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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 1 2 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

- DIREITO DE FAMÍLIA - * A FAMÍLIA

1. Origem da Família - Noções Históricas


 UNIFRAN - Semana 1
- Direito de família
- Noções. Conceito. Generalidades. - Endogamia:
- Do casamento Casamento entre indivíduos do mesmo grupo.
- Disposições gerais No estado primitivo das civilizações, a família tinha um caráter ma-
- Casamento civil e religioso triarcal.
- Exogamia:
Casamento entre indivíduos de grupos distintos.
* Bibliografia Básica
Seria o início da caminhada que levaria às relações individuais,
Direito Civil Brasileiro - Direito de Família com caráter de exclusividade entre os casais, ou seja, à monogamia.
Gonçalves, Carlos Roberto / SARAIVA - Monogamia:
A família monogâmica, influenciada pela economia agrária, passa a
Direito Civil - Vol. VI - Direito de Família - 7ª Edição 2007 ser uma unidade de produção na qual todos trabalhavam sob a autoridade
Venosa, Silvio de Salvo / ATLAS de um chefe (poder paterno).
Tal situação persiste até a Revolução Industrial, que faz surgir um
Curso de Direito Civil Brasileiro 5 - Direito de Família - 22ª Ed. 2007
novo modelo de família.
Diniz, Maria Helena / SARAIVA
Há, então, o surgimento do caráter espiritual da família.

Direito Civil 6 - Direito de Familia - 28 Ed. Assim, a família passa a ser uma instituição na qual se desenvol-
Rodrigues, Silvio / SARAIVA vem os valores morais, afetivos, espirituais e de assistência recíproca entre
seus membros.
* Previsão Legal
2. A Família no Direito Romano
- Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil/02, arts. 1511 a
1783 e leis esparsas.
Em Roma, o poder do pater exercido sobre a mulher, os filhos e os
- Abrangência:
Título I - Direito Pessoal escravos era quase absoluto.
Título II - Direito Patrimonial No Direito Romano o afeto natural não era o elo de ligação entre os
Título III - União Estável membros da família, mas sim o culto familiar.
Título IV - Tutela e Curatela Os membros da família romana eram unidos por um vínculo que
decorria da religião doméstica e o culto aos antepassados.

Prof. Gabriel Marangoni Prof. Gabriel Marangoni


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A mulher, ao se casar, abandonava o culto do lar de seu pai e pas- Os conflitos sociais gerados pela nova posição social dos cônju-
sava a cultuar os deuses e antepassados do marido, novo pater. ges, as pressões econômicas e o enfraquecimento das religiões tradicio-
Por muito tempo, família foi definida como sendo um grupo de pes- nais fazem aumentar o número de divórcio.
soas de um mesmo lar, que invocava os mesmos antepassados. As uniões livres, sem casamento, passam a ser aceitas pela socie-
Acreditava-se que se os antepassados não mais fossem cultuados, dade e pelo Estado (legislação).
cairiam em desgraça. Casais homossexuais vão paulatinamente obtendo reconhecimento
Por esta razão, era necessário que um descendente homem conti- judicial e legislativo.
nuasse o culto familiar.
Todavia, o filho bastardo não poderia ser o continuador da religião 4. Novos princípios do Direito de Família
doméstica, pois as uniões livres não possuíam o status de casamento
(Cristianismo = sacramento).
a) Princípio da igualdade entre cônjuges:
Da mesma forma, o nascimento de mulher não preenchia a neces-
Desaparece o poder marital, e a autocracia do chefe de família .
sidade, pois não poderia ser continuadora do culto do seu pai.
Vigora a paridade no exercício de direitos e de deveres entre côn-
O casamento era obrigatório, e não tinha por fim o prazer ou a feli-
juges e companheiros.
cidade dos nubentes, mas sim a geração de primogênito, homem, apto a
continuar o culto familiar. A mulher deixa de ser subordinada e passa a ser colaboradora do
homem.

3. A Família Moderna
b) Princípio da igualdade entre os filhos:
Não se faz qualquer distinção entre filho matrimonial, não-
A família atual difere e muito das formas antigas, em especial
matrimonial ou adotivo.
quanto as suas finalidades, composição e papel de pais e mães.
Permite-se o reconhecimento de filhos extra-matrimoniais.
Atualmente, a escola e outras instituições de ensino e recreação
Proíbe-se que se revele no assento de nascimento a ilegitimidade
dão aos filhos o que originalmente era de responsabilidade dos pais, que
simples ou espuriedade.
hoje apenas supervisionam.
O mesmo ocorre com os ofícios e a religião, que não mais são
transmitidos de pais para filhos dentro dos lares. c) Princípio do pluralismo familiar:
No século XX, a mulher*** alcança os mesmos direitos do marido e Há um reconhecimento da família:
se lança no mercado de trabalho. - matrimonial,
Com isso, transforma completamente a convivência entre pais e fi- - da união estável,
lhos. Estes passam mais tempo na escola e em atividades fora do lar do - e da família monoparental*.
que com seus pais.

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*Família monoparental ou unilinear é formada por qualquer dos * CASAMENTO


pais e seus descendentes, independentemente de vínculo conjugal.
Nesta espécie de família os filhos vivem apenas com um dos geni- 1. Disposições gerais
tores, em razão:
- de viuvez,
É o casamento a base da família e a família é a pedra angular da
- separação judicial, sociedade, logo, o matrimônio é o pilar de todo esquema moral, social e
- divórcio, cultural do país.
- adoção unilateral, Ato pessoal (só pode ser contraído pelos próprios nubentes).
- “produção independente”, etc. Ato civil ( art. 226, §1° da CF/88).
Celebração é gratuita.
5. Conceito de Família Ato solene (deve observar formalidades legais).
Ato público (vedação à celebração a portas fechadas).
- Art. 226 da Constituição Federal. Ato dissolúvel (morte, anulação, separação, divórcio).
Conceito em sentido amplo: é o grupo de pessoas que descendem
de um ancestral comum e os afins. 2. Definição de casamento
Conceito em sentido estrito ou nuclear: é o grupo que se forma pe-
lo casamento, união estável, filiação, bem como a comunidade formada por
Casamento é a união legal entre um homem e uma mulher, com
um dos pais e descendentes (família monoparental).
objetivo de constituírem a família legítima.
Clóvis Beviláqua.: “Direito de família é o complexo de normas que
União legal é aquela celebrada com observância das formalidades
regulam:
exigidas na lei.
- a celebração do casamento
Casamento é o vínculo jurídico entre dois seres de sexo diferentes
- a sua validade que visam o auxílio mútuo, material e espiritual, e a perpetuação da espé-
- os efeitos que dele resultam cie
- as relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal Código Civil:
- a sua dissolução Art. 1.511 - casamento - comunhão plena de vida, com base na
- a união estável igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.

- as relações entre pais e filhos Art. 1.514 - Considera-se realizado o casamento no momento em
que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vonta-
- o vínculo do parentesco
de de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.
- e os institutos complementares da tutela e da curatela.”
Art. 1.513 - é defeso a qualquer pessoa, de dir. público ou priva-
do, interferir na comunhão de vida instituída pela família.

