Você está na página 1de 27

APOSTILA OSCILOSCÓPIO

INTRODUÇÃO
O que é um osciloscópio?

O osciloscópio é basicamente um dispositivo de visualização gráfica que mostra os sinais


elétricos variáveis no tempo. No eixo vertical, a partir de agora denominado Y, representa-se a
tensão; enquanto que no eixo horizontal, denominado X, representa-se o tempo.

O que podemos fazer com um osciloscópio?

Determinar diretamente o período e a tensão de um sinal.


Determinar indiretamente a freqüência de um sinal.
Determinar que parte do sinal é DC e que parte é AC.
Localizar avarias em um circuito.
Medir a fase entre dois sinais.
Determinar que parte do sinal é ruído e como este varia no tempo.

O osciloscópio é um dos instrumentos mais versáteis que existem, e o tipo de pessoas que
o utilizam vão desde técnicos de reparação de televisores até médicos. Um osciloscópio pode
medir um grande número de fenômenos, provido do transdutor adequado (um elemento que
converte uma grandeza física em um sinal elétrico) será capaz de fornecer um valor de pressão,
ritmo cardíaco, potência de um som, etc.

Que tipos de osciloscópios existem?

Os equipamentos eletrônicos se dividem em dois tipos: Analógicos e Digitais. Os


primeiros trabalham com variáveis contínuas enquanto que os segundos o fazem com variáveis
discretas. Por exemplo, um toca discos ( no qual eram tocados os antigos discos de vinil ) é um
equipamento analógico e um Compact Disc Player ( no qual ouvimos os CD´s musicais ) é um
equipamento digital.
Prof. Abimailton Pratti da Silva 1
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Os osciloscópios também podem ser analógicos ou digitais. Os primeiros trabalham


diretamente com o sinal aplicado, o qual uma vez amplificado desvia um feixe de elétrons no
sentido vertical proporcionalmente ao seu valor. Em contraste, os osciloscópios digitais utilizam
previamente um conversor analógico-digital (A/D) para armazenar digitalmente o sinal de
entrada, reconstruindo posteriormente esta informação na tela do osciloscópio.
Ambos os tipos possuem suas vantagens e inconvenientes. Os analógicos são preferidos quando
é prioritário visualizar variações rápidas do sinal de entrada em tempo real. Os osciloscópios
digitais são utilizados quando se deseja visualizar e estudar eventos não repetitivos ( picos de
tensão que se produzem aleatoriamente).

Quais os controles existentes em um osciloscópio típico?

À primeira vista um osciloscópio se parece com uma pequena televisão portátil, salvo um
reticulado que ocupa a tela e o maior número de controles que possui.

Na figura seguinte estão representados os controles, distribuídos em cinco seções:


** Vertical. ** Horizontal. ** Disparo. ** Controle de visualização ** Conectores.

Como funciona um osciloscópio?

Para entender o funcionamento dos controles que existem em um osciloscópio, é


necessário nos determos um pouco nos processos internos realizados por este aparelho.
Começaremos pelo tipo analógico, já que é o mais utilizado.

Osciloscópios Analógicos

Quando se conecta a ponta de prova a um circuito, o sinal atravessa esta última e se dirige
à seção vertical. Dependendo de onde situamos o ajuste do amplificador vertical, atenuaremos o
sinal ou o amplificaremos. Na saída deste bloco já dispomos de um sinal suficientemente forte

Prof. Abimailton Pratti da Silva 2


APOSTILA OSCILOSCÓPIO

para ser aplicado às placas de deflexão vertical (que naturalmente estão em posição horizontal) e
que são encarregadas de desviar o feixe de elétrons, que surge do catodo e que se choca contra o
material fluorescente do interior da tela, em sentido vertical. Sobe se a tensão é positiva com
relação ao ponto de referência (GND) ou desce se é negativa.
O sinal também atravessa a seção de disparo para desta forma iniciar a varredura
horizontal (este é encarregado de mover o feixe de elétrons desde o lado esquerdo da tela até o
lado direito em um determinado intervalo de tempo). O traçado ( que aparece da esquerda para a
direita ) é produzido aplicando-se a parte ascendente de uma onda dente de serra às placas de
deflexão horizontal ( as que estão em posição vertical ), e cujo período pode ser ajustado através
do comando TIME-BASE. O retraço ( que ocorre da direita para a esquerda) é realizado de
forma muito mais rápida com a parte descendente do mesmo dente de serra.
Desta forma, a ação combinada do traçado horizontal e da deflexão vertical traça o gráfico do
sinal na tela. A seção de disparo é necessária para estabilizar os sinais repetitivos (se assegura
que o traçado comece em um mesmo ponto do sinal repetitivo).
Na figura seguinte pode-se observar o mesmo sinal em três ajustes de disparo diferentes:
no primeiro caso é feito o disparo na subida do sinal, no segundo caso sem o disparo e no
terceiro caso o disparo é realizado na descida do sinal.

Concluindo, para utilizar de forma correta um osciloscópio analógico necessitamos


realizar três ajustes básicos:
A atenuação ou amplificação que necessita o sinal. Utilizar o comando AMPL. para
ajustar a amplitude do sinal antes de que seja aplicado às placas de deflexão vertical. Convém
que o sinal ocupe a parte principal da tela sem chegar a ultrapassar os limites da mesma.

Prof. Abimailton Pratti da Silva 3


APOSTILA OSCILOSCÓPIO

A base de tempo

Utilizar o comando TIMEBASE para ajustar o que representa em tempo uma divisão na
horizontal da tela. Para sinais repetitivos é conveniente que na tela se possam observar
aproximadamente um par de ciclos.

