntamente com os teclados MIDI, para que sejam monitorados e mixados.

Refazendo os caminhos do som, uma voz, por exemplo, captada pelo microfone, entra no
canal da mesa, sai por um subgrupo ou direct out, entra na placa de som do computador,
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 62
é gravada no hard disk pelo programa, sai pela placa de som e retorna à mesa para
mixagem, quando então vai para o master. Dali, os diversos sons mixados em estéreo
vão para dois lugares: o amplificador dos monitores e de volta para o computador, para a
masterização do CD.

Até aí, nenhuma diferença entre estas conexões e as de um gravador multipista


tradicional de rolo ou um ADAT. O que falta é o software reconhecer essas entradas e
saídas da placa de som.

No mais popular dos programas gravadores, o Cakewalk Pro Audio, com sua versão 9
atualmente em lançamento, os canais de som são configurados pelo menu <Tools>
<Audio options>, na janela <Drivers>. Clicamos para marcar as entradas e saídas que
queremos usar e desmarcar as que não queremos. No exemplo, usamos todas as
entradas e saídas analógicas das placas Gina e Layla (que aqui são usadas juntas,
somando seus canais, como se fossem uma só) e desligamos as entradas e saídas
S/PDIF, as do Voice Modem e as do driver de jogos, se não vamos utiliza-las. Habilite
apenas aquelas que estarão conectadas à mesa ou a outros dispositivos.

No lado esquerdo da tela principal (“Track”), temos uma tabela que lembra o programa
MS-Excel. É ali que configuramos nossas entradas e saídas, através das colunas
“Source”, “Port” e “Pan”. Convém arrumar a ordem das colunas, puxando-as pelo seu
título, com o mouse, para deixar as mais usadas à esquerda.

Há várias maneiras de alterar os valores dessas colunas. Com o mouse, em cada pista de
gravação (linha horizontal da tabela), damos dois cliques na coluna desejada, abrindo
assim a janela <Track Properties>. Escolhemos a entrada e a saída da interface que
queremos usar para gravar e monitorar cada pista. Repare que as conexões são tratadas
como pares estéreo de canais. Isto facilita o endereçamento de pistas estéreo.

Para a entrada e saída de pistas mono, como as de vozes e instrumentos, usamos só


uma entrada e só uma saída. Na mesa, enviando um som pelos subgrupos, que também
são pares estéreo, giramos o pan do canal todo para a esquerda, para escolher o
subgrupo de número ímpar, ou todo para a direita, acessando o de número par. No
Cakewalk, escolhemos a entrada esquerda (left) ou direita (right) que recebe o som
daquele subgrupo da mesa. Na saída do computador, também optamos entre um canal
ímpar ou par da placa de som, posicionando o <Pan> daquela pista todo para a esquerda
<0> ou todo para a direita <127>.

Podemos agrupar os sons de várias pistas num par estéreo de canais de saída da placa.
Basta escolher a mesma saída em todas as pistas e definir o volume e o pan de cada
uma. Esses valores, no Cakewalk, variam de zero a 127, uma herança do seqüenciador
MIDI, que só atribui essa escala de valores aos controles de volume e de pan. O pan 64 é
o centro. Valores menores que 64 posicionam o som mais à esquerda e maiores que 64,
mais à direita. Esse par de saídas chega a um par de canais da mesa, que devem ter
seus controles de pan virados totalmente, um para cada lado. Assim, mantemos na mesa
a estereofonia definida no programa.

Em resumo, na mandada da mesa para a placa, os sons vão pelos subgrupos. Ou vários
canais por um par estéreo de subgrupos ou um canal por um subgrupo. Neste caso, o pan
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 63
do canal vai todo para a esquerda ou todo para a direita. Escolhemos no programa a
entrada correspondente da placa de som. Na mandada da placa de volta para a mesa,
uma pista cujo som vai sozinho para um canal da mesa tem o pan ajustado no programa
todo para um lado só. Na mesa, posicionamos o pan à vontade. Já um grupo de pistas
saindo por um par de canais da placa tem seus valores de pan ajustados no programa.
Chegando à mesa, entram por dois canais, cujos botões pan estão um para cada lado.

Por fim, uma dica: se depois de tudo isto você não conseguir ouvir o playback do violão
enquanto grava a voz, vá ao menu <Tools>, <Audio Options>, <Advanced> e ligue a
opção <Enable Simultaneous Record/Playback>. Será que eles imaginam que alguém
possa não querer ouvir o playback enquanto grava novas pistas? Quem souber por que a
Cake

Plug-ins de áudio Direct-X

Cada vez mais componentes do estúdio se mudam para dentro do computador. Agora é a
vez dos processadores de áudio. Efeitos, compressores, equalizadores, filtros e redutores
de ruídos dos mais variados estilos e para as mais diversas aplicações estão ao alcance
de um clique do mouse. São os plug-ins, os programas acessórios que, uma vez
instalados na máquina, surgem como novos recursos nos menus de todos os programas
de áudio.

Quando gravamos num estúdio convencional, em fita, dependemos dos processadores


para acrescentar efeitos, melhorar os timbres e ajustar os níveis dos sons. Uma boa
mixagem depende não só da qualidade, mas também da quantidade desses aparelhos.
Por exemplo, para situar os diversos instrumentos e vozes em diferentes planos dentro da
imagem estéreo, precisamos de vários reverberadores e compressores, entre outros.
Infelizmente, seu custo só permite que os home studios os colecionem pequenas
quantidades. Muitos acabam improvisando soluções baseadas no uso de um único
processador, geralmente um reverber ou um multiefeitos.

Gravando no computador, usamos programas que permitem a edição desses efeitos, ou


mesmo o processamento em tempo real, exatamente como no estúdio “físico”, rodando os
botões e tudo o mais. A diferença é que podemos usar cada tipo de processador para
diversas pistas gravadas, em regulagens variadas, ao mesmo tempo. Por exemplo, usar
uma sala grande para a voz, um gate reverber para a caixa e uma sala menor para o
violão com o mesmo reverberador. Quanto mais avançado o computador, maior a
quantidade de efeitos simultâneos.

Mas este milagre da multiplicação dos processadores é só o começo desta nova


revolução. Que tal instalar um programa que contenha um rack de efeitos completo, para
usar em qualquer programa de gravação ou de edição? Você abre o Cakewalk, o Cubase,
o Logic, o Sound Forge, o Vegas, o Cool Edit ou o Samplitude e todos aqueles fantásticos
processadores estão disponíveis em todos eles! São os plug-ins Direct-X, compatíveis
com todos esse programas e com vários outros.

Direct-X é uma tecnologia da Microsoft que permite que diversos programas do Windows
aceitem os mesmos plug-ins. Se tivermos necessidade de trabalhar com dois ou mais
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 64
programas diferentes durante uma produção, os mesmos processadores de sinal podem
ser usados aqui e ali. Expandindo incrivelmente as opções do produtor na execução das
tarefas, essa compatibilidade nos permite escolher os modelos preferidos, qualquer que
seja o programa de gravação utilizado.

E que modelos! Grandes fábricas têm posto no mercado coleções incríveis de


processadores dinâmicos, efeitos, filtros, analisadores de espectro, equalizadores,
enhancers e vários outros, muitos deles com bem mais recursos (e melhor som!) que os
racks de efeitos dos estúdios. Waves, Hyperprism, DSP-FX, Opcode, Cakewalk, Sonic
Foundry são algumas boas marcas de plug-ins Direct-X de sucesso. Em geral, são várias
coleções de recursos oferecidas por cada marca, acrescentando uma infinidade de efeitos
aos programas “anfitriões”. Até pouco tempo atrás, recursos com tamanha qualidade
nesta quantidade só eram vistos em estúdios de grande porte, com orçamentos
milionários.

São muitos os pacotes de plug-ins no mercado. Dentre os mais badalados no momento,


destacam-se:

• Waves Native Power Pack Volume 1, contendo:


TrueVerb (reverberador)
Q10 (equalizador)
C1 Ccompressor
C1 Gate
S1 Stereo Imager (expansor da imagem estéreo)
L1 UltraMaximizer (limitador de picos para masterização)

• Waves Native Power Pack Volume 2, que contém:


Renaissance Compressor (compressão clássica)
Renaissance EQ (baseado em equalizadores analógicos)
MaxxBass (adiciona harmônicos para definir melhor o som do baixo)
Deesser (isola e atenua a sibilância provocada pela letra “S” nas pistas de
voz)

• SPL De-Esser
Reduz a sibilância na fala ou no canto sem alterar o caráter original da voz,
invertendo a fase das freqüências da letra “S”.

• DSP-FX, contendo 12 efeitos em tempo real:


AcousticVerb
StudioVerb
Optimizer
Aural Activator
Pitch Shifter
MultiTap Delay
Tape Flanger
Chorus
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 65
Parametric EQ
AutoPanner
Tremolo
Stereo Widener

• Antares Autotune
Correção de afinação em tempo real. Detecta o pitch de uma voz ou
instrumento em tempo real e o corrige se necessário. Permite especificar a
escala musical e ajustar a taxa da correção da afinação.

• Sonic Foundry Noise Reduction


Contém três plug-ins:
Noise Reduction (reduz ruídos de fundo a partir da análise de suas
freqüências)

Click Removal (remove estalos de um disco de vinil, para restauração)


Vinyl Restoration (reduz o rumble e os cliques de um disco de vinil)

• Sonic Foundry XFX 1:


Reverb
Time Compress/Expand
Multi-Tap Delay
Chorus
Pitch Shift
Delay/Echo

• Sonic Foundry XFX 2:


Noise Gate
Graphic Dynamics (compressor gráfico)
Multi-Band Dynamics
Paragraphic EQ (paramétrico com gráfico das bandas de freqüências)
Parametric EQ
Graphic EQ

• Sonic Foundry XFX 3:


Amplitude Modulation
Flange/Wah-wha/Phaser
Distortion
Gapper/Snipper
Smooth/Enhance
Vibrato

• Cakewalk Audio FX 1:
Um conjunto de processadores dinâmicos: compressor, limiter, expander,
gate. Contém gráficos para visualizar a compressão enquanto ouvimos o
resultado.

• Hyperprism
Bass Maximizer
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 66
Harmonic Exciter
Tube/Tape Saturation (som de válvula ou de fita)
Phaser
Flanger
Chorus
Vibrato
Tremolo
Filtros de freqüências
Pitch Changer

Bem, estes são apenas alguns plug-ins, entre os melhores. Instale-os e esbalde-se.

Redução de Ruídos
A transição da gravação em fita para o computador trouxe muitas mudanças. Uma das
mais importantes foi o advento da edição não-linear, que permite, entre outras novidades,
reduzir drasticamente os ruídos de fundo sem quase alterar o material gravado. O Noise
Reduction, plug-in da Sonic Foundry, consegue fazer sumir um ruído contínuo de uma
gravação, como um chiado de uma fita cassete ou o barulho de um ar condicionado
esquecido ligado, praticamente sem mexer na música ou na locução. E ainda traz consigo
um removedor de cliques e um restaurador de discos de vinil.

Na gravação em fita, todo o processamento (efeitos, compressão, filtros) é feito em tempo


real. A música vai tocando e o processador vai trabalhando ao mesmo tempo,
acrescentando efeitos ou mudando um timbre. No computador, também podemos
processar o som em tempo real, quando o micro assume os papéis simultâneos de
gravador e processador, ou então usamos a edição não-linear. Em vez de processar o
som enquanto ele toca, a edição não-linear atua no arquivo desse som, “redesenhando” a
onda sonora digital, para acrescentar o efeito desejado. Uma vez salvo esse arquivo, o
efeito processado é definitivo. Graças à edição não-linear, um programa “tem tempo”
suficiente para analisar um trecho do material gravado e definir os melhores ajustes para
o processamento.

Este é exatamente o caso do Noise Reduction. Ele primeiro analisa o timbre e a


intensidade do ruído, ou seu espectro de freqüências. Em seguida, suprime essas
intensidades dessas freqüências de todo o material gravado no arquivo ou de um trecho.
Bem regulado, pode fazer sumir um ruído incômodo sem alterar o timbre da voz, de um
instrumento (como o ruído de um amplificador de guitarra) ou da música mixada. E o faz
em alguns segundos! Para ajuda-lo a restaurar discos antigos, o Noise Reduction vem
acompanhado do Click Removal, que faz exatamente isto: remove os cliques, como os
estalos do vinil. Este fica para um outro artigo.