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3. Natureza jurídica do casamento 6. Casamento civil e religioso

- 03 correntes: No Brasil, até a proclamação da República, a Igreja Católica era a


titular quase absoluta dos direitos matrimoniais.

a) Clássica, individualista ou contratualista - casamento é uma re- Com o advento da República o casamento perdeu seu caráter con-
lação puramente contratual, resultante de um acordo de vontades, igual fessional (relativo à crença religiosa).
aos contratos em geral. Decreto n. 181, 24/01/1890, instituiu o casamento civil em nosso
b) Institucional ou supra-individualista - casamento é uma grande país.
instituição social, a ela aderindo os que se casam. A partir daí não mais era atribuído nenhum valor jurídico ao casa-
c) Eclética - considera o casamento um ato complexo: um contrato mento religioso.
especial, do direito de família, mediante o qual os nubentes aderem a uma Constituição de 1891 - a República só reconhece o casamento ci-
instituição pré-organizada, alcançando o estado matrimonial. É a teoria vil, cuja celebração deveria ser gratuita.
dominante. Já as Constituições de 1934, 1946 e 1967 (EC 1/69) - possibilita-
ram que se atribuísse efeito civil ao casamento religioso.
4. Pressupostos de existência Constituição de 1988 - estatui que o casamento é civil e gratuita a
celebração, e o religioso tem efeito civil, nos termos da lei (CF - art. 226,
o o
§§1 . e 2 . e Código Civil - art. 1.512)
Diversidade de sexos.
O Novo Cód. Civil - regulamentou o dispositivo constitucional em
Celebração nos termos da lei.
seus arts. 1.515 e 1.516.
Consentimento de ambos os nubentes.
Pelo Novo Código o casamento religioso com efeitos civis pode ser
de duas espécies:
5. Noivado ou esponsais
a) com prévia habilitação (art. 1.516, §1o.)
b) com habilitação posterior (art. 1.516, §2o.)
É a promessa e proposta recíproca de casamento futuro. Não gera
obrigatoriedade de cumprimento.
Em ambos se exige o processo de habilitação; somente a celebra-
ção é feita pela autoridade religiosa.
Rompimento injustificado de noivado pode gerar indenização por A validade civil do casamento religioso está condicionada à habili-
danos materiais (dever de ressarcimento das despesas realizadas com os
tação e ao registro.
aprestos), bem como danos morais (arrependimento injurioso, humilhante,
vexatório ofensivo à dignidade).

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UNIFRAN - Semana 2 Os noivos devem requerer a instauração do processo de habilita-


- Capacidade para o matrimônio ção para o matrimônio perante o Oficial do Registro Civil de seu domicílio
(art. 1.526).
- Processo de habilitação para o matrimônio
Se domiciliados em municípios diversos, processar-se-á o pedido
- Documentos necessários para instruir o processo de habilitação para o
perante o Cartório de Registro Civil de que deles.  mas o edital será pu-
casamento
blicado em ambos os municípios (art. 1.527, in fine)
Após a audiência do Ministério Público, que poderá requerer do-
7. Capacidade para o casamento cumentos, será homologada a habilitação pelo Juiz (art. 1.526)
Estando em ordem a documentação, o oficial extrairá o edital, de-
Interessa ao Estado que as famílias se constituam regularmente, vendo dar publicidade ao futuro matrimônio (art. 1.527)  assim, deverá o
por isso, cerca o casamento de um verdadeiro ritual, exigindo uma série de oficial afixar os proclamas em lugar aparente de seu cartório, durante 15
formalidades que destinam-se: dias, e fará publicá-los na imprensa local, se houver.
- a constatar a capacidade para o casamento, Havendo urgência, tal publicação pode ser dispensada, a critério
- a inexistência de impedimentos, do Juiz, a lei não define o que seria urgência (art. 1.527, § ún.)
- e dar publicidade ao matrimônio A publicidade serve para que terceiros interessados possam opor
impedimentos ou causas suspensivas para o casamento (art. 1.529)
Havendo oposição de impedimento por terceiro, o oficial comunica-
7.1. Processo de habilitação para o casamento
rá aos nubentes para que possam fazer prova contrária (art. 1.530 e § ún.)
Decorrido o prazo de 15 dias a contar da afixação do edital em car-
Conceito: É o procedimento que corre perante o oficial do Registro
tório, o Oficial entregará aos nubentes certidão de que estão habilitados a
Civil, na cidade de um dos nubentes e que tem início por meio do pedido
se casar em 90 dias (art. 1.531)
assinado por ambos, acompanhado de documentos exigidos por lei.
Se o casamento não se realizar em 90 dias, a habilitação perderá
Formalidades preliminares para o casamento:
sua eficácia, e será necessária nova habilitação (art. 1.532)  pois pode
ter surgido algum impedimento que inexistia antes da publicação dos pro-
São cinco etapas: clamas.
1) Pedido de habilitação.
2) Publicação dos proclamas ou editais. 7.2. Documentos necessários para o casamento
3) Vista ao MP *.
4) Homologação pelo juiz *. a) Certidão de nascimento ou documento equivalente (art. 1.525, I) -
5) Certificado de habilitação com prazo de validade de pode ser RG, título de eleitor, etc.
90 dias. Destina-se a comprovar que os nubentes atingiram a idade mínima
a
para o casamento (16 anos) (art. 1.517, 1 . p.)
* dispensados

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Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda não Destina-se a complementar a identificação dos contraentes e refor-
alcançou a idade núbil (art. 1.520)  mas só para evitar imposição ou ças a prova da inexistência de impedimentos.
cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez
Destina-se também a apurar se os noivos têm mais de 60 anos de d) declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos
idade, pois neste caso o casamento deverá ser realizado no regime da contraentes e de seus pais, se forem conhecidos (art. 1.525, IV)
separação de bens (art. 1.641, II)
Tal doc. recebe a denominação de memorial, e destina-se a uma
perfeita identificação dos nubentes.
b) autorização das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou
ato judicial que a supra (art. 1.525, II)
e) certidão de óbito do cônjuge falecido, da anulação do casamento
Se os nubentes não completaram 18 anos, devem apresentar auto- anterior, ou do registro da sentença de divórcio (art. 1.525, V)
rização por escrito dos pais ou tutores, ou suprimento pelo Juiz, ou ainda,
O viúvo deve provar seu estado através da certidão de óbito do
emancipação.
cônjuge falecido
a
Necessário o consentimento de ambos os pais (art. 1.517, 2 . p).
Se o assento do óbito não foi lavrado, porque o corpo desapareceu
Se não forem casados, basta o de quem houver reconhecido o menor.
(ex naufrágio, incêndio, desmoronamento, etc)  tal certidão pode ser
Em caso de divergência entre os pais, terão que recorrer ao juiz substituída por sentença, que se declare a morte presumida, sem decreta-
para solução do desacordo ref. ao poder familiar (art. 1.517, §ún. comc o
ção de ausência (art. 7 .)
1.631) - regra da isonomia conjugal.
É diferente da ausência, que não se declara a morte do ausente, e
A autorização dos pais pode ser revogada até a celebração do ca- o cônjuge não poderá se casar  salvo se preenchidos os requisitos para
samento (art. 1.518) o
a abertura da sucessão definitiva (arts. 6 , 37 e 1.571)
Se pais, tutores ou curadores não autorizarem o casamento, pode- Nos casos de nulidade ou anulação, deverá ser juntada certidão de
rá requerer suprimento judicial do consentimento, quando injusta a dene- trânsito em julgado da sentença
gação (art. 1.519)
No caso de divórcio, não basta certidão de trânsito, é preciso que
Se o pedido for deferido, será expedido alvará, a ser juntado no haja o registro da sentença no Cartório de Registro Civil, onde o casamen-
processo de habilitação, e o casamento celebrado no regime da separação to se realizou (art. 32 da L. 6515/77)
de bens (art. 1.641, III)
O procedimento para pedido de suprimento judicial, é o de jurisdi-
OBS:
ção voluntária (art. 1.103 CPC)  admite-se que o menor púbere outorgue
procuração a advogado sem assistência de seu representante, em razão - Pródigo não está impedido de casar, sua incapacidade diz respei-
to apenas a gerir seu patrimônio  Se houver pacto antenupcial, deverá o
dos interesses serem conflitantes.
pródigo ser assistido pelo curador.
- Surdo-mudo só poderá se casar validamente se receber educa-
c) declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que
ção adequada, que o habilite a enunciar sua vontade.
atestem conhecer os nubentes e afirmem não existir impedimentos
(art. 1.525, III)