Disparo do sinal

Utilizar os comandos TRIGGER LEVEL (nível de disparo) e TRIGGER SELECTOR


(tipo de disparo) para estabilizar o melhor possível os sinais repetitivos.
Por suposição, também devem ser ajustados os controles que afetam a visualização: FOCUS
(foco), INTENS. (intensidade) nunca excessiva, Y-POS (posição vertical do feixe) e X-POS
(posição horizontal do feixe).

Osciloscópios Digitais
Os osciloscópios digitais possuem além das seções explicadas anteriormente um sistema
adicional de processamento de dados que permite armazenar e visualizar o sinal.
Quando se conecta a ponta de prova de um osciloscópio digital a um circuito, a seção vertical
ajusta a amplitude do sinal da mesma forma que é feito no osciloscópio analógico.
O conversor analógico-digital do sistema de aquisição de dados amostra o sinal a
intervalos de tempo determinados e converte o sinal de tensão contínua em uma série de valores
digitais chamados amostras. Na seção horizontal um sinal de relógio determina quando o
conversor A/D faz uma amostra. A velocidade deste relógio é chamada de velocidade de
amostragem e se mede em amostras por segundo.

Os valores digitais amostrados são armazenados em uma memória como pontos do


sinal.O número de pontos do sinal utilizados para reconstruir o sinal na tela é chamado de
registro. A seção de disparo determina o início e o final dos pontos do sinal no registro. A seção
de visualização recebe estes pontos do registro, uma vez armazenados na memória, para
apresentar na tela o sinal.
Dependendo das capacidades do osciloscópio podemos ter recursos adicionais sobre os
pontos amostrados, inclusive podendo-se dispor de um pré-disparo, para observar eventos que
tenham lugar antes do disparo.
Fundamentalmente, um osciloscópio digital pode ser manuseado de uma forma similar ao
analógico; para podermos fazer as medidas é necessário ajustar o comando AMPL., o comando
TIMEBASE assim como os comandos que intervém no disparo.

Métodos de Amostragem

Trataremos de explicar como procedem os osciloscópios digitais para reunir os pontos de


amostragem. Para sinais que variam lentamente, os osciloscópios digitais podem perfeitamente
reunir mais pontos do que o necessário para reconstruir posteriormente o sinal na tela. Não
obstante, para sinais rápidos (que dependerá da velocidade máxima de amostragem de nosso

Prof. Abimailton Pratti da Silva 4


APOSTILA OSCILOSCÓPIO

aparelho) o osciloscópio não pode recolher amostras suficientes e deve recorrer a uma destas
duas técnicas:

Interpolação
Consiste em estimar um ponto intermediário do sinal baseando-se em um ponto anterior e
em um ponto posterior.

Amostragem em tempo equivalente.

Se o sinal é repetitivo é possível amostrar durante um determinado tempo alguns ciclos


em diferentes partes do sinal para depois reconstruir o sinal completamente.

Amostra em tempo real com Interpolação

O método standard de amostragem nos osciloscópios digitais é a amostragem em tempo real:


o osciloscópio reúne os pontos necessários para reconstruir o sinal. Para sinais não repetitivos,
somente a parte transitória do sinal é o único método válido de amostragem.
Os osciloscópios utilizam a interpolação para poder visualizar sinais que são mais rápidos que
sua velocidade de amostragem. Existem basicamente dos tipos de interpolação:
Linear: Simplesmente conecta os pontos amostrados com linhas.
Senoidal: Conecta os pontos amostrados com curvas segundo um processo matemático, e desta
forma os pontos intermediários são calculados para preencher os espaços entre os pontos reais da
amostra. Usando este processo é possível visualizar sinais com grande precisão dispondo de
relativamente poucos pontos de amostra.

Amostragem em tempo equivalente

Alguns osciloscópios digitais utilizam este tipo de amostragem. Se trata de reconstruir um sinal
repetitivo capturando uma pequena parte do sinal em cada ciclo. Existem dois tipos básicos:

Amostra seqüencial - Os pontos aparecem da esquerda para a direita em seqüência para


reconstruir o sinal.

Amostra aleatória - Os pontos aparecem aleatoriamente para formar o sinal.

Prof. Abimailton Pratti da Silva 5


APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Terminologia
Estudar sobre um assunto implica em conhecer novos termos técnicos. Este capítulo se
dedica a explicar os termos mais utilizados com relação ao estudo dos osciloscópios.

Termos utilizados nas medições

Existe um termo geral para descrever um padrão que se repete no tempo: onda. Existem
ondas de som, ondas oceânicas, ondas cerebrais e por suposição, ondas de tensão. Um
osciloscópio mede estas últimas. Um ciclo é a menor parte de uma onda que se repete no tempo.
Uma forma de onda é a representação gráfica de una onda. Uma forma de onda de
tensão sempre se apresentará com o tempo no eixo horizontal (X) e a amplitude no eixo vertical
(Y).
A forma de onda nos proporciona uma valiosa informação sobre o sinal. Em qualquer
momento podemos visualizar a amplitude que alcança e, portanto, saber se o valor da tensão
alterou-se no decorrer do tempo (se observamos, por exemplo, uma linha horizontal poderemos
concluir que nesse intervalo de tempo o sinal é constante). Com a inclinação das linhas
diagonais, tanto em rampa de subida como em rampa de descida, podemos conhecer a
velocidade na passagem de um nível para outro, podemos observar também mudanças repentinas
no sinal (ângulos muito agudos) geralmente provocadas por fenômenos transitórios.

