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Plano B

(A queda de Blackwater)

De: Shannon West e Susan E. Scott

A vida estava indo bem para Camron MacKay. Seu plano de se casar
com uma garota legal, assentar e ter um casal de filhos parecia estar no
caminho certo, até que o desejo de acasalamento atingiu o shifter puma em
uma noite de lua negra. Ele logo percebe que o companheiro dele é lindo,
jovem, cabeça dura e selvagem como o inferno Travis Sutherland. Camron
tenta o máximo não rolar com ele aos socos. Tenta explicar a Travis como as
coisas tem que ser. Ele vai ser o chefe, e Travis vai se endireitar e mudar seu
caminho irresponsável, e juntos, eles vão tentar encontrar uma maneira de
resolver as coisas, mesmo que as lendas digam que dois homens do clã não
podem viver juntos sem matar um ao outro. Mas, enquanto Travis está
perfeitamente disposto a se divertir um pouco com o belo Camron, ele não tem
absolutamente nenhum desejo de se estabelecer, e se recusa a considerar até
mesmo os planos que Camron tem para o futuro. E é ai que Camron decide
que ele não tem escolha a não ser tentar o Plano B.
Capítulo Um

Algumas coisas na vida de Travis nem sempre aconteciam como o


planejado. As cartas não tinham saído com uma boa mão, ele quase tinha
acertado os números da loteria perdendo por pouco e o seu carro tinha quase
chego na segurança de sua garagem quando luzes azuis apareceram no
espelho retrovisor. Quando isso acontecia, só havia uma coisa a fazer, usar o
plano B. Só que neste sábado à noite em particular, Travis Sutherland não
tinha qualquer tipo de plano nem B e nem qualquer outro.
Ele havia comemorado demais no início da noite, numa festa regada
com uma grande quantidade de álcool e talvez alguns tragos de maconha que
estava sendo passada ao redor, e ele tinha uma sensação agradável de flutuar
como se estivesse voando acima da estrada. Ele estava alto, mas não muito
ruim, e ele sabia que podia chegar em casa, se ele dirigisse devagar. Seu carro
estava ziguezagueando um pouco, e ele estava tentando mantê-lo reto. Havia
pouco tráfego na estrada, que para ele era bom. Isso era melhor do que bom.
Ele estava um pouco tonto, mas não sentia nenhuma dor.
Foi então que ele percebeu um clarão no espelho retrovisor e olhou
para ele vendo as luzes azuis. Gemendo, ele encostou com cuidado no lado da
estrada e esperou para ver quem iria sair do veículo. Foda. Claro, tinha que ser
Hawke, seu primo e o xerife local. As coisas definitivamente não estavam
melhorando.
Para a maioria das pessoas, ter um de seus parentes o parando para
ajudar depois de beber um pouco demais seria uma coisa boa, infelizmente,
Travis não era uma dessas pessoas. E Hawke não era esse tipo de parente.
Hawke era um osso duro de roer e não lhe daria absolutamente nenhuma
folga. O fato de que ele e o irmão mais velho de Travis, Spencer, eram
melhores amigos não traria nenhuma vantagem também. Ele teria sorte se não
acabasse na prisão.
Ele viu seu primo com cautela pelo espelho lateral enquanto ele saia
do veículo e caminhava até a porta do motorista do carro, escorrendo atitude
policial. Uma lanterna iluminou seus olhos, Hawke a segurou lá por um
momento antes de muda-la para vasculhar o interior do carro.
―Aonde você vai, Travis?
Tentando usar uma voz agradável, Travis respondeu:
―Só estou no meu caminho pra casa, Hawke. Quase entrando na
garagem.
―Você fumou maconha, Travis?
― Claro que não, inferno! O que faria você pensar isso?
―Será que é porque, você fede a maconha, mas é meio difícil de
dizer, desde que você também cheira como uma maldita cervejaria. Saia do
carro, Travis.
―Para quê?
―Porque eu estou pedindo à você.
―Ah, droga, Hawke, por favor. Apenas me deixe ir para casa. Estou
quase chegando lá.
―Não é possível eu fazer isso. E se você está a 15 metros da estrada,
e atinge uma vala e capota o seu veículo? Ou pior ainda, atinge algum outro
motorista no caminho de casa? O que a sua família vai dizer sabendo que eu o
deixei dirigir nessas condições?
―Ah, pelo amor de Deus, Hawke. Você não acha que está sendo um
pouco dramático?
―Não, eu não acho. Não na condição que você está. Eu nem sei como
você ainda está consciente. Agora tire seu traseiro para fora do maldito carro.
Percebendo que ele não poderia ganhar argumentando, Travis abriu a
porta e, tropeçou quando saiu do banco da frente, quase caindo de cara no
asfalto, quando seus pés tocaram o chão. Hawke agarrou seu braço para firmá-
lo, heroicamente se absteve de dizer qualquer coisa, embora Travis achasse
que isso iria lhe custar muito caro.
A mãe de Travis ia ter sua bunda por isso, para não falar de ter que
ouvir seu pai e Spencer, mas sua mãe era uma força a ser contada. Sendo uma
das mulheres do clã, Emma Sutherland, era conhecida tanto por seu prodigioso
mau humor, ainda pior do que o normal para as mulheres do clã, como pela
sua capacidade de falar tanto e tão alto que qualquer um que fosse seu
oponente simplesmente desistia. Embora Travis fosse o seu filho mais novo,
seu orgulho e alegria, ela bateria em sua bunda por isto.
Tudo isso estava fazendo a cabeça de Travis começar a zumbir, ele
queria ir para casa, deitar em sua cama, e esquecer de tudo por algumas
horas. Sua cabeça estava começando a latejar, e ele achava que havia uma
possibilidade distinta de que ele pudesse vomitar nos sapatos de Hawke. Ele
ficou onde Hawke o colocou, ao lado do para-choque traseiro. A lanterna de
Hawke se afastou para varrer o interior do seu carro.
Se apenas Holden o tivesse deixado ir para sua casa hoje isso não
teria acontecido. Ele passou a mão sobre o rosto, silenciosamente
amaldiçoando Holden MacKay e o que parecia ser a sua crescente falta de
interesse no bem estar de Travis, principal razão para que Travis estivesse aqui
em primeiro lugar, maldito.
Ele e Holden tinham saído e ido a festas juntos desde o ano passado
ou algo assim, tinham até compartilhado algumas sessões de amassos muito
quentes, mas isso foi tudo. Holden parecia querer mantê-lo pouco mais que
um amigo.
Travis sabia que ele era bonito. Não fazia sentido mentir sobre isso.
Ele tinha sido eleito o Veterano Mais Paquerado do ensino médio da escola,
além de ser o Rei do Retorno as aulas e Rei do Baile do final de ano em seus
anos de calouro e veterano. Ele não era particularmente convencido sobre isso,
ele nasceu bonito. Mas, ainda assim, ele não conseguia entender por que
Holden não parecia querer fazer sexo com ele. Não era como se Travis não
tivesse se oferecido o suficiente.
Homem ou mulher não importava muito o sexo para os membros do
clã, que eram notavelmente sem preconceitos sobre a sexualidade,
considerando o fato de que eles sempre viveram com os ensinamentos da
Bíblia isso importava pouco para a maioria das pessoas. Era um fato que
muitas pessoas do clã eram tão feliz com um parceiro do mesmo sexo como
não, e preferência sexual foi totalmente deixada a escolha de cada indivíduo. A
esse respeito, pelo menos, eles eram uma sociedade de mente aberta, mas se
havia uma coisa que os membros do clã não conseguia fazer, era serem
acasalados entre si.
Sexo casual tudo bem, e frequente tinham muitos atrativos com os
jovens membros dos clãs correndo selvagens na lua negra, mas um verdadeiro
acasalamento entre os membros do clã era raro e extremamente difícil de
conseguir. O fato era que eles eram todos muito dominantes e agressivos para
conseguir coexistir pacificamente juntos. Houve casos, é claro, ao longo dos
anos, que dois membros do clã receberam um chamado de acasalamento um
para o outro, mas essa situação nunca terminou bem e, geralmente, nunca
sem derramamento de sangue.
A maioria dos membros do clã escolhiam um agradável, e simples
humano, que geralmente caiam completamente sob seus feitiços, vendo como
os membros do clã eram quase sempre muito atraentes. Às vezes, havia até
mesmo um instinto de acasalamento para um ser humano, como aconteceu
com Hawke e seu companheiro, Jace. Esse acasalamento costumava ser o
mais comum, mas ao longo dos anos o sangue do clã havia se tornado aguado
pela infusão constante de DNA humano. Agora os chamados de acasalamento
foram se tornando cada vez mais raros.
Dizia-se que em tempos passados, os membros do clã acasalavam
regularmente entre eles, mas agora não mais. Em algum momento no passado
não muito distante, as mulheres do clã haviam se tornado mais fortes e
dominantes, forçando os homens do clã a procurar em outro lugar pelos seus
companheiros. Acasalamentos entre dois homens do clã no entanto, era quase
seriam capazes de viver juntos por muito tempo sem um deles matar ou ferir
gravemente o outro, em uma tentativa de obter o controle.
Entretanto, não havia nada de errado em brincar e ter experiências
sexuais entre si, como Travis queria fazer com o lindo Holden, mas Holden
ainda o estava mantendo a distância de um braço esticado, mesmo depois de
se conhecerem a um ano.
Holden era mais velho, mais próximo da idade de seu irmão Spencer,
e era o cabeça não reconhecido do clã MacKay. Tanto os MacKays, como os
Sutherland, viviam nas montanhas do Alabama por centenas de anos, e
tinham vindo originalmente da Escócia quase ao mesmo tempo que os
Sutherland.
Isso não significava porém que os dois clãs se davam bem, o seu
relacionamento com Holden era um ponto muito sensível com sua família.
Havia sangue ruim entre os Sutherland e os MacKays desde as grandes
guerras dos clãs na Escócia por volta do século XIV. A disputa estava em
primeiro lugar somente nas lendas, então quando um Sutherland assassinou o
chefe do clã MacKay em sua própria cama. As coisas tinham ido por água
abaixo.
―Sente-se no meu carro, figurão, enquanto eu chamo um guincho.
Hawke sacudiu a cabeça e foi em direção ao carro de patrulha e
Travis decidiu fazer uma última tentativa.
―Um guincho? Por favor, Hawke, não estamos a mais de um ou dois
quilômetros de estrada até em casa! Inferno, apenas estacione meu carro na
beira da estrada e eu vou a pé. Por favor?
―Não.
―Droga, Hawke, você não pode chamar Spencer para vir pegar o
meu carro?
―Eu poderia, mas eu não vou. Se a sua mãe e seu pai tiverem que
pagar o guincho, talvez eles coloquem regras em cima de você antes de eu
precisar colocar. Esse tipo de merda ainda vai te matar, garoto, e eu por
exemplo, não tenho qualquer desejo de ir ao seu maldito funeral. Agora sente-
se no meu carro e cala a boca. Considere-se sortudo por eu não levá-lo para a
cadeia, e eu iria se a lua negra não fosse amanhã à noite.
Travis decidiu que talvez fosse melhor ele fazer o que lhe foi dito,
porque Hawke não parecia estar no seu melhor humor esta noite. Como de
costume, na noite anterior a lua negra, todo mundo estava nervoso e sentindo
a pressão. Talvez isso tivesse sido a causa da grosseria de Holden antes,
quando Travis havia tentado levá-lo para a cama. Como os Sutherland, os
MacKays também enfrentavam a maldição.
―Vá para casa, Travis, e durma, disse Holden.
―Eu já tive uma visita de sua família esta semana, e eu não tenho
nenhum desejo de outra.
―Minha família veio vê-lo! Porquê? Travis tinha gritado, furioso e
envergonhado. Ele sabia que tinha que ser seu irmão Spencer, e isso o
enfureceu, o que seu irmão tinha que se envolver na sua relação com Holden.
Travis tinha vinte e um anos de idade e era um homem, ele já era crescido e
não precisava da interferência de ninguém. ―Eles não têm nada a ver sobre o
que eu faço ou não faço!
―Bem, eles parecem pensar diferente. Disseram-me para deixá-lo
sozinho. Não só isso, mas Spencer e Hawke estavam aqui fazendo ameaças
sobre eu vender bebidas alcoólicas no bar para meninos menores de idade da
cidade. ― Ele se virou com uma cara de bravo para Travis. ―Você me disse
que todos aqueles meninos eram maiores de idade, Travis.
―Eles são! Bem, a maioria deles são, de qualquer maneira. Um ou
dois deles podem ter apenas dezenove anos...
―Droga, Travis! ― Ele o empurrou em seguida, quando Travis tentou
abraçá-lo, e mandou ele e seus amigos para fora, dizendo-lhes para ir para
casa.
Desde que Travis e Holden eram ambos shifters, apesar de serem de
diferentes clãs, eles não tinham um futuro juntos e eles sabiam disso. Ele
percebeu que o outro homem não o amava, e Travis também não amava
Holden realmente, mas ainda era ruim ser dispensado assim. Se Holden não
fosse tão quente e Travis não precisasse tanto de alguém, ele não demoraria
para dar um fora nele. Como ele estava com medo de que Holden logo iria
colocá-lo na estrada.
Travis foi levado para fora do devaneio pela voz de Hawke.
―Ok, Travis. Vou ligar para o guincho vir rebocar o seu carro até em
casa, e então eu vou te levar para casa.
Sabendo que era inútil tentar falar com Hawke, e grato por ele não
estar sendo levado para a cadeia, Travis colocou a cabeça no encosto de
cabeça do banco do passageiro do veículo de Hawke.
―Ok, tudo bem então. Jesus, pare de enrolar. Vamos embora.
―Segure seus malditos cavalos. Sente-se ai e cale a boca, ou eu vou
lhe colocar algemas e jogar sua bunda lá atrás. Temos que esperar o reboque.
Eu estou chamando o MacKay agora.
Travis cruzou os braços e estreitou os olhos. Ele sabia que não devia
dizer mais nada quando Hawke olhava para ele daquele jeito, mas isso não
quer dizer que ele não queria. Ele estava malditamente perto de sufocar até a
morte, por ter que se sentar ali e não poder dizer a Hawke exatamente o que
pensava dele e de seus modos arrogantes.
Ele honestamente não sabia como Jace, o novo companheiro de
Hawke, poderia suportá-lo. Jace tinha quase a mesma idade de Travis e
parecia ser muito legal, mas Hawke tinha sido sempre, um babaca arrogante
opinativo. Hawke era como um irmão mais velho para ele de várias maneiras,
mas ainda assim, em momentos como estes, ele chateava Travis.
Travis sentiu como se estivesse sentado no veículo de Hawke por
horas, mas provavelmente só tinha sido por cerca de quinze minutos, antes de
ouvir o caminhão de reboque descendo a estrada. Quando ele parou na frente
de seu carro e o motorista desceu, Travis quis deslizar para baixo no banco
fora de vista. Camron MacKay. De todas as pessoas, por que ele?
Travis tinha ido para a escola com Camron, mas duvidava que
Camron se lembrasse dele. Travis era dois anos mais jovem, e Camron tinha
sido uma grande estrela do futebol e absolutamente o homem mais bonito de
sua classe ou qualquer outra, tanto quanto Travis se lembrava. Travis teve uma
grande paixão por Camron no seu segundo ano do ensino médio da escola e
ainda se sentia inquieto cada vez que o via. O único problema era que Camron
sempre foi bastante agressivo e era hetero, o que era estranho para um
homem do clã, ele nunca tinha mostrado o menor interesse em Travis de uma
forma ou de outra.
Travis ouviu Hawke conversando com Camron, mas não conseguia
entender o que ele estava dizendo. Então, Camron andou até o veículo do
policial, parando para olhar e sorrir para Travis.
―Ei, Travis, você tem um pequeno problema de novo, hein? Assim
que eu conseguir prender o carro no guincho, eu vou rebocá-lo para sua casa.
Não vai demorar, mais um minuto.
―Tudo bem. Obrigado, Camron. ― Camron assentiu e voltou a olhar
para o caminhão de reboque atrás dele. O olhar de Travis seguiu o seu, e ele
corou quando viu Jenny Calhoun sentada no banco da frente, à espera de
Camron. Sua boneca Barbie estava girando o cabelo loiro em torno de um dedo
enquanto ela olhava pela janela e via Camron olhando para ela, ela deu-lhe um
pequeno aceno.
Camron deveria estar em um encontro com Jenny quando Hawke o
chamou. Camron era o dono da mecânica MacKay, e geralmente ficava de
plantão após horas. Ele também era um dos primos de Holden, não que eles se
davam bem. Holden era da opinião de que a rixa entre os Sutherland e o
MacKay ainda estava bem viva, enquanto Camron e a maioria dos outros
membros mais jovens do clã MacKay pensavam nisso como história antiga.
Não havia dúvida na mente da maioria das pessoas, porém, que a maldição
veio diretamente dos Sutherland.
Parecia que num dia, várias das mulheres Sutherland foram
sequestradas, estupradas e mantida em cativeiro pelos MacKays, o que trouxe
a maldição para sua própria família. A maldição era uma habilidade
interessante dos Sutherland em mudar para um grande puma durante os dias
do mês de lua negra. Deveria ter assustado o inferno fora dos MacKays quando
descobriram o que suas mulheres se tornavam durante as três noites de lua
negra, mas por nessa altura, já deveria ser tarde demais. O charme do clã era
notório e tinha tomado o seu preço sobre os homens Mackay e eles se
recusaram a devolver suas esposas.
Eles ainda culpavam os Sutherland, é claro, mas suas esposas
deveriam ter sido muito especiais, pois os protegeram em um momento em
que a maioria das pessoas teria apenas os queimado na fogueira pelo que foi
feito com elas. Esse foi o início da relação de amor/ódio entre as duas famílias.
É claro que uma grande quantidade de toda essa história eram apenas lendas
e mitos, mas era um fato aparentemente impossível e permanecia em sua
família, juntamente com os MacKays que não eram exatamente humanos, e
provavelmente nunca tinham sido.
Jenny Calhoun era humana e tinha estudado na mesma sala de aula
do ensino médio que Travis. Como a maioria das pessoas do clã iam para a
escola com humanos eles não tinha ideia sobre os segredos do clã. Somente os
seres humanos que foram escolhidos como companheiros pelo clã sabiam de
sua verdadeira natureza.
Camron, como a maioria dos homens do clã, obviamente foi evitando
as fêmeas do clã, e tinha escolhido este pequeno ser humano para si mesmo.
Travis não sabia por que sentia uma pequena pontada em seu peito parecida
com ciúme, mas ele sentia. Inferno, não era como se Camron já tivesse tido
qualquer interesse por ele de qualquer maneira.
Ele colocou a cabeça para trás no banco novamente e tentou não
pensar sobre a reação de sua mãe quando Hawke o levasse para casa. Por
favor, Deus, deixe-a dormir e não acordar até que Hawke tivesse ido embora.
Se ela saísse na varanda e brigasse o com Hawke, inferno, ele poderia levar
Travis para a cadeia de qualquer jeito só por despeito. Sua mãe tinha
praticamente ajudado a cuidar de Hawke desde que ele passava a maior parte
de seu tempo com Spencer quando criança, mas os dois sempre se chocavam.
Uma vez que Camron teve o carro de Travis preso ao guincho, Hawke
dirigiu lentamente pela estrada, deixando o caminhão de reboque seguir atrás,
e em apenas alguns minutos, Travis viu sua casa à frente. Quando eles
estacionaram, Spencer saiu pela porta da frente. A presença de Spencer não
era exatamente reconfortante, mas ainda era melhor do que a mãe dele.
Hawke deve ter chamado para avisa-lo antes de se juntar a Travis no carro. O
guincho puxou o carro de Travis e estacionou perto do celeiro.
Hawke abriu a porta ao mesmo tempo que Travis e ele brevemente
disse a Travis para segui-lo até a varanda. Pelo amor de Deus, eles não podiam
deixá-lo em paz? Era um inferno ter um irmão mais velho e um primo que
eram ambos tão certinhos e perfeitos. Seu rosto estava queimado com a ideia
de que Camron ia testemunhar o seu embaraço. Agora, se sua mãe se
juntasse a eles na varanda, sua humilhação seria completa. Por favor, Deus,
deixe-a estar dormindo.
Como se de forma direta, ainda em resposta negativa à sua oração,
Emma Sutherland saiu na varanda atrás de Spencer, com o rosto tão obscuro
quanto uma nuvem de tempestade e com fogo cuspindo de seu olhos.
Obrigado, Deus.
Hawke e Travis caminharam até a varanda. Depois de lançar um olhar
de desprezo para Travis, Spencer dirigiu toda a sua atenção para Hawke.
―Ei, Hawke.
Emma por outro lado agarrou Travis pelo braço, e o puxou para cima
ao lado dela na varanda antes de falar com Hawke.
―Por que diabos você está perturbando meu filho, Hawke
Sutherland?
―Perturbá-lo? Droga, Emma, eu estou tentando salvar sua vida. Olhe
para a condição de que ele está!
Ela puxou Travis mais perto para seu lado.
―Ele me parece muito bem. Ele teve gripe, isso é tudo e por isso ele
ainda está um pouco pálido. Ele sempre foi delicado.
―Mama! ― Spencer e Travis disseram juntos e, em seguida, olharam
um para o outro. Spencer soltou um longo suspiro.
―Não diga mentiras para ele, mamãe. Você não pode ver a condição
que ele está?
Ela fez um barulho bufando e puxou a cabeça de Travis para baixo
em seu ombro. Ela tinha mais de um metro e oitenta de altura, e tão forte
quanto uma mulher com metade da sua idade, por isso, Travis provavelmente
não poderia ter fugido facilmente mesmo se tivesse tentado.
―Obrigado por trazê-lo para casa, Hawke― disse Spencer se
desculpando.
―Não tem problema― disse Hawke, com os lábios apertados de
raiva. ―Eu poderia tê-lo levado para a cadeia por dirigir embriagado, mas já
que estávamos tão perto de sua casa, eu decidi apenas trazê-lo para casa.
Outra e ele vai perder a sua carteira de motorista. Não que ele não mereça.
Você precisa lhe aplicar uma correção, Emma, não mima-lo. Ele cheira álcool e
maconha.
Travis puxou a cabeça do peito de sua mãe e tentou corajosamente
fugir, mas ela se agarrou a ele como um macaco a uma banana.
―Vocês dois sabem que eu estou aqui, certo? ― Travis chorou, ainda
tentando lutar contra ela. ―Eu posso ouvi-lo.
Hawke riu e Spencer se virou para Travis. ―É só pegar o seu rabo e
leva-lo para casa, e agradecer a Deus que Hawke não o levou para a cadeia.
―Sim, bem, ele ainda não precisava rebocar meu carro. Eu disse que
ele poderia chamá-lo!
A cabeça de Emma se virou, e ela fixou um olhar fulminante em
Hawke. ―E quanto caramba isso vai me custar? Você pode ter muito dinheiro,
Hawke Sutherland, mas nós temos que trabalhar para ganhar a vida!
Hawke revirou os olhos e soltou um suspiro longo de sofrimento.
―Você sabe que o meu menino está procurando trabalho agora! ―
Emma chorou.
―Para estar procurando postos de trabalho, você realmente tem que
ir atrás dele, mamãe― disse Spencer baixinho, e Travis lutou novamente para
ficar longe de Emma, provavelmente para dizer a Spencer o que ele achava
dele também.
―Foda-se, Spencer― ele disse em uma voz abafada contra o ombro
de Emma. ―E o cavalo que você montou também! ―
Hawke e Spencer se entreolharam e Spencer balançou a cabeça.
―Você sabe, eu nunca entendi essa expressão. Por que diabos ele quer foder a
mim ou meu cavalo?
―Oh, vá para o inferno, Spencer! ― Travis disse finalmente se
soltando do abraço de sua mãe e indo para casa, batendo a porta atrás de si.
Sua mãe deu um olhar do mal a Hawke antes de segui-lo para dentro.
―Caramba, eu sei que nós não somos muito mais velhos do que ele,
mas ele parece um pirralho mimado para mim― disse Spencer. Hawke riu.
―Talvez nós também fomos, nessa idade, Spencer. Nós apenas
optamos por não nos lembrar. De qualquer forma, eu tenho que ir. Meu turno é
longo e eu quero chegar em casa. Jace foi para Huntsville hoje para verificar
sobre tomar algumas aulas, e eu quero ver como é que ele se saiu.
―Sim, certo. Ainda em fase de lua de mel, hein, Hawke? ― Ele
zombou.
Hawke sorriu e disse: ―Ciúmes porque você não tem alguém
esperando por você em casa?
―Claro que não. Você sabe que eu não quero ser amarrado a uma
pessoa. Eu gosto demais da minha liberdade.
―Hum-hum. Basta você esperar, florescer. Se a chamada de
acasalamento bate em você, não haverá absolutamente nada que você possa
fazer sobre isso. É uma coisa poderosa.
Spencer tremeu e Hawke riu, balançando a mão, enquanto
caminhava de volta para seu veículo.
―Boa sorte com o seu irmão. Melhor ir e contar-lhe uma história para
dormir e ficar de olho. Amanhã é a lua negra e da forma como ele tem agido,
as coisas estão sujeitas a ficar difíceis.
Spencer voltou para a casa e foi direto para o quarto de Travis. Seu
irmão já estava deitado sobre a cama, o travesseiro sobre a cabeça, enquanto
sua mãe mexia com ele para tirar sua roupa e colocá-lo debaixo das cobertas.
Ela não parou de falar por tempo suficiente para obter uma respiração
completa. Apesar do jeito que ela o defendeu de Hawke, ela estava o
mastigando agora, e em termos inequívocos. Spencer notou a porta do quarto
de seus pais estava firmemente fechada. Seu pai sabia quando obter uma
cobertura. Afinal, ele tinha muita experiência ao longo dos anos.
Spencer foi até a cozinha para pegar algo para comer, pensando em
seu irmão mais novo. Ele parecia jovem e inocente, com o seu cabelo macio e
seus grandes olhos cor de musgo, mas uma piada que ele era. Ele era muito
bonito para seu próprio bem e sempre tinha sido. Se fosse uma menina, teria
chamado ele bonito, e Spencer não tinha certeza se a palavra ainda não se
aplicava a ele.
Ele era alto e magro, quase enganosamente assim, porque Spencer
sabia o quão forte ele era. Ele tinha o cabelo cor de areia com destaques de
loiro platinado. Era geralmente muito longo e continuamente caia sobre seus
olhos. Spencer tinha visto mais de uma pessoa chegar e colocá-lo para fora de
seu rosto e viu seu irmão flertar escandalosamente com todas elas, quando o
faziam, se eram homens ou mulheres. Embora com os homens, especialmente
homens de boa aparência, ele realmente colocou mais charme. Ainda acima de
tudo isso, ele usava sua aparência para conseguir o que queria. Ele deveria ter
sido disciplinado ainda quando criança, mas Spencer estava com medo de que
fosse tarde demais.
Quando Travis era um bebê, ele teve febre reumática1, e depois os
médicos perceberam um sopro no coração. Era apenas um leve e inocente
sopro no coração, como eles chamavam, e uma vez que ele tinha superado
isso, sua mãe continuou agindo como se ele fosse um garoto inválido até
então. Apesar das garantias do médico que o sopro no coração era inofensivo,
ela fez o trabalho de sua vida cuidar de seu filho. Cada pequeno gemido que
saia de sua boca ela corria para vê-lo, ela se sentava e o balançava por horas a
fio no hospital, como se ele estivesse às portas da morte. Quando seu pai
protestou com ela, ela gritou para ele ferozmente.
―Ele tem um problema de coração ― ela dizia em tom retumbante,
efetivamente trazendo o argumento ao fim.
Não que ela tivesse negligenciado Spencer, ele teve sua própria quota

1
Febre reumática é uma doença inflamatória que se desenvolve após uma infecção por bactéria. A doença pode
afetar o coração, as articulações a pele e o cérebro.
de amor sufocante, mas o pobre Travis suportou o peso dele.
Na verdade, não era só culpa da mãe dele. Spencer percebeu que
toda a família era culpada pela forma como Travis tinha sido criado. Depois de
ter Spencer, sua mãe tinha tido vários abortos, e seus pais acreditavam que
Spencer seria o seu único filho.
Eventualmente, Travis nasceu quando seu irmão já tinha dez anos de
idade e todos o adoravam, incluindo Spencer.
Através dos anos, nenhum membro de sua família tinha sido capaz de
discipliná-lo ou de negar-lhe qualquer coisa que ele quisesse. Spencer se
incluía na culpa de como Travis tinha sido mimado e esperava que não fosse
tarde demais. Ele ia ter que falar com seus pais sobre o que eles deveriam
fazer. Seu pai seria mais fácil, mas Senhor, o que ele temia era falar com sua
mãe.
Ele esperava que tivesse uma chance de falar com seus pais antes de
Travis cair no caminho das graças de sua mãe novamente. Para uma mulher
tão forte, ela era um absolutamente um marshmallow em torno de seu irmão e
poderia ser manipulada por ele descaradamente. Ele sorriu, pensando que ele
também tinha usado a sua própria quota de manipulação. Uma coisa era certa,
ela amava os seus meninos e isso se tornava uma falha.
Spencer se sentou à mesa e esperou sua mãe sair do quarto de
Travis. Ela o chamou para casa antes, quando Travis não tinha voltado na hora
em que ela achava que ele deveria ter chego, e agora que Travis estava aqui e
seguro, ele realmente não tinha qualquer razão para ficar. Claro, Hawke estava
certo, ele não tinha nada nem ninguém esperando por ele em casa, então ele
poderia muito bem passar a noite e se certificar de que Travis não voltasse e
sair novamente.