Como funciona o Noise Reduction? Ao gravarmos qualquer coisa, gravamos um pouco de


silêncio (ou melhor, ruídos de fundo) no início e no final do material. Esses trechos de
silêncio/ruído são a matéria prima com que o NR vai trabalhar. Marque o trecho inicial ou
final de sua gravação, arrastando o mouse sobre ele no Sound Forge, por exemplo, ou
outro programa de edição. Não deixe que o trecho marcado alcance o áudio, marcando só
o comecinho ou o finalzinho (até 2 segundos).
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 67

Acione o NR através do menu <Tools> do Sound Forge ou do menu <DirectX> deste ou


de outros programas. A versão nativa é mais fácil de operar que a versão DirectX. Aberto
o plug-in, clique no botão <Get> e observe o espectro de freqüências que se forma. Este
é o seu ruído de fundo. Se quiser reduzir o nível desse ruído em todo o arquivo, habilite a
função <Apply to all>. Senão, indique o início e o fim do trecho onde quer que o NR atue,
clicando em <Selection>. A seguir, clique em <OK>, aguarde o fim do processamento e
ouça. O nível do ruído cai consideravelmente, sem chegar a afetar a qualidade geral dos
sons do arquivo.

Entenda que não se trata de eliminar o ruído, mas de reduzi-lo. Como estamos tratando
com timbres, quanto maior a redução, maior a deformação do som gravado. O NR abaixa
os volumes de centenas de freqüências, em todo o arquivo. É assim que ele reduz o
ruído. Se exagerarmos em sua utilização, ele vai roubar essas freqüências da gravação. A
arte consiste em dosar quanto dá para abaixar o ruído em função de quanto dá para
alterar a sonoridade do material gravado. Uma redução em torno de 10 dB costuma ser
eficaz.

Para ajustar o NR, use as setinhas verticais ao lado do botão <Get> para incrementar ou
atenuar a redução. Digite a quantidade de freqüências medidas ao lado do botão <Fit>,
clicando nele em seguida, para reduzir um número maior ou menor de freqüências.
Exagerado, o Noise Reduction pode decepcionar, mas bem equilibrada, a redução opera
verdadeiros milagres em nossas gravações e restaurações.
Eliminando arquivos inúteis do Cakewalk

Ano novo, vida nova, HD limpo como novo. Hora de tirar todo o lixo do disco rígido. Quem
grava no Cakewalk Pro Áudio sabe o que isso significa. Para “poupar” espaço no hard
disk, o mais popular programa de gravação multipista acaba mesmo entupindo nossa
unidade de disco com arquivos tão grandes quanto inúteis. Para completar, esses
arquivos são muito difíceis de se identificar. Manter o HD limpo melhora a performance
geral do computador, permitindo gravações e mixagens estáveis.

Por que o Cakewalk acumula lixo no hard disk? A intenção até que é boa: qualquer trecho
gravado e posto para repetir em loop é um mesmo arquivo de som acionado seguidas
vezes, em vez de se tornar um arquivo várias vezes maior. Ou ainda, um trecho de um
projeto (uma música) pode ser copiado e usado em outro projeto sem ocupar mais espaço
em disco. Até aí, tudo bem. O problema começa quando o Cakewalk não apaga
automaticamente os arquivos deletados por nós, já que talvez estejam sendo usados em
outra parte da música ou em outra música. E se complica quando usamos seu dispositivo
de limpeza do lixo e ele simplesmente se (nos) engana, esquecendo de apagar uma parte
do lixo ou apagando junto com ele arquivos válidos. Já pensou na sensação de ter que
convidar seu cliente para que grave de novo toda aquela maratona de músicas do futuro
CD porque seus takes simplesmente sumiram? E que tal a sensação de seu cliente?

Nada de pânico: o próprio programa, bem usado, traz as soluções. Com um gravador de
CD (CD-R ou CD-RW) podemos manter o HD (a fita dos dias de hoje) organizado e com
muito espaço disponível para novas gravações e edições.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 68
Cada take gravado no Cakewalk, que ele chama de clip, não faz parte do arquivo que
estamos salvando volta e meia. O take (aquilo que acontece entre os comandos Rec e
Stop) é salvo como um arquivo de áudio, com a extensão .wa~, em um diretório chamado
<Wavedata>. O nome de cada arquivo wa~ é sempre uma sopa de letras e números, sem
possibilidade de identificação por um humano normal ou paranormal. O arquivo geral do
projeto, chamado Normal ou .wrk, apenas coordena a execução desses arquivos .wa~,
que são, afinal, as próprias pistas de áudio. Se copiarmos este arquivo .wrk para um zip
disk, por exemplo, e o abrirmos em outro computador, o áudio não estará presente, já que
os arquivos .wa~ não foram copiados para o disquete. Se houver pistas MIDI
seqüenciadas, estas atuarão normalmente, mas nenhuma pista de áudio será ouvida.

Para transferirmos um projeto com áudio gravado de uma máquina para outra,
trabalhamos salvando o projeto como Normal (.wrk) e, ao final de cada sessão, salvando
como Bundle (.bun). Este é um arquivo-pacote, que compacta o áudio de todos os
arquivos .wa~ (os takes gravados) e os empacota junto com os demais dados, tais como
pistas MIDI, andamento etc. Demorando alguns minutos para salvar e depois abrir e
pesando muitos megabytes, os arquivos Bundle podem ser copiados para um CD-R, que
é uma mídia barata e confiável. Se fizermos o mesmo com todos os arquivos .wrk que
contêm áudio, podemos transferi-los para um CD-R, apaga-los todos do HD e então fazer
a faxina completa, apagando a totalidade dos arquivos .wa~ do diretório <Wavedata>
usando o próprio Windows Explorer. O disco agora merece ser desfragmentado para
recuperar todo o seu espaço livre. Quando quisermos trabalhar num desses arquivos
Bundle, podemos abri-los a partir do CD-ROM.

Os procedimentos citados acima são um meio seguro de protegermos nossas sessões de


gravação de enganos causados pela complicada operação de limpeza de disco que o
Cakewalk oferece. No menu <Tools>, o comando <Clean Audio Disk> abre uma janela
onde podemos solicitar uma busca de todos os arquivos órfãos, isto é, arquivos .wa~
referentes aos trechos de áudio que foram deletados ou que pertenciam a arquivos .wrk
que já foram apagados. Podemos ouvir esses arquivos nessa mesma tela, clicando em
<Play>, e apaga-los um a um ou todos de uma vez, clicando em <Delete> ou <Delete
All>. O programa informa ali que esta é a única maneira segura de apagarmos os
arquivos inúteis. Só que não é bem assim. Se nos habituamos a sempre salvar gravações
de áudio no formato Bundle, podemos deletar todos os arquivos .wrk dessas gravações e
também apagar todo o conteúdo da pasta <Wavedata>, isto é, todos os takes gravados e
salvos como arquivos .wa~. Este material já está preservado no interior do arquivo .bun.
Apagamos todos os arquivos wa~, já que todos se tornaram inúteis.

Feito isto, caso estejamos usando a opção <Take Vault>, que grava um backup
automático dos takes de áudio em forma de arquivos .wav, podemos apagar também todo
o conteúdo da pasta <Take Vault>, já que o backup que faremos será do arquivo .bun.
Esta opção é ativada no menu <Tools> <Áudio Options> <Advanced>.

Após salvarmos os arquivos Bundle, podemos copiá-los para CD-ROM e também apaga-
los do HD. Com isto, esvaziaremos alguns gigabytes do disco. Depois, é só mandar o
Windows desfragmentar o hard disk. Só não podemos, nesta hora, é esquecer de usar um
no-break. Se a luz pifasse, poderíamos perder todos os dados do disco.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 69
Finda a operação, estamos com um HD limpo, quase como novo, com espaço de sobra
para gravar novos projetos.

Uma produção, passo-a-passo

Gravar um projeto no computador traz uma infinidade de vantagens em relação às velhas


fitas, porém toda essa versatilidade nos impõe um novo planejamento da produção.
Combinando pistas de áudio e MIDI podemos dispor de todos os instrumentos e vozes de
que precisamos para nossas músicas, mas esta liberdade não pode se traduzir em mera
improvisação. Vamos, então, definir os passos de nosso projeto para, nos próximos
artigos, conhecer os detalhes de sua execução.

Usemos como exemplo uma canção pop com voz, vocais de apoio, violão, guitarras,
piano, baixo, bateria, percussão e uma orquestra de cordas ao fundo.

No processo tradicional de gravação, isto seria uma produção de bom tamanho. Num
estúdio de grande porte seriam acomodados os músicos da orquestra (20 a 30), os
músicos da banda e os cantores. Junto a eles, o produtor, o arranjador, o operador e os
assistentes. Seriam usadas algumas dúzias de microfones através de uma mesa de
centenas de milhares de dólares e tudo seria armazenado em um ou dois gravadores de
rolo de 24 pistas. Este material então seria mixado em estéreo e gravado num rolo de
meia polegada. Mais tarde, esta fita seria copiada no processo industrial, para a
prensagem dos discos numa fábrica.

Hoje esta é apenas uma opção, indiscutivelmente mais sofisticada. Com um poder de
fogo comparável, milhares de estúdios caseiros chegam a resultados competitivos.
Combinando o seqüenciamento dos teclados MIDI soando como as cordas, piano, bateria
e outros com a gravação do áudio das vozes, guitarras e percussão, o estúdio híbrido é
usado pelos mais iniciantes e os mais profissionais. Seu custo pode chegar a menos de
um por cento do investimento em um estúdio de áudio de grande porte.

E como vamos realizar a façanha de produzir a tal canção do exemplo com um estúdio
que mais parece um brinquedo? Com uma mesinha de boa marca (12 ou mais canais),
um computador atual, uma placa de som para gravação de duas ou quatro entradas e oito
saídas, uma placa MIDI, um bom sintetizador multitimbral e um ou dois microfones.

Primeiro, vamos programar a bateria no seqüenciador do PC, usando os sons de bateria


do sintetizador. Para isto, tocamos num teclado ou outro instrumento controlador MIDI.
Podemos ainda “tocar” com o mouse na tela de edição piano-roll. Gravamos primeiro um
esqueleto, quase uma caricatura da música, mas com a forma e o andamento definidos.
Podemos também gravar o som de um violão-guia ou seqüenciar um piano-guia, para
definir a harmonia, enquanto rodamos um loop (ou pattern), que é um compasso de
bateria que fica se repetindo. Indispensável, também, é uma voz guia, que pode ser a
sua, a minha ou de qualquer um que conheça bem a letra e a melodia da canção. A partir
deste monstrengo é que vamos começar a registrar os instrumentos e vozes a sério.

Já temos um roteiro sonoro completo. Agora, é só vestir a canção com os instrumentos e


as vozes do arranjo. Vamos gravar o som das vozes, do violão e da guitarra, fáceis de
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 70
captar e difíceis de seqüenciar. O baixo pode ser gravado ou seqüenciado. E vamos
seqüenciar a bateria, o piano e a orquestra de cordas, que são instrumentos de captação
complexa, cara e que, bem seqüenciados, podem soar muito bem em vários estilos
musicais.

Feito o planejamento e o esqueleto inicial, o ideal é começarmos programando a bateria.


Assim, demarcamos as partes da música. Depois, acrescentamos os instrumentos de
harmonia funcional, como piano, violão e guitarra. O baixo, neste caso, pode ser feito
após a gravação de outro instrumento harmônico. Seqüenciar um baixo eletrônico ou
gravar o áudio do baixo elétrico depende do estilo e da conveniência. Em seguida,
gravamos a voz principal, os vocais de apoio e, por fim, os solos e efeitos de acabamento.

É natural que, num ambiente com toda essa liberdade, o arranjador experimente à
vontade novas idéias para o arranjo. Qualquer pista gravada que não agrade pode ser
rapidamente apagada com a tecla delete. As pistas-guia gravadas preliminarmente com a
harmonia e a voz vão sendo apagadas à medida que gravamos as versões definitivas
desses instrumentos e vozes.