Tipos de ondas

As formas de onda podem ser classificadas nos quatro tipos mostrados a seguir:
• Ondas senoidais.
• Ondas quadradas e retangulares.
• Ondas triangulares e em dente de serra.
• Pulsos e Bordas ou Degraus.

Ondas senoidais

São as ondas fundamentais e isso por várias razões: Possuem algumas propriedades
matemáticas muito interessantes (por exemplo, com a combinação de sinais senoidais de
diferentes amplitudes e freqüências se pode reconstruir qualquer forma de onda), o sinal que se
obtém das tomadas de força elétrica de qualquer casa têm esta forma, os sinais de teste
produzidos pelos circuitos osciladores de um gerador de sinais também são senoidais, a maioria
dos geradores de potência em AC (corrente alternada) produzem sinais senoidais.
Prof. Abimailton Pratti da Silva 6
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

O sinal senoidal amortecido é um caso especial deste tipo de ondas e é produzido em


fenômenos de oscilação, especificamente nos casos em que não mantém seu aspecto original no
decorrer do tempo.

Ondas quadradas e retangulares

As ondas quadradas são basicamente ondas que passam de um estado a outro de tensão, a
intervalos regulares, em um intervalo de tempo muito reduzido. São bastante utilizadas na prática
para testar amplificadores ( devido ao fato de que este tipo de sinais conterem em si mesmos
todas as freqüências ). A televisão, o rádio e os computadores utilizam muito este tipo de sinais,
fundamentalmente como relógios e temporizadores.
As ondas retangulares se diferenciam das ondas quadradas por não apresentarem intervalos
iguais nos momentos em que a tensão permanece em nível alto e baixo. São particularmente
importantes para analisar circuitos digitais.

Ondas triangulares e em formato dente de serra

São produzidas em circuitos projetados para controlar tensões linearmente, como podem
ser, por exemplo, o controle horizontal de um osciloscópio analógico ou o controle tanto
horizontal como vertical de uma televisão. As transições entre o nível mínimo e máximo de um
sinal mudam a um ritmo constante. Estas transições são denominadas de rampas.
A onda em formato dente de serra é um caso particular de sinal triangular com uma
rampa de descida quase vertical em comparação com a rampa de subida.

Pulsos e Bordas ou Degraus

Sinais, como bordas ou degraus e pulsos, que aparecem somente uma vez, são
denominados de sinais transitórios. Uma borda ou degrau indica uma mudança repentina na
tensão, como por exemplo quando ligamos um interruptor de alimentação. O pulso indicaria,
neste mesmo exemplo, que foi conectado o interruptor e em um determinado instante foi
desconectado. Geralmente o pulso representa um bit de informação atravessando um circuito de
um computador digital ou também um pequeno defeito em um circuito (por exemplo um falso
contato momentâneo). É comum encontrarmos sinais deste tipo em computadores, equipamentos
de raios X e de comunicações.

Prof. Abimailton Pratti da Silva 7


APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Medidas nas formas de onda


Nesta seção descreveremos as medidas mais usuais para descrever uma forma de onda.

Período e Freqüência

Se um sinal se repete no tempo, possui uma freqüência (f). A freqüência se mede em Hertz
(Hz) e é igual ao número de vezes que o sinal se repete em um segundo, quer dizer, 1Hz equivale
a 1 ciclo por segundo.

Um sinal repetitivo também possui outro parâmetro: o período, definido como o tempo que o
sinal demora para completar um ciclo.
Período e freqüência são inversos um do outro.

Tensão

Tensão é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos de um circuito. Normalmente um


desses pontos apresenta potencial nulo (GND, 0v), mas nem sempre, por exemplo se pode medir
a tensão pico a pico de um sinal (Vpp) como a diferença entre o valor máximo e mínimo deste. A
palavra amplitude significa geralmente a diferença entre o valor máximo de um sinal e o terra.

Fase

A fase pode ser explicada muito melhor se consideramos a forma de onda senoidal. A
onda senoidal pode ser extraída da movimentação de um ponto sobre um círculo de 360º. Um
ciclo do sinal senoidal alcança os 360º.

Prof. Abimailton Pratti da Silva 8


APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Quando se comparam dois sinais senoidais de mesma freqüência pode ocorrer que ambos
não estejam em fase,ou seja, que não coincidam no tempo as passagens por pontos equivalentes
de ambos sinais. Neste caso, se diz que ambos sinais estão defasados, podendo-se medir esta
defasagem com uma simples regra de três:
Sendo t o tempo de atraso entre um sinal e outro.

Que parâmetros influem na qualidade de um osciloscópio?


O termos definidos nesta seção nos permitirão comparar diferentes modelos de osciloscópio
disponíveis no mercado.

Largura de Banda

Especifica a faixa de freqüências nas quais o osciloscópio pode medir com precisão. Por
convenção, a largura de banda se calcula desde 0Hz (contínua) até a freqüência na qual um sinal
do tipo senoidal é visualizado a uns 70.7% do valor aplicado à entrada (o que corresponde a uma
atenuação de 3dB).

Tempo de subida

Outro dos parâmetros que nos dará, junto com o anterior, a máxima freqüência de utilização do
osciloscópio. É um parâmetro muito importante se desejarmos medir com confiabilidade pulsos e
degraus (lembrar que este tipo de sinais possuem transições entre níveis de tensão muito
rápidas). Um osciloscópio não pode visualizar pulsos com tempos de subida mais rápidos do que
o seu próprio.