Capítulo Dois

Travis acordou sentindo uma merda. Sua cabeça doía e ele tinha a
boca seca o que sempre acontecia depois de beber muito, mas pelo menos, ele
não se sentia mais desorientado. Não havia nenhum som vindo do quarto de
seus pais, parecia que eles já tinham saído para o trabalho. Agradeço a Deus
pelos pequenos favores.
Depois de ir ao banheiro para se aliviar, ele remexeu em seu armário
até encontrar uma calça de moletom. Ele a vestiu e foi em busca de uma
aspirina, água e comida, mais ou menos nessa ordem.
Entrando na cozinha, ele ficou surpreso ao ver Spencer vasculhando a
geladeira.
―Merda, você me assustou, Spencer. O que diabos você ainda está
fazendo aqui? Cadê a mamãe e papai?
―Eles já saíram para trabalhar, mas eu decidi ficar por aqui para falar
com você. Eu queria ter certeza de que você não fizesse alguma coisa estúpida
assim que se levantasse. Você já esteve em um monte de comportamentos
estúpidos por um tempo agora.
―Oh, inferno, você é meu guardião agora? ― Travis passou por ele e
pegou uma garrafa de suco na geladeira, tomando direto da embalagem e
bebendo em goles longos.
Spencer observou-o pensativo. ―Não, mas com certeza parece que
você precisa de um.
―Spencer, eu não sou mais um bebê. Eu posso cuidar de mim
mesmo e tomar minhas próprias decisões.
―Sim, eu posso ver o quão bem você fez com isso. Se não tivesse
sido Hawke o único a detê-lo ontem à noite, você provavelmente estaria
sentado na prisão agora.
―Vá para o inferno, Spencer. ― Travis soltou o insulto sem emoção
real. Ele sempre admirou Spencer, embora ele tentasse mandar nele demais.
Ele tomou seu suco foi até a mesa e sentou-se.
―Tentar mantê-lo longe de problemas é um inferno, Travis. E o que
você acha que você está fazendo por aí com Holden MacKay?
―Se fosse da sua conta, o que não é, eu gosto de Holden. É divertido
estar com ele e ele me trata como um adulto, ao contrário de todas as outras
pessoas da minha família. ― Travis arrotou e jogou a embalagem de suco na
lata de lixo.
―Quando você começar a agir como um adulto, nós vamos tratá-lo
como um. ― Só então, um olhar engraçado apareceu no rosto de Spencer.
―Oh, Jesus, Travis, você e ele não estão ... sexo, não é?
Assustado, Travis olhou para o irmão com os olhos arregalados.
―Você sabe, Spencer, isso realmente não é da sua conta.
―Bem, eu sei que o desejo de ter relações sexuais começa a chegar
muito forte após a primeira mudança e você já teve algumas mudanças até
agora. ― Ele o olhou com desconfiança.
―Por favor, Deus, me diga, que Holden e você não estão brincando!
Ele não faz segredo de seu ódio pelos Sutherland. Não há absolutamente
nenhum futuro com ele.
―Não, nós não estamos brincando, como você diz, não que isso seja
da sua conta. Bem, talvez um pouco, mas é só alguns dos Sutherland que ele
odeia. Ele sempre foi bom para mim. Me parece que você foi capaz de lidar
com a sua necessidade de sexo, sem quaisquer problemas, e você é muito
mais velho do que eu.
Spencer olhou para ele.
―Eu não sou muito mais velho que você, e eu acho que eu tenho tido
sorte até agora. Eu não tive qualquer desejo de me estabelecer, no entanto, o
que é bom, porque eu não estou pronto para isso.
―Na sua idade? Quando o inferno que você vai estar pronto? Hawke
é tão velho quanto você e ele já encontrou alguém. De qualquer forma, como
você sabe que você não está indo obter um chamado de acasalamento como
Hawke fez? Spencer deu de ombros.
―Senhor, Travis, eu só tenho vinte e oito anos. Eu não sei
exatamente sobre segurança social ainda. Além disso, eles dizem que você vai
saber quando a vontade de se acasalar bater em você, mas desde que eu
nunca senti isso, eu não tenho ideia. Hawke diz que ele soube no instante em
que Jace entrou em seu escritório. Inferno, mesmo antes. Ele disse que estava
olhando pela janela, e o viu estacionar e sair de seu caminhão, e ele já soube.
Hawke disse que não conseguia ficar longe dele, e até mesmo sentia seu
perfume ao redor, às vezes, é um chamado forte.
―Sim, bem, de qualquer forma a minha vida amorosa não é da sua
conta.
―Tudo o que sei é que, mesmo se você estiver apenas brincando com
Holden, vai ser um inferno de um preço a pagar. Você sabe como Mama se
sente sobre os MacKays, e não vai importar se você é seu pequeno bebe. Ela
vai chicotear seu traseiro.
Travis suspirou cansado.
―Por que você não vai para casa, Spencer? Estou bem agora, e eu
não planejo ir a qualquer lugar hoje. Por uma questão de fato, eu estou
pensando em tirar mais um cochilo antes da mudança de hoje à noite.
―Eu espero que você esteja me dizendo a verdade, porque eu tenho
um par de coisas para fazer antes que eu possa realmente ir para casa e
descansar.
―Ok, então vá. Eu estou bem.
―Ok, ok, eu vou, mas é melhor você se comportar.
Travis virou-se para voltar para seu quarto.
―Tanto faz.
Ele já estava de volta na sua cama quando ouviu a porta da frente
fechar atrás de seu irmão. Ele não estava realmente com sono, ele só
precisava pensar e ficar longe de Spencer. Ele odiava admitir, mas seu irmão
estava certo. Ele precisava levantar sua bunda e conseguir um emprego e seu
próprio lugar. Algum dia em breve. Talvez na próxima semana.
Ele bocejou e se levantou outra vez, voltando para a sala de estar a
caindo numa poltrona grande na frente da TV. Talvez ele falaria com seu pai
esta noite sobre trabalhar na loja de ferragens aqui na cidade. Ou talvez
deixasse para amanhã. Não havia pressa.
Seu pai era dono de uma loja de ferragens em Huntsville, embora era
principalmente Spencer que cuidava das coisas. Ele tinha uma loja aqui na
cidade também, mas só abrisse em alguns dias por semana. Seu pai tinha
falado com Travis sobre abrir a loja da cidade em tempo integral e deixá-lo
cuidar dela, para que Spencer não tivesse que se preocupar com isso. Travis
estava indo para a faculdade, em seguida, e não teria tempo, mas desde que
ele foi reprovado no vestibular, alguns meses antes, ele não tinha nada, mas
que tempo em suas mãos estes dias.
Enquanto ele estava ali deitado, meditando sobre seus planos, ele
pensou ter ouvido algo lá fora. Ele começou a se levantar, assim que alguém
bateu suavemente na porta. Foi quando ele sentiu um formigamento estranho
correr por todo o caminho de seu corpo até sua espinha, fazendo-o
estremecer.
Ele sentiu algo parecido antes, quando ele estava sentado no veículo
de Hawke, depois que o caminhão de reboque chegou. Por uma questão de
fato, foi na hora em que Camron parou para falar com ele. Ele estava muito
fodido no momento para ser capaz de se lembrar claramente disso, até agora.
Ele estremeceu novamente e abriu a porta. Camron estava na
varanda, e ele estava muito bonito. Travis o olhou de cima a baixo e sentiu sua
boca ficar um pouco seca.
―Ei, Camron, o que foi? ―Travis estava tentando manter a calma,
mas era difícil quando ele tinha um desejo incontrolável de envolver seus
braços em torno do homem.
Travis reparou que Camron deu-lhe um olhar estranho.
―Uh, Travis, eu trouxe as chaves do seu carro. Eu não sabia que eu
tinha levado comigo até pouco antes de fechar a loja.
Ele estendeu a chave e Travis a pegou. Suas mãos se tocaram e
ambos saltaram. Travis podia jurar que viu uma faísca saltar entre eles.
Deveria ser a eletricidade estática.
―Obrigado― Travis disse, sua voz ficou de repente instável.
―Você quer entrar um pouco? Quer algo para beber?
Travis percebeu que ele realmente não queria que Camron fosse
embora. Ele olhou para cima por debaixo dos seus cílios, instintivamente
flertando com o homem. No instante seguinte, ele percebeu o que estava
fazendo, Camron era conhecido por ser hetero. Travis teria sorte se Camron
não batesse a merda fora dele. Ele se endireitou e afastou o cabelo dos olhos.
Ele passou a língua sobre os lábios secos e viu Camron olhando para ele, em
seguida, estreitando os olhos.
―Não, obrigado. Eu preciso ir para casa, mas talvez em outro
momento. Aqui está o meu cartão, se você precisar entrar em contato comigo,
para qualquer coisa. Ele tem meu número de celular também.
Travis não podia imaginar qualquer razão que ele precisasse entrar
em contato com Camron, mas ele pegou o cartão que ele estendeu como uma
tábua de salvação. Jesus, qual era o problema com ele?
―Ok, obrigado. ― Ele parecia não controlar o volume de sua voz. As
palavras saíram ofegantes e macias.
Camron deu-lhe mais um olhar indecifrável e, em seguida, se virou.
Travis fechou a porta e voltou para seu quarto, ainda segurando o cartão.
Sentou-se na cama e abriu a gaveta de sua mesa de cabeceira, colocando o
cartão lá onde não perderia. Inferno, por que ele deveria se preocupar se ele o
perdesse? Ele tinha ido para a escola com Camron, afinal. Em todos os anos
que eles se conheciam, Travis nunca tinha sentido a necessidade de chamar
Camron e certamente o inverso era verdade.
Ele estava deitado de costas na cama, perguntando por que ele tinha
ficado tão triste por ver Camron sair. Inferno, foi doloroso, como se estivesse
perdendo algo realmente importante para ele, algo vital que ele precisava para
viver. Seu coração batia descontroladamente e seu pênis começou a doer, bem
na hora que ele tinha visto o outro homem na porta. Bem, um pouco antes
disso, na verdade, foi quando ele sentiu o arrepio antes que ele abrisse a
porta.
Travis passou a mão sobre sua ereção e fechou os olhos. Tudo o que
podia ver em sua mente era Camron, alto e musculoso, com cabelo castanho
escuro cortado curto com estilo, a frente um pouco alta e aparado dos lados
ele favorecia aqueles olhos castanhos lindos. Sim, avelã, é a cor que você
poderia dar. Parecendo verde, mas não exatamente. Mais como ouro. Deus, ele
era o sexo em duas pernas, mas Travis nunca tinha reagido desta forma a ele
antes. Ele não conseguia entender.
Ele encontrou se perguntando como seria o corpo de Camron nu
agora. Quando eles estavam na equipe juntos, ele o tinha visto várias vezes no
chuveiro e no vestiário, e seu corpo era quente, mesmo naquela época. Ele
costumava se esgueirar e olhar para ele, quando ele pensava que ninguém
estava olhando. Não parecia que seu corpo mudou muito, apenas estava um
pouco mais musculoso. Ele era talvez alguns centímetros mais alto do que
Travis e pesava um pouco mais. Ele parecia ser um homem que trabalhava
duro para ganhar a vida. E lá estava seu pau de novo, se levantando em suas
calças.
Ele arrancou a calça e deitou de braços abertos sobre a cama, dando
a seu pau algum espaço. Em seguida, ele se abaixou e começou a acariciá-lo
lentamente, imaginando o rosto e o corpo de Camron como ele tinha feito
antes, retratando um Camron nu e duro. Deixou-se imaginar que era a mão de
Camron sobre seu pau, apertando-o, acariciando-o, provocando a sua fenda.
Uma onda de desejo o invadiu, e ele gozou de forma incontrolável. Quando o
último dos pequenos tremores passou através dele, ele tornou-se
gradualmente consciente de que ele gozou em cima dele com a porta do
quarto aberta. Graças a Deus ele estava sozinho em casa. Ele definitivamente
tinha que falar com seu pai sobre um trabalho para que ele pudesse passar o
inferno de um tempo fora desta casa.
Camron se virou e praticamente correu pela varanda na frente de
Travis, na sua pressa de fugir. Ele manobrou o caminhão em volta da garagem
e cantou pneus, dirigindo mais rápido do que o necessário. Que diabos foi isso,
ele dando a Travis seu cartão e dizendo-lhe para chamar se ele precisasse de
alguma coisa? Ele nem sequer se preocupava com o merdinha, então ele não
sabia por que ele queria ajudá-lo. Enquanto Camron estava sempre
preocupado, Travis era um merda que nunca teve que assumir
responsabilidade por qualquer coisa. Sim, ele era um rapaz de boa aparência.
Realmente bonito, ou quase bonito, mas o que diabos? Por que ele estava
pensando sobre isso? Por que ele estava até mesmo pensando sobre o menino,
afinal?
Determinado, a desviar seus pensamentos, pensou em Jenny e como
ele tinha feito amor com ela na noite anterior. Ela envolveu suas pernas longas
e suaves ao redor de sua cintura, e ele tinha feito amor com ela por metade da
noite. Ele precisava ter um pouco mais disso, tão logo a lua negra tivesse
acabado este mês. Sim, ele precisava manter Jenny em sua mente e parar de
pensar naquele pequeno punk de cabelo macio, brilhante e os olhos verdes que
pareciam brilhar para ele. E os cílios pretos grossos que eram como os de uma
boneca, bonitos demais para ser de um maldito homem.
Camron tinha sentido esta atração antes, quando ele veio rebocar o
carro de Travis, mas ele não tinha certeza do que era esse sentimento até que
ele trouxe as chaves de volta para Travis.
Quando a porta se abriu e Travis estava lá usando nada além de uma
calça fina e uma cara de quem acabou de sair da cama, a boca de Camron
ficou seca. Ele parecia tão malditamente quente, sonolento e doce. Seus pés
descalços pareciam ter frio e ele queria fazê-lo ir vestir umas meias ou sapatos
ou algo assim. Ele olhou para aqueles malditos grandes olhos verdes dele e
tentou não pensar sobre o quão quente seu corpo estava. E aqueles lábios
exuberantes em seu...

Ele não tinha sido capaz de falar, em primeiro lugar, porque ele
estava tão confuso com sua própria reação a outro homem. Ele nunca tinha
sentido esse tipo de atração por um homem antes, e não queria sentir agora.
Droga, ele queria beijar Travis. Queria tanto que ficou com dor por apertar
seus dentes. Ele queria agora mesmo voltar lá e bater na porta, e quando ela
abrisse, puxar o menino em seus braços e beijar até deixa-lo sem ar, fazê-lo
gemer em sua boca e pedir-lhe para parar.
Mas ele não iria parar. Ele andaria com ele para trás, para dentro
daquela casa e iria deitá-lo. Tirar as calças dele e engoli-lo inteiro. Lambê-lo e
chupá-lo até que tivesse ele chorando e implorando por misericórdia, mas ele
não mostraria nenhuma. Ele o sugaria até que ele gozasse, até que ele não
pudesse mais gozar e então ele iria lamber cada gota. Ele chuparia até que ele
abrisse as pernas para ele como um pêssego maduro, e então ele iria mostrar-
lhe a quem ele pertencia. O pau de Camron iria empurrar dentro do escuro
calor aveludado até que ele se enterrasse até suas bolas.
Ele esperaria Travis se contorcer e tentar fugir, mas seria inútil,
porque ele estaria empalado no pau de Camron, e ele nunca mais fugiria. Ele
envolveria seus braços ao redor dele e acariciaria seu pau até que ele tivesse
balbuciando. Inferno sim, Travis era dele. Ele era o seu companheiro.
O conhecimento repentino surpreendeu-o tanto que ele teve que
encostar o caminhão na beira da estrada e ficar lá até que ele parasse de
tremer. Merda, isto era o chamado de acasalamento. Droga! Nada mais poderia
ser tão forte, e tão atraente! Esse tipo de coisa não fazia parte de seu plano,
nunca tinha sido parte de seus planos! Ele tinha estado com meninos
ocasionalmente, quando ele era mais jovem, mas ele só estava
experimentando já que a maioria dos homens do clã parecia gostar tanto de
homens como das mulheres. Embora ele não. Ele tentou experimentar e
decidiu que ele estava muito mais atraído por meninas. Elas eram macias e
cheirosas e na maioria das vezes, elas faziam tudo o que ele pedia. Ele queria
ter filhos e queria uma esposa doce esperando por ele em casa com uma
refeição quente. Talvez isso fosse antiquado, mas isso é o que ele decidiu que
queria há muito tempo.
Ainda assim, Camron sempre tinha sido realista, e sempre foi prático.
Se isso realmente era o desejo de acasalamento, e ele tinha certeza que era,
então não havia como fugir. Todos os seus bem-feitos planos viraram fumaça e
passado agora. Ele não estava indo para obter sua pequena esposa loira, seus
cinco filhos e sua vida segura.
O pai de Camron morreu quando Camron estava na escola e sua mãe
precisou de sua ajuda para manter os negócios da família, já que ele era o
filho mais velho. Eles lutaram, mas assim que se formou, ele foi capaz de
assumir por tempo integral e as coisas estavam indo bem para eles agora. No
entanto, tinham sido duras para ele, ele podia reconhecer isso agora. Ele tinha
ido para a cama aterrorizado quase todas as noites durante o primeiro ano,
preocupado como apoiar sua família. Ele não podia suportar a ideia de seus
irmãos e irmãs passando fome ou não tendo roupas bonitas para vestir, então
ele trabalhou até a morte para ser capaz de fornecer tudo para eles.
Camron tinha finalmente construído uma casa nas terras de sua
família, perto o suficiente da casa de sua mãe para que ele pudesse olhar por
ela e seus irmãos mais novos, mas ainda longe o suficiente para dar a si
mesmo um pouco de privacidade. Era um lugar pequeno, apenas dois quartos,
mas era grande o suficiente para ele. Ele sempre havia planejado aumentar a
casa depois que se casasse e tivesse filhos. Sua vida parecia tão agitada e
difícil, as vezes, que ele queria paz e sossego quando chegava em casa.
Certamente não era pedir demais.
Ele havia trabalhado duro e tinha finalmente chegado ao ponto onde
ele poderia começar a trabalhar em seu plano de vida. Ele tinha tido um monte
de pensamentos, e tinha descoberto que provavelmente seria melhor para ele
se casar com uma garota parecida com Jenny, uma garota doce e simples que
tinha valores antiquados, como os seus próprios. Nenhuma mulher do clã com
certeza. Embora ele gostasse de um pouco de fogo, ele não gostava do enxofre
que vinha com ele. Tudo o que ele precisava fazer era escolher uma doce e
pequena fêmea humana e sossegar.
Parecia, no entanto, que não havia um acasalamento com uma fêmea
no seu futuro, humana ou de qualquer outra forma. Não, ele estava indo obter
um menino selvagem, bonito, que, sem dúvida, tornaria sua vida um inferno.
Outro maldito macho do clã, um acasalamento que era tão raro quanto volátil,
pois só poderia haver um macho dominante no acasalamento.
Um deles teria de estar no comando, esta era apenas a natureza de
sua espécie. Camron sabia que ia ser ele, mas como diabos ele iria convencer
Travis? O menino era mimado, preguiçoso e jovem, mas ele ainda era um
homem do clã, e um alfa como qualquer um de sua espécie. Seria uma luta,
uma luta que ele acabaria por vencer, mas uma verdadeira batalha, no
entanto. Seria um equilíbrio delicado, tentando ser o macho dominante e ao
mesmo tempo tentar não causar a seu companheiro medo para que se
ressentisse dele. Ele tomou uma respiração profunda, decidido. Ele precisava
ver Travis mais uma vez para ter certeza absoluta. Isso ainda poderia ser
algum tipo de erro, era improvável, mas possível.
Ele passou a mão sobre rosto e guiou de volta para estrada. Esta
noite seria a primeira noite de lua negra e ele tinha que lidar com a mudança
pelos próximos três dias, assim ele precisava ir para casa e descansar um
pouco. Talvez depois da lua negra, ele pudesse ver Travis novamente e ver se
isso - seja lá o que fosse- ainda estava lá. Certamente não havia pressa,
apesar do impulso irracional para virar seu caminhão e voltar para reivindicar
seu companheiro.
Durante o caminho de casa, e mesmo depois que ele chegou e tentou
descansar, Travis não parava de pipocar em sua mente. Deitado para
descansar, ele quis deixar sua mente completamente em branco para
finalmente, dormir, mas ele não tinha controle sobre seus sonhos e para seu
embaraço Travis era a grande estrela. Havia vários sonhos quentes com
cenários pornográficos que o jogavam fora de seu estado subconsciente,
entrando em seu sono profundo, até que ele finalmente acordou se sentindo
mais cansado do que quando se deitou.
Estava ficando escuro lá fora e era quase hora da mudança. Desde
que ele vivia fora da cidade, ele geralmente só passava a mudança em seu
quintal, correndo pelos bosques próximos, quando estava concluída. Ele
caminhou para fora e olhou para o céu noturno. A lua estava escura, e as
estrelas pareciam suficientemente perto para tocar com a mão. Esse foi seu
último pensamento puramente humano por um tempo porque ele sentiu a
mudança começar, seus ossos se quebrando e se reposicionando, e a
selvageria assumindo sua mente.
A noite era como uma coisa viva que o envolvia em seus braços e
acariciava seu corpo com os dedos macios. Camron sentiu-se livre de seus
fardos, de todos os problemas que pesavam em sua mente no dia a dia,
enquanto corria sob as estrelas, respirando a noite em suas narinas. Ele estava
correndo em direção a algo ele sabia instintivamente, mas ele não tinha
certeza do que era. Havia um cheiro no vento, atormentando-o, acenando para
ele, e ele correu para pegá-lo.
Em seguida, na frente dele, ele pegou de vislumbre de sua presa, um
belo e grande puma, sua pelagem amarelo-castanho vivos ao luar, perseguindo
algum pequeno animal através da vegetação rasteira. Ele rosnou, mostrando
os dentes, e sua presa se virou com um grunhido feroz para confrontá-lo.
Camron circulou em torno de sua nova presa, à procura de uma
fraqueza, algo que ele poderia explorar para seus próprios fins. O outro gato
estava fazendo o mesmo, as suas orelhas para trás em sua cabeça, seus lábios
puxados para trás em um rosnado selvagem.
Quando Camron viu sua presa mudar seus olhos para o lado,
procurando uma saída clara do pequeno bosque de árvores que estavam, ele
sabia que tinha encontrado a vulnerabilidade que ele estava esperando. Ele
saltou para frente, tendo o outro puma no chão de costas, as suas patas
traseiras coçando freneticamente em sua barriga enquanto estava sobre ele,
seus dentes no pescoço do outro puma. Ele não mordeu todo o caminho,
simplesmente segurou o puma no lugar até que ele finalmente parou de lutar e
ficou em repouso por baixo dele, lamentando e choramingando. O puma de
Camron deu mais um rosnado ameaçador e permitiu que o outro se
levantasse, mas ele apoiou-se lentamente em direção à borda da clareira.
O outro puma que pertencia a ele, agora estava fazendo um som de
ronronar profundo em sua garganta, e não conseguia encontrar seus olhos.
Lentamente, ele virou as costas para ele, e as patas dianteiras caiu no chão,
apresentando-se a ele. O puma de Camron pulou em cima dele, mantendo sua
vantagem de uma vez por todas, os seus dentes apertando o pescoço do outro
puma enquanto ele miou e gritou debaixo dele.
Depois disso, ele permitiu que o puma chegasse aos seus pés,
beliscando ocasionalmente seus flancos para mantê-lo na linha e se certificar
que ficou perto dele. Eles caçavam juntos durante a noite e quando Camron
sentiu madrugada chegando, ele se deitou ao lado do outro puma o
protegendo e esperou o sol.
Na manhã seguinte, a terceira e última noite da lua negra, Hawke
entrou pela porta de trás de casa logo após o amanhecer, parecendo exausto.
Jace, que já estava de pé e fazendo o café, virou-se e sorriu para ele. Hawke
veio diretamente para abraçá-lo, a sua pele ainda estava úmida e cheirando ar
livre. O cheiro selvagem, agora familiar ainda estava sobre ele também, e Jace
enterrou o rosto em seu pescoço, feliz por tê-lo com segurança de volta em
casa.
Jace nunca dormia bem quando Hawke não estava lá, e,
particularmente, nas noites de lua negra. Era tão estranho para ele que tinha
dormido sozinho grande parte de sua vida sem nenhum problema, nem sequer
gostava de estar perto de alguém quando ele dormia. Desde que conheceu
Hawke, no entanto, ele não poderia dormir sem estar todo enroscado com ele,
e, geralmente, acordar para encontrar cada um dos grandes braços e pernas
de Hawke lançadas sobre ele possessivamente.
―Você está realmente cansado. ―Disse Jace, afastando-se para olhar
para ele.
―Você quer algo para comer ou prefere apenas ir para a cama?
―A comida em primeiro lugar, mas apenas algo rápido― disse ele,
afastando-se para pegar um pacote de bolinhos no armário. Ele rasgou o
pacote, colocando dois em sua boca e, em seguida, pegou o jarro de leite
sobre a pia. Ele estava sempre faminto após a mudança. Com espanto e
divertido Jace assistiu quase a metade do recipiente de leite esvaziar antes que
dele baixa-lo para o balcão e limpar a boca com as costas da mão.
―Agora talvez eu possa dormir. ― Hawke deu Jace um olhar ardente.
―Você vem comigo?
Jace riu.
―Claro que não. Você sabe tão bem quanto eu que você não vai
obter qualquer descanso se eu for para a cama com você.
Hawke manteve uma pose inconsciente na porta. Ele vestia apenas
uma calça jeans, e se inclinou com um ombro contra o batente da porta. Ele
parecia grande, magro, musculoso e sexy como o inferno.
―O que você está dizendo? Medo de que você não possa manter suas
mãos longe de mim?
―Hum, talvez, mas eu acho que poderia ser o contrário. Você sabe
como você é.
―Oh, e como eu sou? ― Perguntou Hawke suavemente.
Jace só balançou a cabeça e riu, pegando sua xícara de café.
―Você precisa descansar agora mais do que você precisa de mim.
―É? Por que você não me deixe ser o juiz disso?
Jace só balançou a cabeça e caminhou em direção ao sofá bebendo o
café. Ele deu cerca de três passos antes dos braços de Hawke se fecharem em
torno dele, puxando-o firmemente contra seu corpo, enquanto uma grande
mão se estendia entre eles e massageando seu pau e bolas. Jace se sentiu
enfraquecer e gemeu, saindo do abraço.
―Droga, Hawke, eu estou apenas tentando cuidar de você.
―Isso é tudo o que eu estou tentando conseguir de você... que cuide
de mim.
―Isso não é o que quero dizer e você sabe. Você sempre está
desgastado após uma noite dessas e você só pensa nisso, então por que você
não vai descansar? Eu vou estar aqui quando você se levantar. Eu poderia até
entrar no quarto daqui um tempo e tirar um cochilo com você. Eu não durmo
bem quando você não está aqui.
―Ok, eu vou, mas eu gostaria de acordar em algumas horas com
você na cama comigo.
―Sim, eu sei como você quer acordar. Agora, vá.
Jace observou Hawke caminhar para o quarto antes que ele se
sentasse em frente da televisão com o seu café para assistir ao noticiário da
manhã. Ele tentou se concentrar no que o locutor estava dizendo, mas se
manteve imaginando Hawke naqueles jeans apertados. Ele colocou a xícara na
mesa com um suspiro, levantou-se e caminhou em direção ao quarto.
Hawke acordou várias horas depois, abraçado a Jace. O pênis já duro
de Hawke estava empurrando contra a bunda firme de Jace, enquanto sua mão
ia até o pau de Jace, ocasionalmente acariciando para cima e para baixo,
sentindo-o inchar em sua mão.
Hawke ouviu um gemido baixo quando sentiu que Jace começou a se
mover em um ritmo que poderia causar o seu acidente vascular cerebral.
―Mmm. Bonito, bebê ― Jace murmurou, virando-se cegamente em
direção a ele e levantando a boca para um beijo.
Isso era todo o incentivo que Hawke precisava. Ele jogou as cobertas
para trás e virou Jace em suas costas, tentando alcançar o lubrificante na
mesa de cabeceira. Jace sorriu para ele e levantou as pernas, se abrindo para
Hawke.
Quando Hawke tinha lubrificado a entrada de Jace e seu próprio
pênis, ele empurrou um dedo, suavemente sondando o ponto doce de Jace.
Quando o encontrou, ele deu-lhe uma massagem suave, e quando Jace se
arqueou em sua mão, ele escorregou outro dedo. Ele viu que os olhos de Jace
estavam bem fechados, mas ele definitivamente não estava dormindo. Ele
estava fazendo os pequenos ruídos que Hawke tanto amava, e Hawke se
inclinou para beijá-lo, deslizando sua língua dentro da boca quente de Jace.
Hawke ouviu outro gemido profundo e Jace se afastou o suficiente
para sussurrar contra a boca de Hawke.
―Foda-me, agora, Hawke, não quero esperar.
Hawke deslizou seu pênis inchado na entrada de Jace, empurrando
para cima, enquanto acariciava o eixo de Jace no mesmo ritmo lento. Ele fez
com que mudasse de posição para esfregar a próstata de Jace. Jace engasgou
uma vez, endurecendo quando o orgasmo alcançou-o.
―Oh― ele gemeu em voz baixa. Ele estava sem fôlego e tremendo
pelo orgasmo quando ele olhou para cima. ―E, eu gozei... ― Ele parou e olhou
para Hawke miseravelmente. Ainda dentro dele, Hawke sorriu e beijou os
lábios de Jace. Ele deu um pequeno empurrão em seus quadris.
―Essa era a ideia geral ― ele sussurrou. Ele deu vários beijos ao lado
de sua garganta, o que lhe permitiu recuperar o fôlego antes de assumir o
ritmo novamente, empurrando cada vez mais fundo dentro de seu calor de
veludo.
Logo seu próprio orgasmo o varreu e eles se abraçaram como
sobreviventes de uma tempestade. Entrelaçados nos braços um do outro por
alguns minutos, seus corações batendo juntos descontroladamente antes que
Hawke rolasse Jace com um gemido e se levantasse para ir ao banheiro. Ele
voltou alguns minutos depois com um pano úmido para limpar Jace.
Ele rolou Jace ainda mais e o colocou sentado. ―Bem, eu estou
morrendo de fome agora. Levante-se e vamos conseguir algo para comer.
―Filisteu― Jace murmurou, enquanto rolava, cansado de ficar na
cama.
―Você pensa somente no seu estômago.
―Agora eu acredito que eu provei que eu penso em uma outra coisa
também. ― Ele balançou as sobrancelhas para Jace, provocando sua risada
enquanto ele estava olhando para Jace e o levando para a cozinha, ainda nu,
do jeito que ele gostava. Ele tinha a opinião de que as roupas eram altamente
superestimadas quando se tratava de Jace.
Depois de fazer e comer um grande café da manhã com pão, salsicha
e ovos, Hawke se recostou na cadeira.
―Eu tenho que ir para o escritório verificar as coisas esta tarde. Tudo
parece estar calmo, mas nunca se sabe. Estarei em casa mais cedo, se nada
estiver acontecendo.
―Ok, não há problema. Eu preciso dar uma olhada em alguns papéis
do colégio da comunidade de qualquer maneira. É a inscrição, então eu vou
sair na parte da tarde.
―Isso funciona para mim porque Spencer queria que eu o
encontrasse para almoçar. Ele disse que queria falar comigo sobre algo.
―O que você acha que ele quer falar?
―Eu não sei, mas se eu tivesse que adivinhar, eu diria que é sobre
aquele maluco do irmãozinho dele.
Jace riu. ―Eu gosto de Travis.
―Eu gosto de Travis, também, mas ele é selvagem e um fanfarrão.
Tenho medo que ele esteja bebendo demais também.
―Você soa como um velho, todo certinho e recatado, e eu, por
exemplo, já sei que você não é nenhuma dessas coisas.
Hawke riu. ―Bem, você é o único que estaria em posição de saber. ―
Ele se levantou e se espreguiçou antes de se inclinar para beijar Jace na boca,
um beijo que demorou muito tempo, que o estava fazendo repensar sua ideia
de ir embora. ―Oh inferno― ele gemeu. ―Eu tenho que ir. Vou tentar estar em
casa às seis e então podemos explorar o quão recatado eu posso ser. Ah, e se
você jogar as cartas certas, eu vou até trazer o jantar para casa.
Jace sorriu. ―Apenas me diga qual deles é o que ela prepara para
você. Um dia desses Marie vai colocar no seu um pouco de cianeto2.
Hawke franziu o cenho. ―E eu não sei disso? Se algum dia eu chegar
a faltar, não deixe de dar uma olhada no congelador de Marie. Eu só poderia
ter morrido por causa de um de seus especiais do dia.
Camron acordou logo depois do meio-dia no dia seguinte de sua
última mudança, com a ideia de que ele não precisaria esperar mais tempo
para colocar seu plano em ação. A lua negra tinha finalmente chegado ao fim e
o seu plano não poderia ser adiado por mais tempo. Ele amarraria todas as
suas pontas soltas hoje e estaria pronto para ir buscar Travis na manhã