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8.1. Impedimento resultante do parentesco


 UNIFRAN - Semana 3
- Impedimentos matrimoniais a) impedimento de consangüinidade (art. 1.521, I e IV)
- Impedimento resultante do parentesco Tal impedimento funda em razões morais e biológicas ou eugêni-
- Impedimento de consangüinidade cas.
Impede-se, assim, núpcias incestuosas e a concupiscência no âm-
bito familiar (apetite sexual dentro de casa).
8. Dos impedimentos matrimoniais
Além de preservar a prole, evitando pessoas com malformações fí-
sicas e psicológicas.
Visam evitar uniões que possam ameaçar, de algum modo, a eu-
O legislador proíbe o casamento entre (art. 1521):
genia (pureza da raça humana – filhos, prole), a ordem moral ou pública.
A sua inobservância leva a nulidade do casamento
 Inc. I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco
Não se confunde incapacidade para o matrimônio com impedimen-
natural ou civil.
to matrimonial. O impedido de casar não é incapaz de contrair casamento.
 Inc. IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais,
até o terceiro grau inclusive.
- P.ex.: - o irmão está impedido de casar com sua irmã,
mas tem capacidade para se casar com outra moça;
Assim, não podem casar os parentes na linha reta (p. ex. pai com
- P. ex.: - o menor de 10 anos não tem aptidão para se ca-
filha, avô com neta, etc.)
sar com pessoa alguma, sendo, portando, incapaz.
Na linha reta o impedimento vai até o infinito.
Parentesco civil é o resultante de adoção, tal impedimento inspira-
A incapacidade é geral e o impedimento, circunstancial. se em razões de moralidade familiar  uma vez que a adoção imita a famí-
No impedimento existe uma proibição que atinge uma pessoa com lia.
relação a outra - mas que não é incapaz para o casamento A proibição se estende aos colaterais, que são parentes que des-
Os impedimentos públicos ou absolutos, distribuem-se em 03 cate- cendem de um tronco comum, sem descenderem uns dos outros (art.
gorias (art. 1.521, I a VII): 1592).
a) impedimentos resultantes de parentesco (inc. I a V) o
P. ex. - irmãos são parentes colaterais em 2 . grau, tios e
o
a.1.) impedimentos consangüíneos (inc. I e IV) sobrinhos são parentes em 3 . grau, etc.
a.2.) impedimentos de afinidade (inc. II)
a.3.) impedimentos de adoção (inc. III e V) O parentesco colateral se conta por gerações, partindo de uma
b) impedimento resultante de casamento anterior (inc. VI) pessoa até o ascendente comum, e dele descendo, em uma linha transver-
sal, até o parente que se tem em vista; cada geração representa um grau.
c) impedimento decorrente de crime (inc. VII)

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b) impedimento de afinidade (art. 1.521, II)


Parentes Colaterais: Não podem casar os afins em linha reta.
1º grau - 0 (Zero) A afinidade é o que liga um cônjuge ou companheiro aos parentes
2º grau - 1 (Irmãos) do outro (art. 1.595). P. ex. - sogro, sogra, genro, nora, padrasto, madras-
ta, etc.
3º grau - 2 (Tios e sobrinhos)
A proibição refere-se apenas a linha reta, embora tenha sido dis-
4º grau - 3 (Tios-avós, primos e sobrinhos-netos) o
solvido o casamento (art. 1.595, §2 .)
Já a afinidade na linha colateral não constitui empecilho ao casa-
O impedimento alcança os irmãos unilaterais e bilaterais. mento, que desaparece com o desfazimento do vínculo conjugal (ex. cu-
Os irmãos bilaterais, também são denominados de irmãos germa- nhadas).
nos, são irmãos tanto por parte de pai, quanto por parte de mãe.
Já os unilaterais são os irmãos: ou só por parte de pai (consangüí- c) impedimento de adoção (art. 1.521, III e V)
neos), ou só por parte de mãe (uterinos). Não podem casar o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o
o
Os impedimentos entre colaterais de 3 grau (tio e sobrinha) é ape- adotado com quem o foi do adotante.
nas relativo  Dec. 3.200/41 permite tal casamento desde que se subme-
E ainda, o adotado com o filho do adotante.
tam ao exame pré-nupcial com resultado favorável.
A razão é de ordem moral, considerando o respeito e a confiança
Tal exame deverá ser realizado por 02 médicos que atestarão so-
que devem reinar no seio da família.
bre a sanidade dos nubentes e de futura prole.
A adoção atribui a situação de filho ao adotado, rompendo-se o
vínculo com os pais e demais parentes consangüíneos, salvo quanto aos
Probabilidade de terem filhos com defeitos hereditários: impedimentos para casamento (art. 1.626).
- Cônjuges não consanguíneos - 1 em cada 100; Tais incisos III e V são dispensáveis, pois não pode casar o ado-
- Cônjuges primos - 1 em cada 25; tante com quem foi cônjuge do adotado, pois se trata de parentesco por
afinidade na linha reta – impedimento este previsto pelo inc. II do art. 1521.
- Cônjuges irmãos - 1 em cada 4.
Da mesma forma, não podem casar o adotado com o filho do ado-
tante, pois são irmãos, impedimento este previsto pelo inc. IV do art. 1521.
UNIFRAN - Semana 4
- Impedimento de afinidade
8.2. Impedimento resultante de casamento anterior (inc. VI)
- Impedimento de adoção
- Impedimento resultante de casamento anterior
Não podem casar as pessoas casadas.
- Impedimento decorrente de crime
Fundamento: é o de combater a bigamia e prestigiar a monogamia.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 17 18 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

O impedimento só desaparece após a dissolução do anterior víncu- Anistia, graça ou perdão não têm o condão de fazer desaparecer
lo matrimonial pela: morte, anulação, nulidade ou divórcio. esse impedimento, pois existiu prévia condenação.
O fato de vir o primeiro casamento a ser dissolvido posteriormente,
não convalida o segundo, porque sua realização operou-se quando havia o  UNIFRAN - Semana 5
impedimento.
- Causas suspensivas para o casamento
Os separados judicialmente, antes de converterem a separação em
- Confusão de patrimônio
divórcio, não poderão convolar novas núpcias, pois a separação não rompe
vínculo conjugal (art. 1576). - Confusão de sangue - “turbatio sanguinis”

O casamento religioso anterior não constitui impedimento matrimo- - Abuso de confiança ou autoridade
nial.
No caso de ausência, o casamento somente se dissolve na hipóte- 9. Das causas suspensivas para o matrimônio (art. 1523)
o
se de presunção de óbito (art. 1.571, §1 .) .
Conceito: são circunstâncias que suspendem a celebração do ca-
8.3. Impedimento decorrente de crime (inc. VII) samento ou que acarretam a imposição do regime de separação legal de
bens.