A seguir, editamos todo esse material, tanto as pistas de áudio quanto aquelas com a
programação MIDI. Assim, otimizamos as performances instrumentais e vocais, dando um
grande realce às interpretações. Trabalhando geralmente num só programa, o produtor
tem ali todos os recursos de gravação e processamento do áudio, bem como de
seqüenciamento e edição dos eventos MIDI.

A mixagem, em pleno ano dois mil, ainda é melhor realizada numa mesa externa ao
computador do que dentro dele. Especialmente pelo fato de que não temos o áudio
gravado dos teclados MIDI: eles tocam ao vivo junto com a gravação, sequüenciador e
gravador perfeitamente sincronizados num único programa. Trazemos à mesa as saídas
da placa de som e do sintetizador. Na mesa, fazemos a mixagem, que vai ser gravada em
estéreo no próprio PC.

Passamos à etapa de pré-masterização, com o acabamento final do material estéreo, e


gravamos o(s) CD(s) no próprio computador. Com a Internet, podemos ainda divulgar e
distribuir o disco. E tiramos quantas cópias quisermos: não dá para piratearmos nossa
própria música.

Todas essas etapas da produção musical no PC, da gravação e


seqüenciamento de cada pista, passando pela edição, processamento, mixagem,
pré-masterização e gravação do CD até sua distribuição com apoio na Internet
serão objetos dos próximos artigos. Até lá!

Preliminares de uma produção

A mais bela das músicas precisa passar por um período em que mais parece um
Frankenstein ou uma caricatura de si mesma. Como em toda arte, é preciso fazer um
esboço do que pretendemos criar e registrar. No artigo anterior, vimos a necessidade de
traçar um roteiro sonoro antes de começar a gravar as pistas de áudio e MIDI de nosso
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 71
projeto. Vejamos aqui como gravar as pistas-guia, que servirão como referência rítmica,
harmônica e melódica de toda a produção.

No processo tradicional de gravação, ou gravaríamos de uma vez toda a base


instrumental ou começaríamos pela “cozinha”, a gravação da bateria e do baixo. Acontece
que gravar uma bateria acústica costuma sair mais caro que todo o resto do investimento
num home studio. Mesmo com alto investimento em equipamentos, quem grava uma
bateria com pouca experiência freqüentemente tem dificuldades na captação. Os
problemas mais comuns são timbres pouco definidos e vazamentos de som, que tornam
difícil a etapa da mixagem. Com exceção dos estúdios caseiros mais avançados e dos
que pertencem a bateristas, a maioria usa sons eletrônicos seqüenciados (“bateria
eletrônica”) em vez de gravar uma bateria acústica. Muitas vezes, eles obtêm excelentes
resultados, desde que sejam usados bons timbres e a bateria seja programada com
criatividade e conhecimento de causa.

O uso de bateria programada permite gravarmos os demais sons na ordem mais


conveniente. Não existindo necessidade de gravar baixo e harmonia junto com a bateria,
podemos gravar as pistas na ordem que quisermos.

Começamos, então, com um loop (trecho repetido em ostinato) com a levada básica da
música, suficiente para definirmos o ritmo, a harmonia e a forma da canção. Muitas vezes,
basta seqüenciar um compasso com bumbo, caixa e contratempo (hi hat ou “chimbal”),
que será repetido ao longo da música através de comandos tão simples como “copiar” e
“colar”.

Podemos usar os sons de um sampler, um sintetizador ou uma bateria eletrônica, tocando


em qualquer tipo de controlador MIDI, como guitarra, sopro, teclado ou uma bateria
trigada, com sensores e conversores. Em nosso exemplo, estamos usando um teclado
sintetizador que contém sons de bateria. Ele é ligado à placa MIDI do computador por
dois cabos MIDI. Ligue a saída (out) do teclado na entrada (in) da placa e a saída da
placa na entrada do teclado. Trabalhe com o teclado ajustado em MIDI Local off. Usamos
um programa que contém seqüenciador MIDI e gravador multipista de áudio. O Cakewalk
é o exemplo mais comum.

Primeiro, defina o andamento ou tempo da música. No Cakewalk, clique em <Insert


Tempo> e digite um valor. Na janela <track> escolha um canal MIDI para a bateria,
digitando o seu número (geralmente é usado o canal 10) na coluna <Chn> (Channel,
canal) da pista ou track 1. Escolha o seu kit de timbres de bateria (seus tambores e
pratos) na coluna <patch>. Em seguida, pratique o ritmo do bumbo e da caixa tocando no
seu teclado. É comum o bumbo ser acionado pela tecla C1 (do 1) e a caixa pela D1 (ré 1)
ou E1 (mi 1). O aro da caixa geralmente é posto no C#1. É no mínimo curioso, mas a
Roland chama a nota do 1 de “C2” e o Cakewalk de “C3”! A primeira tecla de um teclado
de cinco oitavas é o C1. C3 é o do central, que o Cakewalk chama de C5.

Seqüenciando um loop. Clique no botão <Record> ou na tecla de atalho <R>, ouça o


metrônomo e comece a tocar o bumbo e a caixa. Bem ensaiado, basta um compasso.
Depois, aperte a barra de espaço para parar. A barra serve para as funções <Play> e
<Stop>.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 72
Marque o trecho clicando nele com o mouse. Para que fique ritmicamente preciso, temos
que quantizá-lo. Quantizar é baixar a resolução rítmica para mover as notas MIDI no
tempo com o objetivo de acertar o ritmo. A resolução escolhida é a menor figura (colcheia,
semicolcheia) do trecho. Clique em <Edit>, <Quantize> e escolha a resolução. Agora
ouça novamente o trecho. Se estiver errado, primeiro desfaça a operação (<Edit>
<Undo>) e a refaça usando outra resolução. Se não tiver jeito, aperte a tecla <Delete> e
comece novamente a gravar.

Depois, enquanto ouve o bumbo e a caixa já gravados, pratique o ritmo do contratempo.


Quase sempre são usadas as teclas F#1 (fechado), G#1 (pedal) e A#1 (aberto). Na pista
2 do Cakewalk indique apenas o canal 10 na coluna <Chn>. Com o mesmo canal, seu
teclado vai acionar o mesmo kit de bateria da outra pista. Volte a música ao início (botão
<Rewind> ou tecla <W>) e acione <Record> ou <R>. Toque o contratempo junto com o
bumbo e a caixa e depois mande parar com a barra de espaço. Marque e quantize como
já descrito.

Quando estiver bom, marque o compasso inteiro que contém o loop arrastando o mouse
sobre a faixa cinza no alto da janela <Track>, a que tem os números dos compassos.
Certifique-se de marcar o compasso inteiro, e não somente o loop, caso contrário as
cópias se emendarão, causando “quebras” no ritmo. Clique nos números das pistas 1 e 2
arrastando o mouse sobre a primeira coluna da janela <Track> e o trecho recém gravado
estará marcado. Clique sobre este trecho com o botão direito ou use as teclas <Control> +
<C> para copiar. Agora, clique com o botão direito (ou <Control> + <V>) no próximo
compasso da mesma pista para colar. Digite um número para a quantidade de repetições.
Por exemplo, um valor igual à quantidade de compassos da música. Ok. Temos o
rascunho da bateria para servir de guia. Esta será a referência rítmica para podermos
aplicar os instrumentos com a harmonia.

Seqüenciando uma harmonia-guia. O ritmo seqüenciado, mesmo que provisoriamente,


serve de base para a inserção de um instrumento harmônico. Este, por sua vez, será a
referência para os demais, inclusive o baixo, a voz-guia e para a marcação das partes da
música, que facilitará a nossa navegação pelo programa, como veremos adiante.

Escolha um outro canal MIDI (por exemplo, o canal 1) para a próxima pista e um timbre
de instrumento harmônico, como piano, órgão, guitarra ou violão. Para isso, use as
colunas <Chn> e <Patch> da nova pista a gravar.

Ponha para gravar a música do início e, enquanto ouve a bateria, toque a harmonia no
teclado. Você pode gravar a música do início ao fim ou por partes. Pode também
quantizar este novo instrumento e marcar as partes da música.

Inserindo marcadores. Abra a janela dos marcadores clicando em <View> e <Markers>.


Adicione o nome da cada parte após clicar no compasso onde ela se inicia na janela
<Track>. Na janela <Markers>, clique no botão mais à esquerda e digite o nome da parte
(por exemplo, “Intro”, “A”, “B”, “Refrão” etc.). Este nome também ficará escrito sobre o
número do compasso em que cada parte começa.
Com as partes definidas, é fácil copiá-las para outros momentos da música. Novamente,
arraste o mouse na barra cinza com os compassos (ou simplesmente clique sobre o nome
da parte na janela <Markers>), clique no(s) número(s) da(s) pista(s) a copiar e confira se
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 73
o trecho ficou marcado com a cor preta. Agora, copie-o e, depois de clicar no primeiro
compasso da primeira pista onde vamos colar o novo trecho, cole-o.

Podemos, assim, registrar a pista com a harmonia-guia usando a gravação linear (do
início ao fim) ou montando-a com o recurso de copiar e colar. Para isto, nos valemos dos
marcadores.

Gravando a voz-guia. Tudo o que seqüenciamos até agora servirá apenas como
referência para começarmos a gravar o material que realmente será aproveitado no
produto final. É um esqueleto, um monstrengo necessário para desenvolvermos nosso
arranjo da melhor maneira possível. Para que os instrumentos sejam bem aplicados,
precisamos agora de mais uma referência: a melodia. Ela pode ser tocada no teclado,
mas fica ainda mais útil gravarmos uma voz-guia.

Clicando duas vezes na coluna <Source> abrimos a janela <Track Properties>. No item
<Source> escolhemos a entrada da placa de som e no item <Port> a sua saída.
Monitoramos o nível do sinal de um microfone pré-amplificado (em geral, pela mesa de
som) através do LED que aparece no canal da voz, na mesa virtual da janela <Console
view>. “Passe o som” da voz cantando a melodia enquanto observa o LED, para impedir
excesso ou escassez de nível. Controle o volume pela saída da mesa “física” ou pela
entrada da mesa virtual, ao lado do LED.

Ajustado o volume, volte a música ao início, acione <Arm> na pista da voz e grave-a do
mesmo modo que antes. Ao terminar, acione <Stop>, espere o desenho do áudio (as
ondas sonoras) se completar na tela e salve o arquivo. Aliás, salve sempre o arquivo,
clicando no disquete ou digitando <Control> <S>. Volte e ouça. Se for preciso, grave a
voz-guia por partes. A operação de copiar e colar, aqui, é semelhante à que fizemos com
os eventos MIDI.

Bem, o Frankenstein está vivo. Falta transforma-lo em arte, gravando as pistas que vão
valer. Mas este é o assunto dos próximos artigos.

Todas essas etapas da produção musical no PC, da gravação e


seqüenciamento de cada pista, passando pela edição, processamento, mixagem,
pré-masterização e gravação do CD até sua distribuição com apoio na Internet
serão objetos dos próximos artigos. Até lá!
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 74

EQUIPAMENTO$ PARA TODOS OS ORÇAMENTO$

O músico brasileiro, especialmente nos grandes centros urbanos, tem hoje muitas opções
para montar o seu estúdio caseiro de gravação. As lojas de música e de informática
oferecem diferentes tecnologias, todas apresentadas como sendo a última palavra. Áudio
gravado em fita analógica ou digital? MIDI? Gravação no computador? Em meio a tantas
variáveis, nem sempre é fácil escolher o melhor caminho. E depois de escolhido o meio
de gravação, ainda restam muitas opções de cada item, até chegar o momento de apertar
as teclas PLAY e REC. Neste artigo, estaremos mostrando as diversas tendências,
buscando ajudá-lo a escolher os equipamentos e programas do seu estúdio de gravação.

Montar um home studio implica em equilibrar uma série de fatores. De acordo com os
objetivos, capital, espaço, clientela ou necessidades pessoais, surgem inúmeras opções
para quem vai "se equipar". Nada é pior que constatar erros de planejamento depois de
realizado o investimento, como a compra de aparelhos desnecessários ou obsoletos.
Agora, com a instabilidade do real frente ao dólar, o custo de uma escolha equivocada se
multiplicou. Antes de comprar, devemos colocar na balança todas as necessidades e
possibilidades, e aí fazer uma lista de todos os itens, com modelos e preços compatíveis.

