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Pós-graduação – Faculdade

LEGALE

DIREITO CONSTITUCIONAL
APLICADO

Prof. Ricardo A. Andreucci

Maracir Ataídes da Silva - 00197813500


Constitucionalismo - noção
 Ordenamento de uma sociedade
política mediante uma Constituição
escrita, cuja supremacia significa a
subordinação a suas disposições de
todos os atos emanados dos poderes
constituídos que formam o governo.

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Constitucionalismo
 O marco histórico do novo direito
constitucional, na Europa continental,
foi o constitucionalismo do pós-guerra,
especialmente na Alemanha e na
Itália.
No Brasil, foi a Constituição de 1988 e o
processo de redemocratização que ela
ajudou a protagonizar.

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Constitucionalismo -
características
 É um fenômeno antigo.
 Tem seu apogeu no liberalismo do
final do século XVIII, propagando o
movimento jurídico, social, político e
ideológico, em que se almejava
assegurar direitos e garantias
fundamentais, bem como a separação
dos poderes em oposição ao
absolutista reinante no Antigo Regime.

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Constitucionalismo medieval
 Na Idade Média, o direito
constitucional ocupa-se em delimitar o
poder estatal, em virtude,
originariamente, da difusão de idéias
jusnaturalistas.
Tal período foi de grande relevância
para a consagração de liberdades
públicas e direitos e garantias
fundamentais, mormente quando,
em1215, a Inglaterra elabora sua
Magna Charta Libertatum.
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Constitucionalismo
 A Carta Magna, outorgada por João
Sem Terra, é tida como o primeiro
instrumento solene que previu direitos
incorporados até os dias atuais às
constituições de todo o mundo, tais
como: direito de petição, instituição do
Tribunal do Júri, direito ao devido
processo legal, habeas corpus, direito
ao acesso à Justiça, liberdade de
religião, dentre outros.

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Constitucionalismo
 O constitucionalismo moderno ganha
vulto no fim do século XVIII, com o
advento das constituições – agora
escritas e rígidas – dos Estados Unidos
da América em 1787 e da França em
1791.
 Tais documentos assinalam,
derradeiramente, a separação de
poderes.
 Nesta fase, começa a surgir o
movimento pós-positivista, pautado,
principalmente, nos princípios jurídicos,
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Pós-positivismo
 O marco filosófico do novo direito
constitucional é o pós-positivismo.
 O debate acerca de sua
caracterização situa-se na confluência
das duas grandes correntes de
pensamento que oferecem
paradigmas opostos para o Direito: o
jusnaturalismo e o positivismo.

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Pós-positivismo
Jusnaturalismo pode ser definido como
o Direito Natural, ou seja, todos os
princípios, normas e direitos que se
têm como idéia universal e imutável
de justiça e independente da vontade
humana.
Já o positivismo, no Direito, pugnava a
necessidade de codificação, de se
estabelecer regras pré-definidas, para
uma maior segurança da sociedade.
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Pós-positivismo
O pós-positivismo busca ir além da
legalidade estrita, mas não despreza
o direito posto; procura empreender
uma leitura moral do Direito, mas sem
recorrer a categorias metafísicas.
A interpretação e aplicação do
ordenamento jurídico hão de ser
inspiradas por uma teoria de justiça,
mas não podem comportar
voluntarismos ou personalismos,
sobretudo os judiciais.
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Direito e Moral

O pós-positivismo é uma opção teórica


que considera que o direito depende
da moral, tanto no momento de
reconhecimento de sua validade como
no momento de sua aplicação.

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Direito e Moral
Nessa visão, os princípios
constitucionais, tais como a dignidade
humana, o bem-estar de todos ou a
igualdade, influenciariam a aplicação
das leis e demais normas concretas.

Maracir Ataídes da Silva - 00197813500


Direito e Moral
 Essa visão do direito é inspirada em
obras de filósofos do direito como
Robert Alexy e Ronald Dworkin.
 Alguns preferem denominar essa
visão de direito "moralismo" ou
neoconstitucionalismo.

Maracir Ataídes da Silva - 00197813500


Obras de Alexy e Dworkin
 “O Império do Direito”
Ronald Dworkin
Editora Martins Fontes

 “Teoria dos Direitos Fundamentais”


Robert Alexy
Editora Malheiros.

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Neoconstitucionalismo
 Surge como o conjunto de mudanças
que incluem a força normativa da
Constituição, a expansão da jurisdição
constitucional e o desenvolvimento de
uma nova dogmática da interpretação
constitucional.
 Desse conjunto de fenômenos
resultou um processo extenso e
profundo de constitucionalização do
Direito.
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Neoconstitucionalismo
 Em outras palavras, o
neoconstitucionalismo seria uma
gama de fenômenos no âmbito do
Direito Constitucional, que, em
conjunto, acabaram por gerar uma
constitucionalização do Direito como
um todo.