Não podem casar o cônjuge sobrevivente com o condenado por São denominados também de impedimentos impedientes suspen-
homicídio ou tentativa de homicídio contra seu consorte. sivos ou proibitivos, e quando infringidas não provocam a nulidade ou anu-
labilidade do casamento, apenas acarreta uma sanção civil.
A razão é de ordem moral.
Neste caso o casamento é apenas considerado irregular, tornando-
Será que tal dispositivo abrange o homicídio doloso e o culposo?
se obrigatório o regime da separação de bens (art. 1.641, I).
Há divergência na doutrina:
O fundamento é o de preservar o interesse da prole do leito anteri-
or, ou de terceiros, evitando:
- Maria Helena Diniz entende que só abrange o doloso, já
a) confusão de sangue
que no culposo não há intenção alguma de matar o consor-
te para se casar com o outro; b) confusão de patrimônio
c) abuso de confiança
- Carlos Roberto Gonçalves - entende que como o Código
não fez nenhuma distinção, abrange também o culposo. Tais causas podem deixar de ser aplicadas pelo Juiz provando-se
a inexistência de prejuízo para essas pessoas (art. 1.523, §ún.).
Legitimidade para oposição das causas suspensivas:
Exige-se prévia condenação por homicídio ou por tentativa, do con-
trário não existe impedimento. Art. 1524 - somente os parentes em linha reta de um dos
nubentes, sejam consangüíneos, ou afins, e os colaterais
Se foi absolvido ou se o delito prescreveu, extinguindo-se a punibi-
de 2 ° grau.
lidade, não há qualquer impedimento.

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9.1. Confusão de patrimônio Visa afastar a coação moral que possa existir sobre o incapaz.
Inc. I - Casamento de viúvo ou viúva que tiver filho do cônjuge fa- Tal restrição não é absoluta, pode ser afastada provando-se a ine-
lecido, enquanto não fizer o inventário dos bens do casal e der partilha aos xistência de prejuízo para tutelado ou curatelado (art. 1.523, §ún.).
herdeiros.
Se o cônjuge falecido não deixou filho, inexistirá a restrição, assim
como se não deixou qualquer patrimônio. Por isso, tem se admitido o IN-
 UNIFRAN - Semana 6
VENTÁRIO NEGATIVO, instruído com certidão negativa de bens, cuja
única finalidade é comprovar a inexistência da causa suspensiva para o - Celebração do casamento
matrimônio. - Cerimônia do casamento
Inc. III – impõe restrição para o divorciado, enquanto não se der - Casamento por procuração
partilha aos bens do casal.
Tal restrição poderá ser afastada, provando-se a inexistência de
prejuízo para o ex-cônjuge (art. 1.523, §ún.).
10. Celebração do casamento

9.2. Confusão de sangue (“turbatio sanguinis”)


10.1. Disposições gerais
Não podem casar: a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez
São formalidades impostas pelo legislador, objetivando garantir:
por ser nulo ou ter sido anulado, até 10 meses depois do começo da viu-
- a livre manifestação de vontade dos nubentes;
vez, ou da dissolução da sociedade conjugal (art. 1.523, II).
- atentar para a relevância do ato que se está praticando;
O objetivo é evitar dúvida sobre a paternidade da prole.
- e dar maior publicidade ao matrimônio.
o Deve ser realizado pelo juiz de casamento desde que dentro do
P. ex. - incerta seria a paternidade do filho nascido no 7 .
prazo de 90 dias de validade da certidão de habilitação.
mês do segundo casamento, realizado 02 meses após a
morte do primeiro marido Pode ocorrer em qualquer dia e qualquer hora.
Local pode ser público ou particular, desde que com as portas a-
bertas.
Supre a causa suspensiva se a nubente provar nascimento de fi-
Se realizado na sede do cartório, deve haver pelo menos 2 teste-
lho, ou inexistência de gravidez (art. 1.523, §ún.)
munhas.
Se realizado em prédio particular e se algum dos contraentes não
9.3. Abuso de confiança ou autoridade (art. 1.523, IV)
souber ou não puder ler, deve haver pelo menos 4 testemunhas.
Não podem casar o tutor ou curador e os seus descendentes, ir-
A autoridade competente para a celebração, em SP, é o juiz de ca-
mãos, cunhados ou sobrinhos, com o tutelado ou curatelado, enquanto não
samento do lugar onde se processar a habilitação.
cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas con-
tas.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 21 22 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

Trata-se de função não remunerada. A lei de organização judiciária “De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar
de cada Estado é que vai designar quem será a autoridade competente. perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu,
No Estado de SP a nomeação é feita pelo Secretário de Justiça. em nome da lei, vos declaro casados” (art. 1.535, 2a.p.)

10.2. Casamento por procuração Dúvida não mais existe em saber se o casamento está realizado
Admite-se, desde que a procuração, por instrumento público, ou- após o duplo “SIM” ou após a declaração do Juiz.
torgue poderes especiais ao mandatário (art. 1.542, caput). O art. 1.514, in fine, dispõe com clareza que o casamento se reali-
o o
A procuração terá eficácia de 90 dias (art.1.542, §§ 3 . e 4 .). za quando o “Juiz os declara casados”.

Se ambos os nubentes não puderem comparecer, deverão nomear Assim não basta a manifestação de vontade dos contraentes,
procuradores diversos, pois pode haver interesses conflitantes. mesmo porque podem se arrepender (art. 1.538, III) ou sofrer oposição de
impedimento (art. 1.522).
Pode ocorrer revogação do mandato, por instrumento público, sen-
do obrigação do mandante informar tal fato ao mandatário, sob pena de
o
responder por perdas e danos (art. 1.542, § 1 ). 10.4. Das provas do casamento
Havendo revogação, e não sobrevindo coabitação entre os cônju- Casamento celebrado no Brasil, prova-se pela certidão do registro,
ges o casamento será anulável (art. 1.550, V). feita ao tempo de sua celebração (art. 1.543).
A prova pode ser produzida por outros meios, justificada a falta ou
10.3. Momento da celebração perda do registro civil (art. 1.543, §ún.)

O Juiz de Casamento deve perguntar aos nubentes, a um e depois


ao outro, se pretendem se casar por livre e espontânea vontade. P. ex. como em caso de incêndio do cartório, guerra, inun-
A resposta deve ser pessoal e verbal (art. 1.535). - (E os mudos?) dação, fraude, etc.
Como deve ser interpretado o silêncio?
Consentimento subordinado a condição ou termo? * 02 momentos:
Estrangeiro pode se valer de intérprete? 1o.) o interessado terá que provar o fato que oca-
A celebração será imediatamente suspensa se (art. 1538): sionou a perda ou a falta do registro (motivo pelo qual é
- se recusar a solene afirmação de sua vontade (inc.I) impossível provar o casamento com a respectiva certidão)

- declarar que a vontade não é livre e espontânea (inc. II), 2o.) se aceita tal justificativa, poderá o interessado
provar o casamento por outros meios (docs., testemunhas,
- ou manifestar arrependido (inc. III)
passa-porte, certidão de nascimento dos filhos, etc.)
Não será admitido retratação no mesmo dia (art. 1.538, §ún.)
Com o consentimento dos nubentes, o Juiz declarará efetuado o
Ação Declaratória é o meio hábil para declarar a existência do ca-
casamento:
samento se perdido ou extraviado o registro do matrimônio.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 23 24 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