Existem estúdios de todos os tamanhos, com uma infinidade de configurações. Cada um


tem seus recursos, seu mercado, sua vocação. Para facilitar as coisas, classificamos os
home studios em três níveis: básico, intermediário e avançado. Em todos esses níveis,
mantemos os mesmos conceitos quanto aos recursos utilizados para gravação e
mixagem. O que varia de um nível para outro é a complexidade e a versatilidade desses
recursos, o que geralmente (mas nem sempre) influencia a qualidade do som.

Muito mais importantes que o uso de máquinas e programas de última geração são o
talento e a experiência de quem os opera. Um produtor talentoso, com a curiosidade
permanente de buscar novas soluções, pode tirar o maior som de um pequeno estúdio,
enquanto um outro, mais burocrático, é capaz de fazer uma mega-estação de trabalho
soar como uma lata.

Esses estúdios podem gravar somente áudio, mas é bastante comum a presença de um
sistema MIDI, com sintetizadores seqüenciados. Alguns estúdios que só produzem
música eletrônica têm no sistema MIDI o seu ponto forte. Unidos, os recursos de
gravação de áudio e de seqüenciamento MIDI expandem em muito as possibilidades de
qualquer sala de gravação ou produção.

Todo estúdio, de qualquer nível, opera com os seguintes itens:

Áudio:

• Microfones
• Mesa de som
• Monitores
• Gravador multipista
• Gravador estéreo
• Processadores de efeitos (reverber e outros)
• Processadores de dinâmica (compressores e outros)
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 75
• Processadores de timbre (equalizadores)
• Cabos de diversos formatos

MIDI:

• Seqüenciador
• Instrumento controlador (teclado ou outro)
• Módulos geradores de som (sintetizadores e samplers)
• Cabos MIDI

Diversos desses componentes de áudio e MIDI podem se apresentar como reais


("físicos") ou virtuais, em forma de programas de computador.
Podemos compreender a utilização de todos esses itens levando em conta os 3 níveis em
que classificamos os home studios. Vamos definir, primeiro, em que consistem esses três
níveis.

O home studio básico, iniciante, pode começar usando um ou dois microfones dinâmicos
com pedestais, uma mesa de som de 8, 12 ou 16 canais, amplificador e caixas acústicas
(no início, que sejam as melhores possíveis). O gravador multipista pode ser um porta-
estúdio (gravador de 4 ou 8 pistas com mixer) em cassete, MD ou HD, ou um sistema de
gravação no PC, com uma placa de som, um programa de gravação multipista e um HD
de tamanho razoável. O gravador estéreo pode ser um deck cassete ou um MiniDisk. Um
ou dois reverberadores ou multiefeitos (alguns porta-estúdios e programas de gravação já
vêm com um bom kit de efeitos incluído) e os cabos apropriados completam a seção de
áudio. O estúdio MIDI deste nível usa um seqüenciador (no PC ou em hardware) e um
sintetizador multitimbral. Este pode ser um rack ou um teclado, que pode conter o
seqüenciador. Neste caso, o teclado (workstation) agrega sozinho todos os itens do
sistema MIDI. Eventualmente, alguns estúdios começam usando o sintetizador da placa
multimídia. Este estúdio custa cerca de 4 mil dólares e você pode ir adquirindo os
equipamentos aos poucos, usando os que já possui. Se for só de áudio ou só MIDI, pode
custar cerca da metade.

O estúdio intermediário usa um sistema de gravação de áudio digital em oito ou 16


pistas, em fita (1 ou 2 ADATs) ou em hard disk. Neste caso, pode ser via computador,
com um software de gravação e uma interface de áudio ou placa de som multicanais de
20 bits; ou pode gravar em HD com um porta-estúdio digital, dispensando o computador.
A gravação em HD é mais cara que os gravadores de fita, trazendo contudo muitos
recursos de edição. Os outros itens de áudio são: microfones a condensador e dinâmicos,
para vozes e instrumentos; amplificador e monitores de referência; reverberadores,
compressores, noise gate, equalizador; uma mesa de 16 ou 24 canais com conectores
XLR; um DAT e/ou gravador de CD. O sistema MIDI inclui: controlador; módulos de som
multitimbrais (sintetizadores, samplers); interface MIDI/Sync multiportas para ligar os
teclados ao computador e para sincronizar o computador ao gravador multipista;
programa seqüenciador (muitas vezes, é o mesmo programa que grava as pistas de
áudio). Se o áudio é gravado fora do computador, qualquer micro pode ser usado como
seqüenciador MIDI, sem requisitos mínimos de configuração. Basta sincronizá-lo ao
gravador multipista. Um projeto de isolamento e tratamento acústico melhora a gravação
e a mixagem. Estes recursos permitem boas gravações para CDs independentes ou
publicidade e têm um custo em torno dos 10 mil dólares.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 76

O home studio avançado, apto a oferecer qualquer serviço de gravação profissional,


utiliza, pelo menos: uma mesa de gravação digital ou analógica com 32 ou mais canais de
entrada/saída e oito submasters, automação, patch bay; um sistema de gravação digital
(24 pistas ou mais) em fita (3 ADATs) e/ou hard disk de computador; dois sistemas de
monitoração com amplificadores e caixas profissionais para gravação e mixagem;
diversos processadores (racks e plug-ins), como equalizadores, compressores, noise
gates, reverberadores, multiefeitos, enhancers e outros; distribuidores para uns 10
headphones; diversos microfones a condensador e dinâmicos para vozes e instrumentos
e cabos de qualidade. O sistema MIDI acrescenta: uma interface de oito portas e
sincronização com vídeo para o Pentium ou o Mac; instrumentos controladores,
sintetizadores e samplers profissionais com vasta coleção de sons. A bateria pode ser
acústica (microfonada) e/ou trigada ao sampler. O tratamento acústico deve ser realizado
por um especialista. Este estúdio é o sonho de consumo de todo músico e todo produtor.

Sonho realizado por aqueles que podem desembolsar entre 25 e 100 mil dólares para
montá-lo. Daí para cima, saímos da categoria de home studios. Os maiores estúdios
brasileiros chegam a custar mais de 10 milhões de dólares!

Caminhos do som. Numa gravação o áudio passa por 5 etapas: captação,


armazenamento, processamento, mixagem e masterização. Os equipamentos usados em
cada fase estão sempre conectados à mesa de som, o coração do sistema. Vamos
compreender cada fase e os recursos utilizados.

A captação dos sons é uma das etapas mais delicadas. Microfonar um cantor ou um
instrumento é uma arte, da qual depende a sonoridade final da gravação. O estúdio
pessoal, sem o custo/hora do estúdio alugado, permite uma experimentação maior,
segredo de um bom som. Os microfones dinâmicos, apropriados para os sons
percussivos e potentes, podem ser adotados pelo estúdio básico para uso geral, já que
sua resposta mais dura disfarça um pouco a ausência do isolamento acústico. Para voz, o
microfone deve estar a poucos centímetros da boca do cantor, com cerca de 45º de
inclinação. Nos estúdios intermediário e avançado, com acústica tratada, usamos
microfones a condensador, alimentados pelo phantom power da mesa, para captar vozes,
pratos, percussões leves, cordas em geral e madeiras (sopros). Os microfones dinâmicos
captam tambores, metais (trompete, trombone) e alto-falantes de guitarra. Aponte cada
microfone para a fonte do som, desviando-o de ruídos gerados pela pressão do
deslocamento do ar. Os dinâmicos ficam a poucos centímetros da fonte, enquanto os
condenser podem ser colocados mais de longe. O ambiente também determina a
sonoridade captada. Experimente tocar e cantar em vários pontos de sua sala até
encontrar o melhor som. Verifique a polaridade (área de captação) do microfone, para
evitar vazamentos de som. O cardióide capta numa só direção; o figura-de-8 é
bidirecional, captando sons pela frente e por trás; o omnidirecional atua em todas as
direções. Compare os sons obtidos em diversas posições, se possível com vários
microfones, e grave a melhor opção. Use cabos XLR (Canon), se sua mesa tiver esses
conectores. Senão, use plugues banana balanceados.

Armazenamento. Cada som captado vai, através do microfone, para um canal de entrada
da mesa, e dali é enviado por um canal de saída até um gravador (ou placa de
som/programa de gravação), onde será armazenado em uma pista. Qualquer canal de
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 77
entrada pode ser endereçado por qualquer saída para uma pista. Esta pode conter um ou
vários sons, sendo que os sons gravados juntos não poderão mais ser tratados em
separado até o final do trabalho. Daí a necessidade de várias pistas. Podemos gravar os
sons simultânea ou separadamente nas pistas. Para ouvi-las (monitorar e mixar), as
saídas do gravador ou placa de som são enviadas até outros canais de entrada da mesa
(aqui chamados ‘canais de retorno do gravador’). Na hora de gravar cada pista,
precisamos de, pelo menos, dois canais de entrada na mesa: um (ou mais) de entrada
do(s) microfone(s) ou instrumento(s) e outro de retorno da gravação, para monitoração, o
mesmo canal que vai ser mixado aos outros, mais tarde. Por isso, a quantidade de canais
da mesa deve ser o dobro do número de pistas de gravação.
O gravador multipista pode ser analógico ou digital. Analógicos são os gravadores de fita
de rolo ou cassete, como os porta-estúdios de 4 ou 8 pistas. Os gravadores digitais
podem ser de fita de vídeo (ADAT, DA88) ou disco. Em disco temos gravadores em
hardware (usando HD, Zip Disk ou MD) ou em software. Um programa de gravação
multipista em HD, junto com uma placa de som multicanais, transforma seu computador
num poderoso gravador e editor de áudio. A escolha do formato depende do estilo e do
orçamento de cada um. Mas a tendência predominante tem sido a gravação por software.
As interfaces de 8 canais, para estúdios básicos, intermediários e avançados, têm caído
bastante de preço. Se for sua opção, use hard disks SCSI, que gravam mais pistas por
serem mais rápidos que os HDs do tipo IDE. A placa de som é conectada à mesa da
mesma forma que os gravadores em hardware.

Processamento. O som é modificado por diversos tipos de aparelhos, como


reverberadores, compressores e equalizadores, cada um com uma diferente finalidade. O
reverber cria ambientes acústicos apropriados a cada som, definindo a sua profundidade
no campo auditivo. O compressor reduz a variação da dinâmica de cada som, evitando
altos e baixos de volume e ajudando a fixar a posição de cada instrumento ou voz. Com o
equalizador, ajustamos cada timbre, definindo melhor a sua coloração. Na verdade, há
inúmeros outros processadores, mas os três citados, os mais usados, representam as três
diferentes famílias de processadores: de efeitos, de dinâmica e de timbre.

Os efeitos (reverber, eco, chorus e outros) são conectados aos canais auxiliares da mesa
e servem simultaneamente a todos os canais. Ou seja, o mesmo processador pode ser
usado por vários canais em diversas intensidades. Por exemplo, com o mesmo
reverberador podemos aplicar muito efeito na voz e pouco no violão, deixando-o mais
seco. Em cada canal da mesa, controlamos a intensidade do efeito pelo seu próprio botão
auxiliar. Geralmente há vários auxiliares nos canais, cada um controlando um diferente
aparelho.

Como pode um mesmo processador de efeitos afetar diferentemente vários sons ao


mesmo tempo? Entendendo o caminho do sinal sonoro, vemos que não é mágica. É até
simples: a mesa tem uma saída (ou várias) chamada auxiliar send ou "mandada de
efeitos" e uma entrada auxiliar (ou várias) denominada auxiliar return ou retorno dos
efeitos. Uma cópia do som de cada canal é enviada através da mandada, dosada pela
posição do botão auxiliar. Se, por exemplo, abrimos muito o botão no canal da voz e
pouco no canal do violão, a saída auxiliar terá muito mais som de voz que de violão,
mesmo que nos canais os dois sons estejam com o mesmo volume. Conectamos a saída
auxiliar na entrada do processador de efeitos. A saída do processador é conectada ao
retorno auxiliar, enviando o som já processado de volta à mesa. O resultado é que
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 78
ouvimos três sons: voz, violão e reverberação de voz (muita) e violão (pouca). Contudo,
nosso ouvido não separa os sons secos de seus efeitos. Ouvimos a voz com muito efeito
e o violão quase seco, usando um único processador.