Maracir Ataídes da Silva - 00197813500


Neoconstitucionalismo
 No neoconstitucionalismo, há uma
hierarquia entre normas não apenas
formais, mas axiológicas, que
objetivam, mormente, a concretização
dos direitos fundamentais.
 Buscam-se os verdadeiros valores
que definem o direito justo.

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Críticas ao
neoconstitucionalismo
O ativismo judicial nocivo e violador da
tripartição dos poderes.

Ativismo judicial que fere o ideal de


Estado Democrático e abre precedentes
para condutas arbitrárias e ilegais.

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Críticas
 A criação de um estado jurisdicional,
em que o Poder Judiciário limitaria o
poder do povo em se autogovernar;

A possibilidade de deturpação de um
sistema jurídico pautado por conceitos
abertos e indeterminados.

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Insegurança jurídica no Brasil
 “A insegurança jurídica entrou no radar dos investidores
- principalmente estrangeiros - como ponto de atenção
para iniciar ou ampliar negócios no Brasil. O país
acumula 5,9 milhões de normas editadas nas três
esferas de governo (União, Estados e municípios)
desde a Constituição de 1988. No ranking do Fórum
Econômico Mundial, ocupa somente o 120º lugar em
eficiência do aparato legal para a resolução de
disputas. Para uma economia que deveria aplicar R$
285 bilhões ao ano em infraestrutura para reduzir
gargalos no desenvolvimento e hoje investe menos de
metade disso, combater fatores de incerteza nos
marcos regulatórios e na evolução dos contratos é
fundamental, mas nem sempre o que realmente se
verifica na prática.”

 Este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/01/04/inseguranca-juridica-ainda-
assusta-donos-do-dinheiro.ghtml ou as ferramentas oferecidas na página.
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Insegurança jurídica no Brasil
 “Vivemos diariamente em um trem-
fantasma. A cada esquina é um susto,
em que decisões absolutamente
monocráticas são tomadas ao arrepio da
boa norma e dos procedimentos
jurídicos”, diz o presidente da
Associação Brasileira da Infraestrutura e
Indústrias de Base (Abdib), Venilton
Tadini.

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juridica-ainda-assusta-donos-do-dinheiro.ghtml
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Portal da Jovem Pan
 Brasil cai para a 67ª posição no
ranking mundial de segurança
jurídica
 É muito difícil empreender em um país
onde há incertezas sobre a aplicação
de leis e de normas sobre tributação,
relações de trabalho e regulação
 Por Samy Dana - 19/02/2021 - 15h22

Maracir Ataídes da Silva - 00197813500


Portal da Jovem Pan
 “No Brasil, segundo uma frase famosa do ex-
ministro da Fazenda Pedro Malan, não só o
futuro é imprevisível, mas também o
passado. Não poderia resumir melhor um
problema crônico do país: a insegurança
jurídica. Na economia, prejudica – e muito.
Fazer negócios por aqui envolve um cenário
onde as incertezas sobre a aplicação
de leis e de normas sobre tributação,
relações de trabalho e regulação podem vir
não só de uma interpretação para o futuro
como, aponta Malan, até do passado,
gerando muitas vezes custos inesperados.
Lógico que é muito mais
difícil empreender nessas condições.”
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Portal da Jovem Pan
 “Pior ainda quando a insegurança jurídica
envolve leis criminais, a vida das pessoas ou
sua integridade física. Em muitos casos,
inexiste a garantia de que quem comete um
crime vai ser punido – isso quando é preso.
São dois exemplos de insegurança jurídica,
que também pode ser traduzida como a
regra da lei. É a meta de quase todos que
vivem em sociedade, seja o governo,
cidadãos, empresas ou organizações. A lei
deve ser clara, cumprida, sem ninguém
acima dela, e, quando necessário,
aperfeiçoada para que funcione melhor.”
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Portal da Jovem Pan
 “Mas, nestes quesitos, o país não anda
muito bem. Entre 128 nações, o Brasil
ocupa uma posição intermediária no
Índice da Regra da Lei, um ranking
criado pelo World Justice Project,
organização que tenta avançar a
segurança jurídica no mundo. Divulgado
em julho de 2020, o ranking registra uma
forte queda do Brasil, que passou
despercebida por aqui em meio à
pandemia, mas devia preocupar
autoridades e a sociedade. Em 2019, o
país ocupava a 58ª posição. Caiu para a
67ª no ano passado.”
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Legítima defesa da honra
 Medida cautelar concedida pelo Ministro Dias
Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, nos autos
da Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (ADPF) 779/DF, ajuizada pelo
Partido Democrático Trabalhista (PDT) com o
objetivo de que fosse dada interpretação
conforme à Constituição aos arts. 23, inciso II, e
25, “caput” e parágrafo único, do Código Penal,
e ao art. 65 do Código de Processo Penal, a fim
de se afastar a tese jurídica da legítima
defesa da honra e se fixar entendimento
acerca da soberania dos veredictos,
pleiteando, ainda, que fosse dada interpretação
conforme à Constituição ao art. 483, III, § 2º, do
Código de Processo Penal.”