A sentença será registrada no livro do Registro Civil e produzirá to- * 02 casos:


dos os efeitos civis, em relação aos cônjuges e aos filhos, desde a data do 1º) quandocontraído por enfermo mental sem o necessário
casamento (art. 1.546). Sentença possui efeito retroativo. discernimento para os atos da vida civil (art. 1.548, I)
2º) quando infringir algum impedimento (art. 1.548, II)
* Casamento celebrado fora do Brasil: prova-se de acordo com a
lei do país onde se celebrou.
1º.) - se dá nos casos de insanidade mental permanente e dura-
O documento estrangeiro deverá ser autenticado segundo as leis o
doura  que acarretam a incapacidade absoluta do agente (art. 3 , II)
consulares.
O Código Civil faz uma gradação para a debilidade mental, e con-
Exige-se a legalização pelo cônsul brasileiro do lugar.
sidera relativamente incapazes os que “por deficiência mental, tenham o
Se contraído perante agente consular, prova-se por certidão do as- o
discernimento reduzido” (art. 4 , II).
sento do registro do consulado.
Se a debilidade mental for total, acarreta a incapacidade absoluta e
Casamento celebrado fora do país deverá ser registrado em a nulidade do casamento  já se a debilidade causar apenas a redução do
180 dias, a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges ao Brasil, no discernimento, acarreta incapacidade relativa e a anulabilidade do casa-
Cartório do respectivo domicílio, ou no 1o. Oficio da Capital do Estado em mento (art. 1.550, IV).
que forem residir (art. 1.544).
2º.) - ocorre quando realizado com infração de impedimento impos-
to pela ordem pública  são os elencados no art. 1.521, I a VII
 UNIFRAN - Semana 7 A sentença que decretar a nulidade retroagirá à data da sua cele-
- Espécies de casamento bração (art. 1.563)  a nulidade produz efeitos ex tunc.
- Casamento nulo No entanto, o casamento nulo aproveita aos filhos, e aos cônjuges
- Casamento anulável se contraídos de boa-fé (art. 1.561)  neste caso será tido como putativo
e produzirá todos os efeitos de casamento válido até a data da sentença.
Possui legitimidade para pleitear a nulidade do casamento qual-
* ESPÉCIES DE CASAMENTO
quer interessado e o Ministério Público (art. 1.549).
Antes de mover a ação poderá requerer, comprovando sua neces-
1. Casamento Nulo (nulidade absoluta) sidade, a separação de corpos (art. 1.562).

Busca-se evitar união de pessoas que possam ameaçar a eugenia, 2. Casamento anulável (nulidade relativa)
a ordem moral e a ordem pública.
Será nulo o casamento, porque existe um interesse social no des-
Será anulável quando houver infração não da ordem pública, mas
fazimento deste matrimônio, já que sua realização se deu com infração de
ferir interesses individuais  interesse de pessoas que o legislador quer
preceito de ordem pública.
proteger.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 25 26 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

Como o casamento anulável não apresenta ameaça a ordem públi- O menor ao atingir a idade núbil poderá confirmar seu casamento,
ca, para o legislador é indiferente que o mesmo sobreviva ou não. com a autorização de seus representantes legais, ou com suprimento judi-
Por esta razão, a ação anulatória só pode ser ajuizada pelas pes- cial (art. 1553).
soas interessadas, não possuindo legitimidade o MP. Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou
Código Civil considera anulável o casamento nas hipóteses do art. gravidez (art. 1.551)  não importa se o defeito de idade é da mulher ou
1.550, I a IV. do homem.
A maternidade superveniente exclui, assim, a anulação por defeito
de idade, ainda que se manifeste depois de ajuizada a ação.
 UNIFRAN - Semana 8
- Anulação por defeito de idade
2.2. Anulação por falta de autorização do representante legal (art.
- Anulação por falta de autorização do representante legal
1550, II)
- Anulação decorrente de erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge
Será anulável o casamento do menor em idade núbil, quando não
- Vício de vontade determinado pela coação autorizado por seu representante legal  menores entre 16 e 18 anos.

2.1. Anulação por defeito de idade (art. 1550, I) - A ação poderá ser proposta: (art. 1.555)
Será anulável o casamento de quem não completou a idade míni- a) por iniciativa do próprio incapaz;
ma para casar  menores de 16 anos.
b) pelas pessoas que tinham o direito de consentir (pais ou
representantes legais);
- A ação poderá ser proposta: (art. 1.552) c) ou herdeiros necessários.
a) pelo próprio cônjuge menor, mesmo s/ assistência ou
representação (inc. I);
- Prazo para propor a ação será de 180 dias (art. 1555,
b) por seus representantes legais (inc. II);
§1º) contados:
c) por ascendentes (inc. III). a) para o incapaz  do dia em que cessou a incapacidade;
b) para os representantes legais  da celebração do ca-
- Prazo para propor a ação será de 180 dias, contados: samento;
a) da data da celebração; c) para herdeiros necessários  da morte do incapaz.
b) ou da data que o menor atingir a idade mínima (art.
o
1.560, §1 ). Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem
assistido os representantes legais do incapaz, ou tiverem, por qualquer
modo, manifestado sua aprovação (art. 1555, §2º).

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 27 28 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

2.3. Anulação por vício da vontade (art. 1550, III) Em todos estes casos o prazo decadencial para propositura da a-
ção será de 03 anos (art. 1.560, III), a contar da data da celebração do
matrimônio.
É anulável o casamento por vício da vontade, nos termos dos arts.
1.556 a 1.558.
a) erro sobre a identidade, e sobre honra e boa fama do outro cônjuge
(art. 1557, inc. I)
Art. 1556: o casamento pode ser anulado por vício da von-
tade, se houve por parte de um dos nubentes, ao consentir, A identidade pode ser física e civil.
erro essencial quanto à pessoa do outro. No erro sobre a identidade física ocorre o casamento com pessoa
diversa, por substituição ignorada pelo contraente.
- P. ex.: José casa-se c/ Maria pensando tratar-se de Amélia.
I. Erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge
Identidade civil  é o conjunto de atributos ou qualidades com que
Trata-se do engano, de tal modo relevante que, se fosse conhecida
a pessoa se apresenta no meio social.
a realidade, o consentimento não se externaria da maneira como ocorreu
(art. 139).  P. ex.: os candelabros de ouro ! Honra  é a dignidade da pessoa que vive honestamente, que
pauta seu proceder pelos ditames da moral;
As hipóteses de erro essencial quanto à pessoa do outro estão e-
lencadas no art. 1557.  Tal rol é taxativo, não podendo o Juiz aceitar Boa fama  é a estima social de que a pessoa goza, visto condu-
outro fato, como sendo erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge, a zir-se segundo os bons costumes.
não ser os do art. 1557. Assim, tal erro será admitido quando o cônjuge descobre no outro
alguma qualidade repulsiva ou inadmitida.

Art. 1557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do Fica a critério do Juiz decidir se as qualidades sobre as quais reca-
outro cônjuge: iu o erro são ou não essenciais.

I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fa- - P. ex.: supô-lo solteiro quando é viúvo, leigo quando é padre, etc;
ma, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior - P. ex. desposar prostituta, cafetão, ou casar-se c/ homossexual;
torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por  02 requisitos para se admitir invocação de erro essen-
sua natureza, torne insuportável a vida conjugal; cial:
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico ir- o
1 .) - que o defeito ignorado por um dos cônjuges preexista
remediável, ou de moléstia grave e transmissível, pelo con- ao casamento
tágio ou herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro o
2 .) - que a descoberta torne insuportável a vida em co-
cônjuge ou de sua descendência;
mum para o cônjuge enganado
IV - a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental
Obs: Art. 1.559. - a coabitação, havendo ciência do vício, valida o ato,
grave que, por sua natureza, torne insuportável a vida em
ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art. 1.557.
comum ao cônjuge enganado.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 29 30 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