2
É um produto químico que em contato com a água vira um veneno.
seguinte. Uma vez que Camron colocava algo em sua cabeça, ele sempre
gostava de agir sobre isso, logo que pudesse, e gostava de ver seus planos
colocados em prática. Ele forjou um plano durante estes últimos três dias da
lua negra, e era hora de fazê-lo acontecer.
A ideia de acasalar com outro macho, não importando o quão bonito
ele pudesse ser, não era o que ele originalmente queria, embora não fosse tão
chocante quanto poderia ser para alguém que não fosse do clã. A bi
sexualidade era tão comum no clã que o pensamento de ter relações sexuais
com Travis não o incomodava. Era a luta pelo maldito domínio que certamente
viria que o fazia um pouco nervoso e apreensivo. Travis iria lutar com unhas e
dentes.
O fato da questão é que ele tinha certeza de que seu puma já tinha
resolvido o problema. Durante três manhãs seguidas ele tinha despertado e
encontrado Travis enfiado embaixo dele. Camron estava deitado parcialmente
em cima de Travis, e seu joelho estava aconchegado contra suas bolas, uma
posição de confiança, vulnerabilidade que ninguém permitiria se não já tivesse
se submetido.
Enquanto estavam em forma de seus pumas, suas mentes humanas
eram desligadas, e era difícil se lembrar do que tinha acontecido. Ele tinha
vagas lembranças de correr com um outro puma, mesmo de ter lutado contra
um, mas não muito mais que isso. Ainda assim, sentia-se possessivo e
territorial, quando ele pensava sobre Travis, uma grande mudança desde antes
da lua negra. Não, Travis era dele. Ele tinha certeza disso. Agora era só
convencê-lo do fato. Ele tinha um plano e tinha pensado nele, gradualmente,
ao longo dos últimos três dias e embora fosse necessário repensar, ele já
estava comprometido em tê-lo.
Enquanto dirigia para a cidade ele avistou a caminhonete de Spencer
fora do café de Marie. Camron decidiu que não havia melhor tempo como o
presente para dizer ao irmão de Travis o que estava em sua mente. Ele não iria
mudar sua decisão, mas era a coisa certa a se fazer, deixar que Spencer
soubesse antes de ir reivindicar Travis. Spencer tinha sido um ano ou dois à
frente dele na escola, mas eles sempre se deram bem, apesar do modo como
sua mãe e seu pai se sentiam sobre os MacKays. Com Camron, Spencer
parecia sentir que a disputa era história antiga e era melhor ser deixada no
passado.
Ele tinha acabado de começar sua refeição, então Camron sentou-se
com ele, nervoso e inseguro quanto à forma de iniciar a conversa. Ele ficou
surpreso ao descobrir que ele estava um pouco apreensivo, e que era
importante para ele que Spencer e Hawke aprovassem seu plano.
―Você quer um pedaço de bolo, Camron― Marie gritou para ele do
outro lado do salão. ―Eu não tenho mais nada do restante. A forma como
esses meninos comem por aqui, eu tenho sorte de ter isso. Então, é pegar ou
largar.
―Vou pegá-lo, senhorita Marie. Obrigado.
―Você ouviu isso, Hawke? ― Disse ela estridentemente. ―Você
provavelmente não reconhece, mas isso é chamado educação. Você meninos
Sutherland poderiam tomar como anotação em seu livro.
Hawke revirou os olhos, mas sorriu para Camron. ―Você acabou de
vir aqui só para causar problemas, Camron ― ele perguntou em tom de
brincadeira. ―Agora você colocou Marie na minha bunda.
―Desculpe― disse Camron com um sorriso. ―Eu só vim falar com
Spencer sobre... sobre Travis.
―Oh inferno ― disse Spencer, pousando o garfo. ―O que ele fez
agora? Será que ele lhe deve algum dinheiro? Você deveria ter pensado melhor
antes de emprestar dinheiro para esse menino, Camron.
―Eu não emprestei dinheiro. Não, isso é outra coisa.
―Venha aqui, querido, e pegue o seu prato― interrompeu Marie.
―Eu fiz um agradável chá fresco para você. ― Marie realmente baixou uma
pálpebra em uma tentativa de uma piscadela. Ela demorou apenas um pouco
demais, porém, fazendo parecer como se tivesse algo alojado no olho. Hawke
quase engasgou com o pedaço de frango que estava colocando em sua boca, e
Spencer olhou para trás e para frente entre Camron e Hawke com espanto.
―Ela é boa para ele ― Spencer sussurrou com voz rouca. ―Ela fez-
lhe chá fresco.
Camron foi buscar seu prato e um copo de chá, deu a Marie um
grande sorriso e retornou sua piscadela voltando a se sentar.
―O quê? ― Disse ele, quando os outros dois homens continuaram a
olhavam para ele. ―Eu estou apenas sendo educado.
Spencer balançou a cabeça. ―Você vai me pegar um copo de chá? ―
Ele estendeu o copo de vidro, esperançoso. Ele já tinha tido sua única recarga
livre e se ele tentasse encher o copo novamente, Marie provavelmente bateria
em sua mão.
―Claro― ele disse sorrindo, e foi até o jarro servir outro copo a
Spencer. E Marie sorriu.
―Está tudo bem com sua mamãe, Camron?
―Sim senhora. Eu vou ter a certeza de dizer-lhe que a senhora
perguntou sobre ela.
―Faça isso, querido.
Camron voltou para a mesa e colocou o copo na frente de Spencer.
―Foi incrível― disse Spencer reverência. ―Você pode almoçar com a
gente de novo amanhã?
Camron sorriu e disse: ―Na verdade, eu vou sair da cidade amanhã e
é isso que eu queria falar com você.
―Ah, é? ― Spencer disse, com o rosto perplexo. Ele pegou uma
garfada de purê de batatas.
―Sim. Olha, não há nenhuma maneira fácil de dizer isso, então eu só
vou dizer. Travis é meu companheiro.
―Que Travis? ― Spencer olhou para Hawke, que era muito mais
rápido na absorção. As sobrancelhas de Hawke tinham subido quase
comicamente.
―Seu irmão, idiota ― disse Hawke em voz baixa.
―Meu irmão? Travis? Seu companheiro? ― Agora foi a vez de
Spencer levantar as sobrancelhas. Ele olhou para Hawke com espanto. ―Qual
é a piada? Eu não estou entendo isso. Eu estou perdendo alguma coisa aqui.
―Não é brincadeira ― disse Camron firmemente. ―Foi um choque
para mim também, acredite. Ele é meu companheiro, embora. Acordei as três
manhãs da lua negra para encontrá-lo comigo, na verdade, debaixo de mim no
chão. Eu só tenho vagas lembranças da mudança, é claro, mas eu sei que
estivemos juntos a noite toda. Meu puma uh... alegou ele.
Spencer deixou cair o garfo novamente e seu rosto ficou branco.
―Oh, meu Deus...
Hawke colocou uma mão em seu ombro. ―Acalme-se, Spencer.
Escute-o.
―Mas eles são os dois homens do clã, Hawke. Como diabos é que
isso vai funcionar?
―Eu já lhe disse que o meu puma tem reclamado ele. Você sabe o
que isso significa, eu não tenho que soletrar isso para você. Somos
companheiros, droga, e ele ... ele se apresentou a mim. Eu tenho certeza
disso.
O rosto de Spencer passou de branco puro ao vermelho fogo no
espaço de segundos. Seus punhos cerrados e sua respiração começou a vir
mais rápido. Mais uma vez, Hawke agarrou seu ombro. ―Cale a boca, Spencer.
Dê-se um minuto antes de dizer algo que você vai se arrepender.
Spencer olhou para Hawke e tentou respirar fundo antes de voltar
seu olhar irado de volta a Camron. ―Você está dizendo que eu penso?
―Provavelmente. Como eu disse, eu não tenho nenhuma lembrança
clara de nada. Estávamos em nossas formas de puma. Você sabe como que é.
E eu não estou aqui para pedir sua permissão. Estou aqui para dizer-lhe que
ele é meu.
―Vocês, hein? Você sabe que ele é meu irmão bebê?
―Ele não é o bebê de ninguém, que eu saiba só você e sua família o
tratam como um. Ele está estragado, mas ele é meu companheiro, e agora, e
eu vou cuidar dele. Ele pertence a mim e isso é tudo que você precisa saber.
Spencer começou a se levantar. ―O inferno se vai ser como você diz!
Hawke puxou de volta para baixo. ―Cale-se e deixe-me lidar com
isso. ― Voltando-se para Camron, sua expressão era severa.
―Apenas quais são as suas intenções para com uh... Travis?
―Minhas intenções? Eu só disse que ele é meu companheiro. Ele vai
viver comigo agora, e eu vou cuidar dele.
O rosto de Hawke suavizou um pouco. ―Oh. Eu... uh... Eu pensei que
você fosse uh... mais heterossexual do que bi.
Camron deu uma risada curta. ― Eu era. Imagine minha surpresa!
Essa coisa de acasalamento é poderosa. ― Ele olhou para Hawke. ―Você deve
saber como é.
―Sim, sim, eu sei.
―Será que os parentes de Jace vieram até você e questionaram suas
intenções?
Hawke sorriu para ele. ―Não, por Deus, eles não o fizeram. Ele virou-
se para Spencer e encolheu os ombros. ―Não a nada que você possa fazer
sobre isso, Spencer, exceto ser grato que é Camron e não Holden MacKay.
―Holden? ― Camron olhou para Hawke bruscamente. ―O que é
Holden tem a ver com esta situação?
Spencer falou sombriamente, ainda não claramente feliz. ―Travis saia
com ele. Eu não sei o quão longe eles chegaram, porque ele não quis me dizer.
Camron assentiu. ―Bem, isso não vai acontecer mais. Como eu
disse, ele pertence a mim agora.
―Será que ele sabe disso? ― Perguntou Spencer.
―Não, ou pelo menos eu não penso assim. Deixei todas as manhãs
da lua negra, antes que ele acordasse, porque eu precisava de um tempo para
chegar a um acordo sobre ele. É por isso que eu estou te dizendo isso. Estou
prestes a ir buscá-lo e explicar algumas verdades duras para ele, e eu não
espero que ele vai gostar muito.
―O que exatamente você quer dizer, Camron― perguntou Hawke
calmamente.
―Vocês sabem tão bem quanto eu que ele é selvagem como o
inferno. Eu não vou aturar mais isso. Não quero que ele beba mais, que fume e
não quero que use mais drogas. Ele vai se endireitar.
Os olhos de Spencer se estreitaram. ―Ele vai lutar com você a cada
passo do caminho. Ele provavelmente vai convencer Mama a vir buscá-lo.
―Eu não tenho medo de sua mãe, mas eu não quero ficar contra ela
tão cedo também. É por isso que eu vou levá-lo para fora da cidade amanhã.
Eu tenho uma cabana nas colinas acima da Queda de Blackwater quase a dez
quilômetros de lá. Era a cabana de caça do meu pai, e eu não fui lá desde o
ano passado. É para lá que eu vou levá-lo.
―E se ele não quiser ir? Inferno, se você levá-lo lá em cima, e ele
não conseguir ficar. ― Hawke balançou a cabeça. ―Seus pais são conhecidos
por serem teimosos entre os Sutherland, isso diz algo.
―Hey! ― Disse Spencer, socando Hawke no ombro.
―Bem, você nega?
―Não... Eu só estou dizendo...―
Camron balançou a cabeça. ―Não se preocupe, ele vai. E eu vou
mantê-lo lá. Mas ele não estará saindo de lá de cima até que todo a sua
vontade de álcool já tenha passado, e que ele concorde em se estabelecer
comigo.
Hawke parecia desconfortável. ―Por que não tenta uma conversa
com o médico antes de levá-lo? Eu só tenho a sensação de que Travis está
muito pior com a bebida do que Spencer e sua família se deram conta.
―Hey! O que diabos isso quer dizer? ― Disse Spencer bruscamente,
olhando agora para Hawke também.
―Isso significa o que eu estou tentando te dizer já faz um tempo,
Spencer. Travis está tendo problemas há meses, e você foi enfiando sua cabeça
na areia. Tudo o que eu estou dizendo é que Camron precisa ver um médico.
Ele pode dar-lhe algum medicamento que talvez possa ajudar Travis. Apenas
no caso dele necessitar.
Camron assentiu, pensativo. ―Boa ideia. Eu vou vê-lo de imediato.
―Eu não vou querer Travis machucado. ― Spencer disse, com o rosto
escurecido.
―Nem eu ― respondeu Camron, e Spencer finalmente concordou.
―Suponha que você possa mantê-lo lá― disse Spencer. ―E então o
quê?
―Então, ele vai parar de beber, nós conversaremos sobre nossas
coisas e voltamos para casa. Ele se acalma e vai me ajudar com o trabalho e
meus negócios. Será então o seu negócio também. Vamos morar na minha
casa. Eu tenho uma pequena cabana de dois quartos na floresta, e alguns
hectares de terra. Não é chique, mas vai ser bem útil até que as crianças
cheguem.
Spencer e Hawke se entreolharam e depois se voltaram para Camron.
―Até que as crianças cheguem? ― Disse Spencer. ―E que crianças seriam?
―Eu gostaria de adotar algumas crianças um dia. A família é
importante para mim.
Spencer bufou. ―Quem no seu perfeito juízo vai dar meu irmão uma
criança para cuidar? E mesmo que eles dessem, estamos no Alabama, você
sabe. Não é exatamente o maior estado gay dos EUA.
Camron encolheu os ombros. ―Usaremos uma substituta, talvez. Eu
não sei, mas vamos achar uma solução quando chegar a hora. Travis é jovem
ainda, e ele vai ter o suficiente com que se acostumar a princípio, mas ele tem
um bom coração, e eu acho que um dia destes ele vai ser um bom pai. ― Um
silêncio caiu sobre a mesa, e em seguida, Spencer falou.
―Parece que você pode... você o ama?
Camron olhou através da mesa para ele. ―Claro que não. Eu mal o
conheço neste momento. Mas eu me sinto... o inferno, eu quase não sei como
explicar o que sinto. ― Ele olhou de volta para Hawke. ―Eu não posso ficar
sem ele, sabe? É como se um pedaço de mim estivesse faltando.
Hawke assentiu, pensativo. ―Sim. Eu sei o que você quer dizer. ―
Ele se virou para Spencer e lhe deu um tapa nas costas. ―Bem, eu acho que
você pode parar de se preocupar com o nosso menino agora, Spencer. Parece
que a cavalaria chegou e apenas em cima da hora.
Capítulo Três

Travis coçou a barriga e tomou outro gole de sua cerveja. Era tarde
de sábado, após a lua negra, um pouco cedo demais para uma cerveja,
provavelmente, mas isso não era nada, depois da noite que tinha tido. Ele não
tinha guiado até muito além da meia-noite, com cuidado para ficar longe das
estradas vicinais e mantendo os dedos cruzados para que ele não encontrasse
Hawke novamente antes de chegar a sua garagem.
Sua sorte funcionou, até mesmo ao ponto de ser capaz de passar nas
pontas dos pés pelo quarto de seus pais, com seus sapatos na mão, e sem a
mãe ouvi-lo. Mesmo para o clã, conhecido por sua superior audição
sobrenatural, ela poderia ser francamente assustadora às vezes, em mais de
um sentido. Quando criança, ele raramente foi capaz de esconder qualquer
coisa dela, embora certamente não por falta de tentativas. Ele teve que se
tornar um mestre em conseguir as coisas de outras formas, principalmente
usando charme e a bajulação. Ela mimava ele o tempo todo.
Seus pais o haviam deixado dormir naquela manhã e ido abrir a loja
de ferragens, então ele tinha a casa para si mesmo, do jeito que ele gostava.
Ele dormiu até quase meio-dia, então caminhou até a cozinha para comer uma
pizza fria e encontrar uma cerveja para encher seu estômago. Ele realmente
precisava tomar um banho e fazer a barba, mas ele estava com pouco de
ressaca e não tinha vontade de se mover. Ele estava de braços cruzados
folheando algumas revistas sobre as ligas de jogos, quando bateram na porta
da frente.
Ele gemeu em voz alta, com medo, que fosse Spencer vindo, o ver
novamente para saber por que ele nunca ia pra loja na cidade. Ele tinha tipo
prometido um dia antes que ele iria hoje para começar a aprender sobre o
trabalho, com a ideia de que ele iria manter a loja da cidade aberta, liberando
Spencer para passar mais tempo na loja maior em Huntsville com seu pai.
Quando ele mencionou isso a Spencer, porém, ele tinha agido meio estranho.
Ele tinha escutado, mas parecia que sua mente estava em outra coisa, e ele
continuou dando Travis estranhos, e quase avaliadores olhares.
A loja, chamava Jensen Hardware, e foi crescendo desde que Spencer
tinha assumido a maior parte das compras. Seu pai teria se contentado em
deixar Spencer executar a coisa toda, realmente, nunca tendo sido exatamente
ambicioso. Travis odiava dizer isso, mas seu pai era o típico homem que a
maioria das mulheres do clã escolhia para marido - agradável e tranquilos e
talvez apenas um pouco preguiçoso. Spencer disse uma vez que era
provavelmente dele que Travis herdou.
Sua mãe tinha mantido seu nome de solteira, quando ela se casou,
como a maioria das mulheres do clã faziam, e ele e seu irmão usaram o
sobrenome de Sutherland também. Se isso preocupava seu pai, ele nunca
demonstrou, e principalmente ele parecia feliz e à deriva através de seus dias.
Desde o momento que Travis ainda tinha sido um bebê, ele sempre soube
onde estava o poder real em sua família.
A batida veio novamente e Travis gritou no corredor. ―Tá aberta, por
que você está batendo? ― Irritado por ter que se levantar e tentando pensar
em uma boa desculpa por ele estar, obviamente, levantando da cama depois
do meio-dia, ele não percebeu quem era em primeiro lugar.
Quando ele finalmente olhou para cima para ver Camron MacKay de
pé na porta, a boca de Travis se abriu em surpresa, e ele ficou de pé,
empurrando as mãos nos bolsos para disfarçar o tremor. Aquele cheiro lhe
bateu com força total novamente, e um arrepio de algo como reconhecimento
correu por sua espinha.
―Camron! Eu sinto muito, eu pensei que você fosse Spencer. Ele
tirou as revistas esportivas fora do sofá onde ele as tinha jogado mais cedo e
tentou descobrir um local para Camron se sentar.
Camron estava na porta, seu jeans justos abraçando seus quadris e a
camiseta apertada fazendo nada para esconder seu abdômen assassino. Não
era justo que um cara parecesse assim a esta hora da manhã, ou da tarde, o
que for. ―Por favor, sente-se. Você está aqui para ver o meu pai? Ele já partiu
para a loja.
―Eu não estou aqui para ver seu pai, Travis. Eu vim para conversar
com você.
―Oh. É sobre o reboque na semana passada? Eu pensei que o meu
pai já tinha pago, mas eu vou ter certeza de obter o seu dinheiro. Eu vou falar
com ele assim que ele chegar em casa.
Camron sacudiu a cabeça com impaciência. ―Eu não me importo com
isso. ― Ele deu um passo mais perto de Travis e, instintivamente, Travis
recuou um passo. Não era que ele se sentisse ameaçado, mas havia algo tão...
intenso sobre o jeito que ele estava olhando para ele. Uma imagem fugaz veio
a sua mente. Seu puma sendo caçado em uma clareira na floresta, enquanto
um outro, maior o perseguia, com um olhar selvagem em seus olhos.
Camron franziu a testa quando Travis recuou e deu um passo em
direção a ele novamente, levando o contra a parede. Ele se inclinou e colocou a
mão sobre a cabeça de Travis, de pé perto dele. ―Você realmente vai fingir
que você não sabe por que estou aqui?
Travis olhou para ele com espanto, seu queixo caindo. ―Eu... eu não
sei o que você quer dizer.
―Sim, você sabe ― disse Camron suavemente. ―Eu sei que você
deve se lembrar do que aconteceu entre nós nas últimas três noites. Eu sei
que você sente isso também.
Este cheiro era quase irresistível, um perfume masculino limpo
misturado com algum tipo de cheiro almiscarado. Talvez fosse o seu shampoo?
Era inebriante, independente do que fosse, e Travis levantou a cabeça e
cometeu o erro de olhar diretamente nos olhos de Camron. O efeito foi tão
imediato e tão vertiginoso, que ele estendeu a mão para firmar-se, tocando o
peito de Camron.
Camron tomou uma respiração afiada, e, em seguida, Travis estava
em seus braços e Camron estava beijando ele. A realidade surpreendente foi
um choque para seu sistema, e ele sentiu como cada terminação nervosa em
seu corpo estivesse agitada e provocando eletricidade. O calor cru daquele
beijo fez sua boca abrir em surpresa dando boas vindas, e ele tocou a língua
de Camron e se ouviu gemendo baixinho no fundo de sua garganta.
Camron deu um pequeno grunhido de surpresa de sua própria autoria
enquanto ele puxou o corpo de Travis apertado contra o seu. Sua boca se
moveu contra Travis. ―Você tem gosto de cerveja, sexo e problemas, rapaz. O
que diabos eu vou fazer com você?
Antes que Travis pudesse responder, Camron o puxou para o sofá e
empurrou-se de volta nele, arrastando os boxers para baixo quase no mesmo
movimento. Travis rapidamente os empurrou para baixo também, ciente de
que Camron ainda estava murmurando para ele, sua voz suave e gentil
enquanto ele passava as mãos sobre o corpo de Travis. Ele espalmou o pênis
ansioso de Travis, que tinha saltado para fora, aparentemente com fome do
toque de Camron enquanto se contraia e pulou na mão de Camron.
Foi a gentileza dele que desfez Travis. Ele já teve homens fazendo
isso antes, mas foi sempre rápido e áspero. Nunca com este toque quase
amoroso, e Travis sabia com súbita consciência que ele nunca poderia se
contentar com nada menos que isso novamente. Incapaz de se conter, ele
fechou os olhos e empurrou seus quadris para cima, para mão calejada e dura
de Camron, empurrando seu pênis no toque e choramingando um pouco.
Camron deu uma pequena risada engraçada e, em seguida, inclinou-
se sobre ele, sua boca envolvendo seu eixo como lava derretida. A terra não se
moveu, mas algo com certeza mudou dentro dele quando Camron o sugou
para baixo. Ele trabalhou com a língua e os lábios com precisão cuidadosa o
que lhe faltava em habilidade, ele mais do que compensava em carinho. Uma
mão massageava as bolas de Travis, enquanto a outra agarrava seu pênis,
mantendo ainda mais o seu prazer.
Travis estava ciente de que ele estava fazendo barulhos que ele
nunca tinha feito antes, mas ele não poderia ter parado nem se ele tivesse
tentado. Depois de apenas alguns segundos de um calor incrível de Camron,
Travis sentiu-se explodir, seu clímax levando-o de surpresa, com força ele se
torceu, e em seguida, o apertou seco e o arremessando para baixo de novo tão
rapidamente que ele pensou que deveria sentir uma apreensão, impotente e
violenta e totalmente fora de controle.
Ele não conseguiu abrir os olhos por alguns segundos, mas quando
ele lentamente se tornou consciente de seu entorno mais uma vez, ele olhou
para cima através de seus cílios para ver Camron o olhando fixamente, com o
rosto intenso.
Ele viu Travis espiando para ele e estendeu a mão para ajudá-lo a se
levantar. ― Onde está o chuveiro?
Travis apontou para o corredor, e Camron apontou que ele deveria
liderar o caminho. Travis se levantou com as pernas trêmulas em direção ao
banheiro, perguntando em alguma parte distante de sua mente, se ele tinha
dormido enquanto estava deitado no sofá, folheando suas revistas, e se ele
estava roncando alto até agora. Talvez ele estivesse simplesmente sonhando
tudo isso, e ele acordaria para ver que tudo tinha sido apenas fruto de sua
imaginação, e não havia nenhum lindo Camron o seguindo pelo corredor.
Camron parou do lado de fora da porta e assistiu enquanto ele
entrou, esperando solenemente que Travis ligasse o chuveiro e ajustasse o
spray. Voltando-se para encontrar Camron encostado na porta, sua expressão
era clara e vigilante.
―Entre e se limpe― disse ele em voz baixa. ―Eu não vou a lugar
nenhum.
Travis assentiu e, em seguida, conscientemente, ele tirou as calças e
entrou no chuveiro. Ele não sabia por que ele deveria se sentir estranho depois
do que Camron tinha acabado de fazer com ele, mas ele se sentia, muito
consciente do respeito silencioso de Camron. Apressou-se usando rapidamente
o shampoo e se ensaboando e enxaguando seu corpo todo antes de desligar a
água e sair. Ele percebeu que ele tinha se esquecido da toalha, mas Camron
atirou-lhe uma do gancho na parte de trás da porta e então ele se secou tão
rapidamente quanto pôde e foi colocar as calças novamente.
Camron pegou a calça primeiro e tirou fora de seu alcance. ―Está é
suja. Vá até o seu quarto e coloque alguma roupa limpa. E de preferência uma
calças jeans. Talvez uma camisa de flanela, porque está ficando frio lá fora.
―Tudo bem― disse ele, uma parte de sua mente perguntando por
que ele estava deixando Camron mandar nele. Ele abriu caminho para o seu
quarto, Camron ainda o estava seguindo calmamente. Teria sido assustador
com qualquer outra pessoa que não fosse Camron, mas era como se ele se
sentisse quase útil, até mesmo protegido. Uma vez em seu quarto, ele
rapidamente vestiu o jeans e uma camisa de flanela marrom macia, em
seguida, sentou-se na cama e calçou as meias. Ele estendeu a mão para os
seus tênis, mas Camron apontou para que pegasse suas botas.
―Você está me levando para um passeio? ―Travis perguntou com um
sorriso atrevido e quase imediatamente se arrependeu. Camron não
respondeu, olhando sério, muito sério a partir da expressão em seu rosto, e
Travis se dedicou a colocar as botas e manter a boca fechada. Havia algo sobre
Camron que não incentivava exatamente a uma conversa ociosa.
Camron sempre foi um cara sério, mesmo na escola. Travis de
repente se lembrou que seu pai tinha morrido em um acidente no trabalho, e
ele tinha assumido o negócio da família. Ele tinha ouvido que Camron
trabalhou todos os dias depois da escola e nos finais de semana, a cada fim de
semana apenas para ajudar a alimentar sua família. Ele se lembrou, que
Camron tinha um monte de irmãos e irmãs menores.
―Precisamos conversar, Travis― disse ele em voz baixa.
―Podemos voltar para a sala de estar?
―Sim, claro ― disse ele, levantando-se. Ele liderou o caminho de
volta até a sala de estar com Camron arrastando-se atrás dele. Travis se sentiu
nervoso por ficar perto dele, mas não conseguia descobrir exatamente o
porquê. Ele queria se sentar perto dele e teve que forçar para se sentar na
extremidade oposta do sofá. Ele olhou com expectativa para Camron.
―Ok, e agora?
―Travis ― disse Camron, sentando-se ao seu lado. ―Eu quero que
você vá embora comigo por alguns dias.
―Vá embora? Para onde? Eu não entendo.
―Até velha cabana do meu pai na montanha. É muito isolado e
ninguém vai nos incomodar lá. Precisamos nos conhecer melhor e resolver o
que vamos fazer.
Travis inclinou a cabeça para o lado. Ele não conseguia descobrir qual
era o jogo de Camron, não que ele não estivesse feliz de estar com ele, e o
que eles tinham acabado de fazer foi mais do que bom. Foi espetacular,
realmente, e ele ainda não conseguia acreditar Camron tinha chegado nele
assim. Ainda assim, ele se sentiu no meio do nada. ―Resolver que coisas? Não
me interpretem mal, uma pequena viagem para uma cabana isolada com você
soa muito bem, mas o que você quer dizer?
Camron fez um som de exasperação. ―Vamos lá, Travis, você não
pode ser tão sem noção. Certamente você sabe o que está acontecendo aqui.
Travis sentiu um pouco de calor em suas
bochechas, e tom de Camron o irritou um pouco.
―Bem, nós brincamos um pouco, se é isso que você quer
dizer, e.... você sabe. Não me interpretem mal foi
grande, e.... inesperado. Mas...

Camron pegou seus ombros e fez Travis olhá-lo nos olhos. ―Pense,
Travis. Por que eu iria vir de repente aqui e fazer isso? Com quem você me viu
na semana passada, quando eu reboquei seu carro?
―Aquela menina loira do colégio, Jenny Calhoun.
―Isso está certo. Era com Jenny, ela e eu estávamos namorando.
Surpreso com a súbita pontada de ciúme que evocou, Travis deu de
ombros. ―Oh. Tudo bem... eu percebi isso. Está tudo bem. Eu não vou dizer
nada a ela sobre tudo isso que aconteceu.
―Não lhe ocorreu que é muito estranho para mim vir até aqui para
vê-lo e.... fazer o que fizemos
―Sim, eu acho.
Camron soltou um suspiro. ―Maldição Travis, você tem que saber
onde eu estou querendo chegar. Eu sei que você lembra, você sente isso
também.
Travis sacudiu a cabeça. ―Lembra do quê? Quero dizer um monte de
caras do clã gostam de meninas e de homens também. É normal.
Camron apertou os ombros de Travis. ―Pense, maldição. Pense no
que aconteceu na noite passada durante a mudança. E ambas as noites antes
dessa. Estamos acasalados, Travis. Meu puma reivindicou seu, e o seu
submeteu-se ao meu. Não finja que não lembra disso.
―Não, isso é loucura... Eu, eu não faria isso! Dois machos do clã?
Não...― Obstinadamente Travis sacudia a cabeça, mas as imagens do seu
puma lutando com outro grande puma manteve se inundando em seu cérebro.
Ele viu um deles por Deus, foi o seu em suas costas, lutando contra o puma
maior, e mais agressivo. Em seguida, outra imagem de seu puma deitado de
barriga, apresentando sua bunda para o outro puma. ―Não! ― Travis rugiu,
tentando tirar a imagem fora de sua mente enquanto ficava de pé. ―De jeito
nenhum! Nós lutamos ou algo assim. Isso é tudo!
Ele começou a sair pela porta, sem pensar para onde estava indo,
mas apenas querendo fugir das imagens que encheram sua mente. Camron
pegou seu braço antes dele passar pela porta da frente e bateu-o de volta na
parede. ―Onde diabos você está indo? Você não pode fugir disso!
―O inferno que eu não posso! ― Travis empurrou Camron forte com
as duas mãos em seu peito e saiu pela porta a fora, pulando da varanda e, em
seguida, correndo pelo quintal. Ele só deu alguns passos antes de Camron o
abordasse por trás e o derrubasse com força tirando sua respiração.
Mal o fôlego de Travis voltou e ele rolou para fugir, mas Camron
estava em cima dele, prendendo-o ao chão. Ele sentou-se em seu peito e
estendeu as mãos sobre sua cabeça. Furioso, Travis olhou para o rosto dele.
―Eu posso ver que vamos ter que fazer isso da maneira mais difícil!
― Camron gritou para ele. ― Era demais esperar você sentasse e discutisse
isso como um adulto!
―Saia de cima de mim! ― Travis rosnou entre os dentes, tão furioso
por ter sido pressionado que ele podia sentir as batidas do sangue em seus
ouvidos.
―Pare de ser a rainha do drama, pelo amor de Deus! Vou deixar você
solto é só se acalmar.
Travis tentou novamente tirar Camron de cima dele, mas os meses de
bebendo até tarde da noite tinha tomado pedágio em seu corpo. O simples fato
é que ele não era tão forte quanto costumava ser, e também não tão forte
quanto Camron. Era humilhante e o fez ver vermelho. Mesmo que eles eram
mais ou menos empatados em tamanho, e Travis era vários anos mais jovem,
Camron era muito mais poderoso. Travis reconheceu o fato em sua cabeça,
mas seu orgulho o fez virar o rosto e se recusar a falar. Seu peito subia e
descia rapidamente, e ele ainda não conseguia recuperar o fôlego.
―Eu lhe disse, você vai se acalmar? ― Camron olhou para ele e
balançou a cabeça. ―Ok, então agora você não está falando comigo. Muito
maduro da sua parte, Travis.
Camron se levantou e puxou Travis com ele por ambos os pulsos. Por
mais que tentasse, Travis não podia se livrar dele e sentiu-se sendo arrastado
para o caminhão de Camron. Camron abriu a porta, trocou as mãos para sua
cintura e pegou seu corpo, empurrando-o para dentro. Assim que ele soltou os
pulsos, Travis golpeou-o na lateral da cabeça e o chutou para fora com as
botas, mas isso saiu pela culatra porque Camron de repente agarrou seus pés
e o puxou, então ele caiu de costas. Camron colocou uma mão em seu peito
para segurá-lo, jogando-o na parte de trás do caminhão.
Com determinação e calma, ele conseguiu recapturar as mãos
agitadas de Travis e enrolar fita adesiva em torno de seus pulsos e tornozelos,
tudo isso enquanto Travis estava tentando o seu melhor para dar uma
cabeçada nele. Ele, então, envolveu uma outra volta de fita em torno de sua
cintura, e prendeu os braços juntos a seu corpo. Nestas alturas, Travis estava
xingando-o e gritando com ele tão alto, que ele tirou outro pedaço e tapou a
sua boca. Tudo que Travis podia fazer era ficar sentado lá e ferver, seus olhos
piscando tentando prometer o que ele faria para Camron quando ele se
soltasse. Camron olhou para ele quando terminou e balançou a cabeça.
―Eu não queria ter que fazer isso, mas você é tão teimoso. Agora
vamos para aquela cabana de que lhe falei. Eu não estou indo prejudicá-lo,
exceto que você mantenha essa merda de atitude, eu poderia ter que chicotear
seu traseiro. Vamos conversar, rapaz. Eu disse a seu irmão, para onde eu o
estava levando, por isso, não se preocupe com seus pais. ― Ele tirou o cabelo
de Travis para longe de seus olhos e olhou para ele solenemente. ―Você não
está com medo de mim, não é?
Travis fez um som que ele esperava que parecesse que estava com
medo de Camron ou de qualquer outra pessoa que olhasse para ele
furiosamente. Camron sorriu e balançou a cabeça.
―Senhor, onde que eu me meti?
Camron olhou para o rapaz ao seu lado no banco da frente e
suspirou. Sempre que tentasse conversar, ia ser um pedaço de uma luta. Travis
nunca tirou seus olhos de Camron, e aqueles olhos prometiam vingança
sangrenta. Talvez fosse uma boa ideia deixá-lo ter uma boa luta, para tirar a
raiva de seu sistema, e então talvez eles pudessem apertar as mãos e acabar
sendo amigos.
Ele olhou por cima para aqueles brilhantes olhos verdes, para o
cabelo loiro macio, com nuances prateadas, e se perguntou com o que diabos
ele estava brincando. Os dois nunca seriam amigos. O que havia entre eles era
muita paixão, muito crua e forte para apagar qualquer coisa pálida e fraca
como amizade. Este era o seu companheiro, e a cada momento que passava
pensando, ele se perguntava, como ele conseguiu se sentir indiferente para
com ele por tantos anos até que Travis chegou a idade da sua mudança.
Ele era tão lindo. Mesmo para um menino, seus olhos eram uma
coisa, mas em um homem, aqueles longos cílios grossos eram quase um
pecado. Embora, não houvesse nada de feminino sobre ele. Sua mandíbula era
quadrada e viril, é que ele tinha uma graça inconsciente, não havia nada
certinho ou feminino na maneira como ele se movia. Não, eram,
provavelmente, aqueles lábios carnudos que faziam isso. Sua boca tinha uma
linda curva em arco em seu lábio superior, que o colocava num patamar acima
de ser apenas bonito, para ser absolutamente lindo. Será que ele
simplesmente não sabia?
Camron sorriu para ele, mesmo que ele sabia que iria fazê-lo ficar
ainda mais furioso. ―Você pode me dar tantos olhares de reprovação que você
quiser, Travis, mas você ainda vai comigo. Você não pode parar o desejo de
acasalamento, você sabe. Você é meu. Nossos pumas já decidiram isso por nós
algumas noites atrás. Nossas mentes humanas não têm nada a ver com isso.
Você foi alegado, menino, então você pode muito bem aceitar.
Travis fez um som parecido com um grunhido irritado e lutou
novamente para ficar solto. Todo o seu corpo foi sacudido com um tremor
súbito. Camron sabia que ele estava ciente de que ele não podia sair da fita,
mas ele estava tão bravo com isso, que se tornou um movimento quase
inconsciente, uma espécie de tremor como quando um cavalo tenta espantar
as moscas de sua volta.
―Quando chegar onde eu estacionei o quadriciclo, eu vou te
desamarrar. Se você quiser lutar comigo, então eu acho que nós vamos lutar.
― Travis desviou o olhar furioso para a janela ao lado dele, seu peito arfando
cima e para baixo. Camron sabia que ele tinha dormido muito mal e que esta
manhã tinha até bebido uma cerveja quando acordou, provavelmente
pensando que a cerveja fosse fazer ele se sentir melhor. Ele tinha bafo de
cerveja. Todo o esforço e luta que ele teve desde então não o tinha ajudado
em nada, assim se lutasse, Camron sabia que não iria durar muito tempo.
Ainda assim, Camron não tinha desejo de machucá-lo. Precisava
construir sua confiança com Travis, e até agora, ele não havia dado nenhum
passo nessa direção. Ele suspirou. Esse tipo de confiança viria mais tarde,
assim esperava. Nunca poderiam chegar a lugar nenhum se não o fizessem,
mas mesmo assim estaria tudo bem também. Independentemente disso,
ambos estavam presos nesta situação, então eles poderiam muito bem fazer o
melhor possível com uma situação ruim. Talvez um dia eles pudessem chegar a
algum tipo de entendimento, ou eles poderiam acabar desprezando um ao
outro. Mas agora, ele ainda tinha uma chance de trabalhar esse acasalamento
e ele estava indo para usa-la.