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Legítima Defesa da honra
 O ilustre Ministro Dias Toffoli, entretanto, nos autos da ADPF
779/DF, concedeu parcialmente a medida cautelar para:
 1) firmar o entendimento de que a tese da legítima defesa da
honra é inconstitucional, por contrariar os princípios
constitucionais da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III,
da CF), da proteção à vida e da igualdade de gênero (art. 5º,
caput, da CF);
 2) conferir interpretação conforme à Constituição aos arts.
23, inciso II, e 25, “caput” e parágrafo único, do Código Penal
e ao art. 65 do Código de Processo Penal, de modo a excluir
a legítima defesa da honra do âmbito do instituto da legítima
defesa e, por consequência,
 3) obstar à defesa que sustente, direta ou indiretamente, a
legítima defesa da honra (ou qualquer argumento que induza
à tese) nas fases pré-processual ou processual penais, bem
como no julgamento perante o Tribunal do Júri, sob pena de
nulidade do ato e do julgamento.

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Minha posição
 Ora, as questões que se colocam em face do
que foi decidido são basicamente as
seguintes: haveria plausibilidade em uma
decisão originária de uma Corte
constitucional que coloca obstáculos ao
sagrado direito de defesa do acusado, ao
arrepio do devido processo legal (ampla
defesa e contraditório) e do princípio da
plenitude de defesa também assegurado
constitucionalmente? Não estaria a decisão
monocrática extrapolando os limites
decisórios da Corte, impedindo o livre
exercício de uma garantia constitucional?
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Minha posição
 Princípios e garantias constitucionais
fundamentais podem ser moduladas
restritivamente por meio de uma penada
monocrática de um dos ministros do Tribunal ou
ainda pela maioria ou totalidade de seus
integrantes? Não estaria sendo aberto um
precedente perigosíssimo, em cuja senda
caminharia o embrião do totalitarismo judicial e
da supressão de liberdades e garantias
fundamentais, a pretexto de ser conferida
“interpretação conforme à Constituição”, muitas
vezes baseada em convicções pessoais,
políticas e ideológicas, e em pressão de grupos
organizados que, no mais das vezes, estão
dissociados do interesse sociais?

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Meu artigo – Empório do Direito
 https://emporiododireito.com.br/leitura/
legitima-defesa-da-honra-plenitude-
de-defesa-e-soberania-dos-
veredictos#.YFn-Z4fDODE.link

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DIREITO DE RESPOSTA E
A LEI Nº 13.188/15

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Liberdade de expressão
 Não há liberdade de expressão sem
direito de resposta. Os institutos se
complementam, constituindo um dos
corolários do estado democrático de
Direito.
 O direito de resposta é assegurado
pelo art. 5º, V, da Constituição
Federal, proporcional ao agravo, além
da indenização por dano material,
moral ou à imagem.

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Origem do direito de resposta
 O direito de resposta é instituto antigo, já
conhecido entre gregos e romanos, tendo
sido positivado pela primeira vez na França,
por meio da Lei de 25 de março de 1822, em
uma emenda ao artigo 11, de iniciativa do
então deputado Jacques Mestadier.
 Jacques Mestadier, nascido em 04.04.1771,
em La Souterraine, França, foi advogado em
Limoges, Conselheiro do Tribunal de
Cassação (1826) e deputado de Creuse
(1817-1831), além de membro do Conselho
Geral (1822-1847), tendo falecido em Paris
no dia 04.04.1856.
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Origem do direito de resposta
 Pela emenda de Mestadier, os jornais
deveriam publicar a resposta dentro
de 03 (três) dias, de forma gratuita e
com dimensão de até duas vezes a da
notícia original que veiculou o agravo.
 No Brasil, o direito de resposta surgiu
cem anos depois, com a edição da Lei
nº 4.743/23. Sua previsão
constitucional, entretanto, somente
ocorreu em 1934.
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Lei de Imprensa
 Na antiga Lei de Imprensa (Lei nº
5.250/67), o direito de resposta vinha
disposto nos arts. 29 e seguintes. Assim
estabelecia o art. 29, “caput”:
 “Art. 29. Toda pessoa natural ou jurídica,
órgão ou entidade pública, que for
acusado ou ofendido em publicação feita
em jornal ou periódico, ou em
transmissão de radiodifusão, ou a cujo
respeito os meios de informação e
divulgação veicularem fato inverídico ou,
errôneo, tem direito a resposta ou
retificação.”
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Lei de Imprensa e ADPF 130
 Ocorre que a Lei de Imprensa, em 2009,
foi julgada pelo Supremo Tribunal
Federal incompatível com a Constituição
Federal, nos autos da Arguição de
Descumprimento de Preceito
Fundamental nº 130.
 Desde então nenhuma outra norma, a
não ser a disposição genérica do art. 5º,
V, da Constituição Federal, tratava do
direito de resposta, inexistindo lei que
disciplinasse o seu exercício.
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Lei n. 13.188/2015
 Somente em 11 de novembro de 2015
é que foi sancionada a Lei nº 13.188,
a qual disciplina o exercício do direito
de resposta ou retificação do ofendido
em matéria divulgada, publicada ou
transmitida por veículo de
comunicação social.

