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MINHA VIDA E MINHA OBRA

De acordo com Ford, o aperfeiçoamento dos métodos de produção, foi surgindo aos
poucos e não de uma só vez. Isso foi acontecendo à medida que sua equipe percebia, em algum
setor, que era possível aumentar a produção, ajustando-se as condições necessárias.
Um dos passos iniciais no aumento da eficiência, foi mudar o sistema de produção de
seus primeiros veículos Ford, que fazia com que o operário trouxesse as peças, manualmente, à
medida que ele precisasse delas. A mudança realizada foi trazer as peças aos operários, evitando
que os mesmos não perdessem tempo indo buscá-las. A filosofia era: “trazer o trabalho ao
operário ao invés de levar o operário ao trabalho”.
Outra ênfase dada por Ford está em como organizar a produção das peças dos
automóveis. Com o crescimento da produção, foi percebido que os setores responsáveis pelas
peças havia crescido muito. Chegou-se à conclusão de que nem todas as peças deveriam ser
produzidas na mesma fábrica. Foram, então, criadas novas fábricas, responsáveis apenas pela
produção de determinadas peças.
O livro trata também do ânimo dos funcionários, onde ensaios mal sucedidos não
deveriam inibir novas tentativas. Para Ford, deveria sempre existir um “espírito de tentar
sempre”, onde ele se recusava a aceitar qualquer coisa como impossível.
Consta que uma das maiores preocupações de Ford era com os seus custos. Seu objetivo
era sempre baixá-los maximizando a produção. Apesar disso, Ford acreditava que o pagamento
de bons salários contribuía para baixar os custos de produção, pois assim, os operários se
dedicariam mais ao trabalho, tornando a produção mais eficiente.
Mesmo com a redução de custos, Ford pregava também a redução das margens de lucro
por produto. De acordo com ele, seus rendimentos deveriam surgir do pequeno lucro da venda
de muitas unidades, e não de lucros excessivos sobre poucos itens. Por isso tentava sempre
colocar seu preço o mais baixo possível, fazendo com que o mercado de veículos se
popularizasse.
No capítulo “O homem e a máquina”, Ford critica a criação de hierarquias e o excesso
de organização dentro de uma empresa, dizendo que a criação de títulos desvia a atenção dos
trabalhadores, fazendo com que o trabalho passe a ser secundário. Ressalta ainda a importância
da responsabilidade individual de cada trabalhador pelo seu trabalho e a valorização do
trabalho, que é o mais importante dentro de suas fábricas. Não interessa a Ford o passado de
seus operários, mas sim seu engajamento e sua vontade de trabalhar; são essas características
que propiciarão possibilidade de ascensão. Sobre a ascensão Ford reconhece a diversidade
humana e nota que nem todo homem tem ambição de chegar ao cume, pois a ascensão implica
em aumento de responsabilidades. Com relação ao rendimento, fala sobre o julgamento de cada
seção da fábrica pelo seu índice de produção; com esse tipo fiscalização, os “gerentes” não se
dispersam em assuntos colaterais e se concentram no trabalho. Ainda discursa sobre a
importância da sugestão dos operários no aperfeiçoamento das técnicas e das máquinas e na
melhoria das condições de trabalho.
No capítulo “O horror à máquina”, Ford relata sua experiência com a observação da
posição dos operários em relação ao tipo de trabalho executado: repetido ou “intelectual”. Nota
que muitas pessoas têm pavor de trabalhos que exijam pensar. Com relação aos problemas
decorrentes de trabalhos repetidos, suas experiências da época não detectaram nenhum tipo de
deformação física ou mental. Ford também discursa sobre o aproveitamento dos fisicamente
incapazes em determinadas operações que não requerem total disponibilidade de habilidades
físicas e que, portanto, poderiam ser realizadas por essas pessoas sem qualquer problema. Ford
fala sobre o tempo para o aprendizado de técnicas que são necessárias à produção e sobre a
rígida disciplina que rege a fábrica, para evitar que haja uma grande confusão. A conclusão do
capítulo é feita ressaltando a importância de boas condições trabalho e de mecanismos de
prevenção de acidentes.
No capítulo “O dinheiro, senhor ou escravo?”, Ford critica duramente o sistema
financeiro vigente, em que os banqueiros desfrutam de inúmeras vantagens e controlam a
indústria por meio de empréstimos. Relata a sua experiência com os problemas da economia na
época: o momento de fechamento das portas das fábricas, sua participação na fabricação de
componentes para os militares, seu retorno ao mercado e sua vitoriosa recuperação com uma
limpeza doméstica (redução de custos) sem qualquer pedido de empréstimo aos banqueiros.
Uma das formas de sua recuperação, além da limpeza doméstica, foi a redução do ciclo da
manufatura, que possibilitou uma incrível redução de custos com a redução no pagamento de
juros. Ford fala também sobre a desvalorização da moeda, a transformação do dinheiro como
representação de riqueza de um país e sobre uma perspectiva de reformulação do sistema
monetário, em que há uma mudança no papel dos bancos.
O homem e a máquina