Capítulo Quatro

Travis fervia de raiva enquanto Camron manobrava o caminhão para


fora do acostamento da estrada. Travis tinha chego a tal ponto de fúria, que
ele não estava mais tendo pensamentos coerentes, ele só tinha imagens de
caos e de assassinato piscando através de seu cérebro.
E pensar que ele já tinha se sentido atraído por esse idiota! O pior era
a humilhação de ser amarrado como um porco indo para o abate. Ele nunca
tinha sido tão maltratado na sua vida assim antes, e ele sempre se considerou
forte e capaz de lidar com qualquer situação. No entanto, ele tinha sido
completamente incapaz de parar este homem de coloca-lo no caminhão. Ele
nunca deveria ter baixado a guarda, mas ele não tinha ideia de que a porra de
um Camron lunático iria levá-lo para fora de sua casa.
Sua maldita ressaca e o choque de seu próprio descuido tinham
abrandado suas reações. Isso tinha que ser ele. Talvez o pior de tudo fosse à
emoção ilícita de ser controlado e preso que continuava o atingindo em ondas,
enquanto ele olhava ao longo das duras mãos de Camron apertando o volante.
Seu maldito pau estava apertando contra seu zíper. Seu captor olhava para
frente, graças a Deus, e parecia não notá-lo. Seu belo perfil tornava difícil para
Travis parar de observá-lo. Ele não queria isso, não importa o que seu corpo
estava dizendo, e assim que ele pudesse descobrir uma maneira de sair desse
lugar ele iria lhe mostrar exatamente o quanto ele não o queria.
Camron saiu do caminhão sem sequer dar um olhar para Travis e foi
até a grande árvore de cedro onde ele aparentemente acorrentou seu
quadriciclo mais cedo e em seguida, o escondeu para ninguém vê-lo da
estrada, sob os galhos baixos. Travis viu quando ele tirou a corrente e o dirigiu
para a estrada rustica que levava até a montanha antes de voltar para o
caminhão. Tristemente, ele abriu a porta do lado do passageiro o que deu a
Travis a chance que ele estava procurando.
Ele virou os dois pés ao redor e o chutou quando ele abriu a porta,
mas Camron se esquivou facilmente, puxando-o para fora do banco da frente e
o jogando no chão. Ele caiu com tanta força que sacudiu seus dentes. Camron
agarrou a gola da camisa de Travis e arrastou-o para fora da estrada até a
trilha antes de deita-lo de costas e pegar a faca de caça. Os olhos de Travis se
arregalaram com a visão da perversa lâmina afiada, mas Camron revirou os
olhos para ele, como se a ideia de que ele usaria a faca nele fosse ridícula.
Inclinou-se sobre Travis e com movimentos rápidos e eficientes cortou as fitas
o deixando livre, mas deixando as mãos por ultimo.
Assim que Camron fez o último corte através das fitas, Travis
cambaleou de pé e pegou o homem com um soco rápido e baixo no queixo.
Camron recuou alguns passos, balançando a cabeça como um touro, e depois
se inclinou e se chocou com a cintura de Travis, levando-o ao chão antes que
Travis pudesse se esquivar do seu caminho. Travis bateu duramente no chão,
com sua respiração o deixando por um momento, ele virou e conseguiu ficar
em pé. Ele estava tremendo e seu coração estava batendo rápido em seu
peito. Camron agora estava de pé também, e o observando com cuidado,
circundando-o, como se estivesse à espera de uma brecha.
Apesar dos pontos negros ainda dançando em sua visão, Travis
correu e chutou ao lado do joelho de Camron, percebendo depois, que quando
ele o atacou e fez o seu movimento na primeira vez suas botas tinham sido
tiradas e estavam agora caídas na parte de trás do caminhão. Quando seus
dedos dos pés entraram em contato com o osso tudo o que ele conseguiu fazer
foi quase quebrá-los. Xingando ele caiu de bunda no chão, totalmente fora de
equilíbrio e olhou para cima para ver Camron rindo dele.
―Realmente, rapaz? Isso é tudo que você pode fazer? Eu tinha
pensado que o velho Spencer tinha lhe ensinado pelo menos alguns
movimentos. Eu acho que você é um amante, não um lutador, não é?
Com um rugido, Travis ficou em pé e veio até ele de novo, só para ter
Camron lhe dando um pontapé em seu tornozelo, logo que Travis ficou em pé.
O chute o surpreendeu e ele girou seus braços enquanto perdia o equilíbrio,
mas caiu no chão com força de qualquer maneira, sentando-se novamente de
bunda no meio da trilha. ―Maldito seja! ― Travis gritou enquanto olhava para
cima e via Camron rindo dele novamente, mas estendendo a mão para ajuda-
lo.
―Agora que você é meu companheiro, eu acho que é melhor eu
ensiná-lo a lutar, ou com esse seu temperamento desagradável, você vai se
matar.
Travis olhou para ele. ―Eu não sou seu companheiro, porra! Ele
pegou a mão de Camron, mas o puxou para baixo com toda a sua força para
derrubar Camron ao lado dele. Então, isso foi engraçado para ele, né? Vejamos
agora como era engraçado enquanto ele tivesse as mãos de Travis fechadas
em torno de sua maldita garganta.
Quando Camron caiu ao lado dele, Travis rolou em cima dele,
montando-o e tentando o seu melhor para estrangula-lo e tirar o sorriso do
seu rosto. Camron levantou ambos os braços, jogando Travis de lado e, em
seguida, rolando seu corpo, levando Travis com ele. Antes que Travis pudesse
registrar o que estava acontecendo em sua volta, e olhado para seu inimigo,
Camron o empurrou e o puxou sobre seu estômago, em seguida, se
estabeleceu em cima dele. Ele agarrou os dois braços agitados de Travis e
mudou-os para trás, inclinando-se sobre ele. Ele sentiu o hálito quente de
Camron em seu pescoço o filho da puta não tinha sequer a decência de estar
respirando com dificuldade.
―Desista, gatinho? Eu não quero te machucar―, ele disse enquanto
soltava um braço e torcia o outro até que ele não o estivesse sentindo mais.
Ele estava apertando um ponto de pressão no pulso de Travis que enviava uma
dor ofuscante por todo seu braço. Não queria machucá-lo? Maldito seja ele,
isto era um jogo para ele. A ideia fez Travis ficar vermelho de raiva, então ele
estendeu a mão livre sobre a sua cabeça e agarrou um punhado dos cabelos
de Camron, puxando o mais forte que podia.
Travis soltou seu pulso e agarrou a sua mão. ―Droga! Pare com isso,
Travis e sossegue.
Ele se curvou sobre Travis novamente, o prendendo e mantendo as
suas mãos acima da cabeça de novo, e desta vez a sua língua traçou a borda
de sua orelha. Travis sentiu isso por todo o caminho até seu pênis, que cresceu
duro pelo toque conforme o desejo o percorreu. Ele podia sentir a ereção de
Camron pressionando contra seu vinco, e ele se viu empurrando de volta para
ele.
―É isso aí, gatinho ―, ele sussurrou baixinho em seu ouvido. ―Basta
dar para mim. Você sabe que você quer.
Travis rosnou e tentou empurrar Camron de cima dele, mas foi inútil.
Ele poderia empurrar com tudo que ele quisesse, mas ele não iria a lugar
nenhum, e ambos sabiam disso. Ele só estava gastando energia. Travis
choramingou de frustração e sentiu um beijo suave na parte lateral do seu
pescoço. ―Acalme-se. Eu não vou te machucar.
As palavras trouxeram sua onda de raiva de novo, mas ele estava tão
cansado e sua cabeça latejava a cada respiração que dava. Tudo o que ele
poderia usar era a sua boca.
―Foda-se―, ele gritou, e Camron riu suavemente.
―Parece que vai ser o contrário, gatinho.
―Do que diabos você continua me chamando? Saia de mim, maldito!
― Uma nova onda de adrenalina percorreu Travis, e ele fez outra tentativa de
alavancar a si mesmo e jogar o homem maior de suas costas, antes de ceder à
força muito maior de Camron e ceder de volta para baixo, respirando com
dificuldade.
O pênis rígido de Camron pressionou com mais força contra a sua
bunda, e Travis quase involuntariamente abriu as pernas mais afastadas para
permitir-lhe maior acesso.
―É isso, apenas relaxe um pouco e eu vou deixar você.
―Droga, eu não quero que você me deixe fazer nada! E por que você
estava me chamando desse nome estúpido?
―Gatinho? ― Camron riu, segurando a mão de Travis e dobrando-a
para mais perto dele. ―Parece que lhe cai bem. Você é como um pequeno
puma bebê bonito, um gatinho, como eles são chamados. Todo barulhento e
lutando com nada além dos dentes de leite para apoiá-lo.―
―Seu maldito! ― Indignado, Travis tentou bater no rosto de seu
captor jogando a cabeça para trás, no rosto de seu captor, só para sentir um
antebraço baixar na parte de trás de seu pescoço e pressionar seu rosto para
baixo na terra. Ele choramingou novamente quando seu nariz foi esmagado
com tanta força que ele teve que tentar respirar pela boca. Ele sentiu Camron
morder a parte de trás de seu pescoço um pouco mais duro, para poder ser
uma mordida de amor, a dor aguda forçando um grunhido assustado dele.
―Eu posso ficar aqui o dia todo neste agradável e confortável
traseiro, gatinho, mas acho que talvez não seja tão confortável para você, não
é? Você não gostaria de se levantar e parar tudo isso?
Travis sentiu um arrepio correr por ele quando Camron pontuou suas
palavras com outra mordida na parte de trás do seu pescoço, seguida de uma
longa lambida, lenta.
―Foda-se! ― Travis conseguiu dizer, mas Camron lhe deu um tapa na
parte de trás da cabeça, não muito duro, mas o suficiente para chamar a
atenção dele.
―Pare com todo o seu xingamento. Acho que vamos ter uma regra
para o que você diz, porque você se esconde por trás dessas palavras. Você foi
mimado, menino, e eu vou mudar tudo isso. Exceto...―, disse ele mordiscando
a parte de trás do seu pescoço novamente. ―Exceto, talvez, na cama. Você
gostaria de ser mimado na cama, bebê?
Travis choramingou novamente, com o rosto amassado para baixo
junto com a sujeira e os lábios manchados com ela. Ele não pode parar um
pequeno soluço de escapar de sua garganta e instantaneamente o antebraço
parou sua pressão, e ele se sentiu rolando para suas costas. Ele ficou imóvel,
talvez mais cansado do que ele já tinha estado antes, como a adrenalina
drenada lentamente. Camron jogou sua grande perna por cima da cintura para
se sentar com ele novamente antes de tirar um lenço do bolso de trás e
esfregar suavemente no rosto de Travis.
―Ah, o acasalamento, ele não tem que ser assim entre nós, você
sabe. ― Ele limpou o lenço através do nariz e os lábios de Travis e escovou
seus lábios através deles também.
―Seja o que for entre nós é muito forte. Eu sei que você sente isso
também. ― Ele passou a perna por cima de Travis e se levantou. Ele tirou os
sapatos e empurrou suas próprias calças para baixo em torno de seus
tornozelos. Travis fechou os olhos enquanto Camron estendeu a mão para
puxar as calças jeans de Travis para baixo, para fora de seus quadris e as
puxou fora de seus pés. Ele sentiu Camron se encaixar entre suas pernas. E
empurrar as pernas de Travis até o peito se inclinando para mantê-las ali junto
com seu corpo. Travis ainda não conseguia olhar para ele enquanto a cabeça
do pênis duro de Camron brincava com a seu ânus, mas ele abriu os olhos com
pressa quando sentiu um toque sobre sua entrada.
―Onde diabos você conseguiu lubrificante? ― Travis ergueu as
sobrancelhas e olhou para ele, surpresa. Camron estava com um pequeno
pacote de coisas na mão.
―Sempre preparado. Eu era um escoteiro, você sabe, ao contrário de
você, eu poderia acrescentar. Você gastou todo seu tempo esgueirando-se por
trás dos celeiros com fumadores de cigarros, aposto. ― Travis bufou um
suspiro irritado, e Camron se abaixou para escovar seus lábios novamente.
Travis limpou a boca com as costas da mão.
―Pare com isso! Deixe-me em paz, porra.
Camron deu um tapa na bunda de Travis com a mão aberta,
casualmente, sem nenhuma força real, mas doeu um pouco, surpreendendo
Travis.
―Ai! O que você está fazendo? Você me bateu!
―Eu disse que você xinga muito. ― Camron pairava sobre ele, suas
mãos em cada lado do rosto de Travis.
―E não vai mais mentir. Seu pau esta duro o suficiente pra bater
pregos. Você quer isso tanto quanto eu quero, então apenas admita.
Travis soltou outro suspiro e virou o rosto. Camron agarrou seu
queixo e o forçou de volta.
―Admita!
―Ok! Ok, eu quero. É isso que você quer ouvir?
―Eu quero que você peça por isso. Quero deixar claro entre nós que
eu não estou forçando você. Diga-me para parar e eu vou. Vou deixá-lo e levá-
lo de volta para casa, se você puder me dizer claramente que não quer isso.
Camron realmente se inclinou para trás e cruzou os braços sobre o
peito para espera-lo. Seria engraçado se as coisas não tivessem sido tão sérias
entre eles. Ali estava ele, deitado de costas no meio da trilha com as calças ao
lado dele, e Camron ajoelhado entre suas pernas, assim todo nu da cintura
para baixo. Ambos os pênis estavam para fora fortes e orgulhosos em seus
corpos. Travis suspirou e fechou o olho embaraçado novamente.
―Eu quero isso, ok?
―Então, me peça para transar com você.
Travis sentiu um rubor lento passear sobre seu corpo a partir dos
seus dedos do pé. Pedir a Camron para transar com ele, ele poderia fazer isso?
Camron provavelmente achava que ele era mais experiente do que ele era. Ele,
na verdade, nunca esteve com um homem assim. Será que ele realmente
queria que sua primeira vez fosse aqui a terra, no meio da trilha? Ele abriu os
olhos e olhou para os joelhos de Camron, seu belo rosto carrancudo,
impaciente, seu pênis grande e grosso, duro e vazando gotas peroladas de pre
sêmen. Inferno, sim ele queria.
―Como você sabe como fazer isso, afinal? Achei que você só saia
com as meninas.
―Principalmente sim. Mas eu já fodi caras antes uma par de vezes.
Eu só não gostei muito.
―Então você, por que você quer me foder?
―Porque você é diferente ―, disse Camron calmamente.
―Você é especial. Mais especial do que qualquer um. Agora você me
quer ou não? Você precisa perguntar Travis.
―Ok! Você vai... caramba, será que você poderia calar a boca e me
foder? Camron olhou para ele.
―Apesar da atitude, eu vou, claro que sim inferno.
―Não me chame mais daquele nome, ok?
Um dedo grande deslizou para dentro da sua entrada quente e rosa,
e Travis arqueou as costas do chão.
―Tem certeza? ― Ele pressionou o dedo profundamente dentro de
Travis, massageando e alongando, e em seguida, acrescentou outro dedo,
abrindo mais sua entrada apertada. Seu músculo estremeceu e contraiu ao
redor dos dedos, e Travis gemeu e empurrou seus quadris para cima para
obter mais da deliciosa sensação. Outro dedo escorregou para dentro, e Travis
balançava a cabeça e resmungava pelo desconforto, mas ele não queria que
ele parasse.
―Oh Deus, Camron. Por favor....
Camron riu e empurrou um dedo mais fundo sobre um ponto dentro
dele que o inundou com energia. Suas entranhas ardiam com o calor, e ele
jurou que viu estrelas no meio da tarde. Travis tentou empurrar em cima de
seus dedos, mas com mais um toque naquele local e outra massagem lenta,
Camron tirou os dedos à distância e deixou a entrada de Travis piscando por
mais.
―N- não! ― Travis gritou, e Camron sorriu para ele.
―Sch....―, disse ele, acariciando a mão sobre o pênis vazando de
Travis.
―Espere gatinho. ― Então, bem devagar, Camron embainhou todo
seu pênis lubrificado dentro do corpo de Travis. Travis suspirou e fez um
barulho que nunca tinha ouvido falar e fazer antes. Camron beijou o interior de
seu joelho.
―É isso aí, bebê, faça aqueles pequenos sons para mim.
Camron estava empurrando com movimentos longos e lentos que
quase o fazendo chorar de prazer. Doeu sim, porque não havia nada de
pequeno sobre o pau de Camron, mas o ardor e os espasmos apenas tornavam
tudo ainda mais intenso. Quando Camron mudou o ângulo e passou sobre
aquele ponto dentro dele com o seu pênis, Travis soltou um grito que,
provavelmente, alertou toda a maldita vizinhança. Ele tentou empurrar de
volta com mais força contra ele para fazer fazê-lo novamente, mas ele teve
que se contentar com as investidas longas e lentas que era tudo que Camron
lhe daria.
Travis estava tremendo e tremendo todas as luzes brilhantes
pareciam dançar na frente de seus olhos. Deus como estava quente e eles
estavam suando, mas ele nada podia fazer para que Camron mudasse seu
ritmo lento.
―Por favor ―, ele implorou e Camron respondeu empurrando ainda
mais profundamente dentro dele, até que ele se sentiu recheado e completo.
Seu estômago se apertou quando Camron se inclinou sobre ele para enfiar a
língua em sua boca e chupar a língua de Travis, beijando-o quando se enterrou
nele novamente.
Travis se ouviu dar mais um daqueles pequenos sons de súplica que
realmente o fazia soar como um maldito gato. Camron afastou sua boca longe
e sorriu para ele. ―Você está ronronando para mim? Lindo bebê―.
Ele girou seus quadris e empurrou de novo, mais profundo, mais
forte, se forçando profundamente dentro de Travis. Ao mesmo tempo, ele
estendeu a mão e acariciou o pênis de Travis, e Travis literalmente pensou que
ele tinha desmaiado com a sensação. Uma onda de excitação tomou conta
dele, girando em torno de seus sentidos e afogando-o em paixão quando um
grande orgasmo o atingiu. Tudo o que ele pode fazer foi se agarrar nos ombros
de Camron, esperando que ele o salvasse, quando ele recuperasse o fôlego, se
agarrando a ele como que para salvar a vida.
Camron endureceu e uma inundação de sêmen quente encheu a
bunda de Travis. Ele adorava que ele e Camron fossem imunes a doenças
humanas normais, e que ele pudesse tocá-lo tão intimamente, sem barreiras
entre eles. Sua cabeça caiu para trás enquanto saboreava o peso em cima
dele. Deus, ele tinha sido exaustivamente reivindicado e fodido, e ele nunca
tinha imaginado que poderia se sentir assim. Talvez ele pudesse fazer isso se
ninguém soubesse sobre isso. Ninguém tem que saber os detalhes, certo? Isso
poderia ficar apenas entre os dois.
Camron conseguiu o controle de sua respiração e, apesar de tudo o
que ele tinha dito, Travis se sentiu abandonado quando sentiu o peso quente
do pênis de Camron escorregar de seu ânus. Embora ele tenha se assustado
quando Travis inclinou entre as suas pernas e se sentou em cima dele. Seu
pênis sensível empurrou duro em resposta a Travis arregalou os olhos. Um
beijinho pousou na ponta do seu nariz, em seguida, os lábios quentes de
Camron deslizaram através dele. Travis não queria, mas ele relaxou e cedeu à
sensação da sua boca sobre a dele e suspirou. Para seu horror, ele ouviu outro
som gutural pouco mole vindo de sua garganta, e Camron riu contra seus
lábios.
―Ronronando para mim de novo?
Travis empurrou-o bruscamente e tentou novamente se levantar, e
desta vez Camron deixou. Camron empurrou contra o chão e se levantou,
puxando para cima os seus jeans enquanto Travis lutava para se levantar e
estender a mão para suas próprias calças. Até o momento que ele chegou a
elas, ignorou a viscosidade vazando de sua bunda, Camron passou por ele
seguindo até a parte traseira do caminhão e pegou as botas de Travis.
Jogando-as para ele.
―Coloque-as de volta e decida se quer ou não subir na garupa do
quatro por quatro. Eu gostaria de levá-lo até a cabana, como eu disse. Nós
podemos conversar sobre as coisas lá em cima sem ninguém para nós
atrapalhar, e sem que sua mãe se preocupe e venha tentar resgatar seu pobre
bebê.
Travis calçou as botas e bufou.
―Deixe minha mãe fora disso. Eu vou com você para sua maldita
cabana, mas apenas por esta noite. E pare de agir como se você fosse meu
chefe. ― Ele se virou e apontou um dedo para ele.
―E você tem que parar de me chamar desses nomes idiotas. Eu sou
um homem, e não a sua namorada! Eu não sou um gatinho ou seu bebê ou
qualquer outra coisa. Entendeu? ― Ele ergueu o queixo e olhou
agressivamente para Camron, que estava encostado no quadriciclo, olhando
para ele, olhando ao longo de seu jeans apertado e sexy.
―Eu sei que você é um homem, Travis. Acredite em mim. Agora suba
na garupa da moto. Você já perdeu bastante luz do dia.
―Eu? ― Travis quase se engasgou com sua raiva, mas Camron já
estava virando e passando a perna por cima do quadriciclo. Ele ligou o motor e
olhou para Travis.
―E então?
Travis soltou um longo suspiro, mas veio subir em suas costas.
Quando Camron acelerou o motor e seguiu a trilha, Travis não pode resistir e
lançou mais um olhar para estrada, a estrada que representava sua casa e sua
segurança de não ter que se preocupar em resistir a este filho da puta sexy.
Ele se perguntava se estava cometendo um grande erro em ir até a montanha
com ele, não importa o quão atraente o maldito era ou o quanto Travis queria
ver o que aconteceria em seguida. Um grande buraco na trilha fez Travis saltar
sobre seu assento e, instintivamente, ele agarrou em torno da cintura de
Camron, seus músculos magros e duros estavam sob seus dedos. Camron
olhou para trás por cima do ombro para ele e sorriu.
―Segure-se, Travis. Vai ser uma viagem atribulada.

Capítulo Cinco

No momento em que pararam em frente da pequena cabana de


madeira localizada profundamente entre os pinheiros do lado de uma colina, já
era final da tarde, e as sombras eram profundas na encosta. Um pequeno
caminho levava até a frente da cabana e Camron manobrou e estacionou em
frente dos degraus da entrada. Havia uma pequena varanda em toda a frente o
que só poderia dizer que era uma casa de um quarto, e alguém tinha colocado
cercas feitas de madeira rústica e não aparada. O telhado da casa era feito de
cedro, não exatamente baratos em torno desta parte do sul, e Travis
perguntou por que eles foram usados em uma pequena cabana rústica numa
área afastada.
Travis desceu da parte traseira do quadriciclo e se esticou. Sua
cabeça doía, sua bunda estava dolorida do desacostumado uso, e pensou quão
bom seria uma boa cerveja gelada agora mesmo. Olhando em volta, ele
percebeu que era altamente improvável. Eles pareciam estar no meio do nada,
e esta não era uma parte da floresta que Travis nunca tinha visitado antes.
Quando ele ainda era criança, não mais do que dez ou onze anos,
Spencer o levou para caçar uma vez com ele e Hawke. Eles estavam no final
da adolescência e até então não tinha muito tempo para ele, mas ele ainda se
lembrava de como ele tinha odiado cada segundo da caçada. Ele tinha perdido
seus jogos e sua TV, e caramba, ele tinha perdido sua mãe também. Ele não
ousou dizer nada sobre ele estar com saudades assim os meninos mais velhos
não o provocariam sobre isso. Em vez disso, ele tinha se encolhido em seu
saco de dormir no chão duro e se prometeu nunca deixar ser convencido a
fazer essa merda de novo. Agora, lá estava ele na floresta, e deveria ficar em
uma cabana que não prometia ser exatamente de luxo ou até mesmo fornecer
muito em termos de conforto. E tudo porque, mais uma vez, ele deixou alguém
convencê-lo de coisas que ele sabia que não seriam boas para ele.
―Onde diabos estamos? ― Ele se inclinou para olhar por cima do
ombro para Camron que estava descarregando pacotes ao longo da traseira do
quadriciclo.
―Esta foi cabana de caça do meu pai. Nós costumávamos vir aqui
para ficar longe de todos, e para pescar e caçar. É muito rústico, mas vamos
ter muita privacidade.
―Você acha? ― Travis olhou em volta e teve uma sensação
decididamente ruim sobre isso. Esse não se parecia com qualquer lugar que ele
gostaria de passar algum tempo. Por outro lado, ele estava determinado a
provar a Camron que ele poderia ter qualquer coisa que ele quisesse repartir.
Camron deixou cair dois enormes pacotes a seus pés quando passou
por ele em direção à cabana.
―Carregue estes pacotes para dentro pra mim, e nós vamos entrar,
eu tenho certeza que nós vamos ter que limpar um pouco. Ninguém esteve
aqui há quase um ano.
Carrancudo, Travis pegou sua parte da carga e seguiu Camron.
―Eu mencionei o quanto eu odeio qualquer coisa rústica?
―Vamos Travis, pelo menos, tente aproveitar isso. Então, qual o
problema se não tivermos todas as conveniências modernas por alguns dias.
Isso não vai te matar.
―Eu ainda preciso ver isto.
Camron levantou uma sobrancelha, dando Travis um olhar severo,
que ele ignorou.
Travis subiu na varanda, deixando cair os sacos ao lado da porta da
frente, e cruzou os braços. Ele sabia que estava sendo teimoso e mal-
humorado, mas ele não se importou. Ele estava chateado e ele se sentia um
inferno. Não só isso, mas ele não conseguia entender por que ele tinha o pau
meio-duro com apenas com a ideia de ficar aqui sozinho com Camron. Ele
olhou para ele quando ele se inclinou para baixo na porta da frente, tentando
encaixar a chave na antiga fechadura. Eram os jeans apertados que o maldito
Camron insistia em usar. Eles desenhavam a sua linda bunda perfeitamente.
Camron abriu a porta e ficou de lado para deixar Travis entrar em
primeiro lugar. Travis entrou e bufou. Era um pesadelo, tanto quanto ele estava
preocupado. Apenas um quarto, media provavelmente cerca de dezesseis por
dezesseis e anos cobertos de poeira e, pior de tudo, teias de aranha. Travis
odiava aranhas, porra. Odiava e tinha odiado desde que era um garotinho. Ele
tinha quase um horror delas, embora ele fosse morrer antes que de admitir
isso a Camron. Ele iria acabar pensando que Travis era covarde se ele lhe
dissesse. Inferno, ele já o estava tratando como uma menina, sendo assim ele
manteve seus temores ao mínimo e olhou em volta. Havia uma mesa, duas
cadeiras velhas de costas retas e.... não havia cama.
Travis se virou lentamente e olhou para Camron, estreitando os
olhos. ―E onde o inferno é que vamos dormir? Não há nenhuma porra de
cama aqui―.
―Sim, os camundongos construíram ninhos no colchão velho que eu
tinha aqui, então eu só me livrei dele. E, a propósito, eu lhe disse que você
precisa limpar essas palavras da boca. Você vai ficar perto de meus irmãos e
irmãs muito mais jovens depois que vier morar comigo, e eu não quero que
eles aprendam isso. ― Ele foi até a mesa e pegou uma velha lata de café.
―Estou começando uma lata de xingar. Toda vez que você xingar,
uma moeda vai ser colocada dentro dela, quando você chegar a 20 moedas, eu
vou surrar a sua bunda.
―Que diabos isso quer dizer?
―Isso significa que nós vamos lutar de novo, eu acho, já que isso é
tudo que você parece entender. O que diabos você acha que isso significa?
―Ah, bom. Num minuto você está dizendo que devemos sentar e
conversar sobre tudo como adultos, e no próximo você está falando em bater
minha bunda? Como você pode! ― Travis olhou para ele, balançando a cabeça.
―Estou começando a me perguntar se você sabe agir como um
adulto.
―Foda-se, Camron. ― Ele pegou uma moeda de sua calça jeans e a
colocou na lata.
―Aqui. Eu vou com prazer pagar pelo privilégio de ter dito isso.
Camron cerrou os punhos e deu um passo em direção a ele, o que fez
Travis se afastar rapidamente e caminhar em direção à janela, não sentindo a
chegada de outra luta naquele minuto.
Sua cabeça e seu estômago doíam e tudo o que ele queria fazer era
se esticar em uma cama em algum lugar, exceto que não havia uma. Ele puxou
a cortina que cobria a janela, esperando deixar entrar um pouco de luz. A
janela estava tão suja que não podia ver o lado de fora através da coisa.
―Este lugar está uma porcaria. O que eu devo fazer; ficar sentado a
noite toda?
―Há uma cama. Eu estava tentando explicar se você me desse uma
chance.
―Sério? Porque se você estiver falando sobre sacos de dormir, eu
posso prometer-lhe pela minha bunda que não vou dormir no chão com ratos
correndo por aí.
Camron se afastou com nojo.
―Eu tenho um colchão inflável que é muito confortável, e coloquei
armadilhas para os ratos. Eu não quero montar o colchão, no entanto, até que
limpe aqui, então pare de reclamar e vamos começar.
Teimosamente, Travis virou e se inclinou no parapeito da janela, ao
mesmo tempo uma enorme aranha preta, com o corpo do tamanho de uma
moeda de meio dólar, caiu do topo da janela em cima por um segundo da parte
de trás de sua mão. Balançou a mão e literalmente gritou, tropeçando em seus
pés e caindo sentado, realizando manobras para chegar do outro lado do
cômodo em sua pressa de fugir da janela.
―O que foi isso? ― Camron calmamente passou por ele, e descobriu
a aranha no chão e pisou nela. ―Meu Deus, é apenas uma aranha.
―Apenas uma aranha? Isso era uma decoração de Halloween, porra!
Camron revirou os olhos. ―É apenas uma aranha madeira. Há um
monte delas aqui em cima.
―Na floresta, sim, mas não na casa! E não pense que eu me esqueci
dos ratos na cama! Se você colocar o colchão no chão, eles vão apenas
rastejar em volta! Como diabos você espera que eu durma aqui? ― Ele
estendeu a mão e agarrou sua cabeça que tinha começado a latejar ao mesmo
tempo em que ele caiu para fugir da aranha. ―Oh inferno, minha cabeça dói.
Você não tem uma aspirina ou algo assim?
Camron puxou uma das cadeiras e sentou-se, olhando para ele e
balançando a cabeça. Travis gemeu novamente.
―Não olhe para mim assim. Estou cansado e minha cabeça dói e
minha bunda também está doendo, e eu lhe disse que não queria vir aqui pra
cima!
―Deus, eu nunca ouvi tanta choradeira. ― Ele respirou fundo e olhou
para fora pela porta ainda aberta.
―Bem, Travis, seu pai ou seu irmão deveriam ter começado a tirar
esta merda de atitude fora de você há muito tempo, mas eu conheci sua mãe e
posso imaginar que ela não iria deixá-los.
―Eu lhe disse para deixar a minha mãe fora disso! Ela tem sido boa
para mim. E daí?
―Eu não vou dizer nenhuma palavra contra a sua mãe. Tenho certeza
de que ela é uma boa mulher. Mas ela não fez nenhum favor mimando você
como ela fez. É hora de você aprender a agir como homem quando as coisas
não estão indo do jeito que você quer.
―Bem, inferno, Camron, o que é isso? Você quer que eu aja como
homem e vá pra cima, ou você quer que eu seja sua maldita namorada? Talvez
eu não seja o único que precisa aprender a lidar com a situação.
Camron colocou um olhar irritado em seu rosto por um momento e
depois acenou com a cabeça.
―Tudo bem. Você está certo. Eu não posso ter as duas coisas, posso?
A verdade é que eu não sei como tratá-lo, Travis. Eu nunca tive sentimentos
como estes por um homem antes. Parte de mim quer protegê-lo como a um
bebê, levá-lo para a cama e fazer amor com você por cerca de uma semana. A
outra parte, e esta é o grande problema, quer chutar o seu traseiro. É confuso
como o inferno, porque eu sei muito bem, que você é um homem. Eu segurei a
prova na minha mão não faz nem uma hora.
Travis sentiu-se corar, e se perguntou de onde diabos isso tinha
vindo. A “prova” em questão estava tomando conhecimento e também e
enrijecendo entre as suas pernas.
―Eu nunca fui atraído por um homem antes, e eu acho que nunca
vou ser novamente. E não há com certeza qualquer outro cara que eu queira
foder como eu quero com você. Então eu acho que isso resume tudo. Homem
ou mulher, eu só quero que o meu companheiro seja alguém de quem eu
possa me orgulhar. Alguém que aceita responsabilidades, e que tenha um
pouco de orgulho de si mesmo. Esse é o tipo de pessoa com quem eu quero
construir uma vida. Isso faz algum sentido?
Ainda se sentindo mal-humorado, e com sua cabeça latejando
loucamente, Travis achou difícil se concentrar, mas ele balançou a cabeça.
―Sim, acho que sim.
―E você não estaria se sentindo tão mal agora, se você não estivesse
de ressaca.
―Eu não estou! Ok, eu estou, mas tudo o que aconteceu não tem
exatamente me ajudado. Você sabia que eu estava de ressaca quando você
veio até a minha casa hoje. Você não podia ter esperado por um dia em que eu
não estivesse?
―E exatamente quando seria isso? Você andou bebendo muito nos
últimos meses, pelo que ouvi.
―Não vejo isso como sendo de sua preocupação, Camron? De quem
ouviu isso, afinal?
Camron suspirou profundamente.
―É minha preocupação, porque você faz parte das minhas
preocupações agora, com qualquer um de nós gostando ou não. Eu cuido de
um negócio, Travis. As pessoas falam, e eu escuto. Parece-me que você tem
um problema com a bebida, e agora seria um bom momento para cuidar desse
problema antes que fique pior. Porque eu posso te dizer agora, que eu não vou
estar acasalado a um bêbado.
―Eu não sou um bêbado! Foda-se!
―É tudo o que sabe dizer, porque você está começando a soar como
um disco quebrado. ― Ele se levantou e olhou severamente para Travis.
―Vai ser assim durante um tempo. E de qualquer maneira, eu vou
transar com você, rapaz. Eu acho bom que nós tenhamos isso resolvido.
―Maldito seja, Camron MacKay. O que você acha que meus pais e
meu irmão vão dizer sobre você me segurando prisioneiro aqui e decidindo o
que é melhor para mim?
―Spencer sabe que eu estava trazendo você aqui, e ele sabe que
você é meu companheiro. Eu falei com ele sobre isso, e ele estava indo
explicar para os seus pais.