Os processadores de dinâmica e os equalizadores são conectados à mesa de outra


maneira. Esses aparelhos atuam sobre um canal de cada vez e podem acrescentar ou
subtrair detalhes do som. Como um equalizador reduzindo os agudos de um instrumento.

Não se trata aqui de acrescentar um efeito ao som, mas de modificar sua natureza. Por
isso, além de ser processado individualmente, cada som tem que ser substituído pelo som
processado, em vez de ser somado a um efeito. Por isso, em vez dos canais auxiliares,
usamos os inserts. Esta é uma conexão de entrada e saída, presente em cada canal. O
insert usa um cabo especial, bifurcado em "Y", com um conector estéreo numa ponta e
dois mono nas outras. O plugue estéreo entra no insert de um canal, enquanto os outros
dois se ligam à entrada e à saída do processador. Na realidade, o conector estéreo
plugado à mesa usa suas duas vias em mão dupla: entrada e saída. Ao ser conectado ao
insert do canal, corta o som original, envia esse som ao processador e devolve o som
processado ao mesmo canal.

O processamento pode ocorrer no momento da gravação, quando registramos o sinal


sonoro já tratado, ou na mixagem, quando aplicamos efeitos, compressão e equalização
aos sons gravados. A vantagem do segundo caso é que podemos comparar todos os
sons ao processá-los, evitando excessos irreversíveis. Esses processadores podem
também se apresentar como programas de computador, afetando o áudio gravado no
hard disk.

Mixagem. Após gravarmos todos os sons nas diversas pistas, temos que misturá-los
numa gravação estéreo com a sonoridade definitiva. Usamos a mesa para mixar e
processar os sons e enviá-los para o gravador estéreo. As saídas do gravador multipista
ou placa de som são enviadas aos canais de entrada da mesa. As saídas estéreo da
mesa são conectadas ao gravador estéreo. Enquanto na gravação nos preocupamos com
a qualidade da captação e do armazenamento, na mixagem nivelamos os instrumentos e
vozes de acordo com o arranjo musical, posicionando-os no campo auditivo estéreo e
realçando timbres e efeitos.

Masterização. Masterizar significa simplesmente armazenar o produto final (som estéreo)


num determinado meio de gravação, como um CD, uma fita DAT, um MiniDisk ou até uma
fita cassete. Na pré-masterização cuidamos para que as várias músicas mixadas soem
com unidade quando reunidas num disco, por exemplo. É preciso definir a ordem das
músicas, o tempo entre elas, tirar ruídos, cortar seu início e final e, eventualmente,
comprimi-las. Podemos usar os mesmos processadores adotados para a gravação, mas
os programas de edição de áudio são imbatíveis nesta última etapa do trabalho, com seus
inúmeros recursos de edição. Com um gravador de CDs, as músicas já ficam prontas
dentro do computador para serem reunidas como produto final. Daí, é só mandar o CD
para ser copiado numa fábrica.

Monitoração. Durante todas as etapas, precisamos ouvir o que está sendo gravado. A
saída master estéreo da mesa é conectada ao amplificador que alimenta os monitores.
Muitos desprezam este item fundamental que orienta o produtor nas suas ações. Mal
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 79
monitorada, uma boa gravação pode ser desperdiçada, soando irreconhecível em outros
equipamentos. Procure usar amplificadores e monitores de referência, especiais para
gravação e mixagem. Quando microfonados, cantores e instrumentistas se ouvem através
de fones de ouvido, também ligados às saídas da mesa.

MIDI. O estúdio cresce muito em recursos quando conjugado a um sistema MIDI. Com um
seqüenciador (de preferência em software) sincronizado ao gravador multipista, os
instrumentos eletrônicos não precisam ser gravados nas pistas de áudio. Seus sons vão
direto para os canais da mesa, onde se juntam aos sons das pistas gravadas na
monitoração e na mixagem. Mesmo que seu gravador não tenha muitas pistas, basta que
a mesa tenha canais suficientes para conectar os teclados. O estúdio ganha vários novos
canais. Fora isso, a edição dos eventos MIDI dos sintetizadores seqüenciados permite
experimentarmos inúmeras sonoridades a qualquer momento, sem precisar regravar
esses instrumentos.
O instrumento controlador MIDI (teclado ou outro) envia tudo o que tocamos até o
seqüenciador em forma de dados, através do cabo MIDI. Depois, o seqüenciador "toca"
os sintetizadores e samplers ao vivo, enviando para eles os mesmos dados. As saídas de
áudio dos instrumentos ficam conectadas aos canais da mesa, enquanto o seqüenciador
se mantém sincronizado ao gravador multipista. Mesmo nos programas que conjugam
gravação de áudio e MIDI não é necessário gravar os sons dos teclados. Poupamos
pistas e espaço em disco mantendo os instrumentos eletrônicos seqüenciados. Eles serão
mixados normalmente às demais pistas, já que estão ligados à mesa lado a lado com as
pistas gravadas.

Muitos instrumentos podem ser substituídos por sons eletrônicos. O sistema MIDI
acrescenta versatilidade ao estúdio, além de expandir seus canais.

Conclusões. São muitas opções em cada item do estúdio, e todas são boas,
dependendo só de suas necessidades e possibilidades. Os diversos itens devem ser
compatíveis entre si. De nada adianta, por exemplo, investir num super gravador e
economizar escolhendo uma mesa de poucos recursos. Vale começar com um estúdio
mais simples e depois ir evoluindo de acordo com a sua trajetória. O que importa é fazer
um projeto coerente, analisando o que é preciso adquirir a partir de suas condições e
objetivos.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 80

SOM & MENSAGEM

Gravação, seqüenciamento e mixagem de áudio e MIDI

Um estúdio é um estúdio. Não importa mais se ele cabe dentro de um quarto ou se ocupa
todo um prédio comercial. Com equipamentos cada vez melhores, menores e mais
baratos, o home studio já é sinônimo de estúdio.

Uma das principais responsáveis por esse nivelamento é a combinação da gravação de


áudio com o seqüenciamento dos sintetizadores MIDI. Sincronizado ao gravador de som,
o seqüenciador MIDI registra toda a performance musical nos instrumentos eletrônicos,
economizando muitas pistas de gravação. É um recurso barato e muito eficaz, que
potencializa qualquer sistema de gravação e pode integrar um estúdio de qualquer nível -
básico, intermediário ou avançado.

Vamos discutir aqui as principais técnicas usadas na captação, na gravação e na


mixagem do áudio. Ao mesmo tempo, conheceremos técnicas de seqüenciamento dos
sintetizadores MIDI e sua mixagem com as pistas de áudio.

Como há várias tecnologias para as mesmas funções, não fazemos distinção entre elas
ao discutir conceitos comuns a todas. Então, se mostramos as conexões entre a mesa e
um gravador multipista, isto também se aplica a uma placa ou interface de áudio. Da
mesma forma, as conexões de um seqüenciador são idênticas às de uma placa ou
interface MIDI para computadores. Entradas e saídas de áudio; entradas e saídas MIDI.

Áudio - captação e armazenamento. Começamos pela captação de vozes e instrumentos


acústicos e elétricos. Cada fonte sonora deve ficar no local de melhor sonoridade dentro
da sala. O microfone adequado é posicionado no pedestal a alguns centímetros da saída
de som - a boca do cantor ou do violão, por exemplo. Experimentamos a melhor posição
ouvindo atentamente diversas opções, a cada gravação. O músico não deve se
movimentar ao tocar ou cantar, já que faria variar a distância do microfone com seus
movimentos, alterando o volume do som captado. Muitas vezes o áudio bem captado
dispensa o uso do equalizador, pois o timbre "já vem pronto".

Ajustamos o nível de cada etapa dos caminhos do som. Pedindo ao músico que toque
exatamente o que vai gravar, especialmente as passagens mais fortes e as mais suaves,
ajustamos o ganho (trim) do canal de entrada da mesa de forma que, com o fader em
zero dB ou na posição central, o LED do canal chegue ao seu limite nas passagens mais
fortes da música, sem deixar distorcer.

Controlamos o nível de saída da mesa pelo canal submaster que está conectado à
entrada do gravador multipista. Da mesma forma, levamos o nível ao limite, observando o
movimento do LED. Quando o gravador não tem controle de entrada, o submaster é que
controla o nível de gravação. Neste caso, ao movimentarmos o seu fader, conferimos ao
mesmo tempo o seu LED e o LED do canal de entrada do gravador.

Quando enviamos os sons de várias fontes para uma mesma pista de gravação,
nivelamos as fontes entre si - já como uma mixagem definitiva - através dos seus canais
de entrada. Todos eles são enviados por um mesmo canal submaster de saída até a pista
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 81
de gravação. Neste caso, só o submaster é que fica no limite de volume, já que os canais
de entrada estão sendo misturados, cada qual com seu volume. Se usamos um só
microfone (ou um par estéreo) para captar vários sons, essa mixagem é feita pela
distância de cada fonte em relação ao microfone. Podemos experimentar posicionar os
instrumentos ou cantores monitorando-os provisoriamente através de um fone de ouvido.
Se for preciso, gravamos várias vezes o mesmo trecho com diferentes posições das
fontes sonoras, até encontrar a mistura ideal.

Quando dispomos de muitas pistas de gravação, é preferível gravar cada fonte numa
pista exclusiva, o que permite nivelarmos os sons numa outra etapa do trabalho. Se a
mesa dispõe de vários canais submasters, enviamos o sinal de cada fonte (cada canal de
entrada) por um diferente submaster, gravando assim os sons em várias pistas. Senão,
usamos a saída direta de cada canal, cada uma conectada a uma entrada do gravador.

Quando gravamos vários sons numa mesma pista, como vimos, o nível geral (a soma)
deles é que deve ficar no limite operacional do gravador (em geral, zero dB). Mas quando
podemos gravar cada qual numa diferente pista, devemos registrar todos esses sons no
máximo volume permitido. Assim, temos como nivelá-los em definitivo na mixagem e
minimizamos o nível dos ruídos. Mesmo aquele instrumento que vai soar bem baixinho é
gravado primeiro no máximo volume, caso esteja sozinho na pista do gravador.

Para ouvirmos (monitorarmos) as pistas gravadas, como também para mixá-las depois,
usamos as mesmas conexões de retorno. As saídas do gravador são ligadas a outros
canais de entrada da mesa. Estes podem ser os canais comuns ou canais exclusivos para
monitoração, também chamados "tape returns" ou "Mix-B". Como esses canais tocam o
que vem do gravador, eles não influenciam o som da gravação multipista, mas somente a
mixagem final. Podemos posicioná-los à vontade e mudar esses ajustes a todo momento,
sem prejuízo para o armazenamento inicial dos sons.

Quando enviamos os sons dos canais da mesa para o gravador multipista através dos
submasters, é bom notar que eles se organizam em pares estéreo: 1-2, 3-4, 5-6, 7-8.
Plugados nos canais de entrada do gravador, cada submaster manda o som para a
respectiva pista de gravação. Se enviamos o som de um canal da mesa para ser gravado
na pista 3, por exemplo, ele deve ser primeiro enviado ao submaster 3, que o despacha
para o gravador. Só que geralmente não há submaster 3, o que existe é o submaster 3-4.
O som chega igualmente nas pistas 3 e 4. Se o gravamos só na 3, desperdiçamos a
metade do sinal que entra no submaster 4 e pode ser enviada para a pista 4. Evitamos o
desperdício, mandando todo o sinal só para a pista desejada, ao girarmos o botão pan do
canal de entrada todo para a esquerda. Como o submaster é um par estéreo de canais,
ao receber o sinal todo pela esquerda ele manda todo o som pela saída ímpar (no caso, a
de número 3). Se o pan estiver para a direita, o som sai pelo submaster de número par
(aqui, o 4) e é gravado na pista correspondente sem perdas. Esta maneira de enviar o
sinal em nada significa que o som final ficará todo para um lado só.

Como essas pistas são mono e seus sons retornam à mesa para monitoração e mixagem,
é nos canais de retorno que definiremos a posição espacial (pan) definitiva de cada uma,
formando o campo auditivo estéreo na fase de mixagem.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 82
Essa prática de gravar cada som isolado numa pista exclusiva é muito salutar, pois
permite um tratamento definitivo após a gravação. É mais fácil dosarmos reverberações,
compressão, timbres, profundidades e posição espacial dos sons quando já estão todos
gravados. Se o fazemos na hora de gravar, temos que realizar ao mesmo tempo várias
etapas do trabalho: captação, armazenamento, processamento e mixagem. Registrados
os sons um a um, podemos processá-los e mixá-los depois. Contudo, em várias
linguagens musicais, nada substitui o calor da interpretação coletiva ao vivo. Em outras
situações, misturamos gravação coletiva e pistas adicionadas depois. A decisão caberá
sempre ao nosso ouvido, de acordo com os limites do equipamento.