Quando há necessidade de se reunir um grande número de operários para um trabalho


em comum o que se deve combater é o excesso de formalismo e organização. As pessoas estão
numa empresa para trabalhar e não para trocar mensagens. Nas empresas Ford não havia ordem
de sucessão e nem hierarquia determinada - não havia atribuição de títulos aos indivíduos ou
limitação de função devido ao cargo. Todos tinham a possibilidade de ascensão a uma
determinada função de acordo com o esforço individual.

A responsabilidade individual

O que Ford desejava era a responsabilidade individual de cada trabalhador pelo seu
trabalho, seu raio de ação. Apesar de parecer um procedimento ao acaso, quando um grupo de
homens quer firmemente que um trabalho seja feito, não encontra dificuldades na gerência de
sua execução. A existência de hierarquias e títulos desvia a atenção dos trabalhadores, fazendo
com que o trabalho passe a ser secundário e com que muito tempo seja desperdiçado com a
burocracia. Um título é tão nocivo ao possuidor quanto aos demais ao seu redor. É uma das
causas mais vivas dos descontentamentos dos operários. O trabalho é o que mais vale dentre das
empresas de Ford.

O engajamento dos homens

Não interessa a Ford o passado do indivíduo que está em sua empresa, apenas sua
vontade em trabalhar e demonstrar seu valor, pois cada homem é forjador de seu próprio futuro.
Assim, o que deve ser buscado é a apreciação de seu trabalho pelo justo valor. De acordo com
Ford, o sistema industrial da época deturpou essa busca e a transformou numa obsessão, que fez
indivíduos trabalharem com a preocupação de serem notados por seus chefes (novamente
tornando o trabalho secundário).

O acesso

Na empresa Ford a carreira de um homem, despido de tais preocupações, torna-se fácil.


Sua capacidade o fará merecer uma promoção. Cada homem acaba por se colocar no seu devido
lugar. Se há alguma tradição, será: “Tudo pode ser feito melhor do que já está sendo feito”.

Índice de produção

Com essa ânsia de trabalhar melhor e mais depressa os problemas da indústria são
resolvidos mais rapidamente. Uma seção é julgada pelo seu índice de produção. Quando o
rendimento chega ao máximo, os mestres e contra-mestres têm o seu dever perfeitamente
desempenhado. Esse tipo fiscalização do índice obriga o chefe a esquecer tudo aquilo que não
for trabalho e não se dispersar em assuntos colaterais.

Seleção automática

Nem todos os homens demonstram ambição de ascensão. A ascensão implica em


aumento de responsabilidade e, de acordo com Ford, uma grande parte dos trabalhadores da
empresa não se dispõe a isso. Pelo contrário, muitos trabalham sem o interesse de se chegar ao
cume, apenas com o interesse de aumento de salário.