Travis ficou furioso. ―Bem, isso é só fu... isso é ótimo. Eu não sou
uma criança, mas todo mundo pensa que sabe o que é melhor para mim,
fazem isso para que eles possam tomar decisões por mim como se eu fosse
muito jovem e estúpido para fazer isso por mim mesmo.
―Você é muito jovem, mas eu sei que você não é estúpido. E você
não está sendo mantido como prisioneiro aqui, e você sabe disso também.
Você veio comigo de bom grado, quando chegamos ao quadriciclo. Eu lhe dei
uma escolha.
Travis deu-lhe um olhar mal-humorado. ―Eu pensei que nós
tínhamos vindo aqui para fazer sexo, não para me fazer trabalhar e me deixar
sóbrio.
―Estou preocupado com você, e assim também esta sua família
então por que você não melhora o seu humor, pelo menos, tente nos dar um
presente? Eu estou esperando que nós possamos trabalhar essa coisa toda
entre nós, mas não podemos fazê-lo se tudo que você faz é ficar alto. Estou
falando sério quando eu lhe digo que eu acho que você tem um problema. Seu
irmão e seu primo Hawke também pensam assim.
A boca de Travis caiu. ―Você fala como se você achasse que eu sou
um alcoólatra ou algo assim.
―Sim, eu tenho medo que você seja, bebê, quero dizer, Travis. Ou
você está indo para esse caminho. Enfim, eu falei com o médico antes de
sairmos, e ele me deu um sedativo leve para você tomar. Ele disse que você
pode ficar nervoso e ter tremedeira, ou você pode até começar a vomitar.
Travis baixou o olhar, ainda com raiva, mas sentindo um pouco de
medo, também. E se fosse verdade? E se ele fosse viciado em álcool? Ele tinha
bebido todos os dias ultimamente, e sentindo mais e mais como se ele
precisasse do álcool para se sentir melhor. Ele não gostava da ideia em nada,
então ele respondeu a acusação de Camron com uma bravata.
―Eu não sou um alcoólatra, e eu não preciso de qualquer maldito
sedativo, porque eu não vou ter nenhum sintoma de abstinência.
―Ok, Travis, eu estava apenas permitindo que você soubesse que eu
tinha para o caso de precisar. Se você decidir que você precisa de algo, me
avise.
―Ok, mas eu não vou. ― Travis estava chateado e a adrenalina
estava fluindo dele, ele pulou agarrando um pedaço de pano que Camron tinha
colocado em cima da mesa e começou a limpar a mesa toda.
Camron sorriu e pegou uma vassoura atrás da porta.
―Aqui está uma vassoura e há um esfregão lá também, caso você
queira limpar algumas dessas teias de aranha e lavar o chão. ― Ele começou a
caminhar para a porta. ―Eu vou pegar um pouco de água no riacho, para que
você possa limpar essa mesa e o chão corretamente. ― Ele se virou para a
porta, e sorriu se voltando para ele. ―Ah, e se você for atacado por outra
aranha e precisar de mim para matá-la para você, basta gritar.
Travis lançou lhe um olhar assassino.
―Oh, muito engraçado. Se eu vejo mais uma como aquela primeira
eu estou fora daqui. Aquela filha da puta era como uma extra de Aracnofobia.
Camron encostou-se no batente da porta, sorrindo.
―Quando eu voltar do riacho, eu vou cortar um pouco de madeira, e
nós vamos usar a lenha para acender aquele velho fogão. Aqui provavelmente
vai ficar frio depois de escurecer. Há uma bomba aqui em algum lugar para
encher o colchão também, e a roupa de cama é nessa arca de cedro. ― Ele
acenou para um velho baú de cedro embaixo da janela e se virou para sair.
Travis continuou limpando com o pano os móveis, embora, depois de
um minuto que Camron se virou para ir embora, Travis se afundou na cadeira e
colocou a cabeça entre as mãos. A maldita dor de cabeça estava ficando pior a
cada minuto. Parecia latejar junto com seu batimento cardíaco, e isso o fazia
mal ao seu estômago. Merda, ele queria uma cerveja da pior maneira. Ele
abaixou a cabeça sobre a mesa e decidiu fechar os olhos por apenas alguns
minutos.
A próxima coisa que ele soube, foi quando ele ouviu Camron
chegando na varanda. Ele levantou a cabeça para olhar para ele.
―Isso não demorou muito. O riacho é perto?
―Não muito―, disse ele, colocando dois baldes de água no chão.
―Vamos andar por aí depois que eu cortar um pouco de madeira. Talvez tomar
um ar fresco vá melhorar sua cabeça. A menos, é claro que você queira cortar
a madeira. ― Travis não se preocupou em responder.
―Isso é o que eu pensava.
―Então por que diabos você perguntou? ― Travis gritou atrás dele.
―Eu odeio esse lugar e eu te odeio.
―Vamos ver.
―Sim, com certeza. E não diga isso.
―Dizer o quê?
Travis deu-lhe um olhar de desgosto.
―Vamos ver ―, disse ele, em uma voz cantante. ―E dane-se, eu
estou com fome, Camron. Existe alguma coisa para comer nesta entrada para
o inferno ou você está pensando em me fazer passar fome até a submissão?
―Se eu achasse que iria adiantar... Deus, você é tão melodramático.
Eu trouxe um pouco de pão, e algumas latas de Spam3. Algumas latas de
haxixe, pimenta e um pouco de ensopado de carne. Eu até trouxe um pouco de
manteiga de amendoim e geléia para algo rápido. E alguns pacotes de Ki-suco
também. Eu costumo manter um pouco de açúcar armazenado em frascos
aqui, juntamente com farinha para fazer biscoitos, banha de porco e um pouco
de café. Teremos muita coisa para comer. Pensei que poderíamos pescar
alguma coisa também.
―Você sabe pescar, não é?
―Bem, não é tão difícil é? Você só joga o anzol na água. Não é como
ciência de foguetes. ― Camron sorriu.
―Pode ser um pouco mais difícil que isso, mas eu vou te mostrar.
―A manteiga de amendoim, a geléia e o pão estão na minha mochila,
já que você está morrendo de fome. Eu vou pegar um pouco de lenha, então
vá em frente e faça um sanduíche, e enquanto você está fazendo o seu, faça
um pra mim também.
―Certamente, chefe. ― Camron bufou e saiu pela porta, deixando
Travis fazer os sanduíches.
Ele localizou o pão e a manteiga de amendoim encontrado a geléia
em um pacote diferente, juntamente com os pacotes de Ki-suco. Ele foi à
busca do açúcar e encontrou-o em um grande frasco de vidro na pequena

3
Alimento de feito de carne-cozida e enlatada pela empresa Hormel Foods Corporation.
despensa ao lado da pia. Ele misturou o suco, apenas jogando um punhado de
açúcar, uma vez que ele não tinha ideia de quanto usar. Ele queria uma cerveja
tão mal que quase podia sentir o gosto.
Ele teve que admitir que, exceto pela dor de cabeça e o desejo por
uma cerveja que era quase doloroso, ele gostava de estar com Camron, e ele
não sabia por que ele não conseguia parar de choramingar. Mesmo que ele
pudesse deixar esta cabana miserável, ele realmente não teria deixado, porque
ele queria estar em qualquer lugar que Camron estivesse. Camron devia estar
certo sobre essa coisa de companheiro, porque ele não tinha ideia de por que
ele se sentia assim. Eles não haviam feito nada além de brigar desde o início
da manhã. Se ele estivesse certo sobre eles serem companheiros, então talvez
ele estivesse certo sobre algumas outras coisas também, mas Travis não tinha
a intenção de admitir isso para ele.
Travis tinha terminado de fazer os sanduíches e que tinha posto em
cima da mesa, juntamente com um copo de Ki-suco para cada um deles
quando Camron entrou com um feixe de lenha em seus braços.
―Há mais madeira lá fora, mas vamos comer antes de cortar e trazer
o resto para dentro. Nós podemos empilhá-la na varanda, isso vai ser útil
quando precisamos de mais lenha. Cara, eu acho que ter trabalhado abriu meu
apetite.
Travis não respondeu, apenas sentou-se à mesa e começou a comer.
Ele estava se sentindo pior a cada minuto. Sua cabeça doía e ele se sentia
nervoso e um pouco enjoado. Talvez ele se sentisse melhor depois de comer,
mas agora ele não queria nem pensar em transportar a lenha para dentro.
Curvar-se para pegá-la, provavelmente, iria fazer sua cabeça explodir para fora
de seus ombros.
Eles comeram em silêncio por alguns minutos, o que foi bom para
Travis, e então, Camron apontou para a velha arca de cedro na sala.
―Precisamos tirar os cobertores da arca e levá-los para o lado de fora
para tomar ar. Podemos esticar um ou dois em cima do quadriciclo. A luz do
sol, e o vento vão ajudar a tirar o odor de mofo deles antes de usarmos hoje à
noite.
Realmente isso não seria um monte de problemas, mas Travis estava
sentindo o contrário. A comida não tinha ajudado a sua dor de cabeça ou seu
estômago, como ele esperava que fosse. Ele se sentiu um lixo, e estava muito
além de cansado das ordens de Camron, mas ele não queria ouvir mais de sua
boca sobre como ele era preguiçoso. ―Tudo bem. Seja como for.
―Qual é o problema, a dor de cabeça piorou? Você esta rabugento
como o inferno, e você não parece nada bem.
―Como você é observador. Eu me sinto como atingido por um
caminhão, dane-se, a minha cabeça esta me matando. E estou cansado de
você me dar ordens e me dizer o que há de errado comigo. Se eu sou uma
merda, só me leve para casa e vamos esquecer tudo sobre este negócio
companheiro, que provavelmente, seria o melhor para nós dois. Como você
disse, você não sente atração por um homem.
Camron fitou-o por um longo momento, estudando-o.
―Travis, você quer um desses sedativos que o médico me deu para
você?
―Não. Eu não preciso disso. Agora, basta ir cortar a madeira, ou o
que você quiser, e eu vou pegar aquelas malditas mantas ou cobertores ou o
que quer que eles sejam e trazê-los para o lado de fora para tomar ar.
Camron ficou lá por um minuto, olhando-o preocupado.
―Tem certeza?
―Sim, eu tenho certeza. Vá em frente. ― Ele se recusou a admitir a
Camron (ou a si mesmo) que ele poderia estar certo sobre a bebida e que ele
só poderia ter um problema sério, já que estava ficando pior a cada minuto.
Camron estava preocupado com Travis. Ele não parecia bem e foi
ficando cada vez pior com o passar do dia. Ele o observou trazer os cobertores
para fora e abri-los sobre o quadriciclo, mas ele estava se movendo
lentamente e sua pele era de um branco doentio. Camron esperava que seu
problema com a bebida não fosse mais avançado do que ele pensava. Se fosse
assim, eles seriam obrigados a voltar, descer a montanha para que o médico
pudesse verifica-lo procurando sintomas de abstinência.
Se o merdinha teimoso se negasse a usar o sedativo, Camron apenas
teria que encontrar uma maneira de forçá-lo a tomar para o seu próprio bem.
Camron terminou de cortar a madeira que eles precisariam e recolheu
uma braçada para levar para dentro da cabana. Ele colocou algumas delas no
velho fogão, preparando-o para acender se começasse a ficar frio lá dentro, o
que provavelmente faria depois de escurecer.
―Você quer caminhar até o riacho, Travis?
―Não, não agora. Talvez se eu pudesse tirar um cochilo.
Sua atitude parecia ser diferente em apenas um curto período de
tempo desde que ele tinham se falado pela última vez. Sentado à mesa, ele
parecia meio adormecido. Ele foi subjugado e já não conseguia ficar de olhos
abertos o tempo todo. Preocupada, Camron foi até ele e massageou a parte de
trás do seu pescoço. Travis se arqueou em seu toque, como um gatinho que
ele o tinha chamado mais cedo, e Camron não pode deixar de dar um beijo no
topo de sua cabeça.
―Deixe-me inflar o colchão. ― Ele encontrou a bomba no fundo da
arca de cedro e fez um rápido trabalho de preparação da cama. Uma vez que
Camron tinha terminado e a arranjado em um canto da sala, saiu para pegar
os cobertores para Travis poder se deitar. Quando ele acabou de arrumar a
cama, ele chamou Travis.
―Está pronto. Vá em frente e deite-se. Talvez você vá se sentir
melhor se tirar um cochilo.
―Ok―, ele disse, e veio deitar em cima dela, puxando o cobertor
sobre ele com um pequeno arrepio. Camron ficou olhando para ele por um
minuto antes de voltar e terminar seu empilhamento de lenha. Ele estava
suado quando ele acabou e decidiu caminhar até o riacho para se lavar um
pouco. Tudo isso levou apenas cerca de meia hora ou algo assim, mas ele se
sentia revigorado e pronto para enfrentar Travis novamente quando caminhava
de volta para a cabana.
Travis estava dormindo, embora inquieto e resmungando. Ele parecia
estar tendo um pesadelo e debatia seus braços ao redor. De repente, ele se
sentou e abriu os olhos. Camron podia ver que ele estava desorientado.
―Como você se sente, Travis?
―Ruim. ― Ele olhou para Camron com seus olhos escuros e
manchados procurando. ―Eu acho que vou precisar de uma dessas pílulas,
afinal, Camron.
Graças a Deus. ―Ok, deixe-me pegar uma e um pouco de água. ―
Camron encontrou os comprimidos e se ajoelhou ao lado de Travis, que se
levantou sobre um cotovelo e abriu a boca, esperando confiantemente.
Camron balançou a cabeça e colocou o comprimido em sua língua. Travis
engoliu junto com um pouco de água antes de se deitar. Ele parecia tão
miserável, porém, que Camron não pode resistir a acariciar a parte de trás de
sua cabeça por alguns minutos.
Travis dormiu o resto da tarde, enquanto Camron endireitava a
cabana e limpava o chão. Acabou muito cedo mesmo após ter preparado um
bom fornecimento de madeira para manhã.
O colchão era pequeno, não muito maior do que o de uma cama de
casal, e ambos Travis e Camron eram homens grandes, então quando Camron
levantou as cobertas, ele viu que Travis estava esparramado sobre a maior
parte do colchão. Ele respirou fundo e se arrastou ao lado dele, sentindo
estranho por estar tão de perto e invadir o espaço pessoal de outro homem. A
única maneira de poder deitar era se encaixar em forma de colher em Travis,
ele o virou de lado e o puxou para perto.
Travis resmungou e gemeu em seu sono, por isso Camron murmurou
para ele enquanto o embalava em seus braços. ―Quieto agora, Travis. Vá
dormir, está tudo bem. ― Travis finalmente se acalmou e Camron enviou uma
oração silenciosa de agradecimento pelo sedativo. Ele não podia aguentar
muito mais os lamentos e reclamações de Travis. Ele estava deitado e tão
imóvel quanto podia, até que ele percebeu que Travis tinha voltado a dormir e
em seguida, ele virou de costas, olhando para o teto, vagamente delineado
pelo luar que entrava pelas janelas. Em que diabos ele havia se metido?
Travis poderia não estar se sentindo bem, mas ainda assim ele estava
mal-humorado e se queixou de tudo, tanto quanto Camron poderia dizer.
Talvez esse plano realmente estivesse condenado e não tivesse nenhuma
chance de funcionar. Camron não era um desistente e seus pais haviam lhe
ensinado a aceitar todos os presentes que foram oferecidos a ele. Mas dessa
vez o presente tinha escrito desastre em toda parte nele. Talvez ele devesse
levar Travis para casa de manhã e correr atrás de suas perdas.
Ele provavelmente poderia falar com Jenny para aceita-lo de volta,
não que ela tivesse ficado triste sobre o que tinha acontecido de qualquer
maneira. Depois de tudo, uma menina bonita como Jenny tinha um monte de
outras opções. Então ele poderia levar a bunda chorona Travis de volta para
casa e lavar suas mãos.
Só então Travis se virou inquieto em seu sono e jogou uma perna por
cima de Camron. E em seguida um braço logo, firmemente abraçou sua
cintura, seguido depois de sua cabeça, quando Travis aconchegou o rosto no
pescoço de Camron. Seu hálito quente soprou contra a garganta de Camron
enquanto ele apertava o nariz mais profundo contra o seu pescoço e suspirava.
Uma enxurrada de ternura fluiu sobre Camron, e ele soltou um longo suspiro.
Com que diabos ele estava brincando? Ele era viciado nesse menino como em
uma droga e uma forma ou de outra ele tinha que resolver as coisas
completamente. Esticando o braço sob a cabeça de Travis, ele trouxe o homem
para mais perto dele e fechou os olhos com um suspiro.
O dia seguinte amanheceu fresco e frio. Era novembro, e o tempo já
estava mudando rapidamente. O lado do corpo de Camron onde Travis estava
espalhado em cima dele estava quente, mas do outro lado, onde ele estava
meio pendurado do lado de fora do colchão estava frio como gelo. Tremendo,
Camron empurrou Travis dele e se levantou, puxando o cobertor sobre o rapaz
ainda dormindo. Travis bufou uma vez e rolou para longe dele, todo o seu
corpo tremendo quando a brisa fria bateu nele. Camron percebeu que o
sedativo ainda deveria estar fazendo efeito nele, e não queria perturbá-lo. O
médico disse que ele pensava que poderia levar alguns dias para
desintoxicação funcionar completamente, e embora ele pudesse se sentir mal
por alguns dias, ele deveria passar pelo pior de tudo, no final do segundo dia.
Isso poderia ser hoje á tarde, considerando que ele não tinha nada
para beber, e não tomou mais que uma cerveja no dia anterior. Provavelmente
a melhor coisa a fazer seria deixá-lo dormir o quanto quisesse, e então,
quando ele acordasse, leva-lo para fora para que tomasse ar fresco. Uma
atividade como a pesca poderia ser boa já que era solitária e silenciosa, e ele
poderia se sentar ao sol e simplesmente observar a correnteza e não fazer
nada, se ele quisesse.
Primeiro Camron fez o café, deixando o pote no topo do fogão a
lenha. Ele comeu um pão untado com geléia de amora, junto com dois ovos
cozidos que havia trazido de casa. Ele fez para Travis mais dois ovos extras
para quando ele acordasse também, e então saiu de indo para o galpão
procurar o antigo equipamento de pesca. Ele encontrou o que precisava e
depois foi para a floresta encontrar algumas iscas. Verificando Travis, uma vez
que ele pegou as iscas, ele encontrou-o ainda dormindo, de modo que ele
resolveu seguir para o riacho e ir pescar por um tempo. Com alguma sorte, ele
poderia pegar o jantar daquela noite.
No meio da tarde, Camron voltou para a casa para almoçar. Ele tinha
pegado alguns peixes, pelo menos o suficiente para cozinhar para o jantar, e
deixou-os ainda presos em uma linha no riacho.
Ele abriu uma lata de feijão, e comeu em pé na porta da frente,
olhando seu menino enquanto ele dormia. Travis resmungou algumas vezes
durante o sono, mas nunca acordou. Ele estava inquieto, se agitando e
virando, e enquanto observava, Travis empurrava as cobertas sem descanso e
uma de suas pernas estava para fora das cobertas. Eram bem torneadas e
bronzeadas e coberta com uma leve camada de pelos loiros. Isso deixou
Camron inexplicavelmente inquieto e ele se virou.
Pouco antes de Camron sair para voltar ao riacho, Travis sentou-se,
esfregando os olhos. Ele viu Camron perto da porta.
―Que horas são?
―É tarde. Hora de você se levantar e comer alguma coisa. Há café e
ovos cozidos no fogão.
Travis olhou para ele e acenou com a cabeça.
―Tudo bem. Merda, eu ainda me sinto um lixo. Quanto tempo isso
deve durar, Camron?
Surpreso e sentindo um pouco de prazer, não só por Travis estar
parecendo admitir que ―isto― era um problema, mas também por ele estar se
dirigindo a ele procurando ajuda. Ele estava lhe pedindo ajuda, percebendo
isso ou não.
Ele se endireitou e levou o garfo de volta para dentro da casa,
jogando a lata agora vazia de feijão em uma lata de lixo perto da porta.
―Eu não tenho certeza, gatinho. O médico disse que dependia de
quanto tempo você andou bebendo, mas a partir do que ele imaginou só ficara
mal por dois dias, provavelmente.
Ele disse para tomar mais sedativos o quanto você precisar. Eles não
são muito fortes.
Travis assentiu. ―Tudo bem. Talvez depois de eu comer alguma coisa.
― Ele se sentou e espreguiçou. ―Posso dizer que cheguei à conclusão que não
há nenhuma maneira de tomar um banho, acho.
Camron não se incomodou em responder, mas em vez de se lamentar
sobre isso, Travis deu um suspiro triste e Camron cedeu.
―Eu posso aquecer um pouco de água para você no fogão e você
pode tomar um banho de esponja quente. ― Ele se virou para olhar Travis e o
sorriso que ele lhe deu era tão bonito que derreteu o seu coração. O seu olhar,
no entanto, tinha uma pitada de manipulação.
Afastando-se, Camron endureceu o seu coração novamente. Droga,
ele não se tornaria mais um guardião manipulado por Travis, como toda a sua
família, incluindo Spencer! Ele não seria apenas mais um na longa fila de
pessoas que fizeram as coisas mais fáceis para Travis. O menino poderia bater
esses cílios longos e envolver todo o grupo maldito em torno de seu dedo
mindinho, e Camron não iria se juntar a eles. Ele não queria ser ruim para ele
também, mas Travis tinha sido mimado por muito tempo.
―Ou você pode levantar a sua bunda dessa cama e ir até o riacho
como eu fiz. Está frio, é claro, mas você vai se sentir bem depois de alguns
minutos. O banho vai acordá-lo, isso é certeza.
O sorriso morreu no rosto de Travis, e Camron teve de ser forte
contra a aparência lamentável que ele lhe mostrou.
Não faria nenhum bem a Travis trata-lo ainda mais como bebe. Ele
virou as costas para não ter que ver aquele olhar por mais tempo e se dirigiu
para a porta.
―Eu vou sair para verificar a pesca no riacho, se você decidir que
quer vir. Há toalhas e panos na arca de cedro. O sabão esta ao lado da pia.
Ele já tinha saído pela porta e estava no meio do caminho até o
riacho, antes que ele se acalmou. Tinha sido muito difícil. Ele tinha quase
voltado e pego o balde para trazer água para Travis de qualquer maneira ele
teve uma noite difícil e seus olhos pareciam sombreados e quase machucados.
Ele se forçou a continuar caminhando. Travis era inteligente e forte, e ele
poderia vencer esse vício do álcool se alguém mantivesse uma mão firme e
uma cabeça fria sobre ele. Era difícil fazer isso com aquele olhar como se sua
alma estivesse olhando para ele, e é por isso que ele teve que sair de lá antes
que ele deu dentro.

Capítulo Seis

Seguindo seu caminho de volta para a margem do riacho, ele colocou


a iscas em seu anzol novamente e sentou-se à espera de uma fisgada. Mais ou
menos dez minutos depois, ele ouviu alguém descendo o caminho. Era Travis,
descalço e sem camisa. Ele segurava uma toalha na mão e descia pelo
caminho para o caminho rochoso, coberto de folhas. Camron sacudiu a cabeça
e levantou uma sobrancelha olhando para ele.
―Eu não consegui achar minhas botas―, disse Travis com um
encolher de ombros. ―E a minha camisa fedia muito. Eu a trouxe comigo para
lavar. ― Ele ergueu-a para mostrar para Camron e então caminhou até a beira
da água. ―Parece muito, muito frio.
―Passa rápido, isso é certeza―, Camron respondeu, mantendo os
olhos firmemente em sua linha.
Ele observou Travis pelo canto do olho enquanto ele se inclinava
sobre as rochas e mergulhava a sua camisa na água. Ele usou a barra de
sabão para formar um pouco de espuma e espalhar com cuidado sobre a
camisa e, em seguida esfregou. Ele a mergulhou de volta na água e, em
seguida, repetiu todo o processo. Finalmente, quando ele pareceu estar
satisfeito, por ter feito o melhor que podia, ele a torceu e espalhou-a sobre as
rochas. Ele olhou para Camron como que esperando um elogio por seus
esforços, mas Camron se manteve olhando firmemente para frente.
Suspirando, Travis tirou a calça jeans e sua cueca boxer dando outro rápido
olhar e, em seguida, colocou um pé na corrente clara do riacho, tirando o pé
rápido.
Ele o puxou de volta rapidamente com um xingamento alto e, em
seguida, depois de mais alguns segundos, ele tentou novamente com o mesmo
resultado. Desta vez, ele se sentou em uma pedra ao lado do riacho e cruzou
os braços sobre o peito.
―Esta água é muito danada de fria para seres humanos!
Exasperado, Camron balançou a cabeça.
―Então fique feliz que você não seja humano. Entre, Travis. Meu
Deus, minha irmãzinha se banhou nestas águas no ano passado e não fez
metade do barulho que você faz. E ela só tem seis anos de idade!
Travis corou um vermelho escuro e murmurou algo em voz baixa,
Camron tinha uma forte suspeita de que ele estava chamando ele e toda a sua
família de alguns nomes escolhidos a dedo, mas decidiu que preferia não
saber, com certeza. Ele deu Travis outro olhar com uma sobrancelha levantada,
desafiando-o sem palavras a ser homem e acabar logo com isso. Travis rangeu
os dentes e deu um passo para fora da rocha seguindo para uma parte do
riacho que a água chegava até os joelhos. Em seguida, parecendo endurecer a
si mesmo, ele se sentou de uma só vez e soltou um grito alto, quando a água
corrente atingiu suas costas e cascateou sobre seus ombros.
Camron observou fascinado e divertido enquanto Travis conseguiu
pegar a barra de sabão e começou a ensaboar as axilas, suas mãos estavam
tremendo e ele batia os dentes com tanta força que Camron pensou que ele
poderia lascar um dente. Ele abaixou a cabeça sob a água em um ponto, e
passou as mãos ensaboadas nela, mergulhando de novo. Ficando de pé logo
depois, espirrando água em todos os lugares, inclusive um pouco sobre
Camron, ele fez o seu caminho para as rochas, ergueu a toalha e saiu em
direção à cabana sem dizer outra palavra.
Camron sentou-se na beira do riacho por um ou dois minutos antes
de ficar de pé e segui-lo pela trilha. Ele pegou as calças jeans de Travis e sua
camisa para levar com ele, imaginando que ele ia deixar a camisa secar na
frente do fogão. A verdadeira razão pela qual ele o estava seguindo, é claro, foi
ter visto um flash daquela bunda deliciosa quando Travis seguiu de volta para a
cabana. Droga, seu corpo ansiava por Travis, não importa o que seu cérebro
tinha a dizer sobre isso. Talvez se ele cedesse e desse ao seu corpo o que ele
precisava, ele iria parar de deixa-lo louco assim. Ele duvidou, mas ele supôs
que valia a pena tentar. E ainda o incomodava que ele pudesse ser tão atraído
por outro homem. Talvez ele pudesse fechar os olhos e imaginar que era Jenny
nos seus braços.
Indo para dentro, ele viu Travis em pé sobre um cobertor que ele
colocou ao lado do fogão, e inclinou-se para secar o cabelo. Ele ainda estava
tremendo, e saltou de surpresa quando Camron pegou a toalha dele. ―Aqui,
deixe-me fazer isso―, disse ele e puxou uma das cadeiras de costas retas para
frente do fogão. Travis hesitou por um momento, antes de se sentar no
cobertor entre os joelhos de Camron, virado de costas para ele.
―Eu pensei que você estivesse com raiva de mim―, disse Travis
suavemente.
―Por que você acha isso? ― Ele estava passando as mãos pelos
cabelos sedosos de Travis, aproveitando o deslize suave deles por entre os
dedos. Ele abaixou-se para beijar o rosto de Travis, mas Travis virou e o beijo o
fez roçar os lábios contra os de Camron. Virou-se um pouco para encará-lo.
―Eu estive mais ou menos de mau humor, eu acho. É meio difícil de
dizer.
―Mais ou menos?
Travis corou, suas bochechas estavam ficando um pouco cor de rosa.
―Ok, eu estava, mas eu me senti tão ruim e eu.... Eu queria tanto
uma cerveja que meio que me assustou. ― Abaixando os olhos, ele pegou em
um fio solto do cobertor. ―Eu sabia que estava sendo um idiota, mas eu não
conseguia me controlar. ― Ele virou seus olhos verdes bonitos para Camron.
―Você realmente acha que eu tenho um problema com bebida?
―Não, não exatamente. Eu acho que você poderia ter um, se você
continuasse indo, do jeito como você ia. Você precisa parar agora, antes que
fique pior. Se precisar de ajuda para fazer isso, nós vamos procurar um
médico.
Travis sacudiu a cabeça, ainda brincando com o fio do cobertor para
não encontrar os olhos de Camron.
―Eu não sei. Acho que não preciso. Eu bebo porque é a coisa certa a
fazer, você sabe.... Quando eu saio com meus amigos... e costumamos ir para
a casa de Holden, é sempre assim lá.
―Sim, bem, mas essa merda vai parar. ― Camron segurou o queixo
de Travis em sua mão e virou o rosto dele para trás em direção a ele. ―Eu
tenho um problema com Holden? Vocês dois estão...?
―Não, não realmente. ― Travis sacudiu a cabeça.
―Honestamente, eu queria estar com ele, mas ele não era sério
sobre mim. Ele me levou para sair, e às vezes, e eu lhe dei alguns boquetes.
A mão de Camron apertou no seu queixo, e ele teve de se fazer
recuar para ele solta-lo.
Não era culpa de Travis lógico, com quem ele tinha estado antes que
eles estivessem juntos, exatamente como Camron tinha estado com Jenny e
com outros, Travis também teve uma vida antes de Camron. Não importava o
quanto isso fazia seu estômago se apertar, ao pensar sobre Travis com
qualquer outra pessoa.
―Mas isso já passou―, disse Camron, e não era realmente uma
pergunta.
―Sim, está tudo acabado.
O calor do fogão havia trazido um brilho rosa em sua pele, e quando
ele olhou para Camron, seu cabelo loiro tinha seco e formado mechas em torno
de seu rosto, e aqueles olhos vivos cor de esmeralda, Camron achou que ele
era a coisa mais linda que ele já tinha visto. Ele tinha visto Jenny e outras
meninas em situações semelhantes e as achou bonitas também, mas isso era
totalmente diferente. Não havia curvas no corpo de Travis, e não havia nada
sobre o seu corpo magro e musculoso que fosse suave. Ele tinha barba em seu
rosto e os traços de seu rosto eram masculinos e fortes. Quando Camron se
inclinou para beijá-lo, ele sabia com certeza que ele era um homem, com
quem estava prestes a fazer amor, e não havia nenhuma maneira de fingir o
contrário. E ele não se importou.
Travis se ergueu, e veio até seus joelhos, se virando para Camron,
seu pau duro estava pressionando contra o interior de sua coxa. Camron olhou
nos olhos dele e falou-lhe em voz baixa. ―Eu prometi a você uma vez que eu
iria mimá-lo na cama, mas eu não consigo fazê-lo, sem estar calmo o
suficiente.
Espero que este cobertor vá servir.
Travis sorriu e se sentou sobre o cobertor, recostando-se sobre as
mãos e espalhando suas pernas.
―Ele vai servir muito bem para mim.
Seu pênis grosso estava vazando uma gota de pre sêmen, e
enquanto observava ele, Travis pegou a gota com os dedos e a espalhou sobre
a cabeça de seu pênis, seus olhos nunca deixaram Camron. Ele parecia
devasso e convidativo, quente pra caralho. Camron se levantou e suas pernas
estavam um pouco instáveis, mas ele encontrou o lubrificante em sua mochila.
Ele tirou suas roupas em tempo recorde e se virou para encontrar Travis o
olhando com apreço, a mão ainda preguiçosamente acariciando seu eixo. Ele
abriu as pernas um pouco mais distantes se oferecendo, e a boca de Camron
ficou seca.
Ele se ajoelhou ao lado dele e empurrou-o de volta no cobertor.
Lubrificando seus dedos, ele os escovou contra a entrada de Travis, sua outra
mão descansando em seu estômago.
―Olhe para mim, querido.
Travis olhou fixamente para ele, seus lábios se separaram quando
sentiu os dedos de seu companheiro começar a fazer círculos lentos ao redor
de sua entrada, não tentando entrar nele, apenas acariciando-o e provocando.
Ele começou a fazer aqueles pequenos choramingos suaves que Camron tanto
amava, então ele deslizou um dedo dentro dele, sentindo os músculos
agarrando-o e puxando-o para dentro. Ele passou longos momentos, movendo
o dedo dentro e fora, massageando suavemente, até que finalmente
escorregou outro dedo. Travis jogou a cabeça para trás e gemeu, Camron não
pode resistir e se curvou entre suas pernas, beijando a ponta do seu pênis.
Ao toque de seus lábios, Travis contraiu seus quadris e gemeu então
Camron acabou por envolver seu doce pênis no calor úmido de sua boca. Travis
suspirou tão alto e empurrou tão difícil que Camron ficou com medo que ele
gozasse, por isso ele agarrou a base de seu pênis com o polegar e o indicador
e apertou com força até que ele se acalmou. Travis olhou para ele com puro
desespero estampado no rosto e Camron riu suavemente.
―Devagar, bebe, temos toda tarde.
Ele gemeu de novo, e seus olhos rolaram para trás em sua cabeça
quando Camron acariciou seu pênis com um longo e lento, puxar, para cima.
Voltando à sua tarefa original, ele deslizou os dedos mais fundos e os entortou
para acariciar contra a sua próstata. Camron lhe permitiu apenas um toque
mais suave, porque ele estava muito perto, e ele realmente queria fazer Travis
se sentir bem.
Sentindo quão relaxado ele estava, Camron acrescentou um terceiro
dedo, trabalhando-os dentro de Travis por mais alguns minutos. Travis revirou
os quadris em encorajamento, apelos suaves saiam de seus lábios. Camron
puxou seus dedos para longe, e em seguida, pressionou a ponta de sua ereção
contra entrada de Travis. Segurando sua mão firmemente na barriga de Travis,
ele o segurou ainda se recusando a deixá-lo se mexer e empurrar o caminho
para o seu pênis.
Ele esperou até que Travis olhasse para ele de novo, e em seguida,
ele finalmente se inclinou para frente, empurrando para dentro de Travis
devagar, mas seguramente. Ele balançou os quadris e enviou seu pênis sobre
um ponto dentro de Travis e ele enlouqueceu, e Travis gritou seu nome.
Seus impulsos se tornaram mais profundos e mais duros, quando ele
encontrou o ritmo, Travis agarrou seus quadris com as duas mãos e se
encontrou com ele a cada impulso seu. Travis tateou cegamente para seu
pênis, mas Camron empurrou sua mão de lado e tomou o controle ele mesmo.
Um impulso mais forte foi o suficiente. Travis jogou a cabeça para trás e
empurrou contra Camron, apertando ao redor de seu pênis e tornando difícil
não se juntar a ele. Ele se forçou a esperar o orgasmo de Travis sem gozar e,
em seguida, se deixou ir para acompanhá-lo, puxando-o perto em seus braços
e enterrando o rosto em seu cabelo.
Eventualmente, ele conseguiu escapar do corpo de Travis e ficar em
pé. Usando a toalha úmida de Travis, ele se limpou um pouco e depois
inclinou-se para cuidar de seu companheiro, que murmurou sonolento ele
enquanto ele o limpou. Ele caiu ao lado dele, em seguida, sobre o cobertor,
com o calor do fogão embalando-o para dormir. Pouco antes de ele adormecer,
ele puxou Travis mais perto e envolveu uma perna ao redor dele. Travis
pertencia a Camron, por Deus, e nem Holden nem qualquer outro homem
jamais iria tocá-lo novamente.
Foi, pelo menos, uma hora mais tarde, quando Travis reparou Camron
se agitando. Ele olhou para longe da frigideira e para ele, enquanto ele
finalmente registrava o cheiro de óleo quente e peixe. Camron levantou uma
pálpebra para espiar Travis, que estava perto do fogão, há poucos metros de
distância, cantarolando um pouco enquanto usava um garfo para virar o peixe
na panela.
―Travis? ―, disse Camron, com sua voz ainda grogue de sono.
―Você está cozinhando?
Travis se virou e sorriu para ele.
―Sim. Eu vi minha mãe cozinhar vezes suficientes para saber o que
fazer. Eu estava com um pouco de fome, e você ainda estava dormindo, então
eu comecei a pensar sobre os peixes. Desci para o riacho e encontrei-os em
uma linha na água. Não demorou muito para limpá-los.
―Você sabe como limpar peixe?
Ele revirou os olhos. ―Droga, eu realmente tenho lhe dado uma má
impressão de mim, não tenho? Claro que eu sei limpar. Quero dizer, o inferno,
não é difícil de cortar suas cabeças e caudas e raspe o material escamoso.
Então, como eu disse, eu observava minha mãe limpá-los e fazer filés um
milhão de vezes. Ela costumava me obrigar a fazer minha lição de casa na
mesa da cozinha para se certificar de que eu não enrolasse. Eu tinha uma
tendência de volta e meia, apenas rabiscar os meu papeis e não fazer o meu
trabalho.
―Imaginei isso.
Travis deu de ombros. ―Sim, bem, é que era chato e eu preferia
jogar vídeo game.
De qualquer forma, ela me sentava à mesa e se certificava de que eu
fazia tudo. Você não tem nenhum leite, ou farinha, como ela usa, mas eu achei
a farinha de milho.
―Isso deve funcionar. Parece bom.
―Bem, está quase pronto. Fiz Ki-suco também.
Travis assistiu Camron se levantar e vestir suas roupas enquanto
Travis virava o peixe na panela. Ele muitas vezes cozinhava para si mesmo
quando seus pais estavam trabalhando até tarde, na maioria das vezes apenas
pequenas coisas, mas ele tinha aprendido com a experiência que, contanto que
você mantivesse o calor razoavelmente baixo e ficasse perto da panela
vigiando, nada muito terrível poderia dar errado. Ele ouviu Camron movendo-
se atrás dele pegando os pratos e talheres. Camron pegou um pedaço de pão
para colocar na mesa também e nesse tempo Travis estava deslizando o peixe
quente para os pratos.
Eles se sentaram juntos e tinham uma refeição simples de pão e
peixe frito, mas para Travis parecia muito bom. Esta foi a primeira vez que ele
cozinhou para Camron e ele tinha um tipo de necessidade embaraçosa em
agradá-lo. Ele estava fazendo barulhos apreciativos pelo menos, e limpou o
prato, o que Travis havia contado como uma vitória.
Quando terminaram de comer, Camron disse que estava indo até o
riacho para pegar um balde com água para esquentar no fogão e Travis levou
as sobras para floresta bem longe da casa para jogar fora. Eles não queriam
atrair qualquer criatura intrometida durante a noite.
Quando Camron trouxe a água e aqueceu, ele disse que iria lavar a
louça, já que Travis tinha cozinhado, embora Travis achasse que tinha muito
trabalho para fazer, lavar os pratos, secá-los e guardá-los. Ainda assim, foi
uma espécie de bom acordo para não estarem constantemente brigando.
Depois, Travis se afastou para a varanda da frente e se sentou nos
degraus por alguns minutos, olhando para o céu da noite. Poucos segundos
depois, Camron sentou ao lado dele, inclinando-se para trás em suas mãos e
olhando para o céu também.
―Você sabe, quando eu era criança, eu pensava que realmente que
havia um homem na lua ―, disse Travis.
―Sério? ― Camron deu-lhe um pequeno sorriso. ―Quando foi isso,
no ano passado?
―Oh, ha ha. Não, estou falando sério. Veja seu rosto lá. ― Travis
apontou para a lua cheia e Camron, obviamente cedeu, e olhou para onde ele
apontava. ―Há o nariz e os olhos. Veja?
―São apenas crateras e depressões que fazem a Lua parecer assim.
É chamado matrixing4. O cérebro humano tenta formar uma imagem de algo
que não consegue entender.
―Sim―, disse Travis, ―mas isso não é divertido. ― Ele ficou em
silêncio por um longo tempo e, em seguida, bateu no ombro de Camron com o
seu. ―Ei, você sabe quando o homem na lua recebe um corte de cabelo?
Camron revirou os olhos e deixou escapar um suspiro.
―Não, vamos lá, jogue junto comigo.
―Eu não vou fazer parte de trocadilhos ou piadas de toc-toc.
―Ah Camron, como você sabe que é um trocadilho?
―Eu sinto isso em meus ossos.
―Oh, vamos lá. Quando é que o homem na lua corta o cabelo?
Camron suspirou. ―Ok, eu vou perguntar. Como?
―Na Eclipse! ― Travis caiu sobre Camron rindo, segurando seus
estomago. Ele sempre amou piadas estúpidas como essa, e quando ele era um
garotinho, Spencer sempre havia lhe divertido, dizendo-lhe uma nova a cada
dia. Aparentemente, Camron não me sentia tão indulgente.
―Bem, isso foi idiota―, ele resmungou.
―Oh, vamos lá, Camron, alegre-se. Aqui está mais uma. O que você
ganha quando você pega um queijo fresco e divide sua circunferência pelo seu
diâmetro?
Quando Camron só ele inclinou lhe dando um olhar sujo, Travis gritou
a resposta:
―Lua ao PI5!
Camron gemeu.
―Tudo bem, sério. Mais uma dessas e vou te machucar.
Travis se levantou e pulou da varanda, andando para trás.
―Ah, é? Bem, o que se chama um relógio na lua? Um luna-tick!
Camron pulou da varanda atrás dele, mas Travis escapou de seu
4
Ou Apofenia, é um termo proposto em 1959 por Klaus Conrad para o fenômeno cognitivo de percepção de padrões e
conexões em dados aleatórios. É um importante fator na criação de crenças supersticiosas no paranormal e em ilusão
de ótica.
5
A razão entre o perímetro de um círculo e o seu diâmetro produz o número PI.
alcance e correu em direção ao bosque, rindo. Camron estava certo em seu
rastro e pegou ele antes que ele tivesse dado dez passos.
―Agora você vai pagar―, disse ele, puxando-o em seus braços e
fazendo cócegas em seus lados.
Travis se torceu rindo, mas enfiou o pé entre os tornozelos de
Camron e puxou os pés tirando o apoio dele. Camron caiu, mas segurou Travis
de modo que ambos desabaram, e caíram com Camron por cima de Travis.
Travis era um mestre em brincar com seu irmão. Ele decidiu usar um
truque que sempre tinha enganado Spencer. Largando o corpo, ele revirou os
olhos para trás de sua cabeça e deu um pequeno grito de dor quando caiu.
―Travis, Travis? ―, Disse Camron, sacudindo-o. ―Travis, fale comigo.
Você está bem? Eu machuquei você, bebê?
Os olhos de Travis se abriram e ele riu. ―Brincadeira!
―Ora, seu...― Eles começaram a lutar no chão, cada um tentando
manter o outro preso até que Travis finalmente conseguiu rolar e escapando e
correndo de volta para a cabana. Ele tentou barrar a porta para Camron não
entrar, mas ele abriu caminho com seu corpo e empurrou Travis na parede.
Agarrando as mãos de Travis, ele empurrou-as sobre sua cabeça, segurando-o
preso lá enquanto ele enfiava a língua molhada em seu ouvido e a colocava
dentro.
―Oh Deus, não um wet willie6! ― Travis gritou, tremendo de nojo.
―Merda! Por favor, me desculpe. Eu me rendo! Eu me rendo!
―E vai haver mais trocadilhos?
―Não - Não mais, eu prometo!
Sorrindo, Camron puxou sua língua longe, mas enfiou a virilha contra
a de Travis.
―Você gosta de provocar, não é? Talvez eu devesse fazer algumas
provocações próprias.
Travis riu nervosamente e tentou se afastar.