Sensibilidade vertical

Indica a facilidade do osciloscópio para amplificar sinais fracos. Se pode proporcionar em mV


por divisão vertical; normalmente é da ordem de 5 mV/div (chegando até 2 mV/div).

Velocidade

Para osciloscópios analógicos esta especificação indica a velocidade máxima da varredura


horizontal, o que nos permitirá observar eventos mais rápidos. Pode ser da ordem de
nanosegundos por divisão horizontal.
Exatidão no Ganho

Prof. Abimailton Pratti da Silva 9


APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Indica a precisão com a qual o sistema vertical do osciloscópio amplifica ou atenua o sinal. É
indicada normalmente em porcentagem máxima de erro.

Exatidão da base de tempo

Indica a precisão na base de tempo do sistema horizontal do osciloscópio para visualizar o


período do sinal (tempo). Também pode ser dada em porcentagem de erro máximo.

Velocidade de amostragem

Nos osciloscópios digitais indica quantas amostras por segundo é capaz de obter o sistema de
aquisição de dados (especificamente o conversor A/D). Nos osciloscópios de qualidade
comprovada, chegamos a velocidades de amostragem de Megamostras/sg. Uma velocidade de
amostragem grande é importante para podermos visualizar pequenos períodos de tempo. No
outro extremo da escala, também necessitamos de velocidades de amostragem baixas para
podermos observar sinais de variação lenta. Geralmente a velocidade de amostragem permite
atuarmos sobre o comando TIMEBASE para manter constante o número de pontos que foram
armazenados para representar a forma de onda.

Resolução vertical

É medida em bits e é um parâmetro que nos dá a resolução do conversor A/D no osciloscópio


digital. Nos indica com que precisão os sinais de entrada são convertidos em valores digitais
armazenados na memória. Técnicas de cálculo podem aumentar a resolução efetiva do
osciloscópio.

Comprimento do registro

Indica quantos pontos são memorizados em um registro para a reconstrução da forma de onda.
Alguns osciloscópios permitem variar, dentro de certos limites, este parâmetro. O máximo
comprimento do registro depende do tamanho da memória de que dispõe o osciloscópio. Um
comprimento do registro grande permite realizar zooms sobre detalhes da forma de onda de
forma muito rápida (os dados já haviam sido armazenados), sem esquecer que esta vantagem tem
um custo, o de consumir mais tempo no momento de amostrar o sinal completo.

Colocando em funcionamento

Este capítulo descreve os primeiros passos para o correto manuseio do osciloscópio.


Aterrar
Uma boa conexão ao terra é muito importante para realizar medidas com o osciloscópio.
Aterrando o Osciloscópio
Por segurança é obrigatório aterrar o osciloscópio. Se ocorrer contato entre um alto valor
de tensão e a carcaça de um osciloscópio não aterrado, qualquer parte da carcaça, incluídos os
comandos, podem provocar um perigoso choque. Enquanto que em um osciloscópio bem
aterrado, a corrente, que no caso anterior atravessaria um usuário menos atento, se desvia para a
conexão com o terra
Para conectar o terra ao osciloscópio necessitamos unir o chassis (carcaça do
equipamento) do osciloscópio com o ponto de referência neutro da tensão (comumente chamado
de terra). Isto se consegue empregando cabos de alimentação com três condutores (dois para a
alimentação e um para a ligação ao terra).
Prof. Abimailton Pratti da Silva
10
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

O osciloscópio necessita, por conseguinte, compartilhar o mesmo terra com todos os


circuitos aos quais está conectado através da ponta de prova.
Alguns osciloscópios podem funcionar em diferentes tensões da rede e é muito importante
assegurar-nos que está ajustado à mesma tensão que dispomos nas tomadas de alimentação.

Aterrando a si mesmo

Ao trabalharmos com circuitos integrados (CIs), especialmente do tipo CMOS, é necessário


conectarmos um terra a nós mesmos. Isto é devido ao fato de que certas partes destes circuitos
integrados são susceptíveis à danos provocados por eletricidade estática, a qual é armazenada
pelo nosso próprio corpo.

Para resolver este problema podemos empregar uma pulseira condutora que será
conectada devidamente ao terra, descarregando a eletricidade estática que possuímos em nosso
corpo.

Ajuste inicial dos controles

Depois de conectarmos o osciloscópio à tomada da rede e de acioná-lo apertando o botão


Liga/Desliga:

É necessário familiarizar-se com o painel frontal do osciloscópio. Todos os osciloscópios


dispõe de três seções básicas que chamaremos: Vertical, Horizontal, e Disparo.
Dependendo do tipo de osciloscópio empregado em particular, podemos dispor de outras
seções.
Existem alguns conectores BNC, onde se colocam as pontas de prova.

Prof. Abimailton Pratti da Silva


11
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

A maioria dos osciloscópios atuais dispõe de dois canais nomeados normalmente como I
e II (ou A e B). Ao dispormos de dois canais, é possível compararmos sinais de forma muito
cômoda.
Alguns osciloscópios mais avançados possuem um interruptor nomeado como
AUTOSET ou PRESET que ajustam os controles em um só passo de modo a ajustar
perfeitamente o sinal à tela. Se o seu osciloscópio não possui esta característica, é importante
ajustar os diferentes controles do aparelho em sua posição standard (padrão) antes de proceder à
medição.
Estes são os passos mais recomendados:
Ajustar o osciloscópio para visualizar o canal I. (ao mesmo tempo colocaremos como canal de
disparo o canal I).