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Direito de resposta
 De acordo com esta lei, ao ofendido,
em matéria divulgada, publicada ou
transmitida por veículo de
comunicação social, é assegurado o
direito de resposta ou retificação,
gratuito e proporcional ao agravo.

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Matéria
 Considera-se matéria qualquer
reportagem, nota ou notícia divulgada
por veículo de comunicação social,
independentemente do meio ou da
plataforma de distribuição, publicação ou
transmissão que utilize, cujo conteúdo
atente, ainda que por equívoco de
informação, contra a honra, a intimidade,
a reputação, o conceito, o nome, a
marca ou a imagem de pessoa física ou
jurídica identificada ou passível de
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Prazo decadencial
 O direito de resposta ou retificação deve
ser exercido no prazo decadencial de 60
(sessenta) dias, contado da data de
cada divulgação, publicação ou
transmissão da matéria ofensiva,
mediante correspondência com aviso de
recebimento encaminhada diretamente
ao veículo de comunicação social ou,
inexistindo pessoa jurídica constituída, a
quem por ele responda,
independentemente de quem seja o
responsável intelectual pelo agravo.
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Exercício do direito de
resposta
 Poderá esse direito ser exercido, de
forma individualizada, em face de todos
os veículos de comunicação social que
tenham divulgado, publicado,
republicado, transmitido ou retransmitido
o agravo original.
 No caso de divulgação, publicação ou
transmissão continuada e ininterrupta da
mesma matéria ofensiva, o prazo será
contado da data em que se iniciou o
agravo.
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Ação judicial
 Caso o veículo de comunicação social ou
quem por ele responda não divulgue,
publique ou transmita a resposta ou
retificação no prazo de 7 (sete) dias, contado
do recebimento do respectivo pedido, restará
caracterizado o interesse jurídico para a
propositura de ação judicial.
 Essa ação judicial tem rito especial e deve
ser instruída com as provas do agravo e do
pedido de resposta ou retificação não
atendido, bem como com o texto da resposta
ou retificação a ser divulgado, publicado ou
transmitido, sob pena de inépcia da inicial

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Ação judicial
 A ação deve ser processada no prazo
máximo de 30 (trinta) dias, sendo
vedadas a cumulação de pedidos, a
reconvenção, o litisconsórcio, a
assistência e a intervenção de terceiros.
 A ação se processará inclusive durante
as férias forenses, não se suspendendo
pela superveniência delas.
 O foro competente para a ação é o do
juízo do domicílio do ofendido ou, se
este assim o preferir, aquele do lugar
onde o agravo tenha apresentado maior
repercussão.
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Procedimento
 Tão logo receba o pedido de resposta
ou retificação, o juiz deverá, em 24
(vinte e quatro) horas, mandar citar o
responsável pelo veículo de
comunicação social para que, em
igual prazo, apresente as razões
pelas quais não o divulgou, publicou
ou transmitiu; ou, no prazo de 3 (três)
dias, ofereça contestação.

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Procedimento
 Nas 24 (vinte e quatro) horas seguintes
à citação, tenha ou não se manifestado
o responsável pelo veículo de
comunicação, o juiz deverá conhecer do
pedido e, havendo prova capaz de
convencer sobre a verossimilhança da
alegação ou justificado receio de
ineficácia do provimento final, fixará
desde logo as condições e a data para a
veiculação, em prazo não superior a 10
(dez) dias, da resposta ou retificação.
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Prazo para sentença
 Outrossim, o juiz deverá prolatar a
sentença no prazo máximo de 30
(trinta) dias, contado do ajuizamento
da ação, salvo na hipótese de
conversão do pedido em reparação
por perdas e danos.