Seqüenciamento de sintetizadores MIDI. Os sons de muitos instrumentos podem ser


substituídos por amostras digitalizadas (samples). Podemos gravar essas amostras num
sampler ou usar amostras prontas contidas num sintetizador ou bateria eletrônica. Uma
amostra é como uma nota de um determinado instrumento. Tocando num instrumento
controlador (teclado ou guitarra MIDI, por exemplo) podemos substituir ou inventar
instrumentos.

O seqüenciador MIDI grava o nosso toque, como comandos ou mensagens musicais, em


vez de gravar o som. Depois, toca esses mesmos comandos nos instrumentos
eletrônicos, como se fosse um músico ou uma orquestra invisível.

O gravador armazena áudio; o seqüenciador grava mensagens.

De cara, temos uma excelente economia: como não grava o som, mas mensagens que
acionam o som de um sintetizador, o seqüenciador consome pouquíssima memória.
Qualquer computador com uma interface MIDI é apto para seqüenciar.

Os instrumentos eletrônicos, tocados ao vivo pelo seqüenciador, têm sua qualidade de


som preservada. São conectados aos canais de entrada ou de retorno da mesa, como se
fossem as pistas gravadas, embora entrando ao vivo, em primeira geração. Além disso,
podemos editar todos os comandos, corrigindo erros de performance sem precisar
regravar. Podemos até mesmo tocar um som e depois ouvir as mesmas notas com outro.

Em software, o seqüenciador MIDI tem a aparência de um gravador multipista: comandos


de transporte (Play, Rec...), pistas e tal. Alguns programas até acumulam as duas
funções, gravando pistas de áudio pela placa de som e pistas de sintetizadores pela placa
MIDI. Seqüenciamos cada pista tocando no controlador, depois de escolher o canal MIDI
e o programa (patch) com o timbre apropriado do sintetizador. Com os canais MIDI e um
ou mais sintetizadores multitimbrais fazemos o arranjo com quantos "instrumentos"
quisermos. E tudo isso sem usar nenhuma pista de áudio!

O sistema MIDI compreende um instrumento controlador, um seqüenciador e um ou mais


geradores de som, como sintetizadores. Para seqüenciar, conectamos a saída MIDI out
do instrumento controlador à entrada MIDI in do seqüenciador ou interface MIDI. O
seqüenciador aciona os sons dos instrumentos geradores quando conectamos sua saída
MIDI out à entrada MIDI in do primeiro gerador. Esta saída do seqüenciador ou da placa
MIDI funciona como out e thru ao mesmo tempo, mandando tanto o que estamos tocando
naquele instante quanto o material que já foi registrado nas outras pistas. Havendo mais
de um sintetizador, ligamos a saída MIDI thru do primeiro à entrada MIDI in do segundo e
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 83
assim por diante, formando uma cadeia OUT ® IN ® THRU ® IN ® THRU ® IN. Desta
forma, tanto o controlador quanto o seqüenciador acionam todos os geradores de som.

Para podermos ouvir e mixar os instrumentos MIDI, conectamos todos eles aos canais de
entrada da mesa, junto com as pistas de áudio do gravador.

É costume trabalharmos com os dois sistemas - áudio e MIDI - sincronizados, seja


usando um gravador e um seqüenciador através de SMPTE time code ou MTC, seja com
um programa que efetue as duas funções, sincronizando-as interna e automaticamente.
Assim, de uma maneira ou de outra, não há por que gravar o som dos sintetizadores, já
que eles estarão seqüenciados e sincronizados às pistas de áudio.

Vale a pena começar o trabalho seqüenciando pistas de ritmo e harmonia, como bateria,
baixo e piano. Mesmo que não sejam definitivas, elas ajudam a construir as outras pistas
de áudio e MIDI, fornecendo ritmo, andamento e harmonia. Assim, quando gravarmos
vozes ou outros instrumentos, o intérprete estará sempre escutando essas pistas.

O sistema MIDI trabalha com canais, de modo semelhante às pistas de áudio. Aqui, cada
canal MIDI aciona um diferente timbre de sintetizador ou um diferente aparelho. Os
timbres percussivos, como a bateria, podem estar num mesmo canal, sendo cada tambor
ou prato acionado por uma diferente nota MIDI. Definimos o som de cada nota no
sintetizador, sampler ou bateria eletrônica. O seqüenciador aciona os diversos canais ao
mesmo tempo.

Antes de começarmos a seqüenciar precisamos escolher o compasso, o andamento e


acionar o metrônomo do seqüenciador. Assim, o material que gravamos é sempre
organizado segundo o tempo musical, em compassos. Qualquer mudança de andamento
ou divisão deve ser indicada no seqüenciador. Toda a edição posterior do material, como
a quantização e a própria localização dos diversos trechos e mensagens, depende da
correta configuração do projeto. Podemos, contudo, alterar todos esses ajustes a
qualquer momento, no decorrer do trabalho. Por exemplo, gravar devagar e mixar mais
rápido (no mesmo tom ou em qualquer outro) ou gravar num só andamento e criar um
rallentando depois.

Quando desejamos uma precisão rítmica que não conseguimos executar no instrumento
controlador, como nos trechos de bateria e baixo de música pop ou rock, usamos a
quantização. Para isso, escolhemos uma determinada resolução, que corresponde à
menor figura rítmica (semínima, colcheia) do trecho. Todas as notas do trecho serão
deslocadas no tempo em direção a uma "grade" de subdivisões rítmicas, correspondente
à resolução escolhida. Corretamente utilizada, a quantização confere mais peso às bases
rítmicas e harmônicas, devendo no entanto ser evitada em solos, arranjos de cordas e
outros sons em que a imprecisão rítmica é que define o sentimento.

O seqüenciador tem incontáveis recursos de edição das mensagens MIDI geradas pelo
controlador e executadas nos geradores de som. Saltam aos olhos os recursos de edição
gráfica da tela conhecida como piano-roll, onde podemos acrescentar, suprimir, esticar,
encolher, atrasar ou adiantar as notas e desenhar variações dos controles dos
sintetizadores ao longo do tempo, com simples cliques e arrastes do mouse.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 84
Desde a entrada em cena do seqüenciador, perdeu o sentido a gravação em fita ou hard
disk do áudio gerado pelos instrumentos eletrônicos. Eles permanecem seqüenciados até
terem os seus sons mixados junto às pistas de áudio gravadas.

Processamento e mixagem. Após gravarmos e seqüenciarmos todos os instrumentos e


vozes, é hora de ouvi-los juntos, ajustando os controles da mesa até encontrarmos a
sonoridade ideal para registrar o produto final, que é a gravação estéreo em CD ou
qualquer outro meio. Reunimos na mesa todos os sons, das pistas gravadas e dos
sintetizadores seqüenciados. Ligamos as saídas do gravador ou placa de som e também
dos sintetizadores aos canais de entrada da mesa. Dosamos volumes, pan, reverber,
compressão e fazemos ajustes para realçar os timbres e tirar ruídos, visando ambientar
todas as partes do arranjo no espaço psicoacústico apropriado. Podemos usar, como
auxílio, a mesa virtual do programa seqüenciador/gravador, mas a mesa "física"
permanece como o coração do estúdio. Uma mesa automática ou a mesa virtual do
software facilitam os ajustes feitos durante a música. Assim, sobra mais tempo para a
ouvirmos, em vez de nos ocuparmos com repetidas rotinas de comandos. A ela retornam
os sons gravados nas pistas de áudio e as saídas dos sintetizadores seqüenciados. Dela
saem os dois canais com o produto final em estéreo.

Os processadores que mais usamos são os equalizadores dos canais da mesa, para
ajustar os timbres, um ou mais reverberadores, para definir profundidade e ambiência, e
alguns compressores para "segurar" a variação dinâmica, ou seja, os volumes de cada
instrumento ou voz ao longo da música. No computador, também podemos aplicar efeitos,
comprimir dinâmicas e equalizar timbres através dos programas de gravação e plug-ins
de efeitos.

Os reverberadores e efeitos em geral se conectam à mesa pelos canais auxiliares. Do


Aux Send da mesa, o som vai pro Input do efeito; do Output do efeito, esse som, agora
processado, volta pro Aux Return da mesa. Em cada canal, dosamos a intensidade do
efeito girando o respectivo botão Aux. Os efeitos podem assim ser usados ao mesmo
tempo por vários canais, em intensidades diferenciadas. Com vários auxiliares na mesa
(Aux 1, 2 etc.), podemos ligar mais de um processador de efeitos. Evite exagerar a
reverberação.

Os compressores e outros processadores dinâmicos são conectados pelos inserts dos


canais da mesa. De uso individual, cada compressor recebe no input o sinal que vem do
insert e o devolve processado do output para o mesmo insert. Para isso, usamos um cabo
em "Y": Insert ® Input e Output ® Insert.

Ao final da mixagem, masterizamos a música em um gravador estéreo ou no computador,


aqui como um arquivo de som estéreo. Com um bom programa de masterização e uma
boa interface de áudio, equilibramos as diversas músicas de um mesmo CD, dando
acabamento ao produto final. Nesta fase, chamada de pré-masterização, cortamos as
músicas, podendo ainda comprimi-las para otimizar seus volumes, tiramos ruídos e
realizamos algumas outras funções, além, é claro, de ordenar as músicas como elas se
sucederão no CD. Agora, é só colocar um CD virgem no gravador de CDs do próprio
computador, acionar o Rec, esperar alguns minutos e curtir o seu CD totalmente feito em
casa!
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 85

Tirando Leite das Pedras

ÁUDIO

• Grave sempre no nível máximo tolerado por seu sistema. Sem deixar distorcer o
som, leve cada LED (entrada e saída da mesa, entrada do gravador) ao limite
máximo de operação. Isto enche o sistema com som, minimizando os ruídos. Cada
pista deve ser gravada no limite, não importando se o nível for atingido por um
instrumento gravado sozinho ou pela soma de sons gravados juntos. Mesmo um
instrumento que vai ser mixado baixo, se gravado sozinho na pista, deve ser
armazenado no pico de volume.

• O timbre da guitarra é melhor captado ao microfonarmos um amplificador, de


preferência a válvula. Encare a guitarra como se fosse um instrumento acústico,
composto dela própria, mais a pedaleira e o amplificador. Use um microfone
dinâmico a alguns centímetros do meio do raio do cone de um dos alto-falantes.
Plugada direto na mesa, a guitarra soa menos natural. Já o baixo elétrico ganha
peso quando conectado à mesa em linha, dispensando o microfone.

• Você pode gravar som num estúdio analógico, digital ou híbrido. Se optar pelo
digital, além dos gravadores, você precisa de uma mesa digital. As conexões entre
ela e os gravadores ou a interface de áudio devem ser do mesmo protocolo. Som
estéreo profissional usa AES/EBU, mas os home studios digitais tendem mais ao
uso do S/PDIF. Este pode ainda ser ótico ou coaxial (RCA). Conectores multicanais
geralmente são do tipo ADAT ou TOSLINK (Alesis) ou então TDIF (Tascam). Por
exemplo, a mesa digital pode se conectar a uma interface de áudio por cabos
óticos do formato ADAT (8 canais em cada cabo), para gravação multipista, e
mandar o som estéreo mixado para um DAT por um cabo S/PDIF. Esses formatos
não são compatíveis entre si.

• Com bons conversores AD/DA nos gravadores ou interfaces e uma mesa de som
cristalino, seja analógica ou digital, o fato é que nem sempre dá para percebermos
a diferença entre o estúdio digital e o híbrido. Enquanto você não obtiver total
estabilidade e perfeita sincronização na transferência digital do áudio, você pode e
deve começar conectando seus equipamentos digitais através de cabos
analógicos.

• Ao ajustar processadores dinâmicos, como os compressores, ouça sempre a


música do início ao fim.