b) a ignorância de crime anterior ao casamento (art. 1557, inc. II) d) doença mental grave (art. 1557, inc. IV)
Tal dispositivo não exige prévia condenação, assim, a existência e
autoria do crime podem ser provadas na própria ação anulatória. Não se exige que a doença seja incurável, importante que seja gra-
ve, como p. ex.:
Obs: Art. 1.559. - a coabitação, havendo ciência do vício, valida o ato,
ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art. 1.557.  esquizofrenia (fragmentação da personalidade e perda de conta-
to com a realidade.)
c) defeito físico irremediável ou moléstia grave (art. 1557, inc. III)  paranóia (delírios persecutório - perseguição)
Defeito físico irremediável  é o que impede a realização dos fins  oligofrenia (escassez de desenvolvimento mental)
matrimoniais.  epilepsia (distúrbios de consciência ou de outras funções psí-
Em geral, apresenta-se como deformação dos órgãos genitais que quicas, movimentos musculares involuntários e perturbações do
obsta a prática de ato sexual. sistema nervoso autônomo)
* Impotência pode ser:
- Coeundi  ou instrumental, impede a cópula carnal, o Obs: Deve preexistir ao matrimônio, e ainda tornar a vida conjugal
coito, o acasalamento, a relação sexual efetiva; insuportável.
- Generandi  do homem para gerar filhos (esterilidade Não mais se considera motivo para a anulação o defloramento da
masculina, fecundação); mulher ignorado pelo marido, denominado de adultério precoce  funda-
- Concipiendi  da mulher para conceber (esterilidade fe- se no princípio da isonomia jurídica entre homem e mulher.
minina, concepção).
Obs: somente a impotência coeundi ou instrumental e causa para II. Vício de vontade determinado pela coação (art. 1.558)
anulação do matrimônio.
Havendo casamento contraído c/ pessoa coacta a ação só pode
Moléstia grave é aquela transmissível por contágio ou herança. ser promovida pelo próprio coato  prazo para ação é de 04 anos a contar
- P. ex. AIDS, lepra, tuberculose, etc. da celebração (art. 1.559 e 1.560, IV)
Deve ser capaz de por em risco a saúde do outro cônjuge ou de Caracteriza a coação  quando o consentimento houver sido cap-
sua descendência (prole). tado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a
saúde e a honra, sua ou de familiares.
Mesmo se curável a doença, ainda assim seria possível a anulação
do matrimônio, devido a repulsa que o enganado teria pelo outro cônjuge. Tal coação é tida como coação moral ou relativa (vis compulsiva),
constitui vício do consentimento;
Obs: Deve preexistir ao matrimônio, e ainda tornar a vida conjugal
insuportável. Já a coação física ou absoluta (vis absoluta), torna o casamento
inexistente  por ausência de manifestação de vontade.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 31 32 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

 UNIFRAN - Semana 9 Se o presidente não é autoridade competente ratione materiae


- Incapacidade de manifestação do consentimento (não é juiz de casamento) - o casamento é inexistente.
- Casamento putativo O prazo para propositura da ação de anulação é de 02 anos, a
- Casamento nuncupativo contar da celebração do casamento (art. 1.560, II)
- Eficácia jurídica do casamento

3. Distinção entre casamento nulo e anulável


2.4. Incapacidade de manifestação do consentimento (art. 1550, IV)

CASAMENTO NULO ANULÁVEL


É anulável o casamento do incapaz de consentir ou manifestar, de a) Quanto a gravidade Vício extremamente Vício é de menor gravi-
modo inequívoco, o consentimento. do vício: grave, a ponto de amea- dade, não atentando
çar a estrutura da socie- contra a ordem pública;
Se a incapacidade for total e permanente, o casamento será nulo dade ou ferir princípios fere apenas interesses
 já se houver apenas redução da capacidade, como no caso dos fracos básicos desta  como a particulares;
realização do casamento
da mente e fronteiriços, será anulável. c/ infração de impedi-
O prazo para propositura da ação é de 180 dias, a contar da cele- mentos;
bração do casamento (art. 1.560, I). b) Legitimidade para Qualquer interessado e Só os interessados;
propor ação: Ministério Público;
c) Quanto aos prazos Não existe prazo para Ação anulatória, o prazo
2.5. Realizado pelo mandatário sem poderes (art. 1550, V) para ajuizamento das propositura da ação de- decadencial varia de 180
respectivas ações: claratória de nulidade, dias a 04 anos (art.
trata-se de ação impres- 1.560);
critível; os atos nulos não - Se não proposta a ação
É anulável o casamento realizado pelo mandatário, sem que ele ou podem ser ratificados. neste prazo, o ato jurídi-
o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo co que era defeituoso
coabitação entre os cônjuges. convalesce, equivale a
uma ratificação tácita ou
presumida;
2.6. Celebração por autoridade incompetente (art. 1550, VI) d) Quanto as ações e Quando o casamento é A anulabilidade reclama
seus efeitos: nulo a ação adequada é ação anulatória, produ-
a declaratória de nulida- zindo efeitos só após a
É anulável o casamento por incompetência da autoridade celebran- de, com efeitos ex tunc, sentença, ex nunc;
retroagindo a data da
te. celebração;
Predomina o entendimento de que só acarreta a anulabilidade a in- - Exceção: casamento
competência ratione loci e ratione personarum: putativo, que produz
todos os efeitos de ca-
 ratione loci – quando o celebrante preside a cerimônia nupcial samento válido para o
fora do território de sua circunscrição; cônjuge de boa-fé;

 ratione personarum – quando o casamento é celebrado perante


juiz que não seja o do local da residência dos noivos.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 33 34 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

Ambas são ações de estado e versam sobre direitos indisponíveis, Art. 1540. Quando algum dos contraentes estiver em imi-
conseqüência: nente risco de vida, não obtendo a presença da autoridade
a
- 1 . - obrigatória a intervenção do MP, como fiscal da lei (arts. 82 a à qual incumba presidir o ato, nem a de seu substituto, po-
84 CPC); derá o casamento ser celebrado na presença de seis tes-
a
- 2 . - não se operam os efeitos da revelia (art.320, II CPC) não se temunhas, que com os nubentes não tenham parentesco
presumindo verdadeiros os fatos não contestados. em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau.

4. Casamento em caso de moléstia grave Ocorre quando um dos nubentes estiver em iminente risco de vida.
Serão dispensadas a habilitação e a presença do celebrante.
Ocorre quando não se puder aguardar a data designada ou quando
um dos nubentes não puder se locomover. Deve ocorrer na presença de 6 testemunhas que não sejam paren-
O celebrante, neste caso, deverá ir até os nubentes e realizar o ca- tes em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau dos nubentes.
samento na presença de 2 testemunhas. Seu procedimento encontra-se no art. 1541:
 realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer pe-
Art. 1539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, rante a autoridade judicial mais próxima;
o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o im-  no prazo de 10 dias;
pedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas  para tomar por termo as seguintes declarações:
testemunhas que saibam ler e escrever. I - que foram convocadas por parte do enfermo;
§ 1º A falta ou impedimento da autoridade competente para II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo;
presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus
III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre
substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro
e espontaneamente, receber-se por marido e mulher.
ad hoc, nomeado pelo presidente do ato.
O juiz verificará a presença de impedimentos, será dada vista ao
§ 2º O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será regis-
MP e a sentença terá eficácia retroativa à data do ato.
trado no respectivo registro dentro em cinco dias, perante
duas testemunhas, ficando arquivado. Se o enfermo convalescer e puder ratificar o casamento na pre-
sença da autoridade competente e do oficial do registro, serão dispensadas
as formalidades estabelecidas pelo art. 1541.
5. Casamento nuncupativo

6. Casamento putativo
Também denominado de casamento de viva-voz, “in extremis” ou
“in articulo mortis”, encontra-se fundamento no art. 1540:
É o casamento que embora nulo ou anulável, foi contraído de boa-
fé por um ou ambos os cônjuges (art. 1.561).