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Indenização
 Vale lembrar, por fim, que os pedidos de
reparação ou indenização por danos morais,
materiais ou à imagem deverão ser
deduzidos em ação própria, salvo se o autor,
desistindo expressamente da tutela
específica de que trata a lei, os requerer,
caso em que o processo seguirá pelo rito
ordinário.
 Inclusive, o ajuizamento de ação cível ou
penal contra o veículo de comunicação ou
seu responsável com fundamento na
divulgação, publicação ou transmissão
ofensiva não prejudica o exercício
administrativo ou judicial do direito de
resposta ou retificação previsto na citada lei.
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O DIREITO DE RESPOSTA NÃO
OFENDE AS LIBERDADES DE
IMPRENSA E DE EXPRESSÃO

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 O instituto do direito de resposta voltou à
baila, recentemente, no julgamento, pelo
Supremo Tribunal Federal, de três Ações
Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 5415,
5418 e 5436) que questionavam dispositivos
da Lei nº 13.188/15, que disciplina a matéria.
 As ADIs 5415, 5418 e 5436 foram ajuizadas,
respectivamente, pelo Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil, pela
Associação Brasileira de Imprensa e pela
Associação Nacional dos Jornais,
questionando, basicamente, se a retratação
exime o veículo de comunicação de
assegurar o direito de resposta e afasta o
dever de indenização por dano moral.
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ADIs 5415, 5418 e 5436
 Por maioria de votos, o Plenário do
Supremo Tribunal Federal, embora
julgando parcialmente procedentes as
referidas ADIs, decidiu que o direito
de resposta ou retificação do ofendido
em matéria divulgada, publicada ou
transmitida por veículo de
comunicação social não ofende a
liberdade de expressão e de
imprensa.
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
ADIs 5415, 5418 e 5436
 O Ministro Dias Toffoli já havia, em
10.03.2021, apresentado seu voto no
sentido de que a regulação do direito
de resposta constitui uma ferramenta
capaz de inverter ou compensar a
relação de forças e garantir a
paridade de armas entre os cidadãos
e os veículos de comunicação social.

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 Ainda segundo o voto do Ministro, o
direito de resposta possibilita que a
liberdade de expressão seja exercida em
sua plenitude, pois é acionado apenas
após a livre e irrestrita manifestação do
pensamento, ressaltando, ainda, sua
característica complementar à liberdade
de informar e de manter-se informado,
ao permitir a inserção, no debate
público, de mais de uma perspectiva de
uma controvérsia.
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ADIs 5415, 5418 e 5436
 Ainda em seu voto, Dias Toffoli
asseverou que, após a retratação ou a
retificação espontânea pelo veículo de
comunicação social, o ofendido ainda
pode exercer o direito de resposta,
que não se confunde com a
retratação, ficando, ainda, assegurada
a possibilidade de obter a reparação
pelo dano moral sofrido.

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 Com relação à proporcionalidade, o
Ministro Dias Toffoli destacou que a
resposta deve ter o mesmo destaque,
publicidade, periodicidade e dimensão
ou duração da matéria que a ensejou,
considerando constitucional o
disposto no art. 4º da lei.

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 “Art. 4º A resposta ou retificação
atenderá, quanto à forma e à duração,
ao seguinte:
 I - praticado o agravo em mídia escrita
ou na internet, terá a resposta ou
retificação o destaque, a publicidade,
a periodicidade e a dimensão da
matéria que a ensejou;

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 II - praticado o agravo em mídia
televisiva, terá a resposta ou
retificação o destaque, a publicidade,
a periodicidade e a duração da
matéria que a ensejou;
 III - praticado o agravo em mídia
radiofônica, terá a resposta ou
retificação o destaque, a publicidade,
a periodicidade e a duração da
matéria que a ensejou.
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ADIs 5415, 5418 e 5436
 § 1º Se o agravo tiver sido divulgado,
publicado, republicado, transmitido ou
retransmitido em mídia escrita ou em
cadeia de rádio ou televisão para mais
de um Município ou Estado, será
conferido proporcional alcance à
divulgação da resposta ou retificação.

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 § 2º O ofendido poderá requerer que
a resposta ou retificação seja
divulgada, publicada ou transmitida
nos mesmos espaço, dia da semana e
horário do agravo.

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 § 3º A resposta ou retificação cuja
divulgação, publicação ou
transmissão não obedeça ao disposto
nesta Lei é considerada inexistente.
 § 4º Na delimitação do agravo, deverá
ser considerado o contexto da
informação ou matéria que gerou a
ofensa.

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 O Ministro Nunes Marques afirmou
que o direito de resposta, para que
surta efeito, deve observar os
princípios da equivalência e da
imediatidade, uma vez que, em caso
contrário, a retificação não seria
capaz de restaurar plenamente a
honra da pessoa ofendida.