6
Willie molhado, brincadeira em que uma pessoa umedece o dedo com saliva e silenciosamente se esgueira por trás
da vítima, e insere o dedo molhado do buraco da orelha da vítima.
―Vamos lá, Camron, deixe-me ir―, disse ele, seus esforços para
empurrar Camron estavam de longe sem sucesso. Não era que ele não
gostasse de ter os braços de Camron em torno dele, claro que ele gostava e
muito. Mas este sentimento de ser dominado e controlado por alguém um
pouco mais forte e maior do que ele não deveria fazê-lo se sentir tão
malditamente emocionado. Ele odiava o fato de que ele se sentia assim.
Travis lançou um olhar para Camron quando ele conseguiu empurrar
as mãos do aperto de Camron. Mas em seguida, os braços poderosos o
abraçaram, puxando-o mais perto ainda do corpo duro de Camron, e seu
controle pareceu escorregar. Suas mãos em punhos, impotentes na camisa de
Camron, e ele podia ouvir a batida constante do coração de Camron contra a
dele.
―Não, não é com seu irmão ou com seus amigos que você está
brincando agora, gatinho ―, ele sussurrou contra sua orelha.
―Você não vai escapar de um presente tão fácil. Agora relaxe. Eu não
vou te machucar.
Outra onda de irritação correu por Travis.
―Eu não tenho medo de você! ― Ele lutou mais, só para sentir
aqueles braços apertados ao redor dele. ―Pare! Deixe-me ir, droga!
―Vai ser assim durante um tempo. E de qualquer maneira, eu vou
transar com você, rapaz. Eu acho bom que nós tenhamos isso resolvido.
Camron balançou a cabeça e o soltou, dando um passo para trás.
Travis imediatamente mudou de ideia, como se de repente ele não pudesse
suportar a ideia de perder os braços de Camron ao seu redor.
Ele apertou ainda mais na camisa de Camron e o puxou de volta,
enterrando seu rosto no oco de sua garganta.
Camron alisou a lateral de Travis com suas mãos e a pousou em seus
quadris, puxando-o em sua direção. ―Está tudo bem, querido―, ele
murmurou, com sua voz grossa e aveludada.
―Eu não vou a lugar nenhum.
Com um grito mudo, Travis ergueu os lábios, e Camron se abaixou
para tomar sua boca.
Ele começou a acaricia-lo como se tivesse todo o tempo do mundo à
sua disposição. Camron puxou Travis suavemente com ele, enquanto ele se
mudava para o colchão e se deitava com ele, envolvendo seu corpo em torno
dele, acariciando e acalmando-o. Travis estava deitado de costas e, sem uma
palavra, Camron logo se desfez de suas roupas, então se ajoelhou entre as
pernas e o envolveu em sua boca quente. Travis tremulo gozou rapidamente
com jatos de esperma e Camron estava ao seu lado, segurando-o e dando-lhe
prazer por um longo tempo. Quando Travis pode pensar claramente mais uma
vez, ele se virou para Camron e acariciou seu braço com um dedo.
―Deixe-me cuidar de você―, ele sussurrou, mas Camron balançou a
cabeça.
―Mais tarde. Estou bem por enquanto. Eu só quero te abraçar. ―
Então ele estava nos braços de Camron e adormeceu enquanto a luz ao redor
deles desaparecia na escuridão. Ele só estava vagamente consciente de
Camron ter puxando o cobertor sobre eles, e então ele se virou, deslizou sua
bunda contra o corpo de Camron e dormiu novamente.
Na manhã seguinte, ele acordou com o cheiro de café. Ainda era
muito cedo a partir da quantidade de luz vinda através da janela, mas Camron
já estava de pé e sentado à mesa, com o cabelo ainda úmido do que deve ter
sido um mergulho de manhã cedo no riacho.
Ele olhou para cima quando sentiu o olhar de Travis. ―Bom dia―,
disse ele, com um sorriso nos lábios. ―Dormiu bem?
―Deus, eu devo ter dormido. ― Travis se sentou e esfregou o rosto.
―Eu não acordei nenhuma vez. ― Ele se esticou e ficou de pé, fazendo o seu
caminho até a varanda da frente para cuidar dos seus negócios. ―Embora
tenha que fazer xixi rápido, como um cavalo de corrida. ― Ele abriu a porta
para um dia que estava nublado e muito mais frio do que tinha sido no dia
anterior. Esta época do ano era sempre imprevisível, especialmente aqui em
cima. As pranchas de madeira da varanda eram ásperas e frias na sola dos
seus pés, e ele estava feliz por ter o cobertor sobre os ombros. Ele correu de
volta para dentro e sentou-se ao lado de Camron na mesa.
―Porra, eu não posso acreditar que você foi até o riacho, esta manhã
para se banhar. Está mais frio do que as tetas de uma bruxa lá fora.
Camron sorriu e empurrou um prato com ovos cozidos e pão para
Travis. ―Coma o seu café da manhã e se aqueça um pouco. Esses são os
últimos ovos. Eu trouxe um balde de água que você pode aquecer no fogão
para se lavar mais tarde - considerando sua sensibilidade delicada e tudo.
Travis deu-lhe um dedo médio e mexeu na comida. Desde que
começou a se sentir melhor, ele parecia estar com fome o tempo todo. Ele
percebeu que Camron também tinha esquentado um pouco de água para fazer
a barba, e sua pele lisa parecia tão boa que Travis teve que se segurar para
não alcançar seu rosto e toca-lo. Já era ruim o suficiente que ele estivesse
caindo para o homem, ele se recusou a bajula-lo também.
―Eu estava pensando que é hora de nós voltamos. Talvez tenhamos
que ir de manhã bem cedo. Eu não posso me dar ao luxo de ficar longe do meu
negócio por muito mais tempo.
―Eu pensei que talvez o seu irmão Will estivesse cuidando das coisas
para você. Será que ele não o ajuda, às vezes?
―Sim, ele ajuda, mas ele vai para a escola abaixo da montanha em
Huntsville. E não tem muito tempo. ― Camron tomou um gole de seu café.
― Assim que voltarmos, precisamos levar suas coisas para minha
casa, e então você poderá começar a trabalhar comigo.
Travis quase engasgou com o ovo ele estava mastigando. ―O quê?
Espere um minuto estamos indo um pouco rápido demais aqui, não estamos?
Camron encolheu os ombros. ―Não há necessidade de esperar. Você
me pertence, então você pode muito bem começar a agir assim. O que você
achou que ia acontecer?
―Inferno, eu não sei. Você não me deu muito tempo para pensar. Eu
acho que eu pensei que iriamos namorar um tempo, nos conhecer melhor uns
aos outros.
―Para quê? É uma conclusão precipitada dizer que nós ficaremos
juntos. Inferno, nós não temos nenhuma escolha sobre esta matéria. Esse
acasalamento vai nos deixar loucos se agirmos de outra forma.
―Bem, eu pensei que eu poderia ter mais tempo para entender isso.
Camron deu de ombros novamente, e o gesto estava realmente
começando a irritar Travis. ―O que há para entender? Nós não podemos fazer
nada sobre isso de qualquer maneira.
―Sim, mas...―
―O inferno Travis, é tanto uma mudança para mim como é para
você. Acho que todos os meus velhos amigos vão estar se perguntando
quando eu virei gay, afinal. Eles sabem há anos que eu prefiro meninas e
agora de repente eu estou me acasalando, e com um jovem rapaz em minha
casa. Quanto ao clã, eles vão estar se perguntando como o inferno dois
machos dos clãs estão conseguindo coexistir em tudo. Eu imagino que vai
haver um monte de especulação.
Travis sentiu o calor em seu rosto. ―Sim, eu sei! E você pode apenas
adivinhar a que conclusão eles vão chegar. Afinal, você é o mais velho e maior
e.... Caramba, isso vai ser embaraçoso!
―Não é da conta de ninguém o que fazemos juntos na cama! E se
alguém for curioso o suficiente para perguntar, em seguida, irei lhes dizer para
ir para o inferno.
―Sim, é fácil para você dizer...― Travis empurrado a cadeira para
trás da mesa e foi recuperar seu jeans do chão da cabana onde eles
desembarcaram na noite anterior. ―E o que sobre esta merda de eu trabalhar
para você? Eu prometi ao meu pai que eu vou assumir a loja de ferragens na
cidade.
Camron virou-se para encará-lo. ―Bem, isso foi antes. Agora você
está trabalhando comigo.
―Droga, quem disse? Eu não concordei com isso! Você não pode
simplesmente me pegar e tomar conta da minha vida desse jeito!
Camron se levantou e enfiou as mãos nos bolsos. Seu rosto estava
sério. ―Sim, eu posso e eu quero. Por mais que você goste desse jeito. Você
está apenas lutando contra o inevitável.
Furioso, Travis se virou e enfiou os pés em suas botas. Agarrando
uma toalha, ele se dirigiu em direção ao riacho. Se Camron podia aguentar,
assim podia ele também. Ele iria mostrar aquele burro arrogante! Ele poderia
ter poucas escolhas neste acasalamento, mas ele não tinha que gostar. E ele
não tinha apenas que se deitar com o idiota também. Ele ficaria impassível e
insensível ao toque dele, e se ele ainda quisesse, ele teria que levá-lo. Ele
seria um parceiro disposto na melhor das hipóteses.
Quando ele chegou perto do riacho, uma visão dos cachos escuros de
Camron curvados sobre seu pau veio a sua mente e os seus joelhos
enfraqueceram e ele até tropeçou um pouco na trilha. Apesar de sua
determinação de não responder a ele no futuro, ele não podia confiar em seu
corpo traidor para não ceder novamente. As coisas que eles tinham
compartilhado desde que ele abriu a porta para Camron naquela manhã, o
fazia sentir como nada que ele já tivesse experimentado antes. Ele parou em
uma grande árvore que cresceu perto do caminho e se inclinou contra ela, sua
raiva se esvaindo tão rapidamente como tinha começado. Droga, ele estava se
apaixonando por Camron, e não importa o que acontecesse, ele não podia
deixar que ele percebesse. Ia só lhe dar mais uma arma para usar contra ele.
Emma Sutherland saltou da mesa da cozinha e começou a andar na
frente de seu filho mais velho. Ainda seria um horrível início de manhã, ela o
acordou e exigiu sua presença às cinco da manhã, ele finalmente disse a ela na
noite anterior, após ser repetidamente atormentado, onde Travis estava, e com
quem ele tinha partido. Ela estava com tanta raiva que ele tinha partido,
dizendo que havia um importante negócio na loja, mas ele deveria saber que
não seria o suficiente para detê-la.
Ele pegou uma xícara de café, quando entrou, mas ele tinha um mau
pressentimento de que ele ia precisar de mais do que cafeína para ajudá-lo.
―Spencer Sutherland, você perdeu completamente sua mente para
deixar meu bebê ir para alguma cabana de caça com Camron MacKay? E ainda
um MacKay, pelo amor de Deus.
Spencer deu a sua mãe um olhar exasperado. ―Mama, Travis não é
um bebê. Ele está com 21 anos de idade e pode fazer sua própria escolha de
com quem ele quer sair. Além disso, acho que Camron pode ser bom para ele.
― Ele não chegou a criar coragem de dizer a ela que o companheiro de Travis
era Camron. Isso poderia ser apenas o suficiente para empurra-la
completamente do seu limite. Ele era um MacKay, afinal de contas, e sua mãe
odiava os Mackay.
―Eu não me importo com o que você pensa. Travis tem um problema
cardíaco, e ele não precisa ficar em algum lugar na floresta. Eu deixei você e
Hawke leva-lo uma vez, e ele ficou doente durante uma semana inteira,
quando voltou para casa.
―Oh, mamãe, ele não estava doente. Ele simplesmente disse isso
para que você o deixasse ficar em casa e faltar na escola.
Ela parou de andar e fitou-o com um olhar mortal. ―Você está
insinuando que eu não sei quando o meu próprio filho está doente?
―Uh, não senhora. Mas...―
―Mas nada. Nem mais uma palavra sobre o assunto, meu jovem.
Spencer olhou para seu pai, que estava sentado em sua cadeira, mal
ouvindo a conversa, e percebeu que não haveria nenhuma ajuda da parte dele.
Seu pai sabia por experiência longa e amarga como Emma era, uma vez que
ela começava. Argumentar era inútil e só iria piorar as coisas. Spencer também
sabia disso, mas não conseguia se conter. Ele recusava deixar qualquer um se
preocupar com o show de seu irmão, e sinceramente, ele também ajudou um
pouco.
―Mama, Travis não é um menino grande, ele é um homem, e é
perfeitamente saudável. Ele é preguiçoso, e você sabe disso―.
―Spencer Sutherland, é melhor você assistir a sua boca inteligente e
não me contradizer. Agora, diga-me onde que é a cabana.
Oh, Senhor, isso era pior do que ele havia previsto. Certamente ela
não tinha a intenção de ir até lá. ―Eu não sei, mãe. Em algum lugar mais
acima na montanha. É muito isolado, eu acho.
―Bem, dane-se todos para o inferno, Spencer Sutherland, eu poderia
apenas chicotear seu traseiro. Não só você deixa o seu irmãozinho sair com
um maldito MacKay, mas você não tem sequer uma pista de para onde ele o
levou.
Spencer começou a se sentir na defensiva, e mais do que um pouco
preocupado. E se sua mãe estivesse certa? E se algo de ruim acontecesse com
Travis?
―Bem, Hawke pensou que estaria tudo bem.
―Hawke? ― Emma parou de andar e se virou para olhar para
Spencer, estreitando os olhos.
Spencer conhecia aquele olhar, e ele deu um passo para trás,
começando a temer por sua própria segurança. Ele decidiu jogar Hawke sob o
assunto para distraí-la. ―Sim, Hawke. Ele disse que seria ótimo. Ele disse que
Camron era um bom rapaz, responsável e trabalhador―.
―E um MacKay. De qualquer forma, você acha que eu dou a mínima
para o que Hawke Sutherland tinha a dizer sobre o assunto? Eu vou te dizer
uma coisa, eu poderia chicotear ambas bundas, e eu posso fazê-lo antes de
tudo isso acabar.
Spencer estava realmente se contorcendo agora, sob o intenso olhar
de sua mãe.
―Eu vou tentar descobrir onde é a cabana, mamãe, e ir ver Travis.
―Se não se importa. Eu vou cuidar disso sozinha. Eu acho que você
já fez o bastante, não é? ― Emma girou nos calcanhares e se dirigiu para a
porta da frente.
―Mamãe, onde você está indo?
―Eu vou buscar o meu filho.
―Você nem sabe onde procurar. Por que você não deixa Hawke e eu
descobrirmos onde é a cabana e vê-lo, como eu disse há um minuto? ―
Ela parou e deu Spencer um olhar que poderia murchar um carvalho.
―Você e Hawke, é melhor vocês recuarem e me deixar lidar com isso, se você
sabe o que é bom para você.
―Hawke é o xerife, Mama. Se há um problema, ele deve ser o único
a cuidar dele.―
―Sim, ele fez um bom trabalho até agora. ― Com esse tiro de
despedida, Emma saiu pela porta da frente, batendo-a atrás de si.
Spencer olhou para seu pai, ainda sentado em sua poltrona, sem
dizer uma palavra. ―Obrigado por todo o apoio, pai.
―Você sabe como é a sua mãe, filho. Quando ela fica assim, não há
nenhuma chance de discutir com ela. Eu vivi com ela por mais de trinta anos, e
sei que quando a manter minha boca fechada. O que eu não entendo é por que
você não o fez.
―Eu sei, pai, mas eu estava tentando prepará-la para o resto. Eu ia
deixar isso acalmar ela e, em seguida, dizer-lhe você sabe... o que mais está
acontecendo.
―O que você está falando, meu filho?
―Eu vou te dizer, pai, mas eu não acho que devemos dizer Mama
ainda. A coisa é, bem, Travis e Camron são... companheiros.
―Isso é impossível. Ambos são homens do clã. Não só isso, Camron
é um MacKay. Isso seria um desastre.
―Não é impossível, mas é uma bagunça. É por isso que eu queria
acalmar Mama, por isso eu não lhe disse.
―Oh, acredite em mim, eu não tenho nenhuma intenção de lhe dizer.
Você pode fazer esse trabalho sozinho.
Spencer suspirou. Apenas o pensamento de sua reação a esta notícia
lhe dava calafrios.
―Eu estou indo ver Hawke e ver se ele vai comigo descobrir que esta
condenada cabana. Talvez a gente possa pelo menos avisá-los. Eu vou deixar
você saber se eu descobrir qualquer coisa.
Capítulo Sete