Ajustar em uma posição intermediária a escala volts/divisão do canal I (por exemplo 1V/cm).

Colocar na posição calibrada o comando variável de volts/divisão (potenciômetro central).

Desativar qualquer tipo de multiplicadores verticais.


Colocar o comutador de entrada para o canal I em acoplamento DC.

Colocar o modo de disparo no automático.

Ajustar o disparo de retardo ao mínimo ou desativá-lo.


Situar o controle de intensidade no mínimo ajuste que permita visualizar o traço na tela, e
o comando de foco ajustado para uma visualização o mais nítida possível (geralmente os
comandos que trabalham com a visualização são colocados na posição vertical).

Prof. Abimailton Pratti da Silva


12
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Pontas de Prova

Com os passos detalhados anteriormente, você já está em condições de conectar a ponta


de prova ao conector de entrada do canal I. É muito importante utilizar as pontas projetadas para
trabalhar especificamente com o osciloscópio. Uma ponta de prova não é um cabo com uma
pinça, mas sim um conector especificamente projetado para evitar ruídos que possam perturbar a
medida.
Além do mais, as pontas de prova são construídas para que tenham um mínimo efeito
sobre o circuito de medida. Esta característica das pontas recebe o nome de efeito de carga, e
para minimizá-lo é utilizado um atenuador passivo, geralmente de x10.
Este tipo de ponta é fornecido geralmente com o osciloscópio e é uma excelente ponta de uso
geral. Para outros tipos de medidas são utilizadas pontas de prova especiais, como por exemplo
as pontas de corrente ou as ativas.

Pontas de Prova Passivas

A maioria das pontas de prova passivas estão marcadas com um fator de atenuação,
normalmente 10X ou 100X. Por convenção, os fatores de atenuação aparecem com o símbolo X
atrás do fator de divisão. Em contraste, os fatores de amplificação aparecem com o símbolo X
adiante (X10 ou X100).
A ponta de prova mais utilizada é, provavelmente, a de 10X, reduzindo a amplitude do
sinal em um fator de 10. Sua utilização se estende a partir de freqüências superiores a 5 kHz e
com níveis de sinal superiores a 10 mV. A sonda 1X é similar à anterior, entretanto adiciona
mais carga ao circuito de prova, mas pode medir sinais com menor nível. Por comodidade de
uso, foram introduzidas pontas especiais com uma chave comutadora que permite a utilização de
1X ou 10X. Quando se utiliza este tipo de ponta devemos nos assegurar da posição da chave
comutadora antes de realizar uma medida.

Prof. Abimailton Pratti da Silva


13
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Compensação da ponta

Antes de utilizar uma ponta de prova com atenuação de 10X é necessário realizar um
ajuste na freqüência para o osciloscópio em particular, sobre o qual se vai trabalhar. Este ajuste
se denomina compensação da ponta e consta dos seguintes passos.
Conectar a ponta de prova à entrada do canal I.
Conectar a extremidade da ponta ao terminal do sinal de compensação (a maioria dos
osciloscópios dispõe de um terminal para ajustar as pontas de prova, e em caso contrário, será
necessário utilizar um gerador de onda quadrada).

Conectar o terminal jacaré (normalmente da cor preta) da ponta de prova ao terra do


osciloscópio.
Observar o sinal quadrado de referência na tela.
Com o parafuso de ajuste, atuar sobre o capacitor de ajuste até observar um sinal quadrado
perfeito.

Pontas Ativas

Proporcionam uma amplificação antes de aplicar o sinal à entrada do osciloscópio.


Podem ser necessárias em circuitos com uma impedância de saída muito baixa. Este tipo de
ponta necessita de uma fonte de alimentação para operar.

Pontas de Corrente

Prof. Abimailton Pratti da Silva


14
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Possibilitam a medida direta das correntes em um circuito. Existem pontas para medida
de corrente alternada e contínua. Possuem uma pinça que abraça o cabo através do qual se deseja
medir a corrente. Como não são posicionadas em série com o circuito causam pouquíssima
interferência no mesmo.

Sistema de Visualização
Intensidade

Trata-se de um potenciômetro que ajusta o brilho do sinal na tela. Este comando atua sobre
a grade mais próxima ao catodo do CRT ( Tubo de Raios Catódicos - G1 ), controlando o
número de elétrons emitidos por este.
Em um osciloscópio analógico, se aumentarmos a velocidade da varredura é necessário
aumentarmos o nível de intensidade. Por outro lado, se desligarmos a varredura horizontal é
necessário reduzirmos a intensidade do feixe ao mínimo (para evitar que o bombardeio
concentrado de elétrons sobre a parte interior da tela deteriore a material fluorescente que a
recobre).

Foco

Trata-se de um potenciômetro que ajusta a nitidez do traço sobre a tela. Este comando
atua sobre as grades intermediárias do CRT (G2 y G4) controlando a espessura do feixe de
elétrons. Recorreremos à este comando para uma visualização o mais precisa possível. Os
osciloscópios digitais não necessitam deste controle.

Rotação do traço

É feita através de uma resistência ajustável que atua sobre uma bobina e que nos permite
alinhar o traço com o eixo horizontal da tela . Campos magnéticos intensos situados ao redor do
Prof. Abimailton Pratti da Silva
15
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

osciloscópio podem afetar a orientação do feixe. A posição do osciloscópio com relação ao


campo magnético terrestre também pode afetá-lo. Os osciloscópios digitais não necessitam deste
controle. Ajustaremos a resistência citada com o comando de acoplamento do sinal de entrada na
posição GND, até conseguir que o traço esteja perfeitamente na horizontal.