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 35 36 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

Boa-fé  significa ignorância da existência de vícios ou impedi- Se um dos cônjuges falecer antes da anulação, o inocente figurará
mentos para a união conjugal. no rol dos herdeiros dependendo do caso, c/ direito ainda a meação (art.
Momento de apuração da boa-fé  é o da celebração do matrimô- 1.829).
nio, sendo irrelevante o conhecimento posterior a celebração. Em relação aos filhos, mesmo se ambos os cônjuges estavam de
Ônus da prova  a boa-fé em regra se presume, assim cabe o ô- má-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis aproveitarão aos fi-
o
nus da prova da má-fé a quem a alega. lhos (art. 1.561, §2 ).
A ignorância da existência de impedimentos decorre de erro:
 erro de fato - p. ex. irmãos que ignoram a existência do 7. Casamento consular
parentesco É aquele celebrado pela autoridade diplomática ou consular do pa-
 erro de direito - p. ex. tios e sobrinhos que ignoram a ís dos nubentes.
necessidade de exame pré-nupcial
Se o casamento for de brasileiros no exterior, deverão registrar o
Sentença  de invalidade do casamento, deve declarar a putativi-
casamento no Brasil no prazo de 180 dias, a contar do retorno de um ou de
dade, de ofício ou a requerimento das partes.
ambos ao Brasil.
Se a sentença for omissa, a declaração de putatividade pode ser
obtida em embargos de declaração ou em ação declaratória autônoma.
Coação  como o coacto não ignora a existência de coação, não
poderia ser reconhecida a putatividade do casamento  porém, recomen- * EFICÁCIA JURÍDICA DO CASAMENTO
da-se que seja equiparado, quanto aos seus efeitos, ao cônjuge de boa-fé.
Efeitos do casamento putativo  são iguais a de um casamento
1. Disposições gerais
válido para o cônjuge de boa-fé, produzidos até a data da sentença.
Eficácia da decisão  produz efeitos ex nunc, sem retroatividade,
não afetando direitos até então adquiridos. Principal efeito do casamento:  constituição da família legítima.
Efeitos com relação aos cônjuges: Cria, ainda:
 cessam os deveres matrimoniais impostos pelo  condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos en-
art. 1.566;
cargos da família (art. 1.565);
 não cessam os efeitos como o da maioridade, emanci-
* Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao
pação do cônjuge inocente;
seu o sobrenome do outro (§1º).
 produzem todos os efeitos do regime de bens, operando
o
a dissolução pelas mesmas regras da separação judicial. * Planejamento familiar é de livre decisão do casal (§2 )
 se apenas um dos cônjuges estava de boa-fé, adquirirá  passa a vigorar o regime de bens entre os cônjuges;
meação dos bens levados ao casamento pelo outro, se convencio-  impõe deveres mútuos aos cônjuges;
nada a comunhão (art. 1.564, I e II).
 quanto aos alimentos, entendimento dominante, é o de
que o cônjuge culpado não pode furtar-se ao pgto., se o inocente
dele necessitar (STF, por maioria, RTJ, 89.495)

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 37 38 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

b) vida em comum, no domicílio conjugal (coabitação)


2. Deveres de ambos os cônjuges Tal dever impõe aos cônjuges a obrigação de viver sob mesmo teto
e ter comunhão de vida; todavia, tal obrigação não é absoluta (p. ex. resi-
dência em locais separados).
Em face da isonomia estabelecida pela CF - art. 226, §5º., foi es-
tabelecido pelo Código Civil apenas os deveres de ambos os cônjuges. Neste dever inclui a obrigação de manter relações sexuais.
Obs:  a recusa reiterada em manter relações sexuais com o côn-
juge caracteriza injúria grave.
Art. 1566. São deveres de ambos os cônjuges:
Para caracterizar o abandono voluntário é necessário animus, ou
I - fidelidade recíproca;
seja, a intenção de não mais retornar ao lar conjugal, desde que por um
II - vida em comum, no domicílio conjugal; período de 01 ano contínuo (art. 1.573, IV).
III - mútua assistência;
IV - sustento, guarda e educação dos filhos; c) mútua assistência
V - respeito e consideração mútuos. É o dever de auxílio mútuo material, moral e espiritual, e sua infra-
ção dá ensejo a separação judicial.
A infração destes deveres constitui causa para separação judicial O dever de mútua assistência não se extingue com a separação
(modalidade separação-sanção), em face do adultério, o abandono volun- judicial, só com o divórcio (art. 1.576).
tário do lar, a injúria grave, etc. (art. 1.573)
d) sustento, guarda e educação dos filhos
a) fidelidade recíproca A infração ao dever de guarda dos filhos dá ensejo a perda do po-
der familiar.
Decorre do caráter monogâmico do casamento, sua infração confi- Subsiste o dever de sustentar os filhos e lhes dar educação mesmo
gura o adultério; após a dissolução do casamento;  e. só se extingue com a maioridade do
É suficiente a prova de uma única transgressão para dar direito à filho.
separação judicial pelo cônjuge inocente. Jurisprudência  estende tal obrigação até final da universidade !
Atos preparatórios, como:  namoros e os encontros em locais
comprometedores? e) respeito e consideração mútuos
Tal dever subsistirá enquanto existir o casamento, mesmo nos ca- Conceito amplo  estabelece comunhão plena de vida entre os
sos de separados de fato. cônjuges.
Só se extingue com:  a morte, nulidade ou anulação, separação Tem relação com o aspecto espiritual do casamento e com o com-
judicial ou divórcio. panheirismo que deve existir no matrimônio.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 39 40 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

3. Direção da sociedade conjugal A sociedade conjugal é o complexo de direitos e obrigações que


formam a vida em comum dos cônjuges.

A direção da sociedade conjugal passa a ser exercida, em colabo- Além da morte real, foi admitida a morte presumida, no caso do
ração, pelo marido e pela mulher  e em caso de divergência, recorrer-se- ausente (§ 1º )  mas somente após a abertura da sucessão definitiva,
o
á ao juiz (art. 1.567, e par. único). que extingue a sociedade e o vínculo conjugal (art. 6 , 22 e 37)

Os cônjuges passam a ser obrigados a concorrer, na proporção de Antes disso os efeitos da declaração de ausência serão apenas pa-
seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a trimoniais, permitindo a abertura da sucessão provisória.
educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial (art. 1.568). Qual a conseqüência jurídica caso o morto presumido apareça de-
O domicílio do casal será escolhido por ambos os cônjuges, mas pois de contraída novas núpcias pela esposa? R: - Neste caso, o segundo
um e outro podem ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encar- casamento deverá ser declarado nulo, mas putativo.
gos públicos, ao exercício de sua profissão, ou a interesses particulares O Código Civil admite, ainda, a declaração da morte presumida,
relevantes (art. 1569). sem decretação de ausência, nas seguintes hipóteses (art. 7o.):
Se qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto ou não sabido,  se for extremamente provável a morte de quem estava
encarcerado por mais 180 dias, interditado judicialmente ou privado, episo- em perigo de vida;
dicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou de acidente, o  se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisio-
outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a ad- neiro, não for encontrado até dois anos após o término da
ministração dos bens (art. 1570). guerra.
Nada impede a cumulação da ação anulatória com a de separação
 UNIFRAN - Semana 10 judicial, em ordem sucessiva (art. 289 CPC)
- Da dissolução da sociedade conjugal O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges
- Da separação judicial ou pelo divórcio.
- Da separação judicial por mútuo consentimento Obs:  Separação judicial mantém o vínculo matrimonial, embora
dissolva a sociedade conjugal.
* DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL

2. Da separação judicial
1. Noções gerais
As causas terminativas da sociedade conjugal são (art. 1.571): 2.1. Introdução
I - a morte de um dos cônjuges; A separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fideli-
II - a nulidade ou anulação do casamento; dade recíproca e ao regime de bens (Art. 1576).
III - a separação judicial; Permanecem, porém, os outros três deveres impostos pelo
IV - o divórcio. art. 1.566: mútua assistência; sustento, guarda e educação dos filhos; res-
peito e consideração mútuos.