Sugestões de operários

Nas fábricas Ford é conservada a liberdade de crítica a respeito da produção. As


sugestões dos operários são muito importantes, pois podem significar redução de custos,
aumento de produção ou até simplificação do trabalho. Essas sugestões vão desde a observação
do processo de produção até detalhes técnicos das máquinas.

O horror à máquina

Para certa classe de homens, o trabalho repetido, ou a reprodução contínua de uma


operação que não varia nunca, constitui uma perspectiva horrível. No entanto, para outra classe,
não. Para estes, a obrigação de pensar que é apavorante; o que se quer é um tipo de atividade em
que o cérebro não trabalhe.

O espírito criador

Ford ressalta a importância de “artistas” no mundo industrial, de pessoas que


transformem a massa política, social e industrial num todo robusto e harmônico. Haveria
estabilidade com benefício moral e financeiro, se os homens aplicassem toda a sua atenção,
interesse e energia ao tracejar planos que tendessem a beneficiar o homem como ele é.

A monotonia do trabalho

Na época não havia ainda estudos sobre lesões por esforços repetitivos. Dizia-se que o
trabalho repetido inutilizava o corpo e a alma. Mas, de acordo com Ford, não haviam
identificado nenhum caso de mal ocasionado por tais trabalhos em sua fábrica. Quando um
funcionário reclamava, era submetido a exames médicos. Se nada fosse detectado, ofereciam a
ele mudança de serviço. As suas experiências não revelaram nada sobre deformação ou
transtorno mental em função da monotonia do trabalho.

O aproveitamento dos inválidos

Os fisicamente incapazes não eram rejeitados para os empregos na fábrica e nem


mesmo colocados para fazer determinados trabalhos mais simples que incorressem em menores
salários. Foi feita uma análise de todas as operações executadas na fábrica para poder
determinar um lugar apropriado para essas pessoas. Nesses casos os fisicamente incapazes eram
elevados ao mesmo grau de produção dos operários normais. Também são relatados casos em
que esses operários eram capazes de superar o nível de produção dos outros operários.

A aprendizagem técnica e a disciplina

O tempo necessário à aprendizagem de certas técnicas varia de acordo com o nível de


especialização da atividade e com a capacidade do operário. Esse tempo pode ser de dias,
semanas, meses ou até mesmo anos.
Há disciplina rígida que rege a fábrica, em que se exige dos operários a execução do que
foi ordenado. Não ter essa disciplina, implica em ser dispensado. Geralmente, os operários são
dispensados por causa de seu temperamento ou ausência constante do trabalho.

As boas condições técnicas

Uma condição essencial para conseguir melhor rendimento e maior humanidade na


produção é dispor de acomodações amplas limpas e devidamente ventiladas. O espaço da
fábrica é racionalizado; cada metro quadrado é aproveitado ao máximo. Cada operário tinha a
sua disposição o espaço necessário exato correspondente as suas operações realizadas. A
preocupação com a segurança dos operários também era grande. Toda vez que um acidente
ocorria, todas as possíveis causas eram averiguadas e as devidas precauções tomadas. Havia
também preocupação coma prevenção de acidentes com o uso de equipamentos adequados. As
principais causas de acidentes eram: defeitos de construção, defeitos de máquina, insuficiência
de espaço, falta de dispositivos protetores, falta de limpeza, luz defeituosa, ar deficiente, roupa
imprópria, negligência, ignorância, fadiga mental e falta de cooperação.

O dinheiro, senhor ou escravo?

Em 1920 muitas fábricas estavam fechando e muitos rumores corriam a respeito da Ford
Motor Company. A empresa precisava de uma grande quantia em dinheiro e o grande dilema
era saber se devia ou não pedir empréstimo aos bancos.