Posição

Este controle é constituído de um potenciômetro que nos permite mover verticalmente a


forma de onda até o ponto exato que desejamos. Quando estamos trabalhando com um único
sinal, o ponto normalmente indicado pode ser o centro da tela.

Sistema vertical
Comutador

Trata-se de um comutador com um grande número de posições, cada uma das quais
representando o fator de escala empregado pelo sistema vertical. Por exemplo, se o comando está
na posição 2 volts/div significa que cada uma das divisões verticais da tela (aproximadamente 1
cm) representam 2 volts. As divisões menores representaram a quinta parte deste valor, o seja,
0.4volts. A máxima tensão que pode ser visualizada com o osciloscópio apresentado e com uma
ponta de 10X será então: 10 (fator de divisão da ponta) x 20 volts/div (máxima escala) x 8
divisões verticais = 1600 volts. Na tela podemos observar um sinal de 1Vpp tal como o veríamos
nas diferentes posições do comutador.

Prof. Abimailton Pratti da Silva


16
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Comando Variável

Trata-se de um potenciômetro situado de forma concêntrica ao comutador do amplificador


vertical e podemos considerá-lo como uma espécie de lupa do sistema vertical.
Para realizar medidas é necessário colocá-lo em sua posição calibrada.

Acoplamento da entrada

Trata-se de um comutador de três posições que conecta eletricamente à entrada do


osciloscópio o sinal externo.
O acoplamento DC deixa passar o sinal proveniente do circuito externo sem alterá-lo (é o
sinal real). O acoplamento AC bloqueia, mediante o uso de um capacitor, a componente contínua
que o sinal externo possui. O acoplamento GND desconecta o sinal de entrada do sistema
vertical e o conecta à massa, permitindo-nos situar o ponto de referência em qualquer parte da
tela (geralmente o centro da tela quando se trabalha com somente um sinal).

Inversão

É um comutador de duas posições em formato de botão que permite em uma de suas


posições inverter o sinal de entrada no canal I (existem outros osciloscópios que invertem o canal
II).

Prof. Abimailton Pratti da Silva


17
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Modo alternado / chopeado

É um comutador de duas posições, em formato de botão, que permite, quando nos


encontramos no modo DUAL, selecionar o modo do traçado dos sinais na tela.
No modo alternado se traça completamente o sinal do canal I e depois o do canal II e assim
sucessivamente. É utilizado para sinais de média e alta freqüência (geralmente quando o
comando TIMEBASE está situado em uma escala de 0.5 msg. ou inferior). No modo chopeado
o osciloscópio traça uma pequena parte do canal I e depois outra pequena parte do canal II, até
terminar um traçado completo e começar de novo. É utilizado para sinais de baixa freqüência
(com o comando TIMEBASE na posição de 1 msg. ou superior).

Modo simples / dual / soma

É um controle formado por três comutadores de duas posições, em formato de botão, que
permite selecionar entres três modos de funcionamento: simples, dual e soma.
No modo simples atuamos tão somente sobre o comutador nomeado como CH I/II. Se não
está ativado visualizaremos o sinal que entra pelo canal I e se está ativado o sinal do canal II. O
modo dual é selecionado com o comutador nomeado DUAL. Se não estiver ativado
visualizaremos um só canal (o qual dependerá do estado do comutador CH I/II) e se estiver
ativado visualizaremos simultaneamente ambos os canais. O modo soma é selecionado
pressionando-se o comutador nomeado de I+II (se o comutador nomeado como DUAL também
estiver pressionado) e nos permite visualizar a soma de ambos os sinais na tela.

Sistema horizontal

Posição

Prof. Abimailton Pratti da Silva


18
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Este controle é constituído de um potenciômetro que permite mover horizontalmente a


forma de onda até o ponto exato que desejamos. Quando estamos trabalhando com um único
sinal, o ponto normalmente indicado pode ser o centro da tela. (Para observar melhor o ponto de
disparo podemos mover o traço um pouco à direita).

Comutador

Trata-se de um comutador com um grande número de posições, onde cada uma das quais
representa o fator de escala empregado pelo sistema de varredura horizontal. Por exemplo, se o
comando está na posição 1 msg/div significa que cada uma das divisões horizontais da tela
(aproximadamente de um 1 cm.) representam 1 milisegundo. As divisões menores representam a
quinta parte deste valor, o seja, 200 µsg.
O osciloscópio representado pode visualizar um máximo de 2 sg na tela (200 msg x 10
divisões) e um mínimo de 100 nsg por divisão, se empregarmos a Amplificação (0.5 µsg / 5).

Comando Variável

Trata-se de um potenciômetro situado de forma concêntrica ao comutador da base de


tempos e podemos considerá-lo como uma espécie de lupa do sistema horizontal.
Para realizar medidas é necessário colocá-lo em sua posição calibrada.

Amplificação

Este controle é constituído de um pequeno comutador em formato de botão que permite


amplificar o sinal na horizontal por um fator constante (normalmente x5 ou x10). É utilizado
para visualizar sinais de altíssima freqüência (quando o comutador TIMEBASE nos permite

Prof. Abimailton Pratti da Silva


19
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

fazê-lo). Temos que levar isso em conta na hora de realizar medidas quantitativas ( teremos que
dividir a medida realizada na tela pelo fator indicado).