Hawke estava bebendo sua primeira xícara de café, e Jace estava na


mesa da cozinha mexendo em seu computador, quando ouviram um carro
subindo pela entrada. Hawke foi até a janela da frente e olhou para fora. ―Mas
que diabos? Parece o carro de Spencer, e ele está dirigindo até aqui como se os
cães do inferno estivessem perseguindo ele. Eu me pergunto se alguma coisa
aconteceu.
Ele observou Spencer saltar de seu carro assim que ele parou e
rápido subiu os degraus da frente. Hawke abriu a porta, assim que Spencer
chegou até ela.
―O que diabos está acontecendo, Spencer? Está tudo bem?
―Não, não está tudo bem. Eu disse Mama sobre Travis ter ido para a
cabana com Camron e ela perdeu sua mente. Porra, eu não sei como eu vou
contar a ela sobre a coisa companheiro.
Jace ainda estava sentado à mesa, mas olhou com surpresa.
―Que coisa companheiro?
Ainda focado em Spencer, Hawke não perdeu tempo para responder a
Jace. Franzindo a testa, ele continuou a olhar para o primo.
―Você tem que dizer a ela, Spencer. Pelo amor de Deus, eles vão
viver juntos quando eles voltarem da cabana, eu imagino. Ela será obrigada a
entender um pequeno detalhe como esse.
―Que coisa companheiro? ― Disse Jace novamente, e desta vez ele
se levantou e veio ficar ao lado dos dois homens. Ele puxou o braço de Hawke.
―Vamos tentar isso de novo – que coisa de companheiro?
Quando Jace se aproximou, Hawke tinha distraidamente colocado o
braço em volta dele e o puxado para perto. Agora, ele olhou para Jace, pois
finalmente tinha registrado que ele que ele estava lá.
―O que, querido? Você disse alguma coisa?
―Uh... sim. Perguntei-lhe, que é esta coisa companheiro?
―Oh, droga, eu me esqueci de dizer. Camron disse a Spencer e a
mim que Travis é seu companheiro.
―Puta merda! Como isso vai funcionar? Eu pensei que Camron estava
namorando a menina Jenny e Travis estava vendo Holden MacKay.
―Sim, mas quando o desejo de acasalamento chega, não há muito
que você possa fazer sobre isso. ― Ele arqueou uma sobrancelha para Jace.
―Você pode se lembrar de como isso funciona.
Jace riu. ―Oh, sim, eu me lembro de algo sobre isso. Hawke sorriu.
―De qualquer forma, Camron levou Travis a alguma cabana de caça
que pertence a sua família para falar com ele e, você sabe se vincular com ele.
― Ele balançou as sobrancelhas e riu.
Spencer assobiou uma respiração sobre isso. ―Senhor, Hawke, é do
meu irmão mais novo que você está falando! E Mama ficará completamente
chateada por eu permitir que isso acontecesse.
―Você não tem que permitir que isso aconteça, Travis é que tem. Ele
é um homem adulto e pode tomar suas próprias decisões. Tenho certeza de
que se ele não queria ir, Camron não o teria sequestrado. Sua mãe vai ter que
perceber que Travis não é mais uma criança.
―Sim, bem, não é provável que isso aconteça em breve. Ah, e, por
sinal, ela não está muito feliz com você agora, ou com qualquer um.
―Eu? O que eu fiz?
―Bem. Aconteceu de eu falar que você estava lá quando Camron nos
disse que ele queria levar Travis para a cabana, e que você tinha dito que
Camron era um cara bom, confiável e responsável.
―Muito obrigado. Tudo que eu preciso é da tia Emma ficando com
raiva de mim.
―Sim, e ela disse que deveria chicotear as nossas bundas.
―Bem, ela fez muito isso quando estávamos crescendo, e eu não me
lembro de ser uma experiência agradável. Onde ela está agora?
―Ela nos deixou, dizendo que estava indo obter o seu menino, mas
ela ainda não sabe onde a cabana é. Eu pensei que talvez você e eu
pudéssemos perguntar se a mãe de Camron sabe como chegar até ele, e
talvez pudéssemos ir até lá e verificar as coisas, talvez até ir com ela.
―Tudo bem. Se nós estamos indo mais acima da montanha, porém,
eu vou precisar da minha moto quadriciclo.
Jace estava parado com Hawke e Spencer, ouvindo essa conversa e
rindo do medo que os dois tinham de Emma Sutherland.
―Posso ir? Eu gostaria de sair por um tempo, e um passeio até a
montanha seria divertido. Além disso, eu gostaria de ver Travis. Eu não tenho
visto ele já faz um tempo.
Hawke olhou para Jace.
―Claro. Por que não? Não há nenhum perigo real lá em cima, com
exceção da tia Emma, é claro. De qualquer forma, ela não tem nenhum
problema com você. É Camron, Spencer e eu que temos que nos preocupar
com ela.
Hawke disse a Jace para ficar pronto, enquanto ele ia para a garagem
buscar o seu quadriciclo. Feito isso, Hawke foi para dentro de casa e saiu com
dois fuzis de caçar cervos, dando um para Spencer.
―Nós vamos levar isso para segurança. Você nunca sabe o que pode
estar lá em cima, e é melhor prevenir do que remediar―.
Jace tinham embalado um almoço rápido e o trouxe, juntamente com
algumas garrafas de água quando se juntou a eles. O dia parecia ficar frio,
mas Hawke viu que ele foi colocar o casaco pesado, então eles estavam
prontos para ir.
Subiram no SUV de Hawke enquanto Spencer manobrou seu carro
mais próximo e todos se dirigiram para o local da casa dos MacKay.
Emma não conseguia se lembrar da última vez que tinha estado com
tanta raiva. Que diabos Spencer estava pensando, dizendo que estava tudo
bem que Travis saísse com Camron MacKay? Bem, ela cuidar dele mais tarde,
dele e de seu primo Hawke. Graças a eles, ela estava em seu caminho para a
casa da mãe de Camron para conversar com uma mulher que nunca tinha
falado antes e além de tudo uma MacKay.
Emma estava tentando se recompor antes de chegar lá, porque ela
precisava de informações da mulher e era mais provável obtê-las se ela
pudesse ser legal. Sua avó sempre lhe disse que poderia pegar mais moscas
com mel do que com vinagre, geralmente depois de ver Emma ser rude com
alguém.
Ela estacionou na casa dos MacKay e saiu, olhando ao redor. Era uma
bela casa, com um belo quintal, e bem conservado. À distância, ela podia
distinguir outra casa menor envolta nas árvores e se perguntou quem morava
lá.
Ela caminhou até a varanda e bateu na porta, que foi aberta quase
imediatamente por uma mulher de meia-idade que Emma assumiu ser a mãe
de Camron.
―Sra. MacKay? ― A mulher acenou com a cabeça. ―Eu sou Emma
Sutherland. Sinto muito incomodá-la, mas parece que o meu filho mais novo
foi para uma cabana na montanha com seu filho, Camron, e eu preciso saber
como chegar lá.
Ela fez uma pausa, em seguida, quando uma reflexão tardia bateu
nela.
―Por favor.
―Tem alguma coisa errada?
―Não, não. Meu filho só esqueceu alguns remédios que ele tem que
tomar todos os dias para o seu coração, e eu ia levá-los para ele.
―Eu ficaria feliz em ceder um dos meus outros filhos para levá-la até
lá em nosso quadriciclo.
―Não, isso não é necessário. Eu realmente prefiro ir até lá em cima
sozinha. Eu não sabia que seria necessário ter um quadriciclo, no entanto. ―
Ela franziu a testa, balançou os ombros e concordou. ―Embora isso pudesse
ser bom. Vou ligar para o meu marido para trazer o nosso. Não deve demorar
muito. ― Ela colocou a mão na testa. ―Tenho certeza que ele vai ficar bem. É
só, você sabe como os rapazes são. Ele pode fingir que não precisa do
remédio, para que não se sinta envergonhado na frente de seus amigos. Eu só
espero que isso não o leve a outro ataque.
―Meu Deus. Bem, você está convidada a usar o nosso, se você sentir
que precisa chegar lá rapidamente. Agora, é só ir pela casa do meu filho ali, e
você verá uma trilha que leva para dentro da floresta. Esse é o caminho que
acabará levando até a cabana. Você vai chegar a uma bifurcação na estrada
cerca de dois quilômetros abaixo e chegar à bifurcação que leva até a
montanha. Agora, como eu me lembro, há mais algumas bifurcações nessa
trilha, mas você continua sempre à direita.
Você sairá eventualmente em frente da cabana. Se você me
acompanhar até em casa, eu vou lhe dar as chaves. Você pode simplesmente
deixar o seu carro ai no quintal.
Emma agradeceu a Sra. MacKay e partiu de volta para seu carro para
estacioná-lo. Para um MacKay, a mãe de Camron era bastante agradável. Ela
não era do clã, porém, assim que ela deve ter se casado e conseguido em sua
maior parte não foi afetada por eles. Ou talvez aquele velho ditado de sua avó
sobre o mel e vinagre funcionou, depois de tudo.
Hawke, Jace e Spencer ficaram quietos enquanto estacionavam seus
quadriciclos na calçada MacKay até que Spencer de repente bateu com a mão
no painel e apontou. Ele gritou por cima do barulho dos motores.
―Maldição, Hawke, não é o carro da Mama estacionado na parte de
trás. Ela nos venceu em chegar aqui.
―Sim, eu vejo isso. Pergunto se ela ainda está aqui? Vocês podem
esperar aqui que eu vou lá ver. ― Hawke saiu de seu veículo e subiu na
varanda assim que a porta da frente se abriu e a mãe de Camron abriu a porta
de tela.
―Senhor, o Xerife, eu com certeza tenho um monte de visitas hoje
em dia.
―Eu vejo o veículo de Emma Sutherland nos fundos. Ela ainda está
aqui?
―Não. Ela disse que tinha algum medicamento para o coração e que
o filho que está lá em cima com Camron necessitava. Emprestei-lhe um dos
nossos quadriciclos para que ela pudesse levá-lo para ele. Eu ofereci para que
Will a levasse, mas ela disse que não. Eu percebi que ela queria ver por si
mesma que ele estava bem. Quantos anos tem esse menino, de qualquer
forma, e porque o mundo deixou Camron levar um jovem garoto como este lá
para cima?
―Uh... ele não é exatamente um garoto, a Sra. MacKay, ele tem 21
anos de idade. É uma longa história, mas eu acho que ele e Camron só foram
até lá em cima para passar algum tempo juntos.
―Bem, minhas estrelas. Por que sua mãe está tão preocupada com
ele, então?
―Não é nada para você se preocupar Sra. MacKay. Eu só vou seguir
atrás dela e verificar se está tudo bem. Então, há quanto tempo ela foi
embora?
―Cerca de trinta ou quarenta minutos, eu acho. Eu não tenho certeza
de ter lhe dado boas instruções. Eu não estive na cabana há algum tempo.
―Basta dar- me as mesmas instruções que você deu a ela, e vamos
ver como as coisas irão―.
Ela lhe disse como chegar até lá, e ele voltou para o seu quadriciclo e
subiu nele. Ligou o motor, e sorriu para Spencer. ―Ela estava aqui e tudo bem.
E agora ela está em seu caminho para salvar o dia.
Spencer cobriu os olhos por um momento, com uma das mãos e
gemeu. Jace se inclinou para frente, por trás dele, colocando a mão no ombro
de Hawke.
―Oh, vamos lá, ela é apenas uma senhora mais velha.
―Quão ruim poderia ser? Hawke riu alto e acariciou a mão de Jace.
―Você não tem ideia, bebê. Você não tem ideia.
Emma viu o que parecia ser um pequeno barraco no caminho da
trilha e se dirigiu até ele. Certamente seu bebê não estava hospedado em um
casebre assim. Quando ela se aproximou, viu que era de fato uma cabana de
um quarto, e que era um pouco maior do que ela pensava quando a viu pela
primeira vez, mas não muito. Ainda assim, era bastante rústica e ela estava
certa de que Travis ficaria feliz em vê-la e gostaria de receber uma carona para
descer a montanha depois que ela tivesse dado ao homem que o tinha levado
até aqui um pedaço de sua mente. Talvez um chute nas bolas como lembrança,
de seu encontro com ele.
Quando chegou à cabana, ela saiu do quadriciclo e caminhou em
direção à porta da frente. No caminho, ela passou uma pilha de madeira e
pegou um pedaço robusto de madeira que se encaixava na sua mão apenas
por precaução. Ela não sabia o que ela poderia enfrentar lá dentro, e ela queria
ficar pronta. Caminhando até a porta da frente, ela abriu-a sem bater.
Um jovem que não era seu filho estava de costas para ela e estava
curvado colocando lenha no fogão. Ele não estava usando uma camisa e uma
suspeita feia se apresentou a ela. Ela deu uma olhada ao redor da sala e viu
um colchão no chão com as cobertas retorcidas. Ela se virou para enfrentar o
homem que havia se endireitado e se virado para encará-la.
―Camron MacKay! Seu filho da puta!
Ela brandiu seu taco improvisado para ele e mostrou-lhe os dentes.
―Sra. Sutherland, o que a senhora está fazendo aqui? Como diabos
chegou até aqui?
―Eu montei um de quadriciclo e vim até aqui em cima. O que você
acha? E eu vim levar meu filho para casa.
Emma podia ver a confusão e a raiva desabrochando no rosto de
Camron enquanto ele olhava do taco e de volta para ela. Ele cruzou os braços
sobre o peito e olhou para ela. ―Do que diabos você está falando? E é melhor
você colocar essa coisa de lado antes que se machuque.
―Uma ova! É mais provável, eu machucá-lo! Agora, onde está meu
filho? Eu sei que o sequestrou e o trouxe até este lugar esquecido por Deus. Eu
juro, eu vou ter você preso por isso, Camron MacKay se eu não te espancar em
primeiro lugar!
―Agora, é só esperar um minuto, Sra. Sutherland. Eu não sequestrei
Travis. Ele veio comigo por sua própria vontade.
Emma deu-lhe um olhar de desprezo e de descrença. ―Uma ova!
Como se eu fosse acreditar na palavra de um sequestrador! Agora, onde ele
está? Diga-me, ou por Deus eu vou...― Ela balançou o pedaço de madeira para
ele e ficou chocada quando ele pegou e o puxou para fora de suas mãos como
se fosse apenas um galho. Ele o jogou pela sala e, em seguida, saiu seu
alcance quando ela veio para cima dele.
―Acalme-se, Sra. Sutherland. Eu não vou lutar com a senhora!
―Então me diga onde está meu filho! Você pode tê-lo amarrado em
algum lugar?
Camron revirou os olhos.
―Não seja ridícula. Ele foi até o riacho, eu acho.
―Foi para o riacho? Espero que ele não esteja naquela água gelada.
Ele tem um problema no coração, você sabe. Eu não posso acreditar que você
o deixou sair sozinho desse jeito!
―Ele não é uma criança, senhora, e ele está perfeitamente bem. Por
uma questão de fato, eu diria que ele está em uma maldita melhor forma
agora do que estava quando chegamos aqui em cima.
Emma podia ver que Camron estava com raiva, mas ela não se
importava ela estava à frente dele. Ela observou-o enquanto ele pegou uma
camiseta e puxou-a sobre sua cabeça, notando que o rosto dele estava
fechado e sério. Ele não estava respondendo a ela da maneira como seus filhos
e seu marido sempre faziam e pela primeira vez ela sentiu relutantemente um
pouco de respeito, mesmo que ele fosse um MacKay.
―Onde é esse maldito riacho?
―Não muito longe. Se você esperar um minuto, eu vou buscá-lo.
―Não, você simplesmente não se importar. Eu vou buscá-lo eu
mesma. ―Ela sabia que Camron estava prestes a discutir a questão, mas ela
estava determinada a ir se e ela estava prestes a dizer isso, quando a porta se
abriu e Travis estava lá com um olhar estupefato no rosto.
Travis ouviu o som de um quadriciclo de onde estava sentado nas
rochas perto do riacho e se levantou para ver quem tinha chegado à trilha. Ao
se aproximar, ele viu um de quadriciclo estacionado perto da varanda, e se
perguntou quem poderia ser ele correu até a porta e abriu-a. Quando ele viu
sua mãe em pé lá, ele mal pode acreditar em seus olhos. Ela estava de um
lado da mesa e Camron do outro, e nenhum deles parecia muito feliz. Por uma
questão de fato, Camron olhou para Travis, como se a cabeça dele fosse
explodir a qualquer momento. Enquanto à sua mãe, ela tinha aquele olhar de
raiva que ele só tinha testemunhado em algumas ocasiões memoráveis e
infelizes. Quando ela chegou a este estado ela o lembrava de um antigo trem
de carga descontrolado e agora ela estava rugindo nos trilhos com a cabeça
cheia de vapor.
Travis virou primeiro para sua mãe, ainda tentando absorver sua
mente em torno da ideia de que ela estava realmente aqui.
―Mamãe, o que inferno está fazendo aqui?
―Eu vim para salvá-lo desse sequestrador, filho.
A boca de Travis se abriu e ele olhou para Camron, observando a bola
formada com suas mãos fechada em punhos, enquanto seu rosto ficava ainda
mais vermelho, muito mais vermelho, de fato, Travis estava com medo que
Camron pudesse estar prestes a ter um acidente vascular cerebral. Travis deu
um passo passando por sua mãe, e se esquivando dos seus braços quando ela
chegou até ele e ficou ao lado de Camron com a mão em seu ombro.
―Por favor, Camron. Deixe-me lidar com isso.
Camron olhou para ele e balançou a cabeça, hesitante, parecendo
que queria discutir. Travis voltou-se para sua mãe e tomou uma respiração
profunda. Primeiro de tudo, ele nunca tinha sido tão envergonhado em sua
vida e estava furioso com sua mãe por ela estar aqui. Então ele também
estava mais do que um pouco preocupado com o que a reação que sua mãe
teria quando ele lhe dissesse que não tinha intenção de deixar a cabana até
que Camron o fizesse. Uma coisa que ele sabia com certeza era que ela não ia
gostar e que os próximos minutos iam ser muito desagradáveis.
―Mamãe, não seja boba. Camron não me sequestrou, e certamente
você sabe disso. Ele me pediu para vir aqui com ele e eu vim. É tão simples
quanto isso.
―Por que, Travis? Diga-me. Em primeiro lugar, você estava saindo
com que Holden MacKay e agora você está aqui com Camron MacKay. O que há
com você e esses MacKays? Eles lhe fizeram uma lavagem cerebral ou algo
assim?
Ele ouviu Camron fazer um barulho de bufo atrás dele.
―Claro que não. Você sabe o quão louco isso soa? Você não acha que
eu tenho bom senso suficiente para decidir onde eu quero ir e com quem eu
quero ir? Eu não sou estúpido, mamãe, e eu não sou uma criança.
―Eu sei que você não é estúpido, mas você é o meu bebê.
Travis gemeu, convocando toda a coragem que conseguiu reunir. Ele
precisava tomar uma posição agora, mas ele não tinha certeza de que poderia
fazê-lo. Sua mãe era um oponente formidável, e nem mesmo seu pai ou irmão
queriam ir contra ela.
Ele olhou para Camron e então para sua mãe. Ele tinha que fazer
isso.
―Mamãe, eu não vou embora com você. Apenas tire essa ideia da
sua cabeça agora. Eu deveria ter lhe enviado uma nota ou algo assim, mas eu
pensei que Spencer iria dizer-lhe que estava tudo bem. Eu vou ficar aqui com
Camron até que ele esteja pronto para ir, e eu então vou voltar com ele.
Ele esperou pela explosão e não pode acreditar quando sua mãe ficou
lá com a boca aberta. Ele nunca tinha experimentado isso em ocasião anterior,
sua mãe estava sem palavras. Os três ficaram ali em silêncio, cada um
esperando o outro dizer algo, e Travis sentiu a mão de Camron acariciar a
parte inferior das suas costas. O seu calor lhe deu coragem. Ele olhou para
Camron, que lhe deu um pequeno sorriso apertado, e Travis ficou mais firme,
sentindo-se orgulhoso de si mesmo por ter tido forças para se levantar contra
sua mãe para uma mudança.
Emma franziu o cenho para ambos Travis e Camron quando ela
finalmente encontrou sua voz. ―Oh, inferno, não, você não vai ficar! Você vai
voltar para casa comigo, meu jovem. Agora você pode subir naquele
quadriciclo. Vou levá-lo para casa!
―Não, mamãe, você não vai. Eu estou exatamente onde eu quero
estar e a onde eu pertenço. ― Ele respirou fundo, decidindo que ele poderia
muito bem dizer-lhe tudo. ―Eu vou ir embora com Camron, mamãe, por que...
porque ele é meu companheiro, e nós pertencemos um ao outro. Isso é tudo o
que há para dizer e este é o fim da discussão.
―S-Seu companheiro? Outro homem do clã? E ainda um MacKay?
Travis, você perdeu completamente sua cabeça?
Travis sacudiu a cabeça com firmeza.
―Não senhora, e não adianta discutir isso. É o desejo do
acasalamento, e você sabe tão bem quanto eu que não há como combatê-lo,
mesmo se você quiser, e eu não quero. ― Ele podia sentir seu rosto ficando
mais quente, mas ele continuou obstinadamente a diante. ―Camron já...
reivindicou-me. Não há como voltar a partir deste ponto. Quando eu voltar,
vou me mudar e morar com ele.
Emma cambaleou para trás um ou dois passos e olhou primeiro para
Camron e depois para Travis. Ela se sentou em uma cadeira à mesa e acenou
com a cabeça. Houve um longo silêncio e então ela olhou de volta para
Camron.
―É melhor você ser bom para ele, está me ouvindo?
Camron assentiu solenemente.
―Sim senhora. Eu vou ser.
Ela se voltou para Travis. ―E você! Você tem que parar de correr por
ai agora e sossegar. Não envergonhe a família em frente a esses MacKays―.
―Eu vou... Eu quero dizer, eu não vou. Quero dizer, oh inferno...―.
―Eu não sei como eu vou dizer isso a seu pai e a Spencer! Eles vão
ficar chocados.
―Spencer já sabe. Camron disse a ele.
Emma tinha ficado pálida enquanto se sentava à mesa, mas a cor
voltou para seu rosto agora.
―Spencer? Seu irmão, Spencer? Ele sabia sobre essa coisa toda de
companheiro?
―Sim, mamãe, ele sabia. Camron disse a ele antes de virmos aqui
pra cima.
Ela fez um som crepitante que Travis sabia que não traria nada de
bom para o seu irmão.
―Espere até que eu coloque minhas mãos naquele garoto. Ambos os
meus meninos se viraram contra mim, mantendo segredos de sua própria
mãe. Depois de tudo que eu fiz por vocês dois!
Travis viu as lágrimas nos olhos dela, sinalizando sua mudança para o
uso de outra tática. Ele se preparou contra esta manobra, sabendo que era
tudo o que se passava. Ele tinha visto Emma usar suas lágrimas muitas vezes
quando nada mais funcionava. Ele precisava tirá-las de lá, e rápido, antes que
as lagrimas o afetasse. Ele apontou para a porta.
―Você precisa ir para casa, agora, mamãe. Você já descobriu que eu
estou bem, e isso é tudo o que você precisava saber. Vá antes que fique tarde.
Você pode encontrar o seu caminho de volta pela montanha, ou você precisa
de ajuda para ter certeza de estar no caminho certo?
Enxugando os olhos, ela olhou para cima, com um brilho calculado
nos olhos.
―Você sabe, eu não tenho certeza. Posso precisar de você para me
levar de volta. Eu não enxergo tão bem como eu costumava enxergar. Estou
ficando mais velha, você sabe.
Travis suspirou. Ele sabia o que ela estava fazendo e não ia se render
à ideia.
―Camron ficaria feliz em lhe mostrar o caminho de volta até lá
embaixo, não ficaria, Camron?
Camron sorriu. ―Claro.
Emma olhou para eles.
―Não se preocupem! Eu encontrei o meu caminho até aqui, e eu
posso encontrar meu caminho de volta para baixo. Não se preocupe comigo,
estou apenas à mulher que trouxe você para o mundo. ― Ela fungou e
caminhou até a porta, virando-se para olhar para Travis. ―Eu espero que você
esteja feliz. Você quebrou meu coração.
Travis revirou os olhos.
―Oh Mama, não é como se você nunca mais fosse me ver de novo.
Estaremos em casa em alguns dias. Eu te amo. Agora tenha cuidado indo de
volta para baixo da montanha.
Emma fungou de novo e saiu pela porta sem responder. Em um
minuto ele ouviu o quadriciclo se pôr em marcha e rugir longe da cabana. Ele
foi até a porta e observou-a dirigir de volta para baixo do morro, poeira se
agitando atrás dela.
―Espero que ela vá ficar bem.
―Eu acho que ela vai ficar bem. Estou mais preocupado com
qualquer coisa que ela possa encontrar no caminho para baixo. ― Camron riu e
colocou o braço em volta da cintura de Travis.
―Obrigado por enfrenta-la, gatinho. E por contar a ela sobre nós. Eu
sei que não foi fácil. Eu pensei que você estava prestes a tentar ir e fugir com
ela.
―Eu estava louco de raiva antes, mas eu fiz algumas reflexões no
riacho. Aqui é onde eu quero estar. Com você, quero dizer.
―Fico feliz em ouvir isso. ― Ele puxou Travis em seus braços e roçou
os lábios contra os dele. ―Porque eu não tinha nenhuma intenção de deixá-lo
ir, mesmo se eu tivesse que bater na sua bunda.
Emma estava tomando seu tempo e voltando para baixo da
montanha. Ela tinha um monte de pensamentos para pôr em ordem e ela
estava mais louca do que o inferno. Um MacKay maldito como companheiro de
seu filho! Ela sabia o que Travis disse estava certo, não havia absolutamente
nada que alguém pudesse fazer sobre isso, e foi o que a deixou ainda mais
furiosa. Em seguida, houve a ideia de Spencer tomando decisões sobre Travis
atrás das suas costas. Teria todo mundo de repente ficado louco, ou ela tinha?
Ela provavelmente estava viajando por cerca de quinze ou vinte
minutos e estava tão perdida em seus pensamentos que não percebeu
inicialmente que tinha ouvido um barulho como de outros quadriciclos na trilha
já há algum tempo. Ela encostou para o lado da trilha e escutou. O zumbido
dos motores estava definitivamente ficando mais perto. Ela se mudou para tão
longe da trilha quanto pôde, parcialmente se escondendo da vista atrás de um
grande arbusto.
Dois quadriciclos passaram por uma pequena elevação e ela os viu.
Spencer e Hawke com o que parecia o companheiro de Hawke com ele. Ela
saiu para a pista, e derrapou até parar a poucos metros à sua frente.
Spencer chegou a ela em primeiro lugar, pulando de seu veículo e
correndo para ela.
―Mamãe, você está bem?
Ela levantou a mão para parar ele e ergueu o nariz no ar.
―O que te importa Spencer Sutherland? Você e seu irmão se viraram
contra mim. Isso está muito dolorosamente claro.
―O que você está falando, mamãe? Você sabe que não é verdade.
―Tia Emma...
―Você cale a boca, Hawke Sutherland, ― ela disse, voltando-se para
ele. ―Eu vou lidar com você em um minuto. ― Ela se virou para Jace então.
―Eu espero que você não tenha quebrado o coração de sua mãe quando você
encontrou esse alguém. ― Ela empurrou o dedo polegar em direção Hawke.
―Não, senhora. Meus pais me expulsaram de casa há vários anos
atrás, quando eu disse a eles que eu era gay.
―Bem, eu sinto muito por isso, mas pelo menos você não o escolheu
ao invés da sua própria mãe. ― Ela deu a Hawke um olhar ofendido.
―Mamãe, por favor... só se acalme e tudo vai fazer sentido.
―Sentido? Será que faz sentido manter segredos de mim quando o
meu filho mais novo tem a infelicidade de ser o companheiro de um MacKay? E
dois homens do clã, que provavelmente vão matar uns aos outros antes que
essa confusão acabe. E meu outro filho mentiu para mim sobre isso! ― Quando
Spencer começou a protestar, ela levantou uma mão imperiosa. ―Uma mentira
por omissão ainda é uma mentira, meu jovem.
Spencer corou e olhou para baixo, incapaz de manter seu olhar.
―Eu fui buscar Travis, e ele não quis vir comigo, me disse que ele iria
voltar para baixo da montanha com Camron. Você pode acreditar nisso? Ele
escolheu um MacKay sobre a sua própria mãe.
―Mamãe, eu duvido que Travis quisesse dizer isso dessa forma. Ele
não está escolhendo Camron sobre você. É que se eles são companheiros, ele
não tem qualquer escolha sobre com quem ficar. Não é verdade, Hawke?
―Oh, por Deus, Spencer, por favor, me deixe fora disso.
―Muito sábio você, Hawke ―, disse Emma. ―Você já fez o suficiente.
Oh, eu sei que você está nessa até as sobrancelhas. Você e Spencer são unidos
como ladrões e sempre foram. De qualquer forma, estou farta de todos vocês,
e eu estou indo para casa―.
―Tudo bem. Vamos guiar de volta para baixo com você e verificar se
você chega bem em casa.
―Eu não preciso de você para ir comigo.
―Eu sei, mas vamos de qualquer maneira.
Ela deu um lançou um ultimo olhar penetrante neles e subiu de volta
em seu veículo, acionando de volta e acelerando para baixo da montanha. Foi
difícil alcança-la e manter-se próximo a ela enquanto ela corria em alta
velocidade pela trilha.
Capítulo Oito

Travis não tinha certeza de como a briga começou tão rapidamente.


