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Acadêmico: Cristiano R.

Galli

Resumo: O trabalho do antropólogo:Olhar, Ouvir. Screver


Autor : Roberto Cardoso de Oliveira

Introdução
 
Na introdução o autor aponta para quais são seu objetivos com este
texto bem como pontua os itens a que discorre ao longo do artigo “Tentarei
mostrar como o "Olhar, o Ouvir e o Escrever" pode ser questionados em si
mesmos, embora num primeiro momento possam nos parecer tão familiares e,
por isso, tão triviais, a ponto de nos sentirmos dispensados de problematizá-
los”.
Argumenta o autor que algumas das problemáticas que irá discutir
passam muitas vezes despercebidas não só apenas para jovens
pesquisadores, mas também a pesquisadores maduros.
Desta forma busca demonstrar que  enquanto no olhar e no ouvir
disciplinados" se dá a percepção é na escrita que o pensamento se exercita de
forma cabal e este produzirá o discurso que constrói as ciências sociais.
 
  O Olhar

Neste item o autor exemplifica como um olhar disciplinado através das


disciplinas acadêmicas observa um ambiente e no que nele há de singular ou
caracteristico.
 Toma como exemplo a observação de casas coletivas dos antigos
Tukúna do alto solimões no amazonas. Estas casas são então chamadas de
malocas.
Comenta que ao adentrar uma maloca o antropólogo já poria em pratica
seu olhar etnográfico.
   
O ouvir
Neste item o autor argumenta que “se o Olhar possui uma significação
específica para um cientista social, o Ouvir também o tem”.

Pondera que no entanto estas duas faculdades de observar e de ouvir


não podem ser tomadas como atividades independentes e que a teoria social
tende a sofisticar estas faculdades.
Na perspectiva do ouvir argumenta que devemos nos concentrar mais
nos ritos que nas crenças por ser estes mais estáveis e duradouro, e que
descritos pelo olhar e pelo ouvir ( música e cantos) devemos  devemos buscar
pelo sentido através do “modelo Ativo” que se trata de obtenção das
explicações dadas pelos próprios membros da comunidade.
Chama a atenção para a dupla condição do pesquisador notadamente
no campo da antropologia que é sua condição de brasileiro e sua formação
como antropólogo tratando como sendo a sobreposição de duas culturas.
Este pesquisador em campo no ato de ouvir o “informante” exerce um
grande poder sobre o mesmo por mais neutro que tente ser ainda há uma
relação entre diferentes que permeia em forma de poder e de lugar a que cada
um está colocado a rigor não há, segundo o autor, uma verdadeira interação
entre o nativo e o pesquisador.
Oliveira comenta que esta abordagem não é dialoga e que se pode
transformar esta relação quando ambos pesquisador e informante se tornam
interlocutores, assim trocando idéias e informações abrem um diálogo.Esta
forma de pesquisa se baseia em uma “observação participante” ou seja o
pesquisador passa a fazer parte de um certo cotidiano da comunidade
pesquisada sendo assim aceito por esta.Esta forma de observação teria a
vantagem de captar o "excedente de sentido”.
 
O escrever

O olhar e o ouvir podem ser considerados como atos cognitivos no


trabalho de campo, Oliveira busca em Geertz sua reflexão sobre o trabalho do
antropólogo onde este autor aponta para duas etapas da investigação sendo a
primeira o "estando lá" (being there) e a segunda o "estando aqui" (being here).
A primeira corresponde ao trabalho de campo e a segunda o que ele chama de
trabalho de gabinete. Desta forma, segundo Oliveira para Geertz a função onde
se exige a maior atividade cognitiva etária no “estando aqui” que é o momento
de fazer as análises e de própria mente organizar um discurso que será
manifestado na escrita.
Na página 23 o autor traz o conceito de (meta) teoria social e aborda a
questão da linguagem e da escrita além de problematizar a questão do idioma
ligado ao fazer antropológico argumentando que o pensar mesmo que de forma
individual guarda relação com o coletivo. Segue apontando que devemos
admitir que mais do que uma tradução da cultura o que o antropólogo realiza é
uma interpretação segundo os conceitos da disciplina antropologia. Sistemas
conceituais e dados puros produzem um resultado dialético.
“A antropologia pós-moderna tem a seu favor o fato de trazer a questão
do texto com tema da reflexão sistemática” sendo assim há uma reflexão sobre
a escrita e seus paradigmas.
Ao se referir às especificidades do texto etnográfico argumento Oliveira
que a singularidade desta esta justamente na busca por uma articulação entre
construção textual e trabalho de campo.  
A questão das monografias também é motivo de reflexão do autor referindo-se
que em sua visão há três tipos de monográficas: as clássicas, as modernas e
as que denominou de monografias experimentais cuja sua característica escrita
é inserir o “eu” no discurso.
 
Conclusão
 
Conclui apontando que “Faculdades do espírito têm características bem
precisas quando exercidas na órbita das ciências sociais e de modo especial
na da antropologia”. A textualização é parte fundamental do processo reflexivo
e seria um equívoco pensar que se chega às conclusão primeiramente para em
seguidas escrevê-las. Sendo os atos de olhar, ouvir e escrever sincrônicos e
sintonizados aos valores da disciplina. Evoca também a memória como sendo
o elemento mais rico a ser empregado no momento da redação no instante que
proporciona ao pesquisador uma forma de vivenciar a experiência a partir de
um outro lugar.
Por fim argumenta que o olhar, ouvir, e escrever devem ser atividades a
serem sempre tematizadas e questionadas enquanto etapas do processo de
pesquisa empírica das ciências sociais.

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