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ADIs 5415, 5418 e 5436
 Nunes Marques também entendeu
que a previsão de que a retratação
espontânea não afasta a reparação
do dano causado é constitucional,
considerando que essa retratação
pode não ter o mesmo ímpeto da
matéria ofensiva ou não resgatar
plenamente a verdade.
 No mesmo sentido foram os votos dos
demais Ministros da Corte.
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Calúnia
 Art. 138 - Caluniar alguém,
imputando-lhe falsamente fato
definido como crime:
 Pena - detenção, de seis meses a
dois anos, e multa.

 § 1º - Na mesma pena incorre quem,


sabendo falsa a imputação, a propala
ou divulga.
 § 2º - É punível a calúnia contra os
mortos.
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Exceção da verdade
 § 3º - Admite-se a prova da verdade,
salvo:

 I - se, constituindo o fato imputado crime


de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível;
 II - se o fato é imputado a qualquer das
pessoas indicadas no nº I do art. 141;
 III - se do crime imputado, embora de
ação pública, o ofendido foi absolvido
por sentença irrecorrível.
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Difamação
 Art. 139 - Difamar alguém, imputando-
lhe fato ofensivo à sua reputação:
 Pena - detenção, de três meses a um
ano, e multa.

Exceção da verdade
 Parágrafo único - A exceção da verdade
somente se admite se o ofendido é
funcionário público e a ofensa é relativa
ao exercício de suas funções.

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Injúria
 Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-
lhe a dignidade ou o decoro:

 Pena - detenção, de um a seis meses,


ou multa.

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Perdão judicial
 § 1º - O juiz pode deixar de aplicar a
pena:
 I - quando o ofendido, de forma
reprovável, provocou diretamente a
injúria;
 II - no caso de retorsão imediata, que
consista em outra injúria.

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Injúria real
 § 2º - Se a injúria consiste em
violência ou vias de fato, que, por sua
natureza ou pelo meio empregado, se
considerem aviltantes:

 Pena - detenção, de três meses a um


ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.

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Injúria por preconceito
 § 3º Se a injúria consiste na utilização
de elementos referentes a raça, cor,
etnia, religião, origem ou a condição
de pessoa idosa ou portadora de
deficiência:
 Pena - reclusão de um a três anos e
multa.

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Causas de aumento de pena
 Art. 141 - As penas cominadas neste
Capítulo aumentam-se de um terço,
se qualquer dos crimes é cometido:
 I - contra o Presidente da República,
ou contra chefe de governo
estrangeiro;
 II - contra funcionário público, em
razão de suas funções;

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Causas de aumento de pena
 III - na presença de várias pessoas,
ou por meio que facilite a divulgação
da calúnia, da difamação ou da injúria.
 IV – contra pessoa maior de 60
(sessenta) anos ou portadora de
deficiência, exceto no caso de injúria.
 § 1º - Se o crime é cometido mediante
paga ou promessa de recompensa,
aplica-se a pena em dobro.
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Exclusão do crime
 Art. 142 - Não constituem injúria ou
difamação punível:
 I - a ofensa irrogada em juízo, na
discussão da causa, pela parte ou por
seu procurador;
 II - a opinião desfavorável da crítica
literária, artística ou científica, salvo
quando inequívoca a intenção de
injuriar ou difamar;
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Exclusão do crime
 III - o conceito desfavorável emitido
por funcionário público, em
apreciação ou informação que preste
no cumprimento de dever do ofício.

 Parágrafo único - Nos casos dos ns. I


e III, responde pela injúria ou pela
difamação quem lhe dá publicidade.

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Retratação
 Art. 143 - O querelado que, antes da
sentença, se retrata cabalmente da
calúnia ou da difamação, fica isento
de pena.

 Parágrafo único. Nos casos em que


o querelado tenha praticado a calúnia
ou a difamação utilizando-se de meios
de comunicação, a retratação dar-se-
á, se assim desejar o ofendido, pelos
mesmos meios em que se praticou a
ofensa.Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Pedido de explicações
 Art. 144 - Se, de referências, alusões
ou frases, se infere calúnia, difamação
ou injúria, quem se julga ofendido
pode pedir explicações em juízo.
Aquele que se recusa a dá-las ou, a
critério do juiz, não as dá satisfatórias,
responde pela ofensa.

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Ação Penal
 Art. 145 - Nos crimes previstos neste
Capítulo somente se procede mediante
queixa, salvo quando, no caso do art.
140, § 2º, da violência resulta lesão
corporal.

 Parágrafo único. Procede-se mediante


requisição do Ministro da Justiça, no
caso do inciso I do caput do art. 141
deste Código, e mediante representação
do ofendido, no caso do inciso II do
mesmo artigo, bem como no caso do §
3o do art. 140 deste Código.
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O NOVO CRIME DE PERSEGUIÇÃO
(“STALKING”)
Art. 147-A do CP

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Crime de perseguição – Lei
14.132/21
 Art. 147-A. Perseguir alguém,
reiteradamente e por qualquer meio,
ameaçando-lhe a integridade física ou
psicológica, restringindo-lhe a
capacidade de locomoção ou, de
qualquer forma, invadindo ou
perturbando sua esfera de liberdade
ou privacidade.

 Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a


2 (dois) anos, e multa.
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Causas de aumento de pena
 § 1º A pena é aumentada de metade
se o crime é cometido:

 I – contra criança, adolescente ou idoso;


 II – contra mulher por razões da condição
de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do
art. 121 deste Código;
 III – mediante concurso de 2 (duas) ou
mais pessoas ou com o emprego de arma.

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Cúmulo material e ação penal
 § 2º As penas deste artigo são
aplicáveis sem prejuízo das
correspondentes à violência.

 § 3º Somente se procede mediante


representação.

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Objetividade jurídica
 O crime de perseguição vem previsto
no art. 147-A do Código Penal,
consistindo em novidade instituída
pela Lei n. 14.132/21.
 O crime tem como objetividade
jurídica a tutela da liberdade
individual, assim como a proteção à
integridade física ou psicológica da
pessoa.

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Novidade no Brasil
 O crime de perseguição, embora
recente no Brasil, já era incorporado e
tipificado por diversas legislações
estrangeiras, sendo conhecido pelo
nome de “stalking”, termo derivado do
verbo inglês “to stalk”, que significa
perseguir, vigiar.

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Sujeito ativo
 Sujeito ativo do crime pode ser
qualquer pessoa.
 Muito embora a grande maioria dos
casos envolva um homem como
sujeito ativo, nada impede que uma
mulher seja a perseguidora.
 Inclusive, é perfeitamente possível a
coautoria ou a participação de
terceiros, que serão responsabilizados
penalmente pelo mesmo crime (art. 29
do CP).
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Sujeito ativo
 O §1º, III, prevê a prática da
perseguição mediante o concurso de
2 (duas) ou mais pessoas,
configurando causa de aumento de
pena de metade.
 Nesse caso, estamos diante da
chamada “gangstalking”, ou
perseguição organizada, que envolve
mais de um perseguidor contra um
indivíduo apenas.
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Sujeito passivo
 Sujeito passivo também pode ser qualquer
pessoa.
 Caso o sujeito passivo seja criança,
adolescente ou idoso, estará presente a
causa de aumento de pena de metade
prevista no §1º, I.
 O mesmo ocorre se a perseguição for
praticada contra mulher por razões da
condição de sexo feminino.
 Considera-se que há razões de condição de
sexo feminino, nos termos do §2-A do art.
121, do Código Penal, quando o crime
envolve violência doméstica e familiar ou
menosprezo ou discriminação à condição de
mulher. Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Conduta
 A conduta típica vem expressa pelo
verbo perseguir, que significa seguir, ir
ao encalço.
 Evidentemente que a conotação dada ao
núcleo do tipo, caracterizado pelo verbo
perseguir, não se restringe à
perseguição física, significando também
vigiar, incomodar, importunar,
atormentar, acossar etc.
 Pode ocorrer por meio físico ou virtual
(pela internet, redes sociais etc),
presencialmente ou não, por telefone,
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Crime habitual
 Para a configuração do crime, é
necessário que a conduta seja
praticada reiteradamente, ou seja, por
diversas vezes, repetidas vezes,
continuamente.
 Trata-se, portanto de crime habitual,
que requer a habitualidade, a
reiteração para sua tipificação.

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Revogação do art. 65 da LCP
 Vale ressaltar que a prática da
conduta uma só vez não caracteriza o
crime em comento.
 Anteriormente à vigência da Lei n.
14.132/21, a prática de um único ato
de perseguição poderia ser tipificada
como a contravenção penal prevista
no art. 65 do Decreto-lei n. 3.688/41 –
Lei das Contravenções Penais.

Maracir Ataídes da Silva - 00197813500


Revogação do art. 65 da LCP
 Perturbação da tranquilidade

 Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-


lhe a tranquilidade, por acinte ou por
motivo reprovável:
 Pena - prisão simples, de quinze dias
a dois meses, ou multa.

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Revogação do art. 65 da LCP
 Entretanto, tendo o referido art. 65
sido revogado expressamente pela
Lei n. 14.132/21, ocorreu verdadeira
“abolitio criminis”, sendo atípica a
conduta de perseguir a vítima apenas
uma única vez.