XY

Este controle é constituído de um pequeno comutador em formato de botão que permite


desconectar o sistema de varredura interno do osciloscópio, realizando estas funções um dos
canais verticais (geralmente o canal II).
Como veremos no capítulo dedicado às medidas isto nos permite visualizar curvas de
resposta ou as famosas figuras de Lissajous, úteis tanto para medida de fase como de freqüência.

Sistema de disparo
Sentido

Este controle é constituído de um comutador no formato de botão que permite inverter o


sentido de disparo. Se não está ativo o sinal é disparado na subida (degrau positivo +) e se está
ativo o sinal é disparado na descida (degrau negativo -). É conveniente disparar o sinal no degrau
de transição mais rápida.

Nível
Prof. Abimailton Pratti da Silva
20
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Trata-se de um potenciômetro que permite no modo de disparo manual ajustar o nível do


sinal a partir do qual o sistema de varredura começa a atuar. Este ajuste não é operacional no
modo de disparo automático.

Acoplamento

Devido aos mais variados sinais que podemos encontrar em eletrônica, o osciloscópio
apresenta um comutador com o qual podemos conseguir o disparo estável do sinal em diferentes
situações. A gama de freqüências ou tipos de sinais que engloba cada posição do comutador
depende do tipo de osciloscópio (é possível, inclusive, que o osciloscópio tenha outras posições,
especialmente para tratar os sinais de televisão). Na figura seguinte especificamos os dados para
um osciloscópio em particular. No caso do seu osciloscópio, você deverá consultar a informação
fornecida pelo fabricante, de modo a atualizar esta informação.

Externo

A situação normal é aquela na qual permitimos ao osciloscópio disparar internamente o


sinal de entrada. Isto permite sincronizar quase todos os sinais periódicos sempre que a
amplitude da imagem superar um certo valor (geralmente muito pequeno, da ordem de meia
divisão). Para alguns sinais complicados, é necessário dispará-los com outro sinal proveniente do
mesmo circuito de prova. Isto pode ser feito introduzindo-se este último sinal pelo conector
indicado por TRIG. EXT. e pressionando-se também o botão que o acompanha.

OUTROS SISTEMAS
Holdoff

Prof. Abimailton Pratti da Silva


21
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Podemos traduzir como manter (hold) desconectado (off). Este controle não está incluído
nos osciloscópios de nível inferior ou médio.
É utilizado quando desejamos sincronizar na tela do osciloscópio sinais formados por trens de
impulsos espaçados no tempo. Pretende-se que o osciloscópio dispare quando o primeiro
impulso do qual o trem é formado alcance o nível de tensão fixado para o disparo, desde que
exista una zona de sombra para o disparo que cubra os impulsos seguintes, o osciloscópio não
deve disparar até que chegue o primeiro impulso do trem seguinte. É constituído geralmente de
um comando associado com um interruptor, este último coloca em funcionamento o sistema
holdoff e o comando variável ajusta o tempo de sombra para o disparo. Na figura seguinte
podemos observar melhor o seu funcionamento.

Linha de Atraso

Tão pouco é habitual encontrarmos este comando nos osciloscópios de nível médio,
inferior. É utilizado quando desejamos amplificar um detalhe que não se encontra disponível no
momento do disparo. Necessitamos, portanto, retardar de alguma forma este último num
determinado tempo para que com o comando da base de tempos podermos amplificá-lo.

Prof. Abimailton Pratti da Silva


22
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Isto é precisamente o que realiza este comando. É constituído de um comutador de várias


posições que nos proporciona o tempo que o osciloscópio atrasa a apresentação desde no
momento em que o sinal é disparado. Este tempo pode variar, dependendo do osciloscópio,
desde algumas frações de µsg a algumas centenas de msg; possui também, e geralmente
concêntrico com o anterior, um comando variável para ajustar de forma mais precisa o tempo
anterior. E por último, um comutador que, em uma posição nomeada como search indica ao
osciloscópio que busque o ponto a partir do qual desejamos que se apresente o sinal e outra
posição nomeada como delay que fixa a posição anterior e permite o uso da base de tempos para
amplificar o detalhe desejado.

Técnicas de medida

Introdução

Esta seção explica as técnicas de medida básicas com um osciloscópio. As duas medidas
mais básicas que podem ser realizadas com um osciloscópio são as de tensão e tempo, por serem
feitas diretamente.
Esta seção descreve como realizar medidas visualmente na tela do osciloscópio. Alguns
osciloscópios digitais possuem um software interno que permite realizar as medidas de forma
automática. Sem dúvida, se aprendermos a realizar medidas manualmente, estaremos também
capacitados para entender as medidas automáticas realizadas por um osciloscópio digital.

A tela

Prof. Abimailton Pratti da Silva


23
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Observe a seguinte figura, que representa a tela de um osciloscópio. Você deverá notar
que existem algumas marcas na tela que dividem-na tanto na vertical como na horizontal,
formando o que chamamos de reticulado ou retícula. A separação entre duas linhas consecutivas
do reticulado constituem o que chamamos de uma divisão. Normalmente o reticulado possui 10
divisões horizontais por 8 verticais de mesmo tamanho (cerca de um cm), o que forma uma tela
mais larga que alta. Nas linhas centrais , tanto na horizontal como na vertical, cada divisão ou
quadro possui algumas marcas que dividem-na em 5 partes iguais (utilizadas, como veremos
mais tarde, para fornecer maior precisão às medidas).
Alguns osciloscópios possuem marcas horizontais de 0%, 10%, 90% e 100% para
facilitar a medida de tempos de subida e descida nos degraus (se mede entre 10% e 90% da
amplitude de pico a pico). Alguns osciloscópios também apresentam em sua tela quantos volts
representa cada divisão vertical e quantos segundos representa cada divisão horizontal.

