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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS

FACULDADE DE DIREITO

ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO TRIBUTÁRIO

SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL

Imunidade tributária

Entidade religiosa

Márcio Cândido de Mendonça – RA 17444944

CAMPINAS

2017
Introdução

A Constituição Federal estabelece em seu artigo 5º, inciso VI, alínea b, a imunidade
tributária, no caso, impostos, a templos de qualquer culto. De cunho social, este
artigo incentiva a liberdade religiosa, mas até que limite e quais as regras devem ser
analisadas?
De 2010 até 2015 a quantidade de entidades religiosas criadas no Brasil foi de 25
(vinte e cinco) por dia, totalizando 67.951.
Todas as entidades religiosas criadas gozam da imunidade e não pagam ICMS, IPI,
IPTU e outros impostos, desde que o produto/resultado gerado seja convertido para
entidade, para que a mesma atinja o seu fim.
Mas temos limites? O Artigo 14 do CTN nos traz um rol de regras a serem seguidas
pelas entidades, uma delas é a necessidade de aplicação dos recursos no Brasil e
não fora dele.

Problema
Um grupo de pessoas adquiriu propriedade e se autodenominou entidade religiosa,
sem constituição formal, praticou reuniões na propriedade, arrecadou fundos com a
venda de produtos e aplicou recursos em viagens para outro país.
Os tributos das vendas não foram pagos, bem como o IPTU de 2012
Como representante, do Estado e da Prefeitura, proponha uma medida.

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A demanda: AIIM para o IPTU e o ICMS, com dois argumentos:
1) Enquanto entidade, com fins assistenciais e sociais, deve está seguir os
ditames legais estabelecidos pelo artigo 14 do CTN, vejamos:
Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é
subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas
entidades nele referidas:

I – não distribuírem qualquer parcela de seu


patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação
dada pela Lcp nº 104, de 2001)

II - aplicarem integralmente, no País, os seus


recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;

III - manterem escrituração de suas receitas e


despesas em livros revestidos de formalidades capazes
de assegurar sua exatidão.

§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste


artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente
pode suspender a aplicação do benefício.

§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso


IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente
relacionados com os objetivos institucionais das entidades
de que trata este artigo, previstos nos respectivos
estatutos ou atos constitutivos.

A Entidade não está constituída formalmente e todo o recurso levantado não foi
aplicado na entidade nem para seu fim social, bem como, grande soma de
recurso foi despendida em outro País, infringindo o inciso II do artigo 14 do CTN.

2) Neste diapasão, simplesmente alegar se tratar de uma entidade religiosa, de


forma a se eximir das obrigações tributárias, não pode prosperar. A definição
do que vem a ser religião não está sob a égide do Direito e sim de outros
campos do conhecimento, como antropologia ou sociologia. Não temos aqui o
condão de definir o que é religião de forma teológica, mas averiguar se os
ritos legais estão em dia, cumprindo todas as formalidades, pelas entidades,
do contrário, um grupo qualquer de pessoa pode alegar imunidade e se eximir
de pagar a exação.

Por não estar revestida de formalidade a entidade, tampouco manter seus


registros fiscais em dia, como a escrituração de suas receitas e despesas,
não utilizar seus recursos na entidade, deve ser cobrado o valor do imposto
municipal (IPTU) e ICMS.

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O artigo 150 de nossa Carta Magna, § 4º, equiparou as alíneas c e b, inciso VI
do mesmo artigo, de forma a fundamentar aplicação do artigo 14 do CTN
quanto os requisitos formais para a propositura da imunidade tributária.

É cediço, as entidades religiosas e assistências, gozam de presunção para o


afastamento da exação em relação à imunidade, todavia, cabe ao Fisco
demonstrar cabalmente prova contrária. É dever do Estado provar e assim o
faz, ao demonstrar que não há entidade formal e sim um grupo de pessoas,
fazendo comércio, obtendo renda e desfrutando desta renda em outro país
com o enfoque de se tratar de uma religião.

Analisando o tema, Kiyoshi Harada pondera que “...a interpretação ampla,


que se costuma dar ao instituto da imunidade, não pode implicar tolerar os
abusos que vêm sendo praticados, tendo em vista a extrema facilidade com
que se institui uma seita.”

Ele assevera ainda que permitir a imunidade sem requisitos, prejudica outros
princípios, como da isonomia tributária, pois a entidade na atividade de
mercancia, sem controle, sem registro, deixa de recolher a exação em
detrimento de outro contribuinte constituído legalmente, com a obrigação legal
de arrecadar, havendo concorrência desleal.

Deve o AIIM prosperar é questão de justiça

Bibliografia

HARADA, Kiyoshi. Direito financeiro e tributário: atualizado de acordo com a Lei de Responsabilidade
Fiscal. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

www.stf.jus.br

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