• Gravando vários instrumentos acústicos, se os vazamentos dos sons entre os


canais são inevitáveis, leve-os em conta ao posicionar os microfones e monitorar a
gravação. Não sonhe com correções na mixagem, porque elas não serão
possíveis.

• Use ambientes diferentes ao reverberar vozes, instrumentos harmônicos, caixa da


bateria etc. Aproveite os efeitos dos sintetizadores e também dos programas para
poupar seus processadores ‘físicos’. Guarde sempre o melhor modelo para a voz
ou o instrumento solista.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 86
MIDI

• Quantize aquelas pistas MIDI que, se fossem de áudio gravado, você exigiria
absoluta precisão rítmica de seus músicos. É o caso da bateria e do baixo na
música pop. O fator "humano" está presente através da variação de dinâmica
("velocity") de um toque ou nota pra outro. Não é o fato do seu "baterista virtual"
errar os tempos que vai torná-lo mais humano.

• Nos loops, como também para copiar e colar trechos MIDI, temos muito menos
trabalho quando esses trechos estão quantizados. A quantização também ajuda a
resolver o problema dos ‘atrasos’ gerados por controladores MIDI alternativos,
como a guitarra. Entretanto, solos, "camas" (pads), cordas e sopros tendem a soar
melhor sem quantização.

• Para ter timbres diversos sempre de alta qualidade, reserve tempo e orçamento e
adquira um sampler. Dá um pouquinho de trabalho para aprender a operar, mas
sua sonoridade é definitiva.

MISCELÂNEA

• Quantizar e mudar o tempo dos trechos de áudio é sempre temerário. Grave boas
performances vocais e instrumentais, regrave quantas vezes forem necessárias,
processe esses sons com efeitos e compressão, mas evite mexer nos tempos dos
sons gravados. Quantize só as pistas MIDI.

• De nada adianta ter sempre equipamentos e programas atualizados e não ter


tempo para gravar porque você está ocupado lendo manuais o tempo todo. O bom
sistema é aquele que você sabe usar, com produtos compatíveis entre si. Procure
investir em material de boa qualidade, para não ter a mesma despesa duas vezes.
Planeje sempre a totalidade dos itens antes de sair comprando.

• O ADAT ainda é o mais popular gravador multipista. Se pretende usá-lo, prepare-


se para fazer manutenção preventiva periódica, para evitar dissabores e prejuízos.

• Se você grava áudio no computador, faça backup das gravações multipista em CD-
ROM. É como se fosse a fita do ADAT, que permite que o material seja remixado
em outro estúdio, ou ainda que façamos acréscimos posteriores às gravações.
Assim como as fitas se deterioram, o áudio no HD pode ser corrompido ou
apagado erroneamente. Quem usa o popular Cakewalk Pro Audio deve gravar
primeiro o arquivo no HD no formato "bundle" (pacote) ou <.bun> e só depois
passá-lo para o CD-ROM.

• Desfragmente freqüentemente o HD onde você grava o áudio, de preferência


protegido por um no break. Apague antes os arquivos de áudio que não estão em
uso, depois de copiá-los para um CD-ROM.

• Use a Internet como sua principal fonte de informação e de atualização do sistema.


Use os drivers mais atuais para os periféricos do seu computador.
Sérgio Izecksohn
Teoria Básica para Home Studio 87
• Evite trabalhar com programas e sistemas operacionais muito novos e ainda não
totalmente compatibilizados.

• Cuide bem de cada som em cada etapa do processo, e terá maior conforto para
mixá-los. Ao criar um arranjo procure usar o seu ouvido interno para prever a
mixagem dos timbres. Arranjo bom, mixagem fácil.
GLOSSÁRIO