Num minuto ele e Camron estavam sentados à mesa, tomando uma xícara de
café e conversando, e no minuto seguinte, eles estavam gritando um com o
outro. Tudo começou quando Camron lembrou-lhe mais uma vez que eles
realmente precisavam voltar para casa e ir trabalhar.
―Sim, sobre isso. Camron, eu não posso deixar meu pai na mão.
Preciso manter minha promessa e trabalhar na loja na cidade de Blackwater.
Camron balançou a cabeça.
―Não, Travis. Eu preciso de você junto comigo.
―Mas por quê? Seu irmão pode ajudá-lo, não pode? Você não precisa
da minha ajuda.
―Sim, eu preciso. Will está indo para a faculdade, e ele não será
capaz de me ajudar por muito mais tempo. Além disso, este é o meu negócio,
e meu companheiro precisa me ajudar a construí-lo.
Travis apertou os lábios e balançou a cabeça. Ou ele se mantinha
firme ou Camron iria tentar passar por cima dele em cada turno. Ele tinha uma
coisa em comum com a mãe de Travis ele sabendo ou não, ele era um touro
que dirigia e queria o seu próprio caminho. Se ele não conseguisse, ele
armaria um ataque, e Travis não tinha intenção de lutar com ele sobre todas as
decisões para o resto de suas longas vidas. Ele resolveria isso agora, ou nunca
haveria paz entre eles.
―Você pode contratar alguém para ajudar, se você precisar não é tão
ruim assim. Mas eu já fiz meus planos para cuidar da loja.
―Fez seus planos? Você estava deitado em sua bunda na sua casa
quando eu vim para pega-lo não me venha com essa merda! Você
provavelmente acha que pode ficar à vontade na loja. Ir trabalhar quando lhe
der vontade e sair mais cedo se você quiser... o inferno, nem mesmo entrar lá
quando você sentir vontade de se juntar a Holden e os meninos!
―Holden e os meninos? Como é que eles chegaram neste assunto?
Claro que não, eu não estou pensando sobre isso. Eu estou pensando que meu
pai me pediu para ajudá-lo, e é isso que eu preciso fazer.
―Acontece que eu sei seu pai vem tentando levá-lo para trabalhar na
loja há anos. Eu ouvi toda a conversa em torno da cidade.
―E você não sentiu esse desejo incontrolável de ajudá-lo antes disso.
Por que agora, de repente? Não, Travis, eu não vou ter você correndo de volta
para o seu caminho de preguiçoso. Você vai fazer o que eu digo.
Travis ficou de pé e bateu a mão na mesa.
―E você vá para o inferno!
―Eu já estou lá! Droga, eu estou cansado de brigar com você e com
toda a sua maldita família a cada dia. Este não é o tipo de vida que eu
imaginava para mim também, você sabe! Tudo que eu queria era uma menina
agradável para me estabelecer e ter algumas crianças, uma vida calma,
respeitável boa! Em vez disso, olhe para o que eu tenho a bunda de um rapaz
maluco e selvagem, que eu nem gosto tanto assim!
Um silêncio caiu entre eles com essas palavras e Camron pareceu
perceber o que ele tinha dito. Ele corou um vermelho escuro, mas seus lábios
estavam em uma linha fina e teimosa quando ele olhou para Travis, e suas
costas ficaram inflexíveis e firmes.
Travis nunca tinha aprendido que palavras poderiam ser tão
dolorosas, antes de se envolver com Camron. Ele as usava como arma quando
ele queria, e estas últimas palavras foram arremessadas para ele como
pequenas farpas pontiagudas, que aderiram na pele dele. Elas não iriam matá-
lo, mas sim feri-lo, assim como Camron tinha a intenção que elas fizessem.
Travis assentiu uma vez e caminhou em direção à porta. Ele agarrou sua
jaqueta e seu boné no gancho ao lado da porta e os colocou.
Colocando a mão na maçaneta da porta, ele hesitou. Ele não queria
olhar para trás, para Camron, embora ele pudesse sentir seu olhar pesado em
suas costas. Se ele olhasse para trás, ele poderia não encontrar a coragem
para sair.
―Eu estou indo para casa, Camron. Nós tentamos e isso não deu
certo. Eu não sou o que você precisa, e eu não quero ser um prêmio de
consolação que você teve que aceitar. Como você acabou de dizer, você nem
gosta muito de mim. Eu sei que essa coisa companheiro é forte, mas podemos
encontrar uma maneira de ficar longe um do outro. Desculpe-me, por fazer
você perder o seu tempo.
Sem se virar, ele esperou... E esperou um longo momento para dar a
Camron a chance de chamá-lo de volta, para dizer que ele não quis falar às
coisas que ele falou, e lhe dizer para não ir, mas Camron nunca disse uma
palavra. Essa resposta foi o suficiente por si mesmo. Sentindo seus ombros
caírem, Travis saiu, fechando a porta silenciosamente atrás de si. Ele parou por
um instante na varanda da frente, incapaz de respirar oxigênio suficiente para
seus pulmões. Então ele caminhou lentamente pelas escadas e começou a
descer o caminho para casa.
Difícil de acreditar que tinha acabado tão rapidamente e de forma tão
inesperada, como tinha começado. Foi tão fácil para Camron deixa-lo ir?
Estaria ele até agora sentado à mesa, débil de alívio de que ele não teria mais
que continuar com isso? Porque Travis estava tendo um momento muito mais
difícil para entender as coisas, isto não estava sendo tão fácil para ele.
Seria bom se ele pudesse simplesmente só desligar seu cérebro e não
ficar pensando e repensando como tudo tinha dado errado tão rápido, e
pensando no quanto ele ia perder sem esse homem, que ele não tinha sido
consciente até poucos dias atrás quando ele apareceu em sua vida. Ele não
queria se lembrar da maneira como esses olhos castanhos se enrugavam nos
cantos quando ele sorria, ou sobre seu lento e sexy sorriso, ou o jeito que ele
cheirava algo almiscarado, doce e picante ao mesmo tempo. Ele não queria
pensar sobre o seu sotaque do sul macio que ficava tão lento quando faziam
amor, ou a forma como sua voz parecia aveludada e macia, quando ele o
chamava de gatinho.
Bem, agora tudo acabou, e tudo ficaria realmente melhor. Uma onda
de cansaço tomou conta dele, mas ele continuou andando com determinação.
Não era tão longe descendo a montanha, apenas cerca de oito ou nove km. E
como todo mundo dizia para ele cada vez mais, ele não era mais uma criança.
Ele ia superar essa coisa com Camron, porque ele tinha que fazer. Ele não
queria estar com alguém que não o queria.
Ele estava andando pela trilha por cerca de quinze minutos, quando
ele chegou à primeira bifurcação. Ele parou e tentou se lembrar do caminho
pelo qual eles vieram quando eles viajaram até a montanha, mas ele não tinha
certeza. Não havia nem mesmo qualquer rastro no terreno rochoso que ele
pudesse identificar da viagem recente que sua mãe fez com o quadriciclo.
Suspirando, ele tomou o caminho à direita da bifurcação, pensando, enquanto
estava descendo a montanha, que ele provavelmente estaria bem.
Talvez ele se deparasse com outra cabana aqui em algum lugar. Se
ele deparasse, ele iria parar e pedir para usar o telefone. Ele poderia chamar
Spencer para vir busca-lo. Ele não se lembrava de ter passado por qualquer
cabana no caminho até a trilha, mas ele estava muito distraído no momento e
talvez não tivesse notado.
Ele tentou não pensar mais sobre Camron enquanto caminhava,
sabendo que quando entendesse, quando ele se permitisse perceber que tinha
acabado, ia ser devastador. Ele sabia, é claro, que Camron sempre tinha
gostado de mulheres. Ele não fazia segredo disso, mas pensou que ele estava
mudando aos poucos de ideia, pelo menos sobre ele. Ele sabia que ele era foda
e que ele não tinha a melhor reputação da cidade, mas ele nunca sonhou que
Camron não gostasse nem um pouco dele. Isso doeu talvez mais do que tudo.
Ele pensou que Camron queria estar com ele, e que eles estavam se
aproximando. O quão estúpido isso foi? O quão estúpido foi ele realmente
pensar que Camron iria tentar impedi-lo de ir embora? Apenas algumas horas
antes ele lhe disse que nunca iria deixá-lo ir e então eles fizeram amor
novamente. Tinha vontade de fazer amor com ele de qualquer maneira. Talvez
Camron estivesse apenas pensando nas opções.
Mais adiante ele avistou uma pequena elevação com uma nuvem de
fumaça vindo das árvores ao longe uma cabana nas colinas acima da cidade.
Apressou o passo, correndo em direção a ela, ansioso para sair desta
montanha, agora que ele tinha feito sua escolha.
Não que ele esperasse que Camron que viesse atrás dele, mesmo que
ele tenha passado a maior parte da caminhada olhando para trás por cima do
ombro.
Ele tinha acabado de chegar a uma boa distância da cabana, e foi
capaz de ver que era um lugar pequeno, e bastante degradado, gritou quando
avistou alguém na varanda da frente. Um surrado jipe velho estava
estacionado do lado de fora também, e quando viu o homem na varanda
levantar o braço, Travis pensou a princípio que ele estava acenando para ele.
Travis ergueu o próprio braço para acenar quando uma nuvem de poeira se
levantou no caminho na frente dele com um som de estalo. A visão do rifle
veio um segundo mais tarde, quando Travis percebeu que o homem havia
atirado nele.
Tropeçando para trás, ele caiu de bunda no chão e rolou para o
bosque ao lado da trilha. Algo bateu na árvore ao lado dele, um pouco mais
perto de sua cabeça, estilhaços de madeira choveram e pequenos pedaços de
casca e seiva de árvore caíram no seu boné. Ele ficou de pé, mergulho de
cabeça mais profundamente na floresta quando outra bala passou zunindo tão
perto de sua cabeça que acertou no seu boné e espalhou um caminho de fogo
ao longo de sua bochecha e por sua têmpora.
Em pânico, ele percebeu que esta última bala tinha vindo de mais
perto, um pouco além do outro lado da trilha. Ele tentou se levantar, mas suas
pernas não queriam trabalhar, e o sangue estava escorrendo para baixo em
seus olhos.
Antes que ele pudesse até mesmo registrar a dor, ele caiu deitado
sobre seu peito para descansar um segundo, apenas um segundo antes de ele
tentar sair de lá. Seu último pensamento consciente foi sobre Camron, e como
ele ficaria surpreso de saber Travis tomou a bifurcação errada na estrada e
teve problemas, mais uma vez, ele tinha conseguido estragar tudo.
Camron estava arrumando o quadriciclo, quando ouviu os tiros e ele
sabia, sem sombra de dúvida que algo havia acontecido com Travis. Havia três
tiros em sucessão bastante rápida e talvez fosse o instinto, talvez algum tipo
de efeito colateral estranho do chamado de acasalamento, mas ele sabia que
os tiros tinham sido dirigidos contra Travis. O conhecimento e a certeza fizeram
seu coração falhar em seu peito antes de começar a bater com uma pancada
selvagem e causou uma emoção doente de terror incendiando dentro dele.
Impiedosamente sufocando seu primeiro impulso de correr
loucamente para baixo da montanha na direção dos tiros, forçou-se a entrar
para localizar seu rifle de caça e, em seguida, anexá-lo ao rack na frente de
seu quadriciclo. Embora ele se apressasse, ele manteve seus movimentos
certos e metódicos, não se permitindo agir como ele queria.
Em minutos, ele estava se dirigindo para baixo da montanha,
finalmente cedendo à necessidade imperiosa de velocidade, perseguindo o som
dos tiros ainda reverberando na sua cabeça. No minuto em que Travis foi
embora, Camron soube que ele tinha cometido um erro.
Suas palavras tinham sido impensadas, e ele ainda não tinha pensado
no significado delas, na verdade. No entanto, havia uma parte dele que dizia:
―Para o inferno com isso, deixe-o ir. Você não precisa de um garoto louco
fodendo sua vida e, mudando todos os seus planos.
O engraçado foi que no segundo que tinha ouvido os tiros e foi
confrontado com a possibilidade real de perder Travis, nenhum desses planos
parecia importante ou até mesmo valiam a pena de qualquer forma. Tudo o
que ele conseguia pensar era em chegar até ele, e que as últimas palavras que
tinham falado um com o outro foram dolorosas e cruéis.
Camron já tinha decidido segui-lo e conversar com ele sobre a trilha
antes de ele ter ouviu os tiros. Ele sabia que ele só estava blefando mesmo, e
também sabia que não podia ficar longe de Travis. Ele imaginou que ele iria
pedir desculpas e convencê-lo a voltar para casa com ele onde ele pertencia.
Ele estava tomando seu tempo, fechando tudo para sair, e dando a
Travis uma chance para tomar um ar e acalmar. Ele descobriu que ele estava
apenas vinte minutos na frente dele, e ele poderia alcançá-lo com bastante
facilidade. Sem nenhum problema. Mas nunca nem em um milhão de anos ele
esperava que Travis se metesse em algum tipo de problema antes que ele
pudesse chegar até ele. Nunca que ele pensou nem por um minuto que seu
tempo poderia estar acabando.
Quando chegou à primeira bifurcação na trilha, ele quase desceu
direto para baixo da montanha, mas algo lhe disse Travis poderia ter tomado o
caminho errado. Ele não estava exatamente na melhor forma quando ele lhe
trouxe aqui alguns dias antes. Ele precisava pelo menos ter dado uma olhada.
Camron circulou de volta, se obrigando a ir devagar e procurar por pistas e
com certeza, lá no caminho errado cerca de dez metros para baixo, ele
encontrou uma pegada funda na sujeira no meio da trilha.
Tentando lembrar o que tinha por esse caminho, ele só podia se
lembrar de uma velha cabana abandonada a cerca de um km à frente. Um de
seus tios-avôs viveu lá até talvez sete ou oito anos antes, quando se mudou
com sua esposa idosa para mais perto de Blackwater Falls e do médico de lá.
Tanto quanto ele sabia, ninguém havia se mudado de volta. Invasores
poderiam ter tomado à cabana, mas essa terra era toda dos MacKay, e ele não
poderia imaginar alguém sendo burro o suficiente para invadir. Mesmo
descontando todos os sinais Entrada Proibida, postados em toda parte, os
moradores sabiam que nunca deviam caçar ou até mesmo chegar perto dos
bens pertencentes aos MacKays e aos Sutherland.
Embora ninguém na área suspeitasse da verdadeira natureza dos
clãs, houve casamentos suficientes com os nativos para terem um pouco de
informação por aí, mesmo que os seres humanos que acasalaram com pessoas
do clã eventualmente tivessem que abandonar todos os laços esternos, pelo
menos, com os seus familiares eles mantinham contato mesmo sendo o
mínimo. Uma vez fora da escola, os membros do clã cortavam todos os laços
com os seres humanos que tinham conhecido lá, porque os shifters viviam
muito mais tempo e sua idade passava muito lentamente enquanto os anos
humanos passavam rápido. Ainda assim, foi o suficiente para que superstições
tivessem crescido em torno de Blackwater Falls e os clãs tanto que os
moradores evitavam a área a todo custo, e os forasteiros foram ―
desencorajados de visita-los.
Poderia haver a chance de que algum posseiro ter se instalado na
cabana, porém, Camron foi direto para ela, com um sentimento de pavor
doentio. A bala que veio através de seu para-brisa quando ele chegou perto da
cabana chocou o inferno fora dele e o fez desviar para fora da trilha, girando o
guidão com rapidez e, fazendo o quadriciclo girar em seguida, parando ao lado
de uma vala na beira da floresta. Ele pulou e rolou para fora dos destroços do
quadriciclo no último minuto, com apenas seus reflexos sobrenaturalmente
rápidos salvando-o de lesões graves. Os membros do clã brincavam sobre seus
reflexos ―de gato―, mas era tudo verdade, e desta vez eles o salvaram de ser
esmagado sob o peso do quadriciclo.
Caindo de barriga no chão, Camron se arrastou para o abrigo da
floresta profunda e puxou sua faca de caça. Ele não poderia voltar para pegar
o seu rifle, porque percebeu que o tiro tinha vindo de algum lugar na floresta,
e o atirador poderia estar observando-o agora mesmo. Ele precisava do
conforto do peso da grande faca na sua mão.
Ele olhou de volta para a trilha, tentando obter um vislumbre de
quem estava atirando nele e viu algo azul claro caído perto da vala onde ele
destruiu seu quadriciclo. Perscrutando mais perto, ele viu que era um boné de
beisebol, se virou de lado. A mancha de sangue escuro crescia ao longo da
lateral do seu corpo, e o conhecimento de que era o boné de Travis o fez sentir
como se tivesse tomado um soco. Seu estômago doeu e ameaçou se esvaziar
de pânico.
Mais duas balas atingiram a árvore logo acima de sua cabeça. Ele
gritou como se tivesse sido atingido e se embrulhou na grama. Sua mão
segurava a faca debaixo dele enquanto esperava. Fingir-se de morto era o
truque mais velho da história. Quando ele era criança, ele tinha feito isso com
seus amigos durante os seus jogos de guerra o tempo todo, e ainda
funcionava, às vezes. Provavelmente foi por isso que o velho truque ainda era
usado, porque as pessoas ocasionalmente ainda caiam nele.
Depois de um longo silêncio, ele finalmente ouviu o som de passos
vindo em sua direção. Seu coração palpitava, e ele se deitou imóvel tanto
quanto possivelmente poderia, nem mesmo ousando respirar. Ele estava
tomando uma chance de que o cara não iria atirar novamente para certificar-se
de que ele estava realmente morto, ou pelo menos não atirar tão cedo. Sua
sorte se manteve estável, e quando os passos estavam bem ao lado dele, ele
ouviu um clique vindo do atirador que ergueu o rifle pronto para lhe dar o tiro
mortal. Saltando, ele enterrou a faca no estômago do homem, torcendo a
lâmina e observando seu rosto enquanto seus olhos se arregalaram em choque
e o sangue borbulhava em seus lábios.
Depois disso, ele ficou sobre o corpo, olhando para ele por um longo
tempo, observando os olhos do homem vidrados que olhavam gélidos para o
céu.
Ele sabia que deveria sentir piedade ou remorso pelo que ele tinha
feito, mas era difícil sentir qualquer coisa. O homem tinha tentado o seu
melhor para matar Camron e poderia ter matado... não, ele não se permitiria
pensar nisso. Travis poderia estar ferido, mas ele não estava morto. Não podia
estar. Ele saberia se ele estivesse.
E se ele estivesse errado e esse filho da puta tivesse matado Travis,
se ele o tivesse matado, ele iria tentar o seu melhor para reanimá-lo, só para
que pudesse matá-lo mais uma vez.
Ele olhou para o homem deitado ao lado da trilha e percebeu que ele
nunca o tinha visto antes. Ele parecia ter cerca de sessenta anos, com barba,
mal vestindo, com uma jaqueta camuflada suja, jeans e botas de caça,
baratos. Parecia com qualquer homem mais velho que você poderia ver em
qualquer dia no Wal-Mart em torno desta parte do mundo, embora talvez um
pouco mais desleixado do que a maioria.
Ele tinha acabado de se abaixar para revistar seus bolsos quando
ouviu o som de quadriciclo que vinha em sua direção. Camron se abaixou
rapidamente e voltou para dentro da floresta se escondendo atrás de um
grande pinheiro perto da borda da floresta, desejando como o inferno que ele
tivesse a chance de pegar a arma do rack do quadriciclo. Conforme o som se
aproximava, ele percebeu que eram dois quadriciclos, vindo rápido, e ele
respirou aliviado, quando olhou ao redor e viu que eram Hawke e Spencer,
ambos com rifles nos racks de seus quadriciclos.
Ele observou quando caminharam até parar no corpo do homem
morto ao lado da trilha, e Camron viu Hawke baixar e se ajoelhar ao lado do
homem que Camron tinha matado. O jovem companheiro de Hawke, que
estava sentado na parte de trás de um dos veículos, parecia chocado e com
medo. Quando Camron saiu do bosque, Hawke se levantou rapidamente,
saltando na frente de seu companheiro, arregalando os olhos quando
reconheceu Camron.
―Maldição, Camron, o que aconteceu aqui? ― Hawke fez um gesto
em direção a ele.
―Este sangue é todo seu?
Camron olhou para si mesmo. Toda frente da sua camisa e seus dois
antebraços estavam cobertos de sangue, mas ele balançou a cabeça
tristemente e fez um gesto na direção do homem morto.
―Não, é todo dele.―
Spencer deu a volta ao lado de seu veículo e agarrou o ombro de
Camron. ―E quanto Travis? ―, Disse ele com urgência, o sacudindo um pouco.
―Camron, onde está meu irmão? ―
Levou cerca de uma hora para deixar Emma em segurança no pé da
montanha e livrar-se dela. Hawke resistiu no início, quando Spencer insistiu
em voltar e se certificar de que Travis estava bem.
―Vamos, Spencer, como se eles já não tivessem sido incomodado o
suficiente? De acordo com sua mãe, Travis está bem, mas ainda se recusou a
voltar com ela. Deixe-os em paz!
―Eu não quero incomodá-los, Hawke. Mas nós dois sabemos que tipo
de sentimento de culpa minha mãe pode colocar em alguém, inferno, eu estou
sentindo os efeitos em mim!
―Então? Travis pode lidar com isso também, se você lhe der uma
chance. Ele tem Camron para ajudá-lo agora.
Spencer fez aquela expressão de teimosia da qual toda a sua família
estava propensa.
―Droga, Hawke, eu vou até lá em cima, com ou sem você.
Hawke sentiu Jace tocá-lo nas costas em advertência, então ele
balançou a cabeça e suspirou.
―Tudo bem, vamos ir com você. Mas não vamos ficar para incomodá-
los, uma vez que você esteja satisfeito e visto que ele está bem vamos embora
entendeu?
―Entendi―, disse Spencer, sorrindo. Spencer estava fazendo isso
com ele desde que eram crianças e lhe deu um monte de problemas por conta
disso ao longo dos anos. Ainda assim, estavam no início do dia, e ele tinha
prometido a Jace um passeio pela montanha. Ele manobrou o quadriciclo e
seguiu Spencer de volta para trilha.
Passaram-se apenas cerca de quinze minutos e eles ouviram os tiros.
Hawke parou primeiro e Spencer parou ao lado dele.
―Você ouviu isso?
―Sim, eu ouvi. Você acha que são caçadores?
―Não pode ser, não por aqui. Poderiam ser invasores, eu acho.
Vamos ter certeza de que Travis e Camron estão bem.
Dez minutos depois, eles estavam próximos da última bifurcação da
trilha para o caminho da cabana de Camron quando ouviram outra série de
tiros vindo do lado oposto da bifurcação que levava ao caminho da cabana.
Hawke e Spencer pararam e olharam um para o outro. Hawke se virou para
Jace.
―Desça, bebê, e espere por mim, enquanto eu vou verificar isso.
―Claro que não ―, disse Jace, apertando seus braços ao redor da
cintura de Hawke.
―Jace―, disse ele, fazendo sua voz mais profunda e mais severa.
―Eu não tenho tempo para brincadeiras. Agora desça e espere por mim ao
lado da trilha. Estarei de volta em poucos minutos, mas se eu não estiver, por
algum motivo, comece a caminhar para baixo da montanha, e eu vou
encontrar com você.
―Não use esse tom de voz de xerife comigo, e eu não vou a lugar
algum, além desse caminho com você. Se você acha que eu vou, você tem que
pensar novamente. ― Jace olhou para ele com raiva, e Hawke soltou um
suspiro irritado.
―Jace...―
―Não, maldição. Agora vá lá para baixo e veja o que aconteceu. Vou
ficar fora do seu caminho, mas eu não vou me esconder ao lado da trilha,
assim sendo, você pode esquecer essa merda.
Hawke bufou sua exasperação, mas Spencer gritou para ele.
―Droga, Hawke, pare de tentar bancar o papai urso e venha com a
gente. Precisamos ver o que é isso! ―
Hawke apontou o dedo para Jace.
―Você fica atrás de mim, ouviu? E se alguma coisa acontecer, você
vai ficar fora do problema!
―Ok, ok, vamos lá. ― Jace apontou o dedo para ele, e lhe deu uma
piscadela atrevida.
―Você não é nem metade tão assustador, quanto você pensa que é.
Hawke deu-lhe um olhar ofendido e indignado, e se virou para seguir
Spencer, que já estava acelerando pela trilha. O veículo de Hawke era mais
potente e emparelhou com ele em um minuto ou dois, e à medida que
contornavam a primeira curva da trilha, ambos viram um quadriciclo derrubado
de lado na vala. Um corpo estava deitado de costas ao lado dele, seus braços
estendidos na direção da trilha.
Hawke teve um mau pressentimento quando ele reconheceu o
quadriciclo de Camron, mas no momento em que ele parou e chegou ao lado
do corpo, ele percebeu que não era Camron ou Travis. Este homem era mais
velho e mais pesado. Ele teve tempo para registrar o fato de que o homem não
estava apenas morto, mas que ele tinha uma enorme facada sangrenta no
estômago, quando um movimento chamou sua atenção, e ele se virou e
conseguiu entrar na frente de Jace e ao mesmo tempo viu Camron, coberto de
sangue, dando um passo a partir das árvores.
―Maldição, Camron, o que aconteceu aqui? ― Hawke fez um gesto
em direção a ele.
―Este sangue é todo seu?
Camron olhou para si mesmo. Toda frente da sua camisa e seus dois
antebraços estavam cobertos de sangue, mas ele balançou a cabeça
tristemente e fez um gesto na direção do homem morto.
―Não, é todo dele.―
― Ele parecia chocado e traumatizado, apesar da frieza de seu tom
de voz, mas antes de Hawke pudesse fazê-lo se sentar, Spencer se lançou ao
redor do seu veículo e agarrou o ombro de Camron.
―E quanto Travis? ―, disse ele com urgência, o sacudindo um pouco.
―Camron, onde está meu irmão?
―Nós, tivemos uma discussão depois que sua mãe foi embora. Foi
apenas por algo estúpido, mas nós dois ficamos bravos e dissemos um monte
de merda. Travis disse que estava indo embora, e começou a voltar pela trilha.
― Ele levantou os olhos angustiados para Hawke. ―Eu estava vindo
atrás dele, mas eu estava lhe dando tempo para se acalmar, você sabe como
ele é, e então ouvi os tiros. Eu sabia que era ele. Eu sabia que ele estava em
apuros.
Spencer fez um barulho ao lado dele, mas Hawke manteve seu foco
em Camron. ―Tome seu tempo, Camron. Basta nos dizer o que houve.
―Eu poderia dizer que os tiros estavam vindo daqui, e então eu
estava vindo procura-lo quando aquele cara―, ele apontou com o dedo polegar
para o corpo, ―atirou em mim dos arbustos. Eu destruí o meu quadriciclo na
batida e depois me fingi de morto quando ele atirou em mim novamente. Eu
esperei até que ele chegasse perto e....
Ele ergueu a faca de caça ensanguentada. ―Eu usei isso e o matei.
― Ele ficou de pé, mexendo suas mãos. ―Eu tenho que encontrar Travis. Eu
acho que ele foi baleado.
―O quê? ― Spencer gritou, agarrando o ombro e o girando para ele.
―O que você está dizendo?
Camron apontou para o boné azul no chão.
―E... Esse é o seu boné. Ele estava usando quando saiu.
Todos olharam para a mancha de sangue no lado do boné ao mesmo
tempo, e um silêncio de choque caiu entre eles. Camron o quebrou quando ele
gritou. ―Ele não está morto! Ele não esta! Eu sentiria se ele estivesse Hawke.
Você sabe que eu saberia!
Hawke assentiu.
―Sim, eu acredito que sim, Camron. Acalme-se e deixe-me pensar
um minuto.
―Hawke― Spencer gritou ao lado dele, passando a mão
distraidamente pelo cabelo, com os olhos cheios de lágrimas. Sua ansiedade
era igual à de Camron, Hawke tinha certeza de que ele ia pular para fora de
sua pele a qualquer momento.
―Acalme-se, tentem se acalmar vocês dois! ― O tom suave, mas
urgente de Jace cortou a tensão e fez com que todos se voltassem para ele.
―Isso não vai ajudar Travis nenhum pouco, maldição. Agora pensem sobre
isso! Tem de haver mais que um deles. Alguém pegou Travis. ― Jace
gesticulou ao longo de um conjunto de rastros que conduziam para fora da
trilha. Ao lado da trilha, havia marcas de que alguém tinha sido arrastado ou
algo muito pesado tinha sido levado por uma pequena trilha que levava a
cabana colina acima.
―Poderia ter sido o seu corpo―, disse Spencer, sua voz estava rouca
e meio sufocada.
―Não! ― Camron balançou a cabeça com firmeza. ―Ele não está
morto, talvez ferido, mas não morto. ― Ele se dirigiu em até o seu quadriciclo
para obter sua arma. ―Eu vou atrás dele! ―
―Todos nós vamos, mas não vamos invadir a cabana como se
fossemos Chuck Norris, maldição. Camron, você e Spencer vão pela mata e
subam pela parte de trás da cabana. Chegue o mais próximo que puder, e eu
vou através da floresta para frente da cabana. ― Hawke estendeu a mão para
pegar um revólver do coldre do seu tornozelo. ―Jace, mantenha esta arma
com você acaso precise. Você vem comigo.
Camron começou a andar, mas Hawke o puxou para encará-lo.
―Camron, não faça nada estúpido, e me dê a chance de chegar até a cabana.
Vou tentar chamar a atenção deles.
Ele assentiu e partiu, com Spencer bem atrás dele.
―Vai demorar um minuto para que eles cheguem até o lugar. Isso
nos dará tempo para chegar até o morro, já que tenho que andar mais devagar
com você.
Jace balançou a cabeça, e Hawke sabia que ele percebeu que não
estava sendo condescendente. Os shifters puma tinham uma velocidade
fenomenal quando precisavam dela mesmo em suas formas humanas
alcançavam boas distancia em pouco tempo. Camron e Spencer estavam
provavelmente, já na metade da encosta nesta altura.
―Por favor, fique atrás de mim, bebe, e não corra nenhum risco.
Jace balançou a cabeça de novo, tocando seu braço para tranquiliza-
lo, talvez percebendo Hawke tivesse que se manter alerta para poder ser
cauteloso, a ideia do que poderia ter acontecido com Travis o estava
preocupando demais. Ele tinha sido o único a insistir para que Spencer recua-
se quando Camron quis trazer Travis aqui em cima, e mesmo que nada disso
fosse culpa de Camron, todos sabiam o quão volátil um acasalamento entre
dois homens do clã poderia ser. Hawke estava se sentindo culpado por não ter
insistido que eles ficassem mais perto da cidade, até que desse certo o seu
relacionamento.
Hawke pegou o seu rifle, juntamente com alguma munição extra que
ele sempre mantinha em suas embalagens no quadriciclo e encheu os bolsos
com ela. Então, deu um aceno de cabeça para Jace segui-lo, ele caminhou até
o morro em direção à cabana.
Quando o chute atingiu suas costelas, Travis se sacudiu acordando.
Antes que ele pudesse se mover, o cano de uma espingarda estava encravado
na sua testa. Ele se afastou violentamente, o que foi um movimento estúpido,
porque causou uma dor a ponto de derruba-lo, tanto que ele teve de cerrar os
dentes para não morder a maldita língua. A dor parecia emanar ao lado de sua
cabeça, e ele se lembrou de repente da bala ardendo no seu caminho ao longo
de sua bochecha. Ele estava com o estômago doente e teve que engolir a
náusea que ameaçava fazê-lo vomitar nas botas do proprietário da espingarda.
Gerenciando para obter seus olhos totalmente abertos, ele olhou para
o homem, que mantinha a arma pressionada firmemente na sua testa.
―Quem diabos é você, rapaz?
As palavras foram cuspidas nele, pelo cara que segurava a arma, um
homem um pouco mais velho do que ele, e provavelmente, sendo trinta ou
quarenta quilos mais pesado. Ele estava vestido como um caçador em roupas
camufladas imundas, e ele fedia a cigarro e cerveja, com uma forte dose de
maconha. Todo o lugar cheirava a maconha, isso era uma questão de fato.
Travis se endireitou com cuidado, não querendo abalar sua ferida e
começar uma nova torrente de dor. Qualquer coisa a mais do que isso e ele
definitivamente iria vomitar o café da manhã.
―Eu perguntei, quem diabos é você?
―Travis Sutherland,― ele conseguiu dizer, com a voz soando rouca e
enferrujada. ―E quem diabos é você?
O homem sorriu para ele e lentamente engatilhou sua espingarda.
―Não me tente, rapaz. Um Sutherland, hein? Que diabos você estava
fazendo aqui em cima nas terras dos MacKay?
Decidindo não cutucar o urso mais do que ele já tinha, Travis
respondeu a ele. ―Eu vim aqui para pescar. Eu estive hospedado na cabana do
meu amigo.
―Então, foi de lá que veio a fumaça que eu vi e o cheiro que senti
nos últimos dias. E onde é esse seu amigo?
―Ele foi embora mais cedo esta manhã―, Travis mentiu.
―Eu estava caminhando de volta para baixo da montanha atrás dele
e peguei o caminho errado na bifurcação da trilha.
―Caminhando? ― O homem bufou com desprezo. ―Se isso for
verdade, você é um filho da puta de sorte, eu vou te dizer isso, porque você
fez um inferno de caminho errado. E não há mais ninguém aqui com você?
Travis mordeu os lábios, sem saber a resposta certa a dar. Se ele
dissesse que não, então ele poderia manter Camron seguro, dando-lhe a
chance de deixar sua cabana e descer a montanha. Mas se ele ganhasse tempo
e disse que sim, eles poderiam não ser tão rápidos em mata-lo e jogar seu
corpo na floresta. Talvez Camron fosse encontra-lo e descobrir que ele não
tinha ido para casa e contar a Hawke. Outro empurrão da arma encorajou-o a
chegar a uma resposta mais rápida.
―Não, mas alguns outros amigos estão em seu caminho para cima.
Um deles é o xerife, Hawke Sutherland. Ele é meu primo.
―Droga! ― Alguém atrás do de roupas camufladas disse.
―Eu lhe disse para não atirar nele! Droga Hawke Sutherland é um
teimoso filho da puta! Se matarmos um dos seus parentes, ele não é nunca vai
nos esquecer!
O outro homem andava inquieto para frente e se agachou ao lado de
Travis. Ele era mais velho do que o outro, com uma barba grisalha crescendo
no rosto e manchas de mascar tabaco nos lados de sua boca. Ele se inclinou
perto o suficiente de Travis para ele sentir o mau cheiro de seus dentes podres.
―Em quanto tempo ele está vindo, rapaz? Será que ele sabe que
estamos aqui?
Travis deu de ombros. ―Eu não sei quando ele estará vindo. Logo, eu
acho. Se eu não sabia que vocês estavam aqui, então eu duvido que ele saiba.
Apenas me deixe ir, e eu não vou dizer nada.
―Mentira! ― O de roupa camuflada zombou. Ele se virou para o
homem de barba grisalha antes de apontar com a sua arma.
―Eu digo matá-lo e enterrá-lo na floresta.
―E então o que, idiota? Você acha que eles não vão procurar por ele?
― Uma série de três tiros e, em seguida, mais dois soaram atrás deles, e eles
pularam e correram porta afora. Travis tentou ficar de pé, mas ele estava tonto
e trêmulo. Seus olhos rapidamente vasculharam o quarto, ele achava que
estava em uma velha cabana, ainda menor e mais suja do que a cabana de
Camron. Ela estava fedendo graxa velha, fumaça de madeira, e com um odor
adocicado de maconha tão forte que pairava no ar ao redor dele como uma
cortina. A única janela que estava sem cortinas e deixava entrar uma luz do sol
fraca sobre a sua cabeça e outra janela estava ao lado da porta aberta. Através
desta porta, ele podia ver os dois homens se inclinando sobre a grade da
varanda e gesticulando para baixo em direção ao que deveria ser a estrada.
Eles estavam tendo uma discussão urgente sobre alguém chamado Tim, e se
perguntando o que diabos ele estava filmando agora. Enquanto o silêncio se
estendeu para fora, eles estavam cada vez mais nervosos. O homem de roupa
camuflada queria ir até lá embaixo para ver, mas o outro homem o segurou,
sussurrando algo e sacudindo a cabeça na direção de Travis. Ambos os homens
pareciam presos lá fora e nervosos, uma má combinação com uma espingarda
carregada na mão.
O rugido de quadriciclos soou estrada abaixo e o efeito disso sobre os
dois homens teria sido engraçado em qualquer outra situação. Eles começaram
a gesticular agitando os braços, e o homem mais velho realmente jogou o
boné e puxou seus cabelos.
O camuflado era, provavelmente, o mais perigoso. Ele era corpulento
e gordo, mas Travis imaginou se ele seria capaz de derrubá-lo. Mesmo ferido, a
sua força era muito maior do que qualquer ser humano. Dada a sua condição
atual, Travis duvidou de sua capacidade de derrubar os dois, e que a
espingarda já estava preparada e engatilhada. Ainda assim, ele estava indo
tentar. De jeito nenhum ele ia se sentar lá e os deixando atirar nele. Eles
estavam se tornando cada vez mais agitados e Travis sabia que um ou outro
estava prestes a explodir. Ele tinha que fazer alguma coisa e rápido, eles
poderiam voltar por aquela porta e atirar nele ou começariam a atirar morro
abaixo.
Porque se havia alguma chance de que os tiros pudessem ser
direcionados de alguma forma para Camron... Ele nem queria pensar nisso. Ele
se preparou para agir, conseguindo ficar de joelhos e se preparando para saltar
no homem de roupa camuflada quando ele passasse pela porta. Com um
pouco de sorte, ele poderia facilmente colocá-lo para fora de combate antes
que ele pegasse a arma de volta.
Um grito acompanhado por um tiro repentino do lado de fora o
assustou quase tanto quanto fez com os homens na varanda. Ele vinha de
perto, e parecia com a voz de Hawke!
―Vocês aí na varanda! Larguem suas armas e coloquem as mãos
para cima! Quem fala é o xerife, e vocês estão cercados!
Como para provar o que ele disse, dispararam mais dois tiros, desta
vez vindo da parte de trás da cabana, um à esquerda e outro à direita. Era
como se eles realmente estivessem cercados, e pela primeira vez, Travis sentiu
um pouco de esperança.
Os dois homens se mexiam dando voltas na varanda, xingando e
gritando e o de roupa camuflada veio direto para ele, com a arma presa na
frente do corpo.
―Levante rapaz.
Ele empurrou Travis antes que ele pudesse reagir e o arrastou pela
porta da frente, o cano da espingarda estava grudado no lado de seu pescoço.
Tonto e ferido, Travis não tentou lutar contra ele, apenas tentando ganhar
tempo para ver o que Hawke tinha na manga. O homem de roupa camuflada
obviamente planejava usá-lo como moeda de troca, por isso ele se deixou ser
arrastado até a porta.
O homem manteve a arma firmemente encostada contra o seu
pescoço.
―Tenho aqui um de seus homens, xerife! Eu vou estourar a cabeça
dele se algum de vocês se aproximarem!
―Se você matá-lo, você é um homem morto! Deixem-no ir e vai ser
mais fácil para vocês!
―Você é um xerife! Você não pode atirar em nós a sangue frio.
―Você atira esse menino, e você pode apenas se foder me entendeu,
seu idiota! Deixem-no ir e joguem suas malditas no chão!
―Claro que não! Vamos pegar o nosso quadriciclo e sair daqui.
Vamos deixa-lo ileso no final da estrada.
O homem mais velho puxou nervosamente a jaqueta do homem de
roupa camuflada. ―Deixe-o ir, Earl. Nós estamos encurralados. Não há
nenhum sentido em deixar as coisas pior do que elas estão.
Travis falou surpreso com o quão fraca a sua voz soou. ―Ouça o seu
amigo, Earl. O xerife vai te matar se você não largar sua arma.
―Cala a boca! ― Earl atingiu Travis com um golpe sólido no lado
ferido de seu rosto, e a dor ocasionou uma explosão brilhante em sua cabeça.
Ele gritou impotente, e todo o inferno de repente desabou.
Algo pareceu voar, literalmente, do outro lado da varanda e lhe tirar
dos braços de Earl, enquanto um tiro explodiu de uma arma bem perto de seus
ouvidos e ele ficou surdo por causa do tiro por um minuto ou dois. Tudo em
torno dele parecia acontecer em câmera lenta, os movimentos silenciosos
enquanto ele foi empurrado com firmeza até seus joelhos e observou quando o
corpo de Earl foi arremessado do outro lado da cerca da varanda, juntamente
com outro corpo, que ele pensava ser Spencer, mergulhando depois. Alguém
estava debruçado sobre ele, então ele não viu mais nada, mas ele pode sentir
o cheiro da fragrância reconfortante do corpo de Camron, e ele relaxou
imediatamente, suas mãos subindo para agarrar a camisa de Camron e puxá-
lo mais perto. Finalmente ele foi capaz de relaxar, ele deixou o ruído abafado
da batalha passar por ele. A dor diminuiu um pouco quando ele sentiu o toque
dos lábios de Camron em sua bochecha, e seus braços eram fortes e
reconfortantes em torno dele.

Capítulo Nove

Travis se deitou sobre os travesseiros na cama de Camron e desejou


que todo mundo apenas fosse embora. O pequeno quarto estava cheio de
pessoas, e se não fosse por Camron sentado ao lado dele, segurando
firmemente a sua mão, ele teria pulado para fora da cama e ido embora,
deixando todos lutando entre si.
Nos últimos dez minutos, a mãe dele estava tentando convencer
Camron que Travis precisava voltar para casa com ela, apenas por alguns dias,
mas ele continuou calmamente balançando a cabeça. Ele ficou surpreso com a
forma como Camron estava levando calmamente sua insistência. Por uma
questão de fato ele tinha estado estranhamente quieto desde que chegaram a
sua casa. Ele pediu ao médico para examinar Travis, enquanto ele ficou ao lado
da cama segurando sua mão.
Travis perguntou se ele ainda estava incomodado com o que ele teve
que fazer mais cedo com aquele homem na trilha. Ele não soube sobre isso até
que Hawke e Spencer vieram a falar sobre isso. Camron não tinha falado sobre
isso e mudou de assunto quando Travis perguntou.
A mãe de Travis ainda estava falando de levá-lo para casa, enquanto
ele ouvia apenas não prestando atenção, quando seu pai de repente falou,
surpreendendo a todos na sala.
―Emma, isso já é o suficiente―, disse ele em voz baixa.
―Agora você já viu Travis, e ele está em boas mãos aqui com seu
companheiro. ― Ele tomou-a firmemente pelo braço e começou a levá-la pela
porta do quarto.
―Travis está bem e Camron tem tudo sob controle, então vamos
embora.
Ela gaguejou um pouco, mas deu uma boa olhada em seu rosto e
acenou com a cabeça.
―Camron, você cuide bem do meu bebê, e eu vou voltar...― Um
pequeno aperto em seu braço e ela fez uma careta enquanto terminava suas
palavras.
―Eu te ligo amanhã.
Ela deu a Travis um pequeno aceno e permitiu que seu marido a
levasse para fora do quarto, dando Hawke e Spencer um olhar que
avermelharam seus rostos e deveria ter descascado a tinta da parede atrás
deles, enquanto ela passava por eles até a porta. Hawke desviou o olhar, e
Spencer se encolheu enquanto Jace e Travis se entreolharam e riram alto.
―Meu grande e forte xerife― disse Jace.
―Ele enfrenta um homem armado com uma espingarda em qualquer
dia de trabalho, mas não pode sequer olhar para uma das fêmeas do clã
quando elas estão chateadas.
―Um homem com uma espingarda não é nem metade tão assustador
e ainda fala muito menos―, Spencer murmurou.
―De qualquer forma―, disse Hawke, atirando a Jace um olhar sujo
antes de olhar para Travis, ―nós viemos para ver como você estava e lhe dizer
o que descobrimos depois que vocês foram embora esta tarde.
―Ah, sim―, disse Camron. ―Tudo o que eu conseguia pensar era em
pegar Travis e descer a montanha para leva-lo no consultório do médico. Eu
meio que deixei você e Spencer para limpar a bagunça, não foi? ― Ele sorriu
para eles com tristeza e apertou sua mão no pulso de Travis.
Travis sorriu para ele.
―Eu disse que eu estava bem à bala só me arranhou. Eu perdi um
pouco de sangue, e isso foi tudo.
―Um pouco de sangue? Pensei que alguém tinha matando um porco
naquele quarto!
―Bem, ferimentos na cabeça sangram muito. Mas eu estava bem.
―Eu não culpo ele por estar assustado, Travis―, disse Spencer.
―Quando aquele cara te fez sair na varanda você estava branco como um
lençol e tinha sangue escorrendo pelo seu rosto. E quando aquele bastardo
bateu em você, eu não achei que alguém pudesse se mover mais rápido para
chegar até você do que eu podia, mas Camron me bateu por uma milha.
Camron corou um pouco e deu de ombros. ―Isso me deixou puto. Eu
não gostei de vê-lo dessa maneira.
―Você acha? ― Spencer riu. ―Eu lhe disse a você que o homem que
tinha atingido Travis já estava morto pela queda da varanda, e você ainda lhe
deu um soco na cara.
Camron encolheu os ombros e ficou envergonhado.
―Não foi o meu melhor momento.
Spencer sorriu. ―Eu não sei, mas, eu meio que gostei.
―Você é muito sanguinário―, disse Jace. ―O outro homem se
rendeu sem lutar, não foi, Hawke?
―Sim. Eles estavam plantando maconha por trás da casa, perto da
linha das árvores. Tiramos mais de sessenta plantas de lá de cima. Eles
também secavam e a preparavam metanfetamina para vender, também. Eles
estavam usando o método de assar e para isso eles usavam uma panela para
secar a droga no fogo. Essa é uma das razões pela qual eles estavam tão
paranoicos e loucos, juntamente com provavelmente, uma disposição natural
para ser assim.― Spencer bufou ao lado dele, e Hawke lhe deu um olhar de
desaprovação. ―Tudo foi entregue ao DEA7, incluindo o prisioneiro.
―O que eles estavam fazendo lá em cima, Hawke ―, perguntou
Travis. ―Quero dizer, eles eram invasores?
―Não, não exatamente. O homem que Camron matou na estrada, a
pessoa que atirou em você, Travis, era uma espécie de MacKay pelo
casamento. Um ser humano. Ele era um enteado do tio-avô de Camron. Ele se
afastou daqui anos atrás, mas quando ele voltou de Huntsville, ele estava
procurando um lugar para ficar. Entrou em contato com sua mãe, e ela deu-lhe
permissão para ficar na antiga cabana por alguns meses até que ele pudesse
se reerguer. É claro que ela não tinha a menor ideia que ele se envolveria no
cultivo e venda de maconha.
Camron assentiu.
―Era um bom lugar para isto, lá é muito isolado e remoto.
―De acordo com a pessoa que se entregou, eles foram
acompanhando a fumaça de sua cabana por alguns dias, mas eles estavam

7
Drug Enforcement Administration - Força Administrativa de Narcóticos.
mais abaixo e esperando que ninguém viesse perto deles. Eles estavam
paranoicos como o inferno, por causa da fabricação de droga, e quando Travis
apareceu no caminho deles, o MacKay entrou em pânico. Ele foi para a estrada
patrulhar os arredores quando você veio. O tiro da varanda foi apenas para
assustá-lo e mantê-lo afastado, mas MacKay deve ter entrado em pânico e
atirado em Travis sem pensar. Ele chamou os outros para ajuda-lo, e eles
desceram o morro e o levaram até a cabana, enquanto esperavam para o caso
de alguém aparecer.
―E é aí que eu cheguei―, disse Camron.
―Sim, infelizmente para ele―, disse Hawke. ―E você sabe o resto da
história. Expliquei aos agentes que vieram até aqui, que o homem morto na
estrada o atacou primeiro, e eles puderam ver a evidência com seus próprios
olhos. Seu rifle estava engatilhado, e eles puderam ver que você o matou em
legítima defesa. O outro morto caiu da varanda durante a luta. Ele quebrou o
pescoço.
―Eu não tive a intenção de derrubá-lo sobre a grade, mas depois que
sua arma disparou ao lado de Travis, algo se transformou em mim. Eu tive que
colocá-lo fora de ação, ou ele teria atirado à queima-roupa.
―Quem viver pela espada, morrerá por ela também―, disse Jace.
―Esses homens tentaram matar Camron e Travis. Eles teriam matado você
também Spencer.
―De qualquer forma―, disse Hawke, ―não haverá nenhum problema
com isso. Eles vão querer falar com você, entretanto, mas é apenas uma
formalidade. Todos os três tinham registros de crimes violentos, numa lista do
tamanho do meu braço.
Hawke se aproximou para colocar o braço em volta Jace.
―Vamos sair daqui e deixar vocês descansarem agora. Eu vou vir
pela manhã para obter suas declarações juramentadas.
Camron levantou-se para apertar sua mão.
―Obrigado por tudo, Hawke. Eu não sei o que teria acontecido se
vocês não tivessem aparecido.
―Eu ainda acho que você teria chutado as suas bundas―, disse
Spencer, batendo-lhe nas costas.
―Irmãozinho, você obteve um bom homem.
―Eu sei―, disse Travis baixinho, sorrindo para Camron, que ainda
não encontrou o seu olhar.
Todos eles foram embora, com a garantia de se encontrarem mais
tarde, deixando Travis finalmente sozinho com Camron. Camron voltou
imediatamente e se sentou ao lado de Travis novamente, segurando a sua
mão. Travis sorriu.
―Eu não vou a lugar nenhum, você sabe disso. Você não tem que se
manter grudado em mim.
―Maldição, pode ter certeza que você não vai a lugar nenhum. ―
Camron deu-lhe um olhar severo antes de trazer sua mão aos lábios para
beijar a parte de trás.
―Você me assustou como o inferno.
―Eu sinto muito.
―Não, eu sou o único que deve sentir muito. Quando eu vi o seu
boné na estrada e achei que você tinha sido baleado... e então aquele bastardo
o arrastado para fora na varanda. Você estava sangrando por todo o lugar e,
em seguida, ele bateu em você... Eu pensei que eu ia ficar louco antes que eu
estivesse com você. ― Sua voz se engasgou com as palavras, e ele apertou a
mão de Travis tão forte que doía.
―Eu nunca deveria ter dito o que eu disse. Eu não quis dizer aquilo,
você tem que acreditar em mim.
―Eu acredito. Nós dois dissemos muitas coisas desagradáveis.
Ele balançou a cabeça. ―Não, eu disse o pior. Olha, se você quer
trabalhar para o seu pai, então eu vou encontrar alguém para me ajudar.
Podemos resolver isso, gatinho. Mas, por favor, não saia assim de novo.
―Eu não vou. A partir de agora, vou ficar e lutar até o fim, mas há
apenas com uma condição.
―Qual é?
―Isso se nós começarmos a fazer, a mesma coisa que fizemos na
trilha no primeiro dia em que você me levou para a cabana.
―Eu acho que definitivamente isso pode ser arranjado. ― Ele tomou
Travis em seus braços, e não conversaram sobre mais nada, por um longo
tempo.

Fim

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