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Perseguição reiterada
 Com relação à perseguição reiterada,
ante a revogação expressa do art. 65 da
Lei das Contravenções Penais, houve
continuidade normativo típica,
permanecendo a conduta típica, prevista
no art. 147-A do Código Penal.
 Evidentemente que o art. 147-A, por
constituir norma penal mais severa,
somente pode ser aplicado aos fatos
cometidos após a vigência da Lei n.
14.132/21.
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Caracterização do crime
 Para a caracterização do crime, a
perseguição deve se manifestar de
três formas:
 a) Mediante ameaça à integridade
física ou psicológica da vítima: neste
caso, a ameaça se traduz no
prenúncio de mal injusto e grave,
envolvendo a integridade física ou a
integridade psicológica da vítima,
causando-lhe ansiedade, temor ou
degradação de seu estado emocional.
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Violência psicológica
 Embora a perseguição não se restrinja aos
casos de violência doméstica e familiar contra a
mulher, o art. 7º, II, da Lei n. 11.340/06 – Lei
Maria da Penha, bem retrata o que se entende
por violência psicológica, entendida como
qualquer conduta que cause dano emocional e
diminuição da autoestima ou que prejudique e
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise
degradar ou controlar as ações,
comportamentos, crenças e decisões, mediante
ameaça, constrangimento, humilhação,
manipulação, isolamento, vigilância constante,
perseguição contumaz, insulto, chantagem,
violação de intimidade, ridicularização,
exploração e limitação do direito de ir e vir ou
qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde
psicológica e à autodeterminação.
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Caracterização do crime
 b) Restrição à capacidade de
locomoção: neste caso, a restrição não é
apenas o cerceamento físico à
capacidade de locomoção (como ocorre
no sequestro ou cárcere privado), mas
também a restrição à locomoção da
vítima em razão de temor, de medo, que
faz com que ela, por exemplo, não saia
de casa por receio de sofrer a
importunação, ou não frequente locais
públicos por medo de ser perseguida,
observada ou molestada pelo sujeito
ativo. Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
Caracterização do crime
 c) Invasão ou perturbação da esfera de
liberdade ou privacidade, de qualquer forma:
nesta modalidade de crime, a forma de
prática da conduta é livre, já que o tipo penal
emprega a expressão de qualquer forma.
 Ou seja, a invasão ou perturbação da
liberdade (de ir e vir, de expressão etc) ou da
privacidade da vítima pode ocorrer de
qualquer modo que lhe cause
constrangimento, incômodo, detrimento,
dano moral ou material, tolhendo-lhe o direito
de desempenhar costumeiramente suas
atividades normais.
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Cyberstalking
 Merece destaque a ocorrência de
tipificação do crime analisado por
meio do chamado “cyberstalking”,
praticado no âmbito virtual, que pode
se dar pela internet, por e-mails, pelas
redes sociais ou por qualquer outra
forma.

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Elemento subjetivo
 Trata-se de crime doloso, não sendo
admitida a modalidade culposa.
 O tipo penal também não exige
nenhum elemento subjetivo
específico, ou seja, nenhuma
motivação especial por parte do
agente.

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Consumação
 A consumação ocorre com a prática
reiterada da perseguição, caracterizando
crime habitual.
 No caso de ameaça à integridade física
ou psicológica da vítima, a consumação
se dá independentemente de qualquer
resultado naturalístico, caracterizando
crime formal.
 Já na restrição à capacidade de
locomoção e na invasão ou perturbação
da esfera de liberdade ou privacidade da
vítima, há necessidade de resultado
naturalístico para a consumação,
tratando-se de crime material.
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Tentativa

 Não se admite a tentativa, já que se


trata de crime habitual.

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Ação penal
 A ação penal é pública condicionada a
representação, nos termos do §3º.
 Portanto, a vítima terá o prazo de 6
(seis) meses, contado da data do
conhecimento da autoria do fato, para
oferecer a representação (condição
de procedibilidade) contra o sujeito
ativo.

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Aplicação da Lei 9.099/95
 Por se tratar de infração penal de menor
potencial ofensivo, é cabível a transação
(art. 76 da Lei n. 9.00/95) e a suspensão
condicional do processo (art. 89 da Lei
n. 9.099/95), exceção feita aos casos
que envolvam violência doméstica e
familiar contra a mulher (art. 41 da Lei n.
11.340/06).
 Ocorrendo qualquer das hipóteses dos
§§1º e 2º, não será possível a transação,
uma vez que o máximo da pena privativa
de liberdade cominada ultrapassará o
limite de 2 (dois) anos.
Maracir Ataídes da Silva - 00197813500
ANPP
 Não sendo cabível a transação, não
tendo o crime sido praticado com
violência ou grave ameaça e não
tendo o crime sido praticado no
âmbito de violência doméstica ou
familiar ou praticado contra a mulher
por razões da condição de sexo
feminino, o Ministério Público poderá
propor ao investigado o acordo de não
persecução penal, nos termos do art.
28-A do Código de Processo Penal
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Coordenação
 Professor Ricardo A. Andreucci

Instagram:

@ricardo_andreucci

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