Termo Significado
A Inglês. Abreviação de AMPÉRE
A.C. Inglês. Uma abreviação do termo Corrente Alternada. Corrente alternada é um tipo de corrente elétrica
AC Power Inglês. Energia elétrica de corrente alternada.
AC Power Cable Inglês. Cabo de força ou extensão de força.
Inglês. Abreviação de ANALÓGICO para DIGITAL./Indica que um aparelho possui um conversor interno que faz a mudança de /sistemas
AD
analógicos para digitais. O Análogo que é mais inconstante e o sistema digital a base de números (bits) é mais preciso.
Marca Registrada pela Alesis. Lançado no inicio de 1993 tornou-se quase um padrão.É usado em pro e home-studios. Grava em fitas de
ADAT vídeo Super VHS (S-Vhs). É modular ou seja , pode-se ligar vários aparelhos juntos para conseguir um número maior de canais 8,16,24,32
etc.
Inglês. Sigla As letras A, D, S & R são as primeiras letras de:/n Attack, Decay, Sustain e Release. Estes são os vários elementos para
ADSR
mudanças e ajustes de parâmetros em efeitos digitais, instrumentos digitais e teclados.
Inglês. Abreviação da Siglas Audio Engineering Society e European Broadcasting Union. Protocolo de associação internacional de
AES/EBU
engenheiros de áudio para para a comunicação de canais digitais usando conectores XLR.
AFC Inglês. Automatic Frequency Control Controle automático de freqüências. Dispositivo encontrado em alguns processadores digitais.
Amp Inglês. Abreviação de Amplificador Em alguns manuais é abreviação de Ampére.
Ampére Francês. Unidade de medida de uma corrente elétrica.
Amplificador Aparelho eletrônico que aumenta o nível de sinais elétricos e multiplicando o volume de um sinal de áudio.
Amplitude A altura de uma onda de áudio ( senóide ou waveform ) acima ou abaixo da linha ZERO.
Atenuação Diminuir o volume de um sinal de áudio. Ex. Atenuar os graves = Diminuir os graves
Attack Inglês. Ataque Ponto ou instante onde o som começa e aumenta o volume.
Attenuation Inglês. Atenuação Diminuir
Áudio Freqüência Freqüências sonoras percebida, sentidas pelo ouvido humano. Compreendidas entre 20 Hz a 20.000 Hz (hertz)
Áudio Tudo que se refere a SOM captado, manipulado, transmitido ou amplificado por meio eletrônico .
Recurso comum em mesas de som digitais para estúdios. Permite ao engenheiro deixar pré-gravado os parâmetros da mesa vão aumentar
Automação
ou diminuir automaticamente.
Automation Inglês. Automação
Inglês. Entrada Auxiliar Entrada comum em mesas de som onde normalmente são ligados Tape deck, CD Player e sinais de áudio de
Aux In
telões. Dispositivo muito comum também em equipamentos domésticos.
Aux Out Inglês. Saída Auxiliar Em mesas de som serve para conectar efeitos digitais ou enviar sinal de monitor para o palco.
Aux Send Inglês. Mandada ou Saída Auxiliar
Baffles 2 Inglês. Placas Pequenas peças de madeiras usadas na parte interna de caixas acústicas. Conhecidas como labirinto.
Inglês. Painéis Sonoros Painéis (tipo biombo) usados em estúdios para corrigir a acústica de uma sala. Podem ser refletivos ou absorventes
Baffles
impedindo que som entre ou saia de certo espaço. Também usados em apresentação de orquestras ao vivo.
Balance Inglês. Balanço Equilíbrio entre dois canais ( L e R ) ou mais (como 5.1) deixando-os no mesmo volume.
Banana Gíria. Apelido do plugue telefônico de 1/4 de polegada. Conhecido também como plugue P-10 ou "de guitarra".
Inglês. Base Termo usado em gravação. 1) Base musical onde será introduzida a voz. 2) Final da música onde não tem mais a voz cantor
Band Track
(a) 3) pode significar também o play back antes de mixar ou musica sem a voz.
Bass 2 Inglês. Contra baixo Instrumento musical
Bass Amp Inglês. Amplificador de Contra Baixo
Bass Cables Inglês. Cabo do Baixo Cabo que liga o contra baixo ao amplificador ou Direct Box.
Bass Drum Pedal Inglês. Pedal do Bumbo da Bateria Também chamado de Kick Drums ou simplesmente pedal.
Bass Drum Inglês. Bumbo da Bateria
Bass Straps Inglês. Correia do Contra Baixo Correia que mantém o contra baixo suspenso junto ao corpo do músico.
Bass Strings Inglês. Corda ou encordoamentos para Contra baixo
Bass Inglês. Graves Define BAIXAS freqüências menores de 250 hz
Boost Inglês. Excitar ou Amplificar 1) Aumentar ganho de sinal. 2) Aumentar o ganho de freqüências especificas como um equalizador.
Box 2 Inglês. Caixa Em iluminação significa estruturas armadas de alumínio.
Box Inglês. Caixa Definição popular de Caixas Acústicas ou de Direct Box.
Brilho Gíria. Agudos Significa freqüências altas, agudas. (ex. Mais brilho = Mais agudo)
Capsule Inglês. Cápsula Define a cápsula de microfone.
Inglês. Estojo Embalagem especial para acondicionamento e proteção de equipamentos. São fabricados em madeira, alumínio ou fibra de
Case
carbono.
Channel Separation Inglês. Separação Entre Canais Especifica em decibéis a separação entre os canais do estéreo (direito e esquerdo)
Channel Inglês. Canal
Chromatic Tuner Inglês. Afinador Afinador de instrumentos que usa a escala musical chamada cromática.
Concertino
Inglês. Partitura Musical
Manuscript
Cone Componente de um alto falante que produz a movimentação do ar.
Console Inglês. Mesa de Som
Corrente Alternada Um tipo de corrente elétrica
Cozinhar o Galo Gíria. Fazer Hora Equivale a gíria "Rodar a Lâmpada"
Crossfader Inglês. Tipo de mixagem de dois ou mais canais onde o primeiro vai diminuindo e o segundo vai aumentando gradativamente.
Cymbals Inglês. Chimbau de Bateria
DDL Inglês. Abreviação de Digital Delay
Inglês. Pequena CAIXINHA que transforma o sinal de instrumento em sinal de microfone (Alta impedância para Baixa impedância). É
Direct Box
utilizada para ligar instrumentos direto na mesa de som.
Drum Inglês. Bateria Instrumento musical responsável pero ritmo e andamento das músicas
Drummer Inglês. Baterista Musico que toca bateria.
Electret Microphone Inglês. Microfone de eletreto Ou microfone de condensador
Electrical Engineer Inglês. Engenheiro Elétrico Responsável pelo dimensionamento elétrico em shows ou eventos no exterior.
EQ Inglês. Abreviação de Equalização Também pode significar equalizador ( aparelho)
Termo Significado
Fade In Inglês. Aumentar o volume
Fade Out Inglês. Abaixar o volume
Fade Inglês. Uma mudança gradual de um nível para outro. Ex. Aumentar ou abaixar o volume.
Fader Inglês. Botão de volume Botão ou chave deslizante usada para controlar o volume de um canal de mesa ou de outro aparelho qualquer.
Feed Inglês. Sinal Padrão Enviar um sinal auditivo padrão para teste.
Inglês. Em processadores de efeitos é o parâmetro que controla a quantidade de repetições que acontecerão depois do som original
Feedback 2
.Também conhecido como profundidade ou "regeneration" (realimentação)
Feedback Inglês. Realimentação Microfonia.
Fidelity Inglês. Fidelidade Qualidade de uma gravação ou reprodução sonora.
Filter Inglês. Filtro Um dispositivo que remove freqüências de uma região pré determinada. Cada banda de um equalizador é um filtro.
Filtrar Remover ou atenuar uma região de freqüências.
Final Mix Inglês. Mixagem final Quando todos os canais de uma gravação são reduzidos a uma mixagem de apenas dois canais.
Flat Inglês. Reto Em áudio significa deixar todos parâmetro dos botões de volumes ou cortes em ZERO.
Floor Tons Inglês. Surdo da Bateria
Inglês. Termo Europeu Significa mandar um sinal da mesa de som para os monitores de palco. Nos EUA e Japão o termo mais usado é Talk
Fold Back
Back.
Folding Amp Stand Inglês. suporte para amplificadores de guitarra.
Foot Drum Inglês. Bumbo Outro nome do Bumbo da bateria. O termo mais usado é Kick drum
Foot Pedal Inglês. Pedal de volume
Inglês. Pedal com chave Pode ser um pedal liga e desliga ou de pedal de contato usado em "sustain" de teclados e amplificadores de
Foot Switch
instrumentos.
Número de vibrações (ciclos) de uma onda sonora por um segundo. A freqüência de uma onda é medida em hertz (hz) Ex: 100 hz significa
Freqüência
100 vibrações (ciclos) por segundo.
Frequency Range Inglês. Faixa de Freqüências Região de freqüências em que um falante, microfone ou aparelho atua ou trabalha melhor.
Frequency Inglês. Freqüência
Inglês. Faixa Completa. Sistema ou caixa acústica que emite todas as freqüências ao mesmo tempo. Ex : Um sistema de caixas sem
Full Ranger
crossover
GND Inglês. Abreviação de GROUND. Fio terra ou aterramento.
Graphic EQ Inglês. Equalizador Gráfico.
Ground Inglês. Terra Fio terra ou aterramento.
GTR Inglês. Abreviação de guitarra
Guitar Cables Inglês. Cabo de guitarra
Guitar Picks Inglês Palhetas Pequenas peças triangulares de plástico. Usadas para tocar violões, guitarras, baixos etc.
Guitar Straps Inglês. Correia de guitarra
Guitar Strings Inglês. Cordas de guitarra.
Headphone Inglês. Fone de ouvido
House Mix Inglês. Área da Mesa Local onde fica instalada a mesa de som e periféricos.
In put Inglês. Entrada
In Inglês. Abreviação de In Put Entrada
Keyboard Inglês. Teclado
Keyboardist Inglês. Tecladista
Kick Drum Inglês. Bumbo de bateria
Kick Inglês. Chute Abreviação de Kick drum. Bumbo da bateria.
Knobs Inglês. Botão. São botões simples pode ser de plastico, metal,etc.
Left Channel Inglês. Canal esquerdo
Left Inglês. Esquerdo
Formula matemática que explica a relação de voltagem, corrente, e resistência em circuitos elétricos. Por exemplo V = I x R ; I = V // R ; R =
Lei de Omh
V // I /n
Low Batery Indicator Inglês. Indicador de bateria fraca Normalmente é um Led (lusinha) que acende para indicar que a bateria esta fraca.
Low Batery Inglês. Bateria ou pilha fraca
Low Frequency Inglês. Baixas Freqüências Graves
Low Inglês. Baixa Abreviação de Low frequency
Machine Head Inglês. Gíria américa Afinador de guitarra.
Main Power Inglês. Central de energia Transformador central de onde sairão todos os pontos de energia elétrica para os sistemas de som, luz, etc.
Make Off Inglês. Desligar
Gíria. Ponta do multi-cabo Apelido dado a ponta do multi-cabo ou sub-snake onde ficam os plugues XLR ou P-10. Referência mitologia a
Medusa
deusa grega "Medusa" que era uma mulher com cabelos de cobras.
MEG Inglês. Abreviação de 1,000,000
Mexedor de pitocos Gíria. Técnico operador de mesa de som em algumas regiões do nordeste.
Mic Snake Cables Inglês. Multi-cabo Multi-cabo para canais de microfones .
Mic Inglês. Abreviação de microfones
Microphone Stand Inglês. Pedestal de microfone
Inglês. Misturar ou somar Parâmetro encontrado em alguns Efeitos Digitais ( tipo delay ) que controla a quantidade de efeito a ser adicionado
Mix 2
ao som original.
Mix Inglês. Misturar
Mixer Inglês. Misturador Pode significar pequenas mesas de som
Monophonic 2 Inglês. Uma voz Teclados do final da década de 70 que reproduziam uma voz (nota) de cada vez. Ex: Mini Moog
Monophonic Inglês. Monofônico Ou simplesmente MONO. Sistema que reproduz apenas um canal.
MTC Inglês. Abreviação de MIDI Time Code Sinal de sincronismo MIDI baseado no sinal SMPTE.
Multitrack Record
Multitrack Record Inglês. Gravador Multicanal Também conhecido como Gravador multipistas.
Multitrack Inglês. Multicanal Também chamado de multipistas
Termo Significado
Inglês. Mudo Chave que corta o sinal (liga/desliga). Em algumas mesas de som o MUTE pode ser programado para ligar ou desligar um ou
Mute
vários canais simultaneamente em momentos pré determinados. Pode ser acionado diretamente ou programado via MIDI
Off Inglês. Desligado
Ohm Inglês. Unidade de medida da resistência elétrica.
Ohm's Law Inglês. Lei de Ohm Formula matemática que explica a relação de voltagem, corrente, e resistência em circuitos elétricos.
Omnidirectional
Inglês. Microfone Onidirecional
Microphone
On Inglês. Ligado Funcionando , aceso etc.
Operating Range Inglês. Área de Operação Este parâmetro determina a área de alcance de um transmissor ou receptor.
Operating
Inglês. Temperatura de Funcionamento Especifica temperatura adequada ao funcionamento do aparelho.Exemplo "de -10 até +50 graus.
Temperature
Oscilador Circuito eletrônico que gera uma onda de áudio com sinal constante. Bastante usada para calibrar equipamentos.
Oscillator Inglês. Oscilador Circuito eletrônico que gera uma onda de áudio constante.
Out Put Inglês. Saída
Out Inglês. Saída Abreviação de Out put.
Inglês. Gravar em cima parâmetro usado em processadores de efeitos que grava um novo efeito sobre um já gravado .Efeito conhecido
Overdub
como "som sobre som". Em alguns aparelhos como câmeras de vídeo significa regravar o áudio da fita
Inglês. Acima da capacidade Quando um sinal de áudio ultrapassa a capacidade eletrônica de um circuito eletrônico causando a saturação
Overload
e distorção.
P A Speakers Inglês. Caixas de P A
Inglês. Abreviação de PUBLIC ADDRESS Som direcionado ao público. Esse termo no Brasil define todos sistemas de som. Mas é usado
PA
apenas para as grandes platéias. Sistema para pequenos lugares chama-se " Sound Reinforcement "
P.Azeiro Gíria. técnico Técnico de som que opera e monta sistemas de P A
Pad Inglês. Pequeno circuito ou resistências que atenua o sinal de entrada em mesas de som ,mixers, processadores, DI etc
Peak Inglês. Pico Volume mais alto de um sinal de áudio.
Gíria. Apelido dado aos estúdios móveis (caminhões) que fazem gravações de shows ao vivo. Tem esse nome porque se parecem com os
Peixeiro
caminhões de venda de peixe encontrados nas feiras livres de São Paulo
Percussionist Inglês. Percussionista
Inglês. Abreviação de "Pre Fade Listen" Dispositivo usado em mesas de som onde o técnico operador pode ouvir o sinal que entra em um
PFL
canal selecionado antes de passar pela equalização. O seja o sinal original puro.
Phono Plug Inglês. Plugue RCA Conector padrão em sistemas hi-fi e vídeo desenvolvido pela RCA . Conhecido popularmente como plugue RCA.
Power 2 Inglês Abreviação de Power Amp. Amplificadores.
Power On Inglês. Energia Ligada.
Inglês. Energia Requisitada Determina as necessidades de energia para o bom funcionamento de um aparelho. Exemplo Ac 110v ou 220v,
Power Requirements
Dc 9v, 52v etc
Power Supply Inglês. Fontes de energia Transformadores de energia AC para DC. Em alguns casos significa eliminadores de pilhas ou baterias.
Power Inglês. Energia Ou eletricidade
Public Address Inglês. Direcionado ao público. No caso do áudio refere-se ao sistema de caixas de som direcionado ao público ou apenas P.A
RCA connectors Inglês. Conector RCA Tipo de conector padrão em áudio e home vídeo.Conhecido também como "phono plug"
Recording Engineer Inglês. Engenheiro de gravação engenheiro responsável pelas gravações em estúdios.
Régua de AC Gíria. Extensão de força Extensão de energia elétrica com varias tomadas.
Replacement
Inglês. Reparo de Tweeters Domo para reparos de Tweeters.
Tweeters
Rigth Channel Inglês. Canal direito
Rigth Inglês. Direito lado direito
Gíria. Fazer Hora Termo muito usado em estúdios de gravações. Os estúdios cobram por hora de gravação então alguns "mais espertos"
Rodar a Lâmpada
demoram a iniciar as gravações para aumentar o numero de horas a serem pagas.
RTA Inglês. Abreviação de REAL TIME ANALYZER Analisador em tempo real
Screws Inglês. Parafusos
Single Unit Inglês. Unidade Simples Apenas uma unidade
Snake Cable Inglês. Multi-cabo
Snare Inglês. Caixa da bateria.
Speakers Cables Inglês. Cabos de Caixas
Speakers Stands Inglês. Suporte ou estantes para caixas acústicas Conhecidas popularmente como tri-pé ou "pé de galinha"
SPL Inglês. Abreviação de Sound Pressure Level Nível de pressão sonora.
Inglês. Silenciar Pequeno circuito eletrônico que diminui os ruídos de interferências em receptores de microfone sem fio (UHF ou VHF).
Squelch
Existem modelos automáticos digitais e alguns com ajuste manual .
Stage Mix Inglês. Mesa monitora Mesa de som responsável pela mixagem do som dos monitores ou ear phones do palco
Stage Monitors Inglês. Sistema de monitores de palco.
Strap Botton Inglês Botão da Correia Pequeno pino cromado com parafuso existente em instrumentos como violões e guitarras onde é presa a correia.
Straps Inglês. Correias Neste caso correia de instrumentos baixo, guitarra, sax,etc
Strings 2 Inglês. Cordas Define uma orquestra de cordas ou um naipe de violinos.
Strings Inglês. Cordas Encordoamento feitos em aço ou nylon para guitarras,violões, pianos, baixos etc.
Inglês. Multi-cabo Pequeno multi-cabo secundário usado para fazer as ligações de baterias e outros instrumentos distribuídos pelo palco
Sub Snake
trazendo até o multi-cabo principal
Sub Woofer Inglês. Falante de Grave Sistema de caixas ou falantes que reproduzem freqüências muito baixas. Ou seja graves abaixo de 125hz.
Inglês. Tempo para a repetição. Parâmetro usado em processadores de efeitos que controla o espaço de tempo entre uma repetição e outra.
Time Delay
Pode ser medido em segundos, milésimos de segundos ou em metros. Conhecido também como speed
Trafo Gíria. Transformador Apelido do transformador de força ou Main Power.
Trigado Gíria. Usando triggers. Significa que bateria ou outro instrumento usa sensores para disparar um modulo de sampler .
Inglês. Disparadores Pequenos dispositivos eletrônicos de contato sensíveis a vibrações. Os mais comuns são usados em baterias. Neste
Trigger
caso servem para disparar samplers em módulos de baterias eletrônicas.
Termo Significado
Inglês. Instrumento musical. Instrumento de percussão constituído de tubos metálicos. Uma das variações da Marimba. É tocado com
Tubaphones
baquetas de bolinhas de borracha na ponta.
Tube Parametric EQ Inglês. Equalizador Paramétrico a Válvula
Tube Inglês. Abreviação de válvula eletrônica
U.M. Gíria. Abreviação de Unidade Móvel Veiculo com equipamento montado usados em gravações de externas para TV ou shows
Vacuun Tube Inglês. Válvula eletrônica
White Noise
Inglês. Gerador de Ruído Branco E um circuito eletrônico que produz o " ruído Branco" que é usado para calibrar sistemas de áudio
Generator
Inglês. Ruído Branco Sinal de áudio que contém todas as freqüências do espectro auditivo. É usado em conjunto com analisador de
White Noise
espectro para Análise de sistemas de som./Veja também " White noise generator"
Windows Inglês. Janela Representa a área de trabalho nos softwares e pode representar também o visor de cristal liquido no aparelhos. ( Display )
Wireless
Inglês. Microfone sem fio
Microphone
Wireless Inglês. SEM FIO Denomina que o aparelho é sem fio. Pode ser microfones, fones de ouvido, transmissores de guitarra etc.
Woofer Inglês. Sonofletor de graves Sonofletor próprio para reproduzir baixas freqüências (graves) . Normalmente reproduz na faixa de 80 a 600hz
Write Protect Inglês. Proteção contra escrita ou regravação. Em processadores digitais significa que os parâmetros não podem ser alterados.
Inglês. Conector de três pinos padrão AES/EBU usado em microfones e seus cabos. Também chamado de plugue Canon ( Canon é uma
XLR
das marcas.) Conector indicado para cabos e ligações balanceadas de 600 ohm.
Y-cable split Inglês. Cabo y