A situação das praças

O custo da produção estava muito alto, mas ainda assim fizeram uma redução no preço
do automóvel para forçar o mercado a retornar ao preço antigo. Durante algum tempo as vendas
subiram, mas logo voltaram a cair, devido à baixa capacidade aquisitiva do país. Fixaram a
produção em 100.000 carros ao mês, para poder converter o máximo de matéria-prima em
produtos elaborados antes de fechar as portas.

Uma limpeza doméstica

A idéia era de fechar as portas para proceder a um inventário e limpar a casa, para
depois reabrir com a nova redução de preços. No período da guerra tiveram que executar todo o
tipo de encomenda militar e afastaram-se da produção de automóveis.

Reabertura da fábrica

A fábrica foi reaberta e já estavam prontos para a nova produção com margem de lucro,
pois a limpeza doméstica fez desaparecer o desperdício que elevava os preços e absorvia os
lucros. Tudo o que era inútil foi vendido, reduziram o número de empregados nas linhas de
montagem e nos escritórios. Todas as estatísticas sem relação direta com a produção de carros
foram dispensadas e reduziram o tamanho da rede telefônica. Conseguiram alcançar uma
redução incrível no custo de produção de cada automóvel.

O ciclo da manufatura

Descobriram o meio de necessitar menos dinheiro para o negócio, apressando o ciclo da


manufatura, principalmente com a construção de uma estrada de ferro. Antes, para manter a
produção ininterrupta era necessário manter um estoque no valor de milhões de dólares, o que
implicava em juros exorbitantes anuais. Com a redução do ciclo da manufatura, esse estoque
pôde ser significativamente reduzido. Com mais essa economia, em 4 meses a empresa já
possuía mais dinheiro do que necessitava para saldar sua dívida, o que serviu para mostrar que
não foi necessário pedir empréstimo a banqueiros.
O perigo do banqueiro

São pessoas que só pensam em dinheiro e que não compreendem o funcionamento de


uma fábrica. Acham que uma redução de preço é um abandono de lucro ao invés da
consolidação do negócio. No entanto, não como negar a importância dos banqueiros na vida das
indústrias. O que Ford critica é o sistema financeiro vigente, devido ao aumento do poder dos
senhores de crédito, que demonstra maior importância ao dinheiro do que ao trabalho.

Defeitos do sistema financeiro

Não pode ser bom um sistema financeiro que favorece um grupo de produtores contra o
outro. Ford deseja que se ajude o público a refletir sobre o sistema financeiro, para que surjam
idéias. Quase todas as propostas de um sistema partem da suposição da honestidade humana, no
entanto, um bom sistema deve manter em cheque a natureza humana, ao invés de depender dela.
A transformação do sistema monetário se fará sob pressão das circunstâncias e forças que
fogem ao controle dos industriais, mas não sob experiências econômicas ou discursos.

A idéia da moeda

Aqui Ford discursa sobre a desvalorização da moeda. Defende a posição de que um


dólar deve sempre valer um dólar, e não sofrer “depreciação”.

Vícios a corrigir

Novamente um ataque ao espírito dos banqueiros da época, que entravavam o progresso


em função de seus interesses. Não havia como evitar conflito de interesses, uma vez que os
banqueiros desfrutavam de maiores vantagens do sistema vigente e se recusavam a aceitar
modificações.

Receios vãos e remédios

Haverá um dia em que os negócios controlarão o dinheiro e não o dinheiro controlará os


negócios. Os bancos deixarão de ser um risco e passarão a ser um serviço; passarão de donos a
auxiliares da indústria. Ford identifica dois métodos de reforma: um operando de cima e outro
operando de baixo.

Riqueza e dinheiro

A riqueza do mundo não pode ser representada pelo dinheiro. A conversão do dinheiro
num artigo comercial proporciona aos especuladores um meio de sobrecarregar a produção com
uma taxa nociva. A verdadeira riqueza se vê obrigada a se converter escrava do dinheiro, o que
resulta num paradoxo de um mundo a regurgitar de riqueza e que ainda sofre com a miséria. A
miséria no mundo não é causada pela falta de bens, mas pela retração do dinheiro.

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