Você está na página 1de 2

RESENHA CRÍTICA

Alana Ribeiro
Aparecida Paulina
Bianca

Gargarella, Roberto. Em nome da constituição. O legado federalista dois séculos depois. In.: La filosofía
política moderna. De Hobbes a Marx. BORON, Atilio A. CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias
Sociales, 2000; DCP-FFLCH, Departamento de Ciências Políticas, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências
Humanas, USP, 2006. Disponível em: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/secret/filopolmpt/08_
gargarella.pdf.

Roberto Gargarella, nascido em Buenos Aires (Argentina), é sociólogo, escritor, advogado


e professor acadêmico, ministrando aulas de Direito Constitucional na Universidade de Buenos
Aires e na Universidade Torcuato Di Tella. Em seu artigo intitulado ‘Em nome da constituição. O
legado federalista dois séculos depois.”, publicado originalmente no ano 2000, aborda a história em
torno do surgimento da primeira e única Constituição dos Estados Unidos, criada em 1787, bem
como discorre acerca dos seus propósitos e métodos para eficiência, e, por fim, elenca o legado
federalista existente mesmo após dois séculos de sua criação.
Inicialmente, o autor salienta que a criação da Constituição norte-americana afastou as
ameaças de anarquia e tirania que assombravam a época, em razão de inexistir qualquer autoridade
no âmbito nacional, tampouco garantias legais aos seus cidadãos. Ainda, sua relevância abrange o
contexto internacional, influenciando principalmente diversas das Constituições consagradas nos
países latino-americanos.
Ao término da guerra de independência, revelaram-se diversos conflitos entre os poucos
credores e muitos devedores, inclusive com a negação pelo mercado britânico dos créditos mais
recentes e exigência de seus valores a título de dívidas preexistentes. Com isso, os mercadores dos
Estados Unidos passam a exigir mais rigorosamente o cumprimento das obrigações pelos pequenos
devedores nacionais, os mesmos que, anteriormente, haviam contribuído tanto para atingir a
independência - com seu patrimônio e até mesmo com a própria vida. Os próprios tribunais
agravaram ainda mais a situação de crise econômica ao impor a pena de prisão àqueles que não
efetuassem o pagamento de seus débitos.
Milhares de denúncias foram realizadas durante os anos em que se manteve tal situação,
agravada com rebeliões contra institucionais. Contudo, apesar do caos econômico e político da
época, tal cenário instigou o rápido progresso do constitucionalismo norte-americano, bem como a
elaboração de métodos, inclusive legais, que apaziguassem os conflitos de endividamento, como a
emissão de papel moeda e a garantia dos direitos dos devedores.
Assim, para que as futuras decisões do Poder Legislativo não fossem meramente
influenciadas pelos clamores populares, houve a paulatina modificação do sistema de governo,
conforme os federalistas defendiam, visando uma razoável independência dos representantes, o que
corroborou para a elaboração da primeira e singular Constituição dos Estados Unidos, em 1787.
No que tange aos propósitos do referido texto constitucional, com especial contribuição de
James Madison em sua idealização e estruturação, destaca-se aqui o sistema de “freios e
contrapesos”, a fim de evitar os riscos advindos das tiranias das maiorias, bem como, sendo a
origem das facções inerente à natureza humana, em que até mesmo as minorias poderiam oprimir as
maiorias caso estas detivessem todo poder, era necessário tal balanceamento na concessão do poder.
Portanto, tal propósito contribuiu tanto para a estabilidade social, quanto para assegurar a
imparcialidade das normas.
Visando a concretização de tal propósito, um dos meios escolhidos para a garantia do
controle mútuo dos poderes foi a outorgacão ao Poder Executivo de suas próprias ferramentas de
defesa, como o veto presidencial, o controle judicial de constitucionalidade etc.
Ainda, o poder Legislativo também fora separado em duas partes: as Câmeras Legislativas
- com interesses distintos e elaborados para efetuarem o controle uma da outra.
Passados mais de dois séculos do seu surgimento, a respectiva Constituição dos Estados
Unidos ainda influencia o direito constitucional contemporaneamente, extinguindo ainda hoje as
ameaças as quais se visava evitar àquela época, assim como corroborando para a manutenção da
estabilidade política norte-americana por longo período.
Apesar de refutar diversas críticas antifederalistas direcionadas à nova estrutura de
governo, visto que essa fora de extrema importância, essencialmente ao que se refere ao exercício
do federalismo e à inclusão ao texto maior de uma declaração de direitos da pessoa, também
reconhece, a partir das mesmas, algumas das consequências negativas ao longo do tempo, como o
afastamento entre eleitores e eleitos, o declínio da virtude cívica e política dos cidadãos, entre
outras.
Em conclusão, o autor expõe, de modo claro e sucinto, a história da elaboração da
Constituição dos Estados Unidos de 1787, sem excluir os detalhes mais marcantes de tal contexto e
suas posteriores influências internacionais, demonstrando ainda a relevância da análise das críticas e
ameaças aos sistemas para o constante aperfeiçoamento. Desse modo, faz-se imprescindível sua
leitura, estudo e constante pesquisa acerca do tema pelos acadêmicos de direito e juristas para seu
constante desenvolvimento e aprimoramento por meio de debates, desenvolvimento doutrinário e
interpretação normativa.

Você também pode gostar