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 41 42 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

A separação judicial possui caráter personalíssimo (privativa e in- b) Procedimento da separação consensual
transmissível), pois a iniciativa da ação caberá somente aos cônjuges. O processo da separação por mútuo consentimento é disciplinado
Exceção: em caso de incapacidade de qualquer dos cônjuges, de- pelo art. 34 da Lei 6515/77 e pelos arts. 1.120 a 1.124 do CPC.
verão ser representados (“substituição processual”) pelo curador, pelo as-
cendente ou pelo irmão (§ún. 1.576).
Art. 34. A separação judicial consensual se fará pelo pro-
Esta ordem é preferencial, pois só se não houver curador é que a cedimento previsto nos artigos 1.120 e 1.124 do Código de
representação passará aos ascendentes e depois aos irmãos. Processo Civil, e as demais pelo procedimento ordinário.
Intervenção obrigatória do MP: trata-se de ação de estado - art. 82 § 1º. A petição será também assinada pelos advo-
do CPC. Ato Nº 313/03 - PGJ-CGMP, de 24 de junho de 2003. gados das partes ou pelo advogado escolhido de comum
Competência: foro de residência da mulher. acordo.
Efeitos da revelia: presunção de veracidade apenas dos fatos rela- § 2º. O juiz pode recusar a homologação e não de-
cionados às causas da separação. Quanto à guarda e alimentos dos filhos, cretar a separação judicial, se comprovar que a convenção
não haverá presunção de veracidade. não preserva suficientemente os interesses dos filhos ou
Reconciliação: a qualquer tempo o casal pode requerer ao juízo o de um dos cônjuges.
restabelecimento da sociedade conjugal (o que não ocorre no divórcio). § 3º. Se os cônjuges não puderem ou não soube-
O Código Civil não contém normas procedimentais para a dissolu- rem assinar, é lícito que outrem o faça a rogo deles.
ção da sociedade conjugal  portanto, vigora a Lei do Divórcio e o CPC § 4º. As assinaturas, quando não lançadas na pre-
para tais questões (Lei n. 6.515/77) sença do juiz, serão, obrigatoriamente, reconhecidas por
tabelião.
2.2. Da separação judicial por mútuo consentimento
Art. 1120. A separação consensual será requerida em pe-
a) Disposições gerais tição assinada por ambos os cônjuges.
§ 1º Se os cônjuges não puderem ou não soube-
Tal separação é chamada de amigável ou consensual. rem escrever, é lícito que outrem assine a petição a rogo
deles.
Trata-se de procedimento de jurisdição voluntária, em que o Juiz
administra interesses privados. § 2º As assinaturas, quando não lançadas na pre-
sença do juiz, serão reconhecidas por tabelião.
Não existe litígio, porque ambos os cônjuges buscam a mesma
coisa: homologação do acordo por eles celebrado.
Na separação consensual não será necessário declinar a causa ou Art. 1121. A petição, instruída com a certidão de casamen-
os motivos da separação  o único requisito exigido é estarem os nuben- to (p/ comprovar casamento há mais de 01 ano) e o contra-
tes casados há mais de 01 ano (Art. 1574). to antenupcial (p/ comprovação do regime de bens) se
houver, conterá:

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 43 44 DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA

I - a descrição dos bens do casal e a respectiva A falta de fixação de pensão de um cônjuge ao outro não impedirá
partilha; a homologação da separação.
II - o acordo relativo à guarda dos filhos menores; Deve constar regras quanto ao uso ou não do sobrenome do outro
III - o valor da contribuição para criar e educar os fi-  no silêncio, deve-se entender que optou por conservá-lo.
lhos; Nada impede, que neste caso, venha posterior e unilateralmente
IV - a pensão alimentícia do marido à mulher, se requerer o seu cancelamento, voltando a usar o nome de solteiro (é a única
esta não possuir bens suficientes para se manter. cláusula que pode ser modificada unilateralmente).

Parágrafo único. Se os cônjuges não acordarem sobre a


partilha dos bens, far-se-á esta, depois de homologada a Art. 1122. Apresentada a petição ao juiz, este verificará se
separação consensual, na forma estabelecida neste Livro, ela preenche os requisitos exigidos nos dois artigos ante-
Título I, Capítulo IX  sujeitar-se-á ao procedimento pre- cedentes, em seguida, ouvirá os cônjuges sobre os moti-
visto p/ os inventários. vos da separação consensual, esclarecendo-lhes as con-
seqüências da manifestação de vontade.

A partilha pode ser realizada de modo desigual, pois os cônjuges, § 1º. Convencendo-se o juiz de que ambos, livre-
maiores e capazes, podem transigir  porém, sujeita ao recolhimento do mente e sem hesitações, desejam a separação consensu-
imposto decorrente da doação implicitamente feita ao outro cônjuge. al, mandará reduzir a termo as declarações e, depois de
ouvir o Ministério Público no prazo de 5 (cinco) dias, o ho-
Se os consortes acordarem que a guarda dos filhos menores fique
mologará; em caso contrário, marcar-lhes-á dia e hora,
com um terceiro (p.ex. avôs), este tbém deverá assinar a petição, anuindo.
com 15 (quinze) a 30 (trinta) dias de intervalo, para que
Recomenda-se a regulamentação das visitas p/ se evitar futuro lití- voltem, a fim de ratificar o pedido de separação consensu-
gio. al.
Deve-se fixar, obrigatoriamente, a pensão a ser paga aos filhos pe- § 2º. Se qualquer dos cônjuges não comparecer à
lo genitor que não ficou c/ a guarda. audiência designada ou não ratificar o pedido, o juiz man-
Se um dos cônjuges necessitar de auxílio, deverá ser fixado o valor dará autuar a petição e documentos e arquivar o processo.
da pensão:
 admite-se renúncia a tais alimentos (definitiva) ?
A audiência de ratificação não é obrigatória, ficando a sua designa-
 Súmula 379 STF - são irrenunciáveis os alimentos ção a critério do juiz.
 Jurisprudência - são renunciáveis os alimentos decor- Não é caso de reexame necessário da sentença homologatória.
rentes do vínculo conjugal, e irrenunciáveis os alimentos
O pedido de separação de caráter personalíssimo ficará prejudica-
decorrentes do parentesco.
do se um dos cônjuges falecer antes da homologação.
Novo Código - considera alimentos devidos aos parentes e aos Enqto. não lavrado o termo pelo escrivão e assinado pelas partes,
cônjuges da mesma natureza, e veda a possibilidade de renúncia em qual-
poderá haver arrependimento unilateral  assinado o termo, o pedido tor-
quer caso (art. 1707).
na-se irretratável pela manifestação unilateral de um só dos cônjuges

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DIREITO CIVIL IV - DIREITO DE FAMÍLIA 45

Art. 1123. É lícito às partes, a qualquer tempo, no curso da


separação judicial, lhe requererem a conversão em sepa-
ração consensual; caso em que será observado o disposto
no art. 1.121 e primeira parte do § 1º do artigo anteceden-
te.

Art. 1124. Homologada a separação consensual, averbar-


se-á a sentença no registro civil e, havendo bens imóveis,
na circunscrição onde se acham registrados.

Art. 1124-A. A separação consensual e o divórcio consen-


sual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e
observados os requisitos legais quanto aos prazos, pode-
rão ser realizados por escritura pública, da qual constarão
as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens
comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto
à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à ma-
nutenção do nome adotado quando se deu o casamento.
(Criado pela Lei nº 11.441, de 4.1.2007)
§ 1º A escritura não depende de homologação judi-
cial e constitui título hábil para o registro civil e o registro de
imóveis.
§ 2º O tabelião somente lavrará a escritura se os
contratantes estiverem assistidos por advogado comum ou
advogados de cada um deles ou por defensor público, cuja
qualificação e assinatura constarão do ato notarial.
§ 3º A escritura e demais atos notariais serão gra-
tuitos àqueles que se declararem pobres sob as penas da
lei.

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