Medida de tensão

Geralmente, quando falamos de tensão, queremos realmente expressar a diferença de potencial


elétrico, expressado em volts, entre dois pontos de um circuito. Como normalmente um dos
pontos está conectado à massa (0 volts), então simplificamos falando da tensão no ponto A
(quando na realidade é a diferença de potencial entre o ponto A e GND).

As tensões podem também ser medidas de pico a pico (entre o valor máximo e o mínimo do
sinal). É muito importante que especifiquemos ao realizar uma medida qual tipo de tensão
estamos medindo.
O osciloscópio é um dispositivo utilizado para medir tensão de forma direta. Outras medidas
podem ser realizadas a partir desta por simples cálculo (por exemplo, as de intensidade de
corrente ou de potência). Os cálculos para sinais CA podem ser complicados, mas sempre o
primeiro passo para medir outras grandezas será iniciar pela tensão.
Prof. Abimailton Pratti da Silva
24
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Na figura anterior foi assinalado o valor de pico Vp, o valor de pico a pico Vpp,
normalmente o dobro de Vp e o valor eficaz Vef ou VRMS (root-mean-square, quer dizer a raiz da
média dos valores instantâneos elevados ao quadrado) utilizado para calcular a potência do sinal
CA.
Realizar a medida de tensões com um osciloscópio é fácil, feita simplemente através da
contagem do número de divisões verticais que o sinal ocupa na tela. Ajustando o sinal com o
comando de posicionamento horizontal podemos utilizar as subdivisões do reticulado para
realizar uma medida mais precisa (lembrar que uma subdivisão equivale geralmente a 1/5 do que
representa uma divisão completa). É importante que o sinal ocupe o máximo espaço da tela para
que realizemos medidas confiáveis, sendo que para isso atuaremos sobre o comutador do
amplificador vertical.

Alguns osciloscópios possuem na tela um cursor que permite ler as medidas de tensão
sem que seja necessário contar o número de divisões que o sinal ocupa. Basicamente, o cursor é
composto de duas linhas horizontais para a medida de tensões e duas linhas verticais para a
medida de tempos, as quais podemos deslocar individualmente pela tela. A medida é visualizada
de forma automática na tela do osciloscópio.

Medida de tempo e freqüência

Para realizar medidas de tempo utilizamos a escala horizontal do osciloscópio.

Isto inclui a medida de períodos, largura de impulsos e tempo de subida e descida de impulsos. A
freqüência é uma medida indireta e pode ser feita calculando-se o inverso do período. Do mesmo
modo que ocorria com as tensões, a medida de tempos será mais precisa se o tempo referente ao
objeto de medida ocupar a maior parte da tela, e para isso atuaremos sobre o comutador da base
de tempos. Se centralizarmos o sinal utilizando o comando de posicionamento vertical
poderemos utilizar as subdivisões para realizar uma medida mais precisa.

Prof. Abimailton Pratti da Silva


25
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Medida de tempos de subida e descida das bordas

Em muitas aplicações é importante conhecer os detalhes de um pulso, em particular os tempos de


subida ou descida destes.

As medidas padrão em um pulso são sua largura e os tempos de subida e descida. O


tempo de subida de um pulso é a transição do nível baixo para o nível alto da tensão. Por
convenção, se mede o tempo entre o momento que o pulso alcança 10% da tensão total até sua
chegada aos 90%. Isto elimina as irregularidades nas bordas do impulso. Isto explica as marcas
que se observam em alguns osciloscópios ( algumas vezes simplesmente umas linhas tracejadas).
A medida nos pulsos requer um fino ajuste nos comandos de disparo. Para converter-se
em um expert na captura de pulsos é importante conhecer o uso dos comandos de disparo que o
osciloscópio possui. Uma vez capturado o pulso, o processo de medida é o seguinte: ajustamos o
comutador do amplificador vertical e o comando variável associado até que a amplitude pico a
pico do pulso coincida com as linhas tracejadas (ou as assinaladas como 0% e 100%). Medimos
o intervalo de tempo que existe entre o momento em que o impulso corta a linha tracejada em
10% até o momento em que corta os 90%, ajustando o comutador da base de tempos para que o
tempo a ser medido ocupe o máximo da tela do osciloscópio.

Medida de defasagem entre os sinais

A seção horizontal do osciloscópio possui um controle nomeado como X-Y, que vai nos
introduzir em uma das técnicas de medida de defasagem (a única que podemos utilizar quando
dispomos somente de um canal vertical em nosso osciloscópio),
O período de um sinal corresponde à uma fase de 360º. A defasagem indica o ângulo de atraso
ou adiantamento que possui um sinal com relação a outro (tomado como referência) se possuem
ambos o mesmo período. Já que o osciloscópio só pode medir diretamente os tempos, a medida
de defasagem será indireta.
Um dos métodos para medir a defasagem é utilizar o modo X-Y. Isto implica introduzir um sinal
pelo canal vertical (geralmente o I) e o outro pelo canal horizontal (o II). Este método só
funciona de forma correta se ambos sinais são senoidais). A forma de onda resultante na tela é
denominada de figura de Lissajous (devido ao físico francês chamado Jules Antoine Lissajous).
Podemos deduzir a defasagem entre os dois sinais, assim como sua relação de freqüências
observando a seguinte figura:

Prof. Abimailton Pratti da Silva


26
APOSTILA OSCILOSCÓPIO

Prof. Abimailton Pratti da Silva


27